Entendendo a Pré-Eclâmpsia na Gestação
Entendendo a Pré-Eclâmpsia na Gestação
1) Introdução
- A pré-eclâmpsia é uma doença multifatorial e multissistêmica, específica da gestação.
* Presença de hipertensão arterial associada à proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo, que se manifesta em
gestante previamente normotensa, após a 20ª semana de gestação.
- Incidência mundial: 3% e 5% das gestações. 10% a 15% das mortes maternas estão associadas à pré-
eclâmpsia/eclâmpsia.
3) Conceitos
3.1) Hipertensão arterial:
- Valor de pressão arterial (PA) ≥ 140 e/ou 90 mmHg, avaliada após um período de repouso, com a paciente em
posição sentada e manguito apropriado.
- A medição deve ser realizada com a paciente sentada, em um dos antebraços elevado à altura do átrio (metade
do osso externo), devendo ser repetida em um ou dois intervalos de cinco minutos.
- Pacientes obesas necessitam de manguitos apropriados.
3.4) Oligúria:
- Diurese inferior a 500 mL/24h.
- A oligúria pode não se relacionar diretamente com o comprometimento da função renal, mas apresentar-se
como decorrência de intenso extravasamento líquido para o terceiro espaço (anasarca)
4) Fisiopatologia da Pré-eclâmpsia
- Etiologia não está decifrada completamente.
- A Pré-Eclâmpsia deve ser interpretada como doença crônica com potencial para insuficiência progressiva de
múltiplos órgãos.
- Provável fisiopatologia:
• Fase subclínica: Envolvimento do sistema imunológico materno na doença e Problemas de adaptação
imunológica ao trofoblasto :
Problemas na perfusão do trofoblasto => Fenômenos locais de hipóxia e reoxigenação => Ativação do
sistema inflamatório materno e aceleração de processos de apoptose celular => Desequilíbrio entre fatores pró-
angiogênicos (VEGF e PLGF) e fatores solúveis antiangiogênicos (sFLT-1) => Predomínio de fatores solúveis
antiangiogênicos => Ativação generalizada do sistema inflamatório materno => Disfunção endotelial universal e
limitação na vascularização placentária (fase clínica)
• Fase Clínica:
Disfunção endotelial universal => Espasmo arteriolar universal=> Processo insidioso e progressivo,
culminando com insuficiência de múltiplos órgãos.
5.3) Baixo:
• IMC > 30 na primeira consulta pré-natal
• Nuliparidade
• História familiar de pré-eclâmpsia (mãe, avó, irmã)
• Idade > 40 anos
* Se 1 fator de alto grau ou 2 fatores de baixo grau presentes: Iniciar profilaxia de com AAS e Cálcio (Descrito abaixo)
- Prescrição:
• AAS: 100 mg/d, à noite: - 100 mg/d, à noite
- Iniciar antes da 16ª sem.
- Interromper antes da 36ª sem.
• Suplementação de cálcio: 1,5g de CaC03
Papel do AAS (ácido acetilsalicílico): O AAS em baixa dose atua como um agente preventivo devido às suas
propriedades anti-inflamatórias e antiagregantes plaquetárias. O mecanismo de prevenção da pré-eclâmpsia pelo
AAS envolve:
1. Inibição da enzima ciclooxigenase-1 (COX-1)
2. Reduz a produção de tromboxano A2 nas plaquetas. O tromboxano A2 é uma substância que promove
vasoconstrição e agregação plaquetária. Ao inibir o tromboxano, o AAS reduz a agregação plaquetária e
melhora o fluxo sanguíneo.
Classificação:
• Hipertensão arterial crônica
• Hipertensão gestacional
• Pré-eclâmsia: • Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade
• Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade
• Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica
• Apresentações atípicas
• Síndrome HELLP
• Eclâmpsia
6.3) Pré-eclâmpsia:
- Hipertensão arterial identificada após a 20ª semana de gestação, associada à proteinúria significativa (conceito
antigo).
- Hipertensão após a 20ª semana em conjunto com um dos critérios a seguir (conceito atual):
• Proteinúria significativa: 300 mg em urina de 24 horas ou relação proteinúria /creatinúria ≥ 0,3
• Perda da função renal: Creatinina > 1,1 mg/dl
• Perda da função hepática: Aumento de transaminases pelo > 2 vezes o limite superior normal
• Complicações hematológicas: - Plaquetas < 100.000 / mm3
- Aumento de bilirrubinas > 1,2 mg/dl (hemólise)
• Complicações cardio-pulmonares: Edema agudo pulmonar
• Complicações neurológicas: - Cefaléia intensa
- Estado mental alterado
- Cegueira
- Hiperreflexia com clônus
- Escotomas
- Turvamento visual
- Diplopia
- Doppler da artéria oftálmica materna alterad
• Estado de antiangiogênese: - PLGF < 36 pg/ml
- Relação sFlt-1/PIGF > 85
• Disfunção uteroplacentária: - CIUR assimétrico
- Doppler umbilical alterado
- Oligodrâmnio
- Cardiotocografia com padrão não tranquilizador
* Considerando a idade gestacional em que inicia, a Pré-eclâmpsia, pode ser classificada em:
- Tardia: • ≥ 34 semanas
• Associa-se a síndromes metabólicas, inflamação e comprometimento endotelial crônicos.
• Presença de obesidade e doenças crônicas.
• Avaliação do compartimento uteroplacentário, muitas vezes, apresenta-se dentro da normalidade
Subdividida em: • Pré-eclâmpsia pré-termo: < 37 semanas
• Pré-eclâmpsia de termo: ≥ 37 semanas
* Classificação da pré-eclâmpsia com maior importância em termos de conduta:
9.2) Repouso:
- A redução da atividade física para mulheres com pré-eclâmpsia contribui para melhora no fluxo sanguíneo
uteroplacentário
- Previne a exacerbação da hipertensão, se a PA não estiver bem controlada.
- Porém, não há evidências de que melhore significativamente os principais desfechos maternos e perinatais.
10.5) β-bloqueadores:
- Metoprolol:
• Comprimidos de 25, 50 e 100 mg
• 100 a 200 mg/dia
• 1 a 2 x/dia
- Carvedilol:
• Comprimidos de 6,25 e 12,5 mg
• 12,5 a 50 mg/dia
• 1 a 2x/dia
• Recomenda-se iniciar com 12,5 mg/dia por dois dias e a partir de então aumentar a dose
• Vasodilatador periférico e β-bloqueadores são recomendados como terceira droga para associação de
medicamentos para controle pressórico ou no caso de impossibilidade de uso das drogas de primeira e
segunda escolha.
• Os β-bloqueadores de maior experiência clínica são o labetalol e o pindolol. Entretanto, o primeiro não
está liberado para uso no Brasil e o segundo foi recentemente retirado do mercado.
10.6) Contraindicados:
- Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA): Efeito teratogênico no 2º e 3 º trimestres.
- Bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA II): Efeito teratogênico no 2º e 3 º trimestres.
- Inibidores diretos da renina (alisquireno): Efeito teratogênico no 2º e 3 º trimestres.
10.7) Diuréticos:
- Uso controverso.
- Algumas diretrizes sugerem a manutenção em mulheres com hipertensão crônica que faziam seu uso antes da
gestação.
- Se utilizar, deve ser interrompido quando houver redução do volume de líquido amniótico ou superposição de
pré-eclâmpsia, uma vez que esta, por si só, determina contração do volume circulatório.
- Indicado nos casos de edema agudo de pulmão ou comprometimento funcional renal. Diurético de escolha é a
furosemida.
11) Conduta na Hipertensão Arterial Grave (Crise Hipertensiva)
- O objetivo do tratamento é diminuir a PA em 15% a 25%, atingindo-se valores da PA sistólica entre 140 e 150
mmHg e da PA diastólica entre 90 e 100 mmHg.
- Evitar quedas bruscas da PA, pelos riscos maternos (acidente vascular cerebral, infarto) e de se redução da
perfusão uteroplacentária
- Após obter as reduções desejadas nas pressões sistólica e diastólica, inicia-se ou otimiza-se rapidamente a
utilização dos anti-hipertensivos de manutenção por via oral.
• Hidralazina:
- Vasodilatador periférico
- Utilizada na situação de pré-eclâmpsia para o tratamento agudo da hipertensão grave.
- Ação máxima em 20 minutos.
- Monitoramento da PA deve ser rigoroso: riscos de hipotensão
- Em caso de hipotensão: Deve ser prontamente corrigida com a elevação dos membros inferiores e remoção de
medicações ou fatores que possam estar agindo como potencializadores. Não se conseguindo o retorno da PA,
recomenda-se a hidratação cuidadosa.
- Prescrição:
• Ampola de 20 mg/mL
• Dose inicial: 5 mg, Via intravenosa
• Repetir, se necessário: 5 mg, a cada 20 minutos
• Dose máxima: 45 mg
• A ampola de hidralazina contém 1 mL, na concentração de 20 mg/mL.
• Diluir uma ampola (1 mL) em 19 mL de água destilada, assim, obtém-se a concentração de 1 mg/mL
• Nifedipino:
- Bloqueador de canais de cálcio.
- Utilizar formulação oral de liberação imediata.
- Ação máxima entre 30 e 40 minutos.
- Os comprimidos não devem ser mastigados
- Não utilizar as formulações pela via sublingual.
- Prescrição:
• Comprimido de 10 mg
• Dose inicial: 10 mg Via oral
• Repetir, se necessário: 10 mg, a cada 20-30 minutos (Via oral)
• Dose máxima: 30 mg
* Pode ser usado na UBS, antes da transferência para pronto-socorro
• Nitroprussiato de sódio:
- Potente vasodilatador arterial e venoso.
- Não há evidências de risco fetal, nos casos de utilização por curto período de tempo (6-12h).
- Recomendado, principalmente, para gestantes com edema agudo de pulmão associado a comprometimento da
função cardíaca
• Ampola 50 mg/2 mL
• Dose inicial: 0,5 a 10 mcg/kg/min Infusão intravenosa contínua
• A ampola de nitroprussiato de sódio contém 2 mL, na concentração de 50 mg/2 mL.
• Diluir uma ampola (2 mL) em 248 mL de soro glicosado 5%, assim teremos a concentração de 200
mcg/mL.
• Esquema de infusão recomendado para o nitroprussiato de sódio:
• Sulfato de Magnésio:
- O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha a ser ministrado quando há risco de convulsão, situação
inerente aos quadros de PE com sinais de deterioração clínica e/ou laboratorial, iminência de eclâmpsia,
eclâmpsia, síndrome HELLP e hipertensão de difícil controle.
- Pressão arterial sistólica ≥160 mmHg e/ou PA diastólica ≥110 mmHg, mesmo na ausência de sintomas, indica a
profilaxia de convulsão com sulfato de magnésio
- Mais seguro e eficaz do que fenitoína, diazepam ou cocktail lítico (clorpromazina, prometazina e petidina) para a
prevenção de convulsões recorrentes em eclampsia.
- Uso ou a reutilização dele não indica, necessariamente, a realização do parto.
- Exposição fetal à terapia com sulfato de magnésio evidenciou redução dos casos de paralisia cerebral e
disfunção motora grave em recém-nascidos prematuros.
- Vantagens adicionais: Baixo custo, facilidade de administração e não causa sedação.
- As chances de complicações relacionadas a essa medicação são raras e deixar de administrá-la é mais temerário
do que a ocorrência de qualquer risco.
- A dose de ataque, adequadamente administrada, não oferece riscos de intoxicação.
- Se houver necessidade de referenciar a gestante para outro serviço, o esquema preferencial é o intramuscular
(Pritchard), pois confere maior segurança para o transporte.
- Prescrição:
- Gluconato de cálcio:
• Deve ser utilizado nos casos de sinais de intoxicação pelo magnésio
• Dose: 10 mL à 10% (1g) por via endovenosa, administrado lentamente
- Parâmetros a serem avaliados para a avaliação do bem-estar materno me uso de MGSO4:
- Em caso de recorrências da crise convulsiva:
• Administra-se mais 2g do sulfato de magnésio por via endovenosa (bolus) e utiliza-se como manutenção a dose
de 2g/h.
• Se dois desses bolus não controlarem as convulsões, a droga de escolha será a Hidantoína em seu esquema
clássico para o tratamento de crises convulsivas. Opções que podem ser avaliadas: Diazepam, Lorazepam ou
Midazolan.
• Recomenda-se , nesses casos, a investigação de complicações cerebrais, principalmente hemorragias
intracranianas.
Caracterizada por:
- Hipertensão arterial :
• PA ≥ 140 e/ou 90 mmHg e < 160 e/ou 110 mmHg, após a 20ª semana em conjunto com um dos critérios a
• Proteinúria significativa (Proteínúria > 300 mg em urina de 24 horas)
• Ausência de sinais de comprometimento de órgãos-alvos maternos e feto-placentário
- Internação para se aprofundar a avaliação e ter certeza de que não existem sinais/sintomas ou alterações de
exames laboratoriais que alterem esse diagnóstico para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.
- Após a avaliação diagnóstica intra-hospitalar inicial, o atendimento ambulatorial é uma opção econômica e
suficiente para se manter a gestante sob controle.
- Conduta deve será expectante somente até 37ª semana. A partir desse momento a resolução da gestação
deverá ser indicada, reduzindo-se, assim, os riscos maternos, sem alterar os resultados perinatais
- A família precisa ser orientada sobre a necessidade de se ter alguém em casa ou em local próximo o tempo todo
para dar suporte em caso de um evento adverso inesperado.
- A gestante precisa ser bem informada e ter condições de compreender a importância de entrar em contato ou
de procurar hospital caso surjam sintomas/sinais de agravamento da doença. Principalmente sinais e sintomas de
iminência de eclâmpsia:
• Cefaleia intensa ou persistente
• Alterações visuais
• Epigastralgia
• Falta de ar
• Dor no quadrante superior direito abdominal ou epigástrica
- Manter consulta semanal para monitoramento das condições do feto e realizar exames laboratoriais
necessários.
- Ser internada, caso seja identificado qualquer sinal/sintoma de agravamento da doença para melhor avaliação e
conduta.
- Reduzir a atividade física ou estressante, uma vez que a pressão arterial se mantém mais baixa quando em
repouso.
- Dopplervelocimetria semanal, a partir de semanas. Quinzenal até 30ª semanas e depois, semanal.
- Se controle satisfatório, a resolução da gestação deve ocorrer com 37 semanas.
- No pós-parto imediato, deve-se manter o controle da pressão arterial, estar atento aos sinais/sintomas de
iminência de eclâmpsia e às alterações laboratoriais que indiquem síndrome HELLP.
13) Conduta na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade
• Estado hipertensivo com pressão arterial (PA) sistólica ≥160 mmHg e/ou PA diastólica ≥110 mmHg, confirmada
por intervalo de 15 minutos, aferida com técnica adequada.
CONTINUA
• Complicações cardiopulmonares: - Dor torácica
- Dispneia
- Saturação O2 < 97%
- Edema agudo de pulmão
- Deve ser valorizada, acompanhada ou não por alterações respiratórias,
pelo risco de ser causada por intensa vasculopatia cardíaca e/ou pulmonar.
→ Programar término da gestação: - HAS grave não controlada (por um período de 12 horas
apesar de doses máximas de hipotensores)
- SO2 < 90 %, com necessidade de O2 > 50% por > 1h ou
de intubação, de suporte com drogas vasoativas
- Isquemia miocárdica
- Infarto
• Síndrome HELLP.
- Todos os casos necessitam internação hospitalar para acompanhamento e redução de danos, com alta com
extrema segurança.
- Terapia com MgSO4 deve ser avaliada. Pressão arterial sistólica ≥160 mmHg e/ou PA diastólica ≥110 mmHg,
mesmo na ausência de sintomas, indica a profilaxia de convulsão com sulfato de magnésio.
- HAC moderada:
• PAD ≥ 100 e < 110 mmHg
• Parto com 38 semanas
- HAC grave:
• PAD ≥ 110 mmHg
• Parto com 37 semanas
- Para os casos de uso de ocitocina, cuja medicação promove retenção hídrica e hiponatrêmica, deve-se utilizar
soluções concentradas e soro fisiológico a 0,9%. Mantêm-se, assim, o aporte hídrico e as concentrações de sódio.
Utilizar 10 UI de ocitocina em 500 mL de SF 0,9%, iniciando-se a infusão com 12 mL/h.
- Cesárea:
• Pré-eclâmpsia com deterioração clínica e/ou laboratorial com colo uterino desfavorável.
• Alterações na vitalidade fetal.
• Demais indicações de resolução imediata da gestação.
• Quando se indicar o parto cesáreo na síndrome HELLP, com contagem de plaquetas inferior a 50.000/mm3,
obrigatório: • Avaliar coagulograma;
• Realizar anestesia geral;
• Repor plaquetas no ato cirúrgico (geralmente 5 UI são suficientes);
• Realizar hemostasia cuidadosa.
- Evitar o uso de medicações destinadas à supressão da lactação, como bromoergocriptina e cabergolina, uma vez
que estas medicações associam-se com aumento do risco de eventos vasculares cerebrais.
- Em casos de PA de difícil controle e/ou sinais e sintomas de iminência de eclâmpsia, o sulfato de magnésio
também deve ser utilizado no puerpério devido à persistência dos riscos de convulsão, principalmente nos
primeiros cinco dias.
- Na hipertensão arterial grave, seguir de acordo com as recomendações já orientadas para a gestação.
- Reavaliação laboratorial em até 24h pós-parto. A partir de então, novos exames serão solicitados de acordo com
cada caso.
- Nos casos de pacientes com hipertensão preexistente que faziam uso de medicação anti-hipertensiva e
apresentava bom controle da PA com ela, pode-se reiniciá-la no pós-parto imediato se não houver
contraindicação quanto à amamentação. Se a paciente referir mau controle pressórico com a medicação prévia,
ela deve ser substituída.
- Evitar introduzir diuréticos no puerpério, pois pode haver redução do volume vascular e comprometimento da
amamentação.
- Pacientes portadoras de doença renal crônica precisam ser orientadas de acordo com as recomendações da
disciplina de nefrologia.
- Recomenda-se monitoramento hospitalar pelo menos até o terceiro dia pós-parto, lembrando que a dinâmica
circulatória e a reabsorção hídrica para o intravascular comumente se restabelecem entre o terceiro e o quinto
dia. Assim, altas precoces não permitem a adequada monitoração desses eventos.
- Mesmo após a alta hospitalar, as pacientes precisam ser orientadas quanto à possibilidade de complicações e a
reavaliação em torno de sete dias deve ser realizada.
- Alta hospitalar com relatório minucioso e orientações sobre sinais e sintomas de alarme que devem suscitar uma
consulta imediata.
- É possível que ocorra piora dos níveis pressóricos do terceiro ao sexto dia após o parto, secundária à
redistribuição hídrica.
- Todas as pacientes que apresentaram pré-eclâmpsia devem ser orientadas quanto aos riscos de
desenvolvimento de doenças cardiovasculares e renais.
- Visando reduzir as incertezas nas decisões médicas expectantes, desenvolveu-se um modelo matemático com
valor preditivo para avaliar as chances de desfechos adversos em até 48 horas a partir da admissão da paciente, o
PIERS (Preeclampsia Integrated and Estimated Risks).
17) Eclâmpsia
17.1) Definição:
- Incide em 2% a 3% de pacientes com pré-eclâmpsia grave quando não se administra sulfato de magnésio como
uma profilaxia anticonvulsivante
* Ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas, de coma ou de ambas, durante a gravidez ou o
puerpério, em gestantes com pré-eclâmpsia, que não estão relacionadas com outras doenças do sistema nervoso
central
17.2) Sintomas:
- Ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas.
- Convulsões repetidas predispõem ao coma profundo e, eventualmente, para a morte.
- Sempre que o coma ocorrer por períodos mais prolongados, devem ser pesquisadas outras causas para o quadro
neurológico, especialmente o acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico
17.3) Diagnóstico:
- O diagnóstico de eclâmpsia é clínico, embasado na ocorrência, pela primeira vez, de convulsões tônico-clônicas
do tipo grande mal, em uma gestante ou puérpera com distúrbio hipertensivo, na ausência de outros fatores
causais para convulsões.
- A manifestação de convulsões após a 20ª semana de idade gestacional deve ser sempre interpretada, em
princípio, como eclâmpsia.
- Gestantes que apresentam um quadro clínico típico de eclâmpsia, sem deficit neurológico persistente, não
requerem avaliação subsidiária diagnóstica, além das necessárias para a pré-eclâmpsia.
- Casos atípicos merecem atenção de um neurologista e podem requerer tomografia computadorizada e/ou
ressonância magnética.
A investigação com exames de imagem está indicada sempre que a paciente apresentar: déficit neurológico,
coma, convulsões de difícil controle, alterações visuais persistentes, convulsões antes de 20 semanas de idade
gestacional sem associação com doença trofoblástica gestacional e ausência de diagnóstico prévio de epilepsia
- As bases do tratamento são a manutenção da função cardiorrespiratória, o controle das convulsões, a prevenção
de sua recorrência, a correção da hipoxemia e da acidose materna, o controle da hipertensão arterial grave e o
desencadeamento do parto.
- O aspecto mais urgente do tratamento não é o de parar de imediato a convulsão, mas o de garantir a
oxigenação materna e minimizar o risco de aspiração.
- Uma atitude frequentemente adotada que deve ser evitada é a de indicar a resolução da gestação de maneira
intempestiva, durante ou logo após uma convulsão, por cesariana e com anestesia geral. Nesse momento, a
paciente e o feto quase sempre estão em mau estado geral, ainda hipoxêmicos e acidóticos, e uma intervenção
cirúrgica do porte de uma cesariana pode causar prejuízos consideráveis
- Deve-se aguardar um tempo, em geral entre quatro a seis horas, para que a gestante e o feto se recuperem do
insulto convulsivo, a crise hipertensiva esteja controlada, e a avaliação subsidiária de complicações, como
insuficiência renal, HELLP e coagulopatias, esteja completada.
17.6) O Parto:
- O tratamento definitivo da eclâmpsia é o nascimento do feto e a retirada da placenta, que devem ocorrer
independentemente da idade gestacional, logo que o quadro clínico estiver estabilizado, com a recuperação do
sensório e o controle da hipertensão arterial grave.
- Não havendo contraindicação ao parto vaginal, o trabalho de parto pode ser induzido.
18.2) Fisiopatologia:
- Não está esclarecida, mas pode ser considerada o comprometimento hepato-hematológico da Pré-eclâmpsia.
- Está relacionada a anemia hemolítica microangiopatica e ao vasoespasmo no fígado materno.
18.3) Classificação:
- Com o intuito de formar um indicador de gravidade da doença, foi formulado um sistema de classificação
baseado na contagem de plaquetas. Quanto menor a quantidade de plaquetas, maior a gravidade da patologia:
18.4) Sintomas:
- Geralmente, pobre
- Mal-estar
- Epigastralgia
- Náuseas
- Cefaleia
- Eventualmente, hematúria, hematêmese, sangramento na ferida operatória
18.5) Diagnóstico:
- O grau de suspeita clinica dos casos de síndrome HELLP e muito importante.
- O fator mais importante para diminuição da morbimortalidade materna e o diagnóstico precoce. Este
diagnóstico deve ser feito ainda na fase assintomática, com a pesquisa laboratorial de plaquetopenia, hemólise e
alterações hepáticas em todas as pacientes com PE
- Na presença de trombocitopenia em uma paciente com PE, deve-se pensar fortemente em síndrome de HELLP.
- A confirmação diagnostica da síndrome HELLP é laboratorial:
18.6) Diagnostico diferencial:
- Hepatite aguda: mais comum
- Colecistite
- Pancreatite
- Lúpus
- Fígado gorduroso da gestação
- Púrpura trombocitopenica
- Síndrome hemolítico-urêmica
- Choque séptico ou hemorrágico
18.7) Complicações:
- Hemorragia: • SNC
• Fígado: 2%. Hematoma hepático é diagnóstico por ultrassonografia
• Ferida operatória
• DPP: até 25%
- CIVD, por plaquetopenia: até 8%
- IRA: até 15%
- Eclâmpsia: até 50%
- Morte materna: até 5%
- A presença de cefaleia, de alterações visuais e de epigastralgia aumenta significativamente o risco de eclampsia.
- Hidratação cuidadosa (alternar SG5%, SF0,9% e Ringer Lactato a 100 ml/h, com dose máxima de 150 ml/h e
infusões rápidas de 250 a 500 ml/h em casos de oligúria) em acesso venoso com jelco calibroso (número 18)
- Cateterismo vesical de demora com monitoração do débito urinário (idealmente mantendo acima de 20 ml/h)
- Considerar uso de corticoide para maturidade fetal, mas o quadro de saúde materno deve ser priorizado na
decisão do momento do parto.
- Hemoterapia se necessário
- Fazer avaliação laboratorial a cada 6-24 horas, dependendo da gravidade do quadro, até a estabilização desse
- Uso de corticoides:
• Não há evidência suficiente. O uso desses pode ser justificado em situações especiais em que o aumento das
plaquetas seja importante.
• A dexametasona endovenosa pode ser utilizada em casos com plaquetas abaixo de 50.000/dL, que vão para
cesariana ate o momento do nascimento.
• Esta recomendação pode ser uma tentativa de resgatar a plaquetopenia mesmo que temporariamente.
• Dose: Dexametasona 10 mg intravenosa a cada 12 horas antes do parto.
- Transfusão de plaquetas:
• Cada unidade de concentrado de plaquetas eleva as plaquetas em cerca de 5.000 mm3 a 10.000 mm3 no adulto
• Sangramento anormal e síndrome de HELLP
• Trombocitopenia grave (< 20.000 plaquetas), mesmo sem sangramento
• Em caso de cesariana, se plaquetas < 50.000/mm3
- Abaixo de 30 semanas com ausência de trabalho de parto e escore de Bishop < 5, a recomendação é de
cesariana eletiva após iniciar sulfato magnésio.
- Em gestantes com menos de 32 semanas e fetos com crescimento restrito e alteração do Doppler de artéria
umbilical, deve-se, preferentemente, realizar cesariana, excetuando-se os casos já em trabalho de parto.
- Deve-se ter bastante atenção com a perda sanguínea puerperal e com o risco de hipotonia uterina. Deste modo,
o uso profilático de ocitocina EV e misoprostol (retal ou intrautero) é importante.
- A cesárea:
• Na presença de plaquetopenia (< 100.000/mm3 ), recomenda-se a laparotomia mediana infraumbilical para
diminuir o risco de hematomas no descolamento aponeurótico.
• Havendo plaquetopenia abaixo de 75.000/mm3, deve-se evitar o bloqueio anestésico peridural ou subdural e
realizar anestesia geral.
• O uso de um dreno de aspiração é recomendado nas pacientes mais graves e, especialmente, naquelas com
CIVD, facilitando o controle pós-operatório. Podem ser utilizados o Dreno Portovac ou Blake.
- Em geral, nas primeiras 24 horas de puerpério, há uma piora transitória do quadro clinico, devido ao consumo
de plaquetas e fatores de coagulação. Essa piora é mais acentuada quando o nascimento ocorre por cesariana.
Não devemos, portanto, nos espelhar no processo pós-operatório da pré-eclâmpsia.
- Mesmo que a paciente não tenha ainda parâmetros clínicos para uma internação em unidade de tratamento
intensivo, ela deve ser internada nesse tipo de unidade para controlar de pronto qualquer tipo de alteração pós-
parto.
- O controle laboratorial será realizado utilizando se os mesmos parâmetros do diagnóstico (plaquetas, DHL, TGO,
bilirrubinas).
Diurese espontânea acima de 25ml/h, creatinina normal, queda no DHL, melhora nos níveis de plaquetas e
transaminases hepáticas significa que a doença entrou em remissão.
18.11) Tratamento das complicações da Síndrome HELLP:
20) Adendo:
Site para calculadora fullpiers:
https://pre-empt.obgyn.ubc.ca/home-page/past-projects/fullpiers/
Literatura da Aula