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II Betão Simples e Armado 2017

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CAPÍTULO II

BETÃO SIMPLES E ARMADO

O betão é dos materiais mais empregues e talvez dos mais conhecidos no


mundo da construção. Este facto não é de admirar se se tomar em conta a
função que o mesmo desempenha nas infrastruturas e todos os aspectos
económicos, costumes e hábitos a si subjacentes. Abordam-se neste
capítulo aspectos inerentes à concepção, preparação, produção, transporte,
colocação e cura do betão simples e armado. São também parte das
matérias a preparação, assentamento e controlo das armaduras, assim
como a operação dos diversos meios e equipamentos que se empregam
para o efeito. Espera-se equipar os utilizadores do texto com ferramentas
suficientes para entender e realizar as operações mais importantes de
produção e colocação do betão armado em obra, incluindo a componente de
armação e assentamento do ferro nas formas ou cofragens.

2.1 Introdução
O betão é hoje em dia dos materiais mais empregues na indústria da
construção em todo o mundo. Tal deve-se às inúmeras vantagens que o
mesmo traz na materialização das soluções projectuais em condições
aceitáveis de economia, desempenho e execução. Desde a construção de
edifícios aos projectos de grande engenharia são inúmeros os exemplos do
emprego do betão, por vezes em combinação com outros tipos de materiais.
Os contínuos estudos e investigação sobre este material tem propiciado
avanços continuados, elevando deste modo a solução de muitos problemas
com o andar do tempo. Estes avanços encontram-se em toda a extensão
desde os materiais, a mistura, durabilidade, desempenho geral até aos
aspectos ambientais. No campo dos materiais trouxe um vasto campo de
aproveitamento de resíduos industriais para melhorar as características do
betão com resultados excelentes. Do ponto de vista ambiental esta
tecnologia pode ajudar a minimizar a componente de emissões nocivas
atribuidas à produção do cimento que se cifra na casa dos 7% a nível global.
O desenvolvimento de betões de alto desempenho é outro dos exemplos
que trouxe ganhos imensos no emprego do betão e enfrentamento de
desafios que se colocavam aos projectistas e construtores.

Pelo facto de parte do estudo do betão ter sido efectuado na disciplina de


Materiais de Construção I, este capítulo vai concentrar nos aspectos pouco
aprofundados , designadamente o transporte e a tecnologia de aplicação do
betão simples e armado em obra.

1 Betão Simples e Armado| Tecnologia da Construção DECI


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2.2 Betão – conceito
Betão é essencialmente uma mistura de inertes e massa ligante. A massa
ligante consiste no cimento e água e nalgumas vezes um aditivo ou
adjuvante. O propósito dos aditivos é alterar de alguma forma as
propriedades do betão, conferindo-lhe certas características. É sempre
desejável que a mistura seja homogênea. A mistura da massa ligante com
inertes tende a endurecer devido às reacções químicas, hidratação, do
cimento e água e vai ganhando resistência gradualmente ao longo do
tempo até atingir o máximo. A qualidade do betão é uma função do seu
estudo cuidado, selecção dos materiais, correcta dosagem, preparação,
transporte, colocação e cura adequados.

2.3 Betão simples e armado


Betão simples no contexto da construção é um betão que não incorpora
armadura, enquanto que o armado já o faz. Ainda que não contenha
armadura o betão simples é um material bastante útil na construção e é
aplicado em inúmeras peças que não necessitam de armadura para resistir
aos esforços a que estão submetidas. O betão simples pode por exemplo ser
empregue em sapatas corridas, sapatas isoladas, lajes de pavimentos
térreos pilaretes, pavimentos de estradas, vergas ou lintéis, entre outras
aplicações.

Para o betão ser capaz de absorver cargas de determinado tipo e magnitude


tem de funcionar em combinação com o ferro, daqui surgindo o betão
armado. É sabido que o betão funciona muito bem à compressão mas
pobremente a esforços de flexão, torção, corte, sendo necessário ter o
auxílio do ferro para o efeito.

2.4 Manufactura do betão


O emprego do betão na construção segue uma série de etapas desde o seu
estudo até ao endurecimento e ganho de resistência e entrada em serviço.
É preciso reiterar a importância extrema de cada uma das etapas e por
conseguinte a necessidade de todo o esforço necessário ao longo de todo o
processo. Não sendo propriamente uma cartilha do ciclo do betão, pode-se
2 Betão Simples e Armado| Tecnologia da Construção DECI
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subdivir o processo em estudo, selecção dos materiais, dosagem dos
materiais, mistura, amassadura, transporte, colocação e cura.

Estudo
Estudo

Confecção

Transporte
Transporte

BETÃO
Colocação
Colocação

Cura

Acabamento

Figura 2.1: Esquema do processo de fabricação do betão

2.4.1 Estudo

O estudo do betão é o exercício de determinação do tipo/natureza e da


proporção dos ingredientes para a obtenção de um produto com
características específicas, observando sempre os aspectos de economia e
exequibilidade. A resistência e a durabilidade têm sido as características de
realce no estudo de um betão endurecido. A trabalhabilidade por seu turno
é uma propriedade de relevo no betão fresco. O estudo da dosagem do
betão envolve a selecção dos materiais mais adequados tendo presente a
disponibilidade e propriedades, condições ambientais, as condições reais no
local da obra, bem como a natureza do projecto. Por isso, representa
sempre um desafio acrescido quando se lida com mercados ainda
incipientes como é caso das regiões em desenvolvimento ou onde há
escassez dos materiais de interesse para o betão. Um estudo de betão bem

3 Betão Simples e Armado| Tecnologia da Construção DECI


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elaborado define pelo menos o tipo e dimensões dos inertes, o tipo de
cimento a empregar, a relação água/cimento, trabalhabilidade, a
necessidade ou não de aditivos e a resistência e durabilidade esperadas. As
dosagens tanto podem ser expressas em volume ou em peso. A relação
água/cimento é normalmente expressa em peso. De uma forma resumida o
estudo dum betão envolve a definição do seguinte:

 Rresistência requerida
 Grau de exposição da construção
 Tipo de cimento a empregar
 Dimensão nominal máxima do inerte
 Forma do inerte
 Trabalhabilidade necessária
 Métodos de colocação do betão

A especificação do betão adequado para um determinado projecto é


também governado pelos aspectos económicos. É importante analisar os
custos dos materiais constuintes, mão de obra e equipamento para se
decidir qual a melhor solução. Em Moçambique, por exemplo, registou-se
em 2016 uma subida extraordinária dos preços do cimento
comparativamente aos inertes, levando a que o peso daquele tivesse uma
grande alteração nos custos do betão. Nestas circunstâncias, é
compreensível que haja uma reflexão no sentido de projectar betões com
menos cimento, sem obviamente pôr em causa o desempenho. Uma outra
situação é da Vila de Vilankulo no Norte da Província de Inhambane onde a
fonte mais próxima da brita se encontra a cerca de 150 km de distância. Em
termo comparativos, o preço do metro cúbico de brita é de 900 MT em
Maputo, em média, e cerca de 1500 MT em Vilankulo. Nestas condições é de
esperar uma análise diferenciada da composição do betão.

Existem vários estudos de betões com uma enorme base experimental que
permitiram desenvolver soluções simplificadas, evitando assim dificuldades
por parte de interessados menos abalizados no assunto. Uma das soluções
bastante antiga é a dosagem nominal, na qual se indicam as proporções do
materiais (cimento:areia:brita) a fim de se produzir um betão com uma
resistência aceitável. Esta solução tem a desvantagem de registar uma
grande variabilidade da resistência derivada das inconsistências nas
dosagens em obra.

Para tentar obviar este problema fez-se um acréscimo à solução tradicional


fixando-se a resistência mínima. Este tipo de dosagens denomina-se
standard. Estabelece-se a proporção dos materiais necessária para se
atingir uma dada resistência utilizando-se designações como B18, B20,
entre outras, onde os números indicam a resistência característica em MPa.
Há uma série de regulamentos que definem as regras e procedimentos
neste contexto.

A terceira solução é a mais robusta e consiste no estudo detalhado do betão


tendo em conta as características dos materiais, tal como referido
4 Betão Simples e Armado| Tecnologia da Construção DECI
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anteriormente. As dosagens nominal e standard são mais apropriadas para
projectos com menor grau de exigência.

2.4.2 Mistura

A mistura tem como propósito principal a homogeneização da massa do


betão, ou seja, assegurar que em qualquer ponto da massa a distribuição
dos ingredientes seja a mesma. Pretende-se no fundo evitar que haja
desagregação ou separação dos ingredientes. A mistura pode ser feita
manual ou mecanicamente. Embora a amassadura manual em muitos
países, particularmente os desenvolvidos, esteja já em desuso, ela é
bastante comum em Moçambique, dadas as práticas artesanais da
indústria, com um largo sector informal. A amassadura manual faz-se com
recurso a pás com as quais se misturam os ingredientes a seco até
atingirem uma certa homogeneidade, acrescentando-se água para fins de
amassadura. Nestas circunstâncias é difícil controlar a quantidade de água
utilizada e todo o trabalho é feito empiricamente. Por isso, é igualmente
difícil garantir a qualidade do betão.

A mistura mecânica faz-se com betoneiras de eixo horizontal, de eixo


oblíquo ou betoneiras misturadoras.

2.4.3 Transporte

Nem sempre o betão é fabricado no local de construção e por isso, precisa


de ser transportado de um lado para o outro. A instalação de uma central de
betão no local de obra é feita quando se justificar do ponto de vista
económico e técnico. O transporte do betão pronto para o local de obra
carece de cuidados a fim de se presevar as características previstas no
estudo. Um dos pontos de grande relevo no acto de transporte é a
preservação da homogeneidade. Com efeito, o transporte feito sem
observar certos cuidados tende a promover a segregação do betão e a
perda de trabalhabilidade. Noutras circunstâncias e dependendo do
elemento a betonar, por exemplo laje de grandes dimensões, a demora no
transporte pode provocar descontinuidades e juntas mal feitas.

O sentido de transporte aqui considerado tem a ver com a movimentação


do betão do ponto de fabrico para o local de aplicação a uma distância
assinalável. Por isso, o transporte com carrinhos de mão, plano inclinado,
dumpers, gruas com recipientes e bombagem não são considerados
propriamente formas de transporte, no sentido rigoroso do termo. São mais
formas de colocação. Neste sentido, as formas de transporte a ter em conta
seriam os camiões betoneira, camiões, tapetes rolantes, barcaças,

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helicopteros. Destes meios todos é evidente que o mais utilizado e popular
é o camião betoneira.

O transporte deve ter em conta a distância a percorrer, o tipo de pavimento


da via, o estado de tempo. Aqui pode-se ver que o tempo entre o
carregamento e a colocação na obra é crucial e por isso há restrições a este
respeito. É desejável que o tempo que separa o carregamento e a colocação
do betão em obra não seja superior a duas horas, em muitos casos.

2.4.3.1 Camião betoneira

O transporte é frequentemente feito com o auxílio de camiões betoneiras


que asseguram a mistura constante do betão durante o trajecto com a
finalidade de manter a trabalhabilidade e a consistência. O camião possui
um tambor (betoneira) assente no chassis e provido de bomba hidráulica e
motor fixo. Os volumes dos tambores variam e pode atingir cerca de 12
metros cúbicos nalguns casos. Os tambores estão providos de lâminas no
interior que promovem a mistura. A velocidade de rotação do tambor é
controlada a um certo nível para fazer a mistura da maneira recomendada.

Figura 2.2: Camiões betoneira

Alguns tipos de camiões possuem reservatórios para aditivos destinados a


fazer ajustes ou correcções no betão sempre que for necessário.

Quando da chega do betão na obra é pertinente que se faça uma verificação


antes da sua colocação. Os seguintes aspectos revestem-se de grande
importância na verificação:

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 O certificado do betão onde constam as características e outros
dados (quantidade, resistência, dosagem, tipo de agregado, tempo de
transporte)
 Trabalhabilidade em cada leva, camião betoneira, usando um slump
test
 Identificação do lote do betão e do meio de transporte
 O tempo decorrido desde o carregamento, transporte até à chega à
obra. O camião tem um registo deste e doutros dados.
 A especificação do betão fornecido corresponde àquela do betão
solicitado

Muitas destas actividades têm sido hoje em dia feitas de forma fácil e rápida
com o auxílio de tecnologias como informação geográfica. Os camiões
betoneira podem ser equipados com aparelhos GPS que fornecem todos os
dados desde a identificação do camião, lote do betão, hora de partida, hora
de chegada, localização, entre outros. Ademais, os condutores usam rádios
para comunicar com os pontos de chegada e partida.

2.4.3.2 Camião

No caso de betonagem de grandes áreas/volumes a pequenas distâncias,


como secções de pavimentos de estradas, barragens, pavimentos térreos e
leitos de canais, pode-se também usar camiões basculantes que levam o
betão para fazer a colocação directamente nos pontos indicados. Em caso
de dificuldade de colocação directa, os camiões podem fazer o despejo em
carrinhas, dumpers ou outros equipamentos para realizarem a deposição
nos locais indicados.

2.4.3.3 Tapete rolante

Os tapetes rolantes são empregues quando as distâncias entre os pontos de


fabricação e colocação não excedem os 600 metros e quando o uso de
outros meios de transporte torna-se bastante difícil. A alimentação dos
tapetes é contínua. Há determinados requisitos para garantir a manutenção
das propriedades do betão fresco, a trabalhabilidade em particular. Não é
permitido o lançamento do betão a grande altura, a inclinação do tapete é
definida em função da trabalhabilidade. Regra geral, a inclinação do tapete
deve andar pelos 15 a 20 graus para trabalhabilidades da ordem dos 4 a 6
cm.

Sempre que se constate uma segregação do betão a ser entregue em obra


não se deve aprovar a sua colocação.

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Figura 2.3: Colocação com helicóptero e grua munidos de baldes de
descarga

2.4.4 Colocação e compactação do betão

Numa perspectiva estrita a colocação representa a betonagem. É preciso


realçar, porém, que a operação é mais vasta do que simples descarga do
betão nas formas. A colocação do betão envolve a selecção dos métodos,
equipamento, preparação das superfícies que o vão receber, o lançamento,
espalhamento, compactação e eventual acabamento. Os métodos a utilizar
na colocação devem ir ao encontro da natureza e volume do trabalho e
incluem o tipo de equipamento ou ferramenta de modo a garantir um fluxo
adequado do betão e evitar a sua segregação.

Por vezes, os pontos a betonar são estreitos que não permitem um


lançamento directo do betão. Quando isto sucede deve-se usar utensílios
apropriados como pás e evitar ainda assim que o betão seja lançado a
alturas superiores a um metro. A grande preocupação reside na
possibilidade da segregação. Quando se trata de betonar colunas ou outros
elementos profundos o betão deve ser introduzido gradualmente nas formas
e depois colocado, evitando o lançamento a grandes alturas que propicia a
segregação. O impacto do betão com as armaduras e paredes das
cofragens leva facilmente à separação dos constituintes.

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Figura 2.4: Colocação com bomba

É recomendável que as superfícies sejam primeiro inspeccionadas para se


aferir a sua prontidão para receber o betão. As superfícies devem estar
limpas de detritos e pó e isentas de substâncias que podem contaminar o
betão ou influir na sua qualidade. É igualmente fundamental que as
superfícies que vão receber o betão não estejam bastante secas
particularmente quando as temperaturas sejam elevadas. Nestes casos,
pode-se humedecer ligeiramente as superfícies para evitar que absorvam
parte da água do betão.

Na colocação do betão deve-se realizar o espalhamento de molde a cobrir a


área de trabalho e embeber as armaduras respeitando os recobrimentos
estabelecidos. Quando o betão é colocado em camadas, como acontece
com as paredes e pilares, estas não devem exceder 35 cm, uma vez que
isso dificulta a compactação do betão na parte inferior, em grande medida
pelo peso exercido pela parte superior sobre a parte inferior do betão. De
um modo geral, a espessura da camada é governada pelo tipo de vibrador
que se emprega mas recomenda-se prudência a fim assegurar uma
adequada compactação.

Figura 2.5: Verificação da armadura antes da colocação do betão

2.4.4.1 Formas de colocação

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Há várias maneiras de colocação do betão nas formas e a escolha da mais
adequada depende da envergadura e complexidade do trabalho,
disponibilidade de meios, tipo de betão, entre outros.

2.4.4.1.1 Manual

Em muitas situações, a colocação é manual com o uso de baldes ou


utensílios similares. O betão é transportado dos pontos de amassadura e
erguido pelo pessoal até aos local de deposição. O espalhamento é feito de
seguida. Este método é empregue para pequenas obras. Há poucos
cuidados e regras na transporte e colocação e por isso é de esperar uma
variabilidade acentuada das características do betão.

2.4.4.1.2 Gruas com balde de descarga lateral

O uso de gruas com baldes/recepientes é um tipo de transporte vertical do


betão para obras em altura, tais como edifícios, pontes e torres. O betão é
fabricado no solo e colocado nos recepientes ligados por cabos que
permitem a sua elevação para os pontos de colocação.

Figura 2.6: Colocação do betão com baldes de despejo lateral

2.4.4.1.3 Bombas

Hoje em dia, a colocação é cada vez mais feita por via de bombas que
transportam o betão dos reservatórios/locais de produção para as formas ou
meios intermediários de colcação ou de transporte. As bombas são
igualmente montadas em camiões betoneira para retirar o betão dos
tambores para o local da colocação.

2.4.4.1.4 Jetcret

Outra técnica de colocação consiste na projecção do betão para a obra


usando bombas de elevada pressão. Esta técnica é comumente quando se
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trata de cobrir áreas amplas com espessuras bastante reduzidas. Conforma-
se com superfícies de muitos tipos e formas. Também é apropriada para
betonar locais apertados e que não permitem fácil execução do trabalho.

Figura 2.7: Projecção de betão para uma parede

O betão projectado é colocado e compactado em simultâneo, dada a


velocidade e força com que é lançado para as superfícies.

2.4.4.2 Colocação do betão sobre betão endurecido

Por vezes há necessidade de proceder à betonagem de peças sobre


superfícies antigas de betão. Nestas situações é preciso garantir uma
adequada aderência entre as duas superfícies ou a criação de uma junta. A
superfície deve estar nivelada, sem detritos, humedecida e rugosa.
Recomenda-se a aplicação de jactos de areia ou cortes na superfície antiga
por meio de escova de aço. Depois, deve-se colocar uma camada de
argamassa, 4 a 5 cm de espessura, para servir de almofada da nova
camada e evitar que os inertes assentem directamente sobre a rocha
anterior, criando assim poças de ar.

2.4.4.3 Compactação

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Logo que o betão esteja colocado na cofragem é preciso proceder-se à sua
compactação, operação que visa a remoção do ar que eventualmente se
encontra nos vazios da massa do betão. A operação de compactação deve
ser feita antes que o betão inicie a presa. Cerca de trinta minutos é o tempo
máximo estimado para o início da compactação. Uma grande porção de
vazios ou de ar no betão leva a uma redução significativa da resistência.
Estudos indicam que 5% de volume de vazios podem conduzir a redução da
resistência superior a 30%. Para além do aspecto da resistência, os vazios
acentuam a permeabilidade e entrada do ar no betão que pode promover o
ataque das armaduras. Todos estes aspectos levam à redução da
durabilidade do betão. Um betão bem compactado torna-se denso,
contribuindo para uma boa resistência e durabilidade.

Na colocação do betão em camadas, as camadas subsequentes são


colocadas após a compactação das anteriores. Ainda assim, o timing the
colocação das camadas superiores deve considerar a necessidade de uma
boa ligação entre as mesmas. Por esta razão, é importante que a colocação
da camada superior seja feita dentro do intervalo onde é ainda possível
vibrar a camada inferior, ou seja, antes da presa desta.

Figura 2.8: Vibração com vibrador portátil e fixo

Há várias técnicas de compactação e a escolha de um ou de outro depende


do caso concreto e de uma série de factores relativos aos aspectos
económicos e técnicos. Os dois métodos mais divulgados de compactação
são a vibração e o apiloamento. Na vibração mecânica procede-se à
transmissão de energia à massa do betão que por efeito do peso próprio vai
promover o rearranjo das particulas e expulsão do ar contido no interior.

A vibração é executada por vibradores com movimentos rotacionais


excêntricos em torno de um eixo e grande velocidade. Os vibradores podem
ser internos (imersão no betão), de superfície e externos (sobre os moldes).
Em termos de mecanismo podem ser electromagnéticos, motor de explosão
ou eléctricos e de baixa (para casos de inertes maiores) e de alta
frequência. Quando se usa o vibrador tem de se ter em conta que a sua
amplitude tem limites, não passando normalmente dos 50 a 60 cm. Um dos
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problemas associados ao uso de vibradores é a eficiência. Infelizmente, em
muitas situações os vibradores são mal utilizados, atingindo perdas de
eficiência enormes, mais de 50%. Isto acontece por falta de conhecimento
ou treinamento por parte dos operadores. Situações em que se deixa o
vibrador funcionar fora da massa do betão, colocação inadequada na área a
vibrar e vibração do betão depois de se alcançar o máximo de compactação
configuram perdas de eficiência. Para obviar este problema é preciso
preparar a vibração e dar instruções claras aos operadores.

O apiloamento faz-se com varas que são introduzidas no betão em golpes


sucessivos de cima para baixo a fim compactar a massa. Este método é
recomendável para betões com slumps de 4 até 15 cm, sendo que uma
compactação adequada é alcançada para camadas de até 20 cm.

2.4.4.4 Juntas

As juntas na constução destinam-se ao isolamento ou separação dos


elementos, corpos ou peças constituintes e são de três tipos,
nomeadamente as juntas para permitir a deformação, as juntas de
isolamento e as juntas de construção. As duas primeiras são permanentes e
a terceira é temporária. As juntas de deformação fazem com que os
movimentos de elementos de construção sejam possíveis sem causar
danos. São exemplos, as juntas entre dois pilares, lajes ou vigas que
permitem o seu movimento em virtude de variações térmicas para cima ou
para baixo. As juntas de isolamento servem para separar elementos da
construção. As juntas de betonagem criam condições para a continuação do
trabalho após uma interrupção.

Figura 2.9: Junta de dilatação em tabuleiro de ponte

A betonagem deve ser feita de maneira contínua do princípio ao fim. No


caso da betonagem em camadas ou secções, o tempo entre a betonagem
de uma e da camada/secção seguinte tem de ser o mínimo possível a fim de
evitar a criação de secções frágeis na peça. A presa da camada anterior
antes da colocação da seguinte cria zonas de fragilidade.

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Figura 2.10: Preparação de superfície para junta de betonagem

Infelizmente, isto nem sempre é possível. Quando por alguma razão a


betonagem de uma peça não pode ser concluida num dado período de
tempo, deve-se prever juntas de betonagem para permitir que a fase
seguinte da betonagem decorra sem prejuízo da integridade estrutural.

Figura 2.11: Diversos tipos de juntas de dilatação

A superfície do betão antigo deve ser rugosa o que se consegue esfregando-


se uma escova de aço, jacto de areia ou jacto de água (se o betão está
ainda novo) de tal maneira que o agregado graúdo fique aparente,
removendo-se a pasta e o agregado fino. É igualmente corrente a aplicação
de uma resina para aumentar a aderência entre o betão antigo e o novo.

2.4.4.5 Cura do betão

A cura do betão é o conjunto de medidas destinadas à sua protecção contra


uma evaporação rápida da água de amassadura fundamental na hidratação
do cimento, assim como fenómenos ou condições ambientais com potencial
para interferir negativamente na sua qualidade. A cura representa a criação
de condições para que a hidratação do cimento nos primeiros dias do betão

14 Betão Simples e Armado| Tecnologia da Construção DECI


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ocorra da melhor maneira. Dois aspectos salientes na cura são o controlo da
evaporação e da temperatura.

A pertinência de se evitar a perda precoce da água prende-se com a


garantia da presa, endurecimento e ganho gradual de resistência do betão
que apenas podem ocorrer mediante a quantidade certa de água, tal como
estimada no acto do estudo. Um betão com menor quantidade de água do
que a prevista pode sofrer de elevada retracção, índice de vazios
significativo, elevada permeabilidade, fissuração, reduzida resistência e
durabilidade. Por outras palavras, a qualidade do betão no geral é
largamente prejudicada.

Dentre as condições envolventes que podem prejudicar a qualidade do


betão destacam-se temperaturas muito elevadas ou muito baixas,
humidade muito elevada, impactos e dissecação. Em particular, a
evaporação rápida da água deriva da elevada velocidade do ar, baixa
humidade e temperatura do betão superior à do ar emvolvente.
Temperaturas muito baixas, por seu turno, afectam o processo de
hidratação do cimento, facto que torna o betão fraco em vários aspectos,
como a resistência e a durabilidade.

Existem várias técnicas para a cura do betão, sendo de salientar a rega das
superfícies do betão, pulverização das superfícies com água, cobertura com
membranas impermeáveis das superfícies betonadas (por exemplo
polietileno, papel), aplicação do cloreto de sódio para a retenção da água do
ambiente.

2.4.4.5.1 Cura por rega e contenção (inundação)

A cura por rega e contenção da água na superfície da área betonada é dos


métodos mais empregues. Presta-se melhor à grandes superfícies como
lajes térreas e pavimentos de estradas. Na sua versão rigorosa, consiste
basicamente na rega da superfície e colocação de barreiras no perímetro da
superfície para evitar o escape da água pelas laterais. A água é retida por
muito tempo ajudando na hidratação do cimento. A rega é feita com
regularidade, em muitos casos duas vezes por dia, consoante as condições
locais. A superfície a curar fica inundada durante 28 dias, período em que se
atinge a resistência máxima.

O comum, no entanto, é uma simples rega da superfície a curar sem


qualquer vedação dos contornos para formar pequenos lagos.

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Figura 2.12: Cura por rega da superfície do betão

Nalgumas circunstâncias onde é preciso acelerar a execução dos trabalhos,


é comum promover uma rápida hidratação do cimento recorrendo ao
aquecimento do betão. Uma das técnicas é o aquecimento da cofragem por
vapor de água a temperaturas a rondar os 55 graus. A este processo se
designa cura acelerada.

A cura por aspersão envolve o uso de jacto de água em intervalos mais ou


menos regulares de tal sorte que a superfície esteja sempre húmida. Pode
ser aplicada para superfícies horizontais quanto verticais. É um método que
exige grandes quantidades de água.

Figura 2.13: Cura por aspersão

2.4.4.5.2 Cura com membrana

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Uma membrana consituida por diversos materiais tais como emulsão
betuminosa, emulsão de cera, papel resistente à água, latex e plástico é
usada como barreira para impedir a evaporação da água do betão. É um
método demorado para a cura do betão. Este método justifica-se em
situações onde há escassez de água para efeitos de humedecimento do
betão.

Figura 2.14: Cura por deposição de membrana

Dependendo das condições prevalecentes de temperatura e humidade, a


cura natural pode ser razoavelmente suficiente. Isto corresponde a uma
situação em que o grau de evaporação da água é muito reduzido.

Figura 2.15: Cura por bloqueio com membrana

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De um modo geral, a cura deve durar cerca de sete dias. No entanto, as
normas específicas podem definir ou recomendar mais ou menos tempo em
função das condições concretas.

2.4.4.5.3 Cura com vapor de água

Projecta-se uma corrente de vapor de água por sobre os elementos a tratar,


usualmente peças fabricadas. O vapor tende a espalhar-se por todo o
elemento aquecendo as peças e promovendo um ganho rápido de
resistência. Há duas versões do método, designadamente a baixa e alta
pressão. No caso do vapor a baixa pressão, aplicação à pressão atmosférica,
consegue-se mobilizar cerca de 70% da resistência total em menos de um
dia.

2.5 Armadura no betão


A armadura é colocada no betão com a finalidade de se obter uma
combinação dos dois materiais capaz de absorver ás diversas cargas a que
uma peça pode estar sujeita de modo eficaz e económico. Cada um dos
materiais desempenha uma função particular. O betão é um material
bastante bom para resistir aos esforços de compressão mas fraquíssimo no
que diz respeito aos esforços de tracção. O aço comporta-se
excelentemente diante dos esforços de tracção. O alcance do máximo
partido dos dois materiais apenas é possível seguindo determinadas
disposições e regras construtivas derivadas de um longo historial de estudo
e experimentação. Parte das regras e disposições encontra-se
regulamentada em vários instrumentos disponíveis no mercado. Existe, por
exemplo o Regulamentos de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado
REBAP que fornece directrizes na maneira como a armadura deve ser
disposta em diferentes peças de betão, bem como define as características
de ela deve obedecer tanto no fabrico como no transporte, armazenamento
e manuseamento em obra.

2.5.1 Preparação e colocação da armadura

Antes de a armadura ser colocada nas formas é preciso assegurar que estas
últimas já foram devidamente verificadas e ajustadas. Nos casos em que há
lugar à lubrificação das formas esta deve ter lugar antes da colocação da
armadura, evitando-se sempre que o lubrificante molhe a armadura uma
vez que isso pode afectar a aderência. A armadura deve ser bem limpa,
removendo-se o pó, a ferrugem e outras impurezas que possam por cima
dela. A formação de uma película de corrosão é indesejável em virtude de
poder afectar negativamente a aderência entre a superfície e o betão. Por
outro lado, a corrosão tende a provocar uma redução da secção do ferro e
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com isso a sua capacidade resistente. Daqui resulta a pertinência de uma
gestão correcta do ferro antes da sua preparação e colocação nas peças de
betão armado.

Como forma de organizar o trabalho de assentamento em obra recomenda-


se a marcação da armadura em função do local, posição e peça onde vai ser
assente.

Figura 2.16: Armazenamento de varões de aço

Assim, na construção de um edifício haverá armadura para vigas, lajes,


sapatas, pilares e paredes em determinados pisos. A numeração em forma
de código ajuda imenso neste exercício. Pode-se ter, por exemplo, ferro com
o código 13456, indicando cada uma das variáveis mencionadas. Também
se indicam as quantidades e comprimentos de armadura de cada diâmetro.

2.5.2 Recobrimento

O recobrimento é o intervalo entre a a extremidade da secção do betão e a


posição dos varões do betão armado. A sua função principal é a protecção
da armadura contra os ataques dos agentes naturais e outros como a
humidade, ar, cloretos, água e dióxido de carbono que tendem a promover
a sua deterioração, bem como contra incêndios. O recobrimento permite
uma boa aderência entre o aço e o betão e por conseguinte um bom
desempenho ao aço sem risco de escorregamento. O recobrimento é
fundamental para a durabilidade das peças estruturais. A magnitude do
recobrimento é determinada em função do tipo de peça, tipo de betão,
esforços esperados, grau de exposição dos elementos de betão. Regra
geral, varia entre 2 e 5 cm e os regulamentos respectivos fixam os valores
para cada caso concreto. É preciso realçar que a pertinência de proteger a
armadura da deterioração não pode em nenhuma circunstância levar ao
exagero na magnitude do recobrimento porque tal introduz outros efeitos
negativos como a diminuição da secção útil e o desenvolvimento de fendas
mais alargadas no betão.

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Figura 2.17: Disposição da armadura na secção com os devidos
recobrimentos

2.5.3 Corte e dobragem

O corte e dobragem dos varões constituem das operações correntes na


preparação da armadura das peças de betão armado. O corte surge da
necessidade de cumprir determinadas medidas das peças, não sendo
sempre possível utilizar varões inteiros que aparecem com medidas padrão,
normalmente múltiplos de 6. A dobragem tem lugar nas extremidades dos
varões e destina-se a melhorar a aderência. A curvatura dos ganchos e as
suas dimensões são definidas por regulamento.

Figura 2.18: Forma de dobragem de varões

Ainda que em muitos estaleiros se empreguem processos rudimentares


para o corte e dobragem, existe actualmente equipamento mecanizado
para o efeito, permitindo o aumento significativo da produtividade. Há

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também empresas que prestam serviços de preparação da armadura para
as construtoras.

2.5.4 Empalme

O empalme é a sobreposição de dois ou mais varões nas suas extremidades


tendo em vista assegurar a transmissão plena dos esforços. O comprimento
de amarração de varões metálicos tem por objectivo assegurar a
transmissão de forças do varão para o betão através das forças de
aderência.

Figura 2.19: Empalme de varões de uma laje

2.5.5 Colocação do ferro

A colocação do ferro nas peças a betonar é feita de acordo com o estipulado


no projecto executivo, seguindo sempre as regras regulamentares, boas
práticas e regras de boa arte. No caso das lajes é preciso respeitar o
afastamento entre as armaduras, o recobrimento, os empalmes e o
andamento definido. Particular atenção vai para casos em que há armadura
negativa e positiva.

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Figura 2.20: Malhas de varões com espaçadores posicionados

O assentamento destas armaduras colocam por vezes desafios acrescidos


dada a sua densidade. A colocação e vibração do betão também carecem
de cuidados redobrados. As malhas das armaduras principal e secundária
são ligadas por meio de arame nos vários pontos de intersecção.

No tocante às vigas e pilares as disposições das armaduras e a forma das


cofragens é semelhante, devendo-se olhar atentamente aos recobrimentos
laterais para os pilares e lateriais/superiores e inferiores para as vigas. Os
estribos das vigas e pilares são também feitos tendo em conta o respeito
pelas disposições construtivas mencionadas.

2.5.6 Espaçadores

Os espaçadores são peças utilizadas para garantir a manutenção da posição


do ferro nas peças de betão, bem como o afastamento entre os diferentes
ferros integrantes das peças. Os espaçadores são feitos de diferentes
materiais, sendo na sua maioria de aço, plástico e betão. Os espaçadores
podem ser fabricados no estaleiro ou então adquiridos dado que existem
empresas que se dedicam a este serviço. Existem diversos tipos de
separadores e a sua escolha está em função do propósito pretendido.

Figura 2.21: Vários tipos de espaçadores de varões (treliça, pé de


galinha e rodelas)

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As pastilhas de betão de formato cúbico, por exemplo, são amplamente
utilizadas para marcar a posição do ferro inferior em lajes enquanto que as
treliças de aço prestam-se melhor para posicionar a armadura negativa nas
mesmas situações. Já os espaçadores de plástico em forma de pata de
galinha têm sido empregues para separar a malha inferior da mesa de
cofragem e as malhas inferior e superior. Quando se usam espaçadores de
em colunas ou vigas deve-se evitar que fiquem na mesma linha na secção
para não enfraquecer essas secções. O melhor é estar em planos alternados
de secções.

Os fixadores de betão ou argamassa precisam de ser atados com arame,


galvanizado é melhor, para evitar o seu deslocamento da posição desejada.

2.5.7 Acabamento

O apelo estético e funcional de um elemento ou peça de betão à vista leva


frequentemente à necessidade realizar um acabamento. Grande dos
acabamentos aplica-se às lajes de pavimento. Há várias formas de
acabamentos de betão em função da utilização. Por exemplo, há
pavimentos sujeitos à cargas elevadas, ao desgaste, anti-derrapantes, entre
outros Os acabamentos assumem uma importância acentuada em
pavimentos industriais, comerciais e recreativos. Neste campo podem-se
encontrar acabamentos lisos, texturados, coloridos, porosos, entre outros.
Os acabamentos são aplicados geralmente em lajes de betão usando
equipamentos adequados tais como reguas niveladoras e talochas. Por
vezes o nivelamento é feito com o objectivo de regularizar a superfície para
aplicação de um revestimento. Para o acabamento de grandes áreas
aplicam-se talochas manuais ou mecânicas que possuem produtividades
elevadas comparativamente às reguas.

Figura 2.22: Régua niveladora e talocha mecânica de acabamento


do betão

O acabamento é realizado após a evaporação da água de exsudação e


quando o betão tiver resistência suficiente para suportar a carga do

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equipamento e do pessoal uma vez que há movimentação sobre o
elemento.

2.6 Sumário
Este texto apresentou os métodos e técnicas de concepção, produção,
transporte e colocação do betão armado em obras de construção. Partiu-se
do princípio de que os utilizadores do material estão familiarizados com
grande parte dos conceitos através da disciplina de Materiais de
Construção. Nesta medida, excluíu-se a apresentação detalhada de todos os
assuntos, focando-se antes no essencial. A componente de preparação e
colocação da armadura e execução de juntas foram abordadas com alguma
profundidade. Foram igualmente apresentados aspectos construtivos de
detalhe que contribuem para o bom desempenho das peças de betão
armado na construção.

Exercícios

1.0Qual é a importância do betão simples e armado na construção de

edifícios nos dias de hoje?

2.0Porque razão é pertinente proceder-se ao estudo do betão antes da sua

confecção e que aspectos fundamentais estão envolvidos nesse

exercício?

3.0O que representa a tensão característica de um betão e como poder ser

avaliada?

4.0Quais são os aspectos condicionantes ao transporte do betão a grandes

distâncias e como este pode ser evitado?

5.0 Que importância tem a cura do betão colocado em obra?

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6.0Explique o processo de armação de uma laje de betão armado, incluindo

os cuidados a ter na emenda dos varões e na ligação entre estes e os

das vigas.

7.0Fale da construção das juntas de dilatação em pilares, vigas e lajes de

um edifício.

8.0Como se garante o recobrimento e espaçamento de projecto entre as

armaduras de uma laje?

9.0Quais são as formas de controlar a qualidade do betão fornecido por

camiões betoneira no estaleiro de construção?

Bibliografia e Referências

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Mcgrawhill, 1956

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Blackie A & Professional, 1992. P. 70-75

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Winter, G; Nilson, A H Design of Concrete Structures, McgrawHill, 1991.

VASCONCELOS, A. C. (1992). O concreto no Brasil: recordes, realizações,


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