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Famílias, Funcionamento e Tratamento (Minuchin)

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"TéíaTo oç.

M i w o c h i ' M , 5. c/cvyvuÍa.oa : ^ n c tW c tv m rC C fe
OnXiXiX vniMtâ . GULu^fa- '. CuJJu> m c c L ca/> /l^flO
(C K ?. O Ò ) J 1

Um modelo familiar

O hom em sobrevive em g ru p o s ; is to é inerente à c o n d içã o h u m a n a . A necessi­


dade m ais básica de um a c rian ça é de um a fig u ra m a tern a, para a lim e n tá -la , proteg ê-
la e ensiná-la. A lé m disso, o h o m e m te m sob re v iv id o , em todas as sociedades, p e r­
te n ce n d o a agregações sociais. E m d ife re n te s c u ltu ra s , estas agregações va ria m em
seu n ív e l de organização e d ife re n c ia ç ã o . As sociedades p rim itiv a s c o n ta m c o m g ra n ­
des agrupam entos, com um a d is trib u iç ã o estável de funções. À m e dida q u e as socie­
dades fic a m mais com plexas e são a d q u irid a s novas ha bilidade s, d ife re n c ia m -s e es­
tru tu ra s societárias. A m o d e rn a c iv iliz a ç ã o in d u s tria l urbana im põ e ao h o m e m duas
exigências c o n flita n te s : a capacidade de desenvolver ha bilidade s a lta m e n te especia­
lizadas e a capacidade de a d a p ta ç ã o rá p id a 'a um a situação s ó cio -e co n ô m ica c o n s ta n ­
te m e n te em m udança. A fa m ília ^ s e m p re te m passado p o r m udanças qu e c g r re spon-
dem às m udanças da sociedadç. T e m assum ido o u re nuncia do a fu iiç õ e s de p ro te ç ã o *-*
e socialização de seus m e m b ró s em resposta às necessidades da cultura._Neste..sen_;
tid o , .as.fynções da fa m ília ate nde m a d o is d ife re n te $_objetivos....Um é in te rn o — a
p ro te ç ã o psicossocial de seu s 'm e m b ros; o o u tro é e x te rno — a a co m oda ção a um a
c u ltu ra e a transm issão dessa c u lt ura,.
A sociedade in d u s tria ! urbana tem -se in tro d u z id o v igorosam ente na fa m ília ,
assum indo m u itas funções que, antes, eram consideradas deveres fa m ilia re s . Os
idosos agora vivem a pa rte, em lares de pessoas idosas o u em n ú cle o s h a b ita c io n a is
em de se n v o lv im e n to para os cidadãos veteranos. 0 apoio je c o n ô m ic o é fo rn e c id o
pela sociedade através da pre vid ê n cia ou d o bem -estar social.iO s jo ve n s são educados
pelas escolas, pela co m u n ica çã o de massa e p e lo sco m p a n h e iro sJO v a lo r d o qu e c o s tu ­
mava ser o tra b a lh o da m u lh e r te m sido dra s tic a m e n te re d u zfd o pe la m o d e rn a te c ­
n o lo g ia , que m o d ific o u as tarefas necessárias à sobrevivência da u n id a d e fa m ilia r,

52

0^6
co m o tra b a lh o d u ro qus um a m á quina pode fazer m e lh o r. As condições, que ad m i­
te m o u requerem que am bos os esposos tra balhe m fo ra da fa m i'iia , cria m situações
em que a rede e x tra fa m ilia r pode in te n s ific a r e exacerbar o c o n flito entre os e s p o s o s ^
Em face de todas estas m udanças, o hom em m oderno ainda se m a ntém fie! a
um c o n ju n to de valores, que pertence a uma sociedade d ife re n te , uma sociedade em
que as fro n te ira s entre a fa m ília e o e x tra fa m ilia r eram n itid a m e n te delineadas. A ade­
são a u m m o delo o b s o le to leva à classificação de m uitas situações, que são clara-
fnente tra nsiciona is, co m o pa tológica s ou patogênicas. A pedra de to q u e para a v i­
da fa m ilia r airida é o legendário " e assim eles casaram e viveram felizes para sem­
pre” . Não é surpresa que q u a lq u e r fa m flia não alcance este ideal.
0 m u n d o ocid e n ta l está num estado de transição e a fa m ília, que sempre de-
ve_se.açpm odar.à socÍ5dad&J__está m u d a n d o com ele. Mas em razão de d ificu ld a d e s
tra nsiciona is, a p rin c ip a l ta re ia psicossocial da fa m ília — ap oiar seus m em hros — sp
t o rn o u mais im p o rta n te do que nunca. S om ente a fa m ília a mp.nor u n idade ria so­
ciedade. pode m udar e. apesar disso, m a nter suficien te c o n tinuidade para c r ia r jj-
Ihos, QUK_.não_5erá'oJ'.estranc!eir.os num a terra estranha", que estarão jirm e m e n te en-
raÍzados,-Q .suticiente para crescerem .e s e ^ d a p la r e m ^ ''

A m atriz dn identidade

Em todas as c .iltu ra s , a fa m ília dá a seus m em bros o cunho da in d iv id u a lid a ­


de. A exp eriên cia hum ana de id e n tid a d e tem dois elem entos: um sentido de per-
te n c im e n to e um s tm id o de ser separado. C la b o ra tó rio em que estes ingredientes
são m istu rado s e a d m inistra dos é a fa m ília , a m a triz da identidade.
N o processo i- icial de soçiajjzação, as fa m ília s m odelam e program am o c o m ­
p o rta m e n to e o s en tido de id e n tid a d e da criança. 0 sentido de p e ite n c im e n to apa­
r ece c ó rn u m a acom odação de pa rte da cnança aos grupoè fam ilia res e_com sua p[es-
suposição de padrões transacionais, na estrutura fa m ilia r, que. são ..consistentes du;
ra nte todos os dife rentes a c o n te c im e n tos da y id a ^ T o m m y Wagner é um Wagner e,
do p r in c íp io ao fim de sua vida, será o filh o de E m üy e M ark. Este será um fa to r
im p o rta n te em sua ■xistên cia . 0 fa to de M ark ser o pai de T o m é um fa to r im p o r­
ta n te na vida de M ark, c o m o o é o fa to de que ele é o m a rid o de E m ily ,.0 sentido,
de p crte nc i m en t o_.cij ,__cad a m e m b ro é in flu e n c ia d o p o r seu sentido de pertencer a t
uma fa m ília específica^ «
O sentido de separação e de indiv id u a ç ã o ocorre através da pa rticipaçã o e rn d ife -ç
rentes.subsistem çijJ m i liares em d ife rentes c o n te x to s fam iliares, ta n to q u a n to através''
da p a rticipaçã o em «rupos e x íra fa m ilia ré s .jC õ m o a criança e a fa m ília crescem juntas,
a aco m o d a ç ã o d a fa m ília às necessidades da criança d e lim ita áreas de a u to n o m ia, q ue
esta e x p e riencia c ;:^ o _ segar ação. É destacado um te r ritó r io psicoló gico e transacio­
nal para aquela crianca em p a rtic u la r. Ser T o m m y é diverso de ser um W agner.
Mss x a d a .s e n tid o de identidade_ÍQ.dÍYÍduaj_é in flu enciado p or^seu-sentido de
p e r.ten cim ento-a -diferente s-grupos. Parte da identidade de M a rk W agner é o fa to de

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q u e e le é o pa i de T o m e o m a rid o de E m ily , ta n to q u a n to o de ser filh o de seus
pais. O s c o m p o n e n te s d o s e n tid o de id e n tid a d e de um in d iv íd u o m udam e p e rm a ­
ne cem c o n sta n te s . C o m o R oge r B a rk e r o c o lo c a : " A pessoa psicológica, que escreve
ensaios, qu e m arca p o n to s e atravessa as ruas perm anece com o um a entidade id e n ti­
fic á v e l e n tre pa rtes in te rio re s instáveis e c o n te x to s exte riore s, com am bos os quais
está v in c u la d a e, n o e n ta n to , de am bos os quais está p ro fu n d a m e n te s e p a ra d a .''1
A pessoa p s ic o ló g ic a , qu e é u m a entid a d e separada, está vinculada com c o n te x to s
e x te rio re s j j j
i M u $ c e m b o ra a fa m ília seja a m a triz do de senvolvim ento psicossocial de seus
' m e m b ro s , ta m b é m deve se a c o m o d a r a um a sociedade e assegurar alguma c o n tin u i-
'• dade p a ra a sua c u ltu ra . Esta fu n ç ã o societária é fo n te de ataques sobre a fa m ília , na
m o d e rn a A m é ric a .* A sociedade am ericana está m u d a n d o e m u itos grupos, d e n tro
dessa socied ade , q u e re m acelerar a m udança. Estes grupos, m u ito correta m ente, p e r­
ceb em a fa m ília c o m o u m e le m e n to de co n se rva cio n ism o e com o uma fo n te de es-
tase. Os ataques à fa m ília são típ ic o s de p e río d o s re volucion ários. C risto disse a
seus d is c íp u lo s para d e ix a re m seus pais e fa m ília s e segui-lo. A R evolução Francesa,
a russa e a chinesa, tod as elas solaparam a e s tru tu ra fa m ilia r tra d ic io n a l naqueles
países, n u m a te n ta tiv a de acelerar o progresso na d ire ção de uma nova o rd e m so­
c ia l. O k ib u t z de Israel é o u tr o e x e m p lo d o m esm o processo social.
A s leis russas re la tiva s à fa m ília , d u ra n te e de pois da revolução, ilu s tra m este
processo. N os anos v in te , as leis reguladoras de casam ento, d iv ó rc io e a b o rto te n d e ­
ra m p a ra a d issolu ção da fa m ília . Mas, nos anos trin ta , quando a Rússia estava avan­
ç a n d o para a c ris ta liz a ç ã o de suas norm as societárias recentem ente estabelecidas,
as leis fo ra m m o d ific a d a s , para a p o ia r a c o n tin u id a d e da fa m ília .‘ S im ila rm e n te , os
k ib u t z im israelenses agora estão te n d e n d o para a u m e n ta r as funções da fa m ília n u ­
c le a r, d e n tr o d o k ib u tz . E m m u ito s deles, as crianças pequenas agora ficam no q u a r­
t o de seus pais e as crianças em geral vivem com seus pais por p e río d o de te m p o
m ais lo n g o , antes de ingressar no la r das crianças.
Q u a lq u e r estu d o da fa m ília deve in c lu ir a sua com plem e ntaridade com a so-^
cieda de. A fa m ília n u c le a r, qu e, pe lo m enos em te o ria , é o padrão da classe m édia
a m e ric a n a , é um d e s e n v o lv im e n to h is tó ric o recente. M esmo hoje em dia, é grande­
m e n te c o n fin a d a às sociedades urbanas in d u s tria liz a d a s . Os conceitos das funções
fa m ilia re s ta m b é m , se m o d ific a m à m edida que a sociedade muda. A té q u a tro c e n ­
to s anos atrás, a fa m ília não era con sid era da c o m o um a unidade de criação da c ria n ­
ça e, até m u ito m a is tarde,-as crianças não eram reconhecidas com o in d iv íd u o s com
d ir e ito s p ró p rio s .

* A re fe rên cia é fe ita aos Estados U nidos da A m érica (N. da trad.).


' Roger G. Barker, E co lo g ica l P sych o lo g y: Concepts a nd M e th o ds fo r Studying the E nvironm ent
o f H u m a n B e h avio r (S ta n fo rd : S ta n fo rd U nive rsity Press, 1968), p. 6.
2 N ich o la s S. T im a she ff, "T h e A tte m p t to A bolish the F a m ily in Russia.” in Norman W. Bell
and E zra F. V ogel, eds. A M o d e rn In tro d u c tio n to the F a m ily (Glencoe: Free Press, 1950),
pp. 55-63.
P h illip A ries, C enturies o f C h ild h o o d (New Y o rk : Vantage Press, 1962).

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A tu a lm e n te , a fa m ília am ericana, d o m esmo m o d o que a sociedade am erica­
na, está num p e río d o de transição. E, c o m o a sociedade o tra n s m ite , a fa m ília está
sob ataque. Por e x e m p lo , um program a de educação p ú b lic a de televisão, de doze
horas, A n A m e ric a n F a m ily , seguiu a fa m ília L o u d através das ro tin a s de sua vida e
de suas relações com em pregos, escolas, parentes afin s e amigos. A lgum a s pessoas
aclam aram esfa apresentação com o um a penetração na com unicação de massa, com
s ig n ifica tivo valor a n tro p o ló g ic o . O utras c ritic a ra m a obtusidade da apresentação
da vida fa m ilia r. U m g ru p o c rític o s ig n ific a tiv o fo i a p ró p ria fa m ília Lo ud. Em
shows independentes de televisão, eles ten tara m co m u n ica r a uma audiência de m i­
lhões que não gostaram de si mesmos, tal com o haviam sido re trata dos. Eles salien­
taram que havia m u ito mais a respeito deles do que fo i m ostrado. O que a audiên­
cia americana viu, de fa to , fo i o p o n to de vista do p ro d u to r. In flu e n c ia d o po r m o ­
dos atuais de encarar a fa m ília , ele tin h a selecionado e posto em relevo excertos
que exem plificassem estes po ntos de vista. D istorções sim ilares fo ra m feitas pelos
cameramen e pelo pessoal que com pôs as tom adas, selecionou os d o se ups e to m o u
com o alvo o que eles consideraram ser os aspectos pe rtinentes da fa m ília . Os ameri- ,
canos viram uma fa m ília am ericana, apresentada de acordo com os aspectos c u l­
turais da fa m ília , qu-i são cornum ente suscetíveis à m od3.
Os ataques à fa m ília são provenientes de m uitas fontes. Estão se in c o rp o ra n ­
do líderes inte le ctuais do m o v im e n to c o n tra c u ltu ra l e grupos de jovens, que esti­
veram fazendo experiências com form as com unais de organização fa m ilia r e de edu­
cação in fa n til. No cam po de saúde m e ntal, R. D. Laing e seus seguidores têm sido
influentes na descnção da fa m ília com o a program adora m alevolente da psicose e,
ainda p io r, dos a d ultos "n o rm a is ", que povoam o nosso m u n d o .4 O novo m o vim en­
to fem in ista tam bém te m atacado a fa m ília , descrevendo-a com o um a fo rtific a ç ã o
do cha uvinism o m a sculino. Vêem a fa m ília nuclear com o uma organização que não
pode ajud ar; apenas p ro d u z meninas, criadas para serem esposas na casa de bonecas,
e m eninos, que serão pra tic a m e n te capturados em padrões obsoletos.
A fa m ília m u dará à m edida que a sociedade m uda. P rovavelm ente, de m odo
com plem e ntar, a sociedade desenvolverá estruturas extrafam jliares_P. 3ra. 5 e .adaptar
às novas correntes cie pe nsamento e às novas realidades sociais e econôm icas. Os
anos setenta parecem ser u m p e río d o in te rm e d iá rio de lu ta , d u ra n te 0 qual as m u­
danças estão c rian do um a necessidade de estruturas que ainda não apareceram. 0
grande nú m ero de fam ílias, nas quais am bos os pais tra balha m fo ra de casa, por
exem plo, c rio u uma necessidade de serviços de cuidados diários, em grande escala,
os quais ainda não estão disponíveis.
A geração h ia to é o u tro exe m plo de necessidades não satisfeitas. A fa m ília es­
tá a b rin d o mão da socialização das crianças cada vez mais cedo. A escola, a com u­
nicação de massa e o g ru p o de iguais estão assumindo a orientação e a educação das
crianças mais velhas. Mas a sociedade não desenvolveu fontes e x tra fa m ilia re s ade­
quadas de socialização e apoio.

4 R.D. Laing and Aaron Esterson, Sanity, Madness, and the F a m ily (L ondon: Tavistock, 1964).

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A sociedade masai tin h a um a c u ltu ra de grupo adolescente que era grande­
m e n te in d e pen den te, mas eram de term inadas certas tarefas específicas para o grupo
d e sem pe nha r, sob a supervisão laissez-fairc dos guerreiros da trib o . Os jovens p o ­
d ia m , desta m aneira, levar a cabo os processos apropriado s à idade de separação da
fa m ília e se to rn a re m independentes, sem se to rn a re m alienados da sociedade em
geral. Os grupos jovens dos k ib u tz im israelenses desempenham uma fun ção sim ilar.
A sociedade o c id e n ta l não tem funções n itid a m e n te diferenciadas para os adoles­
c e n te s /Q u a n d o a fa m ília libera seus filh o s , os libera para sistemas de a p o io inade­
q u a d o s. Não é surpreendente que as crises adolescentes de identidade ten ham re­
s u lta d o em um c e rto núm ero de fenôm enos sociais a n íin o m ia n o s.5
A m udança sempre_sa_desloca_da_soi;ie_daáe..para.a fa m ília , nunca da unidade
m e n o r para a m a io r. A fa m ília m udará, mas tam bém permanecerá, po rque é a me­
lh o r u n id a d e ...h u m a n ^ ^ ^ s o ç ie d a d e s ra pjdam ente mutáve.is,.Quan.to_mais f le x ib ili­
dade e a d a p ta b ilid a d e requer de seus m em bros, mais s ig n ifica tiva se to rn a rá a fa m í­
lia, c o m o a m a triz do de senvolvim ento psicossocial.
C o m o a fa m ílía , num sen tido genérico, m uda e se adapta às circun stância s his­
tó ric a s , ta m b é m a fa m ília in d iv id u a l se adapta constantem ente. A fa m ília é um sis­
te m a a b e rto em tra n sfo rm a çã o ; isto é, c on stante m en te recebe e envia in p u ts para e
d o e x tr a fa m ilia r, e se adapta às dife re n te s exigências dos estádios de de senvolvim en­
to q u e e n fre n ta .
Suas tarefas não são fáceis. Os W agner, com todas as d ificuld ade s que descre­
vem , na fo rm a ç ã o da fa m ília e no na scim ento de seu filh o , representam os estresses
q u e q u a lq u e r fa m ília no rm al encontra. Mas, de alguma maneira, a visão idealizada
p re v a le n te da fa m ília no rm al é de que não seja estressante. A despeito dos estudos
s o c io ló g ic o s e a n tro p o ló g ic o s da fa m ília , o m ito de norm alidade plácida perdura,
a p o ia d o p o r horas de personagens b id im ension ais de televisão. 0 q u adro de pessoas
v iv e n d o em ha rm o n ia , e n fre n ta n d o in p u ts sociais, sem ficarem perturbadas, sem pre
c o o p e ra n d o uma com a o u tra , se desm orona sempre que se considera q u a lq u e r fa ­
m ília c o m seus problem as com uns. P o rta n to , é alarm ante que este padrão seja algu­
mas vezes m a n tid o incon testa do p o r terapeutas, que medem o fu n c io n a m e n to das
fa m ília s de clientes em com paração com a imagem idealizada. Freud salien tou que
a te ra p ia tra n s fo rm a padrões n e u ró tic o s em atribulações norm ais da vida. Seu co­
m e n tá rio é igua lm en te verdadeiro para a terapia fa m ilia r.
Desde que um a fa m ília n o rm al não pode ser distin g u id a de uma fa m ília a n o r­
m al p e la ausência de problem as, um tera p e u ta deve te r um esquema c o n ce itu a i do
fu n c io n a m e n to fa m ilia r, para ajudá-lo a analisar uma fa m ília . Um esquema baseado_
na com pree nsão da fa m ília c o m o um_sistemn, o p eran do d e n tro de c o n te x to s sociais
e s p e c ífic o s , tem três com ponentes. P rim e iro , a e s tru tu ra da fa m ília é a de um siste­
m a s ó c io -c u ítu ra l aberto e m _ ^ a n jfq rm a ç ã o . Segundo, a fa m ílja passa p o r um desen­
v o lv im e n to , atravessando c e rto núm ero de estádios, que requerem re estruturação.

SSalvador M inu ch in , "Adolescence: Society's Response and R esponsibility,” Adolescence, T6


(1 9 6 9 ), 455-476.

56
T e rceiro , a fa m ília se adapta a circun stância s m o d ific a d a s , de m a n e ira a m a n te r a
-c o n tin u id a d e e a in te n s ifiç a jj) cre scim ento psicossocial de cada m e m b ro . A e n tre ­
vista com os W agner foi destinada a revelar o segundo c o m p o n e n te deste esquema,
seus estádios de desenvolvim ento , com o c o m e n tá rio apresentando os aspectos mais
genéricos do de senvolvim ento fa m ilia r. A e s tru tu ra fa m ilia r e a ad apta ção fa m ilia r
requerem discussão u lte rio r.

E strutura fam iiiar

A e stru tu ra fa m ilia r é o c o n ju n to invis ív e l d e exigências fu n c io n a is q u e or-,


ganiza as m a neira : p< las q u a is os m e m b ro s da fa m ília inte ra g e m . U m a fa m ília é um
sistema que opera através de padrões transacionais. Transações re p e tid a s estabele­
cem padrões de c o m o , qu ando e com quem se re la c io n a r e estes padrões re fo rç a m o
sistema. Q uando um a mãe d iz a seu filh o para to m a r o seu suco e ele ob e d e ce , esta
interação de fine quem ela é em relação a ele e qu em ele é em relação a ela, naquele
c o n te x to e naquele m o m e n to . Operações repetidas, nestes te rm o s, c o n s titu e m um
padrão transacional. ------------
Em sua entrevista, os Wagner descreveram m u ito s desses padrões. E m ily geral­
mente planeja as atividades de sábado da fa m ília , mas som ente um a c o n te c im e n to
de grande im p o rtâ n c ia a faria in te rfe rir na excursão de pesca d o m in ic a l de seu m a­
rido . Em sua fa m ília de origem , E m ily fo i en volvida em uma c o a lizã o c o m sua mãe
con tra seu pai: a mãe encorajava a filh s a desobedecer ao pai, q u e c o m p le m e n ta v a
isto, agredindo a filh a , quando estava zangado com a mãe.
_Gs padrões transacionais regulam o c o m p o rta m e n to dos m e m b ro s da fa m ília .
São m antidos po r dois sistemas de repressão. O p rim e iro é genérico, en v o lve n d o as
regras universais .que governam _a organização fa m ilia r. For e x e m p lo , deve e x is tir
uma hie ia rq u ia de po der, em que os pais e os filh o s têm dife re n te s níve is de a u to r i­
dade. Tam bém deve haver um a com p le m e n ta rid a d e de funções, com o m a rid o e a
m u lh er aceitando a interdependência e op eran do c o m o uma equipe.
0_.segundo.sistem a.de repressão é idiossin crásico, en volvend o as e x p e c ta t ivas
m útuas de m em bros específicos da fa m ília . A o rig e m destas e x p e cta tiva s está m e r­
gulhada em anos de negociações e x p líc ita s e im p líc ita s entre os m e m b ro s da fa m í­
lia, fre qüe ntem ente em to rn o de pequenos eventos cotid ia nos. F re q ü e n te m e n te , a
natureza dos c o n tra to s o rig inais fo i esquecida e eles podem jam ais te r sido algum a
vez exp h cito s. Mas o r oadrões perm anecem — c o m o se fosse um p ilo to a u to m á tic o
— com o uma questão de acom odação m ú tua e de eficácia fu n c io n i7 ~ ~~~ '
Desta m aneira, ü sistema m antém a si m esm o. O ferece resistência à m u dança ,
além de ce g o alçapce, e jn a ntém padrões p re fe rid o s, desde que possíveis. Padrões
alte rnativo s estão d is p o n ív e is d e n tro do sistema,- Mas q u a lq u e r desvio, qu e u lfra p a s-
se o lim ia r de to le râ n cia do sistema, faz surgirem mecanismos qu e re stabe le cem o
âm b ito costu m eiro . Q uando surgem situações de d e s e q u ilíb rio do sistem a, é c o m u m
que os m em bros da feunília achem que os o u tro s m em bros não estão cumprindo as

57
suas obrigações. E ntão , aparecem reinvindicações de lealdade fa m ilia r e m anobras
' que in d u z e m c u lp a .6
Mas a e s tru tu ra fa m ilia r deve ser capaz de se adaptar, q u a n d o as c irc u n s ­
tâncias m u d a m . A existência c o n tin u a d a de fa m ília , co m o um sistem a, d e p e n ­
de de um a extensão s uficien te de padrões, da acessibilidade de padrões tra n sa ­
cio n a is a lte rn a tiv o s e da fle x ib ilid a d e para m o b ilizá-los, qu ando necessário. Des­
de que a fa m ília deve responder às mudanças internas e externas, deve ser ca­
paz de tra n s fo rm a r-s e de maneiras que atendam às novas circunstâncias, sem p e r­
der a c o n tin u id a d e , que p ro p o rc io n a um esquema de referência para seus m em -
, bros.
O sistem a fa m ilia r dife re n cia e leva a cabo suas funções através de subsiste­
mas. Os in d iv íd u o s são subsistemas d e n tro de um a fa m ília . D íades, tais c o m o es-
poso-esposa e m ã e -filh o , podem ser subsistemas. Os subsistemas po dem ser fo r m a ­
dos p o r geração, sexo, interesse ou p o r fun ção.
^ C a d a J n d i.v íd u o pertence a dife rentes subsistemas, nos quais tem d ife re n ­
tes n íve is de p o d e r e on de aprende habilidades d ife rencia das.^U m hom em pode
ser um f ilh o , um so b rin h o , um irm ão mais velho, um irm ão mais m o ço , um m a rid o ,
um pai e assim p o r dian te. Em dife rentes subsistemas, ele ingressa em d ife re n te s
relações com plem e ntares. As pessoas se acom odam caleid oscop ica m en te, para
a tin g ir a m u tu a lid a d e , que to rn a possível a relação hum ana. A criança tem de agir
co m o u m filh o , en q u a n to o seu pai age com o um pai; e quando a criança o faz,
pode te r de ceder ao tip o de po der que aprecia, qu ando em interação com seu irm ão
mais m o ç o ./A organização de subsistemas de um a fa m ília fornece tre in a m e n to va­
lioso no processo de m anutenção do "e u sou " d ife re n c ia d o , ao m esm o te m p o que
dê e x e rc íc io de ha bilidade s interpessoais em dife re n te s níveis.
v F ro n te ira s . As f r onteiras de um subsistema são as regras q u e def i n em q uem
^ p a r tic ip a e co m o , P or exe m p lo , a fro n te ira de um subsistema pa rental é d e fin i­
da, q u a n d o um a mãe (M ) d iz ao seu filh o mais ve lh o : "V o c ê não é o pai de seu
irm ã o . Se ele está andando de bic ic le ta na rua, diga-m e e eu o farei p a ra r." (F ig. 2).

M (subsistema executivo)
Fig. 2 ----------------
filhos (subsistema fraternal)

Se o subsistem a parental in c lu i um filh o parental (CP), a fro n te ira se de fin e com


a mãe d iz e n d o às crianças: " A té eu v o lta r da loja, A n n ie é quem m a n d a " (Fig. 3).

M e FP (subsistema executivo)
Fig. 3 ----------------
outros filho s Isubsistema fraternal)

6 Ivan 8oszorm enyi-N agy and Geraldine Spark, Invisible Loya ltie s (New Y o rk : Harper & Row,
1973).

58
A f u n cão d as r i o n t eiras é de proteger a d ife re n c ia ç ã o d o sistem a. Cada subsis­
tem a fa m ilia r te m fu n ç õ e s específicas e faz exigências específicas a seus m em bros; e
o d e s e n v o lv im e n to c)e h a bilidade s interpessoais, conseguidas nestes subsistemas, está
baseado na lib e rd a d e d o subsistem a de in te rfe rê n c ia s de o u tro s subsistemas. Por
e x e m p lo , a cap acidad e de acom odação c o m p le m e n ta r dos esposos requer liberdade
da in te rfe rê n c ia de parentes afin s e de filh o s e, algumas vezes, do e x tra fa m ilia r. O
d e s e n v o lv im e n to de h a b ilidade s para negociação com iguais, aprendidas entre ir ­
mãos, re quer a n ã o -in te rfe rê n c ia dos pais.
Para o fu n c io n a m e n to a p ro p ria d o da fa m ília , as fr o n teiras dos subsistemas
d e v e m je L J U lid a s . D evem ser d e finidas s u fic ie n te m e n te bem para p e rm itir que os
m e m bro s d o subsistem a levem a cabo as suas funções, sem in te rfe rê n c ia indevida,
mas devem a d m itir c o n ta tò en tre os m em bros d o subsistema e o u tro s . A co m p o si­
ção de subsistem as, organiza da em to rn o das funções fam ilia res, nãò é especialm en­
te tã c s ig n ific a tiv a q u a n to a n itid e z das fro n te ira s do subsistema. tJm sistem a paren-
jta L .que in c lu i u ma avó ou u m a .çriança pa rental, pode fu n c io n a r m u ito bem , desde
qu e as linhas de re sp o n sa b ilid a d e e au torida de.sejam n itid a m e n te delineadas.
A n itid e z das fro n te ira s jd e n tro de um a fa m ília jé um pa râm e tro ú til para a
avaliação do fu n a ó liã m è n to fa m ilia r. A lgum a s fa m ília s gira m em to rn o dé si mes­
mas, para d e s e n v o lv e r seu p ró p rio m ic rc ç o s m o , com um conseqüente aum ento de
c o m unicaçã o e p re o c u p a ç ã o en tre os m em bros fam ilia res. C om o conseqüência, a
d istâ n cia d im in u i e as fro n te ira s são anuviadas. A .d j/g re n c ia ç ã o d o sistem a fa m ilia r
fic a difu sa. Tal sistem a pode se to rn a r sobrecarregado e carecer de recursos necessá­
rio s para se a d a p ta r e m u d a r, sob circunstâncias estressantes: O utras fa m ília s desen­
volvem fr o n te ir a s excessivam ente r íg idas A com unicação através dos subsistemas
se to rn a d if í c il e as fun ções p ro te to ra s da fa m ília ficam prejudicadas. Estes dois ex­
tre m o s de fu n c io n a m e n to das fro n te ira s são cham ados de em aranham e n to e (jesli-,
g a m e n to. Todas as fa m ília s são concebidas c o m o in c id in d o em algum lugar ao ion-
go de u m c o n tin u a m , cujos pólos são os dois extrem o s de fro n te ira s difusas e ex­
cessivam ente ríg idas (F ig, 4) A m aioria das fa m ília s cai d e n tro dos am plos lim ite s
no rm a is:

59
E m te rm o s hum anos, e m a ra n h a m e n to e d e s lig a m e n to se re fere m a um e stilo
tra n sa cio n a l o u à pre fe rê n cia p o r um tip o de in te ra ç ã o , e não, a um a d ife re n ç a q u a ­
lita tiv a e n tre fu n c io n a l e d is fu n c io n a l. A m a io ria das fa m ília s te m subsistem as em a­
ranhad os e desligados. 0 subsistem a m ã e -filh o s p o de te n d e r para o e m a ra n h a m e n to ,
e n q u a n to as crianças são pequenas, e o pai p o de assu m ir um a posição desligada em
relação aos filh o s . A mãe e as crianças m ais m oças po dem estar tão em aranhadas,
de m o d o a to rn a r o pai p e rifé ric o , e n q u a n to o pai assume um a posição m ais ligads
com as crian ças m ais velhas. U m subsistem a p a is -filh o s pode te n d e r para o de slig a­
m e n to , à m e d id a que as crianças crescem e fin a lm e n te com eçam a se separar da fa ­
m ília .
A s operações nos e xtre m o s, to d a v ia , in d ic a m áreas de possível p a to lo g ia . U m
subsistem a a lta m e n te em aran had o de mãe e filh o s , p o r e x e m p lo , pode e x c lu ir o pai,
que se to rn a e x tre m a m e n te desligado. O e n fra q u e c im e n to re s u lta n te da in d e p e n d ê n ­
cia dos filh o s p o d e ria c o n s titu ir um fa to r im p o rta n te no d e s e n v o lv im e n to de s in to ­
mas.
Os m e m b ros dej.u b s is te m a s , ou fa m ília s em aranhadas, po dem ser p re ju d ic a -
dos n o s e n tid o que o s e n tim e n to in c re m e n ta d o de p e rte n ç im e n tq re quer um a m á x i­
ma re n ú n c ia de a u to n o m ia . A fa lta de d ife r e n c iação d o subsistem a desencoraja a
e x p lo ra ç ã o a u tô n o m a e o d o m (n io .^ jo s .p ro b le m a s . P a rtic u la rm e n te nas crianças, as
h a b ilid a d e s c o g n itiv o -a fe tiv a s são desse m o d o in ib id a s . Os m e m b ros de subsistem as
ou fa m ílja s desligadas po dem fu n c io n a r a u to n o m a m e n te , mas tê m um s e n tid o d is ­
to r c id o de inde pen dên cia é cárécérrfüé s e n tim e n to s de lealdade e de p e rte n c im e n to ,
bem c o m o de capacidade de in te rd e p e n d ê n c ia e para so lic ita ç ã o de a p o io , q u a n d o
necessário.
E m o u tra s palavras, um sistem a v o lta d o pa ra o lim ite e x tre m o de de slig am e n­
to do c o n tin u u m to le ra um a larga a m p litu d e de variações in d iv id u a is em seus m e m ­
bros. P orém , os estresses n u m m e m b ro da fa m ília não ultrapassam suas fro n te ira s
in a d e q u a d a m e n te rígidas. S om e n te um n ív e l eleva do de estresse in d iv id u a l p o de re­
p e rc u tir ba stante fo rte m e n te para a tiv a r os sistem as de a p o io da fa m ília . N o lim ite
e x tre m o de e m a ra n h a m e n to d o c o n tin u u m , o o p o s to é verdade. 0 c o m p o rta m e n to
de um m e m b ro afeta im e d ia ta m e n te os o u tro s , e o estresse n u m m e m b ro in d iv id u a l
re p e rcu te fo rte m e n te através das fro n te ira s e ressoa ra p id a m e n te nos o u tro s subsis­
tem as.
A m b o s os tip o s de_relação cau sa m .p ro b je m a s fa m ilia re s , q u a n d o são evocados
m ecanism os jd a p ta tiv o s . A fa m ília em aran had a responde a q u a iq u e r variação do^ha-
b itu a l, com excessiva rapkiez e intensidade. A fa m ília desligada ten d e a não respon­
der, quancld~ürna‘ resposta e nêcessária. Os pais, num a fa m ília em ara n h a d a ,'p o d e m
se to rn a r tre m e n d n m e n te perturbados, porque um filh o não com e a sua sobremesa.
Os pais, num a fa m ília desligada, podem se sentir despreocupados a re s p e ito da aver-^
são de um filh o à escola. U m terapeuta m uitas vezes fu n c io n a c o m o um c ria d o r de "
fro n te ira , to rn a n d o n ítid a s as fro n te ira s e ab rindo as inadequ ada m ente rígidas. A
sua avaliação dos subsistemas fam iliares e do fu n c io n a m e n to das fro n te ira s p ro p o r­
ciona um rápido q u a d ro diag nóstico da fa m ília , que o rie n ta suas inte rvençõ es tera­
pêuticas.
O subsistema ccnjugal. 0 subsistema conjugal é fo rm a d o q u a n d o d o is adultos
de sexo op o sto se un em , com o p ro p ó sito e x p re s s o jj^ fq jjT ja c -U ijia ia ry iíU a - T ê m ta ­
refas ou funções específicas, vitais para o fu n c io n a m e n to da fa m ília . A s habilidades
p rin cipais para a im ple m en tação de suas tarefas são com p le m e n ta rid a d e e aco m oda­
ção m ú tua. Isto é, o casal deve desenvolver padrões, em que cada esposo apóia o
fu n c io n a m e n to do o u tro em muit3S áreas. Devem desenvolver padrões de co m p le ­
m entaridade, que p e rm ite m a cada esposo "e n tre g a r", sem a sensação de que " r e ­
n u n c io u ". A m bo s, m a rid o e m u lh er, devem conceder parte de sua separação, para
ganhar cm p e rte n o im e n to . A aceitação da interdependência m ú tu a , num a relação
sim étrica, pode ser prejudicada pela insistência dos esposos em seus d ire ito s inde­
pendentes.
O subsistema conjugal pode se to rn a r um refúgio para os estresses exte rno s e
a m a triz para o c o n ta to com o u tro s sistemas sociais. Pode favo rece r a ap rend iza­
gem, a cria tiv id a d e e o crescim ento. No processo de acom odação m ú tu a , os espo­
sos podem a tu alizar aspectos criativo s de seus parceiros, que estavam latentes, e
apoiar as melhores características um do o u tro . Mas os casais ta m b é m po dem esti­
m u la r aspectos negativos um dc o u tro . Os esposos podem in s is tir em a p e rfe iço a r ou
salvar seus parceiros e, p o r este processo, desqualificá-los. A o invés de aceitá-los co­
m o são, im põem novos padrões a serem atingidos. Podem estabelecer padrões tra n ­
sacionais depend entes-protetores, nos quais, o m em bro dependente perm anece de­
pendente, de m aneira a proteger os sentim entos do parceiro de ser o p ro te to r.
Esses padrões negativos podem e x is tir em casais com uns, sem subentender
um a p a tologia exte nsiva ou uma m otivação m alevolente em cada m e m b ro . Se um
terapeuta deve desafiar um padrão, que se to rn o u d is fu n c io n a l, deveria le m b ra r de
desafiar o processo, sem atacar a m otivação dos pa rticipan tes. U m te ra p e u ta o rie n ­
tado para sistemas deveria oferecer interpretações que s ub lin hem a m u tualida de,
co m o : "V o c ê protege sua esposa de uma maneira que a in ib e , e você tra z à tona
uma proteção desnecessária por parte de seu esposo, com grande h a b ilid a d e ." Uma
inte rpre tação atrás da o u tra deste tip o enfatiza a com ple m e n ta rid a d e do sistema,
reúne o p o s itiv o e o negativo em cada esposo e elim ina as im plica ções de ju lg a m e n ­
to da m otivação.
0 subsistema conjugal deve conseguir uma fro n te ira qu e o p ro te ja da in te r­
ferência das exigências e necessidades de o u tro s sistemas. Isto é p a rtic u la rm e n te ver­
dadeiro quando um a fa m ília te m filh o s . J3s adultos devem te r um te r r itó r io psicos-

51
social p r ó p rio — um a b rig o no q u a l possam dar ap oio em ociona l um ao o u tro . Se a
fr o n te ir a em to r n o dos esposos é inadequadam ente ríg id a , o sistema pode ser estres­
sado p o r seu is o la m e n to . Mas se os esposos m antém fro n te ira s fro uxas, o u tro s sub­
g ru p o s, in clu s iv e filh o s e pa rentes a fin s, podem se in tro m e te r no fu n c io n a m e n to do
sub sistem a deles.
Em te rm o s h u m a n o s sim ples, m a rid o e m u lh e r precisam um do o u tro c o m o
um re fú g io das exigê ncias m ú ltip la s da vida. Em te ra p ia , esta necessidade preceitua
q u e o te ra p e u ta p ro te ja as fro n te ira s em to rn o do subsistem a conjugal. Se os filh o s ,
n u m a sessão fa m ilia r, in te rfe re m na transação do subsistema con ju gal, sua in te rfe ­
rê n cia d e ve ria ser b lo q u e a d a . Esposo e esposa podem ter sessões que excluam os o u ­
tro s . Se, nestas sessões, eles c o n tin u a m a d is c u tir p a tern id ade , ao invés de transa­
ções de m a rid o -m u lh e r, o te ra p e u ta fa ria bem em assinalar que eles estão cru zando
um a fro n te ir a .
O sub sistem a p a re n ta l. U m n o v o n íve l de fo rm a ç ã o fa m ilia r é a tin g id o com o
n a s c im e n to d o p r im e iro f ilh o . O subsistem a c on ju gal, num a fa m ília inta cta, agora
deve se d ife re n c ia r, para desem pe nha r as tarefas de socialização de uma criança,
sem p e rd e r o a p o io m ú tu o , q u e deveria caracteriza r o subsistema conjugal. Deve
ser d e lin e a d a um a fr o n te ir a , qu e p e rm ita o acesso da criança a ambos os pais, e m b o ­
ra e x c lu in d o -a das fu n ç õ e s co n ju g a is. A lg u n s casais, que procedem bem co m o um
g ru p o de d o is , jam a is são capazes de faze r um a tra n s iç ã o sa tisfa tó ria para as in te ra ­
ções de u m g ru p o de três. Em 3lgum as fa m ília s , o f ilh o pode ser a tra íd o para de n­
t r o dos p ro b le m a s d o sub sistem a c o n ju g a l, c o m o aconteceu corn E m íly Wagner.
À m e d id a que a cria n ç a cresce, suas exigências de de senvolvim ento , ta n to de
a u to n o m ia c o m o de o rie n ta ç ã o , im p õ e m demandas ao subsistema parental, que de­
ve ser m o d ific a d o para atendê-las. O filh o entra em c o n ta to com iguais e x tra fa m ilia -
res, c o m a escola e c o m o u tra s fo rç a s socializadoras fo ra da fa m ília . O ju b sis^e rn a pa­
re n ta l deve se ad a p ta r a o j no vos Jatores,- que in cid e m sobre as tarefas de socializa­
ção. Se a crian ça é severam ente estressada po r seu am biente e x tra fa m ilia r, isto pode
a fe ta r não som ente seu re la c io n a m e n to com os pais, mas até as transações internas
d o sub sistem a c o n ju g a l.
A a u to rid a d e in d is c u tid a que um a vez caracterizava o m odelo pa triarca l do
sub sistem a p a re n ta l se desvaneceu, para ser s u b s titu íd a p o r um co n ce ito de a u to ri­
dade fle x ív e l, ra c io n a l. Espera-se que os pais com pree nda m as necessidades de de­
s e n v o lv im e n to dos filh o s e e x p liq u e m as regras que im põ em . A pa ternidade é um
processo e x tre m a m e n te d if í c il. N in g u é m o desem penha a seu in te iro c o n te n to e
n in g u é m o atravessa in c ó lu m e . P rova velm en te, isto fo i sempre mais ou menos im ­
po ssível. N a sociedade de h o je em dia, co m p le xa , de de senvolvim ento rápido, em
que as g e raçõe s-hia to o c o rre m cada vez a menores inte rvalos, as d ificu ld a d e s paren­
ta is a u m e n ta ra m .
O processo p a re n ta l d ife re de pend end o da idade dos filh o s . Q uando as c ria n ­
ças são m ú it’ó"pe"quenas, p re d o m in a m ás funções de n u triç ã o . 0 c o n tro le e a o rie n ­
ta çã o assum em m ais im p o rtâ n c ia mais tarde. À m edid3 que a criança am adurece,
esp e cia lm e n te " d u ra n te a adolescên cia, as exigências feitas pelos pais com eçam a

62
c o lid ir com as exigências dos filh o s q u a n to à au tonom ia ap ropriada à idade. A pa­
ternidad e se to rn a um processo d ifíc il de acom odação m útua. Os pais im p õ e m re­
gras, que não podem e x p lic a r no m o m e n to ou que explicam inadequadam ente, ou
consideram as razões pnra as regras co m o evidentes por si mesmas, q u a n d o não são
auto-evidentes para os filh o s . À m edida que têm mais idade, podem não ace ita ra s
regras. Os filh o s co m u n ic a m suas necessidades com graus variáveis de n itid e z e fa­
zem novas exigências aos pais, tais com o de mais tem po ou de mais c o m p ro m e ti­
m e nto em ocional.
E essencial c o m pree nde r a c o m plexida de da educação in fa n til, a fim de ju lg a r
seus participantes im p a rc ia lm e n te . Os pais não podem proteger e gu ia r, sem, ao mes­
m o tem po, c o n tro la r e re p rim ir. Os filh o s não podem crescer e se to rn a re m in d iv i­
dualizados, sem re je ita r e atacar. O processo de socialização é in e re n te m e n te c o n fli­
tante. Q ualquei in p u t te ra p ê u tic o que desafia um processo d is fu n c io n a l en tre pais
e filh o s , ao mesmo te m p o , deve apoiar seus participantes.
A paternidade requer a capacidade de n u trir, guiar_e c o n tro la r. A s p ro p o r­
ções destes elem entos dependem das necessidades de de senvolvim ento das crianças
e da capacidade dos pais. Mas a paternidade sempre requer o uso da au to rid a d e . Os
pais não podem desem penhar suas funções executivas, a menos que te n h a m o po­
der para fazê-lo.
F ilho s e pais e, algumas vezes, os terapeutas, fre qüe ntem ente descrevem a fa­
m ília idaal c o m o um a de m ocracia. Mas eles erroneam ente pressupõem que um a so­
ciedade dem ocrática seja sem liderança ou que uma fa m ília seja um a sociedade de
iguais. O fu n c io n a m e n to e fic ie n te requer que pais e filh o s aceitem o fa to de que o
uso dife rencia do de au to rid a d e é um ingrediente necessário para o subsistema pa­
re ntal. Este se torna um la b o ra tó rio de tre in a m e n to social para as crianças, que ne­
cessitam saber com o ne gociar em situações de poder desigual.
Um apoio ao subsistem a parental, pelo terapeuta, pode c o lid ir com um o b je ­
tiv o te ra p ê u tic o de fo rta le c e r a au to n o m ia de um filh o . Em tais situações, o te ra ­
peuta deveria lem brar que som ente um subsistema parental fra c o estabelece co n ­
tro le re stritiv o , e que o c o n trole.excessivo o co rre prin c ip a lm e n te qu a n d o o c o n tro ­
le é ineficie nte. O a p o io à responsabilidade e obrigação dos pais de d e te rm in a r re­
gras fam ilia res assegura o d ire ito , e a obrigaçãp do filh o decrescer e de desenvolver
au tono m ia. A tarefa du terapeuta é a de ajudar os subsistemas 3 negociarem e a se:
acom odarem entre si.
O subsistema fra te rn a l. 0 subsistema fra te rn a l é 0 p rim e iro la b o ra tó rio social,
no qual as crianças po dem e x p e rim e n ta r com relações com iguais. D e n tro deste co n ­
te x to , as crianças a p óiam , isolam , escolhem um bo de -e xp ia tó rio e aprendem umas
com as outras. No m u n d o de irmãos, as crianças aprendem com o negociar, coope­
rar _e c o m p e tir. A p re n d e m c o m o fazer ajrwgos e aliados, com o te r prestígio , em bora
se rendendo e com o conseguir o reconhe cim en to de suas habilidades. Podem assu­
m ir diferentes posições, trapaceando um com o o u tro , e aquelas posições, assumi­
das cedo no suogrupo fra te rn a l, podem ser significativas no curso subseqüente de
suas vidas. Nas grandes fa m ília s , 0 subsistema fra tern al tem uma divisão a d icio nal.
Pani as crianças menores, que ainda estão transacionando em áreas de segurança, nu-
t r 'Ç?o e orientação dentro da fam ília, que são diferenciada^fês crianças mais velhas,
q ue estão fazendo contato e contratos com o m undo extrafarniliar.
Quando as crianças estábelecern con tato com o rnuindb de iguài$<éxtrafami-

% l'? rf:s; tentam opèrar ao longo das linhas dò m undo dos tfrfiãos.íQuando aprendem
V nPVas maneiras de se relacionarem, trazem de volta o novo conhecim ento e*perien-
y feiplVpàra o mundo fraternaj.^ . a fam ília da criança tem modos m u ito idiossjjicrási-
as barréiraS entre:5.qtíeiá-e-.o.mundoTextrafamiliar-podem _se to rn a r inadeqíiada-
iM riteVrfqidaâ.A criançaipáde/ en tão^ter dificulades em ingressar em o títT t> 's ' siste-
m ?Ssociáis.
A significação do subsistema fraternal é observada m u ito claramente na sua
aus^ncia. Filhos únicos desenvolvem um padrão precoce de acomodação ao mundo
aduito, que pode ser manifestada em desenvolvimento precoce. A o mesmo tempo,
P°dem apresentar dificuldade no desenvolvimento da autonomia e na capacidade
Compartilhar, cooperar e xo ^npe tircom os outros.
Um terapeuta deveria conhecer as necessidades de desenvolvimento infantis e
ser capaz de apoiar o dire ito da criança à autonomia, sem m inim izar os direitos dos
Pa'~. As barreiras do subsistema fraternal deveriam proteger as crianças da interfe:
rendia adulta, de maneira que pudessem exercitar seu dire ito à privacidade, terem
suafr próprias áreas de interess.e e fossem livres para tatearXíríedTda que exploram,
^ r 'Vnças, em diferentes estádios de desenvolvimento, têm diferentes necessidades,
^l^i.íidàdes cognitivas específicas e sistemas idiossincrásicOs de valores! Às vezes, o
te,Tpeüta-.deve agir como um tra d u to ^ |f|te tp re tá n d o o m undo dos filh o s para os
Pode também ter de ajudar o subsistema a negociar fronteiras ní-
fd ^ s , mas viáveis de serem cruzadas. Se a criança é colhida numa teia de exagerada
'ea*dade fam iliar, por exemplo, o terapeuta agirá com o uma ponte entre a criança e
0"lun do extrafam iliar.

it ià m íl ia è adaptação

j $ faj?iília é sujeita à pressãòvintèrha.íqüè pro ^ffi^d e rnudançás evolutivas nos


I próprios membros e subsistemas, e à pressão exterior, proveniente das exigên-
j c!as parasse acomodar às instituiçqes sociais significativas, que têm um impacto so-
í. bre osírnembròs familíaçes. R & poncíer a estas exigêíicias, ta n to de d e n tro como de
f ° r% requer um transformação constante da posição dos membros da fam flia, em
relaçãò um com o o u tro , de maneira que possam crescer, enquanto o sistema fami-
l 'ar mantém cohtinuidfde.
J Os e ltré W s d0 acomodação a novas y t unções são inerentes a este processo de
;.m u yança e cdrttiríüidáde#Os clínicos que trabalham com fam ília, em sua concen-
tra<?,ão sobre a dinâmica fam iliar, podem m inim izar este processo, da mesma manei-
ra Sue os terapeutas dinâmicos podem m inim izar o contexto do indivíd uo. O peri-
9o (áeste lapso é a sua ênfase na patologia. Os processos transacionais de adaptação

64
às novas situações, que levam consigo a fa fía d a ^ ife tm çiacgo e a an$ie$ade que ca-
rajytey-jz.çtrr*; to.dos. os -processo5/,nov.os^,pfe ser classificados erroneamente como 8
p a to ló g ic o s .^ ^ ^ /n a ^ im ilià ^ c o rn o um sistema social em transformação, todavia,
a jC é ^ f^ v i^ t^ ç i^ ír a n s ie io n íl.d e certos processos familiares. Exige uma expldrâ-
ção: da, situação mutante da fam ília e de seus membros e de seus estresses de.aaò-
modação. Com esta orientação, m uito mais famílias, que entram em terapia, seriam
consideradas e tratadas com o fam ílias comuns, em situações de transição, sofrendo
as aflições de acomodação e novas circunstâncias. Ò irótulo d e patologia deveria^er
reservado, que, em face dé estresse, aumentam a rigidez de seus p%-
d r S e ^ ^ l^ B iá n à is e de suas barreiras, e evitam ou resistem a qualquer exploração
de a|tem atiyfs|Ma$ fam ílias comuns, o terapeuta conta comJánfíôtlMacSo dos recur­
sos cja famílja, com o um caminho para a transfojmaçap. Nas fam ílias patológicas, o
terapeuta precisa se tornarum^To?Tíc>"ârarna fam iliar, entrando em coalizões tran-
sgcjónais, a fim de desregular o sistema e desenvolver um nível diferente de homeos-
tase.
Ò estresse num sistema fam ilia r pode provir de quatro fontes. Pode haver o
contato estressante de um membro ou de toda a fam ília com forças extrafamiliares.
Os pontos de transição, na evolução fam iliar, também podem ser uma fonte de ten­
são, da mesma form a que o são os problemas idiossincrásicos.-— ...
~T> Contato estressante de um membro com forçaüextrafam Uiareò Uma das orin-
cipais funções da fam ília é a de apoiar os seusmembrò~s. Q uando um membro sofre
estresse, os outros membros da fámlTíà sentem a necessidade de se acomodar às c ir­
cunstâncias modificadas dele. Esta acomodação pode fica r contida dentro de um
subsistema oú pode penetrar toda a família.
Por exemplo, um marido, que está sob estresse no trabalho, critica a sua m u­
lher, quando ambos chegam em casa. Esta transação pode ficar lim itada ao sistema
conjugal. A esposa pode se afastar do marido, mas apoiá-lo alguns minutos mais ta r­
de. Ou ela pode contra-atacar. Resulta uma briga, mas esta termina por um termo e
apoio mútuo. Estes são padrões transacionais funcionais. O estresse sobre o esposo
foi minorado pelas transações com sua esposa.
Todavia, a briga pode entrar numa escalada, sem térm ino, até que um dos es­
posos abandona o campo. Agora, cada esposo sofre com a sensação de não-resolu-
ção. Nesta situação, o contato estressante de um membro fam iliar com forças ex­
ternas originou um estresse nãó-resolvido no subsistema conjuga! intrafam iliar,
Á mesma fonte de estresse sobre um membro individual pode operar através
das fronteiras de subsistemas. Por exemplo, um pai (P) e uma mãe (M), que sofrem
estresse no trabalho, podem ir para casa e criticar um ao ou tro, mas, então, desviar
seu co n flito , atacando um filh o . Isto reduz o perigo ao subsistema conjugal, mas
estressa a criança (C) (Fig. 5). Ou o marido pode c ritic a r a esposa, que procura, en-

65
tão, uma coalizão com o filh o contra o pai (Fig. 6)

í'â1t3o^!iÉe""^ãè1fé^f^lfi.^'v^^sâs'*?p.âi^;':aíyá^è^ coa^
/ liz.ão de mãe ê fíího exclui o pai. U ^ p a d ra o transacional frans^erae/o/Ta/ disfuncio-.. -
nalí-sè-dèsiíri Vo Iveul

Também é possível toda a fa m ília fica r estressada pelo contato extrafam iliar
de um membro. Por exemplo, se o marido perde o seu emprego, a fam ília pode ter
de reassociar-se, a fim de assegurar a sua sobrevivência. A esposa pode ter de assu­
mir mais responsabilidade pelo sustento financeiro da família, desse modo, mudan­
do a natureza do subsistema executivo. Esta mudança pode forçar modificações no
subsistema parental. O pai pode assumir funções de nutrição, que eram previamente
da mãe (Fig. 7). Ou uma avó (A ) pode ser introduzida para assumir as funções pa-

renlais, enquanto ambos os pais estão procurando emprego (Fig. 8)H§5É;á fam ília
responde à perdã de emprego do pai com rigidez,.podem surgir padrõçs transaçio-

naisdisfUnciónaiâ Por exemplo, a atfó é trazida para cuidar das crianças, mas os pais
recusam ceder a autoridade, que a capacitaria a cum prir sua responsabilidade.
Os Wagner inform aram sobre alguns dos estresses de contato com o extrafa­
miliar. As dificuldades de Mark, com o um estudante, arrimo da fam ília, interferi­
ram em sua capacidade de se relacionar com sua esposa. Tornou-se c rític o ou re­
traído e E m ily introduziu T om m y em altercações infindáveis quanto ao seu apoio.

A (xpressSo é usada para significar “ através de gerações’'. O grifo nSo consta no original
(N. dj trad.).

66
Quando uma •farrt1fl^3Ííftf^ ^ m :Aerapia.po&cau8a d$ contato estressante de um
membro com o, extraíam iliar;tos õbjeti«tfô$$s intervenções do terapeuta da famílLa
são orientados por íg á ? ^ a fía ^ ã b v d a Íi^ u Í^ ã iÍ^ ^ Í^ ife iJ í^ |^ P á ã estrutura fam iliar.
Se a fam ília realizou mudanças adaptativas para apoiar o membro em estresse, mas
o problema continua, o principal in p u t do terapeuta pode se dirig ir para a interação
daquele membro com o agente estressante. ^ ^ a ^ j l i i K n S i ^ fOii;capaz de realizar
mudanças adaptatiyas, seu principal in p u t pode ser ditigido^para ela. ■/
Por exemplo, se uma criança está tendo dificuldades na escola, o problema
pode estar basicamente relacionado com esta. Se a avaliação do terapeuta indica que
a fam ília está apoiando adequadamente o filh o , suas intervenções importantes serão
dirigidas para a criança no contexto escolar. Pode agir como o advogado para a mes­
ma, arranjando uma transferência ou uma tutoria. Mas se os problemas da criança
na escola parecem ser uma expressão de problemas familiares, as principais interven­
ções do terapeuta se dirigirão para a fam ília. Ambos os tipos de intervenção podem
ser freqüentemente necessários.
Contato estressante .do toda a fam ília com forças extrafamiliares. Um sistema
fam ilia r pode ser sobrecarregado pelos efeitos de urna depressão econômica. Ou o
estresse pode ser gerado por uma modificação de situação, causada por uma trans­
ferência ou uma substituição de cidade. Os mecanismos de competição da fam ília
são particularmente ameaçados pela pobreza e pela discriminação. Por exemplo,
uma fam ília pobre pode estar em contato com tantas agências societárias que seus
mecanismos de competição se tornam sobrecarregados. Ou uma fam ília po rtorri-
quenha pode ter problemas em se adaptar à cultura do continente.
A qui, novamente, as intervenções do terapeuta serão orientadas por sua ava­
liação da família. Se ele analisa a organização fam iliar e determina que é basicamen­
te viável, mas está sobrecarregada, pode agir como pau-para-toda-obra. * Pode ensi­
nar a fam ília a como m anipular as instituições para seu proveito próprio. Ou pode
trabalhar para coordenar os esforços das agências vis-à-vis à fam ília. Com uma fa ­
m ília portorriquenha, sobrecarregada por uma modificação de situação, o terapeuta
da fam ília faria bem, localizando os recursos portorriquenhos na comunidade — a
igreja, as escolas com grande admissão de portorriquenhos, pais portorriquenhos
ativos na associação de pais e professores ou as agências sociais e civis dedicadas a
assistir„este grupo étnico. Suas funções como terapeuta da fam ília serão com ple­
mentadas por suas ações com o um consertador social de casamentos*
k muitas fases na própria
evolução natural da farinílià que exigem a negociação de riovas regras familiares. No­
vos subsistemas devem aparecer e novas linhas de diferenciação devem ser delinea­
das. Neste processo, surgem inevitavelmente conflitos. De forma ideal, os conflitos
serão resolvidos por negociações de transição e a fam ília se adaptará com sucesso.

*Usou-se uma tradução aproximada, já que o termo ombudsman é intraduzível, literariamente,


para o português (N. da trad.).
* 0 grifo não consta do original (N. da trad.).

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Estes conflitos oferecem uma oportunidade para o crescimento de todos os mem­
bros da fam ília. Todavia, se tais conflitos não são resolvidos, os problemas transi-
cionais podem dar origem a problemas adicionais.
Os problemas de transição podem ocorrer em certo número de situações. Po­
dem ser produzidos po r mudanças evolutivas em membros da fam ília e por mudan­
ças na composição fam ilia r. Um dos precipitantes mais comuns é a emergência de
um filh o na adolescência. Nessa época, a participação dele no mundo extrafam iliar
e seu status nesse m undo aumentam. A relaçãoentre o filh o e os pais é perturbada.
O adolescente deve se afastar, um pouco do subsistema fraternal e lhe ser dado um
. aüm éntojde autonom ia e responsabilidade, apropriado à sua idade. As transações
'■'do subsistema parental com ele devem mudar de pais-criança para pais-jovem adul­
to. 0 resultado será uma adaptação bem sucedida (Fig. 9).

Todavia, a mãe pode resistir a qualquer mudança em sua relação com o ado­
lescente, porque requereria uma mudança em sua relação com seu marido. Pode
atacar o adolescente e solapar sua autonomia, ao invés de m udar sua própria atitu­
de. Se o pai, então, entra no co n flito , ao lado do filh o , é form ada uma coalizão
transgeracional inadequada (Fig. 10). A situação pode se generalizar, até que toda a

fa m ília se envolve no c o n flito . Se não há mudança fam iliar, aparecerá uma confi­
guração disfuncional, que será repetida cada vez que ocorre um co n flito .
^.o à rid ò uma: fa m ília absorve um novo membro, esse, novo m em bro deve se
m odificado-para incluí-lo.
v4xÍste!AMn[}g';t^^ ^ |a . - ^ |:ajfmantá^-;o^,velb.QS..-padrões, que estabelece um estresse
sobre,;o novo memoro é pòdd leva-io- a/incrementar suas exigências. Os tipos de au­
mentos de membros, que podem produzir estresse durante o período de adaptação,
são: o nascimento de uma criança, o casamento de um membro da fa m ília ampla, a
fusão de duas fam ílias através do casamento de pais ou a inclusão de um parente,
um amigo ou de uma criança adotada.
Os estresses também são produzidos pela adaptação a uma diminuição^dos
membros numa fam ília, causada por circunstâncias tais com o a m o rte de um mem-

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h ro da fam ília, separação ou divórcio, encarceiramento, institucionalização ou afas-
tamento do filh o por causa da escola. Por exemplo, quando um casal se separa, de­
vem se desenvolver novos subsistemas e linhas de diferenciação. A unidade dos dois
pais e filhos agora deve se tornar uma unidade de um dos pais e os filhos, com ex­
clusão do outro.
As famílias freqüentemente entram em terapia, porque as negociações que le­
vam a uma transição bem sucedida foram bloqueadas. U ^iá fartiília, que tem problé-
mas em torno de uma transição recente é mais fácil de ser ajudada do que uma fa­
m ília que bloqueou as negociações adaptativas durante um longo período.
Estresses em torno de problemas idiossincrásicoí. Um terapeuta de fam ília de­
ve levar em conta todas as circunstâncias e estar consciente da possibilidade de pa­
drões transacionais disfuncionais, que aparecem em torno de áreas idiossincrásicas
de estresse fam iliar. Por exemplo, uma fam ília com um filh o retardado pode ter si­
do capaz de se adaptar aos problemas colocados, quando a criança era pequena.
Mas a realidade do retardamento, que os pais eram capazes de evitar, enquanto a
criança era pequena, deve ser enfrentada à medida que cresce e a disparidade de de­
senvolvimento entre ela e seus iguais se torna mais evidente.
0 mesmo incremento de estresse pode ocorrer quando uma criança com uma
incapacidade física, tal como um lábio leporino, fica mais velha. A fam ília pode ter
sido capaz de se adaptar às necessidades da criança enquanto era pequena, mas à
medida que ela cresce e experiencia dificuldades na interação com um grupo extra-
fam iliarde iguais, que não a aceita, este estresse pode sobrecarregar o sistema fam iliar.
Problemas idiossincrásicos transitórios também podem sobrecarregar os meca­
nismos de competição. Se um membro da fam ília se torna seriamente doente, aU
gumas de suas funções e poderes devem ser distribuídos para outros membros.
Quando o mgmb.ro doçnte se recupera, se torna necessária uma readaptação para
incluí-lo em sua antiga posiçãj ou ajLidá^lo a assumir uma nova posição no sistema.
—------Etn resumo, o^squem a conceituai de uma fam ília normal tem~?rês fa c e ta i
P i^ e tift.y j^ ;fá q ^ ^ tem pg^ a d a p tando e se reestrutú-
' ràrtEjoT de r o in i im l ã ^ o ã tir iu ã k liS ic io Q a ^ gue tem estado funcic£
nándo eficazmente, pode, não obstante, responder a estresses de desenvolvimentõ,
aderindcunasjequâdamente a esquemas estruturais prévios.*
f Segundai á>.família tem uma estrutura. que-oodajs&iLiüiSfimda sonr:ente_gm
movímento?£>ão preferidos certos padrões, que são suficientes ém resposta às exi­
gências costumeiras. Mas a f órcà.devum^jistemaidépende de sua capacidade de mo-,
bilizar padrões tr.ansacionais.’alterhativos.idiià^o-(:ó^Íc;õés^^^Tfilêtri^síoüyekreml^à
fam ília exigem a sua reestruturação. As fronteiras dos subsistemas d evéitvsèí firmes.
ainda que suficientemente flex íveis p a r^ p^rm lt.ir.j^fifüsggsisão, q<i&nrin.as.r.icr,ur3S;
tânçia.s..muBâD?,-
Finalmente, uma fam ília sè adaola-aüXSAr£sse^a_uma.ma
a continufaâdé fam iliar émbórÊÍTô'riYãHdQ"bõssWèr^à
■■«ilTin imitiu
rèestrútüracãCL Se uma fam í-
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lia responde ao estresàe cofífrigiaez, ocorrem padrões disfuncionais. Estes podem
eventualmente levar a fam ília à terapia.

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