Famílias, Funcionamento e Tratamento (Minuchin)
Famílias, Funcionamento e Tratamento (Minuchin)
M i w o c h i ' M , 5. c/cvyvuÍa.oa : ^ n c tW c tv m rC C fe
OnXiXiX vniMtâ . GULu^fa- '. CuJJu> m c c L ca/> /l^flO
(C K ?. O Ò ) J 1
Um modelo familiar
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0^6
co m o tra b a lh o d u ro qus um a m á quina pode fazer m e lh o r. As condições, que ad m i
te m o u requerem que am bos os esposos tra balhe m fo ra da fa m i'iia , cria m situações
em que a rede e x tra fa m ilia r pode in te n s ific a r e exacerbar o c o n flito entre os e s p o s o s ^
Em face de todas estas m udanças, o hom em m oderno ainda se m a ntém fie! a
um c o n ju n to de valores, que pertence a uma sociedade d ife re n te , uma sociedade em
que as fro n te ira s entre a fa m ília e o e x tra fa m ilia r eram n itid a m e n te delineadas. A ade
são a u m m o delo o b s o le to leva à classificação de m uitas situações, que são clara-
fnente tra nsiciona is, co m o pa tológica s ou patogênicas. A pedra de to q u e para a v i
da fa m ilia r airida é o legendário " e assim eles casaram e viveram felizes para sem
pre” . Não é surpresa que q u a lq u e r fa m flia não alcance este ideal.
0 m u n d o ocid e n ta l está num estado de transição e a fa m ília, que sempre de-
ve_se.açpm odar.à socÍ5dad&J__está m u d a n d o com ele. Mas em razão de d ificu ld a d e s
tra nsiciona is, a p rin c ip a l ta re ia psicossocial da fa m ília — ap oiar seus m em hros — sp
t o rn o u mais im p o rta n te do que nunca. S om ente a fa m ília a mp.nor u n idade ria so
ciedade. pode m udar e. apesar disso, m a nter suficien te c o n tinuidade para c r ia r jj-
Ihos, QUK_.não_5erá'oJ'.estranc!eir.os num a terra estranha", que estarão jirm e m e n te en-
raÍzados,-Q .suticiente para crescerem .e s e ^ d a p la r e m ^ ''
A m atriz dn identidade
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q u e e le é o pa i de T o m e o m a rid o de E m ily , ta n to q u a n to o de ser filh o de seus
pais. O s c o m p o n e n te s d o s e n tid o de id e n tid a d e de um in d iv íd u o m udam e p e rm a
ne cem c o n sta n te s . C o m o R oge r B a rk e r o c o lo c a : " A pessoa psicológica, que escreve
ensaios, qu e m arca p o n to s e atravessa as ruas perm anece com o um a entidade id e n ti
fic á v e l e n tre pa rtes in te rio re s instáveis e c o n te x to s exte riore s, com am bos os quais
está v in c u la d a e, n o e n ta n to , de am bos os quais está p ro fu n d a m e n te s e p a ra d a .''1
A pessoa p s ic o ló g ic a , qu e é u m a entid a d e separada, está vinculada com c o n te x to s
e x te rio re s j j j
i M u $ c e m b o ra a fa m ília seja a m a triz do de senvolvim ento psicossocial de seus
' m e m b ro s , ta m b é m deve se a c o m o d a r a um a sociedade e assegurar alguma c o n tin u i-
'• dade p a ra a sua c u ltu ra . Esta fu n ç ã o societária é fo n te de ataques sobre a fa m ília , na
m o d e rn a A m é ric a .* A sociedade am ericana está m u d a n d o e m u itos grupos, d e n tro
dessa socied ade , q u e re m acelerar a m udança. Estes grupos, m u ito correta m ente, p e r
ceb em a fa m ília c o m o u m e le m e n to de co n se rva cio n ism o e com o uma fo n te de es-
tase. Os ataques à fa m ília são típ ic o s de p e río d o s re volucion ários. C risto disse a
seus d is c íp u lo s para d e ix a re m seus pais e fa m ília s e segui-lo. A R evolução Francesa,
a russa e a chinesa, tod as elas solaparam a e s tru tu ra fa m ilia r tra d ic io n a l naqueles
países, n u m a te n ta tiv a de acelerar o progresso na d ire ção de uma nova o rd e m so
c ia l. O k ib u t z de Israel é o u tr o e x e m p lo d o m esm o processo social.
A s leis russas re la tiva s à fa m ília , d u ra n te e de pois da revolução, ilu s tra m este
processo. N os anos v in te , as leis reguladoras de casam ento, d iv ó rc io e a b o rto te n d e
ra m p a ra a d issolu ção da fa m ília . Mas, nos anos trin ta , quando a Rússia estava avan
ç a n d o para a c ris ta liz a ç ã o de suas norm as societárias recentem ente estabelecidas,
as leis fo ra m m o d ific a d a s , para a p o ia r a c o n tin u id a d e da fa m ília .‘ S im ila rm e n te , os
k ib u t z im israelenses agora estão te n d e n d o para a u m e n ta r as funções da fa m ília n u
c le a r, d e n tr o d o k ib u tz . E m m u ito s deles, as crianças pequenas agora ficam no q u a r
t o de seus pais e as crianças em geral vivem com seus pais por p e río d o de te m p o
m ais lo n g o , antes de ingressar no la r das crianças.
Q u a lq u e r estu d o da fa m ília deve in c lu ir a sua com plem e ntaridade com a so-^
cieda de. A fa m ília n u c le a r, qu e, pe lo m enos em te o ria , é o padrão da classe m édia
a m e ric a n a , é um d e s e n v o lv im e n to h is tó ric o recente. M esmo hoje em dia, é grande
m e n te c o n fin a d a às sociedades urbanas in d u s tria liz a d a s . Os conceitos das funções
fa m ilia re s ta m b é m , se m o d ific a m à m edida que a sociedade muda. A té q u a tro c e n
to s anos atrás, a fa m ília não era con sid era da c o m o um a unidade de criação da c ria n
ça e, até m u ito m a is tarde,-as crianças não eram reconhecidas com o in d iv íd u o s com
d ir e ito s p ró p rio s .
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A tu a lm e n te , a fa m ília am ericana, d o m esmo m o d o que a sociedade am erica
na, está num p e río d o de transição. E, c o m o a sociedade o tra n s m ite , a fa m ília está
sob ataque. Por e x e m p lo , um program a de educação p ú b lic a de televisão, de doze
horas, A n A m e ric a n F a m ily , seguiu a fa m ília L o u d através das ro tin a s de sua vida e
de suas relações com em pregos, escolas, parentes afin s e amigos. A lgum a s pessoas
aclam aram esfa apresentação com o um a penetração na com unicação de massa, com
s ig n ifica tivo valor a n tro p o ló g ic o . O utras c ritic a ra m a obtusidade da apresentação
da vida fa m ilia r. U m g ru p o c rític o s ig n ific a tiv o fo i a p ró p ria fa m ília Lo ud. Em
shows independentes de televisão, eles ten tara m co m u n ica r a uma audiência de m i
lhões que não gostaram de si mesmos, tal com o haviam sido re trata dos. Eles salien
taram que havia m u ito mais a respeito deles do que fo i m ostrado. O que a audiên
cia americana viu, de fa to , fo i o p o n to de vista do p ro d u to r. In flu e n c ia d o po r m o
dos atuais de encarar a fa m ília , ele tin h a selecionado e posto em relevo excertos
que exem plificassem estes po ntos de vista. D istorções sim ilares fo ra m feitas pelos
cameramen e pelo pessoal que com pôs as tom adas, selecionou os d o se ups e to m o u
com o alvo o que eles consideraram ser os aspectos pe rtinentes da fa m ília . Os ameri- ,
canos viram uma fa m ília am ericana, apresentada de acordo com os aspectos c u l
turais da fa m ília , qu-i são cornum ente suscetíveis à m od3.
Os ataques à fa m ília são provenientes de m uitas fontes. Estão se in c o rp o ra n
do líderes inte le ctuais do m o v im e n to c o n tra c u ltu ra l e grupos de jovens, que esti
veram fazendo experiências com form as com unais de organização fa m ilia r e de edu
cação in fa n til. No cam po de saúde m e ntal, R. D. Laing e seus seguidores têm sido
influentes na descnção da fa m ília com o a program adora m alevolente da psicose e,
ainda p io r, dos a d ultos "n o rm a is ", que povoam o nosso m u n d o .4 O novo m o vim en
to fem in ista tam bém te m atacado a fa m ília , descrevendo-a com o um a fo rtific a ç ã o
do cha uvinism o m a sculino. Vêem a fa m ília nuclear com o uma organização que não
pode ajud ar; apenas p ro d u z meninas, criadas para serem esposas na casa de bonecas,
e m eninos, que serão pra tic a m e n te capturados em padrões obsoletos.
A fa m ília m u dará à m edida que a sociedade m uda. P rovavelm ente, de m odo
com plem e ntar, a sociedade desenvolverá estruturas extrafam jliares_P. 3ra. 5 e .adaptar
às novas correntes cie pe nsamento e às novas realidades sociais e econôm icas. Os
anos setenta parecem ser u m p e río d o in te rm e d iá rio de lu ta , d u ra n te 0 qual as m u
danças estão c rian do um a necessidade de estruturas que ainda não apareceram. 0
grande nú m ero de fam ílias, nas quais am bos os pais tra balha m fo ra de casa, por
exem plo, c rio u uma necessidade de serviços de cuidados diários, em grande escala,
os quais ainda não estão disponíveis.
A geração h ia to é o u tro exe m plo de necessidades não satisfeitas. A fa m ília es
tá a b rin d o mão da socialização das crianças cada vez mais cedo. A escola, a com u
nicação de massa e o g ru p o de iguais estão assumindo a orientação e a educação das
crianças mais velhas. Mas a sociedade não desenvolveu fontes e x tra fa m ilia re s ade
quadas de socialização e apoio.
4 R.D. Laing and Aaron Esterson, Sanity, Madness, and the F a m ily (L ondon: Tavistock, 1964).
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A sociedade masai tin h a um a c u ltu ra de grupo adolescente que era grande
m e n te in d e pen den te, mas eram de term inadas certas tarefas específicas para o grupo
d e sem pe nha r, sob a supervisão laissez-fairc dos guerreiros da trib o . Os jovens p o
d ia m , desta m aneira, levar a cabo os processos apropriado s à idade de separação da
fa m ília e se to rn a re m independentes, sem se to rn a re m alienados da sociedade em
geral. Os grupos jovens dos k ib u tz im israelenses desempenham uma fun ção sim ilar.
A sociedade o c id e n ta l não tem funções n itid a m e n te diferenciadas para os adoles
c e n te s /Q u a n d o a fa m ília libera seus filh o s , os libera para sistemas de a p o io inade
q u a d o s. Não é surpreendente que as crises adolescentes de identidade ten ham re
s u lta d o em um c e rto núm ero de fenôm enos sociais a n íin o m ia n o s.5
A m udança sempre_sa_desloca_da_soi;ie_daáe..para.a fa m ília , nunca da unidade
m e n o r para a m a io r. A fa m ília m udará, mas tam bém permanecerá, po rque é a me
lh o r u n id a d e ...h u m a n ^ ^ ^ s o ç ie d a d e s ra pjdam ente mutáve.is,.Quan.to_mais f le x ib ili
dade e a d a p ta b ilid a d e requer de seus m em bros, mais s ig n ifica tiva se to rn a rá a fa m í
lia, c o m o a m a triz do de senvolvim ento psicossocial.
C o m o a fa m ílía , num sen tido genérico, m uda e se adapta às circun stância s his
tó ric a s , ta m b é m a fa m ília in d iv id u a l se adapta constantem ente. A fa m ília é um sis
te m a a b e rto em tra n sfo rm a çã o ; isto é, c on stante m en te recebe e envia in p u ts para e
d o e x tr a fa m ilia r, e se adapta às dife re n te s exigências dos estádios de de senvolvim en
to q u e e n fre n ta .
Suas tarefas não são fáceis. Os W agner, com todas as d ificuld ade s que descre
vem , na fo rm a ç ã o da fa m ília e no na scim ento de seu filh o , representam os estresses
q u e q u a lq u e r fa m ília no rm al encontra. Mas, de alguma maneira, a visão idealizada
p re v a le n te da fa m ília no rm al é de que não seja estressante. A despeito dos estudos
s o c io ló g ic o s e a n tro p o ló g ic o s da fa m ília , o m ito de norm alidade plácida perdura,
a p o ia d o p o r horas de personagens b id im ension ais de televisão. 0 q u adro de pessoas
v iv e n d o em ha rm o n ia , e n fre n ta n d o in p u ts sociais, sem ficarem perturbadas, sem pre
c o o p e ra n d o uma com a o u tra , se desm orona sempre que se considera q u a lq u e r fa
m ília c o m seus problem as com uns. P o rta n to , é alarm ante que este padrão seja algu
mas vezes m a n tid o incon testa do p o r terapeutas, que medem o fu n c io n a m e n to das
fa m ília s de clientes em com paração com a imagem idealizada. Freud salien tou que
a te ra p ia tra n s fo rm a padrões n e u ró tic o s em atribulações norm ais da vida. Seu co
m e n tá rio é igua lm en te verdadeiro para a terapia fa m ilia r.
Desde que um a fa m ília n o rm al não pode ser distin g u id a de uma fa m ília a n o r
m al p e la ausência de problem as, um tera p e u ta deve te r um esquema c o n ce itu a i do
fu n c io n a m e n to fa m ilia r, para ajudá-lo a analisar uma fa m ília . Um esquema baseado_
na com pree nsão da fa m ília c o m o um_sistemn, o p eran do d e n tro de c o n te x to s sociais
e s p e c ífic o s , tem três com ponentes. P rim e iro , a e s tru tu ra da fa m ília é a de um siste
m a s ó c io -c u ítu ra l aberto e m _ ^ a n jfq rm a ç ã o . Segundo, a fa m ílja passa p o r um desen
v o lv im e n to , atravessando c e rto núm ero de estádios, que requerem re estruturação.
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T e rceiro , a fa m ília se adapta a circun stância s m o d ific a d a s , de m a n e ira a m a n te r a
-c o n tin u id a d e e a in te n s ifiç a jj) cre scim ento psicossocial de cada m e m b ro . A e n tre
vista com os W agner foi destinada a revelar o segundo c o m p o n e n te deste esquema,
seus estádios de desenvolvim ento , com o c o m e n tá rio apresentando os aspectos mais
genéricos do de senvolvim ento fa m ilia r. A e s tru tu ra fa m ilia r e a ad apta ção fa m ilia r
requerem discussão u lte rio r.
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suas obrigações. E ntão , aparecem reinvindicações de lealdade fa m ilia r e m anobras
' que in d u z e m c u lp a .6
Mas a e s tru tu ra fa m ilia r deve ser capaz de se adaptar, q u a n d o as c irc u n s
tâncias m u d a m . A existência c o n tin u a d a de fa m ília , co m o um sistem a, d e p e n
de de um a extensão s uficien te de padrões, da acessibilidade de padrões tra n sa
cio n a is a lte rn a tiv o s e da fle x ib ilid a d e para m o b ilizá-los, qu ando necessário. Des
de que a fa m ília deve responder às mudanças internas e externas, deve ser ca
paz de tra n s fo rm a r-s e de maneiras que atendam às novas circunstâncias, sem p e r
der a c o n tin u id a d e , que p ro p o rc io n a um esquema de referência para seus m em -
, bros.
O sistem a fa m ilia r dife re n cia e leva a cabo suas funções através de subsiste
mas. Os in d iv íd u o s são subsistemas d e n tro de um a fa m ília . D íades, tais c o m o es-
poso-esposa e m ã e -filh o , podem ser subsistemas. Os subsistemas po dem ser fo r m a
dos p o r geração, sexo, interesse ou p o r fun ção.
^ C a d a J n d i.v íd u o pertence a dife rentes subsistemas, nos quais tem d ife re n
tes n íve is de p o d e r e on de aprende habilidades d ife rencia das.^U m hom em pode
ser um f ilh o , um so b rin h o , um irm ão mais velho, um irm ão mais m o ço , um m a rid o ,
um pai e assim p o r dian te. Em dife rentes subsistemas, ele ingressa em d ife re n te s
relações com plem e ntares. As pessoas se acom odam caleid oscop ica m en te, para
a tin g ir a m u tu a lid a d e , que to rn a possível a relação hum ana. A criança tem de agir
co m o u m filh o , en q u a n to o seu pai age com o um pai; e quando a criança o faz,
pode te r de ceder ao tip o de po der que aprecia, qu ando em interação com seu irm ão
mais m o ç o ./A organização de subsistemas de um a fa m ília fornece tre in a m e n to va
lioso no processo de m anutenção do "e u sou " d ife re n c ia d o , ao m esm o te m p o que
dê e x e rc íc io de ha bilidade s interpessoais em dife re n te s níveis.
v F ro n te ira s . As f r onteiras de um subsistema são as regras q u e def i n em q uem
^ p a r tic ip a e co m o , P or exe m p lo , a fro n te ira de um subsistema pa rental é d e fin i
da, q u a n d o um a mãe (M ) d iz ao seu filh o mais ve lh o : "V o c ê não é o pai de seu
irm ã o . Se ele está andando de bic ic le ta na rua, diga-m e e eu o farei p a ra r." (F ig. 2).
M (subsistema executivo)
Fig. 2 ----------------
filhos (subsistema fraternal)
M e FP (subsistema executivo)
Fig. 3 ----------------
outros filho s Isubsistema fraternal)
6 Ivan 8oszorm enyi-N agy and Geraldine Spark, Invisible Loya ltie s (New Y o rk : Harper & Row,
1973).
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A f u n cão d as r i o n t eiras é de proteger a d ife re n c ia ç ã o d o sistem a. Cada subsis
tem a fa m ilia r te m fu n ç õ e s específicas e faz exigências específicas a seus m em bros; e
o d e s e n v o lv im e n to c)e h a bilidade s interpessoais, conseguidas nestes subsistemas, está
baseado na lib e rd a d e d o subsistem a de in te rfe rê n c ia s de o u tro s subsistemas. Por
e x e m p lo , a cap acidad e de acom odação c o m p le m e n ta r dos esposos requer liberdade
da in te rfe rê n c ia de parentes afin s e de filh o s e, algumas vezes, do e x tra fa m ilia r. O
d e s e n v o lv im e n to de h a b ilidade s para negociação com iguais, aprendidas entre ir
mãos, re quer a n ã o -in te rfe rê n c ia dos pais.
Para o fu n c io n a m e n to a p ro p ria d o da fa m ília , as fr o n teiras dos subsistemas
d e v e m je L J U lid a s . D evem ser d e finidas s u fic ie n te m e n te bem para p e rm itir que os
m e m bro s d o subsistem a levem a cabo as suas funções, sem in te rfe rê n c ia indevida,
mas devem a d m itir c o n ta tò en tre os m em bros d o subsistema e o u tro s . A co m p o si
ção de subsistem as, organiza da em to rn o das funções fam ilia res, nãò é especialm en
te tã c s ig n ific a tiv a q u a n to a n itid e z das fro n te ira s do subsistema. tJm sistem a paren-
jta L .que in c lu i u ma avó ou u m a .çriança pa rental, pode fu n c io n a r m u ito bem , desde
qu e as linhas de re sp o n sa b ilid a d e e au torida de.sejam n itid a m e n te delineadas.
A n itid e z das fro n te ira s jd e n tro de um a fa m ília jé um pa râm e tro ú til para a
avaliação do fu n a ó liã m è n to fa m ilia r. A lgum a s fa m ília s gira m em to rn o dé si mes
mas, para d e s e n v o lv e r seu p ró p rio m ic rc ç o s m o , com um conseqüente aum ento de
c o m unicaçã o e p re o c u p a ç ã o en tre os m em bros fam ilia res. C om o conseqüência, a
d istâ n cia d im in u i e as fro n te ira s são anuviadas. A .d j/g re n c ia ç ã o d o sistem a fa m ilia r
fic a difu sa. Tal sistem a pode se to rn a r sobrecarregado e carecer de recursos necessá
rio s para se a d a p ta r e m u d a r, sob circunstâncias estressantes: O utras fa m ília s desen
volvem fr o n te ir a s excessivam ente r íg idas A com unicação através dos subsistemas
se to rn a d if í c il e as fun ções p ro te to ra s da fa m ília ficam prejudicadas. Estes dois ex
tre m o s de fu n c io n a m e n to das fro n te ira s são cham ados de em aranham e n to e (jesli-,
g a m e n to. Todas as fa m ília s são concebidas c o m o in c id in d o em algum lugar ao ion-
go de u m c o n tin u a m , cujos pólos são os dois extrem o s de fro n te ira s difusas e ex
cessivam ente ríg idas (F ig, 4) A m aioria das fa m ília s cai d e n tro dos am plos lim ite s
no rm a is:
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E m te rm o s hum anos, e m a ra n h a m e n to e d e s lig a m e n to se re fere m a um e stilo
tra n sa cio n a l o u à pre fe rê n cia p o r um tip o de in te ra ç ã o , e não, a um a d ife re n ç a q u a
lita tiv a e n tre fu n c io n a l e d is fu n c io n a l. A m a io ria das fa m ília s te m subsistem as em a
ranhad os e desligados. 0 subsistem a m ã e -filh o s p o de te n d e r para o e m a ra n h a m e n to ,
e n q u a n to as crianças são pequenas, e o pai p o de assu m ir um a posição desligada em
relação aos filh o s . A mãe e as crianças m ais m oças po dem estar tão em aranhadas,
de m o d o a to rn a r o pai p e rifé ric o , e n q u a n to o pai assume um a posição m ais ligads
com as crian ças m ais velhas. U m subsistem a p a is -filh o s pode te n d e r para o de slig a
m e n to , à m e d id a que as crianças crescem e fin a lm e n te com eçam a se separar da fa
m ília .
A s operações nos e xtre m o s, to d a v ia , in d ic a m áreas de possível p a to lo g ia . U m
subsistem a a lta m e n te em aran had o de mãe e filh o s , p o r e x e m p lo , pode e x c lu ir o pai,
que se to rn a e x tre m a m e n te desligado. O e n fra q u e c im e n to re s u lta n te da in d e p e n d ê n
cia dos filh o s p o d e ria c o n s titu ir um fa to r im p o rta n te no d e s e n v o lv im e n to de s in to
mas.
Os m e m b ros dej.u b s is te m a s , ou fa m ília s em aranhadas, po dem ser p re ju d ic a -
dos n o s e n tid o que o s e n tim e n to in c re m e n ta d o de p e rte n ç im e n tq re quer um a m á x i
ma re n ú n c ia de a u to n o m ia . A fa lta de d ife r e n c iação d o subsistem a desencoraja a
e x p lo ra ç ã o a u tô n o m a e o d o m (n io .^ jo s .p ro b le m a s . P a rtic u la rm e n te nas crianças, as
h a b ilid a d e s c o g n itiv o -a fe tiv a s são desse m o d o in ib id a s . Os m e m b ros de subsistem as
ou fa m ílja s desligadas po dem fu n c io n a r a u to n o m a m e n te , mas tê m um s e n tid o d is
to r c id o de inde pen dên cia é cárécérrfüé s e n tim e n to s de lealdade e de p e rte n c im e n to ,
bem c o m o de capacidade de in te rd e p e n d ê n c ia e para so lic ita ç ã o de a p o io , q u a n d o
necessário.
E m o u tra s palavras, um sistem a v o lta d o pa ra o lim ite e x tre m o de de slig am e n
to do c o n tin u u m to le ra um a larga a m p litu d e de variações in d iv id u a is em seus m e m
bros. P orém , os estresses n u m m e m b ro da fa m ília não ultrapassam suas fro n te ira s
in a d e q u a d a m e n te rígidas. S om e n te um n ív e l eleva do de estresse in d iv id u a l p o de re
p e rc u tir ba stante fo rte m e n te para a tiv a r os sistem as de a p o io da fa m ília . N o lim ite
e x tre m o de e m a ra n h a m e n to d o c o n tin u u m , o o p o s to é verdade. 0 c o m p o rta m e n to
de um m e m b ro afeta im e d ia ta m e n te os o u tro s , e o estresse n u m m e m b ro in d iv id u a l
re p e rcu te fo rte m e n te através das fro n te ira s e ressoa ra p id a m e n te nos o u tro s subsis
tem as.
A m b o s os tip o s de_relação cau sa m .p ro b je m a s fa m ilia re s , q u a n d o são evocados
m ecanism os jd a p ta tiv o s . A fa m ília em aran had a responde a q u a iq u e r variação do^ha-
b itu a l, com excessiva rapkiez e intensidade. A fa m ília desligada ten d e a não respon
der, quancld~ürna‘ resposta e nêcessária. Os pais, num a fa m ília em ara n h a d a ,'p o d e m
se to rn a r tre m e n d n m e n te perturbados, porque um filh o não com e a sua sobremesa.
Os pais, num a fa m ília desligada, podem se sentir despreocupados a re s p e ito da aver-^
são de um filh o à escola. U m terapeuta m uitas vezes fu n c io n a c o m o um c ria d o r de "
fro n te ira , to rn a n d o n ítid a s as fro n te ira s e ab rindo as inadequ ada m ente rígidas. A
sua avaliação dos subsistemas fam iliares e do fu n c io n a m e n to das fro n te ira s p ro p o r
ciona um rápido q u a d ro diag nóstico da fa m ília , que o rie n ta suas inte rvençõ es tera
pêuticas.
O subsistema ccnjugal. 0 subsistema conjugal é fo rm a d o q u a n d o d o is adultos
de sexo op o sto se un em , com o p ro p ó sito e x p re s s o jj^ fq jjT ja c -U ijia ia ry iíU a - T ê m ta
refas ou funções específicas, vitais para o fu n c io n a m e n to da fa m ília . A s habilidades
p rin cipais para a im ple m en tação de suas tarefas são com p le m e n ta rid a d e e aco m oda
ção m ú tua. Isto é, o casal deve desenvolver padrões, em que cada esposo apóia o
fu n c io n a m e n to do o u tro em muit3S áreas. Devem desenvolver padrões de co m p le
m entaridade, que p e rm ite m a cada esposo "e n tre g a r", sem a sensação de que " r e
n u n c io u ". A m bo s, m a rid o e m u lh er, devem conceder parte de sua separação, para
ganhar cm p e rte n o im e n to . A aceitação da interdependência m ú tu a , num a relação
sim étrica, pode ser prejudicada pela insistência dos esposos em seus d ire ito s inde
pendentes.
O subsistema conjugal pode se to rn a r um refúgio para os estresses exte rno s e
a m a triz para o c o n ta to com o u tro s sistemas sociais. Pode favo rece r a ap rend iza
gem, a cria tiv id a d e e o crescim ento. No processo de acom odação m ú tu a , os espo
sos podem a tu alizar aspectos criativo s de seus parceiros, que estavam latentes, e
apoiar as melhores características um do o u tro . Mas os casais ta m b é m po dem esti
m u la r aspectos negativos um dc o u tro . Os esposos podem in s is tir em a p e rfe iço a r ou
salvar seus parceiros e, p o r este processo, desqualificá-los. A o invés de aceitá-los co
m o são, im põem novos padrões a serem atingidos. Podem estabelecer padrões tra n
sacionais depend entes-protetores, nos quais, o m em bro dependente perm anece de
pendente, de m aneira a proteger os sentim entos do parceiro de ser o p ro te to r.
Esses padrões negativos podem e x is tir em casais com uns, sem subentender
um a p a tologia exte nsiva ou uma m otivação m alevolente em cada m e m b ro . Se um
terapeuta deve desafiar um padrão, que se to rn o u d is fu n c io n a l, deveria le m b ra r de
desafiar o processo, sem atacar a m otivação dos pa rticipan tes. U m te ra p e u ta o rie n
tado para sistemas deveria oferecer interpretações que s ub lin hem a m u tualida de,
co m o : "V o c ê protege sua esposa de uma maneira que a in ib e , e você tra z à tona
uma proteção desnecessária por parte de seu esposo, com grande h a b ilid a d e ." Uma
inte rpre tação atrás da o u tra deste tip o enfatiza a com ple m e n ta rid a d e do sistema,
reúne o p o s itiv o e o negativo em cada esposo e elim ina as im plica ções de ju lg a m e n
to da m otivação.
0 subsistema conjugal deve conseguir uma fro n te ira qu e o p ro te ja da in te r
ferência das exigências e necessidades de o u tro s sistemas. Isto é p a rtic u la rm e n te ver
dadeiro quando um a fa m ília te m filh o s . J3s adultos devem te r um te r r itó r io psicos-
51
social p r ó p rio — um a b rig o no q u a l possam dar ap oio em ociona l um ao o u tro . Se a
fr o n te ir a em to r n o dos esposos é inadequadam ente ríg id a , o sistema pode ser estres
sado p o r seu is o la m e n to . Mas se os esposos m antém fro n te ira s fro uxas, o u tro s sub
g ru p o s, in clu s iv e filh o s e pa rentes a fin s, podem se in tro m e te r no fu n c io n a m e n to do
sub sistem a deles.
Em te rm o s h u m a n o s sim ples, m a rid o e m u lh e r precisam um do o u tro c o m o
um re fú g io das exigê ncias m ú ltip la s da vida. Em te ra p ia , esta necessidade preceitua
q u e o te ra p e u ta p ro te ja as fro n te ira s em to rn o do subsistem a conjugal. Se os filh o s ,
n u m a sessão fa m ilia r, in te rfe re m na transação do subsistema con ju gal, sua in te rfe
rê n cia d e ve ria ser b lo q u e a d a . Esposo e esposa podem ter sessões que excluam os o u
tro s . Se, nestas sessões, eles c o n tin u a m a d is c u tir p a tern id ade , ao invés de transa
ções de m a rid o -m u lh e r, o te ra p e u ta fa ria bem em assinalar que eles estão cru zando
um a fro n te ir a .
O sub sistem a p a re n ta l. U m n o v o n íve l de fo rm a ç ã o fa m ilia r é a tin g id o com o
n a s c im e n to d o p r im e iro f ilh o . O subsistem a c on ju gal, num a fa m ília inta cta, agora
deve se d ife re n c ia r, para desem pe nha r as tarefas de socialização de uma criança,
sem p e rd e r o a p o io m ú tu o , q u e deveria caracteriza r o subsistema conjugal. Deve
ser d e lin e a d a um a fr o n te ir a , qu e p e rm ita o acesso da criança a ambos os pais, e m b o
ra e x c lu in d o -a das fu n ç õ e s co n ju g a is. A lg u n s casais, que procedem bem co m o um
g ru p o de d o is , jam a is são capazes de faze r um a tra n s iç ã o sa tisfa tó ria para as in te ra
ções de u m g ru p o de três. Em 3lgum as fa m ília s , o f ilh o pode ser a tra íd o para de n
t r o dos p ro b le m a s d o sub sistem a c o n ju g a l, c o m o aconteceu corn E m íly Wagner.
À m e d id a que a cria n ç a cresce, suas exigências de de senvolvim ento , ta n to de
a u to n o m ia c o m o de o rie n ta ç ã o , im p õ e m demandas ao subsistema parental, que de
ve ser m o d ific a d o para atendê-las. O filh o entra em c o n ta to com iguais e x tra fa m ilia -
res, c o m a escola e c o m o u tra s fo rç a s socializadoras fo ra da fa m ília . O ju b sis^e rn a pa
re n ta l deve se ad a p ta r a o j no vos Jatores,- que in cid e m sobre as tarefas de socializa
ção. Se a crian ça é severam ente estressada po r seu am biente e x tra fa m ilia r, isto pode
a fe ta r não som ente seu re la c io n a m e n to com os pais, mas até as transações internas
d o sub sistem a c o n ju g a l.
A a u to rid a d e in d is c u tid a que um a vez caracterizava o m odelo pa triarca l do
sub sistem a p a re n ta l se desvaneceu, para ser s u b s titu íd a p o r um co n ce ito de a u to ri
dade fle x ív e l, ra c io n a l. Espera-se que os pais com pree nda m as necessidades de de
s e n v o lv im e n to dos filh o s e e x p liq u e m as regras que im põ em . A pa ternidade é um
processo e x tre m a m e n te d if í c il. N in g u é m o desem penha a seu in te iro c o n te n to e
n in g u é m o atravessa in c ó lu m e . P rova velm en te, isto fo i sempre mais ou menos im
po ssível. N a sociedade de h o je em dia, co m p le xa , de de senvolvim ento rápido, em
que as g e raçõe s-hia to o c o rre m cada vez a menores inte rvalos, as d ificu ld a d e s paren
ta is a u m e n ta ra m .
O processo p a re n ta l d ife re de pend end o da idade dos filh o s . Q uando as c ria n
ças são m ú it’ó"pe"quenas, p re d o m in a m ás funções de n u triç ã o . 0 c o n tro le e a o rie n
ta çã o assum em m ais im p o rtâ n c ia mais tarde. À m edid3 que a criança am adurece,
esp e cia lm e n te " d u ra n te a adolescên cia, as exigências feitas pelos pais com eçam a
62
c o lid ir com as exigências dos filh o s q u a n to à au tonom ia ap ropriada à idade. A pa
ternidad e se to rn a um processo d ifíc il de acom odação m útua. Os pais im p õ e m re
gras, que não podem e x p lic a r no m o m e n to ou que explicam inadequadam ente, ou
consideram as razões pnra as regras co m o evidentes por si mesmas, q u a n d o não são
auto-evidentes para os filh o s . À m edida que têm mais idade, podem não ace ita ra s
regras. Os filh o s co m u n ic a m suas necessidades com graus variáveis de n itid e z e fa
zem novas exigências aos pais, tais com o de mais tem po ou de mais c o m p ro m e ti
m e nto em ocional.
E essencial c o m pree nde r a c o m plexida de da educação in fa n til, a fim de ju lg a r
seus participantes im p a rc ia lm e n te . Os pais não podem proteger e gu ia r, sem, ao mes
m o tem po, c o n tro la r e re p rim ir. Os filh o s não podem crescer e se to rn a re m in d iv i
dualizados, sem re je ita r e atacar. O processo de socialização é in e re n te m e n te c o n fli
tante. Q ualquei in p u t te ra p ê u tic o que desafia um processo d is fu n c io n a l en tre pais
e filh o s , ao mesmo te m p o , deve apoiar seus participantes.
A paternidade requer a capacidade de n u trir, guiar_e c o n tro la r. A s p ro p o r
ções destes elem entos dependem das necessidades de de senvolvim ento das crianças
e da capacidade dos pais. Mas a paternidade sempre requer o uso da au to rid a d e . Os
pais não podem desem penhar suas funções executivas, a menos que te n h a m o po
der para fazê-lo.
F ilho s e pais e, algumas vezes, os terapeutas, fre qüe ntem ente descrevem a fa
m ília idaal c o m o um a de m ocracia. Mas eles erroneam ente pressupõem que um a so
ciedade dem ocrática seja sem liderança ou que uma fa m ília seja um a sociedade de
iguais. O fu n c io n a m e n to e fic ie n te requer que pais e filh o s aceitem o fa to de que o
uso dife rencia do de au to rid a d e é um ingrediente necessário para o subsistema pa
re ntal. Este se torna um la b o ra tó rio de tre in a m e n to social para as crianças, que ne
cessitam saber com o ne gociar em situações de poder desigual.
Um apoio ao subsistem a parental, pelo terapeuta, pode c o lid ir com um o b je
tiv o te ra p ê u tic o de fo rta le c e r a au to n o m ia de um filh o . Em tais situações, o te ra
peuta deveria lem brar que som ente um subsistema parental fra c o estabelece co n
tro le re stritiv o , e que o c o n trole.excessivo o co rre prin c ip a lm e n te qu a n d o o c o n tro
le é ineficie nte. O a p o io à responsabilidade e obrigação dos pais de d e te rm in a r re
gras fam ilia res assegura o d ire ito , e a obrigaçãp do filh o decrescer e de desenvolver
au tono m ia. A tarefa du terapeuta é a de ajudar os subsistemas 3 negociarem e a se:
acom odarem entre si.
O subsistema fra te rn a l. 0 subsistema fra te rn a l é 0 p rim e iro la b o ra tó rio social,
no qual as crianças po dem e x p e rim e n ta r com relações com iguais. D e n tro deste co n
te x to , as crianças a p óiam , isolam , escolhem um bo de -e xp ia tó rio e aprendem umas
com as outras. No m u n d o de irmãos, as crianças aprendem com o negociar, coope
rar _e c o m p e tir. A p re n d e m c o m o fazer ajrwgos e aliados, com o te r prestígio , em bora
se rendendo e com o conseguir o reconhe cim en to de suas habilidades. Podem assu
m ir diferentes posições, trapaceando um com o o u tro , e aquelas posições, assumi
das cedo no suogrupo fra te rn a l, podem ser significativas no curso subseqüente de
suas vidas. Nas grandes fa m ília s , 0 subsistema fra tern al tem uma divisão a d icio nal.
Pani as crianças menores, que ainda estão transacionando em áreas de segurança, nu-
t r 'Ç?o e orientação dentro da fam ília, que são diferenciada^fês crianças mais velhas,
q ue estão fazendo contato e contratos com o m undo extrafarniliar.
Quando as crianças estábelecern con tato com o rnuindb de iguài$<éxtrafami-
% l'? rf:s; tentam opèrar ao longo das linhas dò m undo dos tfrfiãos.íQuando aprendem
V nPVas maneiras de se relacionarem, trazem de volta o novo conhecim ento e*perien-
y feiplVpàra o mundo fraternaj.^ . a fam ília da criança tem modos m u ito idiossjjicrási-
as barréiraS entre:5.qtíeiá-e-.o.mundoTextrafamiliar-podem _se to rn a r inadeqíiada-
iM riteVrfqidaâ.A criançaipáde/ en tão^ter dificulades em ingressar em o títT t> 's ' siste-
m ?Ssociáis.
A significação do subsistema fraternal é observada m u ito claramente na sua
aus^ncia. Filhos únicos desenvolvem um padrão precoce de acomodação ao mundo
aduito, que pode ser manifestada em desenvolvimento precoce. A o mesmo tempo,
P°dem apresentar dificuldade no desenvolvimento da autonomia e na capacidade
Compartilhar, cooperar e xo ^npe tircom os outros.
Um terapeuta deveria conhecer as necessidades de desenvolvimento infantis e
ser capaz de apoiar o dire ito da criança à autonomia, sem m inim izar os direitos dos
Pa'~. As barreiras do subsistema fraternal deveriam proteger as crianças da interfe:
rendia adulta, de maneira que pudessem exercitar seu dire ito à privacidade, terem
suafr próprias áreas de interess.e e fossem livres para tatearXíríedTda que exploram,
^ r 'Vnças, em diferentes estádios de desenvolvimento, têm diferentes necessidades,
^l^i.íidàdes cognitivas específicas e sistemas idiossincrásicOs de valores! Às vezes, o
te,Tpeüta-.deve agir como um tra d u to ^ |f|te tp re tá n d o o m undo dos filh o s para os
Pode também ter de ajudar o subsistema a negociar fronteiras ní-
fd ^ s , mas viáveis de serem cruzadas. Se a criança é colhida numa teia de exagerada
'ea*dade fam iliar, por exemplo, o terapeuta agirá com o uma ponte entre a criança e
0"lun do extrafam iliar.
it ià m íl ia è adaptação
64
às novas situações, que levam consigo a fa fía d a ^ ife tm çiacgo e a an$ie$ade que ca-
rajytey-jz.çtrr*; to.dos. os -processo5/,nov.os^,pfe ser classificados erroneamente como 8
p a to ló g ic o s .^ ^ ^ /n a ^ im ilià ^ c o rn o um sistema social em transformação, todavia,
a jC é ^ f^ v i^ t^ ç i^ ír a n s ie io n íl.d e certos processos familiares. Exige uma expldrâ-
ção: da, situação mutante da fam ília e de seus membros e de seus estresses de.aaò-
modação. Com esta orientação, m uito mais famílias, que entram em terapia, seriam
consideradas e tratadas com o fam ílias comuns, em situações de transição, sofrendo
as aflições de acomodação e novas circunstâncias. Ò irótulo d e patologia deveria^er
reservado, que, em face dé estresse, aumentam a rigidez de seus p%-
d r S e ^ ^ l^ B iá n à is e de suas barreiras, e evitam ou resistem a qualquer exploração
de a|tem atiyfs|Ma$ fam ílias comuns, o terapeuta conta comJánfíôtlMacSo dos recur
sos cja famílja, com o um caminho para a transfojmaçap. Nas fam ílias patológicas, o
terapeuta precisa se tornarum^To?Tíc>"ârarna fam iliar, entrando em coalizões tran-
sgcjónais, a fim de desregular o sistema e desenvolver um nível diferente de homeos-
tase.
Ò estresse num sistema fam ilia r pode provir de quatro fontes. Pode haver o
contato estressante de um membro ou de toda a fam ília com forças extrafamiliares.
Os pontos de transição, na evolução fam iliar, também podem ser uma fonte de ten
são, da mesma form a que o são os problemas idiossincrásicos.-— ...
~T> Contato estressante de um membro com forçaüextrafam Uiareò Uma das orin-
cipais funções da fam ília é a de apoiar os seusmembrò~s. Q uando um membro sofre
estresse, os outros membros da fámlTíà sentem a necessidade de se acomodar às c ir
cunstâncias modificadas dele. Esta acomodação pode fica r contida dentro de um
subsistema oú pode penetrar toda a família.
Por exemplo, um marido, que está sob estresse no trabalho, critica a sua m u
lher, quando ambos chegam em casa. Esta transação pode ficar lim itada ao sistema
conjugal. A esposa pode se afastar do marido, mas apoiá-lo alguns minutos mais ta r
de. Ou ela pode contra-atacar. Resulta uma briga, mas esta termina por um termo e
apoio mútuo. Estes são padrões transacionais funcionais. O estresse sobre o esposo
foi minorado pelas transações com sua esposa.
Todavia, a briga pode entrar numa escalada, sem térm ino, até que um dos es
posos abandona o campo. Agora, cada esposo sofre com a sensação de não-resolu-
ção. Nesta situação, o contato estressante de um membro fam iliar com forças ex
ternas originou um estresse nãó-resolvido no subsistema conjuga! intrafam iliar,
Á mesma fonte de estresse sobre um membro individual pode operar através
das fronteiras de subsistemas. Por exemplo, um pai (P) e uma mãe (M), que sofrem
estresse no trabalho, podem ir para casa e criticar um ao ou tro, mas, então, desviar
seu co n flito , atacando um filh o . Isto reduz o perigo ao subsistema conjugal, mas
estressa a criança (C) (Fig. 5). Ou o marido pode c ritic a r a esposa, que procura, en-
65
tão, uma coalizão com o filh o contra o pai (Fig. 6)
í'â1t3o^!iÉe""^ãè1fé^f^lfi.^'v^^sâs'*?p.âi^;':aíyá^è^ coa^
/ liz.ão de mãe ê fíího exclui o pai. U ^ p a d ra o transacional frans^erae/o/Ta/ disfuncio-.. -
nalí-sè-dèsiíri Vo Iveul
Também é possível toda a fa m ília fica r estressada pelo contato extrafam iliar
de um membro. Por exemplo, se o marido perde o seu emprego, a fam ília pode ter
de reassociar-se, a fim de assegurar a sua sobrevivência. A esposa pode ter de assu
mir mais responsabilidade pelo sustento financeiro da família, desse modo, mudan
do a natureza do subsistema executivo. Esta mudança pode forçar modificações no
subsistema parental. O pai pode assumir funções de nutrição, que eram previamente
da mãe (Fig. 7). Ou uma avó (A ) pode ser introduzida para assumir as funções pa-
renlais, enquanto ambos os pais estão procurando emprego (Fig. 8)H§5É;á fam ília
responde à perdã de emprego do pai com rigidez,.podem surgir padrõçs transaçio-
naisdisfUnciónaiâ Por exemplo, a atfó é trazida para cuidar das crianças, mas os pais
recusam ceder a autoridade, que a capacitaria a cum prir sua responsabilidade.
Os Wagner inform aram sobre alguns dos estresses de contato com o extrafa
miliar. As dificuldades de Mark, com o um estudante, arrimo da fam ília, interferi
ram em sua capacidade de se relacionar com sua esposa. Tornou-se c rític o ou re
traído e E m ily introduziu T om m y em altercações infindáveis quanto ao seu apoio.
A (xpressSo é usada para significar “ através de gerações’'. O grifo nSo consta no original
(N. dj trad.).
66
Quando uma •farrt1fl^3Ííftf^ ^ m :Aerapia.po&cau8a d$ contato estressante de um
membro com o, extraíam iliar;tos õbjeti«tfô$$s intervenções do terapeuta da famílLa
são orientados por íg á ? ^ a fía ^ ã b v d a Íi^ u Í^ ã iÍ^ ^ Í^ ife iJ í^ |^ P á ã estrutura fam iliar.
Se a fam ília realizou mudanças adaptativas para apoiar o membro em estresse, mas
o problema continua, o principal in p u t do terapeuta pode se dirig ir para a interação
daquele membro com o agente estressante. ^ ^ a ^ j l i i K n S i ^ fOii;capaz de realizar
mudanças adaptatiyas, seu principal in p u t pode ser ditigido^para ela. ■/
Por exemplo, se uma criança está tendo dificuldades na escola, o problema
pode estar basicamente relacionado com esta. Se a avaliação do terapeuta indica que
a fam ília está apoiando adequadamente o filh o , suas intervenções importantes serão
dirigidas para a criança no contexto escolar. Pode agir como o advogado para a mes
ma, arranjando uma transferência ou uma tutoria. Mas se os problemas da criança
na escola parecem ser uma expressão de problemas familiares, as principais interven
ções do terapeuta se dirigirão para a fam ília. Ambos os tipos de intervenção podem
ser freqüentemente necessários.
Contato estressante .do toda a fam ília com forças extrafamiliares. Um sistema
fam ilia r pode ser sobrecarregado pelos efeitos de urna depressão econômica. Ou o
estresse pode ser gerado por uma modificação de situação, causada por uma trans
ferência ou uma substituição de cidade. Os mecanismos de competição da fam ília
são particularmente ameaçados pela pobreza e pela discriminação. Por exemplo,
uma fam ília pobre pode estar em contato com tantas agências societárias que seus
mecanismos de competição se tornam sobrecarregados. Ou uma fam ília po rtorri-
quenha pode ter problemas em se adaptar à cultura do continente.
A qui, novamente, as intervenções do terapeuta serão orientadas por sua ava
liação da família. Se ele analisa a organização fam iliar e determina que é basicamen
te viável, mas está sobrecarregada, pode agir como pau-para-toda-obra. * Pode ensi
nar a fam ília a como m anipular as instituições para seu proveito próprio. Ou pode
trabalhar para coordenar os esforços das agências vis-à-vis à fam ília. Com uma fa
m ília portorriquenha, sobrecarregada por uma modificação de situação, o terapeuta
da fam ília faria bem, localizando os recursos portorriquenhos na comunidade — a
igreja, as escolas com grande admissão de portorriquenhos, pais portorriquenhos
ativos na associação de pais e professores ou as agências sociais e civis dedicadas a
assistir„este grupo étnico. Suas funções como terapeuta da fam ília serão com ple
mentadas por suas ações com o um consertador social de casamentos*
k muitas fases na própria
evolução natural da farinílià que exigem a negociação de riovas regras familiares. No
vos subsistemas devem aparecer e novas linhas de diferenciação devem ser delinea
das. Neste processo, surgem inevitavelmente conflitos. De forma ideal, os conflitos
serão resolvidos por negociações de transição e a fam ília se adaptará com sucesso.
67
Estes conflitos oferecem uma oportunidade para o crescimento de todos os mem
bros da fam ília. Todavia, se tais conflitos não são resolvidos, os problemas transi-
cionais podem dar origem a problemas adicionais.
Os problemas de transição podem ocorrer em certo número de situações. Po
dem ser produzidos po r mudanças evolutivas em membros da fam ília e por mudan
ças na composição fam ilia r. Um dos precipitantes mais comuns é a emergência de
um filh o na adolescência. Nessa época, a participação dele no mundo extrafam iliar
e seu status nesse m undo aumentam. A relaçãoentre o filh o e os pais é perturbada.
O adolescente deve se afastar, um pouco do subsistema fraternal e lhe ser dado um
. aüm éntojde autonom ia e responsabilidade, apropriado à sua idade. As transações
'■'do subsistema parental com ele devem mudar de pais-criança para pais-jovem adul
to. 0 resultado será uma adaptação bem sucedida (Fig. 9).
Todavia, a mãe pode resistir a qualquer mudança em sua relação com o ado
lescente, porque requereria uma mudança em sua relação com seu marido. Pode
atacar o adolescente e solapar sua autonomia, ao invés de m udar sua própria atitu
de. Se o pai, então, entra no co n flito , ao lado do filh o , é form ada uma coalizão
transgeracional inadequada (Fig. 10). A situação pode se generalizar, até que toda a
fa m ília se envolve no c o n flito . Se não há mudança fam iliar, aparecerá uma confi
guração disfuncional, que será repetida cada vez que ocorre um co n flito .
^.o à rid ò uma: fa m ília absorve um novo membro, esse, novo m em bro deve se
m odificado-para incluí-lo.
v4xÍste!AMn[}g';t^^ ^ |a . - ^ |:ajfmantá^-;o^,velb.QS..-padrões, que estabelece um estresse
sobre,;o novo memoro é pòdd leva-io- a/incrementar suas exigências. Os tipos de au
mentos de membros, que podem produzir estresse durante o período de adaptação,
são: o nascimento de uma criança, o casamento de um membro da fa m ília ampla, a
fusão de duas fam ílias através do casamento de pais ou a inclusão de um parente,
um amigo ou de uma criança adotada.
Os estresses também são produzidos pela adaptação a uma diminuição^dos
membros numa fam ília, causada por circunstâncias tais com o a m o rte de um mem-
68
h ro da fam ília, separação ou divórcio, encarceiramento, institucionalização ou afas-
tamento do filh o por causa da escola. Por exemplo, quando um casal se separa, de
vem se desenvolver novos subsistemas e linhas de diferenciação. A unidade dos dois
pais e filhos agora deve se tornar uma unidade de um dos pais e os filhos, com ex
clusão do outro.
As famílias freqüentemente entram em terapia, porque as negociações que le
vam a uma transição bem sucedida foram bloqueadas. U ^iá fartiília, que tem problé-
mas em torno de uma transição recente é mais fácil de ser ajudada do que uma fa
m ília que bloqueou as negociações adaptativas durante um longo período.
Estresses em torno de problemas idiossincrásicoí. Um terapeuta de fam ília de
ve levar em conta todas as circunstâncias e estar consciente da possibilidade de pa
drões transacionais disfuncionais, que aparecem em torno de áreas idiossincrásicas
de estresse fam iliar. Por exemplo, uma fam ília com um filh o retardado pode ter si
do capaz de se adaptar aos problemas colocados, quando a criança era pequena.
Mas a realidade do retardamento, que os pais eram capazes de evitar, enquanto a
criança era pequena, deve ser enfrentada à medida que cresce e a disparidade de de
senvolvimento entre ela e seus iguais se torna mais evidente.
0 mesmo incremento de estresse pode ocorrer quando uma criança com uma
incapacidade física, tal como um lábio leporino, fica mais velha. A fam ília pode ter
sido capaz de se adaptar às necessidades da criança enquanto era pequena, mas à
medida que ela cresce e experiencia dificuldades na interação com um grupo extra-
fam iliarde iguais, que não a aceita, este estresse pode sobrecarregar o sistema fam iliar.
Problemas idiossincrásicos transitórios também podem sobrecarregar os meca
nismos de competição. Se um membro da fam ília se torna seriamente doente, aU
gumas de suas funções e poderes devem ser distribuídos para outros membros.
Quando o mgmb.ro doçnte se recupera, se torna necessária uma readaptação para
incluí-lo em sua antiga posiçãj ou ajLidá^lo a assumir uma nova posição no sistema.
—------Etn resumo, o^squem a conceituai de uma fam ília normal tem~?rês fa c e ta i
P i^ e tift.y j^ ;fá q ^ ^ tem pg^ a d a p tando e se reestrutú-
' ràrtEjoT de r o in i im l ã ^ o ã tir iu ã k liS ic io Q a ^ gue tem estado funcic£
nándo eficazmente, pode, não obstante, responder a estresses de desenvolvimentõ,
aderindcunasjequâdamente a esquemas estruturais prévios.*
f Segundai á>.família tem uma estrutura. que-oodajs&iLiüiSfimda sonr:ente_gm
movímento?£>ão preferidos certos padrões, que são suficientes ém resposta às exi
gências costumeiras. Mas a f órcà.devum^jistemaidépende de sua capacidade de mo-,
bilizar padrões tr.ansacionais.’alterhativos.idiià^o-(:ó^Íc;õés^^^Tfilêtri^síoüyekreml^à
fam ília exigem a sua reestruturação. As fronteiras dos subsistemas d evéitvsèí firmes.
ainda que suficientemente flex íveis p a r^ p^rm lt.ir.j^fifüsggsisão, q<i&nrin.as.r.icr,ur3S;
tânçia.s..muBâD?,-
Finalmente, uma fam ília sè adaola-aüXSAr£sse^a_uma.ma
a continufaâdé fam iliar émbórÊÍTô'riYãHdQ"bõssWèr^à
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rèestrútüracãCL Se uma fam í-
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lia responde ao estresàe cofífrigiaez, ocorrem padrões disfuncionais. Estes podem
eventualmente levar a fam ília à terapia.
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