0% acharam este documento útil (0 voto)
38 visualizações11 páginas

Modelo de Apelação Criminal

Enviado por

rosane.souza
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
38 visualizações11 páginas

Modelo de Apelação Criminal

Enviado por

rosane.souza
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

AO JUÍZO DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE _ – ESTADO DO

___

Autos sob o nº: ___________

FULANO DE TAL, devidamente qualificado nos presentes autos, por intermédio de


seu defensor dativo, vêm respeitosamente, perante Vossa Excelência, inconformado
com a respeitável Sentença de seq. xxxx, que o condenou nas sanções penais
descritas no artigo 155, § 1º e 4º, incisos I e IV, do Código Penal, e com fundamento
no art. 593, inciso I, do Código de Processo Penal, interpor RECURSO DE
APELAÇÃO, requerendo seja ele recebido, com as inclusas razões recursais, e após
ouvido o representante do Ministério Público, sejam os presentes autos remetidos ao
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do __, para a devida apreciação.

Nestes termos, pede deferimento.

___, _ de __ de 2021.

ADVOGADO

OAB/, Nº__.

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO _

RAZÕES DE APELAÇÃO

Apelante: Fulano de tal

Apelado: a Justiça Pública

Autos sob o nº: xxxxxxxxxxxxxxxxxx

Origem: Vara Criminal da Comarca de _

Egrégio Tribunal;
Colenda Turma;

Ínclitos Julgadores:

Merece ser reformada a respeitável Sentença recorrida, em razão da correta


apreciação das questões de fato e de direito, conforme restará demonstrado ao final.

DO RELATÓRIO:
O Ministério Público da Comarca de __, no dia 25 (vinte e cinco) de outubro de 2017,
ofereceu denúncia contra os apelante, por, em tese, ter cometido o crime descrito no
artigo 155, “caput”, c/c o seu § 4º, incisos I e IV, do Código Penal.

Consta dos presentes autos que, no dia 16 (dezesseis) de outubro de 2017, por volta
das 22h00min, o apelante FULANO DE TAL, de comum acordo com CICLANO DE
TAL, furtaram diversos itens do estabelecimento comercial “Mercado fuleiro”,
localizado na Avenida brasil, nº 01, na cidade de __, arrombando a porta do local.

Por conta da denúncia oferecida, o MM. Juiz desta Comarca recebeu a exordial
acusatória no dia 03 (três) de novembro de 2017, determinando a citação deles para
apresentar defesa da acusação que lhe foram imputadas.

Ambos foram regularmente citados, e apresentaram Resposta a Acusação.

Em Audiência de Instrução e Julgamento, foram ouvidas 04 (quatro) testemunhas; e


depois, realizado o interrogatório dos Réus.

Na fase do artigo 402 do Código de Processo Penal, o Ministério Público requereu a


atualização dos antecedentes criminais dos Réus, e por esta defesa, foi requerida a
oitiva de BELTRANO DE TAL como testemunha do juízo sendo deferido os pedidos, e
consequentemente, a expedição de Carta Precatória para a Cidade de ___, para
colher o depoimento da referida testemunha, a qual retornou devidamente cumprida.

O Ministério Público apresentou suas alegações finais, pediu a condenação dos Réus,
sob o argumento de que, existente a materialidade e autoria do crime, aliadas a
confissão, são provas suficientes para condená-lo.
Posteriormente, a defesa apresentou suas alegações finais, pugnando pelo
afastamento da qualificadora do rompimento de obstáculo, ante a ausência de exame
pericial, vez que não há nos autos justificativa para a não realização do exame pericial,
que só é dispensado quando os vestígios desaparecerem; a desclassificação do crime
para a modalidade tentada, vez que os réus não lograram êxito na pratica delituosa,
por não haver provas que comprovem que foram os acusados que retiraram as
mercadorias de dentro do estabelecimento comercial, ante a aglomeração de
“curiosos”; o afastamento da majorante do repouso noturno, vez que não restou
provado que os Réus se valeram da escuridão como facilitador do cometimento do
crime; pede a aplicação da atenuante da confissão e que o período de prisão cautelar
seja considerado para o fim de fixação do regime inicial de cumprimento de pena.

Sobreveio sentença condenatória que julgou totalmente procedentes os pedidos


contidos na denúncia, condenando o apelante FULANO DE TAL como incurso nas
sanções do artigo 155, § 1º e 4º, inciso I e IV, do Código Penal, fixando a pena em
definitivo em 04 (quatro) anos e 08 (oito) meses de reclusão, e 65 (sessenta e cinco)
dias-multa, a ser cumprida, inicialmente, em regime semiaberto.

Contudo, o Juízo a quo foi omisso quanto ao pedido de detração da pena já cumprida
provisoriamente pelo Apelante, sendo necessário apresentar Embargos de Declaração
para sanar a presente omissão. Em sentença suplementar, foi acolhido os embargos,
reconhecendo a detração da pena já cumprida, contudo, deixando que o cálculo fosse
realizado em sede de Execução Penal.

No entanto, a defesa não concorda com alguns argumentos apontados na sentença


que justificaram a condenação do Apelante, nos seguintes termos.

É, em síntese, o relatório.

DO DIREITO:
2.1. Do afastamento da qualificadora de rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º,
inciso I, CP). Ausência de exame pericial:

Em sua fundamentação, o Juízo a quo manteve a referida qualificadora, afirmando que


o exame pericial, no presente caso, era dispensável, pois os vestígios do crime
desapareceram, tendo em vista que a vítima declarou que no mesmo dia realizou a
limpeza do local que havia sido bagunçado pelos Réus, e que comprou cadeados
novos para poder fechar o estabelecimento comercial, de forma que eventual exame
pericial em nada contribuiria para o deslinde da causa.

Data venia, a defesa não concorda com tais fundamentações.


Embora alguns vestígios do crime tenham desaparecido, a Vítima afirmou que os
Réus tentaram arrombar a porta do escritório de seu estabelecimento comercial, e, até
a data em que prestou depoimento em Juízo, não havia consertado.

O exame técnico em crimes não transeuntes (que deixam vestígios) possuem total
relevância para o deslinde dos fatos, no sentido de evitar hipóteses argumentativas
que desvirtuam a realidade, evitando incertezas que podem modificar o
convencimento do julgador, e consequentemente, o resultado judicial.

Preconiza, assim, o Código de Processo Penal:

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de
delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do Acusado.
Dessa maneira, a exigência de exame pericial no crime não transeunte é inerente ao
direito de defesa do acusado, em razão de que tende a buscar um maior respaldo na
prova técnica, tanto a matéria de defesa, quanto a uma justa condenação.

Diante da demonstração advinda da prova pericial, a apontar com maior precisão a


autoria e a materialidade do crime, evita maiores argumentações, bem como afasta a
possibilidade de condenações e penas injustas.

No presente caso, a qualificadora de rompimento de obstáculo, prevista no inciso I, do


§ 4º, do art. 155 do Código Penal, por deixar vestígios, exige, para a sua incidência, a
realização de laudo pericial que comprove a materialidade do crime.

Dessa forma quando existir vestígios, somente um laudo pericial pode constatar se
houve ou não arrombamento em um local de crime. No fato em questão, não houve
essa perícia para constatar o arrombamento da porta principal, e da porta do escritório
do estabelecimento comercial, ou seja, não se pode presumir que de fato houve
arrombamento no local, se não há essa certeza.

Embora o artigo 167 do Código de Processo Penal permita que o exame de corpo de
delito seja suprido por outros meios de prova, a sua substituição apenas pode ocorrer
se o delito não deixar vestígios, se estes tiverem desaparecido ou, ainda, se as
circunstâncias do crime não permitirem a confecção do laudo, senão vejamos recente
decisão do Colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ):

HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA


VIA ELEITA. FURTO QUALIFICADO. EXAME PERICIAL NÃO REALIZADO.
INEXISTÊNCIA DE JUSTIFICATIVAS PARA A NÃO REALIZAÇÃO DA
PERÍCIA.CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. AFASTAMENTO DA
QUALIFICADORA.DESCLASSIFICAÇÃO PARA FURTO SIMPLES.
REDIMENSIONAMENTO DA PENA. REGIME FECHADO. PACIENTE REINCIDENTE
E CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS FAVORÁVEIS. POSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO DO
REGIME INTERMEDIÁRIO. SÚMULA N. 269/STJ. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.1. O Superior Tribunal de Justiça,
seguindo entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, passou a não admitir
o conhecimento de habeas corpus substitutivo de recurso previsto para a espécie. No
entanto, deve-se analisar o pedido formulado na inicial, tendo em vista a possibilidade
de se conceder a ordem de ofício, em razão da existência de eventual coação ilegal. 2.
A jurisprudência desta Corte entende que, para reconhecimento das qualificadoras do
rompimento do obstáculo, é imprescindível a realização de exame pericial, sendo
possível a sua substituição por outros meios probatórios somente se não existirem ou
tenham desaparecido, ou se as circunstâncias do crime não permitirem a confecção
do laudo.3. No caso em análise, o Tribunal local, ao apreciar a questão, não
apresentou justificativas para a não realização da perícia. Assim, de rigor o
afastamento da qualificadora.4. Ainda que presente a agravante da reincidência, o
paciente teve a pena-base fixada no mínimo legal e foi condenado a pena privativa de
liberdade inferior a 4 anos de reclusão. Dessa forma, é cabível o regime semiaberto.
Súmula n. 269/STJ. 5. Habeas corpus não conhecido. Concedida a ordem, de ofício,
apenas para afastar a qualificadora, redimensionar a pena do paciente e fixar o regime
semiaberto.(HC 420.597/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA,
QUINTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 28/11/2017- grifo nosso).

Não existe nos autos quaisquer justificativas plausíveis acerca da não realização do
exame pericial, pelo contrário, deveria ter sido realizado o exame, tendo em vista que
o Juízo a quo utilizou como justificativa essa suposta destruição da uma porta do
escritório do mercado para exasperar a pena do Apelante nas circunstâncias judiciais.

Ocorre que esta afirmação se encontra isolada das demais provas coligidas nos autos,
posto que nenhuma das testemunhas afirmou ter visto essa porta do escritório
destruída, e nem os Réus confessaram, o que somente seria comprovado pela prova
pericial, o que não ocorreu.

Assim, fica evidente que a referida qualificadora não merece prosperar, pois o crime
de furto em caso de rompimento de obstáculo deixou vestígios, e neste caso não
houve perícia para comprovar o rompimento da porta do estabelecimento comercial,
sendo inviável a aplicação da qualificadora supracitada.

2.2. Da desclassificação do crime de furto para sua forma tentada (art. 14, inciso II, do
Código Penal):

O Juízo a quo rejeitou o pedido de desclassificação do crime de furto para a sua


modalidade tentada, sob o fundamento de que, mesmo que por breve espaço de
tempo, houve a inversão da posse dos objetos, por conta de que os Réus tiveram
tempo hábil para consumir alguns produtos, bem como para separar e acondicionar os
produtos que pretendiam levar, consumando o crime, no que discorda a defesa.

Embora o entendimento que predomina nos Tribunais superiores, de que não é


exigível a posse tranquila da res nos crimes de furto e roubo (teoria da amotio ou
apprehensio), deveras ressaltar que os Réus sequer estiveram na posse precária dos
bens.

Testemunha crucial dos fatos, a testemunha do juízo foi o primeiro a chegar no local, o
que é comprovado pelo Boletim de Ocorrência, bem como pelos depoimentos dos
policiais militares e dos próprios Réus.

Em suas declarações, narrou que, ao chegar no local, deixou o seu veículo em frente
a porta do mercado com as luzes acesas, e viu que os cadeados estavam cortados.

Que, passados menos de cinco minutos, e antes da chegada da Polícia Militar,


FULANO DE TAL abriu a porta do estabelecimento e já saiu rendido, momento em que
avistou que havia vários mantimentos embalados, mas estes ainda estavam dentro do
mercado. Que, com a chegada dos policiais, FULANO foi detido e seu comparsa foi
encontrado dentro do estabelecimento.

Importante ressaltar que os fatos narrados pela testemunha estão em harmonia com a
versão apresentada pelos Réus.

Ambos os réus afirmaram que tinham a intenção de furtar carnes e bebidas do


mercado, porém, quando estavam no interior do local consumindo bebida alcoólica,
avistaram o farol de um veículo, e logo em seguida, ouviram o bombeiro militar
ordenando a saída deles de lá, isso tudo em menos de cinco minutos desde a entrada
deles no estabelecimento. Por conta disso, não conseguiram subtrair nenhum
mantimento.

Para reforçar a tese, a vítima afirmou que, além do prejuízo que arcou com os
mantimentos danificadas, não sentiu a falta de nenhuma outra mercadoria, até porque,
os Réus saíram de lá presos em flagrante, o que impediu o sucesso criminoso.

Em que pese o depoimento dos policiais militares, que afirmaram terem visto
mercadorias na parte externa do estabelecimento, é forçoso lembrar que se formou
aglomeração de populares em frente ao estabelecimento, e que após acionada, a
equipe policial levou cerca de dez a quinze minutos até chegar no local, período de
tempo suficiente para que “curiosos” alterassem o lugar onde as mercadorias estavam
acondicionadas.

No mais, até a própria Vítima, que chegou após os policiais militares, afirmou não
saber se as mercadorias foram retiradas pelos Acusados ou por outra pessoa, por
conta da aglomeração de populares no local.

Dispõe o art. 14, inciso II, do Código Penal:

Art. 14. Diz-se o crime:


(…)
II – tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias
à vontade do agente. (grifo nosso)

No presente caso, não houve inversão da posse, pois nenhum dos Réus conseguiu
sair do estabelecimento comercial com qualquer produto, pois a ação delituosa foi
frustrada pela chegada do bombeiro militar, circunstância alheia à vontade deles, que
os flagrou no momento em que estavam alocando os mantimentos para serem levados
dali. Dessa forma, a conduta deles somente chegou a fase de execução do iter
criminis.

Nada foi retirado do estabelecimento comercial pelos Réus, e embora a Vítima


amargure o prejuízo pelos mantimentos que estragaram, isto pode ser reparado na
esfera cível em uma eventual ação de indenização por danos materiais, em respeito
ao Princípio da Fragmentariedade.

Tecidas tais considerações, pugna pela desclassificação do crime de furto qualificado


(artigo 155, “caput”, c/c o seu § 4º, incisos I e IV, do Código Penal) para sua forma
tentada, requerendo a diminuição da pena de um a dois terços, nos termos do artigo
14, inciso II, c/c o seu parágrafo único, do Código Penal.

2.3. DA DOSIMETRIA DE PENA:

O Apelante postula para que seja reduzida a pena-base, eis que lhe são favoráveis às
circunstâncias judiciais (art. 59, CP) que foram exasperadas pelo Juízo a quo, sendo,
manifestamente incabível e inadmissível a permanência do quantum de pena fixado,
que agravou de forma imoderada a pena-base.
Foi considerado desfavorável a culpabilidade do Apelante, sob o fundamento de que
sua conduta se reveste de alto grau de reprovabilidade, tendo em vista que ele sabia
da ilicitude de suas ações e lhe era esperado conduta diversa.

A culpabilidade pode ser entendida como sendo o grau de menosprezo do agente


perante o bem jurídico lesado ou a reprovação social que o crime e o autor do fato
merecem, de acordo com o caso concreto.

Todavia, embora possuísse plena consciência da ilicitude do fato, tal fator não pode
ser considerado a ponto de macular tal circunstância. A simples afirmação de que a
culpabilidade é desfavorável ao Réu, por ter consciência da ilicitude não justifica, por si
só, a valoração negativa dessa circunstância, motivo pelo qual não pode ser
sopesada, pois não aponta maior reprovabilidade da conduta, já que é inerente ao
cometimento de qualquer tipo penal. Neste sentido, entende o Colendo Superior
Tribunal de Justiça (STJ):

HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA.


TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE.
FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. CULPABILIDADE, MOTIVOS E CONSEQUÊNCIAS.
ARGUMENTOS INERENTES AO TIPO. REDUTORA DA PENA. ART. 33, § 4º DA LEI
11.343/06. FIXAÇÃO EM PATAMAR DIVERSO DO MÁXIMO. AUSÊNCIA DE
MOTIVAÇÃO IDÔNEA. ILEGALIDADE. APLICAÇÃO DE 2/3.
REDIMENSIONAMENTO DA PENA PARA PATAMAR INFERIOR A 4 ANOS. PENA-
BASE NO MÍNIMO LEGAL. PRIMÁRIO. POSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO DO REGIME
ABERTO. SUBSTITUIÇÃO DA PENA. CABIMENTO. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO.1. O Supremo Tribunal Federal, por
sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da
utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua
admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal
própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de
flagrante ilegalidade. 2. A jurisprudência pátria, em obediência aos ditames do art. 59
do Código Penal e do art. 93, IX, da Constituição Federal, é firme no sentido de que a
fixação da pena-base deve ser fundamentada de forma concreta, idônea e
individualizada, não sendo suficiente referências a conceitos vagos e genéricos,
máxime quando ínsitos ao próprio tipo penal.3. A culpabilidade foi considerada
elevada pelo fato de o acusado ter consciência da ilicitude de sua conduta. Ocorre que
“a consciência da ilicitude do fato não justifica a exasperação da pena-base, porque é
elemento que diz respeito à culpabilidade em sentido estrito, assim definida como
elemento integrante da estrutura do crime em sua concepção tripartida, e não à
culpabilidade em sentido lato, a qual se refere a maior ou menor reprovabilidade do
agente pela conduta delituosa praticada” (HC 287.449/MG, Ministro ROGÉRIO
SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 5/3/2015, DJe 12/3/2015). 4. Quanto aos
motivos e às consequências, estes foram valorados em elementos inerentes ao tipo
penal – lucro fácil e efeitos produzidos pela ação criminosa, o maior ou menor vulto do
dano ou perigo de dano e o sentimento de insegurança trazido pela ação criminosa –
configurando, assim, fundamentação genérica e inidônea para exasperação da pena-
base, de acordo com a jurisprudência desta Corte Superior.5. Em relação à redutora
do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, o Juiz de primeiro grau não motivou a escolha da
fração e o Tribunal de origem, ao mantê-la, não apresentou argumentação válida.
Nesse contexto, mostra-se ilegal a aplicação da redutora em patamar diverso do
máximo previsto no art. 33, § 4º da Lei n. 11.343/2006, porquanto ausente motivação
concreta que o justifique. Precedentes. 6. Tendo em vista o redimensionamento da
pena, necessário fixar o regime mais adequado. No caso, tendo a pena ficado em
patamar inferior a 4 anos, paciente primário, com circunstâncias judiciais favoráveis,
mostra-se adequado o regime aberto, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, do Código
Penal, bem como a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de
direitos. 7. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para
redimensionar a pena do paciente e fixar o regime aberto, substituída a pena corporal
por duas medidas restritivas de direitos, a serem estabelecidas pelo Juízo das
Execuções Penais.(HC 382.187/ES, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 21/03/2017, DJe 28/03/2017 – Grifo nosso)
Nestes termos, deve ser reconhecida a culpabilidade como circunstância judicial
favorável.

No mais, considerou que as circunstâncias são desfavoráveis ao Apelante, porque ele


cometeu o crime em concurso de pessoas, arrombou a porta do estabelecimento para
nele adentrar, tentou arrombar a porta do escritório (fato que não ficou comprovado
nos autos), bagunçou o local, além de causar o prejuízo à vítima pela perda de parte
dos objetos do furto, vez que se tratavam de mantimentos perecíveis, incorrendo em
flagrante bis in idem, haja vista que todos estes fatores já são elementares do crime de
furto qualificado imputado a ele, não podendo servir para exasperar a pena base.

2.4. DA DETRAÇÃO PENAL:

Em sede de Embargos de Declaração, o Juízo a quo reconheceu a detração da pena


já cumprida, contudo, deixou que o cálculo fosse realizado em sede de Execução
Penal, o que causa maior transtorno ao Apelante.

A detração penal, nos termos do § 2º do artigo 387 do Código de Processo Penal


(incluído pela Lei nº 12.736/2012), deve ser realizada pelo Juiz no momento em que é
prolatada a sentença condenatória, permitindo a fixação de regime inicial de
cumprimento de pena menos gravoso, com a detração do tempo de prisão provisória
na sentença, senão vejamos:

Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:

(…)
§ 2o O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil
ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de
pena privativa de liberdade.

Dando ao juiz de conhecimento competência para realizar a detração, antes conferida


apenas ao juiz da execução, a fim de que sejam evitadas situações em que o acusado
tenha que aguardar a decisão do Juiz da Execução Penal, permanecendo nessa
espera em regime mais gravoso.

O Apelante foi preso em flagrante na data de 16/10/2017, e esta prisão acabou sendo
convertida em prisão preventiva durante Audiência de Custódia, ficando preso até
27/11/2018, data em que fugiu do SECAT desta Cidade. Dessa forma, o Acusado ficou
preso provisoriamente por 01 (um) ano, 01 (um) mês, e 11 (onze) dias.

Considerando que o Apelante foi condenado a pena de 04 (quatro) anos e 08 (oito)


meses de reclusão, em regime semiaberto, sendo efetuada a detração, a pena do
Apelante cairia para 03 (três) anos, 06 (seis) meses e 19 (dezenove) dias, o que, com
arrimo no artigo 33, § 2º, alínea c, do Código Penal, o regime inicial de cumprimento
de pena seria o regime aberto.

Importante asseverar que a detração penal somente é mais benéfica ao réu quando
conduz à fixação de um regime inicial mais benéfico ao Apenado do que se fosse
considerada tão somente a reprimenda total, como é o presente caso. Neste sentido,
segue decisão do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR):

APELAÇÃO CRIME. HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO. CONDENAÇÃO


PELO TRIBUNAL DO JÚRI. ALEGAÇÃO DE DECISÃO MANIFESTAMENTE
CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. TESE DE LEGÍTIMA DEFESA. NÃO
ACOLHIMENTO PELOS JURADOS. DECISÃO DO CONSELHO DE SENTENÇA
AMPARADA NAS PROVAS DOS AUTOS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA
SOBERANIA DOS VEREDICTOS. DOSIMETRIA. PENA INTERMEDIÁRIA.
UTILIZAÇÃO DE UMA DAS CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICADORAS COMO
CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. POSSIBILIDADE. FRAÇÃO DE AUMENTO
CORRETAMENTE FIXADA EM UM SEXTO. DETRAÇÃO PENAL SOMENTE PODE
SER REALIZADA NA SENTENÇA QUANDO POSSIBILITAR A FIXAÇÃO DE REGIME
INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA MENOS GRAVOSO DO QUE O
CORRESPONDENTE À PENA TOTAL. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS EM FAVOR DO
DEFESOR DATIVO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.(TJPR – 1ª C.Criminal –
0002827-85.2015.8.16.0147 – Rio Branco do Sul – Rel.: Naor R. de Macedo Neto – J.
30.11.2018)
Diante do exposto, requer-se seja realizada a detração penal da pena cumprida
provisoriamente pelo Apelante, desde a data sua prisão em flagrante, até a data de
prolação de sentença, nos termos do § 2º do artigo 387 do Código de Processo Penal.
DOS PEDIDOS:
Diante de todo o exposto, pede-se, encarecidamente, à Vossas Excelências, que seja
o presente recurso CONHECIDO, e no mérito PROVIDO, reformando a R. Sentença
proferida pelo Juízo a quo, para o fim de:

a) Pelo afastamento da qualificadora prevista no artigo 155, § 4º, inciso I, do Código


Penal, referente ao rompimento de obstáculo, diante da ausência de laudo pericial que
comprove as circunstâncias;

b) Pela desclassificação do crime de furto qualificado (artigo 155, “caput”, c/c o seu §
4º, incisos I e IV, do Código Penal) para sua forma tentada, requerendo a diminuição
da pena de um a dois terços, nos termos do artigo 14, inciso II, c/c o seu parágrafo
único, do Código Penal;

c) Que sejam consideradas favoráveis as circunstâncias judiciais no que se refere a


culpabilidade e as circunstâncias, reduzindo, assim, a pena-base;

d) Que seja realizada a detração penal da pena cumprida provisoriamente pelo


Apelante, desde a data sua prisão em flagrante, até a data de prolação de sentença,
nos termos do § 2º do artigo 387 do Código de Processo Penal, para fins de fixação de
regime inicial de cumprimento de pena;

Termos em que,

Pede e espera deferimento.

Como forma de Direito e de Justiça!!!

____, _ de ___ de 2021.

ADVOGADO

OAB/, Nº ___

Você também pode gostar