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Ensaio de Tração: Métodos e Normas

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Unidade Acadêmica do

Cabo de Santo Agostinho

Ensaios Mecânicos

Ensaio de Tração
ENSAIO DE TRAÇÃO

Leonardo Da Vinci (1452-1519)

Testar as propriedades
dos fios de ouro que
laminava: a
probabilidade de um
arame metálico
apresentar trincas era
diretamente
proporcional ao seu
comprimento

Esquema do ensaio de tração idealizado por Leonardo Da Vinci


ENSAIO DE TRAÇÃO

Galileu Galilei (1564 -1642)

A resistência à tração de
uma barra era
proporcional à área da
secção transversal e
independente do
comprimento: “Discorsi
e Dimostrazioni
Matematiche intorno à
due nuove Scienze”
(1638).

Ilustração de Galileu para o ensaio de tração


ENSAIO DE TRAÇÃO

P. Van Musschenbroek (1692-1761)

Máquina de tração de Musschenbroek

“Physicae
Experimentales
et
Geometricae”,
publicado em
1729
Ensaio de Tração: Procedimentos
Normalizados
Os Ensaios Mecânicos podem ser realizados em:

Produtos acabados: os ensaios têm maior significado pois procuram simular


as condições de funcionamento do mesmo. Mas na prática isso nem sempre é
realizável;

Corpos de prova: Avalia a propriedades dos materiais independentemente


das estruturas em que serão utilizados. Estas propriedades (Ex. limite de
elasticidade, de resistência, alongamento, etc.) são afetadas pelo
comprimento do corpo de prova, pelo seu formato, pela velocidade de
aplicação da carga e pelas imprecisões do método de análise dos resultados
do ensaio.

Para padronizar: Utilizam-se as NORMAS


Mesmo recorrendo às Normas, na fase de projeto das estruturas utiliza-se um
fator multiplicativo chamado coeficiente de segurança, o qual leva em
consideração as incertezas (provenientes da determinação das propriedades
dos materiais e das teorias de cálculos das estruturas).

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas


ASTM - American Society for Testing and Materials
DIN - Deutsches Institut für Normung
AFNOR - Association Française de Normalisation
BSI - British Standards Institution
ASME - American Society of Mechanical Engineer
ISO - International Organization for Standardization
JIS - Japanese Industrial Standards
SAE - Society of Automotive Engineers
COPANT - Comissão Panamericana de Normas Técnicas
Normas industriais.
Cisalhamento

Uma tensão cisalhante causa uma deformação


cisalhante, de forma análoga a uma tração.

Tensão cisalhante

Deformação cisalhante

Módulo de cisalhamento G
Coeficiente de Poisson

Quando ocorre elongamento ao longo de uma direção, ocorre


contração no plano perpendicular.
A Relação entre as deformações é dada pelo coeficiente de
Poisson ν.

O sinal negativo apenas indica que uma extensão gera uma


contração e vice-versa
Os valores de ν para diversos metais estão entre 0,25 e 0,35 (max
0,50)
Para a maioria dos metais G ≈ 0,4E
E = 2G(1+ν)

O coeficiente de Poisson (materiais isotrópicos) pode ser usado para estabelecer


uma relação entre o módulo de elasticidade e o módulo de cisalhamento de um
Equipamento para o ensaio de tração

O ensaio de tração geralmente é realizado na máquina universal, que tem este nome porque
se presta à realização de diversos tipos de ensaios.

A máquina de tração

É hidráulica ou eletromecânica,
e está ligada a um
dinamômetro ou célula de
carga que mede a força
aplicada ao corpo de prova;

Possui um registrador gráfico


que vai traçando o diagrama de
força e deformação, em papel
milimetrado, à medida em que
Máquina Universal de Ensaios: Tração, o ensaio é realizado.
Compressão.
ENSAIO DE TRAÇÃO
Corpos de prova

Possuem características especificadas de acordo com normas técnicas. Suas


dimensões devem ser adequadas à capacidade da máquina de ensaio;
Normalmente utilizam-se corpos de prova de seção circular ou de seção
retangular, dependendo da forma e tamanho do produto acabado do qual
foram retirados, como mostram as ilustrações a seguir.

A parte útil do corpo de prova,


identificada por Lo, é a região
onde são feitas as medidas
das propriedades mecânicas
do material.

As cabeças são as regiões


extremas, que servem para
fixar o corpo-de-prova à
Corpos de prova para o Ensaio de máquina de modo que a força
de tração atuante seja axial.
Tração.
Segundo a ABNT, o comprimento da parte útil dos corpos de prova utilizados
nos ensaios de tração deve corresponder a 5 vezes o diâmetro da seção da
parte útil;

Por acordo internacional, sempre que possível um corpo de prova deve ter 10
mm de diâmetro e 50 mm de comprimento inicial. Não sendo possível retirada
de um corpo de prova deste tipo, deve-se adotar um corpo com dimensões
proporcionais a essas (subsize). Dimensões padronizadas podem ser
encontradas nas normas como :

ASTM E8M;
DIN50125;
ASTM A 370;
ABNT NBR ISO 6892-1:2013
Sistemas de fixações mais comuns
(garras)
Em materiais soldados, podem ser retirados corpos de prova com a solda
no meio ou no sentido longitudinal da solda, como você pode observar na
figura a seguir. (Código ASME)

Retirada de corpo de prova em materiais


soldados.
Preparação do corpo de prova para o ensaio de tração

1. Identificar o material do corpo-de-prova. Corpos de prova podem ser


obtidos a partir da matéria-prima ou de partes específicas do
produto acabado;
2. Depois, deve-se medir o diâmetro do corpo de prova em dois pontos
no comprimento da parte útil, utilizando um micrômetro, e calcular a
média;
3. Por fim, deve-se riscar o corpo-de-prova, isto é, traçar as divisões
no comprimento útil. Uma possibilidade seria para um CP de 50 mm
de comprimento, as marcações serem feitas de 5 em 5 milímetros.

Corpo-de-prova preparado para o ensaio de


tração
Deformação Elástica
Características Principais:

A deformação elástica é resultado de um pequeno alongamento ou contração da célula


cristalina na direção da tensão (tração ou compressão) aplicada;

Deformação não é permanente, o que significa que quando a carga é liberada, a peça
retorna à sua forma original;

Processo no qual tensão e deformação são proporcionais (obedece a lei de Hooke) → σ=Eε
(lembra F=KX-Mola);

Gráfico da tensão x deformação resulta em uma relação linear. A inclinação deste segmento
corresponde ao módulo de elasticidade E
Comportamento σ x ε

Deformação elástica: é reversível, ou seja,


quando a carga é retirada, o material volta às
suas dimensões originais;

❖ átomos se movem, mas não ocupam novas


posições na rede cristalina;

❖ numa curva de σ x ε, a região elástica é a


parte linear inicial do gráfico.

Deformação plástica: é irreversível, ou seja,


quando a carga é retirada, o material não
recupera suas dimensões originais;

❖ átomos se deslocam para novas posições


em relação uns aos outros.
Módulo de Elasticidade (E)

σ=Eε

E = módulo de elasticidade ou Young


(GPa)
σ = tensão
(MPa)
ε = deformação (mm/mm)
Módulo de Elasticidade (E)
Principais características

Quanto maior o módulo, mais rígido será o material ou menor será a


deformação elástica;

➢ O módulo do aço (≈ 200 GPa) é cerca de 3 vezes maior que o


correspondente para as ligas de alumínio (≈ 70 GPa), ou seja, quanto
maior o módulo de elasticidade, menor a deformação elástica
resultante.

➢ O módulo de elasticidade corresponde a rigidez ou uma resistência


do material à deformação elástica.

➢ O módulo de elasticidade está ligado diretamente com as forças das


ligações interatômicas.
Módulo de Elasticidade – Aço vs.
Alumínio
Comportamento não-linear

Alguns metais como


ferro fundido cinzento,
o concreto e muitos
polímeros apresentam
um comportamento
não linear na parte
elástica da curva
tensão x deformação
Módulo de Elasticidade

O módulo de elasticidade é
dependente da temperatura;

Quanto maior a temperatura o


E tende a diminuir.
Deformação Plástica

Para a maioria dos materiais metálicos, o regime elástico persiste apenas


até deformações de aproximadamente 0,2 a 0,5%.

À medida que o material é deformado além, desse ponto, a tensão não é


mais proporcional à deformação (lei de Hooke) e ocorre uma deformação
permanente não recuperável denominada de deformação plástica;

A deformação plástica corresponde à quebra de ligações com os átomos


vizinhos originais e em seguida formação de novas ligações (linhas de
discordâncias);

A deformação plástica ocorre mediante um processo de escorregamento


(cisalhamento) , que envolve o movimento de discordâncias.
Limite de proporcionalidade
e Tensão limite de
escoamento
O limite de proporcionalidade pode ser
determinado como o ponto onde ocorre o
afastamento da linearidade na curva tensão –
deformação (ponto P).

A posição deste ponto pode não ser determinada


com precisão. Por consequência foi adotada uma
convenção: é construída uma linha paralela à
região elástica a partir de uma pré-deformação de
0,002 ou 0,2%.

A intersecção desta linha com a curva tensão –


deformação é a tensão limite de escoamento
(σy )
DIAGRAMA TENSÃO x DEFORMAÇÃO
Escoamento

No início da fase plástica


ocorre um fenômeno
chamado escoamento. O
escoamento caracteriza-se
por uma deformação
permanente do material
sem que haja aumento de
carga, mas com aumento
da velocidade de
deformação. Durante o
escoamento a carga oscila
entre valores muito
próximos uns dos outros.
Limite de resistência

Após o escoamento ocorre o


encruamento, que é um
endurecimento causado pela
quebra dos grãos que
compõem o material quando
deformados a frio. O material
resiste cada vez mais à tração
externa, exigindo uma tensão
cada vez maior para se
deformar. Nessa fase, a tensão
recomeça a subir, até atingir
um valor máximo num ponto
chamado de limite de
resistência.
Limite de ruptura

Continuando a tração,
chega-se à ruptura do
material, que ocorre num
ponto chamado limite de
ruptura. Note que a
tensão no limite de
ruptura é menor que no
limite de resistência,
devido à diminuição da
área que ocorre no corpo
de prova depois que se
atinge a carga máxima.
Estricção /
Empescoçamento

É a redução percentual da
área da seção transversal do
corpo de prova na região onde
vai se localizar a ruptura. A
estricção determina a
ductilidade do material.
Quanto maior for a
porcentagem de estricção,
mais dúctil será o material.
Ductilidade

Definição: é uma medida da extensão da deformação que ocorre até a


fratura
Medidas de ductilidade no ensaio de tração

▪ Alongamento percentual %AL = 100 x (Lf – L0 )/L0

- onde Lf é o alongamento do CP na fratura


- uma fração substancial da deformação se concentra na estricção, o que
faz com que %AL dependa do comprimento do corpo de prova. Assim o
valor de L0 deve ser citado.

▪ Redução de área percentual %RA = 100 x(A0 - Af )/ A0


- onde A0 e Af se referem à área da seção reta original e na fratura.
Independente de A0 e L0 e em geral é de AL%
Módulo de Tenacidade

Capacidade um material
absorver energia até a
fratura; Pode ser
determinada a partir da
curva σ x ε. Ela é a área sob
a curva; Para que um
material seja tenaz, deve
apresentar certa resistência
e ductilidade. Materiais
dúcteis são mais tenazes
que os frágeis.
Materiais Dúcteis Materiais Frágeis
Módulo de Resiliência

Definição: Capacidade de um material absorver


energia sob tração quando ele é deformado
elasticamente e devolvê-la quando relaxado
(recuperar). Para aços carbono varia de 35 a
120 MJ/m3 O módulo de resiliência é dado pela
área da curva tensão-deformação até o
escoamento ou através da fórmula:
Encruamento

▪ A partir da região de
escoamento, o material entra
no campo de deformações
permanentes, onde ocorre
endurecimento por trabalho a
frio (encruamento);

▪ Resulta em função da
interação entre discordâncias e
das suas interações com
obstáculos como solutos e
contornos de grãos. É preciso
uma energia cada vez maior
para que ocorra essa
movimentação

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