100% acharam este documento útil (1 voto)
2K visualizações168 páginas

Faca Sua Parte

Faça sua parte

Enviado por

natyguilherme7
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
2K visualizações168 páginas

Faca Sua Parte

Faça sua parte

Enviado por

natyguilherme7
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Nenhum casamento é perfeito e,

muitas vezes, a gente não vive em


um ambiente onde os pais são bons
exemplos de casamento saudável.

Provavelmente, você já passou por


situações em seu casamento ou no
casamento de seus pais que te dei-
xaram com algum receio, crença
ou até mesmo trauma.

Mas é importante lembrar que o


passado não define o futuro, e é
nesse ponto que este livro pode fa-
zer a diferença.

Espero que esse livro possa guiá-lo


na reflexão sobre suas experiências
passadas e como elas influenciam
seus relacionamentos atuais. Que
ele o ajude a ressignificar traumas
e a construir uma base sólida para
um amor verdadeiro e duradouro.
Que você descubra a importância
da comunicação eficaz, da recipro-
cidade e do cuidado mútuo em seu
relacionamento.

Ao final desta jornada, espero que


você esteja mais preparado para
cultivar um relacionamento sau-
dável e feliz, baseado em respeito,
compreensão e amor.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Lima, Bruna Porto


Faça sua parte : construa um relacionamento leve
e saudável com seu cônjuge, restaurando confiança
e intimidade / Bruna Porto Lima. -- 1. ed. --
São Paulo : NDD Media, 2024.

ISBN 978-65-85990-08-0

1. Casais - Relacionamento 2. Casamento


3. Relacionamentos I. Título.

24-203229 CDD-158.25
Índices para catálogo sistemático:

1. Relacionamentos amorosos : Psicologia 158.25

Tábata Alves da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9253

Revisão: Talima Haidosliat

Apoio: Jeferson Bruno

Todos os direitos reservados


SUMÁRIO

Dedicatória � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 7
Mensagem ao leitor� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 9
Introdução � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 13
Qual o principal problema dos relacionamentos? � � � � � � � � � � � � � � 21
Autorresponsabilidade� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 25
Princípios e Valores � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 41
Casamento de Contrato e Casamento de Aliança � � � � � � � � � � � � � � � 57
Individualidade � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 63
Vícios Emocionais � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 77
Perdão � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 95
Comunicação Assertiva� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 107
Padrões prejudiciais de comunicação� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 119
Posicionamento de Valor � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 131
Resgatando o Relacionamento � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 139
A fase do plantio � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 145
Faça a sua Parte� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 149
O Segredo do Relacionamento de Sucesso � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 157
DEDICATÓRIA

C
om muita gratidão, dedico esse livro ao meu marido
Michel, pelo amor, respeito, confiança e parceria, e
por me fazer rir há mais de 20 anos de casados. Ele
foi a principal fonte de motivação para eu poder contribuir
hoje com o mundo, compartilhando muito do que aprendi
sobre relacionamentos conjugais ao longo dos anos. Digo
com toda certeza que, sem ele ao meu lado, eu jamais
chegaria onde cheguei. É uma honra dividir a trincheira
da vida ao seu lado.

Dedico também ao meu filho Bruno, que me mostrou


que eu poderia me tornar uma pessoa melhor para ser seu
exemplo. Eu certamente consegui, pois meu orgulho da sua
trajetória só me mostra o quanto valeu a pena.

E por fim, dedico esse livro a todos que me ajudaram ao


longo dos anos, ao aprendizado de cada conversa com fa-
miliares, amigas, alunas, mentoradas, em especial à minha

Faça sua parte — 7


mentora, Sabrina de Castro, que me mostrou o caminho
da transformação pessoal para que eu me tornasse um ser
humano melhor.

Obrigada a todos, de coração!


MENSAGEM AO LEITOR

N
ão é por acaso que você está segurando esse livro.
Talvez você não esteja vivenciando um relaciona-
mento saudável, talvez esteja apenas curiosa para
entender o que significa “fazer a sua parte”, afinal, você
deve sempre ter ouvido a vida inteira que relacionamento
é 50/50 e que cada um tem sua responsabilidade de fazer
dar certo. Ou talvez, você apenas queira melhorar a relação
com seu parceiro, ou parceira, para viver um relaciona-
mento nota 10.

Estou certa de que nesse livro você poderá despertar


e assumir o controle da sua vida através da autorrespon-
sabilidade, de agir sobre o que você tem controle e fazer
o que precisa ser feito para conquistar o relacionamento
que você merece.

Nunca se esqueça, cada um tem o relacionamento


que tolera. Essa é uma frase do Coach Paulo Vieira, e foi

Faça sua parte — 9


ela que me motivou a iniciar a busca pelo conhecimento
de fazer a minha parte. Eu espero profundamente que ela
possa direcionar também o seu desenvolvimento pessoal
e conjugal.

Bruna Porto Lima

10 — Bruna Porto Lima


“CADA UM TEM O
RELACIONAMENTO
QUE TOLERA.”
INTRODUÇÃO

N
inguém me ensinou como me relacionar com
pessoas de forma geral, muito menos recebi orien-
tações sobre casamento. Quais eram as referências
que eu tinha sobre vida conjugal? Meus pais eram minhas
principais referências. Como eles se conectavam, como
resolviam os problemas do dia a dia, a convivência deles
como um casal era o que eu tinha como exemplo e nem
sempre era perfeito.

De forma geral, nenhum relacionamento é perfeito e,


muitas vezes, a gente não vive em um ambiente onde os
pais são bons exemplos de casamento saudável. Provavel-
mente, você já passou por situações em sua vida conjugal
ou pode observar no casamento de seus pais, que te deixa-
ram com algum receio, crença ou até mesmo um trauma.

Se pararmos para refletir, vamos perceber como muitas


coisas que vimos no casamento dos nossos pais se refletem

Faça sua parte — 13


em nossos próprios relacionamentos atualmente. Isso é
algo que precisamos considerar quando falamos sobre
superar traumas e situações desafiadoras.

Independentemente se você foi criado pelos seus pais


biológicos, pais adotivos ou até mesmo seus avós, é atra-
vés dessa relação que você desenvolveu suas crenças de
relacionamento e também do que você considera ser certo
ou errado na sua vida. Neste livro, você encontrará todo o
conhecimento que precisa para construir o relacionamento
saudável que tanto merece.

Partimos do princípio que, quando nos relacionamos com


alguém, todos queremos um relacionamento saudável, certo?
Afinal, a relação conjugal é um pilar muito forte na nossa
vida e pretendemos manter essa relação por muitos anos.

Se eu escolhi estar ao lado daquela pessoa e, por algum


motivo, ainda não temos uma relação forte de princípios e
valores, como serão os próximos dez, vinte, quarenta anos
de casados? Você já pensou sobre isso? Provavelmente
não. Casamos para priorizar e sermos priorizadas. Obvia-
mente a atenção será dividida em alguns momentos de
individualidade do casal, mas não significa ser colocada
em segundo plano na vida do cônjuge. Devemos priorizar
para sermos priorizados.

14 — Bruna Porto Lima


Como ser valorizada na vida do parceiro ou parceira no
relacionamento? Frequentemente ouço mulheres e homens
dizendo: “Meu parceiro ou parceira não me valoriza, eu faço
tanto por esse relacionamento, ele ou ela nunca está satis-
feito”. Muitas vezes não se trata de fazer mais, mas sim,
de ser assertivo para ser valorizado. Quando alguém faz
algo para nós que vemos valor, queremos retribuir, certo?
De nada adianta doar-se se o que você está fazendo não é
importante na visão do outro.

Isso é crucial e tem total relação com a comunicação e


também com o autoconhecimento. Saber como construir
diálogo é determinante, pois não existe relacionamento
saudável sem isso. Se alguém disser que podemos construir
uma vida conjugal saudável sem o diálogo, eu certamente
não teria ideia de como isso funcionaria.

Um relacionamento conjugal é cheio de desafios em fun-


ção da convivência, e precisamos nos ajustar com relação a
isso. Imagine seu trabalho sem comunicação, sem falar com
ninguém. É impossível, pois não é real e muito menos sau-
dável. Comunicação e diálogo são de extrema importância
e necessidade, mas também algo muito desafiador.

Como gerar reciprocidade no relacionamento? Você dá


para receber. Muitas pessoas dizem que não têm recipro-

Faça sua parte — 15


cidade em seus relacionamentos, mas o que elas estão fa-
zendo, com ações e atitudes, para recebê-la?

Algumas pessoas também dizem: “Agora que a rela-


ção está desgastada, estou fazendo pouco”, mas não estou
falando apenas do momento atual, mas sim de construir
reciprocidade com o parceiro ou a parceira. Fazer o que
precisa ser feito para receber o que quer em troca.

Outro ponto importante em um relacionamento e mui-


to comentado pelos casais é a rotina. Como manter a chama
do relacionamento acesa e não deixar cair na rotina? Por
muito tempo eu também me fiz essa pergunta e acreditava
que um relacionamento bom não tinha que ter rotina, mas
já faz alguns anos que mudar de opinião, para mim, não é
um problema.

Se diante de uma nova consciência, percebo que algo


novo faz sentido, pesquiso, reflito e coloco uma nova cren-
ça na minha vida. Não é sobre ter uma opinião fixa para
sempre, mas sim sobre estar aberta a evoluir e mudar de
ideia com base em novos aprendizados e reflexões.

Não estou dizendo para mudar de opinião todos os


dias, mas de evoluir o seu pensamento, amadurecer suas
ideias e entender as coisas a partir de outro ângulo. Não
somos uma árvore para ficarmos a vida inteira fixos em um

16 — Bruna Porto Lima


mesmo lugar, ou seja, com a mesma opinião, somos seres
em evolução e movimentar ideias e opiniões faz parte de
nossa evolução como espécie. Digo isso porque o que vou te
trazer em relação à rotina pode ser novo para você, assim
como um dia foi para mim.

Não acredito que rotina seja algo ruim, pelo contrário,


acredito que tudo funciona em nossa vida mediante uma
rotina bem estruturada. Não é a rotina que acaba com os
relacionamentos, é a forma que administramos e lidamos
com essa rotina. Se você observar, seu trabalho, sua saú-
de, seu financeiro, tudo funciona quando se tem rotina.
Portanto, se não tivermos bons hábitos para seguir, as
coisas podem ficar fora do nosso controle e você perde sua
referência. O ponto aqui é entender que rotina não é ruim,
depende de como olhamos para ela.

Os traumas do passado contribuem muito com a nossa


maneira de pensar e agir, ou seja, nosso modelo mental.
Ressignificar esses traumas e recuperar a confiança é uma
questão levantada por muitas pessoas em busca de um
relacionamento saudável. Esses impactos emocionais afe-
tam demais a nossa confiança, como, por exemplo, uma
infidelidade conjugal. Muitas mulheres ficam presas a esses
eventos do passado, sempre voltando a eles mesmo quando
o parceiro já se redimiu.

Faça sua parte — 17


Não temos como esquecer nossos traumas vividos, pois
eles fazem parte da nossa vida e da nossa história, mas te-
mos como aprender com ele e não deixar mais que sabotem
nossos resultados. As dores dessas experiências nos ensi-
nam lições valiosas para evitarmos repetir os mesmos erros.

Além de todos esses pontos citados, neste livro veremos


como demonstrar amor de forma assertiva. Cada um tem
uma forma de comunicar amor e se sentir amado, sendo
assim precisamos demonstrar nosso amor pelo nosso côn-
juge por meio da linguagem de amor dele, não da nossa.
Talvez você já conheça o tema linguagens de amor, mas
você está praticando essa técnica no seu relacionamento?
Porque conhecimento e prática são coisas diferentes.

Às vezes sabemos o que é importante para o nosso par-


ceiro, mas não colocamos em prática por estarmos agindo
no automático. É por isso que insisto que a rotina não é o
problema, o problema é cair no automático sem prestar
atenção se o seu cônjuge está se sentindo amado ou amada,
ou seja, sem fazer os seus 50 por cento.

Dentre outros assuntos, vamos abordar sobre a inti-


midade no relacionamento e sobre compreender que o
momento de ter conversas difíceis requer lidar com elas
com a seriedade necessária, de forma assertiva. Essa é a
chave para tratar as situações desafiadoras da vida a dois.

18 — Bruna Porto Lima


Espero que este livro possa guiá-la em sua reflexão
sobre suas experiências passadas e como elas influenciam
seus relacionamentos atuais. Que o ajude no processo de
ressignificar traumas e a construir uma base sólida para
um amor verdadeiro e duradouro. Que você descubra a
importância da comunicação eficaz, da reciprocidade e
do cuidado mútuo em seu relacionamento. Ao final des-
ta jornada, espero que você esteja mais preparada para
cultivar um relacionamento saudável, feliz, baseado em
respeito, compreensão e amor, sempre em busca de fazer
a sua parte.

Faça sua parte — 19


QUAL O PRINCIPAL PROBLEMA
DOS RELACIONAMENTOS?

O
principal problema dos relacionamentos é a co-
municação, ou até mesmo, a falta dela. Você até
pode pensar em outras coisas também impor-
tantes, como vida financeira, rotina, quebra da confiança,
falta de intimidade, porém, é a comunicação que leva aos
demais caminhos. Nunca encontraremos a pessoa perfei-
ta. Uma coisa ou outra sempre precisará ser ajustada, é
impossível fugir disso. Tudo Isso fica muito claro durante
a convivência com a outra pessoa.

Quero trazer a reflexão sobre o porquê tantas pessoas


ainda vivem num relacionamento desgastado, enquanto
outras, em especial minhas alunas, conseguem construir
reciprocidade, serem valorizadas e priorizadas pelo parceiro.

A resposta é que as pessoas que aceitam viver em um


relacionamento desgastado não conhecem os pilares de

Faça sua parte — 21


uma relação saudável. Esses pilares sustentam a vida con-
jugal. Muitas pessoas esperam ação de seus parceiros, que
mudem e sejam da maneira como elas querem, mas não
fazem a parte que lhes cabe. Fica um esperando pelo outro,
e ninguém faz nada para melhorar a convivência desgas-
tada pelo tempo e pelas fases da vida.

Um dos princípios básicos da comunicação assertiva


é reconhecer que o outro não pensa como você. Isso pode
parecer óbvio, mas algumas pessoas têm uma consciência
disfuncional, acreditando que todo mundo pensa ou deve
pensar como elas, ou seja, são autorreferentes.

Não entender os princípios fundamentais da comu-


nicação assertiva pode resultar em sérios problemas no
relacionamento e levar ao desgaste emocional, afetando a
autoestima e a autoconfiança de ambos os parceiros.

Pessoas com consciência disfuncional não reconhecem


seu próprio valor, nem tem maturidade emocional para
lidar com as adversidades do relacionamento conjugal.
Não querem ter problemas e criam a falsa ilusão que um
casamento deve ser perfeito, sem conflitos ou embates.

Tem gente que me pergunta como fazer para não ter


problemas no relacionamento, respondo sempre que basta
não se casar e estará tudo certo. Não tem como não ter
problemas e crises na relação. A questão é como você irá
resolver esse problema. Não pense apenas em evitá-los,
porque isso não será possível, pense em como resolverão
quando o problema aparecer.

Se você desenvolve uma consciência relativa, ou até


mesmo plena, conseguirá evitar muitos desgastes ao longo
da sua vida. Por exemplo, você pode ter o seguinte pensa-
mento: “se eu falar desse jeito, meu parceiro vai entender
errado, e vamos nos estressar…” Então você chega à conclu-
são de que é melhor evitar o desgaste, pensar sobre o que
vai dizer e controlar suas emoções, facilitando a sua vida
e evitando maiores problemas.

Não queira a perfeição achando que poderá evitar todos


os desafios conjugais porque eles vão acontecer. Importan-
te ressaltar que a autoestima ajuda muito na construção da
autoconfiança, da comunicação assertiva e da maturidade
emocional.

Tendo em vista tudo isso, nos próximos capítulos va-


mos discorrer sobre os princípios básicos da comunicação
assertiva e como construir uma relação com diálogo e
reciprocidade.

Faça sua parte — 23


AUTORRESPONSABILIDADE

A
utorresponsabilidade é o ato de se responsabi-
lizar por tudo o que acontece na sua vida, e isso
trará para sua existência a certeza de realização
e plenitude. Aplicando esse princípio na sua vida, você
entenderá que ninguém muda ninguém, nós mudamos e
as pessoas ao nosso redor mudam também, inspiradas e
até mesmo conduzidas pela nossa mudança.

Pessoas em geral têm princípios e valores diferentes, e por


conta disso, ao se posicionarem diante do que querem, as pes-
soas ao seu redor podem ou não se adequar à sua mudança.

O que você não deve fazer é ficar esperando pela mu-


dança do outro, pois esse comportamento é apenas seu
ego falando mais alto. Nossos valores pessoais são algo
relacionado a nossa própria vida, crenças e experiências
vividas, você não deve impor isso a ninguém. A visão é
sua e não adianta levá-la para o outro achando que ele irá

Faça sua parte — 25


adotá-la só porque você quer, porque ele não vai aderir se
não fizer sentido para ele.

Muitas vezes queremos que o outro mude pela dor e não


pelo amor. As pessoas podem se inspirar em você e mudar,
isso é a mudança pelo amor. A noção de autorresponsabi-
lidade envolve compreender que você é capaz de moldar
seus resultados por meio das suas próprias mudanças e
da sua postura.

Aprendemos a culpar os outros pela nossa falta de re-


sultado. Criamos expectativas na nossa cabeça e esperamos
que as outras pessoas ajam conforme o que julgamos ser o
certo, para que nós sejamos felizes. É como pegar sua feli-
cidade, entregar para o outro e dizer: “eu preciso ser feliz e
essa responsabilidade é sua”, e sabemos que não funciona
assim. Sua felicidade é sua resposabelidade. Entender e
aplicar esse conceito de autorresponsabilidade é determi-
nante para que você possa comandar o barco da sua vida.

Pensa num barco, você está dentro dele e se o deixá-lo


sozinho, sem direção, sem conduzi-lo, irá para onde o mar
levá-lo. Agora, se você assumir o controle do barco, pode
errar algumas rotas, até mesmo se perder, mas terá mais
chances de acertar, porque estará controlando o que está
sob o seu controle.

26 — Bruna Porto Lima


Podem acontecer muitos desafios durante essa jornada,
como uma tempestade, a água inundar o seu barco ou se de-
parar com um mar agitado? Claro que pode, mas se deixar
o barco sem rumo, ou seja, a vida te levar, a possibilidade
de chegar em um lugar indesejado é muito grande e sua
frustração certamente será maior.

Autorresponsabilidade é isso, é você assumir o controle


do barco da sua vida, principalmente do seu relacionamen-
to, para conquistar os resultados que você deseja.

Enquanto você não fizer nada para solucionar todos os


problemas do seu relacionamento, você continuará apenas
reclamando, criticando e julgando o outro, sua vida irá
passar e você viverá frustrada por omissão.

Na vida, as coisas acontecem por ação ou por falta dela.


Entregar a sua felicidade para outra pessoa é ser omissa
consigo mesma. Você é capaz de construir os resultados
que quer no seu relacionamento através da sua mudança
e do seu posicionamento, seja impondo limites, falando o
que precisa ser falado, enfrentando conversas difíceis ou
fortalecendo seu emocional.

É você quem precisa dar conta da sua vida e da sua


felicidade, não é seu marido, seus familiares, amigos ou
outras pessoas à sua volta. As coisas acontecem por ação

Faça sua parte — 27


(caso você faça algo para mudar) ou por omissão (caso
fique esperando o outro mudar e se adequar ao modelo
estabelecido por você). Aja e assuma a responsabilidade
da sua vida e de seus resultados.

“Ah, Bruna, mas e se eu errar?” Errar não é um pro-


blema, faz parte do aprendizado. Autorresponsabilidade
também é entender que ninguém mais deve fazer o que
precisa ser feito além de você.

Se você quer que o outro se posicione, você precisa se


posicionar também, porque toda ação gera uma reação. Se
torne a pessoa que você quer que o outro seja. Costuma-
mos reclamar que “meu marido deveria fazer isso ou aquilo,
se comportar dessa maneira ou de outra…”, e acabamos nos
esquecendo de olhar para nós mesmos, tirando a nossa
autorresponsabilidade.

Enquanto você fica olhando para o que o outro está


fazendo ou deixando de fazer, você não faz a sua parte.
Não temos controle sobre as atitudes ou ações que o outro
pratica na vida dele, somente sobre a nossa própria vida.
Olhamos para o nosso parceiro e apontamos seus erros
como se estivesse tudo certo com nossa vida, quando, na
verdade, não está, e era para isso que deveríamos estar
olhando, ao invés de criticar as ações alheias.

28 — Bruna Porto Lima


Você quer carinho do seu parceiro? Seja carinhosa. Quer
compreensão no seu relacionamento? Seja compreensiva.
Você quer reciprocidade? Faça para receber. Quer a mudan-
ça do outro? Mude em você o que te incomoda no outro.

Reflita: o que você está exigindo do outro, mas não está


entregando? Dê o seu melhor para tirar o melhor do outro.
Você não deve ficar esperando a motivação chegar para
fazer algo pelo seu relacionamento. A vida do adulto ba-
sicamente é resolver problemas, só que você pode sempre
olhar o copo meio cheio ou meio vazio. Pode reclamar
eternamente diante de um problema ou pode aprender
com ele e resolvê-lo da melhor forma possível. Será o seu
modelo mental, ou seja, movida pelas suas crenças e como
você encara esses desafios, que vai determinar o seu po-
sicionamento.

Quando não entregamos o melhor para o outro, é nor-


malmente o nosso ego sendo alimentado. Costumamos ser
muito orgulhosos e o seu ego é o grande sabotador que te
impede de fazer o que precisa ser feito para conquistar os
resultados que tanto almeja.

O ego pode ser identificado quando apontamos que o


outro não está fazendo nada pelo relacionamento ou quan-
do não sentimos que estamos recebendo reciprocidade

Faça sua parte — 29


imediata. Seu pensamento é: “estou agradando tanto e não
estou sendo agradada”. Você faz pequenos movimentos por
uma semana e depois para de agradar porque não recebeu
o que queria em troca. “Dei um presente e nem um obrigado
recebi. Não darei mais presente”.

Diante disso, te convido a refletir: o que você fez em


sua vida, em apenas uma semana, que trouxe o resultado
desejado? Até pode ser que seu relacionamento esteja um
pouco desgastado e que algumas alterações possam trazer
um resultado em curtíssimo tempo, mas isso não aconte-
cerá sempre. Muitas vezes a pessoa foi muito assertiva nas
mudanças e conseguiu o que queria em tempo recorde, mas
temos que ser adultos e entender que nem sempre será
assim, muitas vezes precisaremos ajustar a rota.

Mas então o que eu preciso fazer? O seu melhor, os seus


50 por cento, a sua parte. No entanto, o seu ego tentará te
impedir de dar o seu melhor, te convencendo de que você
já fez muito e que agora é a vez do seu parceiro fazer algo
pela relação de vocês. É por isso que muitas vezes, quan-
do decidimos fazer algo pelo relacionamento, agimos por
pouco tempo e desistimos.

Não faça sua parte somente pensando no seu parceiro,


não crie expectativas grandiosas na sua cabeça, faça algo
porque é o certo a ser feito. Faça porque decidiu dar o seu

30 — Bruna Porto Lima


melhor e construir o relacionamento dos seus sonhos. Faça
por você. Cada pessoa tem o seu limite e deve estabelecer
o tempo para essa mudança. Você pode querer mudanças
em um, três, seis meses, um ano... O tempo vai depender
da sua realidade, dos seus objetivos e do seu nível de dis-
posição para continuar, não existe uma receita para isso.

Não espera a motivação porque ela não virá. Você não


vai acordar um belo dia e pensar: “hoje estou animada e
vou iniciar o processo de mudança no meu relacionamen-
to”. É por isso que eu te digo: não espere pelo outro e não
espere estar motivada, a sua motivação é a sua vida, o seu
relacionamento e o seu tempo.

Tempo é uma coisa muito importante que na prática


acabamos dando pouca importância. O tempo não volta
e frequentemente você o perde decidindo não fazer nada
pelo seu relacionamento e pelo seu parceiro. Você está
perdendo a oportunidade de viver um relacionamento
saudável, com parceria, conexão, intimidade, cumplicida-
de. E esse tempo você não poderá recuperar, não importa
o que faça.

Para as mulheres que querem ter filhos, por exemplo,


tempo é crucial. A mulher tem o relógio da fertilidade.
É verdade que a medicina moderna avançou significa-
tivamente, mas ainda existem mulheres que enfrentam

Faça sua parte — 31


relacionamentos desgastados há 5 anos, sem encontrar
motivação para melhorar a situação. Algumas estão nessa
condição há 10 ou 15 anos, enquanto seu relógio biológico
continua a avançar.

Algumas mulheres só decidem começar a fazer alguma


coisa pelo relacionamento com seu parceiro, com 39, 40
anos de idade, ficando ansiosas porque o tempo está avan-
çando e se sentem inseguras para engravidar.

Para a mulher, o tempo é muito mais importante do


que para o homem, pois ele possui infinitas possibilidades
de ter filhos ao longo da vida. Mais do que nunca, se você
é mulher e quer ter filhos, construir um relacionamento
forte e duradouro é de extrema importância, inclusive não
somente para gerar um filho, mas principalmente para
criá-lo em um ambiente de amor, confiança e respeito.

Não feche seus olhos para isso, não ignore os sinais por-
que a conta vai chegar. Se seus objetivos e metas estiverem
claros, sua grande motivação tem que ser a sua própria
vida, o seu relacionamento e o seu tempo.

Escolher esperar a mudança alheia é colocar o destino


do seu relacionamento nas mãos de outra pessoa. Faça
alguma coisa, entre em ação, erre, acerte, mas faça. Por-
que se não fizer, você ficará paralisando esperando a vida

32 — Bruna Porto Lima


passar, triste, ansiosa e frustrada por não conquistar os
resultados que sempre sonhou.

Outra pergunta que eu recebo muito é: “por que sou


eu que tenho que começar a fazer alguma coisa para me-
lhorar a relação?” Entenda o seguinte, você não precisa
fazer nada que não queira, não é obrigada a fazer nada.
Mas quais são as opções que você tem? Você pode muito
bem sair desse relacionamento, pedir o divórcio e seguir
sua vida, ou decidir ficar, pode fazer a sua parte, buscar
recursos para reconstruir o relacionamento e formar um
novo compromisso com seu cônjuge.

Adultos que somos, medimos as consequências e to-


mamos decisões em todas as áreas da nossa vida. Ao não
fazer nada, você se exime de construir o resultado que você
quer para você mesma.

É como no trabalho, você quer ganhar o dobro do que


ganha, mas não quer fazer nada a mais por acreditar que o
seu chefe precisa te valorizar apenas por você ser quem é,
a empresa tem que te notar, e isso é uma completa ilusão.

Você precisa entregar o que é importante para ele, so-


mente assim poderá ser notada e receberá o seu devido
valor. Ou ainda pior, pode ser que, mesmo entregando o
que ele quer, ainda assim não aumentem o seu salário. En-

Faça sua parte — 33


tão, o que fazer? Quais as opções nessa situação? A decisão
será sua, mas mesmo que você se empenhe e não tenha o
resultado esperado do outro lado, você estará qualificada
para ir para outra empresa e receber o valor que merece.
No entanto, se não fizer nada e apenas esperar, não rece-
berá o que quer em lugar nenhum.

O relacionamento funciona da mesma maneira. Se não


fizer nada na relação atual, levará todos os seus traumas
emocionais para o próximo relacionamento. Não é à toa
que várias pessoas se separam tantas vezes sem atingir
o objetivo de conquistar um relacionamento saudável,
porque não evoluem emocionalmente para lidar com os
problemas que virão e acabam trocando apenas a pessoa.

Por que costumamos nos eximir em despender energia


para ter os resultados almejados? Porque é muito mais
fácil culpar os outros pelos seus fracassos do que assumir
a responsabilidade da nossa própria vida, pois isso exige
coragem. É sofrido olhar para os seus pontos fracos, reco-
nhecer que nós também precisamos mudar, que também
estamos errados.

É difícil lidar com as críticas, perceber que não fez o


que deveria ser feito, mas é melhor refletir, assumir, engo-
lir o ego e sair da zona de conforto. Se você não faz a sua
parte e está sempre justificando seus fracassos, tentando

34 — Bruna Porto Lima


se convencer de que você não faz porque o outro também
não faz, isso fala muito mais sobre você do que sobre o seu
parceiro ou parceira.

Não adianta ficar esperando encontrar a pessoa certa,


a “metade da laranja”, porque ela não existe. O relacio-
namento é empenho dos dois lados, é uma plantinha que
deve ser regada todos os dias, senão ela morre. Você tem
feito a sua parte? Como você tem sido como esposa, como
namorada, como noiva? Você tem feito algo para melhorar
sua relação ou só vai fazer se o seu parceiro fizer? Você tem
regado a sua plantinha para ela crescer ou só vai regar se o
seu parceiro regar primeiro?

Não tem outro jeito de construir seus resultados se não


for com seu próprio empenho. Sem autorresponsabilidade
não há relacionamento saudável. Decida fazer a sua parte
e, certamente, você terá os resultados que almeja em seu
relacionamento.

Autorresponsabilidade te move, te faz entrar em ação,


te tira do limbo e te leva a assumir as rédeas da sua própria
vida. Ao praticar a autorresponsabilidade, você passa a não
se contentar mais com qualquer coisa, não aceitar menos
do que você merece, te levando a construir os resultados
que você quer para sua vida conjugal.

Faça sua parte — 35


Pense em como serão seus próximos anos nesse rela-
cionamento se você não fizer nada para melhorá-lo. Tem
gente que está casada há 10, 15 anos e diz que o casamento
está ruim. Muitos perguntam: “Mas então por que não se
separa?” Ouvindo isso, até parece que separar é algo fácil
de ser realizado. Se essa fosse a solução, não teríamos tan-
tos casais que se separam e se casam novamente diversas
vezes. Não é tão simples como parece.

Por isso, se você não fizer nada a partir de agora, como


serão os próximos 10, 15, 20 anos ao lado dessa pessoa?
Como será quando seus filhos saírem de casa e tiverem suas
vidas independentes? Como serão os próximos anos de vocês
como um casal? A autorresponsabilidade é uma ferramenta
poderosa e determinante para te colocar em movimento e
abrir seus olhos para uma real mudança.

Te convido a fazer um exercício prático.

36 — Bruna Porto Lima


Liste cinco comportamentos simples que você
sabe que melhoraria o seu relacionamento, mas
que você ainda não está colocando em prática.

Faça sua parte — 37


Por exemplo, ser mais carinhosa e amorosa com o seu
parceiro, fazer algo que você sabe que a outra pessoa gosta.
Ser amorosa nunca é demais, mas nem sempre tem rela-
ção com o toque físico. Ser amorosa pode ser deixar um
bilhetinho, pode ser dizendo: “muito obrigada por levar o
lixo para fora.”

Nada é feito por obrigação, a pessoa faz porque quer


ajudar ou porque é uma combinação entre o casal. Entenda
que estamos aqui para falar da sua autorresponsabilidade,
sobre você em seu relacionamento, sobre você querendo
melhorar a relação, e não sobre a outra pessoa.

Outro exemplo de comportamento simples e fácil de


aplicar é não “dar o troco”. Muitas vezes a pessoa até ver-
baliza: “eu vou fazer isso para ele ver como é bom, afinal, se
ele fez para mim, me dá o direito de fazer para ele também”.
O que você ganha com isso? Nada. Ou melhor, ganha mais
desgaste, mais indiferença, rancor e distanciamento. Não
é inteligente da sua parte ter esse comportamento, então
evite. Seja mais prestativa, mais flexível, controle suas
emoções, se abra para o diálogo, ouça mais. Não se deixe
levar pelo sentimento de orgulho. Esses são exemplos de
comportamentos que podem ser aplicados em sua vida de
forma simples.

38 — Bruna Porto Lima


É compreensível que você possa sentir medo ou receio
ao começar a implementar esses comportamentos, mas é
importante avançar mesmo assim. Embora seja mais fácil
falar do que agir, ao colocar isso em prática, considere as mu-
danças positivas que podem ocorrer em seu relacionamento.

Faça sua parte — 39


PRINCÍPIOS E VALORES

A
linhamento de princípios e valores são fundamen-
tais em uma relação. No início do relacionamento,
a maioria das pessoas esquece de olhar para isso
porque estão cegos pela paixão, por isso, não olham para os
defeitos do parceiro, somente para as qualidades, achando
tudo maravilhoso.

Saiba quais são os seus valores pessoais em um rela-


cionamento. O que é inegociável para você? É muito im-
portante alinhar, logo no início do relacionamento, seus
valores com seu parceiro. Lembre-se de que as pessoas
têm seu próprio modo de pensar sobre as coisas e a sua
forma de viver.

O melhor dos mundos seria se pudéssemos conhecer a


outra pessoa a fundo, alinhar valores e expectativas para
então tomarmos a decisão de nos relacionar de maneira

Faça sua parte — 41


mais séria, mas não é bem assim que as coisas funcionam.
Conhecemos o outro durante a convivência.

Portanto, é preciso saber o que você quer para a sua


vida, para saber se a pessoa quer o mesmo que você. Claro
que é possível flexibilizar e ceder em algumas questões,
mas existem os valores inegociáveis de cada um e isso
precisa estar claro para ambos. Quais são seus valores ine-
gociáveis de relacionamento?

Muitas vezes não conhecemos nossos valores, nunca


sequer pensamos sobre isso, o que nos impossibilita de
alinhá-los com o nosso parceiro. Por isso, a importância
de refletir sobre esse assunto. No início da relação, tudo é
paixão, tudo é lindo, só vemos qualidades. Temos a ten-
dência a acreditar que, com o tempo, tudo se alinhará so-
zinho e que nosso parceiro ou parceira seguirá no mesmo
caminho que o nosso por conta própria, sem que tenhamos
que falar nada.

Com o passar dos anos, o sentimento da paixão é nor-


malmente substituído pelo amor de ligação, ou seja, mu-
dam os hormônios, vem a intencionalidade, a convivência,
a intimidade, e a realidade se instala na vida do casal.
Teremos então que aprender a lidar com a cueca atrás da
porta e com a calcinha pendurada no box do banheiro.
Essas pequenas coisas fazem parte da convivência, e isso

42 — Bruna Porto Lima


é o de menos. Não é um valor inegociável que está sendo
quebrado.

Quais os valores que você não está disposto a flexibili-


zar? Isso é determinante para as coisas darem certo e para
evitarmos inconvenientes futuros. Se não tivermos clareza
desses valores, começamos a flexibilizar o que não deve ser
flexibilizado, tolerar o que não deve ser tolerado e deixar
de fazer o que precisa ser feito.

Entender seus próprios valores o coloca em uma posi-


ção de destaque perante o mundo e orienta sua vida para
que você tome as melhores decisões em seu relaciona-
mento e nas demais áreas da sua vida. Isso inclui nortear
o caminho que você deseja seguir, ou seja, os valores te
mostram o caminho e, por mais que você queira flexibilizar
algo, não conseguirá, porque vai ferir seus valores.

Para te ajudar a refletir sobre seus próprios valores,


trouxe alguns aqui que julgo serem muito importantes para
um relacionamento saudável:

• Família;

• Diálogo/Comunicação;

• União/Parceria;

• Fidelidade;

Faça sua parte — 43


• Cumplicidade;

• Sonhos/Projetos.

Quando falamos de família, precisamos entender que


o conceito sobre isso pode ser diferente para cada pessoa,
porque cada um tem a sua referência e maneira de pensar
em relação a isso, portanto, é preciso conversar com seu
parceiro para saber o quanto ele está disposto a flexibili-
zar nesse ponto, caso tenham divergências. O diálogo e a
comunicação assertiva são cruciais para chegarem a um
meio-termo que fique bom para os dois lados.

União e parceria são valores que deveriam estar pre-


sentes em todos os relacionamentos, independentemente
de estarem em uma situação boa ou ruim, até mesmo em
caso de separação, por exemplo, principalmente para ca-
sais com filhos, com empresa em conjunto ou bens mútuos.

Fidelidade é outro valor importante em uma relação


e não estou falando apenas da fidelidade no sentido de
traição, mas da fidelidade junto à lealdade, aquela na qual,
mesmo quando está tudo dando errado na relação, vocês
seguem lado a lado, sempre juntos nos momentos felizes e
desafiadores. Isso é ser fiel ao compromisso, independen-
temente do que está sentindo ou de qual rumo o relacio-
namento vai tomar.

44 — Bruna Porto Lima


Cumplicidade vem de ser cúmplice. Levando isso para
relacionamentos, podemos definir como parceiro, aquele
que acolhe apesar das falhas e que vibra pela felicidade
do cônjuge. Você pode até não concordar totalmente com
o que seu parceiro está apresentando, mas seguirá sendo
fiel a parceria que prometeram no início.

Sonhos e projetos. O quanto você está disposto a flexibi-


lizar um sonho, um projeto na sua vida? Sonhos e projetos
podem ser alterados ao longo da vida conjugal conforme
as coisas vão acontecendo, mas é preciso refletir sobre os
sonhos e projetos inegociáveis e o quanto isso representa
para a pessoa que está ao seu lado. Seja filhos, carreira ou
conquistas, quando mais conversa e alinhamento tiverem,
maior a chance de buscarem juntos uma solução para al-
gum impasse que possa surgir.

Esses são apenas alguns dos valores que precisam ficar


claros ao escolher viver uma vida a dois. A partir dos seus
valores, será possível alinhar as visões de um relaciona-
mento saudável para cada um, de modo que ambos façam
a sua parte para conquistá-lo.

Você pode pensar que são muitas coisas para alinhar


com seu parceiro, que há muito o que fazer para melhorar
sua relação, mas quanto antes você começar, mais rápi-
do virão os resultados. Se você não der o primeiro passo,

Faça sua parte — 45


nunca vai conquistar o que quer e acabará se contentando
com o que tem.

Seus princípios e valores te posicionam como uma


pessoa de valor que sabe o que quer, e te direcionam para
não ser aquela pessoa que age como os demais, que vai
para onde todos vão, sem consciência de que rumo está
tomando, ou deixando apenas a vida te levar. A questão
aqui é que se você não agir, a vida pode te levar para um
lugar que você não quer ir.

Esses valores ajudarão o casal a percorrer, juntos, o


melhor caminho para construção de uma relação saudável
e, diante de uma crise, discussão ou desentendimento, bus-
carão as melhores soluções para seus desafios conjugais,
porque querem chegar ao mesmo objetivo.

Muitas vezes esses valores não são iguais, o casal tem


valores opostos e, ao não conversarem sobre isso, ficam
como se estivesse cada um puxando a corda para seu pró-
prio lado como um cabo de guerra. Quando isso acontece,
a caminhada é árdua, difícil e sofrida. Impossível construir
uma relação de parceria e cumplicidade, porque as coisas
não avançam e o casal fica estagnado.

Por isso, o diálogo e a comunicação entram para mos-


trar ao cônjuge, com fatos e bons argumentos, que tais
valores são importantes. Porém, muitas pessoas querem

46 — Bruna Porto Lima


convencer seu cônjuge que seus valores estão certos, ba-
seado no seu próprio ponto de vista, no entanto, o mais
eficiente é mostrar que isso é importante conforme a visão
do outro e o que ele considera que será bom para ter uma
relação forte e duradoura.

São esses valores que vão nortear o caminho do casal


e, diante de uma crise, vão reafirmá-los e buscar soluções.
Conhecer seus princípios e valores te coloca no caminho
certo de construção de uma relação de amor e respeito.

Alguns princípios e valores precisam ser flexibilizados


se você quiser que seu relacionamento dê certo. Certa
vez, uma aluna me falou: “Bruna, sou sempre eu que corro
atrás do meu parceiro. Quando a gente se separou, fui eu
que o procurei. Quando estamos com problemas, sou eu
que chamo para conversar. Quando a gente fica afastado
por uma semana sem se falar, sou eu que baixo a guarda. É
muito cansativo”.

Pedi para ela analisar o perfil do parceiro e refletir se


alguma vez, durante a relação, ele agiu de forma diferente.
Ela respondeu que sempre foi daquele jeito. Talvez isso
também aconteça com você. E a pergunta que fiz a ela
e também faço a você é a seguinte: baseado em que você
acha que agora ele será diferente? Qual é o problema de você
sempre tomar a iniciativa de buscar uma solução?

Faça sua parte — 47


Entendo que pode ser exaustivo sempre ser você quem
busca resolver as situações, no entanto, precisamos consi-
derar as habilidades emocionais de cada um, e é inegável
que mulheres em geral têm mais sensibilidade que os ho-
mens para resolver esse tipo de problema. Para recarregar
suas energias e não se sentir sobrecarregado, a inteligência
emocional é fundamental.

Coloque uma coisa na sua cabeça: se seu parceiro é as-


sim, ele permanecerá assim, talvez isso faça parte do perfil
de comportamento dele, talvez ele não tenha consciência
ou habilidade de ser diferente. Pense que ele já flexibiliza
muitas outras coisas por você também. Se você é a pessoa
que sempre procura o outro para resolver a situação, está
tudo certo, você é desse jeito, e o seu cônjuge do outro.
Tomar a iniciativa de resolver os problemas e melhorar o
clima com seu parceiro pode ser inclusive um ato de humil-
dade, afinal, você também terá ganhos com essa decisão.

Vocês decidiram estar nesse relacionamento, ninguém


colocou vocês nessa situação, foi uma escolha de vocês.
Entenda as diferenças de cada um e faça a sua parte. Ficar
tentando mudar o outro ou querer que ele seja igual a você
é mais desgastante, física e emocionalmente, do que fazer
o que está no seu controle e dar o primeiro passo.

48 — Bruna Porto Lima


Se você não conhecer seus princípios e valores, sentirá
um vazio muito grande e uma possível crise existencial,
porque estará vivendo de forma incongruente com aquilo
que acredita.

O que você acredita ser o certo, está de acordo com seus


objetivos e suas ações? Porque se não estiver, você acaba
de encontrar a raiz do problema. Você acredita em uma
coisa e faz outra, é como se a sua vida fosse uma fraude.
Você precisa ter consciência. Reflita sobre o tipo de pessoa
que você é e o que busca em uma relação, pense também
em qual marido ou esposa você está buscando envelhecer
ao seu lado.

Ter clareza dos seus valores também vai te ajudar a


estabelecer limites no relacionamento que muitas vezes a
gente não dá. Acredito que respeito e confiança são dois
valores determinantes para um relacionamento saudável.
Eu nunca vi um relacionamento saudável sem esses dois
valores fundamentais.

Quando falamos sobre relacionamento conjugal saudá-


vel, é importante entender que, mesmo sendo fundamental,
não há garantia de que haverá confiança e respeito. Muitas
vezes, apesar de sabermos da importância desses valores,
podemos falhar em praticá-los, seja por erros, falhas de

Faça sua parte — 49


caráter, crenças enraizadas desde a infância, ambiente que
está inserido ou más inclinações.

É preciso reconhecer que todos somos capazes de co-


meter erros. É comum ver alguém afirmar que nunca trai-
ria seu cônjuge, mas isso pode ser apenas o ego falando,
pois tal afirmação sugere uma superioridade moral sobre
o outro, quando, na verdade, você não pode afirmar.

No entanto, é importante considerar que ninguém é per-


feito e que cada pessoa tem suas próprias questões e desa-
fios, então é essencial buscar compreender a complexidade
de cada situação antes de julgar o comportamento alheio.

Vejo alguns casais no qual o marido não compartilha


com a esposa quanto recebe de dinheiro, alegando que, se
ela souber, gastará muito. Certa vez tive uma aluna idosa,
cujo marido faleceu, e ela não sabia o patrimônio do casal.
A família desconhecia valores financeiros e bens porque
ele não gostava de compartilhar, afinal de contas, era dele.
A primeira coisa que pensei foi: Como assim era dele? Es-
tavam casados há mais de 50 anos, tinham filhos.

Pensem no trabalho que foi dividir tudo e descobrir


todo o patrimônio daquele homem, devido a sua mesqui-
nharia. Ele não havia deixado testamento, informações ou
qualquer coisa que orientasse sua esposa e filhos caso algo

50 — Bruna Porto Lima


acontecesse. Essa é uma atitude que mostra desrespeito e
falta de confiança na relação.

Essa esposa viveu todo casamento insatisfeita, insegura


e com medo, e por mais que na visão dela isso estivesse
errado, nunca conseguiu alinhar com seu marido esses dois
valores fundamentais para um casal harmônico.

Todos estamos suscetíveis a erros e à falta de confiança,


a questão é como lidar com essa situação, como recons-
truir o respeito e a confiança no relacionamento. Durante
a vida conjugal, ambos precisam relembrar e fortalecer
esses valores para realinhá-los e retomá-los sempre que
for necessário. Mas como fazer isso? Com diálogo e comu-
nicação assertiva.

Quando falo sobre comunicação, me refiro à expressão


verbal e não verbal. É muito importante a comunicação
entre o casal para manter os pilares de respeito e confian-
ça. Respeito nesse sentido é manter a postura de fazer a
sua parte, independentemente de qualquer problema que
venha acontecer no relacionamento.

Em casos de traição, por exemplo, muitos maridos e


esposas, ao pedirem perdão e reconhecerem seus erros,
mudam totalmente porque a outra pessoa se posicionou
com valor. Nessa situação, não é somente perdoar, ou se-

Faça sua parte — 51


guir em frente como se nada tivesse acontecido. É reali-
nhar, olhando no olho e dizendo que aquilo não pode mais
se repetir, do contrário, a relação acabará. Obviamente, a
outra pessoa precisa cumprir o combinado, porque um erro
reincidente será muito mais complicado de lidar.

Vale ressaltar que cada pessoa tem seu tempo de matu-


ridade para resolver essas questões, pode ser que a pessoa
demore mais para passar por essa transformação, por isso,
respeitar o tempo do outro é de extrema importância.

Podemos ver desrespeito na forma de agressão verbal.


Palavras depreciativas, intrigas, falar mal do parceiro para
outras pessoas, tudo isso é desrespeitoso. Para casais com
filhos, criticar ou falar mal do cônjuge para as crianças
também é desrespeito, pois essa exposição pode prejudicar
o relacionamento entre o genitor e os filhos.

Vemos muito isso nos casos de infidelidade. A pessoa


errou, no entanto traiu o parceiro e não os filhos. Qual o
objetivo de contar e envolver os filhos em um assunto que diz
respeito apenas ao casal? Qual a intenção? A pessoa está
com raiva e acaba confundindo o papel de pai e marido,
ou de esposa e mãe. Tome cuidado com essa atitude irra-
cional, ela pode causar danos severos à família toda, mas
principalmente aos seus filhos.

52 — Bruna Porto Lima


Confiar também é ter maturidade emocional, manten-
do a postura de homem ou de mulher, independentemente
da situação. Vou te dar um exemplo: Existem casais que,
durante uma discussão repentina dentro do carro, deixam
a outra pessoa no meio da rua, não se importando com o
horário ou o local.

Como que eu vou deixar meu marido ou minha esposa no


meio da rua, arriscando acontecer alguma coisa, apenas pelo
fato de discordarmos de algo? Trata-se de ter habilidade de
lidar com suas emoções e ter consciência de seus atos em
função de algo ruim que aconteceu. É saber que podemos
confiar um no outro mesmo quando as coisas não saírem
como esperamos.

A pessoa confiou a vida dela a você e só porque briga-


ram, você vai desampará-la, deixando-a no meio da rua, a
mercê de riscos? Às vezes o desamparo é financeiro, como
cortar pensão dos filhos, tirar um tipo de ajuda que você
sabe que a outra pessoa precisa. Às vezes o desamparo
é emocional quando você ignora a fase que o outro está
vivendo como problemas no trabalho ou familiares.

Fazer algo que possa prejudicá-lo, como ir à delegacia,


fazer boletim de ocorrência contra o cônjuge só porque está
com raiva, isso é retaliação e tudo isso abala a confiança

Faça sua parte — 53


do casal. Portanto, fique atento, confiança é muito mais
que fidelidade conjugal.

O respeito e a confiança são conquistados no relacio-


namento. Damos e recebemos por meio de nosso compor-
tamento, e alinhamos essas expectativas com diálogo.

O que é confiança na prática para você? Para mim, é


compartilhar nossas rotinas e horários, é dar acesso livre
ao meu celular sem precisar escondê-lo, é confiar que seu
parceiro ou parceira é honesto com você. Nosso compor-
tamento diz muito mais sobre nós do que o que falamos,
porque falar é mais fácil que fazer. Se o outro não trans-
mite confiança, é preciso alinhar o que isso significa para
o casal. A pessoa errou, você perdoou, e agora é seguir em
frente com essa ressalva, fazendo sempre novos combina-
dos ao longo do tempo.

Se não tem diálogo no seu relacionamento, então será


um monólogo, até porque mulheres falam mais que ho-
mens normalmente. Se você tiver uma comunicação asser-
tiva, sem críticas e julgamentos, levando para a conversa
como está se sentindo, na primeira pessoa, já vai ajudar.

Se o homem não fala nada, não quer dizer que ele não
esteja escutando, que não esteja refletindo sobre o que você
está dizendo. Se ele continuar não falando nada, você fala

54 — Bruna Porto Lima


o que precisa e sugere que ele pense e depois vocês voltam
a conversar. Conversas de alinhamento devem fazer parte
da rotina de um casal saudável.

Faça sua parte — 55


CASAMENTO DE CONTRATO E
CASAMENTO DE ALIANÇA

B
asicamente, a mentalidade de casamento de con-
trato é um acordo, como qualquer contrato que
fazemos, feito entre duas pessoas, especificando o
que as partes devem fazer e cumprir.

Ao comprarmos um carro ou uma casa, por exemplo,


temos as obrigações judiciais e as obrigações morais. Em
um casamento, o comportamento é parecido. Existe o acor-
do e o combinado entre o casal, no entanto, o problema
está quando se entende que o casamento é apenas um
contrato, fazendo a relação degringolar.

Se o casal vê o casamento apenas como um contrato,


ambos somente fazem algo pela relação quando o outro
faz a parte dele. Contrato, normalmente, tem um tempo de
duração e, se tem um tempo de duração, tudo vira motivo
para desistir. Nesse modelo de casamento, a autorrespon-

Faça sua parte — 57


sabilidade não existe, a pessoa só faz a parte dela se o outro
fizer também a dele.

Essa relação é uma espécie de troca de favores, enquan-


to for útil para você, continua, do contrário, descarta. A
realidade de muitos casais é a do casamento descartável,
porque a mentalidade é de contrato, no qual tudo vira
motivo para separação.

Já o casamento de aliança é diferente. Claro que preci-


samos fazer combinados e acordos, mas entender a relação
além desses acordos. Cada um estará comprometido com o
bem-estar do outro e não agirá apenas se o outro agir, prin-
cipalmente se estiverem passando por uma crise conjugal.

Se pensássemos, diariamente, em como fazer o outro


feliz ao invés de ficar somente pensando na nossa própria
felicidade conjugal, os relacionamentos seriam muito mais
saudáveis. Ter essa mentalidade é muito importante, pois
muitas vezes o pensamento não é de beneficiar o marido ou
a esposa, mas em convencer o outro a nos fazerem felizes,
e é aí que todo problema começa.

Muitos relacionamentos sofrem porque tentamos con-


vencer nosso parceiro a mudar para que nós sejamos feli-
zes. Mas a verdade é que ser feliz é uma responsabilidade
nossa. Eu preciso ser feliz para fazer meu cônjuge feliz.

58 — Bruna Porto Lima


A chave para buscar essa aliança é dar o primeiro pas-
so, agir de acordo com nossos valores e estar presente,
independentemente das circunstâncias. Assuma sua res-
ponsabilidade fazendo a sua parte mesmo quando as coisas
não estiverem perfeitas, porque você decidiu investir nesse
relacionamento e construir sua felicidade conjugal. Mas
lembre-se: você precisa buscar sua felicidade individual
além da sua felicidade conjugal.

O casamento de aliança implica em fazer a sua parte


apesar do outro não fazer a parte dele. Claro que é preciso
organizar, conversar, fazer combinados e alinhar expecta-
tivas, mas você precisa tomar uma decisão e fazer a sua
parte na relação, do contrário, se ficar somente no casa-
mento de contrato, fazendo algo apenas quando o marido
ou esposa fizer, vão passar 5, 10 anos e nada acontecerá.

Fazer o que precisa ser feito não tem relação com acei-
tar tudo que seu parceiro faz e não falar nada, trata-se de
um realinhamento de compromisso e comunicação entre
o casal, que deve acontecer o tempo todo com conversas
constantes entre vocês até que tudo esteja melhor. Talvez
você não tenha argumentos e recursos de comunicação
para ter essa conversa hoje, por isso é tão importante a
busca por autoconhecimento e maturidade emocional.

Faça sua parte — 59


Contratos podem ser feitos com qualquer um, mas
alianças são reservadas para aqueles em quem confiamos e
amamos. Casamos porque reconhecemos esse amor mútuo
e assumimos a responsabilidade de cumprir nosso papel.

Ter uma mentalidade de aliança não se trata apenas do


amor apaixonado, mas sim de um compromisso conscien-
te, uma atitude de consideração e respeito em relação ao
nosso cônjuge. Isso envolve focar nas qualidades positivas,
crescer juntos e contribuir para a vida um do outro. An-
tes de tudo, você deve adotar esse modelo mental e dar o
tempo necessário para isso, agindo pelo resgate do relacio-
namento e analisando o que pode ser feito para dar certo.

Não é fechar os olhos para os defeitos, mas resolver e


alinhar com muita comunicação e diálogo, porque o foco
não pode ser nos problemas, mas sim na solução.

Ao ler esse capítulo, você pode perceber que você e seu


cônjuge sempre tiveram mentalidade de casamento de con-
trato desde de o início, e é justamente isso que impede que
tenham parceria e cumplicidade, pois qualquer discussão
ou divergência de opiniões vocês pensam em separação.

Será que é possível construir essa nova mentalidade


de aliança a partir de uma relação desgastada? Não há a
menor dúvida que sim! No entanto, hoje, é você que tem

60 — Bruna Porto Lima


acesso a essa informação e se tornou consciente. Portanto é
você que precisará iniciar esse processo levando esse modo
de lidar com o relacionamento conjugal para o dia a dia
do casal. Lembre-se, a ideia não é convencer seu parceiro
a pensar como você, mas sim dar o exemplo e mostrar,
com diálogo e comportamento, que você está disposta a
construir uma relação forte de união e parceria.

Vamos fazer um exercício prático para você refletir


sobre seus valores.

Faça sua parte — 61


Enumere cinco valores essenciais que você
considera importantes para um relacionamento
saudável.

62 — Bruna Porto Lima


INDIVIDUALIDADE

P
ara mim, a individualidade é fundamental e essen-
cial para um relacionamento saudável. É crucial
manter-se saudável emocionalmente. Algumas
pessoas tendem a se doar demais ou de menos em um
relacionamento, perdendo a noção de quem são fora dele.

Isso pode levar à dependência emocional, onde a pes-


soa se perde de si ao se dedicar completamente a um papel,
como ser esposa, mãe ou qualquer outro. Se não buscarmos
nossa individualidade em todas as áreas de nossas vidas,
podemos nos sentir perdidos no futuro.

Como falei anteriormente, a falta de individualidade


pode resultar em dependência emocional e impactar ne-
gativamente no relacionamento, porque você associa a sua
felicidade a outra pessoa e isso é extremamente prejudi-
cial para sua identidade, fazendo com que o outro não te

Faça sua parte — 63


valorize, afinal, você mostra essa dependência através do
seu comportamento.

É importante reconhecer quem somos além de nossos


papéis no casamento, pois isso influencia diretamente na
construção de um ambiente saudável e de cumplicidade.
Quando conhecemos nossa individualidade, aprendemos
a estabelecer limites e comunicar nossos desejos de forma
adequada, e assim ser valorizada e priorizada pelo parceiro.

Nossa individualidade também está conectada aos nos-


sos valores e princípios, e isso é essencial para a felicidade
em um relacionamento. Muitas vezes, as mulheres assu-
mem papéis tradicionais de esposa e mãe e se esquecem
de si mesmas. A individualidade é olhar para si e cuidar
dos demais pilares da vida, como saúde, financeiro, pro-
fissional e emocional.

Às vezes, nos perdemos em obrigações desnecessárias,


buscando constantemente provar nossa capacidade através
do que fazemos. Isso nos sobrecarrega e pode levar à falta
de reconhecimento por parte dos outros. É importante
reconhecer quando estamos assumindo mais do que pre-
cisamos e entender nossos próprios limites.

A busca pela individualidade não significa negligenciar


as responsabilidades, mas sim encontrar um equilíbrio
saudável em todas as áreas da vida.

64 — Bruna Porto Lima


É crucial reservar momentos para reenergizar-se e
cuidar da autoestima, o que certamente aumentará sua
autoconfiança. Muitas vezes, as mulheres estão insatisfei-
tas com outras áreas da vida, tornando-as amargas, tristes,
mal-humoradas e frustradas.

Houve um tempo em que não me sentia bem profissio-


nalmente, não estava satisfeita com meu trabalho, minha
função, minhas entregas, enquanto meu marido estava no
auge de sua carreira. Hoje vejo claramente que sentia inve-
ja dele. Não que eu quisesse que ele fosse mal no trabalho
dele, e sim, queria sentir a mesma satisfação e realização
que ele estava sentido.

A minha insatisfação refletia na minha comunicação,


verbal e não verbal, ou seja, nas minhas atitudes e na for-
ma como me expressava nas conversas. Isso afetou nosso
relacionamento, pois minha infelicidade profissional pro-
vocou um problema conjugal.

Muitas mulheres se dedicam tanto aos outros que aca-


bam esquecendo delas mesmas, negligenciando sua apa-
rência e bem-estar. No final do dia, se sentem frustradas
por não serem reconhecidas.

Precisamos entender que ninguém nos deve nada, nós


é que tomamos decisões que nos sobrecarregam em busca
de reconhecimento. Lembro do caso de uma das minhas

Faça sua parte — 65


alunas, onde sua insatisfação profissional afetou fortemen-
te seu relacionamento, apesar de não haver motivos reais
para ciúmes.

O marido dividia a sala no trabalho com sua secretária,


e ela pedia constantemente para que ele a tirasse sala dele,
alegando que as pessoas na empresa poderiam falar que
algo estava acontecendo entre os dois, mas ele se recusava,
pois sempre disse que nunca havia dado motivos para es-
posa desconfiar de sua postura como marido, o que acabou
causando conflitos desnecessários no relacionamento.

Para o marido, era benéfico ter a secretária na mesma


sala, pois facilitava a comunicação entre os dois, porém
essa decisão incomodava demais sua esposa. Minha aluna
então exigiu que o marido atendesse seu pedido, mas ele se
recusou e disse que não atenderia ao seu capricho.

Ela então buscou minha opinião, questionando se ele


agira certo, visto que não lhe custaria nada atender sua
solicitação, pois ela se sentiria mais segura. Expliquei que
na visão profissional e empresarial dele, e não como ma-
rido, isso poderia dificultar o trabalho na empresa, prin-
cipalmente porque ele se comportava como um homem
casado, passando confiança para sua esposa e não abrindo
questionamentos aos colegas sobre sua conduta.

66 — Bruna Porto Lima


Meu questionamento a ela foi, porque ela se sentia tão
incomodada com a secretária, visto que nenhum dos dois
dava motivos para tal desconfiança?

Após refletir sobre a minha pergunta, ela confessou


que estava insatisfeita com algumas áreas da sua vida,
pois atualmente vinha se questionando sobre sua decisão
de abdicar da carreira anos atrás para cuidar dos filhos, e
hoje não se sentia feliz profissionalmente.

Ela se sentia enciumada, pois antes dos filhos nasce-


rem, era ela quem ocupava o lugar que estava sendo ocu-
pado atualmente pela secretária. Percebi que o problema
não estava na presença da moça na sala do marido, mas
sim na insatisfação pessoal e profissional que minha aluna
enfrentava. Mesmo que ele tirasse a secretária da sala do
marido, outros problemas e questionamentos surgiriam,
pois o problema estava dentro dela, em sua própria insa-
tisfação.

É importante entender que nossas escolhas e insatis-


fações pessoais podem afetar nossos relacionamentos.
Precisamos assumir a responsabilidade por nossas próprias
vidas e buscar soluções para nossos conflitos internos.

Às vezes, fazer menos, pedindo ajuda quando neces-


sário, pode ser a chave para resolver conflitos e cultivar

Faça sua parte — 67


relacionamentos mais saudáveis. Além disso, cuidar da
aparência e da saúde contribui para nossa autoestima e
autoconfiança, refletindo em nosso humor e interações
interpessoais.

Faça o mínimo por você diariamente para estimular


sua individualidade:

• Cuide de sua aparência;

• Cuide de sua saúde;

• Cuide de seu desenvolvimento pessoal e profissio-


nal;

• Pratique hobbies;

• Se faça feliz.

Ninguém é responsável por fazer nada disso por você,


ninguém tem que te fazer feliz. A sua felicidade é uma
obrigação sua.

A individualidade é essencial. Mostrar ao seu parceiro


ou parceira que você tem uma vida além do relaciona-
mento é de extrema importância para você ser vista e
valorizada. Você demonstra que tem vontades e interesses
próprios, independentes dos dele. Além disso, mostra que
seria capaz de viver sozinha se necessário, mas escolheu
viver ao lado dele.

68 — Bruna Porto Lima


Se você está constantemente transmitindo a mensa-
gem através de palavras e comportamento, de que precisa
excessivamente daquela pessoa, que não sabe o que faria
ou quem seria sem ela, fazendo inclusive mais por ela do
que por si mesma, isso não demonstra o seu valor e a outra
pessoa pode não sentir sua falta ou perceber que tem ao
lado alguém sem maturidade emocional e completamente
dependente.

O outro valoriza uma pessoa que seja segura, que não


se desestabilize a cada desentendimento, que não chora por
cada conversa difícil e que não perde o controle diante das
situações que surgem no relacionamento.

Pense no que você valoriza nas pessoas: controle emocio-


nal, autocuidado, gentileza, cortesia. Isso é individualidade.
São questões que só você pode desenvolver em si mesma.

Individualidade é a sua identidade, é ter clareza de quem


você é, o que você é capaz de fazer e o que você merece. Por
exemplo, meu marido joga futebol e considera isso sua indi-
vidualidade. Eu poderia ir junto com ele se eu quisesse, mas
é o momento dele com os amigos, e está tudo bem, porque
haverá outros momentos para nós como um casal. Assim
como ir ao salão de beleza, passear no shopping ou ir à aula
de pilates faz parte da minha individualidade.

Faça sua parte — 69


Perceba que individualidade é diferente de privacida-
de. A primeira consiste em seus gostos pessoais, hábitos,
costumes, opiniões e valores, enquanto a segunda é o di-
reito de reservar informações de sua vida pessoal e não
compartilhá-las com o outro.

Em um relacionamento saudável não deve existir pri-


vacidade entre o casal, pois decidiram viver uma só vida
juntos. Não se trata de um acordo onde duas pessoas ape-
nas dividem a casa e as contas, e sim de uma aliança, onde
compartilham todas as situações que surgirão ao longo dos
anos, independente de serem boas ou ruins. Se eu escolhi
dividir minha vida com ele ou ela, não faz sentido limitar
o acesso à minha vida pessoal.

Precisamos refletir e entender esses pontos, para depois


alinhá-los com nosso parceiro, porque pode ser que você
leve esses seus conceitos importantes para o seu parceiro
e ele diga “não, eu não penso assim.” Você precisará de in-
teligência emocional e argumentos válidos do porquê agir
da forma que você sugere é melhor para o relacionamento
do casal.

Uma boa estratégia é inverter as situações para fazê-lo


pensar. Por exemplo, você pede para ver o celular do seu
parceiro e ele diz não, alegando privacidade.

70 — Bruna Porto Lima


Ao invés de fazer o mesmo com ele, se prontificando a
mostrar o seu celular e dando acesso total a ele, o melhor
é fazê-lo pensar em algo que o incomoda e que você não
faz por respeito, como sair com suas amigas solteiras para
balada todo sábado, alegando também ser sua privacidade.
Como ele se sentiria se você tivesse esse comportamento
mesmo sabendo que ele não se sentiria seguro?

Quanto mais ampliamos nossos conhecimentos, mais


argumentos temos. E é isso que precisamos ter, além de
fatos. Fazer o outro pensar como se fosse ele. Levar para
ele o que ele não gostaria que fizessem com ele. Se ele não
gostaria que você tivesse amigos homens, por que ele teria
amigas mulheres? Por que ele curtiria fotos de mulheres na
internet sendo que é comprometido com você? Se ele pre-
cisa fazer isso, então ele não está valorizando a relação.
Ele firmou um compromisso com você, não com elas, e
esse comportamento mostra quem ele está priorizando
na prática.

Não estou falando sobre discutir a relação, onde você


vai reclamar ou criticar a postura do outro, mas sim con-
versar e expressar como você se sente quando ele curte
fotos de outras mulheres na internet, por exemplo. Não
é porque não se sinta bonita, mas sim porque te faz mal

Faça sua parte — 71


e te deixa insegura, pelo simples fato de isso não ser uma
postura de homem comprometido e vice-versa.

A ideia é fazê-lo pensar que, independente de concor-


dar com a sua visão sobre o assunto, ele escolhe flexibilizar
para te passar confiança e segurança, e também porque
quer te fazer feliz. Caso ele ainda se recuse, isso só mostra
o quão você tem ao seu lado uma pessoa individualista e
sem noção alguma sobre empatia ou relacionamento de
aliança.

Fique atenta aos sinais, pois isso mostra que individu-


alismo é um de seus valores e a possibilidade de alterá-lo
ao longo dos anos é mínima.

O comportamento revela muito sobre a pessoa. Se fica


irritada ou estressada e não quer mais discutir o assunto,
é um sinal de que há algo ali que pede atenção. Você pode
sugerir deixar o assunto de lado por enquanto, mas pre-
cisará voltar a ele nas próximas semanas, trazendo novos
argumentos. Se a pessoa não consegue apresentar argu-
mentos válidos, isso pode indicar uma falta de valorização
na relação.

É importante cuidar da sua individualidade, pois isso


te posiciona com valor. Não se trata de joguinhos ou ma-
nipulações, mas sim de mostrar que não depende exclu-

72 — Bruna Porto Lima


sivamente do outro para ser feliz. Se ele não te valorizar,
pode chegar a um ponto em que a relação não valha mais
a pena para nenhum dos dois. Você sabe o seu valor e está
descobrindo cada vez mais o tipo de relacionamento que
quer e que merece.

Algumas mulheres têm a necessidade de controlar as


atitudes do seu parceiro, pois se sentem constantemente
inseguras e ciumentas. Acredito ser importante entender
se isso está relacionado a traumas passados que estão con-
tribuindo para essa desconfiança ou se é sobre a postura
de quem está ao seu lado que gera essa insegurança.

Se seu parceiro age como uma pessoa comprometida


e transparente, talvez você precise olhar mais para si para
entender porque se sente dessa forma e qual a origem desse
sentimento.

É fundamental que ambos respeitem os limites um do


outro e trabalhem juntos para construir confiança mútua.
No entanto, se essa desconfiança persistir, pode ser útil
buscar ajuda de um profissional para explorar essas ques-
tões mais profundamente e encontrar maneiras saudáveis
de lidar com elas.

Entendo que às vezes pode ser desgastante estar sempre


desconfiando de tudo. Por isso, recomendo distinguir entre

Faça sua parte — 73


o que é seu e tem relação com sua história e experiências
passadas, e o que é do seu parceiro. Eu considero isso im-
portante para construção de uma relação saudável porque
o controle excessivo pode criar tensão no relacionamento
e um clima extremamente pesado.

Se você sente necessidade de estar sempre controlando


seu cônjuge, compreenda a origem desses traumas que te
levam a esse comportamento. Além disso, durante uma
conversa, pode ser útil começar com algumas perguntas
para entender melhor a situação, como por que ele sente
a necessidade de conversar com outras mulheres, e se ele
estaria confortável se você fizesse o mesmo com outros
homens. Essa reflexão pode ajudar a revisitar questões
importantes sobre confiança e limites no relacionamento.

Confiança é algo que se conquista e é um valor fun-


damental, mantendo o compromisso e principalmente a
postura de uma pessoa comprometida.

Se você expressa, claramente, que é importante estar


em um relacionamento onde ambos compartilhem dos
mesmos valores e respeitem os limites um do outro e seu
parceiro não tem os mesmo valores ou não está disposto a
flexibilizar nesse aspecto, pode ser necessário considerar
outras opções, mesmo que isso signifique seguir caminhos
separados.

74 — Bruna Porto Lima


Geralmente, tanto as qualidades quanto os defeitos de
uma pessoa tendem a se intensificar ao longo do tempo. A
confiança é um pilar fundamental em qualquer relaciona-
mento, e se isso não está presente, é difícil imaginar que o
relacionamento prospere. Se você se encontra nessa situ-
ação, é importante ser honesta consigo mesma e com seu
parceiro sobre algo que é determinante quando se almeja
um relacionamento forte e próspero.

Se você não se sente preparado para ter essa conversa


ou para terminar o relacionamento caso seja necessário,
busque maturidade emocional para entender sobre tudo
que foi falado até aqui. Mas é importante ser clara sobre
seus valores e necessidades.

Se você não está disposta a estar em um relaciona-


mento onde se sente constantemente insegura porque
seu parceiro não se compromete, significa que esse é um
valor importante para você. E se ele não estiver disposto
a respeitar isso, então talvez seja hora de seguir em frente
sem essa pessoa, por mais sofrido que isso possa parecer
nesse momento.

Faça sua parte — 75


VÍCIOS EMOCIONAIS

“A boca fala o que o coração está cheio


e a nossa postura fala quem somos.”

S
omos feitos de pensamentos e emoções, e a nossa
comunicação não verbal traduz esses pensamentos
e essas emoções através do nosso comportamento.

Vício emocional, como o nome já diz, é você estar vicia-


do em se deixar levar por uma emoção ruim que em nada
contribui para sua vida e seus resultados, pelo contrário,
te limita e sabota de conquistar seus objetivos em todas as
áreas da sua vida.

Nossos vícios emocionais, como raiva, rejeição ou im-


paciência, entre muitos outros, podem sabotar nossos re-
lacionamentos. Muitas vezes, esses vícios têm raízes em
traumas da infância e se manifestam em nossas interações

Faça sua parte — 77


adultas. É essencial reconhecer e lidar com esses padrões
de comportamento para promover relacionamentos mais
saudáveis e satisfatórios.

Eu costumava carecer de autorresponsabilidade, refle-


tindo um comportamento rancoroso e duro, especialmente
em minha comunicação com as pessoas mais próximas,
como meu marido e filho.

Minha falta de atenção aos sentimentos dos outros e


atitudes grosseiras afastavam aqueles que eu amava. Isso
acontecia porque meus vícios emocionais, como a raiva e o
rancor, afastava as pessoas em vez de aproximá-las. Refletir
sobre suas experiências passadas, que ocorreram na sua
infância por repetição ou por fortes impactos emocionais,
certamente vai te ajudar a identificar seus vícios emocio-
nais que impactam ou impactaram seus relacionamentos
ao longo da vida.

É crucial reconhecer os vícios emocionais que nos limi-


tam, como reclamar ou se vitimizar, e entender como esses
comportamentos se manifestam em nossas interações diá-
rias. Por exemplo, meu vício de reclamar refletia em todas
as áreas da minha vida, desde a hora que eu acordava pela
manhã até o momento que eu ia para cama. Isso criava
um ciclo vicioso de buscar problemas para justificar meu
comportamento negativo.

78 — Bruna Porto Lima


Para quebrar esses padrões de comportamento preju-
diciais, precisamos nos conscientizar dos gatilhos que ali-
mentam nossos vícios emocionais e substituí-los por novos
padrões de comportamento e comunicação. Embora não
exista uma solução instantânea, desenvolver uma rotina
consistente de novos hábitos emocionais positivos pode nos
ajudar a superar esses vícios e cultivar relacionamentos
mais saudáveis.

Como consegui superar meu hábito de reclamar? Foi


mediante treino constante, dia após dia, até deixar de
ser uma pessoa reclamona. Como fiz isso? Com intencio-
nalidade e exercícios práticos, o que me permitiu tomar
decisões racionais e escolher me comportar de forma mais
equilibrada.

Quando sentia vontade de reclamar, eu me continha,


dizendo a mim mesma: “Falar o que estou pensando vai
ajudar a resolver o problema? Não! Então melhor não dizer
nada.” Às vezes, era difícil controlar o impulso, e eu preci-
sava até mesmo sair do ambiente para evitar explodir em
reclamações.

Essa mudança não foi apenas benéfica para mim, mas


também para as pessoas ao meu redor, já que deixei de
alimentar meu vício emocional e, em vez disso, adotei uma
postura mais serena e reflexiva.

Faça sua parte — 79


Desenvolver maturidade emocional é fundamental para
lidar com os desafios nos relacionamentos, seja no trabalho
ou em casa. Por exemplo, aprendi a controlar minha irri-
tação diante de clientes difíceis, e essa mesma habilidade
pode ser aplicada nos relacionamentos pessoais, como com
meu marido e filho, para evitar conflitos desnecessários.

É crucial reconhecer nossos vícios emocionais e tra-


balhar consistentemente para substituí-los por comporta-
mentos positivos. Isso requer prática diária e uma mudan-
ça gradual de padrões de pensamento e comportamento.

Por meio de exercícios práticos e uma rotina bem es-


truturada, podemos remodelar nossas reações emocionais
e nos tornar quem desejamos ser.

Na sequência, vamos fazer um exercício prático sobre


isso para que você possa ampliar ainda mais sua consci-
ência e tomar decisões importantes.

80 — Bruna Porto Lima


Descreva abaixo como está seu relacionamento
hoje?

Faça sua parte — 81


Quais os pontos fortes e fracos de vocês como
um casal?

82 — Bruna Porto Lima


Talvez o seu vício emocional seja evitar enfrentar um
problema, por exemplo. Isso significa que você precisa sair
da zona de conforto, mas para você isso é desafiador, visto
que está viciada em fugir de conflitos.

Sendo assim, fazendo exatamente o oposto todos os


dias, por repetição, é possível desaprender para aprender
o novo, ou seja, enfrentar pequenos problemas para aos
poucos treinar a habilidade de lidar com esses conflitos,
pois é isso que vai te ajudar a mudar seu comportamento
e conquistar resultados diferentes do que vem tendo atu-
almente.

Um vício emocional é uma crença que te limita, mas


que você pode aprender a lidar com ela, seja treinando
diariamente ou tendo novas experiências emocionais im-
pactantes. Não é algo que acontece de repente, como uma
simples virada de chave que alguém te diz algo e tudo se
resolve. É um processo onde você amplia sua consciência
e com ações, pratica diariamente.

O ciclo do vício emocional começa com a comunicação


(verbal ou não verbal). Essa comunicação que normalmen-
te é expressada por um padrão linguístico, ou seja, algo que
você fala, revela o que você acredita.

Tudo começa com um pensamento, que produz um


sentimento, que se transforma em comportamento, e que

Faça sua parte — 83


por fim reforça o que você acredita. Diante de tudo isso,
realmente o que você crê, acontece e o ciclo reinicia.

É um círculo vicioso que sempre se alimenta. Cada


vício emocional que temos é expressado por um comporta-
mento ou comunicação verbal que serve como gatilho para
despertar emoções e alimentar o nosso vício emocional.

Qual era o gatilho que alimentava o meu vício emocional


que sempre me sabotava? Quando meu marido dizia algo
que me deixava com raiva, isso despertava uma emoção
em mim. Como resultado, meu comportamento refletia
uma pessoa irritada, impaciente e ríspida, e assim, meu
vício emocional era alimentado, e eu sempre arranjava
justificativas para esses comportamentos que, no fundo,
eu sabia que eram ruins.

Portanto, perceba que é um ciclo vicioso que se retroa-


limenta. Eu verbalizava “Meu marido me irrita e por isso eu
explodo!”, ou seja, ao verbalizar isso, logo gerava um pensa-
mento que reforçava o que eu estava dizendo, o sentimento
era de raiva e a minha comunicação/comportamento era
de uma pessoa explosiva e grosseira.

Eu realmente achava que o fato de estar irritada vinha


do comportamento dele. Foi só quando exerci minha au-
torresponsabilidade que me tornei consciente que não era

84 — Bruna Porto Lima


meu marido que me irritava, era eu que não tinha controle
emocional e saía do sério. Mesmo porque, esse comporta-
mento se repetia com frequência no meu trabalho, com
meu filho, meus familiares, e até mesmo com pessoas des-
conhecidas, ou seja, vinha de mim, não das pessoas de fora.

Por exemplo, se você é viciado em estresse, isso se


manifesta em comportamentos e comunicações que cor-
respondem a uma pessoa estressada e você vai agir e se
comunicar de maneiras que demonstrem esse estresse.
Talvez fique acelerada, reativa, com expressão séria, testa
franzida, entre outros sinais.

Meu vício emocional era de estresse, raiva, impaciên-


cia, controle, entre outros. Meu comportamento refletia
autoritarismo, controle excessivo, eu era mandona, chata
e estressada.

Até hoje, lembro-me com frequência das pessoas ao


meu redor perguntando se estava tudo bem, pois elas per-
cebiam, muitas vezes apenas olhando para mim, que algo
estava errado. Muitas vezes, parecia que eu estava sempre
estressada, pois era o que a minha comunicação refletia,
até mesmo de forma involuntária.

Quando as pessoas me olhavam e perguntavam “acon-


teceu alguma coisa?”, elas queriam saber se algo estava

Faça sua parte — 85


errado. No entanto, era apenas o meu vício emocional se
manifestando através da minha comunicação. O problema
era que eu estava acostumada a ser assim.

Esse comportamento era direcionado a qualquer pes-


soa, desde familiares, até mesmo a desconhecidos na rua,
e era muito prejudicial. Quando eu agia da mesma forma
com meu marido ou meu filho, isso os magoava, e conse-
quentemente, nos afastava.

Em outras palavras, eu alimentava meu vício emocional


com os gatilhos que eles traziam, o que resultava em um
comportamento que os magoava e, por sua vez, desgastava
nossa relação.

Você pode ter um vício emocional diferente do meu,


como vitimização, desejo de agradar a todos, medo de
rejeição ou dependência emocional. Seu comportamento
será de uma pessoa que se afasta, evita conflitos, chora
com facilidade, pois se sente rejeitada, abandonada e inse-
gura. Seu semblante será triste, comunicando ansiedade e
você terá uma postura arqueada, pois tudo isso rouba sua
alegria de viver.

Você não se posiciona e não estabelece limites, porque


seu vício emocional está ligado à rejeição, ao abandono, ao
medo ou à dependência emocional, e por aí vai.

86 — Bruna Porto Lima


Talvez você ainda não tenha percebido isso, mas à me-
dida que as coisas vão ficando mais claras, é importante
lembrar que esses padrões de comportamento podem estar
enraizados desde a sua infância ou em traumas que viveu
ao longo da sua vida.

Como podemos eliminar esses vícios emocionais? Crian-


do uma rotina de novos padrões de comportamento e co-
municação que estejam alinhados com a pessoa que você
deseja se tornar.

É natural sentir essas emoções ao longo da vida, diante


das diferentes circunstâncias que enfrentamos. No entanto,
podemos substituir as emoções negativas que nos impedem
de alcançar nossos objetivos por emoções positivas que nos
aproximam dos resultados desejados.

Para isso, é necessário um esforço contínuo e um trei-


namento consistente. Não há uma fórmula mágica ou solu-
ção instantânea. Eu mesma, por anos, me deixei conduzir
por meus vícios emocionais e o meu principal vício era
reclamação.

Como consegui deixar de ser uma pessoa reclamona? A


resposta é simples: praticando, praticando e praticando
todos os dias até me tornar alguém que controlava as emo-
ções e escolhia não reclamar mais, pensando antes de falar.

Faça sua parte — 87


Como fiz isso? Treinando diariamente comportamentos
opostos, praticando a gratidão, buscando agir com genti-
leza e cortesia com as pessoas que me rodeavam, sendo
mais amorosa e gentil. Com muita atenção e equilíbrio
emocional, para poder tomar decisões racionais.

Sempre que sentia vontade de reclamar, dizia a mim


mesma: “Reclamar não vai me aproximar da solução, então
escolha outro comportamento”. Não era nada fácil manter
o autocontrole, havia momentos em que precisava sair do
ambiente porque minha vontade era explodir e reclamar,
não apenas com meu marido, mas com todos que alimen-
tavam meu vício emocional.

Deixar de alimentar meu vício emocional foi funda-


mental, não apenas para mim, mas também para todos
que conviviam comigo. Isso ajudou a aproximar as pesso-
as e mostrar a minha real intenção. Porém, é importante
ressaltar que essa mudança não foi feita para agradar os
outros, mas sim para meu próprio benefício.

Quando me entreguei ao autoconhecimento, me tornei


mais consciente e decidi agir, as mudanças se tornaram
visíveis. As pessoas perceberam que eu estava mais calma,
mais reflexiva e segurando minha onda.

É essencial substituir as emoções negativas por emo-


ções positivas para alcançar nossos objetivos desejados.
Por exemplo, se você deseja ser gentil, precisa observar e
praticar atitudes gentis e isso requer treinamento contínuo
para adotar novas formas de comunicação até que essas
se tornem parte natural do seu comportamento. É como
alterar a química de suas emoções, principalmente aquelas
que te sabotam.

Gradativamente, você conseguirá se livrar desses com-


portamentos prejudiciais e substituí-los por comportamen-
tos positivos. Ao mudar sua comunicação através de novas
atitudes que fortalecem a nova pessoa que você deseja ser,
você está gerando um novo pensamento de que é capaz de
ser diferente, e em seguida um novo sentimento de satis-
fação em fazer o que precisa ser feito. Tudo isso é capaz de
alterar o que antes você acreditava que era impossível de
mudar, ou seja, a sua forma de comunicar.

Portanto, temos a capacidade de controlar nossos vícios


emocionais e construir maturidade emocional para lidar
com os desafios que surgem em nossos relacionamentos.
Tenho certeza que você já fez esse exercício no trabalho,
por exemplo. Podemos nos deparar ao longo do dia com
clientes difíceis. Talvez já tenhamos encontrado pessoas
reclamonas ou que consideramos ser uma cliente chata.

Ela reclama de tudo e está sempre insatisfeita. Mas se


eu preciso dessa pessoa como cliente porque ela compra

Faça sua parte — 89


sempre na minha loja, não posso simplesmente brigar com
ela e perdê-la para a concorrência.

Por mais que a vontade seja de dizer boas verdades a


ela às vezes, preciso controlar esse impulso para mantê-la
como cliente. Então, me adapto à situação, faço o possível
para atendê-la da melhor forma e garantir que, tanto ela
quanto eu, saiamos satisfeitas diante da situação.

É algo que fazemos com clientes, chefes, vizinhos e até


no trânsito para evitar conflitos e manter a harmonia. Por
que então não fazemos o mesmo com nosso marido ou nossos
filhos? É crucial identificar isso e, ainda mais importante,
construir maturidade emocional ao longo do tempo para
se tornar consciente e decidir agir diferente.

Para alcançar isso, é necessário treinar constantemen-


te, com muita consistência e praticar tarefas diárias. Para
mim, funciona muito bem ter uma rotina para cuidar dos
meus pensamentos e sentimentos, o que gera uma nova
forma de comunicação e comportamento.

Estar sempre em contato com pessoas que buscam o


mesmo que você também é determinante para se manter
no processo de desenvolvimento, pois o ambiente que está
inserido ajuda muito a te empurrar para cima ou te puxar
para baixo.

90 — Bruna Porto Lima


Algumas das minhas alunas do curso Segredo do Re-
lacionamento de Sucesso, cujo conteúdo é construir um
relacionamento saudável, decidiram evoluir e participar
da minha mentoria de Inteligência Emocional, onde nos
encontramos semanalmente para falar sobre nossos pen-
samentos e sentimentos, fazer exercícios práticos, a fim
de para criar novos padrões de comunicação e eliminar
nossos vícios emocionais que nos atrapalham. É um acom-
panhamento contínuo, para nos manter engajados e moti-
vados, mesmo quando pensamos em desistir.

Colocar esses exercícios em prática no dia a dia é o que


faz as coisas começarem a mudar de fato. Não há outro
caminho para obter resultados diferentes a não ser fazer
coisas diferentes.

Se continuarmos fazendo as mesmas coisas, obteremos


os mesmos resultados. Mas se mudarmos nossas atitudes
a possibilidade de alcançarmos resultados diferentes au-
menta consideravelmente. A persistência é fundamental.
Basicamente, é preciso treinar para se tornar a pessoa que
desejamos ser.

No meu caso, eu queria ser mais paciente, menos con-


troladora, mais ouvinte e mais gentil. Todos os dias, escre-
via 10 motivos pelos quais eu era grata em minha vida e

Faça sua parte — 91


na sequência mais 10 motivos pelas quais eu era grata por
estar em processo de desenvolvimento.

A gratidão tem um poder transformador incrível, mas


muitas pessoas desistem após alguns dias e não conseguem
colher os frutos desse exercício tão valioso para nos man-
ter no modelo mental de solução. A prática da gratidão
me ajudou a valorizar minha vida, refletir sobre o que
era realmente importante e apreciar as coisas essenciais.
Com o tempo, essa mudança de perspectiva contribuiu
para transformar meu vício emocional de raiva, estresse
e impaciência, em mansidão e gentileza.

Esse processo de mudança requer treino diário e disci-


plina. Sempre que percebo que estou agindo de forma con-
troladora, reviso minha rotina e reflito se estou cumprindo
meus exercícios. Isso é comportamental e está fundamen-
tado na psicologia das terapias cognitivas e comportamen-
tais. Não é algo místico, é científico.

Muitas vezes, as pessoas tendem a justificar seus com-


portamentos e culpar os outros por seus insucessos, mas
ao estabelecer uma rotina, se organizar e se comprometer
com mudanças, podemos superar esses obstáculos.

Já vi alunas que deixaram de reclamar e passaram a


buscar soluções para os problemas, enquanto outras apren-
deram a se posicionar com valor diante de seus parceiros,

92 — Bruna Porto Lima


expressando seus sentimentos, estabelecendo limites e
assumindo o controle de suas próprias vidas, sem se dei-
xarem sabotar por sentimentos e vícios emocionais. Então,
explorar nossas emoções é algo muito interessante, pois
muitas vezes encontramos raízes desses comportamentos
em nossa infância.

A prática da gratidão foi especialmente transformadora


para mim, ajudando-me a mudar minha perspectiva sobre
a vida e a diminuir minha impulsividade e irritabilidade.
Aos poucos, fui substituindo padrões de raiva e estresse
por paciência e compreensão.

Através do treinamento persistente e da consciência de


nossos padrões emocionais, podemos alcançar uma mu-
dança significativa em nossos relacionamentos e em nossa
própria felicidade conjugal e pessoal. A jornada pode ser
desafiadora, mas é também recompensadora e libertadora,
à medida que nos tornamos mais conscientes e capazes de
lidar com os altos e baixos da vida.

Faça sua parte — 93


PERDÃO

O
perdão não é algo que concedemos ao outro, mas
sim a nós mesmos. Muitas das crenças que nos
limitam e nos sabotam atualmente foram forma-
das no passado, especialmente na infância, influenciadas
por nossos pais, através de experiências repetidas e impac-
tos emocionais intensos.

Alguns desses eventos podem até se tornar traumas,


mas também podem ser marcas de experiências ruins em
relacionamentos anteriores, que nos paralisam, gerando ví-
cios emocionais como medo, culpa, ressentimento e crítica.

O medo de reviver essas situações novamente nos pa-


ralisa, levando-nos a desenvolver vícios emocionais como
crítica, ressentimento, rancor, raiva e tristeza. É importante
compreender que perdoar não significa esquecer. Perdo-
ar é ressignificar, é entender que aquela experiência nos

Faça sua parte — 95


trouxe um aprendizado e que não queremos passar por
isso novamente.

A crítica, o ressentimento, a culpa e o medo são senti-


mentos gerados por nossos pensamentos, aprendidos na
infância e reforçados por comportamentos e padrões de
comunicação na fase adulta. É fundamental reconhecer
esses padrões emocionais para podermos trabalhar na
sua transformação e no cultivo de uma mentalidade mais
saudável e positiva.

Quando nos sentimos paralisados pelo medo de revi-


ver experiências dolorosas do passado, podemos acabar
reproduzindo esses mesmos padrões de comportamento e
comunicação em nossos relacionamentos atuais. Por exem-
plo, uma pessoa pode adotar o comportamento de um dos
pais para evitar ser como o outro, mesmo que repudie esse
comportamento. Isso ocorre porque, inconscientemente,
buscamos modelos familiares para nos guiar, mesmo que
sejam negativos.

No entanto, ao reconhecermos nossa responsabilidade


sobre nossos sentimentos e comportamentos, podemos
começar a transformar nossos padrões emocionais e por
consequência, nossos relacionamentos. O perdão se torna
essencial nesse processo, pois nos permite liberar o ressen-
timento e assumir o controle de nossa própria vida.

96 — Bruna Porto Lima


Perdoar não é apagar o que te feriu da memória, mas
sim ressignificar as experiências passadas como lições de
vida. É entender que nossos pais também foram influencia-
dos por suas próprias experiências e limitações, cabendo
a nós escolhermos um caminho diferente. Ao perdoar, nos
libertamos dos padrões emocionais que nos prendem ao
passado e nos abrimos para viver de forma mais consciente
e livre.

Perdoar é um ato de amor-próprio, um compromisso de


viver sem o peso do ressentimento e do sofrimento passa-
do. É uma decisão de ser protagonista da própria vida, su-
perando o papel de vítima e abraçando a oportunidade de
criar relacionamentos mais saudáveis e felizes. Ao decidir
perdoar, recuperamos nossa força interior e construímos
nosso próprio destino, baseado na escolha de viver com
amor, compaixão e gratidão.

O perdão é uma decisão que você precisa tomar dia-


riamente. Mudar a nossa comunicação sobre o que nos
aconteceu, aprendendo com as situações difíceis, pode ser
uma forma de lidar com os dias ruins. Perdoar é treino, é
transformar algo que antes limitava você em uma opor-
tunidade de crescimento pessoal. Às vezes, é necessário
perdoar o parceiro por suas falhas ou até mesmo perdoar
a si mesmo por algo ruim que tenha causado ao outro.

Faça sua parte — 97


Perceber que perdoar não significa esquecer, mas sim
entender que as pessoas são mais do que seus erros, é
fundamental para seguir em frente. Alguns indivíduos se
prendem ao papel de vítima após uma traição ou decepção,
o que pode prejudicar muito a reconstrução do relaciona-
mento. No entanto, uma restauração conjugal não pode
ocorrer sem o perdão. Perdoar é um ato de humildade, que
permite que você se liberte do peso do ressentimento e da
mágoa, assumindo o controle das suas atitudes.

A falta de perdão pode sabotar sua vida conjugal, man-


tendo você preso à sombra do erro e da insegurança. Deci-
dir perdoar é uma escolha corajosa que pode transformar
o seu relacionamento e a sua vida.

A comunicação assertiva desempenha um papel fun-


damental nesse processo, pois permite que você alinhe
seus valores e expectativas com seu parceiro. Para evitar
frustrações no futuro, privacidade e individualidade são
conceitos importantes a serem discutidos e compreendidos
dentro da relação.

É importante compreender que as pessoas só mudam


se quiserem e que você não pode forçar essa mudança.
Se o comportamento do seu parceiro fere seus valores
fundamentais e ele não está disposto a mudar, é impor-
tante reconhecer quando é hora de seguir em frente sozi-

98 — Bruna Porto Lima


nha. Conhecer seus próprios valores e não flexibilizá-los
é fundamental para construir relacionamentos saudáveis
e recíprocos.

Uma das minhas alunas de mentoria compartilhou


uma história marcante que ilustra como nossos padrões
emocionais podem ser influenciados por experiências pas-
sadas. Ela carregava um forte ressentimento em relação
ao pai, pois na infância ela sempre viu ele tratar a esposa,
no caso sua mãe, de forma rude, grosseira e autoritária,
enquanto a mãe permanecia calada e passiva diante de tal
comportamento.

Essa dinâmica fez com que ela desenvolvesse um gran-


de ressentimento do pai e uma crença de que nunca seria
como a mãe, sempre tão passiva diante das adversidades,
sem dar limites ou se posicionar.

Por repetição de padrão, e de acordo com as referências


que ela tinha na infância sobre casamento, minha aluna
acabou internalizando a ideia de que, para não se tornar
permissiva como a mãe, adotou o comportamento do pai.

Mesmo repudiando as atitudes paternas, inconscien-


temente ela passou a reproduzir esses padrões em seus
relacionamentos na vida adulta, incluindo seu casamento.
Esse comportamento afetou negativamente sua vida conju-
gal e sua relação com a família. Para não ser como a mãe,

Faça sua parte — 99


ela se tornou como seu pai, pois essas eram suas únicas
referências na infância, quando o assunto era casamento.

Somente durante um processo de mentoria ela perce-


beu essa repetição de padrão e entendeu que estava repe-
tindo o comportamento do seu pai em seu relacionamento.
Essa consciência a levou a um processo de perdão em
relação ao pai, reconhecendo que isso era necessário para
sua própria libertação e para construir relacionamentos
mais saudáveis.

Ao perdoar o pai e reconhecer sua responsabilidade na


repetição desses padrões, ela se libertou para ser diferente
em seu casamento e em sua vida familiar, afinal, ela não
precisava ser nem como pai, nem como a mãe, e sim como
ela decidira que seria bom para sua própria vida.

Esse processo de perdão foi transformador e permitiu


que ela quebrasse esse ciclo de comportamento prejudicial,
deixasse de alimentar seu vício emocional, decidindo a
partir daquele momento mudar suas atitudes com seu
marido e filhos. Inclusive quebrando o padrão de seus pais
e mostrando aos seus filhos, através do seu exemplo, que
casamento era cumplicidade, parceria e união.

Essa história ilustra a importância de reconhecermos


nossos padrões emocionais e buscarmos a transformação

100 — Bruna Porto Lima


por meio do perdão e do autoconhecimento. Mesmo após
a mentoria, ela continuou estudando e praticando o per-
dão diariamente, consciente de que isso era fundamental
para sua evolução pessoal e para evitar repetir padrões
prejudiciais no futuro.

Perdoar é um processo profundo que muitas vezes con-


funde-se com concordar ou amenizar o mal causado pela
pessoa que nos magoou, mas não é nada disso. Em alguns
casos, a pessoa que nos magoou pode nem estar ciente do
impacto de suas ações sobre nós, enquanto nós estamos lá,
sofrendo, nos sentindo vitimizados, com raiva ou rancor.

Um exemplo disso é o caso de duas irmãs cujo pai


deixou a família para começar uma nova vida com outra
pessoa, abandonando as filhas do primeiro casamento du-
rante esse processo. Uma das filhas ficou profundamente
magoada, sentindo-se abandonada e ressentida, enquanto
a outra conseguiu superar e seguir em frente sem o peso
desse sentimento ruim.

Essa diferença de reação mostra como o perdão é uma


jornada pessoal e subjetiva. Cada indivíduo reage de forma
diferente às mesmas circunstâncias, dependendo de sua
própria experiência, perspectiva e sensibilidade emocional.
O perdão não é sobre absolver o ofensor, mas sim sobre
libertar-se do peso emocional que carregamos.

Faça sua parte — 101


Perdoar é uma jornada de amor-próprio e autocompai-
xão. Envolve reconhecer que se agarrar a mágoa e ressen-
timento só nos prejudica, e que liberar esses sentimentos
nos permite avançar em direção a uma vida mais plena e
feliz. Ao perdoar, não estamos necessariamente justifican-
do as ações do outro, ou concordando com o que foi feito,
mas sim escolhendo nos libertar do poder dessas ações
sobre nós.

Uma parte essencial do perdão é perdoar nossos pais,


reconhecendo que eles também foram moldados por suas
próprias experiências e padrões familiares. Ao liberar o
perdão, também nos libertamos dos padrões emocionais
negativos que herdamos. Isso nos permite quebrar ciclos
de comportamento prejudicial e nos torna os protagonistas
de nossas próprias vidas.

Perdoar não é um ato único, mas um processo contínuo


de deixar ir, de escolher viver sem o peso do ressentimento
e da mágoa. É uma decisão consciente de viver sem ser
definido pelo passado e sim de abraçar um futuro de cres-
cimento e cura.

O perdão é uma jornada pessoal e transformadora, que


tem o poder de nos libertar do peso emocional causado
por ações alheias ou até mesmo por ações próprias. É im-

102 — Bruna Porto Lima


portante compreender que o perdão não é para quem nos
magoou, mas sim para nós mesmos.

É uma decisão consciente de ressignificar nossos senti-


mentos em relação ao que nos aconteceu, uma nova visão
sobre as experiências que tivemos e que agora temos con-
trole sobre elas, sem deixar que nos afetem diretamente.

Perdoar não é um ato isolado, mas sim uma escolha


que precisamos fazer todos os dias. Envolve mudar nossa
comunicação interna sobre o que aconteceu, aprendendo
com as situações difíceis e decidindo não deixar que elas
nos dominem. É um treino constante de transformar o
que antes nos limitava em algo que nos ensina a sermos
pessoas melhores.

Às vezes, precisamos perdoar nossos parceiros por


comportamentos prejudiciais, como infidelidade ou pa-
lavras duras. Outras vezes, precisamos nos perdoar por
fazer coisas que magoaram nosso cônjuge. No entanto, é
importante entender que perdoar não significa esquecer, e
sim reconhecer que todos os seres humanos são passíveis
de erros e que ninguém é definido por um único equívoco.

Muitas pessoas, ao se depararem com uma traição con-


jugal, se prendem ao papel de “traídas” e deixam de viver
suas vidas plenamente. Essa fixação no título de vítima

Faça sua parte — 103


leva ao ressentimento, à mágoa e à frustração, prejudi-
cando ainda mais o relacionamento e a sua própria vida.

A restauração conjugal só pode acontecer com o per-


dão, que não apaga o passado, mas nos capacita a seguir
em frente sem sermos definidos por ele.

As decisões de perdoar podem ser assustadoras e cheias


de ansiedade, mas são elas que nos impulsionam para
frente. É fundamental reconhecer o poder que temos de
escolher o perdão e permitir que ele nos mova em direção
a uma vida mais plena e significativa.

A falta de perdão pode ser como uma sombra que paira


sobre o erro e a insegurança, sabotando a vida conjugal.
Funciona como um sabotador que impede que alcancemos
o que merecemos em nossos relacionamentos.

Perdoar é um ato de humildade, pois exige reconhecer


nossas próprias falhas e limitações, e não se deixar guiar
pelo orgulho. Aqueles que conseguem perdoar demonstram
evolução emocional e estão dispostos a seguir em frente,
deixando o passado para trás.

Se desejamos ter relacionamentos saudáveis, é essen-


cial decidir perdoar e iniciar esse processo, mesmo que não
seja um processo fácil.

104 — Bruna Porto Lima


Exercício prático: liste cinco prejuízos emocionais
causados por traumas do passado que afetam
sua vida e seus relacionamentos atualmente.
Esses prejuízos podem incluir sentimentos de
abandono, rejeição, vitimismo, raiva, medo, culpa
ou ansiedade.

Faça sua parte — 105


COMUNICAÇÃO ASSERTIVA

A
comunicação assertiva desempenha um papel
fundamental nos relacionamentos saudáveis. En-
volve expressar nossas necessidades, sentimentos
e opiniões de maneira clara e respeitosa.

Comunicação pode ser verbal, ou seja, o que você fala,


ou não verbal, que são suas atitudes e comportamentos. É
uma ferramenta poderosa para construir conexões signifi-
cativas e resolver conflitos de forma construtiva e madura.
Ao praticarmos a comunicação assertiva, podemos forta-
lecer nossos relacionamentos e promover um ambiente de
compreensão e apoio mútuo.

É fundamental compreender que a comunicação vai


além das palavras, é algo que envolve também comporta-
mento e postura. As pessoas em geral costumam revelar
suas intenções e quem elas são, muito mais por suas ações,
atitudes e comportamentos, do que através de palavras

Faça sua parte — 107


propriamente ditas. Como ela se veste, se cuida ou não da
sua aparência, como se porta com as pessoas à sua volta,
os limites que impõe e a forma como reage diante das ad-
versidades, tudo isso comunica muito sobre a identidade,
princípios e valores de uma pessoa.

Por exemplo, é fácil dizer “eu te amo”, mas demonstrar


esse amor por meio de ações e atitudes é o verdadeiro
desafio. Manter um relacionamento saudável requer mais
do que palavras bonitas; é necessário colocar o amor em
prática no dia a dia de forma intencional.

Muitas vezes, recebo mensagens de minhas alunas,


seja do curso ou da mentoria, dizendo que seus parceiros
expressam o desejo de separar ou acabar o casamento, mas
continuam em casa, e não fazem nenhum esforço para
seguir em frente com essa decisão, não tomam nenhuma
atitude. Essa contradição entre palavras e ações pode gerar
confusão e frustração, afinal, diz que quer a separação, mas
não toma as atitudes necessárias.

Por isso, é importante entender o que está por trás


desses comportamentos. Será que falta coragem para to-
mar essa decisão? Ou talvez falta clareza sobre os próprios
sentimentos? Já presenciei casamentos de longa data che-
garem ao fim porque um dos cônjuges expressou o desejo
de partir abruptamente, sem muitas explicações, ou seja,

108 — Bruna Porto Lima


pediu a separação e mostrou através de comportamento
que estava realmente decidido a acabar o casamento. Essas
situações mostram como a comunicação clara e assertiva
é essencial para a saúde dos relacionamentos.

Você já se deparou com uma situação em que uma pessoa


diz uma coisa e faz outra? Se isso acontece, é uma oportu-
nidade para iniciar uma conversa sobre essa questão. Isso
está relacionado à confiança e ao respeito, como mencionei
anteriormente.

Muitos homens e mulheres não compartilham informa-


ções, como seus salários, bens adquiridos ou até mesmo
senhas de celular, embora digam valorizar a confiança.

Eles defendem sua privacidade, mas não agem de ma-


neira que inspirem confiança. Quando um casal decide
compartilhar a vida, a privacidade acaba e a individuali-
dade se mantém. Privacidade e individualidade são coisas
distintas e, muitas vezes, confundidas. É muito importante
esse alinhamento entre o casal.

A comunicação assertiva se torna fundamental para


esclarecer esses pontos. A privacidade refere-se à vida
privada e íntima, enquanto individualidade diz respeito
às características e valores pessoais de cada indivíduo.
No entanto, é essencial alinhar esses conceitos no rela-
cionamento.

Faça sua parte — 109


Se um parceiro se recusa a compartilhar informações
simples, como uma senha do celular, gera desconfiança
porque não está agindo de forma confiável, ou seja, tem
uma visão distorcida sobre o assunto. O ideal é discutir es-
sas diferenças de perspectiva para evitar conflitos futuros.

É importante ter em mente que conceitos podem ter


significados distintos para cada pessoa, mas alinhar esses
valores dentro do relacionamento é primordial para evitar
frustrações, mágoas e conflitos desnecessários. Se isso já
faz parte do seu relacionamento, precisará de muita con-
versa e alinhamento para mostrar o quanto é prejudicial
para a vida do casal.

Na verdade, essas conversas deveriam ocorrer no início


do relacionamento, mas muitas vezes tendemos a ignorar
certos comportamentos.

Ficamos na esperança de que nosso parceiro ou par-


ceira mude, que se torne diferente conosco. Entretanto, é
importante entender que uma pessoa só muda se ela real-
mente quiser, se entender que na visão dela está disposta
a abrir mão desse comportamento em prol de uma relação
mais saudável.

Não adianta impor nossas opiniões, reclamar, julgar


ou criticar na expectativa de que ele ou ela mude de ideia,

110 — Bruna Porto Lima


precisa fazer sentido na cabeça do outro para que tome a
decisão de mudar.

Para mim, está muito claro em minha mente: conheço


meus valores de vida e de relacionamento. Se em algum
momento da vida conjugal o comportamento do meu par-
ceiro contradiz esses valores e ele não estiver disposto a
mudar, a relação termina.

Para mim, confiança é um valor inegociável. Não aceito


estar em um relacionamento no qual não tenho acesso ao
celular do meu parceiro, por exemplo, ou à conta bancária.
Isso são questões básicas para mim, que não podem ser
flexibilizadas. Não existe mais a minha vida ou a dele, e
sim a nossa.

Já vivenciei casos nos quais a falta de confiança gerou


problemas muito sérios. Se meu parceiro não confia em
mim, a ponto de esconder informações financeiras ou
qualquer outra coisa, isso já é um sinal de que algo está
errado na relação.

Existem valores que não estamos dispostos a mudar e


outros que podem ser flexibilizados, mas é necessário co-
nhecermos nossos próprios princípios para saber o que po-
demos ou não aceitar. Por exemplo, honestidade é um valor
fundamental para mim, algo que eu jamais comprometeria.

Faça sua parte — 111


Se alguém me convidasse para realizar um ato desones-
to, minha resposta seria um claro “não”, pois tenho meus
valores bem definidos nesse aspecto.

Por que você aceitaria comportamentos que demonstram


falta de compromisso, geram insegurança e desrespeito, se
compromisso, segurança e respeito são valores importantes
para você? Se isso faz sentido, é hora de refletir. Muitas
vezes, as pessoas se encontram em relacionamentos nos
quais os valores não se alinham, mas têm dificuldade em
sair dessa situação. Se esse é o seu caso, é importante olhar
para si e se questionar, pois pode ser exatamente isso que
te deixa insegura e frustrada.

Você não precisa necessariamente sair do relaciona-


mento de imediato. Em vez disso, pode aprender sobre
comunicação assertiva e expressar seus pontos de vista de
forma clara e fundamentada.

Com argumentos válidos e fatos, você pode levar à


pessoa com quem se relaciona a oportunidade de entender
seus sentimentos e perspectivas. Ela então terá a escolha
de se juntar a você nesse processo de transformação ou
não. Esse tipo de alinhamento é essencial em um relacio-
namento saudável.

Eu mesma aprendi muito com meu parceiro. Houve


situações nas quais eu era muito convicta de minhas opini-

112 — Bruna Porto Lima


ões, mas ele me trouxe argumentos válidos que me fizeram
repensar minha posição. Isso é parte do crescimento mútuo
entre um casal saudável.

É importante também considerar que talvez não sejam


apenas seus traumas que estão afetando o relacionamento.
Pode ser que seu parceiro tenha uma compreensão dife-
rente de conceitos como confiança. É essencial trazer essas
questões para a discussão e ver se faz sentido para ambos.

Por vezes, é válido inverter os papéis e pensar: “Como


meu parceiro se sentiria se estivesse na minha posição?”
Eu mesma fiz isso, questionando se ele gostaria de não ter
acesso à senha do meu celular ou qualquer outra coisa que
o incomodasse.

Isso abre espaço para uma conversa honesta e para


encontrar um equilíbrio que funcione para ambos. O diá-
logo aberto e a disposição para entender as perspectivas do
outro são fundamentais para construir um relacionamento
saudável e harmonioso.

Você precisa estar preparado para essa conversa, por-


que se houver dependência emocional, vitimização, rejei-
ção ou abandono, você pode acabar aceitando e flexibili-
zando, o que é muito prejudicial, porque você viverá infeliz,
indo contra seus próprios valores.

Faça sua parte — 113


Qual é a melhor forma de se comunicar com o parceiro
diante de opiniões diferentes? A tendência natural é re-
clamar, criticar e tentar impor nosso pensamento como
verdade para o outro.

No entanto, a forma mais assertiva de comunicar nos-


sos valores é ouvir com atenção e falar com respeito, sem
se deixar levar pelo seu vício emocional. Isso envolve tanto
ouvir atentamente quanto expressar nossos pontos de vista
com consideração.

É crucial encontrar um equilíbrio nesse diálogo. Essa


abordagem certamente levará a resultados melhores para
o casal. Quando pensamos de forma diferente, geralmente
queremos convencer nosso parceiro do nosso ponto de
vista, esperando que ele repense suas atitudes. Porém,
abordar o assunto trazendo resultados importantes para
ele, e não no nosso ponto de vista, faz muito mais sentido.

Em vez de focar apenas em nossas próprias perspecti-


vas, é importante considerar o que é significativo para o
outro. Isso permite que ele reflita e perceba os benefícios
em fazer mudanças. Por exemplo, em vez de dizer “Eu
acho que você deveria buscar um emprego melhor porque
seria bom para nós”, seria mais eficaz abordar a questão
mostrando como ele se beneficiaria diretamente, como
por exemplo, “Se você buscar um emprego melhor, poderá

114 — Bruna Porto Lima


ter mais estabilidade financeira e tempo livre para suas
atividades favoritas, o que sei que é importante para você”.
Assim, ele pode entender o impacto positivo da mudança
em sua própria vida, mesmo que não seja algo que você
valorize da mesma maneira.

Agindo dessa forma, as coisas começam a se encami-


nhar. Não é à toa que existem estudos que mostram, por
exemplo, que uma pessoa viciada em drogas ou alcoolis-
mo pode parar de beber quando o filho nasce. Isso ocorre
porque ela reflete sobre como será o futuro se ela não lidar
com essa situação. Com o nascimento do filho, ela conside-
ra o impacto de seu comportamento no desenvolvimento
da criança e pode decidir mudar para servir de exemplo.

Embora algumas pessoas possam continuar com seu


vício, percebemos que ser um bom exemplo para os filhos
é um valor importante para muitas delas.

Eu decido considerar uma possível mudança, se buscar


ajuda resultar em ganhos pessoais sob meu ponto de vista.
Comunicação é simplesmente transmitir uma mensagem
de forma que o outro entenda, independente de você con-
cordar ou não.

As técnicas básicas de comunicação podem mudar


significativamente como nos comunicamos com nosso
parceiro, adaptando-nos ao que é importante para ele.

Faça sua parte — 115


Muitas vezes, quando o relacionamento está desgasta-
do, temos receio de iniciar uma conversa delicada com o
parceiro, com medo de ser interpretado de forma negativa.

Minha sugestão é primeiro melhorar o clima. Comece


cedendo um pouco mais, evite reclamações e críticas, e
demonstre que está disposta a resolver as questões. Essa
restauração não acontece em um ou três dias, mas ao longo
de semanas ou até meses.

Essa abordagem também será benéfica para você, pois


mostra seu compromisso em melhorar a relação. Talvez
seja necessário pedir desculpas por algum comportamento,
ou demonstrar carinho de maneiras simples, como dei-
xando bilhetes, preparando comidas favoritas ou fazendo
pequenos gestos que demonstrem amor e cuidado.

Quanto ao momento ideal para conversar, evite abordar


assuntos sérios quando o parceiro estiver irritado, cansado
ou estressado, pois isso pode gerar resistência a autodefesa.
É importante escolher um momento oportuno, onde ambos
estejam calmos e receptivos.

Em vez de iniciar uma “D.R.” (Discussão de Relaciona-


mento) diretamente, sugiro abordar o assunto de forma
mais suave, trazendo o problema para a relação e pedin-
do a opinião do parceiro. Por exemplo, você pode dizer:

116 — Bruna Porto Lima


“amor, eu gostaria de ouvir sua opinião sobre algo que tenho
refletido e está me incomodando. Não quero iniciar uma
discussão, mas precisamos encontrar uma solução juntos e
a sua opinião é muito importante para mim.”

Evite despejar todos os problemas de uma vez só. Em


vez disso, aborde os assuntos de forma gradual e respeitosa,
focando em encontrar soluções em conjunto. Use sempre
“nós”e não “eu” ou “você”.

Em uma conversa assertiva, a primeira coisa a conside-


rar é evitar críticas, julgamentos e reclamações, apontando
erros e cobrando melhorias do outro, mesmo porque você
já fez isso e viu que os resultados são negativos.

Em vez disso, concentre-se em expressar seus sen-


timentos de forma honesta e aberta, preferencialmente
compartilhando suas próprias experiências e problemas.
Por exemplo, você pode dizer: “Eu me sinto chateada com
essa situação”, ou “Estou trabalhando para melhorar isso
em minha vida”.

Aqui, sim, você deve falar em primeira pessoa, porque é


importante que deixe claro que você se sente de tal forma,
mas que juntos precisam resolver a situação, porque são
um casal, ou seja, traga seu parceiro para solução, faça-o
pensar junto com você.

Faça sua parte — 117


Ao se comunicar dessa maneira, você mantém o foco
em si mesma, evitando colocar a culpa no outro. Também é
importante reconhecer que você está disposta a flexibilizar
e buscar soluções em conjunto.

Por exemplo, você pode dizer: “Estou disposta a fazer


minha parte para resolver isso. Na sua visão, como pode-
mos fazer juntos?”. Essa abordagem é particularmente
eficaz, pois permite que o parceiro participe, ativamente,
do processo.

Além disso, ao praticar a comunicação assertiva, você


estará construindo uma base sólida para o relacionamen-
to, independentemente do padrão de personalidade do
parceiro.

118 — Bruna Porto Lima


PADRÕES PREJUDICIAIS
DE COMUNICAÇÃO

A
seguir, apresentarei quatro padrões prejudiciais
de comunicação, juntamente com alguns perfis
de pessoas, especialmente quando o relaciona-
mento já está desgastado. Esta análise possibilitará que
você identifique esses padrões em sua própria vida, a fim
de mudá-los.

A literatura identificou quatro padrões que prejudicam


e afastam os casais, e para mudar, precisamos primeiro
identificá-los para depois corrigi-los.

É necessário compreender quem somos para agir de


forma diferente e entender como falar com nosso parceiro
de uma maneira que o ajude a evoluir o pensamento junto
com você.

Muitas vezes, adquirimos esses padrões de comuni-


cação com base em nossos pais, trazendo as dinâmicas

Faça sua parte — 119


familiares da nossa infância para nossos relacionamentos
adultos.

Portanto, é importante refletir se nosso comportamento


no relacionamento se assemelha ao de nossos pais ou às
pessoas que nos criaram. Esses padrões que prejudicam o
relacionamento muitas vezes surgem da necessidade de
estabilidade emocional e de se sentir bem consigo mesmo.

São quatro padrões que podemos identificar:

• O apaziguador;

• O comandante;

• O insensível;

• O disperso.

O apaziguador é aquele que evita conflitos a todo cus-


to. Ele concorda com tudo para evitar brigas, mesmo que
isso signifique não expressar suas próprias opiniões ou sen-
timentos. Ele pede desculpas facilmente, mesmo que não
tenha feito nada de errado, apenas para encerrar o conflito
rapidamente. O problema desse padrão é que, ao evitar
conflitos, ele também evita resolver problemas, o que pode
levar a um distanciamento emocional no relacionamento.

120 — Bruna Porto Lima


O comandante, por outro lado, sempre culpa o cônjuge
por tudo. Ele está constantemente no controle e recusa
admitir qualquer erro de sua parte. Ele pode parecer forte
e autoconfiante por fora, mas na realidade, está emocional-
mente fraco e precisa se sentir superior culpando o outro.
Esse padrão de comunicação autoritária e impaciente pode
levar a conflitos constantes, especialmente se o parceiro ou
parceira tiver uma baixa autoestima e tende a se vitimizar.

O insensível é aquele que parece calmo e controlado


o tempo todo, sem expressar emoções ou sentimentos. Ele
mantém uma postura fria e analítica, muitas vezes pare-
cendo uma máquina. Embora tenha um perfil detalhista,
sua falta de expressão emocional pode criar uma desco-
nexão no relacionamento, tornando difícil para o parceiro
ou parceira se conectar emocionalmente.

Ele sempre traz considerações de uma forma muito


lógica e explicativa, orgulhando-se de não demonstrar
suas emoções. Essa pessoa espera pacientemente que o
cônjuge se pronuncie para poder retomar o discurso, sem
considerar verdadeiramente o que o outro está falando,
apenas esperando sua vez de falar.

Faça sua parte — 121


Esse padrão de comportamento pode fazer com que o
parceiro se sinta desprezado, pois a pessoa é insensível e
parece sempre estar certa, pois nunca demonstra vulnera-
bilidade emocional, deixando o outro se sentindo culpado
e desestabilizado.

O disperso simplesmente ignora o que está aconte-


cendo, mudando de assunto constantemente e evitando
conflitos. Ele traz diversos temas, do passado, presente
e futuro, sem focar em resolver o problema de fato. Esse
padrão de comunicação confunde o cônjuge e faz com que
nada seja resolvido, levando o problema a se tornar ainda
maior com o tempo.

Esses padrões prejudiciais de comunicação podem cau-


sar danos à intimidade do casal, pois impedem a expressão
genuína de sentimentos e dificultam a resolução de con-
flitos de maneira saudável. É importante identificar esses
padrões em nós mesmos e em nosso relacionamento para
podermos corrigi-los e promover uma comunicação mais
eficaz e íntima.

Cada pessoa pode apresentar um desses padrões preju-


diciais de comunicação, levando-os para o relacionamento
de acordo com suas necessidades emocionais. Identificar

122 — Bruna Porto Lima


esses padrões, tanto em si mesmo quanto no cônjuge, pode
ajudar a compreender por que certas conversas não avan-
çam e por que os problemas persistem. Essa reflexão pode
ser útil para melhorar a comunicação e resolver conflitos
de forma eficaz no relacionamento.

Não adianta simplesmente descobrir que é, por exem-


plo, o apaziguador e justificar com ele todos os problemas
do relacionamento. É necessário entender o que foi feito
de errado e encontrar maneiras de resolver. Além disso,
compreender o perfil do outro e aprender a lidar com ele
é essencial. Este é um dos passos indicados para construir
comunicação assertiva e intimidade no relacionamento.

Para estabelecer novos padrões saudáveis de comuni-


cação na relação conjugal, o primeiro passo é identificar
o nosso padrão de comportamento, para que a partir dele
possamos adaptar nossa comunicação a fim de ser mais
assertiva. Isso pode ser feito mediante reflexão e autoco-
nhecimento, o que pode ser aprofundado em cursos espe-
cíficos sobre perfis comportamentais.

É impossível estabelecer um padrão saudável de co-


municação sem antes identificar o padrão nocivo que está
nos sabotando, para podermos corrigi-lo. Sem um teste,
como saberíamos por onde começar a resolver? Podemos

Faça sua parte — 123


começar observando os padrões de comunicação de nossos
pais quando estavam casados e depois examinando nossos
próprios comportamentos dentro do relacionamento.

O segundo passo, após a identificação, é admitir e acei-


tar. Precisamos confessar para nós mesmos qual é o nosso
padrão nocivo de comunicação e aceitá-lo. Por exemplo, se
descobrimos que somos do tipo comandante, é necessário
admitir essa característica, pois dessa forma nos tornamos
conscientes e damos o primeiro passo rumo à mudança.

Fazer isso pode ser muito desconfortável, mas é funda-


mental para podermos adaptar e alterar o que for preciso
em nossa comunicação. Devemos nos convencer disso, até
mesmo dizendo em voz alta para nós mesmos, de prefe-
rência olhando no espelho para confrontar nossa própria
imagem. Pode parecer um exercício fácil, mas é extrema-
mente desafiador.

Ao assumir e admitir nossa limitação, tomamos a de-


cisão de mudar, e é a partir daí que começamos nosso
processo de mudança. Não há mágica, é necessário treinar
e praticar até que se torne consciente e mais natural.

O terceiro passo é substituir os padrões antigos por


novos padrões construtivos de comunicação. Isso envolve
agir de maneira diferente diante das situações, ao longo do

124 — Bruna Porto Lima


tempo. É importante reconhecer que estamos aprendendo e
que é normal cometer erros e deslizes ao longo do caminho.
Esses erros fazem parte do processo de aprendizado e não
significam que não estamos progredindo.

Estabelecer conversas periódicas com o parceiro, mes-


mo que inicialmente seja um monólogo, também serve
para demonstrar seu novo padrão de comunicação.

Com o tempo, isso servirá de inspiração para o par-


ceiro mudar também. Afinal, ao adotarmos uma nova
abordagem, estamos influenciando positivamente o re-
lacionamento. Por exemplo, se éramos mais impulsivos
e controladores, podemos aprender a ouvir mais, prestar
mais atenção e fazer mais perguntas, o que ajuda a criar
um ambiente de comunicação mais saudável e equilibrado.

Como desenvolver conversas difíceis no relacionamento?


É muito melhor encarar essas conversas desafiadoras, mas
necessárias no nosso relacionamento, do que evitá-las e
desejar que se tornem fáceis.

A verdade é que não é possível ter uma conversa difícil


de maneira leve. Sempre será estranho, o clima será tenso e
todos ficarão reflexivos e até mesmo incomodados, pois es-
tamos lidando com nossos sentimentos e do nosso parceiro.

Faça sua parte — 125


Isso faz parte do processo de autoconhecimento e ma-
turidade emocional do casal, de forma geral. No entanto,
com o tempo, as coisas melhoram.

Já vi mulheres começarem a ter essas conversas e,


eventualmente, seus parceiros começaram a mudar. Pa-
recia que a mudança tinha ocorrido do nada, mas, na ver-
dade, ela estava conversando há algum tempo, mesmo que
ele não respondesse imediatamente, ele estava refletindo.

Portanto, não desista no meio do caminho. A comuni-


cação assertiva é essencial, mas é construída com o tempo.
Demonstrações de amor são cruciais para mostrar o valor
que damos ao relacionamento. Colhemos o que plantamos.
Se plantamos indiferença, impaciência, intolerância e dis-
tanciamento, não podemos esperar colher cumplicidade,
conexão e intimidade.

Reciprocidade é fundamental em relacionamentos con-


jugais. Existe uma técnica poderosa chamada “linguagens
do amor”, capaz de conectar um casal e proporcionar in-
timidade ao longo da vida a dois. Doutor Gary Chapman,
pastor, conselheiro matrimonial e escritor, percebeu que
cada um de nós adota uma linguagem pela qual damos e
recebemos amor, são 5: toque físico, palavras de afirmação,
tempo de qualidade, presentes e atos de serviço.

126 — Bruna Porto Lima


Ao entender como o outro se sente amado, demons-
tramos importância e amor verdadeiro. Não basta apenas
dizer “eu te amo”, é preciso agir de acordo e criar oportu-
nidades para receber esse amor de volta, gerando recipro-
cidade no relacionamento.

Para viver um relacionamento saudável, é necessário


passar da fase da paixão, baseada na atração e no desejo
emocional, para a fase do amor de ligação, onde há admi-
ração e uma visão mais racional do outro. Nessa segun-
da fase, decidimos que vale a pena aceitar os defeitos do
parceiro e lidar com eles em prol das qualidades. Isso não
significa que o desejo da paixão desapareça, mas sim que
se transforma ao longo do tempo.

Tempo atrás ouvi essa metáfora em um podcast e achei


engraçada. Relacionamentos são como a bolsa de valores:
há riscos, mas os resultados compensam, e é por isso que
continuamos investindo. Uma excelente maneira prática de
melhorar a comunicação no relacionamento é demonstrar
amor e sentimento de importância.

Existem verdades inquestionáveis para se ter um rela-


cionamento saudável, especialmente em relação à comu-
nicação. Conversas para alinhamento ou realinhamento
são necessárias e desafiadoras, não são leves. É essencial

Faça sua parte — 127


expressar como você se sente para o seu parceiro de forma
assertiva, comunicando suas próprias emoções.

Criticar, reclamar e julgar não incentivam mudanças. O


foco deve estar na solução, não no problema. Além disso,
é importante reconhecer que os problemas no relaciona-
mento são do casal, não individuais.

Mesmo que um parceiro não seja diretamente respon-


sável por um problema, ambos devem enfrentá-lo juntos e
buscar soluções em conjunto. Essa abordagem demonstra
união, cumplicidade e comprometimento com o relacio-
namento.

Perceba que o problema passa a ser nosso, não é apenas


seu ou meu. Se você é desorganizada, por exemplo, ambos
precisam lidar com isso juntos, pois agora existe um “nós”
e não mais um “eu”. Isso reflete um valor crucial em um
relacionamento saudável: a união e a responsabilidade
compartilhada.

Abaixo deixo um bom resumo do que são verdades


inquestionáveis para manter um relacionamento saudável
e um modelo mental benéfico a ser seguido. É essencial
ter clareza sobre que tipo de relacionamento você deseja
e quais são seus valores.

128 — Bruna Porto Lima


Verdades inquestionáveis para se ter um
relacionamento saudável sobre comunicação:

• Conversas para re-alinhamento são desafiadoras,


mas necessárias;

• Conversas difíceis não são leves;

• Você precisa dizer como se sente;

• Criticar, reclamar e julgar não faz ninguém mudar;

• Tudo que você foca, expande;

• O problema é do casal, não seu ou dele.

Faça sua parte — 129


POSICIONAMENTO DE VALOR

U
ma pessoa que sabe o que quer e tem autoconfian-
ça transmite segurança e valor. É importante ter
seus próprios valores de vida e identidade além
do relacionamento conjugal.

Não se trata de colocar toda a responsabilidade no


parceiro, nem de adotar uma postura de autossuficiência
extrema. Precisamos encontrar um equilíbrio saudável
entre ser independente e valorizar a parceria.

Ter controle emocional é crucial para ser valorizado e


priorizado. Gritar, chorar, explodir, agir com grosseria ou
se vitimizar, se afastar e ser indiferente constantemente
não contribui para ser vista como alguém de valor. Muitas
vezes, as pessoas se sentem inseguras no relacionamento
porque estão insatisfeitas consigo mesmas e transferem
essa responsabilidade para o parceiro.

Faça sua parte — 131


Comunicação eficaz e baseada em fatos é fundamental.
Quando você se posiciona, deve se concentrar em solu-
ções e fatos, não em emoções descontroladas. Isso requer
maturidade emocional e consciência dos próprios vícios
emocionais.

Portanto, quando você se deixa levar pela emoção, ten-


de a cair em dois extremos: vitimização ou conflito. Uma
pessoa de valor equilibra o aspecto racional e emocional,
o que está diretamente ligado ao autoconhecimento, refle-
xão, autoestima e confiança.

Decidir estar em um relacionamento significa assumir


a responsabilidade de resolver os problemas que surgirem,
mesmo quando emocionalmente desestabilizados. Deve ser
uma escolha consciente.

Precisamos assumir a responsabilidade por nossas pró-


prias vidas e pela nossa parte no relacionamento, buscando
constantemente melhorar e crescer como indivíduos. Isso
não é apenas importante para o pilar conjugal, mas tam-
bém para nossa própria realização pessoal.

Devemos entender o que queremos para nós mesmos


em todas as áreas da nossa vida, e isso inclui desenvolver
uma identidade independente de nosso papel como esposo
ou esposa.

132 — Bruna Porto Lima


Lembro-me de um post que vi da Lara Nesteruk, uma
influenciadora que admiro muito. Ela compartilhou sua
perspectiva sobre autoestima e autoconfiança em resposta
a uma pergunta de uma seguidora sobre como se tornar
uma pessoa segura.

Suas palavras ressoaram comigo e eu as levei para mi-


nha vida. Ela disse: “Segurança tem a ver com o que você
sabe sobre si mesmo. Se você sabe que tem poucas habili-
dades, pouco conhecimento, pouco interesse, pouco amor,
pouca devoção, que serve para pouca coisa, você se sente
pouco capaz, fraco ou feio, certamente você não vai se sentir
seguro. Não tem como driblar um sentimento que remete à
realidade. Nesse caso, o necessário é se tornar melhor em
todos os aspectos que você puder. Assim, você terá mais
confiança porque você será melhor. A maioria das pessoas
é mediana em todas as áreas da vida, se esforça pouco, mas
quer sentir como sente quem muito faz. Isso é loucura. É
cortar caminho. Quer ser confiante? Sentir-se bem a respeito
de si mesma? Comece a servir as pessoas à sua volta, ser
necessária onde vai, estudar feito louca, trabalhar muito e
melhor, ganhar dinheiro de verdade, se arrumar todos os
dias e se mesmo assim, evoluindo em tudo que puder, você
não confiar no próprio taco, daí chegou a hora da terapia.”

Faça sua parte — 133


Uma pessoa com baixa autoestima e autoconfiança se
sentirá insegura em qualquer aspecto do relacionamento.
A vida vai além do namoro, casamento ou qualquer tipo de
relação. Resolver os problemas pessoais é essencial para
entender o próprio valor e desenvolver maturidade para
lidar com a insegurança.

Muitas pessoas reconhecem sua falta de confiança, mas


não sabem como lidar com ela, então acabam transferindo
essa responsabilidade para o parceiro, esperando que ele
traga segurança e valorização.

Não funciona desse jeito. Enquanto você busca valida-


ção externa, continuará se sentindo frustrada e insegura
no relacionamento e na vida, pois provavelmente sua in-
segurança não se limita apenas ao relacionamento. Ao
se valorizar, os outros também te valorizam. É assim que
funciona.

Quando você se valoriza, o mundo também te enxerga


com mais valor e você passa a ser priorizada pelo parceiro.
Portanto, entre em ação e faça o seu melhor em todas as
áreas da sua vida.

Muitas vezes, pegamos muito leve com a gente mesmo,


romantizando a vida com ideias como “não se cobre tanto”
e “aceite-se como você é”. Mas a verdade é que precisamos
reconhecer nossos defeitos e buscar mudanças para nos

134 — Bruna Porto Lima


sentirmos melhor e sabermos quem realmente somos para
nos tornarmos quem realmente queremos ser.

Quando você conhece o seu valor, consegue se impor


mesmo quando alguém discorda de você. O posicionamen-
to de valor não te limita, pelo contrário, te fortalece.

Sempre pense no que mais você pode fazer por si mes-


mo e pelas pessoas ao seu redor. Sirva, seja útil, pois isso
aproxima as pessoas e gera valor. Por outro lado, uma
pessoa que só se vitimiza, reclama e critica não é atraente
para ninguém. É por isso que você se sentirá valorizado ao
dar o seu melhor.

Agora, sobre a questão da aparência, é importante


destacar que beleza importa, mas não se trata de seguir
um padrão estético. O cuidado pessoal e a apresentação
influenciam na percepção que os outros têm de você. Não
é sobre atender a um padrão de beleza, mas sim sobre
transmitir uma imagem de cuidado consigo mesmo.

Trata-se de transmitir credibilidade e cuidado consigo


mesmo no dia a dia, assim como você faz num evento so-
cial ou em uma entrevista de emprego, por exemplo.

Por que eu estou falando sobre isso? Porque, muitas


vezes, as pessoas estão tão focadas em atender às necessi-
dades dos outros que se esquecem de cuidar de si mesmas.

Faça sua parte — 135


Por isso, reforço que a beleza transmite ordem, limpeza,
organização, valor e alegria de viver, tanto para você quan-
to para seu parceiro e as pessoas que você mais ama.

Não há nada de errado em se arrumar para o seu ma-


rido, sabendo que ele vai gostar e que isso vai te fazer você
sentir bem, mesmo porque isso também é um ato de amor.
No entanto, você não deve fazer isso apenas para arrancar
elogios e viver em função disso.

Fazer o nosso melhor por nós mesmos e pela nossa


autoestima é um ato de amor para com as pessoas que
amamos e para com a nossa família. Não é apenas para
nós mesmos. Quando decidimos nos cuidar, começando
pela nossa aparência e pela ordem que vemos refletida no
espelho, estamos fazendo isso para nos sentir bem. Isso
também é comunicação assertiva.

Especialmente no que diz respeito aos homens, a apa-


rência é extremamente importante para manter a chama
acesa entre o casal. Fazer está sob nosso controle. Apli-
cando isso ao seu relacionamento conjugal, o clima de
conquista e sedução vai dominar, mantendo o desejo e a
intimidade saudável para ambos.

Em geral, muitas mulheres também reclamam que seus


maridos só querem sexo, que não são carinhosos ou não
as elogiam. Isso muitas vezes as faz perder a vontade de

136 — Bruna Porto Lima


se relacionar sexualmente com seus parceiros, o que pode
levar os homens optarem pela pornografia ou infidelidade.

Em pouco tempo, o sexo pode desaparecer completa-


mente, o que prejudica ainda mais a autoestima de ambos
os lados. Entenda de uma vez por todas: a aparência é sim
importante, especialmente para os homens, que são visu-
ais, e isso posiciona ambos com valor no relacionamento.

Para concluir, crie uma missão de vida para cuidar dos


seus pensamentos, sentimentos e comunicação. Isso trará
maturidade emocional para sua vida e você se sentirá mais
segura para tomar decisões em todas as áreas.

Saiba onde você quer chegar e qual o seu estado dese-


jado. Se isso não estiver claro para você, qualquer caminho
servirá. Fortaleça sua vida e seu relacionamento fazendo
a sua parte. Não apenas pelo outro, mas por você mesmo.

Faça sua parte — 137


RESGATANDO O
RELACIONAMENTO

É
importante entender que, em qualquer relaciona-
mento, é natural passarmos por fases e enfrentar-
mos crises. É tão certo quanto a morte. Quando
você decide passar a vida ao lado de alguém, é inevitável
haver momentos desafiadores.

No meu caso, passei pela famosa crise dos sete anos,


que resultou em uma separação de um curto período en-
tre mim e meu marido. A crise conjugal pode ser o fim de
um relacionamento, mas também pode ser um recomeço.
Tudo vai depender de como você vai encarar essa fase tão
desafiadora, dolorosa e cheia de particularidades, pois cada
relacionamento é único.

Você pode estar passando por um desgaste leve devido


a brigas por coisas insignificantes, ego ferido, imaturidade,
ou pode estar lidando com problemas mais graves, como

Faça sua parte — 139


traumas, infidelidade, falta de confiança, desrespeito e
vícios, tudo isso beirando o divórcio.

Mas é sempre possível tentar, seja porque você enxerga


valor no relacionamento e acredita que vale a pena, seja
porque você quer ter a certeza de que fez tudo que pôde
pela relação, e principalmente por você mesma.

Ninguém casa com a intenção de se separar, e um di-


vórcio é sempre traumático para qualquer família, espe-
cialmente quando há filhos envolvidos. Nesses casos, é
crucial redobrar a atenção, pois queremos impactar nossos
filhos o mínimo possível.

Muitas vezes, a separação serve como um momento de


reflexão para o casal, levando-os a assumir a responsabi-
lidade por suas ações e decidir se desejam mudar ou não.

Diante de uma crise conjugal que afeta todas as áreas


de nossas vidas, é normal sentir-se perdida, culpada, sem
saber se vale a pena tentar novamente ou se é melhor
seguir em frente sozinha. Saiba que não há um caminho
certo a seguir, é você quem deve tomar essa decisão, pois
é você quem está vivendo esse relacionamento.

Quanto à minha experiência pessoal, como mencionei


anteriormente, passei por uma crise conjugal, que pode

140 — Bruna Porto Lima


ser vista como um fim ou um recomeço. Eu e meu marido
chegamos a um ponto em que nenhum de nós queria ceder.

Nosso foco estava no problema, e eu, particularmente,


estava constantemente reclamando, criticando, julgando
e tentando controlar a situação, comunicando-me de ma-
neira ríspida, direta e, às vezes, autoritária. Totalmente
conduzida pelo meu ego.

Por outro lado, meu marido tinha um perfil mais pa-


cífico, evitava conflitos, não compartilhava muito seus
sentimentos e era mais reservado, como muitos homens
que vemos por aí.

Um dia, cansados de tanto desgaste, decidimos juntos


que era hora de dar um basta e optamos pela separação
de forma consciente. Não sabíamos como salvar o rela-
cionamento ou o que fazer para mudar, então a separação
pareceu a única opção.

Quando me vi sozinha, com minha vida mudando drasti-


camente, comecei a refletir sobre o futuro da minha vida con-
jugal. Eu acreditava no casamento e desejava envelhecer ao
lado de alguém, mas sentia um forte sentimento de fracasso.

No entanto, uma coisa ficou clara para mim: não queria


mais viver daquela maneira. Não era o tipo de relaciona-

Faça sua parte — 141


mento que eu buscava. Comecei então a pensar no tipo de
homem que gostaria de ter ao meu lado e percebi que meu
marido possuía muitas das qualidades que eu admirava em
um homem. Refleti sobre minhas próprias falhas e o que
eu queria para o futuro.

Eu decidi olhar para os meus defeitos apontados por


ele. Quando fiz essa análise, percebi que realmente eu era
uma pessoa autoritária, que desejava controlar tudo para
que saísse do meu jeito. Na minha perspectiva, isso não
era evidente, eu não tinha a mesma visão que ele. Mas, se
ele estava expressando isso, decidi refletir sobre o assunto.

Após a separação, consegui enxergar com clareza. Na


visão dele eu era mandona e controladora, queria que tudo
saísse do meu jeito. Já na minha visão, minha intenção
era apenas ajudar com a minha forma de resolver, pois
acreditava ter um método mais eficiente para alcançar os
resultados desejados.

Porém, nem tudo se resumia a resultados, pois somos


seres emocionais, algo que eu negligenciava no meu rela-
cionamento conjugal. Além disso, eu era direta ao extremo
e via os outros como sensíveis demais, quando, na verdade,
eram apenas pessoas com comportamentos e visões dife-
rentes das minhas, começando pelo meu marido.

142 — Bruna Porto Lima


O pior de tudo é que esse comportamento não se li-
mitava ao meu relacionamento com meu marido, afetava
também a relação com meu filho, meu trabalho, colegas,
trânsito, familiares e amigos.

Chegou um momento em que cansei de ser mal inter-


pretada. Era desgastante demais viver daquele jeito. O pon-
to de virada foi quando percebi que, apesar de minhas boas
intenções, minha comunicação transmitia impaciência e
estresse, não refletia o que eu realmente queria expressar.

Se eu desejava uma mudança, então ela deveria come-


çar por mim, através do meu exemplo, cultivando novas
ações para obter novos resultados.

Em resumo, eu deveria assumir minha responsabilida-


de. Se eu queria um relacionamento diferente, precisava
resolver o que estava ao meu alcance, ou seja, minha co-
municação. Caso contrário, acabaria repetindo o mesmo
padrão em relacionamentos futuros.

Então, entrei na fase de plantio, consciente da neces-


sidade de mudança para resgatar meu relacionamento e
movida por um espírito de humildade, chamei meu marido
para uma conversa franca.

Deixei claro que estava disposta a mudar e fazer a mi-


nha parte, o que me posicionou com valor diante dele,

Faça sua parte — 143


afinal, estava assumindo meus erros sem vitimização ou
justificativas. E mais do que isso, estava disposta a evoluir
emocionalmente em todas as áreas da minha vida.

Hoje, reconheço que não fiz isso por ele, pelo relacio-
namento ou pelo meu filho, embora essa fosse minha mo-
tivação na época. Fiz por mim, para ter a certeza de que
havia feito tudo o que estava ao meu alcance para salvar o
relacionamento, reduzir minha sensação de fracasso e, se
necessário, estar pronta para seguir em frente sozinha de
forma consciente e evoluída.

Ele então nos deu uma nova chance e eu realmente


iniciei meu processo de desenvolvimento pessoal e resga-
te do nosso relacionamento. Eu assumi a liderança desse
processo, concentrando-me apenas na minha parte, pois
era isso que estava no meu controle. Nunca me preocupei
em saber se meu marido estava fazendo a parte dele. Minha
atenção estava voltada para mim e para quem eu queria
me tornar.

Costumo dizer que o relacionamento foi o que motivou


meu desenvolvimento, mas “o porquê” foi a minha autoes-
tima e meu amor-próprio de fazer a minha parte. Queria
muito meu relacionamento e meu marido de volta, mas o
motivo real era fazer por mim mesma.

144 — Bruna Porto Lima


A FASE DO PLANTIO

Q
uero compartilhar com você três fases para res-
gatar um relacionamento saudável.

O primeiro passo é ter coragem e humildade


para reconhecer os frutos atuais, mesmo que não sejam
os desejados. Não adianta achar que está fazendo tudo
certo se seus resultados não condizem. É preciso assumir
a responsabilidade que o que você está colhendo hoje é
resultado do que plantou no passado.

O segundo passo é ser intencional na geração de no-


vos frutos. Para isso, é preciso se conectar com a verdadei-
ra mudança em sua vida para gerar resultados diferentes.
Você deve estar atento às novas ações e atitudes que te
levarão a plantar hoje para colher no futuro.

O terceiro passo é receber com sabedoria as podas,


uma metáfora retirada da agricultura. Assim como poda-
mos as plantas para orientá-las e melhorar a qualidade dos

Faça sua parte — 145


frutos, em nossas vidas, precisamos passar por situações
difíceis para aprender com nossos erros. Mesmo que seja
doloroso, precisamos passar por esse processo para colher
frutos melhores.

Diante desses desafios, precisamos nos questionar so-


bre o que é necessário mudar ou ajustar para aprender e
crescer com a dor, para que novos ramos nasçam mais
fortes. Se não enfrentarmos essas fases desafiadoras, cer-
tamente não colheremos bons frutos em nossos relacio-
namentos.

Perceba que estamos lidando aqui com o aspecto emo-


cional desse plantio, que envolve coragem, humildade, in-
tenção e sabedoria. Tudo começa em nossos pensamentos.

Um exercício prático é identificar os frutos que você


está produzindo em seu relacionamento e aqueles que
deseja eliminar. Reconhecer isso te ajudará a entender o
que está impedindo seus resultados, te levando para ação.

Apesar de ser doloroso, é fundamental enfrentar essa jor-


nada de autoconhecimento e mudança. É preciso passar por
esse processo para alcançar a libertação e o entendimento.

A seguir, faça um exercício prático para ampliar sua


consciência, tirar ensinamentos e gerar mudanças no seu
comportamento.

146 — Bruna Porto Lima


Escreva quais os frutos que você tem produzido
em seu relacionamento atual ou passado e que
precisam ser eliminados de sua vida.

Faça sua parte — 147


FAÇA A SUA PARTE

C
omo reacender a chama do relacionamento? É im-
portante destacar que tudo que discutimos até aqui
é fundamental para superar uma crise conjugal e
recomeçar o relacionamento de forma diferente. Você não
quer reviver o que já viveu; deseja conquistar algo diferente.

Para reconquistar seu parceiro ou parceira, é neces-


sário ter autorresponsabilidade, evoluir emocionalmente,
reconhecer seus vícios emocionais e perdoar, se necessário.

Quando o relacionamento entra em crise, um dos dois


precisa ter a mentalidade de aliança, liderando o processo
de restauração. Ao fazer sua parte, você demonstra amor,
ouvindo, controlando suas emoções e flexibilizando-se
quando necessário.

Ter essa mentalidade incentiva o outro a participar


dessa aliança. Se o outro se recusar, ficará claro que o
problema então, é ele. Você está fazendo sua parte. Se as

Faça sua parte — 149


duas pessoas não se comprometerem, você decide fazer a
sua parte, deixando evidente que é o outro que não está
comprometido.

Se ambos fizerem o que precisa ser feito para reconstru-


ção do relacionamento, alimentam o crescimento mútuo.
Concentre-se nas qualidades do seu cônjuge, pois quanto
mais você foca nas soluções e nas características positivas,
mais forte se torna o vínculo entre vocês.

O mesmo vale para as características negativas: quanto


mais você foca nelas, mais sentimentos ruins são gerados.

Nossos sentimentos são influenciados pelo nosso pen-


samento, sentimento e comunicação. Fique atento e cons-
ciente nas atitudes que tem tido em relação ao seu cônju-
ge. Não entre no modo automático colocando a culpa na
rotina, pois não é ela o problema do seu relacionamento,
mas sim não saber administrá-la.

Quando você percebe que as coisas não estão funcio-


nando e já esgotou todos os recursos para resolver o pro-
blema, é hora de procurar ajuda externa. Você pode buscar
terapia individual ou de casal, orientação espiritual, parti-
cipar de cursos, mentoria ou workshops. Reconhecer que
precisa de ajuda é um passo importante para ampliar sua
consciência e buscar soluções.

150 — Bruna Porto Lima


Muitas vezes, os problemas não se limitam ao casal,
mas estão relacionados a uma nova consciência que exige
lidar com questões passadas, traumas e vícios emocionais.
É crucial entender que os desafios podem estar em você, no
outro ou em ambos, e buscar ajuda externa pode ajudá-lo a
chegar a essa consciência de forma mais eficiente e eficaz.

O primeiro passo é reconhecer sua autorresponsabi-


lidade e verificar se o problema é seu ou do casal. Isso
ajudará a entender qual parte cabe a você e qual cabe ao
seu parceiro.

Não há nada mais gratificante do que agir com amor


e responsabilidade. Também não é necessário se sentir
envergonhada. Se posicione com valor, seja a pessoa que
contribui, que serve. Decida estar no relacionamento por-
que quer, não porque precisa. Por isso, não faz sentido ficar
paralisada.

É importante diferenciar conhecimento de sabedoria. O


conhecimento é acessar informações e ampliar sua consci-
ência. Porém, sabedoria é colocar em prática na sua vida esse
aprendizado diariamente, com ações e atitudes, observando
os resultados e ajustando o caminho conforme necessário.

Estabeleça um prazo para ver as mudanças aconte-


cerem em sua vida e compartilhe seu processo com seu

Faça sua parte — 151


parceiro para que ele veja seu comprometimento e evo-
lução. Reflita sobre sua própria jornada de crescimento,
independentemente de validação externa.

É você quem precisa ter certeza de que está dando o


seu melhor, e essa certeza só virá ao observar seu próprio
crescimento. É necessário fazer uma autoanálise cons-
tante. Se possível, peça feedback, pergunte se você está
progredindo e reflita sobre o que os outros têm a dizer. Não
é para provar que você mudou apenas para ter razão, mas
sim para avaliar seu desenvolvimento de forma objetiva.

Não se frustre se não evoluir na velocidade ou na quan-


tidade que deseja. O processo de crescimento pessoal nun-
ca tem fim. Com o tempo, as adaptações se tornam mais
fáceis e naturais. Continue persistindo, pois cada dia que
passa tudo vai ficando mais fácil.

Uma boa sugestão é celebrar um novo compromisso,


renovando a aliança entre vocês, uma espécie de recome-
ço que marque um novo ponto de partida. Isso envolve
um comprometimento maior e pode ser quase como um
novo casamento. Alinhar valores e ter conversas difíceis
é essencial para restaurar e construir um relacionamento
saudável, de parceria e cumplicidade.

Basta um para dar início ao processo de restauração,


e ao decorrer do processo ambos os parceiros precisam se

152 — Bruna Porto Lima


comprometer e continuar o processo de restauração do
relacionamento. Isso levará a uma relação feliz e dura-
doura, a fim de envelhecerem juntos no futuro. Acredite
e faça a sua parte.

Quero ressaltar que tudo que foi apresentado neste


livro vai além do conhecimento teórico, incluindo minhas
experiências pessoais e observações das minhas milhares
de alunas. O processo de desenvolvimento pessoal nunca
acaba. Assim como em uma dieta, não há um ponto final
definido. É necessário estar sempre revendo e ajustando
o caminho.

Você tem em mãos um material de qualidade que am-


pliou seus conhecimentos e consciência, buscando soluções.
Possui diversas técnicas à disposição, mas é importante lem-
brar que a aplicação do conhecimento adquirido é essencial
e determinante para mudar seus resultados. Permaneça
em constante aprendizado e focada em seus objetivos para
alcançar sucesso em seu relacionamento e em sua vida.

Esse é o caminho para alcançar os resultados deseja-


dos: praticar, praticar e praticar até se tornar a pessoa que
você deseja ser. Assim como você, quando eu decidi anos
atrás buscar desenvolvimento pessoal, utilizei livros, cur-
sos, palestras e precisei de dedicação e tempo para evoluir,
pois isso era prioridade para mim.

Faça sua parte — 153


É claro que eu preciso continuar me dedicando e me
tornando cada vez mais consciente, mas principalmente
preciso aplicar, sem isso é como se soubesse o que fazer,
mas, na verdade, com ações e atitudes, não faço.

Da mesma forma que investimos em cursos para apri-


morar nossas habilidades no trabalho, buscamos informa-
ções sobre saúde e bem-estar, e nos dedicamos aos nossos
filhos para ensinar o que consideramos importante em suas
vidas, devemos agir da mesma forma em relação às nossas
emoções e relacionamentos. Se nos atentarmos para isso,
obteremos mais resultados positivos em diversas áreas de
nossas vidas no futuro.

É importante priorizar a construção de um relaciona-


mento saudável, pois isso terá impacto positivo em muitos
aspectos da vida. Viver em uma relação desgastada deixa
a pessoa ansiosa, frustrada, podendo enfrentar problemas
no trabalho, negligenciar os filhos e até mesmo gerar pro-
blemas financeiros.

Melhorar sua comunicação, além de trazer melhores


resultados para o seu relacionamento, pode beneficiar a
sua saúde, te deixando mais leve, o relacionamento com
seus filhos e até mesmo a situação financeira do casal, pois
permite pensar em conjunto e crescerem juntos.

154 — Bruna Porto Lima


Quero que leve o que aprendeu aqui para sua vida e que
isso contribua para o seu crescimento e desenvolvimento
pessoal.

Estou sempre disponível para te ajudar e responder a


quaisquer dúvidas que possam surgir através das minhas
redes sociais no Instagram @brunaportolima, bem como
no Facebook, TikTok ou YouTube.

Desejo a você um relacionamento saudável, forte e du-


radouro, do jeito que você merece. E nunca esqueça dessa
frase: “Cada um tem o relacionamento que tolera.”

Faça sua parte — 155


O SEGREDO DO
RELACIONAMENTO DE SUCESSO

Q
uando iniciei o meu próprio processo de desen-
volvimento pessoal, precisei escolher apenas 3
áreas da minha vida para serem desenvolvidas.

Na época, optei por focar em fortalecer meu pilar emo-


cional, conjugal e profissional, pois identifiquei que vi-
nham deles os principais problemas que precisavam ser
resolvidos e que me impediam de conquistar os resultados
que eu almejava.

Manter-me nesse processo foi o que me permitiu al-


cançar novos resultados, e vejo isso se repetir na vida das
minhas alunas de acordo com os feedbacks que recebo
diariamente.

O curso “O Segredo do Relacionamento de Sucesso” ofere-


ce um guia com o passo a passo para você manter o apren-
dizado na construção de um relacionamento saudável.

Faça sua parte — 157


Qual a grande diferença entre este livro e o curso?

Nesse livro, compartilhei muitas informações para me-


lhorar seu relacionamento. Você pode usá-las para criar
seu próprio plano de ação e implementá-lo. Certamente
você precisará se aprofundar em cada ensinamento passa-
do aqui, porque é colocando em prática, com ações e atitu-
des que a transformação acontecerá na sua vida conjugal.

Todas essas informações estão disponíveis no curso


“O Segredo do Relacionamento de Sucesso”, que oferece 30
horas de aulas em vídeos detalhados, com materiais em
PDF, com testes para você e seu parceiro descobrirem o
perfil comportamental e suas linguagens de amor.

As aulas sobre cada perfil e linguagem de amor expli-


cam detalhadamente de forma prática e dinâmica o que
foi discutido neste livro e ajudam a acelerar o processo de
aprendizado. O curso fornece um plano pronto e detalhado,
permitindo que você amplie seus conhecimentos e crie um
plano de ação com base nas novas informações adquiridas.

Além disso, o curso aborda diversos outros conteúdos


que ajudarão você a manter o foco e aplicar no seu rela-
cionamento, promovendo um diálogo recíproco de forma
mais rápida e eficiente. Entre esses conteúdos, destaca-se
a técnica de perfil comportamental, que ensina como ter

158 — Bruna Porto Lima


conversas honestas e sinceras para resolver os problemas
do relacionamento.

Para aqueles que ainda não são alunos do curso e dese-


jam priorizar e fortalecer seus relacionamentos, é extrema-
mente importante continuar esse processo de aprendizado.
Este curso é uma oportunidade para você tomar a decisão
de fazer a sua parte e ter motivação para fazer o que precisa
ser feito e construir o relacionamento que tanto sonha.

O curso oferece um método exclusivo chamado “Pote


de Amor”, que ensina como se comunicar de maneira eficaz
com seu parceiro para reacender a chama do relaciona-
mento. O objetivo é construir uma relação sólida, mesmo
que já tenha sido tentado de tudo anteriormente.

São abordados temas como comunicação assertiva e a


“Fórmula Diamante” para atrair a atenção do seu parceiro
e usar gatilhos positivos na comunicação. Também inclui
depoimentos de alunas que experimentaram transforma-
ções significativas em seus relacionamentos após aplica-
rem os ensinamentos.

Todo conteúdo apresentado visa acabar com a distância


emocional entre os parceiros, promovendo uma convivên-
cia mais saudável e íntima. Afinal, ninguém deseja viver

Faça sua parte — 159


na mesma casa se sentindo distante do seu parceiro. Essa
não é a essência de um relacionamento saudável.

O que estou oferecendo aqui é um método completo


com um passo a passo prático, contendo tarefas fáceis e
rápidas que simplificarão o seu dia a dia na aplicação de
todo esse conhecimento.

O objetivo é reacender a chama do seu relacionamen-


to, utilizando técnicas como comunicação assertiva, perfil
comportamental, linguagem de amor, casamento de aliança,
intimidade emocional, intelectual e sexual, entre outras.

Um dos bônus que você recebe ao se inscrever no curso


é uma masterclass sobre libido e autoestima, uma solução
prática para aumentar sua libido e elevar sua confiança
através do amor-próprio. Outro bônus é o treinamento “Su-
perando a Traição”, que ensina como recuperar a confiança
e se posicionar como uma pessoa de valor, sem deixar que
esse fato assombre o relacionamento do casal.

Além disso, acrescentei uma aula sobre o poder do


perdão, um conteúdo intenso dedicado exclusivamente a
esse tema, que antes era vendido separadamente. Nele você
encontrará um passo a passo para perdoar quem te feriu
ou apenas perdoar a si mesmo, se for necessário.

160 — Bruna Porto Lima


Também oferecemos um treinamento sobre a energia
feminina, explorando o poder do feminino e como isso
pode conectar intimamente o casal.

Muitas vezes, precisamos saber onde investir nosso


dinheiro. Se será em coisas supérfluas que não vão nos
ajudar a conquistar resultados melhores na nossa vida, ou
se vamos investir em nosso conhecimento para ampliar
nossa consciência e nos conduzir a fazer o que precisa ser
feito. É uma questão de valorizar o que é prioridade e dar
o próximo passo em direção ao nosso crescimento pessoal.

Uma vez que aprendemos algo novo, não conseguimos


mais retroceder. O curso é exatamente para isso: aprofun-
dar o conhecimento e abrir sua mente para nunca mais
passar pelas mesmas dificuldades no seu relacionamento
conjugal.

Eu desejo profundamente que você se torne minha aluna


para que juntas possamos nos aprofundar ainda mais em
conhecimento para resolver qualquer pendência em sua vida
que ainda possa estar te sabotando de alcançar uma relação
de conexão, parceria e intimidade com o seu cônjuge.

Desde o dia em que resolvi iniciar como mentora de


relacionamentos conjugais, meu propósito sempre foi res-

Faça sua parte — 161


gatar famílias. Mostrar que é possível, sim, ter um relacio-
namento de amor e cumplicidade com o parceiro através
da comunicação assertiva.

A motivação de buscar conhecimento e desenvolvi-


mento pode ser seu relacionamento, seu parceiro, ou até
mesmo o exemplo que você quer passar para seus filhos,
mas o mais importante, o que mais deve ser levado em
consideração para você dar esse passo tão relevante, é
você mesma.

A sensação de estar em movimento buscando ser sua


melhor versão. Porque não há nada mais gratificante na
jornada de desenvolvimento pessoal do que fazer a sua parte.

Faça por você. Porque você merece viver um relacio-


namento saudável.

Faça a sua parte.

162 — Bruna Porto Lima


Contatos Bruna

E-mail: [email protected]
Instagram/Tiktok/Facebook: @brunaportolima
Site: www.segredodorelacionamento.com.br

Contatos Auge!Books

Site: https://editoraaugebooks.com/
Este livro foi composto em Capitolina e
impresso em papel Pólen Soft 80g/m2 em
abril de 2024 para a Editora AugeBooks.
Bruna Porto Lima, é mentora, analis-
ta de perfil comportamental, master
coach e criadora do método “Pote de
amor”. Esposa do Michel há mais de 20
anos e mãe do Bruno. Através do seu
curso “Segredo do Relacionamento de
Sucesso” já impactou milhares de re-
lacionamentos pelo mundo.

Apaixonada por desenvolvimento pes-


soal, busca conscientizar e inspirar
pessoas na busca de maturidade emo-
cional para construir um relaciona-
mento conjugal saudável através da
sua mudança.

Seu grande propósito é salvar famílias,


propagando conhecimento sobre inte-
ligência emocional ao casal, para que
conduzam os desafios da vida a dois
da melhor forma possível. Pois pais
emocionalmente fortes produzem um
ambiente familiar de confiança, har-
monia e felicidade.

Common questions

Com tecnologia de IA

Suggested strategies include cultivating self-awareness to recognize emotional triggers, practicing emotional regulation techniques, and replacing negative reactions with positive behaviors. Additionally, maintaining an open dialogue with partners about feelings and boundaries helps mitigate misunderstandings. Establishing a personal habit of reflecting on one's emotional responses can further aid in preventing impulsive reactions that might damage the relationship .

Key factors include fear of criticism, reluctance to face personal flaws, and comfort in blaming others for failures. These stem from emotional inertia and a lack of courage to confront personal weaknesses, as recognizing one's own role demands admitting imperfection and initiating change. Often, it's easier to maintain the status quo rather than embrace the discomfort required for self-improvement and relationship enhancement .

The concept emphasizes that self-responsibility is crucial in building a healthy relationship because it focuses on personal development and reactions rather than changing the partner. Self-responsibility requires individuals to take charge of their happiness and outcomes, instead of relying on their partner or circumstances to change. By recognizing their own role and imperfections, individuals can work towards a more constructive behavior, which in turn promotes a healthier relationship dynamic .

Understanding personal values is important because it helps individuals maintain congruence between their beliefs and actions, which is crucial for authentic relationships. If one's values do not align with their behavior or the relationship dynamics, it can lead to internal conflict and dissatisfaction. By having clarity on personal values, individuals can set appropriate boundaries and make decisions that foster trust and respect in their relationship .

Implementing new patterns of behavior is challenging due to the deep-rooted nature of emotional addictions and the discomfort associated with change. These patterns are often reinforced over years, creating a default response to stimuli. Changing them requires consistent effort, emotional regulation, and intention, all of which can be difficult to maintain without slipping back into comfortable, albeit harmful, habits .

Taking the initiative to resolve relationship issues demonstrates humility and personal growth by showing a willingness to put aside ego and prioritize the relationship's well-being over personal pride. It indicates awareness of one's role in ongoing issues and a commitment to nurturing the relationship despite challenges. This approach aligns with accepting separate emotional capabilities and promotes a more harmonious partnership, reflecting maturity and self-development .

Unresolved childhood traumas can lead to emotional addictions that manifest as maladaptive behaviors in adult relationships, such as anger, rejection, or mistrust. These behaviors create barriers to emotional intimacy and understanding within the relationship by triggering negative interactions based on past unresolved issues. Addressing these traumas is essential for breaking out of these patterns and fostering healthier relationship dynamics .

Practicing self-awareness helps individuals identify the triggers and underlying beliefs reinforcing their emotional addictions. By understanding these, individuals can consciously choose to adopt new, healthier behaviors, thus breaking the cycle. This process involves recognizing how certain emotions and reactions harm relationships and making intentional efforts to respond differently, fostering personal growth and more fulfilling interactions .

The decision to act or not act significantly affects relationship outcomes as it determines whether one takes responsibility for their role in the relationship. Proactive actions lead to constructive changes and personal growth, while inaction often results in stagnation and blaming others for one's dissatisfaction. Thus, acting on challenges can transform relationships positively, while merely expecting others to change without self-reflection sustains unhealthy patterns .

Emotional addictions sabotage personal and relational growth by creating negative behavioral patterns that are repeated due to emotional triggers. These patterns, such as frequent anger, impatience, or victimization, arise from unresolved past traumas and perpetuate a cycle of destructive interactions, hindering personal development and damaging relationships. To overcome these, one must recognize and replace these behaviors with positive habits that align with their values and desired relational outcomes .

Você também pode gostar