Sebenta Vibrações
Sebenta Vibrações
Departamento de Mecânica
2ª Edição
Índice
MECÂNICA 2 i
DEM-ISEP
Cinética Planar de Corpos Rígidos
1.1. Introdução
O estudo das vibrações pode ser entendido como sendo um ramo da dinâmica que estuda
movimentos periódicos ou oscilatórios. Exemplos de alguns problemas que envolvem vibrações
são a resposta de uma estrutura de engenharia civil a solicitações dinâmicas ou ambientais e
sismos, ou ainda vibrações em máquinas rotativas não equilibradas dinamicamente.
A : constante.
t : tempo
dx
x An cos nt (1.2)
dt
d 2x
x
2
An2 sin nt (1.3)
dt
MECÂNICA 2 1
DEM-ISEP
Vibrações
x n2 x , no
A aceleração é portanto directamente proporcional ao deslocamento, i.e.,
movimento harmónico simples. A Figura 1.1 mostra variações típicas do deslocamento,
velocidade e aceleração para um movimento harmónico simples.
Figura 1.1
MECÂNICA 2 2
DEM-ISEP
Vibrações
. O ângulo de fase entre o deslocamento na Figura 1.1 (a) e a velocidade na Figura 1.1 (b) é
2
(a diferença no tempo entre a amplitude do deslocamento e a amplitude da velocidade é de 2 s,
2
portanto 2 ).
8 2
MECÂNICA 2 3
DEM-ISEP
Vibrações
m : massa
c : coeficiente de amortecimento
Figura 1.2
Em seguida são estudados vários casos de vibrações, tanto em regime livre como forçado,
e com ou sem amortecimento. As equações do movimento são obtidas por recurso à 2ª lei de
Newton, fazendo-se também referência ao método energético como forma alternativa. Para um
sistema vibratório com amortecimento, são consideradas três condições de amortecimento:
sistema sobreamortecido, sistema criticamente amortecido e sistema subamortecido.
MECÂNICA 2 4
DEM-ISEP
Vibrações
diagrama de corpo livre para este sistema está representado na Figura 1.3 b) e a equação do
movimento, obtida por aplicação da 2ª lei de Newton, é:
F x mx (1.4)
em que
A partir da Figura 1.3 b), a única força que actua na massa é kx no sentido negativo do
eixo x , portanto
kx mx (1.5)
mx kx 0 (1.6)
ou
x n2 x 0
(1.7)
k
onde n é a frequência natural (ou angular) do sistema em rad/s.
m
MECÂNICA 2 5
DEM-ISEP
Vibrações
Figura 1.4 a) Sistema vibratório de um grau de liberdade em regime livre sem amortecimento,
b) diagrama de corpo livre correspondente, c) diagrama de corpo livre em equilíbrio estático.
Para o sistema em regime livre não amortecido mostrado na Figura 1.4 a), em que um
corpo de massa m está suspenso de uma mola de rigidez k , o diagrama de corpo livre está
representado na Figura 1.4 b). Neste caso, o peso do corpo mg e a força devida à deformação
em regime estático k 0 devem ser incluídos na equação do movimento. Aplicando a 2ª lei de
Newton ao diagrama de corpo livre da Figura 1.4 b), obtém-se:
mg k x 0 mx (1.8)
A partir da condição de equilíbrio estático, Figura 1.4 c), a relação entre o peso do corpo
e a deformação em regime estático é dada por:
mg k 0 0 (1.9)
x n2 x 0
kx mx mx kx 0 ou
MECÂNICA 2 6
DEM-ISEP
Vibrações
Esta equação é a mesma, (1.7), que foi obtida para o sistema vibratório em regime livre
não amortecido da Figura 1.3. Concluiu-se assim que o peso do corpo não tem nenhuma
influência na equação do movimento e consequentemente na sua solução.
k k
Linha de
referência
x
(a) (b)
Figura 1.5 Sistema vibratório de um grau de liberdade em regime livre sem amortecimento:
1 2 1 1
T Vg Ve mx mgx k x 0 k 0 2
2
(1.10)
2 2 2
1 2
onde T : Energia cinética, T mx
2
MECÂNICA 2 7
DEM-ISEP
Vibrações
1 1
Ve : Energia potencial elástica, Ve k x 0 k 0 2 , sendo 0 a deformação da
2
2 2
mola em regime estático.
1 2 1 2
T Vg Ve mx kx (1.11)
2 2
d 1 2 1 2
mx kx 0 (1.12)
dt 2 2
mx kx 0 (1.13)
No caso do movimento harmónico simples, i.e. x A sin nt , a energia muda do valor
1 2
obtido sob a forma de energia cinética máxima ( mxmax , onde xmax é a velocidade máxima) e
2
energias potencial gravítica e elástica nulas para x 0 (posição de equilíbrio), para energias
1 2 2
potencial gravítica e elástica máximas ( kxmax , onde xmax é o máximo deslocamento) e energia
2
cinética nula. Aplicando o Princípio da Conservação da Energia a estas duas posições obtém-se:
ou
1 2 1 2
mxmax kxmax (1.14)
2 2
MECÂNICA 2 8
DEM-ISEP
Vibrações
A partir de (1.2) e (1.1), xmax n A n xmax , pelo que a partir de (1.14) se pode escrever
1 1 2 k
m n xmax kxmax n
2
(1.15)
2 2 m
em que A e B são constantes que podem ser determinadas a partir das condições iniciais. Para
t 0,
x x0 e x x0 (1.17)
x0 A cos 0 B sin 0 x0 A
x0
x0 An sin 0 Bn cos 0 x0 Bn B (1.18)
n
x0
x x0 cos nt sin nt (1.19)
n
MECÂNICA 2 9
DEM-ISEP
Vibrações
2
x x0 x0n
em que C x 0 2
e tan 1 tan 1 .
n x0 n x0
0
C : é a amplitude de vibração
A Figura 1.6 mostra a resposta típica no tempo para um sistema vibratório de um grau de
liberdade em regime livre sem amortecimento. Podem ser identificados os seguintes parâmetros:
2
n : período de vibração em segundos (s).
n
1 n
fn : frequência natural em hertz (Hz).
n 2
C : amplitude de vibração
x0 : deslocamento inicial
Figura 1.6 Resposta típica no tempo para um sistema vibratório de um grau de liberdade em
regime livre sem amortecimento.
MECÂNICA 2 10
DEM-ISEP
Vibrações
Tabela 1-Valores de rigidez e massa equivalentes para alguns sistemas estruturais comuns. E é o
módulo de Young, A é a área da secção recta, I é o momento de inércia da área, F é a força
aplicada, u é o deslocamento no ponto de carregamento e é a massa volúmica.
MECÂNICA 2 11
DEM-ISEP
Vibrações
x 2n x n2 x 0
(1.23)
k
em que n é a frequência natural (ou angular) do sistema e é o factor de
m
amortecimento definido como
MECÂNICA 2 12
DEM-ISEP
Vibrações
c
(1.24)
2mn
cc 2mn (1.25)
c
(1.26)
cc
x Aet (1.27)
1 n 2 1 , 2 n 2 1 (1.29)
x A1e
n 2 1 t
A2e
n 2 1 t
(1.31)
MECÂNICA 2 13
DEM-ISEP
Vibrações
-Sistemas sobreamortecidos ( 1)
-Sistemas subamortecidos ( 1)
Sistemas sobreamortecidos
reais. Neste caso, a resposta no tempo é da forma x Ae at , em que a é um número real
positivo. Assim, o movimento decai, pois à medida que t , x tende para zero, i.e. não existe
oscilação.
x0 A1 A2 (1.32)
x 2 1 n A1e
n 2 1 t
2 1 n A2e
n 2 1 t
x0 2 1 A
n 1 2 1 A
n 2 (1.33)
Resolvendo o sistema de duas equações, (1.32) e (1.33), obtém-se o valor das incógnitas
A1 e A2 :
A1
x0 x0n 2 1
2n 2 1
A2
x0 x0n 2 1 (1.34)
2n 2 1
MECÂNICA 2 14
DEM-ISEP
Vibrações
x
x0 x0n 2 1 e
n 2 1 t
x0 x0n 2 1 e
n 2 1 t
(1.35)
2n 2 1 2n 2 1
x0 2 x0n x
x 0 e2nt
2n 2n
ou
x0
x x0
2
1 e 2n t
(1.36)
n
MECÂNICA 2 15
DEM-ISEP
Vibrações
( 1) , pelo que teremos 1 2 n (ver a equação (1.29) para 1 ) e a resposta no tempo,
equação (1.30), é da forma
ser determinadas a partir das condições iniciais, i.e. para t 0 , x x0 e x x0 . Substituindo a 1ª
A1 x0 (1.38)
x A2 n A1 (1.39)
Assim, obtém-se A2 :
A2 x0 n A1 (1.40)
MECÂNICA 2 16
DEM-ISEP
Vibrações
Sistemas subamortecidos
i
1 2 n t i 1 t e t
2
x A1e A2 e
n
n
(1.42)
d n 1 2 (1.43)
x A1eid t A2eid t ent (1.44)
MECÂNICA 2 17
DEM-ISEP
Vibrações
A3
em que as constantes são: D A32 A42 e tan 1 .
A4
A3 x0 (1.47)
x0 n A3
A4 (1.49)
d
MECÂNICA 2 18
DEM-ISEP
Vibrações
x n x0
x x0 cos d t 0 sin d t ent (1.50)
d
2
d (1.51)
d
MECÂNICA 2 19
DEM-ISEP
Vibrações
donde se obtém:
x1
en d (1.53)
x2
x1
ln n d (1.54)
x2
(1.55)
2 2
2
1 x1
ln (1.56)
m xm1
MECÂNICA 2 20
DEM-ISEP
Vibrações
1.1.7. Introdução
O caso das vibrações forçadas constitui um dos mais casos mais importantes no estudo
das vibrações, especialmente quando a força de excitação é aplicada à estrutura ao longo do
tempo. A força dinâmica pode ser aplicada externamente, gerada pelo funcionamento em rotação
de uma máquina não equilibrada dinamicamente ou devido ao movimento de uma fundação,
como acontece por exemplo num sismo.
A força dinâmica é função do tempo, podendo ter diferentes formas e diferentes relações
com o tempo, i.e. pode ser periódica, não periódica, harmónica, em dente de serra, triangular, ou
mesmo de forma aleatória. Uma força do tipo harmónico, i.e. f t F0 sin t , pode ser vista na
Figura 1.11 a), em que é a frequência de excitação. Uma força do tipo aleatório pode ser vista
na Figura 1.11 b).
Figura 1.11 a) Força aplicada de forma harmónica b) Força aplicada de forma aleatória.
MECÂNICA 2 21
DEM-ISEP
Vibrações
F0
n2 x x sin t (1.59)
m
k
em que n é a frequência natural (ou angular) do sistema.
m
Resposta no tempo
A solução desta equação diferencial tem duas partes: a solução complementar e a solução
particular.
persistente), designada por x p , pode ser qualquer solução que satisfaça (1.59). A solução total é
x xc x p (1.60)
MECÂNICA 2 22
DEM-ISEP
Vibrações
x p sin t (1.62)
F0
2 sin t n2 sin t sin t (1.64)
m
F0 m F0 mn2
n2 2
2
(1.65)
1
n
k
Substituindo m por , obtém-se
n2
F0 k
2
(1.66)
1
n
A variação da amplitude, , em função de pode ser vista na Figura 1.13 a).
n
MECÂNICA 2 23
DEM-ISEP
Vibrações
-quando 0 1 , a amplitude do movimento persistente, , está em fase com a força
n
externa aplicada;
-quando 1 , a amplitude do movimento persistente, , está em oposição de fase
n
(desfasamento de 180º) com a força externa aplicada.
Na Figura 1.13 b) é a mostrada a variação do valor absoluto de com . Pode-se
n
observar que quando 1 , a amplitude (ocorre ressonância).
n
MECÂNICA 2 24
DEM-ISEP
Vibrações
F0
x 2n x n2 x
sin t (1.69)
m
k
em que n é a frequência natural (ou angular) do sistema e é o factor de
m
amortecimento definido como
c
(1.70)
2mn
MECÂNICA 2 25
DEM-ISEP
Vibrações
x 2n x n2 x 0 e a solução particular, x p , pode ser qualquer solução que
amortecimento,
satisfaça (1.69). Mais uma vez, a solução total é a soma das duas soluções:
x xc x p (1.71)
xc A1e
n 2 1 t A2e
n 2 1 t (1.72)
x A1e
n 2 1 t A2e
n 2 1 t
sin t (1.74)
F0 / k
2
2 2 2 (1.75)
1
n n
e
2 n
tan 1 2
(1.76)
1
n
MECÂNICA 2 26
DEM-ISEP
Vibrações
Na Figura 1.15, a variação da amplitude do movimento persistente, , em função de
n
para diferentes valores do factor de amortecimento, .
Figura 1.15 Amplitude do movimento persistente, , em função de para diferentes
n
valores do factor de amortecimento, .
Observando a Figura 1.15, pode constatar-se que para sistemas sem amortecimento, a
amplitude máxima do movimento persistente tende para infinito e ocorre quando 1 , altura
n
em que ocorre ressonância. Aumentando o valor do factor de amortecimento, , a amplitude
máxima do movimento persistente é reduzida e deslocada para 1.
n
MECÂNICA 2 27
DEM-ISEP
Vibrações
De maneira a reduzir vibrações indesejadas e os seus efeitos nas estruturas, são muitas
vezes usados sistemas de amortecimento. Estes sistemas de isolamento podem ser usados quer
para isolar a fonte de vibração quer para isolar o sistema de interesse. Este objectivo pode ser
atingido intercalando materiais com características de amortecimento entre a fonte de vibração e
o sistema de interesse de forma que a rigidez e o amortecimento entre eles sejam alterados. A
Figura 1.16 mostra um modelo de isolamento de vibrações usado para proteger as fundações de
uma máquina das vibrações produzidas por essa máquina, sendo constituído por uma mola de
constante de rigidez k e um amortecedor com coeficiente de amortecimento c .
A força transmitida pela máquina às fundações, Ft , pela mola e pelo amortecedor é dada
por:
Ft kx cx (1.77)
MECÂNICA 2 28
DEM-ISEP
Vibrações
em que
F0 / k
2
2 2 2 (1.80)
1
n n
e
2 n
tan 1 2
(1.81)
1
n
Ft k c k 2 c
2 2 2
(1.83)
F0 k k 2 c
2
Ft
2
2 2 2 (1.84)
1
n n
MECÂNICA 2 29
DEM-ISEP
Vibrações
Reescrevendo(1.84), obtém-se
c
2
1
Ft k
F0 2 (1.85)
2 2 2
1
n n
2 mn 2
e a transmissibilidade é dada por:
k mn2 n
2
2
1
Ft n
Tr (1.86)
F0 2
2 2 2
1
n n
Figura 1.17 Relação entre a transmissibilidade, Tr , e .
n
MECÂNICA 2 30
DEM-ISEP
Vibrações
Na Figura 1.17 é apresentada a relação entre a transmissibilidade, Tr , e , para
n
diferentes valores do factor de amortecimento, . É possível constatar que todas as curvas se
encontram no ponto em que 2 . Neste ponto, a transmissibilidade é igual a 1, o que quer
n
dizer que a força transmitida às fundações é igual à amplitude da força perturbadora. Para que se
consiga obter isolamento, é necessário que Tr 1 , situação que se verifica quando 2.
n
Ft 1
Tr
F0 2 (1.87)
1
n
MECÂNICA 2 31
DEM-ISEP
Vibrações
mx c x y k x y 0 (1.88)
F0 kY cY Y k 2 c
2 2 2 (1.91)
A solução da equação (1.89) é a mesma que a da equação (1.78) e é dada pela equação
(1.80). Substituindo portanto a equação da força (1.91) em (1.80), obtém-se
Y k 2 c / k
2
2
2 2 2 (1.92)
1
n n
Reescrevendo esta expressão duma forma semelhante à da equação (1.86), obtém-se uma
expressão para a transmissibilidade do deslocamento, Td :
2
2
1
n
Td (1.93)
Y 2
2 2 2
1
n n
MECÂNICA 2 32
DEM-ISEP
Vibrações
MECÂNICA 2 33
DEM-ISEP