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Apostila Imunologia

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Bruno Braga
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Propriedades gerais da imunologia

Células e tecidos
Inflamação
Apresentação de antígenos
Receptores de célula B e T
Resposta imune mediada por células
Resposta imune humoral
Sistema complemento
Tolerância imunológica
Autoimunidade
Resposta imune a patógenos
Reações de hipersensibilidade
Imunidade contra tumores
Imunidade contra transplantes
Imunoprofilaxia
Imunodeficiência congênita e adquirida
SUMÁRIO
Propriedades gerais da imunologia .................................................................................................................................1
Células e tecidos ...........................................................................................................................................................2
Inflamação ....................................................................................................................................................................3
Apresentação de antígenos ..........................................................................................................................................4
Receptores de célula B e T ...........................................................................................................................................6
Resposta imune mediada por células .............................................................................................................................8
Resposta imune humoral ..............................................................................................................................................13
Sistema complemento ..................................................................................................................................................19
Tolerância imunológica .................................................................................................................................................23
Autoimunidade .............................................................................................................................................................25
Resposta imune a patógenos .......................................................................................................................................27
Reações de hipersensibilidade .....................................................................................................................................30
Imunidade contra tumores ..........................................................................................................................................34
Imunidade contra transplantes ....................................................................................................................................37
Imunoprofilaxia ............................................................................................................................................................40
Imunodeficiência congênita e adquirida ........................................................................................................................44
Imunologia
✓ Imunidade Ativa: Induzida pela exposição ao
antígeno, o indivíduo tem papel ativo na
O Sistema imunológico é um conjunto de resposta.
células, tecidos e moléculas responsáveis pela -Especificidade
defesa do organismo contra a ação de agentes
patogênicos. -Memória
A resposta imunológica é a ação -Vacina
coordenada pelo conjunto (células, tecidos e
moléculas), sendo o mecanismo contra infecções.
✓ Imunidade Passiva: É conferida pela
transferência de anticorpos de um indivíduo
imunizado.
É a primeira imunidade contra infecções
natural do nosso corpo, já nascemos com ela e -Especificidade
começa a agir de 0 à 12 horas. -Soro
✓ Barreiras epiteliais, células especializadas
em fagocitose e antibióticas naturais do
corpo.

A imunidade adquirida ou adaptativa é


específica e de memória. Ela é ativada
posteriormente quando ocorrer algum processo
inflamatório ou infeccioso. Os linfócitos T e B
começam a atuar de 2 à 4 dias.
✓ Imunidade Humoral:A resposta imunológica
é realizada por anticorpos, destruindo os Um indivíduo foi infectado com
antígenos extracelulares (Linfócito B que um antígeno X, então começa a se
secreta o anticorpo). desenvolver uma resposta contra esse
✓ Imunidade Celular: Tem como função eliminar agente patogênico. Quando cai a
os antígenos intracelulares ativando concentração desse agente, começa a
macrófagos ou provocando apoptose criação de células de memória, por isso
(Linfócito T). que na segunda exposição ao antígeno, a
resposta anti-X secundária é mais
intensa.

1
Órgãos do sistema imune Progenitor mielóide
Órgãos geradores: são responsáveis pela produção Participam do sistema imune inato e adaptativo.
e maturação dos leucócitos.
✓ Basófilo e Mastócito: respostas a processos
✓ Medula óssea: produção de todas as células do
alérgicos,
sistema imune.
✓ Timo: responsável pela maturação dos linfócitos T, ✓ Eosinófilo: combate contra infecções parasitárias;
pois as células-tronco são desprovidas de
✓ Neutrófilo e Monócito: células fagocitárias que
receptores de antígenos e também das proteínas
CD3, CD4 e CD8 em sua superfície. produzem substâncias pró-inflamatórias;
Na síndrome de DiGeorge, os indivíduos exibem profunda ✓ Macrófago: é a forma ativa do monócito e faz
imunodeficiência e apresentam múltiplas infecções, pois
são desprovidos de timo. fagocitose e apresentação de antígenos.

Progenitor linfóide
Órgãos periféricos: responsáveis por desencadear a
resposta imunológica adquirida. Os linfócitos participam da resposta imune
adaptativa.
✓ Linfócitos B: quando ativados por antígeno,
proliferam e se diferenciam em plasmócitos, que são
as células produtoras de anticorpos.
✓ Linfócito T auxiliares CD4: funções regulatórias que
produzem interleucinas responsáveis por auxiliar as
células B na produção de anticorpos.
✓ Linfócito T citotóxico CD8: funções efetoras que
matam as células infectadas.
No desenvolvimento embrionário, os precursores das
células sanguíneas originam-se no fígado e no saco vitelino. ✓ Linfócito T regulador: eles ajudam a controlar a
Após o nascimento, as células-tronco localizam-se na medula tolerância imunológica do nosso organismo, ou seja,
óssea.
quando eles reconhecem moléculas próprias, não
podem desencadear uma resposta imune.

-São um subtipo de linfócitos T CD4+

✓ Células NK: responsáveis por combater as células


tumorais e infectadas por vírus.

Células apresentadores de antígenos


Capturam antígenos e apresentam aos linfócitos.
✓ Célula dendrítica e macrófagos;
✓ Célula dendrítica folicular: apresenta antígenos aos
linfócitos B.
2
Inflamação
A inflamação é um processo de quimiotaxia, ou seja, ✓ As células endoteliais expressam moléculas de
migração de células do sangue e extravasamento de líquido adesão (selectina e integrina);
para o local da lesão, com finalidade de eliminar o antígeno. ✓ Com o encontro das moléculas de adesão e dos
Aumento da receptores, os neutrófilos saem da corrente
Edema permeabilidade e sanguínea e entra no tecido lesado (diapedese);
migração de células ✓ Após algumas horas, muitas células do sistema
Dor Compressão de imune chegam ao local da inflamação;
terminações nervosas ✓ As células começam a realizar a fagocitose dos
Sinais Rubor patógenos.;
✓ Quando o processo está resolvido, os neutrófilos
Vasodilatação
sofrem apoptose e os macrófagos reconhecem
Calor isso;
Perda de ✓ Os macrófagos se diferenciam em M2 e
função Edema + Dor produzem citocinas que diminuem as respostas
inflamatórias e induzem fatores que vão
As células do sistema imune inato reconhecem os recuperar o tecido lesado.
antígenos por meio de PAMPs (padrões moleculares
associados a patógenos) e DAMPs (padrões moléculas
associados a danos teciduais).
Esse reconhecimento acontece por meio
dos PRR (Receptores de Reconhecimento de Padrões) que
são moléculas presentes na superfície de fagócitos.

Efeitos das citocinas na inflamação

✓ TLR: semelhantes a Toll


✓ NLR: NOD
✓ RLR: RIG
Os macrófagos serão ativados a partir do
reconhecimento de partículas estranhas. Eles secretam
mediadores químicos (prostaglandinas, leucotrienos, citocinas
e quimiocinas) que vão ocasionar todas as modificações
teciduais;
✓ Os mastócitos vão migrar para o local e liberar Com o aumento de citocinas elas caem na corrente
histamina, que provoca a vasodilatação; sanguínea e atingem o hipotálamo, com isso ocorre a febre,
no qual é um aumento de temperatura como uma tentativa
de matar os microrganismos.
3
Apresentação de antígenos
Células apresentadoras de antígenos - APCs: MHC - complexo principal de histocompatibilidade
✓ Células dendríticas são mais eficazes para ativação de É um conjunto de genes responsáveis pela tradução de um
células T imaturas; grupo de proteínas que tem como grande função capturar
✓ Macrófagos; e apresentar antígenos para linfócitos T.
✓ Linfócitos B. ✓ As moléculas são polimórficas (capacidade de
assumir formas diferentes e isso acaba dificultando
os transplantes);
✓ Só se ligam a antígenos proteicos;
✓ O tempo todo as células apresentam os nossos
antígenos próprios.

Todas as
células

Também existem moléculas co-estimuladoras que


estão ligadas as membranas das APCs que vão auxiliar na
ativação das células T, pois somente o processo de
apresentação não basta.

✓ As células dendríticas possuem PRR, que são utilizados


para capturar e endocitar microrganismos ou
produtos microbianos; Células
✓ Por meio de atração por quimiocinas, as APCs são APCs
atraídas até os linfonodos;
✓ Durante a viagem, a APC vai processando as
proteínas do antígeno em peptídeos capazes de se
ligar a moléculas do MHC;
✓ O linfócito T reconhece o antígeno por meio do
receptor TCR.

4
✓ Não existe CLIP pois tem proteínas na membrana do
Vias de apresentação retículo (TAP) que estão bombeando proteínas do
citoplasma para dentro do retículo;
✓ Quando o peptídeo chega no reticulo ele se liga no
MHC;
✓ O MHC é transportado para o complexo de Golgi e lá
é empacotado em uma vesícula exocítica;
✓ O MHC se dirige até a membrana e assim ele pode
realizar sua função.

✓ Se o macrófago estiver apresentando para o CD4: o


linfócito T produz citocinas que vão agir sobre o
macrófago capacitando-o a destruir o antígeno.
✓ Um antígeno está sendo fagocitado e o fagossomo se
liga ao lisossomo, então ocorre a degradação do ✓ Se o linfócito B estiver apresentando para o CD4:
antígeno; produção de citocinas que agem sobre o linfócito B
✓ Ao mesmo tempo, no reticulo endoplasmático rugoso, que capacitam ele a produzir mais anticorpos e
ocorre a produção das cadeias do MHC; provocar a mudança de classe nos linfócitos que
✓ Como dentro do reticulo não há antígeno, existe a estão sendo produzidos.
formação de uma cadeia com uma ponta (CLIP) que se
liga na fenda do MHC estabilizando-o no momento; ✓ Se a apresentação for para o CD8: o linfócito
✓ O MHC é enviado para o complexo de Golgi e citotóxico induz a apoptose da célula.
empacotado em uma vesícula;
✓ Essa vesícula se funde com a vesícula que contém o
antígeno, então o CLIP sai e é substituído pelo antígeno;
✓ Dentro dessa vesícula tem uma estrutura (HLA-DM)
que catalisa a saída do CLIP, para que possa ocorrer a
ligação do antígeno no local;
✓ O MHC se dirige até a membrana e assim ele pode
realizar sua função.

Apresentação cruzada
Algumas células dendríticas possuem a
capacidade de captar e endocitar células infectadas
por vírus ou células tumorais e apresentar os
antígenos virais ou tumorais aos linfócitos T CD8+
virgens.
✓ O vírus que está no citoplasma utiliza o ribossomo da Nesta via, os antígenos endocitados são
célula para produzir proteínas virais; transportados das vesículas para o citosol, onde os peptídios
✓ A célula tem uma estrutura chamada Ubiquitina que entram na via da classe I.
marca aleatoriamente proteínas que devem ser
Ao mesmo tempo, as células dendríticas são
degradadas; capazes de apresentar os peptídios associados ao MHC da
✓ Se a proteína for ubiquitinada, ela é quebrada pelo classe II gerados em vesículas para as células T auxiliares
proteassoma; CD4+

5
Receptores de Célula B
✓ Os receptores são imunoglobulinas de duas cadeias
Tipos de Imunoglobulinas
polipeptídicas pesadas e duas leves, que têm
Classe Estrutura Ocorrência
capacidade de ligar dois antígenos com mesma É a principal
especificidade. imunoglobulina da
imunidade adquirida
✓ Regiões denominadas domínios constantes e variáveis: IgG e pode atravessar
Monomérica
✓ Domínio variável – Fab: liga-se ao antígeno e confere a placenta.
Processos alérgicos
especificidade. e parasitários
✓ Domínio constante – Fc: ligar-se a outros (reação de
IgE hipersensibilidade
Monomérica
componentes do sistema imunológico e confere tipo I).
capacidade de transferência placentária. Mucosas do trato
gastrointestinal,
✓ A região Fc também é responsável pela classificação respiratório e
das imunoglobulinas. urogenital. Também
IgA Monomérica e é encontrada na
dimérica saliva, lágrimas e
leite.
Pode ser BCR ou
secretada no soro
no início da
IgM resposta imune
adquirida.
Pentamérica
Imunoglobulina de
IgD membrana – BCR.

Monomérica

Formas ✓ A IgG consegue atravessar a barreira placentária


✓ Ligadas à membrana: BCR – Receptor da célula B devido a uma sequência de aminoácidos que existe na
madura região Fc.
- IgM e IgD
✓ Para cada antígeno, existe clones de linfócitos B que
são específicos.
✓ Para a síntese de imunoglobulinas ocorre a
✓ Secretadas: mediadores da imunidade humoral recombinação dos genes do DNA de forma aleatória
que deve passar pelo processo de maturação.

6
Receptores de Célula T
✓ TCR: reconhecimento do antígeno na fenda do MHC. ✓ CD2 e CD28: gerar mais sinal de ativação.
✓ CD4: reconhece o MHC de classe II
✓ Ao contrário dos linfócitos B que ocorre a secreção
✓ CD8: reconhece o MHC de classe I
de imunoglobulinas, o linfócito T não secreta TCR. ✓ Integrinas: moléculas de adesão entre o linfócito T e
✓ Ele NECESSITA de apresentação de antígenos. a APC.

✓ Duas cadeias, sendo uma beta e uma alfa.


✓ Domínio: quando a molécula se dobra.
✓ O domínio variável reconhece os antígenos e o MHC e
confere variabilidade e especificidade para os
linfócitos T.

✓ CD3: todo linfócito possui e é responsável por


transduzir o sinal → não se liga de modo nenhum no
antígeno.
✓ Ao reconhecer o antígeno, o TCR sofre uma alteração
das estruturas terciárias e quartenárias que reflete
nas moléculas CD3.

7
T
A ativação dos linfócitos T acontece nos órgãos
linfoides secundários, como o linfonodo. Para a ativação de
um linfócito T são necessários dois sinais:

✓ apresentação do antígeno via MHC por uma


célula apresentadora (célula dendrítica por
exemplo).

T CD4 virgem conecta-se a MHC classe II e T CD8 virgem


a MHC classe I.
✓ é preciso de um co-estimulador (B7 –
CD28) para a transdução do sinal e ativação da
expansão clonal.
Também existem moléculas de adesão que auxiliam
✓ Primeiro as APCs apresentam o antígeno via MHC
nesse processo promovendo uma interação maior entre o
de classe I, as moléculas co-estimuladoras também
linfócito e a célula apresentadora.
auxiliam nesse processo aumentando a interação.
CD40 se liga no CD40-L que está no linfócito, isso As citocinas liberadas pelas células dendríticas que
gera um sinal para a APC para que ela produza mais estão vindo da imunidade inata direcionam o tipo de
coestimulador, MHC e citocinas para ativar mais linfócitos T. célula e intensificam a sua ação.
✓ Por meio da apresentação cruzada o TCD4
consegue potencializar a ativação do CD8, por
A partir desses dois sinais, uma citocina (IL-2) é
liberação de citocinas.
secretada e isso promove a expansão clonal das células T e
suas respectivas diferenciações. Principalmente com o
TCD4 acontece um feedback positivo estimulando cada vez
mais a exposição de receptores e sinalizações para a
expansão clonal. Agora esses linfócitos podem migrar para
o local da infecção e ativar macrófagos ou linfócitos B.

8
✓ A APC conectada ao TCD4 por meio do MHC de
classe II e por CD40 – CD40-L promove um
estímulo e aumenta o tempo de vida das APCs. Com
isso elas vão ficar no linfonodo por mais tempo
ativando outras células.

Após o acoplamento específico (MHC com TCR, B7


com CD28 e CD40 com CD40L) o CD3 e a cadeia longa se
agrupam no TCR, mudam sua conformação e expõe o sítio
de ligação de tirosinas.

Essas tirosinas quando giram liberam fosfato, com


isso os sítios de ligação de fosfato são expostos para a
enzima ZAP70, essa enzima tira o fosfato da cadeia e
Antes da transdução acontecer, os sinais são coloca em outras proteínas que vão transduzir esse sinal e
liberados de pouco em pouco (em cascata), por cada gerar os fatores de transcrição génica.
conector e receptor.

✓ Primeiramente, há interação da célula dendrítica


via MHC apresentando para o TCR da célula T.
✓ No primeiro momento, não tem a ligação de
B7/CD28 e CD40/CD40-L, por isso não há
transdução de sinal.
✓ Há uma liberação intracelular para o linfócito T, o
qual vai expor e abrir os seus canais de CD40-L.
✓ O CD40-L vai se ligar ao CD40 e enviar uma
interação ao núcleo da célula dendrítica, a qual
passa a expressar B7-1 (ativação) que se liga ao
CD28.
✓ As citocinas liberadas aumentam a sinalização, a
produção de algumas funções
proliferação e diferenciação das células T. À
para sobrevivência da célula, produção de citocinas para
medida que as informações intracelulares são
proliferação celular e mecanismos de diferenciação para
enviadas para o linfócito T, os receptores de
células efetoras e de memória.
citocinas são expressos.
✓ Se não tem CD40, não há continuidade do sinal e via PKC, via canais de cálcio
B7 não é ativado, não havendo conexão. e vias MAP-quinases.

Todas essas transduções de sinais promovem uma


modificação intracelular para favorecer a transcrição do

9
gene ou estimulá-lo a produzir a função efetora que, nesse
caso, o essencial é IL-2 e seus receptores, porque é
necessário sinalizar para a célula que ela precisa se
multiplicar e sem a IL-2 ela não faz a expansão clonal.

O CTLA-4 é uma molécula inibitória que diminui a


resposta por meio de um sinal negativo. Ele se liga no B7 e
impede a ligação com o CD28, não tendo o sinal
coestimulador para ativar o linfócito.

Essa ligação gera um sinal de bloqueio da ativação,


ou seja, mesmo que exista a ligação de outra molécula B7
com o CD28 não vai ocorrer a ativação.

✓ possui função de morte celular por apoptose


de células infectadas por vírus e algumas bactérias
intracelulares.

A ativação acontece inclusive pela resposta imune


inata devido a liberação das citocinas, informando que é um
patógeno viral.

A lise celular pode acontecer por duas formas:

✓ Chegando no local que tem as células infectadas,


O CTLA-4 modifica o complexo do TCR, fazendo acontece o reconhecimento antigênico com
uma ligação da ubiquitina e da ZAP70, com isso forma uma estimulação das moléculas correceptoras e auxílio
vesícula e degrada o complexo do receptor TCR. Com a das moléculas de adesão (ICAM-1 / LFA-1). Isso
ausência do TCR, não há ligação do complexo MHC e não promove a ativação dos linfócitos TCD8 efetores
ocorre a transdução do sinal. e induz a liberação de grânulos que contêm
granzimas, perforinas e serglicinas para invadir e
O declínio da resposta é necessário, pois se caso a
destruir a célula alvo.
resposta efetora permanecer aumentada, isso pode causar
doenças autoimunes.

10
✓ A apoptose também pode ocorrer por meio da atacam até mesmo as nossas células, gerando uma
sinalização de receptores (Fas – FasL). resposta inflamatória.

Ativação de
macrófagos
Pró-
inflamatório
Th1
Patógenos
intracelulares

INF- γ

As principais citocinas que induzem a diferenciação


em Th1 é a IL-12 (secretada pela célula dendrítica) e o IFN-
γ (secretado pela NK e pela célula T auxiliar).
A diferenciação acontece por meio das citocinas
que são liberadas pelos linfócitos T auxiliares e pela resposta A produção de IL-12 pela célula dendrítica se dá
imune inata. Essas citocinas dependem diretamente do tipo por meio de estímulos da conexão do patógeno e receptores
de patógeno que está no organismo. tipo toll, da interação do IFN- γ e da ligação entre CD40 e
CD40L.
Para que haja uma amplificação no sinal, o linfócito
pode expressar os receptores e ao mesmo tempo produzir
a citocina.

A ativação do macrófago promove uma maior


fusão dos lisossomos, mais expressão de B7, CD40, MHC II
e mais secreção de IL-12. Além disso, o TNF-α que é liberado
pelo macrófago ativado vai recrutar mais macrófagos para
o local.

✓ secreta principalmente IL-4 e IL-5 para


✓ secreta principalmente INF- γ que se liga ao
combater as infecções por helmintos e ativar as
CD40 e isso promove uma transcrição para gerar células B para produzir anticorpos e fazer a
os produtos microbicidas. Porém esses produtos mudança de classe para IgE.

11
Com a troca de classe, é possível fazer com que
Ativação de
os mastócitos liberem os conteúdos dos seus grânulos para neutrófilos
matar os helmintos.
Patógenos
Esse tipo de resposta induz a produção de IgE, ativa Th17 extracelulares
os eosinófilos e aumenta as secreções mucosas. O Th2
também vai inibir a resposta do tipo Th1. IL-17 e IL22
Ativação de
mastócitos e
eosinofilos
anti- ✓ uma vez que o patógeno for
inflamatório eliminado do sistema, essa célula começa a inibir a
cascata de sinalização do desenvolvimento dos
Th2 Helmintos linfócitos.
✓ Prevenção da autoimunidade.
IL-4 e IL-5 ✓ Existem dois tipos: as naturais que vem
diretamente do timo e as adaptativas.
Aumento de IgE ✓ TGF- β e IL-10 induz a diferenciação dessas células.

✓ as respostas imunes
mediadas por células T contra um antígeno também
resultam na geração de células T de memória
específica para este antígeno, e elas podem durar
por anos ou por toda a vida.

Centrais Efetoras

Possuem
Sem receptor
CCR7

Estão nos
Seletina L tecidos
✓ por meio da liberação de IL-17 e IL-22 vai periféricos
induzir uma resposta a neutrófilos e pode ser pró-
Estão nos Não prolifera
inflamatória ou anti-inflamatória, dependendo da linfonodos muito
citocina.

IL-6, IL-1, TGF-β e IL-23 são as citocinas


A manutenção dessas células ocorre por meio das
responsáveis pela diferenciação do linfócito para Th17.
citocinas IL7 e IL15, que são produzidas por toda a imunidade
inata. Por exemplo, teve um reconhecimento que já
aconteceu, é liberado essas citocinas que direciona as células
efetoras, a qual direciona as centrais para a expansão clonal.
12
A resposta imune humoral é gerada para destruir Quando não há a troca de isotipos a célula não
os patógenos extracelulares por meio dos anticorpos. Os secreta outra classe de anticorpo a não ser IgM, isso
plasmócitos são as células efetoras que vão secretar os também gera uma vida curta para a célula.
anticorpos.
Já a célula B-2 folicular vai interagir com o linfócito
T auxiliar e secretar outras classes de anticorpos, gerando
plasmócitos com uma vida longa.

Em algumas ocasiões, será necessário a troca de


isotipos com as células T auxiliares. A presença de antígenos
peptídicos proteicos é a estrutura antigênica que precisa do
linfócito T para que o B produza e secrete anticorpos.

Sub populações de Linfócitos B

As células foliculares serão ativadas em resposta


Resposta primária e secundária
a proteínas, já as células da zona marginal, que não
A partir do momento que ocorre a exposição a um
apresentam IgD, vão responder a polissacarídeos e lipídeos.
antígeno, o nosso sistema imune gera uma resposta
A célula B-1 também vai responder a lipídeos e primária e uma secundária. A primária ocorre cerca de 10
polissacarídeos e tanto ela, como a célula B-2 da zona dias após a exposição, já a secundária ocorre quase que
marginal, não apresenta troca de isotipos.

13
imediato a exposição e tem uma maior concentração de Estimulação dos linfócitos B
anticorpos.

Tanto o receptor CR2 como o do tipo Toll irão


auxiliar na ativação da célula B. Na primeira figura, uma
proteína do sistema complemento está ligada ao antígeno
✓ Resposta primária: todos os tipos de monógenos - microbiano e ao mesmo tempo está no receptor CR2/CD21,
antígeno proteico, lipídeos e polissacarídeos isso amplifica a proliferação e diferenciação dos linfócitos B.
✓ Resposta secundária: gerada normalmente para
✓ CD19 e TAPA -1 vão ativar a resposta do CR2 na
antígeno proteico, dependente do T auxiliar.
presença do C3d
✓ Polissacarídeo não gera resposta secundária

As imunoglobulinas, conhecidas como anticorpos,


são proteínas do soro sanguíneo, sintetizada pelos
plasmócitos provenientes dos linfócitos B.

✓ São 5 classes: A, G, M, D e E.
✓ Estrutura básica: duas cadeias pesadas (cadeia H)
e duas cadeias leves, do tipo kappa ou lambda.
IgM > IgG IgG - IgA - IgE
Vida curta Vida longa
Menor Maior
Todos os tipos Antígeno
de monógenos proteico

14
Estruturas básicas ✓ A região Vh e Vl formam o sítio de ligação com o
antígeno

Região Fc: segundo e terceiro domínio constante da


cadeia pesada. Essa região executa função efetora quando
a imunoglobulina estiver ligada ao antígeno:

✓ Ativação do sistema complemento;


✓ Opsonização por IgG;
✓ Transferência placentária de IgG;
✓ Citotoxicidade celular dependente de anticorpo;
✓ Hipersensibilidade imediata.

Região hipervariável ou Região determinante


de complementaridade (CDR)
✓ N = terminal amino C= terminal carboxílico de São 3 locais que estão presentes dentro da região
ambas as cadeias variável e possuem uma variabilidade maior. Essa região
Os anticorpos possuem ligações pontes de sulfeto serve para dar condições de especificidade de um anticorpo
intercadeias, que fazem a ligação da cadeia leve com a para o antígeno.
pesada e da pesada com a outra pesada. Também existem As regiões hipervariáveis vão compor o sítio
ligações dissulfídicas intracadeias que vão originar os combinatório do anticorpo, com capacidade de associar
domínios. perfeitamente ao antígeno.
Obs: as ligações são os traçados em vermelho. As pequenas alterações nos antígenos que são
identificadas pela região hipervariável existente dentro da
região variável de ambas as cadeias.
Cada domínio tem no máximo 110 aminoácidos, uma
cadeia leve tem 220 e uma pesada tem 440. O primeiro
domínio da cadeia leve e pesada tem a denominação de
variável, já os restantes são chamados de constantes.

✓ IgM e IgE tem um domínio constante a mais que as


outras classes.

Região Fab é o primeiro domínio variável da cadeia


pesada e leve e o primeiro domínio constante da cadeia
pesada e leve. Essa região funciona como receptores de A cadeia pesada possui uma movimentação entre o primeiro
linfócitos B (BCR) e neutralizam as toxinas. e o segundo domínio constante. É importante para garantir
ligação de mais de uma molécula de anticorpo com mais de
um antígeno.
15
A opsonização e fagocitose serão desencadeadas
Funções efetoras dos anticorpos
pelo receptor celular Fc gama R, que estão presentes na
classe IgG.

✓ A opsonização também pode acontecer após a


ligação de C3b ao CR1.

O anticorpo bloqueia a ligação do microrganismo e


a infecção da célula, com isso o microrganismo não pode
ligar e penetrar na célula. As classes que fazem isso são IgG,
IgM e IgA.

Citotoxicidade celular dependente de anticorpo


acontece por meio de célula-alvo infectada com vírus no seu
interior. Com isso, a célula acaba expressando antígenos
virais em sua membrana.
Quando ocorre a liberação do microrganismo de
O anticorpo da classe G é específico para esses
uma célula infectada, a infecção não se espalha para as
antígenos e então ocorre a ligação entre eles. A NK por sua
células adjacentes devido a presença do anticorpo.
vez, possui o receptor para IgG (FcγRIIIA) e a partir do
reconhecimento do anticorpo ela libera perforina e
granzima, promovendo lise celular.

O anticorpo também pode se ligar nas toxinas,


bloqueando a ligação ao receptor das nossas células.

16
Polimorfismo das imunoglobulinas
O polimorfismo das imunoglobulinas é representado
pelas classes ou isotipos:

✓ IgG, IgA, IgE, IgM (pentâmero) são as classes


secretadas e podem ser encontradas no plasma
sanguíneo.
✓ IgM (monômero) IgD não são secretadas e estão
presentes na membrana da célula B naive.
IgA: é responsável pela imunidade de mucosas e
IgG: é o principal anticorpo presente no sangue e essa classe está presente nas secreções.
é a única classe que atravessa a placenta para proteger o ✓ Neutralização das toxinas.
bebê. ✓ Evita que o patógeno penetre no epitélio.
✓ Neutraliza as toxinas liberadas pelos agentes ✓ A IgA no leite materno protege o trato
infecciosos. gastrointestinal de recém-nascidos contra
✓ Realiza opsonização devido ao receptor Fc gama R. patógenos.
✓ Citotoxicidade celular. ✓ Predomínio na forma de dímero.
✓ Ativação do sistema complemento.
✓ IgG positivo indica que a pessoa está na fase
crônica ou que já teve contato com a doença em
algum momento.

Mecanismo de secreção: IgA é produzida no nosso


organismo e depois se liga ao receptor de poli-imunoglobulina
nas células epiteliais granulares. A partir disso essa
IgM: é a primeira imunoglobulina a ser produzida.
imunoglobulina é endocitada e ocorre a clivagem de um
✓ Ativação do sistema complemento. pedaço desse receptor.
✓ Neutralização e aglutinação. Essa clivagem confere à IgA uma resistência maior
✓ Atua como BCR. em se manter em condições de atuar em ambiente que tem
✓ IgM positivo indica que a pessoa já foi exposta ao pH desfavorável para o Ac.
antígeno e que ela etá na fase ativa da doença,
havendo a possibilidade de o microrganismo estar
circulando no paciente naquele momento.

17
✓ IgG tem 4 subclasses e IgA tem 2.
✓ O peso molecular da IgM é muito maior, por ser
pentamérica.
✓ IgE: uma região constante a mais, por isso tem esse
peso. Tem pouca concentração sérica porque fica
ligada à superfície de células circulantes como
basófilos, mastócitos, eosinófilos.
✓ IgD: por ser imunoglobulina de membrana,
IgE: é o anticorpo que atua nos processos apresenta um segmento transmembrana, que lhe
alérgicos, nas verminoses e protozooses. confere maior peso molecular.
✓ Liga-se a basófilos e mastócitos. ✓ Predomínio da IgG, seguido de IgA e IgM.
✓ Resposta anti-parasitária e reações de ✓ IgG é a classe que tem maior meia vida.
hipersensibilidade do tipo I.
Isotipos – Alótipos – Idiótipos
Isotipos: são determinantes antigênicos que
caracterizam classes e subclasses de cadeias pesadas e
tipos e subtipos de cadeias leves. Ou seja, são as diferentes
classes de anticorpos.

Alótipos: são pequenas variações no qual ocorre a


troca de aminoácidos nas regiões constantes das cadeias
IgD: está presente na membrana de linfócitos
leve e pesada. Ou seja, cada indivíduo possui um isotipos
imaturos e tem como função a ativação de células que
diferente. Pode haver compartilhamento de alótipos entre
protegem o organismo. Não se sabe muito sobre a função
irmãos, pelo fato de receber dos pais a mesma
desta classe durante a resposta imunológica.
característica genética para o alótipo. Gêmeos
homozigóticos: compartilham o mesmo alótipo.

Idiotipos: é um determinante antigênico único que


está presente na região variável de ambas as [Link]
ser individual, sendo gerado pela mutação que leva uma
alteração na região hipervariavel. Ou pode ser público, sendo
codificado na herança germinativa, podendo ser encontrado
Propriedades das imunoglobulinas em outros clones de indivíduos da mesma linhagem isogênica.

18
Sistema Complemento
São um conjunto de proteínas solúveis ou de
✓ Participam da via clássica: C1 (complexo proteico –
membranas (reguladoras) encontradas nos fluídos
C1Q, C1R e C1S), C4, C2, C3, C5, C6, C7, C8 e C9.
intersticiais e no plasma. Quando essas proteínas são
ativadas elas irão provocar a morte das células infectadas
e dos próprios patógenos. Essas proteínas também são
responsáveis pela inflamação.

✓ O sistema complemento pode ser da imunidade


inata ou da resposta imune adquirida.

Inicialmente a proteína C1 se liga no complexo


antígeno anticorpo e recruta a proteína C4, que vai ser
clivada em C4a e C4b.

O C4b se liga na superfície no patógeno, recruta a


Inflamação proteína C2 e vai clivar ela em C2a e C2b.

O complexo C4b2a é a C3 convertase da via


clássica, então ela vai clivar várias moléculas de C3.
✓ As três vias vão realizar a clivagem da proteína
C3. Algumas moléculas de C3b se ligam a superfície do
patógeno (gerando opsonização) e uma se liga ao complexo,
Via Clássica formando C4b2a3b que é a C5 convertase.
✓ A condição para ativar a via clássica é o complexo A C5 convertase vai clivar C5 para C5b e C5a. O
antígeno anticorpo (classe M ou da classe G). C5b vai recrutar as outras proteínas e realizar a formação
do ataque a membrana.

Via Alternativa

✓ Ativação da via alternativa se dá por bactérias


gram negativas e gram positivas, devido a
presença de LPS e ácido teicóico.

✓ Participam da via: C3, C5, C6, C7, C8, C9, Fator B,


Fator D e properdina.

19
Via das Lectinas

✓ Microrganismo com manose ou com N


acetilglicosamina na membrana microbiana, vai
ativar a via da lectina.
✓ Participam da via: MBL, MASP1, MASP2, C4, C2,
C3, C5, C6, C7, C8, C9

O C3 é clivado espontaneamente e o processo da


via alternativa só vai continuar se tiver a presença do
patógeno para o C3b se ligar. Se não tiver ele será
hidrolisado e inativado.

Ao se ligar no patógeno ele recruta o fator B e


com a ajuda do fator D, vai ocorrer a clivagem do fator B
para Bb e Ba.

O complexo C3bBb é chamado de C3-convertase.

A C3-convertsase vai catalisar a clivagem de várias


moléculas de C3. Agora vários C3b vão se ligar a superfície
do patógeno e apenas um vai se ligar no complexo C3bBb,
formando um novo complexo C3bBbC3b que passa a se
chamar C5 convertase.

A C5 convertase vai clivar C5 para C5b e C5a. O


C5b vai recrutar as outras proteínas e realizar a formação
do ataque a membrana. Primeiro ocorre a ligação da lectina com a manose
na membrana do patógeno. Isso resulta na associação de
✓ Na via alternativa não tem a presença de C1s, C2
e de C4. duas proteases, MASP-1 e MASP-2, que são similares a C1r
e C1s.

20
A formação do complexo MBL / MASO-1 / MASP- Proteínas reguladoras
2 resulta na ativação das MASPs e ocorre a clivagem de C2
e C4, que vão se juntar e a partir disso ocorre os mesmos ✓ Solúveis: inibidor de C1, fator I, fator H, C4BP,
processos da via clássica. vitronectina, clusterina, properdina.
✓ De membrana: MCP, DAF, CRI, HRF, CD59.
Via do ataque à membrana
17 proteínas participam da ativação, mas apenas
uma delas também é reguladora, a properdina. Ela estabiliza
a C3 convertase da via alternativa.

As demais proteínas têm função de interromper a


ativação do sistema, evitando ativação elevada e
desnecessária.

✓ Fator I, fator H, C4BP, MCP, DAF, CR1 vão regular


ação de C3 e C5 convertase de todas as vias.
✓ Vitronectina e clusterina vão atuar regulando a
O C5b vai recrutar outras proteínas, como C6, C7,
formação do complexo C5b67.
C8 e C9. Com isso, vai ocorrer a formação de um canal
✓ CD59: impede que as proteínas C9 se liguem ao
originando uma lise osmótica devido a entrada de água.
complexo C5b678, inibindo a formação do complexo
A partir da C6 os processos são de alteração de ataque a membranas nas células normais.
conformacional nas proteínas e não de quebra como nas
vias anteriores.

21
Mecanismos de controle Proteína S ou SP-40,40: essa proteína se liga à
Das cascatas do sistema complemento
C567 e com isso o local da ligação do C8 vai estar ocupado,
Inibidor do C1: inibe a ação esterásica da proteína portanto não vai formar o complexo de ataque a membrana.
C1r e C1s que dão sequencia a ativação do sistema
A carboxipeptidase N regulam as proteínas A,
complemento.
fazendo com que elas percam o efeito no processo
✓ Atua somente na via clássica. inflamatório.
Fator I e Fator H: vão inibir a ação da C3 e C5
convertase de todas as vias.

O Fator I só atua no C3b se o cofator separar as


proteínas C4b2a e C3bBb. Fator H, DAF, C4BP, CR1 e MCP
são cofatores que vão atuar para possibilitar a ação do
Fator I.

Após a separação, o Fator I vai atuar sobre as


proteínas, fazendo mais uma clivagem e transformando C3b
em iC3b e C3f.

iC3b vai clivar novamente e formar C3c e C3d. O


C4b por sua vez é quebrado e origina somente C4c e C4d.

Funções do sistema complemento


✓ Opsonização por meio do C3b e seu receptor
presente em fagócitos.
✓ Lise osmótica.
✓ Participação na inflamação, com ação quimiotática
de C5a atraindo os neutrófilos.
✓ Destruição de imunocomplexos.
✓ Potencialização da ativação de linfócitos B.

22
Tolerância central de linfócitos T
A tolerância é quando o antígeno próprio será
apresentado aos linfócitos e com isso eles não vão gerar
nenhuma resposta sobre esses antígenos.

Antígeno próprios: são todos os elementos


celulares, elementos do sangue e todos os constituintes
gerais do nosso organismo.

Na tolerância imunológica, acontece uma seleção de


linfócitos não reativos para os Ag próprios e eliminação dos Quando ocorre uma seleção negativa, tem se a
linfócitos reativos para Ag próprios. delação ou a formação de células Treg, que por sua vez vão
Não reconhece para o sítio infeccioso e lá elas vão inspecionar se os
Positiva Ag próprio linfócitos estão realmente reconhecendo antígenos
estranhos.
Reconhece Ag
Seleção Negativa próprio Se no caso os linfócitos estão reconhecendo os
próprios antígenos, essas T reg vão matar essas células.
Falhas Gera doenças
autoimunes Célula Treg: são formadas no timo durante a
seleção central e são responsáveis por regular a resposta
Também existe a seleção central e periférica:
imune no sítio infeccioso, matando aqueles linfócitos T que
✓ Central: acontece na medula óssea para o linfócito reconhecem o próprio antígeno.
B e no timo para linfócito T.
✓ Periférica: para ambos acontece nos linfonodos.
Tolerância periférica de linfócitos T
No timo, acontece uma apresentação de um
Se ocorrer a seleção negativa, pode acontecer
antígeno próprio para o linfócito T. Nesse momento se
três eventos:
ocorrer o reconhecimento, esse linfócito não será bom para
o organismo, então terá apoptose.

No linfonodo acontece novamente a apresentação


de um Ag próprio, se o linfócito reconhecer esse antígeno
próprio e por uma falha, ocorra a seleção positiva, ele vai
causar doenças autoimunes.

Ou seja, as doenças autoimunes ocorrem por duas


falhas, uma na seleção central e outra na seleção periférica.

23
Anergia é um bloqueio dos sinais para ativação do
linfócito T. Em uma resposta normal, tem B7 na APC e CD28
no TCD4+ gerando o 2° sinal para que ocorra a ativação, já
quando o linfócito reconhece o antígeno próprio, não vai ter
a presença desse 2° sinal.

Existe uma mudança nas moléculas co-


estimulatórias e a partir disso inicia a produção da CTLA-4
que vai se ligar na B7, impedindo o sinal e a ativação do
linfócito.

Tolerância central de linfócitos B


Lá na medula óssea os Ag próprios serão
apresentados para os linfócitos B, se tiver um
reconhecimento vai gerar a seleção negativa. A partir disso
pode ocorrer uma apoptose ou uma modificação na região
variável da cadeia leve dos anticorpos presentes no linfócito
B, sendo mais benéfico para o organismo.
Também pode acontecer do linfócito ter uma ✓ Essa modificação permite que o LB não reconheça
seleção negativa e mesmo assim não sofrer anergia, mais o antígeno próprio.
gerando uma falha na seleção e uma doença autoimune.

Deleção é uma morte por ativação repetitiva,


quando o mesmo antígeno próprio está sendo apresentado
repetitivamente ao linfócito T. Com isso, vai chegar uma
hora que vai ocorrer o reconhecimento do Ag próprio,
seguido de uma morte.

Sobrecarregados pelo mesmo antígeno próprio, os


linfócitos começam a expressar as moléculas de Fas/Fas-L
e com isso um linfócito começa a matar o outro.

Se não existir a expressão de Fas/Fas-L, os Tolerância periférica de linfócitos B


linfócitos aumentam o nível de proteínas pró-apoptóticas, Pode acontecer dois eventos: a presença de
gerando uma seleção negativa por deleção. linfócito T vai estimular a apoptose do LB, já na ausência do
Supressão é quando a presença do Treg promove LT, o linfócito B será expulso do linfonodo e
um bloqueio na ativação do linfócito T, tornando-o não automaticamente ele vai morrer.
funcional por um longo período.

24
Existem alguns mecanismos que impedem a ✓ Mimetismo antigênico: o fragmento de um
autorreatividade, como a tolerância central negativa, microrganismo parece com algum pedaço da nossa
deleção e anergia (seleção periférica negativa), não célula, isso gera uma reação cruzada.
produção de moléculas acessórias pelas APCs, as células
Treg e por fim as barreiras anatômicas, que são proteínas Um exemplo de mimetismo está na febre
e outras células que vão em busca dos linfócitos reumática e na síndrome de Reiter, pois produzimos
autorreativos. anticorpos contra antígenos das bactérias e esses
Alguns fatores genéticos e ambientais são anticorpos têm reatividade cruzada com antígenos que
responsáveis por causar falhas em algum desses estão presentes nas nossas articulações, no coração e no
mecanismos, gerando as doenças autoimunes. cérebro.

Na maioria das vezes os fatores ambientais estão


relacionados com as infecções, pois um ambiente infeccioso
faz com que muitas células teciduais aumentem a quantidade
de moléculas apresentadoras de antígenos. Se houver algum
linfócito autorreativo por ali, essa expressão de antígenos
com maior eficiência pode contribuir para a ativação desse
linfócito e favorecer a quebra de tolerância.

Autoimunidade: resposta imunológica de linfócitos T


e B autorreativos que vão responder a antígenos próprios
ou autólogos, ocasionando doenças autoimunes.

Aspectos gerais da autoimunidade


A presença de alguns genes pode aumentar a Doenças autoimunes
probabilidade de o indivíduo desenvolver uma doença Pênfigo
autoimune.
Acontece porque o sistema imunológico produz, de
✓ Esses genes podem ser associados ao MHC (HLA é forma equivocada, anticorpos contra desmogleina, que é
o MHC em humanos). uma estrutura responsável pela união entre as células.
✓ Alelos DR3 e DR4 que estão presentes no gene
HLA aumenta a probabilidade em 25% de ✓ Predisposição genética: DR4 e DRw6 → antígeno
desenvolver diabetes tipo 1. do MHC classe II.

25
Lúpus eritematoso sistêmico Esclerose múltipla
Anticorpos autorreativos reconhecendo proteínas Reação inflamatória que danifica as bainhas de
de superfície celular, com extravasamento de metabólitos, mielina que envolvem os axônios dos neurônios cerebrais e
que vão se acumular nos rins, na pele e nas articulações. O medulares. Existem anticorpo contra a proteína básica de
alvo dessa doença pode ser o DNA ou as nucleoproteínas. mielina, impedindo a transmissão do sinal.

✓ Predisposição genética: DRB → antígeno do MCH


classe II.
✓ Acomete mais mulheres jovens.

Artrite reumatóide
Acontece a destruição da cartilagem e do osso
subcartilaginoso por um processo inflamatório que acomete ✓ Predisposição genética: HLA DR15 e DQ6.
a membrana sinovial. Existe o depósito de imunocomplexos ✓ Diferente da artrite reumatoide e do Lúpus, o
na membrana sinovial e a produção de citocinas nesse local, DRB1 é um efeito protetor nessa doença.
com isso são encontrados IL-1, IL-18, TNF e IL-17.

As citocinas levam a produção de uma substância


chamada Hank, que se liga aos osteoclastos e começa a
degradar a matriz óssea, fazendo com que haja a
deformação.
✓ Acomete mais as mulheres adultas.
✓ Predisposição genética: DRB1 e gene HLA-DR4.

26
Resposta imune a patógenos
Os seres humanos e os microrganismos evoluíram A resposta ocorre em duas vias:
juntos, com isso há mecanismos de defesa no nosso
organismo e mecanismos de escape nos patógenos. ✓ A primeira está muito relacionada à presença de
Os mecanismos de danos causados por qualquer NF-kB, a qual leva a um processo inflamatório
patógeno podem ser diretos (próprios patógenos) ou intenso com grande produção de citocinas pró-
indiretos (reação do hospedeiro, como a inflamação inflamatórias como TNF, IL-1, IL-6, IL-8 e outras
exacerbada). quimiocinas.
Os efeitos diretos estão relacionados com a
presença de toxinas que podem atuar a distância ou podem ✓ A segunda via, que ocorre nos endossomos, sinaliza
estar na parede celular dos microrganismos. principalmente com os genes relacionados ao IFN
Os mecanismos indiretos podem advir da presença tipo I (alfa e beta), relacionado aos estágios anti-
de imunocomplexos (ligação do anticorpo ao antígeno) e a virais que a célula possui.
reação do sistema imune frente ao patógeno pode ser mais
O sistema complemento vai agir por meio do C3b e
prejudicial do que os mecanismos diretos do próprio
C5b amplificando a fagocitose, pois essas proteínas
patógeno.
funcionam como opsoninas. Além disso, ocorre a promoção
O reconhecimento do sistema imune inato se dá
da inflamação por meio de quimiotaxia de neutrófilos,
por uma série de moléculas (PAMPs), no qual a
liberação de histamina pelos mastócitos e vasodilatação do
característica principal é o reconhecimento de estruturas
local facilitando a chegada de elementos do sangue para a
que não estão presentes no organismo humano. Ou seja,
região.
essas estruturas são exclusivas dos microrganismos, como
o LPS, a manose, sequências de RNA de duplas fita.

Imunidade às bactérias
O TLR atua na forma de dímero ou heterodímero
As infecções bacterianas podem ser agrupadas
e alguns são de membrana (defesa contra microrganismos
em 3 tipos:
extracelulares) e outros são intracelulares, estão dentro do
✓ Bactérias produtoras de exotoxinas;
citosol em endossomos (defesa contra partículas virais).
✓ Bactérias encapsuladas;

27
✓ Bactérias intracelulares (ex.: M. tuberculosis). Imunidade aos vírus

Os mecanismos efetores da imunidade inata são a Os ligantes na superfície do vírus podem ser
fagocitose (neutrófilos e macrófagos), o sistema inibidos por anticorpos contra moléculas virais, inibindo que o
complemento e a inflamação. vírus se ligue à célula do hospedeiro e a infecte.

A resposta imune às exotoxinas se dá por ativação


dos linfócitos B e produção de anticorpos, possibilitando a
neutralização das toxinas e destruição das bactérias.

Curiosidade Imunidade aos vírus


Mecanismos inatos Mecanismos adaptativos
As bactérias encapsuladas possuem endotoxinas, Células NK Resposta mediada por
que são os componentes das paredes celulares bacterianas CD8 e Th1
que, para o nosso organismo, vão atuar como toxinas. Interferons do tipo I Anticorpos
O potencial de morbidade das Gram - é maior que TLR3 e TLR9
das Gram + principalmente devido ao fato de o LPS ter uma
potência maior em ativar macrófagos. ✓ Interferon do tipo I é produzido por leucócitos e
. tem como função induzir a célula infectada e
células próximas a produzirem proteínas que
Imunidade às bactérias impedem a replicação do vírus.
Extracelulares Intracelulares ✓ A ativação de TLR3 e TLR9 dentro das vias
Sistema complemento Resposta mediada por intracelulares estimula a produção de IFN alfa e
TCD4 (Th1) e CD8 beta, os quais induzem na célula estádios anti-virais.
Neutralização por Macrófagos Então ocorre um aumento na quantidade de RNA
anticorpos
Macrófagos e neutrófilos que a célula possui, facilitando a defesa contra o
RNA do vírus, dificultado a síntese proteica do
próprio vírus e ainda há a possibilidade de efeitos
citotóxicos das NK cell.

28
Imunidade contra fungos Quando o parasita for intracelular a resposta
imunológica será semelhante à resposta contra bactérias
A resposta contra fungos ativa as 3 vias: Th1, Th2 intracelulares e vírus, com fagocitose e ativação de
e Th17. macrófagos por linfócitos auxiliares
A resposta é típica de citocinas Th2 e Th1 na
sequência, sendo IL-4 e IL-5 citocinas de padrão Th2, e o
IFN gama o exemplo de citocina da resposta padrão Th1. A ✓ A IL-4 e a IL-13 são potentes na indução da
doença está associada à presença de um repertório Th2 e produção de IgE pelos linfócitos B.
Th17 mais importante e expressivo para favorecer uma ✓ A IL-5, por sua vez, é importante para fazer a
inflamação. diferenciação do linfócito B numa célula efetora e
mantê-lo como plasmócito produtor de anticorpo
✓ Pacientes com a forma grave da doença produzem por muito tempo. Também é importante para a
muito mais IL-4 e IL-5 e pouco IFN gama. ativação dos eosinófilos, aumentando a quantidade
✓ Já os pacientes com a forma leve são capazes de de proteínas tóxicas que ele apresenta em seus
produzir mais IFN gama e pouco IL-4 e IL-5. grânulos.
✓ A susceptibilidade aos fungos está associada à ✓ Os pacientes resistentes produzem
construção de uma resposta do tipo Th2. predominantemente IL-4 e IL-5 e os pacientes
✓ Já a resistência à infecção por fungos está susceptíveis produzem mais IFN-gama.
associada a uma resposta de padrão Th1, porque é
necessário a produção de IFN gama que vai
estimular os macrófagos a produzir óxido nítrico e
água oxigenada, provocando sua lise.

Imunidade contra parasitas

O padrão de resposta é Th2 e o principal


mecanismo protetor é a imunidade citotóxica mediada pelos
eosinófilos através das proteínas que estão contidas nos
seus grânulos. O eosinófilo reconhece o microrganismo a
partir de receptores de IgE, mas ele só vai reconhecer se
esse anticorpo já estiver ligado no verme.

29
Aspectos gerais das doenças de
hipersensibilidade
São doenças ocasionadas por respostas imunes
exacerbadas contra um antígeno, podendo causar lesões
teciduais ou processo inflamatório. Essa resposta pode ser
tanto para antígenos estranhos quanto para antígenos
próprios.
Causas:
✓ Autoimunidade
✓ Reações contra microrganismos
✓ Reações contra antígenos ambientais: cerca de
20% da população reage de forma anormal a
substâncias ambientais comuns. Isso leva a
produção de IgE que causam doenças alérgicas.

Hipersensibilidade do tipo I
Pode ser chamada de hipersensibilidade imediata,
alergia ou hipersensibilidade anafilática. Ela é mediada por
Th2, IgE e mastócitos.

Primeiros contatos com o alergênico:

✓ Com a exposição do antígeno vai ocorrer a ativação


de linfócitos TCD4+ e diferenciação para Th2. A hipersensibilidade do tipo I é dividida em duas
✓ Th2 começa a secretar IL-4 e isso estimula a fases:
mudança de classe nas células B.
✓ Células B vão produzir IgE.
✓ Ligação e reconhecimento de IgE aos receptores
Fc dos mastócitos.
✓ Por algum motivo que ainda é desconhecido, quando
o alérgeno é apresentado várias vezes isso pode
ativar os mastócitos e começar a liberação de
mediadores.

✓ Na fase imediata ocorre a liberação de aminas


vasoativas (histamina) e proteases.

30
Vasodilatação Manifestações clínicas
Histamina
Contração do ✓ Rinite e sinusite alérgicas;
Efeitos músculo liso ✓ Alergias alimentares;
Proteases Dano tecidual ✓ Asma e anafilaxia.

Choque anafilático: com a vasodilatação mediada pela


histamina, a pressão do vaso fica baixa e com isso o coração
Essa contração do musculo liso vai gerar uma
tende a bater muito rápido para tentar aumentar a pressão.
dificuldade para respirar.
Tratamentos
✓ Já na fase tardia, que ocorre de 6 a 24hrs, vai Anafilaxia: uso de epinefrina para bloquear a
ter a liberação de leucotrienos, prostaglandinas e degranulação dos mastócitos.
citocinas. Asma brônquica: uso de corticoides para diminuir a
contração muscular lisa dos brônquios e diminuir a
inflamação.
Igual a histamina,
Leucotrieno Alergias em geral: uso de anti-histamínico que vai
porém mais intensa
se ligar na histamina, com isso ela não vai estar mais
Efeitos

Prostaglandinas Edema disponível para gerar todos os seus efeitos no nosso


Aumento do processo organismo. Também pode fazer uso de anti - Ac IgE.
Citocinas
inflamatório
Nesse caso de alergias também pode ser feito a
dessensibilização, que é a administração de pequenas doses
do alergênico para o organismo se acostumar com ele.

Hipersensibilidade do tipo II
Também chamada de citotóxica, é caracterizada
por uma autoimunidade e as doenças são decorrentes da
fagocitose, opsonização, inflamação e de respostas
fisiológicas anormais sem danos teciduais.

A hipersensibilidade do tipo II é mediada por IgM


monomérica ou IgG, com participação de neutrófilos,
macrófagos e via clássica do sistema complemento.

31
✓ Os anticorpos vão se ligar em antígenos próprios Tratamentos
de superfície ou de matriz extracelular.
No geral, é recomendado o uso de inibidores de linfócitos B
✓ Com isso, os neutrófilos podem reconhecer o e de corticoides para diminuir a inflamação e os neutrófilos.
anticorpo pelo receptor Fc e ocorre a fagocitose
do antígeno e morte celular.
✓ Também pode acontecer a via clássica do Hipersensibilidade do tipo III
complemento, que vai resultar em formação do Ocorre quando imunocomplexos (ligações entre Ac
MAC, lise celular e inflamação. e Ag) são depositados nas paredes dos vasos sanguíneos e
a partir disso eles induzem uma resposta inflamatória nos
tecidos.

✓ Com a formação de imunocomplexos no sangue e


deposição deles na parede do vaso, vai ter
recrutamento de neutrófilos, esses vão se ligam
aos anticorpos IgM pentamérica e IgG.
✓ Pode ocorrer ativação da via clássica do
complemento e liberação de C5a e C5b que atraem
mais neutrófilos.
✓ Aumento de proliferação de células do sistema
imune no sangue.
Manifestações clínicas ✓ Como resultado vai ter um aumento da pressão e
Nas funções celulares anormais temos como fechamento da luz do vaso sanguíneo, inflamação
exemplo a doença de Graves, no qual tem muita quantidade e lesão tecidual.
de anticorpo reconhecendo antígenos próprios, que são os
receptores de TSH. Isso serve de estímulo para a produção
de T3 e T4, então mesmo na ausência do TSH, a pessoa vai
ter os hormônios em alta quantidade.

Também existe a doença miastenia gravis, no qual


os anticorpos se ligam no receptor de acetilcolina, impedindo
a contração dos músculos. Uma pessoa com essa doença vai
ter sempre os músculos relaxados, trazendo problemas
para o coração e para a respiração, por exemplo. Manifestações clínicas
As doenças mediadas por imunocomplexos tendem
a ser sistêmicas. O lúpus eritematoso sistêmico acontece
quando tem anticorpos contra antígenos de superfícies
causando lise celular, os metabolitos das células vão se
espalhar para todo o corpo. Agora outros anticorpos vão
reconhecer esses metabolitos, formando os
imunocomplexos e se acumulando nos rins, nas articulações
e na pele.
32
Tratamentos devido a secreção de citocinas e recrutamento e ativação
de leucócitos.
É indicado o uso de corticoides para diminuir a
inflamação e de inibidores de linfócitos B. Também existe a Se ocorrer uma reação prolongada, o processo
plasmaférese, que só é realizada em casos extremos, esse inflamatório pode resultar na formação de um granuloma,
procedimento consiste em pegar o sangue da pessoa, fazer caracterizando uma DTH crônica (hipersensibilidade mediada
uma centrifugação e depois injetar o plasma na pessoa. por células).

Ao mesmo tempo que esse procedimento ajuda na


doença autoimune, ele também deixa a pessoa muito
debilitada e susceptível a outras doenças.

Hipersensibilidade do tipo IV
Também conhecida como hipersensibilidade tardia,
é a única que não é mediada por anticorpos e ela envolve os
linfócitos TCD4+ ou TCD8+
Manifestações clínicas
✓ TCD4+ = hipersensibilidade tardia
Temos a diabetes insulino – dependente como
✓ TCD8+ = citólise ou citotoxicidade celular
exemplo de doença envolvendo esse tipo de
Nesse tipo de hipersensibilidade, os linfócitos hipersensibilidade.
danificam os tecidos pelo desencadeamento da inflamação
✓ A APC vai reconhecer um antígeno próprio da
ou por matar as células-alvo.
célula β do pâncreas e apresentar para o TCD4.
A reação inflamatória é desencadeada ✓ O TCD4+ vai se e diferenciar em Th1 e migrar para
principalmente por TCD4+ (subpopulações Th1 e Th17) o pâncreas, onde ocorre a liberação de citocinas
inflamatórias.
✓ Ativação de TCD8+ promovendo a apoptose da
célula β.

33
Imunidade contra tumores ✓

Tanto uma resposta imune inata quanto adaptativa ✓ Antígenos de vírus: tumores de colo de útero que
pode ser detectada em pacientes matando as células são induzidos pelo HPV.
tumorais por meio de vários mecanismos imunes. Na
imunidade inata, os macrófagos, as células NK e as proteínas
do sistema complemento são importantes para destruir os
tumores. Já na imunidade adaptativa, temos a participação
de linfócitos T, principalmente TCD8+ e dos anticorpos.
✓ Antígenos oncofetais: são aquelas proteínas
✓ Sempre vai existir um infiltrado de células expressas por alguns tumores que não se
inflamatórias ao redor de células tumorais. expressam na vida adulta, mas sim durante a
Para iniciar a resposta imune tumoral, a célula embriogênese e nos primeiros anos de vida. Quando
dendrítica vai fagocitar os antígenos tumorais das células não são mais necessárias, elas deixam de ser
mortas e ativar os linfócitos T. Chegando no tecido, o expressas e ao reaparecer, elas não serão alvos
linfócito TCD8 tem capacidade de matar as células tumorais. de uma resposta imune, pois já são conhecidas pelo
Os anticorpos atuam da seguinte forma: eles vão sistema imunológico.
rodear a célula tumoral, possibilitando uma ligação de ✓ Glicolipídeos e Glicoproteínas alterados: colocação
anticorpos com células NK e em seguida, a célula NK mata a exagerada de açúcares nas proteínas e nos
célula tumoral. Além disso, o anticorpo também promove a lipídeos. Os açucares são reconhecidos somente
ativação da via clássica do sistema complemento. por anticorpos.
✓ Antígenos de diferenciação tecido-específico:
representam a expressão de genes que estão
Antígenos tumorais silenciados em uma célula normal, mas que podem
vir a ser expressos em uma célula tumoral.
✓ Produtos de genes mutados

Mecanismos de escape dos tumores

✓ Pode acontecer a não apresentação de algum


antígeno tumoral, seja por mutação, seja por
peptídeos tumores-específicos.

✓ Proteínas anormalmente expressas: em um


paciente com tumor de próstata, por exemplo, o
antígeno prostático (SPA) está mais expresso.

✓ Alguns tumores apresentam baixa expressão de


moléculas MHC classe I.

34
CD20 para ativar o sistema complemento e matar
a célula tumoral.

✓ Anti HER2: HER2 é um fator de crescimento de


células epidermais, então se o tumor expressa
✓ Algumas células tumorais são capazes de produzir
esse fator de crescimento, usa-se o anti HER2
citocinas imunossupressoras (TGF-beta). O TGF é
para inibir o crescimento tumoral.
importante para o crescimento do tumor, mas
suprime a resposta de linfócitos CD4 e CD8.
✓ Anti CTLA-4: O CTLA-4 é uma molécula de
sinalização negativa, então se bloquear a molécula
negativa, facilita a ativação do linfócito T
antitumoral

✓ Anti VEGF: as metástases quando vão se instalar


✓ Falha na expressão dos co-estimuladores (B7,
precisam estimular o crescimento de vasos
CD28).
sanguíneos no seu interior, quem promove isso é o
fator de crescimento endotelial vascular, então
✓ Expressão de co-receptores inibitórios, como PD-1
anti VEGF impede a formação de vaso sanguíneos
e CTLA-4.
e ajudam a eliminar as metástases por mal
suprimento sanguíneo.
Vacinas tumorais
Terapia celular adotiva
Vão diminuir as chances dos mecanismos de escape
aconteceram, então além da vacina conter os antígenos Nesse procedimento retira-se o tumor e separa
tumorais, ela também pode ter moléculas coestimuladoras os linfócitos que estão expressos nele, ativando-os com IL-
como B7 e ativadoras como IL-2, para facilitar o combate 2 numa cultura de células e depois devolve para o mesmo
ao tumor. paciente esses linfócitos. É muito utilizada no melanoma e no
tumor de rim. Apresenta algum sucesso, mas os indivíduos
apresentam sobrevida de 2 anos na maioria dos casos.

Terapias com imunobiológicos

Os imunobiológicos são anticorpos dirigidos contra


antígenos humanos e podem ser úteis contra tumores.
✓ Anti CD20: A molécula CD20 é expressa
exclusivamente em linfócitos B. Então se um
linfoma B expressa CD20, usa-se anticorpos anti-

35
Terapias antitumorais

Linhagens de células T citotóxicas são retiradas do


tumor, levadas para o laboratório, cultivada em presença de
células tumorais mortas e, após algumas semanas, são
reintroduzidas no paciente para combater as possíveis
metástases.

São introduzidas no tumor os genes da resposta


imune, por exemplo, coloca-se mais DNA para moléculas de
MHC classe I consequentemente mais desenvolvimento de
células T.

36
Imunidade contra transplantes
um transplante de órgão de um indivíduo que é do tipo B, o
Conceitos importantes endotélio desse rim terá antígenos B e as IgM anti-B do
paciente que receber o órgão vão reconhecer esses
✓ Autotransplantes: transplantes do indivíduo para si
antígenos, desencadeando um processo de rejeição.
mesmo, muito aplicado em casos de transplante de
pele, por exemplo.
Mecanismo de reconhecimento
Não existe rejeição

✓ Isotransplantes: transplantes em gêmeos O reconhecimento direto ocorre quando uma APC


univitelinos. do doador apresenta o MHC e ativa o linfócito T. Esse
Não existe rejeição reconhecimento estimula o desenvolvimento de células T
alorreativas que vão reconhecer e atacar as células do
✓ Alotransplantes: são entre indivíduos da mesma enxerto.
espécie, porém pessoas diferentes.
Pode existir rejeição

✓ Xenotransplantes: é muito raro de acontecer e é APC do doador CD4+ e CD8+ do


entre indivíduos de espécies diferentes. É feito no receptor
MHC e Ag do doador
intuito de que um órgão vital funcione durante
algumas horas em outro indivíduo.

Rejeição é uma reação imunológica da resposta


imune adaptativa do hospedeiro que reconhece no tecido
enxertado algo estranho. O reconhecimento dos enxertos é O reconhecimento indireto ocorre quando uma
determinado por genes de histocompatibilidade e cada molécula do antígeno de histocompatibilidade é fagocitada
indivíduo da mesma espécie possui diferença quanto a esses por uma APC do indivíduo que recebeu o transplante, a
genes. região da molécula que é estranha para o organismo foi
Como as moléculas de MHC estão presentes em processada e apresentada pelo MHC do receptor do órgão.
quase todos os tecidos, elas serão o principal alvo da rejeição
do enxerto.
Além das moléculas de MHC, os grupos sanguíneos
também podem causar diferença na hora do transplante, APC e MHC do receptor CD4+ e CD8+ do
receptor
pois as moléculas de açúcares que formam o grupo Ag do doador
sanguíneo A e B são expressas nas células do endotélio dos
vasos.
Exemplo: uma pessoa do tipo sanguíneo A tem em
suas hemácias e no endotélio dos vasos o antígeno A e
fabrica IgM contra antígenos B. Se esse indivíduo receber

37
Embora ocorra a participação do TCD4+, a principal
célula envolvida é o CD8+ que reconhece as diferenças no
MHC classe I, sendo, na maioria das vezes, um
reconhecimento direto.
O linfócito T citotóxico é ativado, liberando
perforina e gransima que penetram na célula do órgão
transplantado, induzindo a apoptose. Características clínicas
Já o linfócito T auxiliar reconhece as diferenças no
Perda rápida da função do órgão (horas/dias),
MHC classe II, sendo esse reconhecimento tanto direto
febre e mal estar, indivíduo não responde ao tratamento e
quanto indireto. Ele produz citocinas que desencadeiam seus
a plasmaferese (troca o sangue do indivíduo tirando os
respectivos papéis, a IL-2, por exemplo, auxilia na expansão
anticorpos que ele tem) é pouco efetiva.
clonal dos linfócitos.

Prevenção
✓ Tipagem do grupo sanguíneo.
✓ Prova cruzada (anticorpos preexistentes): a qual
pesquisa a presença de anticorpos no receptor
que reconhecem antígenos em células do doador.
✓ A prova cruzada é feita pegando os leucócitos do
doador do órgão e colocando-os junto ao soro do
receptor. Se esse soro possuir anticorpos, ele vai
Tipos de rejeição do enxerto se ligar aos leucócitos, ativar o sistema
complemento e provocar a morte celular.
Rejeição hiperaguda: é mediada por anticorpos
preexistentes na circulação do receptor, ou seja, a
Rejeição aguda: o sistema imune adaptativo do
resposta imune já está pronta contra o órgão que está
receptor vai reconhecer e gerar uma resposta contra
sendo recebido.
antígenos diferentes nas células do órgão que foi
Os anticorpos (IgM e IgG) vão se ligar
transplantado.
imediatamente à célula do endotélio do vaso do órgão que foi
Esse reconhecimento pode ocorrer tanto por
transplantado, isso vai ativar o sistema complemento e
linfócitos T auxiliares quanto por linfócitos T citotóxicos.
causar danos ao endotélio.
Nesse caso, os linfócitos T citotóxicos ativados não
Esse dano vai ativar o sistema de coagulação,
destroem o endotélio dos vasos e sim o parênquima. Já o
levando a formação de um trombo e obstruindo a luz do
TCD4+ é responsável pela secreção de citocinas (IL-2
vaso. Quando a passagem de sangue fica bloqueada, é
principalmente) e indução da inflamação, contribuindo para a
gerado um quadro de necrose isquêmica.
destruição do enxerto.
Esse tipo de rejeição pode acontecer quando o
transplante acontece em um indivíduo de grupo sanguíneo
a expressão das moléculas de MHC
diferente, quando acontece transplante anterior com o
classe I é muito mais comum do que a expressão de
mesmo doador e na gravidez.
moléculas de MHC classe II, já que essa última ocorre muito
mais em células do sistema imune.

38
Características clínicas
Ocorre a perda gradual da função do órgão devido essa
rejeição estar acontecendo a anos, predomínio de
fenômenos proliferativos e o tratamento já não responde
bem.

Tratamento
✓ Corticóides – Prednisona: inibe a apresentação de
Características clínicas Ag, função dos macrófagos e inibe a produção de
As características clínicas estão relacionadas com IL-2, IL-6 e TNF.
a construção de uma resposta imune, como febre baixa, mal
✓ Imunossupressores – Ciclosporina A – FK506:
estar e comprometimento funcional do órgão. Para prevenir
inibe a síntese de IL-2 e seu receptor.
esse tipo de rejeição, é importante realizar a tipagem de
MHC e buscar sempre maior compatibilidade entre receptor Exames pré-transplantes
e doador.
✓ Tipagem de sangue
Tratamento ✓ Prova cruzada: pesquisa de anticorpos pré
✓ Corticóides – Prednisona: inibe a apresentação de formados no receptor.
Ag, função dos macrófagos e a produção de IL-2
✓ MHC ou HLA: quanto maior for a compatibilidade,
e TNF.
menor vai ser a rejeição.
✓ Imunossupressores – Ciclosporina A – FK506: ✓ Reatividade contra painel: nível de sensibilização do
inibe a síntese de IL-2 e seu receptor. receptor, não tem a ver com o processo de
rejeição e sim com a chance de o indivíduo receber
✓ Imunobiológicos: anti - linfócitos e anti – CD28.
o órgão em outra oportunidade.

Rejeição crônica: esse tipo de rejeição acontece Exemplo de reatividade contra painel: utiliza 100
durante meses ou anos e é caracterizado por uma amostras sanguíneas de 100 indivíduos diferentes para
proliferação celular ao invés de destruição do parênquima. reagir contra o soro do paciente A. Dessas 100 amostras,
o soro reconheceu os leucócitos de 40 delas. O paciente B
Os linfócitos T alorreativos e a secreção de
também está na fila de transplantes, foi feita a mesma
citocinas vão estimular essa proliferação de células
prova e o soro dele reconheceu leucócitos de 10 das 100
musculares lisas e endoteliais a longo prazo.
amostras.
Os fenômenos de proliferação acontecem com
Isso significa que a chance de o paciente A ter uma
mais frequência nos vasos sanguíneos, no qual ocorre uma
prova cruzada negativa é de 60% e a chance do paciente
isquemia crônica porque a parede do vaso vai engrossando,
B ter uma prova cruzada negativa é de 90%. Então, se
ocluindo a luz do vaso e provocando menos aporte sanguíneo.
ambos os pacientes estão em condições de igualdade no
ABO, na prova cruzada e possuem uma compatibilidade
muito parecida no HLA, o paciente A terá a preferência
para realizar o transplante, pois a chance de encontrar um
órgão que sirva para ele é menor do que a chance de
encontrar um órgão compatível para o paciente B.

39
Imunoprofilaxia
são processos de
✓ o vírus é inativado por
prevenção de doenças que provocam ativações do sistema
agentes químicos ou físicos.
imune por meio do contato do hospedeiro com o agente
✓ Exemplos: poliomielite (Salk), raiva, cólera e febre
infeccioso. Quando as pessoas são imunizadas contra uma
tifóide.
doença, elas normalmente não contraem a doença ou
contraem apenas uma forma leve dela. Curiosidade: ocorria no brasil raros casos de pólio pós
vacinal, ou seja, algumas manifestações características
Há dois tipos de imunização:
pela infecção do pólio vírus. Em função disso, a estratégia
✓ usam-se vacinas para desenvolver uma passou a ser de não mais utilizar as primeiras doses com a
resposta imune de longa duração em um indivíduo vacina Sabin. Atualmente a estratégia Inicial é com o vírus
não imune. morto e depois com o vírus atenuado, para que haja uma
✓ promover imunidade por meio das resposta imune eficiente.
transferências de anticorpos.

✓ esse tipo de vacina utiliza toxinas


inativadas e elas são dirigidas contra as toxinas
A vacina é uma preparação biológica que tem como
produzidas por um patógeno.
função simular uma infecção natural utilizando insumo
✓ Exemplo: tétano e difteria.
farmacêutico ativo (produto biológico). O objetivo da
✓ usam somente o
vacinação é fazer com que o indivíduo vacinado, ao entrar
fragmento antigênico de um microrganismo.
em contato com o patógeno, seja capaz de produzir uma
Vacinas cuja o insumo farmacêutico é um
resposta imune rápida e eficaz. A primeira vacina foi contra
polissacarídeo precisa usar a conjugação do
a varíola e ela foi desenvolvida por Edward Jenner em 1976.
polissacarídeo a uma proteína para que desenvolva
Principais imunobiológicos: também uma resposta T dependente. Isso
✓ : a vacina desse acontece para aumentar o número de mecanismos
tipo contém o vírus ativo, porém existe a diminuição efetores a serem desencadeados.
da sua virulência e ele não tem capacidade de ✓
produzir a doença. combatem diferentes tipos
✓ Exemplos: caxumba, poliomielite oral (Sabin), de doenças causadas por
sarampo, rubéola, varicela, BCG (tuberculose), bactérias encapsuladas.
febre amarela e febre tifóide (oral). Para a produção desse
tipo de vacina é preciso
envolver a cápsula de
polissacarídeos com uma
proteína que possibilita a
penetração dos anticorpos
na bactéria.

40
✓ essa vacina é baseada na A vacina da febre tifóide só recebe quem tem
informação genética do patógeno e dessa forma é
probabilidade de ser exposto em função de uma área que
possível que o hospedeiro codifique as proteínas do
microrganismo, apresente via MCH e assim, tem circulação dessa bactéria.
produza a resposta imune adequada contra esse A vacina antirrábica existe a profilaxia pré-
antígeno.
exposição que é disponibilizada em decorrência da atividade
profissional e da alta chance de exposição desse agente
patogênico (alunos de veterinária, funcionários de pet shop,
funcionários de zoológicos etc.). Já profilaxia pós-exposição
vai ser disponibilizada para aquelas pessoas que entraram
em contato com o vírus.

Desenvolvimento de vacinas
Ao pensar no desenvolvimento da vacina é preciso
pensar em algumas questões:
✓ utilização para
doenças sem solução vacinal ou como alternativa ✓ Segurança ou eficácia: não causar doença ou
para o melhoramento de vacinas já existentes. morte.
Vetores virais recombinantes (VVR) são ✓ Proteção: impedir doença após exposição ao
constituídos por vírus não patogênicos, altamente patógeno.
atenuados, que são capazes de produzir antígenos ✓ Tipo de resposta imune gerada: No caso de
de outros patógenos quando inoculados em bactéria extracelular é necessário a ativação de
indivíduos vacinados. Por serem vetores vivos, linfócitos B e secreção de anticorpos. Já para
indivíduos imunizados com estes vetores bactérias intracelulares e vírus, é preciso uma
desenvolvem ampla gama de respostas ativação de linfócitos T.
imunológicas, incluindo respostas citotóxicas células ✓ Baixo custo, estabilidade biológica, pouco efeito
T-CD8 dependentes e a produção de anticorpos. colateral e facilidade de administração.

41
Vacina viva atenuada
Vantagens: Também conhecida como soro, é a transferência
✓ É necessário apenas uma dose. de anticorpos previamente formados contra um
✓ Aumenta a imunidade da população com a microrganismo específico. As fontes desses anticorpos
transmissão do vírus atenuado para outras podem ser por soro de animais, geralmente equinos, no qual
pessoas. foram expostos a um organismo ou toxina em particular e
✓ Boa proteção, reprodução da infecção natural e desenvolveram a imunidade ou por doadores humanos que
maior eficácia. já têm anticorpos para uma doença específica.

Desvantagens:

✓ Não tem 100% de segurança, com chances de


reversão para virulência.
✓ Não é indicada para indivíduos imunodeficientes de
T, gestantes e em crianças com menos de 1 anos.
No caso das gestantes, o vírus atenuado pode
passar via placenta e provocar doença na criança
que está sendo gerada.
✓ Necessidade de refrigeração e validade limitada. A imunização passiva proporciona uma resposta
imediata e proteção eficaz apenas durante algumas
Vacinas Mortas semanas, até que o corpo elimine os anticorpos injetados.
Vantagens:
✓ resposta rápida, baixo custo e poucos
✓ É mais segura. efeitos colaterais.
✓ Estável para transportes e estocagem.
✓ curto prazo, ou seja, não tem
✓ Pode ser indicada para imunocomprometidos e
gestantes. memória imunológica e risco de desenvolvimento de
reações alérgicas (doença do soro ou anafilaxia).
Desvantagens:
✓ Tem menor eficácia.
✓ É necessário mais de uma dose. Essa técnica é indicada para:
✓ Não provoca imunidade na população.
✓ Indivíduos imunocomprometidos: recebem
anticorpos mensalmente para doenças
Critérios para inclusão de vacinas: prevalentes e para imunização de rotina.
Em primeiro lugar ser aprovado pela Anvisa e ✓ Para pessoas com risco de contrair a doença antes
existe um comitê técnico dentro do ministério da saúde que do desenvolvimento da imunização ativa
precisa observar alguns critérios para inclusão da vacina, ✓ Em casos de falta de vacina: exemplo
como: incompatibilidade com Rh, a mãe é Rh negativo e o
filho Rh positivo, após o nascimento a mãe recebe
✓ Epidemiológico, imunológico e tecnológico;
o anticorpo anti-Rh.
✓ Logístico, aspecto socioeconômico, orçamento;
✓ Controle de efeitos de venenos e toxinas
✓ Aprovação pelos comitês.

42
✓ Pode ser combinada com a vacina: exemplo do vírus
rábico, onde primeiro usa-se os anticorpos e depois
a vacina.

Os principais imunobiológicos são para prevenção


de hepatite B, raiva, tétano, varicela zoster (catapora) e
para acidentes por picadas de escorpião, mordida de cobras
e contato com aranhas e lagartas.

Os soros são sempre


heterólogos, ou seja, são sempre preparados em equinos
O organismos é
hiperimunizados. estimulado a
produzir anticorpos
Quando se trata de picada por cobra, existem
quatro gêneros de serpentes brasileiras de importância Imunização Natural: doenças
médica: Bothrops, Crotalus, Lachesis e Micrurus, Ativa
compreendendo cerca de 60 espécies.
Artificial: vacinas
Soros disponíveis no Brasil para picada de cobra:

✓ Antibotrópico: jararaca, urutu e jararacuçu


✓ Anticrotálico: cascavel O organismos
✓ Antielapídico: coral verdadeira recebe os
anticorpos
Quando não se sabe o gênero, existe preparações
que os anticorpos estão misturados. Imunização Natural:
Passiva amamentação
✓ Antibotrópico/crotálico
✓ Antibotrópico/laquético: surucucu-pico-de-jaca
Artificial: soros
Quando se trata de picada de escorpião, a
gravidade está relacionada com a proporção entre
quantidade de veneno injetado e massa corporal do indivíduo
que foi picado.

É importante ficar atento aos acidentes com


animais suspeitos de possuir raiva, pois sua letalidade é de
100% naquelas pessoas que não recém o tratamento. A
principal fonte de infecção no ciclo urbano é por cães e
gatos, já no ciclo silvestre no Brasil o principal é o morcego.

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Imunodeficiência congênita e adquirida
recombinação vai ocorrer uma deficiência na maturação
Imunodeficiências são doenças caracterizadas por dos linfócitos T e B.
distúrbios no sistema imunológico e com isso o indivíduo se
torna mais propenso a apresentar infecções. AGAMAGLOBULINEMIA LIGADA AO X

são Conhecida como Bruton, essa doença afeta


anormalidades genéticas em um ou mias componentes do apenas um compartimento da resposta imune adaptativa,
sistema imune, podendo afetar a reposta imune inata ou sendo a resposta imune humoral.
adaptativa e se manifesta nos primeiros anos de vida. Mutação gênicas na proteína tirosina-quinase de
IMUNODEFICIÊNCIA COMBINADA GRAVE (SCID) Bruton (Btk) que causa defeitos na maturação dos
linfócitos B e como consequência vai existir uma ausência
Defeito no gene da cadeia gama do receptor de somente de linfócitos B na circulação e nos órgãos linfoides
citocinas, como IL-2, IL-4, IL-9, IL-7 e IL-15. Por falta de secundários.
sinalização, principalmente de IL-2 e IL-4, vai ocorrer um
defeito na expansão clonal dos linfócitos, causando uma APLASIA TÍMICA CONGÊNITA
incapacidade funcional dessas células de responderem aos Conhecida como síndrome de Di George, acontece
estímulos antigênicos. microdeleção no braço longo do cromossomo 22,
✓ Ligada ao cromossomo X e afeta apenas criança resultando em hipoplasia tímica no 3° e 4° arcos faríngeos
do sexo masculino. Resultado: malformações cardíacas,
Outra forma é geralmente herdada como uma anormalidades craniofaciais, hipoplasia da paratireoide e
doença autossômica recessiva, que no caso não está ligada infecções por deficiência de células T.
ao X. Dessa vez o defeito é na JAK 3, que é a molécula DEFICIÊNCIA SELETIVA DE IgA
sinalizadora da cadeia gama.
Muitos pacientes são assintomáticos, mas alguns
Outra forma da doença deve-se a uma deficiência podem desenvolver infecções recorrentes do trato
da enzima adenosina desaminase. Que degrada uma gastrointestinal e das vias aéreas superior, e doenças
substância tóxica nos linfócitos. Se não autoimunes.
houver adenosina desaminase suficiente, a substância
O defeito pode ser intrínseco no linfócito B ou na
tóxica se acumula matando os linfócitos, gerando um
sinalização do linfócito T para o B, prejudicando a mudança
comprometimento na resposta imune celular e humoral
de classe de imunoglobulina.
para combater as infecções.

✓ Autossômica recessiva IMUNODEFICIÊNCIA COMUM VARIÁVEL

Também pode ocorrer uma Imunodeficiência Doença autossômica com hipogamaglobulinemia,


autossômica de RAG1 e RAG2, que são genes de que é uma deficiência na produção de anticorpos. Número
recombinação para formar a cadeia leve e pesada do de linfócitos B está normal, mas existe uma deficiência na
anticorpo e a cadeia alfa e beta do TCR. Não havendo essa diferenciação desse linfócito em plasmócito.

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SÍNDROME HIPER-IgM LIGADA AO X DEFEITOS NO NÚMERO DE NEUTRÓFILOS

Ocorre por mutação no CD40 ou CD40L, que Mutação dos genes que estão envolvidos nos
afeta a capacidade de mudança de classe e resulta em processos de maturação dos neutrófilos:
altas concentrações de IgM circulantes. ✓ Defeito do receptor do gene CSFR3: dificuldade
DOENÇA GRANULOMATOSA CRÔNICA - CGD da maturação do neutrófilo na medula óssea.
✓ Mutação do gene ELAINE: leva a não expressão
Perda de função dos neutrófilos por defeitos em
da elastase que é importante para clivar algumas
uma enzima do complexo NADPH oxidase, a GP91, que
moléculas que estão na superfície da célula
representa o principal componente responsável por
tronco.
produção de água oxigenada.
✓ Mutação do gene HAX1: substrato de tirosina
Com o mecanismo microbicida do neutrófilo quinase que está associada com o processo de
alterado, as bactérias permanecem por mais tempo nosso ativação do neutrófilo.
organismo, gerando uma forte resposta imune adaptativa
DEFICIÊNCIA DO COMPLEMENTO
e formação de granuloma.
✓ Deficiência do C3: prejudica a ativação de todas
✓ Ligada ao X.
as vias e aumenta a susceptibilidade de bactérias
DEFEITOS NA ADESÃO E MIGRAÇÃO LEUCOCITÁRIA Gram negativas.
Os leucócitos estão em números e funções ✓ Deficiência do C4 e C2: está relacionada apenas
normais, mas eles não conseguem chegar até o tecido com com a via clássica de ativação e são importantes
a inflamação Defeitos mais comuns estão nos genes das para as doenças de imunocomplexos (lúpus,
integrinas, selectinas e ligantes. vasculite), pois as hemácias possuem receptor
para C4b que ajuda na remoção de
✓ LAD 1 (família das integrinas beta-2 deficientes imunocomplexos.
ou defeituosas) ✓ Defeito no inibidor de C1: ativação excessiva da via
✓ LAD 2 (ligantes de carboidratos fucosilados para clássica do sistema complemento, causando uma
selectinas ausentes) inflamação intensa e uma deficiência geral do
sistema complemento por consumo de C3. O
✓ LAD 3 (ativação defeituosa de todas as integrinas inibidor de C1 também inibe a enzima conversora
beta). da calicreína, com um defeito nesse inibidor vai
haver muita formação de bradicinina, resultando
em vasodilatação e edema.

45
é a perda
da função do sistema imunológico devido a causas externas,
como exposição a agentes de doenças, fatores ambientais,
imunossupressão ou envelhecimento.

HIPOGAMAGLOBULINEMIA TRANSITÓRIA
Está presente nas lactentes nos primeiros meses
de vida e está relacionada com deficiência transitória de IgG.
Essa imunodeficiência deixa a criança mais susceptível a
infecções por bactérias extra celulares, mas ela
desaparece naturalmente.

HIV - AIDS
Aids, ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é
uma doença infecto-contagiosa causada pelo vírus HIV, que
leva à perda progressiva da imunidade.
3° - Após a fusão existe a liberação de todo o conteúdo do
✓ Retrovírus (RNA) núcleo do vírus no interior da célula.
✓ Infecção latente
✓ Infecta linfócitos TCD4+ e macrófagos
✓ Transmissão sexual e parenteral
✓ Imunodeficiência associada a diminuição de TCD4+

A gp120 é a ligante dos receptores do vírus na


célula hospedeira, ela vai se ligar ao CD4 do linfócito T auxiliar
e aos receptores de quimiocinas, por isso ele causa uma
intensa imunossupressão.

1° - A gp120 se liga ao CD4 e depois dessa aproximação, ela


também se liga ao CXCR 4.

2° - Depois dessa ligação, a molécula gp41 do vírus se dobra


e aproxima a membrana do linfócito e do vírus.

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o HIV possui alta taxa de
mutação, atrapalhando na detecção dos anticorpos ou de
células T.

TRATAMENTO

Inibidores de fusão:

✓ O T-20 é um polipeptídio que se liga a gp41


impedindo o seu dobramento e a fusão do vírus
com a membrana.
✓ Bloqueio dos co-receptores CCR5 e CXCR-4

Inibidor da transcriptase reversa: reduz níveis de


RNA do HIV durante muito tempo, mas não impede a
progressão da doença.

Inibidores de proteases: atua no último estágio da


replicação viral, prevenindo a formação de novos vírus.

✓ Tratamento HAART: inibidores de proteases + 2


Nesse paciente, vai ocorrer a apoptose dessas inibidores da transcriptase reversa
células infectadas e de outras células normais, pois as
Os sintomas mais comuns são febre constante,
proteínas solúveis do vírus (gp 120 e gp41) que estão
manchas na pela (sarcoma de Kaposi), calafrios, dores de
presentes no sangue vão atuar em linfócitos não infectados
cabeça e entre outros. Na fase mais avançada, é comum o
e provocar lise osmótica ou apoptose.
aparecimento de doenças oportunistas como tuberculose,
MECANISMO DOS DEFEITOS NO SISTEMA IMUNE pneumonia, toxoplasmose etc.

Dentro da população de CD4, as produtoras de IFN


e IL-2 (Th1) são as mais afetadas, pois o mecanismo de
apoptose nessas células é mias intenso e mais fácil de ser
acionado.

O macrófago também vai ser afetado pois ele


expressa baixos níveis de CD4.

Também existe uma diminuição nas células T de


memória e na função dos linfócitos TCD8, devido a baixa
capacidade de produção de IL-2 pelo TCD4.

As células infectadas pelo HIV têm baixa expressão


da molécula de MHC classe I, isso dificulta o reconhecimento
pelo CD8 e NK.

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