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Mapeamento da Vulnerabilidade Erosiva em SP

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MAPEAMENTO DA VULNERABILIDADE AOS PROCESSOS EROSIVOS A

PARTIR DE MÉTODOS MULTICRITERIAIS: UM ESTUDO SOBRE AS


CONDIÇÕES AMBIENTAIS DA BACIA HIDROGRÁFICA DA REPRESA LARANJA
DOCE, MARTINÓPOLIS (SP)1

RODRIGUES, Tiago2;
TOMMASELLI, José Tadeu Garcia3;
ARROIO JUNIOR, Paulo Ponce4

Recebido (Received): 2017- 08-31 Aceito (Accepted): 2017-12-22

Resumo
Este trabalho apresenta a aplicação de uma metodologia para identificar e mapear áreas vulneráveis a processos
erosivos a partir do estudo das condições ambientais da bacia da Represa Laranja Doce, localizada no município
de Martinópolis (Estado de São Paulo, Brasil), onde se encontram diversos tipos de uso e ocupação do solo. O
estudo teve como base teórica o balanço morfogênese/pedogênese para considerar a vulnerabilidade aos processos
erosivos, utilizando-se de informações sobre a geologia, declividade, geomorfologia, tipologia e usos de solo. O
mapeamento foi realizado em um sistema de informações geográficas a partir de métodos multicriteriais, sendo
um deles a Inferência Média Ponderada e o outro o suporte à decisão por Análise de Processos Hierárquicos (AHP),
e validado a partir do contraste com imagens de satélite. Os resultados caracterizam a situação ambiental da bacia
segundo o seu grau de vulnerabilidade aos processos erosivos e indicam que cerca de 70% de sua área é
considerada estável. Além disso, às análises realizadas qualificam a metodologia utilizada e evidenciam que tal
condição se dá em função das características das unidades de relevo e as formas de usos do solo e, portanto, uma
condição decorrente das ações do homem no Espaço Geográfico.

Palavras Chave: Mapeamento, Uso do Solo, Vulnerabilidade, Análise de Processos Hierárquicos, Sistema de
Informações Geográficas.

MAPEAMIENTO DE LA VULNERABILIDAD A LOS PROCESOS EROSIVOS A PARTIR DE


MÉTODOS MULTICRITERIO: UN ESTUDIO SOBRE LAS CONDICIONES
AMBIENTALES DE LA BACIA HIDROGRÁFICA DE LA REPRESA LARANJA DOCE,
MARTINÓPOLIS, ESTADO DE SÃO PAULO, BRASIL

Resumen
Este trabajo presenta la aplicación de una metodología que tiene como finalidad identificar y mapear áreas
vulnerables a procesos erosivos a partir del estudio de las condiciones ambientales de la cuenca de la Represa
Laranja Doce, ubicada en la ciudad de Martinópolis (Estado de São Paulo, Brasil), donde se encuentran varios
tipos de uso y ocupación del suelo. El estudio tuvo como sustento teórico el balance morfogénesis/pedogénesis
para considerar la vulnerabilidad a los procesos erosivos, utilizando informaciones sobre geología, declividad,
geomorfología, tipología y usos del suelo. El mapeo fue realizado por un sistema de informaciones geográficas a
partir de métodos multicriterios, como la Inferencia Media Ponderada y el suporte a la decisión AHP (Análisis de
Procesos Jerárquicos). La validación fue posible a partir del contraste con imágenes de satélite. Los resultados
caracterizan la situación ambiental de la cuenca segundo su grado de vulnerabilidad a los procesos erosivos e

1 Artigo resultante da monografia de bacharelado em Geografia intitulada “Diagnóstico Ambiental da bacia


Hidrográfica da represa laranja doce, Município de Martinópolis – SP” defendida em 2010 na Faculdade de
Ciências e Tecnologia da UNESP, campus de Presidente Prudente (SP).
2 Doutorando e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Engenharia Ambiental da Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo. [email protected]
3 Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNESP, Campus de Presidente Prudente
(SP). [email protected]
4 Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Engenharia Ambiental da Escola de Engenharia de São
Carlos da Universidade de São Paulo. [email protected]
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indican que casi el 70% de su área es considerada estable. Además, los análisis realizados califican la metodología
y evidencian que dicha condición es posible debido a la función de las características de las unidades de relevo y
a las maneras de usos del suelo, que son resultantes a las acciones del hombre en el Espacio Geográfico.

Palabras clave: Mapeo, Uso del suelo, Vulnerabilidad, Análisis de Procesos jerárquicos, Sistema de Información
Geográfica.

FROM VULNERABILITY MAPPING TO EROSIVE PROCESSES RESULTING FROM


MULTICRITERIAL METHODS: A STUDY ON THE ENVIRONMENTAL CONDITIONS OF
THE HYDROGENIC BASIN OF LARANJA DOCE DAM IN MATINÓPOLIS, SAO PAULO
STATE, BRAZIL

Abstract
This paper shows the application of a methodology to identifies and map vulnerable erosion areas thought the
study of the environmental conditions of Represa Laranja Doce basin located in the municipality of Martinópolis
(Sao Paulo state, Brazil), where there are various types of land use and occupation. The morphogenesis and
pedogenesis balance was used as a theoretical reference to consider vulnerability of erosive processes using
available information on geology, slope, geomorphology, soil typology and land use. This mapping was performed
by a geographic system information, through multi-criteria methods, one of them being the Weighted Average
Inference and the other one being the decision support of Analytic Hierarchy Process (AHP), and validated by the
contrast with satellite images. The results show the environmental conditions of the basin, according to its degree
of vulnerability of erosive processes, where about 70% of its area is considered to be stable. Besides, the carried
out analyses qualify the methodologyand it shows that such condition occurs due to the characteristics of the relief
units and the land use forms. Therefore, a condition which arises from relevant human’s actions in the Geographic
Space.

Keywords: Mapping; Land use, Vulnerability, Geographic Information System, Analytic Hierarchy Process.

1 Introdução

Este artigo apresenta a aplicação de uma proposta metodológica para estabelecer um


mapeamento da maior ou menor susceptibilidade que uma paisagem pode estar vulnerável ao
desenvolvimento de processos erosivos, ante as atividades transformadoras que nela ocorrem.
Assim este estudo tem como objeto de análise a bacia de hidrográfica da Represa Laranja Doce
situada no município de Martinópolis, bacia hidrográfica do Pontal do Paranapanema (UGRHI-22)5, na
região oeste do Estado de São Paulo.
Nesta bacia se concentram diversos tipos de uso e ocupação, tais como, as culturas
agrícolas, pastagens, ocupações urbanas, uso turístico/recreativo e vários outros, que envolvem
a Represa Laranja Doce, que por sua vez, apresenta um potencial turístico importante para a
diversificação econômica do município e da região (SERRANO, 2009).
A bacia se caracteriza pelas diversas formas de uso que resultam em um processo de
degradação constante dos recursos do ambiente natural, dentre os impactos ambientais ali

5 UGRHI-22 – Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Pontal do Paranapanema

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presentes, destacam-se principalmente, a formação de processos erosivos, que associados a ação
antrópica tendem a evoluir para graves quadros que afetam diretamente o meio ambiente e o
homem (SERRANO, 2009).
Assim, o mapeamento da vulnerabilidade aos processos erosivos permite diagnosticar a
possibilidade de ocorrência de problemas ambientais em uma determinada área, ao representar a maior
ou menor susceptibilidade que o ambiente pode estar sendo submetido, indicando as áreas mais
propensas à atuação destes processos.
O estudo tem como princípio o conceito de Ecodinâmica proposto por Tricart (1977),
ao relacionar o modo como diversos componentes/unidades ambientais da paisagem natural,
como por exemplo, a geomorfologia, a geologia, o uso e ocupação do solo, etc. se inter-
relacionam e influenciam nos processos de morfogênese e pedogênese.
Nesse contexto o procedimento mais adequado foi a análise por intermédio de um
Sistema de Informações Geográficas (SIG). Para isto, o mapeamento foi elaborado através do
software SPRING6 a partir de uma inferência por média ponderada obtida por programação em
LEGAL7, por meio de expressões booleanas e pelo suporte à decisão AHP (Análise de Processos
Hierárquicos). O presente artigo procura caracteriza a situação ambiental da bacia, sob a
perspectiva de sua vulnerabilidade aos processos erosivos frente às formas de ocupação e uso
dos recursos naturais, de modo que sua caracterização e análise se tornam importantes, pois são
instrumentos para ações de planejamento, ordenação e gestão dos recursos da bacia.

2 Caracterização da área de estudo

Situada na Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Pontal do


Paranapanema – UGRHI 22, a bacia da Represa Laranja Doce está situada na Bacia hidrográfica
do Ribeirão Laranja Doce, que atravessa os municípios de Indiana, Martinópolis, Regente Feijó
e Taciba, porção oeste do Estado de São Paulo (PEREIRA, 2012). A bacia em estudo está
localizada entre as coordenadas 22°08’31” S e 22°18’13” S e as coordenadas 50°59’36” W e
51°11’26” W, e conta com uma área de aproximadamente 216 Km² (Figura 1). A altimetria da
área varia entre 380 metros e 580 metros, sendo as maiores altitudes situadas na porção sudeste,
como também na cabeceira do Ribeirão Alegrete. Quanto ao clima, a classificação de Köppen

6 SPRING é um software desenvolvido pela Divisão de Processamento de Imagens do INPE e que conta com
funções de processamento de imagens, análise espacial, modelagem numérica de terreno e consulta a bancos de
dados espaciais.
7 LEGAL - Linguagem Espacial para Geoprocessamento Algébrico – é uma ferramenta do software SPRING
que possibilita a realização de análises espaciais através de álgebra de mapas.
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indica os tipos de clima, Aw e Cwa, onde atuam as massas polar atlântica, tropical continental
e tropical atlântica, chovendo em média 1200 a 1300 milímetros (BOIN, 2000). A bacia de
estudo está localizada ao sul do núcleo urbano e é composta por parte da área urbana de
Martinópolis, a represa Laranja Doce, a Cidade Balneária, os assentamentos rurais, e trechos
da rodovia Raposo Tavares e da linha férrea da Alta Sorocabana (Figura 1).

Figura 1 - Localização da bacia hidrográfica da Represa Laranja Doce

A Represa Laranja Doce é formada, principalmente, pela confluência dos Ribeirões


Alegrete, Laranja Doce e Estiva, que formam um espelho d’água com cerca de 1,46 km², praia
de 4 km de extensão e dista cerca de 12 quilômetros do centro urbano de Martinópolis. A represa
foi construída em 1920, quando a Companhia Elétrica Caiuá adquiriu as terras pertencentes à
fazenda Indiana no salto Laranja Doce, onde fora instalada uma usina geradora de energia
elétrica (SILVA et. al., 1996). A partir da década de 1950, intensifica-se o seu uso e ocupação
para fins recreativos, tornando a represa um dos principais pontos de atração turística da região
e um potencial diferencial de obtenção de recursos para o município (SILVA et. al. ,1996). Daí
a importância de estudos e ações que visem melhorar a qualidade ambiental da represa e
também de melhor aproveitamento do seu potencial turístico.

3 Embasamento teórico para a construção do mapa de vulnerabilidade a erosão

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A construção do mapa de vulnerabilidade à erosão tem como base os estudos
desenvolvidos por Crepani et al. (2001) para o Zoneamento Ecológico Econômico da
Amazônia. Esse estudo tem como base a teoria Ecodinâmica de Tricart (1977) sobre a análise
da morfodinâmica da paisagem para analisar imagens multiespectrais de satélites em ambiente
computacional.
A análise desenvolvida por Crepani et al. (2001) e adaptada a esse estudo, consiste em
comparar diferentes “unidades ambientais que compõem a paisagem natural”, como por
exemplo os aspectos relativos a geologia, geomorfologia, pedologia, e estabelecer relações
hierárquicas conforme a sua contribuição ao processo erosivo.
O conceito de “unidades da paisagem natural” utilizado por Crepani et al. (2001), refere-
se a um dos elementos das “unidades territoriais básicas”, que em síntese, referem-se a
aspectos/componentes da paisagem natural e de intervenção antrópica, onde se inscreve uma
combinação de eventos e interações, visíveis e invisíveis, que são passiveis de representação
cartográfica e georreferenciamento.
O grau de estabilidade ou vulnerabilidade à erosão de cada unidade é estruturado
conforme prevalecem a maior ou menor contribuição aos processos de morfogênese e de
pedogênese. A partir deste princípio, desenvolveu-se um modelo de avaliação do estágio de
evolução morfodinâmica das unidades ambientais, atribuindo valores de estabilidade de 1,0 a
3,0 conforme pode ser visto na Tabela 1:

Tabela 1 - Avaliação da vulnerabilidade das unidades de paisagem natural

Unidade Relação pedogênese / morfogênese Valor ou nota

Estável Prevalece a pedogênese 1,0

Intermediaria Equilíbrio entre pedogênese e morfogênese 2,0

Instável Prevalece a morfogênese 3,0


Fonte: CREPANI et al., 2001.

Este modelo é aplicado de modo individual a cada tema, ou “unidade/componente


ambiental da paisagem natural”8, respeitando uma abordagem holística, de modo que cada
unidade ambiental recebe um valor final resultante da média dos valores dos atributos que a

8
Neste trabalho, nomearemos como “Componente Ambiental”.
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compõem (CREPANI et al., 2001). Em outras palavras, é dar uma valoração ponderada a cada
classe temática que compõe uma determinada representação cartográfica.
Ao mesmo tempo deve estabelecer-se, hierarquicamente, como cada unidade ambiental
contribui para a morfogênese, para assim realizar a média ponderada de cada unidade
ambiental, cujo resultado permite representar o grau de estabilidade/vulnerabilidade à erosão
da paisagem analisada. Para tal, utilizam-se as técnicas de álgebra de mapas em ambiente
computacional, em substituição aos procedimentos manuais, para melhor integração e
representação da análise.

3.1 Valores de vulnerabilidade à erosão as unidades da paisagem

O princípio de atribuição de ponderações, da metodologia de Crepani et al. (2001), é


aferir valores ponderados aos atributos presentes em cada unidade ambiental, tendo como
referência as diferenciações de um determinado atributo na natureza. Assim, para a
determinação das classes de vulnerabilidade foram atribuídos valores empíricos em uma escala
de “1,0” a “3,0”, tendo como referência as classes de vulnerabilidade definidas por Crepani et
al. (2001), conforme as características (Vulnerabilidade/Estabilidade) de cada critério de
avaliação. Os critérios de avaliação adotados neste trabalho foram adaptados de Ribeiro e
Campos (2007) e Crepani et al. (2001), como apresenta a Tabela 2.

Tabela 2 - Critério de avaliação das variáveis (unidades ambientais)


Variáveis
Critérios
(componente ambiental)

Geologia Grau de coesão das rochas

Pedologia Grau de desenvolvimento do solo

Geomorfologia Suscetibilidade de desgaste da forma do relevo

Declividade Variação da Declividade

Proteção oferecida ao solo em função


Uso do Solo
da densidade da cobertura vegetal
Fonte: RIBEIRO. L, F; CAMPOS, S., 2007 e CREPANI et al., 2001

Nesse sentido, as condições ambientais da bacia em estudo serão analisadas e mapeadas sob
esses critérios, em ambiente SIG, tendo como referência as classes de vulnerabilidade definidas por
Crepani et al. (2001).

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3.1.1 Geologia

Em relação as características geológicas, deve-se dar destaque ao tipo de rocha


predominante, conforme o grau de coesão das rochas, como indica a Tabela 3.

Tabela 3 - Escala de vulnerabilidade à denudação das rochas mais comuns


Rocha Vulnerabilidade/Estabilidade.
Quartzitos ou metaquartzitos 1,0
Riólito, Granito, Dacito 1,1
Granodiorito, Quartzo Diorito, Granulitos 1,2
Migmatitos, Gnaisses 1,3
Fonólito, Nefelina Sienito, Traquito, Sienito 1,4
Andesito, Diorito, Basalto 1,5
Anor tosito, Gabro, Peridotito 1,6
Milonitos, Quartzo, Clorita xisto 1,7
Anfibolito Kimberlito, Dunito 1,8
Actinolita xisto 1,9
Estaurolita xisto, Xistos granatíferos 2,0
Filito, Metassiltito 2,1
Ardósia, Metargilito 2,2
Mármores 2,3
Arenitos quartzosos ou ortoquartzitos 2,4
Conglomerados, Subgrauvacas 2,5
Grauvacas, Arcózios 2,6
Siltitos, Argilitos 2,7
Folhelhos 2,8
Calcários, Dolomitos, Margas, Evaporitos 2,9
Sedimentos Inconsolidados: Aluviões, Colúvios etc. 3,0
Fonte: RIBEIRO. L, F; CAMPOS, S., 2007 e CREPANI et al., 2001

A bacia de estudo está inserida na Formação Adamantina, na unidade Ka4 em que se


encontram arenitos finos e muito finos, quartzosos com frequente intercalações de argilitos e
siltitos, formando bancos espessos (IPT, 1981). Localmente, arenitos com agrupamentos de
argila, também havendo moderada presença de cimentação carbonática. Dessa forma, ao levar
em consideração a vulnerabilidade dos tipos de rochas mais comuns, atribuiu-se o valor de 2,7
a esta unidade, uma vez os argilitos e siltitos são os mais recorrentes.

3.1.2 Pedologia

A vulnerabilidade dos solos é estabelecida, segundo Crepani et al. (1996), de acordo


com o seu respectivo grau de desenvolvimento. Portanto, de modo geral, um ambiente natural
estável que favorece o processo de pedogênese, apresenta consequentemente solos mais
desenvolvidos e intemperizados, enquanto que em um ambiente instável prevalece a denudação
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do relevo, tendo o predomínio de processos erosivos, portanto solos mais novos e
inconsistentes. Dessa forma, utilizou-se como base para atribuir valores aos solos
predominantes na bacia, os valores de vulnerabilidade/estabilidade dos solos, adaptado por
Ribeiro e Campos (2007), conforme indica a Tabela 4.

Tabela 4 - Valores de vulnerabilidade/estabilidade dos solos

Vulnerabilidade/
Classes de solo
Estabilidade

Latossolos (Amarelo, Vermelho e Bruno) 1,0


Argissolo, Luvissolo, Alissolo, Nitossolo,
Chernossolo, Planossolo e Espodossolo 2,0

Cambissolos 2,5
Neossolo, Neossolo, Quartzarênico, Vertissolo,
Organossolo,Gleissolo, Plintossolo, 3,0
Chernossolo Rêndzico e Afloramento Rochoso
Fonte: RIBEIRO. L, F; CAMPOS, S., 2007 e CREPANI et al., 2001

A área da bacia da Represa Laranja Doce é composta pela predominância de duas classes
de solo, os Latossolos e os Argissolos (ESTADO DE SÃO PAULO, 1998), portanto esta
unidade recebe respectivamente, pesos 1 e 2.

3.1.3 Geomorfologia e Declividade

Para ponderarmos os valores de vulnerabilidade para os temas geomorfologia e


declividade, houve a necessidade de adaptarmos proposições já definidas. Quanto a
geomorfologia, utilizou-se os parâmetros gerais definidos por Crepani et al. (1996;2001) para
o tema, ou seja, os valores de suscetibilidade obtidos pela média dos fatores morfométricos que
o compõem (no caso, a dissecação do relevo pela drenagem, a amplitude altimétrica e a
declividade). A tabela 5 sintetiza as preposições do autor sobre a ponderação das formas do
relevo.

Tabela 5 - Valores de ponderação para a vulnerabilidade à erosão das formas gerais do relevo
Valor de ponderação a
Formas de relevo e/ou acumulação
vulnerabilidade

Entre as formas de relevos planos a suavemente ondulados, como as superfícies


1,0 a 1,6
pediplanadas, os interflúvios tabulares e as colinas de topos aplainados.

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Para as formas de relevos ondulados, dissecados em colinas. 1,7 a 2,3

Para os relevos fortemente ondulados a escarpados, dissecados em cristas, ravinas e


2,4 a 3,0
pontões.

Quanto às formas de acumulação, como as planícies e os terraços, de origem fluvial,


marinha ou lacustre:

a) para os terraços, áreas de relevo plano e estáveis; 1,0

b) para as planícies, áreas sujeitas à inundação e de intensa morfodinâmica, nas quais os


processos de morfogênese predominam sobre a pedogênese e, portanto, apesar do relevo 3,0
plano, são muito instáveis.
Fonte: CREPANI et al., 1996;2001

Ao se comparar os valores estipulados às formas gerais do relevo, com as características


do relevo da área de estudo, temos a seguinte ponderação (Tabela 6).

Tabela 6 - Ponderação da vulnerabilidade à erosão das formas gerais do relevo da bacia hidrográfica da Represa
Laranja Doce
Valor de
Domínio de relevo presente na bacia ponderação
adotado

Relevo colinoso

1,6
Colinas amplas – predominam interflúvios com área superior a 4 km2, topos extensos e
aplainados, vertentes com perfis retilíneos a convexos.

Relevo de morros com encostas suavizadas


2,0
Morros amplos – constituem interflúvios arredondados com área superior a 15 km2, topos
arredondados a achatados, vertentes com perfis retilíneos a convexos.

Quanto ao tema declividade, houve a adequação dos valores ponderados estipulados por
Ribeiro e Campos (2007) para as classes de declividade presentes na área de estudo.
Vale ressaltar que o tipo e o modo como se dispõem as inclinações no relevo favorecem,
ou não, o processo erosivo, pois quanto maior o grau de inclinação da encosta e maior o
comprimento da rampa, maior o desprendimento de partículas, bem como o carreamento de
sedimentos. Neste contexto, os valores próximos de 1,0 da escala de vulnerabilidade estão
associados a pequenos ângulos de inclinação das encostas, situação em que prevalecem os
processos pedogenéticos e os valores mais próximos de 3,0 estão associados a situações de
maior declividade, onde prevalecem os processos morfogenéticos. A partir da escala proposta

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pelo autor, normatizou-se os valores de vulnerabilidade às classes de declividade presentes na
área de estudo, como indicado na Tabela 7, para os terraços, áreas de relevo plano e estáveis.

Tabela 7 - Valores de vulnerabilidade para as classes de declividade encontradas na bacia da Represa Laranja
Doce
Classes morfométricas Declividade (%) Valores de Vulnerabilidade Área em (km²)
Muito Baixa 0-3 1,0 87.97
Baixa 3-5 1,5 63.07
Baixa Média 5 - 12 2,0 56.44
Alta 12 - 20 2,5 5.23
Muito Alta >20 3,0 0.66

Em sintese, deve-se destacar, que a influência do relevo no processo de erosão está


relacionada com a sua morfologia, que se subdivide em morfografia, aspectos descritivos do
terreno (como sua aparência) - no caso o enfoque foi a forma dos topos a partir da classificação
geral proposta pelo IPT (1981) e em morfometria, aspectos quantitativos, como a declividade,
que foram adequadas conforme as classes de declividades presentes na bacia.

3.1.4 Uso e ocupação do solo

Para estabelecer as classes de vulnerabilidade para os diferentes tipos de uso do solo levou-se
em consideração a relação de proteção oferecida ao solo, em função da densidade da cobertura
vegetal. Logo, temos como pressuposto que a densidade e o tipo da cobertura representam uma
forma de defesa contra os efeitos dos processos modificadores das formas de relevo, incluindo
a proteção dos solos. Ao mesmo tempo que a intervenção antrópica e os tipos de uso e ocupação
sem controle potencializam os efeitos dos processos morfogenéticos.
Neste sentido, para se atribuir os valores de vulnerabilidade das formas de uso, utilizou-
se como base a análise do mapa de uso e ocupação (Figura 2) e assim estruturou-se a seguinte
escala de vulnerabilidade a erosão (Tabela 8).

Figura 2 - Esquema geral dos tipos de usos e ocupações do solo presentes na bacia da Represa Laranja Doce

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Tabela 8 - Valores de vulnerabilidade à erosão das classes de uso e ocupação do solo, na bacia da Represa
Laranja Doce
Tipo de uso e ocupação / Detalhamento Valores
Água
Nulo
Não colabora para atenuação de processos erosivos
Matas
Apresenta a maior proteção aos processos erosivos, devido à presença de diferentes tipos e portes de 1,0
espécies arbóreas, que além de proteger o solo de agentes erosivos, também fornece nutrientes.
Culturas agrícolas
Cabe destacar, que no caso de culturas agrícolas desde que cultivadas mediante a técnicas que venham
conservar o solo são sempre positivas, uma vez que as culturas, em sua maioria, são plantadas em
épocas de maior precipitação, contribuindo, assim, para a proteção do solo.
2,5
No entanto, no caso da bacia de estudo, os principais problemas erosivos estão ligados as atividades
agropecuárias, que ocupam de modo intensivo e desordenado os recursos naturais. O reflexo é a
grande perda de solo causada pela rotação de culturas e o assoreamento dos córregos, configurando o
principal problema ambiental da bacia.
Pastagens
Oferecem o mínimo de cobertura e proteção do solo aos agentes do processo erosivo, principalmente
2,0
ao amortecer o impacto das águas da chuva. Nestas áreas também se encontram a formação de
ravinametos e sulcos devido a atividade pecuária.
Nota Explicativa: A cobertura vegetal da superfície do terreno varia de acordo com a espécie, a
densidade de plantio ou da vegetação, a altura da vegetação, a área foliar e tipologia florestal, e
podem afetar diretamente a erodibilidade de um solo. Assim, o tipo de cobertura do solo é um fator
importante para a proteção do solo e atenuação das perdas.
Urbano
A impermeabilidade do solo e a presença de infraestruturas pluviais adequadas ao recebimento das
águas fornecem proteção ao solo. No entanto, a maioria dos problemas erosivos no meio urbano está
1,5
relacionada à falta de planejamento e a falta de infraestruturas adequadas que receba e direcione as
águas pluviais ao meio natural, de modo a desencadear diversos problemas, entre eles a erosão. Cabe
destacar, que tal situação não se difere na área urbana da bacia.
Cidade Balneária
A cidade balneária, esta sujeita a uma situação de vulnerabilidade superior à área urbana, por não
apresentar infraestruturas de pavimentação e saneamento, como galerias pluviais e vias de acesso sem 2,0
pavimento em boa parte de sua área, que em conjunto às atividades de urbanas, agrícolas e de
recreação favorecem o processo erosivo.
Solo exposto
3,0
Expõe o solo diretamente a ação dos agentes erosivos.
Nota Explicativa: Além da importância da cobertura vegetal, o tipo de uso, ocupação e manejo do solo
devem-se levados em consideração. Destacam-se, como contribuintes ao processo erosivo, a ocupação

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desordenada e o uso de praticas não conservativas do solo. Tais fatores estão associados a uma gama de
processos sociais, econômicos e políticos que refletem nas formas de uso da terra.
Fonte: Adaptado de PEREIRA, R. A., 2012

Deve-se destacar que os aspectos demonstrados pela “unidade ambiental uso do solo”,
permitem identificar de forma integrada os diferentes cenários produzidos pelo homem a partir
da produção do espaço, tornando-se assim um elemento chave para a análise ambiental, bem
como para a construção do mapa de vulnerabilidade aos processos erosivos.

3.2 Materiais e procedimentos

Para realizar o mapeamento da vulnerabilidade aos processos erosivos utilizou-se o


software SPRING 5.1.4, desenvolvido pelo INPE9, para a integração e análise dos dados e
informações. Inicialmente houve o pré-processamento dos dados, ou seja, a criação do banco
de dados e de um projeto no SPRING, e a importação de vetores georreferenciados, (vetorizados
manualmente em ambiente SIG), do mapeamento topográfico realizado pelo IBGE (2017) na
escala 1:50.000, datum SAD-69 das folhas SF-22-Y-B-III-2 (Martinópolis) e SF-22-Y-B-III-4
(Cabeceiras do Jaguaretê).
As informações iniciais importadas foram as curvas de nível e a representação vetorial
da rede de drenagem, que serviram de base para gerar o Modelo Numérico do Terreno (MNT)
da declividade da bacia e um modelo do relevo através de interpolação (INPE, 2006). Em
seguida, houve a compilação (importação e utilização de representações da área de estudo) de
cartas temáticas da região. As informações referentes aos solos e à geologia da bacia de estudo
foram obtidas a partir das cartas do meio físico, no formato digital (vetores), escala 1:250.000,
provenientes do Diagnóstico da Situação dos Recursos Hídricos no Pontal do Paranapanema –
Relatório Zero (ESTADO DE SÃO PAULO, 1998).
Quanto à geomorfologia tem-se como referência, o mapeamento geomorfológico do
estado de São Paulo, elaborado pelo IPT 10 em 1981. Para obtenção de informações relativas ao
uso da terra na área de estudo, utilizou-se as imagens multiespectrais CBERS 2B
(disponibilizadas gratuitamente pelo INPE), sensor CCD, com resolução espacial de 20 metros,
datada de 10 de setembro de 2007. Assim, importou-se um recorte da imagem, realizou-se o
georreferenciamento e a classificação das bandas multiespectrais 1, 2, 3, e 4 (RGB,

9 INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Tecnológicas


10 IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
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respectivamente). Esta última foi realizada através da classificação supervisionada por pixel,
através do método de máxima verossimilhança, que detectou os tipos de cobertura da imagem
com base na semelhança de pixels pré-selecionados. As classes definidas pela classificação
foram: água, matas, culturas agrícolas, pastagens, área urbanizada, cidade balneária e solo
exposto; sendo identificadas a partir de técnicas de fotointerpretação e através do classificador
Maxver (INPE, 2006), com limiar de aceitação de 99%.
Tendo por base os mapeamentos de uso da terra (tipo de uso), da geologia (litologia), dos solos
(tipo), do modelo de declividade e da geomorfologia, procedeu-se o desenvolvimento de rotinas para a
conversão de dados vetoriais em formato matricial (raster) e realizaram-se as operações de álgebra de
mapas para a geração do mapa de vulnerabilidade aos processos erosivos.

3.3 Procedimentos operacionais


A integração e ponderação dos dados obtidos foi realizada no aplicativo SPRING a partir
da ferramenta de suporte de decisão em AHP e a inferência booleana em linguagem LEGAL
(INPE, 2006). Desta forma, comparou-se hierarquicamente como tais componentes ambientais
contribuem para o processo erosivo, estabelecendo-se a seguinte hierarquia:

uso e ocupação solo > declividade > geomorfologia > pedologia > geologia

Desta forma, a unidade de uso e ocupação sempre prevalece sobre as demais unidades,
devido a sua maior interferência no processo morfogenético, enquanto que a unidade geológica
é a que menos interfere em tal processo.
O suporte à decisão AHP, compara as relações de importância das unidades ambientais
do mapeamento e atribui determinado peso de importância de cada componente em relação aos
demais na influência do processo erosivo. Assim, denominou-se pesos de 2 a 5, de modo que
sempre um componente ambiental, em relação a outro, sempre contribui a mais para o processo
erosivo do que a outra unidade comparada. Desta forma não há peso unitário de valor 1
(importância igual – onde dois fatores contribuem igualmente para o objetivo), na análise
desenvolvida.
O resultado dessa aplicação gerou um programa em LEGAL, com razão de consistência
(“racionalidade” da operação) de 0,015. Tal programação realizou a integração das informações
a partir de uma operação de inferência por média ponderada, cujo resultado foi uma matriz
numérica com valores que variavam entre 1.20239997 (valor mínimo) e 2.62150002 (valor
máximo).
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A partir desta grade, realizou-se a operação de fatiamento e associação de classes
temáticas com base em uma escala de vulnerabilidade à erosão, conforme indica a tabela 9,
adaptada das definições de Crepani et al. (2001).

Tabela 9 - Classes temáticas associadas aos valores de vulnerabilidade.


Vulnerabilidade Classe temática
1,0 – 1,5 Estável
1,5 – 2,0 Medianamente estável
2,0 – 2,5 Medianamente vulnerável
2,5 – 3,0 Vulnerável

Enfim, podemos esquematizar os procedimentos técnicos adotados para a construção da


carta de vulnerabilidade à erosão, a partir do seguinte esquema (Figura 3).

Figura 3 - Procedimentos para a elaboração de uma carta de vulnerabilidade à erosão

Esta análise não consiste simplesmente em espacializar polígonos que identificam as


categorias de uso na área trabalhada. Para a interpretação dos dados foi também necessário
realizar consultas a documentos e pesquisas existentes, trabalhos de campo e aferições in loco,
de modo a construir um conjunto de informações sobre a área.

4 Resultados e discussões

A seguir, apresenta-se a análise dos tipos de uso e ocupação do solo da bacia da Represa
Laranja Doce como forma de identificar o cenário de ocupação em 2010, os resultados da
construção do mapa de vulnerabilidade aos processos erosivos e, também, a sua aferição.

4.1 Uso e ocupação da bacia hidrográfica da Represa Laranja Doce

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A análise das formas de uso e ocupação do solo é uma forma de retratar como as
atividades humanas podem interferir sobre os elementos naturais da paisagem, sendo assim um
meio importante de aquisição de informações sobre os meios biofísicos e socioeconômicos
(SANTOS, 2004).
A Figura 4 apresenta o mapa de uso e ocupação da bacia hidrográfica da Represa Laranja
Doce em 2010, cuja as classes foram geradas a partir da classificação supervisionada.

Figura 4 - Mapa de uso e ocupação do solo da bacia hidrográfica da Represa Laranja Doce

Para a classificação dos tipos de uso e ocupação da bacia, foram consideradas oito
classes, sendo elas, água, culturas agrícolas, urbano, cidade balneária, matas, pastagens e solo
exposto.

4.2 Análise da vulnerabilidade aos processos erosivos na bacia hidrográfica da Represa


Laranja Doce

O resultado do processo de integração dos dados realizado a partir da inferência por


média ponderada, obtida pela programação em LEGAL, é o mapa de vulnerabilidade aos

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processos erosivos, como apresenta a figura 5. Em seguida mensurou-se as percentagens das
classes identificadas conforme mostra a tabela 10.

Figura 5 - Mapa de Vulnerabilidade à Erosão

Tabela 10 - Área em km² das classes de vulnerabilidade aos processos erosivos e a escala de vulnerabilidade

Vulnerabilidade Classe Área em Km² Área em (%)

1,0 – 1,5 Estável 35.861.500 16,6

1,5 – 2,0 Moderadamente Estável 112.118.800 51,9

2,0 – 2,5 Moderadamente Vulnerável 65.000.400 30,1

2,5 – 3,0 Vulnerável 3.249.200 1,5

Área total das classes: 216.229.900 100,1

Cabe ressaltar que as classes de vulnerabilidade adotadas, assumem uma escala de


grandeza conforme o estabelecido nas metodologias empregadas. Desse modo, as classes
definidas como estáveis e moderadamente estáveis corroboram para os processos

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pedogenéticos, enquanto as classes moderadamente vulneráveis e vulneráveis estão associadas
aos processos morfogenéticos. Os resultados obtidos são discutidos a seguir.

4.2.1 Classe de vulnerabilidade estável


Esta classe, ocupa cerca de 17% da área total da bacia e compreende as áreas em que se
encontram a maioria das unidades ambientais de Latossolos, do domínio das colinas amplas e
de declividade entre 3 - 12%.
No entanto, é a presença de uma vegetação densa e preservada é o que melhor
caracteriza esta classe, de modo que ela se encontra mais presente na porção leste do mapa e
apresenta uma configuração semelhante a classe de matas do mapa de uso e ocupação da bacia,
a Figura 6 exemplifica esta ocorrência.

Figura 6 - Exemplificação da classe de vulnerabilidade estável

4.2.2 Classe de vulnerabilidade moderadamente estável

A classe de vulnerabilidade moderadamente estável é a que se apresenta de forma mais


expressiva na bacia e compreende 52% da área da bacia. Esta classe concentra-se
principalmente nas áreas limites da bacia, aproximando as áreas de topos (ou divisores de água).
São áreas em que se predominam os Latossolos, as classes de colinas amplas e de declividade
baixa que se localizam de forma aplainada. Quanto às classes de uso e ocupação do solo, a
vulnerabilidade moderadamente estável se aproxima principalmente das formas das classes de
culturas, área urbana, cidade balneária e pastagens.
Ao apresentar diferentes formas de uso e proteção ao solo, esta classe compreende as
áreas de maior pressão antrópica e suas atividades derivadas, influenciando diretamente no
equilíbrio morfodinâmico da bacia. A figura 7 exemplifica a relação entre os tipos de uso e a
classe de vulnerabilidade moderadamente estável.

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Figura 7- Exemplificação da classe de vulnerabilidade moderadamente estável

4.2.3 Classes de vulnerabilidade moderadamente vulnerável e vulnerável

As classes de vulnerabilidade moderadamente vulnerável e vulnerável representam,


respectivamente, 30% e apenas 1%. A classe moderadamente vulnerável compreende,
principalmente, áreas em que se encontram os argissolos, as colinas amplas, e declividade
media acentuada, 5 -12 e 12 - >20, onde predominam o uso de solos expostos e de culturas. A
Figura 8 exemplifica uma das áreas de sua ocorrência.

Figura 8 - Exemplificação de ocorrência de área de classe moderadamente vulnerável

A classe de vulnerabilidade vulnerável está relacionada a áreas especificas,


principalmente naquelas em que o declive é maior que 20%, que apresentam Argissolos e áreas
de solo exposto. Essa classe é pouco expressiva, visto as características da bacia; no entanto,
com situações ideais para a instalação de processos erosivos. A figura 9 abaixo demonstra esta
ocorrência.

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Figura 9 - Exemplificação de ocorrência de área de classe vulnerável

Deve-se destacar que esses locais, em que ocorrem vulnerabilidade moderadamente


vulnerável e vulnerável, possuem baixa densidade de cobertura vegetal e uso intensivo do solo
(culturas e pastagens); portanto, não suficiente para impedir o predomínio de processos
morfogenéticos. A continuidade destas atividades sem um devido planejamento e práticas
conservacionistas do solo, podem agravar ainda mais a vulnerabilidade existente, bem como
áreas estáveis assumirem este grau de vulnerabilidade.

4.2.4 Aferição dos resultados

A fim de se aferir a veracidade do mapeamento desenvolvido frente a situação real da


bacia, contrastamos os seus resultados frente a imagens Google Earth (GOOGLE, 2017) de
outubro de 2010. O resultado desta aferição são as figuras 10, 11 e 12 que indicam as classes
de vulnerabilidade moderada e vulnerável, além da ocorrência de diversos pontos com
processos erosivos. Ao se analisar a correlação elaborada, nota-se a presença de diferentes tipos
de processos erosivos lineares, no caso voçorocas, sulcos, ravinamentos e processos de
assoreamento.

Figura 10 - Correlação entre as classes de vulnerabilidade e a ocorrência de processos erosivos nas


proximidades do Ribeirão Alegrete

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As ravinas e voçorocas destacadas à esquerda, na Figura 10, são efeitos da drenagem
fluvial urbana, de modo que a primeira imagem indica uma área em que não é definida como
moderadamente vulnerável, enquanto a segunda sim. Do mesmo modo que a primeira imagem
superior direita indica um processo de assoreamento, decorrente do processo erosivo a
montante. Já a imagem inferior direita, aponta processos de assoreamento e erosão em uma área
moderadamente vulnerável e é decorrente de atividades agropecuárias.
Na figura 11 se destacam processos erosivos de formação de sulcos e ravinas,
decorrentes de atividades agrícolas e pecuárias. Na imagem inferior direita, aponta-se a
formação de um processo de assoreamento advindo das atividades realizadas ao lado da mata
em destaque. Ao que tudo indica o córrego era utilizado para dessedentação do gado.

Figura 11 - Correlação entre as classes de vulnerabilidade e a ocorrência de processos erosivos nas


proximidades do Córrego do Burrinho e Potrinho

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Ao analisar a classe de vulnerabilidade identificada como vulnerável, que está
localizada em um ponto próximo a represa Laranja Doce, não tem necessariamente um tipo de
processo erosivo em evidência (Figura 12), mas contém elementos/condições que a torna mais
sujeita a esses processos do que outras e isso decorrente das ações de proteção e manejo do
solo, neste caso a área é uma zona úmida junto a uma nascente (olho d'água) voltada a represa
(Figura 13).

Figura 12 - Sobreposição das classes de vulnerabilidade na imagem GoogleEarth, ano de 2010 (GOOGLE,
2017), na porção sul da represa Laranja Doce

Figura 13 - Área classificada como vulnerável, na porção direita, onde há vegetação e a área úmida em 2017

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Nesse sentido, a análise permitiu identificar as áreas em que há a maior
vulnerabilidade/probabilidade de ocorrência de processos erosivos. A correlação estabelecida
evidencia que em grande parte da bacia há presença de diferentes tipos de processos erosivos
lineares. Tais processos, conforme descrito por Guerra, Silva e Botelho (1999), de modo geral,
têm sua origem e proporção relacionada à concentração do escoamento (ou fluxo) da água no
solo, que resultam nas suas diferentes feições erosivas e que também podem ser potencializados
pela ação do homem.
Tem-se como exemplo, o estágio acelerado das erosões nas cabeceiras do Ribeirão
Alegrete, conforme já mostrado na Figura 10, enquanto que no restante da bacia apresentam-
se, em sua maioria, em estágio moderado.
Quanto aos tipos de uso do solo destas áreas que contêm processos erosivos de
classificação moderadamente vulnerável e vulnerável, há a presença de culturas agrícolas,
atividades agropecuárias e, no caso das grandes ravinas e voçorocas, estas estão associadas a
problemas decorrentes da drenagem urbana, devido a proximidade com o centro urbano de
Martinópolis. Vale ressaltar, que os efeitos gerados por este problema (processo de
voçorocamento) se estende por quase todo o Ribeirão Alegrete, de modo que em alguns pontos
se encontram os acúmulos de sedimentos, cujo destino final é a represa Laranja Doce (Figura
10).
Logo, compreende-se que estes processos estão diretamente ligados as atividades
humanas no uso do solo, e que são potencializados ao incidirem em áreas predispostas a
processos erosivos. O mapa de vulnerabilidade destaca que as áreas mais propensas a ação de
processos erosivos (classes moderadamente vulnerável e vulnerável) se encontram próximas
aos cursos d’água. Isto ocorre, porque estas áreas apresentam declividade mais acentuada, já
que são pontos íngremes das vertentes (baixas vertentes), com solos mais friáveis como os
Argissolos, que combinado com o tipo de uso ou cobertura vegetal, pode potencializar essas

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áreas aos processos erosivos. Ao mesmo tempo, as áreas classificadas como estáveis e
moderadamente estáveis, são menos susceptíveis aos processos erosivos, pois são áreas em que
predominam solos menos erodíveis, como os Latossolos, de terrenos mais aplainados, de
cobertura vegetal mais densa ou usos menos intensivos.

5 Considerações finais

A metodologia e as geotecnologias adotadas para a construção desta análise se


mostraram satisfatórias, sendo seus resultados coerentes com a realidade da área de estudo.
Constatamos que as áreas Moderadamente estáveis (52%) e Estável (17%) predominam em
cerca de 70% da bacia e isso é decorrente das formas de uso do solo dessas áreas, no caso, as
matas, as de reflorestamento e as de pastagens. Enquanto que as áreas Moderadamente
vulnerável (30%) e vulnerável (1% ) decorrem da combinação de usos do solo voltado a culturas
agrícolas e solo exposto, junto as declividades entre 5% e >20%.
Compreende-se que os problemas ambientais ocorridos em determinada área interferem
em toda a bacia e causa impactos diretos à represa Laranja Doce, como o processo de
assoreamento e de degradação da qualidade da água.
A vulnerabilidade aos processos erosivos se dá em função das características das
unidades do relevo (declividade, tipo de solo e geologia), a combinação das formas usos do solo
(vegetação, pastagem, matas, área urbana e etc.) e, principalmente, inerente da ação do homem
no Espaço Geográfico. O mapa de vulnerabilidade aos processos erosivos se torna uma
aplicação para a identificação de áreas/ambientes a serem protegidas em função das formas de
uso de solo, ao indicar áreas mais propensas à ocorrência de processos erosivos.
Portanto a realização de estudos como este pode contribuir para políticas de
planejamento e gestão regional, bem como, contribuir como subsidio a novos trabalhos que enfoquem
as questões aqui apresentadas.

Agradecimentos

Este trabalho foi desenvolvido como parte dos requisitos para obtenção do grau de
bacharelado em Geografia e contou com a ajuda de muitos colegas de graduação, em especial
o Paulo Ponce com o manuseio e dúvidas no SIG e do forte incentivo do Professor José Tadeu
Garcia Tommaselli.
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