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Reflexão sobre Estudos Históricos e Interdisciplinaridade

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UNIVERSIDADE FEDERAL SANTA CATARINA | UFSC

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS | CFH


Departamento de História
Disciplina: Introdução aos Estudos Históricos
Semestre: 1
Professor: Henrique Espada Rodrigues Lima Filho
Aluno: Wesley Matheus de Andrade

Reflexão sobre a Interação de introdução aos


estudos históricos com as outras matérias
ministradas no primeiro semestre
Introdução

A disciplina de Introdução aos Estudos Históricos proporcionou uma reflexão


fundamental sobre os aspectos teóricos, metodológicos e práticos da escrita
histórica abordando a complexa relação entre o historiador, as fontes e as
narrativas históricas.
Durante o semestre, foi possível perceber como essas questões se inter
relacionam com outras disciplinas do curso, ampliando a compreensão dos
desafios envolvidos na prática histórica, especialmente no que diz respeito à
análise crítica de fontes e à construção das narrativas históricas.

Teoria Histórica e Metodologia

Uma das discussões centrais da disciplina foi sobre as diferentes abordagens


teóricas da História e suas implicações metodológicas. O estudo das
contribuições de autores como ´´ Marc Bloch ´´, ´´Lilia Moritz Schwarcz´´ e
´´Giovanni Levi´´´ajudam a compreender a importância de se considerar não
apenas os acontecimentos históricos, mas também as estruturas subjacentes,
como as relações sociais, econômicas e culturais. A partir das leituras como:
´´Apologia da História´´ Bloch, ´´Tempo, historicidade e história ou a falta dela´´,
Lilia Moritz Schwarcz, e “Os perigos do geertzismo” de LEVI, Giovanni.
Destacam a necessidade de uma abordagem multidimensional da História, que
conjuga tanto o estudo das grandes estruturas, quanto a análise dos eventos e
das individualidades.

Um exemplo desse estudo de individualidades é no artigo de ´´Giovanni Levi´´


“Os perigos do geertzismo” onde ele propõe uma micro-história que utiliza o
detalhamento local não como um fim em si mesmo, mas como uma lente para
entender interações mais amplas. Ele valoriza a agência dos indivíduos e as
especificidades culturais, mas sempre conectando esses elementos a
processos históricos estruturantes. Diferentemente de Geertz que tentou
transformar sua metodologia em um modelo fechado e desconectado da
complexidade histórica.
a micro história de ´´Giovanni Levi´´ e seu pensamento no artigo “Os perigos do
geertzismo” pode se relacionar com algumas questões da matéria de oriente
antigo, como o Código de Hamurabi, que como um todo (macro-história) não se
encaixaria no estudo porém se for investigados as leis ou casos específicos
descritos nas leis, como disputas de propriedade ou contratos matrimoniais
para compreender a aplicação prática da lei ou as tensões sociais da época é
perceptível conhecer fatos importantes e estruturais.
Um exemplo de abordagem multidimensional da história e o significado dela
está em ´´tempo, historicidade e história ou a falta dela" de ´´ Lilia Moritz
Schwarcz´´ Onde ela discute as diversas concepções de história presentes em
diferentes sociedades, incluindo formas circulares, evolutivas, progressivas e
cronológicas. Interseccionando esse texto a matéria de Arqueologia e
Povoamento Global onde foi lido diferentes textos que se relacionam com o
dela como ´´Tempo, Tempo, Tempo.´´ de ´´Munduruku, Daniel´´ onde ele
mostra uma noção de história do povo Munduruku cíclica e fluida, diferente da
ocidental de costume.

A "Apologia da História´´ de ´´Bloch March´´ é um texto fundamental para


compreender o papel do historiador e a metodologia histórica, além de ser uma
reflexão filosófica sobre a história e seu significado, nesse livro ´´Bloch, March´´
apresenta o homem em sua dimensão temporal. Para ele, o historiador deve
investigar as relações entre passado e presente, mostrando que o passado só
faz sentido à luz das perguntas do presente, ele também defende que a história
deve dialogar com outras ciências, como a antropologia, a sociologia e a
geografia, para entender a complexidade das ações humanas.
podendo ser relacionada a matéria de história da arte, principalmente com essa
interdisciplinaridade como por exemplo as catedrais góticas que expõe as
dinâmicas culturais, religiosas, econômicas e políticas da sociedade medieval,
podendo se relacionar com história social demonstrando como a partir dessa
construção temos união de disciplinas para entender-la

A História como Construção

A ideia de História como Construção envolve a compreensão de que a história


não é apenas um conjunto de fatos objetivos e imutáveis, mas uma narrativa
que é constantemente moldada pela interpretação, pelos contextos e pelos
objetivos dos historiadores, dos agentes sociais e dos grupos que a produzem.
Em outras palavras, a história é uma construção social e intelectual que está
sujeita a diversas influências culturais, ideológicas e metodológicas. A história
é, em sua essência, uma interpretação dos eventos do passado e não um
simples relato factual. A seleção dos eventos, das fontes e os enfoques
adotados pelos historiadores fazem com que a narrativa histórica seja moldada
de acordo com escolhas específicas. O que é considerado "história" depende
de uma série de decisões sobre o que deve ser lembrado e o que deve ser
esquecido, e isso se torna evidente quando analisamos eventos históricos sob
diferentes perspectivas e épocas. Por exemplo, a Revolução Francesa pode
ser contada de diferentes maneiras, dependendo de quem a conta e de quando
isso ocorre, seja no século XIX, durante os acontecimentos, ou no século XX,
com novas abordagens teóricas que influenciam a interpretação dos fatos.

Além disso, a história é frequentemente influenciada por ideologias e interesses


políticos, sendo usada como uma ferramenta para legitimar certos regimes,
ideologias ou narrativas nacionais. Governos e movimentos políticos muitas
vezes moldam a história de maneira que favoreça suas visões de mundo,
construindo uma ´´história nacional´´ que cria um senso de identidade e coesão
social. A história também pode servir como forma de controle, em que certas
vozes ou grupos são marginalizados, apagando ou distorcendo suas
experiências. Isso pode ser visto em narrativas históricas dominadas por elites
políticas, econômicas ou culturais, que buscam construir um passado que
justifique sua posição de poder, enquanto excluem os relatos de camponeses,
mulheres, indígenas ou outros grupos oprimidos.

A construção da história também está intimamente ligada à memória coletiva,


onde diferentes grupos sociais, culturais ou étnicos podem ter narrativas
divergentes sobre os mesmos eventos históricos. A história, portanto, não é
apenas um conjunto de fatos passados, mas um campo dinâmico de disputa de
memórias, onde as escolhas sobre o que será lembrado e o que será
esquecido são feitas constantemente. Essa ideia é exemplificada pela tensão
entre a história acadêmica, baseada em métodos rigorosos e fontes primárias,
e a história pública ou popular, que pode ser mais influenciada por mitos,
emoções e ideologias de grandes grupos sociais. Assim, a história não é
neutra, mas é sempre uma construção interpretativa, moldada por quem a
escreve e o contexto no qual se encontra.

Em relação aos métodos, a história como construção também implica que o


historiador não é apenas um observador passivo, mas um mediador ativo que
interpreta, organiza e dá sentido aos dados históricos. O trabalho do historiador
envolve escolhas, julgamentos e interpretações que moldam a narrativa final, e
isso é evidenciado pelas múltiplas maneiras como os mesmos eventos podem
ser descritos de acordo com a perspectiva do historiador. Nesse sentido, a
história nunca está "pronta" e sempre está em processo de construção. Novas
fontes e novas perspectivas podem alterar nossa compreensão do passado,
fazendo com que a história seja uma disciplina dinâmica, que se adapta
constantemente à medida que novas questões surgem. Reconhecer que a
história é uma construção nos permite questionar as narrativas dominantes
sobre o passado e refletir sobre como essas narrativas moldam nossa
compreensão do presente. A forma como construímos nossa história afeta
diretamente a identidade coletiva e a maneira como lidamos com os desafios
sociais, políticos e culturais contemporâneos. Portanto, ao compreender a
história como uma construção, somos levados a buscar uma história mais
inclusiva, que incorpore as diversas vozes dos marginalizados, como mulheres,
povos indígenas e outras minorias, para que possamos ter uma visão mais rica
e plural do passado. Essa abordagem não só amplia nosso entendimento da
história, mas também desafia as narrativas simplificadas e monolíticas,
reconhecendo a complexidade das experiências humanas ao longo do tempo.

Análise Crítica de Fontes


A análise crítica de fontes é uma prática fundamental na pesquisa histórica,
que visa avaliar a confiabilidade, a relevância e a interpretação das fontes
disponíveis para construir uma narrativa precisa e reflexiva sobre o passado.
Essa abordagem envolve uma série de passos e considerações que permitem
ao historiador entender não apenas o conteúdo da fonte, mas também o
contexto em que ela foi produzida, quem a produziu, por que foi produzida e
como ela pode ser utilizada para compreender o evento ou fenômeno histórico
em questão. Em outras palavras, a análise crítica não é simplesmente a leitura
da fonte, mas um processo de questionamento e avaliação de sua validade e
utilidade.

Aspecto importante da análise crítica de fontes é a autenticidade e a


confiabilidade da fonte. Isso envolve verificar se a fonte é genuína ou se foi
alterada, forjada ou manipulada. Documentos históricos, por exemplo, podem
ser falsificados ou adaptados para atender aos interesses de quem os
produziu. A crítica externa e interna são ferramentas comuns para avaliar a
autenticidade de uma fonte. A crítica externa analisa o formato da fonte, sua
data, autoria e outras características físicas, enquanto a crítica interna avalia o
conteúdo da fonte, considerando a linguagem usada, as contradições internas
e as inconsistências.

Além disso, a utilização das fontes envolve entender como elas podem ser
combinadas com outras fontes para formar uma compreensão mais completa
do evento ou fenômeno histórico. Uma única fonte raramente oferece uma
visão plena de um acontecimento, e, portanto, é fundamental colocar diferentes
fontes em diálogo. Isso permite confrontar pontos de vista diversos e
reconhecer os diferentes ângulos de uma história. Ao comparar diferentes
fontes sobre o mesmo tema, o historiador pode identificar as nuances e as
múltiplas versões de um evento ou situação.

A interpretação da fonte também desempenha um papel crucial. A análise


crítica não se limita a simplesmente extrair informações, mas envolve
compreender as implicações do que está sendo dito. Por exemplo, ao analisar
um texto escrito por um filósofo medieval, é necessário considerar não apenas
suas palavras, mas também o que essas palavras dizem sobre sua visão de
mundo, suas influências intelectuais e as condições sociais de seu tempo. A
análise crítica também envolve refletir sobre como a fonte pode ser lida de
maneiras diferentes dependendo da perspectiva adotada, seja ela política,
cultural ou ideológica.

Além disso, a historiografia desempenha um papel fundamental na análise


crítica de fontes. A historiografia refere-se ao estudo das diferentes
interpretações da história feitas ao longo do tempo. Entender as interpretações
anteriores e como elas evoluíram ao longo dos anos permite ao historiador
situar sua análise dentro de um debate mais amplo e identificar possíveis
lacunas ou distorções na narrativa histórica. Isso também pode ajudar a
compreender como diferentes períodos históricos e correntes de pensamento
influenciaram a forma como os eventos foram registrados e lembrados.

Em resumo, a análise crítica de fontes é um processo meticuloso que envolve a


avaliação de quem produziu a fonte, em que contexto ela foi criada, qual sua
autenticidade e confiabilidade, como ela se encaixa em uma narrativa mais
ampla e como ela pode ser utilizada para construir uma história mais precisa e
rica. Ao adotar uma abordagem crítica, o historiador não apenas examina os
fatos do passado, mas também as forças que moldaram como esses fatos
foram registrados e interpretados, garantindo uma compreensão mais profunda
e mais matizada do passado.

Relação com Outras Disciplinas

A Introdução aos Estudos Históricos prepara os estudantes e pesquisadores


para lidar com essas diferentes disciplinas de forma integrada. A história da
arte oferece uma perspectiva sobre como os aspectos visuais e estéticos
refletem as dinâmicas sociais e políticas, enquanto a história antiga, tanto do
Oriente quanto do Ocidente, fornece um panorama das grandes civilizações e
seus legados. Já a arqueologia oferece uma maneira de ir além das fontes
escritas, revelando aspectos materiais da vida humana.
Essas disciplinas não são isoladas, mas se complementam. Por exemplo, um
estudo sobre as pirâmides do Egito pode ser enriquecido com fontes
arqueológicas que revelam como eram construídas, com análises históricas
que explicam seu significado cultural e político, e com uma perspectiva da
história da arte que examina a arte fatura esculpida nas paredes das pirâmides,
como as representações de deuses e faraós. Dessa forma, ao integrar as
abordagens de diferentes disciplinas, os estudiosos podem formar uma
compreensão mais rica e detalhada do passado.
Portanto, a História da Arte, a História Antiga Oriental e Ocidental e a
Arqueologia estão todas interligadas nos Estudos Históricos, com cada uma
oferecendo diferentes ferramentas e perspectivas para a construção de uma
narrativa mais completa e complexa sobre as civilizações do passado. A
interdisciplinaridade entre essas áreas é essencial para um entendimento mais
profundo e abrangente da história humana.

Conclusão
A disciplina de Introdução aos Estudos Históricos desempenha um papel
fundamental na formação do historiador e na compreensão crítica do passado.
Ao abordar os métodos e as técnicas de pesquisa, a análise de fontes e a
interpretação histórica, essa disciplina fornece a base necessária para a
construção de narrativas históricas rigorosas e reflexivas. Mais do que
simplesmente transmitir um conhecimento factual sobre o passado, ela ensina
o estudante a questionar, contextualizar e avaliar as fontes históricas de forma
crítica, permitindo uma análise mais profunda e precisa dos eventos e
fenômenos históricos.
Além disso, a Introdução aos Estudos Históricos é essencial para o
desenvolvimento de habilidades analíticas e interpretativas que são aplicáveis
não apenas ao estudo da história, mas também a diversas outras áreas do
conhecimento. O aprendizado de como construir argumentações históricas e
como situar um evento ou processo dentro de um contexto mais amplo são
competências que transcendem o campo da história, sendo úteis em campos
como direito, ciência política, sociologia e outras ciências sociais.
O proporcionar uma compreensão da história não como uma simples lista de
fatos, mas como um campo de investigação interpretativa e em constante
diálogo com o presente, a disciplina ajuda a formar cidadãos mais críticos e
informados. Compreender o passado de maneira crítica é essencial para
entender as dinâmicas do presente, especialmente em um mundo globalizado
e marcado por disputas ideológicas e políticas sobre como a história deve ser
lembrada. Nesse sentido, a Introdução aos Estudos Históricos contribui
diretamente para a construção de uma sociedade mais reflexiva, que
reconhece a complexidade e a pluralidade das experiências humanas ao longo
do tempo.
Referência
- BLOCH, Marc. *Apologia da História ou o Ofício de Historiador*
- Lilia M. Schwartz, “Tempo, historicidade e história ou a falta dela”
- LEVI, Giovanni, “Os perigos do geertzismo”,
- Munduruku, Daniel." Tempo, Tempo, Tempo.´´

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