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Embargos de Declaração no Processo Trabalhista

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MATERIAL PROCESSO DO TRABALHO AS – MIRELLE HUGO

Embargos de Declaração no Processo do Trabalho

Os embargos de declaração são um recurso processual utilizado para sanar vícios


específicos em decisões judiciais. Esse recurso é regulado pela CLT e pelo CPC, no que
couber, aplicando-se no âmbito trabalhista para assegurar a clareza, integridade e
correção das decisões.

1.1. Natureza e Efeitos

Natureza:
Os embargos de declaração possuem natureza recursal, mas diferenciam-se de outros
recursos por não terem como objetivo principal modificar o mérito da decisão. Eles são
voltados para corrigir vícios formais na decisão, como omissão, contradição,
obscuridade ou erro material.

Efeitos:

 Interrupção do prazo recursal: Interrompem o prazo para interposição de


outros recursos (art. 897-A, §1º, da CLT).
 Efeito integrativo: Corrigem ou complementam a decisão, mas,
excepcionalmente, podem acarretar efeito modificativo, alterando o mérito,
quando a correção do vício impactar diretamente o conteúdo da decisão.

Exemplo:
Uma sentença reconhece vínculo empregatício, mas não especifica a data de início do
contrato. Os embargos podem esclarecer essa obscuridade.

1.2. Objetivos

Os embargos de declaração têm como finalidade sanar:

1. Omissão: Quando o magistrado deixa de analisar questão essencial ao


julgamento.
o Exemplo: O juiz decide sobre o vínculo empregatício, mas não menciona
o pagamento das férias.
2. Contradição: Quando há incompatibilidade lógica entre os fundamentos e a
conclusão da decisão.
o Exemplo: A sentença determina o pagamento de horas extras, mas
menciona que a jornada foi regular.
3. Obscuridade: Quando a decisão é confusa ou difícil de entender.
o Exemplo: A decisão contém termos técnicos ou conclusões contraditórias
entre si.
4. Erro Material: Quando há erros evidentes na redação ou cálculos.
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o Exemplo: O valor total da condenação foi escrito como "R$ 15.000,00"


ao invés de "R$ 150.000,00".

1.3. Finalidade de Prequestionamento

Além de corrigir vícios, os embargos de declaração têm um papel importante no


prequestionamento, que consiste em assegurar que determinada matéria seja
expressamente analisada na decisão, permitindo a interposição de recursos às instâncias
superiores.

Previsões legais e jurisprudenciais:

 Art. 896, §1º-A, da CLT: Exige o prequestionamento expresso como requisito


para o Recurso de Revista.
 Súmula 297 do TST: Define que só é cabível Recurso de Revista se a matéria
tiver sido tratada na decisão recorrida.

Exemplo de prequestionamento:
O juiz decide com base no entendimento do tribunal local, sem mencionar uma súmula
do TST. O embargante utiliza os embargos para pedir que o juiz se manifeste
expressamente sobre a súmula, viabilizando o recurso ao TST.

1.4. Previsão Legal: Art. 897-A da CLT

Os embargos de declaração no Processo do Trabalho estão previstos no art. 897-A da


CLT, que estabelece sua aplicabilidade para sanar os vícios da decisão.
Complementarmente, aplicam-se os arts. 1.022 a 1.026 do CPC, conforme o artigo 769
da CLT.

1.5. Nomenclatura

A nomenclatura "embargos de declaração" deriva de sua finalidade principal: declarar,


ou seja, esclarecer e corrigir a decisão judicial. O termo é técnico e universalmente
aceito no âmbito jurídico.

1.6. Prazo

O prazo para interposição dos embargos de declaração no Processo do Trabalho é de


cinco dias úteis, conforme o artigo 897-A da CLT.
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1.7. Forma

Os embargos de declaração devem obedecer aos seguintes requisitos formais:

1. Petição escrita e fundamentada: O embargante deve apontar objetivamente o


vício (omissão, contradição, obscuridade ou erro material).
2. Indicação clara da decisão embargada: Especificar qual decisão está sendo
embargada.
3. Apresentação no prazo legal: Cinco dias úteis, contados da intimação da
decisão.
4. Respeito aos princípios processuais: Não é permitido utilizar embargos para
rediscutir o mérito da causa, salvo em caso de erro evidente.

Exemplo Prático

Caso:
Em uma ação trabalhista, o juiz decide pelo reconhecimento de vínculo empregatício e
condena ao pagamento de férias proporcionais, mas deixa de mencionar o FGTS e não
especifica o período de vínculo.

Embargos de Declaração:
A parte interessada interpõe embargos para:

1. Sanar omissão: Pedir que o juiz se manifeste sobre o FGTS.


2. Esclarecer obscuridade: Solicitar que o magistrado detalhe o período do
vínculo reconhecido.

Recurso Ordinário no Processo do Trabalho

O recurso ordinário é um instrumento processual de revisão utilizado para atacar


decisões definitivas ou terminativas proferidas no processo do trabalho em primeira
instância, possibilitando sua análise por um tribunal de segundo grau. É regulado pela
CLT e pela jurisprudência trabalhista, garantindo o direito ao duplo grau de jurisdição.

2.1. Natureza e Efeitos

Natureza:
O recurso ordinário possui natureza recursal, sendo um recurso de apelação típico no
processo trabalhista. Ele permite a reanálise integral da decisão proferida, tanto em
questões de fato quanto de direito.

Efeitos:
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 Devolutivo: Garante ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) a reanálise da


matéria impugnada.
 Suspensivo parcial: No processo do trabalho, em regra, a execução provisória é
possível mesmo na pendência de recurso ordinário (art. 899 da CLT), salvo
quando a execução depende de caução.

Exemplo:
Uma sentença reconhece vínculo empregatício e condena a empresa ao pagamento de
R$ 50.000,00 em verbas trabalhistas. A empresa interpõe recurso ordinário para
questionar tanto o vínculo quanto o valor da condenação.

2.2. Objetivos

O recurso ordinário tem como finalidade:

1. Revisar a decisão de primeiro grau: Permitir a análise de eventuais erros de


fato ou de direito.
2. Garantir o contraditório e a ampla defesa: Ampliar a possibilidade de
revisão, assegurando o duplo grau de jurisdição.
3. Uniformizar a jurisprudência regional: Favorecer decisões mais coerentes no
âmbito do TRT.

Exemplo:
O reclamante interpõe recurso ordinário porque o juiz julgou improcedente o pedido de
horas extras, apesar de a prova testemunhal corroborar sua alegação.

2.3. Previsão Legal (art. 895 da CLT)

O recurso ordinário está previsto no art. 895 da CLT, que regula sua interposição em
face:

1. De decisões definitivas ou terminativas proferidas por varas do trabalho.


2. De decisões das juntas de conciliação e julgamento em dissídios coletivos de
competência originária.

2.4. Requisitos

Para que o recurso ordinário seja admitido, deve cumprir os seguintes requisitos:

2.4.1. Legitimidade

Somente podem interpor o recurso as partes diretamente interessadas no processo, como


reclamante, reclamado ou terceiro juridicamente interessado.
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2.4.2. Capacidade

A parte deve ser processualmente capaz, e o advogado deve estar devidamente


habilitado, com procuração nos autos.

2.4.3. Motivação

O recurso deve ser fundamentado, ou seja, é necessário demonstrar de forma clara os


erros da decisão recorrida.

2.4.4. Tempestividade

O prazo para interposição é de 8 dias úteis, contados a partir da intimação da sentença


(art. 895, caput, da CLT).

2.4.5. Preparo

O preparo é essencial para admissibilidade, composto por:

1. Custas processuais: Valor fixado na sentença, geralmente correspondente a 2%


do valor da condenação ou do valor atribuído à causa.
2. Depósito recursal: Garantia financeira para assegurar a execução. O valor é
atualizado anualmente e varia conforme a natureza do recurso e a fase
processual.
o Exemplo: Para um recurso ordinário interposto em 2024, o valor do
depósito recursal pode ser de até R$ 11.240,00, dependendo do tipo de
condenação.

Observação: Pequenos empregadores, como microempresas e empregadores


domésticos, possuem isenção ou redução desses valores, conforme o art. 899, §10, da
CLT.

2.5. Forma

2.5.1. Petição de Interposição e Endereçamento

A petição de interposição deve ser dirigida ao juízo a quo, ou seja, à vara do trabalho
que proferiu a decisão recorrida.

 Conteúdo: A petição deve conter a manifestação do desejo de recorrer, sem


necessidade de expor os fundamentos ainda nesta fase.

2.5.2. Petição de Razões e Endereçamento

As razões do recurso ordinário devem ser apresentadas ao juízo ad quem, ou seja, ao


Tribunal Regional do Trabalho (TRT) responsável pelo julgamento.
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 Conteúdo das razões:


o Exposição clara dos fatos.
o Fundamentação jurídica demonstrando o equívoco da decisão de
primeiro grau.
o Pedido de reforma ou invalidação da decisão recorrida.

Exemplo Prático

Caso:
Uma sentença reconheceu vínculo empregatício e condenou a empresa ao pagamento de
verbas trabalhistas no valor de R$ 80.000,00. A empresa, inconformada, interpõe
recurso ordinário, alegando:

1. Que o vínculo empregatício não foi comprovado.


2. Que o cálculo das verbas rescisórias contém erros.

Passo a Passo:

1. Interposição: Dentro do prazo de 8 dias, a empresa apresenta a petição ao juízo


de primeira instância, comunicando sua intenção de recorrer.
2. Preparo: Efetua o pagamento das custas processuais e do depósito recursal.
3. Razões: Apresenta as razões ao TRT, expondo os fundamentos para reformar a
sentença.

Agravo de Instrumento no Processo do Trabalho

O agravo de instrumento é um recurso utilizado no processo do trabalho com a


finalidade de destrancar outro recurso que tenha sido inadmitido pelo juízo de origem.
Ele possibilita que um tribunal superior analise a admissibilidade e o mérito do recurso
negado.

3.1. Natureza e Efeitos

Natureza:
É um recurso de natureza instrumental, voltado exclusivamente à revisão da decisão
que negou seguimento a outro recurso, como o recurso de revista ou recurso ordinário.

Efeitos:

 Devolutivo: O agravo de instrumento devolve ao tribunal ad quem a análise sobre a


admissibilidade do recurso trancado.
 Não possui efeito suspensivo: A decisão que inadmitiu o recurso continua produzindo
efeitos até que haja decisão do tribunal superior.

Exemplo:
Um recurso de revista interposto contra decisão de TRT é negado por falta de
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pressupostos de admissibilidade. O agravo de instrumento pode ser utilizado para tentar


destrancar esse recurso, levando a questão ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

3.2. Objetivos

O agravo de instrumento tem como principais objetivos:

1. Garantir acesso à instância superior: Permitir a análise do recurso que teve


seguimento negado.
2. Corrigir erro na admissibilidade: Impedir que erros na avaliação dos pressupostos
recursais prejudiquem o direito à revisão.
3. Assegurar o duplo grau de jurisdição: Em casos que envolvem decisões de tribunais
regionais ou varas trabalhistas.

3.3. Agravo de Instrumento e a Irrecorribilidade Imediata das Decisões


Interlocutórias

No processo do trabalho, em regra, as decisões interlocutórias (proferidas durante o


curso do processo) não são passíveis de recurso imediato, conforme o princípio da
irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. Essas decisões somente
podem ser questionadas no recurso ordinário ou no momento processual oportuno.

Contudo, o agravo de instrumento não se aplica a decisões interlocutórias, mas sim às


situações em que um recurso foi negado. Portanto, sua função é específica e distinta da
impugnação de decisões interlocutórias.

3.4. Previsão Legal (Art. 897, Alínea "b", da CLT)

A previsão legal do agravo de instrumento está no art. 897, alínea "b", da CLT, que
disciplina sua aplicação contra decisões que denegam seguimento a recurso ordinário,
recurso de revista, recurso extraordinário ou outros recursos previstos no processo do
trabalho.

3.5. Requisitos

Para que o agravo de instrumento seja admitido, ele deve atender a determinados
pressupostos:

3.5.1. Legitimidade
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Somente pode interpor o agravo a parte diretamente interessada na reforma da decisão


que inadmitiu o recurso.

3.5.2. Capacidade

A parte deve ter capacidade processual, e o advogado deve estar devidamente habilitado
nos autos.

3.5.3. Motivação

O agravo deve ser devidamente fundamentado, indicando os motivos pelos quais o


recurso anterior deveria ter sido admitido.

3.5.4. Tempestividade

O prazo para interposição é de 8 dias úteis, conforme o art. 897 da CLT.

3.5.5. Preparo

3.5.5.1. Custas

No processo do trabalho, o recolhimento de custas ocorre apenas na fase de execução,


conforme o art. 789-A, III, da CLT.

3.5.5.2. Depósito Recursal

O depósito recursal deve ser efetuado quando o agravo busca destrancar recurso que
discuta valores.

 Valor: 50% do valor do depósito recursal do recurso que se pretende destrancar (art.
899, §7º, da CLT).
 Exceção: Não é exigido depósito recursal quando o recurso de revista foi interposto
contra decisão que viola jurisprudência uniforme do TST (art. 899, §8º, da CLT).

3.5.6. Formação do Instrumento

O agravo deve ser instruído com as peças processuais necessárias:

 Peças obrigatórias:
o Decisão agravada.
o Certidão de intimação.
o Petição do recurso inadmitido.
o Decisão que inadmitiu o recurso.
 Peças facultativas/suplementares:
o Outras peças que possam ser úteis à compreensão do caso.

Previsão: Art. 897, §5º, da CLT.


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3.6. Forma

3.6.1. Petição de Interposição e Endereçamento

A petição de interposição deve ser dirigida ao presidente do tribunal ad quem, ou


seja, ao presidente do tribunal que apreciará o agravo de instrumento.

3.6.2. Petição de Razões e Endereçamento

As razões do agravo de instrumento devem ser endereçadas ao juízo ad quem, que


analisará o mérito da decisão denegatória.

Exemplo Prático

Caso:
Uma empresa interpôs recurso de revista para questionar uma decisão do TRT que
reconheceu vínculo empregatício e condenou ao pagamento de R$ 200.000,00 em
verbas trabalhistas. O presidente do TRT negou seguimento ao recurso de revista por
entender que não houve violação literal da lei ou divergência jurisprudencial apta a
justificar sua admissão.

Solução:
A empresa interpõe agravo de instrumento, apontando:

1. Que a decisão do TRT desconsiderou súmulas e OJs do TST aplicáveis ao caso.


2. Que o recurso de revista preenche os requisitos legais para admissão.

 Formação do Instrumento: Anexa a decisão denegatória, a certidão de intimação, a


petição do recurso de revista e as demais peças obrigatórias.
 Depósito Recursal: Realiza o pagamento correspondente a 50% do valor do depósito
recursal exigido para o recurso de revista.

Recurso de Revista no Processo do Trabalho

O recurso de revista é um recurso de natureza especial no processo do trabalho,


destinado à revisão de decisões de Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) que
apresentem divergência jurisprudencial, violação de lei federal ou afronta à
Constituição. É julgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

4.1. Natureza e Efeitos

 Natureza:
O recurso de revista tem natureza extraordinária, ou seja, não busca revisar fatos
ou provas, mas corrigir erros de direito relacionados à interpretação ou aplicação
de normas jurídicas.
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 Efeitos:
o Devolutivo: Leva ao TST a análise das matérias de direito indicadas no recurso.
o Não tem efeito suspensivo, ou seja, a decisão recorrida continua produzindo
efeitos até que o recurso seja julgado.

Exemplo:
Uma decisão do TRT aplicou de forma equivocada uma norma constitucional sobre
equiparação salarial. A parte prejudicada interpõe recurso de revista para que o TST
corrija a interpretação dada pelo TRT.

4.2. Objetivos

O recurso de revista tem como principais objetivos:

1. Unificar a jurisprudência trabalhista nacional: Resolver divergências entre os TRTs


sobre a aplicação de leis trabalhistas.
2. Corrigir decisões contrárias à Constituição ou à legislação federal: Garantir a correta
aplicação do ordenamento jurídico.
3. Consolidar o entendimento do TST sobre matérias trabalhistas relevantes.

4.3. Previsão Legal (Art. 896 da CLT)

O art. 896 da CLT prevê os fundamentos para interposição do recurso de revista:

4.3.1. Art. 896, "a", da CLT

Cabe recurso de revista quando a decisão recorrida:

 Der ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação divergente em relação a outro


TRT ou ao próprio TST.
 Contrariar súmula de jurisprudência uniforme do TST ou súmula vinculante do STF.

Exemplo:
Dois TRTs interpretam de forma diferente o direito à estabilidade gestante em contratos
por prazo determinado.

4.3.2. Art. 896, "b", da CLT

Cabe recurso de revista quando a decisão recorrida der interpretação divergente a:

 Lei estadual.
 Convenção Coletiva de Trabalho ou Acordo Coletivo com alcance em área territorial
superior à jurisdição do TRT.
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Exemplo:
Um TRT reconhece validade de uma cláusula coletiva que outro TRT considera
inválida.

4.3.3. Art. 896, "c", da CLT

Cabe recurso de revista quando houver:

 Violação literal de disposição de lei federal.


 Afronta direta e literal à Constituição Federal.

Exemplo:
Uma decisão do TRT viola expressamente o direito à ampla defesa garantido pela
Constituição.

4.4. Requisitos

O recurso de revista deve atender aos seguintes requisitos:

4.4.1. Legitimidade

Somente as partes diretamente prejudicadas pela decisão podem interpor o recurso.

4.4.2. Capacidade

A parte recorrente e seu representante legal devem ter capacidade processual.

4.4.3. Motivação

Deve ser fundamentado, indicando de forma clara os dispositivos legais ou


constitucionais violados, ou a divergência jurisprudencial.

4.4.4. Tempestividade

O prazo para interposição é de 8 dias úteis (art. 897 da CLT).

4.4.5. Preparo

O recurso deve ser acompanhado do recolhimento de:

4.4.5.1. Custas

Devidas conforme decisão recorrida.

4.4.5.2. Depósito Recursal

 Garantia do juízo, exigida para empregadores, com valores fixados periodicamente


pelo TST.
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4.4.6. Transcendência (Art. 896-A da CLT)

O TST somente admitirá o recurso de revista quando a questão tiver transcendência,


que pode ser:

 Econômica: Relevância econômica da causa.


 Política: Impacto na jurisprudência trabalhista ou ordem jurídica.
 Social: Repercussão social ou impacto em categorias profissionais.
 Jurídica: Necessidade de fixação de tese jurídica para uniformização.

4.4.7. Prequestionamento

É necessário que a matéria objeto do recurso tenha sido previamente discutida e


decidida na instância inferior (art. 896, §1º-A, da CLT e Súmula 297 do TST).

4.5. Forma

4.5.1. Petição de Interposição e Endereçamento

A petição de interposição deve ser dirigida ao presidente do TRT que proferiu a


decisão recorrida.

4.5.2. Petição de Razões e Endereçamento

As razões devem ser dirigidas ao TST, expondo os fundamentos jurídicos para reforma
da decisão.

4.6. Vedações

4.6.1. Inadmissibilidade em Dissídios Coletivos

O recurso de revista não é cabível em dissídios coletivos ou procedimentos de


competência originária dos TRTs.

4.6.2. Vedação ao Reexame de Fatos e Provas

Não é admitido para discutir matéria fática, conforme a Súmula 126 do TST.

4.6.3. Rito Sumaríssimo

No rito sumaríssimo, o recurso de revista é admitido apenas em caso de:


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 Violação direta à Constituição Federal.


 Contrariedade à súmula do TST ou vinculante do STF.

Exemplo Prático

Caso:
Um empregado teve recurso ordinário negado no TRT, que entendeu que a multa do art.
477 da CLT não seria aplicável. O tribunal se baseou em uma interpretação divergente
de outro TRT sobre o mesmo dispositivo legal.

Solução:
A parte interpõe recurso de revista ao TST, fundamentando a divergência
jurisprudencial e anexando decisões de outros tribunais com interpretação diferente.

Agravo de Petição

5.1. Natureza e efeitos

 O Agravo de Petição é um recurso utilizado no processo trabalhista, com objetivo de


questionar decisões no âmbito da execução.
 Possui efeito devolutivo, permitindo ao juízo ad quem revisar os pontos indicados no
recurso.

5.2. Objetivos

 Revisar decisões definitivas, terminativas ou interlocutórias que impactem a execução


do processo.
 Garantir que os princípios do contraditório e ampla defesa sejam respeitados.

5.3. Previsão Legal (Art. 897, alínea “a”, da CLT)

 O artigo 897 da Consolidação das Leis do Trabalho prevê o cabimento do agravo de


petição para atacar decisões proferidas no curso ou encerramento da execução.

5.3.1. Contra decisões definitivas, terminativas ou interlocutórias de ordem pública

 Inclui decisões que abordem questões processuais relevantes ou de interesse público.

5.4. Requisitos

5.4.1. Legitimidade

 Apenas partes interessadas e prejudicadas pela decisão podem interpor o recurso.

5.4.2. Capacidade

 A parte deve possuir capacidade processual para recorrer.


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5.4.3. Motivação

 O recurso deve ser fundamentado, indicando os pontos que pretende ver reformados.

5.4.4. Tempestividade

 Prazo de 8 dias úteis contados da intimação da decisão.

5.4.5. Preparo

 O recurso deve ser acompanhado de:


o Custas: Pagamento obrigatório nos termos da CLT.
o Ausência de depósito recursal e garantia necessária de juízo (Súmula 128 do
TST): Não é necessário o depósito recursal em agravo de petição; contudo, a
garantia do juízo é exigida.

5.5. Forma

5.5.1. Petição de Interposição e Endereçamento

 Deve ser dirigida ao juízo que proferiu a decisão (juízo a quo).

5.5.2. Petição de Razões e Endereçamento

 Deve ser endereçada ao tribunal ad quem, responsável por julgar o recurso.

Agravo Interno

6.1. Natureza e efeitos

 Recurso direcionado ao próprio tribunal que proferiu decisão monocrática.


 Busca submeter o caso ao colegiado.
 Tem efeito devolutivo, em regra.

6.2. Previsão Legal

 Previsto na CLT (art. 709, §1º; art. 894, §4º; art. 896, §12º).
 Regulamentado também pelos regimentos internos dos tribunais.

6.2.1. Disposição Regulatória

 Cada tribunal pode detalhar regras de processamento e julgamento no regimento


interno.

6.2.2. Contra decisão monocrática

 Cabível contra decisão individual de desembargador ou ministro, levando o caso ao


colegiado.
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6.3. Requisitos

6.3.1. Legitimidade

 Apenas partes prejudicadas pela decisão monocrática podem recorrer.

6.3.2. Capacidade

 Exige capacidade processual da parte recorrente.

6.3.3. Motivação

 Necessidade de fundamentação clara para justificar o pedido de reforma da decisão.

6.3.4. Tempestividade

 O prazo para interposição é de 8 dias úteis contados da publicação da decisão.

LINHA DO TEMPO

FASE DE CONHECIMENTO

1. Fase Inicial

1.1. Distribuição da Reclamação Trabalhista

 O processo inicia com a petição inicial protocolada pelo reclamante.


 Após distribuição, o reclamado é citado para apresentar defesa na audiência.

1.2. Audiência Inicial

 Tentativa de conciliação entre as partes.


o Resultado possível:
 Acordo (extinção do processo com solução consensual);
 Frustração da conciliação, dando seguimento ao processo com a
apresentação de defesa e instrução.

2. Instrução Processual

 São colhidas provas, ouvidas testemunhas e realizados os demais atos necessários


para apuração dos fatos.

3. Sentença

 O juiz profere a decisão com análise do mérito ou eventual extinção sem julgamento
de mérito.
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o Prazo: Normalmente, é proferida em até 30 dias após o encerramento da


instrução, salvo situações excepcionais.

4. Recursos Cabíveis Contra a Sentença

4.1. Embargos de Declaração

 Cabível: Contra omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais na sentença.


 Prazo: 5 dias úteis a contar da intimação da decisão.
 Efeito: Suspende o prazo para outros recursos.

4.2. Recurso Ordinário

 Cabível: Contra decisões definitivas ou terminativas da sentença em 1ª instância.


 Prazo: 8 dias úteis após a intimação (ou após o julgamento dos embargos de
declaração, se houver).
 Efeito: Devolutivo (o processo é remetido ao Tribunal Regional do Trabalho para
revisão).

5. Fase de Julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT)

5.1. Possíveis Decisões

1. Manutenção da Sentença de 1ª Instância;


2. Reforma Parcial ou Total.

5.2. Recursos Cabíveis no TRT

5.2.1. Embargos de Declaração

 Mesmo fundamento e prazo (5 dias úteis) que no 1º grau.

5.2.2. Recurso de Revista

 Cabível: Contra decisões do TRT que afrontem a Constituição, leis federais, súmulas ou
orientações jurisprudenciais do TST.
 Prazo: 8 dias úteis após a intimação.
 Requisito: Prequestionamento da matéria (a questão deve ter sido discutida
anteriormente).
 Destinatário: Tribunal Superior do Trabalho (TST).

6. Fase de Julgamento no Tribunal Superior do Trabalho (TST)

6.1. Possíveis Decisões


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1. Manutenção da Decisão do TRT;


2. Reforma Parcial ou Total;
3. Determinação de Retorno ao TRT para novo julgamento.

6.2. Recursos Cabíveis no TST

6.2.1. Embargos de Declaração

 Mesmo fundamento e prazo que nas instâncias anteriores.

6.2.2. Embargos à SDI (Seção de Dissídios Individuais)

 Cabível: Quando houver divergência de decisões entre Turmas do TST ou violação de


súmulas vinculantes.
 Prazo: 8 dias úteis após a decisão da Turma.

6.2.3. Recurso Extraordinário

 Cabível: Para o Supremo Tribunal Federal (STF), em casos de violação direta à


Constituição.
 Prazo: 15 dias úteis após a decisão.

Observações Gerais

 Recursos Interlocutórios: No processo trabalhista, em regra, decisões interlocutórias


não são passíveis de recurso imediato (CLT, art. 893, §1º). Eventuais inconformismos
podem ser analisados em preliminar de recurso ordinário ou por mandado de
segurança em casos excepcionais.
 Preparo Recursal: Alguns recursos exigem o pagamento de custas e depósito recursal
como requisito de admissibilidade.

FASE DE EXECUÇÃO

1. Liquidação de Sentença

1.1. Conceito

A liquidação de sentença é o procedimento destinado a determinar o valor exato da


obrigação reconhecida em sentença judicial, transformando-a em um título executivo
líquido e certo, apto à execução.

1.3. Previsão Legal

 Regulada pelo art. 879 da CLT:


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o Estabelece que a liquidação é necessária para apurar o valor da


condenação.
o Proíbe a modificação do mérito da decisão na fase de liquidação.

1.3.1. Vedação à Modificação do Mérito

 O mérito da sentença não pode ser alterado ou rediscutido na liquidação (art.


879, §1º, da CLT).

1.4. Modalidades de Liquidação

1.4.1. Liquidação por Cálculo

 Conceito: Simples cálculo aritmético, realizado pelo credor ou órgão auxiliar,


para apuração do valor devido.
 Aplicação: Subsidiária ao art. 509, §§2º e 3º, do CPC.
 Ferramentas: Utilização do sistema PJe-Calc e orientação do CSJT.

1.4.2. Liquidação por Arbitramento

 Conceito: Usada quando o cálculo depende de avaliações complexas,


geralmente realizadas por perito.
 Aplicação: Subsidiária ao art. 509, I, do CPC.
 Características: Pode ser definida por convenção entre as partes ou
determinada pelo juiz, caso a apuração por cálculo não seja viável.

1.4.3. Liquidação por Artigos

 Conceito: Procedimento comum quando há fatos não suficientemente apurados


na sentença e que são necessários para quantificação.
 Exemplo: Necessidade de verificar a duração exata de horas extras em um
período não totalmente comprovado.

1.5. Procedimento

1.5.1. Trânsito em Julgado

 A liquidação somente ocorre após o trânsito em julgado da sentença (quando


não cabem mais recursos sobre o mérito).

1.5.2. Intimação para Liquidação

 A parte interessada é intimada para apresentar os cálculos ou requerer a


liquidação por arbitramento ou artigos.

1.5.3. Impugnação
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 Após a apresentação dos cálculos, abre-se prazo de 8 dias úteis para que a outra
parte impugne os valores, sob pena de preclusão.

1.5.4. Notificação de Órgãos Auxiliares

 Caso necessário, órgãos auxiliares da Justiça do Trabalho (ex.: contadoria)


podem ser intimados para análise dos cálculos em 10 dias úteis.

1.5.5. Designação de Perícia

 Caso a impugnação não seja solucionada, o juiz pode nomear perito para realizar
apuração detalhada, observando manifestações das partes.

1.5.6. Sentença de Liquidação

 Após a conclusão dos cálculos e eventuais perícias, o juiz profere a sentença de


liquidação, formalizando o valor devido para fins de execução.

Resumo das Modalidades e Exemplo Prático

 Liquidação por cálculo: Um trabalhador cobra saldo de FGTS. O cálculo


aritmético é suficiente para apurar os valores.
 Liquidação por arbitramento: Um trabalhador busca indenização por dano
moral, e o valor deve ser estipulado com base em critérios subjetivos, como a
extensão do dano.
 Liquidação por artigos: A sentença reconhece o direito às horas extras, mas é
necessário apurar quantas foram efetivamente realizadas.

Segue o detalhamento sobre o cumprimento de sentença no processo do trabalho, com


explicações e exemplos:

2. Cumprimento de Sentença

2.1. Conceito

O cumprimento de sentença é a fase do processo onde a sentença líquida, certa e


exigível (ou seja, com valor claramente determinado) é formalizada como título
executivo judicial. Nesta fase, o objetivo é exigir o cumprimento da decisão que já
transitou em julgado ou que não comporta mais recursos, visando a execução da
obrigação de pagamento ou do cumprimento da decisão.

2.2. Do Procedimento

2.2.1. Início do Cumprimento de Sentença


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 O cumprimento de sentença pode ser iniciado:


1. Por iniciativa da parte: A parte vencedora solicita ao juiz o início do
cumprimento da sentença, podendo ser feito pelo advogado da parte.
2. De ofício: Em casos de jus postulandi (quando a parte pode atuar
diretamente, sem advogado), o juiz pode iniciar o cumprimento sem
solicitação expressa da parte.

2.2.2. Mandado de Citação

 Uma vez solicitado o início da fase de cumprimento, o juiz ou presidente do


tribunal expede mandado de citação para o executado.
o O executado tem 48 horas para cumprir a decisão, pagar a quantia
devida ou garantir a execução (através de depósito, seguro-garantia
judicial ou nomeação de bens à penhora).
o Caso o executado não cumpra a decisão ou não apresente garantia de
juízo, pode ser determinado penhora de bens (art. 880 da CLT).

2.2.3. Citação por Oficial de Justiça e Citação por Edital

 Citação por oficial de justiça: Em regra, a citação é feita por um oficial de


justiça que tenta encontrar o executado.
 Não localização do executado: Se após duas tentativas de citação, o
executado não for localizado, poderá ser realizada citação por edital (art. 880,
§§2º e 3º da CLT), com a publicação de edital em local adequado, informando a
existência da execução.

2.2.4. Hipótese de Pagamento

 Se o executado cumprir a decisão, ou seja, efetuar o pagamento da quantia


devida, lavra-se o termo de quitação (art. 881 da CLT). Esse termo formaliza o
cumprimento integral da sentença e encerra a execução.

2.2.5. Não Pagamento e Garantia de Juízo

 Caso o executado não pague e não garanta a execução (não apresente os meios
de garantia, como depósito ou seguro-garantia), o juiz pode proceder com a
penhora de bens que sejam suficientes para garantir o valor da execução,
incluindo encargos legais (art. 883 da CLT).

2.2.6. Não Pagamento e Não Garantia de Juízo

 Se o executado não efetuar o pagamento e também não garantir a execução, o


juiz pode penhorar bens do executado (que sejam suficientes para cobrir o
valor da condenação, mais encargos legais), o que viabiliza a execução do
pagamento da dívida (art. 883 da CLT).

2.2.6.1. Inscrição nos Órgãos de Proteção ao Crédito

 Inscrição do nome do executado: Após 45 dias a contar da citação do


executado, caso o pagamento não tenha sido feito e não haja garantia de juízo, o
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nome do executado pode ser inscrito nos órgãos de proteção ao crédito ou no


Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT) (art. 883-A da CLT).
Isso pode afetar a reputação creditícia do executado, pressionando-o a cumprir a
obrigação.

Exemplo Prático:

1. Sentença de Liquidação: Um trabalhador obtém uma sentença que determina o


pagamento de R$ 10.000,00 em verbas rescisórias.
2. Cumprimento da Sentença:
o O juiz expede o mandado de citação para o empregador, que tem 48
horas para pagar ou garantir a execução.
o O empregador não paga nem garante a execução, então o juiz determina
a penhora de bens do empregador.
3. Inscrição no BNDT: Se o empregador não cumprir a sentença dentro de 45 dias
após a citação, seu nome será inscrito no BNDT e nos órgãos de proteção ao
crédito, aumentando a pressão para o cumprimento da decisão.

3. Embargos à Execução

3.1. Conceito

Os embargos à execução são um recurso utilizado pelo executado para contestação de


atos da execução ou penhora de bens. Eles visam contestar a forma ou a existência da
execução, por meio da alegação de que a sentença não deveria ser cumprida, ou de que
há irregularidades no procedimento de execução ou penhora.

Exemplo prático:

Um empregador pode apresentar embargos à execução, alegando que a dívida foi paga,
mas não foi considerada pela parte exequente. Ele também pode argumentar que os bens
penhorados são impenhoráveis ou de valor irrisório.

3.2. Prazo

O prazo para interposição de embargos à execução é de 5 dias, contados a partir de:

1. Garantia de bens (quando o executado oferece bens para garantir a execução)


ou
2. Notificação da penhora (quando o executado é informado de que seus bens
foram penhorados).

Este prazo é contado de forma processual, ou seja, levando em consideração os prazos


estabelecidos pela legislação e normas pertinentes.
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Aqui está a linha do tempo da execução no processo do trabalho, com a inclusão dos
recursos cabíveis em cada fase e as situações em que esses recursos podem ser
interpostos:

Linha do Tempo da Execução no Processo do Trabalho

1. Trânsito em Julgado da Sentença

 Descrição: A sentença transitou em julgado, tornando-se definitiva e exigível,


ou seja, não cabe mais recurso. A parte que foi condenada deve cumprir a
decisão.
 Recursos Cabíveis: Nenhum recurso é cabível, pois a sentença já transitou em
julgado.

2. Abertura da Fase de Execução

 Descrição: Com a sentença transitada em julgado, inicia-se a fase de execução,


onde a parte vencedora (credor) pode buscar o cumprimento da decisão.
 Recursos Cabíveis: Não há recursos nesta fase inicial, mas as partes podem
tentar uma negociação extrajudicial.

3. Citação do Executado para Cumprir a Sentença

 Descrição: O juiz determina a citação do executado (parte que perdeu a ação)


para que este cumpra a sentença, com prazo de 48 horas para pagar ou garantir o
cumprimento da decisão, sob pena de penhora (art. 880 da CLT).
 Recursos Cabíveis: Nenhum recurso cabível nesta fase.

4. Não Pagamento ou Garantia de Juízo

 Descrição: Se o executado não pagar, ele pode garantir a execução por meio de
depósito em dinheiro, seguro-garantia judicial ou nomeação de bens à penhora.
Caso não faça isso, a penhora será realizada para garantir o cumprimento da
sentença (art. 883 da CLT).
 Recursos Cabíveis:
o Embargos à Execução: O executado pode apresentar embargos à
execução (art. 884 da CLT) caso haja alegação de que a dívida foi
quitada, ou que não há bens suficientes para penhorar.
o Agravo de Petição: Caso o juiz defira a penhora ou a garantia de juízo e
o executado não concorde, pode interpor agravo de petição (art. 897,
alínea "a", da CLT).
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5. Penhora de Bens

 Descrição: Caso o executado não pague e não garanta a execução, a penhora de


bens será realizada. O juiz determina quais bens serão penhorados para garantir
o cumprimento da sentença.
 Recursos Cabíveis:
o Embargos à Execução: O executado pode alegar que os bens
penhorados são impenhoráveis ou de valor irrisório, interpondo
embargos à execução.
o Agravo de Petição: Caso a penhora não seja aceita pelo executado, este
pode interpor agravo de petição.

6. Possibilidade de Inscrição nos Órgãos de Proteção ao Crédito

 Descrição: Se o executado não pagar a dívida no prazo de 45 dias após a


citação, ele pode ser inscrito no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas
(BNDT) ou em órgãos de proteção ao crédito (art. 883-A da CLT).
 Recursos Cabíveis:
o Embargos à Execução: O executado pode interpor embargos à execução
caso discorde da inscrição nos órgãos de proteção ao crédito.

7. Realização de Audiência

 Descrição: O juiz pode designar uma audiência para tentar conciliar as partes,
verificar a impossibilidade de cumprimento da sentença ou apurar a efetividade
das ações executivas.
 Recursos Cabíveis: Não há recursos cabíveis, mas a parte pode tentar resolver
de forma consensual.

8. Conclusão da Execução

 Descrição: Quando a dívida é paga ou a execução é satisfeita por meio de outra


medida (como a penhora), o juiz encerrará a execução e proferirá o respectivo
despacho de extinção da execução.
 Recursos Cabíveis: Nenhum recurso cabível nesta fase, a não ser que o
executado alegue erro no cálculo do valor executado ou o pagamento já tenha
sido realizado, podendo interpor:
o Embargos à Execução (se alegar pagamento ou erro no cálculo).
o Agravo de Petição (se houver decisão de penhora ou outra medida
contestada).
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9. Cumprimento de Sentença

 Descrição: Após a liquidação da sentença (se houver), a fase de cumprimento


de sentença começa, onde o executado deve pagar o valor determinado.
 Recursos Cabíveis: Embargos à Execução são cabíveis caso o executado
alegue que já pagou ou que a dívida é inexigível.

Recursos Cabíveis Durante a Execução:

1. Embargos à Execução (Art. 884 da CLT):


o Quando usar: Quando o executado discorda da execução, seja por
alegar que a dívida foi quitada, seja por contestar a penhora ou a validade
dos cálculos.
o Exemplo: O executado contesta a penhora de bens, alegando que são
impenhoráveis.
2. Agravo de Petição (Art. 897 da CLT):
o Quando usar: Quando há decisões definitivas ou interlocutórias durante
a execução que a parte entende ser equivocadas, especialmente sobre
penhoras ou medidas que impactem o patrimônio do executado.
o Exemplo: O executado discorda de uma decisão que determina a
penhora de bens.
3. Apelação:
o Quando usar: Em casos específicos de decisões que não sejam passíveis
de embargos ou agravos, mas ainda possam ser contestadas por apelação
(por exemplo, quando se tratar de um erro material ou questão de
mérito).

Exemplo Prático de Linha do Tempo:

1. Sentença transitada em julgado: O juiz condena o empregador a pagar R$


10.000,00 ao trabalhador.
2. Execução iniciada: O trabalhador pede o cumprimento da sentença.
3. Citação do empregador: O empregador é citado para pagar o valor ou garantir
a execução em 48 horas.
4. Não pagamento: O empregador não paga, e o juiz determina a penhora de bens.
5. Embargos à Execução: O empregador apresenta embargos, alegando que os
bens penhorados são impenhoráveis.
6. Penhora de bens: O juiz determina nova penhora de outros bens do
empregador.
7. Conclusão da execução: O pagamento é efetuado ou os bens são leiloados e o
valor é pago ao trabalhador.
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3.3. Matéria de Discussão nos Embargos

Os embargos à execução podem ser fundamentados em diversas razões que questionam


a legalidade ou regularidade da execução. As principais matérias discutidas são:

 Inexigibilidade da dívida: O executado alega que a dívida não existe ou que a


sentença não é exigível.
 Cumprimento da decisão: O executado alega que a decisão foi cumprida, mas
o crédito não foi considerado.
 Acordo ou quitação: O executado sustenta que houve um acordo que extinguiu
a execução ou que o pagamento já foi realizado e quitou a dívida.
 Impenhorabilidade de bens: O executado argumenta que os bens penhorados
são impenhoráveis, como, por exemplo, bens de família ou instrumentos de
trabalho.
 Bens de valor inexpressivo: O executado pode alegar que os bens penhorados
são de valor ínfimo, não suficiente para cobrir a dívida.
 Prescrição da dívida: O executado pode alegar que a dívida prescreveu, isto é,
o prazo para a cobrança já expirou.

3.3.1. Prescrição Intercorrente (Art. 11-A da CLT)

 Conceito: A prescrição intercorrente ocorre quando há um descumprimento


de uma determinação judicial durante a execução, e o processo fica
paralisado por mais de 2 anos. A partir do descumprimento da ordem judicial,
se não houver andamento no processo, a prescrição é reconhecida.

A prescrição intercorrente tem como objetivo evitar que o processo se arraste


indefinidamente sem movimentação, promovendo a celeridade processual.

 Exemplo prático: Se, após a penhora de bens, o processo não for movimentado
pelo credor durante dois anos, o executado pode alegar a prescrição
intercorrente, encerrando a execução.

3.3.1.2. Prescrição Intercorrente como Matéria de Ordem Pública

A prescrição intercorrente é matéria de ordem pública (art. 11-A, §2º, da CLT), o que
significa que o juiz pode reconhecer a prescrição de ofício, ou seja, sem que seja
necessário o pedido da parte.

3.4. Impugnação aos Embargos à Execução

 Prazo de Impugnação: Caso os embargos à execução sejam interpostos, a parte


contrária (exequente) tem o prazo de 5 dias para apresentar sua impugnação, ou
seja, contestar os argumentos apresentados nos embargos.
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3.5. Possibilidade de Audiência nos Embargos à Execução

 Audiência: Em casos específicos, o juiz pode designar audiência para ouvir as


partes e decidir sobre os embargos à execução. A audiência pode ser necessária
para a verificação de provas ou quando as partes solicitarem esclarecimentos
adicionais.

Exemplo Prático:

1. Contexto: Um trabalhador ganha na Justiça o direito a receber uma quantia em


dinheiro. O juiz manda penhorar bens do empregador.
2. Embargos à Execução: O empregador entra com embargos à execução,
alegando que já pagou o valor devido ao trabalhador, mas este pagamento não
foi reconhecido pelo juiz.
3. Prescrição Intercorrente: Durante o trâmite do cumprimento da sentença, o
empregador alega que o processo ficou parado por mais de 2 anos e que,
portanto, a dívida prescreveu.

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