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Templo de Salomão e Neopentecostalismo

Enviado por

Paulo Gonçalves
Direitos autorais
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Tópicos abordados

  • cultura de consumo,
  • Igreja Universal do Reino de D…,
  • história do cristianismo,
  • culto religioso,
  • símbolos judaizantes,
  • história da cidade,
  • simbologia do templo,
  • elementos arquitetônicos,
  • imigração italiana,
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Templo de Salomão e Neopentecostalismo

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  • cultura de consumo,
  • Igreja Universal do Reino de D…,
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  • culto religioso,
  • símbolos judaizantes,
  • história da cidade,
  • simbologia do templo,
  • elementos arquitetônicos,
  • imigração italiana,
  • identidade religiosa

Boletim Historiar - ISSN 2357-9145

O templo de Salomão no Brás: uma análise acerca da utilização de elementos da


antiguidade hebraica no neopentecostalismo brasileiro

___________________________________________________________________________

Lucas Martinez KnabbenI

Resumo: Os estudos acerca de História Antiga têm se debruçado acerca das recepções do
passado em diversos momentos da história da humanidade até a contemporaneidade e a forma
com que esse passado é utilizado ou ressignificado para gerar narrativas diversas em contextos
diversos. Este artigo tem como objetivo entender a utilização de elementos judaizantes dentro
da maior denominação cristã neopentecostal do Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus, na
construção de sua sede no bairro do Brás, na cidade de São Paulo, e a sua reivindicação da
narrativa acerca do Primeiro Templo da cultura hebraica afim de se aderir novos fieis em busca
da origem bíblica e do primeiro testamento.

Palavras-chave: arquitetura; antiguidade; neopentecostalismo; Templo de Salomão; IUDR.

The temple of Solomon in Brás: an analysis about the use of elements of hebrew
antiquity in brazilian neopentecostalism

Abstract: Studies on Ancient History have focused on the reception of the past at different
times in the history until contemporary times and the way in which this past is used or reframed
to generate different narratives in different contexts. Studies on Ancient History have focused
on the receptions of the past at different moments in history up to the present. This article aims
to understand the use of Judaizing elements within the largest neo-Pentecostal Christian
denomination in Brazil, the Igreja Universal do Reino de Deus, in construction of its
headquarters in the neighborhood of Brás, in the city of São Paulo, and its claim of the narrative
about the First Temple of Hebrew culture in order to join new believers in search of the biblical
origin and the first testament.
Keywords: architecture; antiquity; neo-pentecostalism; Solomon's Temple; IUDR.

Artigo recebido em 08/12/2020 e aceito em 23/01/2021

Boletim Historiar, vol. 08, n. 02, Abr./Jun. 2021, p. 59-72 | [Link]


O TEMPLO DE SALOMÃO NO BRÁS: UMA ANÁLISE ACERCA DA UTILIZAÇÃO
DE ELEMENTOS DA ANTIGUIDADE HEBRAICA NO NEOPENTECOSTALISMO
BRASILEIRO

LUCAS MARTINEZ KNABBEN

Introdução

Diversos estudos de História Antiga têm produzido debates acerca das mobilizações,
usos e ressignificações da Antiguidade em contextos coevos à produção historiográfica (em
diferentes temporalidades) sobre o mundo antigo, articulando conteúdos históricos com o
presente vivido. As narrativas do presente que se utilizam do passado evocam um caráter
marcadamente discursivo a respeito da Antiguidade, nas quais, segundo Glaydson José da Silva
II
, a sua forma de recepção se concentra de acordo com o modo que esse Mundo Clássico é
recebido e apropriado nos séculos que o utiliza a partir de seu emprego para legitimar racismos,
Estados nacionais, regimes autocráticos, entre outros.
Pode-se mencionar como exemplos de usos do passado como o caso de Benito
Mussolini e o seu culto a romanidade a partir de escavações arqueológicas para legitimar o
regime fascista na ItáliaIII, a utilização da origem ariana grega para legitimar colonialismos,
racismos e a hegemonia europeiaIV, entre outros.
Essa apropriação é denominada por Charles Martindale como “Recepção”V. A
Recepção pode ser entendida dependendo de quem a recebe e de quem a observa. O termo
“recepção” vem de estudiosos da Universidade de Constance numa tentativa de substituir
termos como “tradição”, “hereditariedade”, “influência”, entre outros. O termo “Recepção”, ao
contrário dos termos anteriores, carrega uma temporalidade múltipla, envolvendo a participação
de seus leitores numa via de mão dupla, o que traduz a ideia de que o passado e o presente estão
em constante diálogo.
As recepções não estão presas a somente textos, mas podem variar em diversos aspectos
e âmbitos. Nos fazem explorar diversos links que as recepções nos dão. A teoria da recepção
fornece uma metodologia para lidar com qualquer corpo de material, do passado ou do presente.
A memória e sua manipulação, a partir da recepção do passado, pode ser utilizada para
o bel prazer de quem a legisla e quem deseja criar significados. Pierre Norá diz que à medida
que desaparece a memória tradicional, nos sentimos obrigados a acumular vestígios,
testemunhos, documentos, imagens, discursos, apenas num momento em que esse gama
documental se torne prova para a históriaVI. Com isso, este artigo tem como finalidade buscar
entender a recepção e do uso da Antiguidade a partir de um dos maiores e mais representativos
grupos do neopentecostal brasileiroVII, a Igreja Universal do Reino de Deus, e a construção de
sua sede mundial no bairro do Brás, no município de São Paulo, a partir de elementos da
Antiguidade e do Antigo Testamento para fazer uma réplica do templo de Salomão e sua
ressignificação.
A partir dessa problemática, utilizou-se para a realização deste artigo textos sobre
teologia para compreender a questão religiosa acerca da utilização de elementos de outras
religiões, história da cidade para compreender a implementação de templos na cidade antiga e
contrapor com a implementação no bairro do Brás, em São Paulo, trabalhos sobre arquitetura
neoclássica paulista e a própria biografia de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do
Reino de Deus, em que conta os processos construtivos do Templo em sua perspectiva.

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O TEMPLO DE SALOMÃO NO BRÁS: UMA ANÁLISE ACERCA DA UTILIZAÇÃO
DE ELEMENTOS DA ANTIGUIDADE HEBRAICA NO NEOPENTECOSTALISMO
BRASILEIRO

LUCAS MARTINEZ KNABBEN

A arquitetura do templo de Salomão, seu ressignificado e reutilização na cidade de São


Paulo

A utilização do templo na Cidade Antiga representa as primeiras marcas do desejo


humano de modelar a naturezaVIII. Ele é o ponto de concentração das pessoas na cidade onde
ocorriam debates políticos, ações mercantis, lojas e a presença de trabalhadores diversos IX. O
templo se destacava dentro da malha urbana da cidade antiga pela sua massa mais elevada,
assim como a ágora gregaX e o Templo de Salomão, sendo esse destaque proposital para a sua
admiração de longo alcanceXI. Eram construídos em locais altos para se estabelecer a ligação
entre o universo divino e o mundo dos homens. A cidade, na antiguidade, era o espaço da
associação religiosa e política de famílias e tribosXII. O ato de fundar uma cidade era um ato
religioso, ou seja, o espaço urbano acabava sendo considerado um santuário a céu aberto,
juntamente com seus templos.
Com características monumentais, o Templo de Salomão, que pertenceu originalmente
à cidade antiga de Jerusalém e dialogava com o seu entorno, apresenta apropriações discursivas
ao ser inserido na metrópole paulista como sede da Igreja Universal do Reino de Deus, que
retira a monumentalidade, função e referência urbana de seu contexto original para forçar um
diálogo e uma referência no bairro do Brás. O monumento é um sinal do passado e é tudo aquilo
que pode evocar e perpetuar o passado das sociedades históricasXIII. Os templos, na antiguidade,
eram espaços que tinham papel importante nas atividades religiosas dos indivíduos e o
mantimento de suas práticas e tradiçõesXIV.
Em São Paulo, o Templo de Salomão e sua monumentalidade (devido sua
desproporcionalidade em relação ao gabarito das redondezas) evoca um passado que não
dialoga com seu entorno. O bairro do Brás é um tradicional bairro operárioXV na Zona Central
da capital paulista, que contou com presença forte de imigrantes italianos no final do século
XIX, sendo uma região industrial importante para a cidade. Hoje a região é marcada por lojas
de atacado e varejo de vestuários, antigos galpões e construções industriais reutilizadas para
lojas e estacionamentos, e de arquitetura da virada do século XIX para o XX ainda presenteXVI.
É isso que Marcos Throup XVII define em seu artigo como misticismo emblemático: divórcio de
que um símbolo tem de seu significado original para ser reaproveitado e reinserido para
comunicar um sentido que não corresponde ou parcialmente corresponde à carga simbólica
original.
Essa arquitetura monumental produzida em São Paulo pode ser entendida como uma
arquitetura neoclássica, no qual o estilo está mais preocupado em apresentar “fachadas com
referências apenas indicativas”XVIII, uma vez que seu interior pouco se assemelha com o interior
do que teria sido o antigo Templo de Salomão em Jerusalém.
É possível perceber as diferenças de usos e de ornamentações do interior do que teria
sido o Templo e o que é o Templo em São Paulo. Se no Templo do mundo antigo havia diversos
metais preciosos e com pouca circulação, destinado para ritos e sacrifícios, enquanto no Templo
de São Paulo, por mais que haja uma referência ao que teria sido o templo externamente,
internamente há diversas alusões a cultura hebraica e cumpre o papel de igreja neopentecostal.

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O TEMPLO DE SALOMÃO NO BRÁS: UMA ANÁLISE ACERCA DA UTILIZAÇÃO
DE ELEMENTOS DA ANTIGUIDADE HEBRAICA NO NEOPENTECOSTALISMO
BRASILEIRO

LUCAS MARTINEZ KNABBEN

Figura 1: Recriação do que teria sido o Templo de Salomão originalmente e seu


interior

Fonte: FAUST, Eduardo. Arquitetura do Sagrado: Quando a forma segue o significado e a beleza é
uma função. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 08 jun. 2019.

Figura 2: O interior do Templo de Salomão no Brás

Fonte: MACEDO, Edir. Minha Biografia: Nada a perder. São Paulo: Planeta, 2014.

Segundo as imagens é possível perceber as diferenças de usos e de ornamentações do


interior do que teria sido o Templo e o que é o Templo em São Paulo. Por mais que tenha
elementos da cultura hebraica e presença das cores douradas em ambos os templos, o Templo

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DE ELEMENTOS DA ANTIGUIDADE HEBRAICA NO NEOPENTECOSTALISMO
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do Brás pouco se assemelha com a utilização do que teria sido o espaço originalmente e o seu
espaço interior.
Edir Macedo utilizou referências bíblicas do primeiro templo para a confecção a partir
de estudos acompanhados de Israel. A descrição do templo inspira a arquitetura desde a sua
destruição, no ano de 70 d. CXIX. É possível notar suas referências descritivas na construção de
mesquitas, igrejas e sinagogas ao redor do mundo. Mesmo assim, se faz notar divergências da
descrição bíblica e da erguida pelo bispo evangélico.
Gilberto da Silva Francisco diz, em seu livro Ecletismo Paulista: breve introdução à
arquitetura clássica em São PauloXX, que o neoclássico contemporâneo é um fenômeno
internacional e não se preocupa com referências precisas, como ocorreu na produção
neoclássica paulista dos séculos XVIII e XIX. A utilização de ornamentos com referenciais a
antiguidade que não implicam na estruturação do edifício são meramente decorativos para
remeter a linguagem clássica arquitetônica, devido ao avanço tecnológico construtivo nos
imóveis contemporâneos.
Nesse ponto, o Templo de Salomão se insere dentro destas características colocadas por
Francisco pelo momento em que foi confeccionado no bairro do Brás e ao mesmo tempo se
utiliza do discurso completo da antiguidade para sua recriação e monumentalidade edificada,
como podemos notar no processo construtivo do Templo. Apesar de seus referenciais externos,
sua construção contou com a utilização de tijolos baianos e concreto armado como alvenaria e
estruturação do edifício, sendo esses elementos contemporâneos as práticas construtivas do
tempo presente e, como ornamentações meramente referenciais a antiguidade, como a escolha
de pedras vindas de Hebron para o revestimento e ambientação da construção, juntamente com
a sua arquitetura fazendo referência a antiguidade do médio oriente, fazendo alusão ao processo
e método construtivo do que teria sido o Primeiro Templo judaico, como são mostrados nas
seguintes imagens:

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Figura 3: Tijolo baiano e concreto armado na construção do Templo de Salomão no


Brás

Fonte: MACEDO, Edir. Minha Biografia: Nada a perder. São Paulo: Planeta, 2014.

Figura 4: Detalhes do revestimento de encaixe de pedras vindas de Hebron

Fonte: Página do Facebook do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus

Ao observarmos o exterior da obra também nos é perceptível o uso da interpretação


teleológica para a confecção do espaçoXXI. A preocupação do Templo de Salomão em São Paulo
é de transportar o seu fiel para uma relação autêntica com o que teria sido o passado vivido nos

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tempos retratados do Antigo Testamento. Nelson Lelis, citando a antropóloga Clara Mafra, diz
que “o interesse do Bispo Edir Macedo seria de trazer, dos vários séculos esquecidos, sentidos
mais autênticos do judaísmo”XXII.
O desenho de áreas de circulação possuí curvas suaves que, somadas com as cores
predominantes de marfim e as tamareiras em frente à entrada principal do templo, criam a
narrativa ao visitante de estar na região árida do Oriente Médio.

Figura 5: Traçado curvado suave com vegetação remetendo ao clima árido do Oriente
Médio

Fonte: Página do Facebook do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus

Além da nave, o templo conta em seu terreno o jardim bíblico, uma atração guiada por
uma figura híbrida, sendo guia e pastorXXIII, paga, que conta com 12 oliveiras espalhadas pelo
espaço destinado ao percurso que remetem ao cenário de Jerusalém e ao papel descritivo da
arvore de tronco retorcido tão descrita na Bíblia, o museu do velho testamento, chamado de
Memorial, e com um tabernáculo, compondo todo o cenário narrativo mítico da antiguidade
hebraica.

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Figura 6: Oliveiras no Jardim Bíblico do Templo de Salomão e Memorial ao fundo

Fonte: DIAS, Rafaela. As Oliveiras no Templo de Salomão. 2016. Disponível em:


[Link] Acesso em: 27 jan.
2021.

O neopentecostalismo e a utilização de elementos judaizantes

Segundo o estudo de Rogério BarrosXXIV, o neopentecostalismo brasileiro é reflexo de


um movimento missionário originado em Chicago, no final do século XIX. Ele nasce como
pentecostalismo no Kansas, em 1901. Dentro do contexto norte-americano, foi graças a um ex-
escravo, William Jospeh Seymour, que viajou até Los Angeles promovendo o famoso
avivamento da Rua Azusa em 1906, que o pentecostalismo assumiu caráter internacional no
século XX, chegando ao Brasil em 1911, aderindo fiéis do norte do país primeiramente, até
chegar aos grandes centros como São Paulo, na década de 1950, sofrendo modificações ao
ponto de seus adeptos mais tradicionais afirmarem que houve uma descaracterização. Dentro
de uma escala global, um dos fatores que contribuíram para a transformações dos
pentecostalismos no Brasil foi a sua relação com o capitalismo e com o mercado, nos quais se
cederam ao mercado transformando-se em bens e produtos, e gerando o que Barros entende
como “entretenimento religioso”.
Tal fator pode ser entendido pela falta de raízes profundas no país e pela forte influência
da tradição católica nos ciclos sociais, o que gerou diversos modelos de pentecostalismos a
partir da conturbação de práticas religiosas, sendo uma delas aquela que passou a ser chamada
de neopentecostalismo. O pentecostalismo se mostrava como um novo movimento que se
expandia da margem do protestantismo tradicional. Apresentava o caráter da glossolalia (falar
em línguas) como caráter fundante de sua distinção dos demais protestantismos.
Com a mudança da sociedade de consumo e de uma certa facilidade de ascensão social
promovida nos últimos anos no Brasil, os líderes evangélicos precisaram mudar suas mensagens
para agradar parte dos fiéis que tinha ascendido à classe média e conseguir novos adeptos a sua

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igreja, pois sofrera fortes perdas no número de adeptos no mesmo recorte temporalXXV. Para
isso, utilizou-se de símbolos vinculados aos textos do antigo testamento, fazendo com que os
“poderes espirituais” pudessem ser legalizados devido a uma específica interpretação que há
nos textos verotestamentários. A partir disso, as igrejas evangélicas passaram a utilizar de
símbolos judaizantes vindos de uma interpretação da Bíblia e transformando-os em objetos
evangélicos passou a ser frequente nos cultos religiosos pentecostais brasileiros. Com isso,
iniciou-se um culto a imagem de Israel e a cidade de Jerusalém, que passou a ser tida como
local sagrado para os evangélicos.
Dentro da lógica capitalista, o entretenimento religiosoXXVI que se baseia na forma
propagandística que as igrejas evangélicas tem de atrair “consumidores” e adeptos para dentro
de seus templos, está inserida a Igreja Universal do Reino de Deus, que faz uso de tais símbolos
hebraicos, chegando a confecção do Templo de Salomão e sua atual sede, que é o que nos chama
mais atenção nos dias de hoje em São Paulo e é objeto de análise deste trabalho, para atrair mais
fiéis para dentro de sua igreja a partir de um discurso de prosperidade que o templo transmite
em sua linguagem arquitetônica.
Marcelo da Silva Figueiredo e Letícia Jovelina Storto XXVII dizem em seu artigo que a
construção do templo de Salomão remete a uma cenografia luxuosa da tradição judaica e que
colabora para o envolvimento das pessoas e de seus fascínios. O grande propósito por trás da
construção é de criar um diálogo com o fiel da Igreja Universal a fim de transmitir riqueza,
elegância e poder, como exposto anteriormente, receber novos fiéis a partir desse novo cenário
criado. Esse diálogo se dá por meio de elementos em dourado, o discurso de utilização de
materiais vindos de Jerusalém e o estudo feito para a criação do templo com base no antigo
testamento.
Figueiredo e Stroto também dizem que:

O fato de o Templo em si e seus elementos manifestarem um ambiente de luxuosidade


favorece a construção de um ambiente em que se persuade pela aparência, pelo
“parecer ter”. Os fiéis são, desse modo, levados à construção de uma imagem de
riqueza e de poder, o que vai ao encontro da Teologia da Prosperidade, defendida no
discurso do pastorXXVIII

Por trás de todo esse envolvimento de elementos hebraicos dentro de um templo de uma
igreja neopentecostal brasileira, seu criador, Edir Macedo, elabora narrativas para que essa
evocação do antigo testamento faça sentido junto aos seus fiéis. Em sua biografia, ele diz que
a construção do templo foi meramente espiritual e para que as pessoas vejam a santidade de
Deus. Sua inspiração veio de uma das suas peregrinações em Israel e que quer que o brasileiro
se sinta na cidade Santa. É o despertar nos visitantes de diferentes religiões a fé dos tempos
bíblicos, mostrando aqui o propósito de adesão por parte da Universal de novos fiéis. Edir
Macedo diz também ter descoberto sua descendência judaica, mostrando mais um artifício
legitimador da utilização da simbologia hebraica em seu grande empreendimentoXXIX.
O intuito da construção do Templo foi romper com o monopólio da Igreja Católica,
detentora de grandes catedrais e monumentos religiosos e criar para o seu fiel um “capital
simbólico” a fim de mostrar que o evangélico também pode deter riqueza e luxúriaXXX.
É interessante notar também a mudança de discurso arquitetônico em relação a
confecção do Templo de Salomão. Os espaços de culto religioso mais antigos ou anteriores a
construção do Templo de Salomão apresentam uma linguagem arquitetônica que se aproxima

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do neoclassicismo dos séculos XVIII e XIX, como é possível notar nas sedes de Itaquera e do
Lauzane Paulista, bairros da zona leste e zona norte paulistas respectivamente, que possuem
uma linguagem que remete aos frontões gregos e uma simplificação ornamentaria, como
demonstrado nas imagens seguintes:

Figura 7: Igreja Universal do Templo de Deus no Lauzane Paulista, São Paulo

Fonte: Google Street View

Figura 8: Igreja Universal do Reino de Deus em Itaquera, São Paulo

Fonte: Google Street View

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A linguagem da Igreja Universal do Reino de Deus passou, assim, de diálogos com a


antiguidade greco-romana, entendida como Antiguidade Clássica, para o diálogo estritamente
voltado para o primeiro testamento bíblico e as linguagens judaizantes.

Considerações finais

É curioso notar como a presença da Antiguidade e seus desdobramentos podem abranger


áreas inimagináveis como igrejas neopentecostais, bem como a Igreja Universal do Reino de
Deus e seus referenciais e utilizações de discurso do mundo antigo no presente. Essa utilização
discursiva, por mais que, num primeiro momento, em seus templos confeccionados
anteriormente a sede no Brás dialogassem com a antiguidade greco-romana a partir de sua
arquitetura com frontões dos templos romanos e do Partenon grego, como demonstrado
anteriormente, sai do debate eurocêntrico de linguagem arquitetônica e atinge a antiguidade
médio oriental com a sua adaptação do Templo de Salomão em São Paulo no intuito de uma
mudança de discurso por parte das igrejas neopentecostais, a fim de seduzir e aderir novos fiéis
e de criar uma imagem de deslumbramento, retomada discursiva das origens do cristianismo e
de poder não somente por quem transita pela região do BrásXXXI, mas para os fiéis ao redor do
Brasil e do mundo.
O discurso do Templo de Salomão como a grande sede da Igreja Universal do Reino de
Deus se fez possível ao fato de a igreja conseguir fazer com que sua comunidade incorporasse
o Oriente Médio, a partir do antigo testamento como Terra Santa e originária de sua fé. Assim
esse discurso pode ser construído graças a figura de um indivíduo investido de poder, no caso
Edir Macedo e sua liderança frente à igreja, que se baseou em narrativas míticas do antigo
testamento para a mudança simbólica e ser legitimada, como aponta Nelson Lellis em seu
artigo. Lellis completa dizendo que:

Aquele que tem o poder nas mãos desenvolveria – sobre a tradição passada – uma
nova interpretação a fim de justificar a tentativa de implementar um novo
comportamento (de seu interesse) na comunidade. Isso é possível, nos estudos de
Detienne, quando o indivíduo empoderado consegue fazer com que sua comunidade
acredite primeiramente no testemunho de antigos (acreditar no testemunho dos
antigos é fácil, visto que os mitos já são contados às crianças pelas amas e pelas avós,
consideradas primeira espécie de ”fabricante de fábulas, muthopoioí, no inventário
sociocultural”) e, depois, na (re) utilização deste para a criação de uma nova
[Link]

A construção do Templo em São Paulo busca criar significados autênticos com o


passado vivido e criar ressignificações dentro do espaço de prática religiosa neopentecostal. O
diálogo que o Templo tem com o seu entorno se assemelha muito à descrição de templos na
antiguidade europeia e do Oriente Médio: grandes estruturas de práticas religiosas que se
destacam no meio da malha urbana e vemos, de fato, uma replicação do passado com o presente
vivido por essa linguagem arquitetônica se destacando entre as demais, por mais que os usos e
significados estejam atrelados a compreensão contemporânea de fé e de espaço de cultos de
uma igreja neopentecostal que tem a questão da propriedade privada como impedidora de
acesso livre ao espaço religioso.

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LUCAS MARTINEZ KNABBEN

Notas
I
Graduando em História pela Universidade Federal de São Paulo, membro do grupo de pesquisas CAPPH (Cidade,
Arquitetura e Preservação em Perspectiva Histórica). Currículo Lattes: [Link]
E-mail para contado: lucasknabben@[Link]
II
SILVA, Glaydson José da. História Antiga e usos do passado: um estudo de apropriações da antiguidade
sob o regime de Vichy (1940-1944). São Paulo: Annablume, 2007.
III
SILVA, Glaydson José da. Historicidade, memória e escrita da História: Augusto e o culto della romanità durante
o ventennio fascista. Romanitas – Revista de Estudos Grecolatinos, n. 12, p. 142-163, 2018
IV
BERNAL, Martin. A imagem da Grécia Antiga como uma ferramenta para o colonialismo e para a hegemonia
européia. Tradução de Fábio Adriano Hering. In: FUNARI, Pedro Paulo Abreu (Org.). Repensando o mundo
antigo. IFCH/UNICAMP, 2003. Coleção Textos Didáticos, n. 49. pp. 13-31
V
MARTINDALE, Charles. Reception. In: KALLENDORF, Craig W. (Org). A Companion to the Classical
tradition. Oxford: Blackwell Publishing, 2007. p. 297-311.
VI
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História. São Paulo, n.10, p.7-
28, dez.1993.
VIIROCHA, Camilo. A ascensão e influência das igrejas neopentecostais no Brasil: as denominações comandadas

por homens como edir macedo e valdemiro santiago se expandem, ocupando espaço na mídia e na política. Nexo
Jornal. São Paulo. abr. 2020. Disponível em: [Link]
ascens%C3%A3o-e-influ%C3%AAncia-das-igrejas-neopentecostais-no-Brasil. Acesso em: 26 jan. 2021.
VIII
ROLNIK, Raquel. O que é cidade. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 2012.
IX
BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003.
X
Magalhães, Luís Otávio. A cidade grega e os modos urbanos da política. In: Carvalho, Margarida Maria de et
al. São Paulo: Olho d’Água, 2005
XI
GONÇALVES, A. T. M.; CUNHA, M. de C. B. da. Reflexões sobre a arquitetura religiosa romana: a construção
de templos segundo o ’De architectura’, de Vitrúvio. Romanitas - Revista de Estudos Grecolatinos, [S. l.], n. 5,
p. 20-38, 2015.
XII
COULANGES, Numa-Denys Fustel de. A Cidade Antiga. São Paulo: Martin Claret, 2009
XIII
GOFF, Jaques Le. História e memória. São Paulo: Unicamp, 1990.
XIV
GONÇALVES, A. T. M.; CUNHA, M. de C. B. da. [Link].
XV Ver: DALLACQUA, Daniel. Por dentro dos espaços operários: a trajetória de associações de

trabalhadores no bairro do brás (1900-1919). 2014. 134 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Filosofia, Letras
e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Guarulhos, 2014.
XVI
Ver REIS, Philippe Arthur dos. Construir, morar e viver para além do centro de São Paulo: os setores
médios entre a urbanização e as relações sociais do Brás (1870-1915). 2017. Dissertação (Mestrado em História
e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São
Paulo, São Paulo, 2017
XVII
THROUP, Marcus. O Templo de Salomão em São Paulo?: Sobre a ressignificação de símbolos
veterotestamentários no movimento neopentecostal. Caminhando, São Paulo, v. 16, n. 1, p.115-123, jun. 2011
XVIII
FRANCISCO, Gilberto da Silva. Ecletismo Paulista: Breve introdução à arquitetura clássica em São
Paulo. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2015.
XIX
FAUST, Eduardo. Arquitetura do Sagrado: Quando a forma segue o significado e a beleza é uma função.
Disponível em: <[Link]
Acesso em: 08 jun. 2019.
XX
FRANCISCO, op. cit.
XXI LELLIS, Nelson. O Templo de Salomão (IURD) como projeto de nova gestão identitária. Protestantismo em

Revista, Rio Grande do Sul, v. 41, n. 1, p.36-50, maio 2016


XXII Ibidem
XXIIIFREIRE-MEDEIROS, Bianca; SILVA, Nathalia Pereira da. “Um Passeio além do Temp(l)o”: experiências

lúdico-midiáticas e agenciamento da história no “jardim bíblico” do templo de salomão da iurd.. In: IX


SEMINÁRIO NACIONAL DO CENTRO DE MEMÓRIA-UNICAMP, 1., 2019, Campinas. Anais [...].
Campinas: Editora Unicamp, 2019. p. 1-12.

Boletim Historiar, vol. 08, n. 02, Abr./Jun. 2021, p. 59-72 | [Link]


O TEMPLO DE SALOMÃO NO BRÁS: UMA ANÁLISE ACERCA DA UTILIZAÇÃO
DE ELEMENTOS DA ANTIGUIDADE HEBRAICA NO NEOPENTECOSTALISMO
BRASILEIRO

LUCAS MARTINEZ KNABBEN

XXIV
BARROS, Rogério. Templo de Salomão: um produto made in Brazil. 2018. 1 v. Dissertação (Mestrado) -
Curso de Ciências da Religião, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2018.
XXV
Ibidem.
XXVI
Ibidem.
XXVII
STORTO, Letícia Jovelina; FIGUEIREDO, Marcelo da Silva. Templo de Salomão: arquitetura,
argumentatividade e midiatização. Anuário Unesco Metodista de Comunicação Regional, São Paulo, v. 19, n.
19, p.259-273, dez. 2015.
XXVIII
STORTO; FIGUEIREDO, op. cit. p.269
XXIX
MACEDO, op. cit.
XXX
STORTO; FIGUEIREDO, op. cit.
XXXI
LELLIS, Nelson. O Templo de Salomão (IURD) como projeto de nova gestão identitária. Protestantismo
em Revista, Rio Grande do Sul, v. 41, n. 1, p.36-50, maio 2016. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 3 jun. 2019.
XXXII
Ibidem., p.40).

Referências

BARROS, Rogério. Templo de Salomão: um produto made in Brazil. 2018. 1 v. Dissertação


(Mestrado) - Curso de Ciências da Religião, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo,
2018.

FAUST, Eduardo. Arquitetura do Sagrado: Quando a forma segue o significado e a beleza é


uma função. Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 08 jun. 2019.

FRANCISCO, Gilberto da Silva. Ecletismo Paulista: Breve introdução à arquitetura clássica


em São Paulo. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2015.

FREIRE-MEDEIROS, Bianca; SILVA, Nathalia Pereira da. “Um Passeio além do Temp(l)o”:
experiências lúdico-midiáticas e agenciamento da história no “jardim bíblico” do templo de
salomão da iurd.. In: IX SEMINÁRIO NACIONAL DO CENTRO DE MEMÓRIA-
UNICAMP, 1., 2019, Campinas. Anais [...]. Campinas: Editora Unicamp, 2019. p. 1-12.

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LELLIS, Nelson. O Templo de Salomão (IURD) como projeto de nova gestão identitária.
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O TEMPLO DE SALOMÃO NO BRÁS: UMA ANÁLISE ACERCA DA UTILIZAÇÃO
DE ELEMENTOS DA ANTIGUIDADE HEBRAICA NO NEOPENTECOSTALISMO
BRASILEIRO

LUCAS MARTINEZ KNABBEN

SILVA, Glaydson José da. História Antiga e usos do passado: um estudo de apropriações da
antiguidade sob o regime de Vichy (1940-1944). São Paulo: Annablume, 2007.

STORTO, Letícia Jovelina; FIGUEIREDO, Marcelo da Silva. Templo de Salomão: arquitetura,


argumentatividade e midiatização. Anuário Unesco Metodista de Comunicação Regional,
São Paulo, v. 19, n. 19, p.259-273, dez. 2015.

THROUP, Marcus. O Templo de Salomão em São Paulo ?: Sobre a ressignificação de


símbolos veterotestamentários no movimento neopentecostal. Caminhando, São Paulo, v. 16,
n. 1, p.115-123, jun. 2011

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Common questions

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The main architectural differences lie in the internal purpose and the construction materials used. The original Temple of Solomon, as referenced in historical texts, was adorned with precious metals for sacrificial rites and religious functions, while the Temple in São Paulo serves as a Neo-Pentecostal church with references to Hebrew culture . The São Paulo temple uses contemporary construction materials like Brazilian bricks and concrete, alongside ornamental references such as stones from Hebron . Additionally, it incorporates architectural features to evoke the Middle East's atmosphere .

The use of stones from Hebron serves as a meritorious reference to the ancient Middle Eastern and Jewish cultural heritage. This choice is intended to lend authenticity and historical reverence to the temple's construction, aligning the contemporary structure with its biblical and ancient counterparts .

The Temple of Solomon in São Paulo acts as a substantial form of symbolic capital for the Neo-Pentecostal movement by demonstrating that Evangelicals can also possess wealth and opulence traditionally associated with historical religious institutions like the Catholic Church. This symbolically positions the church as a powerful and legitimate faith community .

The Temple of Solomon significantly impacts Brazilian religious architecture by broadening conceptualizations beyond traditional Catholic influences, exemplifying how Neo-Pentecostalism integrates cultural heritage into its framework to attract a global congregation. It challenges existing religious norms and landscapes, highlighting the growing influence and sophistication of evangelical architecture, thus redefining religious spaces as sites of cultural and spiritual plurality .

While earlier Neo-Pentecostal churches leaned towards neoclassical themes reminiscent of Greco-Roman temples, the Temple of Solomon in São Paulo distinctly departs from this by embracing architectural motifs from the Old Testament and Judaic traditions. This creates a unique identity, separate from the eurocentric classical inspirations that characterized previous construction efforts .

The construction challenges traditional narratives by departing from the dominant Catholic architectural hegemony, instead of offering an evangelical alternative that incorporates Neo-Pentecostal values and symbolisms from Judaic antiquity. This reflects a broader identity renegotiation and a strategic assertion of religious influence within São Paulo's cultural landscape .

The juxtaposition of modern construction materials like concrete with ancient cultural icons such as stones from Hebron underscores a thematic blend of tradition and modernity. It reflects an effort to root contemporary religious practice in historical authenticity while utilizing modern technology to meet current structural needs. This duality speaks to the continuity of faith across time, engaging congregants with a sense of permanence and historical depth .

The design intends to transport visitors to the historical context of the Old Testament, specifically to the Middle Eastern region. This is achieved through architectural elements such as curving pathways, color schemes, and the inclusion of tamarisk trees reminiscent of an arid climate. Additionally, features like a biblical garden, complete with olive trees and a tabernacle, aim to implicitly evoke a historical and spiritual ambience .

The Temple of Solomon in São Paulo signifies a shift from the Classical architectural discourse, which often drew from Greco-Roman themes, towards a focus on narratives from the Old Testament and Judaic symbolism. This transition aims to foster a connection with the origins of Christianity and cater to a broader symbolic capital demonstrating evangelical prosperity . Furthermore, it moves away from the eurocentric architectural languages towards Middle Eastern and Judaic representations .

Strategies include using architectural features that physically and visually replicate ancient Middle Eastern landscapes, such as soft curving pathways and era-appropriate flora like tamarisk trees . Furthermore, narratives established through guided tours, the biblical garden, and the Old Testament museum construct a robust historical and cultural narrative that engages visitors, fostering an immersive experience reflective of ancient Judaic contexts .

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