PARTE ESPECIAL
LIVRO I
DO PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
TÍTULO I
DO PROCEDIMENTO COMUM
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 318. Aplica-se a TODAS AS CAUSAS O PROCEDIMENTO COMUM, salvo
disposição em contrário deste Código ou de lei.
Parágrafo único. O PROCEDIMENTO COMUM aplica-se subsidiariamente aos demais
procedimentos especiais e ao processo de execução.
Em 1973 existiam os seguintes modelos processuais. Cada processo tinha um
procedimento
Processo de conhecimento crise de certeza PROCEDIMENTO ESPECIAL
(Monitória, usucapião...) ou COMUM (sumário ou ordinário)
Processo de execução crise de inadimplemento (já tenho a certeza através
do título executivo) AÇÃO DE EXECUÇÃO (não havia diferença entre
processo judicial e extrajudicial).
Processo cautelar crise de segurança (Medida Cautelar) PROCEDIMENTO
CAUTELAR. “processo do processo”
No antigo modelo, teríamos que instaurar um processo para cada procedimento. Ex: A deve a
B, que inicia processo de conhecimento. Após a sentença, deve iniciar processo de execução e se desejar
alguma medida cautelar, um processo cautelar.
Ao longo dos anos, o CPC/1973 passou por uma série de reformas, isso antes da
entrada em vigência do CPC/2015. Isso fez com que a medida cautelar começasse a cair em
desuso, pois começou-se a perceber que a medida cautelar poderia ser concedida dentro do
processo de conhecimento ou execução. Consequentemente, o procedimento cautelar
também começou a cair em desuso. Além disso, outra mudança envolveu o título executivo,
pois, caso fosse judicial, haveria o chamado cumprimento de sentença. Já se o título executivo
fosse extrajudicial, ocorreria a ação de execução
Após essas reformas, houve o momento do chamado processo sincrético, que é aquele
que se desenvolve em fases (conhecimento e execução).
Nesse caso, a medida cautelar passou a ser concedida incidentalmente em qualquer
momento dentro do processo. Já o processo de execução autônomo ficou para o caso de título
executivo extrajudicial (ex.: cheque).
CAPÍTULO II
DA PETIÇÃO INICIAL
Seção I
Dos Requisitos da PETIÇÃO INICIAL
Art. 319. A petição inicial indicará:
I - O JUÍZO a que é dirigida;
II - Os NOMES, os PRENOMES, o ESTADO CIVIL, a EXISTÊNCIA DE UNIÃO
ESTÁVEL, a PROFISSÃO, o NÚMERO DE INSCRIÇÃO NO CADASTRO DE PESSOAS
FÍSICAS ou no CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA, o ENDEREÇO
ELETRÔNICO, o DOMICÍLIO E A RESIDÊNCIA do autor e do réu;
§ 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição
inicial, requerer ao juiz diligências necessárias à sua obtenção.
§ 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se
refere o inciso II, for possível a citação do réu.
§ 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II
deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente
oneroso o acesso à justiça.
III - o FATO e os FUNDAMENTOS jurídicos do pedido;
IV - O PEDIDO com as suas especificações;
V - O VALOR DA CAUSA;
VI - As PROVAS com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - a OPÇÃO DO AUTOR PELA REALIZAÇÃO OU NÃO DE AUDIÊNCIA DE
CONCILIAÇÃO ou de mediação.
Art. 320. A petição inicial será INSTRUÍDA COM OS DOCUMENTOS
INDISPENSÁVEIS À PROPOSITURA DA AÇÃO.
Art. 321. O juiz, AO VERIFICAR QUE A PETIÇÃO INICIAL NÃO PREENCHE OS
REQUISITOS DOS arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a
emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
Seção II
Do Pedido
Art. 322. O pedido DEVE SER CERTO.
§ 1º Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de
sucumbência, inclusive os honorários advocatícios.
§ 2º A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o
princípio da boa-fé.
Art. 323. Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações
sucessivas, essas serão consideradas incluídas no pedido, independentemente de declaração
expressa do autor, e serão incluídas na condenação, enquanto durar a obrigação, se o
devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las.
Art. 324. O pedido deve ser determinado.
§ 1º É lícito, porém, formular pedido genérico:
I - nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados;
II - quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato;
III - quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que
deva ser praticado pelo réu.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se à reconvenção.
Art. 325. O pedido será alternativo quando, pela natureza da obrigação, o devedor puder
cumprir a prestação de mais de um modo.
Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o juiz
lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda que o autor não
tenha formulado pedido alternativo.
Art. 326. É lícito formular mais de um pedido em ordem subsidiária, a fim de que o juiz
conheça do posterior, quando não acolher o anterior.
Parágrafo único. É lícito formular mais de um pedido, alternativamente, para que o juiz
acolha um deles.
Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, de vários
pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.
§ 1º São requisitos de admissibilidade da cumulação que:
I - os pedidos sejam compatíveis entre si;
II - seja competente para conhecer deles o mesmo juízo;
III - seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento.
§ 2º Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento, será
admitida a cumulação se o autor empregar o procedimento comum, sem prejuízo do emprego
das técnicas processuais diferenciadas previstas nos procedimentos especiais a que se
sujeitam um ou mais pedidos cumulados, que não forem incompatíveis com as disposições
sobre o procedimento comum.
§ 3º O inciso I do § 1º não se aplica às cumulações de pedidos de que trata o art. 326 .
Art. 328. Na obrigação indivisível com pluralidade de credores, aquele que não participou
do processo receberá sua parte, deduzidas as despesas na proporção de seu crédito.
Art. 329. O autor poderá:
I - até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de
consentimento do réu;
II - até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com
consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação
deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de
pedir.
Seção III
Do Indeferimento da Petição Inicial
Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:
I - For inepta;
II - A parte for manifestamente ilegítima;
III - o autor carecer de interesse processual;
IV - Não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321 .
§ 1º Considera-se inepta a petição inicial quando:
I - Lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II - O pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o
pedido genérico;
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
IV - Contiver pedidos incompatíveis entre si.
§ 2º Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo,
de financiamento ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na
petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende controverter, além de
quantificar o valor incontroverso do débito.
§ 3º Na hipótese do § 2º, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e
modo contratados.
Art. 331. Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de
5 (cinco) dias, retratar-se.
§ 1º Se não houver retratação, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso.
§ 2º Sendo a sentença reformada pelo tribunal, o prazo para a contestação começará a
correr da intimação do retorno dos autos, observado o disposto no art. 334 .
§ 3º Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença.
CAPÍTULO III
DA IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO
Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da
citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar:
I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça
em julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.
§ 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde
logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição.
§ 2º Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença,
nos termos do art. 241 .
§ 3º Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias.
§ 4º Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a
citação do réu, e, se não houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar
contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias.