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Geologia e Recursos Minerais de Vilhena

Geologia e recursos minerais da folha Vilhena - SD.20x-b

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Daniel Memória
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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A elaboração do mapa geológico da Folha Vilhena, na GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Cartografia da Amazônia

SD.20-X-B
escala 1:250.000, resulta de uma ação do Serviço DA FOLHA FOLHA VILHENA
Geológico do Brasil – CPRM, empresa pública vinculada à
Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação
Levantamentos Geológicos Básicos
Escala: 1:250.000
Mineral, do Ministério de Minas e Energia, em parceria
com as Forças Armadas, cujo objetivo é o de levantar
informações no chamado vazio cartográfico da Amazônia,
com ênfase nas cartografias terrestre, náutica e geológica, ESTADO DE RONDÔNIA
insumos estratégicos e de suporte ao planejamento de
políticas públicas, defesa nacional e execução de projetos GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA
de infraestrutura a serem desenvolvidos na região.

O projeto foi executado pela Residência da CPRM em


FOLHA FOLHA VILHENA – SD.20-X-B

GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA VILHENA


Porto Velho - RO, no âmbito do Projeto Cartografia da
Amazônia e dentro das diretrizes do Programa Geologia
do Brasil.

Na Folha Vilhena, foram realizados levantamentos de


dados geológicos e geoquímicos, análises de dados
aerogeofísicos (magnetometria e gamaespectrometria),
estudos petrográficos, análises químicas de rochas,
geoquímica de sedimentos ativos de corrente e análises
mineralométricas de concentrado de bateia.

Esse produto deverá auxiliar o governo do estado de


Rondônia e órgãos de planejamento e da defesa nacional,
no estabelecimento de políticas públicas de
desenvolvimento regional, na medida em que servirão de
base para estudos de prospecção e exploração mineral e FOLHA VILHENA SD.20-X-B
na adoção de ações estratégicas que visem o
desenvolvimento econômico-social. MARÇO DE 2016

Nesse contexto, o conhecimento geológico sistematizado


pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM também passa
a ser considerado como fonte primordial de informação
do meio físico e requisitado para os estudos de
zoneamento ecológicoeconômico e de gestão ambiental, Programa Geologia do Brasil
especialmente na área de influência da Amazônia Legal.
Escala: 1:250.000
[Link] 2016

SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA


Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495
E-mail: seus@[Link] E-mail: ouvidoria@[Link]

SECRETARIA DE
GEOLOGIA, MINERAÇÃO MINISTÉRIO DE
E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINAS E ENERGIA
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
Diretoria de Geologia e Recursos Minerais
Departamento de Geologia
Residência de Porto Velho

Programa Geologia do Brasil

GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS


DA FOLHA VILHENA
SD.20-X-B
ESCALA 1:250.000
ESTADO DE RONDÔNIA

Gilmar José Rizzotto


José Guilherme de Oliveira
Nolan Dehler
Idio Lopes Júnior

PORTO VELHO
2016
CPRM – RESIDÊNCIA DE PORTO VELHO
AVENIDA LAURO SODRÉ, 2561 – BAIRRO SÃO SEBASTIÃO
PORTO VELHO – RO – 78904-300
FAX: (69) 3901-3702
TEL.: (69) 3901-3700/3901-3701
[Link]

Rizzotto, Gilmar José


R627g
Geologia e recursos minerais da Folha Vilhena SD. 20-X-B,
Escala 1:250.000, Estado de Rondônia / Gilmar José Rizzotto [et al.].
- Porto Velho: CPRM, 2016.

128 p.: il. color.

Programa Geologia do Brasil (PGB).

ISBN 978-85-7499-269-3

1. Geologia Regional-Brasil-Rondônia. 2. Recursos Minerais-Brasil-


Rondônia. I. Rizzotto, Gilmar José. II. Oliveira, José Guilherme de. III.
Dehler, Nolan. IV. Lopes Júnior, Idio. V. Título.

CDD 558.175

Direitos desta edição: CPRM – Serviço Geológico do Brasil


É permitida a reprodução desta publicação desde que mencionada a fonte.
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
Diretoria de Geologia e Recursos Minerais
Departamento de Geologia
Residência de Porto Velho

Programa Geologia do Brasil


GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS
DA FOLHA VILHENA
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
Fernando Coelho Filho
Ministro de Estado

SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL


Vicente Humberto Lôbo Cruz
Secretário

SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL - CPRM


Eduardo Jorge Ledsham
Diretor-Presidente
Roberto Ventura Santos
Diretor de Geologia e Recursos Minerais
Stênio Petrovich Pereira
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial
Antônio Carlos Bacelar Nunes
Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento
Nelson Victor Le Cocq D’Oliveira
Diretor de Administração e Finanças
Reginaldo Alves dos Santos
Chefe do Departamento de Geologia
Francisco Valdir Silveira
Chefe do Departamento de Recursos Minerais
Edilton José dos Santos
Chefe da Divisão de Geologia Básica
Luiz Gustavo Rodrigues Pinto
Chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica
Patricia Duringer Jacques
Chefe da Divisão de Geoprocessamento
Paulo Roberto Macedo Bastos
Chefe da Divisão de Cartografia
José Márcio Henriques Soares
Chefe Interino do Departamento de Relações Institucionais e Divulgação
José Márcio Henriques Soares
Chefe da Divisão de Marketing e Divulgação
RESIDÊNCIA DE PORTO VELHO
Edgar Romeo Herrera de Figueiredo Iza
Chefe de Residência
Ruy Benedito Calliari Bahia
Coordenador Executivo
Cassiano Costa e Castro
Assistente de Produção de Geologia e Recursos Minerais
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL – CPRM
Diretoria de Geologia e Recursos Minerais
Departamento de Geologia
Residência de Porto Velho

CRÉDITOS AUTORAIS
Gilmar José Rizzotto
José Guilherme de Oliveira
Nolan Maia Dehler
Idio Lopes Júnior

CRÉDITOS DE AUTORIA DO RELATÓRIO


APRESENTAÇÃO COORDENAÇÃO TÉCNICA REGIONAL
Eduardo Jorge Ledsham Cassiano Costa e Castro

1. INTRODUÇÃO COLABORAÇÃO TÉCNICA


Gilmar José Rizzotto João Marcelo Rodrigues de Castro
José Guilherme de Oliveira João Batista Andrade
José Guilherme de Oliveira
2. CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL Marcos Luiz do Espírito Santo Quadros
Gilmar José Rizzotto Maria da Guia Lima

3. ESTRATIGRAFIA REVISÃO FINAL


Gilmar José Rizzotto Reginaldo Alves dos Santos
Jaime Estevão Scandolara
4. GEOLOGIA ESTRUTURAL E TECTÔNICA
Gilmar José Rizzottto PROJETO GRÁFICO (DIAGRAMAÇÃO) – GERIDE-SP
Nolan Maia Dehler Lauro Gracindo Pizzatto
Marina das Graças Perin
5. GEOQUÍMICA PROSPECTIVA José da Costa Pinto
Idio Lopes Júnior
PROJETO GRÁFICO (PADRÃO CAPA/EMBALAGEM –
6. RECURSOS MINERAIS DERID/DIMARK)
Gilmar José Rizzotto Ernesto Von Sperling
José Márcio Henrique Soares
7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Washington José Ferreira Santos
Gilmar José Rizzotto

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Terezinha de Jesus Fôro
Apresentação

O Ministério de Minas e Energia, através da CPRM – Serviço


Geológico do Brasil tem a grata satisfação de disponibilizar à comunidade
técnico-científica e aos empresários do setor mineral brasileiro, mais
um produto do Programa Geologia do Brasil, do Governo Federal,
cujo objetivo é o de implementar ações que ampliem o conhecimento
geológico e hidrogeológico do Brasil, além de produzir e fornecer
informações para o planejamento e ordenamento da ocupação do solo e
do subsolo do território nacional.
Este produto, executado pela Residência de Porto Velho, uma
das unidades regionais do Serviço Geológico do Brasil, reúne dados e
informações geológicas e de recursos minerais sobre uma área de 18.000
km2 localizada no Estado de Rondônia, compreendida pela Folha Vilhena,
abrangendo total ou parcialmente as áreas dos municípios de Vilhena,
Pimenta Bueno, Chupinguaia, Corumbiara, Colorado d’Oeste, Pimenteiras
d’Oeste, Parecis, São Felipe, Primavera de Rondônia, todos do Estado de
Rondônia, e Comodoro no Mato Grosso.
No desenvolvimento do projeto foram realizados levantamentos
de dados geológicos e geoquímicos,análise de dados aerogeofísicos,
estudos petrográficos e geocronológicos, análise química de amostras
de rocha e geoquímica de sedimentos ativos de corrente e análises
mineralométricas de concentrados de bateia.
Os resultados obtidos pelo Projeto representam, sem dúvida
alguma, um importante avanço na cartografia geológica e na avaliação da
potencialidade mineral dessa importante porção do território nacional.
Os dados e informações geológicas geradas durante o desenvol-
vimento do projeto estão armazenados no Banco de Dados Geológicos
do Serviço Geológico do Brasil (GEOBANK), estando também represen-
tados nos mapas geológico e de recursos minerais da folha Vilhena, as-
sim como descritos, de forma mais detalhada, nesta Nota Explicativa. Os
dados armazenados no GEOBANK foram utilizados na construção do SIG
geológico da folha Vilhena cujos arquivos digitais estão sendo divulgados
em CD-ROM.
Com o lançamento deste produto, a CPRM - Serviço Geológico
do Brasil, no contexto da política das ações governamentais voltadas
para a ampliação do conhecimento geológico do País, cumpre seu papel
institucional, dando continuidade e sentido a sua missão de: “Gerar e
difundir o conhecimento geológico e hidrológico básico necessário para
o desenvolvimento sustentável do Brasil”.

Eduardo Jorge Ledsham


Diretor Presidente

v
resumo

O mapeamento geológico da Folha Vilhena permitiu individualizar várias unidades até


então inseridas no indiviso Complexo Xingu ou Complexo Basal, ambos tidos como de
idade Arqueana. Entretanto, os estudos dessa vasta região no extremo sudeste de Ron-
dônia, fronteira com o Mato Grosso, indicam uma geologia diversificada evoluida a par-
tir do Calimiano até os tempos atuais.
O embasamento cristalino da área está representado por rochas máficas e ultramáfi-
cas do Complexo Trincheira, o qual é subdividido em três unidades, a saber: Unidade
Inferior, dominada por granulitos máficos e metapiroxenitos; a Unidade Intermediária,
representada dominantemente por anfibolitos bandados, intercalados a metagabros e
piroxenitos; Unidade Superior, composta por metabasaltos e anfibolitos ricos em anfi-
bólio. Adicionalmente, rochas calciossilicáticas, formações ferríferas bandadas, xistos
e quartzitos também ocorrem associadas a esta unidade. A presença de camadas de
chert, formação ferrífera bandada e basaltos amigdaloidais são consistentes com um
ambiente oceânico para a erupção das rochas vulcânicas e intrusivas associadas.
Os dados isotópicos das rochas máficas estudadas sugerem tratar-se magmas toleiíticos
originados a partir de um manto empobrecido, os quais também são indicativos de uma
origem juvenil em ambiente intraoceânico. O ambiente geotectônico é representado
por um sistema de subducção composto por arco-de-ilha/bacia back arc.
Intercaladas às rochas do Complexo Trincheira ocorrem aquelas pertencentes ao Com-
plexo Colorado, o qual é composto por uma associação de rochas supracrustais consti-
tuídas por gnaisses paraderivados, gnaisses calcissilicáticos, formações ferríferas ban-
dadas, metacherts, xistos pelíticos e raros anfibolitos finos. Mineralizações de ouro em
depósitos aluvionares são derivados, possivelmente, dos litótipos deste complexo e
também dos filitos da Formação Alto Tanaru.
A deformação e metamorfismo superimposto às rochas do Complexo Trincheira e Com-
plexo Colorado se deu por um sistema compressivo derivativo de uma tectônica acres-
cionária (crosta oceânica x arco-de-ilhas) iniciada no Calimiano e, posteriormente, por
uma tectônica colisional (arco-de-ilha x continente) no Ectasiano, gerando zonas de ci-
salhamento de extensão regional (Faixa Alto Guaporé), desenvolvidas em condições
metamórficas na transição de médio para alto grau.
Os granitóides sintectônicos (sienogranito a tonalito) são intrusivos nos xistos, parag-
naisses e anfibolitos do Complexo Colorado e suas feições sugerem magmatismo quase
que contemporâneo com as máficas. Os granitos tardi-tectônicos apresentam contato
claramente discordante com as rochas do embasamento. São granitos stricto senso,
homogêneos, leucocráticos, com incipiente trama de fluxo magmático.
Salienta-se também nesta investigação, a cartografação de unidades metavulcano-sedi-
mentares de baixo grau metamórfico que ocorrem como uma faixa estreita bordejando
a parte sul da Bacia dos Parecis. Da mesma forma, a definição de diamictitos capeados
por carbonatos nessa mesma região sugere uma associação de rochas depositadas no
final do Neoproterozóico, amplamente distribuídas no estado de Mato Grosso e agora
primeiramente identificadas no estado de Rondônia.
A área em apreço apresenta uma potencialidade metalogenética para metais base (Cu-
-Ni-EGP’s) e ouro. A região abrangida pela Folha Vilhena mostra uma diversidade no po-
tencial mineral, englobando desde metais base, ouro, ferro e mangânes até materiais
de emprego direto na construção civil como areia, seixo, brita, argila, rocha ornamental
e material de revestimento para estradas.

vii
ABSTRACT

The geological mapping of the Vilhena region allowed distinguish various units
until then inserted in indiviso Xingu Complex or Basal Complex, both regarded as
Archean age. However, studies of this vast region in the far southeast of Rondônia,
indicating a diverse geology evolved from Calymmian until today.
We document the first-known Mesoproterozoic ophiolite from the southwestern
part of the Amazon craton, corresponding to the Trincheira Complex of Calymmian
age. This complex comprises extrusive rocks (fine-grained amphibolites derived
from massive and pillowed basalts), mafic-ultramafic intrusive rocks, chert, banded
iron formation (BIFs), pelites, psammitic and a smaller proportion of calc-silicate
rocks. This sequence was deformed, metasomatized and metamorphosed during
the development of the Alto Guaporé Belt, a Mesoproterozoic accretionary orogen.
The presence of layers of chert, banded iron formation and amigdaloidais basalts
are consistent with an oceanic setting for the eruption of the volcanic rocks and
associated intrusive.
The isotopic data of mafic rocks are suggestive of tholeiites magmas derived from
a depleted mantle, which are also indicative of a juvenile source in intraoceanic
environment. The geotectonic environment is represented by a subduction system
consisting of the island arc/ back arc basin.
The Colorado Complex rocks occur intercalated with the Trincheira Complex rocks,
which consist of a combination of supracrustal rocks, consist of paragneisses,
calcissilicatic gneisses, banded iron formations, metacherts, pelitic schists and
amphibolites. Gold mineralization in alluvial deposits are derived possibly of the
lithotypes of this complex and also of phyllites of the Alto Tanaru Formation.
The deformation and metamorphism overprinted rocks of Trincheira and Colorado
complexes derivative of a compressive tectonic acretionary (oceanic crust versus
island arc) started at Calymmian and later by a collisional tectonic (island arc versus
continent) in Ectasian, generating shear zones of regional extent (Alto Guaporé
belt), developed in metamorphic conditions in the transition from middle to high
grade.
Syenogranite and tonalite are intrusive in the schists, paragneisses and
amphibolites of the Colorado Complex and its features suggest magmatism almost
contemporaneous with the mafic.
Also highlighted in this research, the discovery of metavolcano-sedimentary
units of low-grade metamorphism occurring as a narrow range bordering the
southern part of the Parecis Basin. Likewise, the definition of diamictites capped by
carbonates in this region suggests an association of rocks deposited at the end of
the Neoproterozoic, widely distributed in the Mato Grosso state and now primarily
identified in the Rondônia state.
The area in question has a metallogenic potential for basic metals (Cu-Ni-PGE’s)
and gold. Additionally, shows diversity in mineral potential, encompassing iron and
manganese and residual materials such as sand, gravel, gravel, clay, and ornamental
rocks.

ix
SUMÁRIO

RESUMO................................................................................................. 7

ABSTRACT.............................................................................................. 9

1 – INTRODUÇÃO......................................................................................17
1.1 Histórico.............................................................................................17
1.2 Localização e acesso............................................................................17
1.3 Aspectos sócio-Econômicos....................................................................18
1.4 Clima, fisiografia e geomorfologia........................................................18
1.4.1 Unidades denudacionais....................................................................20
1.4.2 Unidades agradacionais.....................................................................20

2 – CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL...........................................................23

3 – ESTRATIGRAFIA...................................................................................29
3.1 Generalidades......................................................................................29
3.2 Unidades Litoestratigráficas.................................................................29
3.2.1 Complexo Máfico-Ultramáfico Trincheira................................................29
[Link] Comentários gerais.................................................................29
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato.............................. 29
[Link] Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação....................... 29
[Link] Litoquímica e petrogênese...................................................... 35
[Link].1 Anfibolitos finos (metabasaltos)................................... 43
[Link].2 Anfibolitos ricos em anfibólio...................................... 43
[Link].3 Anfibolitos porfiroblásticos......................................... 43
[Link].4 Granulitos máficos................................................... 45
[Link].5 Cumulados máfico-ultramáficos................................... 45
[Link].6 Gabros.................................................................. 45
[Link] Características geofísicas........................................................ 46
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 46
3.2.2 Complexo Colorado......................................................................... 47
[Link] Comentários gerais................................................................ 47
[Link]- Distribuição geográfica e relações de contato............................. 47
[Link]- Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação...................... 48
[Link].1 Unidade Metapelítica................................................ 48
[Link].2 Unidade Ferro-Manganesífera..................................... 49
[Link].3 Unidade Calcissilicática............................................. 50
[Link].4 Unidade Para-anfibolito............................................. 50
[Link] Litoquímica e petrogênese...................................................... 50
[Link] Características geofísicas........................................................ 52
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 53
3.2.3 Suíte São Felipe.............................................................................. 53
[Link] Comentários gerais................................................................ 53

xi
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato.............................. 54
[Link] Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação....................... 54
[Link] Características geofísicas........................................................ 54
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 54
3.2.4 Fácies Fazenda Olga........................................................................ 55
[Link] Comentários gerais ............................................................... 55
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato.............................. 55
[Link] Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação....................... 55
[Link] Características geofísicas........................................................ 55
3.2.5 Suíte Intrusiva Igarapé Enganado ........................................................ 55
[Link] Comentários gerais................................................................ 55
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato .............................. 55
[Link] Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação....................... 55
[Link] Litoquímica e petrogênese...................................................... 56
[Link] Características geofísicas........................................................ 59
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 59
3.2.6 Suíte Intrusiva Alto Escondido............................................................ 59
[Link] Comentários gerais ............................................................... 59
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato.............................. 59
[Link] Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação ...................... 59
[Link] Litoquímica e petrogênese...................................................... 60
[Link] Características geofísicas........................................................ 62
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 62
3.2.7 Suíte Intrusiva Rio Pardo................................................................... 63
[Link] Comentários gerais ............................................................... 63
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato.............................. 63
[Link] Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação....................... 63
[Link] Características geofísicas........................................................ 63
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 63
3.2.8 Formação Alto Tanaru...................................................................... 64
[Link] Comentários gerais................................................................ 64
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato.............................. 64
[Link] Litótipos, petrografia, metamorfismo e deformação....................... 64
[Link] Características geofísicas........................................................ 64
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 65
3.2.9 Formação Corumbiara...................................................................... 66
[Link] Comentários gerais................................................................ 66
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato.............................. 66
[Link] Litótipos............................................................................. 66
[Link] Dados geocronológicos e correlações......................................... 67
3.2.10 Formação Pimenta Bueno................................................................ 68
[Link] Comentários gerais.............................................................. 68
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 68
[Link] Litótipos........................................................................... 68
[Link] Características geofísicas...................................................... 69
[Link] Dados geocronológicos e correlações........................................ 69

xii
3.2.11 Formação Pedra Redonda................................................................ 69
[Link] Comentários gerais.............................................................. 69
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 69
[Link] Litótipos........................................................................... 69
[Link] Características geofísicas...................................................... 69
[Link] Dados geocronológicos e correlações........................................ 69
3.2.12 Formação Fazenda Casa Branca......................................................... 70
[Link] Comentários gerais.............................................................. 70
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 70
[Link] Litótipos........................................................................... 70
[Link] Características geofísicas...................................................... 70
[Link] Dados geocronológicos e correlações........................................ 70
3.2.13 Grupo Parecis............................................................................... 71
[Link] Histórico e comentários gerais................................................ 71
3.2.14 Formação Anari............................................................................. 71
[Link] Comentários gerais.............................................................. 71
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 71
[Link] Litótipos........................................................................... 71
[Link] Litoquímica e petrogênese.................................................... 73
[Link] Características geofísicas...................................................... 75
[Link] Dados geocronológicos e correlações........................................ 75
3.2.15 Diques de diabásio......................................................................... 75
[Link] Comentários gerais.............................................................. 75
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 75
[Link] Litótipos........................................................................... 75
[Link] Características geofísicas...................................................... 75
[Link] Dados geocronológicos e correlações........................................ 75
3.2.16 Formação Rio Ávila........................................................................ 76
[Link] Comentários gerais.............................................................. 76
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 76
[Link] Litótipos........................................................................... 76
[Link] Características geofísicas...................................................... 78
[Link] Dados geocronológicos e correlações........................................ 78
3.2.17 Kimberlitos.................................................................................. 78
[Link] Comentários gerais.............................................................. 78
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 79
[Link] Litótipos........................................................................... 79
[Link] Dados geocronológicos e correlações........................................ 79
3.2.18 Formação Utiariti.......................................................................... 79
[Link] Comentários gerais.............................................................. 79
[Link] Distribuição geográfica e relações de contato............................. 79
[Link] Litótipos........................................................................... 79
[Link] Características geofísicas...................................................... 80
[Link] Dados Geocronológicos e correlações....................................... 80
3.2.19 Coberturas sedimentares cenozóicas.................................................. 81
[Link] Cobertura detrito-laterítica................................................... 81

xiii
[Link] Cobertura laterítica imatura.................................................. 81
[Link] Cobertura sedimentar indiferenciada....................................... 82
[Link] Depósitos aluvionares.......................................................... 82

4 – GEOLOGIA ESTRUTURAL E TECTÔNICA....................................................... 83


4.1 Análise geométrica e cinemática das estruturas..................................... 84
4.1.1 Geometria das estruturas de trend NW-SE............................................. 84
4.1.2 Geometria das estruturas de trend NE-SW............................................. 85
4.2 Evolução geotectônica....................................................................... 87

5 – GEOQUÍMICA PROSPECTIVA..................................................................... 91
5.1 Introdução e metodologia....................................................................91
5.2 Produtos obtidos................................................................................. 94

6 – RECURSOS MINERAIS ................................................................................... 99


6.1 Substâncias metálicas......................................................................... 100
6.2 Substâncias não-metálicas.................................................................. 100
6.3 Potencial econômico.......................................................................... 102

7 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.......................................................... 103

8 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................. 105

APÊNDICES - SÚMULA DOS DADOS DE PRODUÇÃO.............................................. 111

ANEXO 01 - TABELA DE DADOS GEOQUÍMICOS................................................ 115

ANEXO 02 - ANÁLISES QUÍMICAS DOS SEDIMENTOS DE CORRENTE........................ 121

xiv
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

PROJETO GEOLOGIA E RECURSOS


MINERAIS DA FOLHA VILHENA

ESTADO DE RONDÔNIA

xv
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

1 — INTRODUÇÃO

1.1 Histórico • Fortalecimento dos sistemas estaduais de ge-


ologia e recursos minerais;
O marco inicial dos levantamentos geológicos bá- • Indução do setor de serviços em geologia,
sicos na região sudeste do Estado de Rondônia foi o geofísica, geoprocessamento, analítico, e ou-
Projeto Alto Guaporé realizado através do convênio tros;
DNPM/CPRM (1974), quando foi executado o mape- • Incremento no conhecimento geocientífico;
amento geológico regional (escala de 1: 250.000) nas • Capacitação de recursos humanos;
folhas que abrangem aquela região. • Facilitar o acesso da sociedade aos bens mi-
Durante a execução do Programa de Levanta- nerais.
mentos Geológicos Básicos do Brasil-PLGB, im- Neste mister são apresentados a seguir, os resul-
plantado e levado a efeito entre outubro de 1985 tados dos levantamentos geológicos, geoquímicos e
a dezembro de 1999 pela CPRM, a região centro- geofísicos da Folha Vilhena, consoante as mais atua-
-sudeste do referido estado foi contemplada com lizadas técnicas analíticas e de cartografia geológica
o mapeamento geológico básico na escala de que se dispõe na atualidade.
1:100.000 das folhas Paulo Saldanha (SC.20-Z-C-V)
e Rio Pardo (SC.20-Z-C-VI), ambos finalizados em 1.2 Localização e Acesso
1998.
Dando continuidade ao mapeamento básico da A região pesquisada localiza-se na porção sudeste
referida região, o Programa de Geologia Básica - PGB, do Estado de Rondônia, abrangendo, também, uma
implantado pelo governo federal a partir de 2003, pequena porção do sudoeste do Estado de Mato
contempla esta região, no presente trabalho, com Grosso, e está inserida na folha de encarte SD.20-
uma Nota Explicativa e a Cartografia Geológica da X-B (Folha Vilhena), situada entre os meridianos de
Folha Vilhena, de encarte SD.20.X-B, abrangendo os 60000’ e 61030’ de longitude oeste e os paralelos
seguintes itens: mapeamento geológico na escala 1: 12000’ e 13000’ de latitude sul (fig. 01).
250.000; levantamento aerogeofísico (magnetome- A folha ocupa uma área total aproximada de
tria e gamaespectrometria) com espaçamento das 18.000 Km2, abrangendo a totalidade e/ou porções
linhas de vôo de 500m; geocronologia, geoquímica dos municípios de Colorado do Oeste, Vilhena,
de rocha, concentrado de bateia e de sedimento de Chupinguaia, Corumbiara, Pimenta Bueno, Parecis,
corrente, além de análises mineralógicas. Como pro- São Felipe do Oeste, Pimenteiras do Oeste, Primavera
duto final, o Mapa Geológico e de Recursos Minerais, de Rondônia, todos do Estado de Rondônia, bem
ambos estruturados no Sistema de Informações Ge- como, o município de Comodoro no Mato Grosso.
ográficas -SIG. O acesso a área mapeada a partir de Porto Velho
O presente trabalho consubstancia o esforço do pode ser realizado por via rodoviária e/ou aérea. A
governo federal que implantou o PGB (Plano Pluria- principal via de acesso é dada pelo BR-364 que liga
nual 2004-2007) e que a partir de 2008, o levanta- Porto Velho a Vilhena, perfazendo um total de 696
mento geológico da folha passou a fazer parte do km. A partir da BR-364 no sentido sul, podem ser
PROJETO CARTOGRAFIA DA AMAZÔNIA, coordena- utilizadas as rodovias: RO-339 até a sede do município
do pelo Censipam – Centro Gestor e Operacional do de Colorado do Oeste, RO-391 (92 km a sudoeste de
Sistema de Proteção da Amazônia, executado pelas Vilhena) que interliga os municípios de Chupinguaia
Forças Armadas Brasileiras (Exército, Força Aérea e e Corumbiara e, por fim, também pode ser utilizada
Marinha) e pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM a RO-495 que liga os municípios de Primavera de
e assim materializa através dos resultados apresen- Rondônia e Parecis. Estas estradas servem de eixo
tados, os objetivos constantes no programa em epí- rodoviário para as linhas de colonização do INCRA,
grafe, que são os seguintes: possibilitando acesso fácil às sedes de fazendas da
• Avanço no conhecimento geológico do Brasil; região.
• Retomadas do ciclo de geração de jazidas mi- O acesso aéreo à região é facilitado devido à
nerais; existência de vôos comerciais entre Porto Velho com
• Geração de oportunidades de emprego, ren- a cidade de Vilhena e Ji-Paraná (Rondônia) e destas
da e receita; com Cuiabá-MT e Brasília.

17
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 1 - Mapa com a localização geográfica da área mapeada.

1.3 Aspectos Sócio-Econômicos praticada por pequenos produtores (café, milho,


arroz, cacau, mandioca, banana, entre outros
Segundo dados do IBGE (2007) a população dos produtos). Além disso, a folha Vilhena engloba três
municípios da região em apreço são as seguintes: reservas indígenas.
Corumbiara, 9.476 habitantes; Chupinguaia, 7.456 Outro destaque na região fica por conta do
habitantes; Pimenteiras, 2.358 habitantes; Parecis, município de Chupinguaia. Este situa-se em uma
4.583, Primavera de Rondônia, 3.704 habitantes, área de solo rico em sais minerais, como o argilossolo
São Felipe: 6.286, Comodoro (MT), com 18.041 vermelho (apropriado ao plantio), porém contém
habitantes e Vilhena: 66.751, sendo este último o grandes fazendas (latifúndios) de criação de gado,
principal centro populacional e comercial da região, enquanto que em áreas de coberturas sedimentares
possuindo, segundo dados do IBGE atualizados em arenosas com presença de solos podzólicos
2006 uma estrutura com 6 agências bancárias, 37 quartzosos são os locais onde estão assentados os
estabelecimentos de saúde e 149 unidades entre pequenos agricultores. As áreas próximas à sede do
hotéis e restaurantes. A região formada pelos município de Vilhena são tipicamente dominadas por
municípios citados possui um total de 124.896 de uma vegetação de cerrado e floresta de transição,
habitantes, distribuídos numa área total de 63.818 o que facilita o estabelecimento de pequenos
Km2 o que perfaz uma densidade populacional de proprietários onde o plantio da soja é o grande
1,95 habitantes/Km2. Este baixo índice demográfico fomento agrícola de toda a região.
se justifica pelo fato da região ter uma vocação
essencialmente para agropecuária, com uma 1.4 Clima, Fisiografia e Geomorfologia
população maior nos núcleos urbanos (sedes dos
municípios) e o restante da região rural ser dominada De acordo com a classificação de Köppen (1948) o
por fazendas de criação de gado para corte, grandes clima na área de estudo é do tipo AW- Clima Tropical
plantadores de soja, pequenas fazendas e/ou sítios. Chuvoso, com média climatológica da temperatura
Nestes últimos, ocorrem culturas de subsistência do ar, durante o mês mais frio, superior a 180 C

18
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

(megatérmico). A temperatura média anual resulta classificadas em denudacionais e agradacionais ou


de 240 C em Vilhena, não sendo raras máximas diárias deposicionais.
de 350 C (na planície) e de 320 C (na chapada), já tendo Recentemente, Adamy (2002) no Atlas Geoam-
atingido 400 e 360 C, respectivamente. No inverno, biental de Rondônia propôs uma classificação de tipo
mínimas diárias de 180 C ocorrem nas planícies e 90 C genética, também baseada em sistemas agradacio-
na região da chapada. nais e denudacionais. Este autor identificou a pre-
A média anual da precipitação na área da Folha sença de cinco grandes ambientes geomorfológicos,
Vilhena situa-se entre valores de 1600 - 1900 mm e classificando-os nos seguintes domínios:
cresce no sentido leste para valores situados entre 1. Áreas de domínio de superfícies regionais de
2000-2100 mm (Sedam 2002). A maior ação das aplainamento divididas em níveis I, II e III;
chuvas ocorre de outubro até abril, enquanto que no 2. Serras constituídas por rochas sedimentares
período de junho a agosto a precipitação decresce antigas na forma de superfícies tabulares;
tornando-se uma estação seca. Os meses de maio 3. Áreas de denudação em rochas sedimentares
e setembro são considerados como períodos de Terciárias;
transição entre as duas estações. 4. Colinas e morros associados à presença de ro-
Desde o inicio da década de 70 diversos estudos chas resistentes à erosão;
geomorfológicos vem sendo realizados pela CPRM- 5. O sistema fluvial do rio Madeira.
Serviço Geológico do Brasil no Estado de Rondônia. A área compreendida pela folha Vilhena apresen-
Como marco inicial destaca-se os trabalhos de ta uma grande diversidade de unidades geomorfoló-
Figueiredo et al. (1974), Pinto Filho et al. (1977) e gicas, sendo a maior parte composta por relevos de
o projeto RADAMBRASIL (Leal et al. 1978). Estes origem denudacional, com ou sem controle estrutu-
trabalhos apresentaram propostas de classificação ral. Os relevos de origem agradacional restringem-se
das diferentes unidades geomorfológicas presentes a planícies fluviais associadas aos rios de maior porte
no Estado de Rondônia (tab. 1). e a uma área de paleoleques, localizados na bacia hi-
Posteriormente, no Projeto Zoneamento Sócio- drográfica do rio Guaporé.
Econômico-Ecológico do Estado de Rondônia As unidades geomorfológicas dominantes são as
concluído em 1999 pela TECNOSOLO/DHV/EPTISA, Superfícies Tabulares, que refletem um controle lito-
foi proposta uma nova classificação para as unidades lógico das formas em função da ocorrência de rochas
geomorfológicas que ocorrem no Estado de Rondônia, sedimentares. Nestas unidades os processos de dis-
baseada em dois diferentes sistemas de classificação secação promoveram o aparecimento de diferentes
e mapeamento geomorfológico: o sistema ITC (Van níveis topográficos, provavelmente associados ao
Zuidam 1985) e a metodologia utilizada no projeto comportamento reológico das rochas aos processos
Zoneamento do Estado de Mato Grosso, elaborada erosivos.
por Latrubesse et al. (1998). Marcando as faixas de transição entre os níveis
O Projeto Zoneamento Ecológico-Econômico das Superfícies Tabulares ocorrem relevos em forma
Brasil-Bolívia (ZEE Brasil-Bolívia) concluído pela de footslopes, que correspondem aos rebordos ero-
CPRM (Adamy et al. 2000) apresentou uma classi- sivos. Relevos denudacionais em forma de morros e
ficação que favorece o reconhecimento das formas colinas ocorrem dispersos por toda a área mapeada.
de relevo por meio de suas características morfo- Na porção sudoeste este relevo ocorre associado à
lógicas e morfométricas. Neste projeto as unida- transição entre as superfícies tabulares, e as áreas
des geomorfológicas do Estado de Rondônia foram aplanadas localizadas na bacia hidrográfica do rio Co-

PROJETO SUDESTE DE RON- Projeto RADAMBRASIL


PROJETO ALTO GUAPORÉ
DÔNIA- Pinto Filho et. al.
Figueiredo et. al. 1974 Melo, Costa e Natal Filho (1978) Folha SD. Guaporé
(1977)

Província Serrana do Alto


Planaltos Residuais do Alto Guaporé
Guaporé
Chapada dos Parecís Planalto dos Parecis Planalto Sedimentar dos Parecis Chapada dos Parecis
Superfície Cristalina do Planalto dos Parecís:Maciço Planalto dos Parecis Planalto Dissecado
Guaporé Montanhosos
Depressão Interplanáltica Depressão Interplanáltica da Amazônia Meridional
Pediplano Pediplano Centro-Ocidental Brasileiro Depressão do Guaporé
Baixada do Guaporé
Planície do Guaporé Planícies e Pantanais do Médio e Alto Guaporé

Tabela 1 - Síntese da evolução do conhecimento das unidades geomorfológicas do Alto do Guaporé

19
20
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 2 - Mapa geomorfológico da Folha Vilhena.


Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

rumbiara. Relevos com forte controle estrutural en- O modelado referente ao sistema morros e colinas
contram-se localizados na porção sudoeste da folha, (D3) situa-se topograficamente abaixo das superfícies
possuindo direção noroeste-sudeste e representan- tabulares em rochas sedimentares, servindo de
do uma área de ocorrência de rochas metavulcano- faixa de transição com as áreas rebaixadas da Bacia
-sedimentares, granitos e rochas básicas. Hidrográfica do Guaporé. Este sistema ocupa uma
As Superfícies de Aplanamento estão restritas a grande área localizada na porção centro-sul da
porção noroeste e a uma pequena área no centro- folha mapeada e ocorre espalhada por toda a folha
-sul da área mapeada. Estas correspondem às áreas conformando relevos residuais, com altitudes que
aplanadas, com desníveis regionais muito pequenos variam entre 500 e 300 m. Na porção sudoeste da
e com baixa declividade. área mapeada, este agrupamento de morros e colinas
Os relevos associados a leques dissecados, cor- ocorre associado a um forte controle estrutural (S3)
respondem a uma ampla área com interflúvios pla- que resulta em alinhamento das formas de relevo no
nos e vales amplos localizados sobre sedimentos sentido noroeste-sudeste.
Terciário-Quaternário Indiferenciados. As planícies No contexto desta folha, ainda ocorre à superfície
e terraços fluviais ocorrem associados aos rios de de Aplanamento denominada Nível II (D222) que
maior porte das bacias do Guaporé, Comemoração, se encontra desenvolvida nas porções noroeste e
Roosevelt e Pimenta Bueno. centro-sul da área mapeada, numa cota topográfica
O mapa geomorfológico da folha Vilhena (fig. 2) variando de 300 a 200 m.
mostra as diferentes feições geomorfológicas pre- No sistema geomorfológico da Folha Vilhena
sentes na área mapeada. A seguir, são descritas as observou-se que as unidades denudacionais de na-
diferentes unidades presentes no mapa. tureza sedimentar contribuíram fortemente para o
processo de agradação que resultaram nas planícies
1.4.1 Unidades denudacionais
aluviais, principalmente, devido o suprimento de se-
dimentos arenosos e síltico-argilosos retrabalhados,
O sistema de relevo das superfícies tabulares
depositados nas planícies aluviais, depressões, nos
abrange a maior parte da folha Vilhena (fig. 2). De
terraços fluviais, nas planícies inundáveis e nos vales
modo geral, são elaboradas sobre rochas sedimentares
mais recentes.
e compreende um relevo em patamares, com duas
escarpas erosivas claramente delimitadas por relevos
1.4.2 Unidades agradacionais
do tipo footslope. Estas superfícies tabulares (S111,
S112 e S113) são constituídas por arenitos e siltitos
apresentando cotas que podem atingir até 600 metros. Na folha de Vilhena ocorre uma pequena faixa ao
Apresentam bordas ravinadas com processo erosivo longo dos principais rios onde predominam tais pro-
acelerado pelos constantes desmatamentos na região. cessos. Este sistema está ligado à rede de drenagem
Superfícies tabulares planas com ferricrete “cap dos rios Comemoração, Pimenta Bueno e Roosevelt,
rock” (S110) também são encontradas na área mape- bem como, associado aos sedimentos da Bacia Hi-
ada, principalmente na porção sudeste da folha. Este drográfica do Guaporé.
sistema ocorre nas porções mais elevadas da área Depressões, lagos, cones/deltas e leques (A1)
(580-650 m) e apresenta perfis de intemperismo ocorrem na extremidade sudoeste da área mapeada.
lateríticos preservados. Normalmente os perfis late- As áreas dominadas por leques correspondem a
ríticos estão desenvolvidos em formações arenosas uma superfície plana, geralmente com declividade
finas. Por vezes, acima do perfil laterítico ocorre uma quase nula e são via de regra, cortadas por vales que
cobertura arenosa que em áreas de corte de estrada constituem depósitos aluvionares.
chega a atingir uma espessura de até 10 m de espes- Nesta folha, a unidade geomorfológica dos terraços
sura. A cidade de Vilhena, localizada na divisa com o fluviais (A2) encontra-se associada principalmente à
estado de Mato Grosso, encontra-se sobre este tipo rede de drenagem do rio Comemoração. Esta unidade
de modelado. corresponde a uma antiga planície que se encontra
A unidade footslopes (D1) ocorre com maior fre- atualmente acima do nível da planície fluvial.
qüência nas porções sudoeste e oeste da área mape- As planícies inundáveis e vales (A3) correspon-
ada e apresenta rebordos erosivos delimitados por dem às áreas marginais dos atuais cursos de água,
escarpas formando a transição entre as superfícies podendo sofrer inundações anualmente nos perío-
tabulares planas com ferricrete “cap rock” e superfí- dos chuvosos. Estão inclusos nesta unidade os rios
cies tabulares desenvolvidas em rochas sedimenta- Comemoração, Pimenta Bueno, Roosevelt e afluen-
res. O material superficial é composto por depósitos tes de menor porte da bacia do rio Guaporé. Estas
coluviais, ocorrendo em algumas áreas depósitos de planícies possuem largura variável, porém geralmen-
tálus detríticos. te próximas a 1,5 km.

21
CPRM - Programa Geologia do Brasil

22
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

2 — CONTEXTO GEOLÓGICO REGIONAL

A folha Vilhena insere-se no contexto geológi- cia Sunsás em território brasileiro (fig. 3b). Todavia,
co da extremidade sudoeste do Cráton Amazônico. em muitas áreas ainda existem traçados de limites
Este, por sua vez, encontra-se separado da faixa An- imprecisos ou duvidosos entre províncias, em função
dina por extensas coberturas sedimentares cenozói- da escasses de dados estruturais e geocronológicos.
cas, as quais recobrem tanto as bacias paleozóicas O traçado retilínio entre os limites de províncias tam-
como porções e fragmentos de rochas do seu emba- bém é questionável, levando a crer que os terrenos
samento, dificultando a sua delimitação ocidental. A acrescionários possuiam suas margens com limites
continuidade do Cráton para o sul e oeste é sugeri- retos, o que é bastante improvável.
da pela presença de fragmentos reliquiares como o A proposta de Tassinari & Macambira (2004) dife-
maciço Rio Apa (Ruiz, 2005), Garzón e Santa Marta re essencialmente nos limites entre algumas provín-
(Kroonenberg, 1982, Priem et al. 1989) e Arequipa cias e em parte, nos intervalos temporais de duração
(Shackleton et al. 1979). das orogenias em relação àquela apresentada por
No lado brasileiro é onde se tem a maior exposi- Santos (2003), muito embora ambas as propostas
ção de rochas que constituem o Cráton Amazônico são coerentes com a evolução dos processos tectô-
sendo esse delimitado a leste e sudeste pelos cintu- nicos envolvidos e seguem a linha mobilista, ou seja,
rões neoproterozóicos Paraguai e Araguaia e a sudo- processos evolutivos que ocorreram através da adi-
este e norte por coberturas relacionadas às bacias ção de material juvenil aliados a processos subordi-
subandinas. nados de retrabalhamento crustal.
A subdivisão do Cráton em Escudo das Guianas A geologia regional e particularmente a estrutu-
(norte) e Escudo Guaporé ou Brasil-Central (sul) ração do setor sudoeste do Cráton é pouco conheci-
como duas porções distintas separadas pela sinéclise da, restringindo-se a trabalhos regionais de mapea-
do Amazonas perdurou até o final da década de 60. mento (Pinto Filho et al. 1977, Litherland et al. 1986,
Essa subdivisão foi modificada por Amaral (1974) em Scandolara et al. 1999, Rizzotto, 1999, Boger et al.
função da correlação dos terrenos a sul e norte da 2005, Ruiz, 2005, Scandolara, 2006), com conotação
sinéclise do Amazonas em faixas contíguas de leste meramente litoestratigráfica, excetuando-se os mais
para oeste, com idades cada vez mais novas em dire- recentes que relacionaram a evolução tectônica aos
ção ao oeste do Cráton. Dessa forma, o autor acima eventos Rondoniano-San-Ignácio e Sunsás, resultan-
citado subdividiu-o em três províncias geocronológi- tes da colisão entre o Craton Amazônico e a borda
cas: Amazônia Oriental, Amazônia Central e Amazô- leste e sudeste da Laurentia durante esta última
nia Ocidental. orogênese (Sadowski & Bettencourt, 1996; Thover
A partir do trabalho de Amaral (1974), um núme- et al. 2002, 2004). Um trabalho recente envolvendo
ro considerável de propostas de compartimentação mapeamento geológico, geocronologia e litoquímica
tectônica e modelos evolutivos se seguiram, basea- na região sudeste de Rondônia e sudoeste de Mato
dos, fundamentalmente, em dados geocronológicos Grosso foi efetuado por Rizzotto & Hartmann (2012),
(Cordani et al., 1979; Teixeira et al., 1989; Tassina- no qual há uma nova proposta de configuração geo-
ri & Macambira, 1999, Santos et al. 2000; Tassinari tectônica do SW do Cráton Amazônico com a defini-
et al. 2000; Santos, 2003; Tassinari & Macambira, ção de uma zona de sutura entre dois blocos conti-
2004) (fig. 3a) e, raros trabalhos utilizando modelos nentais (fig. 4).
geofísicos-estruturais (Hasui et al., 1984; Costa e Ha- A parte meridional do Cráton Amazônico abran-
sui, 1997). Várias modificações foram efetuadas por ge as províncias Sunsás e Rondônia-Juruena (fig.
Santos (2003) em relação aos modelos anteriores, 4) correspondendo aos terrenos que se estendem
dentre elas destaca-se: a criação da Província Cara- desde Rondônia, a oeste, até a região oriental de
jás desmembrando-a da Província Amazônia Central, Mato Grosso, a leste, envolvendo ainda a porção
redefinição da Província Tapajós-Parima (antiga Ven- sudoeste do Pará e sul do Amazonas. O seu limite
tuari-Tapajós) por razão de que os terrenos da região oriental é balizado pela Faixa Paraguai, de idade
de Ventuari (Venezuela) serem mais jovens e enqua- Neoproterozóica. Nesse contexto, insere-se a Faixa
drados na Província Rio Negro; desmembramento da Alto Guaporé (zona de sutura Guaporé), instalada
Província Rio Negro-Juruena em Província Rio Negro durante a evolução do Orógeno Rondoniano-San Ig-
e Rondônia-Juruena e ampliação do limite da Provín- nácio (1.47 – 1.32 Ga).

23
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 3 - Províncias geocronológicas do Cráton Amazônico segundo Tassinari & Macambira 2004 (a) e Santos 2003 (b)

As rochas mais antigas da borda sudoeste do Crá- a 2,20 Ga. Esses dados sugerem idade máxima de
ton Amazônico estão inseridas na Província Rondô- sedimentação em 1674 Ma e tendo como fonte pro-
nia-Juruena (1.81-1.52 Ga) (Santos, 2003). Os limites vável dos sedimentos, os tonalitos e quartzo-dioritos
paleogeográficos desta província estendem-se desde do Complexo Jamari. A idade mínima da sedimenta-
o extremo oeste de Rondônia, na sua porção ociden- ção é indicada pela relação espacial e temporal com
tal, até a bacia hidrográfica do alto curso do rio Te- as rochas graníticas intrusivas da Suíte Serra da Pro-
les Pires (MT), à leste (fig. 4). O seu embasamento vidência (1570-1520 Ma).
compreende uma faixa descontínua de rochas com A primeira constatação de um suposto evento
aproximadamente 1.150 km de extensão por 300 km tectono-magmático no período compreendido entre
de largura, alongada no sentido leste-oeste. A por- 1650-1630 Ma, foi feita por Bettencourt et al. (2001),
ção ocidental da Província Rondônia-Juruena é cons- baseando-se em dados geocronológicos, os quais
tituída por um fragmento cratônico que é represen- sugerem um magmatismo de arco na porção centro-
tado pelo Complexo Jamari, o qual ocupa a porção -oriental de Rondônia entre 1,65 e 1,63 Ga. Posterior-
centro-ocidental de Rondônia sendo constituído do- mente, Santos et al. (2003) definem como uma oro-
minantemente por rochas ortoderivadas tonalíticas, gênese do tipo colisional continente x continente e
quartzo-dioríticas, granodioríticas, anfibolíticas e denominam de Orogênese Ouro Preto (1,68-1,63 Ga).
supracrustais subordinadas. As ortoderivadas são as As rochas do embasamento do setor ocidental
mais antigas deste segmento e datam de 1,76-1,73 da Província Rondônia-Juruena (tonalitos, quartzo-
Ga. Entretanto, estas rochas não possuem muita re- -dioritos, granodioritos e paraderivadas) foram intru-
presentatividade em área, ocorrendo como núcleos sionadas pelos granitos, charnockitos, mangeritos e
antigos (inliers), parcialmente preservados durante gabros da Suíte Intrusiva Serra da Providência. Esta
o retrabalhamento crustal promovido por eventos suíte é representada por sucessivos pulsos magmáti-
colisionais e/ou orogenias posteriores. As rochas cos assim constituídos: batólito Serra da Providência
paraderivadas que ocorrem dominantemente na re- (1606-1573 Ma); charnockitos de Ouro Preto/Ari-
gião de Jarú-Ouro Preto d’Oeste (Suíte Metamórfica quemes (1559 Ma); granitos cinza de Samuel (1550-
Quatro Cachoeiras) e, por vezes, mostram-se interca- 1540 Ma); maciço União e granito rosa de Ariquemes
ladas àquelas do Complexo Jamari, possuem zircões (1537-1530 Ma). As rochas graníticas rapakivíticas da
detríticos de idades de 1808 a 1674 Ma e TDM de 2,10 Serra da Providência e Ouro Preto apresentam evi-

24
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 4 - Quadro Tectono-Estratigráfico da Porção Sudoeste do Cráton Amazônico (área estudada delimitada pelo
retângulo).

25
CPRM - Programa Geologia do Brasil

dências de magma mixing e mingling, com caracte- Após a instalação da Faixa Alto Guaporé na bor-
rísticas geoquímicas semelhantes aos granitos do da sul do Cráton Amazônico, um curto período de
tipo A. Adicionalmente, as características da Suíte quiescência tectônica se estabeleceu. Posteriormen-
Serra da Providência, indicam posicionamento em te, a retomada da atividade tectônica envolvendo o
ambiente pós-orogênico relacionado, possivelmen- ciclo de Wilson iniciou-se com um processo de rom-
te, as fases finais do evento colisional (Orogenia pimento crustal intracontinental, com geração de
Ouro Preto de Santos et al. 2002) que afetou alguns proto-oceano, o qual está representado pelo Terreno
segmentos da Província Rondônia-Juruena. Nova Brasilândia, o qual possui uma individualidade
No setor ocidental da Província Rondônia-Jurue- que o diferencia dos terrenos ou domínios adjacen-
na, Rizzotto et al. (2002) caracterizaram por meio tes, dos quais é separado por falhas ou zonas de cisa-
de estudos geológicos e geocronológicos um evento lhamento de grande expressão. O cronocorrelato no
tectono-magmático de abrangência regional baliza- sudoeste do Mato Grosso é representado pelo Grupo
do no intervalo de 1350 a 1320 Ma. Posteriormente, Aguapeí, o qual está depositado em um Aulacógeno.
Rizzotto & Dehler (2007) denominaram esse evento A tectono-estratigrafia do Terreno Nova Brasilândia é
de Faixa Alto Guaporé, o qual foi derivado de uma constituída por rochas pertencentes ao Grupo Nova
orogenia colisional neste intervalo de tempo e em Brasilândia, o qual é representado por uma unidade
condições metamórficas de alto grau, sendo que o metaturbidítica terrigeno-carbonática dominante e
mesmo possui correspondência temporal com a Oro- subordinadamente por uma unidade máfico-félsica
genia San Ignácio, definida no oriente Boliviano por característica de magmatismo bimodal. Os dados
Litherland et al. (1986) e com as orogenias Rondonia- geocronológicos obtidos nos zircões detríticos dos
na (Teixeira e Tassinari, 1984) e Candeias (Santos et metaturbiditos permitem identificar uma fonte mis-
al. 2002), embora a conotação tectônica entre estes ta com idades Paleoproterozóicas até Mesoprotero-
eventos seja bastante distinta. zóicas. Entretanto, o maior agrupamento de cristais
A Faixa Alto Guaporé (fig. 4) se estende forneceu a idade de 1215 ± 20 Ma, com o grupo mais
desde o setor central-setentrional de Rondônia, jovem apresentando idade de 1122 ± 12 Ma, que é
prolongando-se para o sudeste até a porção sul- interpretada como a idade máxima da sedimenta-
ocidental do Mato Grosso, estando em grande ção. O magmatismo máfico intrusivo nos turbiditos
parte encoberta pelas coberturas sedimentares das exibe características geoquímicas e isotópicas com-
Bacias dos Parecis e Guaporé, correspondendo a patíveis com basaltos do tipo E-Morb, relacionados a
uma zona estreita e alongada delineada por fortes ambiente de margem passiva sucedendo rift. A idade
anomalias magnéticas. As unidades litotectônicas TDM é de 1250 Ma e os valores de eNd variam entre
predominantes da faixa estão representadas pelo +4 a +5, sugerindo fonte mantélica juvenil (Rizzotto,
Complexo Colorado e Complexo Máfico-Ultramáfico 1999).
Trincheira (Rizzotto et al., 2002). Este último é Dois ciclos de contração, extensão e magmatismo
composto por uma associação ofiolítica, com rochas intraplaca são reconhecidos durante a evolução geo-
polideformadas em condições metamórficas da lógica do Terreno Nova Brasilândia. O primeiro ciclo
fácies anfibolito superior a granulito, com porções é marcado por extensão continental com geração de
retrometamorfisadas na fácies xisto verde superior rift, plutonismo intraplaca e sedimentação turbidíti-
a anfibolito, constituída por rochas intra-oceânicas ca seguido por transpressão e espessamento crustal
(anfibolitos bandados, metagabros, metapiroxenitos, no período compreendido entre 1250 a 1110 Ma
actinolititos, serpentinitos e metabasaltos). (Orogenia Nova Brasilândia). O segundo ciclo (1005-
Intercalados a esses litótipos ocorrem formações 970 Ma) compreende extensão por colapso pós-oro-
ferríferas bandadas, formações manganesíferas gênico com geração de bacia intracontinental em
e gnaisses calcissilicáticos, ambas representantes área cratônica em fase de estabilização (Formação
de sedimentação/precipitação química de fundo Palmeiral), acompanhada de magmatismo bimodal
oceânico. Fazendo parte desse ambiente, também intraplaca (Rizzotto, 2001). Nessa fase também ocor-
ocorre uma repetitiva e monótona associação de reram movimentos laterais de blocos crustais que
xistos e paragnaisses derivados, respectivamente, geraram largas zonas transcorrentes (Zona de Cisa-
de pelitos e arenitos impuros (grauvacas). Essa lhamento Transcorrente Rio Branco).
associação sugere uma provável sequência turbidítica A análise de imagens de radar, aerogeofísicas e
de mar profundo, deformada e metamorfizada em dos mapas geológicos regionais disponíveis da por-
condições de fácies anfibolito superior. Intrusões ção sudoeste do Craton Amazônico, sugere uma es-
nesse domínio estão marcadas por um magmatismo truturação regional em arco, delineada pelas gran-
bimodal máfico-félsico, de posicionamento sin a des zonas de cisalhamento Mesoproterozoicas. Este
tardi-tectônico, que se distribuem regionalmente. arco seria formado pelo alinhamento estrutural

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

WNW a oeste e sul de Rondônia virgando para pró- dição frontal (Santarém et al. 1992, Scandolara et al.
ximo de N-S a sudoeste de Mato Grosso, das rochas 2001). Nesse mesmo domínio, Scandolara, (2006)
do orógeno Rio Alegre (Matos et al. 2004) do Batólito caracteriza o Sistema Transpressivo Sinistral Ji-Pa-
Santa Helena (Geraldes, 2000) e Aguapeí (Tassinari raná como uma entidade tectono-estrutural, com
& Macambira 2004). Esta geometria foi descrita an- aproximadamente 200 km de largura por 400 km de
teriormente por Litherland et al. (1986) no escudo extensão na direção NNW-SSE caracterizada por inú-
boliviano, tendo sido oportunamente considerada meras zonas de cisalhamento subverticais e de grau
precursora à inflexão denominada de Arco de Arica metamórfico da fácies anfibolito baixo.
na cadeia Andina. Os dados geocronológicos e as O ramo de direção Norte-Sul da Faixa Alto Gua-
correlações regionais sugerem que estas estruturas poré, localizado a sudeste da área estudada, apre-
limitaram a SW o Cráton Amazônico durante a orogê- senta zonas de cisalhamento de empurrão frontais
nese Rondoniana-San Ignácio (Rizzotto et al. 2006). a oblíquas, com movimento de topo para leste-nor-
Ao norte da área estudada, no estado de Ron- deste durante o encurtamento atribuído à Orogenia
dônia, as zonas de cisalhamento consideradas, pos- Rondoniana. Este arranjo curvo é marcado por aflo-
suem direção geral WNW-ESE, com inflexões para ramento de rochas miloníticas metamorfizadas na
NNE, mergulhos empinados predominantemente fácies anfibolito superior, localmente com fundidos
para sul, e movimentação compressiva perto da con- anatéticos e com intrusivas graníticas.

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

3 — ESTRATIGRAFIA

3.1 Generalidades (Pinto Filho et al., 1977). Durante a execução do Proje-


to Platina, Romanini (2000) definiu uma associação de
A geologia da folha Vilhena (SD-20.X.B) é domi- rochas máfico-ultramáficas constituídas por gabros,
nada amplamente por litotipos que compõem a Ba- tremolititos, hornblenditos, bronzititos, gabronoritos
cia dos Parecis. Entretanto, tanto a parte sul como a aflorantes por uma área de 35 km2, metamorfisadas
norte da folha, apresenta uma geologia diversificada ou não e definiu-as como pertencentes ao Complexo
onde a maioria das unidades litoestratigráficas não Máfico-Ultramáfico Trincheira. Sua área-tipo é o curso
era anteriormente conhecida. O mapa geológico atu- superior do igarapé homônimo e afluentes do rio Ver-
al com as modificações ora propostas alteram sobre- de. No presente trabalho, adotaremos a denominação
maneira o quadro geológico e os aspectos evolutivos proposta por Romanini (2000) salvaguardando os
relacionados com a porção sudoeste do Cráton Ama- tipos litológicos, porém, com inclusão de anfibolitos
zônico (fig. 5). Nesse contexto, foram cartografadas bandados, granulitos máficos e propondo um novo
30 unidades litoestratigráficas, salientando-se que, posicionamento crono-estratigráfico.
na grande maioria dos casos, foram criadas novas
denominações em substituição, fundamentalmente, [Link] Distribuição Geográfica e Relações de
àquelas que faziam parte até então do “embasamen- Contato
to cristalino” tido como pertencentes aos comple-
xos Paleoproterozóicos denominados de Complexo As rochas máfico-ultramáficas do complexo ocu-
Xingu, Complexo Basal e Complexo Alto Guaporé. pam a porção sudoeste da folha Vilhena, represen-
Os critérios utilizados para a elaboração da coluna tadas por corpos acamadados aflorantes dominan-
litoestratigráfica basearam-se, principalmente, nos temente nos domínios da Fazenda Patuá, além de
estudos de campo onde se observou, em ordem de outros corpos menores aflorantes nas cabeceiras
importância, as relações de campo, as características dos afluentes do rio Verde.
geoquímicas, características estruturais seguidas das Os contatos são, via de regra, tectônicos (falhas
datações radiométricas e, na ausência destas, por es- transpressivas) com os litótipos do Complexo Colorado
tudo comparativo através das correlações litológicas e com os filitos da Formação Tanaru. Contatos difusos
e estruturais com unidades semelhantes já definidas ocorrem entre os anfibolitos e metaultramáficas. A par-
em trabalhos anteriores em Rondônia, Mato Grosso te sul-sudoeste do complexo encontra-se encoberta
e no nordeste boliviano. Entretanto, boa parte das pelos sedimentos indiferenciados do Quaternário.
rochas que integram o embasamento, a posição ori-
ginal das unidades litoestratigráficas não pode ser [Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo
recuperada tendo em vista a superposição de um e Deformação
evento tectono-metamórfico que obliterou, transpôs
e modificou essa relação estratigráfica. A variedade de litotipos do Complexo Máfico-Ul-
Nesse intuito, para uma melhor visualização das tramáfico Trincheira é expressiva. Entretanto, pre-
unidades litoestratigráficas da área e suas posições dominam rochas máficas a localmente ultramáficas,
relativas no tempo geológico, propõem-se um qua- normalmente miloníticas e bandadas, raramente
dro estratigráfico ilustrado na figura 6. isotrópicas, onde se destacam os anfibolitos verde-
-claros a negros, bandados, de granulação fina, es-
3.2 Unidades Litoestratigráficas tando os mesmos quase sempre intercalados com
formações ferríferas, metabasaltos e xistos, além
3.2.1 Complexo Máfico-Ultramáfico Trin- de metagabros, metagabronoritos e metapiroxeni-
cheira tos. Estes últimos exibem textura/estrutura ígnea
parcialmente preservada. Granulitos máficos, acti-
[Link] Comentários Gerais nolititos, tremolititos e actinolita xistos são subor-
dinados. Toda a associação litológica mostra uma
Os anfibolitos que se encontram distribuídos no forte transposição tectônica para a vertical, ao lon-
extremo sudeste de Rondônia foram posicionados no go das zonas miloníticas, mas em zonas de baixa
Complexo Basal, segundo dados do Projeto Sudeste pressão as feições ígneas se preservam, sugerindo

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 5 - Mapa Geológico da área estudada.

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 6 - Sinopse estratigráfica da folha Vilhena

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

uma associação petrotectônica intra-oceânica do tas por bandas félsicas a base de plagioclásio e
tipo ofiolítica (Rizzotto & Hartmann, 2012). raro anfibólio e por bandas máficas compostas por
Os cumulados máfico-ultramáficos da unidade cumulados de anfibólio (originalmente piroxênios),
inferior do Complexo ofiolítico Trincheira são cons- além de camadas intermediárias ricas em plagioclá-
tituídos, dominantemente, por protólitos anidros sio + anfibólio + epidoto ± quartzo (fig. 7c).
de paragênese da fácies granulito, constituídos por Os anfibolitos porfiroblásticos (fig. 7d) também
olivina-ortopiroxenitos, bronzititos e websteritos. desenvolvem-se ao longo das zonas de menor de-
Essas rochas mostram-se intercaladas com raros formação. As rochas ultramáficas (actinolititos,
plagiogranitos e exibem bandamento ígneo trans- metapiroxenitos, metamelagabros e actinolita me-
porto na vertical. Estreitas bandas de cisalhamento tagabros) são, na sua grande maioria, maciços, de
miloníticas cortam as rochas granulíticas e transfor- granulação grossa, apresentam coloração verde-
mam-nas em anfibolitos ou em tremolititos, actino- -escura a negra, aflorando como matacões métricos
lititos e talco-xistos. Localmente, as rochas cumulá- subangulosos e, raramente, constituindo corpos de
ticas são intrudidas por diques graníticos de granu- centenas de metros. Freqüentemente exibem agre-
lação grossa e por rochas dioríticas-tonalíticas. gados granoblásticos de anfibólio (fig. 7e) além de
As texturas dos granulitos máficos são típicas da fá- cristais porfiroblásticos (de até 8cm) e, nas bordas
cies granulito (Vernon, 1970). Apresentam agregados dos corpos, observa-se foliação metamórfica supe-
granoblásticos de granulação fina, com formas poligo- rimposta. Essa foliação raramente se desenvolve
nais e junção tríplice. A assembleia mineral caracterís- nas partes centrais dos corpos maiores, indicando
tica é representada por ortopiroxênio + clinopiroxênio maior competência dos mesmos em relação à de-
± plagioclasio ± olivina, com proporção menor de bio- formação. Nesse sentido, em alguns afloramentos
tita titanífera, hornblenda marrom e ilmenita. observa-se megapods envoltos por bandas de cisa-
Os anfibolitos da parte intermediária do Comple- lhamento, onde a rocha original foi parcialmente
xo Trincheira apresentam granulação fina, com ban- transformada em xisto ultramáfico (actinolita xisto,
damento regular e uniforme em escala centimétrica tremolita xisto- fig. 7f). Os dados de campo sugerem
a milimétrica, materializado pela segregação hete- que alguns dos corpos ultramáficos foram transfor-
rogênea de níveis félsicos de quartzo, plagioclásio e mados por um aporte de fluídos metamórficos con-
epidoto que se alternam com níveis máficos a base centrados em zonas de baixa pressão, normalmente
de anfibólio (fig. 7a). As lentes de anfibolitos ocorrem em zonas de charneira de megadobras, a partir de
em posição sub-vertical, resultante de deformação protólitos do tipo piroxenitos.
compressiva. Dobras isoclinais a apertadas são fre- A parte superior do Complexo máfico-ultramáfi-
qüentes, além de finas vênulas de quartzo que mate- co Trincheira é representada por anfibolitos cinza-
rializam dobras ptigmáticas e dobras intrafoliais. Em -escuros, de granulação fina, os quais apresentam
alguns locais são observados dobramento isoclinal feições, texturas e estruturas ígneas parcialmente
com espessamento da zona de charneira (fig. 7b). preservadas, podendo ser caracterizados como me-
Por vezes, ocorrem veios e/ou bolsões pegmatóides tabasaltos. Mostram um pervasivo diaclasamento
centimétricos a métricos a base de feldspato potás- sub-horizontal espaçado centimétricamente, ca-
sico, quartzo e anfibólio, gerados por segregação tar- racterizando vulcanismo subaéreo (fig. 8a). Apre-
dia de fluídos hidrotermais. sentam cavidades milimétricas a centrimétricas
Pods de rochas máficas ocorrem como corpos de preenchidas por um agregado de epidoto e quartzo
várias dezenas de metros no interior dos anfiboli- (drainage cavity), sugerindo serem amígdalas de-
tos, sugerindo intrusões co-magmáticas na forma formadas (fig. 8b). Da mesma forma, finos níveis de
de sills. São constituídos por anfibolitos porfiroblás- material esbranquiçado a base de quartzo + plagio-
ticos, actinolititos, metagabros, metagabronoritos, clásio + epidoto ± carbonato ± sulfetos bordejando
leucometagabros e raros metapiroxenitos, de textu- núcleos mais preservados de metabasalto, sugerem
ra/estrutura ígnea parcialmente preservada. Ocor- estruturas do tipo pillow (fig. 8c). Entretanto, em
rem em blocos subarredondados a alongados, nor- função da alta taxa de deformação, essas estruturas
malmente alinhados segundo a direção da foliação primárias não são facilmente reconhecíveis. Zonas
metamórfica regional. Entretanto, apresentam um com forte sulfetação são comuns nos metabasaltos
padrão heterogêneo no comportamento da direção (fig. 8d) afetados por metamorfismo de baixo grau,
do fluxo metamórfico, com variação no trend da fo- onde são transformados para uma assembléia a
liação em função da reologia da rocha. Geralmen- base de actinolita + epidoto + albita + quartzo + pi-
te apresentam-se como corpos acamadados, com rita ± calcopirita. Alguns metabasaltos e anfibolitos
bandamento composicional transposto na vertical são compostos predominantemente por magnésio-
pela superposição do tectonismo, onde alternam- -hornblenda, consistente com uma composição ul-
-se camadas milimétricas a centimétricas compos- tramáfica (anfibolitos ricos em anfibólio).

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 7 - Rochas máficas e ultramáficas do Complexo máfico-ultramáfico Trincheira. (a) anfibolito bandado e (b) dobra
apertada em anfibolito na zona de alto strain; (c) acamadamento ígneo preservado nos metagabros; (d) porfiroblastos
de anfibólio em matriz de plagioclásio, quartzo e epidoto; (e) agregados granoblásticos de anfibólio em rocha ultramá-
fica; (f) xisto máfico em zonas miloníticas sigmoidais;

Os actinolititos, tremolititos e actinolita xistos em área, têm-se as metamargas, as quais ocorrem


são derivados a partir do cisalhamento por sobre intercaladas aos anfibolitos, em lentes centimétri-
protólitos ultramáficos do tipo piroxenitos. Ocor- cas descontínuas, geralmente em avançado estágio
rem em forma de lentes sigmoidais descontínuas, de alteração intempérica.
de extensão de poucas dezenas de metros, colora- As características mineralógicas e os protólitos
ção esverdeada, granulação fina a média, sempre interpretados dos diferentes tipos de rochas má-
associados aos anfibolitos ou hornblenditos. De fico-ultramáficas são mostrados na tabela 2. Essas
ocorrência semelhante, mas com pouca expressão rochas consistem de assembléia metamórfica da fá-

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 8 - Rochas máfico-ultramáficas da porção superior do Complexo Trincheira. (a) diaclasamento subhorizontal no
metabasalto rico em anfibólio; (b) drainage cavity em metabasalto; (c) estruturas semelhantes a pillow lavas estiradas;
(d) zona de sulfetação em metabasalto.

cies epidoto-anfibolito com foliação penetrativa na (15-20%), quartzo (5-10%), epidoto (7-10%) e mine-
grande maioria das rochas. A mineralogia e textura rais acessórios (< 1%) tais como magnetita, titanita
ígnea primária são preservadas em alguns tipos de e rara escapolita. A magnésio-hornblenda ocorre em
rochas. agregados prismáticos alongados que juntamente
Os anfibolitos finos (metabasaltos) são compos- com epidoto definem a foliação penetrativa da ro-
tos por magnésio-hornblenda (60-65%), andesina cha. Amígdalas ovaladas pela deformação mostram-

Litologia Composição Mineralógica Protólito

Metabasalto hornblenda+plagioclásio+epidoto +quartzo±magnetita±titanita basalto

Anfibolito rico em anfibólio mg-hornblenda+plagioclásio +quartzo+epidoto±titanita±ilmenita±clorita gabro/melagabro

Anfibolito porfiroblástico mg-hornblenda +plagioclásio+quartzo +magnetita±ilmenita±apatita±epidoto gabronorito

Metagabro plagioclásio+clinopiroxênio+ortopiroxênio +actinolita±ilmenita±titanita gabro

Metaultramáfica ortopiroxênio±plagioclásio±cummingtonita piroxenito

Granulito máfico clinopiroxênio+ortopiroxênio+ plagioclásio±hornblenda±ilmenita norito

Tabela 2 - Características mineralógicas e protólitos interpretados dos principais tipos de rochas do Complexo máfico-
ultramáfico [Link].

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

-se preenchidas por cristais prismáticos de epidoto, plagioclásio (44%), ortopiroxênio (8%), olivina (3%) e
além de agregado granoblástico fino de quartzo + minerais acessórios (<1%) tais como biotita, magne-
albita + ilmenita ± sulfetos (fig. 9a). Feições ígneas tita e rara hornblenda. Cristais de olivina com borda
reliquiares são representadas por zonas amigdaloi- de reação desenvolvendo mirmequitos de clinopiro-
dais (fig. 9b). xênio + plagioclásio, além de bordas do clinopiroxê-
Os anfibolitos ricos em anfibólio são espacial- nio com fina franja de anfibólio.
mente associados aos metabasaltos. Possuem as- Rochas metaultramáficas granulitizadas são re-
sembléia mineralógica representada por magnésio- presentadas por cumulados de ortopiroxênio e cli-
-hornblenda (60%), plagioclásio (25%), quartzo (9%), nopiroxênio (fig. 9h), os quais apresentam textura
epidoto (2%) e minerais acessórios (<3%) tais como adcumulada, representada por uma imbricação em
clorita, ilmenita e titanita (fig. 9c). Raramente, apre- junção tríplice em angulos de 120º entre os cristais.
sentam cristais prismáticos e aciculares de actinolita Raros cristais pós-cumulus de plagioclásio, magneti-
envolvendo, por vezes, porfiroclastos de hornblenda. ta e clinoanfibólio magnesiano perfazem em torno
Não menos raro é a presença “fantasmas” de porfi- de 1%.
roclastos de piroxênio parcialmente substituídos por
anfibólio. A foliação é sigmoidal penetrativa definida [Link] Litoquímica e Petrogênese
pelos prismas alongados de hornblenda e rara clorita
magnesiana (fig. 9d). Textura ígnea reliquiar (textu- As análises químicas dos elementos maiores,
ra ofítica) é por vezes observada e agregados grano- elementos traço e Terras Raras foram realizadas no
blásticos de plagioclásio + quartzo ocorrem entre os Acme Analítica Laboratórios Ltda, onde os primeiros
espaços intersticiais dos anfibólios. foram analisados por fusão em ICP-ES e os dois últi-
Anfibolitos porfiroblásticos são menos freqüen- mos por fusão em ICP-MS. Nem todas as unidades
tes quando comparados com aqueles ricos em an- litoestratigráficas foram analisadas quimicamente,
fibólio. São compostos por hornblenda magnesiana pois a precária exposição e elevado grau de intempe-
(70-80%), plagioclásio (15-20%), quartzo (3-6%), rismo não permitiu a amostragem e o consequente-
magnetita (1-2%). Os minerais acessórios (<1%) in- mente tratamento químico. Assim sendo, as rochas
cluem ilmenita, apatita e raro epidoto. Os agregados tratadas quimicamente são os anfibolitos, metapi-
porfiroblásticos de hornblenda com inclusões su- roxenitos e granulitos máficos do Complexo Máfico-
barredondadas a alongadas e filetes de quartzo ao -Ultramáfico Trincheira, calcissilicáticas e biff’s do
longo dos planos de clivagem, sugere substituição do Complexo Colorado, e granitos sin a tardi-tectônicos
piroxênio ígneo por anfibólio (fig. 9e). Agregados de da Suite Intrusiva Alto Escondido e granitos tardi a
plagioclásio e quartzo em mosaico de 120º ocorrem pós-tectônicos da Suíte Intrusiva Igarapé Enganado.
entre os porfiroblastos de anfibólio. Os dados dos elementos maiores, elementos-tra-
Os metagabros são os que possuem feições ígne- ço, terras raras e razões inter-elementos mais signifi-
as primárias mais bem preservadas (fig. 9f). Texturas cantes das rochas máfico-ultramáficas do Complexo
ofítica e intergranular estão presentes. Entretanto, Trincheira são apresentados na tabela 3. Tendo como
simplectitos de plagioclásio + actinolita se desenvol- base as características de campo, estudo petrográfi-
vem nas bordas do piroxênio. A assembléia mineraló- co e abundância dos elementos maiores (ex. SiO2 e
gica é a base de plagioclásio (50-60%), clinopiroxênio MgO), as rochas metavulcano-plutônicas podem ser
(25-30%), ortopiroxênio (10-15%), actinolita (5%). divididas em seis grupos principais: (1) anfibolitos fi-
Alguns minerais acessórios (<1%) incluem titanita e nos (metabasaltos), (2) anfibolitos ricos em anfibólio,
ilmenita, rara escapolita. (3) anfibolitos porfiroblásticos, (4) granulitos básicos,
Ao longo de microzonas de cisalhamento os mi- (5) cumulados máfico-ultramáficos. O sexto grupo,
nerais primários (plagioclásio) são transformados em com características químicas e petrográficas distintas
albita+epidoto+quartzo e o piroxênio transformado dos demais é menos expressivo e representado por
parcialmente em anfibólio. As transformações meta- pequenas intrusões gabróicas.
mórficas são mais evidentes nas bordas dos clinopi- Inicialmente, antes de se considerar qualquer in-
roxênios, onde há intercrescimento simplectítico de terpretação petrogenética, foi efetuada uma investi-
actinolita+albita. Cristais de ortopiroxênio apresen- gação geoquímica para se avaliar a mobilidade dos
tam-se pseudometamorfisados para cummingtonita elementos por processos de alteração hidrotermal,
e actinolita. metamorfismo, metassomatismo e deformação po-
Os gabros apresentam textura ígnea totalmente lifásica pelos quais, eventualmente, passaram as ro-
preservada dominada pela textura ofítica (fig. 9g). chas máfico-ultramáficas do complexo.
São classificados como olivina gabronoritos, que Em muitos estudos petroquímicos tem-se mostra-
possuem na sua composição clinopiroxênio (45%), do que o Zr é um dos elementos menos móveis den-

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 9 - Fotomicrografias de rochas metavulcânicas e metaplutônicas (veja tabela 2). (a) metabasalto com amíg-
dalas estiradas; (b) metabasalto mostrando amígdala preenchida por Ab+Ep+Qz+Ttn; (c) anfibolito rico em anfibólio
com textura nematoblástica sigmoidal; (d) anfibolito rico em mg-hornblenda de foliação penetrativa; (e) anfibolito
porfiroblástico; (f) metagabro de textura granoblástica; (g) gabro; (h) granulito máfico com textura granoblástica. Luz
polarizada plana (a, b,c,d, e) e luz polarizada cruzada (f,g,h). Abreviaturas: Ep-epidoto; Hb-hornblenda; ilm-ilmenita;
PL-plagioclásio;Qz-quartzo; Cpx-clinopiroxênio; Opx-ortopiroxênio; Amp-anfibólio; Ttn-titanita; Mag-magnetita.

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

tro do sistema geoquímico (Pearce and Peate, 1995, ser avaliado é plotado no eixo vertical. Portanto,
Winchester and Floyd, 1977, Pearce et al., 1992). utilizou-se como critério para se avaliar os efeitos de
Esse elemento tem sido utilizado como um índice alteração a magnitude de correlação do Zr em dia-
independente de variação geoquímica tanto para es- gramas binários (fig.10). Elementos com coeficiente
tudos do comportamento geoquímico de rochas vul- de correlação (R) < 0,75 foram considerados como
cânicas modernas (Murton et al., 1992) como para móveis (Polat et al., 2004) e não serão utilizados para
rochas arqueanas (Polat et al., 2002). Portanto, nesse interpretação petrogenética.
estudo, adotou-se procedimento similar àquele pro- A maioria das rochas máfico-ultramáficas apre-
posto pelos autores acima para se avaliar os efeitos senta composição basáltica no diagrama Zr/Ti versus
de alteração nas rochas máfico-ultramáficas. Nb/Y e somente três amostras apresentam compo-
A mobilidade dos elementos K, Rb, Na, Ba, Sr, Ca, sição andesito basáltica (fig. 11a). Nos diagramas de
P e Fe já foi mostrada em estudos de rochas vulcâni- variação de Zr (fig. 10) as rochas máfico-ultramáficas
cas metamorfisadas (Frei et al., 2002, Arndt, 1994, mostram trends colineares para os HFSE, REE e me-
Brunsmann et al., 2000). Em contrapartida, elemen- tais de transição indicando composição comparável
tos REEs, HFSEs, Al, Cr e Ni apresentam menor mo- entre as mesmas. As rochas máfico-ultramáficas fo-
bilidade (Ludden et al., 1982; Jochum et al., 1991; ram divididas em seis grupos principais em função
Xie et al., 1993). Entretanto, a mobilidade dos ele- das características químicas dos elementos-traço
mentos em cada caso deve ser testada. Um método quando normalizados ao condrito e ao manto pri-
efetivo é aquele proposto por Cann (1970), no qual mitivo segundo Sun and McDonough, (1989) e Hof-
um elemento imóvel é plotado no eixo horizontal de mann, (1988), respectivamente (fig.12 e tab. 3).
um diagrama de variação bivariante e o elemento a

Anfibolitos finos (metabasaltos) Anfibolitos ricos em anfibólio


GR-504 GR-610 GR-669 GR-730 GR-737 GR-738 GR-73 GR-151 GR-537 GR-542 GR-572
SiO2 (wt %) 53,51 42,48 48,94 49,74 49,54 48,94 41,54 50,91 45,61 48,32 49,83
TiO2 1,32 1,38 0,98 1,3 1,45 1,5 0,75 1,07 1,62 1,4 0,34
Al2O3 12,58 12,64 15,17 16,32 14,66 13,85 13,78 13,59 15,57 13,6 15,09
Fe2O3 16,25 17,99 15,45 11,42 12,8 13,47 10,85 13,19 14,67 12,7 10,82
MnO 0,24 0,42 0,26 0,19 0,24 0,21 0,18 0,17 0,2 0,21 0,18
MgO 4,28 7,93 4,93 5,65 6,73 7,51 8,69 6,75 6,22 7,65 8,25
CaO 6,97 10,78 9,57 11,44 10,44 9,76 10,65 11,78 11,93 12,49 12,02
Na2O 2,68 1,93 2,78 2,6 3,03 2,94 1,7 1,05 1,72 1,82 1,73
K2O 0,48 0,19 0,33 0,33 0,22 0,28 1,2 0,42 0,14 0,2 0,37
P2O5 0,21 0,27 0,80 0,15 0,12 0,17 0,15 0,12 0,103 0,14 0,041
LOI 1,3 3,3 0,8 0,6 0,5 1,1 10,4 0,7 2 1,1 1,1
Total 99,89 99,66 99,79 99,79 99,79 99,77 99,97 99,75 99,81 99,72 99,8
Mg-number 34 47 39 49 51 52 61 50 46 54 60

Sc (ppm) 42 43 51 42 50 54 35 47 52 53 47
V 374 608 295 283 341 377 225 428 368 318 229
Cr 48 96 34 274 233 260 376 253 205 356 260
Co 40 50 38 45 44 50 47 46 50 50,4 43,8
Ni 18 80 12 64 56 93 77 53 73 80 70
Ga 18 19 17 18 15 17 15 16 19 15,8 11,8
Rb 9 1 1 6 6 8 32 8 4 3,5 4,6
Sr 73 146 183 164 90 101 234 172 168 113 118
Y 33,4 26,5 20,7 33,7 29,9 35,8 19 15,5 42,5 32,3 26,7
Zr 89,9 72,6 71,6 104,5 81,1 87,5 52,9 39,5 73 67,2 48,3
Nb 2,3 2,1 2 3,8 3,8 4,5 2,3 2,6 2,6 2,9 1,2
Ba 133 248 44 97 81 60 259 60 56 64 49
Ta 0,2 0,1 LDL 0,3 0,1 0,3 0,4 0,2 0,2 0,2 LDL
Th 1,1 0,3 0,4 0,8 0,7 0,8 0,6 0,5 0,4 0,3 0,18
Hf 2,8 2,2 1 3,4 2,3 2,9 1,4 1,4 2,7 1,8 0,9
U 0,6 0,2 0,2 0,4 0,3 0,2 0,2 0,3 0,2 LDL 0,2
La 7,3 4,2 3,5 6,2 4,2 3,6 5,3 4,6 7 5,3 5,1
Ce 17,1 10,2 10,4 16,4 11,6 8,4 13,7 11,9 10,9 10,5 10,6
Pr 2,79 1,71 1,71 2,6 2,03 1,82 1,99 1,75 2,21 1,75 1,65
Nd 14,5 8,6 9,6 12,9 11,4 10,7 10,3 9,0 11,7 9,8 7
Sm 4,1 2,81 2,78 3,89 3,4 3,76 2,7 2,33 3,8 3,08 2,4
Eu 1,53 1,06 1,08 1,27 1,2 1,39 0,91 0,90 1,57 1,27 0,52
Gd 5,39 3,7 3,38 4,89 4,53 5,24 3,04 2,80 5,99 4,31 3,01
Tb 0,97 0,7 0,59 0,93 0,84 0,97 0,55 0,47 1,12 0,88 0,6
Dy 6,2 4,15 3,44 5,8 5,39 6,12 3,18 2,40 7,13 5,21 4,11
Ho 1,27 0,94 0,76 1,23 1,15 1,32 0,69 0,56 1,48 1,2 0,87
Er 3,85 2,9 2,12 3,51 3,14 3,83 2,07 1,69 4,2 3,46 2,88
Tm 0,61 0,45 0,33 0,55 0,48 0,56 0,28 0,24 0,76 0,58 0,49
Yb 3,74 2,79 1,98 3,39 2,97 3,47 1,82 1,52 3,91 3,12 2,88
Lu 0,59 0,43 0,32 0,51 0,45 0,53 0,28 0,24 0,62 0,52 0,44

La/Ybcn 1,4 1,08 1,27 1,31 1,01 0,74 2,09 2,17 1,28 1,22 1,27
La/Smcn 1,15 0,96 0,81 1,03 0,8 0,62 0,85 1,27 1,19 1,11 1,37
Gd/Ybcn 1,19 1,1 1,41 1,19 1,26 1,25 1,23 1,38 1,27 1,14 0,86
(Eu/Eu*)cn 1 1,01 1,08 0,89 0,93 0,96 0,98 0,97 1,01 1,07 0,59
Al2O3/TiO2 9,53 9,16 15,48 12,55 10,11 9,23 18,37 12,70 9,61 9,71 44,38
Zr/Y 2,69 2,74 3,46 3,1 2,71 2,44 2,78 2,55 1,72 2,08 1,81
Ti/Zr 88 114 82 75 107 103 85 162 133 125 42
(Nb/Nb*)pm 0,02 0,13 0,12 0,06 0,10 0,13 0,06 0,09 0,08 0,15 0,11
(Zr/Zr*)pm 0,07 0,14 0,13 0,10 0,10 0,10 0,09 0,09 0,08 0,11 0,14
(Ti/Ti*)pm 0,07 0,16 0,16 0,08 0,11 0,08 0,14 0,31 0,07 0,10 0,05

37
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Anfibolitos ricos em anfibólio

GR-609 GR-673 GR-770 GR-786 GR-793 NM54 NM67A NM114 NM-141 NM-144 NM-166
SiO2 48,43 47,1 54,15 53,49 50 46,1 48,3 47,21 50,34 49,97 43,1
TiO2 2,32 1,2 0,64 0,8 1,75 1,44 1,09 1,87 1,13 1,46 1,41
Al2O3 12,8 14,03 15,53 15,08 13,8 15,09 14,68 13,66 14,58 14,77 14,95
Fe2O3 15,75 16,36 11,64 12,58 16,21 11,33 11,31 15,14 12,84 12,63 15,87
MnO 0,24 0,28 0,27 0,21 0,24 0,15 0,17 0,22 0,2 0,19 0,19
MgO 5,86 6,95 4,36 5,02 4,85 9,34 8,66 6,57 6,55 6,36 10,63
CaO 9,89 10,53 7,73 7,49 8,65 12,5 11,32 10,87 10,22 10,94 9,35
Na2O 2,44 1,46 3,21 3,83 2,79 2,36 2,54 2,54 2,8 2,68 1,98
K2O 0,37 0,41 0,94 0,38 0,36 0,27 0,27 0,32 0,43 0,36 0,31
P2O5 0,371 0,233 0,21 0,1 0,41 0,12 0,19 0,23 0,24 0,28 0,19
LOI 1,2 1,1 1,1 0,8 0,7 1,2 1,4 1,3 0,6 0,3 1,9
Total 99,72 99,72 99,81 99,8 99,76 99,97 99,99 99,97 99,94 99,97 99,94
Mg# 42 46 43 44 37 62 60 46 50 50 57

Sc 51 55 33 41 42 37 38 49 45 44 23
V 434 408 274 295 426 229 236 372 279 290 251
Cr 109 82 48 48 41 328 315 151 55 96 123
Co 47 54,6 27,9 35,9 43,5 53,1 49,6 52,2 47,3 37,4 71,5
Ni 54 86 12 19 32 171 131 75 58 40 260
Ga 19,6 17,2 16,7 16,4 19,6 15,4 15,7 19,8 18,1 17,9 19,6
Rb 8,1 7,5 21,4 6,6 4,8 14,4 8,7 5,3 7,7 4,3 7,6
Sr 165,6 199,6 291 214,5 291,8 250,6 228 160,2 299,4 227,7 250,7
Y 56,5 30 12,7 19,6 33,3 33,4 27,7 46,4 28 35,1 23
Zr 165,5 61,8 53,8 38,3 76,7 78,3 66,9 109,7 78 85,9 82,1
Nb 4,1 1,6 2,8 1,4 3,8 0,9 1,5 3,6 2,3 3,1 4,2
Ba 191 110 127 69 48 112,6 106,2 70,7 138,9 105,2 261,1
Ta 0,3 0,1 0,1 0,08 0,2 0,2 0,1 0,4 0,2 0,3 0,4
Th 0,6 0,3 0,8 0,2 0,6 0,5 0,7 0,5 1,3 0,9 0,3
Hf 5,1 2,1 1,9 0,8 2,2 2,7 1,9 3,3 2,2 2,4 2,6
U 0,3 0,2 0,3 0,1 0,3 LDL 0,1 0,2 0,4 0,4 0,2
La 8,8 3,8 8,4 3,8 8,1 2,6 4,5 6,3 5,9 5,9 6,4
Ce 26,3 9,6 18,4 9,3 19,3 8,6 11,5 19,1 15,3 17,4 16,9
Pr 4,45 1,62 2,56 1,46 3,07 1,65 1,94 3,08 2,26 2,66 2,71
Nd 22,5 9,1 11,9 7,2 16,7 10,3 10,7 15 11,1 13,7 12,9
Sm 6,99 2,87 2,66 2,05 4,35 3,8 3,4 5,1 3,1 4 3,6
Eu 2,33 1,13 0,88 0,78 1,51 1,46 1,21 1,81 1,1 1,53 1,44
Gd 8,67 3,91 2,57 2,83 5,6 4,95 4,22 6,72 3,92 4,91 4,25
Tb 1,63 0,8 0,39 0,51 1,03 0,93 0,77 1,25 0,65 0,85 0,65
Dy 9,47 4,81 2,28 3,35 6,26 6,31 5 7,67 4,31 5,34 4,06
Ho 2,01 1,08 0,44 0,68 1,25 1,33 1,08 1,76 0,97 1,21 0,8
Er 5,77 3,29 1,32 2,19 3,63 3,91 3,06 5,1 2,91 3,65 2,28
Tm 0,86 0,52 0,2 0,35 0,56 0,57 0,48 0,73 0,44 0,61 0,4
Yb 5,45 3,17 1,36 2 3,5 3,31 2,83 4,6 2,57 3,36 2,1
Lu 0,8 0,48 0,21 0,33 0,53 0,49 0,44 0,75 0,4 0,49 0,3

La/Ybcn 1,16 0,86 2,43 1,36 1,66 0,56 1,14 0,98 1,65 1,26 2,19
La/Smcn 1,2 1,2 2,04 1,23 0,8 0,44 0,85 0,95 1,15 0,81 1,27
Gd/Ybcn 1,32 1,02 1,56 1,17 1,32 1,24 1,23 1,21 1,26 1,21 1,67
(Eu/Eu*)cn 0,99 0,94 1,03 0,96 0,95 1,03 1,06 1,13 0,92 1,08 1,03
Al2O3/TiO2 5,52 11,69 24,27 18,85 7,89 10,48 13,47 7,30 12,90 10,12 10,60
Zr/Y 2,93 2,06 4,24 1,95 2,30 2,34 2,42 2,36 2,79 2,45 3,57
Ti/Zr 84 116 71 125 137 110 98 102 87 102 103
(Nb/Nb*)pm 0,06 0,11 0,03 0,15 0,06 0,06 0,04 0,09 0,02 0,05 0,18
(Zr/Zr*)pm 0,05 0,11 0,08 0,12 0,05 0,09 0,09 0,07 0,11 0,07 0,08
(Ti/Ti*)pm 0,05 0,10 0,24 0,16 0,09 0,08 0,09 0,06 0,13 0,11 0,18

38
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Anfibolitos porfiroblásticos

GR-10 GR-694 GR-695 GR-710 GR-723 GR-724 SJ-2559 SJ-2560 SJ-2572 SJ-2585
SiO2 46,27 48,06 47,13 46,9 47,55 46,73 48,32 46,51 47,87 47,75
TiO2 0,58 1,02 0,89 1,08 0,95 0,8 1,29 0,90 0,90 1,23
Al2O3 18,14 14,01 15,89 15,15 15,41 16,22 16,46 17,02 16,12 15,09
Fe2O3 9,5 11,68 13,01 12,88 13,33 12,12 12,07 11,10 12,65 13,11
MnO 0,16 0,29 0,21 0,2 0,21 0,19 0,18 0,16 0,19 0,20
MgO 10,3 7,22 8,09 7,89 8,13 9,12 6,76 9,37 7,55 7,92
CaO 11,47 12,57 11,63 10,99 11,07 11,03 11,48 10,96 11,73 11,86
Na2O 1,96 2,27 1,93 1,88 1,86 1,63 2,17 2,13 1,75 1,36
K2O 0,21 0,15 0,17 0,12 0,15 0,29 0,25 0,13 0,23 0,35
P2O5 0,06 0,107 0,115 0,12 0,08 0,05 0,11 0,08 0,07 0,09
LOI 1,3 2,4 0,7 2,5 1 1,5 0,6 1,3 0,7 0,8
Total 100 99,81 99,8 99,76 99,76 99,76 99,75 99,74 99,75 99,75
Mg# 68 55 55 55 55 60 53 63 54 54

Sc 26 35 41 38 45 39 41 33 44 46
V 188 230 277 242 286 244 281 214 280 315
Cr 205 171 144 178 260 144 226 157 144 151
Co 55,9 48,4 53,4 57 54,7 57,5 49,8 59,6 53,1 55,9
Ni 234 100 115 114 100 129 73 176 93 80
Ga 15 15,9 16 15,4 17 15,6 18,1 16,1 16,0 18,5
Rb 9,3 1,8 4,4 3,8 3 7,8 3,7 1,3 5,7 4,4
Sr 208,9 178,5 187,2 158,1 194,2 134,6 207,6 172,1 188,7 70,7
Y 16,3 18,7 21,5 19,7 23,1 19,2 24,4 16,5 21,7 24,4
Zr 31,5 47,2 44,5 58,2 44,9 36,7 68,3 43,1 44,2 64,4
Nb 1,7 1,2 1,2 1 1,4 1,1 1,5 1,0 1,2 2,4
Ba 75 32 49 32 30 69 38 20 51 29
Ta 0,4 0,05 0,05 0,05 0,1 0,06 0,1 0,1 0,1 0,1
Th 0,3 0,1 0,3 0,1 0,3 0,12 0,19 0,16 0,2 0,4
Hf 0,8 1,5 1,4 1,3 1,5 1,2 2,1 1,4 1,6 1,9
U 0,1 LDL LDL LDL LDL LDL 0,1 LDL 0,1 0,1
La 2,4 2,3 2,6 2 2,3 1,8 3,0 1,9 2,1 3,4
Ce 6 6,2 6,7 7,6 6,1 5,3 9,7 6,2 6,1 10,0
Pr 0,92 1,13 1,19 1,28 1,05 0,9 1,61 1,04 1,00 1,61
Nd 5 6,1 6,7 9,5 5,5 4,6 9,1 6,4 5,8 9,4
Sm 1,5 1,92 2,1 2,57 2,16 1,73 2,90 1,81 1,95 2,71
Eu 0,66 0,81 0,8 0,95 0,79 0,71 1,11 0,80 0,79 0,99
Gd 2,25 2,65 2,77 2,99 2,82 2,36 4,02 2,62 2,88 3,68
Tb 0,45 0,52 0,57 0,57 0,59 0,5 0,71 0,47 0,56 0,68
Dy 2,81 3,08 3,49 3,79 3,8 3,08 4,05 2,76 3,52 3,96
Ho 0,57 0,69 0,82 0,76 0,85 0,7 0,89 0,59 0,78 0,84
Er 1,92 2,02 2,39 2,29 2,5 2,16 2,58 1,73 2,30 2,41
Tm 0,26 0,32 0,38 0,29 0,36 0,32 0,39 0,25 0,36 0,37
Yb 1,58 1,9 2,34 2,14 2,41 2,1 2,32 1,62 2,30 2,34
Lu 0,25 0,29 0,36 0,26 0,37 0,32 0,37 0,25 0,35 0,35

La/Ybcn 1,09 0,87 0,8 0,67 0,68 0,61 0,93 0,84 0,65 1,04
La/Smcn 1,03 0,77 0,8 0,5 0,69 0,67 0,67 0,68 0,7 0,81
Gd/Ybcn 1,18 1,15 0,98 1,16 0,97 0,93 1,43 1,34 1,04 1,30
(Eu/Eu*)cn 1,1 1,1 1,01 1,05 0,98 1,07 0,99 1,12 1,02 0,96
Al2O3/TiO2 21 14 18 14 16 20 13 19 18 12
Zr/Y 1,9 2,5 2,1 3,0 1,9 1,9 2,8 2,6 2 2,6
Ti/Zr 110 130 120 111 127 131 113 125 122 115
(Nb/Nb*)pm 0,19 0,42 0,12 0,40 0,16 0,41 0,21 0,27 0,23 0,14
(Zr/Zr*)pm 0,20 0,19 0,15 0,11 0,18 0,22 0,12 0,18 0,18 0,12
(Ti/Ti*)pm 0,15 0,21 0,15 0,17 0,14 0,17 0,15 0,23 0,15 0,15

39
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Granulitos máficos Metapiroxenitos (px cumulus)

GR-556 GR-558 GR-719 SJ-2562 SJ-2586 GR-759 GR-760 NM-241


SiO2 46,48 47,88 47,58 48,57 48,11 47,27 49,11 50,41
TiO2 1,2 1,65 1,06 1,27 1,40 0,42 0,5 0,4
Al2O3 16,96 15,74 16,33 15,68 14,63 6,67 6,48 5,94
Fe2O3 12,91 12,98 11,03 12,30 13,01 11,38 11,79 7,93
MnO 0,22 0,20 0,18 0,19 0,20 0,19 0,18 0,15
MgO 6,94 6,26 8,33 6,90 6,75 19,16 19,24 16,26
CaO 9,89 11,18 10,68 11,30 11,03 8,85 7,58 15,32
Na2O 2,27 2,54 2,66 2,39 2,73 0,38 0,33 0,83
K2O 0,15 0,26 0,21 0,20 0,57 0,07 0,05 0,73
P2O5 0,218 0,16 0,09 0,12 0,11 0,02 0,1 0,1
LOI 2,6 0,9 1,5 0,8 1,2 4,9 3,9 1,3
Total 99,92 99,74 99,77 99,77 99,75 99,62 99,61 99,98
Mg# 52 49 60 53 51 77 76 80

Sc 52 42 39 44 47 38 27 52
V 325 334 246 283 329 128 145 185
Cr 198 205 356 281 151 1875 1608 3770
Co 48,2 50,4 51,1 51,5 53,2 70,7 75,9 44,7
Ni 101 69 110 70 49 461 546 423
Ga 16 19,2 17 17,7 17,7 8,8 8,8 7,4
Rb 1,5 4,2 2,7 3,8 18,2 2,8 2,4 26,1
Sr 288 207,3 197,1 211,1 130,7 55,6 71,9 51,7
Y 21,9 32,3 23 25,5 26,5 24,3 21,5 19
Zr 63,2 98,4 61,5 60,8 78,2 63,3 56,7 29,3
Nb 1,2 2,1 1 1,3 3,5 3 2,6 1,8
Ba 94 60 42 29 99 77 90 106,2
Ta LDL 0,1 0,1 0,08 0,16 0,1 0,1 0,1
Th 0,19 0,3 0,3 0,2 0,4 0,8 1,5 0,3
Hf 0,9 2,9 2 1,8 2,5 2,1 1,5 0,9
U LDL 0,2 0,1 0,1 0,3 0,3 0,6 0,3
La 2,6 4,4 2,8 2,9 4,9 8,4 11 6,3
Ce 6,8 14,2 8 9,5 13,2 13 19,7 11
Pr 1,28 2,35 1,42 1,56 2,04 3,57 3,1 2,29
Nd 7,3 12,2 7,6 8,7 11,6 17 13,9 10,6
Sm 2,44 3,94 2,52 2,79 3,23 4,14 3,19 2,9
Eu 1,09 1,46 0,95 1,17 1,18 1 0,82 0,57
Gd 3,28 5,28 3,37 3,96 4,29 4,06 3,41 3,34
Tb 0,6 0,94 0,64 0,71 0,76 0,73 0,57 0,69
Dy 3,98 5,39 4,14 3,92 4,46 4,47 3,55 3,28
Ho 0,85 1,12 0,88 0,88 0,91 0,85 0,74 0,66
Er 2,57 3,43 2,4 2,58 2,70 2,32 2 1,82
Tm 0,39 0,51 0,38 0,40 0,41 0,35 0,3 0,3
Yb 2,4 3,15 2,24 2,40 2,52 2,14 1,79 1,59
Lu 0,36 0,49 0,37 0,37 0,39 0,31 0,28 0,23

La/Ybcn 0,78 1 0,9 0,87 1,39 2,82 4,41 2,84


La/Smcn 0,69 0,72 0,72 0,67 0,98 1,31 2,23 1,4
Gd/Ybcn 1,71 2,63 1,93 2,42 2,96 1,57 1,58 1,74
(Eu/Eu*)cn 1,18 0,98 1 1,08 0,97 0,75 0,76 0,56
Al2O3/TiO2 14 10 15 12 10 16 29 87
Zr/Y 2,89 3,05 2,67 2,38 2,95 2,60 1,97 1,20
Ti/Zr 114 101 103 125 107 40 53 82
(Nb/Nb*)pm 0,20 0,13 0,10 0,18 0,14 0,04 0,01 0,08
(Zr/Zr*)pm 0,17 0,10 0,15 0,12 0,10 0,04 0,06 0,05
(Ti/Ti*)pm 0,17 0,11 0,13 0,15 0,14 0,04 0,08 0,06

40
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Metagabros ( plagio cumulus) Gabros

GR-18 GR-761 GR-773 GR-774 GR-775 GR-776 NM-01 GR53A GR143 GR-145
SiO2 46,46 48,94 44,35 44,62 48,42 47,49 47,04 46,79 45,03 50,38
TiO2 0,58 0,23 0,52 0,38 0,31 0,19 0,24 1,7 3,18 1,28
Al2O3 16,72 20,03 16,66 19,42 15,88 21,74 17,45 14,63 13,56 15,56
Fe2O3 9,71 6,31 10,03 7,75 5,56 4,29 6,32 15,21 22,06 12,21
MnO 0,18 0,14 0,17 0,12 0,11 0,08 0,14 0,21 0,32 0,18
MgO 10,51 7,98 12,07 11,11 10,98 7,54 11,63 6,71 3,13 6,97
CaO 12,93 13,08 11,87 11,22 16,01 15,36 13,03 8,41 7,61 9,39
Na2O 1,49 1,99 1,26 1,81 1,24 1,61 1,44 2,48 3,06 2,72
K2O 0,18 0,09 0,18 0,33 0,08 0,1 0,1 1,34 0,73 0,61
P2O5 0,06 0,01 0,03 0,02 0,008 LDL 0,02 0,41 1,52 0,18
LOI 1,1 1 2,5 2,9 0,9 1,3 2,4 2 -0,5 0,2
Total 100 99,81 99,73 99,76 99,77 99,83 100 99,92 99,71 99,73
Mg# 68 71 70 74 80 78 78 47 22 53

Sc 29 39 31 21 44 26 26 30 47 35
V 192 122 157 112 158 93 101 240 56 253
Cr 294 123 246 164 1608 787 1020 75 14 151
Co 61,2 34,1 64,7 50,9 33,9 25,6 46,6 57,2 39,7 50,0
Ni 294 36 306 270 213 135 344 74 20 88
Ga 14,4 16,2 13,6 12,2 10,2 12 10,2 19,4 28,0 18,4
Rb 4,4 1 4,9 11,3 3,5 2,7 3,8 49,6 5,2 8,6
Sr 165,6 301,1 153,7 205,4 161,3 235,6 176 202,4 280,9 177,1
Y 15,3 8,5 11,7 8,6 8,9 5,4 7,6 44,4 81,8 36,6
Zr 30,2 10,2 24,3 17,4 13,7 9,1 10,8 176,4 200,1 109,0
Nb 0,9 0,5 0,5 0,6 0,4 0,4 0,6 6,8 9,7 5,0
Ba 32,2 33 25 69 26 36 79,5 419,9 440 269
Ta 0,8 LDL 0,1 LDL 0,1 LDL 0,1 0,7 0,6 0,2
Th 0,4 0,16 0,19 0,11 0,11 0,17 0,3 2,8 2,9 0,8
Hf 1 0,2 0,6 0,5 0,5 0,3 0,4 4,6 5,3 3,3
U 0,3 LDL LDL LDL LDL LDL LDL 0,7 0,5 0,2
La 1,6 1,7 1,5 0,8 0,9 0,8 1,5 18,3 39,6 12,2
Ce 4,3 3,7 3,4 2 2,3 1,9 3,1 42,8 107,2 29,6
Pr 0,71 0,58 0,54 0,37 0,41 0,28 0,5 5,72 14,63 4,09
Nd 3,4 3,3 3,3 2 2,6 1,8 2,5 27,4 67,0 18,9
Sm 1,2 1,08 1,13 0,72 0,76 0,53 0,8 6,6 15,15 4,83
Eu 0,59 0,56 0,48 0,37 0,35 0,29 0,36 2,06 4,42 1,41
Gd 1,96 1,27 1,59 1,24 1,28 0,8 1,11 6,77 17,06 5,67
Tb 0,38 0,25 0,31 0,23 0,25 0,15 0,19 1,22 2,70 1,01
Dy 2,5 1,43 1,99 1,44 1,54 0,89 1,34 7,4 13,62 5,85
Ho 0,52 0,33 0,4 0,29 0,34 0,19 0,29 1,57 2,84 1,31
Er 1,69 0,89 1,31 0,92 0,96 0,55 0,84 4,63 8,14 3,85
Tm 0,22 0,14 0,2 0,15 0,15 0,09 0,14 0,68 1,12 0,59
Yb 1,36 0,92 1,21 0,83 0,9 0,5 0,77 4,08 6,72 3,68
Lu 0,24 0,14 0,19 0,14 0,14 0,09 0,1 0,6 1,02 0,57

La/Ybcn 0,84 1,33 0,89 0,69 0,72 1,15 1,4 3,22 4,23 2,38
La/Smcn 0,86 1,02 0,86 0,72 0,76 0,97 1,21 1,79 1,69 1,63
Gd/Ybcn 1,19 1,14 1,09 1,24 1,18 1,32 1,19 1,37 2,10 1,27
(Eu/Eu*)cn 1,18 1,46 1,09 1,2 1,08 1,36 1,17 0,94 0,84 0,82
Al2O3/TiO2 29 87 32 51 51 114 73 9 4 12
Zr/Y 1,97 1,20 2,08 2,02 1,54 1,69 1,42 4,0 2,4 3,0
Ti/Zr 115 135 128 131 136 125 133 58 95 70
(Nb/Nb*)pm 0,11 0,15 0,14 0,55 0,33 0,24 0,11 0,01 0,01 0,04
(Zr/Zr*)pm 0,35 0,14 0,31 0,57 0,33 0,45 0,26 0,05 0,01 0,06
(Ti/Ti*)pm 0,20 0,21 0,28 0,38 0,27 0,47 0,31 0,06 0,03 0,07

Tabela 3 - Teores dos elementos maiores (wt%), elementos-traço (ppm), terras raras (ppm) e razões inter-elementos
das rochas máfico-ultramáficas. Óxidos dos elementos maiores em wt.%. FeOt é Fe calculado como Fe2+. Mg#=100 Mg/
(Mg+Fe2+) assumindo Fe2O3/FeO=0.15. LDL= abaixo do limite de detecção

41
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 10 - Diagramas binários utilizados para se testar a mobilidade dos elementos. Símbolos: ▲-metabasalto; ♦-
anfibolito rico em anfibólio; ●-anfibolito porfiroblástico; granulito máfico; *- cumulus de plagioclásio; ■ cumulus de
piroxênio; - gabro.

42
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 11 - Distribuição das amostras de rochas máfico-ultramáficas do Complexo Trincheira nos diagramas discrimi-
nantes: (a), a maioria das amostras ocupa o campo dos basaltos (diagrama modificado de Pearce, 1996); (b) distribui-
ção das amostras no campo dos basaltos toleiíticos de arco-de-ilhas; (c) distribuição das amostras no campo MORB e
arco-de-ilha; (d) distribuição das amostras nos campos dos basaltos de back-arc e basaltos de arco-de-ilhas.

[Link].1 Anfibolitos finos (metabasaltos) 16.3 wt.%), mas baixo conteúdo em Zr (38.3-109.7
ppm), Ni (30-130 ppm) e moderado a variável conte-
Os anfibolitos finos são caracterizados por conte- údo em SiO2 (41.5-54.1 wt.%), CaO (7.5-12.5 wt.%),
údo variável de SiO2 (42.48-53.51 wt.%), MgO (4.28- TiO2 (0.35-2.32 wt.%) quando comparados a média
7.93 wt.%), alto Fe2O3 (11.42-17.99 wt.%), alto Al2O3 dos basaltos de cadeia meso oceânica modernos
(12.58-16.32 wt.%), moderado TiO2 (0.98-1.5 wt.%), (MORB) (veja Hofmann,1988). O Mg# varia de 37 a
CaO (6.97-11.4 wt.%) e Mg# varia de 34 a 52. As ra- 62 e a razão Al2O3/TiO2 (8-24) levemente sub-condri-
zões de Al2O3/TiO2 (9-15) são sub-condríticas, enquan- tica, enquanto a razão Zr/Y (1.7-2.9) é sub-condritica
to que Ti/Zr (88-114) e Zr/Y (2.4-3.5), variam de sub- a levemente super-condrítica e a razão Ti/Zr (71-162)
-condríticas a super-condríticas. Adicionalmente, os varia de sub-condrítica a super-condrítica. O com-
anfibolitos exibem o seguinte comportamento dos portamento dos elementos-traço nos diagramas
elementos-traço quando normalizados ao condrito e normalizados ao condrito e ao manto primitivo, mos-
ao manto primitivo, respectivamente: (1) fraco empo- tram as seguintes características: (1) fracionamento
brecimento a leve fracionamento em ETRL (La/Smcn= fraco a moderado em ETRL (La/Smcn= 0.85-1.27; La/
0.62-1.15; padrão subhorizontalizado dos ETR (La/ Ybcn= 0.86-2.17), leve fracionamento dos ETRP (Gd/
Ybcn= 0.74-1.40) (2) padrão horizontal a fraco enri- Ybcn=1.02-1.67) e moderada a forte anomalia negati-
quecimento nos ETRP (Gd/Ybcn=1.1-1.41) e moderada va de Nb (Nb/Nb*=0.02-0.17), Ti (Ti/Ti*=0.05-0.3), Zr
anomalia negativa de Nb (Nb/Nb*=0.02-0.13), Ti (Ti/ (Zr/Zr*=0.05-0.12) e muita fraca a ausente anomalia
Ti*=0.07-0.16), Zr (Zr/Zr*=0.07-0.14) e ausência de negativa de Eu (Eu/Eu*=0.94-1.0)(fig. 12c-d).
anomalia de Eu (Eu/Eu*=0.9-1.0) (fig. 12a-b).
[Link].3 Anfibolitos porfiroblásticos
[Link].2 Anfibolitos ricos em anfibólio
Os anfibolitos porfiroblásticos possuem razão
Os anfibolitos ricos em anfibólio possuem mais Zr/Y (Zr/Y=1.9-3.0) similar aos basaltos tholeiíticos
alto conteúdo em MgO (4.8-10.6 wt.%) e Fe2O3 (10.8- modernos (Zr/Y=1.3-3.1) (Barrett and MacLean,

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 11 - Distribuição das amostras de rochas máfico-ultramáficas do Complexo Trincheira nos diagramas discrimi-
nantes: (a), a maioria das amostras ocupa o campo dos basaltos (diagrama modificado de Pearce, 1996); (b) distribui-
ção das amostras no campo dos basaltos toleiíticos de arco-de-ilhas; (c) distribuição das amostras no campo MORB e
arco-de-ilha; (d) distribuição das amostras nos campos dos basaltos de back-arc e basaltos de arco-de-ilhas.

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

1994). Eles possuem o Mg# variando de 52 a 62 e dos elementos-traço dos cumulados ricos em piro-
pequena variação no conteúdo de SiO2 (46.5-48.3 xênio quando lançados nos diagramas normalizados
wt%), TiO2 (0.8-1.3 wt.%), Fe2O3 (11.1-13.3 wt.%), ao condrito e ao manto primitivo, eles apresentam
Al2O3(14-17.02 wt.%), MgO (6.76-9.37 wt.%), Zr as seguintes características: (1) enriquecimento nos
(36.7-68.3 wt.%) e ETR (26.6-42.8 ppm) (fig. 10 e tab. ETRL (La/Smcn= 1.31-2.23), moderado fracionamento
3). A razão Al2O3/TiO2 (12-21, versus 22) é levemente nos ETRP (Gd/Ybcn=1.57-1.73) e pronunciada ano-
sub-condritica enquanto a razão Zr/Y (1.9-3.0, versus malia negativa de Nb (Nb/Nb*=0.01-0.07), Ti (Ti/
2.4) é sub-condritica a levemente super-condrítica Ti*=0.04-0.08), Zr (Zr/Zr*=0.04-0.06) e moderada
e a razão Ti/Zr (103-131, versus 115) varia de sub- anomalia negativa de Eu (Eu/Eu*= 0.56-0.76).
condrítica a super-condrítica. Os cumulados ricos em plagioclásio quando com-
Nos diagramas normalizados ao condrito e ao parados aos cumulados ricos em piroxênio mostram
manto primitivo, eles apresentam as seguintes ca- semelhança nos teores de SiO2 (44.3-48.9 wt.%),
racterísticas: (1) padrão subhorizontalizado dos ETR mais baixo Fe2O3 (4.3-10.0 wt.%) e alto CaO (11.2-
totais com leve empobrecimento nos ETRL (La/Smcn= 16.0 wt.%), alto Al2O3 (16.7-21.7 wt.%), mas baixo
0.50-1.0), próximo a horizontalidade nos ETRP (Gd/ MgO (7.5-12.07 wt.%), baixo TiO2 (0.19-0.58 wt.%),
Ybcn=0.93-1.4) e forte a moderada anomalia negati- e Mg# levemente mais baixo, variando de 68 a 79.
va de Nb (Nb/Nb*=0.10-0.42), Ti (Ti/Ti*=0.13-0.23), Da mesma forma, apresentam mais baixo e variável
Zr (Zr/Zr*=0.11-0.22) e ausência de anomalia de Eu conteúdo em Ni (36-344 ppm), Cr (123-1020 ppm),
(Eu/Eu*= 0.96-1.12) (fig. 12e-f). baixo Co (26-65 ppm), V (93-192 ppm), Zr (9-30 ppm)
e Y variável ( 5.4-15.3 ppm) (tab. 2). Contrariamente
[Link].4 Granulitos máficos aos cumulados ricos em piroxênio, os cumulados de
plagioclásio possuem razões de Al2O3/TiO2 (29-114),
Os granulitos máficos são composicionalmen- Ti/Zr (115-135) que são super-condríticas, enquan-
te uniformes em SiO2 (46.4-48.6 wt.%), Fe2O3 (11- to que as razões Zr/Y(1.2-2.0) são sub-condríticas. O
13 wt.%), CaO (9.9-11.3 wt.%), MgO (6.3-8.3 wt.%), comportamento dos elementos-traço dos cumulados
Al2O3 (14.6-17 wt.%) e TiO2 (1.06-1.4 wt.%), enquan- ricos em plagioclásio, quando normalizados ao con-
to que o Mg# varia de 49 a 60. Apresentam larga va- drito e ao manto primitivo, apresentam as seguintes
riação no conteúdo de Ni (49-110 ppm) e moderada características: (1) padrão próximo da horizontali-
variação de Co (48.2-53.2 ppm), V (246-334 ppm), Zr dade nos ETRL (La/Smcn= 0.72-1.21), fraco fraciona-
(61-98 ppm), Y ( 22-32 ppm) e ETR (ex. La=2.6-4.9 mento nos ETRP (Gd/Ybcn=1.08-1.32) e pronunciada
ppm) (tab. 2). As razões de Al2O3/TiO2 (10-15) são anomalia negativa de Nb (Nb/Nb*=0.10-0.55), Ti (Ti/
sub-condríticas, enquanto que Ti/Zr (100-125) são Ti*=0.20-0.46), Zr (Zr/Zr*=0.13-0.57) e moderada
sub-condríticas a super-condríticas e Zr/Y(2.3-3) su- anomalia positiva de Eu (Eu/Eu*= 1.1-1.4).
per-condríticas.
Quando os metagabros são dispostos nos diagra- [Link].6 Gabros
mas normalizados ao condrito e ao manto primitivo,
eles apresentam as seguintes características: (1) leve Os gabros são caracterizados por 45.03-50.38
empobrecimento nos ETRL (La/Smcn= 0.67-0.98), wt.% em SiO2, 12-22 wt.% Fe2O3, 7.6-9.4 wt.%
padrão horizontal a fraco fracionamento nos ETRP CaO, 3-7 wt.% MgO, 13.5-15.5 wt.% Al2O3 e 1.3-3.0
(Gd/Ybcn=1.13-1.40) e forte anomalia negativa de wt.% TiO2, enquanto que o Mg# varia de 22 a 53.
Nb (Nb/Nb*=0.09-0.20), Ti (Ti/Ti*=0.11-0.17), Zr (Zr/ Apresentam larga variação no conteúdo de Ni (20-
Zr*=0.10-0.17) e ausência de anomalia de Eu (Eu/ 88 ppm) e moderada variação de Co (40-57 ppm),
Eu*= 0.97-1.18) (fig. 12g-h). V (56-253 ppm), Zr (109-200 ppm), Y ( 37-82 ppm)
(tab. 2). As razões de Al2O3/TiO2 (4-12) e Ti/Zr (58-95)
[Link].5 Cumulados máfico-ultramáficos são sub-condríticas, enquanto que Zr/Y(2.4-4.0) são
super-condríticas.
Os cumulados máfico-ultramáficos foram dividi- O comportamento dos elementos-traço quando
dos em dois grupos: (a) aqueles com cumulados ricos normalizados ao condrito e ao manto primitivo, apre-
em piroxênio e (b) aqueles com cumulados ricos em sentam as seguintes características: (1) forte enrique-
plagioclásio. Os primeiros apresentam teores variá- cimento nos ETRL (La/Smcn= 1.63-1.79), forte fraciona-
veis de SiO2 (47.3-50.4 wt.%), Fe2O3 (7.8-11.7 wt.%) e mento nos ETRP (Gd/Ybcn=1.27-2.10) e pronunciada
CaO (7.5-15.3 wt.%), mas alto MgO (16.3-19.2 wt.%), anomalia negativa de Nb (Nb/Nb*=0.01-0.04), Ti (Ti/
baixo Al2O3 (5.9-6.6 wt.%) e TiO2 (0.4-0.5 wt.%), en- Ti*=0.03-0.06), Zr (Zr/Zr*=0.01-0.06) e fraca anomalia
quanto que o Mg# varia de 76 a 80. Adicionalmente, negativa de Eu (Eu/Eu*= 0.82-0.94) (fig.12i-j).
apresentam alto conteúdo em Ni (423-546 ppm), Cr Para a definição da ambiência tectônica onde se
(1608-3770 ppm) e moderada valores de Co (45-76 originou o magma gerador das rochas do Complexo
ppm), V (128-185 ppm), Zr (29-63 ppm), Y ( 19-24 Máfico-Ultramáfico Trincheira, utilizou-se o diagrama
ppm) e ETR (ex. La=6.3-11 ppm) (tab. 2). As razões de variação da razão Th/Yb versus Ta/Yb (fig. 11b).
de Al2O3/TiO2 (13-16), Ti/Zr (40-82) são sub-condrí- Quando comparados aos basaltos do tipo MORB e
ticas, enquanto que as razões Zr/Y(1.5-2.6) são sub- aos basaltos intra-placa, a maioria das amostras do
-condríticas a super-condríticas. O comportamento Complexo Trincheira plotam dentro do campo defi-

45
CPRM - Programa Geologia do Brasil

nido pelos basaltos de arco-de-ilhas oceânicos, en- reza o domínio do Complexo Trincheira, onde o mes-
quanto que os anfibolitos de granulação fina e os an- mo apresenta feições lineares com altos magnéticos
fibolitos ricos em anfibólio mostram mais alta razão paralelos ao trend geral da foliação. Nesse mesmo
Th/Yb em relação aos granulitos máficos e aos an- domínio, são marcantes as zonas de cisalhamento
fibolitos porfiroblásticos, refletindo, provavelmente, e falhamentos com direção NW e NE, além de infle-
a influência de fluídos enriquecidos em Th da zona xões para EW, sugerindo zonas de dobramentos. As
de subducção. Adicionalmente, a afinidade MORB rochas do complexo refletem quase sempre baixos
dos granulitos máficos e anfibolitos porfiroblásticos níveis radiométricos.
são distintos do caráter químico relacionado ao
arco-de-ilha dos anfibolitos de granulação fina e an- [Link] Dados Geocronológicos e Correlações
fibolitos ricos em anfibólio conforme demonstrado
no diagrama Nb/Yb versus Th/Yb (fig. 11c). Na figura Na folha Pimenteiras (sul da folha Vilhena) duas
11d, a maioria das amostras dos granulitos máficos
amostras de anfibolito do complexo Trincheira foram
e anfibolitos porfiroblásticos estão plotados no cam-
po dos BABB, enquanto que os anfibolitos de granu- datadas pelo método 40Ar/39Ar e indicaram idade mé-
lação fina e os anfibolitos ricos em anfibólio estão dia ponderada de 1319 ± 10 Ma, sendo interpretada
distribuídos no campo delimitado pelos basaltos de como época do resfriamento metamórfico regional
arco-de-ilha, porém algumas amostras são transicio- (Rizzotto et al. 2002). Idades Sm/Nd em rocha total
nais ao campo dos BABB. de dois metagabros forneceram valores de TDM de
1,56-1,57 Ba. Dados recentemente publicados por
[Link] Características Geofísicas Rizzotto & Hartmann (2012) indicaram duas idades
de cristalização (1447-1468 Ma) para os granulitos
As rochas máficas da referida unidade são des- máficos (fig. 13a-b) e outras duas indicando o meta-
tacadas na imagem da primeira derivada vertical do morfismo (1435 ± 6; 1435 ± 10 Ma) dos anfibolitos
campo magnético total, na qual discrimina com cla- (fig. 13c-d).

Figura 13 - Diagramas concórdia U-Pb das amostras analizadas: (13a) Amostra GP4-110-granulito máfico; (13b)
Amostra SJ-2430a-granulito máfico; (13c) Amostra GR-793-anfibolito; (13d) Amostra GR-737-anfibolito.

46
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Essa unidade pode ser correlacionada com a Forma- e a repetitividade das unidades estratigráficas. As-
ção Santa Isabel (sudoeste do Mato Grosso), estudada sim sendo, é denominado unicamente de Complexo
por Matos et al., (2001), a qual inclui anfibolitos, me- Colorado quando não foi possível individualizar as
taultrabásicas, metabasaltos, gabros e serpentinitos. unidades predominantes nesta escala de trabalho. E,
de outra forma, quando possível, o mesmo foi sub-
3.2.2 Complexo Colorado dividido em Unidade Metapelítica, Unidade Ferro-
-Manganesífera, Unidade Calcissilicática e Unidade
Para-anfibolito. Conjuntamente, as rochas dessas
[Link] Comentários Gerais unidades e o Complexo Trincheira constituem o em-
basamento regional de alto grau metamórfico.
Nas décadas passadas, as rochas polideformadas
do embasamento da região sudeste de Rondônia [Link] Distribuição Geográfica e Relações de
eram enquadradas no Complexo Xingu (Santos et Contato
al., 1979) ou no Complexo Basal (Pinto Filho et al.,
1977). Durante a execução do Mapa Geológico de O Complexo Colorado distribui-se no setor sudo-
Rondônia, Scandolara et al., (1999), em função da este da folha, ocorrendo como um núcleo protero-
semelhança dos litótipos e da estruturação regional, zóico encoberto a norte pelas rochas sedimentares
inseriram aquelas rochas do embasamento na Se- de Bacia dos Parecis e a sul pelos sedimentos incon-
qüência Metavulcano-Sedimentar Nova Brasilândia. solidados quaternários.
Posteriormente, Rizzotto et al., (2002), em trabalhos Os contatos entre essa unidade com aquelas ad-
de re-avaliação da geologia regional, fundamentados jacentes são, via de regra, abruptos e resultantes da
em trabalhos de campo e geocronológicos, reposi- forte imbricação tectônica a que foram submetidas
cionaram a unidade acima citada, passando a deno- durante a fase compressiva. Em algumas áreas, os
miná-la de Suíte Metamórfica Colorado. contatos mostram-se balizados por falhas contra-
Tendo como resultado do mapeamento da folha cionais, de difícil visualização no terreno, haja vista
Pimenteiras, Rizzotto (2010), propuseram a deno- a espessa cobertura intempérica residual que se faz
minação de Complexo Colorado, subdividindo-o em presente. Em outros afloramentos, observa-se uma
unidades conforme a predominância dos litótipos, passagem gradativa entre as porções metapelíticas e
em função do detalhamento do levantamento geo- metapsamíticas da unidade. Os contatos são difusos
lógico. Ressalta-se, entretanto, que as unidades são entre os anfibolitos e as restritas camadas de meta-
compostas por litótipos predominantes, as quais margas, enquanto que os granitos são intrusivos nas
poderão conter outras litologias de unidades adja- mesmas (fig. 14). A Unidade para-anfibolito distribui-
centes, tendo em vista a forte imbricação tectônica -se no centro-sudoeste da folha, de forma de lentes

Figura 14 - Seção geológica esquemática mostrando as relações de contato do Complexo Colorado (Rodovia que liga
Colorado d’Oeste com Corumbiara).

47
CPRM - Programa Geologia do Brasil

alongadas na direção NE, quase sempre associada a métricos a centimétricos de leucossoma granítico,
lentes de gnaisses calcissilicáticos. São controladas em geral, de granulação grossa, composto de fel-
por uma tectônica transcorrente de cinemática dex- dspato potássico, quartzo e muscovita, ocorrendo
tral. As cristas de hematita/magnetita quartzito que paralelamente à foliação/bandamento metamórfi-
constituem a Unidade Ferro-Manganesífera, ocor- co regional. Não menos comum, dobras ptigmáticas
rem de forma descontínua, rompidas, intercaladas materializadas dominantemente por quartzo e raro
aos gnaisses do Complexo Colorado, as quais são feldspato, gerados por segregação metamórfica,
facilmente destacadas no mapa geofísico do cam- ocorrem de forma penetrativa nas rochas metap-
po magnético total. A Unidade Metapelítica, por samo-pelíticas do referido complexo. As unidades
sua vez, encontra-se intercalada aos anfibolitos de que compõem o complexo encontram-se descritas
granulação fina do Complexo Trincheira. São lentes abaixo.
descontínuas, formadas por biotita-quartzo xistos,
contendo proporções variáveis de estaurolita, silli- [Link].1 Unidade Metapelítica
manita e turmalina.
Ocorre dominantemente na forma de lentes alon-
[Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo gadas, sigmoidais, apresentando dimensões variadas
e Deformação que vão desde alguns metros até 10 km de exten-
são (megalentes). A área-tipo está situada na folha
A parte indivisa do complexo é constituída por Pimenteiras (contígua a sul da folha Vilhena) entre as
rochas supracrustais clasto-químicas compostas por linhas 03 e 04, limitada a oeste pelo igarapé Tabocas
plagioclásio-biotita-quartzo paragnaisses bandados e a leste pelo rio Colorado. Os xistos afloram, geral-
e parcialmente migmatitizados, granada-sillimanita mente, em morrotes alongados suportados por veios
paragnaisses, mica-quartzo xistos, biotita gnais- métricos (mais raramente quilométricos) de quartzo
ses semipelíticos, formações ferríferas bandadas, leitoso com esporádicas placas centimétricas de mus-
gnaisses calcissilicáticos, metamargas, raros talco- covita, os quais chegam a constituir pequenas cristas
-xistos, além de anfibolitos subordinados. alinhadas segundo a foliação regional. São constituí-
Essa variedade de litótipos de natureza diversifi- dos por xistos pelíticos marrom-avermelhados domi-
cada é dominada por rochas psamo-pelíticas inter- nados por muscovita-biotita-quartzo xisto, granada-
caladas com rochas de precipitação química do tipo -sillimanita-biotita xisto e sillimanita-estaurolita-bio-
metamargas, gnaisses calcissilicáticos e metachert tita-quartzo xisto. Mostram freqüentes intercalações
mangano-ferríferos, além de anfibolitos ortoderi- com paragnaisses e boudins de anfibolitos (fig. 15b).
vados. Em alguns afloramentos é possível visualizar Dobras intrafoliais são freqüentes, assim como intru-
a repetição alternada de camadas centimétricas a sões graníticas (fig. 15a). Alguns minerais aluminosos
métricas de xistos e paragnaisses, os quais carac- dos xistos como a granada e, menos comumente es-
terizam uma seqüência de ritmitos e/ou turbiditos. taurolita, ocorrem como porfiroblastos milimétricos
Em grande parte da área é característica dessa as- a centimétricos facilmente identificáveis quando os
sociação de litótipos apresentar lentes e bolsões xistos estão parcialmente intemperizados.

Figura 15 - Vista em perfil. (a) intercalação de xisto, paragnaisse e anfibolito; (b) boudin de anfibolito intercalado a
xisto e gnaisse do Complexo Colorado. Lentes estreitas de granito leucocrático desenvolvem-se ao longo do plano de
foliação. Rodovia RO-485, trajeto Corumbiara- Colorado d’Oeste, extremo sul da folha.

48
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

A classificação petrográfica das rochas metapelíti- e alternadas de sílica e magnetita/hematita, geral-


cas incluem sillimanita-granada-biotita xisto, muscovi- mente com 1 a 2 cm de espessura, exibem forte do-
ta-biotita xisto e andaluzita-biotita-quartzo xisto. São bramento. Camadas mais espessas (10 a 20 cm) são
de granulação média a fina e possuem quantidades menos comuns (fig.16).
variáveis de mica e quartzo, ora predominando um ou Em termos de composição, predominam os mag-
outro, em função das camadas originais do protólito. netita-metachert, hematita-quartzito, quartzito ferru-
Via de regra, apresentam uma fina e regular foliação ginoso e secundariamente, metachert manganesífero.
(Sn) materializada pelo arranjo plano-paralelo dos cris- Certamente, tratam-se de sedimentos químicos depo-
tais de biotita, muscovita e sillimanita. Por vezes, uma sitados em fundo oceânico. Na sua maioria, os corpos
clivagem de crenulação (Sn+1) é formada em decorrên- apresentam um nítido bandamento composicional
cia do dobramento da foliação pretérita, preferencial- representado por bandas félsicas centimétricas com-
mente ao longo do plano axial das microdobras. postas de quartzo recristalizado mostrando textura sa-
Os xistos apresentam microestrutura xistosa e cli- caróide e bandas máficas milimétricas a centimétricas
vagem de crenulação caracterizadas pelo dobramento compostas por magnetita e/ou hematita. Esse banda-
da xistosidade gerando dobras isoclinais e intrafoliais mento original (S0) é transposto por uma foliação (Sn)
com e sem raiz. A xistosidade esta marcada pela orien- associada a dobras apertadas e sem raiz. Com certa
tação de níveis contínuos de muscovita e biotita. A gra- freqüência, desenvolvem-se carapaças lateríticas por
nulometria é fina (0,5 a 2,0 mm) com acamadamento sobre esses corpos, com coloração avermelhada ou
primário (plano-paralelo) parcialmente preservado, cinza escura quando o protólito é o hematita quartzi-
definido através da intercalação de níveis contínuos, to e metachert manganesífero, respectivamente. Não
estreitos e regulares, com espessura entre 0,1 a 0,5 raro é a presença de sulfetos (calcopirita) de forma
mm, ricos em filossilicatos, que definem a textura lepi- disseminada ou concentrados em zonas de fraturas.
doblástica e, níveis ricos em quartzo, de textura grano- A petrografia das formações ferríferas banda-
blástica equigranular poligonal média a grossa (0,05 a das indica uma composição que varia de 60 a 80%
0,1 mm). O acamadamento é paralelo à foliação prin- de quartzo (ou chert), 20 a 30% de opacos na forma
cipal. Porfiroblastos “fantasmas” de granada? são co- de magnetita e/ou hematita. Alguns termos apre-
mumente envolvidos pela foliação principal indicando sentam além de quartzo e minerais opacos, teores
geração sin-tectônica. No geral, os xistos apresentam variáveis de grunerita, hedembergita e almandina.
como protólitos, pelitos ferro-aluminosos alternados As rochas ferríferas apresentam estrutura bandada,
com camadas de arenitos impuros. Essa repetição de definida por níveis contínuos, irregulares e de espes-
níveis de pelitos-psamitos em forma rítmica sugere sura milimétrica, caracterizados pela intercalação de
uma seqüência deposicional do tipo turbidítica. O es- níveis de 2 a 3 mm ricos em quartzo e minerais opa-
tudo detalhado da paragênese metamórfica é prejudi- cos (magnetita e/ou hematita) e níveis máficos contí-
cado tendo em vista o avançado estágio de alteração nuos a base de minerais opacos com teores variados
dos xistos. Entretanto, a paragênese mineralógica (Sn) de grunerita e hedembergita com espessuras entre 2
preservada nos mesmos com biotita + muscovita + a 7 mm. A variação composicional sugere um acama-
quartzo ± granada ± sillimanita é indicativo de meta- damento primário preservado. A principal textura é
morfismo com temperaturas compatíveis com a fácies granoblástica inequigranular poligonal a interlobada
anfibolito médio a superior. média (0,2 a 0,5 mm).

[Link].2 Unidade Ferro-Manganesífera

Os litótipos dessa unidade ocorrem ao sul-sudo-


este da folha, de forma irregular e descontínua, cons-
tituindo cristas alinhadas segundo a foliação meta-
mórfica regional. A crista mais expressivas apresenta
dimensão de 13km de extensão por 300 metros de
largura em média e está localizada próxima a cidade
de Corumbiara. As lentes mais estreitas e irregulares
encontram-se em íntima associação com os anfiboli-
tos e, secundariamente, com os xistos e paragnaisses
do Complexo Colorado e junto aos metabasaltos do
Complexo Trincheira.. Boa parte das cristas mostra-
-se dobrada e rompida e varia amplamente na es- Figura 16 - Magnetita quartzito da Unidade Ferro-Man-
pessura dos corpos em superfície. Camadas estreitas ganesífera . Fazenda Santa Inês, Corumbiara.

49
CPRM - Programa Geologia do Brasil

ocorrem palhetas de biotita, parcialmente cloritiza-


[Link].3 Unidade Calcissilicática das, arranjadas obliquamente a foliação. Ocorrem
acessórios como: epidoto, zircão, titanita e apatita.
São lentes alongadas, dobradas e por vezes des- O anfibólio acicular mantém contatos retos com
contínuas que ocorrem intercaladas, geralmente, os demais minerais. O quartzo e o plagioclásio estão
com os para-anfibolitos do Complexo Colorado e, finamente recristalizados em arranjo granoblástico
mais raramente, com anfibolitos do Complexo Trin- isogranular e poligonal, com contatos retos a serri-
cheira. Distribuem-se somente no extremo sul da fo- lhados, onde o plagioclásio distingue-se do quartzo
lha Vilhena, ao longo da zona de transcorrência e são pela presença de maclas polissintéticas e leve as-
representados por gnaisses calcissilicáticos a base pecto turvo devido à argilização. O epidoto ocor-
de diopsídio, plagioclásio, quartzo, actinolita e rara re como domínios nos níveis onde concentram-se
granada, de coloração esverdeada e com fina capa quartzo e plagioclásio e, subordinadamente, como
de cor alaranjada quando intemperizados. Associam- coroa de reação ao redor da allanita. Os acessórios
-se a estes, metamargas de granulação fina, de colo- como zircão, titanita e apatita ocorrem de forma
ração cinza claro, quase sempre transformadas em globular. O grau metamórfico é compatível com o
material areno-argiloso resultante do forte intempe- fácies anfibolito e o conjunto textural, como o forte
rismo superimposto. Em lâmina delgada, os gnais- estiramento e orientação do anfibólio, as microban-
ses apresentam estrutura bandada marcada por um das de quartzo (indicativas de transferência de mas-
bandamento relativamente regular e descontínuo sa por difusão) indicam metamorfismo dinâmico na
alternando níveis milimétricos de 1 a 2 mm ricos em formação da rocha.
hornblenda (actinolita) e diopsídio e níveis félsicos
ricos em plagioclásio com pouco quartzo. Textura
nematoblástica média (0,6 a 1,0 mm) definida pela
orientação de hornblenda e clinopiroxênio. Subordi-
nadamente, mostra textura granoblástica poligonal
inequigranular média (0,2 a 0,3 mm) com plagioclá-
sio, hornblenda e quartzo. Metamorfismo regional
orogênico, de fácies anfibolito médio.

[Link].4 Unidade Para-anfibolito

Ocorre como camadas estreitas e alongadas que


acompanham, quase sempre, os gnaisses calcissilicá-
ticos. As rochas da unidade são pobremente expos-
tas, na maioria das vezes, encobertas por um manto
de intemperismo de coloração marrom-avermelhada
que alternam-se com um saprólito amarelo-alaran- Figura 17 - Cristais aciculares de actinolita em matriz
jado derivado dos gnaisses calcissilicáticos. Apresen- granoblástica a base de plagioclásio e quartzo. (luz
natural, aumento de 4x).
tam coloração escura, granulação fina, bandados,
ricos em vênulas de quartzo paralelas aos níveis
centimétricos de anfibólio Em escala de afloramen-
to, observa-se uma repetição centimétrica a métri- [Link] Litoquímica e Petrogênese
ca de para-anfibolitos, gnaisses calcissilicáticos e/ou Unidade Calcissilicática
metamargas. As lentes de para-anfibolito atingem
algumas dezenas de metros e tem como protólitos, As rochas calcissilicáticas encontram-se interca-
provavelmente, as margas ricas em anfibólio. ladas com BIF e chert ferruginoso e menos comu-
Em lâmina delgada, os para-anfibolitos exibem mente, com sedimentos finos e rochas sedimenta-
textura granonematoblástica de grão médio a fino res clásticas.
(tamanho do grão inferior a 2,0mm), constituída Na tabela 4 são apresentados os dados de ele-
essencialmente de agulhas de anfibólio e quartzo, mentos maiores, elementos-traço, Terras Raras e os
além de plagioclásio em arranjo granoblástico fino. números de Niggli de 5 amostras de rochas calcis-
Os minerais formam um leve bandamento, definido silicatadas. O teor elevado em sílica de 3 amostras
pela concentração de máficos e félsicos em níveis, reflete o alto conteúdo modal de quartzo, enquan-
descontínuos, de espessura milimétrica, concordan- to que os valores moderados dos elementos ferro-
tes com a orientação dos minerais, definindo uma magnesianos (V, Sc, Ni, Cr), podem sugerir fonte
foliação milonítica (fig. 17). Subordinadamente vulcanogênica para origem dessas rochas.

50
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

A representação dessas rochas no diagrama de GR-420 GR-578 GR-585 GR-661 GR-668


Simonen, (1953) (citado por Holdhus, 1971), o qual
SiO2 56.22 71.36 71.54 64.27 69.6
utiliza os parâmetros de Niggli - si x ( al + fm ) – ( c +
Al2O3 14.96 12.12 14.43 13.13 14.6
alk ) - mostra que as mesmas se dispõem no campo
Fe2O3 5.24 4.41 1.87 5.61 4.24
das rochas vulcanogênicas (fig. 18).
MgO 2.11 0.04 0.71 1.73 1.07
CaO 10.74 10.14 4.76 7.24 3.4
Na2O 3.12 <0,01 5.1 1.46 4.43
K2O 4.48 <0,01 0.49 3.64 1.18
TiO2 0.65 0.25 0.4 0.64 0.32
P2O5 0.603 0.017 0.075 0.366 0.117
MnO 0.2 0.07 0.04 0.23 0.1
Cr2O3 0.005 0.009 0.014 0.011 0.017
LOI 1.4 1.5 0.5 1.5 0.8
SUM 99.74 99.89 99.93 99.82 99.87
Mo 0.9 0.5 1.2 0.9 1.2
Cu 27.6 2.4 3.1 1.6 5.1
Pb 3.6 1.5 0.8 0.5 0.6
Zn 23 6 7 23 52
Ni 3.1 3.3 4.4 2.4 3.9
As 1.3 <0,5 <0,5 <0,5 <0,5
Ba 1093 44 220 748 468
Co 8.5 3 2 8.6 6.7
Figura 18 - Diagrama mostrando a distribuição das
amostras das rochas calcissilicáticas no campo destina- Cs 1.3 0.2 <0,1 1.1 0.2
do as rochas vulcanogênicas. Ga 15 29.9 12.1 12.8 13.7
Hf 3.2 5.1 5.1 2.8 5
Nb 4.1 6.3 6.3 4.5 4.8
Winchester & Max (1989), chamam a atenção Rb 113.8 1.5 3.7 50.1 18.4
para a utilização de um pequeno número de ele- Sn 6 2 2 1 1
mentos maiores, o que pode levar a interpretações Sr 411 547 237 136.5 195.3
errôneas sobre o ambiente tectônico, quando os
Ta 0.3 0.5 0.5 0.3 0.4
sedimentos são imaturos e derivados, em parte, de
Th 3.4 9.2 3.4 3.3 2.9
rochas antigas. Por conseguinte, estes autores suge-
U 2.4 4.8 1.3 1 0.9
rem a utilização de elementos-traço, expresso atra-
V 95 40 31 49 39
vés de diagramas multielementais, salientando que
estes têm a vantagem de cobrir um largo intervalo W 4.9 5.2 10.1 8.8 13.5

de elementos e muitos dos quais são particularmen- Zr 99.2 160.6 157 89.2 160.3
te de baixa mobilidade durante o metamorfismo. Y 27.3 42.4 41.4 26.8 24.4
Nesse sentido, as rochas calcissilicáticas quando nor- La 18 28.3 24.7 23.1 13.7
malizadas pela média da Crosta Superior de Taylor Ce 38.9 49.9 37.9 48.6 29.5
& McLennan (1985), exibem anomalia positiva dos Pr 5.43 7.91 6.36 6.29 3.87
HFSE’s (Ti, Y, Tm e Yb), sugerindo natureza vulcano- Nd 26 33.2 25.6 26.4 15.2
gênica. Também, mostram um empobrecimento dos Sm 5.22 6.68 5.29 5.55 3.35
elementos litófilos (Rb, Th e Zr) (fig. 19a). Eu 1.21 1.34 1.16 1.42 0.81
Gd 4.7 6.47 5.5 5.14 3.27
Unidade Ferro-Manganesífera – Hematita e/ou Mag-
Tb 0.76 1.25 1 0.8 0.6
netita Metachert
Dy 4.51 7.3 6.18 4.27 3.46
Foram analisadas 3 amostras de formação ferrí- Ho 0.94 1.45 1.44 0.9 0.79
fera bandada, as quais são representadas pela fá- Er 2.81 4.26 4.48 2.81 2.44
cies óxido. Os metassedimentos da fácies óxido são Tm 0.4 0.76 0.74 0.44 0.43
caracterizados pela alternância de níveis hematíti- Yb 2.8 4.49 4.8 2.84 2.77
cos e/ou magnetíticos, lateralmente descontínuos, Lu 0.45 0.71 0.81 0.45 0.45
e níveis de quartzo, com raro anfibólio e granada.
Pela análise dos dados químicos apresentados na Tabela 4 - Composição química das rochas calcissilicáticas

51
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 19 - (a) Diagrama multielemental normalizado pela Crosta Continental Superior (Taylor & McLennan (1985); (b)
Diagrama ETR das rochas calcissilicáticas normalizados ao NASC (Taylor & McLennan (1985).

tabela 5, as formações ferriferas apresentam valo- sições em massa são notavelmente similares dos
res moderados de Fe2O3 ( 10 a 13%) e altos valores BIF’s típico. A figura 20b. ilustra a natureza da dis-
de SiO2 (85 a 89% ). tinção em termos de (Co + Ni + Cu) versus abun-
No diagrama ETR normalizado ao NASC duas dância de conteúdo de ETR total. Assim, as amos-
amostras apresentam padrão horizontalizado dos tras distribuem-se dentro do campo dos depósitos
ETR’s totais, com anomalia negativa de Ce, enquan- hidrotermais.
to que uma amostra apresenta um leve enriqueci-
mento nos ETRP, empobrecimento nos ETRL e com [Link] Características Geofísicas
pronunciada anomalia negativa de Ce (fig. 20a).
Esse padrão é similar aos modernos depósitos hi-
drotermais de mar profundo. Nas imagens gamaespectrométricas, limitadas as
Uma noção sobre o influxo das águas hidroter- radiações gama emitidas da superfície do terreno, a
mais dos oceanos nos unidade metapelítica apresenta destaque no canal
quais as formações ferríferas precipitaram, pode de potássio, urânio, contagem total e no diagrama de
ser obtida a partir da distinção química entre sedi- distribuição ternária. Os xistos, no geral, apresentam
mentos de mar profundo ricos em ETR e depósitos valores anômalos do canal de potássio (2,5 a 5,5%)
hidrotermais pobres em ETR conforme estudado fornecidos, possivelmente, pela presença de placas
por Bonnot-Courtois (1981) na área FAMOUS dos de muscovita em veios pegmatóides leucossomáti-
montes Galápagos. Os depósitos hidrotermais con- cos juntamente com quartzo e feldspato potássico.
sistem em grande parte da camada de nontronita As formações ferríferas bandadas apresentam, geral-
(silicato rico em Fe), enquanto que as suas compo- mente, anomalias magnéticas bipolares levemente

Figura 20 - (a) Diagrama mostrando o padrão de ETR, normalizado pelo NASC das amostras das formações ferríferas;
(b) Diagrama da abundância de Co + Ni + Cu versus conteúdo dos ETR total ((La + Ce + Nd + Sm + Eu +Tb + Yb + Lu)
. O campo hachurado engloba “Depósitos Hidrotermais” da região FAMOUS de Galápagos, enquanto que o campo
delimitado pelos “sedimentos metalíferos de mar profundo” representam a região do Pacífico Leste.

52
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

alongadas, enquanto que a unidade calcissilicática


GR-501 GR-515 GR-633
e os para-anfibolitos não apresentam nenhuma ex-
SiO2 85,12 85,57 89,51 pressão magnética.
Al2O3 1,88 0,41 0,07
Fe2O3 12,8 10,07 9,94
[Link] Dados Geocronológicos e Correlações
MgO <0,01 0,08 <0,01
CaO 0,04 0,15 0,03
Na2O 0,01 0,02 <0,01 Dados geocronológicos da unidade são relatados
K2O <0,01 0,06 <0,01 por Rizzotto et al., (2010) em amostras da folha Pi-
TiO2 <0,01 0,02 <0,01 menteiras. Zircões detríticos de um paragnaisse da
P2O5 0,06 0,048 0,02 Unidade Metapsamítica foram analisados por MEV
MnO <0,01 2,11 <0,01 e LAM-MC-ICP-MS e datados pelo método U-Pb, re-
Cr2O3 0,018 0,017 0,028
sultando idades de 1544 ± 21 Ma, 1340 ± 30 Ma e
LOI 0,1 1,4 0,4
SUM 100 99,99 100,03
1076 ± 73 Ma. A primeira é derivada de zircões íg-
Mo 1,1 1,9 3 neos detríticos, a qual se refere à fonte principal dos
Cu 1,9 77,6 7,7 sedimentos e fornece a idade máxima da sedimen-
Pb 1 3,7 1,2 tação da unidade. A segunda é derivada de zircões
Zn 5 31 5 metamórficos, onde a idade é interpretada com a
Ni 4,8 9,2 5,4 de fusão da seqüência ou do pico metamórfico do
As <0,5 0,6 <0,5
Complexo Colorado e também pode ser interpretada
Cd <0,1 0,4 <0,1
com a época mínima da sedimentação. A idade mais
Sb <0,1 <0,1 <0,1
Bi <0,1 <0,1 <0,1
nova é derivada de zircões ígneos de apófises de gra-
Ag <0,1 0,1 <0,1 nito intrusivo nos paragnaisses. Os granitos da Suíte
Au 0,8 0,6 2,3 Intrusiva Igarapé Enganado, os quais são intrusivos
Hg <0,01 0,02 <0,01 no Complexo Colorado, forneceram idade de crista-
Tl <0,1 <0,1 <0,1 lização em torno de 1340 Ma. Essa idade corrobora
Se <0,5 <0,5 <0,5 com a interpretação acima onde é considerada como
Ba 2 98 13
a idade mínima das rochas paraderivadas do Com-
Be 1 <1 <1
Co 2,3 8,8 1,4
plexo Colorado.
Cs <0,1 <0,1 <0,1 O Complexo Colorado pode ser correlacionado
Ga 1,9 1,8 0,8 com o Complexo Gnáissico Chiquitania, Supergrupo
Hf <0,1 0,1 <0,1 San Ignácio, ambos do oriente Boliviano (Litherland
Nb 0,4 0,3 0,4 et al., 1986) e com o Complexo Pontes e Lacerda
Rb 0,6 4,1 0,5 do sudoeste de Mato Grosso (Menezes, 1993). Pa-
Sn <1 <1 <1
ragnaisses do Complexo Chiquitania apresentaram
Sr 2 30 2,2
zircões com idades de 1764 ± 12, 1510, 1387 ± 9 e
Ta 0,2 <0,1 0,2
Th <0,2 <0,2 <0,2
1333 ± 6 Ma (Boger et al., 2005) sugerindo fontes
U 0,2 0,3 0,4 variadas onde a idade mais nova é interpretada pelos
V 18 26 16 autores acima citados, como época da fusão parcial
W 13 11,5 20,3 do paragnaisse ou idade mínima para a deposição do
Zr 4,1 5 2,1 protólito.
Y 1 14,3 1,4
La 1,5 6,2 1,1
3.2.3 Suíte São Felipe
Ce 0,7 5,2 1,3
Pr 0,09 1,67 0,26
Nd 0,2 7,9 1,1
[Link] Comentários Gerais
Sm 0,32 1,89 0,19
Eu 0,05 0,48 0,04 No mapeamento das folhas Paulo Saldanha
Gd <0,05 2,47 0,21 (Scandolara e Rizzotto, 1998) e Rio Pardo (Bahia e
Tb 0,03 0,41 0,02 Silva, 1998), as quais foram executadas pela CPRM,
Dy 0,13 2,58 0,17 Residência de Porto Velho, foram individualizados
Ho 0,03 0,52 0,04 augen-gnaisses granodioríticos e gnaisses bandados
Er 0,08 1,51 0,07
tonalíticos cinzentos, nas cercanias do município de
Tm 0,02 0,24 0,02
Yb 0,07 1,35 0,11
São Felipe d’Oeste, que passaram a compor a Suíte
Lu 0,01 0,18 0,02 Metamórfica São Felipe. Em função do desuso da
terminologia “suíte metamórfica” Quadros & Rizzot-
Tabela 5 - Composição química das formações ferríferas to (2007), na revisão do Mapa Geológico do Estado
bandadas. de Rondônia, redefiniram a unidade como Suíte São

53
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Felipe. A área-tipo da Suíte São Felipe distribui-se em cinzentos de composição granodiorítica a tonalítica,
uma faixa alongada desde as imediações da cidade dobrados e parcialmente migmatitizados afloram
de São Felipe, a oeste, até o rio Pimenta Bueno, a nas partes mais aplainadas do terreno. Estes gnais-
leste. ses monzograníticos apresentam, por vêzes, textura
microporfiroclástica, granulação média, com ban-
[Link] Distribuição Geográfica e Relações de das leucocráticas a base de agregados de quartzo
Contato em arranjo granoblástico alongado e feldspato com
extinção ondulante. As bandas máficas são domi-
As rochas da referida unidade distribuem-se uni- nantemente milimétricas e compostas por cristais
camente no extremo noroeste da folha Vilhena, bali- de hornblenda verde oliva e biotita marrom aver-
zados a sul pela falha extensional do Graben do Colo- melhada. As feições de campo e os dados petrográ-
rado. Os granitóides da suíte mostram contatos tec- ficos sugerem que as rochas da unidade foram de-
tônicos e contatos difusos com as máficas e xistos do formadas e metamorfisadas em condições de fácies
Complexo Trincheira e Complexo Colorado, respecti- anfibolito superior.
vamente. O contato com as rochas sedimentares da
Formação Pimenta Bueno e Casa Branca é por falha [Link] Características Geofísicas
normal. Os granitos da suíte Rio Pardo são intrusivos
nos granitóides da Suíte São Felipe. Nas imagens gamaespectrométricas, limitadas as
radiações gama emitidas da superfície do terreno, os
[Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo augen-gnaisses monzograníticos apresentam desta-
e Deformação que no canal de potássio e não apresentam resposta
no canal de urânio e tório. Na magnetometria, não
Os litotipos principais são representados por apresentam nenhuma expressão magnética.
augen-gnaisses de composição monzogranítica a
granodiorítica, que exibem dobramentos comple- [Link] Dados Geocronológicos e Correlações
xos com foliação de plano axial traspondo o ban-
damento dobrado (fig. 21a). Apresentam texturas Uma amostra de ortognaisse tonalítico foi datada
desde granoblástica de granulação média a porfiro- pelo método U-Pb (LA-MC-ICP-MS), a qual forneceu
clástica de granulação grossa (fig. 21b). São leuco- idade de 1435±2 Ma (fig. 22), interpretada como
cráticos a mesocráticos, cor rósea, foliados, even- idade de metamorfismo. O posicionamento estrati-
tualmente com termos porfiríticos. São compostos gráfico da unidade no mesoproterozóico é balizado
por oligoclásio, microclínio, biotita, hornblenda e também pela relação de intrusão dos granitos Rio
quartzo como essenciais, enquanto que zircão, alla- Pardo (1005 Ma). Esses gnaisses podem ser relacio-
nita, titanita e magnetita são os acessórios. Texturas nados com os granitos e tonalitos sintectônicos do
miloníticas estão marcadas por extinção ondulante, Complexo Rio Galera, situados na região fronteiriça
bordas subgranuladas e recuperadas dos cristais de Rondônia e Mato Grosso.
de quartzo e plagioclásio. Raros corpos de gnaisses

Figura 21 - (a)Augen-gnaisse São Felipe exibindo dobras transposta por cisalhamento sinistral; (b)Porfiroclastos
estirados e com sombra de pressão de FK em matriz de composição monzogranítica. Linha EW, a sul de Querência do
Norte.

54
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

[Link] Características Geofísicas

As imagens gamaespectrométricas destacam


parcialmente os limites do corpo granítico da uni-
dade, principalmente no canal de potássio e con-
tagem total. Destacam-se também na imagem de
distribuição ternária K-Th-U. Apresentam um pa-
drão aeromagnético de baixa susceptibilidade, sem
maior destaque.

3.2.5 Suíte Intrusiva Igarapé Enganado

[Link] Comentários Gerais


Figura 22 - Diagrama concórdia dos zircões do
ortognaisse tonalítico da Suíte São Felipe. As rochas granitóides em geral, que ocorrem no
sudeste de Rondônia, por apresentarem foliação de
3.2.4 Fácies Fazenda Olga
fluxo ígnea e/ou metamórfica foram inseridas pri-
meiramente no Complexo Xingu por Santos et al.,
[Link] Comentários Gerais (1979). Posteriormente, Rizzotto et al., 2002, em
estudos integrados geológico-geocronológico carac-
Essa unidade litoestratigráfica foi definida neste terizaram os metamonzogranitos porfiríticos asso-
projeto. Em trabalhos anteriores, as rochas granitói- ciados à anfibolitos que afloram ao longo da RO-370
des deformadas ou que apresentavam uma foliação, entre Colorado d’Oeste e Cerejeiras, além de leuco-
no geral, eram inseridas no Complexo Xingu ou no granitos e inseriram-nos na Suíte Metamórfica Colo-
Complexo Basal e cronologicamente agrupadas in- rado. Entretanto, durante a execução do mapeamen-
distintamente no Paleoproterozóico. to geológico da folha Pimenteiras, os autores acima
citados, baseados em dados de campo, aliados aos
[Link] Distribuição Geográfica e Relações de estudos petrográficos e geoquímicos, inseriram os
Contato granitóides na denominada Suíte Intrusiva Igarapé
Enganado.
Os granitóides da Fácies Fazenda Olga estão repre-
sentados por um único corpo alongado na direção NW, [Link] Distribuição Geográfica e Relações de
encaixado nos litotipos do Complexo Colorado e locali- Contato
zado no sudoeste da folha Vilhena. Faz contato direto
intrusivo com os paragnaisses do Complexo Colorado e Dois corpos de granitos da referida unidade distri-
parcialmente encoberto por sedimentos recentes. buem-se a sul-sudoeste da folha Vilhena, encaixados
ao longo da zona de cisalhamento transcorrente Co-
[Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo rumbiara. Os maciços mais expressivos ocorrem na
e Deformação folha Pimenteiras entre as cabeceiras do rio Verme-
lho e Córrego Trinta e Dois, ao longo da RO-370, no
A fácies Fazenda Olga é representada por um úni- trecho Colorado d’Oeste e Cerejeiras e ao longo da
co maciço constituído dominantemente por quartzo rodovia Colorado d’Oeste-Corumbiara, próximo des-
monzonitos, trondhjemitos e quartzo sienitos subor- ta última. Na folha Vilhena, os corpos estão deforma-
dinados. Ambos são foliados, leucocráticos, colora- dos e estirados, com seu eixo maior de direção N20E,
ção cinza claro, granulação média, equigranulares paralelo ao trend da zona de cisalhamento. Ocorre
a porfiríticos. Em algumas seções do maciço há um de forma intrusiva nos anfibolitos, porém dobrados
incipiente bandamento constituído por bandas es- e paralelizados pela zona milonítica. Veios pegmatói-
treitas máficas a base de biotita e anfibólio e bandas des com muscovita são de contato subconcordante
pouco mais largas (0,5 a 1cm) constituídas por pla- com o granito.
gioclásio, feldpato potássico e raro quartzo. Em algu-
mas porções do corpo a mineralogia torna-se muito [Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo
variável, ora predominando áreas com quantidade e Deformação
mais expressiva de plagioclásio e quartzo e noutras
áreas predominam aglomerados de minerais máficos Os granitos afloram raramente como lajeiros,
como anfibólio e piroxênio. e mais comumente como boulders, apresentando

55
CPRM - Programa Geologia do Brasil

muitas vezes formas alongadas e abauladas devi- inequigranular média (0,05 a 0,2 mm) e subordina-
do ao processo de esfoliação esferoidal bastante damente, por trilhas descontínuas compostas por
constante na região. Composicionalmente são re- muscovita em arranjo lepidoblástico. Subordinada-
presentados por monzogranitos e sienogranitos. De mente, mostram textura mirmequítica associada ao
um modo geral, são rochas leuco a mesocráticas, crescimento de quartzo com formas vermiformes nas
apresentando tonalidade rosa, cinza ou cinza-rosa- bordas do plagioclásio, concordantes com a foliação
da. A granulação é média a grossa, equigranulares milonítica. A deformação e a mineralogia neoforma-
a porfiríticos. Apresentam como principal caracte- da na rocha são compatíveis com temperaturas da
rística, uma forte trama de fluxo magmático, com fácies anfibolito inferior.
deformação no estágio “subsólidus”. Essas feições,
aliadas as características texturais sugerem coloca- [Link] Litoquímica e Petrogênese
ção destes corpos em regime compressional sin a
tardi-cinemáticos.
Com base nos estudos de campo e petrográficos
A foliação milonítica, quando presente, apresen-
foram selecionadas 04 amostras representativas dos
ta-se bastante paralelizada, onde as micas envolvem
os porfiroclastos de feldspato potássico (fig. 23a). En- granitos da Suíte Igarapé Enganado. Os dados quími-
tretanto, a deformação é heterogênea, onde porções cos são apresentados na tabela 6.
dos maciços mostram feições ígneas preservadas. A As rochas da Suíte Igarapé Enganado, quando
foliação é definida pelos minerais máficos do tipo classificadas quimicamente, utilizando-se do dia-
biotita e rara hornblenda. Diques aplíticos sin-plutô- grama R1-R2 (De la Roche et al., 1980), as mesmas
nicos com dezenas de metros de extensão ocorrem distribuem-se no campo dos quartzo-monzonitos
em alguns afloramentos, assim como autólitos máfi- (fig. 24). Observando-se o diagrama de Maniar &
cos subarredondados de composição quartzo-dioríti- Piccoli (1989), o qual utiliza-se do índice de Shand,
ca . Xenólitos são raros e variáveis no tamanho e, via as amostras indicam o caráter metaluminoso (fig.
de regra, são constituídos pelas rochas encaixantes 25). No que diz respeito aos teores de álcalis, ferro e
como paragnaisses e anfibolitos, além de restitos a magnésio, os granitóides mostram comportamento
base de biotita. cálcio-alcalino, de acordo com Irvine & Baragar, 1971
Na petrografia, tanto os sienogranitos como os (fig. 26).
monzogranitos são rochas com estrutura foliada (fo- A distribuição dos elementos-traço quando
liação de fluxo ígneo) sobreposta por uma foliação comparados ao padrão dos Granitos Orogênicos
milonítica marcada por porfiroclastos estirados de de Pearce et al., (1984) mostra um enriquecimento
microclínio e quartzo de 1 a 4 mm e pela orientação de elementos litófilos de grande raio iônico como
de biotita e rara muscovita (fig. 23b). Mostram textu- Rb, Ba e Th em relação àqueles de alta carga iônica
ra milonítica definida por 25 a 30 % de porfiroclastos (HFSE) (fig. 27). Esse padrão é similar aos granitos
de microclínio, plagioclásio e quartzo envoltos em gerados em arcos vulcânicos maturos ou aos gra-
uma matriz dominada por quartzo e microclínio com nitóides cálcio-alcalinos pós-colisionais (Tipo I cale-
uma textura granoblástica poligonal a interlobada donianos).

Figura 23 - (a) Trama milonítica em monzogranito da suíte Igarapé [Link]ão do 4° eixo, Corumbiara;
(b) Porfiroclastos de feldspato potássico (fk), plagioclásio (pg) e quartzo (qzo) envoltos por trilhas de grãos quartzo-
feldspáticos neoformados e por palhetas sigmoidais de biotita (bt). Luz polarizada, aumento de 4x.

56
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

GR-332A GR-333 GR-345 GR-588


SiO2 63,93 62,66 64,08 65,46
Al2O3 13,54 15,03 14,72 16,41
Fe2O3 7,69 6,15 5,78 5,14
MgO 1,01 1,4 1,95 1,7
CaO 2,8 2,7 3,08 0,9
Na2O 2,88 2,79 2,89 5,21
K2O 5,75 6,46 4,92 2,94
TiO2 1,14 0,82 0,88 0,54
P2O5 0,294 0,239 0,25 0,131
MnO 0,09 0,07 0,07 0,1
Cr2O3 0,012 0,014 0,016 0,007
LOI 0,6 1,4 1,1 1,3
SUM 99,75 99,74 99,73 99,81
Mo 2 5,3 2,2 0,8
Cu 17,4 12,8 10,6 5,1 Figura 24 - Diagrama de De la Roche (1980) mostrando a
Pb 4,4 16,4 9 1,4 distribuição dos granitóides da Suíte Igarapé Enganado.
Zn 88 96 67 63
Ni 5,1 6,4 12,2 2,5
Ba 886 1215 892 895
Be 2 1 4 <1
Sc 15 12 14 14
Co 9,6 9,1 11,6 7,2
Cs 0,8 1,6 1,6 0,6
Ga 23,3 23,9 22,3 17,6
Hf 14,4 25 9,9 7
Nb 26,3 19,8 13 8,5
Rb 153,2 216,8 157 64,7
Sn 7 6 3 3
Sr 129 218 278 81
Ta 1,3 0,9 0,6 0,8
Th 6,8 74,7 25,8 7,3
U 1,3 7,5 5,7 2,7
V 69 66 96 46
W 9,6 9,6 8,5 6,5
Figura 25 - Distribuição das amostras dos granitóides
Zr 481,6 803,5 324,6 223,4
da Suíte Igarapé Enganado no campo dos granitos
Y 168,2 91 56,1 38,7
metaluminosos.
La 98,9 201,6 70,7 27,7
Ce 211,1 396,9 144,2 55
Pr 31,42 48,11 17,69 7,36
Nd 135,3 171,6 70,3 28
Sm 26,93 26,67 11,18 5,5
Eu 3,26 2,41 1,68 1,19
Gd 26,77 20,72 9,1 5,41
Tb 4,66 3,26 1,61 0,96
Dy 27,45 17,31 9,22 5,95
Ho 5,71 3,23 1,79 1,39
Er 16,47 8,77 4,76 4,22
Tm 2,6 1,36 0,78 0,74
Yb 15,57 7,52 4,54 4,93
Lu 2,21 1,15 0,72 0,76
Yb 1,15 0,37 2,4 4,93
Lu 0,22 0,06 0,36 0,76

Tabela 6 - Concentrações de elementos maiores (% em Figura 26 - Diagrama AFM mostrando a distribuição das
peso), traços (ppm) e Terras Raras (ppm) em granitos da amostras no campo cálcio-alcalino.
Suíte Igarapé Enganado.

57
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 27 - Distribuição dos elementos-traço


normalizados pelo padrão ORG de Pearce et al., (1984)
para os granitóides da Suíte Igarapé Enganado.

Dados de ETR para os granitóides estudados nor-


malizados pelos valores condríticos de Nakamura
(1974) (fig. 28) mostram padrões semelhantes aos
granitóides da série cálcio-alcalina, mostrando forte
enriquecimento em terras raras leves com fraco en-
riquecimento em ETRP tendendo a horizontalidade
e moderada anomalia negativa de európio (fig. 28).

Figura 29 - Diagrama discriminante de compartimentação


tectônica segundo Pearce et al., (1984).

Figura 28 - Padrão de elementos terras raras dos


granitóides da Suíte Igarapé Enganado.

No diagrama classificatório de ambiência tectô-


nica de Pearce et al., (1984), os granitóides da Suíte
Igarapé Enganado distribuem-se parcialmente nos
campos destinados aos granitos orogênicos e de
arco vulcânico (fig. 29) enquanto que no diagrama
de Batchelor & Bowden (1985), o granito Igarapé
Enganado ocupa o campo dos Granitos Tardi-Oro-
gênicos (fig. 30).
Os dados químicos listados acima caracterizam
as rochas da Suíte intrusiva Igarapé Enganado como
uma série cálcio-alcalina de alto potássio e metalu-
minosa. Essas características são similares com aque-
las dos granitos calcio-alcalinos do Tipo I caledonia- Figura 30 - Diagrama discriminante de compartimentação
nos modernos. tectônica segundo Batchelor & Bowden (1985).

58
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

[Link] Características Geofísicas tos leucocráticos, com incipiente trama planar, con-
siderados como tardi a pós-tectônicos, propondo-se
As imagens gamaespectrométricas definem com então a denominação formal de Suíte Intrusiva Alto
precisão os contornos dos corpos graníticos da uni- Escondido. No presente trabalho, acrescenta-se a re-
dade, principalmente no canal de potássio e conta- ferida suíte as fácies Alto Guarajus e Patuá.
gem total. Destacam-se também na imagem de dis-
tribuição ternária K-Th-U. Apresentam um padrão [Link] Distribuição Geográfica e Relações de
aeromagnético de baixa susceptibilidade, sem maior Contato
destaque.
Os granitos da referida suíte distribuem-se a sul
[Link] Dados Geocronológicos e Correlações e sudoeste da folha Vilhena. A forma de ocorrência
mais representativa das rochas da unidade é na
Os primeiros dados geocronológicos em rochas forma de boulders subarredondados, constituindo os
graníticas do setor sudoeste de Rondônia foram pu- principais morros da região. O relevo do tipo “meia-
blicados por Rizzotto et al., (2002), onde os autores laranja” geralmente é sustentado pelos granitos da
analisaram um conjunto de 14 amostras de grano- suíte. Os granitos da fácies Alto Guarajús ocorrem
diorito/tonalito e anfibolito (fácies máfico-félsico) nas proximidades da vila homônima, ao longo das
localizadas na pedreira do José Andreatta (rodovia linhas 04 e 05, a leste de Alto Guarajús, enquanto
RO-370-Colorado d’Oeste), via Rb-Sr isocrônico em que os pegmatóides da fácies Patuá, ocorrem como
rocha total, definindo assim uma idade de 1360±45 pequenos corpos aflorantes nas imediações da
Ma e razão inicial 87Sr/86Sr de 0,7040±0,0012. Poste- fazenda Patuá e em furo de sonda executado pela
riormente, Rizzotto et al., (2010) dataram os zircões Amazonas Mineração (inf. verbal).
de um granodiorito (NM-42) localizado na pedreira As formas de contato são claramente discordan-
Andreatta utilizando-se a datação U-Pb por shrimp, tes com as rochas consideradas do embasamento.
o qual apresentou resultado de 1340 ± 5 Ma, e in- Neste contexto, apresentam contato abrupto dis-
terpretaram como época da cristalização da rocha . cordante tangenciando o bandamento e/ou foliação
Adicionalmente, as análises de isótopos Sm-Nd for- metamórfica dos paragnaisses do Complexo Colora-
neceram idades TDM de 1,58 a 1,51 Ba. e εNd de 2,33, do e anfibolitos do Complexo Trincheira. Mostram
interpretadas como época da extração do material freqüentes apófises intrusivas nos anfibolitos do
magmático do manto. Na folha Vilhena não se deter- Complexo Trincheira. O granito da fácies Alto Guara-
minou a idade dos granitos da suíte, tendo em vista a jús mostra contato intrusivo no granito da suíte Alto
forte semelhança com aqueles da folha Pimenteiras, Escondido.
sugerindo que sejam da mesma idade.
Correlaciona-se as rochas da Suite Igarapé Enga- [Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo
nado com aquelas descritas no oriente boliviano por e Deformação
Litherland et al., (1986) e por Boger et al., (2005),
associando-as ao Granito San Rafael, o qual forneceu As rochas da suíte Alto Escondido são granitos
idade U-Pb de 1334 ± 12 Ma e com os granitos da stricto senso, homogêneos, leucocráticos, com trama
Suíte Intrusiva Alto Candeias que ocorrem no setor de fluxo magmático a isotrópicos, granulação gros-
ocidental de Rondônia. sa, porfiríticos, de coloração acinzentada a rosada
(fig.31a). Apresentam, comumente, megacristais de
3.2.6 Suíte Intrusiva Alto Escondido feldspato potássico e autólitos subarredondados de
composição básica (fig. 31b).
[Link] Comentários Gerais A fácies Alto Guarajús ocorre na forma de boul-
ders arredondados e como diques. Apresentam co-
As rochas desta unidade também foram posicio- loração cinza, homogêneos e com fraca foliação de
nadas, nas décadas de 70 a 90, nos denominados fluxo magmático, granulação fina a média, magnéti-
Complexos Xingu e Basal. No trabalho de reconhe- co, contendo como máfico a biotita, além de titani-
cimento geológico-geocronológico, Rizzotto et al., ta como acessório. O contato com os granitos gros-
(2002) determinaram idades e posicionamento es- sos da suíte Alto Escondido é difuso, aparentando
tratigráfico de um leucogranito à granada intrusivo zonas transicionais entre um tipo e outro (fig.31c).
em anfibolitos, no entanto, sem separá-lo da Suíte Composicionalmente são sienogranitos isotrópicos,
Metamórfica Colorado. Posteriormente, em mape- equigranulares que, por vezes, apresentam raros fe-
amento geológico da folha Pimenteiras, Rizzotto et nocristais de FK bordejados por fina auréola de pla-
al., (2010), individualizaram vários corpos de grani- gioclásio imersos na matriz fina. (fig. 31d).

59
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 31 - (a) Feição textural do granito porfirítico da suíte Alto Escondido; (b)- Autólito máfico em monzogranito
da Suíte Alto Escondido; (c)- Contato do granito fino cinza (fácies Alto Guarajús) com monzogranito da suíte Alto
Escondido; (d) Feição textural do granito da fácies Alto Guarajús. Travessa da linha 04 para 05, leste da vila Alto
Guarajús.

Corpos estreitos deformados de pegmatóide ca- ta, além de argilização superficial. Localizadamente
racterizam a fácies Patuá, a qual é representada por podem apresentar arranjo mirmequítico quando em
lentes e veios de pegmatóide a base de feldspato po- contato com o K-feldspato da matriz. O quartzo (20-
tássico (cristais com até 7 cm), quartzo e placas de 25%) é dominantemente anédrico globular a ame-
muscovita. Ocorrem de forma intrusiva nos anfiboli- bóide, sem inclusões, com fragmentação incipiente
tos do Complexo Trincheira e também são intrusivos e com rara formação de subgrãos. A biotita (3-5%)
nos granulitos máficos do referido complexo, confor- ocorre como palhetas subédricas, orientada segundo
me constatado no furo de sonda na fazenda Patuá, a foliação, intersticial, com inclusões de allanita e zir-
onde veios pegmatóides seccionam transversalmen- cão, transformada parcialmente para clorita e mus-
te a foliação dos granulitos. A granulação dos pegma- covita. O zircão é prismático alongado, euédrico a
tóides é grossa, coloração rosada, apresentando va- subédrico, incluso em plagioclásio e biotita. A apatita
riação na deformação, onde as porções mais grossas e allanita são os demais acessórios. Minerais opa-
do corpo mostram-se mais competentes a deforma- cos são raros e muscovita e epidoto são minerais de
ção exibindo fraca foliação, enquanto que as porções derivação secundária, provenientes da alteração da
mais finas exibem forte foliação. biotita e K-feldspato e da allanita, respectivamente.
Em seção delgada, a foliação ígnea das rochas
da suíte Alto Escondido é definida pelo alinhamen- [Link] Litoquímica e Petrogênese
to dos cristais de biotita e K-feldspato. A textura é
inequigranular hipidiomórfica média com cristais As rochas da Suíte Intrusiva Alto Escondido - fá-
de K-feldspato (ortoclásio) imersos em uma matriz cies Alto Guarajús - apresentam conteúdos modera-
equigranular média contendo microclínio, plagioclá- dos a elevados de SiO2 (67 a 70%), elevado Na2O +
sio, quartzo e biotita. Observa-se também alteração K2O (>8%), alta razão K2O / Na2O (de 1,4 a 2,3), além
hidrotermal pervasiva. de elevados teores de K, Rb, Ba e Th ( tabela 7).
Cristais de ortoclásio e microclínio (50-60%) mos- No diagrama R1-R2 (De la Roche et al., 1980), as
tram forma prismática alongada, subédricos, pertitas mesmas distribuem-se no campo dos granitos stric-
incipientes do tipo filmes finos e descontínuos, com to senso (fig. 32a), onde aquelas da fácies Morro do
inclusões raras de biotita. Na matriz ocorre o micro- Chapéu mostram-se mais diferenciadas tendendo ao
clínio (1 mm), com forma equidimensional e subédri- campo dos álcali-granitos.
co. O plagioclásio (7-13%) é prismático, equidimen- As relações entre alumina e álcalis demonstram
sional, euédrico a subédrico, sem fraturas, zonação que as rochas graníticas da suíte são metaluminosas
normal com núcleo alterado para sericita e muscovi- a peraluminosas (fig. 32b).

60
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

GR-312 GR-337C GR-622 GR-655

SiO2 67,86 66,56 66,71 70,11


Al2O3 14,01 13,47 15,81 15
Fe2O3 5,59 5,7 3,96 2,57
MgO 1,76 0,62 0,87 0,53
CaO 1,22 2,36 1,74 1,21
Na2O 3,31 2,7 3,73 3,27
K2O 4,63 6,18 5,45 6,07
TiO2 0,66 0,72 0,53 0,26
P2O5 0,115 0,194 0,211 0,084
MnO 0,06 0,11 0,08 0,07
Cr2O3 0,015 0,013 0,012 0,015
LOI 0,6 1,1 0,6 0,6
SUM 99,83 99,71 99,7 99,8
Mo 1,1 4,5 0,7 1
Cu 22,2 5,5 5,3 3,5
Pb 5,2 6,2 7,5 16,7
Zn 103 139 104 60
Ni 21,8 3,5 4 3,5
Ba 729 865 1053 909
Be 1 2 3 2
Co 10,4 4,1 5,7 3
Cs 3,1 0,3 5,1 2,6
Ga 17,5 28,7 23,3 17,9
Hf 11,6 31,5 14,5 7,2
Nb 18,4 79,8 19,9 16,1
Rb 182,7 200,3 275,1 225,8
Sn 3 10 7 3
Sr 140 133 206,7 116,1
Ta 1,2 3,4 1,5 1,7
Th 23,2 56,2 37 28,8
U 4 7 5,2 16,2
V 72 12 45 21
W 9 9,2 7,8 11,5
Zr 373,7 918,1 480,9 217,5
Y 57,1 266,2 37,3 38,5
Figura 32 - (a) Diagrama R1-R2 (De la Roche et al., 1980),
com a distribuição das amostras da Suíte Alto Escondido; La 55,7 389,2 69,6 53,7
(b) Índice de Shand no diagrama de Maniar & Piccoli, Ce 112,2 716,7 172,9 115
1989. Pr 14 88,43 19,13 13,57
Nd 54,5 322,3 69,4 48,3
No diagrama multielementar desenvolvido por Sm 9,86 55,06 11,42 9,08
Pearce et al., (1984) constata-se um enriquecimen- Eu 1,51 3,35 1,33 0,73
to nos elementos litófilos de grande raio iônico (Rb, Gd 8,94 46,38 8,41 7,34
Ba e Th) em relação àqueles de alta carga iônica Tb 1,54 7,97 1,26 1,17
(HFSE), com empobrecimento de Nb, Ta e Zr, carac- Dy 9,48 47,96 6,05 6,34
terístico de granitos de ambiente de arco magmáti- Ho 1,9 9,4 1,15 1,21
co (fig. 33a). Er 5,77 26,7 3,27 3,32
Os padrões de elementos terras raras (ETR) nor- Tm 0,93 4,08 0,54 0,53

malizados pelos valores condríticos de Nakamu- Yb 5,69 25,22 3,46 3,32


Lu 0,85 3,73 0,54 0,52
ra,1974 (fig. 33b) das amostras dos granitoides da
fácies Alto Guarajús mostra um enriquecimento dos Tabela 7 - Concentrações de elementos maiores (% em
elementos leves em relação aos pesados e com mo- peso), traços (ppm) e Terras Raras (ppm) em granitos da
derada anomalia negativa de európio. fácies Alto Guarajús.

61
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 33 -(a) Representação dos granitos Alto Escondido no diagrama normalizado aos Granitos Orogênicos de Pearce
et al. (1984); (b) Padrões de elementos terras raras, normalizados pelos valores condríticos de Nakamura,1974.

No diagrama classificatório de ambiência tectô- lação grossa, que apresenta foliação de fluxo ígneo.
nica de Pearce et al., (1984), os granitóides da Suíte A amostra GR-198 está localizada no limite norte da
Alto Escondido distribuem-se no campo dos grani- folha Pimenteiras, no corpo granítico em continui-
tos intra-placa e pós-colisionais (fig. 34). dade física para dentro da folha Vilhena. Trata-se de
um biotita monzogranito, foram efetuados dez spots
[Link] Características Geofísicas e analisados dez grãos. Os zircões desta amostra for-
neceram uma idade no intersepto superior da con-
Os litotipos da unidade refletem níveis radiomé- córdia, forçada na origem, com 1329 ± 18 Ma.
tricos elevados no canal de potássio, tório, contagem Esta idade deve corresponder ao evento ígneo
total e no diagrama ternário do K, Th e U. Na primei- que formou o monzogranito estudado. As razões, re-
ra derivada vertical do campo magnético total, os lativamente elevadas de U/Th (0.59-1.07) são com-
corpos graníticos truncam a estruturação dada pelo patíveis com uma origem ígnea. Um sienogranito
alinhamento das anomalias magnéticas das rochas pertencente a Fácies Alto Guarajús (GR 622) forne-
do embasamento. ceu idade U-Pb de 1362 ± 24 Ma, a qual é interpreta-
da como idade de cristalização.
[Link] Dados Geocronológicos e Correlações Comparativamente, duas outras amostras analisa-
das da mesma suíte, na folha Pimenteiras, apresenta-
Os dados geocronológicos existentes são deri- ram resultados semelhantes: (GR-94), monzogranito
vados de uma amostra de monzogranito de granu- com incipiente foliação de fluxo magmático, que foi

Figura 34 - Amostras representativas dos granitos plotadas no diagrama de classificação tectônica, sugerido por Pearce
et al. (1984).

62
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

analisada e datada pelo método U-Pb. O intercepto Apresentam composição dominantemente sie-
superior da discórdia forneceu idade de 1340 ± 3 Ma nogranítica, leucocráticos, cinza claro a róseos, finos
e (GR-33), um sienogranito equigranular de estrutura a grossos, por vezes porfiríticos. Possuem textura
maciça o qual forneceu idade U-Pb de 1337 ± 4 Ma. granular hipidiomórfica a granoblástica alongada
Portanto, as rochas desta suíte podem ser corre- nas porções mais deformadas. Mostram um alinha-
lacionadas com o maciço Jirau (1322 ± 2 Ma) da Suíte mento de minerais ígneos, comumente euédricos,
Intrusiva São Lourenço-Caripunas, que ocorrem no paralelos aos contatos externos das intrusões. Os
extremo noroeste de Rondônia. Rizzotto & Oliveira, cristais de feldspato alcalino mostram microestru-
(2005) sugerem que esse magmatismo granítico do turas ígneas como zonação oscilatória e os minerais
Jirau representa os estágios finais da Orogenia Ron- máficos hornblenda e raramente biotita ocorrem ge-
doniana-San Ignácio. ralmente alinhados. As texturas dominantes são hi-
pidiomórficas seriadas e as porfiríticas não são raras.
3.2.7 Suíte Intrusiva Rio Pardo Dominam as variedades hipersolvus (sienogranitos)
representadas por microclínio mesopertítico. Nas va-
[Link] Comentários Gerais riedades subsolvus (monzogranitos), que são raras,
os feldspatos são microclínio e oligoclásio. A textura
A caracterização da unidade foi proposta por Silva metamórfica superimposta é do tipo granoblástica-
et al. (1992) a qual reune rochas graníticas subalca- -alongada acompanhada por deformações intracris-
linas a alcalinas, tardicinemáticas da região sudeste talinas com extinção ondulante e kink bands nos cris-
de Rondônia. Os autores acima referidos subdividi- tais de feldspato e quartzo. Seus constituintes essen-
ram a suíte em três fácies designadas de São Pedro, ciais compreendem plagioclásio (An10-30), microclínio,
Rio Pardo e São Luiz. As áreas-tipo ocorrem na folha quartzo, biotita e hornblenda varietal, e os acessó-
SC.20-Z-C-VI, entre as linhas do INCRA 176, 180, 184 rios são titanita, apatita, allanita e zircão. Epidoto,
(km 12 a 17 a sul da linha 25), 204 e 208 (km 14 a 20), clorita e mica branca são produtos de alteração. O
nas proximidades das cidades de Alta Floresta e San- microclínio ocorre como porfiroclasto lenticular com
ta Luzia d’Oeste. No presente trabalho, adotou-se a efeitos visíveis de deformação e recristalização prin-
mesma denominação para os granitos que apresen- cipalmente nas suas bordas onde se observa geração
tam semelhança lito-estrutural e mineralógica, asso- de subgrãos e recuperação. Também são freqüentes
ciadas às relações de campo. exsoluções de lamelas de albita (pertitas).

[Link] Distribuição Geográfica e Relações [Link] Características Geofísicas


de Contato
As rochas graníticas da unidade, apesar de peque-
No extremo noroeste da folha Vilhena, ocorrem na área aflorante, exibem altos valores radiométricos
3 pequenos corpos de composição sienogranítica, nos canais de potássio e tório. Entretanto, quando os
intrusivos nos granitóides da suíte São Felipe e nos mesmos estão intrusivos nos augen-gnaisses da suíte
xistos do Complexo Trincheira. O sienogranito apre- São Felipe, os sinais radiométricos se equiparam não
senta enclaves de augen-gnaisse da suíte São Felipe. apresentando destaque. Da mesma forma, não apre-
sentam anomalia magnética.
[Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo
e Deformação [Link] Dados Geocronológicos e Correlações

As rochas da suíte ocorrem na forma de matacões Resultados isocrônicos Rb-Sr obtidos por Silva et
subarredondados, exibindo moderada foliação ígnea al. (1992) em amostras da suíte, na área-tipo, forne-
dada pelo alinhamento da biotita e dos cristais de fel- ceram idades entre 1016 ± 30 Ma e 982 ± 31 Ma, com
dspato. Enclaves subangulosos de granitóides defor- razão inicial 87Sr/86Sr de 0,704. Por outro lado, dados
mados são relativamente comuns. Granitos de gra- U-Pb obtidos por Rizzotto (1999), em outro corpo a
nulação fina e de coloração cinza, com foliação ígnea sul daqueles descritos pelo autor acima, em quatro
incipiente, ocorrem na forma de apófises no interior frações de zircão de um monzogranito porfirítico,
dos augen-gnaisses da suíte São Felipe. Entretanto, forneceram a idade de 1005 ± 41 Ma e idade-modelo
apresentam uma variação textural em função do Sm/Nd de 1,50 Ga, com eNd(t) = + 0,50. No presen-
seu posicionamento tectono-magmático. Ocorrem te trabalho, foi datado um sienogranito situado na
corpos com foliação magmática superimposta por fazenda Rondônia, na linha 65, onde os cristais de
uma foliação metamórfica em estágio magmático/ zircão forneceram idade de cristalização de 1010 ±
submagmático, e corpos com foliação metamórfica 15Ma (fig. 35), portanto concordante com as idades
impressa no estágio solidus. obtidas anteriormente para as rochas da suíte.

63
CPRM - Programa Geologia do Brasil

saltos Mesozóicos da Formação Anari a norte. Os


afloramentos da unidade são bastante escassos e
precários, tendo em vista o alto grau de intemperis-
mo por sobre as rochas pelíticas e a baixa resistência
das mesmas aos agentes intempéricos. As melhores
exposições são observadas em alguns trechos da
rodovia do Progresso, entre a fazenda Cerejeiras e
Fazenda Nova União. O contato com os anfibolitos é
por falha transpressiva e são encobertos parcialmen-
te pelos basaltos da Formação Anari e pelos arenitos
eólicos da Formação Rio Ávila.

[Link] Litótipos, Petrografia, Metamorfismo


e Deformação

Figura 35 - Diagrama concórdia exibindo a idade dos Na seqüência pelítica predominam os filitos cin-
cristais de zircão do sienogranito da Suíte Rio Pardo. za-esverdeados os quais mostram-se avermelhados
quando intensamente intemperizados. Raramente
Os granitos da referida suíte podem ser correla- encontra-se afloramento de rocha preservada da al-
cionados com aqueles da Suíte Intrusiva Santa Clara teração intempérica, ocorrendo normalmente ape-
que ocorrem no centro-leste de Rondônia. nas um saprólito bandado com alternância de bandas
avermelhadas e cinza esverdeadas (fig. 36a). As ro-
3.2.8 Formação Alto Tanaru chas filíticas mostram-se com uma trama xistosa, em
lentes sigmoidais, com xistosidade em alto ângulo de
[Link] Comentários Gerais mergulho tendendo a vertical. Veios de quartzo ocor-
rem esporadicamente e são subconcordantes com a
Dados da literatura geológica regional no sudes- xistosidade. Microfraturas são preenchidas por cau-
te de Rondônia, a respeito da descrição de filitos e/ lim. A associação dos filitos com lentes de metatufos
ou de rochas metamórficas pelíticas de baixo grau a cristal e pequenos corpos de dacitos, é sugestivo
são encontrados no Projeto RADAMBRASIL, Folha que os filitos possam ser de derivação de tufo a cin-
Porto Velho (Leal et al. 1978). No referido projeto, za (fig. 36b). Os tufos a cristal também mostram-se
há apenas citações de rochas de baixo grau na re- altamente intemperizados, apresentando coloração
gião do rio Comemoração, no limite norte da folha cinza-escuro, contendo fenocristais de plagioclásio
Vilhena, onde os autores do referido projeto deno- imersos em matriz afanítica (fig. 36c). Exibem inci-
minaram de “epimetamorfitos do Comemoração”. piente foliação concordante com o trend regional.
No presente trabalho, na área onde estava carto- Apresentam bandamento composicional (S0) preser-
grafada como rochas do Complexo Basal, descreve- vado com camadas de matriz de granulometria fina,
-se uma sequência de rochas pelíticas de baixo grau coloração cinza claro, alternando com camadas em
metamórfico com contribuição vulcânica subordina- que predominam cristais de plagioclásio por sobre
da, as quais foram individualizadas em duas fácies: a matriz (fig. 36d). Diminutas lentes sigmoidais de
filitos e metatufos a cristal, as quais tem como área- rocha dacítica porfirítica ocorrem intercaladas aos
-tipo, a Rodovia do Progresso, nas imediações da Fa- filitos.
zenda União, bacia hidrográfica do rio Tanaru. Assim O metamorfismo superimposto aos litotipos da
sendo, sugere-se uma nova unidade litoestratigráfica seqüência é de temperatura compatível com a fá-
denominada de Formação Alto Tanaru. cies xisto verde, onde é comum a presença de finas
camadas de mica branca (sericita) alternadas com
[Link] Distribuição Geográfica e Relações quartzo granoblástico. Nas vulconoclásticas há uma
de Contato trama milonítica onde observam-se trilhas de epi-
doto e quartzo envolvendo porfiroclastos de plagio-
As rochas vulcano-sedimentares da Formação clásio.
Alto Tanaru distribuem-se em uma faixa estreita e
alongada de direção noroeste-sudeste por aproxi- [Link] Características Geofísicas
madamente 60km e possuindo em média, 6 a 8 km
de largura, posicionada entre os anfibolitos Meso- A seqüência metavulcano-sedimentar apresenta
proterozóicos do Complexo Trincheira a sul e os ba- destaque radiométrico nos canais de potássio e no

64
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 36 - (a) Alternância composicional do filito definida por camadas cinza esverdeado alternadas com camadas
avermelhadas (Fazenda União - Rodovia do Progresso); b) filito com camadas na vertical intercalado com lente de
tufo ácido a cinza; (c) piroclástica dacítica com destaque aos cristais de plagioclásio; (d) rocha piroclástica dacítica
com textura porfirítica. Afloramentos na Rodovia do Progresso, nas proximidades da ponte de afluente da margem
esquerda do rio Tanaru.

ternário (U, Th, K) em contraste com os baixos va-


lores radiométricos do basalto Anari, que faz limite
a norte. De outra forma, não apresentam anomalias
magnetométricas.

[Link] Dados Geocronológicos e Correlações

Foram analisadas, pelo método U-Pb, 5 popula-


ções de zircões detríticos da amostra GR 692, que
corresponde a uma rocha piroclástica dacítica, o qual
forneceu as seguintes idades: 2,1Ba, 1,64Ba, 1460±7,
1349±19 e 510±8 Ma (fig. 37). A idade mais nova cor-
responde a idade máxima da rocha e é interpretada
como época da deposição da seqüência vulcano-
-sedimentar Alto Tanaru. Os zircões que forneceram
as idades mais antigas são provenientes das rochas Figura 37 - Diagrama mostrando as idades das
do embasamento que ocorrem a norte-noroeste da populações dos zircões detríticos da Formação Alto
folha Vilhena. Tanaru.

65
CPRM - Programa Geologia do Brasil

3.2.9 Formação Corumbiara dos, interdigitados e/ou sobrepostos por arenitos


feldspáticos também imaturos (fig. 38b). Os seixos
[Link] Comentários Gerais e calhaus dos conglomerados apresentam formas e
tamanhos variados e são constituídos por rochas do
A presença de rochas sedimentares que ocorrem embasamento: quartzitos, gnaisses, granitos, xistos,
em contato direto com o embasamento cristalino foi quartzo leitoso e raros anfibolitos (fig. 38c,d).
descrita por Figueiredo et al. (1974). Durante a exe- Os conglomerados gradam para arenitos felds-
cução do Projeto Alto Guaporé, onde denominaram páticos de granulometria média a grossa, por vezes
de Unidade eo-Paleozóico indiviso, para níveis con- contendo níveis conglomeráticos, que apresentam
glomeráticos interdigitados com camadas de arenito, estratificação plano-paralela, cruzada planar e cruza-
próximo do rio Jauru (MT). Durante a execução do da acanalada (fig. 38b). Níveis de areia grossa com
mapeamento geológico da folha Pimenteiras, Rizzot- seixos arredondados de calcedônia e quartzo consti-
to et al. 2010, definiram uma seqüência de rochas tuem sets de 10 a 20 cm de espessura, intercalados
sedimentares que encobre as rochas cristalinas do nos conglomerados. Estes níveis, por vezes, mostram
embasamento, que ocorrem normalmente nas bor- truncamento das camadas sugerindo atividade tec-
das da Bacia dos Parecis. Até então essa sequência tônica sin-sedimentar. Brechas sedimentares, de ori-
não havia sido cartografada. Portanto, para essa se- gem proximal, também fazem parte desse pacote,
quência sedimentar, os autores acima citados propu- muito embora sejam bastante raras, as quais contém
seram a denominação de Formação Corumbiara para fragmentos angulosos, geralmente com mais de 5 cm
agrupar um pacote sedimentar de conglomerados e em tamanho, de anfibolito, xisto, granito e quartzo
arenitos imaturos, interacamadados e interdigitados, de veio. A matriz dos diamictitos é de granulome-
que ocorrem geralmente numa faixa estreita que tria média composta por material areno-argiloso
bordeja a porção meridional da Bacia dos Parecis, caulinizado (fig. 38c). Esses depósitos sedimentares
em Rondônia. geralmente acompanham o paleo-relevo definido
pelas rochas do embasamento e em alguns locais
[Link] Distribuição Geográfica e Relações de os mesmos encontram-se confinados em pequenas
Contato depressões (algumas dezenas de metros) originadas
por abatimento de blocos.
Essa unidade ocorre de forma restrita ao sul da Portanto, pelas características acima descritas, os
folha, onde os depósitos glaciogênicos que a com- litótipos da Formação Corumbiara sugerem uma ori-
põe, representados por paraconglomerados e are- gem a partir de sistemas deposicionais em ambiente
nitos, ocorrem em contato direto com rochas do glacial onde os arenitos arcosianos e/ou caulinicos
embasamento cristalino e estão sotopostos aos are- são indicativos de fonte proximal a partir de rochas
nitos da Formação Rio Ávila e da Formação Utiariti. graníticas.
Ocorrem também num pequeno graben a sudoeste Capeando os diamictitos ocorre uma delgada ca-
da folha, entre os anfibolitos Mesoproterozóicos do mada de calcário (ou dolomito) que chega a atingir
Complexo Trincheira e os basaltos Mesozóicos da 3 a 4 metros de espessura. São calcários laminados,
Formação Anari, entre os domínios das fazendas com laminação plano-paralela (fig. 39a), granulo-
Mequéns e Marília, além de diamictitos e camadas metria fina, contendo níveis milimétricos de argilito
de carbonatos que ocorrem ao longo dos vales es- avermelhado (fig. 39b). A distribuição em área dos
cavados pelo rio Tanaru, no seu alto curso. Os de- calcários é muito restrita e não pode ser cartografa-
pósitos glaciais do tipo dropstones estão estratigra- da na escala de trabalho de 1:250.000. Entretanto, a
ficamente sotopostos pelos basaltos da Formação nível regional, camadas mais espessas foram descri-
Anari e em outras situações, diques de diabásio da tas na região que compreendo o município de Pare-
mesma formação intrudem os arenitos conglome- cis (rio Ararinha- CPRM, relatório interno).
ráticos da Formação Corumbiara. As cotas topográ- A hipótese sugerida para a deposição dos carbo-
ficas dos afloramentos distribuem-se normalmente natos é que houve uma drástica mudança climática
entre as altitudes de 280 a 340 metros que, grosso naquela época (passando do clima glacial para clima
modo, são depósitos que seguem o paleo-relevo do quente) com conseqüente deposição de camadas car-
embasamento. bonáticas por sobre os diamictitos glaciais. Na literatu-
ra, alguns autores sugerem que os carbonatos repre-
[Link] Litótipos sentam capas carbonáticas relacionadas às glaciações
de baixas latitudes, com deposição de dolomitos rosa-
A Formação Corumbiara é constituída por paco- dos sobrepostos a diamictitos glaciais sem evidência
tes não muito espessos de conglomerados polimí- de hiato (Fairchild, I.J. & Hambrey, M.J. 1984, Kennedy
ticos imaturos (diamictitos; fig 38a), mal seleciona- et al. 2001, Nogueira et al. 2003, 2007).

66
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 38 - (a) Afloramento em perfil de paraconglomerado contendo seixos diversos subangulosos em matriz arenosa
parcialmente lateritizada; (b) Corte de barranco mostrando ciclos de arenitos conglomeráticos e lentes de arenitos
finos. Rodovia RO-485, 23 km a leste de Corumbiara; (c,d) diamictitos com seixos e calhaus de rochas cristalinas do
embasamento Rodovia do Progresso-Corumbiara.

Figura 39 - Camada de calcário com laminação plano-paralela; (b) Detalhe da foto anterior exibindo níveis de argilito
carbonático (camada escura).

[Link] Dados Geocronológicos e Correlações que ocorrem no sudoeste do Mato Grosso no eo-
-Paleozóico Indiviso. Neste trabalho, devido a sua
Não se dispõem de dados geocronológicos, pois semelhança tanto nos litotipos quanto nas estrutu-
as rochas da referida unidade são afossilíferas. No ras sedimentares, correlaciona-se com a Unidade
Mapa Geológico de Rondônia (Quadros & Rizzotto, eo-Paleozóico indiviso do sudoeste de Mato Grosso.
2007) posicionam a referida unidade no Jurássico Portanto, passa a ser posicionada temporalmente no
como unidade basal da Bacia dos Parecis. Figuei- início do Paleozóico.
redo et al. (1974), colocam unidades semelhantes

67
CPRM - Programa Geologia do Brasil

3.2.10 Formação Pimenta Bueno [Link] Litótipos

[Link] Comentários Gerais A Formação Pimenta Bueno, nos limites da folha


Vilhena, é constituída por pacotes espessos de ritmi-
A denominação de Formação Pimenta Bueno foi tos (fig. 40a) onde alternam-se níveis centimétricos de
proposta por Leal et al. (1978) e redefinida por Qua- arenito fino rosado com laminação plano-paralela, sil-
dros & Rizzotto (2007). Apresenta ampla área aflorante titos laminados avermelhados e um nível centimétrico
abrangendo os municípios de Cacoal, Pimenta Bueno, de argilito marron-chocolate, finamente laminado, por
Rolim de Moura, Parecis, Primavera do Oeste, Corum- vezes com microestratificação cruzada acanalada (fig.
biara, nos domínios do gráben Pimenta Bueno e do Co- 40b). Separando os níveis, ocorre, geralmente um nível
lorado. Na folha Vilhena, a formação Pimenta Bueno se milimétrico a base de mica branca. Em áreas distintas
restringe aos domínios do Gráben do Colorado. ora predomina pacote do arenito fino, ora predomina
pacotes de argilitos. O argilito ou folhelho mostra-se fís-
[Link] Distribuição Geográfica e Relações sil, fraturado, com processo de desferrificação ao longo
de Contato das fraturas. Nas camadas de arenito fino observam-se
estruturas de granocrescência ascendente. Há uma va-
Os litotipos da Formação Pimenta Bueno dis- riação na coloração dos siltitos quando estão em zonas
tribuem-se a sul da falha do Araras, a qual limita a de maior concentração de águas superficiais, onde os
norte o Gráben do Colorado. Boas exposições são mesmos adquirem uma coloração creme e com fre-
observadas ao longo dos rios Cajueiro, Pimenta Bue- qüência exibem níveis milimétricos de mica, além de
no e São Pedro e nas estradas vicinais Linha 24, Li- planos de laminação plano-paralelo e também com
nha 65, do município de Parecis. O contato inferior planos de estratificação cruzada acanalada de peque-
da formação é por não-conformidade com as rochas no porte (3 a 10cm) (fig. 40c). Não menos comum é a
do embasamento cristalino e o limite superior é por presença de marcas de ondas assimétricas suaves nos
discordância erosiva com os arenitos da Formação siltitos e processos localizados de bioturbação. Nos
Fazenda Casa Branca. argilitos marron-avermelhados por vezes observa-se

Figura 40 - (a) visão geral dos afloramentos do pacote de ritmitos da Fm. Pimenta Bueno; (b) alternância de siltitos e
folhelhos na parte inferior; logo acima, siltito laminado e argilito marron, e por fim, arenitos finos na parte superior
do pacote sedimentar; (c) alternância de siltitos creme e argilitos avermelhados; (d) laminação convoluta nos níveis de
argilito.

68
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

laminação convoluta abaixo da camada de arenito. roeste da folha Vilhena, na borda norte da Gráben
Como as camadas convolutas ocorrem entre cama- do Colorado, onde os diamictitos e dropstones reco-
das de arenito fino sem deformação sugere-se que brem parcialmente a falha do Araras.
a deformação foi contemporânea à deposição, oca-
sionada pela liquefação e/ou sobrecarga de camadas [Link] Litótipos
com maior densidade (arenitos) sobre camadas plás-
ticas e de menor densidade (argilitos) (fig. 40 d). Dentre os litótipos constituintes da Formação Pedra
Redonda destacam-se os diamictitos, os quais afloram
[Link] Características Geofísicas em pacotes mais expressivos em superfície em relação
aos outros tipos litológicos. São constituídos por matriz
A resposta radiométrica das camadas de argilito, argilo-arenosa, de coloração marron-avermelhada, sem
folhelho e siltito é bastante expressiva, dominante- estruturação, contendo seixos, calhaus e matacões su-
mente no canal de tório, potássio e urânio. Já os are- bangulosos de rochas de diversas origens e composição
nitos finos exibem melhor definição radiométrica no tais como gnaisse, granito, anfibolito, folhelho, calcário,
canal de potássio. A magnetometria não apresenta quartzo leitoso, entre outros (fig. 41a ).
nenhum destaque. A unidade dropstone, por sua vez, é representa-
da por folhelhos e siltitos intercalados com lentes
[Link] Dados Geocronológicos e delgadas de arenito fino micáceo, de estratificação
Correlações plano-paralela, por vezes essa estratificação mostra-
-se deformada localmente pela presença de seixos e
A idade atribuída para esta formação é permo- calhaus pingados, de diâmetro variando desde cen-
carbonífera segundo os dados de Pinto Filho et al.
tímetros até decimétricos. Subordinadamente, ocor-
(1977), os quais descrevem uma assembléia de
pólens filiados aos grupos de vegetais Pterophyta e rem arenitos conglomeráticos suportados por matriz
Lycopodophyta encontrados em arenitos sobrepostos carbonática, de estratificação cruzada de pequeno
aos folhelhos marrom-chocolate, na região de Pimenta porte, marcada pela concentração de material gros-
Bueno, os quais foram enquadrados na unidade PCI seiro ao longo dos planos (fig. 41b). Essa camada de
descrita pelos mesmos. Entretanto, Cruz (1980) em arenito ocorre localmente capeando os diamictitos
estudo palinológico de uma amostra de folhelho sem discordância angular ou erosiva.
escuro carbonoso coletado próximo do rio Machado,
entre Cacoal e Vista Alegre, revelou a presença de [Link] Características Geofísicas
microrganismos componentes do paleofitoplancton
filiados aos Acritarchas, Gênero Synsphaeridium sp. Tanto os diamictitos quanto os dropstones apre-
Para tais formas, a autora sugeriu idade eopaleozóica sentam forte anomalia no canal de potássio. Nos ca-
(silurodevoniano). No presente trabalho, não nais de urânio e tório não há destaque e da mesma
foram detectadas nenhuma forma fossilífera nas forma para a magnetometria.
rochas sedimentares da Formação Pimenta Bueno,
que afloram na folha Vilhena. Portanto, a posição [Link] Dados Geocronológicos e
cronoestratigráfica da referida unidade é ainda incerta. Correlações
3.2.11 Formação Pedra Redonda
Nas amostras de rochas sedimentares de origem
[Link] Comentários Gerais glacial da Formação Pedra Redonda não foram identi-
ficados nenhum registro fóssil. Entretanto, durante a
A descrição de uma unidade de origem glacial execução do Projeto Sudeste de Rondônia, Pinto Filho
no sudeste de Rondônia foi efetuada por Leal et al. et al., (1977) analisaram pólens da matriz dos tilitos da
(1978) sob a denominação de fácies Pedra Redonda, Bacia de Pimenta Bueno e indicaram uma assembléia
que a incluíram na Formação Pimenta Bueno. Pos- vegetal atribuída ao Permocarbonífero. Portanto, por
teriormente, Pinto Filho et al. (1978) descreveram, semelhança aos depósitos glaciais da Bacia de Pimenta
naquela região, os tilitos da Unidade PCII. Mais re-
Bueno, os diamictitos e dropstones da Formação Pedra
centemente, Quadros & Rizzotto (2007), elevaram a
fácies Pedra Redonda a categoria de Formação, su- Redonda são também posicionados no Neopaleozóico.
portados pelas características distintas tanto paleo-
ambientais, como deposicionais e estratigráficas. A 3.2.12 Formação Fazenda Casa Branca
unidade possui como área-tipo, ao longo do médio
curso do rio Pimenta Bueno, nos limites da fazenda [Link] Comentários Gerais
Pedra Redonda, estendendo-se como estreita faixa
na borda norte do Gráben Pimenta Bueno. O pacote de rochas sedimentares constituídas
por arenitos ortoquartziticos, arenitos feldspáticos,
[Link] Distribuição Geográfica e Relações siltitos, argilitos e conglomerados que ocorrem na
de Contato região de Pimenta Bueno e Vilhena foram agrupadas
na unidade PCIII por Pinto Filho et al. (1977). Leal et
As rochas sedimentares de origem glacial da For- al. (1978) durante a execução da folha Porto Velho,
mação Pedra redonda distribuem-se no extremo no- Projeto RADAMBRASIL, descrevem a ocorrência de ro-

69
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 41 - (a) diamictito de matriz siltico-argilosa com calhaus de gnaisse e quartzo leitoso; (b) arenito conglomerático
de matriz carbonática, constituindo a parte superior do pacote dos diamictitos.

chas semelhantes às da unidade PCIII de Pinto Filho et bastante inferiores quando comparados aos siltitos e
al. (1977) e denominam de Arenito da Fazenda Casa folhelhos da Formação Pimenta Bueno. Da mesma for-
Branca. Posteriormente, Siqueira (1989) definiu uma ma se aplica para os valores magnetométricos.
das seções-tipo da Formação Casa Branca como situ-
adas na cachoeira do Apertado, no rio Comemoração. [Link] Dados Geocronológicos e
Correlações
[Link] Distribuição Geográfica e Relações
de Contato Os dados disponíveis na literatura (Pinto Filho et
al., 1977, Leal et al. 1978) apontam para um posicio-
Os litótipos que compreendem a referida unidade namento temporal no permocarbonífero, por corres-
distribuem-se, dominantemente, no noroeste da folha pondência aos fósseis de Psaronium sp. descritos por
Vilhena. As principais exposições encontram-se no mé- Olivatti & Ribeiro Filho (1976).
dio a alto curso do rio Comemoração; ao longo da RO-
495, nas imediações do igarapé Rico e Rio São Pedro e 3.2.13 Grupo Parecis
próximo do entroncamento da Linha 65 com RO 494. O
contato inferior é brusco com os folhelhos da Formação [Link] Histórico e Comentários Gerais
Pimenta Bueno e contato discordante com os arenitos
da Formação Rio Ávila que os recobrem. Sill de diabásio
é intrusivo nos siltitos da Formação Casa Branca. A primeira referência as rochas sedimentares da
Chapada dos Parecis se deve a Oliveira (1915), o qual
[Link] Litótipos se refere como Arenito dos Parecis, que ocorrem na
chapada homônima. Após este trabalho pioneiro, vá-
A porção basal da formação é composta por con- rios outros trabalhos se sucederam no intuito de de-
glomerados polimíticos sustentados por clastos de finir a seqüência estratigráfica, definição de ambiente
quartzo, quartzito, granito e gnaisse. Os mesmos são deposicional e investigação de possível presença de
recobertos por arenitos de estratificação plano-para- hidrocarbonetos. Nesse sentido, destacam-se os tra-
lela, cruzada acanalada e tabular de pequeno porte, balhos executados por Oliveira & Leonardos (1943), os
com granocrescência ascendente, avermelhados a quais elevaram esta unidade a categoria de formação,
arroxeados, micáceos, finos a muito finos, ortoquart- sendo “constituida de camadas interestratificadas de
zíticos e/ou feldspáticos, além de conter grãos subar- arenito vermelho ou amarelado, contendo concreções
redondados a subangulosos, de esfericidade baixa a silicosas, entre as quais predominam pederneiras, - e
média (fig. 42a). Apresentam níveis de grânulos de escassas camadas de argila arenosa”. Ribeiro Filho &
quartzo na porção basal dos sets. São freqüentes as Figueiredo (1974), subdividem a Formação Parecis em
intercalações de siltitos avermelhados de lamina- duas fácies: inferior, com conglomerado basal passan-
ção plano-paralela, contendo lentes centimétricas do a arenitos feldspáticos com estratificação cruzada
de arenito (fig. 42b). Os argilitos são subordinados e, superior, composta por arenitos ortoquartzíticos
e ocorrem como camadas métricas a decamétricas com níveis de siltitos e conglomerados finos. Padilha
intercaladas nos arenitos. O ambiente deposicional et al., (1974) descrevem a Formação Parecis com um
dos sedimentos da unidade é fluvial, com depósitos membro basal eólico e outro superior fluviolacustre,
de barras de canal (arenitos), resíduos de canal (con- composto por arenitos e conglomerados e estimam
glomerados) e de planície de inundação (pelitos). para aquela sequência sedimentar uma espessura não
superior a 150 metros. Pinto Filho et al., (1977) rede-
[Link] Características Geofísicas finem a formação supracitada e separam-na em duas
novas unidades litoestratigráficas: a inferior, de ori-
Os arenitos da Formação Fazenda Casa Branca apre- gem eólica, denominam de Formação Botucatu, por
sentam valores radiométricos (nos canais de U. Th e K) semelhança com os arenitos homônimos da Bacia do

70
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 42 - (a) porção inferior da foto, camada de arenito fino com laminação plano-paralela, sobreposto por nível
de siltito vermelho-escuro, alternado com arenito fino. (b) siltito de laminação plano-paralela com lentes de arenito
(amarelo-ocre)

Paraná e a superior, de natureza fluviolacustre, manti- [Link] Distribuição Geográfica e Relações


veram a denominação de Formação Parecis. de Contato
Em um perfil geológico levantado ao longo da
rodovia que liga a BR-364 e a cidade de Colorado A soleira basáltica encontra-se distribuída na por-
d’Oeste, Pedreira & Bahia (2004), descreveram a ção centro-ocidental da folha Vilhena, compondo
Formação Parecis como composta por intercalação uma área aflorante de 3.300km2, onde os basaltos e
de arenitos seixosos com estratificação cruzada ta- diabásios mostram-se, em parte, encobertos pelos
bular de grande porte e argilitos ou arenitos argilo- arenitos eólicos da Formação Rio Ávila, dominante-
sos e sugerem uma espessura total do pacote sedi- mente nas áreas planas, enquanto que nas ravinas
mentar de 200 metros. No mapeamento geológico escavadas pela rede de drenagens, afloram os ba-
da Folha Pimenteiras, Rizzotto et al., 2010, redefiniu saltos. O contato das rochas vulcânicas e hipabissais
a Formação Parecis levando-a à categoria de grupo, Anari é intrusivo nos argilitos e siltitos da Formação
o qual por sua vez na referida folha, é subdividido Pimenta Bueno. Da mesma forma, é intrusivo nos
em duas formações, a saber, da base para o topo: arenitos e siltitos da Formação Fazenda Casa Branca,
Formação Rio Ávila e Formação Utiariti. A espessura nos conglomerados da Formação Corumbiara (fig.
total estimada para o pacote sedimentar do Grupo
43a,b) e encontra-se encoberto pelas camadas de
Parecis é de 280 metros. Fazendo parte desse mes-
arenito da Formação Rio Ávila. Na zona de contato
mo Grupo, agrupados na Formação Anari, ocorre
uma associação de rochas básicas, em forma de um do basalto com os arenitos, geralmente se observa
extenso sill, representada por basaltos, diabásios e estreita faixa de metamorfismo de contato, onde o
raros gabros. arenito torna-se bastante endurecido, com desenvol-
vimento de níveis de silexito e de uma delgada cama-
3.2.14 Formação Anari da de óxido de manganês terroso (fig. 44d).

[Link] Comentários Gerais [Link] Litótipos

Os basaltos que ocorrem na cachoeira 15 de No- Os litótipos que constituem a soleira máfica consi-
vembro, no rio Pimenta Bueno, e no Salto do Anari tem de basaltos, diabásios e microgabros, onde a so-
(Hidrelétrica da cidade de Chupinguaia) foram desig- leira mostra variações faciológicas, lateralmente e ver-
nados por Pinto Filho et al. (1977) como Basalto Anari. ticalmente, observadas pelas mudanças texturais. No
Posteriormente, Scandolara et al. (1999) enquadraram Salto do Anari (hidrelétrica de Chupinguaia) (fig. 44a),
estas rochas na Formação Anari. Estas rochas ocorrem a porção basal e intermediária da soleira têm textura
como soleiras de até 50 m de espessura que se esten-
granular média a porfirítica, enquanto que o topo é
dem por uma área de mais de 2000 Km2, e são intru-
sivas na Formação Pimenta Bueno e no Grupo Parecis microfanerítico. Basaltos ocorrem nas porções mais
(Romanini, 2000). Segundo este mesmo autor, efeitos superficias da soleira e são finos, cor cinza-chumbo a
de contato das soleiras compreendem a sulfetação castanho-claro, com freqüentes disjunções colunares.
dos pelitos da Formação Pimenta Bueno e formação Em alguns afloramentos, as rochas exibem esfoliação
de níveis ricos em manganês e silicificação de arenitos esferoidal e, por vezes, possuem porções vitrificadas.
da Formação Rio Ávila (Grupo Parecis). Os microgabros e diabásios ocorrem nas partes cen-

71
CPRM - Programa Geologia do Brasil

trais da soleira econtém fraturas preenchidas por sílica sios pela granulação mais fina, esporádica presença
microcristalina e carbonatos (fig. 44b). Os afloramen- de vidro e de amígdalas preenchidas por carbonato,
tos dessas fácies é geralmente na forma de blocos e sericita ou zeólitas. Nas zonas de maior alteração os
matacões subarredondados, exibindo feições proemi- basaltos adquirem coloração avermelhada, devido a
nentes de esfoliação esferoidal. Apresentam textura oxidação dos minerais ferro-magnesianos. Também é
fanerítica fina, maciços, contendo microfenocristais comum nos basaltos a presença de fraturas e amígda-
arredondados de olivina em matriz fina de ripas de las preenchidas por carbonatos de cálcio e mais rara-
plagioclásio e opacos, além de amígdalas preenchidas mente, por carbonatos de cobre.
por calcita (fig. 44c). Os basaltos diferem dos diabá-

Figura 43 - (a) Dique de diabásio de coloração violácea, intrusivo nas camadas de arenito da Formação Corumbiara
(travessão da linha 04-Corumbiara); (b) sill de basalto (parte inferiro da foto) intrusivo nos arenitos finos da Formação
Fazenda Casa Branca ( sede da fazenda Maranatá).

Figura 44 - (a) Soleira de basalto (espessura de 25 metros) no salto do Anari, hidrelétrica de Cupinguaia; (b)
afloramento de basalto entrecortado por fraturas preenchidas por calcita; (c) feição textural de diabásio exibindo
matriz fanerítica fina e amígdalas preenchidas por calcita; (d) arenito da Formação Fazenda Casa Branca silicificado
pela intrusão do sill, contendo níveis de silexito e manganês. Logo acima (não mostrado na foto) ocorre camada de
basalto (linha 100, NW de chupinguaia).

72
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

3. 2.14.4 Litoquímica e Petrogênese GR-403 GR-717 GR-733 GR-741 JG-184 JG-206 GR-742
SiO2 % 51,03 48.10 48.94 50.01 51,1 50 49.18
As rochas básicas analisadas são representadas Al2O3 % 16,05 13.47 14.18 13.88 16,13 15,16 14.90
por basaltos e diabásios. Ambas os litótipos mostram Fe2O3 % 9,33 12.21 12.56 11.77 9,42 10,7 12.83
feições ígneas totalmente preservadas. As mesmas MgO % 5,89 6.95 6.36 7.00 6,01 5,85 6.19
foram agrupadas conjuntamente, pois apresentam CaO % 9,8 10.25 9.95 10.65 10,84 9,67 9.98
características químicas semelhantes, as quais po- Na2O % 2,66 2.51 2.65 2.24 2,56 2,63 2.36
dem ser visualizadas na tabela 8. K2O % 0,63 0.57 0.72 0.57 0,61 0,79 0.69
Os basaltos são caracterizados por apresentarem TiO2 % 0,67 1.27 1.33 1.17 0,69 0,97 0.88
pouca variação no conteúdo de SiO2 (48-51 wt.%), P2O5 % 0,115 0.10 0.12 0.11 0,14 0,139 0.11
baixo MgO (5,8-6,9 wt.%), baixo Fe2O3 (9,3-12,8 MnO % 0,14 0.19 0.17 0.18 0,15 0,16 0.19
wt.%), alto Al2O3 (13,8-16 wt.%), moderado a baixo Cr2O3 % 0,008 0.013 0.012 0.015 0,015 0,009 0.013
TiO2 (0,6-1,3 wt.%), CaO (9,6-10,8 wt.%) e Mg# varia LOI % 3,6 4.1 2.7 2.1 2,2 3,6 2.1

de 50 a 56. Apresentam também baixos conteúdos SUM % 99,96 99.73 99.76 99.76 99,86 99,73 99.46

em Ni, Co e Cr e valores intermediários de Cu. Mo ppm 0,6 0.5 0.4 0.2 0,4 0,5 0.6

Nos diagramas de classificação química, as máfi- Cu ppm 42,7 100.6 66.5 54.2 78,4 36,5 41.4

cas Anari ocupam o campo dos basaltos toleiíticos Pb ppm 1,2 0.9 2.0 0.9 1,6 1,3 12.1

(fig. 45a) e mostram o trend de enriquecimento em Zn ppm 36 38 62 25 32 51 52

ferro característico dos magmas toleiíticos (fig. 45b). Ni ppm 30,2 28.0 37.4 26.2 29,2 32,1 34.1
As ppm 0,7 <0.5 1.4 <0.5 <0.5 <0.5 <0.5
Sc ppm 32 43 42 41 35 34 37
Au ppb <0.5 1.2 50.7 <0.5 4,5 0,6 2.6
Ba ppm 185 129 163 126 212 173 132
Be ppm <1 <1 <1 <1 <1 <1 <1
Co ppm 34,6 43.6 42.6 44.9 37,9 39,7 42.1
Cs ppm 0,6 0.5 0.5 0.3 0,4 0,7 0.3
Ga ppm 17,9 17.1 18.2 16.9 17,5 17,3 18.8
Hf ppm 2 2.2 3.0 2.6 2,3 2,2 2.2
Nb ppm 3,6 4.9 6.9 5.7 4,1 4,7 11.4
Rb ppm 17 15.8 19.8 16.1 17 28 21.4
Sn ppm <1 <1 1 <1 2 1 9
Sr ppm 193 289.9 174.8 170.0 194 188 173.1
Ta ppm 0,2 0.4 0.4 0.3 0,3 0,3 0.4
Th ppm 1,6 1.5 1.5 1.4 1,8 2,3 1.3
U ppm 0,3 0.5 0.7 0.5 0,6 0,4 0.4
V ppm 202 395 355 335 208 266 271
W ppm 3,2 4.3 2.6 1.8 3,8 3,2 <0.5
Zr ppm 70,9 73.0 98.9 86.4 78,8 81 77.4
Y ppm 53,4 27.6 29.5 29.4 29,5 25 1054.2
La ppm 13,1 9.6 10.1 9.1 11,2 10,3 341.9
Ce ppm 20 19.0 22.6 19.7 21,9 22 21.2
Pr ppm 3,52 2.92 3.22 2.91 3,31 3,06 96.49
Nd ppm 16,6 14.0 15.5 13.7 14,7 14,5 507.6
Sm ppm 4,09 3.55 3.68 3.36 3,84 3,68 128.18
Eu ppm 1,63 1.21 1.23 1.15 1,4 1,22 43.07
Gd ppm 5,92 4.20 4.55 4.21 4,43 4,06 199.86
Tb ppm 0,96 0.74 0.80 0.77 0,79 0,72 28.88
Dy ppm 5,57 4.57 4.81 4.70 4,62 4,22 178.64
Ho ppm 1,24 0.95 0.98 1.00 0,95 0,89 37.84
Er ppm 3,68 2.46 2.73 2.81 2,69 2,61 99.88
Tm ppm 0,49 0.40 0.43 0.43 0,39 0,38 13.53
Yb ppm 2,92 2.44 2.64 2.61 2,34 2,29 75.38
Lu ppm 0,45 0.35 0.40 0.41 0,35 0,34 10.97
Figura 45 - (a)Diagrama de álcalis total x SiO2 (Cox et
al., 1979) mostrando a distribuição das máficas Anari Tabela 8 - Concentrações de elementos maiores (% em
no campo dos basaltos; (b) Diagrama AFM exibindo a peso), traços (ppm) e Terras Raras (ppm) em basaltos da
distribuição das amostras nos basaltos da série toleiítica. Formação Anari.

73
CPRM - Programa Geologia do Brasil

No diagrama multielemental normalizado pelo and Tarney, 1981b) e que não influenciaria na abun-
N- MORB (Sun & McDonough, 1989), os basaltos e dância dos LILEs, sendo neste caso características
diabásios da Formação Anari mostram um enrique- herdadas da fonte mantélica conforme o modelo de
cimento em LIL’s aliado a anomalia negativa de Ti, enriquecimento em multiestagio (Perfit et al., 1980).
Nb, P e Zr (fig. 46a). Comparando-se ao padrão dos No diagrama dos ETR’s normalizado ao condrito
basaltos enriquecidos de Sun & McDonough, (1989), (Nakamura, 1974), as máficas Anari mostram um en-
as amostras mostram valores próximos a 1, indican- riquecimento em ETRL, padrão subhorizontalizado
do semelhança com os EMORB’s, salientando-se a dos ETRP e ausência de anomalia negativa de Euró-
moderada anomalia negativa de Nb e Ti e o enrique- pio, sugestiva de não fracionamento de plagioclásio
cimento dos elementos mais móveis tais como Ba, (fig. 47). Esse comportamento é similar aos basaltos
Th, Rb e Cs (fig. 46b). de platô continental (CFB).
A anomalia negativa de Nb aliada as anomalias Vários modelos foram propostos para explicar o
positivas do Th, U, Ba e Rb pode estar relacionada a enriquecimento em ETRL dos P-MORB’s. De acordo
contaminação crustal (Thompson, 1982). A alta razão com Langmuir et al., (1977), estes basaltos seriam
Th/Yb também pode ser indicativa de contaminação originados por fusão parcial de um manto enrique-
crustal. Segundo Puchtel et al., 1998, a assimilação cido em ETRL. Outros modelos sugerem pequenos
de pequenas quantidades de rochas félsicas crustais graus de fusão mantélica com a retenção de ETRP em
resultam num aumento na abundância de Ba, Pb, granadas residuais.
U,Th e ETRL, mas com pouco efeito na concentração O diagrama dos elementos-traço Y/Nb versus Zr/
de Ta, Nb, Y, Ti e ETRP. Essa relação produz anomalias Nb, mostra a relação entre vários tipos de basaltos
negativas de Ta, Nb e Ti em rochas contaminadas. Al- (MORB do Atlântico Sul,Tristão da Cunha e do Platô
ternativamente, a anomalia de Nb-Ti pode estar re- do Paraná) e a distribuição das máficas Anari, a
lacionada a estabilidade de fases residuais (esfeno, il- qual ocupa o campo entre os basaltos enriquecidos
menita ou rutilo) durante a fusão mantélica (Weaver (P-MORB) e os basaltos de Platô Continental (fig.48).

Figura 46 - (a) Diagrama multi-elemental das máficas da Formação Anari normalizados ao N-MORB (Sun &
McDonough, 1989); (b) normalizados ao E-MORB (Sun & McDonough, 1989).

Figura 47 - Diagrama dos Elementos Terras Raras Figura 48 - Diagrama dos elementos Zr/Nb x Y/Nb
normalizado ao condrito (Nakamura, 1974) das rochas modificado de Wilson, M. (1989). Dados dos basaltos
máficas da Formação Anari. MORB do Atlântico Sul de Humphris et al.(1985) e de
Fodor et al. (1985) dos basaltos do Paraná.

74
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

As características geoquímicas acima expostas [Link] Distribuição Geográfica e Relações


sugerem semelhança das máficas Anari com os Ba- de Contato
saltos de Platô Continental onde ambos possuem
baixa concentração de elementos-traço compatíveis Os diques de diabásio na folha Vilhena ocorrem
tais como Ni, os quais sugerem que não são magmas como corpos de dimensões métricas, de forma des-
primários e que passaram por processo de fraciona- contínua, que ocorrem na borda norte do sill Anari,
mento de olivina na subida do magma para a superfí- parcialmente encobertos pelos arenitos da Forma-
cie. Tal fracionamento tende aumentar a concentra- ção Rio Ávila e pelas coberturas arenosas recentes
ção de elementos incompatíveis no magma basáltico derivadas do desmantelamento das rochas areníti-
relativamente a aqueles magmas primários ricos em cas da formação acima citada. Apresentam direção
MgO. Em resumo, a geoquímica dos elementos-traço predominante NE, espessura métrica a decamétrica,
das máficas Anari, sugere que eles foram derivados ocorrendo como blocos dispersos e de forma alinha-
fonte mantélica enriquecida, mas que podem ter da, entretanto, sem evidências de contato com ro-
passado por graus variáveis de contaminação por ro- chas encaixantes.
chas da crosta continental.
[Link] Litótipos
[Link] Características Geofísicas
As rochas hipabissais exibem coloração cinza-escura
O sill Anari apresenta assinatura geofísica mar- e marrom-avermelhada quando intemperizadas,
cante no canal magnético de 1ª derivada. Entretan- esfoliação esferoidal, fraturas ortogonais e pseudo-
to, no campo magnético total, o sinal magnético não hexagonais e granulação fina. São estruturalmente
é tão intenso. Na radiometria, não exibe nenhuma isotrópicas, magnéticas, de textura subofítica e
resposta radiométrica significativa. mineralogia a base de plagioclásio, piroxênio e
fantasmas de olivina. Os diabásios exibem variação
[Link] Dados Geocronológicos e
faciológica evidenciada pela coloração distinta entre
Correlações
dois tipos: um de coloração cinza-escuro, de granulação
fina a média, com forte esfoliação esferoidal; o outro
Os dados geocronológicos disponíveis na literatura é de coloração cinza-avermelhada, granulação fina,
apontam idades distribuídas no Mesozóico conforme presença de amígdalas de pequeno tamanho, com
os dados de K-Ar de Pinto Filho et al (1977) e (Montes- características texturais e estruturais semelhantes aos
-Lauar et al., 1994). Estes últimos conseguiram a ida- basaltos Anari.
de de 197 Ma, ou seja, Jurássico inferior. A Formação As características petrográficas indicam processos
Anarí é correlacionável com a Formação Tapirapuã, no hidrotermais tardios (pós-magmáticos) onde os cris-
Mato Grosso, a qual apresenta idade semelhante. tais de piroxênio mostram-se parcialmente transfor-
mados para clorita e epidoto e sericitização extensi-
3.2.15 Diques de Diabásio va por sobre os cristais de plagioclásio. Os acessórios
mais comuns são a magnetita e apatita.
[Link] Comentários Gerais
[Link] Características Geofísicas
Geralmente, os diques básicos na região Amazô-
nica, são relacionados ao magmatismo básico Meso- Os diques de diabásio apresentam forte sinal
zóico de regime extensional vinculado as principais magnético na 1ª derivada, com anomalias lineares
bacias sedimentares continentais Mesozóicas. Bizi- que se estendem abaixo da cobertura arenosa da
nella et al (1980) adotaram a designação de Diabásio Formação Rio Ávila. No campo magnético total, as
Periquito para os diques mesozóicos da região dos anomalias apresentam-se segmentadas, mas alinha-
rios Sucunduri, Aripuanã, Acari e Juma. Silva et al. das segundo a direção nordeste. Não apresentam
(1974) denominaram de dolerito Cururu para os di- resposta radiométrica.
ques Mesozóicos da Folha Juruena.
Dequech (1943) e Pinto Filho et al., (1977) desta- [Link] Dados Geocronológicos e
cam afloramentos de diabásios e basaltos que ocor- Correlações
rem no alto curso do rio Pimenta Bueno.
Percebe-se, portanto, que a distinção entre as ro- Não foram efetuados estudos geocronológicos
chas hipabissais é meramente geográfica e que estão nos diques de diabásio. Entretanto, os mesmos
relacionadas ao magmatismo Mesozóico, conforme apresentam continuidade física com os basaltos
idades apresentadas pelos autores acima citados. da Formação Anari, podendo se sugerir que sejam

75
CPRM - Programa Geologia do Brasil

contemporâneos aos mesmos. Da mesma forma, [Link] Distribuição Geográfica e Relações


esses diques podem ser correlacionados com os de Contato
demais corpos de diabásio ocorrentes no sudeste
de Rondônia, os quais indicam idades Jurássicas, A Formação Rio Ávila compreende o pacote sedi-
no intervalo de tempo entre 170 a 190 Ma (Mar- mentar mais expressivo do Grupo Parecis, tanto em
zoli. et al.1999) e com os basaltos da Formação Ta- distribuição em área como em espessura. Distribui-
pirapuã (MT). -se entre as cotas topográficas de 540 a 320 metros
indicando, assim, uma espessura mínima de 240 me-
3.2.16 Formação Rio Ávila tros. Afloramentos-chave podem ser visualizados ao
longo da rodovia RO-399 que liga Colorado d’Oeste
[Link] Comentários Gerais à BR-364 (fig. 49), na estrada que liga Comodoro à
Nova Alvorada (MT) (fig. 50), e no final da linha 06,
Os arenitos de granulometria fina, com bimoda- sítio Tapera, nas cabeceiras do rio Corumbiara. Mos-
lidade granulométrica e de estratificação cruzada de tram contato discordante e erosivo com os arenitos
grande porte, que ocorrem em Rondônia, eram en- conglomeráticos da Formação Utiariti, os quais se so-
quadrados na Formação Botucatu (Projeto RADAM- brepõem (fig. 51).
BRASIL). Durante a execução do Projeto Gis Brasil, Bi-
[Link] Litótipos
zzi et al. (2003) incluiram esses arenitos na Formação
Rio Ávila, tendo como área-tipo, as cabeceiras do rio
homônimo. Naquele local, os arenitos ocorrem em A Formação Rio Ávila é composta por arenitos bi-
áreas muito escarpadas, limitada por falhas, apre- modais, esbranquiçados a amarelados, variando para
sentam granulometria fina, coloração rosada e de vermelho (por enriquecimento em ferro) nos níveis
acamamento cruzado cuneiforme, atingindo espes- mais superiores, granulometria fina, mostrando es-
sura de 20 metros no foreset. Nessa mesma região, tratificação cruzada tabular cuneiforme de médio a
Siqueira (1989), estimou a espessura da referida uni- grande porte. Os sets variam entre 10 a 30 cm de es-
dade em 90 metros. pessura no geral, mas que chegam a atingir até 3 a 6

Figura 49 - Seção-tipo do pacote sedimentar que representa a Formação Rio Ávila (Grupo Parecis) (modificado de
Pedreira & Bahia, 2004)

76
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 50- Seção estratigráfica representativa da Formação Rio Ávila (estrada de Comodoro a Nova Alvorada)

Figura 51 - Seção estratigráfica esquemática exibindo o contato entre os litotipos da Fm. Rio Ávila e a Fm. Utiariti.
Rodovia RO-399, km 26,5; (b) fotografia que mostra o contato entre o arenito bimodal da Fm. Rio Ávila (parte inferior
da foto) com o arenito conglomerático da Fm. Utiariti (parte superior da foto). Afloramento nas cabeceiras do rio
Corumbiara.

metros (fig. 52a,b). Gradam lateralmente para areni- feldspáticos ocorrem clastos de argilitos/siltitos, indi-
tos finos a médios, de bimodalidade granulométrica cando ambiente de deposição de alta energia.
(fg. 53a), com seixos dispersos (arenitos com canais Os arenitos são comumente interacamadados
preenchidos por seixos), os quais chegam a constituir com siltitos violáceos e argilitos de laminação plano-
níveis estreitos (30 a 45 cm de espessura), mas late- -paralela, com espessura das camadas de 1 a 2 me-
ralmente contíguos, de conglomerados finos supor- tros, podendo alcançar, em certos locais até 5 metros,
tados por seixos e grânulos (fig 53b). Os seixos são os quais predominam no topo do pacote. Entretanto,
geralmente bem arredondados, com tamanho de 5 os siltitos também apresentam intercalações de are-
a 40 mm em diâmetro e compostos dominantemen- nito fino em camadas lateralmente constantes. Os
te por quartzo de veio e chert (calcedônia). Arenitos siltitos violáceos exibem, com freqüência, estruturas
feldspáticos e arcóseos intercalam-se aos arenitos de desferrificação ao longo de microfraturas, resul-
ortoquartzíticos e siltitos. Internamente nos arenitos tando em filetes ou semicírculos esbranquiçados.

77
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 52 - Afloramento característico da Fm. Rio Ávila. (a) corte em perfil exibindo estratificação cruzada de grande
porte; (b) detalhe da estratificação cruzada tabular cuneiforme com até 5 metros de espessura dos estratos.

Figura 53 - (a) arenito eólico exibindo bimodalidade granulométrica ; (b) arenitos bimodais com canais preenchidos por
seixos.

O ambiente deposicional para essa seqüência se- as rochas sedimentares da Fm. Utiariti, com as quais
dimentar intermediária é tido como sistema desérti- fazem contato. Nos canais de U, Th e K, apresentam
co representado por depósitos de dunas eólicas, além sempre valores baixos de radiação.
de áreas interdunas e depósitos de wadis. Segundo
a interpretação de Pedreira (1998), os arenitos com [Link] Dados Geocronológicos e
níveis de seixos representam sistemas fluviais entre- Correlações
laçados de alto gradiente, provavelmente efêmeros
(rios intermitentes), desenvolvidos em regiões inter- Os arenitos da referida unidade eram correlaciona-
dunas. Os conglomerados suportados por seixos de dos aos arenitos da Formação Botucatu, mas os mes-
quartzo e chert, por sua vez, correspondem a depó- mos não fazem parte da mesma bacia deposicional.
sitos de preenchimento de canais abandonados, de- Não há dados geocronológicos para a Fm. Rio
positados por correntes efêmeras. A superposição de Ávila. Entretanto, a mesma é posicionada acima da
canais indica migração lateral desses rios efêmeros Fm. Anari, ou seja, mais nova que 198Ma, e balizada
em sistema fluvial entrelaçado. O autor acima citado temporalmente (idade máxima) pela Formação Utia-
sugere também que a porção superior do membro riti (Juro-Cretácea).
intermediário (siltitos intercalados com arenitos)
represente regiões ocupadas por lagos interdunas, 3.2.17 Kimberlitos
recobertos por dunas migrantes nos períodos secos.

[Link] Características Geofísicas [Link] Comentários Gerais

As rochas sedimentares da Fm. Rio Ávila, de com- Várias intrusões (diques e chaminés) kimberlíticas
posição quartzo- arenítica, apresentam, no geral, distribuem-se na porção meridional do Cráton Ama-
baixos valores radiométricos, quando comparadas zônico. Na Província de Paranatinga e na região de

78
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Juína são conhecidos mais de 60 corpos (Weska & logo a noroeste da área de estudo. Entretanto, as
Svisero, 2001). Em Rondônia, foram identificados 94 idades devem ser tratadas com ressalva, haja vista
corpos distribuídos em grande parte no limite norte que o processo isocrônico utilizado pode conter im-
da Bacia Pimenta Bueno e uns poucos encaixados em precisões radiométricas.
rochas metamórficas do Complexo Jamari e do Com-
plexo Colorado (Rizzotto et al., 2004). Desse total, 3.2.18 Formação Utiariti
alguns corpos são subaflorantes, ora encobertos por
sedimentos desmantelados da Formação Parecis, ora [Link] Comentários Gerais
por coberturas residuais indiferenciadas.
Na folha Vilhena, foi identificado pela SOPEMI um
corpo (Tarcisio-01) na forma de dique. Os arenitos da sequência sedimentar que ocor-
rem nas cotas mais elevadas do Planalto dos Parecis
[Link] Distribuição Geográfica e Relações eram enquadrados na Formação Parecis. Entretanto,
de Contato Barros et al., ( 1982) observaram características dis-
tintivas desses arenitos com aqueles da porção infe-
rior do pacote sedimentar e, a partir de então, carac-
O dique ocorre próximo da cidade de Corumbiara,
terizaram uma nova unidade litoestratigráfica deno-
na planície de inundação do rio Corumbiara, encon-
minada de Formação Utiariti, que tem a área-tipo, na
trando-se o mesmo encoberto pelos sedimentos alu-
queda dágua do rio Papagaios, no Mato Grosso.
vionares, não sendo possível observar a rocha encai-
xante em superfície. Possivelmente, há outros corpos
[Link] Distribuição Geográfica e Relações
espalhados pela região, tendo em vista a ocorrência
de Contato
de garimpo a montante de onde se encontra este di-
que, ao longo dos aluviões do rio Corumbiara.
Os quartzo-arenitos distribuem-se, preferencial-
mente, entre as cotas topográficas de 600 a 480 me-
[Link] Litótipos
tros, na porção leste-sudeste da folha Vilhena. Os
arenitos quartzosos da Formação Utiariti dispõem-se
A rocha apresenta-se muito intemperizada, qua- em contato discordante e erosivo com os litótipos
se que totalmente decomposta, dificultando a iden- da Formação Rio Ávila e em contato erosivo com as
tificação das feições texturais e da sua composição crostas lateríticas que se sobrepõem aos arenitos.
mineralógica. Nos concentrados de bateia, é comum Ocorrem em pacotes subhorizontais, muitas vezes
a presença de granada, pseudomorfos de olivina, flo- repousando diretamente sobre as rochas do emba-
gopita e ilmenita. samento, como é observado na rodovia RO-370 pró-
ximo do entroncamento com a linha 05, em Colorado
[Link] Dados Geocronológicos e do Oeste. Afloram também como morros testemu-
Correlações nhos de topo plano e bordas escarpadas.

Existem controvérsias em relação ao posiciona- [Link] Litótipos


mento cronoestratigráfico dos kimberlitos de Ron-
dônia. Citações em trabalhos de cunho regional Os quartzo-arenitos possuem cores variegadas,
posicionam os kimberlitos de Rondônia no Cretá- nos tons amarelados, avermelhados e arroxeados.
ceo Superior, em analogia com os dados de Teixeira Mostram-se com alto grau de silicificação, assumindo,
(1996), o qual apresentou idades entre 95 a 92 Ma por vezes, aspecto de quartzitos. No geral, apresen-
para os kimberlitos da Província Kimberlítica de Juí- tam granulometria fina a média, maciços e/ou com
na (MT). Dados recentes de Zolinger (2005) apontam estratificação cruzada acanalada de pequeno porte
idades mais antigas para duas intrusões kimberlíticas e estratificação plano-paralela (fig. 54a,b). Na parte
(E1 e ES1) nas proximidades da cidade de Colorado basal do pacote sedimentar, é comum a presença de
d’Oeste. Para a determinação geocronológica pelo níveis conglomeráticos, centimétricos, constituídos
método Sm/Nd em mineral, foi utilizado, respecti- predominantemente por seixos de quartzo. Raras in-
vamente, o par granada + piroxênio e rocha total. A tercalações de arenitos maciços contendo grânulos
isócrona dos três materiais do kimberlito E1 forne- e seixos de quartzo leitoso, além de estreitas cama-
ceu idade de 293 ± 18 Ma, enquanto que a isócrona das de arenito siltoso e siltito argiloso representam a
do corpo ES1, utilizando-se granada e rocha total for- superposição de ciclos deposicionais fluviais grano-
neceu idade de 317 ± 46 Ma. Essas idades permo- decrescentes (fig. 54b). Em certos locais, os arenitos
-carboníferas são análogas àquelas da abertura e exibem laminação convoluta e fraturas preenchidas
sedimentação da Bacia Pimenta Bueno posicionada por goethita e hematita. Os grãos de quartzo apre-

79
CPRM - Programa Geologia do Brasil

sentam fraca a moderada esfericidade, quase sem- Fm. Rio Ávila (fig. 55). As amostras desses lenhos
pre envolvidos por película de óxido de ferro, em ma- foram identificadas genéricamente como coníferas
triz quartzosa a feldspática levemente caulinizada. (não foi possível definir a taxonomia em função do
No presente trabalho, foram identificados restos alto grau de silificação e ausência de folhas ou ou-
de lenhos fósseis na camada basal da Formação Utia- tros órgãos da planta), onde os troncos (10 a 30cm
riti representada por conglomerado fino com predo- de diâmetro) mostram apenas o xilema secundário
minância de seixos de quartzo (diâmetro < 2cm), de com traqueídeos e canais resinosos, com anéis de
matriz arenosa grossa com grânulos, os quais repou- crescimento, preservados por permineralização das
sam discordantemente sobre os arenitos eólicos da paredes e dos espaços celulares por sílica (fig. 56a,b).

Figura 54 - Afloramento característico dos arenitos da Formação Utiariti. (a) Parte superior da foto, pacote de arenito
maciço e na parte inferior, arenito com estratificação cruzada acanalada; (b) parte inferior da foto, arenito da Fm. Rio
Ávila e acima deste, pacote de quartzo-arenito (Fm. Utiariti) exibindo estratificação plano-paralela.

Padilha (1974) interpretou como fluvial-lacustri-


no o ambiente deposicional do membro superior da
Formação Parecis e esta interpretação foi mantida no
presente trabalho.

[Link] Características Geofísicas

O arenitos, no geral, não apresentam destaques


na radiometria. Apresentam, normalmente, baixos
níveis radiométricos nos canais de urânio e tório,
exibindo valores baixos a moderados no canal de
potássio. Na magnetometria evidenciam o caráter
não-magnético das rochas da unidade.

[Link] Dados Geocronológicos e


Correlações

As idades existentes para o Grupo Parecis são


aquelas fornecidas por Oliveira (1936), o qual des-
creveu madeiras petrificadas pertencentes à classe
Figura 55 - Perfil geológico esquemático exibindo dos Gimnospermas, família das Coníferas, sugerindo
a variação litológica na parte basal da seqüência idade cretácica superior. No Projeto RADAM, folha
sedimentar da Formação Utiariti. Estrada da Cascalheira- SD-20-X-D, foi identificado um fragmento de dicotile-
Vilhena. dôneo na fazenda Noroagro e sugeriu-se, no referido

80
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 56 - Restos silicificados de lenhos de coníferas. (a) seção lateral de um tronco; (b) seção transversal do tronco
onde observa-se as estruturas vegetais primárias preservadas.

trabalho, idade cretácica. Siqueira (1989) correlacio- freático, tornando os arenitos subjacentes, bastante
na a Formação Parecis com o Grupo Bauru da Bacia endurecidos, por cimentação supergênica. Nódulos
do Paraná e com as formações Itapecuru da Bacia do e pisólitos de hematita e goetita são comuns nas en-
Parnaíba e Urucuia da bacia Sanfranciscana. costas dos platôs, gerados pelo desmantelamento
As coníferas proliferaram a partir do Triássico, das crostas lateríticas, onde os mesmos são aprovei-
com abundância no Jurássico e Cretáceo e são com- tados como material de empréstimo e revestimento
paradas com aquelas da Formação Missão Velha (Ba- das rodovias não pavimentadas.
cia do Araripe). Portanto, a posição estratigráfica da Essas crostas são facilmente identificadas na ga-
Formação Utiariti em relação às demais formações maespectrometria, no canal de tório, exibindo altos
do Grupo Parecis, aliadas a presença de lenhos de valores neste elemento, devido, possivelmente, a
coníferas é um bom argumento para acomodar a concentração de minerais radioativos do tipo mona-
mesma no Neojurássico-Eocretáceo. zita e/ou zircão.
Segundo Lima et al., (2009), estas crostas pos-
3.2.19 Coberturas sedimentares cenozóicas suem idade máxima do período Neo-Cretáceo. As
idades sugeridas para as coberturas lateríticas na
Englobadas nessa categoria, estão os depósitos Amazônia distribuem-se desde o Cretáceo Superior
sedimentares de idade Neógena-Pleistocênica, com- ao Holoceno (Vasconcelos et al., 1994; Costa et al.,
preendidos pelas Coberturas Detrito Laterítica, Late- 2005) com as idades mais antigas localizadas nas par-
rítica Imatura, Sedimentar Indiferenciada e os Depó- tes elevadas dos platôs e, em geral, as idades mais
sitos Aluvionares. novas são encontradas nas porções rebaixadas do
relevo.
[Link] Cobertura Detrito-Laterítica
[Link] Cobertura Laterítica Imatura
As coberturas detrito lateríticas distribuem-se no
setor sudeste da folha Vilhena, capeando as rochas As coberturas lateríticas imaturas representam
areníticas da Formação Utiariti. A forma de ocor- topo-sequências lateríticas e afloram como “ilhas”
rência mais comumente encontrada é de superfície dentro da cobertura mais recente, no extremo sudo-
aplainada em forma de platô, onde se desenvolvem este da folha Vilhena, evidenciando a existência de
crostas lateríticas e/ou silcretes. Na maioria dos aflo- uma antiga superfície topográfica que sofreu rebai-
ramentos desta unidade estratigráfica, ocorrem os xamento tectônico, erosão e conseqüente deposição
horizontes de ferricrete, zona mosqueada, saprólito de sedimentos mais novos sobre a mesma. Consti-
e rocha fresca, caracterizando-o como perfil de in- tuem, por vezes, platôs de topo plano, facilmente
temperismo laterítico. O horizonte ferruginoso (fer- identificáveis em imagens de satélite, em função de
ricrete) é caracterizado por uma crosta endurecida desenvolverem uma vegetação característica que os
de coloração marrom-escura, maciça, pisolítica ou diferencia das áreas adjacentes. O desmantelamen-
cavernosa, constituída por óxidos de ferro (limonita to destas crostas ferruginosas resultou em produtos
e goetita), que cimenta os grãos e fragmentos angu- constituídos por fragmentos de nódulos e pisólitos
losos de quartzo leitoso (1cm). O ferro concentra-se lateríticos, os quais são encontrados em alguns níveis
na parte superior do perfil, enquanto que a sílica ten- do pacote sedimentar sobrejacente. Essa unidade é
de a se concentrar nos horizontes inferiores do per- constituída pelos sedimentos argilo-arenosos e cas-
fil de intemperismo, possivelmente junto ao lençol calhosos que mostram-se, via de regra, subjacentes a

81
CPRM - Programa Geologia do Brasil

restos de topo-sequências lateríticas, caracterizadas depósitos regolíticos derivados de rochas máficas


por um perfil intensamente intemperizado com hori- pertencentes ao Complexo Trincheira.
zontes ferruginosos destruídos por processos intem-
péricos epigenéticos, mostrando porções colunares [Link] Depósitos Aluvionares
reliquiares, associadas a uma zona nodular-pisolítica
ferruginosa e goethítica mais recente, recobertos por Constitui-se de sedimentos inconsolidados, ima-
latossolos na zona superior do perfil geológico. Uma turos, compostos, predominantemente, por areias
característica sui generis destes sedimentos é o grau grossas a médias, intercaladas com materiais resul-
de endurecimento elevado em relação aos outros tantes de desagregação do perfil laterítico (nódulos
sedimentos mais novos. Predominam nesta unida- e pisólitos), além de cascalhos, siltes e argilas que
de os termos argilo-arenosos em relação aos termos ocorrem em pacotes irregulares e interdigitados la-
cascalhosos, que são, geralmente, mal selecionados teralmente, estando associados, principalmente aos
e constituídos predominantemente por grânulos e leitos das drenagens atuais e margens de drenagens
seixos angulosos de quartzo leitoso. de maior ordem, como do rio Pimenta Bueno, Co-
rumbiara, Roosevelt, Comemoração, dentre outros.
[Link] Cobertura Sedimentar Estão relacionados com o posicionamento atual das
Indiferenciada drenagens, de instalação holocênica, em condições
de clima úmido, condicionados, por vezes, a zonas
Os sedimentos desta unidade estratigráfica dis- de falhas. Em alguns depósitos aluvionares, como do
tribuem-se numa depressão natural do terreno, na rio Corumbiara, encontram-se associados diaman-
porção sudoeste da folha Vilhena, drenada por diver- te, seixo e areia. Os depósitos residuais de canal são
sos afluentes da margem direita do rio Corumbiara. compostos por sedimentos de granulometria grossa,
Ocorrem encobrindo as rochas do embasamento em conglomeráticos, variavelmente selecionados e pre-
discordância erosiva e litológica. A espessura dessa cipitados como acumulação nas partes mais profun-
unidade geralmente não ultrapassa a 30 metros, se- das dos leitos dos rios. Nos rios de menor porte esses
gundo dados extraídos em perfuração de poços do depósitos são menos representativos e estão cober-
tipo cacimba, naquela região. tos por ondas migrantes de leito de canal.
Constituem depósitos associados a ambientes Os depósitos de planície de inundação são exclu-
elúvio-coluvionares, leques aluviais, planícies de sivamente de granulometria fina (silte e argila), mar-
inundação e lacustres, constituídos de uma varieda- geando o canal do rio Corumbiara, apresentando-se
de de materiais que vão desde cascalhos até argila, como regiões sempre úmidas, de densa cobertura
invariavelmente lateritizados. São imaturos e pouco vegetal, favorecendo a acumulação de grande quan-
espessos, compostos por areias mal selecionadas, tidade de matéria orgânica. São perfeitamente identi-
com intensa impregnação de óxi-hidróxidos de ferro, ficáveis em análise de imagem de satélite como áreas
além de contribuição de siltes e argilas. baixas, de desenho elíptico ou circular e tonalidades
Os terrenos constituídos por esta unidade apre- escuras. De maneira geral são depósitos constituídos
sentam cotas topográficas em torno de 200 metros por sedimentos síltico-argilosos e argilosos, podendo
de altitude, recebendo todo o material derivado das ocorrer, às vezes, sedimentos areno-siltosos interca-
áreas altas e ocupam a parte intermediária entre as lados, representando pequenos canais gerados pelo
unidades sedimentares anteriormente descritas e as rompimento do dique marginal (“crevasses”).
unidades mais antigas do Cretáceo (Grupo Parecis) Os depósitos aluvionares são facilmente identi-
e do embasamento Mesoproterozóico. Devido a sua ficados na gamaespectrometria, principalmente no
coloração marrom-avermelhada devido ao alto teor canal de potássio e contagem total, o que auxilia na
de óxido de ferro, confundem-se muitas vezes com delimitação e forma dos mesmos.

82
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

4 — GEOLOGIA ESTRUTURAL E TECTÔNICA

Os dados estruturais aqui apresentados estão turas de expressão regional (fig. 57). A estruturação
concentrados, dominantemente, em dois setores mais antiga está associada ao desenvolvimento de
distintos: ao sul-sudoeste da folha, onde afloram lineamentos de direção geral NW-SE. Localmente,
rochas cristalinas do embasamento e no extremo estas estruturas podem virgar para NNE-SSW, dentro
noroeste, onde ocorre uma faixa estreita de corpos de domínios com franca orientação NW-SE. No mapa
rochosos ígneos e metamórficos. No domínio da Ba- de forma das foliações estas variações delineiam es-
cia dos Parecis, o qual predomina amplamente na truturas dobradas impressas neste trend estrutural
folha Vilhena, serão tratados os dados da tectônica principal materializando formas sinuosas e anasto-
rúptil superimposta as rochas sedimentares. Nesta mosadas (fig. 57). Estas estruturas estão associadas
análise, tentou-se separar domínios estruturalmente à direção geral da Faixa Alto Guaporé (Rizzotto &
homogêneos com relação a um elemento estrutural. Dehler, 2007) de idade Ectasiana, e estão associadas
A análise cinemática das estruturas foi caracterizada à direção de importantes zonas de cisalhamento dúc-
pela observação da assimetria do fluxo deformacio- teis contracionais ativas em condições metamórficas
nal em seções paralelas à lineação de estiramento e de alta temperatura (anfibolito superior a granulito).
ortogonais à foliação milonítica (paralelo ao plano A estruturação relativamente mais nova ocorre
XZ de strain finito). Inicialmente serão discutidos os numa faixa estreita no extremo da folha, próximo
aspectos geométricos regionais entre as estruturas, da cidade de Corumbiara e é caracterizada por line-
provenientes de análises de imagens de satélite, ge- amentos de direção geral NE-SW, os quais podem ser
ofísicas e de mapa de forma da foliação milonítica re- visualizados em imagens de radar. Nesta região, im-
gional. Posteriormente, serão discutidos os aspectos portantes zonas de cisalhamento dúcteis transpressi-
geométricos e cinemáticos das estruturas, com a in- vas sinistrais, obliteram a estruturação regional ante-
terpretação tectônica para as estruturas observadas. rior. Estas estruturas estiveram ativas em condições
Por meio da análise de imagens de sensores re- metamórficas de fácies anfibolito baixo, controlando
motos e de mapas de formas da foliação regional, em a colocação de plutons graníticos, e também os con-
conjunção com dados estruturais de campo, permi- tatos litológicos em suas zonas de influência.
tiu caracterizar duas importantes gerações de estru-

Figura 57 - Principais estruturas da Folha Vilhena

83
CPRM - Programa Geologia do Brasil

4.1 Análise Geométrica e Cinemática das constituintes das rochas ígneas e metamórficas aflo-
Estruturas rantes ao longo da Faixa Alto Guaporé e, frequente-
mente, é paralela a um bandamento composicional.
4.1.1 Geometria das estruturas de trend NW- Nas rochas metapelíticas do Complexo Colorado, a
SE foliação é dada por uma orientação preferencial das
micas e sillimanitas, mostrando forte caráter anasto-
mosado ao redor dos microlithons compostos princi-
No extremo sudoeste da folha Vilhena, essa es- palmente por porções de rocha menos deformadas
truturação foi gerada durante a implantação da Faixa (maciças e isotrópicas), que em escala regional, re-
Alto Guaporé, no intervalo de tempo de ~1.46-1.33 presentam megapods preservados da deformação,
Ba, e é caracterizada por zonas de cisalhamento dúc- ou por porfiroblastos/clastos de granada e quartzo
teis que, via de regra, paralelizam de forma hetero- (fig. 58b). As rochas de paraderivação apresentam o
gênea as estruturas anteriores. Nesta região a defor- acamadamento litológico (S0) transposto e paraleli-
mação gerou uma pervasiva trama milonítica. Domí- zado com a primeira superfície milonítica (Sn).
nios com deformações relativamente mais baixas são Nas rochas anfibolíticas, a foliação milonítica as-
observados localmente, principalmente associados a socia-se à recristalização em diferentes graus dos an-
estruturas dobradas, onde as rochas ainda exibem fibólios e estiramento do plagioclásio, predominan-
texturas primárias. temente. Os metagabros e piroxenitos de granulação
Nos raros locais de mais baixo strain, uma estru- grossa, por sua vez, gradam para anfibolitos miloní-
tura bandada anterior é dobrada por estruturas com ticos bandados, laminados e muito finos, adquirindo
geometria em perfil variada (dobras abertas a isocli- por vezes um aspecto xistoso.
nais) e superfície axial paralela à foliação milonítica Em projeção estereográfica da área, a foliação mi-
de direção NW-SE ou NE-SW nos corredores a sul da lonítica mostra amplo predomínio na direção NW e
folha (fig. 58a). As características geométricas deste elevados ângulos de mergulho para SW (fig. 59). Os
bandamento, entretanto, são variadas. As bandas, mergulhos são moderados a elevados no geral (60°
em alguns afloramentos, podem ser derivadas de a 90°), o que faz com que os pólos se concentrem
processos de segregação metamórfica sem conside- na borda do diagrama. Na escala de trabalho não
rável variação de espessura. Nestes casos algumas foi possível delimitar domínios extensos, nos quais
bandas com composições quartzo-feldspáticas inter- a foliação fosse consistentemente orientada para as
calam-se com bandas mais ricas em anfibólio. Nestas estruturas desta fase.
porções, dobras intrafoliais ao bandamento também As estruturas lineares observadas na área estuda-
ocorrem. Em outros pontos, bandas claras relativa- da são lineações minerais e eixos de dobras internas
mente mais ricas em quartzo e feldspato intercalam- a foliação ou com superfície axial sub-paralela a fo-
-se com bandas mais escuras. Entretanto o conjunto liação milonítica. As dobras sin-miloníticas não são
possui espessuras variando desde bandas grossas a estruturas amplamente observadas na área, tendo
finas até lâminas submilimétricas localmente. por isso sua análise estatística prejudicada. A linea-
A foliação milonítica principal (Sn) é dada pela ção de estiramento, entretanto, é amplamente de-
orientação e estiramento preferencial dos cristais senvolvida. Assim, a lineação de estiramento ocorre

Figura 58 - (a) bloco basculado de anfibolito onde se observa o bandamento dobrado em dobras isoclinais apertadas;
(b) vista em perfil de boudins (pods) de anfibolitos paralelizados ao bandamento de direção NW.

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 59 - Diagrama com pólos da foliação mostrando uma dispersão dos pontos em função do dobramento do
bandamento/foliação.

consistentemente nas zonas de cisalhamento deste alcançar dimensões métricas paralelas ao seu eixo
estágio deformacional. Minerais como anfibólios, maior. Em muitos afloramentos a lineação de estira-
micas, quartzo e sillimanitas marcam frequentemen- mento possui caimento e obliquidade bastante ele-
te a lineação. Em muitos afloramentos a lineação é vados, estando muito próximas à direção de mer-
dada por agregados destes minerais. Boudinagem gulho da foliação milonítica. Na projeção geral da
com eixo maior paralelo à lineação, assim como mi- lineação de estiramento (fig. 60), a lineação mostra
nerais estirados e também boudinados, sugere que uma fraca dispersão, sempre com caimento médio
a orientação mineral também é a orientação de esti- a elevado.
ramento finito máximo (eixo X paralelo às lineações
down-dip). 4.1.2 Geometria das estruturas de trend NE-
Via de regra, tectonitos L-S predominam larga- SW
mente, embora tectonitos-L sejam também co-
muns. Nessa situação a foliação milonítica não é Estas estruturas alcançam expressão mapeável
caracterizada e a lineação alcança uma expressão que se estendem desde a norte da cidade de Cere-
considerável, com estruturas lineares que podem jeiras (na folha Pimenteiras) até a norte da Vila Alto

Figura 60 - Estereograma mostrando a distribuição dos pontos de lineação de estiramento em diversos litotipos da
área estudada.

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

Guarajús (folha Vilhena). Estas estruturas corres- to dos cristais de anfibólio nas metamáficas. Entre-
pondem a uma zona de cisalhamento transpressiva. tanto, a deformação plástica e a recristalização dos
Alternativamente, a estruturação NE-SW pode ser o feldspatos, bem como as transformações mineralógi-
flanco de uma megaestrutura dobrada com arquea- cas parciais de piroxênio para anfibólio e/ou biotita,
mento para sul cuja superfície-envelope é E-W e que sugerem um arrefecimento do metamorfismo para
se estende sob a cobertura fanerozóica do vale do o fácies anfibolito médio a baixo, juntamente com o
Guaporé. posicionamento dos granitos sin a tardi cinemáticos
Este domínio tectônico possui uma deformação a esta fase, mas durante o mesmo regime deforma-
finita relativamente mais homogênea se comparada cional. De outra forma, veios de quartzo e mais ra-
ao domínio onde predomina estruturas mais preco- ramente, veios e bolsões pegmatóides associam-se
ces (NW-SE). Na área de influência do corredor re- aos processos hidrotermais tardios e mesotermais
gional (NE), há geração de uma pervasiva foliação vinculados aos corpos intrusivos de granitos tardi-
milonítica que parece que se superpõe geometrica- -tectônicos.
mente à foliação regional mais antiga. O bandamen- A movimentação regional da zona de cisalhamen-
to de rochas gnáissicas também mostram-se para- to (NE) é oblíqua de topo para NE, com importante
lelizados segundo o trend NE (fig. 61a). Domínio componente direcional dextral e soerguimento re-
com deformação finita mais baixa é observado lo- lativo do footwall (transpressiva). Localmente pode
calmente, onde podem ocorrer dobras com a folia- apresentar movimentação com baixa obliquidade,
ção de plano axial paralela à estruturação nordeste, quando associadas a flancos sub-horizontais de es-
ou então faixas de cisalhamento discretas cortando truturas divergentes transpressiva. A direção da fo-
uma estrutura planar anterior. Na área de influên- liação mostra predomínio da direção NE, com fraca
cia do corredor de cisalhamento, não foi caracte- dispersão para a direção NW, devido a zonas com
rizado um domínio regional onde a estruturação dobramento (fig. 62). A lineação muda de caimento,
mais antiga teria sido preservada. Nos locais onde mas consistentemente aponta para SSW em todos os
as estruturas dobradas são preservadas, a estrutura domínios da foliação (fig. 63).
bandada anterior é deformada por estruturas com Estruturas como foliações S-C-C’, porfiroclastos
geometria em perfil muito variada (de abertas ou e boudins assimétricos são consistentes com movi-
semi-cerradas a isoclinais) e superfície axial parale- mentação oblíqua de topo para NE, com componen-
la à foliação milonítica regional do domínio. Assim, te lateral dextral e de encurtamento ortogonal à fo-
as relações de superposição observadas no campo liação C regional.
são consistentes com a obliteração das estruturas Zonas de cisalhamento dúcteis mais discretas,
antigas (Dn) pelo sistema de cisalhamento NE-SW contracionais, com orientação geral NNW-SSE e mer-
(Dn+1). Localmente, estruturas C’ apresentam cine- gulho suave para ambos os quadrantes, são também
mática dextral (fig. 61b). observadas. Muitas vezes estão associadas à intrusão
A superfície milonítica (Sn+1) é representada pelo de sheets graníticos, onde pode concentrar-se a defor-
forte paralelismo dos cristais de biotita, sillimanita e mação após sua cristalização. Dados geocronológicos
quartzo nas rochas paraderivadas e pelo alinhamen- conseguidos pelo método Ar-Ar na folha Pimenteiras

Figura 61 - (a) Corte em planta onde visualiza-se bandamento paralelizado de gnaisse tonalítico e boudins de
anfibolito de eixo maior segundo o trend NE; (b) estrutura C’ de cinemática dextral gerada durante a deformação
principal de trend NE. Linha 04 a oeste do 1° eixo.

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 62 - Estereograma com os pólos da foliação.

Figura 63 - Estereograma com os pólos da lineação em diversos tipos de rocha.

(Rizzotto et al. 2002) sugerem que as estruturas aqui De acordo com o exposto, qualquer tentativa de
descritas são de idade Ectasiana (~ 1.33 Ga). formulação de um modelo evolutivo que contem-
ple essa porção do cráton está fadada ao insuces-
4.2 Evolução Geotectônica so sem antes se resolver os problemas de falta de
correlação entre as unidades geológicas similares
A elaboração de um modelo geotectônico para a que ocorrem em Rondônia, Mato Grosso e oriente
área estudada requer a análise de dados geológicos boliviano e de definições de seus ambientes geo-
em escala regional e, no caso em questão, envol- tectônicos. Contudo, com os dados obtidos neste
vendo dados além dos limites fronteiriços do Brasil, projeto que envolvem a petrologia, geoquímica,
adentrando no oriente boliviano. Os vários modelos geofísica e principalmente aos aspectos estru-
geotectônicos propostos até então, para explicar a turais, foi possível compor um quadro evolutivo,
compartimentação da porção meridional do sudo- visando fornecer subsídios para o entendimento
este do Cráton Amazônico são contraditórios entre sobre a origem e evolução da parte meridional do
si. Entretanto, os modelos sugeridos por Santos et Cráton Amazônico.
al., (2008), Bettencourt et al., (2010) e Rizzotto & A evolução geológica da área que abrange a Folha
Hartmann (2012), apresentam novas informações as Vilhena, teve inicio no Calimiano onde esse período
quais serão utilizadas, em parte, para a proposta de geológico está representado pelas unidades litoes-
um modelo evolutivo para essa região. tratigráficas Complexo Máfico-Ultramáfico Trinchei-

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

ra, Complexo Colorado, Suíte São Felipe e pelos Gra- constituem parte do Complexo Colorado. A fonte
nitos Praia Alta e Rio Piolho (estes últimos ocorrem dos sedimentos é variada conforme é indicado pelos
na folha Pimenteiras). Esse agrupamento de unida- zircões detríticos das amostras dos paragnaisses
des são caracterizados como representantes de uma (metaturbiditos) da folha Pimenteiras, os quais
seqüência plutono-vulcanossedimentar que compõe forneceram idades Paleoproterozóicas (1938 Ma) e
a Faixa Alto Guaporé (FAG). Mesoproterozóicas (1645 Ma) e agrupamento maior
Essa seqüência caracteriza o embasamento da em 1508 Ma. Entretanto, a idade mínima que indica
região, composto por uma associação de rochas re- o fechamento da bacia é fornecida pelos granitos
presentativas de ambiente de subducção, o qual pas- intrusivos tardi-tectônicos de idade de 1340 Ma.
sou por processos de intensa deformação, metamor- No estágio seguinte (fase 2) ainda no Mesopro-
fismo e migmatização em episódios subseqüentes. terozóico, processou-se a fase de inversão da bacia,
O estágio inicial da evolução geológica da região é concomitante ao consumo da placa oceânica, com
marcado por subducção de crosta oceânica pretérita conseqüente encurtamento crustal e plutonismo
em uma fase compressiva com instalação de arco- sin-colisional (fig. 65). O movimento predominante
-de-ilhas intraoceânico e bacia retro-arco (back-arc). das massas continentais foi de WSW para ENE.
O registro magmático dessa fase é dado pela gera- Com o processo continuado de fechamento do
ção de basaltos toleiíticos de arco-de-ilhas que foram oceano há a fusão e o retrabalhamento parcial das
acompanhados por intrusões gabróicas e sedimen- rochas da crosta oceânica (subducção), com a subse-
tos químico-exalativos representados por formações qüente instalação da FAG. O material deformado foi
ferríferas bandadas, metacherts e gnaisses calcissili- soterrado relativamente profundo numa crosta oce-
cáticos, todos constituintes do Complexo Trincheira ânica com similaridade aos toleiítos de arco-de-ilhas
(fase 1) (fig. 64). modernos, associada a rochas metassedimentares
A bacia retro-arco abrigou sedimentação pelito- como BIFs e metapelitos, com pouco quartzito asso-
psamítica, de característica rítmica (turbiditos?) que ciado (Rizzotto et al. 2006). Aparentemente, a defor-

Figura 64 - Bloco-diagrama exemplificando a fase de formação de arco-de-ilha intraoceânico (fase 1).

Figura 65 - Bloco-diagrama ilustrativo da fase de encurtamento crustal e plutonismo sintectônico (fase 2).

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

mação da FAG teria sido produto de um evento con- de granitos cálcio-alcalinos de alto potássio (Suíte
vergente, com pico termal estimado entre 1.35-1.3 Intrusiva Alto Escondido), com idade de cristalização
Ga, na borda SW do Craton Amazônico (fase 3)(fig. em 1340 Ma. Salienta-se que ambos os grupos de es-
66). Durante os estágios mais precoces do evento truturas podem ser explicados por um encurtamento
compressivo, em condições metamórficas da fácies regional dirigido de SW. A nucleação tardia das estru-
anfibolito alto, estavam ativas importantes zonas de turas orientadas ENE poderia estar associada a influ-
cisalhamento com planos de fluxo e lineação de es- ência de outras condições de contorno importantes
tiramento sub-verticais em zonas de cisalhamento da deformação regional, como forma das margens
NW-SE (Sn). entre as massas continentais envolvidas.
A movimentação sugerida nos planos sub-parale- A esta fase estaria associado também intenso
los aos planos XZ do elipsóide de deformação indi- magmatismo bimodal granítico/básico sin a
cam soerguimento da crosta, com componente late- tardi-tectônicos. Estes granitos seriam tardios na
ral dextral e sinistral subordinado (região que abran- evolução tectônica da FAG (Rizzotto et al. 2006) e
ge desde o norte de Cerejeiras até a leste de Corum- representativos de magmatismo de arco-de-ilhas.
biara). Além disso, os planos de fluxo mostram-se Eles contêm, entretanto, a mesma trama regional
frequentemente boudinados, com a formação de impressa nos milonitos encaixantes.
estruturas do tipo pinch-and-swell e pull-aparts as- De qualquer forma, após a nucleação das gran-
simétricos. Assim, nestes domínios, os dados são des estruturas transpressivas, o material que cavalga
compatíveis também com um encurtamento ortogo- obliquamente para NE sofre um constrangimento do
nal à foliação e deformação do tipo flattening, com fluxo, dado pelo componente sub-horizontal parale-
boudinagem em tablete-de-chocolate, localmente lo a FAG no flanco NNW do arco regional. Sugere-se
desenvolvida. Entretanto, em outros locais, associa- que este efeito seja responsável pela geometria cons-
-se frequentemente a tectonitos “L” sub-verticais. trictiva observada nesta região. Com o progresso da
No geral, predominam amplamente tectonitos “L-S” convergência e o aumento do encurtamento, há a
muito bem marcados. Em outros pontos, tectonitos tendência em se expulsar obliquamente material, o
“L” apontam para uma lineação de estiramento em- que é acomodado pelas estruturas precoces trans-
pinada. Estas características são compatíveis com pressivas (Sn+1) com fabrics constrictivos muito bem
modelos deformacionais tri-dimensionais e hetero- marcados. Este modelo é plausível frente aos dados
gêneos na escala regional. A cinemática caracteriza- disponíveis, sendo neste caso, entretanto, as zonas
da sugere que um encurtamento subhorizontal teria de cisalhamento verticais, estarem relacionadas à
sido acompanhado de um soerguimento de porções expulsão vertical de material durante convergência.
profundas de uma crosta oceânica aquecida. Movi- A interpretação do ambiente tectônico da FAG é
mentos inversos em zonas de cisalhamento de em- função de como também se interpreta a geometria e
purrão, com predomínio de movimentos de topo cinemática regional das estruturas. As possibilidades
para NE ocorreram. consideradas convergem para duas situações antagô-
As zonas de cisalhamento ENE-WSW (Sn+1) são nicas: as estruturas precoces seriam registros de em-
transpressivas sinistrais, com movimentos inversos purrões sub-verticalizados, rotacionados para esta
oblíquos, ocorrendo em condições de fácies anfiboli- posição; ou então representam estruturas que guar-
to baixo. A direção de fluxo aponta com caimento alto dam o posicionamento original. No primeiro caso, os
a moderado para SW e o sentido de cisalhamento su- planos de cisalhamento de cavalgamentos seriam ro-
gere soerguimento progressivo do footwall regional. tacionados para a vertical, formando os empurrões
Concomitante a esta fase, ocorre o posicionamento e zonas verticais, onde o estiramento principal seria

Figura 66 - Bloco-diagrama ilustrativo da fase de encurtamento crustal e instalação da Faixa Alto Guaporé (fase 3).

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

sub-horizontal ou com baixo caimento na direção or- fragmentação desse bloco, somente no início do Pa-
togonal à FAG. No segundo caso, as zonas estariam leozóico dando início a instalação da Bacia do Pare-
ativas mesmo nas posições sub-verticais, onde o es- cis, com a deposição das rochas da Formação Alto
tiramento seria mais para a posição vertical, assim Tanaru e Formação Corumbiara. Logo em seguida,
como também o fabric attractor da fase precoce. através de um mecanismo relacionado a uma rápida
Em ambos os casos, seria superposto forte com- subsidência inicial (fase rift), depositaram-se os se-
ponente de cisalhamento puro à foliação milonítica dimentos das Formações Pimenta Bueno e Fazenda
que se posiciona, pela rotação, para a vertical. Na Casa Branca seguida por um estágio de subsidência
segunda hipótese, o encurtamento pode ser em par- termal (fase sinéclise) durante o Mesozóico.
te compensado por estiramento e fluxo de material O preenchimento inicial dessa bacia se deu por
segundo a lineação. meio de um sistema de canais flúvio-deltaicos que
As evidências estruturais apontam para os efeitos foram gradativamente afogados por espessos depó-
de encurtamento extremo, oriundo da colisão entre sitos rítmicos, relacionados a ambiente lacustre. A
crosta oceânica e arco-de-ilhas com geometria esta fase, pode estar relacionada a intrusão de diques
complexa e que interagem mutuamente, as quais e chaminés de kimberlitos e início da deposição de
teriam controlado a geometria das estruturas na leques aluviais da Formação Pimenta Bueno. Poste-
FAG. Assim, sugere-se que as estruturas na FAG riormente, próximo do limite do Paleozóico Superior,
registrem os estágios colisionais avançados de um depósitos glaciogênicos se fizeram presentes na bacia.
episódio a 1.35 - 1.32 Ga, controlados por imposições No Mesozóico, provavelmente relacionado à separa-
geométricas regionais, dadas pelas formas da ção dos continentes Sul-Americano e Africano, ocasio-
margem continental à NNE, localizada fora da área nou a reativação de falhas pretéritas, onde tais pro-
mapeada. Salienta-se que nesta região, o consumo cessos impuseram desnivelamentos de blocos, geran-
da crosta oceânica foi parcial, preservando-a em do altos e depressões. Essas falhas também serviram
larga zona no interior da Faixa Alto Guaporé. de condutos para a colocação de diques e soleiras de
Diques e pequenos corpos subarredondados de basalto e diabásio (Formação Anari) e diversos corpos
granitos pós-tectônicos (Granito Igarapé Jabuti-Folha de kimberlitos a norte da Bacia dos Parecis, concomi-
Pimenteiras) de idade de 1235 Ma, tangenciam toda tante com a deposição de espessos pacotes de areni-
a estruturação da FAG e marcam a fase de estabilida- tos eólicos (Formação Rio Ávila). No final do preenchi-
de tectônica do final do Mesoproterozóico no sudes- mento da bacia, provavelmente no Cretáceo, deu-se
te de Rondônia. por meio de uma sedimentação eminentemente de
Posteriormente, uma nova fase extensional (ci- caráter fluvial (Formação Utiariti).
clo de Wilson) passou a atuar no sudoeste do Cráton Durante o Cenozóico (Terciário), desenvolveu-se
Amazônico durante o Esteniano, culminando com novo ciclo deposicional com a implantação da Bacia
a abertura do rift Nova Brasilândia e do Aulacógeno do Guaporé, relacionada provavelmente com soer-
Aguapeí. O fechamento da Bacia Nova Brasilândia é guimento da Cordilheira dos Andes, prosseguindo
algo em torno de 1.1 Ga, onde as rochas foram defor- seu desenvolvimento durante o Quaternário. E, por
madas, em condições metamórficas da fácies anfiboli- fim, as coberturas quaternárias instaladas predomi-
to superior a granulito. nantemente nos vales dos grandes rios e nos sopés
Com esse evento, a porção SW do Cráton Ama- das escarpas de falhas encerram o quadro evolutivo
zônico adquiriu estabilidade no Neoproterozóico e da região sudeste de Rondônia.
esta estabilidade tectônica só foi quebrada, com a

90
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

5 – GEOQUÍMICA PROSPECTIVA

5.1 Introdução e Metodologia montante, o que normalmente não ocorre durante as


estações chuvosas já que muito material próximo ao
A prospecção geoquímica de baixa densidade com local das coletas é carreado para dentro das drena-
coleta de sedimentos de corrente e concentrados de gens pelas águas pluviais, “falseando” ou “mascaran-
bateia, tem como objetivos principais o auxílio ao ma- do” os resultados da bacia à montante. A localização
peamento geológico e a delimitação de extensas áreas das estações de coleta foi realiza com o auxílio de GPS
com anomalias geoquímicas que indicam potenciais portátil. As amostras de sedimentos de corrente foram
mineralizações de elementos economicamente impor- coletadas com as mãos nos leitos ativos das drena-
tantes. O planejamento das 54 estações de coleta de gens (fig. 68a,b) ao longo de uns 30m . À medida que
sedimentos de corrente e concentrados de bateia, bem eram coletadas, iam sendo peneiradas (fig. 68c) com
como o tratamento dos resultados analíticos foram peneiras de malhas plásticas (fig. 68d) com abertura
executados na área do projeto. Algumas áreas ficaram de 60 mesh (0,250 mm), o que reduz a quantidade do
sem informações geoquímicas em razão de serem re- material a ser coletado, aproximadamente um litro, já
servas indígenas com problemas de litígio na época dos que a fração analisada foi de 80 mesh (0,180 mm).
trabalhos de campo ou por total falta de acesso. Os concentrados de bateia foram coletados com
O planejamento das estações de coleta foi exe- auxílio de pá (fig. 69a), preferencialmente em con-
cutado em papel cronaflex transparente sobre base centradores naturais ao longo das drenagens (fig.
plano-altimétrica, na escala 1:250.000, com rede hi- 68b). O bateamento (fig. 69c), a partir de um volume
drográfica destacada. Para cada estação planejada foi de 10 litros, se deu de forma parcial para que restas-
traçada, através das linhas de crista, a correspondente sem na bateia alguns minerais mais leves (fig. 69d) e
sub-bacia à montante. Assim, ao final do planejamen- igualmente importantes do ponto de vista geológico
to fica evidente toda a área que vai estar coberta com e/ou econômico.
informações geoquímicas. Este material foi posterior- Finalmente as amostras foram acondicionadas
mente transformado para meio digital e mais adiante em sacos plásticos devidamente identificados. Em
vetorizado utilizando-se programa de georeferencia- cada estação de coleta foram preenchidas fichas geo-
mento (Arcmap). Assim, obtiveram-se os Mapas de químicas com informações locais, padronizadas pelo
Planejamento de Coletas Geoquímicas (fig. 67). SGB/CPRM, sendo uma para cada material coletado.
As coletas das amostras foram realizadas durante As amostras de sedimentos de corrente foram
as estações secas para que os sedimentos de corren- preparadas e analisadas pelo Acme Analytical La-
te pudessem melhor representar toda a sua bacia à boratories Ltd. por ICP-MS com determinação de 53

Figura 67 - Planejamento geoquímico da folha Vilhena

91
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 68 - (a e b) Coleta dos sedimentos de corrente no leito ativo da drenagem; (c) Coleta dos sedimentos de corrente
com peneiramento simultâneo; (d) Peneira de malha plástica com abertura de 60 # (0,250 mm).

Figura 69 - (a, b) Coleta de sedimento aluvionar com auxílio de pá, em locais de concentração natural; (c) Bateamento
parcial de 10 litros de sedimento aluvionar; (d) Concentração do material.

92
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

elementos e os resultados encontram-se no anexo 1. xílio do sistema de programas GEOQUANT (tab. 9).
Nos concentrados de bateia foram realizadas análi- Embora não tenham sofrido tratamento estatístico,
ses mineralógicas semiquantitativas que se encon- por terem sido identificados em poucas amostras,
tram listadas no anexo 2. As análises mineralógicas os elementos platinóides (Paládio-Pd e Platina-Pt)
foram realizadas no SBG/CPRM, Superintendência em razão de suas importâncias metalogenéticas/
Regional de Porto Alegre. econômicas, foram considerados anômalos naquelas
Dos 53 elementos analisados nos sedimentos de amostras. Com o tratamento foram estabelecidos os
corrente, 40 reuniram condições mínimas de serem seguintes parâmetros estatísticos através dos quais
tratados estatisticamente, o que foi feito com o au- definiram-se as paisagens geoquímicas:

PARÂMETRO ESTATÍSTICO DOS ELEMENTOS TRATADOS


Elemento Valor Mínimo Valor Máximo Média Desvio Limiar
Ag 2,00 ppb 29,00 ppb 8,00 ppb 2,0 22,00 ppb
Al 0,03 % 4,76 % 0,21 % 2,8 1,24 %
As 0,05 ppm 1,50 ppm 0,13 ppm 2,3 0,61 ppm
Au 0,10 ppb 36,40 ppb 0,40 ppb 4,1 13,67 ppb
Ba 2,70 ppm 254,90 ppm 25,00 ppm 2,4 106,30 ppm
Bi 0,01 ppm 0,18 ppm 0,02 ppm 2,0 0,06 ppm
Ca 0,005 % 0,330 % 0,018 % 3,3 0,170 %
Ce 0,50 ppm 307,70 ppm 11,50 ppm 3,3 129,00 ppm
Co 0,05 ppm 25,70 ppm 1,43 ppm 4,5 11,50 ppm
Cr 0,25 ppm 96,70 ppm 5,80 ppm 3,3 42,60 ppm
Cs 0,01 ppm 0,90 ppm 0,15 ppm 2,4 0,64 ppm
Cu 0,54 ppm 94,36 ppm 3,01 ppm 2,9 28,70 ppm
Fe 0,01 % 10,21 % 0,28 % 3,8 2,78 %
Ga 0,20 ppm 20,40 ppm 1,00 ppm 2,5 5,20 ppm
Hf 0,01 ppm 1,42 ppm 0,05 ppm 2,9 0,24 ppm
Hg 2,50 ppb 31,00 ppb 5,40 ppb 1,9 17,20 ppb
K 0,005 % 0,280 % 0,017 % 2,9 0,130 %
La 0,25 ppm 149,50 ppm 5,90 ppm 3,2 63,20 ppm
Li 0,05 ppm 17,70 ppm 0,90 ppm 3,6 7,70 ppm
Mg 0,005 % 0,610 % 0,022 % 3,4 0,180 %
Mn 0,50 ppm 1.040,00 ppm 75,50 ppm 5,5 827,00 ppm
Mo 0,01 ppm 0,48 ppm 0,06 ppm 2,1 0,22 ppm
Na 0,001 % 0,026 % 0,002 % 2,7 0,020 %
Nb 0,04 ppm 0,44 ppm 0,13 ppm 1,7 0,32 ppm
Ni 0,05 ppm 32,00 ppm 1,40 ppm 3,6 13,60 ppm
P 0,001 % 0,056 % 0,005 % 2,8 0,020 %
Pb 0,75 ppm 15,94 ppm 3,38 ppm 1,8 10,17 ppm
Rb 0,05 ppm 20,70 ppm 1,28 ppm 3,9 12,20 ppm
Sb 0,010 ppm 0,100 ppm 0,018 ppm 1,7 0,040 ppm
Sc 0,10 ppm 33,00 ppm 0,90 ppm 3,2 6,80 ppm
Sn 0,05 ppm 1,30 ppm 0,21 ppm 2,1 0,78 ppm
Sr 0,25 ppm 32,40 ppm 1,55 ppm 2,9 8,70 ppm
Th 0,20 ppm 51,90 ppm 2,10 ppm 3,3 27,70 ppm
Ti 0,002 % 0,316 % 0,027 % 3,3 0,150 %
Tl 0,01 ppm 0,23 ppm 0,02 ppm 2,2 0,11 ppm
U 0,05 ppm 5,00 ppm 0,28 ppm 2,8 2,27 ppm
V 1,00 ppm 425,00 ppm 9,00 ppm 3,8 106,00 ppm
Y 0,14 ppm 23,86 ppm 2,56 ppm 2,6 13,34 ppm
Zn 0,40 ppm 62,50 ppm 6,50 ppm 3,4 43,00 ppm
Zr 0,20 ppm 51,20 ppm 1,90 ppm 2,5 9,00 ppm

Tabela 9 - Resultado analítico com o tratamento estatístico das amostras de sedimento de corrente.

93
CPRM - Programa Geologia do Brasil

5.2 Produtos Obtidos tribuição dos elementos da folha Vilhena (relacio-


nados abaixo). Em razão da importância metaloge-
A partir do tratamento estatístico dos resultados nética de grande parte desses elementos, também
dos sedimentos de corrente e dos resultados das foram elaborados mapas individualizados mostran-
análises mineralógicas dos concentrados de bateia, do suas distribuições ou paisagens geoquímicas (fig.
foram gerados diversos mapas geoquímicos de dis- 70a,b,c).

94
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 70 - (a,b,c) Mapas de distribuição dos elementos nas bacias.

A partir dos resultados das análises mineralógicas sentes associações anômalas de elementos típicos
semiquantitativas realizadas nas amostras de con- de mineralizações em rochas máficas (Fe, Ti, V, As,
centrados de bateia, foram elaborados os seguintes Ag, Au, Cu, Hg, Mo, Pb) e ultramáficas (Fe, Cr, Ni, Co,
mapas mineralométricos (fig. 71a,b). Pd, Pt) .
Observando-se o Mapa de Bacias Anômalas (fig. A presença da magnetita nos concentrados de
72), chama atenção às sub-bacias correspondentes bateia reforça a existência da associação de rochas
às amostras SJ–71, SJ–68 e SJ–66. Nelas, estão pre- máficas na região de Chupinguaia.

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Figura 71 - (a,b) Mapas mineralométricos e a de distribuição dos elementos nas bacias.

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

Figura 71 - (a,b) Mapas mineralométricos e a de distribuição dos elementos nas bacias.

Figura 72 - Mapa de Bacias Anômalas.

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

6 – RECURSOS MINERAIS

Os recursos minerais da folha Vilhena podem com as substâncias não metálicas, as quais incluem
ser simplificadamente enquadrados na condição de depósitos de diamante, além de ocorrências de cal-
substâncias metálicas e não-metálicas, os quais per- cário, depósitos de argila, areia, cascalho, granito,
fazem um total de 45 ocorrências (tab. 10). O poten- saibro e laterito. No agrupamento das substâncias
cial mineral da folha Vilhena é mais representativo metálicas destacam-se as ocorrências de ouro.

TOPONIMIA SUBST_PRIN SUBST_SEC GRAU_DE_IMP. MUNICIPIO UTM E UTM N


SERRA REC. (VILHENA) Diamante Au Ocorrência PARECIS 699763 8669062
LINHA 03 SENTIDO COLORADO Argila Depósito CORUMBIARA 725668 8562587
FAZENDA RECORDAÇÃO Diamante Ocorrência PIMENTA BUENO 702883 8669779
RIO CORUMBIARA Cobre Zn Indício CORUMBIARA 700274 8577257
RIO OMERE Ouro Ocorrência CORUMBIARA 705123 8564138
PORTO ESPERANÇA Ouro Opala Ocorrência CHUPINGUAIA 736849 8590776
RIO CORUMBIARA Ouro Ocorrência CORUMBIARA 747719 8581213
FAZENDA URUPITA Ouro Ocorrência CORUMBIARA 722920 8569433
SECO DE ARAÇÁ Ouro Indício COLORADO DO OESTE 742196 8563627
GARIMPO APIDIÁ Ouro Ocorrência PIMENTA BUENO 706739 8654231
RIO PIMENTA BUENO Ouro Ocorrência PARECIS 699989 8657690
RIO COMEMORACAO Diamante Ocorrência PIMENTA BUENO 757354 8667331
FAZ. RONCADOR Diamante Au Ocorrência PARECIS 700705 8660850
RIO ARARAS Calcário Indício PARECIS 668181 8657887
IGARAPÉ CORGÃO, FINAL LH-80 Cascalho Ocorrência PIMENTA BUENO 777802 8650206
SECO DE ARAÇÁ-PIRARARA Ouro Diamante Ocorrência CORUMBIARA 736815 8561848
GARIMPO CABIXI (RIO CABIXI) Ouro Ocorrência VILHENA 796508 8561272
GARIMPO RIO CORUMBIARA Diamante Ocorrência CORUMBIARA 740282 8572877
AFLUENTE RIO TANARU Dolomito Ocorrência CORUMBIARA 694531 8603266
RODOVIA DO BOI Cascalho Depósito VILHENA 693614 8603250
ESTRADA NORTE_SUL Cascalho Depósito CORUMBIARA 729919 8619415
LINHA 105 Malaquita Ocorrência PARECIS 687861 8625448
LINHA 50 Muscovita Ocorrência SÃO FELIPE 678813 8673334
FAZENDA BARRETO Malaquita Ocorrência PARECIS 677158 8623216
FAZENDA DA RO 391 Cascalho Depósito PARECIS 731889 8622768
IGARAPÉ Pirita Arsenopirita Ocorrência CORUMBIARA 719945 8565460
TRAVESSÃO FAZENDA Pirita Ocorrência SÃO FELIPE 667869 8672268
LINHA 65 OESTE Pirita Calcopirita Ocorrência PARECIS 681926 8663240
LINHA 65 OESTE Pirita Ocorrência PARECIS 680316 8663426
RO 485 OESTE Cascalho Depósito CORUMBIARA 704891 8562282
FAZENDA CAROLINA Pirita Ocorrência CORUMBIARA 706032 8571372
RO 487 Pirita Calcopirita Ocorrência CORUMBIARA 688647 8578582
TRAVESSÃO FAZENDA ANDREAZZA Pirita Ocorrência CORUMBIARA 689297 8584554
TRAVESSÃO FAZENDA ANDREAZZA Pirita Arsenopirita Ocorrência CORUMBIARA 689028 8585334
TRAVESSÃO Pirita Ocorrência CORUMBIARA 690425 8589018
FAZENDA PATUÁ Pirita Ocorrência CORUMBIARA 682778 8581836
RODOVIA CORUMBIARA Cascalho Saibro Depósito CORUMBIARA 688516 8578878
LINHA 150 Cascalho Depósito CORUMBIARA 681126 8573350
LINHA 150 Cascalho Depósito CORUMBIARA 675364 8573294
LINHA 05 NORTE Manganês Ocorrência CORUMBIARA 746251 8570074
ESTRADA CHUPINGUAIA Muscovita Ocorrência CHUPINGUAIA 733479 8561798
RODOVIA DO PROGRESSO Cascalho Depósito CHUPINGUAIA 697594 8603179
RODOVIA DO PROGRESSO Cascalho Depósito CHUPINGUAIA 689241 8598450
RODOVIA DO PROGRESSO Feldspato Saibro Ocorrência CORUMBIARA 688471 8578906
CASCALHEIRA DO SILVANEI Cascalho Depósito VILHENA 790056 8564764

Tabela 10 - Relação das ocorrências minerais da Folha Vilhena


99
CPRM - Programa Geologia do Brasil

6.1 Substâncias Metálicas Platinóides


Em algumas drenagens que cortam os basaltos
Ouro da Formação Anari, o material de concetrado de
A maior parte das ocorrências de ouro é de ga- bateia revelou a presença de 8 grãos de ligas mi-
rimpos em depósitos aluvionares, onde alguns foram nerais de Hg-Pd (identificados em microssonda)
objetos de intensa exploração a partir da década de e 1 grão da liga Pd-Ag (Romanini, 2000). Minerais
80. Os garimpos, na época, estavam situados no mu- platiníferos (12 grãos) também foram identificados
nicípio de Corumbiara, no local denominado Seco nas amostras provenientes dos concentrados de
do Araçá e nos aluviões do rio Omerê. Outras ocor- bateia da área que afloram as rochas do Complexo
rências expressivas situam-se nas cabeceiras do rio Máfico-Ultramáfico Trincheira, além de teores anô-
Cabixi e no rio Apidiá. Atualmente, as atividades ga- malos em sedimento de corrente (Pt=0,22ppm e
rimpeiras estão concentradas em depósitos de dia- Pd 0,82ppm) derivados da bacia hidrográfica do rio
mante. A presença de sulfetos em xistos, na zona de Trincheira e igarapé Patoá.
cisalhamento que limita a parte norte do graben do
Colorado, é uma área potencial para ouro devido a 6.2 Substâncias Não-Metálicas
seu contexto geológico. Pintas de ouro foram identi-
ficadas nas amostras de concentrado de um afluente
Diamante
da margem esquerda do rio Tanaru, onde o mesmo
As ocorrências de diamantes são restritas aos
drena os filitos da Formação Alto Tanaru. A referida
aluviões dos rios Pimenta Bueno, Comemoração e
formação apresenta veios centimétricos a métricos
Corumbiara. Neste último, há um garimpo ativo no
de quartzo sulfetado, o qual é parcialmente discor-
qual os cristais de diamante estão alojados numa es-
dante da xistosidade dos filitos.
treita e contínua camada de cascalho (espessura de
Ferro e Manganês 1 a 2 metros), sotoposta por uma espessa camada
As ocorrências de ferro e manganês estão as- de areia e argila, a qual atinge espessura de até 15
sociadas as formações ferro-manganesíferas ban- metros. Nos demais depósitos aluvionares dos rios
dadas (BIF’s) que ocorrem em forma de diversas Pimenta Bueno e Comemoração, os garimpos encon-
cristas estreitas, dobradas e alongadas segundo o tram-se inativos, já totalmente explotados. A ocor-
padrão da foliação regional, na porção sudoeste da rência de diamantes em rocha primária ainda não foi
folha. São constituídas por magnetita quartzitos e detectada, mas há um corpo de kimberlito (Tarcísio
hematita quartzitos com níveis de manganês em 1) na forma de dique nas proximidades da cidade de
zonas de fratura. Essas cristas podem ser perfeita- Corumbiara, o qual foi investigado por empresas de
mente visualizadas no mapa aeromagnetométrico mineração. Entretanto, não são citadas ocorrências
de campo total ou de 1ª derivada, de forma que su- de diamante no mesmo.
gerem apresentar continuidade em profundidade.
Tanto a magnetita como a hematita, ocorrem em Calcário
níveis milimétricos a centimétricos descontínuos, Citam-se as ocorrências de calcário nas cabe-
por vezes rompidos, intercalados a níveis de quart- ceiras do rio Arara, em camada horizontalizada es-
zo e/ou chert. Manganês de derivação secundária treita e descontínua, aflorando no leito do referido
(intempérico) ocorre em fraturas das formações rio e também como blocos esparsos capeando os
ferríferas. diamictitos no leito do igarapé, afluente da margem
esquerda do rio Tanaru. São camadas estreitas (no
Cromita máximo 5 metros) e descontínuas de dolomito que
A cromita foi detectada nos concentrados de ba- encontram-se capeando os depósitos glaciais da
teia na porção sudoeste da folha, no domínio das Formação Corumbiara. Entretanto, face a desconti-
rochas máfico-ultramáficas do Complexo Trinchei- nuidade dos afloramentos de dolomito, os quais es-
ra. A presença de rochas cumuláticas nessa região tão geralmente encobertos por um espesso manto
é um indicativo para a presença de cromita, muito de intemperismo, não é possível avaliar a extensão
embora que em algumas amostras de rocha que fo- e espessura da camada carbonática. Outra ocorrên-
ram analisadas, os teores de cromita foram normais cia digna de nota é um bloco alongado de arenito
para rochas ultramáficas. No contexto das rochas carbonático que aflora na borda norte do Gráben
máfico-ultramáficas representadas por dunitos, pe- do Colorado, limitado pela Falha do Araras, o qual
ridotitos, serpentinitos e hornblenditos, as mesmas está capeando rochas do embasamento cristalino.
apresentam potencial para associações ortomag- Trata-se de um arenito com laminação plano-para-
máticas de Cu-Ni-Cr e EGP, bem como de óxidos de lela, composto por níveis de areia entremeado com
Fe-Ti-V. cimento carbonático.

100
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Rochas e Minerais Industriais (areia, argila, seixo, grande maioria dos depósitos argilosos atualmente
granito, brita, saibro e laterito) explorados para fabricação de tijolos é oriunda da al-
teração das rochas máficas e ultramáficas da região,
Esta classe abrange diversas matérias-primas derivados da decomposição dos basaltos, metaga-
não-metálicas e não-energéticas, de uso final diver- bros, anfibolitos e piroxenitos, dentre outros. Depó-
so, como, dentre outros, na agroindústria, constru- sitos de saibro e cascalho que podem ser utilizados
ção civil e nas indústrias química, cerâmica, de refra- como material para revestimento de estradas e para
tários, de isolantes, de pigmentos e como fundentes aterros estão associados aos maciços graníticos am-
e abrasivos. São materiais naturais empregados na plamente distribuídos na região e dos basaltos da
atividade humana, in natura, ou após beneficiamen- Formação Anari. Esse tipo de rocha fornece espessas
to ou transformação não metalúrgica. camadas de material de empréstimo (cascalho) para
Os materiais de uso na construção civil ocorrem suprir aterros, pavimentar as estradas vicinais, etc,
dispersos amplamente na folha Vilhena. Destacam- os quais são de fácil desmonte e com grande distri-
-se os largos depósitos aluvionares dos rios Come- buição em área, conforme indicado (localização das
moração, Pimenta Bueno, Corumbiara e Verde onde ocorrências) no mapa geológico.
encontram-se espessos depósitos de areia e seixo. Destacam-se ainda os depósitos de seixo de
Adicionalmente, o desmantelamento das camadas quartzo subarredondado (fig. 73c) proveniente da
arenosas de topo da Formação Rio Ávila fornece parte basal do pacote sedimentar da Formação Rio
amplos depósitos de areia fina, prória para a cons- Ávila, onde estão sendo lavrados os horizontes sei-
trução civil (fig. 73a). Nos demais rios e igarapés da xosos que ocorrem preenchendo paleocanais (canais
região ocorrem extensas planícies aluvionares com interdunas) no interior dos pacotes de arenitos eóli-
alto potencial para areia e argila, como está bem des- cos (fig. 73b). O desmonte e lavra dos seixos é feito
tacado pelos dados do levantamento aerogeofísico, ainda por um sistema bastante rudimentar, compos-
onde as anomalias gamaespectrométricas no canal to por jateamento do barranco, sucção do material
do K, Th e U delimitam de forma precisa os depósitos (seixo+areia) e peneiramento com separação dos
aluvionares ricos em material argiloso e arenoso. A seixos (fig. 73d).

Figura 73 - Materiais utilizados na construção civil. (a) areia proveniente do desmantelamento dos arenitos da
Formação Rio Ávila; (b) camada de seixo de quartzo preenchendo paleocanal interdunas; (c) depósito de seixo
subarredondado proveniente da lavra do pacote basal da Fm. Rio Ávila; (d) lavra rudimentar para a recuperação de
seixo e areia.

101
CPRM - Programa Geologia do Brasil

Da mesma forma, carapaças lateríticas desmante- ferro-manganesíferas bandadas, intercaladas a uma


ladas que produzem cascalho laterítico distribuem- sucessão de xistos, os quais compõem uma seqüência
-se dominantemente na planície do rio Verde e Co- ofiolítica, onde foram registradas algumas ocorrências
rumbiara, a SSW da folha Vilhena. e diversos garimpos destivados de ouro, além de zo-
Na área de mapeamento não foi visualizada ne- nas anômalas de metais base, cromita e platinóides.
nhuma pedreira em atividade, exceto o material As mineralizações primárias de ouro estão associa-
granítico que foi retirado na construção da PCH Pri- das a veios de quartzo encaixados em rochas meta-
mavera do rio Pimenta Bueno. Entretanto, na área básicas e xistos, afetadas por zonas de cisalhamento
existem outros tantos maciços graníticos que ofere- dúctil. A paragênese mineral do ouro é com sulfetos
cem características próprias tanto em volume, tex- (pirita, calcopirita), manganês, carbonato e turmalina.
tura e facilidade de acesso para a sua exploração. A tipologia do depósito permite caracterizar o pro-
Nesse contexto, alguns maciços graníticos possuem cesso mineralizante como hidrotermal relacionado
características estéticas favoráveis para utilização a veios de quartzo tardios meso-termais vinculados,
como rocha ornamental. Dentre esses, destaca-se provavelmente, as intrusões dos granitos tardi-tectô-
um maciço de trondhjemito cinza-claro situado no nicos da Suíte Intrusiva Alto Escondido.
SW da folha Vilhena, na fazenda Dona Olga. Diversas cristas de formações ferríferas banda-
das geralmente associadas com manganês também
6. 3 Potencial Econômico estão disseminadas no paleoambiente de fundo
oceânico. Em superfície, as cristas não são muito
Não obstante a pequena atividade extrativa mine- extensas por apresentarem-se segmentadas pela de-
ral praticada atualmente no domínio da Folha Vilhena, formação superimposta e também pela espessa co-
visualiza-se boas perspectivas futuras em função da bertura regolítica que as recobrem. Entretando, no
potencialidade destacada pela ambiência geotectôni- levantamento geofísico aeromagnetométrico, essas
ca da região atrelada aos dados geoquímicos e geofísi- cristas mostram continuidade em subsuperfície, evi-
cos amplamente favoráveis. Nesse sentido, procurou- denciado pelas anomalias magnéticas contínuas que
-se agrupar os recursos minerais com os ambientes sugerem continuidade lateral e em profundidade das
geotectônicos e a sua favorabilidade em relação a mesmas e, dessa forma, os depósitos de ferro po-
associação petrotectônica de um determinado am- dem ser ampliados.
biente. Desta forma, no ambiente de fundo oceânico, De qualquer forma, torna-se necessária a avaliação
o qual predomina na porção sudoeste da folha Vilhe- dos teores de ferro presentes nas referidas formações
na, ocorrem metabasaltos, anfibolitos, metaultramáfi- para se ter a economicidade dos mesmos.
cas, gnaisses calcissilicáticos, metacherts e formações

102
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

7 — CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

O mapeamento geológico na escala de 1:250.000 melagabros e leucometagabros, de textura/estrutu-


permitiu individualizar várias unidades até então in- ra ígnea parcialmente preservada. Os granitóides e
seridas no indiviso Complexo Xingu ou Complexo Ba- os diques félsicos da região são mais jovens que as
sal, ambos tidos como de idade Arqueana. Entretan- rochas vulcânicas básicas-ultrabásicas do Complexo
to, os estudos dessa vasta região no extremo sudeste Trincheira.
de Rondônia, fronteira com o Mato Grosso, indicam A presença de camadas de chert, formação ferrí-
uma geologia diversificada evoluida a partir do Cali- fera bandada e basaltos amigdaloidais são consisten-
miano até os tempos atuais. tes com um ambiente oceânico para a erupção das
O embasamento da área está representado por rochas vulcânicas e intrusivas associadas. Portanto,
uma associação de rochas de fundo oceânico consti- a análise de novos dados geológicos e geoquímicos
tuida dominantemente pelo Complexo Máfico-Ultra- apresentados aqui indica que as rochas máfico-ultra-
mafico Trincheira. Este é composto por três unidades máficas do Complexo Trincheira fazem parte de um
justapostas por falhas de cavalgamento/transpres- sistema de subducção arco-de-ilha/bacia back arc,
sionais, a saber: Unidade Inferior, dominada por onde os metabasaltos e anfibolitos ricos em anfibó-
granulitos máficos, metapiroxenitos; a Unidade In- lio representam os toleiítos de arco, enquanto que
termediária, representada dominantemente por os granulitos máficos e anfibolitos porfiroblásticos
anfibolitos bandados, intercalados a metagabros, são quimicamente compatíveis com os basaltos de
piroxenitos, os quais foram transformados nas zonas bacia back arc modernos. A participação de “com-
de alto strain, para xistos com variável proporção de ponentes de subducção” na geração do magma está
actinolita, clorita, magnetita, serpentina e raro tal- implícita nos elevados teores de Rb, Sr, Ba e K pro-
co; Unidade Superior, composta por metabasaltos porcionalmente aos elementos imóveis (HFSE) tais
e anfibolitos ricos em anfibólio, onde os primeiros como Nb e Ta. A água derivada da desidratação da
apresentam cavidades alongadas preenchidas por lasca subductada é a principal transportadora de tais
um agregado de epidoto e quartzo (drainage cavity),
componentes. Em síntese, esse comportamento dos
sugerindo serem amígdalas deformadas. Adicional-
elementos-traço sugere que a fonte mantélica das
mente, vulcânicas félsicas de composição dacítica
lavas e intrusivas do Complexo Trincheira foi influen-
também ocorrem associadas.
ciada por componentes de subducção.
Os dados isotópicos das rochas máficas estuda-
A deformação e metamorfismo superimposto às
das indicam uma origem do magma a partir de um
rochas do Complexo Trincheira se deu por um siste-
manto empobrecido (DMM end-member) com valo-
ma compressivo derivativo de uma tectônica acres-
res de eNd(T) que variam de +2,6 a +8,8 e Ri 87Sr/86Sr=
cionária (crosta oceânica x arco-de-ilhas) iniciada
0,703 a 0,704, os quais também são indicativos de
no Calimiano e, posteriormente, por uma tectônica
uma origem juvenil em ambiente intraoceânico.
colisional (arco-de-ilha x continente) no Ectasiano,
Intercaladas às rochas do Complexo Trincheira
gerando zonas de cisalhamento de extensão regional
ocorrem aquelas pertencentes ao Complexo Colo- (Faixa Alto Guaporé), desenvolvidas em condições
rado. O referido complexo é composto por uma as- metamórficas na transição de médio para alto grau.
sociação de rochas supracrustais constituídas por Durante a instalacao da Faixa Alto Guaporé ocor-
gnaisses paraderivados, gnaisses calcissilicáticos, reu o posicionamento de vários corpos de granitói-
formações ferríferas bandadas, metacherts, xistos des, os quais são marcadores de três fases distintas
pelíticos e raros anfibolitos finos. Mineralizações de da deformação. Os granitos sintectônicos são intru-
ouro em depósitos do tipo lode estão encaixados em sivos nos xistos, paragnaisses e anfibolitos do Com-
actinolita-albita-clorita xistos, actinolititos e em len- plexo Colorado e suas feições sugerem magmatis-
tes de epidositos. mo quase que contemporâneo com as máficas. Os
Pods de rochas máficas a ultramáficas ocorrem granitóides, por sua vez, são cortados por diques de
como corpos de várias dezenas de metros no in- aplitos e raros pegmatitos. Composicionalmente são
terior dos metabasaltos e na sequência de rochas representados por uma variedade de granitóides que
metassedimentares, sugerindo intrusões na forma vão desde sienogranitos até tonalitos. Os granitos
de sills. São constituídos por hornblenditos, meta- tardi-tectônicos apresentam contato claramente dis-
piroxenitos, metagabros, metagabronoritos, meta- cordante com as rochas do embasamento. São gra-

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CPRM - Programa Geologia do Brasil

nitos stricto senso, homogêneos, leucocráticos, com as quais apresentam indícios de mineralizações de
incipiente trama de fluxo magmático. cromita, ouro e sulfetos de níquel. Da mesma forma,
Salienta-se também nesta investigação, a carto- sugere-se um programa de prospecção para ouro ao
grafação de unidades metavulcano-sedimentares longo de toda a Faixa Alto Guaporé, apoiado pelos
de baixo grau metamórfico que ocorrem como uma resultados de prospecção geoquímica, no qual des-
faixa estreita bordejando a parte sul da Bacia dos Pa- tacam-se áreas anomalas para o referido elemento.
recis, a qual possui zircões que forneceram idades de Adicionalmente, sugere-se uma investigação de-
deposição da sequência do final do Neoproterozói- talhada ao longo dos limites norte e sul da Bacia do
co ao início do Paleozóico, correlacionável ao Grupo Parecis com o embasamento cristalino, no intuito
Cuiabá (Mato Grosso). Da mesma forma, a definição de se identificar áreas com potencial para ouro nas
de diamictitos capeados por carbonatos nessa mes- estreitas faixas de rochas vulcano-sedimentares da
ma região é outra indicação de uma associação de Formação Alto Tanaru. Também, investigar (em sub-
rochas depositadads no final do Neoproterozóico, superfície) essas áreas marginais à Bacia na tentativa
amplamente distribuídas no estado de Mato Grosso de se ampliar a área de ocorrência das camadas de
e agora primeiramente identificadas no estado de rochas carbonáticas (dolomitos) da Formação Co-
Rondônia. rumbiara. Por fim, recomenda-se aos administrado-
No presente trabalho, com a definição do ambien- res e legisladores dos governos estaduais e munici-
te geotectônico como sendo de uma bacia oceânica pais, uma atuação junto às comunidades rurais, no
intrusionada por rochas graníticas e gabróicas forne- sentido de delimitarem áreas de proteção ambiental
ce para a área em apreço uma potencialidade me- para que se possam salvaguardar os mananciais de
talogenética para metais base (Cu-Ni-EGP’s) e ouro. água que abastecem as propriedades rurais, vilas e
A região abrangida pela Folha Vilhena mostra uma cidades, de forma a proteger e restabelecer as matas
diversidade no potencial mineral, englobando desde ciliares assim como evitar o assoreamento dos igara-
metais base, ouro, ferro e mangânes até materiais de pés e rios da região. Com o aumento expressivo da
emprego direto na construção civil como areia, seixo, atividade agrícola, principalmente com o cultivo da
brita, argila, rocha ornamental e material de revesti- soja, grandes áreas vegetadas estão sendo substituí-
mento para estradas. das pela monocultura, num processo de morte lenta
A título de recomendações e sugestões para as dos pequenos igarapés, além da remoção da camada
empresas privadas que atuam no setor mineral, de solo fértil pelas enxurradas características do in-
sugere-se a investigação detalhada das rochas ofio- verno amazônico.
líticas do Complexo Máfico-Ultramáfico Trincheira,

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Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

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110
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

APENDICE
SÚMULA DOS DADOS DE PRODUÇÃO

111
CPRM - Programa Geologia do Brasil

112
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

Súmula dos Dados Físicos de Produção

1. Geologia

Mapeamento geológico (km2)................................................................................................................... 17.100


Caminhamento geológico (km)................................................................................................................... 2.100
Afloramentos estudados............................................................................................................................. 1.633
Amostras de rochas coletadas ....................................................................................................................... 404
Cadastramento mineral .................................................................................................................................. 44
Análises petrográficas . .................................................................................................................................. 180

2. Geoquímica

Sedimento de corrente . .................................................................................................................................. 53


Concentrado de bateia..................................................................................................................................... 53
Rocha................................................................................................................................................................ 75

3. Datação geocronológica

U-Pb (LAM-MC-ICP-MS)...................................................................................................................................... 4
U-Pb (shrimp)..................................................................................................................................................... 4

113
CPRM - Programa Geologia do Brasil

114
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

ANEXO 01
ANÁLISES MINERALÓGICAS SEMI-QUANTITATIVAS DOS
CONCENTRADOS DE BATEIA

115
CPRM - Programa Geologia do Brasil

116
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

ANEXO 1- ANÁLISES MINERALÓGICAS SEMI-QUANTITATIVAS DOS CONCENTRADOS DE BATEIA

SIGLA MAGNETITA HEMATITA ILMENITA LIMONITA CASSITERITA RUTILO MONAZITA ZIRCAO ANATASIO OURO GRANADA

SJ-38 S01 S01 S15 S01 S01 S03 S60 S01 S01

SJ-41 S01 S01 S60 S01 S01 S03 S15 S01

SJ-43 S01 S03 S60 S01 S01 S03 S15 S01 S01

SJ-44 S01 S03 S60 S01 S01 S40 S01

SJ-47 S15 S40 S15 S01 S01 S03 S15 S01 S01

SJ-48 S01 S01 S60 S01 S01 S03 S03 S15

SJ-49 S01 S15 S40 S03 S03 S40 S15

SJ-50 S03 S03 S40 S01 S01 S01 S15 S01

SJ-51 S03 S40 S40 S01 S01 S01 S03

SJ-52 S03 S01 S40 S01 S01 S01 S40 S01 S01

SJ-53 S15 S60 S03 S01 S03 S01

SJ-54 S85 S03 S03 S01 S01 S01 S01

SJ-55 S01 S85 S01 S03 S03 S01 S01

SJ-56 S03 S15 S60 S01 S01 S01 S01 S01

SJ-57 S01 S15 S60 S01 S01 S01 S01 S01

SJ-58 S01 S85 S01 S01 S15 S03

SJ-60 S03 S85 S01 S15 S15 S03

SJ-61 S60 S01 S03 S03 S15

SJ-62 S03 S15 S03 S01 S01 S01

SJ-63 S03 S40 S15 S01 S01 S01 S15

SJ-64 S15 S40 S03 S01 S01 S03

SJ-65 S40 S15 S15 S01 S01 S03

SJ-66 S85 S15 S03 S01 S01

SJ-67 S60 S15 S15 S01 S01 S03

SJ-68 S85 S03 S15 S01 S01

SJ-69 S60 S15 S15 S03 S03 S01

SJ-70 S03 S40 S15 S03 S03 S01

SJ-71 S40 S01 S60

SJ-72 S15 S15 S15 S01 S03 S03 S40 S01

SJ-73 S03 S15 S01 S03 S03 S03 S60

SJ-76 S15 S15 S01 S15 S01 S40

SJ-77 S01 S40 S01 S15

117
CPRM - Programa Geologia do Brasil

SIGLA PIROXÊNIO ANFIBOLIO TURMALINA CIANITA ESTAUROLITA EPIDOTO ESPINELIO LEUCOXÊNIO APATITA MICA PIR. OXIDADA

SJ-38 S03 S15 S03 S03

SJ-41 S01 S03 S01 S03 S01

SJ-43 S01 S01 S15 S01 S01 S03 S01

SJ-44 S01 S03 S01 S01 S03 S01 S01

SJ-47 S01 S01 S15 S01 S01 S03 S01 S01 S01

SJ-48 S01 S01 S01 S15 S01 S01 S01 S01

SJ-49 S03 S01 S15 S03 S01 S03 S01 S01

SJ-50 S01 S15 S03 S01 S01 S01 S01 S01

SJ-51 S01 S01 S03 S03 S01 S03 S01 S01

SJ-52 S01 S01 S15 S01 S01 S01 S01

SJ-53 S03

SJ-54 S01

SJ-55 S01 S01 S01

SJ-56 S01 S01 S01 S03 S01 S01 S03

SJ-57 S01 S03 S01 S15 S15 S01 S03 S01

SJ-58 S01 S01 S01

SJ-60 S01

SJ-61 S01 S01

SJ-62 S01

SJ-63 S01 S01 S03

SJ-64 S15 S01

SJ-65 S03 S01

SJ-66 S01

SJ-67 S03

SJ-68 S01 S01

SJ-69 S01 S01 S01

SJ-70 S01 S01

SJ-71

SJ-72 S01 S01 S01 S01 S01 S01 S01

SJ-73 S01 S15 S01 S01 S01

SJ-76 S01 S01 S01 S01 S01

SJ-77 S01

118
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

SIGLA MAGNETITA HEMATITA ILMENITA LIMONITA CASSITERITA RUTILO MONAZITA ZIRCAO ANATASIO OURO GRANADA

SJ-78 S01 S60 S01 S03 S15

SJ-79 S01 S60 S01 S01 S15

SJ-80 S01 S60 S01 S03 S40

SJ-81 S03 S40 S60 S03 S15 S01

SJ-82 S01 S40 S15 S03 S15 S01

SJ-83 S01 S40 S15 S01 S15 S01

SJ-84 S03 S40 S01 S03 S15 S03

SJ-85 S15 S03 S60 S01 S03 S01

SJ-86 S03 S40 S15 S03 S15 S03

SJ-87 S01 S60 S03 S03 S40 S03

SJ-88 S01 S60 S01 S03 S15 S01

SJ-89 S01 S60 S03 S03 S01 S01

SJ-90 S03 S60 S15 S01 S15 S01

SJ-91 S01 S15 S01 S01 S15

SJ-92 S01 S40 S40 S03 S15

SJ-93 S01 S85 S40 S01 S15 S01

SIGLA PIROXÊNIO ANFIBOLIO TURMALINA CIANITA ESTAUROLITA EPIDOTO ESPINELIO LEUCOXÊNIO

SJ-78 S03

SJ-79 S01 S01

SJ-80 S01 S03

SJ-81 S01 S01

SJ-82 S01 S01

SJ-83 S01 S03

SJ-84 S01 S01

SJ-85

SJ-86 S01
SEMIQUANTITATIVA
NORMAL
SJ-87 S01 S01

SJ-88 S01 S 85 75 - 100 %

SJ-89 S01 S01 S01 S 60 50 - 75 %

SJ-90 S01 S 40 25 - 50 %

SJ-91 S01 S01 S 15 5 - 25 %

SJ-92 S01 S01 S 3 1-5%

SJ-93 S01 S01 S 1 <-1%

119
CPRM - Programa Geologia do Brasil

120
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

ANEXO 02
ANÁLISES QUÍMICAS DOS SEDIMENTOS DE CORRENTE

121
CPRM - Programa Geologia do Brasil

122
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

ANEXO 2 - ANÁLISES QUÍMICAS DOS SEDIMENTOS DE CORRENTE

ELEMENTOS Mo Cu Pb Zn Ag Ni Co
AMOSTRAS (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppb) (ppm) (ppm)
SJ-S-038 0,04 1,01 1,89 1,60 9,00 0,60 0,20
SJ-S-041 0,04 1,61 2,77 2,10 11,00 0,50 0,30
SJ-S-043 0,10 1,19 1,60 1,10 12,00 0,40 0,30
SJ-S-044 0,10 0,88 1,37 1,90 10,00 0,40 0,40
SJ-S-047 0,12 2,40 2,10 4,90 12,00 1,30 1,10
SJ-S-048 0,10 2,67 5,62 10,30 15,00 1,70 2,20
SJ-S-049 0,02 0,94 1,69 1,20 9,00 < 0,10 0,30
SJ-S-051 0,08 4,28 8,40 15,90 19,00 1,40 4,20
SJ-S-053 0,02 1,94 1,79 3,20 3,00 0,50 0,60
SJ-S-054 0,05 10,30 2,25 13,80 5,00 4,00 6,20
SJ-S-055 0,04 2,71 3,17 8,90 5,00 0,90 2,20
SJ-S-056 0,09 4,48 4,01 15,50 10,00 1,30 4,00
SJ-S-057 0,08 8,00 5,39 24,70 11,00 3,40 8,20
SJ-S-058 0,04 2,38 3,57 7,30 2,00 0,40 2,90
SJ-S-060 0,05 2,84 15,94 8,10 13,00 0,70 2,40
SJ-S-061 0,05 5,00 3,97 14,20 4,00 1,90 6,70
SJ-S-062 0,05 5,87 3,49 20,10 6,00 4,10 9,70
SJ-S-063 0,11 5,94 4,48 13,40 4,00 1,50 3,60
SJ-S-064 0,07 11,09 2,61 19,80 4,00 6,60 7,40
SJ-S-065 0,23 25,48 3,15 26,40 5,00 14,90 11,70
SJ-S-066 0,29 55,81 3,55 62,50 14,00 23,80 25,70
SJ-S-067 0,17 27,31 4,61 31,00 7,00 8,80 10,60
SJ-S-068 0,14 35,11 4,16 49,70 6,00 14,40 16,30
SJ-S-069 0,07 15,16 1,99 23,30 3,00 6,90 7,10
SJ-S-070 0,06 14,54 3,72 21,70 4,00 5,30 7,30
SJ-S-071 0,48 94,36 6,78 20,90 27,00 9,40 7,90
SJ-S-072 0,04 4,09 6,24 6,50 13,00 1,50 1,70
SJ-S-073 0,15 0,86 1,81 0,80 10,00 0,70 0,10
SJ-S-074 0,29 0,97 0,75 0,40 11,00 1,60 < 0,10
SJ-S-075 0,47 0,95 0,81 0,50 8,00 2,90 < 0,10
SJ-S-076 0,07 0,61 0,96 0,40 10,00 < 0,10 < 0,10
SJ-S-077 0,03 0,54 1,51 0,60 3,00 0,10 0,10
SJ-S-078 0,02 0,74 2,29 1,30 3,00 0,40 0,20
SJ-S-079 0,02 0,88 2,51 1,40 2,00 0,40 0,20
SJ-S-080 0,02 1,46 3,93 2,40 2,00 0,70 0,80
SJ-S-081 0,03 1,41 4,19 3,50 6,00 0,90 1,10
SJ-S-082 0,03 0,95 2,50 1,40 3,00 0,30 0,20
SJ-S-083 0,02 1,36 3,09 2,70 3,00 0,80 0,60
SJ-S-084 0,02 5,16 3,00 7,00 6,00 1,90 2,50
SJ-S-085 0,02 2,05 2,79 2,50 2,00 0,60 0,90
SJ-S-086 0,01 2,63 2,21 4,20 2,00 1,00 1,10
SJ-S-087 0,02 3,31 2,99 5,80 4,00 1,50 1,70
SJ-S-088 0,04 1,40 2,59 4,40 3,00 0,90 1,00
SJ-S-089 0,03 1,93 2,14 3,60 2,00 0,90 1,00
SJ-S-090 0,01 2,00 1,74 2,60 2,00 0,80 0,80
SJ-S-091 0,04 2,19 2,58 11,20 2,00 2,10 1,90
SJ-S-092 0,04 0,54 0,90 0,40 2,00 0,10 0,10
SJ-S-093 0,06 2,42 2,85 8,10 8,00 1,50 1,90

123
CPRM - Programa Geologia do Brasil

ELEMENTOS Mn Fe As U Au Th Sr Cd Sb
AMOSTRAS (ppm) (%) (ppm) (ppm) (ppb) (ppm) (ppm) (ppm) (ppm)
SJ-S-038 8,00 0,07 0,10 0,20 0,50 1,60 1,40 0,01 < 0,02
SJ-S-041 12,00 0,13 0,30 0,30 < 0,20 3,20 1,20 < 0,01 0,02
SJ-S-043 10,00 0,05 0,10 0,20 0,20 1,50 1,30 < 0,01 < 0,02
SJ-S-044 9,00 0,04 0,20 0,20 0,20 1,80 0,90 < 0,01 < 0,02
SJ-S-047 57,00 0,33 0,10 0,20 0,40 1,50 2,00 0,01 0,03
SJ-S-048 315,00 0,44 0,30 1,50 3,10 14,90 3,00 0,01 < 0,02
SJ-S-049 17,00 0,04 0,20 0,10 0,20 1,30 1,10 < 0,01 0,02
SJ-S-050 125,00 0,39 0,20 0,50 1,30 3,70 3,70 0,01 0,02
SJ-S-051 468,00 0,82 0,20 0,40 1,30 3,00 3,40 0,02 0,03
SJ-S-052 5,00 0,11 0,20 0,10 < 0,20 1,00 0,80 < 0,01 0,03
SJ-S-053 25,00 0,14 <0,10 0,10 0,30 0,90 0,80 <0,01 0,03
SJ-S-054 288,00 0,88 <0,10 0,10 10,80 0,80 1,70 0,02 <0,02
SJ-S-055 168,00 0,40 <0,10 0,20 0,80 0,80 1,40 0,02 <0,02
SJ-S-056 383,00 0,76 0,10 0,20 < 0,20 1,00 2,70 0,01 0,02
SJ-S-057 550,00 1,40 0,20 0,30 0,70 1,90 4,40 0,03 0,03
SJ-S-058 145,00 0,30 <0,10 0,10 <0,20 0,80 0,70 0,01 <0,02
SJ-S-060 135,00 0,25 <0,10 0,90 0,80 3,60 0,60 0,01 <0,02
SJ-S-061 374,00 0,76 <0,10 0,20 0,30 1,20 0,80 0,01 <0,02
SJ-S-062 451,00 1,23 <0,10 0,20 <0,20 0,90 2,10 <0,01 <0,02
SJ-S-063 116,00 0,81 <0,10 0,20 0,50 1,20 0,70 0,03 0,02
SJ-S-064 250,00 1,05 <0,10 0,20 0,60 0,70 2,20 0,02 0,02
SJ-S-065 304,00 2,68 0,20 0,30 0,80 1,90 4,30 0,02 0,04
SJ-S-066 730,00 3,87 <0,10 0,30 10,70 0,90 2,40 0,03 0,04
SJ-S-067 394,00 2,13 0,10 0,40 0,70 1,30 2,40 0,02 0,04
SJ-S-068 473,00 2,81 0,10 0,20 10,70 0,80 3,60 0,03 0,02
SJ-S-069 208,00 0,98 <0,10 0,10 0,70 0,40 1,40 <0,01 <0,02
SJ-S-070 289,00 1,15 <0,10 0,20 0,50 0,80 2,20 0,01 0,02
SJ-S-071 367,00 10,21 0,60 0,60 20,60 3,10 1,10 0,06 0,10
SJ-S-072 67,00 0,22 0,20 0,20 < 0,20 1,20 3,40 < 0,01 0,03
SJ-S-073 5,00 0,09 0,30 0,20 < 0,20 1,80 0,50 < 0,01 0,03
SJ-S-074 2,00 0,02 < 0,10 0,10 < 0,20 0,20 0,70 < 0,01 < 0,02
SJ-S-075 < 1,00 0,04 0,20 < 0,10 < 0,20 0,20 < 0,50 0,01 < 0,02
SJ-S-076 < 1,00 0,14 0,30 < 0,10 < 0,20 0,40 < 0,50 < 0,01 0,03
SJ-S-077 3,00 0,01 0,10 <0,10 0,20 0,30 <0,50 <0,01 0,03
SJ-S-078 8,00 0,08 <0,10 0,10 <0,20 0,60 0,60 <0,01 0,03
SJ-S-079 7,00 0,08 0,10 0,10 0,20 0,50 <0,50 <0,01 0,02
SJ-S-080 21,00 0,07 0,10 0,10 <0,20 0,70 0,70 0,01 0,02
SJ-S-081 49,00 0,11 0,10 0,10 0,30 1,20 1,00 <0,01 0,03
SJ-S-082 12,00 0,09 <0,10 0,10 <0,20 0,70 <0,50 <0,01 0,03
SJ-S-083 21,00 0,09 0,10 0,10 <0,20 1,40 0,90 <0,01 0,03
SJ-S-084 95,00 0,33 0,20 0,10 0,40 0,90 1,30 <0,01 0,03
SJ-S-085 35,00 0,05 <0,10 0,10 <0,20 0,60 <0,50 <0,01 <0,02
SJ-S-086 29,00 0,14 <0,10 0,10 <0,20 1,50 0,60 <0,01 <0,02
SJ-S-087 63,00 0,20 0,10 0,20 0,40 2,40 0,80 0,01 0,02
SJ-S-088 65,00 0,19 0,10 0,50 0,30 5,00 1,10 <0,01 0,02
SJ-S-089 29,00 0,10 0,20 0,10 <0,20 0,70 0,50 <0,01 <0,02
SJ-S-090 36,00 0,10 <0,10 0,10 0,50 0,50 0,70 0,01 <0,02
SJ-S-091 67,00 0,42 <0,10 0,50 <0,20 4,60 1,80 <0,01 0,02
SJ-S-092 6,00 0,06 0,10 <0,10 <0,20 0,20 <0,50 0,01 0,02
SJ-S-093 70,00 0,34 <0,10 0,50 <0,20 4,50 1,90 0,01 0,02

124
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

ELEMENTOS Bi V Ca P La Cr Mg Ba Ti
AMOSTRAS (ppm) (ppm) (%) (%) (ppm) (ppm) (%) (ppm) (%)
SJ-S-038 < 0,02 2,00 < 0,01 0,002 4,60 1,40 0,01 23,50 0,005
SJ-S-041 0,02 4,00 < 0,01 0,003 8,50 2,10 0,01 21,70 0,008
SJ-S-043 < 0,02 < 2,00 < 0,01 0,002 3,90 1,50 < 0,01 19,60 0,007
SJ-S-044 < 0,02 < 2,00 < 0,01 0,001 5,30 1,60 0,01 17,10 0,007
SJ-S-047 0,03 8,00 0,02 0,003 4,60 4,60 0,05 28,40 0,017
SJ-S-048 0,04 10,00 0,03 0,010 42,60 7,20 0,06 51,50 0,038
SJ-S-049 < 0,02 2,00 < 0,01 0,001 3,90 0,60 < 0,01 18,80 0,007
SJ-S-050 0,02 8,00 0,04 0,007 11,70 5,70 0,10 42,00 0,026
SJ-S-051 0,06 18,00 0,04 0,014 7,50 9,60 0,05 71,90 0,072
SJ-S-052 0,02 3,00 < 0,01 0,001 2,80 2,00 < 0,01 15,90 0,006
SJ-S-053 <0,02 7,00 0,01 0,001 2,50 1,10 0,01 8,10 0,012
SJ-S-054 0,02 42,00 0,02 0,005 2,80 6,30 0,03 38,10 0,063
SJ-S-055 0,03 10,00 0,02 0,006 2,60 6,40 0,02 25,90 0,033
SJ-S-056 0,04 21,00 0,04 0,009 3,40 12,10 0,04 39,80 0,098
SJ-S-057 0,05 35,00 0,08 0,013 6,70 19,50 0,08 61,40 0,139
SJ-S-058 0,04 10,00 0,01 0,004 2,70 5,70 0,01 15,80 0,033
SJ-S-060 0,08 22,00 0,01 0,004 5,20 29,00 <0,01 15,90 0,062
SJ-S-061 0,03 24,00 0,02 0,011 2,70 22,00 0,01 17,80 0,033
SJ-S-062 0,03 33,00 0,04 0,012 3,50 24,50 0,03 26,20 0,033
SJ-S-063 0,05 27,00 0,02 0,008 2,30 17,20 0,01 13,80 0,050
SJ-S-064 0,02 49,00 0,05 0,007 2,80 14,90 0,05 31,40 0,072
SJ-S-065 0,03 122,00 0,10 0,011 5,70 25,30 0,13 41,80 0,100
SJ-S-066 0,04 247,00 0,05 0,009 5,20 42,10 0,06 72,70 0,244
SJ-S-067 0,04 128,00 0,04 0,008 4,50 26,00 0,07 34,90 0,137
SJ-S-068 <0,02 154,00 0,09 0,009 5,00 42,10 0,07 57,90 0,154
SJ-S-069 <0,02 60,00 0,03 0,004 2,00 14,40 0,03 33,20 0,085
SJ-S-070 <0,02 47,00 0,05 0,007 3,50 18,10 0,04 31,60 0,061
SJ-S-071 0,14 425,00 0,02 0,012 4,00 96,70 0,01 10,30 0,316
SJ-S-072 < 0,02 8,00 0,01 0,003 4,60 4,10 0,04 42,30 0,021
SJ-S-073 0,03 3,00 < 0,01 0,001 5,10 3,20 < 0,01 13,40 0,009
SJ-S-074 < 0,02 < 2,00 < 0,01 0,001 0,90 3,90 < 0,01 15,70 0,004
SJ-S-075 < 0,02 < 2,00 < 0,01 0,002 1,00 6,30 < 0,01 14,40 0,002
SJ-S-076 0,02 6,00 < 0,01 0,001 0,70 2,30 < 0,01 12,70 0,004
SJ-S-077 <0,02 <2,00 <0,01 0,001 1,00 <0,50 <0,01 2,90 0,004
SJ-S-078 <0,02 2,00 0,01 0,002 2,20 0,90 0,01 5,30 0,004
SJ-S-079 <0,02 2,00 <0,01 0,001 2,00 1,00 0,01 5,40 0,005
SJ-S-080 <0,02 3,00 <0,01 0,001 2,50 1,70 0,01 13,40 0,008
SJ-S-081 <0,02 2,00 0,01 0,002 5,00 1,60 0,01 13,00 0,006
SJ-S-082 <0,02 2,00 <0,01 0,001 2,60 0,80 <0,01 4,10 0,008
SJ-S-083 <0,02 2,00 0,01 0,002 4,30 2,10 0,01 12,40 0,007
SJ-S-084 <0,02 12,00 0,02 0,004 3,30 4,70 0,02 20,90 0,020
SJ-S-085 <0,02 3,00 <0,01 0,002 2,20 1,50 <0,01 9,40 0,007
SJ-S-086 <0,02 8,00 0,01 0,002 4,40 2,60 0,01 11,60 0,016
SJ-S-087 <0,02 8,00 0,01 0,004 6,00 3,40 0,02 16,70 0,016
SJ-S-088 0,03 4,00 0,01 0,005 13,00 2,80 0,02 17,50 0,008
SJ-S-089 <0,02 3,00 <0,01 0,002 2,20 1,90 0,01 11,30 0,007
SJ-S-090 <0,02 5,00 0,01 0,002 1,10 1,80 0,01 9,00 0,010
SJ-S-091 0,03 7,00 0,02 0,006 10,70 5,60 0,06 26,30 0,016
SJ-S-092 <0,02 3,00 <0,01 0,001 <0,50 0,90 <0,01 3,70 0,004
SJ-S-093 0,03 7,00 0,02 0,008 12,30 5,50 0,03 28,20 0,020

125
CPRM - Programa Geologia do Brasil

ELEMENTOS B Al Na K W Sc Tl S Hg
AMOSTRAS (ppm) (%) (%) (%) (ppm) (ppm) (ppm) (%) (ppb)
SJ-S-038 < 1,00 0,09 < 0,001 0,01 < 0,10 0,30 < 0,02 < 0,01 < 5,00
SJ-S-041 < 1,00 0,13 0,001 0,01 < 0,10 0,30 < 0,02 0,01 5,00
SJ-S-043 < 1,00 0,10 < 0,001 0,01 < 0,10 0,20 < 0,02 < 0,01 < 5,00
SJ-S-044 < 1,00 0,05 < 0,001 0,01 < 0,10 0,20 < 0,02 0,01 < 5,00
SJ-S-047 < 1,00 0,22 0,002 0,03 < 0,10 0,60 0,02 < 0,01 < 5,00
SJ-S-048 < 1,00 0,31 0,004 0,06 < 0,10 1,00 0,05 < 0,01 < 5,00
SJ-S-049 < 1,00 0,07 < 0,001 0,01 < 0,10 0,20 < 0,02 0,01 < 5,00
SJ-S-051 2,00 0,51 0,004 0,04 < 0,10 1,90 0,05 < 0,01 5,00
SJ-S-052 < 1,00 0,10 < 0,001 < 0,01 < 0,10 0,30 < 0,02 < 0,01 < 5,00
SJ-S-053 <1,00 0,07 <0,001 0,01 <0,10 0,30 <0,02 0,02 7,00
SJ-S-054 <1,00 0,22 0,002 0,01 <0,10 2,20 0,02 0,02 <5,00
SJ-S-055 <1,00 0,14 0,001 0,02 <0,10 1,10 0,02 0,01 6,00
SJ-S-056 < 1,00 0,35 0,006 0,02 < 0,10 1,90 0,02 < 0,01 < 5,00
SJ-S-057 1,00 0,62 0,006 0,03 < 0,10 3,00 0,03 < 0,01 5,00
SJ-S-058 <1,00 0,08 0,001 <0,01 <0,10 1,20 <0,02 <0,01 21,00
SJ-S-060 <1,00 0,06 <0,001 <0,01 <0,10 2,80 <0,02 0,01 31,00
SJ-S-061 1,00 0,21 0,001 <0,01 <0,10 2,90 <0,02 0,02 <5,00
SJ-S-062 1,00 0,29 0,001 0,01 <0,10 3,10 0,02 <0,01 15,00
SJ-S-063 <1,00 0,15 0,001 <0,01 <0,10 2,40 <0,02 <0,01 7,00
SJ-S-064 <1,00 0,30 0,003 0,01 <0,10 2,50 0,02 <0,01 16,00
SJ-S-065 1,00 0,93 0,006 0,03 <0,10 7,00 0,04 <0,01 5,00
SJ-S-066 1,00 0,77 0,002 0,01 <0,10 7,80 0,05 <0,01 12,00
SJ-S-067 1,00 0,38 0,002 0,02 <0,10 3,50 0,03 <0,01 8,00
SJ-S-068 <1,00 0,70 0,005 <0,01 <0,10 8,10 <0,02 <0,01 9,00
SJ-S-069 <1,00 0,25 0,002 <0,01 <0,10 2,70 <0,02 <0,01 <5,00
SJ-S-070 <1,00 0,34 0,002 0,01 <0,10 3,80 0,02 <0,01 9,00
SJ-S-071 <1,00 4,76 <0,001 <0,01 <0,10 33,00 <0,02 <0,01 27,00
SJ-S-072 1,00 0,24 0,002 0,03 < 0,10 0,60 0,05 < 0,01 < 5,00
SJ-S-073 < 1,00 0,10 < 0,001 < 0,01 < 0,10 0,20 < 0,02 < 0,01 6,00
SJ-S-074 < 1,00 0,05 < 0,001 < 0,01 < 0,10 0,10 < 0,02 < 0,01 < 5,00
SJ-S-075 < 1,00 0,06 < 0,001 < 0,01 < 0,10 0,10 < 0,02 0,01 < 5,00
SJ-S-076 < 1,00 0,11 0,001 < 0,01 < 0,10 0,30 < 0,02 0,01 5,00
SJ-S-077 <1,00 0,03 <0,001 <0,01 <0,10 0,10 <0,02 <0,01 11,00
SJ-S-078 <1,00 0,06 <0,001 0,01 <0,10 0,30 <0,02 0,01 7,00
SJ-S-079 <1,00 0,06 <0,001 0,01 <0,10 0,20 <0,02 0,01 8,00
SJ-S-080 <1,00 0,08 <0,001 0,01 <0,10 0,40 0,02 0,01 7,00
SJ-S-081 <1,00 0,10 <0,001 0,01 <0,10 0,30 0,03 0,02 5,00
SJ-S-082 <1,00 0,06 <0,001 <0,01 <0,10 0,20 <0,02 0,01 8,00
SJ-S-083 <1,00 0,07 <0,001 0,01 <0,10 0,30 0,02 0,04 6,00
SJ-S-084 <1,00 0,17 0,001 0,01 <0,10 1,30 0,02 0,01 6,00
SJ-S-085 <1,00 0,06 <0,001 <0,01 <0,10 0,30 0,02 0,02 5,00
SJ-S-086 <1,00 0,09 0,001 0,01 <0,10 0,60 <0,02 0,01 <5,00
SJ-S-087 <1,00 0,12 0,001 0,01 <0,10 0,80 0,02 0,03 13,00
SJ-S-088 1,00 0,12 0,001 0,02 <0,10 0,50 0,04 <0,01 <5,00
SJ-S-089 <1,00 0,08 <0,001 0,01 <0,10 0,30 0,02 0,01 <5,00
SJ-S-090 <1,00 0,06 <0,001 <0,01 <0,10 0,40 0,02 <0,01 5,00
SJ-S-091 <1,00 0,21 0,001 0,05 <0,10 0,70 0,05 <0,01 <5,00
SJ-S-092 1,00 0,07 <0,001 <0,01 <0,10 0,20 <0,02 <0,01 20,00
SJ-S-093 <1,00 0,16 0,001 0,02 <0,10 0,80 0,04 <0,01 <5,00

126
Geologia e Recursos Minerais da Folha Vilhena

ELEMENTOS Se Te Ga Cs Ge Hf Nb Rb Sn
AMOSTRAS (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppm)
SJ-S-038 < 0,10 < 0,02 0,30 0,07 < 0,10 <0,02 0,11 0,70 0,10
SJ-S-041 < 0,10 < 0,02 0,50 0,13 < 0,10 0,03 0,17 1,30 0,10
SJ-S-043 < 0,10 < 0,02 0,40 0,10 < 0,10 <0,02 0,19 0,70 0,10
SJ-S-044 < 0,10 < 0,02 0,30 0,07 < 0,10 0,02 0,15 0,50 0,10
SJ-S-047 < 0,10 < 0,02 0,70 0,16 < 0,10 0,04 0,17 2,50 0,10
SJ-S-048 0,10 < 0,02 1,20 0,25 0,10 0,08 0,31 5,00 0,30
SJ-S-049 < 0,10 < 0,02 0,30 0,10 < 0,10 0,02 0,17 0,80 0,10
SJ-S-051 < 0,10 < 0,02 1,80 0,23 < 0,10 0,11 0,19 4,10 0,40
SJ-S-052 < 0,10 < 0,02 0,40 0,04 < 0,10 0,03 0,10 0,30 0,10
SJ-S-053 0,10 <0,02 0,40 0,11 <0,10 <0,20 0,08 0,70 0,10
SJ-S-054 0,10 <0,02 1,40 0,08 <0,10 0,04 0,12 1,30 0,30
SJ-S-055 0,10 <0,02 0,80 0,09 <0,10 0,02 0,08 2,20 0,20
SJ-S-056 0,10 < 0,02 1,30 0,12 < 0,10 0,09 0,13 2,20 0,30
SJ-S-057 0,10 < 0,02 2,10 0,18 < 0,10 0,15 0,11 3,70 0,30
SJ-S-058 0,10 <0,02 0,50 0,07 <0,10 0,05 0,07 0,30 0,30
SJ-S-060 0,10 <0,02 0,70 0,06 <0,10 0,05 0,05 0,10 0,70
SJ-S-061 0,10 <0,02 1,30 0,14 <0,10 0,04 0,07 0,60 0,30
SJ-S-062 0,10 <0,02 1,50 0,24 <0,10 0,03 0,05 1,90 0,20
SJ-S-063 0,10 <0,02 1,50 0,11 <0,10 0,03 0,08 0,50 0,50
SJ-S-064 0,10 <0,02 1,70 0,23 <0,10 0,04 0,10 1,80 0,30
SJ-S-065 0,10 <0,02 4,40 0,46 <0,10 0,17 0,16 4,00 0,50
SJ-S-066 0,10 <0,02 5,50 0,32 <0,10 0,20 0,09 2,20 0,80
SJ-S-067 0,10 <0,02 2,90 0,34 <0,10 0,10 0,15 2,70 0,60
SJ-S-068 0,10 <0,02 4,30 0,10 <0,10 0,17 0,07 0,50 0,40
SJ-S-069 0,10 <0,02 1,60 0,08 <0,10 0,08 0,07 0,30 0,20
SJ-S-070 0,10 <0,02 1,90 0,20 <0,10 0,08 0,08 1,30 0,20
SJ-S-071 0,10 <0,02 20,40 0,10 0,10 1,42 0,10 0,30 1,30
SJ-S-072 < 0,10 < 0,02 0,80 0,32 < 0,10 0,04 0,13 2,60 0,10
SJ-S-073 < 0,10 < 0,02 0,60 0,01 < 0,10 0,06 0,12 0,10 0,10
SJ-S-074 < 0,10 < 0,02 0,20 0,02 < 0,10 0,03 0,06 0,10 0,10
SJ-S-075 < 0,10 < 0,02 0,20 0,01 < 0,10 0,02 0,04 <0,10 <0,10
SJ-S-076 < 0,10 < 0,02 0,50 0,01 < 0,10 0,04 0,08 <0,10 0,10
SJ-S-077 0,10 <0,02 0,30 0,08 <0,10 <0,20 0,06 0,20 0,10
SJ-S-078 0,10 <0,02 0,40 0,12 <0,10 <0,20 0,08 1,00 0,10
SJ-S-079 0,10 <0,02 0,40 0,13 <0,10 <0,20 0,06 0,70 0,10
SJ-S-080 0,10 <0,02 0,40 0,23 <0,10 <0,20 0,07 0,90 0,10
SJ-S-081 0,10 <0,02 0,50 0,23 <0,10 <0,20 0,14 1,90 0,10
SJ-S-082 0,10 <0,02 0,30 0,09 <0,10 <0,20 0,12 0,50 0,10
SJ-S-083 0,10 <0,02 0,40 0,18 <0,10 <0,20 0,09 1,20 0,10
SJ-S-084 0,10 <0,02 0,80 0,23 <0,10 0,03 0,10 1,60 0,20
SJ-S-085 0,10 <0,02 0,30 0,12 <0,10 <0,20 0,08 0,30 0,10
SJ-S-086 0,10 <0,02 0,50 0,15 <0,10 0,02 0,09 1,00 0,10
SJ-S-087 0,10 <0,02 0,60 0,18 <0,10 <0,20 0,10 1,30 0,10
SJ-S-088 0,10 <0,02 0,60 0,17 <0,10 0,02 0,16 2,80 0,20
SJ-S-089 0,10 <0,02 0,40 0,15 <0,10 <0,20 0,06 0,90 0,10
SJ-S-090 0,10 <0,02 0,40 0,12 <0,10 0,02 0,06 0,50 0,10
SJ-S-091 0,10 <0,02 0,90 0,36 <0,10 0,05 0,31 7,10 0,30
SJ-S-092 0,10 <0,02 0,30 0,07 <0,10 <0,20 0,05 0,50 0,10
SJ-S-093 0,10 <0,02 0,80 0,16 <0,10 0,03 0,16 3,40 0,20

127
CPRM - Programa Geologia do Brasil

ELEMENTOS Ta Zr Y Ce In Re Be Li Pd
AMOSTRAS (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppm) (ppb) (ppm) (ppm) (ppb)
SJ-S-041 <0,05 1,40 2,34 14,90 <0,02 <1,00 <0,10 0,30 <10,00
SJ-S-043 <0,05 1,00 1,40 7,10 <0,02 1,00 <0,10 0,30 <10,00
SJ-S-044 <0,05 0,90 1,49 9,70 <0,02 <1,00 <0,10 0,10 <10,00
SJ-S-047 <0,05 1,60 1,62 8,40 <0,02 <1,00 0,10 1,10 <10,00
SJ-S-048 <0,05 3,20 7,01 75,80 <0,02 <1,00 0,20 3,20 <10,00
SJ-S-049 <0,05 0,70 1,33 7,10 <0,02 <1,00 <0,10 0,20 <10,00
SJ-S-051 <0,05 3,70 3,27 16,90 0,02 1,00 0,20 2,20 <10,00
SJ-S-052 <0,05 0,90 1,00 6,70 <0,02 <1,00 <0,10 0,20 <10,00
SJ-S-053 <0,50 0,80 0,86 6,00 <0,20 <1,00 <0,10 0,20 <10,00
SJ-S-054 <0,50 2,50 2,16 5,20 <0,20 <1,00 0,10 0,80 <10,00
SJ-S-055 <0,50 1,50 2,40 5,20 <0,20 1,00 <0,10 0,70 <10,00
SJ-S-056 <0,05 3,10 3,27 7,30 0,02 <1,00 0,20 1,20 <10,00
SJ-S-057 <0,05 4,30 4,54 14,10 0,02 <1,00 0,10 2,30 <10,00
SJ-S-058 <0,50 1,80 3,24 5,60 0,02 <1,00 0,10 0,30 <10,00
SJ-S-060 <0,50 1,70 2,63 11,10 0,04 <1,00 0,10 0,30 <10,00
SJ-S-061 <0,50 1,20 2,46 6,30 0,02 <1,00 0,10 0,90 <10,00
SJ-S-062 <0,50 1,30 4,00 7,50 0,02 <1,00 0,20 1,10 <10,00
SJ-S-063 <0,50 1,30 1,79 5,30 0,03 1,00 <0,10 0,50 <10,00
SJ-S-064 <0,50 1,90 2,74 5,90 0,02 <1,00 0,10 1,30 <10,00
SJ-S-065 <0,50 6,60 4,86 11,90 0,02 <1,00 0,20 3,40 <10,00
SJ-S-066 <0,50 6,20 6,08 10,20 0,03 <1,00 0,10 2,90 <10,00
SJ-S-067 <0,50 3,90 3,47 9,20 0,02 <1,00 0,10 2,60 <10,00
SJ-S-068 <0,50 6,50 6,06 9,80 0,03 1,00 0,20 1,80 <10,00
SJ-S-069 <0,50 3,00 2,55 3,90 <0,20 <1,00 <0,10 0,90 <10,00
SJ-S-070 <0,50 3,20 3,44 6,90 <0,20 <1,00 0,10 1,50 <10,00
SJ-S-071 <0,50 51,20 6,16 18,50 0,08 <1,00 0,20 1,10 18,00
SJ-S-072 <0,05 2,00 2,16 7,20 <0,02 <1,00 0,10 1,10 <10,00
SJ-S-073 <0,05 2,80 1,27 8,40 <0,02 <1,00 <0,10 <0,10 <10,00
SJ-S-074 <0,05 1,40 0,53 1,50 <0,02 1,00 <0,10 0,10 <10,00
SJ-S-075 <0,05 0,80 0,34 1,70 <0,02 <1,00 <0,10 <0,10 <10,00
SJ-S-076 <0,05 1,50 0,24 1,30 <0,02 <1,00 <0,10 0,10 <10,00
SJ-S-077 <0,50 0,20 0,58 1,50 <0,20 <1,00 <0,10 0,10 <10,00
SJ-S-078 <0,50 0,40 1,06 3,40 <0,20 <1,00 <0,10 0,30 <10,00
SJ-S-079 <0,50 0,30 0,83 2,90 <0,20 <1,00 0,10 0,30 <10,00
SJ-S-080 <0,50 0,60 1,10 4,10 <0,20 <1,00 <0,10 0,40 <10,00
SJ-S-081 <0,50 0,50 2,50 7,20 <0,20 <1,00 <0,10 0,70 <10,00
SJ-S-082 <0,50 0,40 1,02 3,80 <0,20 <1,00 0,10 0,10 <10,00
SJ-S-083 <0,50 0,70 1,34 7,10 <0,20 <1,00 <0,10 0,80 <10,00
SJ-S-084 <0,50 1,60 1,93 6,10 <0,20 <1,00 0,10 0,80 <10,00
SJ-S-085 <0,50 0,30 1,08 3,40 <0,20 <1,00 <0,10 0,20 <10,00
SJ-S-086 <0,50 1,00 1,36 7,90 <0,20 <1,00 <0,10 0,50 <10,00
SJ-S-087 <0,50 1,00 2,02 11,10 <0,20 <1,00 <0,10 0,60 <10,00
SJ-S-088 <0,50 1,20 3,51 24,90 <0,20 <1,00 0,10 0,90 <10,00
SJ-S-089 <0,50 0,50 1,06 3,90 <0,20 <1,00 <0,10 0,40 <10,00
SJ-S-090 <0,50 0,70 0,56 2,20 <0,20 <1,00 0,10 0,20 <10,00
SJ-S-091 <0,50 2,00 3,75 21,20 <0,20 <1,00 0,20 2,40 <10,00
SJ-S-092 <0,50 0,40 0,14 0,50 <0,20 <1,00 <0,10 0,10 <10,00
SJ-S-093 <0,50 1,60 5,15 25,00 <0,20 <1,00 0,10 0,80 <10,00

128
A elaboração do mapa geológico da Folha Vilhena, na GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS Cartografia da Amazônia

SD.20-X-B
escala 1:250.000, resulta de uma ação do Serviço DA FOLHA FOLHA VILHENA
Geológico do Brasil – CPRM, empresa pública vinculada à
Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação
Levantamentos Geológicos Básicos
Escala: 1:250.000
Mineral, do Ministério de Minas e Energia, em parceria
com as Forças Armadas, cujo objetivo é o de levantar
informações no chamado vazio cartográfico da Amazônia,
com ênfase nas cartografias terrestre, náutica e geológica, ESTADO DE RONDÔNIA
insumos estratégicos e de suporte ao planejamento de
políticas públicas, defesa nacional e execução de projetos GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA
de infraestrutura a serem desenvolvidos na região.

O projeto foi executado pela Residência da CPRM em


FOLHA FOLHA VILHENA – SD.20-X-B

GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DA FOLHA VILHENA


Porto Velho - RO, no âmbito do Projeto Cartografia da
Amazônia e dentro das diretrizes do Programa Geologia
do Brasil.

Na Folha Vilhena, foram realizados levantamentos de


dados geológicos e geoquímicos, análises de dados
aerogeofísicos (magnetometria e gamaespectrometria),
estudos petrográficos, análises químicas de rochas,
geoquímica de sedimentos ativos de corrente e análises
mineralométricas de concentrado de bateia.

Esse produto deverá auxiliar o governo do estado de


Rondônia e órgãos de planejamento e da defesa nacional,
no estabelecimento de políticas públicas de
desenvolvimento regional, na medida em que servirão de
base para estudos de prospecção e exploração mineral e FOLHA VILHENA SD.20-X-B
na adoção de ações estratégicas que visem o
desenvolvimento econômico-social. MARÇO DE 2016

Nesse contexto, o conhecimento geológico sistematizado


pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM também passa
a ser considerado como fonte primordial de informação
do meio físico e requisitado para os estudos de
zoneamento ecológicoeconômico e de gestão ambiental, Programa Geologia do Brasil
especialmente na área de influência da Amazônia Legal.
Escala: 1:250.000
[Link] 2016

SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO - SEUS OUVIDORIA


Tel: 21 2295-5997 – Fax: 21 2295-5897 Tel: 21 2295-4697 – Fax: 21 2295-0495
E-mail: seus@[Link] E-mail: ouvidoria@[Link]

SECRETARIA DE
GEOLOGIA, MINERAÇÃO MINISTÉRIO DE
E TRANSFORMAÇÃO MINERAL MINAS E ENERGIA

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