Bioquímica: Carboidratos e Proteínas
Bioquímica: Carboidratos e Proteínas
LIPÍDEOS, AMINOÁCIDOS
E PROTEÍNAS
Daniell Lima Costa Muniz
Sumário
INTRODUÇÃO������������������������������������������������� 3
CARBOIDRATOS��������������������������������������������� 4
Classificação e nomenclatura dos carboidratos���������������� 4
Estrutura e funções dos carboidratos��������������������������������� 5
LIPÍDEOS������������������������������������������������������ 15
Classificação e nomenclatura dos lipídeos���������������������� 15
Estrutura e funções dos lipídeos��������������������������������������� 16
AMINOÁCIDOS (CLASSIFICAÇÃO E
ESTRUTURA)������������������������������������������������ 24
Peptídeos e ligações peptídicas���������������������������������������� 27
ENZIMAS������������������������������������������������������ 30
Fatores que influenciam a velocidade de reação������������� 34
Inibidores e reguladores enzimáticos������������������������������� 35
CONSIDERAÇÕES FINAIS���������������������������� 36
2
INTRODUÇÃO
A palavra bioquímica pode soar algo difícil, algo
inalcançável, mas é importante lembrarmos que
a bioquímica faz parte da prática profissional de
todo profissional de saúde. Neste e-book iremos
entender um pouco sobre a bioquímica e suas
aplicações.
3
CARBOIDRATOS
Você certamente já ouviu falar em carboidratos
alguma vez em sua vida. O carboidrato está intima-
mente ligado às nossas vidas, mesmo sem você
saber o que ele é, de forma técnica, ele está com
você. Neste subtópico discutiremos o que são os
carboidratos, sua função para nosso organismo e
onde encontrá-los na natureza.
CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA
DOS CARBOIDRATOS
Os carboidratos são as biomoléculas mais abun-
dantes na natureza e em sua grande maioria são
formadas pela combinação de átomos de carbo-
no, hidrogênio e oxigênio. São muitos os nomes
dados como sinônimos aos carboidratos, como
glicose, açúcar, aldoses e celulose. Isso acontece
porque é de costume adotar nomes que combinem
a função e o número de carbono da molécula.
Portanto, conhecer o número de carbonos e sua
função facilitará compreendê-los e diferenciá-los.
4
moléculas de açúcar, e carboidratos complexos,
que são compostos maiores que contêm mais de
três moléculas de açúcar unidas. Os carboidratos
simples são classificados em monossacarídeos
e oligossacarídeos e os carboidratos complexos
são classificados como polissacarídeos.
5
Figura 1: Monossacarídeos (Glucose = Glicose; Fructose =
Frutose; Galactose = Galactose)
6
Outro açúcar simples são os oligossacarídeos.
Os principais oligossacarídeos são os dissacarí-
deos, que têm em sua estrutura a soma de dois
monossacarídeos (açúcares duplos). Os três mais
importantes dissacarídeos são:
7
Figura 2: Oligossacarideos (2a – Sacarose = Glicose +
Frutose; 2b – Lactose = Galactose + Glicose; 2c – Maltose
= Glicose + Glicose)
CH2OH HO-CH2 O CH2OH
O
OH OH
OH O OH
OH OH
Sacarose (glicosil-frutose) 2a
CH2OH CH2OH
OH O O
OH O OH
OH
OH OH
Lactose (galactosil-glicose) 2b
CH2OH CH2OH
O O
OH OH
OH O OH
OH OH
Maltose (glicosil-glicose) 2c
8
Os polissacarídeos constituem a classe dos
carboidratos complexos, são polímeros que são
constituídos por ligações de três ou mais (centenas,
até mesmo milhares) de moléculas de monossa-
carídeos. Podem ser encontrados tanto em fontes
animais quanto vegetais, como o glicogênio, um
importante polissacarídeo de fonte animal, e o
amido, um polissacarídeo de fonte vegetal.
9
Figura 3: Amido: (A) amilose com cadeia linear longa e (B)
Amilopectina com cadeia ramificada
Ligação em cadeias lineares na amido amilose, em arranjo
A
helicoidal
O O O O O O
O O
OO OO OO
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O
O O O
Pão Branco
O O
O O
Ponto de
O
ramificação
O O O O
O O O O
Maçã
10
Figura 4: Estrutura bidimensional do glicogênio. Estrutura
de cor verde representa a glicogenia.
5
4
3
1 2
11
1) Uma das principais funções é a de fonte de
energia. Isso mesmo, o carboidrato é a principal
fonte de combustível energético para o nosso orga-
nismo, principalmente para a prática de exercícios
físicos. Todo tipo de trabalho biológico, como a
contração muscular, é mediado pela energia pro-
veniente do catabolismo (reação que transforma
alimentos em energia celular, ou seja, parte do
metabolismo em que ocorre vias de degradação,
“quebra”, das substâncias para obter energia como
a adenosina trifosfato – ATP) do carboidrato, mais
precisamente da glicose transportada pelo sangue
e do glicogênio muscular.
12
sintomas de hiperglicemia, como o excesso de
sede, fome, visão embaçada, dificuldade de cica-
trização e vômitos frequentes. Persistindo, pode-se
desenvolver a diabetes.
SAIBA MAIS
FIQUE ATENTO
13
mento de doenças crônicas como obesidade, diabetes
e hipertensão.
14
LIPÍDEOS
Os lipídeos, cujo termo se origina no grego lipos,
“gordura”, constituem uma classe de compostos
heterogênicos como os óleos, as gorduras, ceras e
outros compostos relacionados. Como o carboidra-
to, os lipídeos também estão presentes em nosso
corpo e principalmente em nossa dieta. Portanto,
neste tópico conheceremos suas classificações,
estrutura e funções.
CLASSIFICAÇÃO E
NOMENCLATURA DOS LIPÍDEOS
Os lipídeos têm características de alta solubilida-
de em solventes orgânicos e são praticamente
insolúveis na água. São muitas as classificações
e nomenclaturas para essa classe de moléculas.
Mas podemos separá-los em: lipídeos simples,
lipídeos compostos e lipídeos derivados. Os lipí-
deos simples, também conhecidos como gorduras
neutras, consistem nos triacilgliceróis. Recebe
esse nome por conter uma molécula de glicerol
acilado por três ácidos graxos (triacil), os ácidos
graxos complementam a classe de lipídeos simples,
podendo ser ácidos graxos monoinsaturados ou
polinssaturados.
15
substâncias químicas. Nessa classe de lipídeos
compostos encontramos os fosfolipídeos, glico-
lipideos e as lipoproteínas. Além desses, existem
os lipídeos derivados, um dos mais conhecidos é
o colesterol, que embora não tenha ácidos graxos
em sua estrutura, compartilha de características
físicas e químicas semelhantes aos lipídeos. Outra
coisa importante do colesterol é que ele é encon-
trado somente no tecido animal. Agora, vamos
conhecer melhor cada um desses lipídeos e suas
funções para o nosso organismo.
16
Por exemplo, nas gorduras animais são ricos em
ácidos graxos saturados, já os óleos vegetais são
ricos em ácidos graxos insaturados.
Triacilgliceróis
Glicerol
17
portanto, podem ser ácidos graxos saturados e
ácidos graxos monoinsaturados (presença de uma
insaturação) e ácidos graxos poli-inssaturados
(duas ou mais insaturações).
18
Figura 6: Estruturas básicas de um ácido graxo saturado
19
Figura 7: Estruturas básicas de um e ácido graxo
insaturado
20
por interagirem tanto com a água quanto com li-
pídeos, proporcionando integridade estrutural às
bainhas de mielina das fibras nervosas.
H O
H C O C R1
H C O C R2 O
H C O C O p O R3
H O-
Fonte: FCFAR.
21
Tabela 1: Características das lipoproteínas.
Lipoproteínas Características
22
SAIBA MAIS
23
AMINOÁCIDOS
(CLASSIFICAÇÃO E
ESTRUTURA)
Os aminoácidos são compostos que apresentam
um grupo amino, que tem dois átomos de hidrogênio
ligados ao nitrogênio (NH2) e um grupo carboxila,
com um átomo de carbono, 2 de oxigênio e 1 de
hidrogênio (COOH), ligados ao carbono que está
ligado a um átomo de hidrogênio e um grupo va-
riável conhecido como cadeia lateral (grupo R), e
será esse grupo que determinará as características
específicas de cada aminoácido:
24
De acordo com a polaridade do grupo R, os ami-
noácidos podem ser classificados como ami-
noácidos apolares ou aminoácidos polares. Os
aminoácidos apolares têm em sua composição
um grupo R hidrofóbico e assim não interagem
com a água, muito encontrados no interior das
moléculas proteicas. E os aminoácidos polares que
têm afinidade e interagem com a água geralmente
estão nas superfícies das moléculas proteicas.
Portanto, a estrutura específica do grupo R dará a
cada aminoácido uma função diferente.
25
FIQUE ATENTO
26
PEPTÍDEOS E LIGAÇÕES
PEPTÍDICAS
Conforme você ficou sabendo, um peptídeo é a
união entre dois ou mais aminoácidos que são
ligados por meio da ligação chamada de ligação
peptídica. Os peptídeos podem ser classificados de
acordo com a quantidade de aminoácidos ligados
presentes nas estruturas. Podem ser peptídeos
com dois aminoácidos ligados, tripeptídeos, te-
trapeptídeos, oligopeptídeos e polipeptídios, que
são aqueles com mais de 10 aminoácidos ligados.
Os peptídeos têm funções importantes para o
funcionamento do organismo, podem agir como
hormônio, antibióticos e agentes redutores.
H O H O
H3N+ Cα C N Cα C O
R1 H R2
Ligação Peptídica
27
PROTEÍNAS (ESTRUTURA E
FUNÇÕES)
Proteínas são as biomoléculas mais diversificadas
em suas formas e funções. Estão presentes na
constituição das células desde a matriz extrace-
lular ao citoesqueleto. São muitas as funções das
proteínas no nosso organismo, as principais são
de estrutura e físicas.
28
teína para proteína, porque pode ter a combinação
dos 20 aminoácidos diferentes existentes. Então,
cada proteína tem níveis estruturais complexos e
tridimensionais que podem ser classificados em
proteínas globulares e proteínas fibrosas.
PROTEÍNAS FIBROSAS E
GLOBULARES
As proteínas globulares e fibrosas se diferenciam
em suas formas. As globulares têm uma forma
mais esféricas e as fibrosas podem apresentar uma
forma mais retilínea. As proteínas globulares são
solúveis nos solventes aquosos e geralmente são
do tipo funcional, como as enzimas, as proteínas
transportadoras e as proteínas de membranas. Já
as proteínas fibrosas são insolúveis nos solventes
aquosos e têm um aspecto alongado, o que pos-
sibilita a construção de grandes estruturas, como
o colágeno do tecido conjuntivo, a queratina do
cabelo e a miosina dos músculos.
SAIBA MAIS
29
ENZIMAS
Muitos dos trabalhos biológicos ocorrem devido
à presença de enzimas. São elas que controlam
as reações químicas que ocorrem no organismo.
Então, são substâncias orgânicas que, em sua
maioria, são formadas por proteínas e que têm
a função de catalisar reações químicas e assim
poder controlar a velocidade de reação. Tem re-
ações que, se não fosse pela ação das enzimas,
seriam muito lentas e poderiam comprometer toda
a normalidade biológica.
30
ambiente adequado para que as reações ocorram
em velocidades adequadas. Em geral, as enzimas
atuam convertendo uma substância (substrato) em
uma outra (produto) em uma velocidade adequada.
31
forma os produtos, a enzima, então, é liberada
para agir em outro substrato e continuar o ciclo
de reações.
32
Tabela 3: Classificação das enzimas
Nome Ação Exemplo
Oxidorredutases Catalisam reações de Desidrogenase
oxidorredução, remove láctica
os átomos de hidrogê-
nio e adiciona átomos
de oxigênio, podem
ser desidrogenases,
oxidases, oxigenases,
redutases, peroxida-
ses e hidrolases
Transferases Catalisam as transfe- Metiltransferase,
rências de um grupo transfere grupos
funcional de um com- metil (-CH3)
posto para outro
Hidrolases Catalisam reações Lipases, quebra
que acrescentam lipídeos
água, reações de
hidrolises
Liases Catalisam reações Descarboxilase,
quebrando ligações remove CO2
duplas
Isomerases Catalisam reações Fosfoglicerato
que reorganizam a mutase
estrutura molecular
Ligases Catalisam reações Sintetase
que levam à ligação
entre moléculas
33
SAIBA MAIS
34
É importante falarmos sobre as coenzimas. Elas
não afetam de forma direta a velocidade de reação,
entretanto, para algumas enzimas iniciarem sua
atividade, dependem desses cofatores (coenzi-
mas). Ou seja, essas coenzimas facilitam a ação
enzimática, unindo o substrato a uma enzima
específica. Por exemplo, os íons metálicos ferro e
zinco desempenham um papel de coenzima, mas
também podem ser vitaminas.
INIBIDORES E REGULADORES
ENZIMÁTICOS
Os inibidores ou reguladores enzimáticos são
moléculas que agem aumentando, diminuindo ou
interrompendo as reações enzimáticas. Podemos
observar que existem os inibidores competitivos,
cuja estrutura se assemelha com o substrato normal
da enzima, fazendo com que ela se conecte com
essa substância, o que reduz ou inibe a interação
da enzima com seu substrato.
35
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir de agora, quando você se alimentar, tente
lembrar dos conceitos técnicos e funções que
cada nutriente tem para nosso corpo. Uma delas
são as fontes de energia que são o carboidrato, o
lipídeo e até a proteína. E precisamos dar ênfase
no papel fundamental do carboidrato como fonte
de energia, principalmente para nosso cérebro. Se
deixamos de ingerir carboidratos, os lipídeos até
vão dar energia para nosso cérebro, mas é com a
glicose que ele funcionará de forma ótima.
36
Referências Bibliográficas
& Consultadas
BELLÉ, L. P. Bioquímica aplicada:
reconhecimento e caracterização de
biomoléculas. São Paulo: Érica, 2014. [Minha
Biblioteca].