Abscessos são: colecções de pus em espaços teciduais confinados, geralmente causados por
infecção bacteriana, a bactéria mais comum é a Staphylococcus aureus e também ser causados
por parasitas.
O abscesso é identificado como um abaulamento muito doloroso na região ao redor do ânus, e
que causa grande desconforto ao evacuar e sentar. Este abaulamento é muito visível nos
abscessos mais superficiais, mas não é tão evidente nos mais profundos.
O Abscesso pode ter várias causas, como:
Glândulas anais bloqueadas
Fissura ou infecção anal
Infecções sexualmente transmissíveis
As causas também podem ser baseadas em factores de risco, como:
Diabetes
Diverticulite
Doença Pélvica
Colite
Isso ocorre porque durante o primeiro processo de defesa do organismo, conhecido como
imunidade inata, há o recrutamento majoritário de neutrófilos, os quais são responsáveis por
fagocitar e destruir os antígenos nesta fase da resposta imune.
Abcesso anal:
representa uma infecção dos tecidos moles em torno do canal anal. A gravidade e a profundidade
do abcesso são bastante variáveis. Está infecção anal, origina-se no plan interesfinctérico
(abcesso interesfinctérico), mais provavelmente em uma das glândulas anais, e pode estender-se
em várias direcções e resultar em outras formas de abcessos, mencionadas a seguir:
Abcesso perianal: resulta da disseminação vertical para baixo de uma infecção
interesfinctérica até a borda anal que pode ser mal percebida/interpretada como uma
hemorróide externa trombosada.
Abcesso intermuscular: a infecção interesfinctérica se dissemina verticalmente para
cima, dentro da sua própria parede rectal.
Abcesso ísquiorectal: o abcesso interesfinctérico dissemina-se através do recto para a
região ísquiorectal, e faz um grande acúmulo de pus, que dificilmente é diagnosticado no
início.
Abscessos e fístulas anorretais ocorrem mais comummente em pessoas do sexo
masculino do que nas do sexo feminino, na proporção de dois homens para cada mulher
Localizações dos abscesses anais.
Quadro Clínico
2.4.1 Anamnese
Os doentes com um abcesso anal normalmente se queixam de:
Desconforto e dor perianal intensa, pulsátil, agravados pela defecação, movimentação e
compressão ao sentar por exemplo
Nalguns casos os pacientes referem palpação de tumoração perianal dolorosa que
aumenta gradualmente de tamanho
Febre, calafrios, mal-estar e outros sintomas de toxicidade sistémica, podem estar
presentes mesmo antes de se diagnosticar o abcesso.
Exame físico
À inspecção pode ser visível o abcesso (abcesso perianal). Dor à palpação, com presença, por
vezes, de eritema e flutação. O toque rectal é bastante doloroso, sentindo-se uma massa
endurecida ou flutuante (abcesso ísquiorectal ou intersfincteriano).
Complicações
Sepsis
Fistulização, fibrose e formação de estenoses
Obstipação por receio da dor na defecação
Exames auxiliares e diagnóstico
O diagnóstico é fundamentalmente clínico (anamnese e exame físico). No entanto o hemograma
pode mostrar leucocitose.
Conduta
O tratamento dos abcessos requer intervenção cirúrgica (drenagem do abcesso), antibioterapia
(por exemplo, amoxicilina com ácido clavulânico via oral em casos leves, e penicilinas e
aminoglicosídeos nos casos graves com sépsis) e analgesia (ibuprofeno, paracetamol).
Em alguns casos é necessária uma transferência urgente do doente, são eles:
Doentes com suspeita de abscesso ísquiorrectal
Doentes sépticos
Doentes com o estado geral comprometido
Um atraso na drenagem do abcesso pode complicar com uma destruição tecidual crónica,
formação de fístulas, fibrose e formação de estenose e pode prejudicar a continência fecal
Fístula
A fistula – é um trajecto revestido de epitélio ou de tecido de granulação que une as superfícies
epiteliais tais como aquelas em duas cavidades do organismo ou uma cavidade à superfície
externa do corpo.
Fístula anal - é um trajecto anormal localizado entre a luz do recto ou canal anal e a superfície
corporal (geralmente perianal), ou mais raramente, no outro órgão (ex: vagina)
A prevalência em homens é mais alta do que em mulheres. A idade média dos pacientes é 35 a
40 anos.
Na maioria das vezes é causada por um abcesso que se rompeu em duas direcções – internamente
no recto e canal anal e externamente na pele. Contudo alguns pacientes desenvolvem fístulas
secundárias ao trauma, doença de Crohn, fissuras anais, carcinoma, tuberculose e infecções por
clamídia.
Quadro Clínico:
Os pacientes com fístulas anais, muitas vezes referem antecedentes de sintomatologia de abcesso
Ano-rectal com resolução espontânea ou por drenagem cirúrgica. Os sintomas apresentados são
geralmente os seguintes:
Secreção aquosa ou purulenta pela abertura externa da fístula (sintoma mais comum)
Dor (se o centro da fístula tiver pus)
Prurido anal (devido a secreção que torna a pele perianal húmida e macerada)
Sintomas sistémicos, quando há infecção concomitante
Exame Físico
O examinador deverá observar o períneo inteiro, procurando uma abertura externa, que aparece
como uma cavidade aberta ou elevação de tecido de granulação.
O toque rectal pode revelar um trato fibroso sob a pele e geralmente, é possível através de
movimentos delicados, introduzir uma sonda pela abertura perineal até a abertura interna no
canal anal.
Exames auxiliares e diagnostico
Fundamentalmente clínico, pela história de abcessos perianais anteriores e respectiva drenagem,
secreção anal.
Tratamento
O tratamento desta entidade é cirúrgico, portanto, no caso de suspeita, deve-se referir.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DAS DOENÇAS DO ÂNUS
As doenças do ânus, podem ser confundidas entre si, pois a maior parte se manifesta parcial ou
totalmente pelos principais sintomas de patologia anal que são, dor agravada com a defecação,
sangramento, palpação de tumoração perianal e prurido anal. Por esta razão, o clínico deve ser
capaz de identificar as particularidades de cada uma delas para poder diferenciá-las entre si e
determinar a abordagem terapêutica. Como diagnósticos diferenciais de doenças do ânus
podemos listar:
Hemorróides
Fissura anal
Abcessos e fístulas ano-rectais
Prolapso rectal
Outras: condiloma acuminado, corpo estranho, carcinoma ano-rectal, proctite