Aula 01
Tema 1 – A Definição Hobbesiana
Contratualismo de Hobbes: Hobbes acredita que a sociedade surge de um contrato entre indivíduos livres.
Ele descreve um estado de natureza onde os indivíduos são livres para usar todos os meios disponíveis para
satisfazer seus desejos, o que resulta em uma liberdade ilimitada.
Liberdade Natural: No estado de natureza, não há restrições e todos têm liberdade para agir de acordo com
seus interesses. Isso leva a uma guerra de todos contra todos, já que a ausência de limites provoca violência
constante.
Consequência da Liberdade Ilimitada: A liberdade ilimitada de todos resulta na impossibilidade de progresso
na sociedade. Sem garantias de segurança, ninguém investe em atividades duradouras, pois o risco de ter
seus bens tomados é constante.
Estado de Guerra e a Violência: Nesse cenário de liberdade absoluta, a única relação entre os seres humanos
é a violência direta, já que não há nenhum tipo de instituição que regule ou limite esse comportamento.
A Busca pela Segurança: Os seres humanos, apesar de sua natureza agressiva, valorizam a segurança. Por
isso, eles escolhem abrir mão de sua liberdade natural em troca da segurança coletiva.
O Contrato Social: Para resolver o problema da insegurança, Hobbes propõe um contrato social, no qual os
indivíduos renunciam ao direito de usar a violência. Isso resulta na criação de um poder soberano (o Estado),
que detém o monopólio da violência, garantindo a obediência à autoridade e estabelecendo uma ordem
política.
Tema 2 – A Definição Maquiavélica
O Político e o Coletivo: Maquiavel defende que a política deve ser entendida como ela é, não como
gostaríamos que fosse. A política tem como característica principal a busca pelo sucesso coletivo, enquanto a
moral foca no comportamento individual.
Virtù do Príncipe: Para Maquiavel, a virtude de um príncipe está em agir com eficácia diante das
circunstâncias, conseguindo poder e mantendo-o. O príncipe deve fazer o que for necessário para conquistar
e exercer o poder, mesmo que isso envolva contrariar seu próprio código moral.
Fim Justifica os Meios?: Maquiavel não afirma que os fins sempre justificam os meios. Em certos casos, a
violência pode ser justificada (exemplo: combater o nazismo), mas em outros, os meios podem corromper os
fins (exemplo: eliminar adversários políticos em nome da liberdade).
Dinâmica de Luta pelo Poder: A política é uma luta constante por poder. A resolução de problemas dentro de
uma comunidade política ocorre por meio de disputas pelo poder, sendo o príncipe virtuoso aquele que
consegue garantir sua posição e realizar seus objetivos.
Tema 3 – A Definição Schmittiana
A Oposição Amigo vs. Inimigo: Para Carl Schmitt, a política é marcada pela oposição entre amigos e inimigos.
Ao contrário da economia ou da arte, que lidam com antinomias como caro/barato ou belo/feio, a política é
definida pela relação entre quem é amigo e quem é inimigo.
O Inimigo Público: O inimigo na política, para Schmitt, não é pessoal, mas sim uma ameaça à comunidade à
qual pertencemos. A hostilidade é direcionada contra quem ameaça a existência do grupo, seja um inimigo
externo (como um Estado estrangeiro) ou interno (como grupos subversivos).
Estado de Guerra Latente: A política verdadeira envolve um estado de guerra latente, dado que a oposição
entre amigos e inimigos é constante. Isso reflete uma visão de relações internacionais em que a soberania
dos Estados nacionais prevalece sem uma autoridade suprema para mediar.
Contexto Histórico: Schmitt escreveu em um contexto de forte tensão na Europa, especialmente com o
crescente poder do nazismo e a revolta contra o Tratado de Versalhes. Esse cenário de ameaça à soberania
da Alemanha ajudou a formar suas ideias sobre a política como uma luta de poder constante entre
soberanos.
Guerra Civil e Internalização do Conflito: Schmitt observa que, quando essa lógica de amigo versus inimigo é
internalizada em uma sociedade, pode levar a uma guerra civil, dilacerando a ordem social do país.
TEMA 4 – O PODER
1. Conceitos de poder segundo três autores:
o Hobbes: A política é a constituição de uma comunidade do estado de natureza para o estado civil,
onde uma instituição, o leviatã, impõe o contrato a todos.
o Maquiavel: A política é a luta pela conquista e manutenção do poder entre indivíduos e grupos
dentro de uma comunidade.
o Schmitt: A política é uma luta latente, onde uma comunidade deve estar preparada para se impor às
outras que a ameaçam.
2. Elemento comum entre os autores:
o Todos falam de um objetivo coletivo na política, seja para criar, organizar ou proteger uma
comunidade, e essa dinâmica é animada pelo poder. O poder é comparado a energia na física, como
o motor da ação política.
3. Definição de poder: O poder é essencial na política, sendo a força que move as interações e decisões
coletivas. Não se pode exercer poder sem recursos, seja riqueza, conhecimento ou violência física.
4. Características do poder:
o Baseado em recursos: O poder depende de recursos estratégicos (econômicos, intelectuais,
políticos).
o Relação social: O poder se dá entre indivíduos ou grupos, por meio de uma relação em que um
exerce poder sobre o outro.
o Predomínio da vontade: A vontade de quem detém o poder prevalece sobre a dos outros.
o Ameaças de privações severas: O poder se baseia no medo de privações de coisas valorizadas, não
apenas em violência física.
o Limites legítimos: O poder político se exerce dentro de um sistema de regras e instituições que são
aceitas pela sociedade.
5. Observações adicionais:
o A ameaça de privações não se limita à violência física, podendo incluir outras formas de pressão,
como manipulação de recursos e apoio político.
o O exercício do poder ocorre segundo regras legitimadas e aceitas pela sociedade, sendo essas
decisões coletivas e obrigatórias.
TEMA 5 – SISTEMA POLÍTICO E INSTITUIÇÕES POLÍTICAS
1. Função do sistema político:
o O sistema político, segundo David Easton, é responsável por produzir decisões coletivas e
obrigatórias que afetam a sociedade. Quando esse sistema não consegue produzir decisões, a
sociedade entra em crise.
2. Processos essenciais do sistema político:
o Input (demandas): O sistema político deve ser capaz de identificar e priorizar as demandas da
sociedade. Nem todas as demandas serão aceitas, o que gera conflito.
o Transformação: As demandas são transformadas conforme a interpretação dos agentes políticos,
que podem ser favorecidos ou prejudicados pela demanda.
o Output (decisão): Após a transformação, a demanda resulta em uma decisão política, que será
coletiva e obrigatória, alterando a realidade social e gerando novos conflitos.
o Feedback (informação): O sistema político precisa avaliar os efeitos das decisões para garantir sua
estabilidade e eficácia. Isso envolve saber se as decisões atingiram seus objetivos e qual foi a reação
da sociedade.
o Comportamento político: Qualquer ação com o objetivo de influenciar as decisões coletivas e
obrigatórias pode ser considerada comportamento político, incluindo a atuação de partidos,
sindicatos, igrejas e empresas.
3. Instituições políticas:
o As instituições políticas não se limitam ao governo central. Elas incluem partidos, sindicatos, igrejas,
empresas e outras organizações que participam da interação política e influenciam as decisões
coletivas.
o Exemplos de instituições:
Partidos políticos: Instituições centrais na agregação de demandas e organização da política.
Sindicatos, igrejas e ONGs: Embora não sejam instituições governamentais, também
influenciam o sistema político e a formulação de políticas.
4. Legitimidade das instituições:
o O sistema político é constituído por instituições e regras vistas como legítimas pela sociedade, que as
aceitam ou ao menos as respeitam, mesmo que haja disputas sobre o conteúdo das decisões.
5. Importância do comportamento político:
o O comportamento político não se restringe às instituições tradicionais, mas também abrange
qualquer ação que visa afetar as decisões políticas, como as realizadas por empresas, movimentos
sociais, e indivíduos.
Este resumo aborda as principais ideias do texto sobre o poder e o sistema político, enfatizando como as relações de
poder e as instituições políticas interagem na formação e execução das decisões coletivas na sociedade.
Aula 02
1. Pesquisas com Muitos Casos
Exemplo na Saúde: Teste de vacinas, comparando grupos de tratamento e controle com grande número de
participantes para garantir resultados estatisticamente significativos.
Exemplo em Ciência Política: Comparar municípios com prefeitos de oposição e de base governista,
analisando se há diferenças nos recursos recebidos (ex: na área de saúde).
Vantagens: Testes estatísticos para identificar padrões e garantir que as diferenças observadas não sejam
aleatórias.
Desvantagens: Dificuldade em analisar casos individuais detalhadamente, pois o foco está em padrões e
tendências gerais.
2. Pesquisas com Poucos Casos
Exemplo de Theda Skocpol: Análise de três revoluções sociais (França, Rússia, China) para entender suas
causas, com poucos casos, mas profundidade na análise de cada um.
Vantagens: Permite uma análise profunda dos casos, revelando mecanismos causais que as análises
quantitativas não podem.
Desvantagens: Limitação de casos e falta de controle estatístico, além de limitações na generalização dos
achados.
3. Lógica de Comparação
A comparação é uma operação mental lógica, não restrita a uma metodologia específica.
Ao comparar casos, o pesquisador busca explicar diferenças e similaridades entre eles.
A comparação não depende do número de casos, mas da lógica de identificar o que cada um compartilha e o
que os diferencia.
4. Cânones de John Stuart Mill
Obra: System of Logic, que discute explicações causais nas ciências sociais, aplicando a lógica das ciências
naturais.
Métodos de Mill:
o Método da Semelhança (MS): Comparar casos semelhantes para identificar causas comuns.
o Método da Diferença (MD): Comparar casos diferentes para identificar o que causa a diferença.
o Método Indireto da Diferença (MID): Utiliza casos comparáveis para inferir causas.
1. Método da Semelhança
Objetivo: Comparar casos que são distintos em todas as condições, exceto pela presença do fenômeno a ser
explicado (Y) e uma condição específica (X), considerada como a causa do fenômeno.
Como funciona: Se dois ou mais casos que apresentam o fenômeno de interesse (Y) compartilham apenas
uma condição (X), então essa condição é a causa do fenômeno.
Limitação: Como só há casos positivos, não é possível afirmar com segurança que X é a causa de Y, pois não
há casos negativos para testar a relação.
Exemplo: Se a revolução social ocorre em três países com uma condição comum (como a desigualdade social), essa
condição pode ser considerada a causa da revolução.
2. Método da Diferença
Objetivo: Comparar casos que contêm o fenômeno (casos positivos) com casos onde o fenômeno não ocorre
(casos negativos), buscando entender se uma única diferença (X) entre eles pode ser a causa do fenômeno.
Como funciona: Se dois exemplos — um com o fenômeno e outro sem — compartilham várias
circunstâncias, exceto por uma única diferença (X), então X é a causa do fenômeno.
Limitação: Este método é mais exigente, pois exige casos positivos e negativos. Ele se aproxima de um
experimento controlado, onde se manipulam as condições para ver a variação do fenômeno.
Exemplo: Comparar duas cidades semelhantes, uma que passou por uma revolução e outra que não passou, para
entender se a diferença (como um governo opressor) foi o fator desencadeante.
3. Método Indireto da Diferença
Objetivo: Usar casos positivos e negativos, como no método da diferença, mas sem exigir que os casos sejam
idênticos em todos os aspectos, exceto na presença/ausência do fenômeno e da sua causa.
Como funciona: Se dois ou mais exemplos com o fenômeno têm uma característica em comum, enquanto
exemplos sem o fenômeno não têm nada em comum, exceto pela ausência dessa característica, então essa
característica é a causa do fenômeno.
Limitação: Exige menos semelhança entre os casos, mas ainda é um método robusto para identificar a causa
do fenômeno.
Exemplo: Em uma pesquisa sobre democracia, comparar países que passaram por transições democráticas com
países que não passaram, focando em uma única diferença, como o nível de educação.
Observações Importantes:
Causalidade: Os métodos de Stuart Mill buscam identificar relações causais por meio da comparação,
considerando causas necessárias e suficientes.
Críticas:
1. Controle de variáveis: A complexidade dos casos dificulta o controle de todas as variáveis.
2. Escolha dos casos: A variável dependente (fenômeno) pode não variar, o que prejudica a análise.
3. Determinismo: Os métodos podem sugerir uma causalidade determinística, em vez de probabilística,
o que limita sua flexibilidade nas ciências sociais.
Esses métodos são amplamente utilizados nas ciências sociais, apesar das críticas, porque oferecem formas de buscar
explicações causais mesmo quando a experimentação controlada não é viável.
Aula 03
TEMA 1 – OS OBJETOS DA ANÁLISE COMPARATIVA
1. Unidades de Observação vs. Unidades de Análise
o Unidade de Observação: Refere-se ao objeto de onde os dados são coletados. Exemplos incluem
indivíduos, países ou organizações.
o Unidade de Análise: Diz respeito ao objeto sobre o qual o pesquisador realiza a análise dos dados
coletados. Pode ser uma característica específica (como gênero ou ideologia) ou um fenômeno mais
amplo (como sistema partidário ou movimento sindical).
o Exemplo: Ao estudar a elite parlamentar, a unidade de observação são os deputados, e a unidade de
análise pode ser o gênero ou a ideologia política dos parlamentares.
2. Pesquisa Comparativa e Escolha das Unidades de Análise
o Estados Nacionais: Frequentemente utilizados como unidades de observação, onde dados são
coletados. A unidade de análise pode variar, como sistema partidário, movimento sindical ou
desenvolvimento econômico.
o Exemplo: O estudo da ascensão política de partidos operários em diferentes países (Chile, Brasil,
Argentina, México) pode ter países como unidades de observação e o sistema partidário como
unidade de análise.
3. Objetos da Pesquisa Comparativa
o A pesquisa comparativa pode analisar uma série de objetos, como regiões de um país, municípios,
políticas públicas ou sistemas partidários. Não é limitado a comparar países inteiros, mas problemas
específicos.
o Exemplo: Comparar o processo de industrialização ou o movimento sindical de dois países como
Brasil e Argentina.
TEMA 2 – CONTRASTANDO CONTEXTOS
1. Objetivo da Pesquisa Comparativa
o O principal objetivo ao contrastar contextos é entender como fenômenos sociais semelhantes
seguem caminhos distintos em países diferentes devido às suas realidades e contextos específicos.
2. Universais Sociológicos
o Definição: São fenômenos sociais que se espalham pelo mundo devido à dinâmica de interação entre
territórios e sociedades. Exemplos incluem a formação de Estados modernos e o processo de
industrialização.
o Exemplo: O processo de industrialização em um país pode inspirar outros a seguirem o mesmo
caminho, como foi o caso da industrialização no Japão, Alemanha e outros países.
3. A Singularidade dos Caminhos
o Importância: Embora existam fenômenos universais, o mais interessante é estudar as formas
específicas como diferentes países enfrentam esses desafios. Isso permite identificar as
particularidades de cada trajetória, como as diferentes formas de industrialização ou a construção do
Estado moderno.
o Exemplo: Analisar como países com histórias distintas, como Japão e Alemanha, chegaram ao
mesmo resultado de formação de Estado moderno por caminhos diferentes.
4. Foco da Pesquisa Comparativa
o Em vez de buscar teorias gerais ou causas universais, a pesquisa comparativa busca entender as
respostas particulares dos países a fenômenos globais, identificando como os contextos históricos e
geopolíticos de cada país moldam suas soluções para problemas comuns.
Tema 3 – Testando Teorias:
O objetivo é verificar se uma teoria proposta consegue explicar fenômenos observados em casos específicos.
Escolha de casos típicos: Casos que, à primeira vista, seriam facilmente explicáveis pela teoria. Eles oferecem
um teste pouco rigoroso para a teoria. Se a teoria falha em explicar esses casos, ela é enfraquecida.
Escolha de casos desviantes: Casos que, a princípio, a teoria não conseguiria explicar. Se a teoria consegue
explicar esses casos, ela se fortalece, pois demonstra que se aplica a uma gama mais ampla de situações.
O objetivo de testar teorias é escolher casos que forneçam um teste rigoroso para os enunciados da teoria.
Tema 4 – Formulando Explicações Causais:
Quando formulamos explicações causais, o objetivo é descobrir as causas específicas de fenômenos em
situações concretas, não para testar uma teoria existente.
A pesquisa comparativa orientada pelo problema busca entender por que certos fenômenos ocorrem, como
revoluções sociais ou a industrialização.
Ao identificar causas, o pesquisador busca generalizar as explicações para outras situações similares, mas
sem afirmar leis universais. As generalizações são modestas e se aplicam apenas a determinados contextos.
O objetivo é produzir explicações causais que possam ser aplicadas a um conjunto maior de casos, sem
buscar leis determinísticas.
Tema 5 – Objetivos Múltiplos:
Os três objetivos da pesquisa comparativa (contrastar contextos, testar teorias e formular explicações
causais) podem ser utilizados simultaneamente. Isso permite uma análise mais completa e teórica do
fenômeno em questão, além de gerar teorias gerais a partir de casos específicos.
Aula 04
Tema 1 – Os Objetos da Análise Comparativa
Estudo de poucos casos: Em algumas situações, não há escolha senão estudar poucos casos, seja devido à
limitação do número de casos ou pela necessidade de maior profundidade. Isso permite:
o Intimidade com os casos: Estudos de poucos casos permitem maior compreensão e solidez nas
conclusões.
o Formulação de explicações causais: Casos bem escolhidos podem permitir a análise de causas e
efeitos, usando técnicas como QCA e process tracing.
o Técnicas complementares: A QCA ajuda a revelar relações causais, enquanto o process tracing
detalha os mecanismos dessas relações.
Tema 2 – O que há de Histórico na Comparação Histórica
Conceitos Fundamentais: Três conceitos principais conectam história e comparação:
o Path Dependence (Dependência de Trajetória): Eventos iniciais influenciam fortemente os
resultados subsequentes. Por exemplo, decisões tomadas logo após a Revolução de 1930 no Brasil
levaram a mudanças políticas duradouras.
o Conjuntura Crítica: Refere-se a momentos históricos de mudanças significativas que alteram os
fundamentos da situação existente. A análise inclui:
1. Condições antecedentes.
2. A crise e sua dinâmica.
3. O legado da crise e seus efeitos a longo prazo.
Exemplo: A crise da bolsa de Nova Iorque de 1929 teve diferentes impactos no Brasil e na
Argentina, levando a respostas institucionais distintas.
o Duração dos Eventos: O ritmo temporal dos eventos é crucial para entender seu impacto. Eventos
rápidos podem ter efeitos diferentes de eventos que ocorrem de forma gradual. Isso afeta, por
exemplo, a estabilidade política e a evolução dos direitos políticos.
Tema 3 – Técnicas para a Análise Histórico-Comparativa
Qualitative Comparative Analysis (QCA): Criada por Charles Ragin, a QCA organiza narrativas históricas
complexas e ajuda a identificar condições causais necessárias e suficientes.
Process Tracing: Complementa a QCA, ajudando a identificar os mecanismos que ligam as causas aos efeitos,
essencial para controlar o risco de relações causais espúrias em estudos de poucos casos.
Combinação de QCA e Process Tracing: Ambas as técnicas são complementares, ajudando a garantir uma
análise robusta e válida em estudos históricos comparativos com poucos casos.
Esses conceitos e técnicas são importantes para a análise comparativa de poucos casos e são aplicáveis em estudos
históricos, oferecendo uma forma de compreensão mais profunda e estruturada dos processos históricos.
TEMA 4 – ANÁLISE COMPARATIVA QUALITATIVA (QCA)
A QCA (Qualitative Comparative Analysis) pode ser entendida como uma abordagem analítica e uma técnica de
análise, sendo essencial para identificar as causas necessárias e suficientes de fenômenos políticos. Ela enfatiza a
complexidade causal dos fenômenos sociais, e oferece uma maneira sistemática de analisar dados qualitativos.
Características da QCA:
1. Abordagem Analítica: A QCA exige um diálogo constante com os dados, o que implica que o pesquisador
deve conhecer profundamente os casos que está analisando. Não é suficiente usar apenas dados
quantitativos de bancos de dados prontos; é necessário ter um entendimento detalhado de cada caso e dos
processos históricos envolvidos.
2. Técnica de Análise: Na prática, a QCA utiliza tabelas com casos nas linhas e condições causais nas colunas,
permitindo uma análise das relações de suficiência e necessidade entre as condições causais e o fenômeno a
ser explicado.
3. Três Características Principais:
o Construção de Tabelas: As tabelas usadas na QCA devem ser compostas por informações adquiridas
por meio do conhecimento profundo dos casos. As condições causais são tratadas como conjuntos, e
o pesquisador determina em que medida os casos pertencem a esses conjuntos.
o Equifinalidade: A QCA respeita o princípio de que um fenômeno pode ter várias causas (diversidade
de caminhos causais), o que exige consideração do contexto histórico de cada caso. A abordagem
supera a lógica rígida de métodos como os de Stuart Mill.
o Causação Múltipla e Conjuntural: A QCA reconhece que os fenômenos sociais não têm causas
lineares. São explicados por múltiplas causas que podem ter pesos diferentes em diferentes
contextos históricos.
Tipos de QCA:
1. csQCA (Conjuntos Nítidos): Utiliza uma lógica binária (0 ou 1) para indicar a presença ou ausência das
condições. Essa abordagem perde nuances, mas oferece relações claras entre as condições e os resultados.
2. mvQCA (Multivalorada): Permite a categorização das condições em mais de duas opções, agregando
complexidade à análise, embora a condição de resultado ainda seja binária.
3. fsQCA (Conjuntos Difusos): Os casos podem ser classificados em diferentes graus de pertencimento aos
conjuntos, possibilitando uma análise mais detalhada e matizada das relações causais.
O objetivo da QCA é identificar as causas necessárias e/ou suficientes para a produção de um fenômeno, o que é
feito por meio de uma análise rigorosa e qualificada dos casos e seus contextos históricos.
TEMA 5 – PROCESS TRACING
O Process Tracing é uma técnica usada para analisar os mecanismos causais entre causas e efeitos, focando nos
intermediários que conectam os dois. Esse método é essencial para explicar fenômenos históricos e testar teorias
causais.
Características do Process Tracing:
1. Mecanismos Causais:
o Um mecanismo é composto por entidades (atores, organizações ou estruturas) e suas atividades
(ações que geram causalidade, como uma decisão ou uma mudança macroestrutural).
o O processo de rastreamento busca mapear como uma causa chega a um efeito, detalhando as
atividades e agentes envolvidos nesse caminho.
2. Rastreamento em Casos Escolhidos:
o Casos em que a causa e o efeito estão claramente presentes devem ser escolhidos para analisar o
funcionamento do mecanismo causal. Analisar casos desviantes também é importante, pois ajuda a
entender o que impede o mecanismo de funcionar conforme esperado.
3. Diálogo com Hipóteses Rivais:
o Para aumentar a robustez da análise, é importante comparar e testar hipóteses rivais. Isso ajuda a
fortalecer a teoria em análise, mostrando que a explicação causal é a mais convincente.
4. Triangulação de Fontes:
o Para construir uma narrativa precisa e robusta, é necessário utilizar múltiplas fontes de dados
(documentos, entrevistas, estatísticas, etc.), ajudando a especificar e validar os mecanismos causais.
5. Validando Causalidade:
o O Process Tracing é importante porque fornece evidências claras dos mecanismos causais,
mostrando como as causas se traduzem em efeitos e ajudando a evitar a correlação espúria. Isso
fortalece a validade interna da pesquisa.
Essas técnicas são usadas para fornecer explicações mais detalhadas e robustas sobre como causas e efeitos estão
conectados, especialmente quando a distância temporal entre eles é grande. O Process Tracing é, portanto, uma
ferramenta crucial para garantir que a causalidade explicada seja genuína e não superficial.
4o mini
Aula 05
TEMA 1: Razões para Estudos de N Pequeno
1. Epistemológicas:
o Os fenômenos sociais e políticos são complexos, não podendo ser explicados de forma linear.
o Os estudos de poucos casos buscam capturar a complexidade causal e as condições que influenciam
os fenômenos sociais.
2. Teóricas:
o Estudos de poucos casos são guiados por problemas relevantes, como revoluções ou processos de
industrialização.
o A teoria orienta a escolha de problemas, mas a pesquisa se desenvolve indutivamente a partir de
casos específicos.
3. Metodológicas:
o Ferramentas atuais tornam a pesquisa com poucos casos mais rigorosa, abordando as críticas de
quantitativistas.
TEMA 2: Críticas aos Métodos de Stuart Mill
1. Crítica 1 - Impossibilidade de controle:
o A crítica sustenta que não é possível controlar todas as variações nos casos comparados, mas
estudos de poucos casos são feitos com objetos restritos, tornando o controle mais realista (como
nos exemplos de Skocpol e Moore).
2. Crítica 2 - Uso da variável dependente para escolha dos casos:
o O viés da amostra é uma preocupação, mas pode ser resolvido com a seleção de casos negativos ou
utilizando o método da diferença.
3. Crítica 3 - Métodos determinísticos em fenômenos sociais:
o Os métodos de Mill são vistos como determinísticos, o que não se aplica ao mundo social, que é
regido por leis probabilísticas. No entanto, estudos qualitativos não precisam seguir uma lógica
determinística rígida, e podem adotar uma visão probabilística.
TEMA 3: Críticas à Comparação Histórica com Poucos Casos
1. Crítica 1 - Impossibilidade de controle científico:
o Pequenos N e muitos fatores explicativos dificultam a formulação de proposições causais
generalizáveis.
o Resposta: Uma das formas de contornar isso é usar experimentos mentais (ou contrafactuais), onde
o analista imagina o que teria ocorrido caso uma determinada causa não tivesse se dado.
TEMA 4 – Condicionalidades Teóricas e Metodológicas
O autor sugere que a realização de estudos comparativos exige conhecimento teórico sólido e clareza na formulação
dos problemas de pesquisa, os quais precisam estar alinhados com as discussões dentro da disciplina histórica.
Teoria e Formulação de Problemas: Para que a pesquisa seja relevante e produza resultados significativos, é
necessário que o pesquisador tenha um bom domínio teórico. Isso garante que ele possa formular
problemas que sejam de interesse para a área de estudo, o que pode ser desafiador caso se dependa de uma
teoria ainda não suficientemente aprofundada.
Desenho da Pesquisa e Lógica Formal: Outro ponto crucial destacado é a importância de ter um desenho de
pesquisa bem estruturado, que respeite os procedimentos da lógica formal dos métodos, como vimos até
aqui. A clareza no desenho de pesquisa é essencial para garantir que a comparação entre os casos seja feita
de maneira rigorosa, respeitando a metodologia escolhida.
Escolha de Casos: A escolha de casos adequados é vista como fundamental para a viabilidade da pesquisa. O
autor sugere que a lógica formal ajudará a guiar o pesquisador na seleção de casos que possibilitem uma
análise comparativa eficaz, evitando vieses e garantindo a qualidade do estudo.
TEMA 5 – Viabilidade Prática da Pesquisa
Na prática, realizar uma pesquisa histórica comparativa é um desafio, principalmente no contexto brasileiro, onde o
MHC exige uma análise qualitativa profunda e um contato mais próximo com os dados.
Desafios do Método Histórico-Comparativo: O principal desafio apontado é que o MHC envolve um grande
volume de informações históricas, o que torna o processo mais complexo e trabalhoso do que, por exemplo,
análises quantitativas que lidam com bancos de dados já prontos. A necessidade de conhecer os casos e
obter acesso à literatura pertinente para cada um deles é um obstáculo considerável.
Acesso à Literatura e Informação: O texto destaca o problema do acesso à literatura necessária,
especialmente ao comparar países com realidades diferentes, como o Brasil e a Argentina. Isso exige que o
pesquisador resolva o problema do acesso à literatura e também do controle e organização das informações
coletadas, que, por sua natureza, serão numerosas e complexas.
Facilidade no Acesso a Textos Online: A internet tem facilitado o acesso à informação, com textos, artigos e
livros disponíveis em plataformas online. Isso facilita a pesquisa, mas também impõe o desafio de filtrar e
selecionar as fontes relevantes para o trabalho. A habilidade de discernir o que é pertinente é uma
competência importante do pesquisador.
Importância da Clareza Teórica: O autor reforça que a teoria não deve ser desconsiderada na pesquisa
histórica comparativa. Ela é essencial para detectar problemas que sejam significativos, tornando a pesquisa
mais focada e eficaz. A teoria também ajuda o pesquisador a lidar com a disponibilidade de fontes e
informações, garantindo que ele se concentre nos temas que são realmente relevantes para o estudo.
Desafios Práticos de Fontes e Idiomas: O exemplo da pesquisa sobre o Império Romano ilustra um ponto
crucial: é necessário ter acesso a fontes pertinentes, e isso pode envolver, em alguns casos, o conhecimento
de idiomas antigos, como o latim, o que limita o acesso e a realização da pesquisa. Isso nos leva a concluir
que a viabilidade prática de uma pesquisa histórica comparativa depende fortemente da disponibilidade de
fontes e do domínio de idiomas necessários.
Conclusão
Fazer estudos históricos comparativos é viável, mas apresenta desafios significativos tanto nas condições teóricas
quanto práticas. A teoria é essencial para formular problemas relevantes e orientar a pesquisa, enquanto a prática
exige muito trabalho em termos de acesso à literatura, coleta e organização das informações. O uso da internet tem
facilitado o processo, mas a capacidade de selecionar fontes relevantes e controlar a quantidade de dados coletados
continua sendo uma habilidade importante para o sucesso da pesquisa.
Aula 06
TEMA 1 – Os Pioneiros no Brasil e no Mundo
Este tema destaca os pioneiros na ciência política, tanto no Brasil quanto internacionalmente, e discute a natureza de
suas contribuições para o campo. A ênfase recai sobre a importância da história na formação da ciência política e
como ela foi incorporada no Brasil, antes da institucionalização plena da disciplina.
Pioneiros no Brasil
1. Renato Boschi e Eli Diniz:
o Eles foram pioneiros na análise do processo de formação das instituições de representação de
interesses das elites econômicas no Brasil.
o A perspectiva histórica foi essencial para entender como o sistema de representação de interesses,
especialmente o corporativo, se relaciona com o contexto pós-1930.
o Sua pesquisa destaca a importância de se compreender a continuidade histórica desse sistema no
Brasil.
2. Décio Saes:
o Autor de "A Formação do Estado Burguês no Brasil", Saes analisou a transição histórica após a
Proclamação da República e as condições de surgimento do Estado burguês no Brasil.
o Ele associou a Abolição da Escravidão e a Constituição de 1891 à criação inicial de um Estado
capitalista no Brasil, com características próprias de um país periférico.
3. Wanderley Guilherme dos Santos:
o Em "Sessenta e Quatro: Anatomia do Golpe", Santos analisou as condições políticas que levaram ao
golpe militar de 1964.
o Sua abordagem é institucionalista, mas também reconhece a importância dos conflitos sociais e das
intervenções militares na política brasileira, caracterizando o golpe como uma crise decisória do
sistema político.
Pioneiros Internacionais
Barrington Moore Jr.: Sua análise da modernização econômica em diversos países buscava identificar
padrões universais sobre o processo de transição de sociedades agrárias para modernas.
Theda Skocpol: Focou nos processos revolucionários e na análise das condições que levam a esses
movimentos, contribuindo com uma teoria dos processos revolucionários.
Charles Beard: Suas investigações sobre a Constituição Americana e seus fundamentos escravagistas são
marcos fundamentais na compreensão da formação do Estado dos Estados Unidos.
Stephen Skowronek: Ele se concentrou nas trajetórias institucionais e no impacto dessas trajetórias na
construção do Estado americano.
Diferença entre os Estudos Pioneiros Brasileiros e os Internacionais
Embora os estudos brasileiros tenham sido fundamentais, muitos se limitaram a análises de um único caso,
sem uma preocupação teórica comparativa ou a busca por generalizações.
Já os estudos internacionais, como os de Moore e Skocpol, avançaram teorias mais abrangentes,
preocupando-se com padrões que podem ser aplicados a diversos países.
Historiografia na Ciência Política
A discussão levanta a questão sobre a viabilidade de cientistas políticos e internacionalistas se aprofundarem
em estudos historiográficos, já que eles não estão preocupados com a singularidade dos casos ou com a
descoberta de novas fontes.
O objetivo desses estudos é identificar padrões históricos que possam ser generalizados para outros
contextos e não simplesmente estudar casos históricos isolados.
TEMA 2 – Mudança de Rumos na Ciência Política
A partir do início da institucionalização da ciência política no Brasil, os rumos da disciplina começaram a mudar,
afastando-se da história e adotando novas abordagens metodológicas.
No Brasil, a ciência política se afastou da história e adotou novas tendências que marcaram sua evolução. O foco
passou a ser mais voltado para o presente, com um crescente uso de modelos dedutivos. As duas características mais
notáveis dessa mudança são:
1. Presentismo
o Definição: A ciência política passou a se concentrar nas questões do presente, como as eleições
atuais, a atuação do parlamento, os efeitos das instituições contemporâneas, as crises políticas
imediatas, entre outros temas atuais.
o Problema: Embora o estudo do presente seja legítimo, o risco do "presentismo" é analisar esses
eventos desconectados de processos históricos mais amplos. Isso pode levar a um entendimento
superficial das causas e dinâmicas, tomando causas secundárias por causas fundamentais. A falta de
um olhar histórico pode limitar a compreensão das relações causais e impedir a identificação de
padrões históricos que são essenciais para uma análise mais profunda.
2. Dedutivismo
o Definição: O dedutivismo é uma abordagem metodológica onde se utiliza axiomas, normalmente
originários da teoria da escolha racional, para explicar o comportamento político. Essa perspectiva vê
o agente político como um ser racional, maximizador de seus ganhos, que toma decisões com base
em cálculos estratégicos e interesse próprio.
o Problema: Embora o dedutivismo ofereça um modelo matemático e formalizado, ele ignora o
contexto histórico, tratando-o como uma variável irrelevante. Essa abordagem pode levar a
explicações simplificadas, que não capturam as complexidades e as dinâmicas históricas envolvidas.
A ciência política, então, se limita a buscar "leis gerais" universais, em vez de explorar a riqueza e o
contexto específico de fenômenos políticos.
Reação à Perspectiva Dedutivista e Retorno ao Contexto Histórico
Retorno ao Contexto Histórico: Em resposta ao "presentismo" e ao "dedutivismo", surgiu uma reação que
buscou reintroduzir o contexto histórico como um fator central nas análises da ciência política. A ideia era
que, para se entender os fenômenos políticos contemporâneos, seria necessário resgatar os processos
históricos e as causas mais profundas que moldaram o presente.
Importância da História: O retorno à história na ciência política é fundamental para evitar análises
reducionistas e para compreender melhor os fenômenos políticos atuais. Ao incorporar a história, os
cientistas políticos podem perceber como as instituições e as práticas políticas evoluíram ao longo do tempo,
e como esses processos continuam a influenciar o presente.
Reflexão Final sobre o Papel da História na Ciência Política
O autor argumenta que, embora os estudos históricos comparativos possam ser complexos e exigirem um trabalho
intenso de coleta e análise de dados, eles são essenciais para o avanço da teoria política. A história oferece uma base
rica para a formulação de teorias que podem ser generalizadas e aplicadas a outras realidades políticas, sem que o
pesquisador precise se aprofundar de maneira exclusiva em fontes novas ou no estudo de um único caso.
Assim, os cientistas políticos e os internacionalistas devem, ao se depararem com questões históricas, não se limitar a
abordagens monográficas ou a análises exclusivamente descritivas. Seu objetivo deve ser sempre buscar padrões e
teorias gerais que ajudem a compreender os processos políticos e sociais, contribuindo para a criação de teorias que
possam ser aplicadas a contextos mais amplos, como as transições democráticas, os processos de modernização
econômica e as revoluções.
Conclusão
A história e a ciência política devem caminhar juntas, mas com objetivos e métodos distintos. Enquanto os
historiadores buscam entender as especificidades e particularidades dos casos, os cientistas políticos e
internacionalistas têm o desafio de construir teorias mais gerais a partir da análise histórica. O uso de estudos
históricos comparativos, que identifiquem padrões e expliquem processos complexos, é essencial para a construção
de uma ciência política mais robusta, que vá além da observação superficial do presente e leve em consideração as
dinâmicas e os legados do passado.
TEMA 3 – Path Dependence: História e Teoria
O conceito de path dependence é fundamental para entender como as escolhas iniciais em um processo político
podem moldar eventos subsequentes ao longo do tempo. Aqui, a história não é apenas um registro dos eventos
passados, mas uma ferramenta de teorização sobre como os fenômenos políticos se desenvolvem e se repetem ao
longo do tempo, estabelecendo uma ordem causal. O conceito, baseado em Pierson (2004), sugere que as opções
feitas no início de uma trajetória têm uma tendência a se consolidar com o tempo, tornando outras alternativas
menos plausíveis.
Importância do contexto histórico: O retorno à história permite observar como a cadeia causal de longo
prazo molda as instituições e eventos políticos. Não se trata apenas de descrever o passado, mas de
identificar as influências temporais que estruturam os processos políticos.
Mecanismos de path dependence: A institucionalização da trajetória e os retornos positivos (aprendizado,
coordenação e estabilização das expectativas) ajudam a manter a continuidade de uma escolha, reforçando a
trajetória ao longo do tempo.
Implicações teóricas: A análise de como a política se desenrola ao longo do tempo (em oposição a uma
abordagem sincrônica) é uma chave para entender o impacto das instituições e das escolhas políticas em um
dado contexto histórico.
TEMA 4 – Comparação Histórica
A comparação histórica também é uma estratégia importante para reintroduzir a história na ciência política.
Diferente de buscar leis universais, a comparação histórica enfoca casos específicos e como os processos históricos
nesses contextos geram padrões ou regularidades que podem fornecer explicações causais.
Cinco características da comparação histórica:
1. Controle de variáveis para explicações causais.
2. Problemas específicos, com foco em eventos e contextos específicos.
3. Análise de poucos casos, com aprofundamento do contexto local.
4. Foco em processos históricos, como revoluções ou a formação de Estados nacionais.
5. Busca por padrões de sequência histórica, com modesta generalização de resultados.
A comparação histórica busca identificar padrões e processos causais através de uma análise detalhada de casos
específicos, revelando como eventos passados influenciam o presente e as consequências de escolhas políticas ao
longo do tempo.
TEMA 5 – Crítica: A História é Reduzida
Apesar das contribuições do retorno à história, existem limitações. A crítica se concentra na maneira como o path
dependence reduz a história à simples ordenação temporal dos eventos, sem considerar fatores normativos e
políticos que também fazem parte da dinâmica histórica. Para entender a história política, é necessário olhar além da
mera temporalidade e incluir a interpretação dos atores sociais e o significado atribuído a certos eventos.
Limitações do path dependence: A análise de Pierson, que foca nas consequências não antecipadas das
escolhas institucionais, pode negligenciar os efeitos previstos e os elementos normativos que influenciam o
curso dos eventos.
Atores sociais e sentido: Para que um evento se torne histórico, ele deve ser interpretado como significativo
pelos atores que o vivenciam, o que implica que o processo histórico envolve tanto a temporalidade quanto
o sentido atribuído pelos indivíduos.
Interpretação dos atores: O fato de os atores sociais interpretarem os eventos de uma maneira específica
pode alterar a própria sequência temporal dos acontecimentos.
A crítica final ressalta que, para que a história tenha um papel mais significativo na análise política, deve-se
considerar tanto a temporalidade dos eventos quanto a construção de sentido pelos atores, permitindo uma
compreensão mais complexa e contextualizada dos processos políticos.
Esse debate entre path dependence e a comparação histórica, assim como as críticas a essas abordagens, oferecem
uma reflexão sobre como as ciências sociais podem melhor incorporar a história, reconhecendo sua influência sem
reduzi-la a um determinismo temporal.