Filosofia Política
Filosofia Política
Aristóteles
Introdução
O homem é um animal essencialmente político e sociável, como já havia observdo
Aristóteles sua obra Política.
E o problema político relativo à origem e a funda do Estado(polis), à sua organização, à
sua melhor forma, à sua função e o seu fim específico, à natureza da acção política e suas
realações com a acção moral, as relações entre Estados e indivíduos, entre Estado e Igreja, entre
Estado e partidos.
Este problema tão vasto e complexo, foi estudado em seus diferentes aspectos, quando
solicitado pelas instâncias históricas.
A história recente dos povos tem demonstrado um mundo crescente interdependência.
Dai um resultado uma intensificação das relações políticas, económicas e culturais. A aldeia
global a que se faz frequentemente referencia do sentido de salientar o fenómeno da crescente
relação entre os países e suas populações, e um exemplo largamente utilizado de resultado da
aproximação das culturas.
Neste percurso queremos aprender o significado de conceitos, entender a informação e
reflectir sobre o mundo que nos cerca e, sem dúvida, o mais dos objectivos da Educação, e
consequentemente, desta disciplina. Julgamos neste nível de ensino, ser oportuno e fundamental
que os alunos os seus conhecimentos sobre conceitos como Política, Democracia, Povo,
Território, Nação, Pátria, Regime político, Ditadura, etc, e por conotação dessas realidades dotá-
lo de conhecimentos mais profundos sobre questões atinentes as actividades do Estado que
assentam na seguinte tríade: segurança, justiça e bem estar social.
É também de interesse do nosso programa para esta classe, compreender e fazer entender,
os temas a seguir: A concórdia, significado e dimensão da paz em Angola, e distintos acordos que
foram realizados em prol da estabilidade nacional. Mas antes queremos fazer uma passagem à
questão sobre a concórdia e consequentemente, fazer um rescaldo sobre o sistema político de
Angola.
Assim foram selecionados conteúdos capazes de proporcionar conhecimentos
também sobre a organização do Estado angolano, sobre a importância das liberdades do cidadão,
seus direitos e deveres e necessidade do respeito pelas suas instituições, incluindo o processo
desenvolvimento político de Angola.
E, em se tratar de Filosofia, fazer uma análise no que concerne aos critérios adoptados sobre
determinadas políticas.
Quase todos se decidiram à forma em que uma sociedade pode gerar as condições necessárias
para o bem-estar de todos os seus cidadãos. Esses trabalhos não perderam a qualidade,
principalmente porque ultrapassam o conforto material e discutem também valores superiores
como a justiça, a liberdade e o desenvolvimento das qualidades humanas.
Pitagóras ( 490-420). Opinava que todos os cidadãos deviam participar na vida política e ter o
direito de decidir os assuntos do Estado.
Platão (427-347). Era da ideia contrária. Para ele o Estado ideal era aquele que seria
governado pelos intelectuais, os filósofos, os sábios. O pior governo era que estava nas mãos do
povo.
A preocupação pelo estudo da ciência política remonta na antiguidade. É na antiga
Grécia , onde o conhecimento das “ coisa pública” toma corpo. A história, a filosofia, a
economia, a religião, a moral, faziam parte da ciência política. Os testemunhos mais antigos são
do século IX a. c. Porém as primeiras tentativas da explicação sistemática e cientifica, bem,
como uma primeira elaboração das concepções políticas, são comumente fixadas no século VI
aC.
No século V os sofistas, entre eles Pitágoras, falam mais directamente dos problemas
polí[Link] os pensadores mais influentes no pensamento político foram Sócrates e Demócrito.
Lamentavelmente nem todos os historiadores e teóricos da ciência política deixaram dados
escritos.“ A lei consiste em obedecer mesmo a vontade de um só”, escreveu Heráclito de Éfeso.
Heródoto de Alicarnaso, (484-425 a.C), historiador grego, conhecido como o pai da
história, viajou pela Ásia Menor, Babilónia, Egipto e Grécia, o que lhe proporcionou valiosos
conhecimentos.
Sua obra Histórias é o primeiro trabalho histórico importante. Fez uma análise sumária de
melhor forma de Constituição e de Governo, e escreveu: “
Penso que não será somente mandar o dever do magistrado; mas eles que obtém os seus cargos
por sorteio, tem a obrigação de prestar contas, e todas as decisões devem ser tomadas em
comum” .
“A virtude da justiça consiste em não transgredir nenhuma das leis do Estado de que se é
cidadão” Antifonte.
Demócrito (c. 460 a.C.-370.), filosofo grego, aconselha aos homens a participar na
política que à qual chama de “arte mais elevada”. “Quem comete uma injustiça é mais infeliz do
que aquele que a sofre “. E ainda: “ O objectivo da lei é colher benefícios necessários para a
existência dos homens; mas pode apenas colhê-los quando os próprios homens queiram adaptar-
se às condições que lhes propiciam esses benefícios, e com efeito, a lei monstra a própria
eficácia àqueles que aceitam obedecer-lhe”.
Mas a ciência política avança mais com tríade
ARISTÓTELES-PLATÃO-SOCRATES.
Sócrates(470-399 a.C.), filósofo grego. Foi o fundador da filosofia moral, ou axiologia.
Nascido em Atenas, familiarizou-se com a retórica e a dialéctica dos sofistas, pensadores
profissionais que combateu com veemência. Ao contrário dos sofistas, que cobravam para
ensinar, Sócrates passou grande parte de sua vida provocando discussões em que ajudava o
interlocutor a descobrir as próprias verdades, num método que ficou conhecido como maiêutica.
Platão (428- 347 a.C), filósofo grego. Um dos pensadores mais criativos e influentes da
filosofia ocidental. Discípulo de Sócrates, aceitou sua filosofia e sua forma dialéctica de debate.
No ano de 387 a.C., fundou em Atenas a Academia que Aristóteles frequentaria como aluno.
Platão entendia a politica como a arte de governar persuadindo os homens.
Aristóteles( 384-322 a.C), filosofo e cientista grego. Estudou em Atenas, na academia de
Platão. Foi tutor de Alexandre III o Grande. Em Atenas inaugurou o Liceu, que chegou a ser
conhecido como escola peripatética. No seu livro « A política » examina os elementos que
compõem a cidade ( « polis »), nomeadamente a família, o território, a população e, sobre tudo
o governo.
Aristóteles dizia o seguinte acerca do estado: Sem a virtude o homem é o animal mais
cruel e mais selvagem, propenso da pior maneira aos prazeres sensuais e a gula. A justiça é o
elemento e condição da sociedade civil, porque o direito e norma da convivência civil e a sua
prática consiste na decisão daquilo que é justo». Ele analisou os regimes políticos segundo a sua
estrutura e eficácia bem como em função de seu processo de formação, desenvolvimento e
extensão .
ROMA: pese embora ter-se destacado menos que a Grécia na historia e no pensamento político,
gerou alguns sábios que se notabilizaram na politica. Destacam-se Políbio e Cícero.
Políbio ( 203-120; a.c.), historiador grego. Foi um dos 1000 aqueus nobres enviados a
Roma como reféns, depois da conquista da Macedónia. Foi tutor e amigo de publico Cornélio
Cipriano e seguiu-o em suas campanhas. Escreveu Historias, que cobre o período entre 220 e 146
a.c. Como historiador, não apenas procurou enumerar fatos e acontecimentos, mas descobrir as
causas subjacentes.
Cícero, Marco Túlio (106-43 a.c), escritor, politico e orador romano. Embora sua carreira
política tenha sido notável, Cícero é especialmente conhecido como o orador mais eloquente de
Roma e homem de letras.
Na Idade Media a política foi iluminada pela doutrina cristã, destacando-se dois grandes
luminárias: Santo Agostinho e São Tomás.
Uma ideia de Deus que escandaliza pela sua humanidade , a sua incarnação e a sua
preocupação pelos homens.
Agostinho de Hipona, Santo (354- 430), padre e um dos eminentes doutores da Igreja
Católica Ocidental. Filho de Santa Mónica, nasceu em Tagaste, Numídia (hojeSouk-Ahras,
Argélia). Inspirado no tratado filosófico, Hortensius, de Cícero, converteu-se em ardoroso
pesquisador da verdade, dizia que o poder como instrumento regulamentar da comunidade nunca
deve ser assumido como propriedade pessoal. Para ele, a missão do poder e fazer reinar a
justiça.
Maquiavel, Nicolau (1469- 1527), historiador e filosofo politico italiano, cujos escritos
sobre habilidade politica, amorais porem influentes, tornaram seu nome um sinonimo de astúcia.
Nascido em Florença no dia 3 de Maio de [Link] escreveu várias obras que fizeram
furor na ciência Política, destacando-se O Príncipe e Historia de Florença, onde fornece normas
e preceitos inerentes a arte de governar.
More, Thomas ( 1478- 1535), político e escritor inglês, conhecido por sua postura
religiosa contraria a do rei Henrique VIII, o que lhe custou a vida. Em 1518, chegou a ser
membro do conselho Privado do rei, que o transformou em um de seus favoritos. Entretanto, sua
sorte mudou quando não apoiou a petição de Henrique VIII para divorciar-se de Catarina de
Aragão. As convicçõesreligiosas de More fizeram que se negasse a concordar com qualquer tipo
de desafio a verdade e a moral e, diante disso, se retirou da vida publica. Mas Henrique VIII o
mandou prender em 1534, sendo julgado no ano seguinte. More reafirmou que parlamento não
tinha o direito de autorizar ao rei cometer adultério. Foi condenado e decapitado em 1535. Em
1935, foi canonizado pela Igreja Católica. E o autor de Utopia (1516). Tinha doutrinas
socializastes.
Hobbes, Thomas (1588-1679), filosofo e teórico político inglês. As polémicas teorias
mecanicistas e naturalistas de Thomas Hobbes provocaram desconfianças nos círculospolíticos e
eclesiásticos. Sua filosofia representa uma reação contra a liberdade de consciência
proporcionada pela reforma protestante. Hobbes estabeleceu as bases da sociologia cientifica
moderna. Sua politica e ética foram elaboradas a partir de uma base naturalista. Entre os muitos
argumentos que elaborou, há a afirmação de que as pessoas temem umas das outras e, por esta
razão deve submeter-se a supremacia absoluta do estado. Entre suas obras destacam-se De Cive
(1642) e Leviatã ou a essência, forma e poder de uma comunidade eclesiástica e civil ( 1651 ),
uma exposição vigorosa de sua doutrina da soberania. Soberania entendida como a capacidade de
decidir em ultima instancia. Ele concebia o poder como resultado de um contrato através do qual
os subtidos o delegam ao estado tendo em vista a harmonia dos interesses da sociedade.
A ciência política é:
O termo “política” tem a sua origem no vocábulo grego “polis”, que significa
“cidade”, região habitada, reunião de cidadãos. De aí nascem outras palavras gregas como:
“Politeia” que significa “direito do cidadão”, o seu modo de vida, constituição e administração
do Estado.
Desta análise deduzimos que política, na sua origem etimológica, relaciona-se com a
vida dos homens em comum, de acordo com a estrutura essencial deste modo de vida que é a
constituição do Estado na actualidade e no passado da cidade.
A arte é um conjunto de regras práticas, isto é, uma actividade desenvolvida para a conquista e a
manutenção do poder atráves de certos ideiais que se pretende fazer aceitar e realizar na
sociedade.
Entretanto podemos considerar a política ao mesmo tempo como ciência e como arte, porque a
arte de governar não pode dispensar os conhecimentos científicos.
A AUTORIDADE
“Como uma coisa é o Filósofo e outra é
a Filosofia, o filósofo tem o direito e o dever de submeter-se a uma autoridade que ele próprio
terá reconhecido como verdadeira, enquanto a filosofia não pode nem deve submeter-se a
nenhuma autoridade.”
A sociedade humana não estará bem constituida nem será fecunda, se a ela não presidir
uma autoridade legítima que salvaguarde as instituições e dedique o necessário trabalho e esforço ao
bem comum.
Chama-se autoridade àquela qualidade em virtude da qual pessoas e instituições dão leis e
ordens a homens e esperam obediência da parte deles.
Toda a comunidade humana tem necessidade de uma autoridade que a governe. A
autoridade tem o seu fundamento na natureza humana. Ela é necessária para a unidade da cidade. O
seu papel consiste em assegurar, quanto possivel, o bem comum da sociedade.
A autoridade exigida pela ordem moral emana de Deus: “Submeta-se cada qual às
autoridades constituidas pois não há autoridade que não tenha sido constituida por Deus e as que
existem foram estabelecidas por Ele. Quem resiste, pois, à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida
por Deus, e os que lhe resistem atraem sobre si a condeção” (Rm. 13, 1-2).
O Bem Comum
Em conformidade com a natureza social do homem, o bem de cada um está
necessariamente relacionado com o bem comum. E este não pode definir-se senão em referência à
pessoa humana
por bem comum deve compreender-se o conjunto das condições sociais que permitam,
tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir a sua perfeição, de modo mais completo
e adequado. O bem comum interessa à vida de todos. Exige prudência da parte de cada membro,
sobre tudo da parte de quem exerce autoridade. E inclui três elementos essenciais:
Supõe em primeiro lugar, o respeito da pessoa como tal. Em nome do bem comum, os
poderes públicos são obridados a respeitar os direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana.
De modo particular, o bem comum reside nas condições do exercício das liberdades naturais
indispensáveis à realização da vocação Humana.
(Ver Declaração Dos Direitos Humanos)
Em segundo lugar, o bem comum exige o bem estar social e o desenvolvimento da própria
sociedade. O desenvolvimento é o resumo de todos os deveres sociais. Sem dúvida, à autoridade
pertence arbitrar, em nome do bem comum, entre os diversos intereces particulares; mas deve
tornar acessível a cada qual, aquilo que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana:
alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação, cultura, informação conveniente, direito de
constituir família...
Final mente, o bem comum implica a Paz, quer dizer, a permanência e segurança duma ordem
justa.
Supõe, portanto, que a autoridade assegure, por meios honestos, a segurança da sociedade e dos
seus membros. O bem comum está na base do direito à legítima defesa, pessoal e colectiva.
Se cada comunidade possui um bem comum que lhe permite reconhecer-se como tal, é na
comunidade política que se encontra a sua realização mais completa. Pertence ao Estado
defender e promover o bem comum da sociedade civil, dos cidadãos e dos corpos intermédios.
O bem comum está sempre subordinado para o progresso das pessoas: a ordem das coisas deve
estar subordinada á ordem das pessoas, e não ao contrário. Esta ordem tem:
Por base a verdade;
Contrói-se na justiça;
E é vivificado pelo amor.
A soberania é:
O poder político supremo e independente que não está sujeito a nenhum outo nível interno, e
Que na arena externa está em pé de igualidade com poderes supremos de outros povos, bem
como a de no acatar leis internacionais que não sejam voluntariamente aceites.
JURISDIÇÃO: função que o Estado assume, através dos juízes e tribunais, de ministrar a
justiça, aplicando o Direito aos casos concretos que lhes são apresentados. Neste sentido, fala-se
também de função jurisdicional e corresponde aos foros e tribunais determinados pelas leis.
Deve-se distinguir:
Na prática falar é apenas uma das funções que actualmente não está entre as mais
importantes. Variam também os termos a um parlamento: Congresso, Corpo Legislativo ou ainda
Assembleia, são os mais utilizados.
Acredita-se que o parlamento mais antigo seja o Althing, na Islândia, mas uma
interrupção no seu funcionamento no século XIX Faz crer que o que funciona a mais tempo sem
interrupção é o Tynwald da ilha de Man. Entre os mais antigos, estão o parlamento britânico, que
provavelmente é o mais influente no desenvolvimento das tradições do Estado parlamentar.
Os parlamentos modernos desenvolvem diversas funções. Além da ideia inicial dos debates, eles
se dedicam a à redação de leis, ao controlo do orçamento, representam de alguma forma a
população do país e influenciam na composição do governo. Muitos sistemas parlamentares são
constituidos mediante eleições legislativas.
Poder Executivo, divisão do governo que tem o papel de fazer cumprir a s leis. Diferente do
poder legislativo que promulga ou revoga leis, e do poder judiciário eque interpreta, faz respeitar
e ou invalida as mesmas.
A eli, norma geral a quem todos estão submetidos, é um acto emanado do poder legislativo e
sancionado pelo poder executivo.
A tirania, enfim, cedeu o lugar aos regimes dominados pela plebe urbana, massas de homens
livres apenas no nome, mas sem a virtude de governar em democracia. Aliás, devido crescimento
populacional, a democracia tornou-se a única constituição aceitável na área helénica.
Antes de avançarmos sobre a questão da cidadania e afins, queremos por ora salientar
alguns meios pelos quais os Estados asseguram as suas ideologias e ou regimes políticos como
forma de perpetuar tais ideologias e, consequentemente o pode. É o que Althusser denomina de
Aparelhos Ideológicos de Estado.
8.9 CIDADANIA
Nacionalidade
A nacionalidade é pressuposto da cidadania - ser nacional de um Estado é condição primordial
para o exercício dos direitospolíticos. Entretanto, se todo cidadão é nacional de um Estado, nem
todo nacional é cidadão - os indivíduos que não estejam investidos de direitos políticos podem
ser nacionais de um Estado sem serem cidadãos.
Ao longo de várias décadas, várias gerações de angolanos lutaram e deram as suas vidas
para que Angola se tornasse um país livre, soberano e independente. A união pelo bem comum e
supremo, que é a pátria angolana, levou os povos de Angola a dedicarem-se pela preservação da
sua integridade territorial. Não foi uma tarefa fácil, como demonstra a História recente de
Angola, mas preenchida de esforços em nome de algo que une todo e qualquer angolano: a pátria
angolana de Cabinda ao Cunene.
Concordamos com aqueles que dizem e com razão que os angolanos podem ter pontos de
vista diferentes, podem conceber o desenvolvimento e progresso de forma divergente, mas tendo
sempre em linha de conta os factores de união. O lugar-comum em que as famílias angolanas
convivem, sobre o qual se empenham para torná-lo num espaço bom para viver, constitui um
passo para fortalecermos a consciência de nação. Viver unidos na diversidade enriquece e
fortalece o sentido de pátria e pertença a uma terra onde todos os povos convivem
independentemente das suas origens, crenças, filiação partidária e ideológica e religiosa.
Acreditamos que todos os angolanos, sem excepção, pretendem o bem de Angola, razão pela
qual urge o reforço da unidade e sentido de pátria.
Nunca os angolanos compreenderam tão bem o significado da Paz e estabilidade como
agora que o país regista progressos em várias áreas, fruto da união entre os angolanos. Numa
altura em que Angola celebra a Paz, acreditamos que os valores da unidade em torno da pátria se
fortalecem cada vez mais. Auguramos que cada angolano saiba promover a cultura da Paz
enquanto fundamento para que Angola se torne num país bom para vivermos.
De facto é o momento de nos servirmos das palavras do grande filósofo Platão: foi um
processo longo árduo e fatigoso, que implicou vários passos, e muitos deles ineficazes. Trata-se
especificamente dos acordos e protocolo entre as diversas forças influentes no processo. E disso
é que pretendemos por agora nos servir como a próxima etapa das nossas abordagens.
O acordo tinha em vista a criação de um exercito nacional unificado a partir das forças
militares dos dois países adversário e do seu calendário para as eleições nacionais trouxe
inevitavelmente a memoria o Acordo de Alvor (de 1 a 15 de Janeiro de 1975) cuja malogro
levara, tortuosa e tragicamente ao próprio Bicesse.
O processo de Bicesse iria mais longe do que o de 1975no que se refere às eleições
realizada em Setembro de 1992, livre e equitativas mas que perderam seu sentido quando
Savimbi recusou aceitar a vitoria por estreita margem de José Eduardo e MPLA.
Dentre os vários factores que contribuíram para o fracasso de BicesseMargarethAnstee,
mediadora das Nações Unidas no processo, avançou com alguns aspetos:
A falta de instrumentos institucionais que assegurassem o seu respeito que não podia assentar
apenas na boa-fé das partes.
A demasiada rigidez e exiguidade do prazo para as eleições.
Acordo de Lusaca foi a terceira grande cimeira mediada pelas Nações Unidas na busca da
paz para Angola.
No dia 20 de Novembro de 1994, após meses de difíceis negociações, o então ministro das
relações exteriores de Angola, Venâncio de Moura, e o então secretario geral da UNITA Engenho
Manuvacola, assinaram o protocolo de Lusaca, na Zâmbia, que retomava pontos básicos do
acordo de Bicesse.
Havia a esperança de que este novo acordo traria a paz definitiva devido as seguintes
razões:
A guerra-fria tinha terminado, e o mundo começava a voltar-se mais para a defesa dos direitos
humanos. E principalmente porque, em Maio de 1993, os EUA, na figura do presidente Bill
Clinton, finalmente, reconheceram o governo de Angola. Mas que reparar a injustiça de seus
interesses, o presidente norte-americano tinham o objectivo de esvaziar qualquer conotação
politica que pudesse haver nos actos terroristas da UNITA.
Entre outras coisas o protocolo de Lusaca prévia a criação de um governo de
reconciliação nacional reiterava a necessidade de desmobilização das forças militares de ambos
os lados e igualmente, a entrega as autoridades governamentais das árias controladas pela
UNITA
Apesar dos esforços da Nações Unida, notavelmente pouco saiu como previsto a começar
pela desmobilização das tropas. As FAA reduziram o seu efectivo para apenas 70 mil homens,
mas a UNITA continuava relutante em integrar os seus homens no exército único.
Acordo do Luena
Por sua vez, Bento Bembe assegurou que a sua organização jamais iria aceitar qualquer
comportamento susceptível de fazer regressar o povo de Cabinda ao clima de inquietação e
ausência da paz.
"A paz, no enclave, veio para ficar", disse, ao discursar depois de ter rubricado o documento.
Roberto de Almeida, que representou o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos
Santos, fez vincar que, "de facto, desde Abril de 2002 que apenas na província de Cabinda
continuava a existir um conflito armado, superado pelo patriotismo, bom senso e a capacidade de
diálogo de todas as partes envolvidas".
No mesmo dia, o Bureau Político do MPLA, numa declaração emitida por ocasião do
acto, saudou a assinatura do Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação na
província de Cabinda e todos os intervenientes desse processo, com destaque para o Presidente
da República, José Eduardo dos Santos.
Numa resolução aprovada por 129 votos a favor, nenhum contra e sem abstenções, o
Parlamento considerou que a autorização decorreu da necessidade premente de obtenção da paz
em Cabinda, expressa e sentida diariamente pelas populações de Angola, em geral, e do enclave,
em particular.
A Assembleia Nacional aprovou igualmente o Memorando de Entendimento para a Paz e
Reconciliação em Cabinda, conferindo deste modo dignidade legal ao importante documento,
que previa um conjunto de acções a serem executadas, para a efectivação do fim do conflito na
província.
No mesmo dia, foi igualmente aprovada a Lei de Amnistia para a paz e reconciliação em
Cabinda, no quadro do Memorando de Entendimento.
A proposta de Lei, que foi depois promulgada pelo Presidente da República, beneficiou
todos os crimes militares cometidos igualmente no quadro do conflito, até a data da assinatura do
documento.
O parlamento aprovou também uma resolução que autorizou o Governo a proceder à alterações à
orgânica dos executivos provinciais, das administrações municipais e comunais.
Esta autorização incluiu a aprovação de um Estatuto Especial para Cabinda, no quadro do
Memorando de Entendimento, na sequência do reconhecimento, pelo Governo, de
especificidades histórico-geográfica e cultural da província.
O Memorando estabelece as bases gerais do modo de organização, competências,
funcionamento e poder regulamentar da Administração do Estado em Cabinda, no âmbito da sua
integração na divisão político-administrativa do país e respeito à Lei Constitucional e demais
legislação.
Neles encontra discípulos dóceis, capazes de compreender todas as renúncias que a razão
lhes impõe, mesmo quando duras. O egoísmo está superado e as paixões, controladas. Os
interesses pessoais se casam com os da totalidade social, e o príncipe filósofo é a tipificação
perfeita do demiurgo terreno.
Apesar de tudo isso e desse ideal de Bem comum, Platão parece reconhecer o caráter
utópico desse projeto político, no final do livro IX de A República.
Tendo em vista esse ideal, o trabalho manual continuava não valorizado no âmbito da
cidade-estado. A classe dos trabalhadores não era classe cidadã, pois não lhes sobrava tempo
para a contemplação teórica da verdade e para a práxis política. Para Platão, o ideal humano se
realizava na figura do cidadão filósofo, livre das incumbências da sobrevivência, constituindo
um ideal altamente elitista.
Platão achava um absurdo que homens com mais votos pudessem assumir cargos da mais
alta importância, pois nem sempre o mais votado é o melhor preparado. Era preciso criar um
método para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público.
Mas atrás desses problemas estava a psyche humana, como havia identificado Sócrates,
Para Platão o conhecimento humano vêm de três fontes principais: o desejo, a emoção, e o
conhecimento, que fluem do baixo ventre, coração e cabeça, respectivamente. Essas fontes
seriam forças presentes em diferentes graus de distribuição nos indivíduos. Elas se dosariam
umas às outras, e num homem apto a governar, estariam em equilíbrio, com a cabeça liderando
continuamente. Para isso, é preciso uma longa preparação e muita sabedoria. O mais indicado,
para Platão, é o filósofo: "enquanto os filósofos deste mundo não tiverem o espírito e o poder da
filosofia, a sabedoria e a liderança não se encontrarão no mesmo homem, e as cidades sofrerão os
males".
Para começar essa sociedade ideal, como dissemos, deve-se tirar os filhos dos pais, para
protegê-los dos maus hábitos. Nos primeiros dez anos, a educação será predominantemente
física. A medicina serve só para os doentes sedentários das cidades.
Não se deve viver para a doença. Para contrabalançar com as atividades físicas, a música.
A música aperfeiçoa o espírito, cria um requinte de sentimento e molda o caráter, também
restaura a saúde.
Para Platão, a inspiração e a intuição verdadeira não se conseguem quando se está
consciente, com a razão. O poder do intelecto está reprimido no sono ou na atenção que aflora
com a doença. Ele então critica o controle da lei e da razão à certos instintos que ele chama de
ilegais.
Depois dos dezesseis anos, e de misturar a música para lições musicais com a música
pura, essas práticas são abandonadas. Assim os membros dessa comunidade teriam uma base
psicológica e fisiológica. A base moral será dada pela crença em Deus. O que torna a nação forte
seria Ele, pois ele pode dar conforto aos corações aflitos, coragem às almas e incitar e obrigar.
Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência, mas fala que
ela não faz mal, só bem.
Aos vinte anos, chegará a hora da Grande Eliminação, um teste prático e teórico, Começa
a divisão por classes da República. Os que não passarem serão designados para o trabalho
econômico. Depois de mais dez anos de educação e treinamento, outro teste. Os que passarem
aprenderão o deleite da filosofia. Assim se dedicarão ao estudo da doutrina e do mundo das
Idéias.
O mundo das Idéias seria um mundo transcendente, de existência autônoma, que está por
trás do mundo sensível. As Idéias são formas puras, modelos perfeitos eternos e imutáveis,
paradigmas. O que pertence ao mundo dos sentidos se corrói e se desintegra com a ação do
tempo. Mas tudo o que percebemos, todos os itens são formados a partir das Idéias, constituindo
cópias imperfeitas desses modelos espirituais. Só podemos atingir a realidade das Idéias, na
medida em que pelo processo dialético, nossa mente se afasta do mundo concreto, atravessando
com a alma sucessivos graus de abstração, usando sistematicamente o discurso para se chegar à
essência do mundo. A dialética é um instrumento de busca da verdade.
Platão acreditava numa alma imortal, que já existia no mundo das Idéias antes de habitar
nosso corpo. Assim que passa a habitá-lo esquece das Idéias perfeitas. Então o mundo se
apresenta a partir de uma vaga lembrança. A alma quer voltar para o mundo das Idéias. Um dos
primeiros críticos de toda essa teoria de Platão foi um de seus alunos da Academia, Aristóteles.
Igualmente conhecida na República é a alegoria da caverna, que ilustra como percebemos apenas
parte do mundo, reduzindo-o.
Um grupo de pessoas vive acorrentada numa caverna desde que nasceu, de costas para a
entrada. Elas vêem refletida na parede da caverna as sombras do mundo real, pois há uma
fogueira queimando além de um muro, depois da entrada. Elas acham que as sombras são tudo o
que existe. Um dos habitantes se livra das amarras. Fora da caverna, primeiro ele se acostuma
com a luz, depois vê a beleza e a vastidão do mundo, com suas cores e contornos. Ao voltar para
a caverna para libertar seus companheiros, acaba sendo assassinado, pois não acreditam nele.
Depois de estudar a filosofia, aqueles que forem considerados aptos irão testar seus
conhecimentos no mundo real, onde experimentarão os dissabores da vida, ganhando comida
conforma o trabalho, experimentando a crua realidade. Aos cinquenta anos, os que sobreviveram
tornaram-se os governantes do Estado.
Todos terão oportunidades iguais, mas na eliminação serão designados para classes
diferentes. Os filósofos-reis não terão nenhum privilégio, tendo só os bens necessários, serão
vegetarianos e dormirão no mesmo lugar. A procriação será para fins eugênicos, o sexo não será
apenas por prazer. Haverá defensores contra inimigos externos, os guardiões, homens fortes,
dedicados à comunidade. Não haverá diferença de oportunidade entre o sexo, sendo cada um
designado a fazer uma tarefa de acordo com a sua capacidade.
Platão fala da renuncia do individuo em prol da comunidade, impondo inúmeras condições para
a vida. Ele atenta para um problema muito preocupante em nossos dias: a superpopulação.