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Camoes 10 Ano

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Rs14 Matos A Sá
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Influências da lírica camoniana:

lírica tradicional e a inspiração clássica


Formas poéticas da lírica tradicional: Composições em
medida velha
(géneros da tradição peninsular)
Vilancete: - mote de 2-3 versos e voltas de 7 versos

- o último verso repete, com ou sem variante, o verso final do mote

Cantiga: - mote de 4-5 versos e voltas de 9-10 versos

- o último verso do mote é repetido, total ou parcialmente, no fim de


cada volta

Temáticas da lírica tradicional


Temas e tópicos tradicionais e populares: a ida da donzela à fonte; a
Natureza; a beleza da mulher; o amor (tema central); a saudade

Episódios banais e assuntos de circunstância: num ambiente


cortesão, com uma reação humorística ou satírica por parte do poeta

Grandes temas da poesia camoniana: «Os bons vi sempre passar»;


«Vós sois ua dama»

O poema «Descalça vai para a fonte» destaca:

 a ida da figura feminina à fonte – cena do quotidiano e cenário


rural/natural, que, por ser um local afastado, é propício aos
encontros amorosos entre a donzela e o amigo;
 descrição da figura feminina como uma bela donzela.

No poema «Verdes são os campos», o sujeito poético dirige-se ao campo


e aos animais para confidenciar o amor que sente pela amada, num
diálogo que lembra também as cantigas de amigo, em que a Natureza
tem o papel de confidente, surgindo personificada, escutava os lamentos
e as súplicas da donzela.

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Camões cultivou temas satíricos, conforme a tradição poética peninsular.

Em textos sobre episódios banais e assuntos de circunstância, o poeta


recorre à sátira ou ao humor para responder a comportamentos ou
comentários que remetem para um ambiente cortesão.
Grandes temas da lírica camoniana
 O desconcerto do mundo
 O amor impossível
 As desilusões de uma existência passada

Formas da poesia de inspiração clássico


Verso decassílabo - medida nova (renascimento)

Soneto: Género lírico apropriado à reflexão sobre uma ideia

 14 versos decassílabos
 Duas quadras e dois tercetos
 Esquema rimático abba/abba nas quadras e cde/cde nos tercetos
 Concluído com «chve de ouro» (conclusão)

Temáticas da poesia de inspiração clássica


Representação da amada: por influência petrarquista, surge a imagem
de uma mulher:

 angélica, um ser divino, de pele e cabelos claros, elementos físicos


reveladores das qualidades da alma;
 com um poder transformador da Natureza e do Homem;

do contacto com outras culturas, nasce um novo conceito de beleza


feminina, distante do de Petrarca (pele e cabelos escuros) capaz de
provocar fascínio e tranquilidade no amador.

Representação da Natureza:

 espaço alegre, tranquilo, sereno, propício ao amor (locus amoenus);


 espelho da alma do poeta, refletindo os seus sentimentos;
 confidente, testemunha da dor provocada pela ausência/separação
da amada;
 espaço onde o "eu" pode projetar os seus sentimentos negativos.

Experiência amorosa e reflexão sobre o amor

 poeta dividido entre a fascinação do amor espiritual e a atração de


um amor carnal, entre a mulher que admira e a que deseja;
 à luz do petrarquismo, a ausência da mulher amada é ocasião de
purificação amorosa; no entanto, por vezes, essa situação origina
sofrimento, saudade e ânsia de reencontro físico;
 o poder transformador do amor e os seus efeitos contraditórios.
Reflexão sobre a vida pessoal

 o poeta reflete sobre: − o Destino (que nunca lhe foi favorável); −


os erros que cometeu; − o amor (fracassado).

Tema do desconcerto

reflexão sobre o desconcerto do mundo, ao nível social e moral. Assim,


este resulta:

 da errada distribuição dos prémios e dos castigos (os maus são


galardoados, os bons severamente castigados);
 dos contrastes entre a «opulência» e a «miséria»;
 do crescente interesse dos homens por valores materiais.

Tema da mudança

 consciente da irreversibilidade do tempo, o poeta reflete sobre: − a


renovação cíclica da Natureza; − a mudança da vida e das coisas.

A representação da amada na lírica de


Camões
A representação da Natureza na lírica
de Camões
 Paisagem bela, amena, alegre, verdejante e colorida
 Propícia ao amor e à harmonia (recriação do paraíso)
 Realça a beleza da figura feminina
 Dependente das qualidades da figura feminina que são exaltadas
 Personificada – quando é espaço de diálogo, confidente do eu (como
nas cantigas de amigo)
 Espaço de projeção subjetiva do eu lírico (reflexo do seu estado de
alma)
 Também pode surgir em confronto com o distúrbio provocado pela
ausência da amada – introdução de laivos de sofrimento e de
nostalgia no tópico do locus amoenus (expressão latina que significa
“lugar ameno”)

Vilancete «Se Helena apartar»


 Natureza aprazível e harmoniosa, de acordo com o tópico do locus
amoenus: campos verdes e com flores, animais que pastam, ventos
serenos, fontes com água límpida.
 Dependente do poder transformador dos olhos de Helena.
 Espelho da beleza e da serenidade da figura feminina.
Cantiga «Verdes são os campos»
 Paisagem amena, verdejante, colorida, mágica, de acordo com o
tópico do locus amoenus.
 Propícia ao amor e à harmonia
 Natureza como confidente: o eu dirige-se ao campo e aos animais
para confidenciar o amor que sente pela amada
 Dependente das qualidades femininas exaltadas (olhos verdes /
campos verdes)
 Projeção da amada nos campo: as ervas verdes espelham a beleza
dos seus olhos verdes – «isso que comeis / […] são graças dos olhos
/ do meu coração.»
 Natureza aprazível e harmoniosa, de acordo com o tópico do locus
amoenus: ambiente aprazível, verdejante, fresco e sereno, um
espaço harmonioso onde reina a felicidade
 Em contraponto com o estado de espírito do eu: a sua beleza
intensifica os efeitos da saudade da amada no sujeito poético e
provoca-lhe sofrimento – «Sem ti, tudo m’ enoja e m’ avorrece; /
sem ti, perpètuamente estou passando / nas mores alegrias, mor
tristeza.»

A experiência amorosa e a reflexão


sobre o amor
A experiência amorosa:
A reflexão amorosa:
Amor sensual
 Marcado pelo desejo e pelo prazer, associado aos impulsos terrenos
e ao mundo dos sentidos.
 Modelo: Vénus / figura sensual, com existência corpórea
 Descrição da beleza sensual e da delicadeza da figura feminina.
 Sentimento de culpa e conflito interior, provocado pelo desejo e
pela ânsia de prazer (colisão com os valores sociais e religiosos e
com a aspiração ao amor espiritual)

Amor espiritual
 Amor idealizado, influenciado pelo petrarquismo e pelo platonismo
(a ideia
de que o amor perfeito apenas pode ser alcançado numa realidade
superior); limita-se à contemplação e à adoração da amada.
 Modelo: Laura de Petrarca / figura angelical, inatingível, com pele,
cabelo e olhos claros (exemplo de perfeição física, psicológica /
moral e espiritual).
 Sublimação do amor – a renúncia ao desejo e a contemplação e
adoração da figura divina permitem ao eu uma elevação espiritual e
moral.

Essa transformação exige a renúncia ao gozo sensual e a ausência do ser


amado: uma disciplina ascética que leva o eu ao êxtase de natureza
mística. A imagem do fogo é metáfora de um desejo exaltado que purifica.
O amor torna-se um modo de conhecimento. Amar é um processo de
aperfeiçoamento intelectual, uma via para a quietude […].
A experiência amorosa e a reflexão sobre o amor –
exemplos
Soneto «Amor é um fogo que arde sem se ver»
 A dificuldade em definir o amor
 Os efeitos intensos, mas contraditórios, do amor

Soneto «Tanto de meu estado me acho incerto»


 A tensão e o permanente conflito interior em que o eu se encontra,
devido à intensidade dos seus sentimentos e às reações opostas
que originam.

Soneto «Busque Amor novas artes, novo engenho»


 A incapacidade de fugir ao sofrimento, mesmo renunciando à
esperança no amor

Soneto «Transforma-se o amador na cousa amada»


 A sublimação do sentimento amoroso

Soneto «Alma minha gentil que te partiste»


 A morte da mulher amada e a saudade

Soneto «Aquela triste e leda madrugada»


 A saudade provocada pela partida da mulher amada
O desconcerto do mundo na lírica de
Camões

O mundo às avessas:
Desconcerto exterior: dissonância, na sociedade, entre os
comportamentos/princípios éticos e morais e os resultados – os homens
bons não são premiados, e os maus têm sucesso (a realidade é contrária
à lógica do bem e das virtudes)

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