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Trabalho de C.A

Contrato Administrativo Angolano

Enviado por

Nelsen Mendes
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INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimos anos, Angola tem vindo a reconhecer os ganhos económicos que o
sector privado pode oferecer ao país e está a trabalhar afincadamente para assegurar que o
sector privado tenha o espaço necessário para que se assuma como o verdadeiro motor do
crescimento económico.

Com esse intuito, o Executivo elaborou um ambicioso programa de reformas para as

empresas públicas, que inclui a reestruturação de algumas empresas estatais, a privatização

de outras e o desenvolvimento de parcerias público-privadas (PPP).

Mais adiante estudaremos mais a respeito das Parcerias Público Privadas, como:

• Seu conceito

• Sua caracterização

• Natureza Jurídica e Contextualização no Ordenamento Jurídico Angolano

• A destrinça entre as Parcerias público Privadas e os Contratos Públicos.


CONCEITO DE PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS

entende-se por Parceria Público-Privada, a relação jurídica constituída por contrato ou a


união de contratos, por via dos quais, pessoas jurídicas ou entes privados, designados por
parceiros privados, se obrigam, de forma duradoura, perante um parceiro público, mediante
contrapartida, a assegurar o desenvolvimento de uma actividade tendente à satisfação de
uma necessidade colectiva em que a responsabilidade pelo financiamento, investimento,
exploração e riscos associados incubem, no todo ou em parte, ao parceiro privado.

Entende-se, ainda, por Parceria Público-Privada, a constituição de uma sociedade de fim


específico, cujas participações sociais são detidas pelos parceiros público e privado, para a
implementação de um projecto comum ou a prestação de um serviço público com vista à
satisfação de uma necessidade colectiva.

Nos termos do número 1 e número 2 do artigo 3.º do Diploma: Lei n.º 11/19 de 14 de maio.

Primeiramente, foram tomadas medidas importantes para se criar um ambiente legal e


regulatório sólido com a aprovação da Lei das PPP, (Parceria Público Privada) em maio de
2019 e regulamentos subsequentes. Essa legislação estabelece uma ampla estrutura que
suporta um ambiente propício para o desenvolvimento de um programa de PPP no país e
permite um processo transparente e competitivo que concorre para o êxito das transacções.

Como corolário, foi aprovado em Setembro de 2020 o Plano Operacional de Estruturação de


Parcerias Público-Privadas (PPP), a implementar até dezembro de 2021, o qual procura assegurar que
os efeitos sobre as finanças públicas não sejam prejudiciais nem no presente nem no futuro.
Sobre as Parcerias Público-Privadas, que tem por objecto a definição das bases gerais aplicáveis à
privatização, à concepção, ao lançamento, à modificação, à fiscalização e ao acompanhamento global
das parcerias público-privadas.
A necessidade de se operar uma modificação significativa ao actual regime jurídico aplicável às
Parcerias Público-Privadas (PPP’s) que visa proceder a ajustamentos de melhoria ao respectivo
quadro legal vigente e tornar mais dinâmico e actualizado o enquadramento jurídico-legal das PPP’s
no País; Tendo em conta que a modificação há-de permitir que as Parcerias Público-Privadas (PPP’s)
no País, se configurem como uma via alternativa, exequível e abrangente que, de forma
paradigmática, vai estar ao dispor do Executivo para mobilizar as capacidades de financiamento e
gestão do sector privado, abrindo a operadores deste sector, a participação na esfera da prestação
pública; A Assembleia Nacional aprova, por mandato do povo, nos termos do n.º 2 do artigo 165.º e
da alínea d) do n.º 2 do artigo 166.º, ambos da Constituição da República de Angola
CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS

As Parcerias Público-Privadas (PPP) em Angola são caracterizadas por:

• Serem uma estratégia para o desenvolvimento sócio económico do país.

• Objectivarem melhorar a qualidade dos serviços públicos e o acesso à infraestrutura.

• Considerarem o setor privado para atender a objetivos públicos.

• Considerarem a eficiência no uso dos recursos públicos.

• Considerarem o respeito aos direitos dos destinatários dos serviços.

• Considerarem a responsabilidade orçamental.

• Considerarem a transparência nos procedimentos e decisões.

• Considerarem a repartição do risco de acordo com a capacidade das partes.

• Considerarem a sustentabilidade financeira e as vantagens sócio-económicas do projeto


CONTEXTUALIZAÇÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL DAS PPP
NO ORDENAMENTO JURÍDICO ANGOLANO

No cenário contemporâneo de desenvolvimento económico, as Parcerias Público-Privadas (PPP) têm


emergido como uma abordagem estratégica e eficiente para a colaboração entre o sector público e o
sector privado. Em Angola, uma nação com vasto potencial económico e recursos naturais
abundantes, as PPP têm despertado crescente interesse e se estabelecido como uma ferramenta
crucial para impulsionar o progresso sócio económico e enfrentar desafios básicos e fundamentais
do sector público.
Em Angola, as PPP apresentam-se como uma alternativa valiosa para superar a escassez de recursos
financeiros e técnicos, enquanto promovem o desenvolvimento de infraestrutura essencial, como
estradas, pontes, hospitais e escolas, entre outros.
Ao envolver o sector privado na concepção, construção, financiamento e operação desses projectos,
as PPP alinham os interesses dos dois sectores, criando uma sinergia capaz de alavancar recursos,
expertise e eficiência, visando alcançar objectivos comuns.
As PPP são regidas pela Lei das Parcerias Público-Privadas, aprovada pela Lei n° 10/19, de 14 de Maio
de 2019. Esta legislação estabelece o quadro legal e normativo para a implementação, contratação,
gestão e monitorização de PPP no País.
A Lei das Parcerias Público-Privadas define uma PPP como sendo uma relação jurídica de fim
específico entre a administração pública e uma entidade privada, com o objectivo de desenvolver,
financiar, construir ou explorar um projecto de interesse público com vista à satisfação de uma
necessidade colectiva. Essas parcerias podem abranger diversos sectores, como infraestrutura,
energia, saúde, educação, entre outros.
Potencial e Desafios das Parcerias Público Privadas em Angola.

Em Angola existe sim as parcerias público privadas pelo que a lei: Lei n.º 11/19 de 14 de Maio explica
o seu âmbito de aplicação.

ÂMBITO DE APLICAÇÃO
a) O Estado e os serviços da sua administração directa;
b) As Autarquias Locais;
c) Os Institutos Públicos;
d) Os Fundos Públicos;
e) As Empresas Públicas e as Empresas com Domínio
público, conforme definidas na Lei;
f) Outras entidades constituídas pelas entidades a que se
referem as alíneas anteriores com vista à satisfação de
necessidades de interesse geral.

Logo a Sra Lei estabelece a existência das Parcerias Público Privadas no nosso ordenamento Jurídico
Angolano.
PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS EM ANGOLA

SECTORES PREFERENCIAIS DE IMPLEMENTAÇÃO DAS


PPPS
Apesar de a lei não referir expressamente quaisquer sectores onde as PPPs deverão ser,
preferencialmente, implementadas, tendo em conta a realidade angolana, parece-nos que
este diploma, e posterior regulamentação, serão especialmente relevantes nos seguintes
sectores de actividade:

1- Infra-Estruturas Rodoviárias: Nos últimos anos, mais de 3.000 km de estradas foram


reabilitados em todo o país, existindo actualmente planos para reabilitar mais de 8.000 km
O Governo de Angola já anunciou, através do Ministério do Urbanismo e Construção, o
investimento de 3,1 mil milhões de euros em novas estradas no território nacional, estando
actualmente à procura de parceiros internacionais para construir e posteriormente gerir as
novas infra-estruturais.

2- Equipamentos e Redes de Saneamento: Também reabilitação e construção de


equipamentos e redes de abastecimento e saneamento das grandes cidades angolanas
deverão constituir áreas prioritárias para o estabelecimento de parcerias público-privadas,
tendo em conta as necessidades actualmente
sentidas pela população.

3- Energia: O potencial energético de Angola não é, actualmente, explorado em toda a sua


extensão.
O investimento na expansão da rede eléctrica e na construção de barragens, estações
eléctricas e outras infra-estruturas deverá estar na lista de prioridades do Estado, através do
lançamento de PPPs nesta área.

4-Outras Infra-Estruturas e Serviços:


A forte aposta do governo angolano na reabilitação e construção de diversas infra-
estruturas básicas no território nacional tem-se reflectido, no últimos anos, no anúncio de
numerosos projectos, entre eles a construção de novos portos, aeroportos e centros
logísticos em todo o território, sendo ainda expectáveis PPP's para a modernização e gestão
de diversos serviços públicos.
CONTRATOS PÚBLICOS
VISÃO GERAL

A Lei dos Contratos Públicos (LCP), aprovada pela Lei n.° 41/20, de 23 de Dezembro,
estabelece normas sobre a formação e execução dos contratos de empreitada de obras
públicas, locação e aquisição de bens móveis e serviços, bem como os demais contratos não
regidos por lei especial.

LEGISLAÇÃO APLICÁVEIS

No processo de formação e execução de contratos, é imprescindível o conhecimento e


aplicação da legislação:

Lei dos Contratos Públicos (LCP) - Lei n.° 41/20, de 23 de Dezembro:


Regulamento que Aprova a Unidade de Contratação Pública e institucionaliza a figura do
gestor de contrato ou projecto (Decreto Presidencial n.° 88/18, de 6 de Abril);
• Lei do Orçamento Geral do Estado - Lei n.° 15/10, de 14 de Julho; v Regras Anuais de
Execução do OGE para cada ano económico;
• Normas do Procedimento e da Actividade Administrativa (Decreto-Lei n.° 16-A/95, de 15
de Dezembro);
• Lei do Património Público (Lei n.° 18/10, de 6 de Agosto);
• Lei Orgânica e do Processo do Tribunal de Contas (Lei n.º 13/10, de 9 de Julho);
• Lei que Altera a Lei Orgânica e do Processo do Tribunal de Contas (Lei n.° 19/19, de 14 de
Agosto);
• Lei de Base das Privatizações (Lei n.° 10/19, de 14 de Maio);
• Lei sobre as Parcerias Público-Privadas (Lei n.° 11/19, de 14 de Maio);
Regulamento sobre as Parcerias Público-Privadas (Decreto Presidencial n.° 316/19, de 28 de
Outubro);
• Alteração e Aditamento do Regulamento sobre as Parcerias Público-Privadas (Decreto
Presidencial n.° 111/21, de 29 de Abril);
v Lei das Micro Pequenas e Médias Empresas (Lei n.° 30/11, de 13 de Setembro);
• Leide Fomento do Empresariado Nacional(Lei n.° 14103, de 18 de Julho)
ÂMBITO DE APLICAÇÃO DOS CONTRATOS PÚBLICOS

A presente Lei é aplicável à formação e execução de contratos de empreitada de obras


públicas, locação ou Aquisição de Bens Móveis e de Aquisição de Serviços celebrados por
uma Entidade Pública Contratante, bem como:

a) À formação dos demais contratos a concluir pelas Entidades Públicas Contratantes que
não estejam sujeitos a um regime legal especial;

b) À formação e execução de contratos de concessão administrativa, nomeadamente


concessões de obras públicas, de serviços públicos, de exploração de domínio público e à
formação dos contratos cuja concretização seja efectuada por intermédio de Parceria
Público-Privada;

c) Aos contratos celebrados pelos órgãos de defesa,


segurança e ordem interna, sem prejuízo do disposto na alínea b) do n.º 1 do artigo 7.º; da
presente Lei.

d) À formação e execução de contratos celebrados pelas Empresas Públicas e Empresas de


Domínio Público, nos termos da presente Lei, que beneficiam de subsídios operacionais ou
quaisquer operações com fundos provenientes do
Orçamento Geral do Estado, cujo valor estimado seja igual ou superior ao previsto no nível 7
do Anexo I;

e) Aos contratos comerciais decorrentes de financiamentos.


QUEM PODE EXERCER A CONTRATAÇÃO PÚBLICA

Para efeitos da presente Lei, são Entidades Públicas Contratantes:

a) O Presidente da República, os Órgãos da Administração Central e Local do Estado, a


Assembleia Nacional, os Tribunais, a Procuradoria Geral da República, as Instituições e
Entidades Administrativas Independentes e as Representações de Angola no Exterior;

b) As Autarquias Locais;

c) Os Institutos Públicos;

d) Os Fundos Públicos;

e) As Associações Públicas;

f) As Empresas Públicas e as Empresas com Domínio


Público, conforme definidas na Lei;

g) Os organismos de direito público, considerando- se como tais quaisquer pessoas


colectivas que, independentemente da sua natureza pública ou privada, prossigam o
interesse público sem carácter comercial ou industrial e que na sua prossecução sejam
controladas ou financiadas pelo Estado Angolano com recurso à afectação do Orçamento
Geral do Estado.
PRINCÍPIOS GERAIS DOS CONTRATOS PÚBLICOS

Na formação e na execução dos contratos públicos devem ser respeitados os princípios gerais
decorrentes da Constituição, do regime do procedimento e da actividade administrativa, em especial
os seguintes:

• Da legalidade;
• Da economicidade;
• Da probidade;
• Do formalismo;
• Da prossecução do interesse público;
• Da imparcialidade;
• Da proporcionalidade;
• Da boa-fé;
• Da sustentabilidade e da responsabilidade;
• Da concorrência;
• Da publicidade;
• Da igualdade;
• Da continuidade e regularidade.
DISTINÇÃO ENTRE AS PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS
VERSUS CONTRATOS PÚBLICOS

A principal diferença entre uma parceria público-privada (PPP) e um contrato público é que,
numa PPP, o setor privado assume o investimento, financiamento e operação de um serviço,
enquanto o governo atua como comprador do serviço já pronto.

Uma PPP é um contrato de concessão entre o setor público e o privado, com o objetivo de
gerir obras e serviços de interesse público. A empresa assume o investimento,
financiamento e operação do serviço.

Nas PPPs, o parceiro público pode pagar contraprestações pecuniárias ao parceiro privado,
ao contrário das concessões tradicionais, em que a viabilidade econômica financeira
depende exclusivamente da tarifa paga pelos usuários. .
As PPP também distinguem-se pelo facto de:
A associação dos privados à satisfação necessidades colectivas, tal como definidas pelo sector
público.

O estabelecimento de uma relação duradoura (por vezes, décadas).

O facto de pressupor que sejam alcançados determinados resultados, assim assumindo o parceiro
privado uma obrigação de resultados e não já de meios.

O facto de a financiamento responsabilidade pelo investimento pertencer, pelo menos parcialmente


ao parceiro peivado;
CONCLUSÃO

É importante ressaltar que a implementação de PPPs requer uma abordagem cuidadosa e


estratégica. Angola deve avaliar os riscos envolvidos, garantir a transparência e a prestação
de contas, além de monitorar de forma contínua o desempenho dos projectos. Com um
quadro legal adequado, capacidades institucionais fortalecidas e um ambiente propício ao
investimento, Angola tem o potencial de alcançar resultados significativos por meio das PPP,
impulsionando o crescimento económico e melhorando a qualidade de vida dos seus
cidadãos.

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