0% acharam este documento útil (0 voto)
40 visualizações22 páginas

Filosofia Política

Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOC, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
40 visualizações22 páginas

Filosofia Política

Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOC, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UM OLHAR SOBRE A FILOSOFIA POLÍTICA

“O homem que é incapaz ou que não sente


necessidade de ser membro de uma comunidade, só pode ser um bruto(um animal) ou um deus.”

Aristóteles

Introdução
O homem é um animal essencialmente político e sociável, como já havia observdo
Aristóteles sua obra Política.
E o problema político relativo à origem e a funda do Estado(polis), à sua organização, à
sua melhor forma, à sua função e o seu fim específico, à natureza da acção política e suas
realações com a acção moral, as relações entre Estados e indivíduos, entre Estado e Igreja, entre
Estado e partidos.
Este problema tão vasto e complexo, foi estudado em seus diferentes aspectos, quando
solicitado pelas instâncias históricas.
A história recente dos povos tem demonstrado um mundo crescente interdependência.
Dai um resultado uma intensificação das relações políticas, económicas e culturais. A aldeia
global a que se faz frequentemente referencia do sentido de salientar o fenómeno da crescente
relação entre os países e suas populações, e um exemplo largamente utilizado de resultado da
aproximação das culturas.
Neste percurso queremos aprender o significado de conceitos, entender a informação e
reflectir sobre o mundo que nos cerca e, sem dúvida, o mais dos objectivos da Educação, e
consequentemente, desta disciplina. Julgamos neste nível de ensino, ser oportuno e fundamental
que os alunos os seus conhecimentos sobre conceitos como Política, Democracia, Povo,
Território, Nação, Pátria, Regime político, Ditadura, etc, e por conotação dessas realidades dotá-
lo de conhecimentos mais profundos sobre questões atinentes as actividades do Estado que
assentam na seguinte tríade: segurança, justiça e bem estar social.
É também de interesse do nosso programa para esta classe, compreender e fazer entender,
os temas a seguir: A concórdia, significado e dimensão da paz em Angola, e distintos acordos que
foram realizados em prol da estabilidade nacional. Mas antes queremos fazer uma passagem à
questão sobre a concórdia e consequentemente, fazer um rescaldo sobre o sistema político de
Angola.
Assim foram selecionados conteúdos capazes de proporcionar conhecimentos
também sobre a organização do Estado angolano, sobre a importância das liberdades do cidadão,
seus direitos e deveres e necessidade do respeito pelas suas instituições, incluindo o processo
desenvolvimento político de Angola.
E, em se tratar de Filosofia, fazer uma análise no que concerne aos critérios adoptados sobre
determinadas políticas.

8.1 ORIGEM DA CIÊNCIA POLÍTICA.


Ciência política, disciplina cujo objectivo é o estudo sistemático do governo em seu sentido
mais amplo. Preocupa-se com a origem dos regimes políticos, suas estruturas, funções e
instituições, as formas que os governos identificam e resolvem problemas socio-económicos e as
interações entre grupos e indivíduos importantes no estabelecimento, manutenção e mudança dos
governos.
Aristóteles foi o precursor da ciência política. Seu tratado política sobre os diferentes
regimes, anticipou o grande esforço que implica classificar as formas do Estado.
Ao longo dos séculos, muitos autores escreveram sobre essa ciência: Platão, Cícero, Santo
Agostinho, São Tomás de Aquino, Nicolau Maquiavel,Thomas Hobbes, John Locke, Jean-
Jacques Rousseau, o barão de Montesquieu, Immanuel Kant, G. W. F. Hegel, Friedrich
Wilhelm Nietzsche e Karl Marx.

Quase todos se decidiram à forma em que uma sociedade pode gerar as condições necessárias
para o bem-estar de todos os seus cidadãos. Esses trabalhos não perderam a qualidade,
principalmente porque ultrapassam o conforto material e discutem também valores superiores
como a justiça, a liberdade e o desenvolvimento das qualidades humanas.

Pitagóras ( 490-420). Opinava que todos os cidadãos deviam participar na vida política e ter o
direito de decidir os assuntos do Estado.

Platão (427-347). Era da ideia contrária. Para ele o Estado ideal era aquele que seria
governado pelos intelectuais, os filósofos, os sábios. O pior governo era que estava nas mãos do
povo.
A preocupação pelo estudo da ciência política remonta na antiguidade. É na antiga
Grécia , onde o conhecimento das “ coisa pública” toma corpo. A história, a filosofia, a
economia, a religião, a moral, faziam parte da ciência política. Os testemunhos mais antigos são
do século IX a. c. Porém as primeiras tentativas da explicação sistemática e cientifica, bem,
como uma primeira elaboração das concepções políticas, são comumente fixadas no século VI
aC.
No século V os sofistas, entre eles Pitágoras, falam mais directamente dos problemas
polí[Link] os pensadores mais influentes no pensamento político foram Sócrates e Demócrito.
Lamentavelmente nem todos os historiadores e teóricos da ciência política deixaram dados
escritos.“ A lei consiste em obedecer mesmo a vontade de um só”, escreveu Heráclito de Éfeso.
Heródoto de Alicarnaso, (484-425 a.C), historiador grego, conhecido como o pai da
história, viajou pela Ásia Menor, Babilónia, Egipto e Grécia, o que lhe proporcionou valiosos
conhecimentos.
Sua obra Histórias é o primeiro trabalho histórico importante. Fez uma análise sumária de
melhor forma de Constituição e de Governo, e escreveu: “
Penso que não será somente mandar o dever do magistrado; mas eles que obtém os seus cargos
por sorteio, tem a obrigação de prestar contas, e todas as decisões devem ser tomadas em
comum” .
“A virtude da justiça consiste em não transgredir nenhuma das leis do Estado de que se é
cidadão” Antifonte.
Demócrito (c. 460 a.C.-370.), filosofo grego, aconselha aos homens a participar na
política que à qual chama de “arte mais elevada”. “Quem comete uma injustiça é mais infeliz do
que aquele que a sofre “. E ainda: “ O objectivo da lei é colher benefícios necessários para a
existência dos homens; mas pode apenas colhê-los quando os próprios homens queiram adaptar-
se às condições que lhes propiciam esses benefícios, e com efeito, a lei monstra a própria
eficácia àqueles que aceitam obedecer-lhe”.
Mas a ciência política avança mais com tríade
ARISTÓTELES-PLATÃO-SOCRATES.
Sócrates(470-399 a.C.), filósofo grego. Foi o fundador da filosofia moral, ou axiologia.
Nascido em Atenas, familiarizou-se com a retórica e a dialéctica dos sofistas, pensadores
profissionais que combateu com veemência. Ao contrário dos sofistas, que cobravam para
ensinar, Sócrates passou grande parte de sua vida provocando discussões em que ajudava o
interlocutor a descobrir as próprias verdades, num método que ficou conhecido como maiêutica.
Platão (428- 347 a.C), filósofo grego. Um dos pensadores mais criativos e influentes da
filosofia ocidental. Discípulo de Sócrates, aceitou sua filosofia e sua forma dialéctica de debate.
No ano de 387 a.C., fundou em Atenas a Academia que Aristóteles frequentaria como aluno.
Platão entendia a politica como a arte de governar persuadindo os homens.
Aristóteles( 384-322 a.C), filosofo e cientista grego. Estudou em Atenas, na academia de
Platão. Foi tutor de Alexandre III o Grande. Em Atenas inaugurou o Liceu, que chegou a ser
conhecido como escola peripatética. No seu livro « A política » examina os elementos que
compõem a cidade ( « polis »), nomeadamente a família, o território, a população e, sobre tudo
o governo.
Aristóteles dizia o seguinte acerca do estado: Sem a virtude o homem é o animal mais
cruel e mais selvagem, propenso da pior maneira aos prazeres sensuais e a gula. A justiça é o
elemento e condição da sociedade civil, porque o direito e norma da convivência civil e a sua
prática consiste na decisão daquilo que é justo». Ele analisou os regimes políticos segundo a sua
estrutura e eficácia bem como em função de seu processo de formação, desenvolvimento e
extensão .

ROMA: pese embora ter-se destacado menos que a Grécia na historia e no pensamento político,
gerou alguns sábios que se notabilizaram na politica. Destacam-se Políbio e Cícero.

Políbio ( 203-120; a.c.), historiador grego. Foi um dos 1000 aqueus nobres enviados a
Roma como reféns, depois da conquista da Macedónia. Foi tutor e amigo de publico Cornélio
Cipriano e seguiu-o em suas campanhas. Escreveu Historias, que cobre o período entre 220 e 146
a.c. Como historiador, não apenas procurou enumerar fatos e acontecimentos, mas descobrir as
causas subjacentes.
Cícero, Marco Túlio (106-43 a.c), escritor, politico e orador romano. Embora sua carreira
política tenha sido notável, Cícero é especialmente conhecido como o orador mais eloquente de
Roma e homem de letras.

Na Idade Media a política foi iluminada pela doutrina cristã, destacando-se dois grandes
luminárias: Santo Agostinho e São Tomás.

O Cristianismo introduz ao pensamento e a sociedade ocidental outras


verdades desconhecidas

 O amor ao próximo por a cima de todas as barreiras possíveis.

 Valorização da dignidade da mulher.

 Anulação dos privilégios e diferenças

 Uma nova proposta moral.

 Sentido de pertença a uma comunidade dos crentes.

 Uma ideia de Deus que escandaliza pela sua humanidade , a sua incarnação e a sua
preocupação pelos homens.

Agostinho de Hipona, Santo (354- 430), padre e um dos eminentes doutores da Igreja
Católica Ocidental. Filho de Santa Mónica, nasceu em Tagaste, Numídia (hojeSouk-Ahras,
Argélia). Inspirado no tratado filosófico, Hortensius, de Cícero, converteu-se em ardoroso
pesquisador da verdade, dizia que o poder como instrumento regulamentar da comunidade nunca
deve ser assumido como propriedade pessoal. Para ele, a missão do poder e fazer reinar a
justiça.

Maquiavel, Nicolau (1469- 1527), historiador e filosofo politico italiano, cujos escritos
sobre habilidade politica, amorais porem influentes, tornaram seu nome um sinonimo de astúcia.
Nascido em Florença no dia 3 de Maio de [Link] escreveu várias obras que fizeram
furor na ciência Política, destacando-se O Príncipe e Historia de Florença, onde fornece normas
e preceitos inerentes a arte de governar.

More, Thomas ( 1478- 1535), político e escritor inglês, conhecido por sua postura
religiosa contraria a do rei Henrique VIII, o que lhe custou a vida. Em 1518, chegou a ser
membro do conselho Privado do rei, que o transformou em um de seus favoritos. Entretanto, sua
sorte mudou quando não apoiou a petição de Henrique VIII para divorciar-se de Catarina de
Aragão. As convicçõesreligiosas de More fizeram que se negasse a concordar com qualquer tipo
de desafio a verdade e a moral e, diante disso, se retirou da vida publica. Mas Henrique VIII o
mandou prender em 1534, sendo julgado no ano seguinte. More reafirmou que parlamento não
tinha o direito de autorizar ao rei cometer adultério. Foi condenado e decapitado em 1535. Em
1935, foi canonizado pela Igreja Católica. E o autor de Utopia (1516). Tinha doutrinas
socializastes.
Hobbes, Thomas (1588-1679), filosofo e teórico político inglês. As polémicas teorias
mecanicistas e naturalistas de Thomas Hobbes provocaram desconfianças nos círculospolíticos e
eclesiásticos. Sua filosofia representa uma reação contra a liberdade de consciência
proporcionada pela reforma protestante. Hobbes estabeleceu as bases da sociologia cientifica
moderna. Sua politica e ética foram elaboradas a partir de uma base naturalista. Entre os muitos
argumentos que elaborou, há a afirmação de que as pessoas temem umas das outras e, por esta
razão deve submeter-se a supremacia absoluta do estado. Entre suas obras destacam-se De Cive
(1642) e Leviatã ou a essência, forma e poder de uma comunidade eclesiástica e civil ( 1651 ),
uma exposição vigorosa de sua doutrina da soberania. Soberania entendida como a capacidade de
decidir em ultima instancia. Ele concebia o poder como resultado de um contrato através do qual
os subtidos o delegam ao estado tendo em vista a harmonia dos interesses da sociedade.

Montesquieu, Charles- Louis de Secondat, Barão de (1689-1755), escritor e jurista


francês. Suas cartas persas (1721), Sátira da política de seu tempo, foi uma das primeiras obras
do movimento conhecido como ilustração. Considerações sobre as causas da grandeza romanos
e de sua decadências (1734) e uma das primeiras obras de peso na filosofia da historia. Sua obra-
prima O espírito das leis ( 1748), figura entre as primeiras obras de teoria política, na qual se
analisam as três principais formas de governa: republica monarquia e despotismo. Defendia
intransigentemente a divisão dos poderes em Legislativo, Executivo e Judicial, como via de o
limitar.

Rousseau, Jean-Jacques (1712 – 1778), filosofo francês, nascido em Genebra, Destacou-


se como teórico político e social, músico, botânico e importante escritor do século das luzes. O
espirito e as ideias de sua obra estão a meio caminho do Iluminismodo século XVIIIe do
romantismo de princípios do século XIX que propugnava a experiência subjectiva. Seu tratado
político “O Contrato Social” (1762), no qual expõe argumentos para a liberdade civil, ajudou a
preparar a base ideológica para a Revolução Francesa, Em “ Emílio” (1762), criou uma nova
teoria da educação.

Finalmente as ideias que revolucionaram o pensamentopolítico modernoforam


introduzidos por Marx, Engels e Lenine, porquanto a sua análise assenta no método diálectico
dos fenómenos sociais.

8.2 OBJECTIVO DO ESTUDO DA CIÊNCIA POLÍTICA

A ciência política é:

O estudo das manifestações, formas e regularidades dos factos políticos nacionais e


internacionais, procurando descobrir as suas causas e regularidades, por forma a estabelecer leis
que as [Link] o estudo dos factos políticos, constitui o objecto da Ciência Política,
factos que advém dos outros factos sociais que são o resultado da interacção dos homens nas
suas diferentes formas e manifestações.

O termo “política” tem a sua origem no vocábulo grego “polis”, que significa
“cidade”, região habitada, reunião de cidadãos. De aí nascem outras palavras gregas como:
“Politeia” que significa “direito do cidadão”, o seu modo de vida, constituição e administração
do Estado.

“Politikós” que significa “ coisa pública”, negócios públicos.

E em plural neutro “ politika”, significa a ciência ou arte do Estado.

Desta análise deduzimos que política, na sua origem etimológica, relaciona-se com a
vida dos homens em comum, de acordo com a estrutura essencial deste modo de vida que é a
constituição do Estado na actualidade e no passado da cidade.

8.3 O MÉTODO DO ESTUDO DA CIÊNCIA POLÍTICA

São três os métodos fundamentais:

Observação: consiste no estudo dos usos e costumes do funcionamento das instituições;

Histórico: consiste em comparar épocas diversas em condições semelhantes;

Comparativo: assenta no estudo dos mesmos fenómenos e das mesmas instituições em


diferentes épocas e determinar o que neles há em comum, constante e regular.

Política: ciência ou arte?

Há quem considera a política como “ uma ciência de governação dos Estados”,


enquanto que outros falam de que é “ Uma arte e prática de governaçaão das sociedades
humanas”. Uns e outros consideram a governação como o objecto da política. Não é
arbitrário considera-la arte ou ciência, enquanto que:

A ciência é um conjunto de regras de conhecimentos ordenados que traduzem a reliadade;

A arte é um conjunto de regras práticas, isto é, uma actividade desenvolvida para a conquista e a
manutenção do poder atráves de certos ideiais que se pretende fazer aceitar e realizar na
sociedade.

Entretanto podemos considerar a política ao mesmo tempo como ciência e como arte, porque a
arte de governar não pode dispensar os conhecimentos científicos.

A AUTORIDADE
“Como uma coisa é o Filósofo e outra é
a Filosofia, o filósofo tem o direito e o dever de submeter-se a uma autoridade que ele próprio
terá reconhecido como verdadeira, enquanto a filosofia não pode nem deve submeter-se a
nenhuma autoridade.”

A sociedade humana não estará bem constituida nem será fecunda, se a ela não presidir
uma autoridade legítima que salvaguarde as instituições e dedique o necessário trabalho e esforço ao
bem comum.
Chama-se autoridade àquela qualidade em virtude da qual pessoas e instituições dão leis e
ordens a homens e esperam obediência da parte deles.
Toda a comunidade humana tem necessidade de uma autoridade que a governe. A
autoridade tem o seu fundamento na natureza humana. Ela é necessária para a unidade da cidade. O
seu papel consiste em assegurar, quanto possivel, o bem comum da sociedade.
A autoridade exigida pela ordem moral emana de Deus: “Submeta-se cada qual às
autoridades constituidas pois não há autoridade que não tenha sido constituida por Deus e as que
existem foram estabelecidas por Ele. Quem resiste, pois, à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida
por Deus, e os que lhe resistem atraem sobre si a condeção” (Rm. 13, 1-2).
O Bem Comum
Em conformidade com a natureza social do homem, o bem de cada um está
necessariamente relacionado com o bem comum. E este não pode definir-se senão em referência à
pessoa humana
por bem comum deve compreender-se o conjunto das condições sociais que permitam,
tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir a sua perfeição, de modo mais completo
e adequado. O bem comum interessa à vida de todos. Exige prudência da parte de cada membro,
sobre tudo da parte de quem exerce autoridade. E inclui três elementos essenciais:
Supõe em primeiro lugar, o respeito da pessoa como tal. Em nome do bem comum, os
poderes públicos são obridados a respeitar os direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana.
De modo particular, o bem comum reside nas condições do exercício das liberdades naturais
indispensáveis à realização da vocação Humana.
(Ver Declaração Dos Direitos Humanos)
Em segundo lugar, o bem comum exige o bem estar social e o desenvolvimento da própria
sociedade. O desenvolvimento é o resumo de todos os deveres sociais. Sem dúvida, à autoridade
pertence arbitrar, em nome do bem comum, entre os diversos intereces particulares; mas deve
tornar acessível a cada qual, aquilo que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana:
alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação, cultura, informação conveniente, direito de
constituir família...
Final mente, o bem comum implica a Paz, quer dizer, a permanência e segurança duma ordem
justa.

Supõe, portanto, que a autoridade assegure, por meios honestos, a segurança da sociedade e dos
seus membros. O bem comum está na base do direito à legítima defesa, pessoal e colectiva.
Se cada comunidade possui um bem comum que lhe permite reconhecer-se como tal, é na
comunidade política que se encontra a sua realização mais completa. Pertence ao Estado
defender e promover o bem comum da sociedade civil, dos cidadãos e dos corpos intermédios.
O bem comum está sempre subordinado para o progresso das pessoas: a ordem das coisas deve
estar subordinada á ordem das pessoas, e não ao contrário. Esta ordem tem:
 Por base a verdade;
 Contrói-se na justiça;
 E é vivificado pelo amor.

8.4 RESPONSABILIDADE E PARTICIPAÇÃO


A participação é o empenho voluntário e generoso da pessoa nas permutas sociais. É
necessário que todos tomem parte, cada qual segundo o lugar que ocupa e o papel que
desempenha,na promoção do bem comum. Este é um dever inerente à dignidade da pessoa
humana.
A participação realiza-se, primeiro em encarregar-se alguém dos sectores de que assume a
responsabilidade pessoal: pelo cuidado posto na educação da família, pela consciência do seu
trabalho, o homem toma parte do bem do outro e da sociedade. Os cidadãos devem, tanto como
possível tomar parte activa na vida pública. As modalidades desta participação podem variar de
país para país ou de uma cultura para outra.
A participação de todos na promoção do bem comum implica, como qualquer dever ético,
uma conversão incessantemente renovada dos parceiros sociais. A fraúde e outros subterfúgios,
pelos quais alguns se esquivam às obrigações da lei e às prescrições do dever social, devem ser
firmemente condenados como incompativeis com as exigências de justiça.
Incumbe Àqueles que exercem o cargo de autoridade garantir os valores que atraem a
confiança dos membros do grupo e os incitam a colocar-se ao serviço dos semelhantes. A
participação começa pela educação e pela cultura. Pode-se legitimamente pensar que o futuro da
humanidade está nas mãos daqueles que souberem dar às gerações de amanhã razões de viver e
de esperar.
Os que exercem autoridade, devem exerce-la como quem presta um serviço. Ninguém
pode mandar o que for contrário à dignidade da pessoa e à lei natural. O exercício da autoridade
visa tornar manifesta uma justa hierarquia de valores, a fim de facilitar o exercício da liberdade e
da responsabilidade de todos.
8.5 A NAÇÃO ESTADO NÃO É ESTADO.
Habitualmente considera-se que o Estado é “ a nação juridicamente organizada”. Porém
Estado e Nação na sua conceição actual, são dos conceitos relacionaodos mas diferentes.
NAÇÃO: é um grupo humano cujos integrantes têm uma identidade comum. Esta
identidade se constrói porque os seus integrantes compartem estes três elementos:
 Um território que limites mais ou menos precisos;
 Uma história, com factos passados considerados significativos para a existência da
Nação, e entre os quais alguns que são acontecimentos fundamentais;
 Um conjunto de hábitos, práticas, crenças, valores, que formam uma cultura e que se
expressam através de uma língua comum.

Assim a nação é a comunidade de individuos determinada por dois modos:


OBS: Nação é um conceito sociológico, enquanto que Estado é um conceito político
Porque é uma forma de organização e regulação dos direitos dos individuos duma sociedade.
Esta organização implica uma forma de governo, leis que ordenam a vida ods cidadãos e
instituições encarregadas do seu cumprimento.

PODER POLÍTICO: poder, domínio, império, faculdade e jurisdição de que dispõe o


individuo para mandar ou executar; capacidade de impor a própria vontade sobre os outros. Em
Direito Cívil, pode-se falar de representação, de disposição e poder constituinte. No Direito
Constitucional são encontrados: o poder constituido, o poder legislativo, o poder executivo, o
poder judicial e o poder moderador.

 - É a faculdade que um povo tem de, por autoridade próprio;

 - Instituir órgãos que exerçam o senhorio de um território;

 - Criem e imponham as normas judiciais que devem vígorar no território;

 O poder é reconhecido em todas as sociedades, mesmo nas mais rudimentares:

 - Não há sociedade sem poder político;

 - Não poder sem hierarquia e

 - Sem relações desiguais instauradas entre os indivíduos e os grupos sociais.

Não confundir Poder e Soberania. Soberania é a independência política que corresponde a


sua plenitude, quer dizer, independência política a nível interno e externo. Em democracia, a
soberania é o poder político que o povo delega aos eleitos.

A soberania é:

O poder político supremo e independente que não está sujeito a nenhum outo nível interno, e

Que na arena externa está em pé de igualidade com poderes supremos de outros povos, bem
como a de no acatar leis internacionais que não sejam voluntariamente aceites.

A soberania de um Estado não depende da dimensão do seu território, do número da sua


população nem do seu regime social.

8.6 FINS E FUNÇÕES DO ESTADO: SEGURANÇA, JUSTIÇA, BEM-ESTAR


SOCIAL

Estado: é organização politica que exerce sua autoridade sobre um território


concrecto. A caracteristica fundamental do Estado moderno é a soberania, reconhecida tanto
dentro da própria nação como por parte dos demais estados.
Do ponto de vista internacional, um estado nasce quando um número expressivo o
reconhecem como tal. Na época moderna, a admissão nas Nações Unidas e em outros
organismos internacionais significa que atingiu a categoria de Estado. No plano nacional, o papel
do Estado é proporcionar um marco de lei e ordem no qual as pessoas viver de maneira
segura, e administrar todos os temas que considere de sua incumbência.

JURISDIÇÃO: função que o Estado assume, através dos juízes e tribunais, de ministrar a
justiça, aplicando o Direito aos casos concretos que lhes são apresentados. Neste sentido, fala-se
também de função jurisdicional e corresponde aos foros e tribunais determinados pelas leis.
Deve-se distinguir:

8.6.1 FUNÇÕES DO PODER LEGISLATIVO

Parlamento, Assembleia legislativa ou deliberativa. Seu significado inicial designava um


lugar no qual se falava. A palavra parlamento deriva do francês, parler(falar).

Na prática falar é apenas uma das funções que actualmente não está entre as mais
importantes. Variam também os termos a um parlamento: Congresso, Corpo Legislativo ou ainda
Assembleia, são os mais utilizados.

Acredita-se que o parlamento mais antigo seja o Althing, na Islândia, mas uma
interrupção no seu funcionamento no século XIX Faz crer que o que funciona a mais tempo sem
interrupção é o Tynwald da ilha de Man. Entre os mais antigos, estão o parlamento britânico, que
provavelmente é o mais influente no desenvolvimento das tradições do Estado parlamentar.

Os parlamentos modernos desenvolvem diversas funções. Além da ideia inicial dos debates, eles
se dedicam a à redação de leis, ao controlo do orçamento, representam de alguma forma a
população do país e influenciam na composição do governo. Muitos sistemas parlamentares são
constituidos mediante eleições legislativas.

8.6.2 FUNÇÃO EXECUTA DO ESTADO

Poder Executivo, divisão do governo que tem o papel de fazer cumprir a s leis. Diferente do
poder legislativo que promulga ou revoga leis, e do poder judiciário eque interpreta, faz respeitar
e ou invalida as mesmas.

A eli, norma geral a quem todos estão submetidos, é um acto emanado do poder legislativo e
sancionado pelo poder executivo.

8.6.3 FUNÇÕES DO PODER JUDIACIAL

Os tribunais: órgão encarregado pela lei de administrar justiça, distribuindo-a e mandando


executar o julgado. Num sentido geral, são tribunais não apenas estes órgãos, integrados no
poder judiciário, mas também outros situados no poder executivo ou na administração. Os
chamados tribunais económicos administravos, o tribunal de contas(encarregado de fiscalizar as
contas e a gestão do Estado), o tribunal da defesa da competência(que pretende no âmbito da
União Europeia, ordenar o livre mercado e estabelecer um regime de livre compentências no
mesmo).
Queremos aqui sublinhar a questão da justiça, pois no ponto de vista objectivo,
aristotélico e não só, a justiça visa harmonizar as relações intersubjectivas. E, segundo
Aristóteles, ela é vista em três perspectiva a que deve ser exercida: distributiva, comutativa e
correctiva.

E a justiça política própria do homem articulado em sociedade, tem dois aspectos: à


obediência às leis, as quais deve se devem ajustar a conduta dos cidadãos, e o critério de
igualdade. Entendo aqui que a igualdade é no tratamento entre os iguais e no tratamento desigual
para os que têm méritos desiguais.

ALGUMAS FORMAS OU REGIMES DE GOVERNO

Um regime pode ser definido como a organização da cidade no se refere a diversas


magistraturas. Em qualquer cidade o elemento supremo é o governo e o governo é o regime. A
parte determinante numa democracia será o povo, numa oligarquia o grupo dirigente e assim por
diante.
Autocracia: Trata-se de um governo autoritário, de poder absoluto, que governa
conforme sua arbitrariedade todos os níveis governamentais. Neste sistema, antagônico em
relação à Democracia, a gestão é exercida através do soberano ou de delegações arbitrárias
feitas pelo mesmo.

Autarquia: entidade administrativa que prossegue os interesses de uma circunscrição do


território nacional, através de órgãos próprios dotados de autonomia(em relação ao poder
central), dentro dos limites da lei. A autarquia pode ser entendido também como sistema
económico de uma região que vive exclusivamente de recursos príprios.
Monarquia: O poder do governo é concentrado em uma única pessoa, nessa forma de
governo o poder é repassado hereditariamente, e as propriedades inerentes a soberania é
concebida diante dos poderes especiais, além da tradição existente.
Oligarquia: Corresponde a um regime de governo vinculado ao controle de uma
quantidade restrita de pessoas e essas desfrutam de uma série de vantagens devido a sua
condição alicerçada no poder.
República: Na República os representantes do povo são eleitos pelos próprios, de forma
directa ou indirecta, a principal característica da República é de estabelecer a justiça e o bem
estar comum.
Aristocracia: São governos centralizados nas mãos de poucas pessoas, podendo ser
nobres ou não.
Democracia: Na democracia o representante é escolhido pelo povo através de votação
para que assegure primordialmente a vontade popular. Actualmente a democracia é dividida em
três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, que devem ser autônomos e harmônicos.
Parlamentarismo: No parlamentarismo as decisões sofrem maior influência pelo
parlamento, são eles os responsáveis por indicar um chefe de governo e também um primeiro
ministro, sendo assim é possível que o chefe do governo seja um presidente ou um monarca.
Presidencialismo: No presidencialismo o Presidente e seus ministros compõem o Poder
Executivo, já os deputados e compõem o Poder Legislativo e por fim todo juiz e magistrado
compõem o Poder Judiciário. Os poderes citados devem controlar uns aos outros de forma
equilibrada, o chefe do governo nesse caso é o presidente.
Tirania: forma de governo usado na Grécia antiga após o regime democrático, em que o
chefe, embora com poder ilimitado, deveria servir e representar a vontade do povo.
Numa apresentação extraída dos testos de Aristóteles, na sua obra Política, encontramos a
apresentação das formas de regime político como fases de um ciclo histórico. Segundo esta, a
realeza surgiu como forma primitiva de governo quando um homem preeminente em virtudes
impôs as suas qualidades de fundador da cidade em proveito comum. Quando este governo
virtuoso vez crescer a prosperidade, surgiu um grupo de barões que não aceitavam submeter-se e
criaram um república aristocrática. Quando esta classe de aristocracia degenerou a expensas da
população, surgiram as oligarquias. A concentração de riquezas nas mãos de um só indivíduo,
gerou a tirania.

A tirania, enfim, cedeu o lugar aos regimes dominados pela plebe urbana, massas de homens
livres apenas no nome, mas sem a virtude de governar em democracia. Aliás, devido crescimento
populacional, a democracia tornou-se a única constituição aceitável na área helénica.
Antes de avançarmos sobre a questão da cidadania e afins, queremos por ora salientar
alguns meios pelos quais os Estados asseguram as suas ideologias e ou regimes políticos como
forma de perpetuar tais ideologias e, consequentemente o pode. É o que Althusser denomina de
Aparelhos Ideológicos de Estado.

8.8 APARELHO IDEOLÓGICO DE ESTADO (AIE)


Ao analisar a reprodução das condições de produção que implica a reprodução das forças
produtivas e das relações de produção existentes, Althusser é levado a distinguir no Estado os
Aparelhos Repressivos de Estado (o Governo, a Administração, o Exército, a Polícia, os
Tribunais, as Prisões etc.) e os Aparelhos Ideológicos de Estado (AlE) que ele enumera
provisoriamente, da seguinte forma:
"-AIE religioso (o sistema das diferentes igrejas),
-O AIE escolar (o sistema das diferentes escolas públicas e particulares),
-OAIE familiar,
-O AIE jurídico,
-O AIE político (o sistema político de que fazem parte os diferentes partidos),
-O AIE sindical,
- OAIE da informação (imprensa, rádio televisão etc.),
- O AIE cultural (Letras, Belas Artes, desportos etc.)"
A distinção entre ambos assenta no facto de que o Aparelho Repressivo de Estado
funciona massivamente pela violência e secundariamente pela ideologia enquanto que,
inversamente, os Aparelhos Ideológicos de Estado funcionam massivamente pela ideologia e
secundariamente pela repressão.
O conceito "Aparelho Ideológico de Estado" deriva da tese segundo a qual "a ideologia
tem uma existência material". Isto significa dizer que a ideologia existe sempre radicada em
práticas materiais reguladas por rituais materiais definidos por instituições materiais.
Em suma, a ideologia se materializa em aparelhos: os aparelhos ideológicos de Estado.
A partir desses instrumentos conceituais, Althusser avança a tese segundo a qual "o
Aparelho Ideológico de Estado que foi colocado em posição dominante nas formações
capitalistas maduras, após uma violenta luta de classes política e ideológica contra o antigo
Aparelho Ideológico de Estado dominante, é o Aparelho Ideológico Escolar".

8.9 CIDADANIA

A cidadania (do latim, civitas,"cidade"), em Direito, é a condição da pessoa natural que,


como membro de um Estado, encontra-se no gozo dos direitos que lhepermitem participar da
vida política.
A cidadania é o conjunto dos direitos políticos que lhe permitem intervir na direcção dos
negócios públicos do Estado, participando de modo directo ou indirecto na formação do governo
e na sua administração, seja ao votar (directo), seja ao concorrer a cargo público (indirecto).
A nacionalidade é pressuposto da cidadania - ser nacional de um Estado écondição
primordial para o exercício dos direitos políticos. Entretanto, se todo cidadão é nacional de um
Estado, nem todo nacional é cidadão - os indivíduos que não estejam investidos de direitos
políticos podem ser nacionais de um Estado sem serem cidadãos.

Nacionalidade
A nacionalidade é pressuposto da cidadania - ser nacional de um Estado é condição primordial
para o exercício dos direitospolíticos. Entretanto, se todo cidadão é nacional de um Estado, nem
todo nacional é cidadão - os indivíduos que não estejam investidos de direitos políticos podem
ser nacionais de um Estado sem serem cidadãos.

8.10 SIGNIFICADO E ORIGEM DO NOME CONCÓRDIA

A palavra concórdia é um termo que provem do latim e significa Conformidade.


Ela é um substantivo feminino, significando também: estado de harmonia, entendimento,
concordância. (dicionário Houaiss)

8.11 O SISTEMA POLÍTICO ANGOLANO


Depois da independência, Angola adoptou um sistema político de orientação marxista-
leninista, com maior incidência no conceito de proletariado, centralização da economia e dos
meios de produção e mono partidarismo (partido – estado). Nos dois anos seguintes a
proclamação da independência, a Constituição de Angola sofreu duas revisões de vulto, ou sejam
a alteração das competências específicas do Presidente da República, da composição e
atribuições do Conselho da Revolução, o equivalente a Assembleia Nacional (nos dias de hoje).
Em 1977, sofreu de novo uma revisão, quase no mesmo sentido de precisar os poderes do
Presidente da República e do Conselho da Revolução. Em 1978, altura em que se aprovou a
segunda Lei Constitucional do Pais, alterou-se o sistema político angolano com o banimento dos
cargos de Primeiro-Ministro e os Vice-primeiros-ministros. Em 1980, aprovou-se a terceira Lei
Constitucional que sofreu uma revisão em 1986, destinada a ampliar os poderes do Presidente da
República de nomear e exonerar também os ministros de Estado. E, em 1987, aconteceu de nova
uma revisão que teve como enfoque a alteração da composição da comissão permanente da
Assembleia do Povo.
Com o fim da guerra fria e consequentemente as grandes mudanças geopolíticas ocorridas
na escala mundial Angola adoptou o sistema democrático e pluripartidário, aprovando assim a
sua quarta Lei Constitucional em Maio de 1991, considerada por muito uma Lei de carácter
transitário para a implementação de um regime democrático nos moldes como é universalmente
conhecido em todo o mundo. Seguiram-se as primeiras eleições gerais na história do País em
1992.
Em 1994 com a mediação das Nações Unidas, o Governo angolano e a UNITA
rubricaram os acordos de paz em Lusaka (Zambia), cujo um dos preceitos, era a criação do
Governo de União e Reconciliação Nacional – GURN, com a integração de personalidades
políticas de outros partidos políticos. Mesmo assim a Direcção da UNITA, negando a proposta
feita pelo Governo angolano, do seu Presidente ser o Vice Presidente da República de Angola,
viu-se forçada a permanecer nas matas do interior do planalto central. Face a esta recusa da
Direcção da UNITA, os acordos de paz foram violados com a retomada das hostilidades em
quase todo o território nacional. Enfraquecida com a morte em combate do seu líder em
Fevereiro de 2002, a UNITA teve de se render e em Abril do mesmo ano houve a assinatura dos
acordos de paz, celebrados entre a UNITA e o Governo angolano, pondo fim a um longo período
de guerra civil que ceifou milhares de vida e destruiu milhares de infra-estruturas.
Uma vez normalizada a situação sócio política, Angola implementou um sistema político
Semi Presidencialista, com uma separação clara de poderes, entre o executivo, o legislativo e o
judiciário. Todavia, o Governo angolano apelidou esse sistema de Semi Presidencialista, com
pendor presidencialista. Pois, apesar de se indicar um Primeiro-Ministro e um Primeiro-Ministro
Adjunto, o Presidente da República continuara ser o Chefe do Executivo, ou seja Chefe do
Governo.
Em Setembro de 2008, realizaram-se as eleições legislativas. As mesmas foram ganhas
maioritariamente pelo MPLA, com mais de 80% de votos, permitindo-o, obter uma maioria
absoluta na Assembleia Nacional e formar o Governo.
Com a tomada de posse do novo Governo, deu-se início o processo constituinte, ou seja a
elaboração da nova Constituição da República de Angola, que culminou com a aprovação em
Janeiro de 2010 do texto da Lei Constitucional pela Assembleia Nacional. Com a aprovação e a
promulgação da Lei Constitucional, Angola passou a ter uma Constituição, dando assim início a
terceira República. A referida Constituição foi revista em 2022, podendo alterar alguns aspectos,
que no parecer do Partido-Estado, mereciam actualização.
A nova Constituição ora aprovada e promulgada trouxe outras novidades no contexto e
mosaico político angolano, consequentemente a adopção de um sistema Presidencialista
Parlamentar, com a eleição do Presidente da República por via do Parlamento (Assembleia
Nacional), sendo ele cabeça de lista de um partido ou coligação de partidos políticos
concorrentes, a introdução da figura do Vice-presidente, que a luz da Lei Constitucional, é
nomeado pelo Presidente da República em condições especiais ou eleito em condições normais
através da lista apresentada por um partido político ou coligação de partidos políticos
concorrentes as eleições legislativas, cujo seu nome consta na segunda posição.
A nova Constituição consagra Angola, como um Estado democrático de direito, com uma
separação clara de poderes entre o executivo, o legislativo e o judiciário. Também garante os
direitos e deveres dos cidadãos, promove a pluralidade de partidos políticos e define as balizas,
as normas e as competências dos detentores de cargos públicos e finalmente abre perspectivas
para o relançamento sócio económico, de acordo a mesma Constituição. Além da nomeação de
um Vice-presidente, a nova Constituição cria outro figurino, ou sejam os Secretários do Estado
que ao lado do Executivo (Ministérios), irão auxiliar o Presidente da República, tendo como
papel principal cumprir e fazer cumprir as políticas e outras Leis aprovadas pela Assembleia
Nacional e/ou Conselho de Ministros em prol do desenvolvimento sócio político e sócio
económico do País. A Assembleia Nacional passa a desempenhar o seu papel de fazedor de Leis
e fiscalizar as acções do Executivo. Sendo o representante legítimo do povo deve obviamente
interagir com este através de mecanismos de contactos permanentes e regulares. A justiça na
óptica da nova Constituição passa a ser independente e dotado de mecanismos e instrumentos
afins para o seu melhor empenho e celeridade.

8.12 SIGNIFICADO E DIMENSÃO DA PAZ EM ANGOLA

A História de Angola está repleta de exemplos de resistência e heroicidade, factores que


uniram os povos deste território contra as mais diversas formas de dominação. Quando
confrontados com tentativas de subjugação, as populações nativas não abdicaram da união entre
os povos para fazer face aos inimigos comuns.

Ao longo de várias décadas, várias gerações de angolanos lutaram e deram as suas vidas
para que Angola se tornasse um país livre, soberano e independente. A união pelo bem comum e
supremo, que é a pátria angolana, levou os povos de Angola a dedicarem-se pela preservação da
sua integridade territorial. Não foi uma tarefa fácil, como demonstra a História recente de
Angola, mas preenchida de esforços em nome de algo que une todo e qualquer angolano: a pátria
angolana de Cabinda ao Cunene.
Concordamos com aqueles que dizem e com razão que os angolanos podem ter pontos de
vista diferentes, podem conceber o desenvolvimento e progresso de forma divergente, mas tendo
sempre em linha de conta os factores de união. O lugar-comum em que as famílias angolanas
convivem, sobre o qual se empenham para torná-lo num espaço bom para viver, constitui um
passo para fortalecermos a consciência de nação. Viver unidos na diversidade enriquece e
fortalece o sentido de pátria e pertença a uma terra onde todos os povos convivem
independentemente das suas origens, crenças, filiação partidária e ideológica e religiosa.
Acreditamos que todos os angolanos, sem excepção, pretendem o bem de Angola, razão pela
qual urge o reforço da unidade e sentido de pátria.
Nunca os angolanos compreenderam tão bem o significado da Paz e estabilidade como
agora que o país regista progressos em várias áreas, fruto da união entre os angolanos. Numa
altura em que Angola celebra a Paz, acreditamos que os valores da unidade em torno da pátria se
fortalecem cada vez mais. Auguramos que cada angolano saiba promover a cultura da Paz
enquanto fundamento para que Angola se torne num país bom para vivermos.

De facto é o momento de nos servirmos das palavras do grande filósofo Platão: foi um
processo longo árduo e fatigoso, que implicou vários passos, e muitos deles ineficazes. Trata-se
especificamente dos acordos e protocolo entre as diversas forças influentes no processo. E disso
é que pretendemos por agora nos servir como a próxima etapa das nossas abordagens.

8.13 ACORDOS REALIZADOS PARA A ESTABILIDADE E


CONCÓRDIA NACIONAL

8.13.1 Acordo de Alvor

Acordo, assinado a 15 de janeiro de 1975, nos termos do qual Portugal reconhecia a


independência de Angola, transferindo o poder para o MPLA, a UNITA e a FNLA.
Desentendimentos entre os três partidos africanos, porém, viriam a redundar numa violenta e
prolongada guerra civil, com o MPLA a ocupara administração de Luanda. Este acordo ficou
conhecido pelo nome da vila onde foi assinado, pertencente ao concelho de Portimão.
O Acordo do Alvor, assinado entre o governo português e os três principais movimentos
de libertação de Angola, (MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola,1 FNLA –
Frente Nacional de Libertação de Angola e UNITA – União Nacional para a Independência Total
de Angola), em Janeiro de 1975, em Alvor, no Algarve, e que estabeleceu os parâmetros para a
partilha do poder na ex-colónia entre esses movimentos, após a conquista da independência de
Angola.
Em entrevista à Agência Lusa, o dirigente socialista, António de Almeida Santos, que a
15 de Janeiro de 1975 era ministro da Coordenação Interterritorial e integrava a delegação
portuguesa que assinou o acordo, refere que, assim que viu o documento, soube que "aquilo não
resultaria".
De facto, pouco tempo depois do acordo assinado, os três movimentos envolveram-se em um
conflito armado pelo controlo do país e, em especial, da sua capital, Luanda, no que ficou
conhecido como a Guerra civil de Angola.
8.13.2 Acordo De Bicesse

Em Abril de 1990 realizaram-se em Évora, no sul de Portugal, conversações secretas


entre delegações do MPLA e da UNITA. Essas negociações prosseguiram até Maio de 1991, sob
presidência portuguesa e com a presença de observadores, de representantes dos Estados Unidos,
da União Soviética e das Nações Unidas. Finalmente, a 31 de Maio de 1991, uma cimeira depois
a retirada dos últimos cubanos de Angola, o MPLA e a UNITA assinaram um acordo em Bicesse,
perto do Estoril, nos arredores de Lisboa.

O acordo tinha em vista a criação de um exercito nacional unificado a partir das forças
militares dos dois países adversário e do seu calendário para as eleições nacionais trouxe
inevitavelmente a memoria o Acordo de Alvor (de 1 a 15 de Janeiro de 1975) cuja malogro
levara, tortuosa e tragicamente ao próprio Bicesse.

Os acordos trouxeram um cessar-fogo, o aquartelamento das tropas da UNITA, a


formação das novas forças armadas, a desmobilização das tropas não referida, a restauração da
administração do Estado em áreas controladas pela UNITA e a eleições multipartidárias e
presidências.

O processo de Bicesse iria mais longe do que o de 1975no que se refere às eleições
realizada em Setembro de 1992, livre e equitativas mas que perderam seu sentido quando
Savimbi recusou aceitar a vitoria por estreita margem de José Eduardo e MPLA.
Dentre os vários factores que contribuíram para o fracasso de BicesseMargarethAnstee,
mediadora das Nações Unidas no processo, avançou com alguns aspetos:
A falta de instrumentos institucionais que assegurassem o seu respeito que não podia assentar
apenas na boa-fé das partes.
A demasiada rigidez e exiguidade do prazo para as eleições.

Terem-se realizado as eleições sem que se tivesse assegurado total desmobilização e


desarmamento das anteriores beligerante e a constituição das forças nacionais.
O facto de os acordos se terem baseado no princípio de quem ganha fica com tudo, não
salvaguardando convenientemente os direitos do vencido.
Apesar dos esforços internacionais, da assinatura deste acordo e do Protocolo de Lusaca a
guerra civil em Angola continuou até 2002 com a morte do líder do movimento político da
UNITA (Jonas Malheiros Savimbi).

8.13.3 Protocolo de Lusaca

Acordo de Lusaca foi a terceira grande cimeira mediada pelas Nações Unidas na busca da
paz para Angola.
No dia 20 de Novembro de 1994, após meses de difíceis negociações, o então ministro das
relações exteriores de Angola, Venâncio de Moura, e o então secretario geral da UNITA Engenho
Manuvacola, assinaram o protocolo de Lusaca, na Zâmbia, que retomava pontos básicos do
acordo de Bicesse.
Havia a esperança de que este novo acordo traria a paz definitiva devido as seguintes
razões:
A guerra-fria tinha terminado, e o mundo começava a voltar-se mais para a defesa dos direitos
humanos. E principalmente porque, em Maio de 1993, os EUA, na figura do presidente Bill
Clinton, finalmente, reconheceram o governo de Angola. Mas que reparar a injustiça de seus
interesses, o presidente norte-americano tinham o objectivo de esvaziar qualquer conotação
politica que pudesse haver nos actos terroristas da UNITA.
Entre outras coisas o protocolo de Lusaca prévia a criação de um governo de
reconciliação nacional reiterava a necessidade de desmobilização das forças militares de ambos
os lados e igualmente, a entrega as autoridades governamentais das árias controladas pela
UNITA

Apesar dos esforços da Nações Unida, notavelmente pouco saiu como previsto a começar
pela desmobilização das tropas. As FAA reduziram o seu efectivo para apenas 70 mil homens,
mas a UNITA continuava relutante em integrar os seus homens no exército único.

Acordo do Luena

Memorando do Luena ditou fim da Guerra.


A morte de Jonas Savimbi a 22 de Fevereiro de 2002, no Lucusse, Moxico, foi um dos
factos que facilitou a paz no país, com a assinatura dias depois do Memorando de Entendimento
do Luena, para materializar os compromissos e obrigações obtidos no Protocolo de Lusaka.
A adenda foi assinada inicialmente no Moxico pelo Chefe do Estado Maior Adjunto das
Forças Armadas Angolanas, general Geraldo Sachipengo Nunda, e o então chefe do Alto
Comando das FALA, general Abreu Muengo Ucuachitembo “Kamorteiro”.
Kamorteiro rubricou ainda a 4 de Abril de 2002 o acordo geral no Palácio dos
Congressos, em Luanda, com o Chefe de Estado-Maior das FAA, general Armando da Cruz
Neto, na presença do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, corpo diplomático,
líderes religiosos e personalidades da sociedade civil.
O documento estabelecia o compromisso das partes na observância de num cessar-fogo
efectivo, a resolução de questões militares pendentes e a definitiva resolução do conflito armado,
assim como a solução dos factores militares que bloquearam o Protocolo de Lusaka e a criação
de condições para a sua conclusão.
Quanto ao cessar-fogo, apesar de as forças militares da UNITA estarem praticamente
desarticuladas, as partes seguiram o que já estava estabelecido quanto à cessação de acções
militares total e definitivamente em todo o território nacional e a não veiculação de propaganda
hostil, não realização de movimentos de forças para ocupar novas posições militares, nem de
actos de violência contra a população civil ou de destruição de bens.
Foi constituída uma Comissão Militar Mista, com apoio inequívoco das FAA, para
proceder ao aquartelamento e desmilitarização de todas as unidades militares e estruturas
paramilitares das extintas Forças Militares da UNITA.
8.13.5 Acordo de Namibe

Acordo de Namibe, foi uma assinatura formal do Memorando de Entendimento visando


estabelecer a paz em Cabinda que ocorreu no dia 1 de Agosto de 2006, na cidade litoral-sul do
Namibe, certamente com o objetivo de que conseguir alcançar finalmente o acordo para a paz
naquela parcela do nosso território angolano.
O Acordo de Namibe foi rubricado em 2006, no Salão Nobre da Administração
municipal do Namibe, pelo ministro da Administração do Território, Virgílio de Fontes Pereira,
por parte do Governo, e pelo líder do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), António Bento
Bembe.

O documento prevê, entre outras, a atribuição de um estatuto especial para o enclave


(Cabinda), na base do respeito à Lei Constitucional e demais legislação em vigor na República
de Angola, como Nação una e indivisível.
Consubstanciava-se também na aprovação de uma Lei de Amnistia, cessação das
hostilidades, desmilitarização das forças militares sob a autoridade do Fórum Cabindês para o
Diálogo (FCD) e a adequação do dispositivo das Forças Armadas Angolanas (FAA) na região
militar de Cabinda.
No seu discurso, Virgílio Fontes Pereira disse que o Governo sempre assumiu um
posicionamento claro em relação ao conflito de Cabinda. Assegurou que Cabinda é parte
integrante de Angola, pelo que a sua situação devia passar pelo respeito dos pressupostos legais
vigentes no país.

Por sua vez, Bento Bembe assegurou que a sua organização jamais iria aceitar qualquer
comportamento susceptível de fazer regressar o povo de Cabinda ao clima de inquietação e
ausência da paz.

"A paz, no enclave, veio para ficar", disse, ao discursar depois de ter rubricado o documento.
Roberto de Almeida, que representou o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos
Santos, fez vincar que, "de facto, desde Abril de 2002 que apenas na província de Cabinda
continuava a existir um conflito armado, superado pelo patriotismo, bom senso e a capacidade de
diálogo de todas as partes envolvidas".
No mesmo dia, o Bureau Político do MPLA, numa declaração emitida por ocasião do
acto, saudou a assinatura do Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação na
província de Cabinda e todos os intervenientes desse processo, com destaque para o Presidente
da República, José Eduardo dos Santos.
Numa resolução aprovada por 129 votos a favor, nenhum contra e sem abstenções, o
Parlamento considerou que a autorização decorreu da necessidade premente de obtenção da paz
em Cabinda, expressa e sentida diariamente pelas populações de Angola, em geral, e do enclave,
em particular.
A Assembleia Nacional aprovou igualmente o Memorando de Entendimento para a Paz e
Reconciliação em Cabinda, conferindo deste modo dignidade legal ao importante documento,
que previa um conjunto de acções a serem executadas, para a efectivação do fim do conflito na
província.
No mesmo dia, foi igualmente aprovada a Lei de Amnistia para a paz e reconciliação em
Cabinda, no quadro do Memorando de Entendimento.
A proposta de Lei, que foi depois promulgada pelo Presidente da República, beneficiou
todos os crimes militares cometidos igualmente no quadro do conflito, até a data da assinatura do
documento.
O parlamento aprovou também uma resolução que autorizou o Governo a proceder à alterações à
orgânica dos executivos provinciais, das administrações municipais e comunais.
Esta autorização incluiu a aprovação de um Estatuto Especial para Cabinda, no quadro do
Memorando de Entendimento, na sequência do reconhecimento, pelo Governo, de
especificidades histórico-geográfica e cultural da província.
O Memorando estabelece as bases gerais do modo de organização, competências,
funcionamento e poder regulamentar da Administração do Estado em Cabinda, no âmbito da sua
integração na divisão político-administrativa do país e respeito à Lei Constitucional e demais
legislação.

Apéndice: O ESTADO IDEALIZADO POR PLATÃO

Em forma de conclusão deste último capítulo relacionado à Filosofia Política, julgamos


conveniente não descurar as ideias do grande mestre e tratamos trazer algum extracto da obra de
Platão. Em A República, Platão idealiza uma cidade, na qual dirigentes e guardiães representam
a encarnação da pura racionalidade.

Neles encontra discípulos dóceis, capazes de compreender todas as renúncias que a razão
lhes impõe, mesmo quando duras. O egoísmo está superado e as paixões, controladas. Os
interesses pessoais se casam com os da totalidade social, e o príncipe filósofo é a tipificação
perfeita do demiurgo terreno.

Apesar de tudo isso e desse ideal de Bem comum, Platão parece reconhecer o caráter
utópico desse projeto político, no final do livro IX de A República.
Tendo em vista esse ideal, o trabalho manual continuava não valorizado no âmbito da
cidade-estado. A classe dos trabalhadores não era classe cidadã, pois não lhes sobrava tempo
para a contemplação teórica da verdade e para a práxis política. Para Platão, o ideal humano se
realizava na figura do cidadão filósofo, livre das incumbências da sobrevivência, constituindo
um ideal altamente elitista.
Platão achava um absurdo que homens com mais votos pudessem assumir cargos da mais
alta importância, pois nem sempre o mais votado é o melhor preparado. Era preciso criar um
método para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público.
Mas atrás desses problemas estava a psyche humana, como havia identificado Sócrates,
Para Platão o conhecimento humano vêm de três fontes principais: o desejo, a emoção, e o
conhecimento, que fluem do baixo ventre, coração e cabeça, respectivamente. Essas fontes
seriam forças presentes em diferentes graus de distribuição nos indivíduos. Elas se dosariam
umas às outras, e num homem apto a governar, estariam em equilíbrio, com a cabeça liderando
continuamente. Para isso, é preciso uma longa preparação e muita sabedoria. O mais indicado,
para Platão, é o filósofo: "enquanto os filósofos deste mundo não tiverem o espírito e o poder da
filosofia, a sabedoria e a liderança não se encontrarão no mesmo homem, e as cidades sofrerão os
males".
Para começar essa sociedade ideal, como dissemos, deve-se tirar os filhos dos pais, para
protegê-los dos maus hábitos. Nos primeiros dez anos, a educação será predominantemente
física. A medicina serve só para os doentes sedentários das cidades.
Não se deve viver para a doença. Para contrabalançar com as atividades físicas, a música.
A música aperfeiçoa o espírito, cria um requinte de sentimento e molda o caráter, também
restaura a saúde.
Para Platão, a inspiração e a intuição verdadeira não se conseguem quando se está
consciente, com a razão. O poder do intelecto está reprimido no sono ou na atenção que aflora
com a doença. Ele então critica o controle da lei e da razão à certos instintos que ele chama de
ilegais.
Depois dos dezesseis anos, e de misturar a música para lições musicais com a música
pura, essas práticas são abandonadas. Assim os membros dessa comunidade teriam uma base
psicológica e fisiológica. A base moral será dada pela crença em Deus. O que torna a nação forte
seria Ele, pois ele pode dar conforto aos corações aflitos, coragem às almas e incitar e obrigar.
Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência, mas fala que
ela não faz mal, só bem.
Aos vinte anos, chegará a hora da Grande Eliminação, um teste prático e teórico, Começa
a divisão por classes da República. Os que não passarem serão designados para o trabalho
econômico. Depois de mais dez anos de educação e treinamento, outro teste. Os que passarem
aprenderão o deleite da filosofia. Assim se dedicarão ao estudo da doutrina e do mundo das
Idéias.

O mundo das Idéias seria um mundo transcendente, de existência autônoma, que está por
trás do mundo sensível. As Idéias são formas puras, modelos perfeitos eternos e imutáveis,
paradigmas. O que pertence ao mundo dos sentidos se corrói e se desintegra com a ação do
tempo. Mas tudo o que percebemos, todos os itens são formados a partir das Idéias, constituindo
cópias imperfeitas desses modelos espirituais. Só podemos atingir a realidade das Idéias, na
medida em que pelo processo dialético, nossa mente se afasta do mundo concreto, atravessando
com a alma sucessivos graus de abstração, usando sistematicamente o discurso para se chegar à
essência do mundo. A dialética é um instrumento de busca da verdade.
Platão acreditava numa alma imortal, que já existia no mundo das Idéias antes de habitar
nosso corpo. Assim que passa a habitá-lo esquece das Idéias perfeitas. Então o mundo se
apresenta a partir de uma vaga lembrança. A alma quer voltar para o mundo das Idéias. Um dos
primeiros críticos de toda essa teoria de Platão foi um de seus alunos da Academia, Aristóteles.
Igualmente conhecida na República é a alegoria da caverna, que ilustra como percebemos apenas
parte do mundo, reduzindo-o.
Um grupo de pessoas vive acorrentada numa caverna desde que nasceu, de costas para a
entrada. Elas vêem refletida na parede da caverna as sombras do mundo real, pois há uma
fogueira queimando além de um muro, depois da entrada. Elas acham que as sombras são tudo o
que existe. Um dos habitantes se livra das amarras. Fora da caverna, primeiro ele se acostuma
com a luz, depois vê a beleza e a vastidão do mundo, com suas cores e contornos. Ao voltar para
a caverna para libertar seus companheiros, acaba sendo assassinado, pois não acreditam nele.
Depois de estudar a filosofia, aqueles que forem considerados aptos irão testar seus
conhecimentos no mundo real, onde experimentarão os dissabores da vida, ganhando comida
conforma o trabalho, experimentando a crua realidade. Aos cinquenta anos, os que sobreviveram
tornaram-se os governantes do Estado.
Todos terão oportunidades iguais, mas na eliminação serão designados para classes
diferentes. Os filósofos-reis não terão nenhum privilégio, tendo só os bens necessários, serão
vegetarianos e dormirão no mesmo lugar. A procriação será para fins eugênicos, o sexo não será
apenas por prazer. Haverá defensores contra inimigos externos, os guardiões, homens fortes,
dedicados à comunidade. Não haverá diferença de oportunidade entre o sexo, sendo cada um
designado a fazer uma tarefa de acordo com a sua capacidade.

Platão fala da renuncia do individuo em prol da comunidade, impondo inúmeras condições para
a vida. Ele atenta para um problema muito preocupante em nossos dias: a superpopulação.

Os homens só poderiam se reproduzir entre os trinta e quarenta e cinco anos, e as


mulheres entre os vinte e quarenta anos. Também a legislação de Esparta, que muito inspirou
Platão, e a proposta de Aristóteles na Política levam em conta este aspecto. Assim,
resumidamente seria o Estado ideal, justo. O próprio Platão fala de dificuldade em se fazem um
empreendimento dessa natureza. Um rei ofereceu à ele terras para fazer sua República, ele
aceitou, mas o rei ficou sabendo que quem iria governar eram os filósofos e mudou de idéia.

Você também pode gostar