0% acharam este documento útil (0 voto)
29 visualizações65 páginas

E Book Procedimentos Extrajudiciais

Enviado por

Alicia Regianne
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
29 visualizações65 páginas

E Book Procedimentos Extrajudiciais

Enviado por

Alicia Regianne
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Procedimentos extrajudiciais

e instrumentos de atuação do
Ministério Público
Autores
Mariano Paganini Lauria
Marcus Aurélio de Freitas Barros
Nouraide Fernandes Rocha de Queiroz
Procedimentos extrajudiciais
e instrumentos de atuação do
Ministério Público
Procedimentos extrajudiciais
e instrumentos de atuação
do Ministério Público

Autores
Mariano Paganini Lauria
Marcus Aurélio de Freitas Barros
Nouraide Fernandes Rocha de Queiroz

Natal – RN, 2018


Governo Federal Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Presidente da República Reitora


Michel Miguel Elias Temer Lulia Ângela Maria Paiva Cruz

Ministro da Educação Vice-Reitor


Rossieli Soares da Silva José Daniel Diniz Melo

Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN)


Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ)

Procurador-Geral de Justiça Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF)


Eudo Rodrigues Leite
Coordenação do Ceaf
Procuradora-Geral de Justiça Adjunta
Marcus Aurélio de Freitas Barros
Elaine Cardoso de Matos Novais Teixeira
Assessoria Técnica de Editoração (ATE)
Corregedor-Geral do Ministério Público
Nouraide Fernandes Rocha de Queiroz
Anísio Marinho Neto
Adequação à linguagem dialógica
Corregedora-Geral Adjunta Normatização e padronização
Sayonara Café de Melo Revisão de Língua Portuguesa
Chefe de Gabinete Núcleo de Pesquisa Especial da Assessoria
Carlos Henrique Rodrigues da Silva Técnica de Editoração (NUPE/ATE)
Ligya Marcelle Souza Lins
Diretor-Geral
Mariana Naara Adelino dos Santos Souza
Jean Marcel Cunto Lima

Coordenador da Coord. Jurídica Administrativa


Oscar Hugo de Souza Ramos

Ouvidor
Erickson Girley Barros dos Santos

Secretaria de Educação a Distância (SEDIS)

Secretária de Educação a Distância Gestão do Fluxo de Revisão


Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo Rosilene Alves de Paiva

Secretária Adjunta de Educação a Distância Revisão de Estrutura e Linguagem


Ione Rodrigues Diniz Morais Eugenio Tavares Borges

Coordenadora de Produção de Materiais Didáticos Revisão de Linguagem Dialógica


Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo Aline Pinho

Coordenadora de Revisão Revisão de Língua Portuguesa


Maria da Penha Casado Alves Emanuelle Pereira Diniz

Coordenador Editorial Revisão de Normas da ABNT


José Correia Torres Neto Verônica Pinheiro

Adaptação de Projeto Gráfico* Revisão Tipográfica


Carol Costa Leticia Torres

Conselho Técnico-Científico – Sedis Diagramação


Carol Costa
Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo – SEDIS (Presidente)
Aline de Pinho Dias – SEDIS Ilustração e Editoração de Imagens
André Morais Gurgel – CCSA Anderson Gomes do Nascimento
Carol Costa
Antônio de Pádua dos Santos – CS
Célia Maria de Araújo – SEDIS
Eugênia Maria Dantas – CCHLA
Ione Rodrigues Diniz Morais – SEDIS
Isabel Dillmann Nunes – IMD
Ivan Max Freire de Lacerda – EAJ
Jefferson Fernandes Alves – SEDIS
José Querginaldo Bezerra – CCET
Lilian Giotto Zaros – CB
Marcos Aurélio Felipe – SEDIS
Maria Cristina Leandro de Paiva – CE
Maria da Penha Casado Alves – SEDIS
Nedja Suely Fernandes – CCET
Ricardo Alexsandro de Medeiros Valentim – SEDIS * Projeto Gráfico original criado por Ivana Lima
(SEDIS-UFRN) para os materiais didáticos dos cursos
Sulemi Fabiano Campos – CCHLA de graduação a distância da UFRN, fomentados pelo
Wicliffe de Andrade Costa – CCHLA sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB).
Catalogação da Publicação na Fonte.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Secretaria de Educação a Distância

Lauria, Mariano Paganini.

Procedimentos extrajudiciais e instrumentos de atuação do Ministério Público [recurso eletrônico]


/ Mariano Paganini Lauria, Marcus Aurélio de Freitas Barros e Nouraide Fernandes Rocha de Queiroz.
– 1. ed. – Natal : SEDIS-UFRN, 2018.

65: il., color.

ISBN 978-85-7064-058-1

Livro em suporte: E-book [PDF]

1. Procedimentos Judiciais. 2. Ministério Público. 3. Instrumentos. I. Barros, Marcus Aurélio de


Freitas. II. Queiroz, Nouraide Fernandes Rocha de. III. Título.

CDU 347
L384p

Elaborada por Verônica Pinheiro da Silva CRB-15/692.

Todos os direitos desta edição reservados à EDUFRN – Editora da UFRN.


Av. Senador Salgado Filho, 3000 | Campus Universitário
Lagoa Nova | 59.078-970 |Natal/RN | Brasil
e-mail: [email protected] | www.editora.ufrn.br
Telefone: (84) 3342-2221
Sumário

Apresentação7

Unidade 1 – Classes Taxonômicas 8

Aula 1 – Notícia de fato 10

Aula 2 – Inquérito civil 16

Aula 3 – Procedimento preparatório24

Aula 4 – Procedimento administrativo 28

Aula 5 – Procedimento investigatório criminal 32

Unidade 2 – Instrumentos de atuação do Ministério Público 39

Aula 1 – Requisição Ministerial 41

Aula 2 – Audiência extrajudicial 46

Aula 3 – Recomendação50

Aula 4 – Termo de ajustamento de conduta54

Referências 60

Sobre os autores 63
Apresentação

N
este curso, veremos que o Ministério Público brasileiro atua no
campo extrajudicial (ou extrajurisdicional) por meio das cinco classes
taxonômicas, quais sejam: notícia de fato (NF), inquérito civil público (IC),
procedimento preparatório (PP), procedimento administrativo (PA) e procedimento
investigatório criminal (PIC), que são procedimentos de atuação finalística do
Ministério Público. Tais procedimentos têm como funções primordiais o registro
dos atos e a uniformização das atividades para conferir legitimidade e efetividade
à utilização dos instrumentos no cumprimento das tarefas institucionais. Ademais,
apresentaremos essas classes, bem como os principais instrumentos disponíveis,
a fim de proporcionar subsídios para maior qualificação da atuação ministerial
por parte de seus integrantes.

7
UNIDADE 1

Classes
Título Taxonômicas
da unidade
O
lá caro aluno!! Nesta unidade, abordaremos cada uma das cinco
classes taxonômicas existentes que são os procedimentos ministeriais
padronizados e previstos em resoluções do Conselho Nacional do
Ministério Público (CNMP) e órgãos colegiados locais a fim de (re)conhecer
suas características fundamentais e respectivas finalidades. Assim, das aulas
1 a 5, respectivamente, trataremos sobre notícia de fato (NF); inquérito civil
(IC); procedimento preparatório (PP); procedimento administrativo (PA); e
procedimento investigatório criminal (PIC).
Notícia de fato

Aula

1
NOTÍCIA DE FATO

V
ocê já parou para pensar o que é, afinal, uma notícia de fato (NF)? Já refletiu sobre as
representações, os termos de atendimento, termos de declarações, ou qualquer documento
que narre irregularidades que venham a ser relatadas por interessados que procurem a
promotoria de justiça (PmJ)? Ou até mesmo pelo próprio promotor de justiça – em caso de haver
mais de um com atribuição concorrente e que fique sabendo de algum fato, e o reduza a termo e
encaminhe à distribuição? E sobre a NF anônima?

Vamos, então, verificar onde encontrar o conceito de NF, como se dão os procedimentos relativos
às NFs. Vamos melhor compreender em que situações elas ocorrem, quais as suas implicações,
onde e como são registradas, as questões quanto aos seus prazos e tudo o mais que for importante
para o desempenho do trabalho que envolva essa classe taxonômica numa promotoria de justiça.

Enfim, vamos aprofundar nossos conhecimentos!!

Inicialmente, vejamos: o que é notícia de fato?

O conceito de notícia de fato encontra-se previsto no art. 1º da Resolução nº 174, de 4 de julho


de 2017-CNMP, como também no art. 1º da atual Resolução nº 012, de 24 de outubro de 2018-CPJ.

A Resolução nº 012/2018-CPJ apresenta o conceito de notícia de fato, no art. 1º, conforme


transcrição a seguir.

Art. 1º A notícia de fato é qualquer demanda dirigida aos órgãos da atividade-fim do Ministério
Público, submetida à apreciação de seus membros, conforme as atribuições das respectivas
áreas de atuação, podendo ser formulada presencialmente ou não, dentre outros, por meio de
atendimentos, requerimentos e representações e apresentação de documentos. (Grifo nosso).

São exemplos de notícia de fato: representações, termos de atendimento ou termos de


declaração, bem como qualquer documento que narre irregularidades noticiadas à PmJ.

ATENÇÃO!

Não são notícias de fato: meras informações prestadas à pessoa que procura a PmJ, convites,
ofícios meramente informativos e ofícios de respostas já expedidos dentro de um procedimento etc.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


11 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Notícia de fato
E E

AH! A notícia de fato anônima deve


ser sempre registrada e, inclusive,
pode dar início a um procedimento
E NF investigatório. A Resolução
anônima? nº 012/2018-CPJ, estabelece em seu
art. 1º, parágrafo único que:

“A demanda formul
ada por
manifestação anôn
ima não implicará
ausência de provid
ências desde que
forneça, por qualqu
er meio
legalmente permiti
do, informações
sobre o fato e seu
provável autor,
bem como a qualifi
cação mínima
que permita a sua
identificação e
localização”.

E o promotor de
justiça pode atuar
de ofício, ou seja, Pode, sim! Logicamente,
por conta própria, se ele pode atuar,
acerca de alguma diretamente, de ofício,
situação que tomou também pode atuar a
conhecimento sem partir de uma denúncia
ser provocado? anônima, desde que ela
traga elementos
mínimos para tanto.
Agora que conhecemos melhor o que é uma notícia de fato e o que estabelecem a Resolução
nº 174/2017-CNMP e a Resolução nº 012/2018-CPJ, passemos a entender como se dá seu registro, a
sua distribuição, e o seu e prazo!

Registro e distribuição: será registrada em livro próprio, ou sistema informatizado como, por
exemplo, nas promotorias que utilizam o MP Virtual, de forma livre ou aleatória, ou por prevenção.
Esta última significa que, quando for relacionada ao objeto de alguma investigação em curso, é
direcionada ao membro que o preside e fica prevento.

Prazo: consoante a Resolução nº 174/2017-CNMP,

Art. 3º A notícia de fato será apreciada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do seu
recebimento, prorrogável uma vez, fundamentadamente, por até 90 (noventa) dias.

E, caro aluno, devemos nos lembrar de que essa prorrogação ocorre quando necessária à
apuração de elementos para identificação dos noticiados, do objeto e da pertinência da investigação.

O atual entendimento da Corregedoria Nacional, diante da redação dúbia, é 30 + 90


= 120 dias. O membro tem até 30 (trinta) dias para analisar (despacho inicial) e depois
poderá – em caso de necessidade – prorrogar o prazo até mais 90 dias.

Você sabe o que pode ser feito e qual o objetivo de uma NF?

De acordo com o parágrafo único do art. 3º da Resolução nº 174/2017-CNMP, “No prazo do caput,
o membro do Ministério Público poderá colher informações preliminares imprescindíveis
para deliberar sobre a instauração do procedimento próprio, sendo vedada a expedição de
requisições”. (Grifo nosso).

A NF presta-se, principalmente, para avaliar a necessidade e/ou viabilidade (justa causa – busca
de elementos mínimos) para instauração de procedimento próprio, quais sejam:

„„ inquérito civil (IC);


„„ procedimento preparatório (PP);
„„ procedimento administrativo (PA); ou
„„ procedimento investigatório criminal (PIC).

A regra é que a NF não é sucedâneo de procedimento investigatório típico, deve ser utilizada
para solicitar informação, documento etc.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


13 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Notícia de fato
ATENÇÃO!

Vedada a requisição!

Não pode usar poder requisitório na NF, deve-se solicitar


(consequências jurídicas diversas, não ocorrência de
crime, improbidade, etc. Caso não atendida a solicitação,
se precisar, deve ser instaurado IC, PP ou PA e fazer a
requisição nesses procedimentos).

Vamos, agora, ver detalhadamente o que estabelece a


Resolução nº 012/2018-CPJ.
Art. 3º De posse da notícia de fato, o órgão de execução do Ministério Público poderá:

I) indeferir, de plano, a instauração de notícia de fato quando o fato narrado não configurar
lesão ou ameaça de lesão aos interesses ou direitos tutelados pelo Ministério Público ou for
incompreensível;

II) colher informações preliminares imprescindíveis para deliberar sobre a instauração do


procedimento próprio, sendo vedada a expedição de requisições;

III) arquivar, se entender que não há justa causa para instauração de procedimento
administrativo, procedimento preparatório ou inquérito civil; ajuizamento de ação civil pública
ou de outra medida judicial;

IV) instaurar procedimento administrativo, procedimento preparatório, inquérito civil ou propor


ação ou medidas judiciais correspondentes;

V) remeter a outro órgão ministerial de execução quando entender não ser matéria de sua
atribuição.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


14 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Notícia de fato
ATENÇÃO!

No caso de o membro entender que não é matéria de sua atribuição, remete para o órgão que possua
essa atribuição. Não sendo necessário, via de regra, encaminhar para o CSMP.

Arquivamento: em regra, na própria promotoria – por decisão no procedimento.

Após a decisão, deve-se dar ciência ao interessado/reclamante/noticiante, preferencialmente


por correio eletrônico, informando que cabe recurso no prazo de 10 dias (esse recurso é no próprio
órgão de origem).

Caso haja recurso, após as contrarrazões, ou não, da outra parte (esta tem de ser cientificada
do recurso), o membro do MP responsável pelo arquivamento da NF pode se retratar. Caso ele não
se retrate, devem os autos da NF ser encaminhados ao Conselho Superior do Ministério Público,
que dará a palavra final.

Veja, caro aluno, o quanto foi importante esta aula para uma compreensão aprofundada do que
é uma notícia de fato e sua aplicabilidade no ambiente de trabalho! Após esse estudo, passaremos
a 2ª classe taxonômica a ser estudada que é o inquérito civil. Avante!!

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


15 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Notícia de fato
Inquérito civil

Aula

2
INQUÉRITO CIVIL

N
esta aula, veremos a classe denominada inquérito civil (IC). Inicialmente, convido você,
caro aluno, para assistir trechos de aulas ministradas pelo Prof. Hugo Nigro Mazzilli, em
que ele discorre acerca do conceito e das origens do inquérito civil.

VAMOS ACESSAR OS VÍDEOS?

O conceito do IC

As origens do IC

Agora que vimos os ensinamentos do renomado Prof. Mazzilli, passemos às nossas discussões.

O assento ou fundamento legal encontra-se

„„ na Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 – Lei da Ação Civil Pública, que em seu art. 8º, § 1º,
estabelece: “O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil,
[...]” (grifo nosso);

„„ na Resolução nº 23, de 17 de setembro de 2007-CNMP, que o regulamenta nos arts. 6º,


inciso VII; e 7º, inciso I; e, ainda,

„„ nos arts. 25, inciso IV; e 26, inciso I, da Lei nº 8.625, de 12 de fevereiro de 1993 que disciplina,
no âmbito do Ministério Público, a instauração e tramitação do inquérito civil.

Vamos verificar a conceituação dada ao IC pela Resolução


nº 23/2007-CNMP?

Art. 1º O inquérito civil, de natureza unilateral e facultativa, será instaurado para apurar fato
que possa autorizar a tutela dos interesses ou direitos a cargo do Ministério Público nos
termos da legislação aplicável, servindo como preparação para o exercício das atribuições
inerentes às suas funções institucionais.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


17 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Inquérito civil
Agora que entendemos o conceito de IC, vejamos, então, qual é o seu objeto e suas principais
características. Observe que se trata de objeto amplo, pois diz respeito a todo e qualquer tipo de
direito coletivo lato sensu de atribuição do ramo ministerial.

O inquérito civil é a mais ampla ferramenta de investigação própria do Ministério Público.

Já que se trata de objeto tão amplo, você (re)conheceria facilmente as características dessa
ferramenta e quais as hipóteses para a sua instauração? Que tal observarmos a informação a seguir?

Principais Características

1) Procedimento investigatório
Teoricamente não tem partes, sendo inquisitorial, ou seja, sem possibilidade de ampla defesa,
apesar de tal característica atualmente ter sido abrandada, conforme veremos adiante.

2) Presidido pelo membro do MP


Só o MP pode instaurar, nenhuma outra instituição pode fazê-lo.

3) Facultativo
O promotor de justiça pode ajuizar uma ação sem ele, caso já possua elementos.

A Resolução nº 23/2007, em seu art. 1º, parágrafo único, afirma que o inquérito civil
não é condição de procedibilidade para o ajuizamento das ações a cargo do Ministério
Público, nem para a realização das demais medidas de sua atribuição própria.

4) Formalidade
Segue normativas próprias, prazos e formas previstos em âmbito nacional na Resolução nº
23/2007 CNMP e, em âmbito local, na Resolução nº 012/2018-CPJ.

Chamamos a atenção para as hipóteses de instauração do inquérito civil, de acordo com a


Resolução nº 23/2007-CNMP, em seu art. 2º:

[...]

V) de ofício;

VI) em face de requerimento ou representação [...]; e

VII) por designação do procurador-geral de justiça, do Conselho Superior do Ministério Público [...].

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


18 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Inquérito civil
Vejamos que o caso do inciso II refere-se, geralmente, à notícia de fato, tratada na aula 1!

Lembra-se de que qualquer requerimento ou representação, dentre outros documentos,


pode ser considerado NF? Sendo assim, a NF pode gerar instauração de IC, uma vez que qualquer
requerimento ou representação dá ensejo à NF!!

Caro aluno, é importante sempre observar que o IC

a) deve ser instaurado por portaria devidamente fundamentada (fundamentação legal e fática),
numerada em ordem crescente contendo os requisitos do art. 22 da Resolução nº 012/2018-CPJ;

b) deve ser registrado no sistema eletrônico (MP-Virtual) ou livro próprio, e

c) deve ter sua instauração comunicada ao Centro de Apoio Operacional às Promotorias de


Justiça (CAOP) respectivo à matéria em questão.

• Caso se trate de IC de meio ambiente, a comunicação deverá ser feita ao Caop-MA.


• Caso se trate de IC de patrimônio público, ao Caop-PP, e assim por diante.

E quanto aos prazos? Vamos juntos observar como devem ser!

1 ano prorrogável, comunicando-se ao CSMP de duas formas:

a) 1ª prorrogação (mais simples de cumprir):


comunica ao CSMP, informando número do procedimento, objeto de investigação e o motivo
da prorrogação (as diligências pendentes).

a) 2ª prorrogação:
além dos itens anteriores, tem que informar qual o número ordinal da prorrogação (se a
segunda, terceira etc.) e os atos ministeriais já realizados no curso – até então – e o que ainda
está pendente (relatório).

ATENÇÃO!

Art. 9º-A. A Resolução nº 23/2007 CNMP: Após a instauração do inquérito civil ou do procedimento
preparatório, quando o Membro que o preside concluir ser atribuição de outro Ministério Público, deverá
submeter sua decisão ao referendo do órgão de revisão competente (CSMP), no prazo de 3 (três) dias.
(Resolução nº 23/2007 CNMP com redação dada pela Resolução nº 126, de 29 de julho de 2015).

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


19 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Inquérito civil
Então como proceder em
caso de remessa para
outro órgão (fora do
MPRN), depois de
instaurado o IC ou PP?
Deve ser
sempre
submetida ao
CSMP.

Claro! Veja bem: o Promotor de


Justiça investiga desvio de verba,
Você pode verifica que a verba é federal,
exemplificar? declina a atribuição ao Ministério
Público Federal, porém deve
submeter ao Conselho Superior do
Ministério Público.

Caso seja outro órgão do


MPRN, por exemplo outra
promotoria da comarca ou de
comarca diversa, pode remeter
direto - declínio de
atribuições, caso o membro
que receba discorde que a
atribuição é sua, os autos
serão encaminhados ao
procurador-geral de justiça
para que ele decida de quem é
a atribuição. Entendeu?

Agora, sim! Perfeitamente!


E é interessante observar
o que disciplina a
Resolução nº 012/2018-CPJ,
em seu art. 29, § 9º:

nte a
is ti r o in v e stigado dura e,
o n o s a u to s poderá ass ta d o se u depoimento
onstitu íd ade abso lu s dele
O defensor c õ e s, so b p ena de nulid ig a tó ri o s e probatório o
infra ç st sive, no curs
apuração de to d o s o s e le mentos inve d e n d o , in c lu
mente, de ente, po
subsequente e ta ou indiretam uesitos.
rr e n te s o u d eriva d o s, d ir
ã o , a p re se n tar razões e q
deco apuraç
da respectiva 1, de 21 de fe
vereiro de 20
17).
º 16
dada pela Resolução n
P J com redação
º 012/2018-C
(Resolução n
Sempre foi corrente na doutrina que o IC (assim como o inquérito policial) é um
procedimento inquisitorial, sem ampla defesa. Todavia, recentemente, foi prevista
a hipótese de assistência de advogado ao “investigado”, abrandando essa regra.
Assim, caso ele (investigado) constitua advogado, recomenda-se que o causídico
seja cientificado das decisões, que esteja presente nos atos de instrução e que possa
fazer postulação probatória, que será analisada pelo presidente da investigação
(membro do MP).

Você viu que há pessoas que se referem ao IC como inquérito civil público? Pois bem, quanto a
isso não há porque se preocupar, pois a nomenclatura adequada é mesmo inquérito civil, pois é de
sua natureza que seja público. Porém... pode esse procedimento ser sigiloso? Vejamos!

Via de regra o inquérito civil é público, como o próprio nome já diz, mas, em alguns casos, pode
ser decretado o sigilo (pelo seu presidente, promotor(a) de forma expressa e fundamentada) quando
necessário para preservação da intimidade (exemplo um caso que expõe algum menor) ou para a
eficiência das investigações (alguma diligência que se o investigado souber pode frustrar.

SAIBA MAIS

Para melhor entender sobre o que acabamos de observar, você pode verificar o art. 29, da Resolução
nº 012/2018-CPJ, que, em seus parágrafos e incisos, expõe os requisitos da publicidade aplicada ao
inquérito civil.

Vamos ver um exemplo da possibilidade de sigilo!

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando um promotor de justiça vai fazer uma inspeção surpresa
em determinado local; ou nas próprias hipóteses de sigilo legal – algum documento resguardado
por sigilo, como uma quebra de dados bancários de alguém.

Como se dá a finalização do IC?

A finalização do IC ocorre por meio de ajuizamento de ação (normalmente ação civil pública) ou
arquivamento (com ou sem TAC), e é obrigatório o encaminhamento para revisão pelo CSMP, em
03 (três) dias, sob pena de falta funcional.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


21 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Inquérito civil
O CSMP, no exercício do seu poder de revisão da decisão de arquivamento poderá:

a) homologar o arquivamento;

b) discordar do arquivamento, designando outro membro do MP (substituição legal) para


implementação de novas medidas;

c) converter o julgamento em diligência.

SAIBA MAIS

Ver Inquérito Civil – MPMG – que se encontra em nosso material complementar para esta aula,
denominado “doc_01_ic_mpmg”.

E você sabe o que fazer em caso de surgimento de novas provas de um ilícito já investigado
anteriormente em inquérito civil, que foi arquivado justamente porque em momento
anterior o Promotor entendeu não existirem provas suficientes para ajuizar ação?

Veja bem, o IC antigo pode ser desarquivado, desde que seja dentro do prazo de
seis meses contados do arquivamento. Após esse prazo, deverá ser instaurado um
novo procedimento. Se for reaberto e novamente arquivado, tem de ser remetido
mais uma vez ao CSMP para apreciação (art. 12 da Resolução nº 23/2017 do CNMP).

SAIBA MAIS

Como leitura complementar para o aprofundamento do assunto, ver os artigos anexos em nosso
ambiente virtual de aprendizagem. São eles:

„„ O inquérito civil e a tutela do meio ambiente, de Raul de Melo Franco Jr.

„„ O instituto do inquérito civil visto como forma e meio importante para pacificar as demandas
coletivas e a discussão de seu devido processo constitucional, de Francisco das Chagas da Silva;
Maria Lírida Calou de Arújo e Mendonça; e Pedro Rafael Malveira Deocleciano.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


22 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Inquérito civil
Bom, para finalizarmos esta aula 2, vamos assistir ao vídeo em que a promotora de justiça do
MPRS, em entrevista, discorre sobre inquérito civil!

VAMOS ACESSAR O VÍDEO?

É só clicar aqui!

Viram quanta informação e como aprendemos ainda mais sobre inquérito civil?!

Chegamos, assim, ao término desta aula. Na próxima, vamos conhecer melhor outra classe
taxonômica que é o procedimento preparatório. Até lá!

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


23 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Inquérito civil
Procedimento preparatório

Aula

3
PROCEDIMENTO PREPARATÓRIO

C
aro aluno, nas aulas anteriores, discorremos sobre a notícia de fato e o inquérito civil, desta
feita vamos falar sobre o procedimento preparatório. A exemplo das demais classes, serão
observadas a sua previsão legal e as semelhanças entre as características do IC e do PP. Você
verá, ainda, que algumas diferenças existem entre eles. Ficou curioso? Vamos aos estudos!!

Como você já percebeu, tanto a Resolução nº 23 de 17 de setembro de 2007-CNMP, como a


Resolução nº 012/2018-CPJ são fundamentais para o entendimento das classes ora estudadas. Assim,
observe que a previsão do PP encontra-se nessas normativas da forma citada a seguir.

Art. 2º § 4º da Resolução nº 23/2007-CNMP; e art. 15, da Resolução 012/2018-CPJ estabelecem que


o PP será instaurado de ofício ou em face das informações previstas nos art. 6º e 7º da Lei nº 7.347,
de 24 de julho de 1985, visando a apurar lesão ou ameaça de lesão a direitos cuja tutela caiba ao
Ministério Público, quando os elementos até então existentes não sejam suficientes para a instauração
de inquérito civil.

Vamos juntos pensar um pouco mais sobre esse tipo de procedimento?

Por qual motivo deve ser instaurado um PP?

É muito importante saber que no PP ainda não há elementos para a instauração direta de IC
(ou seja, ainda não foi possível a correta delimitação do objeto a ser investigado ou do próprio
investigado). É fácil você perceber até mesmo em função do próprio nome procedimento preparatório,
pois já anuncia, via de regra, é preparatório ao inquérito civil. É uma investigação que ocorre em
curto espaço de tempo, sendo, assim, de forma bem célere.

O procedimento preparatório não é etapa necessária à instauração de inquérito


civil, uma vez que haja elementos suficientes, instaura-se direto o inquérito civil.

Você se lembra de que na aula anterior, sobre o IC, vimos quais suas características e qual o
seu objeto?

Pois para o PP são, basicamente, os mesmos. E esse fato pode ser claramente constatado ao
observarmos que o art. 19 da Resolução nº 012/2018-CPJ manda aplicar as mesmas regras do IC
para o PP, no que for pertinente (ou seja, no que não for expressamente diferente).

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


25 de atuação do Ministério Público
Aula 03 | Procedimento preparatório
E quanto às diferenças? Quais são? São
apenas duas: quanto ao prazo e quanto ao ato
de instauração. Vejamos!

1) Quanto ao prazo

No IC

Prazo: 1 ano prorrogável, comunicando-se ao Conselho Superior do Ministério Público (CSMP)


de duas formas:

„„ 1ª prorrogação (mais simples de cumprir): comunica ao CSMP informando número do


procedimento, objeto de investigação e o motivo da prorrogação (as diligências pendentes);

„„ 2ª prorrogação: além dos itens anteriores, tem de informar qual o número ordinal da
prorrogação (se a segunda, terceira, etc.) e os atos ministeriais já realizados no curso - até
então - e o que ainda está pendente (relatório).

No PP

O prazo é de 90 dias, prorrogável uma única vez (total 180 dias) sem necessidade de
comunicação ao CSMP.

2) Quanto à instauração

No IC

A instauração é feita por meio de portaria.

No PP

O ato de instauração, de acordo com a nossa resolução local, pode ser por despacho
fundamentado (art. 16. O procedimento preparatório, instaurado por despacho fundamentado,
deverá ser autuado com numeração sequencial própria e registrado em sistema eletrônico de
cadastro ou em livro próprio, denominado “Livro de Registro de Procedimentos Preparatórios”, em
que constará a data da autuação e registro, nome das partes interessadas e objeto).

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


26 de atuação do Ministério Público
Aula 03 | Procedimento preparatório
Tudo entendido? Agora, vejamos como se dá a finalização do PP.

Vencido o prazo, o membro do Ministério Público promoverá seu arquivamento, ajuizará a


respectiva ação civil pública ou o converterá em inquérito civil.

ATENÇÃO!

O arquivamento deve ser submetido à revisão do CSMP, a exemplo do que ocorre com o IC.

Bem pessoal, observamos, nesta aula, que entre o IC e o PP muitas são as semelhanças e que
as diferenças se dão em função das especificidades de cada um, de acordo com a necessidade de
verificação dos elementos relativos à investigação, em decorrência de como esses se apresentam.
Assim, precisamos avaliar a necessidade ou não de uma melhor apuração dos fatos para que se
possa ter consistência à instauração do IC.

Basicamente, entendemos que, se há elementos suficientes para a instauração do IC, ele já deve
ser providenciado sem a necessidade do PP, caso contrário, assume essencial importância a prévia
instauração do PP.

É isso, caro aluno!!

Estamos prontos, então, para a nossa próxima aula, em que trataremos sobre o procedimento
administrativo.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


27 de atuação do Ministério Público
Aula 03 | Procedimento preparatório
Procedimento administrativo

Aula

4
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO

O
lá pessoal! Vimos na aula anterior o procedimento preparatório (PP). Nesta, veremos o
procedimento administrativo (PA), também, observando a sua previsão legal, suas hipóteses
de aplicabilidade, suas características, seu prazo, arquivamento etc.

Enfim, vamos conhecer melhor esse procedimento!

A previsão legal, bem como as hipóteses de aplicabilidade do PA, encontram-se nos arts. 8º e 13
da Resolução nº 174/2017 CNMP e da Resolução nº 012/2018 CPJ, respectivamente, e apresentam
4 possibilidades. São elas:

1) o acompanhamento do cumprimento das cláusulas de Termo de Ajustamento de Conduta


celebrado.

„„ Após a celebração de TAC, via de regra, ele deverá ser fiscalizado no bojo de um PA, aberto
especificamente para tanto;

2) o acompanhamento e a fiscalização, de forma continuada, de políticas públicas ou de


instituições. Por exemplo: acompanhar a política pública de combate à dengue; fiscalizar as
eleições do Conselho Tutelar etc.;

3) a apuração de fato que enseje a tutela de interesses individuais indisponíveis. Por exemplo:
direito individual de criança, adolescente e idoso em situações de risco;

4) o embasamento de outras atividades não sujeitas a IC.

„„ Essa é uma cláusula genérica, como, por exemplo, de instauração de um PA para elaborar
e executar algum projeto de atuação.

ATENÇÃO!

O procedimento administrativo não tem caráter de investigação cível ou criminal de determinada


pessoa, em função de um ilícito específico. Via de regra, não é apuratório de irregularidade (somente
nos casos envolvendo violação de direito individual).

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


29 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Procedimento Administrativo
Caro aluno, e quanto à forma e ao prazo?

Você se lembra de que falamos a esse respeito, ao estudarmos sobre o IC?

Então, no procedimento administrativo, acontece de modo semelhante, pois o PA também é


instaurado mediante portaria sucinta, delimitando o objeto, com número sequencial e deve ser
registrada em livro ou sistema próprio.

O procedimento administrativo deverá ser concluído no prazo de um ano, podendo ser


sucessivamente prorrogado pelo mesmo período, desde que haja decisão fundamentada, à vista da
imprescindibilidade da realização de outros atos (nesse caso, deve comunicar ao Conselho Superior
do Ministério Público (CSMP) a prorrogação).

Enfim, passadas as fases ora apresentadas, vejamos quanto


ao arquivamento do PA.
Nos casos dos itens (1), (2) e (4), arquiva-se na própria promotoria de justiça sem necessidade
de remessa do procedimento para homologação ao CSMP, basta comunicar (por meio eletrônico)
que foi arquivado.

E você sabia que no caso do item (3), tem uma importante observação a ser feita?

Então, quando (e apenas nessa hipótese) versa sobre direitos individuais indisponíveis, deve-se
seguir procedimento idêntico ao do arquivamento da notícia de fato, como observamos em nossa
primeira aula.

Como se deve proceder? Vamos relembrar?

Em primeiro lugar, notifica-se o interessado e oportuniza-lhe


recurso no prazo de 10 (dez) dias. Daí, há duas possibilidades:

a) se não recorreu, arquiva-se na promotoria de justiça;

b) se recorreu, o(a) promotor(a) de justiça pode


reconsiderar, e caso não o faça, encaminha os autos
para o CSMP analisar a matéria.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


30 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Procedimento Administrativo
Se tiver outro interessado, ele também deve ser notificado para apresentar
facultativamente contrarrazões.

Caro aluno, podemos perceber, de acordo com o que estudamos em nossas aulas até este
momento, que o IC, o PP, e o PA têm muitas semelhanças entre si e poucas são as diferenças.
Obviamente, isso se dá em virtude de haver em cada um as especificidades, as finalidades, enfim as
características que lhes são inerentes e que justificam a pertinência da aplicabilidade em consonância
com a situação que se apresente à promotoria de justiça.

Vimos até aqui a NF, o IC, o PP e o PA. Assim, passemos para a próxima aula em que abordaremos
o procedimento investigatório criminal, o PIC.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


31 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Procedimento Administrativo
Procedimento investigatório
criminal

Aula

5
PROCEDIMENTO
INVESTIGATÓRIO CRIMINAL

C
ontinuando nossos estudos, veremos, nesta aula, o procedimento investigatório criminal
(PIC). A exemplo do que foi visto nas aulas anteriores, você terá nesta 5ª aula, que é a
última da 1ª unidade, as informações necessárias para um (re)conhecimento acerca do
procedimento investigatório criminal, o PIC, observando desde a sua previsão legal até o seu
arquivamento. Assim, é interessante, sobretudo, ter em mente que o aporte legal para o PIC podemos
encontrar na Resolução nº 181, de 7 de agosto de 2017, do CNMP, e na Resolução nº 08, de 21 de
novembro de 2009, do CPJ.

Contudo, caro aluno, antes de adentrar na compreensão acerca do PIC, é necessário que nos
lembremos de que a investigação criminal direta pelo Ministério Público foi alvo de acesa polêmica!

Quem não se lembra da tentativa de aprovação da famigerada PEC-37, que só não foi aprovada
em virtude de uma intensa mobilização popular? Hoje, a polêmica está superada. O Supremo Tribunal
Federal (STF) reconheceu o poder investigatório criminal do Ministério Público.

SAIBA MAIS

Veja mais sobre o assunto acessando aqui, matéria “Ministério Público pode promover investigações
criminais (diz STF)” publicada no portal Jusbrasil, por Luiz Flávio Gomes.

Esse reconhecimento por parte do STF constitui-se fator que reforça a justificativa de estudarmos
sobre o PIC. Passemos, então, ao conceito do PIC que se encontra logo no caput do art. 1º, da
Resolução nº 181, de 7 de agosto de 2017-CNMP:

Art. 1º O procedimento investigatório criminal é instrumento sumário e desburocratizado de


natureza administrativa e investigatória, instaurado e presidido pelo membro do Ministério
Público com atribuição criminal, e terá como finalidade apurar a ocorrência de infrações
penais de iniciativa pública, servindo como preparação e embasamento para o juízo de
propositura, ou não, da respectiva ação penal.
(Resolução 181/2017 com redação dada pela Resolução n° 183, de 24 de janeiro de 2018)

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


33 de atuação do Ministério Público
Aula 05 | Procedimento investigatório criminal
SAIBA MAIS

Ver artigo do promotor de justiça do MPRN Rodrigo Rodrigues Moreira, intitulado “A investigação
criminal direta pelo Ministério Público e o procedimento investigatório criminal”, que se encontra
anexo no ambiente virtual de aprendizagem.

Caro aluno, é importante entender que esse procedimento possui objeto amplo, uma vez que
trata da apuração de fato que pode ensejar ação penal pública e pode ser instaurado de ofício pelo
membro ou por provocação.

O PIC não é condição de procedibilidade para ajuizar ação penal, pois se o membro
recebeu elementos informativos que já tragam autoria e materialidade de crime, já
se pode formular a denúncia criminal – pela qual se inaugura a ação penal pública.

Vamos relembrar que, na aula 1, nós vimos a notícia de fato. Você pode, agora, verificar que
essa peça de informação também pode ensejar a instauração do PIC. Observe, caro cursista, que
na Resolução nº 181, de 7 de agosto de 2017-CNMP, encontram-se, também, estabelecidas as
possibilidades do recebimento de notícia de fato criminal.

Art. 2º Em poder de quaisquer peças de informação o membro do Ministério Público poderá:

I) promover a ação penal cabível;

II) instaurar procedimento investigatório criminal;

III) encaminhar as peças para o Juizado Especial Criminal, caso a infração seja de menor
potencial ofensivo;

IV) promover fundamentadamente o respectivo arquivamento;

V) requisitar a instauração de inquérito policial, indicando, sempre que possível, as


diligências necessárias à elucidação dos fatos, sem prejuízo daquelas que vierem a
ser realizadas por iniciativa da autoridade policial competente.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


34 de atuação do Ministério Público
Aula 05 | Procedimento investigatório criminal
Ao se reportar nesse dispositivo a “peças de informação”, o CNMP utiliza a
nomenclatura dada pelo Código de Processo Penal, o CPP, e equivale à notícia de fato.

ATENÇÃO!

Os prazos das NFs, atualmente, foram unificados, tanto cível como criminal, regra do 30 + 90 = 120 dias.

E quanto à distribuição do PIC, a sua forma e o seu prazo?


Vamos estudá-los?
Veja bem! No que se refere à distribuição do PIC é preciso assimilar que, mesmo a instauração
sendo de ofício, no caso em que haja promotorias de justiça concorrentes, a distribuição deve ocorrer
de modo aleatório.

Você sabe o que isso significa?

Isso significa que

„„ se houver apenas um promotor de justiça com atribuição criminal, então, o PIC será para ele!

„„ Caso exista mais de um promotor de justiça com essa atribuição, a distribuição será feita
aleatoriamente, salvo se já tiver algo tramitando com o mesmo objeto – hipótese de
prevenção.

E quanto à forma do PIC?

Vamos nos lembrar, mais uma vez, de aulas anteriores, a exemplo das aulas 3 e 4, em que
aprendemos mais sobre inquérito civil e procedimento administrativo? Então, esses apresentam,
dentre suas semelhanças, a instauração mediante portaria. Correto?

O PIC se assemelha a essas classes, por ser, também, instaurado por meio de portaria
fundamentada, delimitando o objeto, com número sequencial e registrada em livro próprio ou
sistema informatizado – como, por exemplo, no MPRN, onde trabalhamos com o sistema MP Virtual.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


35 de atuação do Ministério Público
Aula 05 | Procedimento investigatório criminal
E quanto ao prazo?

Bom, vejamos:

„„ o PIC deverá ser concluído no prazo de 90 (noventa) dias.

E você sabe se existe possibilidade de prorrogação desse prazo de 90 dias?

Isso é importante! Existe sim! São permitidas, por igual período, prorrogações sucessivas, por
decisão fundamentada do membro do Ministério Público responsável pela sua condução.

Nesse caso não deve comunicar ao Conselho Superior do Ministério Público (CSMP)
a prorrogação, pois o colegiado não tem atribuição criminal.

Bom pessoal, e para a finalização do PIC?

Vejamos que, para essa última etapa, deve ser realizado o ajuizamento de denúncia criminal ou
arquivamento, sempre EM JUÍZO!

ATENÇÃO!

Para o Ministério Público Estadual (MPE), a promoção de arquivamento devidamente fundamentada


será apresentada ao juízo competente, nos moldes do art. 28 do Código de Processo Penal.

Veja o que estabelece esse dispositivo.

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o


arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso
de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de
informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do
Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então
estará o juiz obrigado a atender.

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


36 de atuação do Ministério Público
Aula 05 | Procedimento investigatório criminal
SAIBA MAIS

Ver publicação do MPPR, Curitiba/2017 “Estudo comparativo anotado PIC: procedimento


investigatório criminal, Resolução 181/2017-CNMP”.

Ver artigo intitulado “Arquivamento do PIC instaurado e presidido pelo Ministério Público. Quem
deve homologar? ”, de João Gaspar Rodrigues.

A Resolução nº 181, de 7 de agosto de 2017, do CNMP, em seu art. 18, trouxe


uma grande novidade. Trata-se do acordo de não-persecução penal, que reforça o
protagonismo do Ministério Público como órgão investigatório, titular da ação penal
e legítimo representante dos interesses da sociedade, possibilitando uma alternativa
autocompositiva (pois o investigado tem que aceitar), mais célere e efetiva, diversa
do ajuizamento da ação penal. Sendo assim, em alguns crimes, o promotor de justiça
pode deixar de oferecer a ação penal desde que preenchidos alguns requisitos, caso
o investigado confesse a prática (do delito) e cumpra algumas condições impostas
pelo MP (que, após ser o acordo homologado em juízo, o cumprimento dessas
condições será fiscalizado pelo próprio Parquet).

SAIBA MAIS

Quanto a esse Acordo, é recomendada a leitura do didático artigo sobre o tema intitulado “Breves
considerações sobre o acordo de não persecução penal“, acessando aqui.

Ver também estudo completo do acordo de não persecução penal e o novo PIC, de Francisco Dirceu
Barros - PGJ do MPPE.

Caro aluno, nesta aula, aprendemos mais sobre o PIC, cumprindo a tarefa de (re)conhecimento
das classes taxonômicas, conforme previsto em nosso plano de curso. Pudemos, também, observar
uma novidade do CNMP que é o acordo de não-persecução penal, configurando o protagonismo do
Ministério Público em seu papel investigatório!

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


37 de atuação do Ministério Público
Aula 05 | Procedimento investigatório criminal
Assim, chegamos, com esta etapa, ao final da nossa 1ª unidade, em que tivemos 5 aulas e
estudamos as 5 classes taxonômicas: a notícia de fato, o inquérito civil, o procedimento preparatório,
procedimento administrativo, e, por fim, o procedimento investigatório criminal, aos quais nos
reportamos, no dia a dia pelas suas siglas, respectivamente: NF, PP, IC, PA, e PIC.

Observamos os seus aspectos característicos,


traçando entre elas as semelhanças e diferenças.
Compreendemos suas particularidades a exemplo da
previsão legal, de como e quando deve ser aplicada
cada uma delas (possibilidades com relação ao objeto
a ser investigado), das questões relativas às suas
distribuições, bem como aos prazos e formalidades
a serem cumpridos, ao seu arquivamento, às
possibilidades de se impetrar recursos, e a
necessidade ou não de envio ao Conselho Superior
do Ministério Público.

Pudemos verificar, também, a importância das indicações de diversos textos e vídeos, das
interações nos fóruns de discussão, enfim, da utilização de recursos que nos deram aporte,
complementando e enriquecendo nossa aprendizagem.

Reafirmamos a relevância deste estudo no desempenho de nossa atuação extrajudicial!

Com essa etapa cumprida, passemos à próxima unidade deste curso!

Vamos lá?

UNIDADE 1 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


38 de atuação do Ministério Público
Aula 05 | Procedimento investigatório criminal
UNIDADE 2
1

Instrumentos de atuação
Título da unidade
do Ministério Público
C
aro aluno, como vimos, na unidade anterior, as classes taxonômicas
são normatizadas! Nesta unidade, em que estudaremos alguns dos
instrumentos da atuação extrajudicial, veremos que esses instrumentos,
também, são regidos por normas específicas. Abordaremos nas próximas aulas
alguns deles, especialmente, os mais importantes e rotineiros nas Promotorias de
Justiça, a saber: requisições, audiências, recomendações e termos de ajustamento
de conduta.

Vamos juntos compreender melhor suas características fundamentais e


respectivas finalidades?

40
Requisição Ministerial

Aula

1
REQUISIÇÃO MINISTERIAL

D
entre os instrumentos que iremos estudar, vamos iniciar com a requisição ministerial.
Abordaremos acerca da sua previsão legal, da natureza jurídica e do seu conceito, do
prazo, como também das consequências jurídicas do seu não cumprimento. Aos estudos!!

Quanto à previsão legal, destacamos que várias normas preveem a figura da requisição pelo
Ministério Público. É interessante observarmos, por exemplo, que esse instrumento se encontra na
nossa Carta Magna/88, art. 129, VI, da CF/88; na Lei da Ação Civil Pública – Lei nº 7.374, de 24 de
julho de 1985, no art. 8º, em seu § 1º; na Lei nº 8.625, de 12 de fevereiro de 1993 – Lei Orgânica
Nacional ; e a LCE 141/96 –Lei Orgânica Estadual; como também na Resolução nº 181, de 7 de
agosto de 2017, do CNMP e Resolução nº 012, de 24 de outubro de 2018-CPJ-RN.

Quanto ao conceito de requisição, já parou para pensar


sobre ele?
Vejamos, a requisição é assim conceituada: é uma ordem legal de uma autoridade administrativa
(membro do Ministério Público)!

E quanto à sua natureza jurídica?

Bom, vamos entender mais um pouco a partir do que nos afirma Hugo Nigro Mazzilli, em sua
obra A defesa dos interesses difusos em juízo.

Nos procedimentos a seu cargo, o membro do Ministério Público pode também expedir
requisições. Entre outras finalidades, a requisição pode consistir em ordem legal de realização
de diligências ou apresentação de documentos ou informações por parte do destinatário
à autoridade competente. Algumas notificações só podem ser encaminhadas pelo próprio
procurador-geral, quando tiverem como destinatário o governador do Estado, os membros do
Poder Legislativo estadual e os desembargadores. As requisições ministeriais serão cumpridas
gratuitamente e também supõem prazo mínimo razoável para atendimento, que dependerá
de circunstâncias concretas. (MAZZILLI, 2013, p. 479).

Mas afinal, o que se pode requisitar?

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


42 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Requisição Ministerial
O poder requisitório é amplo, podem ser requisitados documentos, certidões, perícias,
informações, instauração de inquérito policial, instauração de sindicâncias, etc.

SAIBA MAIS

Para saber mais sobre o poder requisitório e o que pode ser requisitado, vale observar o disposto
no art. 34, da Resolução 012/2018-CPJ.

É o seguinte:
E no que geralmente, de
se refere dez dias úteis
aos
prazos?

Mas pode
haver Pode, sim! E quem
prorrogação? decide é o
E se for promotor ou
possível promotora de
quem decide a justiça.
esse
respeito?

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


43 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Requisição Ministerial
Todavia, em casos graves e urgentes, desde que devidamente justificado, pode ser
assinalado prazo menor (exemplo: em caso de um gasto público iminente – que está
para ocorrer nos próximos dias - visivelmente ilegal, pode o(a) Promotor(a) requisitar
alguma informação com prazo menor) – ou maior, a depender da complexidade
(exemplo: uma perícia em que não há condições de ser realizada em 10 dias).

Você se lembra de que, no início desta aula, falamos em consequências jurídicas, decorrentes
do descumprimento da requisição? Então, vamos ver quais são e onde encontramos as diretrizes
nessa situação.

Veja bem! As consequências são diversas, podem configurar crime de desobediência (art. 330 do
Código Penal, “Desobedecer a ordem legal de funcionário público:[...]”; ou o crime disposto no art. 10
da Lei da Ação Civil Pública (quando os dados técnicos omitidos ou retardados forem considerados
indispensáveis para a propositura da ação civil pública); pode até configurar ato de improbidade
administrativa, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o STJ.

Vejamos o que está na jurispridência!

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ART. 535


DO CPC. INOCORRÊNCIA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
AMBIENTAL. (OITO) OFÍCIOS ENVIADOS PELO MPF A FIM DE
INSTRUIR INQUÉRITO CIVIL COM OBJETIVO DE PROPOSITURA
DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA CONTENÇÃO DE DEGRADAÇÃO
AMBIENTAL. SILÊNCIO INJUSTIFICADO (PELA DEMORA DE TRÊS
ANOS) DA PARTE RECORRIDA. ELEMENTO SUBJETIVO DOLOSO.
CARACTERIZAÇÃO. ART. 11 DA LEI N. 8.429/92. INCIDÊNCIA.
(STJ. REsp 1116964/PI - Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES -

SEGUNDA TURMA - julgado em 15/03/2011 - DJe 02/05/2011).

É também válido lembrar que se aplica-se, ainda, no caso de um ilícito administrativo, por
exemplo, em que o servidor público responder a um processo administrativo disciplinar (PAD) pelo
descumprimento da ordem, via sua Corregedoria ou setor responsável.

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


44 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Requisição Ministerial
A requisição é expedida dentro de um procedimento (via de regra, uma das classes
taxonômicas, com exceção da notícia de fato que não é procedimento investigatório
propriamente dito ou, ainda, em um inquérito policial, haja vista a previsão e o poder
requisitório expresso no CPP); geralmente, a requisição é formalizada por meio de
um ofício.

SAIBA MAIS

Antes de concluir, vamos revisar um pouco sobre o inquérito civil e estudar mais detidamete o
poder de requisição ministerial lendo o seguinte artigo: “Técnicas adequadas à litigiosidade coletiva
e repetitiva”, de Bruno Chounj Cunha de Lima.

Veja também o informativo 334 – Poder de requisição do Ministério Público do MPRN.

Caro aluno, realizada essa abordagem sobre requisição ministerial, passemos à aula 2, em que
estudaremos mais um instrumento da atuação extrajudicial que é a audiência.

Avante!

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


45 de atuação do Ministério Público
Aula 01 | Requisição Ministerial
Audiência extrajudicial

Aula

2
AUDIÊNCIA EXTRAJUDICIAL

A
pós estudarmos sobre a requisição ministerial, vamos, agora, entender melhor sobre
audiência extrajudicial, observando quando teremos audência ou reunião ministerial e
quando se faz necessária a audiência pública.

Você já observou que é muito comum,


no bojo de um procedimento
investigatório, que o membro do MP
tenha que designar uma audiência, seja
para ouvir uma pessoa, seja para
colher informações, ou para tentar
Então, teremos,
viabilizar um acordo, etc.?
basicamente, dois
tipos de audiências
extrajudiciais:

a) audiência ou reun
ião
ministerial; e

b) a audiência públ
ica.

E o que significa
cada uma delas?
Qual a diferença
entre ambas?

É o que
veremos a
seguir! Vamos
lá!

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


47 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Audiência extrajudicial
Audiência ou reunião ministerial

A audiência ou reunião ministerial, geralmente, é realizada no próprio gabinete da promotoria


e serve para a oitiva de pessoas determinadas pelo membro, como testemunhas, vítimas,
representantes de instituições, ou para tentativa de alguma solução autocompositiva (celebração
de um TAC, por exemplo).

E você sabe como fazer para o comparecimento das pessoas à oitiva? Veja: normalmente, são
expedidas notificações, conforme disciplina o art. 32 da Resolução nº 012, de 24 de outubro de
2018-CPJ-RN, para comparecimento ao ato. E nesse procedimento o(a) promotor(a) de justiça deve
deixar delimitado quem ele(a) deseja que compareça ao local da oitiva.

Sempre é necessário formalizar o ato, redigindo, por exemplo, um termo, ou uma ata, ou uma
memória da audiência ou reunião. Nessa peça, devem constar as seguintes informações:

„„ os presentes;

„„ o local, a data e o horário;

„„ o objeto da audiência;

„„ o resumo das declarações das pessoas; e

„„ os encaminhamentos ou as deliberações resultantes.

Audiência pública

E a audiência Pública? O que tem de especificidade? Do que estamos falando? Bom, vale destacar
que a audiência pública tem normativa própria, e exemplo do que estabelece a Resolução 012/2018-
CPJ, constante dos arts. 50 a 55.

Vejamos o teor do art. 50 da Resolução 012/2018-CPJ.

Compete aos Órgãos do Ministério Público, nos limites de suas respectivas atribuições,
promover audiências públicas para auxiliar nos procedimentos sob sua responsabilidade, na
identificação de demandas sociais que exijam a instauração de procedimento, para elaboração
e execução de Planos de Ação e Projetos Estratégicos Institucionais ou para prestação de
contas de atividades desenvolvidas.

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


48 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Audiência extrajudicial
Como o próprio nome já diz, a audiência é pública, aberta à sociedade civil, às instituições, etc.,
todavia podem ser expedidas regras para o bom andamento dos trabalhos, quais sejam:

„„ estabelecer limite para quantidade de inscritos – sendo recomendável a expedição de edital prévio
nesse sentido;

„„ designar que a audiência deve ser presidida pelo membro ministerial;

„„ elaborar ata a ser arquivada em pasta própria na promotoria de justiça e encaminhar cópia
ao procurador-geral de justiça; e

„„ deve ser finalizada a audiência, com a elaboração de relatório e os devidos encaminhamentos.

ATENÇÃO!

A audiência pública, como a audiência extrajudicial, tem natureza instrutória, não vinculando o(a)
promotor(a) de justiça às opiniões dominantes na oportunidade da realização do ato público. É
apenas mais um elemento de informações que será confrontado com outros produzidos ao longo
do procedimento para formar o convencimento do membro do Ministério Público.

A audiência pública é um importante mecanismo que garante a participação popular


na discussão e solução de assuntos de interesse público.

Agora que observamos aspectos sobre a audiência extrajudicial, passemos à aula 3, em que
vamos abordar mais um instrumento que é a recomendação.

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


49 de atuação do Ministério Público
Aula 02 | Audiência extrajudicial
Recomendação

Aula

3
RECOMENDAÇÃO

C
aro aluno! Na aula anterior, fizemos uma abordagem sobre o que é audiência extrajudicial e
quais as suas características. Nesta aula, vamos estudar sobre outro instrumento de atuação
ministerial que é a recomendação!

Vejamos que também esse instrumento tem previsão em lei e em resoluções já conhecidas
nossas. São elas:

„„ Lei Federal nº 8.625, de 12 de fevereiro de 1993 – Lei Orgânica Nacional, no seu art. 27,
parágrafo único, inciso IV;

„„ Resolução nº 164, de 28 de março de 2017, do CNMP; e

„„ Resolução nº 012, de 24 de outubro de 2018-CPJ-RN.

Na Resolução nº 164/2017, do CNMP, logo em seu art. 1º, caput, encontramos o conceito e as
características desse instrumento. Vejamos:

Art. 1º A recomendação é instrumento de atuação extrajudicial do Ministério Público por


intermédio do qual este expõe, em ato formal, razões fáticas e jurídicas sobre determinada
questão, com o objetivo de persuadir o destinatário a praticar ou deixar de praticar
determinados atos em benefício da melhoria dos serviços públicos e de relevância pública
ou do respeito aos interesses, direitos e bens defendidos pela instituição, atuando, assim,
como instrumento de prevenção de responsabilidades ou correção de condutas.

Você sabe o que deve constar da recomendação? Observemos que, para realizar uma
recomendação, é necessário que o Ministério Público tenha um posicionamento sobre determinada
situação fática, portanto, nesse instrumento, o órgão ministerial deve emitir esse posicionamento.

A recomendação deve:

„„ ser sempre bem fundamentada pelo(a) promotor(a) de justiça;

„„ externar uma orientação clara (comando no sentido de fazer algo ou deixar de fazer).

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


51 de atuação do Ministério Público
Aula 03 | Recomendação
A recomendação tem
caráter persuasivo e
não coercitivo.

Caro aluno, é necessário saber e observar que:

„„ a recomendação pode ser expedida nos autos de Procedimento Preparatório, Inquérito Civil
e de Procedimento Administrativo.

„„ sendo cabível a recomendação, essa deve ser manejada anterior e preferencialmente à ação
judicial.

„„ a recomendação é instrumento importantíssimo para fins de arquivamento resolutivo!

Muitas vezes a recomendação é cumprida pelo destinatário, sendo sanada uma


irregularidade, acarretando a perda do objeto do procedimento e seu arquivamento
diante da solução do problema.

A recomendação é instrumento importantíssimo diante de possíveis irregularidades! Serve, por


exemplo, para fixar o dolo do agente (ex: pode servir para demonstrar o dolo necessário para
caracterizar uma improbidade administrativa, para fins de responsabilização via ação judicial.)

A recomendação ainda deve:

„„ sempre fixar prazo. Resolução fala em prazo razoável (salvo situações de urgência,
devidamente justificadas, é recomendável que o prazo mínimo seja 10 dias);

„„ sempre informar que, no caso de descumprimento, serão adotadas as medidas extrajudiciais


e judiciais cabíveis.

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


52 de atuação do Ministério Público
Aula 03 | Recomendação
Efetivamente, devem-se adotar as medidas extrajudiciais e judiciais cabíveis, pois
a recomendação ministerial é ato persuasivo e solene, não pode ser um “mero
conselho” sem consequências.

E, finalmente, via de regra, a recomendação deve ser publicada no Diário Oficial do Estado
(DOE) para conhecimento público (salvo se sigilosa) e encaminhada ao(s) destinatário(s) para fins de
conhecimento pessoal e adoção das respectivas providências assinaladas pelo membro.

SAIBA MAIS

“A recomendação ministerial como possível instrumento de delimitação do dolo de improbidade


administrativa”, de Thiago André Pierobom de Ávila. Diponível aqui.

“Breves comentários à recomendação ministerial disciplinada pela Resolução n. 164, de 28.03.2017


do CNMP”, de Maria Eduarda Andrade e Silva. Diponível aqui.

Vimos, nesta aula, aspectos de mais um instrumento de atuação ministerial, com isso
(re)conhecendo melhor o conceito e as características inerentes a uma recomendação.

Assim, passemos a nossa próxima aula!

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


53 de atuação do Ministério Público
Aula 03 | Recomendação
Termo de ajustamento
de conduta

Aula

4
TERMO DE AJUSTAMENTO
DE CONDUTA

C
aro aluno, chegamos à 4ª aula desta unidade, que representa a aula final do nosso curso.
Neste momento, vamos estudar sobre o compromisso de ajustamento de conduta, que por
ser instrumentalizado em um termo, passou a ser conhecido como TAC. Veremos qual a
sua previsão legal, natureza jurídica, o seu conceito e as características inerentes a esse instrumento
de atuação extrajudicial.

Vamos aos estudos?

A Lei da Ação Civil Pública, em seu art. 5º, § 6°, estabelece: “Os órgãos públicos legitimados
poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais,
mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial”.

E vale lembrar que também esse é o disciplinamento encontrado na Resolução nº 012, de 24


de outubro de 2018-CPJ-RN, em seu arts. 69 e 71).

No que se refere à natureza jurídica do TAC, destacamos que se trata de título executivo
extrajudicial formado a partir do negócio jurídico celebrado entre o MP (ou outra instituição pública)
e a pessoa ou entidade que está se obrigando ao seu cumprimento.

Você já parou para pensar o quanto são sérios e relevantes os acordos


firmados nesse termo?

O TAC é importantíssimo mecanismo autocompositivo de


solução de conflitos coletivos!

O Termo de Ajustamento de Conduta é conceituado, no que


interessa ao Ministério Público, como sendo instrumento de garantia
dos direitos e interesses difusos e coletivos, individuais homogêneos e
outros direitos de cuja defesa está incumbido o Ministério Público, com
natureza de negócio jurídico que tem por finalidade a adequação da
conduta às exigências legais e constitucionais, com eficácia de título
executivo extrajudicial a partir da celebração.

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


55 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Termo de ajustamento de conduta
A exemplo de como verificamos as características da recomendação, observemos com bastante
atenção os dados que são imprescindíveis de serem compreendidos para a aplicabilidade do TAC.

O TAC pode ser celebrado nos autos de IC, PP, PA ou até depois de ajuizada ação.

Importante!!! Não se pode celebrar TAC em Notícia de Fato!!

MP não é o titular do direito (e sim a sociedade), razão pela qual não pode fazer concessões
que impliquem renúncia aos direitos, limitando-se a negociar a interpretação do direito para o
caso concreto, a especificação das obrigações adequadas e, em especial, o modo, tempo e lugar de
cumprimento, bem como a mitigação, a compensação e a indenização dos danos que não possam
ser recuperados (não pode haver renúncia de direitos pelo MP).

Nos dias de hoje, é expressamente permitido, conforme art. 69, § 2º da Resolução 012/2018-CPJ,
celebrar TAC até em casos de improbidade administrativa, desde que cumpridas determinadas condições.

SAIBA MAIS

Ver o texto “Solução extrajudicial de conflitos na proteção do patrimônio público e da improbidade


administrativa”, de Cláudio Smirne Diniz; Eduardo Cambi.

Vejamos no que se refere ao TAC que:

„„ após sua celebração, deve ser publicado no Diário Oficial do Estado, o DOE, e encaminhado
ao CSMP em até três dias;

„„ é recomendável que arquive o procedimento em que foi celebrado, que seja remetido ao
CSMP para homologação e proceda-se à fiscalização em outro procedimento (PA aberto
com esse objeto específico);

„„ há a possibilidade de ser firmado conjuntamente por mais de um ramo do MP (exemplo


MPE e MPT);

„„ deve-se verificar a correta representação das pessoas que estão assumindo a obrigação (se
empresa pelo representante legal, se órgão público pelo gestor, etc.).

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


56 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Termo de ajustamento de conduta
É essencial ter muito cuidado para não permitir que o TAC seja assinado somente
por secretário de governo, pois este não é representante legal de ente federativo!

ATENÇÃO!

Especificar corretamente o objeto do acordo celebrado, prazos certos e razoáveis ao cumprimento


e sempre com a previsão de multa para caso de descumprimento.

PARA REFLETIR

O que você faria se o representante do órgão público dissesse que somente não assinaria o
TAC por causa da imposição de multa?

Convido você para discutirmos essa questão em nosso próximo fórum, conforme a programação
deste curso!

Caro aluno, os instrumentos ora abordados são apenas


alguns dos mais rotineiros na atuação do(a) promotor(a) de
justiça, no Ministério Público.

Isso mesmo! Existem outros tantos, como as inspeções e


outras diligências, que inclusive têm previsão na Resolução
nº 012/2018, em seus arts. 41 e 42, como na hipótese de o(a)
promotor(a) de justiça fazer uma inspeção em algum local,
solicitação de diligências a outros órgãos de apoio do MP,
como ao Grupo de Apoio Especializado no Combate ao Crime
Organizado (GAECO), aos Centros de Apoio Operacional às
promotorias de Justiça (CAOPs), etc.

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


57 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Termo de ajustamento de conduta
SAIBA MAIS

Para vermos um pouco mais, vamos observar o material complementar indicado a seguir

„„ “Inquérito civil e compromisso de ajustamento de conduta”, de José Maria Tesheiner e Sabrina Pezzi.

„„ “A responsabilidade do inquérito civil na tutela do meio ambiente”, de Cláudia Daniela Behrens.

„„ “Compromisso de ajustamento de conduta: solução para o problema da queima de palha


de cana de açúcar”, de Nelson Nery júnior.

Caro aluno, com os estudos sobre o termo de ajustamento de conduta, configurado dentre o
rol dos instrumentos mais utilizados cotidianamente no Ministério Público, chegamos ao final das
aulas propostas neste curso!

Mas...

Faz-se de suma relevância agregar aos nossos conhecimentos a leitura do paradigmático


documento denominado Carta de Brasília, para a apurada compreensão dos valores e das diretrizes
que nesse documentos estão inseridos. Destacamos, ainda, que se trata de grande acordo de
resultados firmado pela Corregedoria Nacional e todas as Corregedorias dos MPs, Brasil afora,
visando à valorização e consolidação da atuação extrajudicial do MP.

Nessa perspectiva de leitura mais aguçada, nós indicamos, sobretudo, por considerar os objetivos
propostos neste curso, uma atenção especial ao conteúdo da parte 2 que trata das diretrizes
referentes aos membros do Ministério Público.

Esclarecemos, de acordo com o Conselho Nacional do Ministério Público, que

A Carta de Brasília é um acordo de resultados firmado entre a Corregedoria Nacional e


as Corregedorias das unidades do Ministério Público. O documento, aprovado durante
o 7º Congresso Brasileiro de Gestão, em setembro de 2016, explicita premissas para a
concretização do compromisso institucional de gestão e atuação voltadas à atuação
resolutiva, em busca de resultados de transformação social, prevendo diretrizes estruturantes
do MP, de atuação funcional de membros e relativas às atividades de avaliação, orientação
e fiscalização dos órgãos correicionais.
(Disponível em: <http://www.cnmp.mp.br/portal/institucional/

corregedoria/carta-de-brasilia>. Acesso em: 20 set.2018)

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


58 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Termo de ajustamento de conduta
Quanto à Carta de Brasília, ressaltamos, também, a valorosa participação do Promotor de Justiça
do MPRN, e também autor deste curso, Mariano Paganini Lauria, na construção desse documento,
quando esteve na Corregedoria Nacional.

Vale lembrarmos que o conteúdo deste material didático tem interface com todos os demais
recursos tecnológicos inseridos para este curso, na plataforma do ambiente virtual de aprendizagem,
cuja interação enriquece e consolida o (des)envolvimento do conhecimento adquirido e compartilhado
que muito contribui para o trabalho desempenhado cotidianamente.

Por fim, esperamos que essa experiência represente não o ponto final dos estudos, mas um ponto
de partida instigador na busca de novos saberes, de atualizações do conhecimento; que represente
um até breve na retomada desse material, revendo os pontos aqui abordados e aprofundando
ainda mais a aprendizagem ora fomentada. Almejamos o bom proveito da bibliografia utilizada; dos
recursos indicados em itens como o Saiba Mais; das discussões realizadas nos fóruns; dos vídeos
disponibilizados; da dos personagens criados e das cenas em quadrinhos e animações, e, ainda,
dos testes em forma de quiz.

Itens esses que nos propiciaram ludicidade, como também leveza na apresentação do conteúdo,
que ao se utilizar da escrita, de cores, imagens e sons instigam os nossos sentidos auditivos e
visuais, contribuindo na apreensão do (re)conhecimento sobre os Procedimentos Extrajudiciais
e Instrumentos de Atuação do Ministério Público, impactando positivamente no servir diário
da atividade finalística do Ministério Público.

Nosso agradecimento a todos e todas por juntos realizarmos esse percurso no intercâmbio de
conhecimentos, cujo resultado reverbera nas ações em prol da sociedade!

UNIDADE 2 Procedimentos extrajudiciais e instrumentos


59 de atuação do Ministério Público
Aula 04 | Termo de ajustamento de conduta
REFERÊNCIAS

BARROS, Francisco Dirceu; ROMANIUC, Jefson. Estudo completo do acordo de não-persecução


penal e o novo procedimento investigatório criminal (Parte I). In: GEN Jurídico: São Paulo, 2017.
Disponível em: <https://genjuridico.jusbrasil.com.br/artigos/498150432/estudo-completo-do-
acordo-de-nao-persecucao-penal-e-o-novo-procedimento-investigatorio-criminal-parte-i>.
Acesso em: 12 nov. 2018.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: [s.n], 1988. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 05
nov. 2018.

BRASIL. Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 . Código Penal. Diário Oficial da União,
Brasília, 31 dez. 1940 . Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/
Del2848compilado.htm>. Acesso em: 05 nov. 2018.

BRASIL. Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Diário Oficial da
União, Brasília, 13 out. 1941. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/
Del3689.htm>. Acesso em: 05 nov. 2018.

BRASIL. Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por
danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético,
histórico, turístico e paisagístico (VETADO) e dá outras providências. Diário Oficial da União,
Brasília, 25 jul. 1985. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7347orig.
htm>. Acesso em: 31 out. 2018.

BRASIL. Lei nº 8.625, de 12 de fevereiro de 1993. Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério
Público, dispõe sobre normas gerais para a organização do Ministério Público dos Estados e dá
outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 15 fev. 1993. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8625.htm>. Acesso em: 31 out. 2018.

BRASIL. Lei complementar nº 75, de 20 de maio de 1993. Dispõe sobre a organização, as


atribuições e o estatuto do Ministério Público da União. Diário Oficial da União, Brasília, 21 maio
1993. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp75.htm>. Acesso em:
31 out. 2018.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. REsp 1116964/PI - Rel. Ministro Mauro Campbell Marques -
segunda turma - julgado em 15/03/2011 - dje 02/05/2011.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Carta de Brasília. Brasília, 22 set. 2016.


Disponível em: <http://www.cnmp.mp.br/portal/images/Carta_de_Bras%C3%ADlia-2.pdf>.
Acesso em: 12 nov. 2018.

60
CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Resolução nº 23, de 17 setembro de 2007. Diário
da Justiça, Seção 1, edição de 07/11/2007. Disponível em: <http://www.cnmp.mp.br/portal/
images/Resolucoes/Resoluo-0231.pdf>. Acesso em: 31 out. 2018.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Resolução nº 126, de 29 de julho de 2015. Diário


Oficial da União, Seção 1, edição de 19/08/2015. Disponível em: <http://www.cnmp.mp.br/
portal/images/Resolucoes/Resolu%C3%A7%C3%A3o-126.pdf>. Acesso em: 31 out. 2018.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Resolução nº 161, de 23 fevereiro de 2017. Diário


Eletrônico do CNMP, Caderno Processual, p. 2-3, edição de 09/03/2017. Disponível em: <http://
www.cnmp.mp.br/portal/images/Resolucoes/Resolu%C3%A7%C3%A3o-161.pdf>. Acesso em:
31 out. 2018.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Resolução n° 164, de 28 de março de 2017.


Diário Eletrônico do CNMP, Caderno Processual, p. 15-18, edição de 19/04/2017 . Disponível em:
<http://www.cnmp.mp.br/portal/atos-e-normas/norma/4884/>. Acesso em: 06 nov. 2018.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Resolução nº 174, de 4 de julho de 2017. Diário


Eletrônico do CNMP, Caderno Processual, p. 3-5, edição de 21/07/2017. Disponível em: <http://
www.cnmp.mp.br/portal/images/Resolucoes/Resoluo-174-1.pdf>. Acesso em: 31 out. 2018.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Resolução nº 181, de 7 de agosto de 2017. Diário


Eletrônico do CNMP, Caderno Processual, edição de 08/09/2017 . Disponível em: <http://www.
cnmp.mp.br/portal/atos-e-normas/norma/5277>. Acesso em: 05 nov. 2018.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. RESOLUÇÃO Nº 183, DE 24 DE JANEIRO DE 2018.


Diário Eletrônico do CNMP, Caderno Processual, edição de 30/01/2018 . Disponível em: <http://
www.cnmp.mp.br/portal/atos-e-normas/norma/5586/>. Acesso em: 05 nov. 2018.

FRANCO JUNIOR, Raul de Mello. O inquérito civil e a tutela do meio ambiente. In: Revista de
Direito do Iap, Recife, v. 1, n. 1, p.159-174, jan. 2016. Disponível em: <http://www.indexlaw.org/
index.php/revistadireitoiap/article/view/1738/2270>. Acesso em: 07 nov. 2018.

MAZZILLI, Hugo Nigro. A defesa dos interesses difusos em juízo. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

MAZZILLI, Hugo Nigro. Conceito de inquérito civil para Hugo Nigro Mazzilli. 2012. (10m02s). Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=T7eNTFT74MM&t=51s>. Acesso em: 31 out. 2018.

MAZZILLI, Hugo Nigro. Origens do inquérito civil - aula do Prof. Hugo Nigro Mazzilli. 2012.
(15m18s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jAXWdseYBSY>. Acesso em:
31 out. 2018.

61
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Conselho Superior do Ministério
Público. Inquérito Civil nº MPMG-0394.09.000043-8, de 20 de fevereiro de 2015. Diário
Oficial Eletrônico do Ministério Público de Minas Gerais, edição de 28/01/2015.
Disponível em: <https://www.mpmg.mp.br/lumis/portal/file/fileDownload.
jsp?fileId=8A91CFA94C47F0E4014C5CC4E31A6C28>. Acesso em: 07 nov. 2018.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE. Colégio de Procuradores de


Justiça. Resolução nº 008, de 21 de novembro de 2009. Diário Oficial do Estado do Rio Grande
do Norte, edição de 21/11/2009. Disponível em: <http://www.mprn.mp.br/intranet/cpj/
files/resolucao/Resolução nº 008.2009-CPJ - Instauração e tramitação de Procedimento
Investigatório Criminal - Alterado pela Res. nº 014-2017-CPJ.doc>. Acesso em: 06 nov. 2018.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE. Colégio de Procuradores de


Justiça. Resolução nº 012, de 24 de outubro de 2018. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do
Norte, n° 14.280, edição de 24/10/2018. Disponível em: <http://www.mprn.mp.br/intranet/
cpj/files/resolucao/Resolu%C3%A7%C3%A3o%20n%C2%BA%20012-2018%20-%20CPJ.pdf>.
Acesso em: 31 out. 2018.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE. Lei complementar n° 141, de 09


de fevereiro de 1996 . Dispõe sobre a Lei Orgânica e Estatuto do Ministério Público do Estado do
Rio Grande do Norte. Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte, edição de 09 fev. 1996.
Disponível em: <https://www.mprn.mp.br/portal/inicio/servicos/legislacao/lei-organica>.
Acesso em: 06 nov. 2018.

PEREIRA, Arion Rolim. Os instrumentos extrajudiciais na atuação resolutiva dos membros


do Ministério Público. 2017. (9m16s). Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=GqXDLScrvmA>. Acesso em: 05 nov. 2018.

SILVA, Francisco das Chagas da; MENDOÇA, Maria Lírida Calou de Araújo e; DEOCLECIANO, Pedro
Rafael Malveira. O instituto do inquérito civil visto como forma e meio importante para pacificar as
demandas coletivas e a discussão de seu devido processo constitucional. In: Revista Expressão
Católica, Quixadá, v. 2, n. 2, p.47-55, jul. 2013. Disponível em: <http://publicacoesacademicas.
unicatolicaquixada.edu.br/index.php/rec/article/view/1329>. Acesso em: 07 jan. 2018.

62
SOBRE OS AUTORES

Mariano Paganini Lauria


Mestrado em Direito Constitucional – linha de pesquisa em Direitos e Garantias
fundamentais – na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Especialização
em Direito Público pela Fundação Escola Superior do Ministério Público do
Rio Grande do Sul. Graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Promotor de Justiça do Ministério
Público do Estado do Rio Grande do Norte; Ex-Membro Auxiliar da Corregedoria
Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público; Palestrante em diversos eventos, notadamente de atuação
e aperfeiçoamento para membros e servidores do Ministério Público; Autor de artigos em periódicos, capítulos
em obras coletivas, entre as quais: Leis Penais Especiais Comentadas Artigo por Artigo, pela editora Juspodium (2018).

Marcus Aurélio de Freitas Barros


Coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CAEF)/
Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN). Promotor de
Justiça do MPRN. Secretário Executivo do Colegiado de Diretores da Escola do
Ministério Público (CDEMP). Doutorando em Direito, Sociedade e Estado pela
Universidad del Paes Vasco – ES. Mestre em Direito pela Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN). Professor da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte. Atua, principalmente, nos temas: Neoconstitucionalismo, Políticas Públicas, Controle Judicial.
Palestrante, autor de artigos jurídicos. Autor do livro: “Controle judicial de políticas públicas: parâmetros,
objetivos e tutela coletiva”.

Nouraide Queiroz
Assessora Técnica de Editoração do MPRN; Doutoranda em Estudos da
Linguagem – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Estágio
sanduíche – doutorado – Universidade de São Paulo (USP); Membro do grupo
Análise Textual dos Discursos (ATD) – PPGEL/UFRN, com ênfase nos estudos
linguísticos do Discurso Jurídico; Mestre em Literatura comparada – UFRN;
Graduada em Letras, com Licenciatura em Língua Francesa e Literaturas – UFRN;
Especialista em Língua Portuguesa, Texto, Gramática e Discurso – UFRN; Especialista em Gestão Pública para
o Ministério Público; Artigos publicados em livros e periódicos; Estudos realizados na área de produção e
interpretação textual; trabalhos com tecnologias assistivas no campo de acessibilidade visual – UFRN; produção
de materiais didáticos para o ensino a distância; trabalhos de tradução francês/português, com publicações;
revisão de textos: livros, periódicos, artigos, teses, dissertações, monografias; revisão tipográfica; editoração.

63
Este livro foi produzido pela
Coordenadoria de Produção de
Materiais Didáticos da Secretaria de
Educação a Distância da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte.
ISBN 978-85-7064-058-1

Você também pode gostar