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Programa Micromat

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Jonatas Varela
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Projeto Μicroμat

Financiamento:
Introdução
Vivemos na era da ciência e da tecnologia. Embora a ciência lide com o mundo material, ela
requer um alto grau de abstração, não apenas porque depende fortemente da matemática,
mas também porque a formulação de hipóteses, o planejamento de experimentos e a avaliação
de suas conclusões dependem do pensamento abstrato. Segundo a teoria do desenvolvimento
cognitivo de Piaget, crianças dos 7 aos 11 anos desenvolvem o raciocínio lógico e dos 12 até
a idade adulta continuam expandindo suas ferramentas mentais, tornando-se cada vez mais
adeptas do pensamento abstrato e do raciocínio dedutivo [1]. O físico ganhador do Prêmio
Nobel Richard P. Feynman escreveu sobre a educação científica brasileira na década de 1950 -
“Há tantas crianças aprendendo física no Brasil, começam muito mais cedo do que as crianças
nos Estados Unidos. É incrível que você não encontre muitos físicos no Brasil - por que isso?
Tantas crianças estudando tanto, e não resulta em nada?” [2]. Feynman estava criticando
especificamente o método (brasileiro) de aprendizagem que se baseia na memorização em
vez da compreensão genuína de ideias científicas. O ensino de ciências no Brasil melhorou
desde então? Sem dúvida, temos ilhas de educação de primeira linha, comparáveis às melho-
res escolas de países de alto desempenho. Mas, em média, a desvantagem do brasileiro na
educação, principalmente no que diz respeito às habilidades matemáticas, é impressionante
quando comparada às nações mais avançadas (o Brasil ficou em 71º lugar entre 79 países nos
exames de matemática do PISA 2018) [3]. Nosso futuro como nação depende da capacidade
de nossas crianças e adolescentes em absorver o pensamento abstrato. Pensando nisso, o
CEPID B3 elaborou um programa de aprendizado matemático por meio da experimentação
em microbiologia. A ideia principal deste projeto é a utilização de microrganismos como
uma ferramenta, através da qual os alunos aprenderão a apreciar e lidar com números muito
pequenos e muito grandes, que frequentemente encontramos na microbiologia, bem como em
muitas outras áreas da ciência. Isso será alcançado por meio de uma série de atividades práti-
cas de laboratório. Ao longo deste projeto, os alunos adquirirão a capacidade de compreender
e calcular concentrações, áreas, volumes e diluições seriadas. Eles também utilizarão loga-
ritmos, expoentes, funções exponenciais e gráficos de dispersão. E o que é mais importante,
através da experimentação em microbiologia, os alunos treinarão a capacidade de pensamento
matemático abstrato.

1
Plano de atividades
O programa a seguir pode ser implementado em escolas que possuam um laboratório simples
com bancadas, cadeiras, geladeira e estufa (30-37℃). Todos os consumíveis utilizados neste
projeto (microrganismos, meios de cultura, tubos, microtubos, frascos, pipetas etc.) serão
fornecidos pelo CEPID B3 . Poderão participar do projeto alunos do 10º ao 12º ano (ensino
médio). O projeto é composto de 4 módulos independentes. Cada módulo consiste de 2-3
classes.

Módulo 0
Em nosso primeiro encontro, será feita uma breve introdução, e será aplicado um pequeno
questionário composto por perguntas sobre conceitos matemáticos básicos como números
reais, expoentes, logaritmos e geometria. Um questionário semelhante será aplicado ao final
do programa para avaliar o efeito da intervenção sobre as habilidades matemáticas dos alunos.
Em seguida, será conduzido o experimento 0, no qual os alunos aprenderão a manipular
micropipetas.

Módulo 1
Quantas leveduras há em 1 g de fermento biológico?
O objetivo deste experimento é determinar a concentração de células de levedura da
espécie Saccharomyces cereviseae em uma suspenão aquosa e também em um pacote de
fermento biológico. Serão realizadas diluições seriadas, seguidas de plaqueamento em pla-
cas de Petri contendo meio de cultura apropriado. Ao realizar este experimento, os alunos
trabalharão os conceitos de massa, concentração, relação massa:unidade, diluição em série e
técnicas de assepsia para a manipulação de microrganismos. Além disso, aplicarão os seus
conhecimentos sobre potenciação e expoentes. Os alunos terão contato com microrganismos
(não-patogênicos), com as suas dimensões muito reduzidas e grandes populações, e aprenderão
sobre a utilidade de microrganismo na fabricação de alimentos, bebidas e outros produtos.
É importante ressaltar que os experimentos conduzidos com fermento carecem de risco
biológico ou qualquer outro tipo de perigo, podendo ser conduzidos em qualquer ambiente e
não requerem a utilização de equipamentos de segurança.

2
Módulo 2
Quantas células há em uma colônia de levedura?
Placas (do experimento anterior ou preparadas pelos monitores do projeto), contendo
colônias isoladas de vários tamanhos, serão fotografadas e medidas usando uma régua como
escala. A seguir, as colônias serão removidas com o auxílio de uma espátula, suspensas em soro
fisiológico, diluídas e plaqueadas. A partir do número de colônias nas placas de diluição será
possível calcular o número de células em uma colônia e o número de células por área/volume
(supondo que as colônias de leveduras formem meias esferas perfeitas). Ao final, os alunos
traçarão uma curva de correlação (volume/área de uma colônia versus número de células) e
encontrarão a equação que descreve a relação entre área/volume e número de células. Além
dos conceitos do item anterior, os alunos trabalharão a noção de arranjo geométrico de células
de levedura em colônias, a existência de um grande número de células em uma única colônia,
medição de raio/diâmetro/área/volume, gráficos de dispersão e o conceito de correlação entre
duas variáveis.

Módulo 3
Como medir e calcular a taxa de crescimento celular?
Os alunos medirão a taxa de crescimento de colônias individuais. Diluições de uma sus-
pensão de leveduras serão semeadas em placas de Petri, incubadas em temperatura ambiente
e fotografadas a cada 24 h ou em intervalos menores, se possível. Com base na correlação
já calculada entre o número de células e o volume/área da colônia do item anterior, cal-
cularemos a taxa de crescimento da colônia e, consequentemente, da população de células.
Neste experimento, os alunos explorarão os conceitos de crescimento exponencial e de taxa
de crescimento. Logaritmos e gráficos semi-log serão usados.

Referências
[1] Huitt, W., & Hummel, J. (2003). Piaget’s theory of cognitive development. Educa-
tional Psychology Interactive. Valdosta, GA: Valdosta State University. http://www.
edpsycinteractive.org/topics/cognition/piaget.html

[2] Feynman, R. P. (1985): Surely You’re Joking, Mr. Feynman!: Adventures of a Curious
Character, Richard Feynman, Ralph Leighton, Edward Hutchings (editor), W W Norton.

3
[3] PISA2018. PISA 2018 Results. https://www.oecd.org/pisa/Combined_Executive_
Summaries_PISA_2018.pdf

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