Resenha Crítica
Joana Soares Brito Guedes1
BERBEL, Neusi Aparecida Navas. As metodologias ativas e a promoção da au-
tonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, [S. l.], v. 32, n.
1, p. 25–40, 2012. Disponível em: <https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/semi-
nasoc/article/view/10326>. Acesso em: 11 ago. 2024.
Neusi Aparecida Navas Berbel, doutora em Educação pela Universidade
de São Paulo (USP), é uma educadora brasileira que tem contribuído para a
disseminação das metodologias ativas de ensino. Professora no Departamento
de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berbel dedica sua
carreira à pesquisa e ao ensino de Didática, com foco no desenvolvimento da
autonomia e do pensamento crítico dos estudantes. No artigo “As metodologias
ativas e a promoção da autonomia de estudantes” publicado na Revista Semina:
Ciências Sociais e Humanas, a pesquisadora defende que as metodologias ati-
vas são essenciais para transformar o processo educacional, tornando-o mais
participativo e significativo para os alunos.
A autora baseia-se em influências teóricas de Paulo Freire (1921-1997),
que defende uma educação emancipatória e dialógica, e de John Dewey (1859-
1952), que valoriza o aprendizado pela experiência (FREIRE, 1997; ROBERTS,
2002). Além disso, a obra dialoga com a Teoria da Autodeterminação de Deci &
Ryan (2000), que enfatiza a importância da autonomia para o engajamento e
sucesso acadêmico. A autora apresenta essas metodologias como alternativas
às práticas pedagógicas tradicionais que priorizam a memorização, propondo um
ensino focado no desenvolvimento de habilidades complexas.
Berbel argumenta que as metodologias ativas favorecem o desenvolvi-
mento da autonomia dos estudantes ao estimular a participação ativa, a reflexão
crítica e a aplicação prática do conhecimento. Dentre elas, a autora destaca: o
Estudo de Caso (estudo aprofundado de uma única situação real ou fictícia, pro-
movendo análise crítica e tomada de decisões fundamentadas), o Método de
Projetos (integração de teoria e prática na resolução projetos que refletem
1Joana Soares Brito Guedes é Pedagoga com pós-graduação em Psicopedagogia e Gestão
Escolar. Atualmente, é Mestranda em Ensino na Temática da deficiência Visual pelo Instituto
Benjamin Constant. E-mail:
[email protected].
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problemas reais a fim de desenvolver habilidades como trabalho em equipe e
gestão de tempo), a Aprendizagem Baseada em Problemas (pequenos grupos
de estudantes que trabalham juntos na resolução de problemas complexos que
não têm uma única solução) e a Problematização com o Arco de Maguerez (ob-
servação da realidade, definição de problemas, teorização, formulação de hipó-
teses e aplicação prática).
Segundo Berbel, essas metodologias não só aumentam a motivação in-
trínseca dos estudantes, mas também promovem o desenvolvimento de habili-
dades como a criatividade e a persistência. O professor, nesse contexto, deve
atuar como facilitador, ajudando os estudantes a assumirem maior responsabili-
dade pelo próprio aprendizado, ao invés de manter um papel controlador.
O artigo de Berbel contribui significativamente para o debate sobre a ne-
cessidade de reformulação do ensino no Brasil. A autora apresenta um argu-
mento convincente sobre o valor das metodologias ativas, apoiado por teorias
educacionais e exemplos práticos que reforçam sua eficácia. No entanto, o artigo
poderia explorar com mais profundidade os desafios práticos da implementação
dessas metodologias em contextos educacionais menos favorecidos, como es-
colas públicas com recursos limitados.
Além disso, Berbel menciona brevemente a importância da formação dos
professores, mas não discute amplamente as condições necessárias para que
as metodologias ativas sejam aplicadas com sucesso. A resistência a mudanças
pedagógicas e a falta de suporte institucional também são desafios que pode-
riam ser mais detalhados, considerando a diversidade de realidades educacio-
nais no Brasil.
Por outro lado, o foco da autora em uma educação que promove a auto-
nomia é extremamente relevante, especialmente em um contexto onde o ensino
ainda é amplamente baseado em práticas tradicionais e controladoras. O artigo
incentiva educadores a refletirem criticamente sobre suas práticas pedagógicas
e a buscarem alternativas que estimulem o desenvolvimento integral dos estu-
dantes.
Apesar das limitações, o artigo de Neusi Aparecida Navas Berbel é uma
contribuição valiosa para o campo da educação. Seu trabalho se torna essencial
para educadores que buscam práticas pedagógicas que vão além da transmis-
são de conteúdo, promovendo uma educação mais crítica e participativa.
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Referências Bibliográficas
BERBEL, Neusi Aparecida Navas. As metodologias ativas e a promoção da au-
tonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, [S. l.], v. 32, n.
1, p. 25–40, 2012. Disponível em: <https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/semi-
nasoc/article/view/10326>. Acesso em: 11 ago. 2024.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática
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