Introdução
Aborto ou interrupção da gravidez é a interrupção de uma gravidez resultante da
remoção de um feto ou embrião antes de este ter a capacidade de sobreviver fora do
útero. Um aborto que ocorra de forma espontânea denomina-se aborto
espontâneo ou "interrupção involuntária da gravidez". Um aborto deliberado
denomina-se "aborto induzido" ou "interrupção voluntária da gravidez". O termo
"aborto", de forma isolada, geralmente refere-se a abortos induzidos. Nos casos em
que o feto já é capaz de sobreviver fora do útero, este procedimento denomina-se
"interrupção tardia da gravidez
1
Aborto
O aborto é uma situação muito traumatizante na vida de uma mulher e caracteriza-se
por uma interrupção precoce da gravidez, antes das 22 semanas.
A interrupção da gestação quando o feto não é capaz de sobreviver fora do útero é
denominada de aborto.
O aborto ou, mais corretamente, o abortamento é a interrupção precoce de
uma gestação antes que o feto seja capaz de sobreviver fora do corpo da mãe. O
aborto pode ocorrer de maneira intencional ou de maneira totalmente espontânea,
sendo, em ambos os casos, um processo doloroso para a mulher que vive esse
momento.
→ Quando há, de fato, um aborto?
A Organização Mundial de Saúde (OMS) apresenta alguns critérios para que o fim de
uma gestação seja considerado um aborto. De acordo com a OMS, considera-se aborto
a interrupção, antes das 22 semanas de gestação, estando, nesse caso, o feto,
geralmente, com peso inferior a 500 g. Quando o feto é retirado nessas condições é
incapaz de sobreviver fora do útero da mãe.
Aborto induzido
O aborto induzido, também denominado aborto provocado ou interrupção voluntária
da gravidez, é o aborto causado por uma ação humana deliberada. Ocorre pela
ingestão de medicamentos ou por métodos mecânicos. O aborto induzido possui as
seguintes subcategorias:
Aborto terapêutico: aborto provocado para salvar a vida da gestante
para preservar a saúde física ou mental da mulher
para dar fim à gestação que resultaria numa criança com problemas congênitos que
seriam fatais ou associados com enfermidades graves
para reduzir seletivamente o número de fetos para diminuir a possibilidade de riscos
associados a gravidez múltipla.
Aborto eletivo: aborto provocado por qualquer outra motivação.
→ Aborto espontâneo
O aborto espontâneo é aquele que ocorre naturalmente, sem que seja provocado
intencionalmente pela mulher. Essa situação é relativamente comum, ocorrendo em
2
cerca de 10 a 25% das gestações. Em alguns casos, o abortamento ocorre antes mesmo
da mulher saber de sua gravidez.
O aborto espontâneo apresenta diferentes causas e, geralmente, acontece por conta
da condição que não favorece a vida do feto ou que está prejudicando seu
desenvolvimento. Entre as principais causas de aborto espontâneo estão as alterações
cromossômicas, quedas no nível de progesterona no corpo da mulher, mudanças no
útero, problemas tireoideanos, diabetes não controlado, algumas doenças e o
consumo de drogas. Apesar dessas causas conhecidas, a maioria das mulheres que
sofrem aborto espontâneo nunca saberão qual foi a causa de seu abortamento.
Geralmente, o abortamento espontâneo acontece logo no início da gestação. Ele pode
ser classificado de acordo com o período em que ocorrem em precoce ou tardio. É
denominado de precoce quando acontece em mulheres que apresentam menos de 13
semanas de gestação e tardio quando acontece entre a 13 e 22 semanas.
O aborto espontâneo acontece com maior frequência em algumas situações, sendo
considerados fatores de risco:
Idade materna acima de 45 anos;
Mulheres obesas;
Mulheres com baixo peso;
Casos anteriores de abortamento;
Consumo de drogas;
Tabagismo;
Uso de alguns medicamentos.
→ Riscos do uso de substâncias abortivas
Muitas pessoas ao se depararem com uma gravidez indesejada optam por utilizar
algumas substâncias e medicamentos que visam a interromper a gestação. No entanto,
essas substâncias, muitas vezes vistas como alternativa pela mulher, podem colocar a
sua própria vida em risco.
Na internet, muitas mulheres encontram receitas e até venda de medicamentos
proibidos que garantem a realização do aborto. Entretanto, a grande maioria não sabe
os riscos que doses inadequadas podem causar.
São relativamente frequentes os casos de mulheres que procuram os hospitais após
uso dessas substâncias com queixas de vômitos, diarreias, dores no estômago,
sangramentos intensos, alterações na respiração e circulação. Em alguns casos, a
intoxicação é extremamente grave, levando a mulher à morte.
Desse modo, podemos concluir que a realização de abortamento com ingestão de
substâncias pode ser extremamente perigosa, além de ser considerada crime em nosso
3
país. Estima-se que mais de 20.000 mulheres morrem anualmente em decorrência de
abortamentos inseguros, segundo o Instituto Guttmacher.
Muitas mulheres pensam em interromper a gravidez de maneira “caseira”, sem
imaginar o risco que correm.
→ Classificação dos abortamentos
Os abortamentos são classificados de diferentes formas pelo Ministério da Saúde. A
seguir descreveremos a classificação adotada por esse Ministério:
Ameaça de abortamento: A mulher, nesse caso, observa sangramento de pouca
intensidade e cólicas também pouco intensas. O feto mantém-se vivo, e o colo do
útero permanece fechado. Os médicos recomendam, nessa situação, que a mulher
limite suas atividades ficando em repouso. Se a mulher sentir dores, febres ou
sangramento deve procurar novamente ajuda médica.
Abortamento completo: Nesse caso, a mulher sofre a eliminação total do conteúdo
uterino. É recomendado que a mulher fique em observação para que seja observado
se não ocorrem sangramentos e o desenvolvimento de infecções.
Abortamento inevitável/incompleto: Como o nome sugere, parte do conteúdo do
útero é mantido. A mulher apresenta sangramento e dores, e o colo do útero fica
aberto. Como parte do conteúdo é mantido, faz-se necessária a retirada, a qual pode
ser feita por meio da curetagem, AMIU, ou ainda uso de medicamentos que garantirão
a expulsão do material. A curetagem caracteriza-se por ser um procedimento onde se
realiza a raspagem da parte interna uterina, enquanto a AMIU é a aspiração manual
intrauterina.
Abortamento retido: Nesse caso, o embrião permanece sem vida no interior do corpo
da mulher. Ela não apresenta sangramentos e o colo do útero permanece fechado,
sendo observado também uma regressão dos sintomas clássicos da gravidez. Nessa
situação, medicamentos podem ser utilizados para garantir a eliminação do conteúdo
uterino ou será realizada a técnica AMIU.
Abortamento infectado: Nesse tipo de abortamento, observa-se a presença de
infecções. Ele ocorre geralmente em decorrência da realização de abortos ilegais com
manipulação incorreta do útero, sendo observado frequentemente abortamento
incompleto e infecções, principalmente, bacterianas. A mulher apresenta
sangramentos, dores, febre e até mesmo eliminação de pus na região do colo uterino.
Abortamento habitual: Nesse caso, observamos três ou mais abortos espontâneos
consecutivos. É fundamental que a mulher procure um médico para a avaliação das
causas desses abortos repetitivos.
Abortamento eletivo previsto em lei: Esse abortamento é provocado, entretanto, a
mulher está amparada por lei. Somente algumas situações permitem esse tipo de
abortamento, sendo elas: caso de estupro, riscos de vida para a mulher ou
confirmação de feto que não apresenta parte da calota craniana, ou ela inteira, e o
4
cérebro (anencefalia). Nesses casos, a mulher poderá realizar o abortamento
realizando diferentes técnicas, como o uso de medicamentos, curetagem e AMIU.
Outras classificações
Aborto subclínico: abortamento que acontece antes de quatro semanas de
gestação
Aborto precoce: entre quatro e doze semanas
Aborto tardio: após doze semanas
→ Casos em que o aborto é permitido
Por exemplo no Brasil e não como também outros países , o aborto é considerado
crime e pode ter pena de detenção, tanto para a gestante que pratica em si mesmo
como para terceiros que realizam o procedimento. Em algumas situações, no entanto,
o abortamento pode ser realizado, sendo permitido por lei.
Atualmente, o aborto pode ser realizado nos seguintes casos:
A mulher apresenta uma gestação que é decorrente de um estupro;
A mulher apresenta uma gestação que causa risco de vida a ela;
A mulher está grávida de um feto anencéfalo, ou seja, a mulher está gravida de
um feto que não apresenta parte ou toda a calota craniana e o cérebro e,
portanto, não apresenta chances de vida.
Métodos abortivos
Os métodos abortivos incluem
Aborto cirúrgico (evacuação cirúrgica): Remoção do conteúdo do útero através do colo
do útero
Medicamentos que causam (induzem) o aborto: Uso de medicamentos para estimular
contrações do útero, que expelem o conteúdo do útero
O método usado depende, em parte, do tempo de gestação. Ultrassonografia costuma
ser realizada para estimar o tempo de gravidez. O aborto cirúrgico pode ser usado na
maioria das gestações com até 24 semanas de duração. Os medicamentos podem ser
usados nas gestações de menos de 11 semanas de duração (um procedimento que
costuma ser chamado de aborto medicamentoso) ou com mais de 15 semanas de
duração (um procedimento que costuma ser chamado de indução).
No caso de abortos realizados no início da gravidez, talvez seja necessária apenas
anestesia local. A sedação consciente (medicamentos que aliviam a dor e ajudam a
mulher a relaxar, mas permitem que a mulher permaneça consciente) também pode
ser usada. Anestesia geral é raramente necessária.
5
Antes de um aborto cirúrgico, a mulher recebe antibióticos que combatem infecções
no aparelho reprodutor.
Depois de todo aborto (quer cirúrgico ou medicamentoso), as mulheres com sangue
Rh negativo recebem uma injeção de anticorpos Rh denominada imunoglobulina
Rho(D). Se o feto tiver sangue Rh positivo, uma mulher com sangue Rh negativo pode
vir a produzir anticorpos contra o fator Rh. Esses anticorpos podem destruir os
glóbulos vermelhos do feto. O tratamento com a imunoglobulina Rho(D) reduz o risco
de que o sistema imunológico da mulher produza esses anticorpos e coloque em risco
gestações posteriores. O tratamento com imunoglobulina pode ser opcional antes da
oitava semana de gravidez.
Aborto cirúrgico
O conteúdo do útero é removido pela vagina. Diferentes técnicas são utilizadas,
dependendo do tempo de gravidez. Incluem
Dilatação e curetagem (D e C) com sucção
Dilatação e evacuação (D e E)
O processo de dilatação diz respeito ao alargamento do colo do útero. É possível
utilizar vários tipos de dilatadores, dependendo de quanto tempo a gravidez durou e
quantos filhos a mulher já teve. Para reduzir a possibilidade de haver lesões ao colo do
útero durante a dilatação, é possível que o médico use substâncias que absorvem
líquidos, como caules de algas marinas secas (laminária) ou um dilatador sintético. A
laminária é colocada na abertura do colo do útero e permanece no lugar por, no
mínimo, quatro horas e, às vezes, de um dia para outro. Conforme os dilatadores
absorvem grandes quantidades de líquido do corpo, eles aumentam de tamanho e
dilatam a abertura do colo do útero. Também é possível usar medicamentos, como o
misoprostol (um tipo de prostaglandina) para dilatar o colo do útero.
A dilatação e curetagem (D e C) com sucção costuma ser utilizada em gestações com
menos de 14 semanas de duração. Um espéculo é usado na vagina para que o
profissional consiga ver o colo do útero. Um anestésico local (por exemplo, lidocaína) é
injetado no colo do útero para reduzir o desconforto, e o colo do útero é dilatado. Em
seguida, um tubo flexível conectado a uma fonte de vácuo é inserido no útero para
remover o feto e a placenta. A fonte de vácuo pode ser uma seringa portátil ou
instrumento similar ou um aparelho de sucção elétrico. Às vezes, um pequeno
instrumento afiado em forma de colher (cureta) é inserido para remover algum tecido
remanescente. Esse procedimento é realizado delicadamente para reduzir o risco de
haver formação de cicatrizes e infertilidade.
O procedimento de dilatação e evacuação (D e E) costuma ser usado em gestações
com 14 e 24 semanas de duração. Depois da dilatação do colo do útero, utilizam-se
sucção e fórceps para remover o feto e a placenta. Uma cureta afiada talvez seja usada
gentilmente para garantir que todos os produtos da concepção foram removidos.
6
Caso a mulher queira evitar futuras gestações, ela pode iniciar um método
contraceptivo, inclusive a colocação de um dispositivo intrauterino (DIU) liberador de
levonorgestrel ou de cobre assim que o aborto tiver sido concluído.
Aborto medicamentoso
Medicamentos para induzir aborto podem ser usados para gestações de menos de 11
semanas ou com mais de 15 semanas de duração. No caso de um aborto no início da
gravidez (menos de onze semanas), o processo de aborto pode ser concluído em casa.
No caso de um aborto durante uma fase mais avançada da gravidez, a mulher costuma
ser internada no hospital para tomar os medicamentos que irão induzir o trabalho de
parto.
Os medicamentos utilizados para induzir o aborto incluem a mifepristona (RU 486)
seguida por uma prostaglandina, como, por exemplo, o misoprostol.
A mifepristona, tomada por via oral, bloqueia a ação do hormônio progesterona, que
prepara o revestimento do útero para uma gravidez. A mifepristona também faz com
que o útero fique mais suscetível ao segundo medicamento que é administrado (a
prostaglandina).
Os profissionais confirmam a conclusão do aborto por meio de:
Ultrassonografia
Um exame de urina para medir a gonadotrofina coriônica humana (hCG) no dia em que
o medicamento é administrado e uma semana depois (o hCG é produzido no início da
gravidez)
Um exame de gravidez na urina de cinco semanas no caso de um aborto
medicamentoso
As prostaglandinas são uma substância semelhante aos hormônios que estimulam as
contrações do útero. Elas podem ser usadas com a mifepristona. As prostaglandinas
podem ser mantidas na boca (junto à bochecha ou sob a língua) até dissolverem ou
podem ser colocadas na vagina.
O esquema mais comum para abortos em gestações de menos de onze semanas
envolve tomar um comprimido de mifepristona seguido de misoprostol, que é tomado
um a dois dias depois. O comprimido de misoprostol é mantido entre a gengiva e a
bochecha até ele dissolver ou é colocado na vagina. A mulher pode tomar mifepristona
ou misoprostol por conta própria ou pedi-la ao médico. Esse esquema causa o aborto
em aproximadamente
95% das gestações entre oito a nove semanas de duração
87% a 92% das gestações entre nove e onze semanas de duração
Uma dose adicional de misoprostol melhora a eficácia em gestações com mais de nove
semanas de duração.
7
Talvez seja necessário realizar um aborto cirúrgico se um aborto medicamentoso
falhar.
O termo indução costuma ser usado quando são utilizados medicamentos para induzir
o aborto em gestações com mais de 15 semanas de duração. A mulher permanece na
clínica ou no hospital até a conclusão do aborto. É possível tomar comprimidos de
mifepristona, seguidos por uma prostaglandina, como o misoprostol, um a dois dias
depois ou o misoprostol pode ser tomado isoladamente.
Complicações do aborto
As complicações do aborto são raras quando ele é realizado por um profissional de
saúde qualificado, em um hospital ou clínica. Ainda, as complicações ocorrem com
muito mais frequência após um aborto do que após o parto de um bebê a termo.
Complicações graves ocorrem em menos de 1% das mulheres que fizeram um aborto.
A morte após um aborto ocorre muito raramente. Aproximadamente seis de cada
milhão de mulheres que fizeram um aborto morrem, em comparação com
aproximadamente 140 de cada milhão de mulheres que dão à luz um bebê a termo.
Quanto mais avançada a gestação, maior é o número de complicações.
O risco de complicações está relacionado ao método utilizado.
Evacuação cirúrgica: Complicações são raras quando os abortos cirúrgicos são feitos
por profissionais treinados. Uma laceração (perfuração) no útero por um instrumento
cirúrgico ocorre em menos de um em cada mil abortos. Lesão ao intestino ou a outro
órgão é ainda mais rara. Hemorragia grave durante ou imediatamente após o
procedimento ocorre em seis em cada dez mil abortos. Muito raramente, o
procedimento ou uma infecção posterior causa a formação de tecido cicatricial no
revestimento do útero, resultando em infertilidade. Esse distúrbio se chama síndrome
de Asherman.
Medicamentos: A mifepristona e a prostaglandina misoprostol têm efeitos colaterais.
Os mais comuns são dor pélvica tipo cólica, sangramento vaginal e problemas
gastrointestinais, como náusea, vômito e diarreia.
Qualquer um dos métodos: Hemorragia ou infecção pode ocorrer se parte da placenta
permanecer no útero. Se ocorrer hemorragia ou houver suspeita de infecção, o
profissional de saúde usa uma ultrassonografia para determinar se parte da placenta
permanece no útero.
Posteriormente, especialmente se a mulher estiver inativa, é possível que surjam
coágulos sanguíneos nas pernas.
Se o feto tiver sangue Rh positivo, uma mulher com sangue Rh negativo pode produzir
anticorpos Rh, como em qualquer gravidez, aborto espontâneo ou parto. Esses
anticorpos podem prejudicar gestações seguintes. Administrar à mulher injeções
8
de imunoglobulina Rho(D) previne o desenvolvimento de anticorpos. A imunoglobulina
pode ser opcional para gestações com menos de oito semanas de duração.
Existe uma probabilidade maior de haver problemas psicológicos após um aborto caso
os fatores a seguir estejam presentes.
9
Conclusão
Em análise ao que foi pontuado ao longo do trabalho, conclui-se que a criminalização
das práticas abortivas, além de causar danos à saúde da mulher, causa também um
grande dano à saúde pública. Mesmo com a ilegalidade o aborto não deixa de ser
praticado e por esse motivo várias mulheres buscam práticas clandestinas para
abortar. No caso de mulheres com dificuldade de acesso aos serviços de saúde pública
e de baixa renda, além da clandestinidade, se submetem a procedimentos inseguros
ocasionando em sérios riscos a vida da mulher que ao final precisam procurar hospitais
em estado grave, após várias complicações.
10
Bibliografia
Wikipedia
[Link]
[Link] › ...PDF
[Link]
[Link] › ...PDF
INTRODUÇÃO: O aborto é um tema constantemente debatido, mas ...Aborto:
Liberdade de Escolha ou Crime
11