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Impacto do Terrorismo em Moçambique

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O terrorismo em Moçambique pode vir a afectar todo o continente africano, se não for

travado - é o que disse o líder das forças armadas da África do Sul, num balanço da
presença militar das forças da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
(SADC), que desde Julho do ano passado estão no país para travar os grupos
extremistas autores de vários ataques nos últimos

Acreditamos fortemente que, se não conseguirmos derrotar o flagelo do terrorismo e


arrancar o mal pela raiz enquanto isso é possível, o problema pode vir a afectar toda a
região. A governação também tem de ser fortalecida, porque este problema não se pode
resolver através de meios puramente militares", disse o general Rudzani Maphwanya.

Podemos afirmar que a SADC actualmente desempenha um papel de relevo na dinâmica


regional e tem um enfoque muito particular em África.

Esta organização associa à cooperação inter-Estados a adopção de políticas e


instituições comuns, nomeadamente no âmbito da promoção da paz e da segurança
regional, reforçando a sua credibilidade e da África do Sul (nação líder), a nível
internacional (Faria, 2004, 20-21).

O estabelecimento em 2001, de um Protocolo para a Cooperação nas Áreas de Política,


Defesa e Segurança, teve como objectivo servir de instrumento para fazer face aos
desafios políticos, de Defesa e de segurança na região. Criando para o efeito o Comité
Inter-Estatal de Defesa e Segurança, que é constituído pelos Ministros da Defesa dos
Estados-membros. Este Protocolo estabelece as metodologias a utilizar na prevenção,
gestão e resolução de conflitos por meios pacíficos, recorrendo nomeadamente à
diplomacia preventiva, negociações, conciliação, mediação, os bons ofícios, à
arbitragem e adjudicação por um tribunal internacional.

Prevendo ainda o estabelecimento de um sistema de aviso prévio a fim de facilitar


acções atempadas que previnam a erupção e a escalada dos conflitos (SADC, 2006).

Tendo levado a efeito algumas intervenções militares, nomeadamente na RDC (1998),


com militares da África do Sul, Angola e do Botswana e no Lesoto (1998-1999), com
forças militares do Zimbabué, Angola e Namíbia, vem dando mostras de pretender
assumir um maior protagonismo no continente africano (Cilliers e Malan, 2005, 13).
Em 2004, a SADC adoptou o Strategic Indicative Plan for the SADC Organ (SIPO),
que identifica as principais fragilidades em matéria de segurança e Defesa e propõe
algumas medidas correctivas, estabelecendo à priori, dois órgãos que associam as
comissões inter-estatais de política e diplomacia, o Interstate Politics and Diplomacy
Committee, fórum de discussão dos Ministros dos Negócios Estrangeiro e o Interstate
Defence and Securuty Committee”, para os Ministros da Defesa, não tendo até ao
momento revelando-se muito eficaz na gestão de crises na região (Faria, 2004, 21).

FAKO JOHNSON LIKOTI

A intervenção militar de 1998 no Lesoto por parte da África do Sul e do Botswana


foi encoberta em polémica. Embora as autoridades sul-africanas afirmassem que a
intervenção era uma Intervenção Militar de 1998 no Lesoto: Missão de Paz da
SADC ou Guerra de Recursos?

A intervenção militar de 1998 no Lesoto por parte da África do Sul e do Botswana foi
encoberta em polémica. Embora as autoridades sul-africanas afirmassem que a
intervenção era uma Manutenção da paz humanitária da Comunidade de
Desenvolvimento da África Austral (SADC) missão para resgatar o Lesoto de um golpe,
a intervenção parece ter sido incoerente com a Carta das Nações Unidas e com o
Tratado da SADC (Likoti, 2007). Na verdade, a SADC não teve qualquer papel na
legitimação esta intervenção porque propostas relevantes para golpes de Estado não
foram ratificadas pelo Cimeira da SADC. Parece que a motivação para esta intervenção,
pelo menos em a parte da África do Sul, era garantir recursos estratégicos,
principalmente água. Nacional interesse explica a intervenção, em vez do resgate de um
estado cativo como o Sul África reivindicou.

Este ensaio pretende estabelecer se a intervenção militar no Lesoto foi motivada pelos
interesses nacionais realistas dos países intervenientes, e determinar o papel da SADC
na facilitação desta intervenção. Analisa os processos que A África do Sul e o Botswana
seguiram-nos durante a sua intervenção. 1 Apesar da opinião de Buzan alargamento da
definição de segurança para abranger novos desenvolvimentos, o tradicional a definição
realista de segurança continua a dominar as relações internacionais. 2 Como Lisa
Thompson defende: ‘a realidade da segurança como segurança militar é generalizada na
acção política (e na dimensão dos orçamentos de defesa)». 3 Tem sido fácil para os
decisores políticos utilizar a segurança desta forma como um objectivo político. Este
artigo refere que a intervenção sul-africana no Lesoto foi motivada pelos seus interesses
realistas. Quando os interesses dos estados estão em causa, estes devem fazer tudo o que
estiver ao seu alcance e capacidade para os proteger por todos os meios necessários. A
posição da África do Sul contra intervenção onde os seus interesses eram mínimos foi
clarificada por um pronunciamento oficial que declarou que o governo sul-africano “não
iria enviar reforço militar ao governo de Kabila juntamente com o Zimbabué, Angola e
Namíbia... com base em princípios’. 4 O princípio assentava na perspectiva realista de
que a África do Sul interviria apenas para salvar os seus próprios interesses,
particularmente a segurança do abastecimento de água. Em linha com a afirmação de
Hans Morgenthau de que questões como a água, os diamantes e outros recursos naturais
também são variáveis vitais que impelem os estados a intervir unilateralmente noutros
países em para os proteger, este artigo defende que este foi o caso no Lesoto. 5

A Intervenção Militar

Na manhã do dia 22 de Setembro, a Força de Defesa Nacional Sul-Africana (SANDF)


interveio no Lesoto. A decisão de o fazer foi justificada pelo Primeiro-Ministro
abordagem directa do Ministro ao Presidente da SADC, o Presidente da África do Sul.
Isto a acção foi vista pelos partidos políticos locais como algo para além dos poderes do
Primeiro-Ministro nos termos da constituição, que torna obrigatória a consulta do Rei
sobre tais assuntos. 14 Por outro lado, o partido no poder suspeitava que o Rei estava
em aliada aos manifestantes, uma vez que já se tinha recusado a permitir que o exército
os retire dos portões do palácio. Esta pode ter sido a razão pela qual o primeiro-ministro
não o consultou. A legitimidade da intervenção foi também questionável numa
perspectiva internacional porque parece ter sido não por razões humanitárias. Não
salvava pessoas em qualquer perigo nem prevenia uma catástrofe humana, mas era mais
consistente com os imperativos realistas.

Além disso, como defende Cedric de Coning, “a África do Sul, o Botswana e a SADC,
parecia não ter conseguido obter autorização prévia do Conselho de Segurança da ONU
Conselho, conforme exigido pelo Capítulo VIII da Carta,15 mas a decisão de intervir
baseou-se alegadamente em acordos alcançados nas cimeiras da SADC. 16 No entanto,
a intervenção também foi inconsistente com o artigo 4.º, alínea a) da SADC Tratado,
que subscreve o princípio da igualdade soberana de todos os Estados membros.
A intervenção do Lesoto dá crédito à afirmação de David Black e Larry Swatuk que as
guerras do próximo milénio serão travadas por recursos escassos recursos. 17 Ao
explicar o mandato da intervenção, denominada Operação Boleas, o Presidente Interino
do Estado Sul-Africano, Mangosuthu Buthelezi, defendia que existiam três objectivos:
‘proteger a barragem, repor a ordem no estabelecimento de segurança e manifestantes
claros do Palácio Real’. 18 Consistente com as ordens do Presidente do Estado, as
SANDF foram primeiro para a parte norte do o país à estratégica barragem de Katse e
bombardeou membros da LDF que guardavam. 19 A barragem é um projecto conjunto
Lesoto/South African Highlands Water (HWP), custando 7,5 mil milhões de dólares,
para armazenar e transferir 2,2 mil milhões de metros cúbicos de água para o centro
industrial sul-africano. O jornal sul-africano, o Sunday Independent, de Fevereiro de
1999, oferece uma descrição vívida da intervenção. Dois helicópteros sul-africanos
abriram fogo sobre os soldados adormecidos e forças especiais foram então
desembarcadas e massacraram qualquer LDF que tivesse sobrevivido. 20 Outro
relatório refere que as SANDF golpearam os cadáveres com baionetas e “explodiram os
seus cabeças com balas'. 21 A força deslocou-se então para Maseru para lidar com a
agitação que estava a acontecer lá.

Parece, portanto, que o motivo subjacente à África do Sul era garantir a água recursos,
embora o em apuros Mosisili nada tenha dito sobre a água projecto estava em perigo
quando convidou a África do Sul a vir reprimir o suposto golpe. Ao justificar a
intervenção, a África do Sul alegou que tinha intervindo em nome da SADC depois de
ter sido convidada por um governo legítimo. Nesta forma como a intervenção da África
do Sul foi justificada ao abrigo do princípio da colectividade segurança, apenas um mês
depois de se ter recusado a intervir na RDC. 22 Nem foi a mesma facilidade se estendeu
à prolongada guerra civil em Angola, que só veio chegou ao fim após a morte do líder
guerrilheiro de longa data, Jonas Savimbi, em 2002.23. A questão crucial é saber se a
intervenção foi consistente com os planos da SADC, do Protocolo de Segurança de
1996, que criou também o Órgão de Política, Defesa e Segurança (OPDS).

O papel do OPDS da SADC nos conflitos intra-estaduais

A 28 de Junho de 1996, os Chefes de Estado e de Governo da SADC lançaram o


Protocolo, que estabeleceu o OPDS, na sequência de discussões em vários cimeiras e
reuniões do Conselho. 24 No Protocolo, estes dirigentes comprometeram-se com a
resolução pacífica dos conflitos intra-estatais e inter-estatais. Eles prometeram resolver
os seus problemas internos através de negociações e consenso, promovendo a paz
trabalhando em conjunto e ajudando-se mutuamente para criar estabilidade política nos
seus países. Isto foi logo posto à prova pelas disputas que quebraram entre Angola,
Zâmbia, Botswana e Angola. Após acusações de o governo angolano levantou-se contra
a Zâmbia por ajudar os rebeldes do União Nacional para a Independência Total de
Angola (UNITA), SADC sob a presidência da Suazilândia conseguiu alcançar uma
resolução pacífica estas diferenças, mas não para acabar com a guerra em Angola. Da
mesma forma, quando a disputa relacionada com a água eclodiu entre o Botswana e a
Namíbia no Okavango Bacia Hidrográfica, a SADC esteve novamente disponível para
gerir o litígio.

O objectivo dos Estados-Membros ao conceberem a estrutura do OPDS era fazer com


que flexível e responsivo aos problemas regionais que possam surgir. 25 Este a
arquitectura de segurança foi concebida de acordo com o Capítulo VIII, Art. 52 da ONU

Carta para lidar com ameaças entre Estados membros. Da mesma forma, esta
arquitectura de segurança foi concebida de tal forma que funcionasse dentro da
estrutura, e em alguns casos, a direcção da Cimeira da SADC. O artigo 3.º do OPDS
claramente reflecte esta linha de pensamento. Por exemplo, a secção 1 diz que o OPDS
seria uma instituição da SADC e reportaria à Cimeira e, por conseguinte, seria
responsável perante a Cimeira por todas as suas operações. O preâmbulo do OPDS
enfatiza o respeito estrito pela integridade territorial e soberania de cada Estado-
Membro. O preâmbulo defende também o respeito pelo bem vizinhança,
interdependência, igualdade soberana, independência política, não agressão e não
interferência nos assuntos internos do membro estados.

O OPDS deve também seguir os procedimentos contidos no Art. 11 secção 4 que


exigem que obtenha o consentimento das partes em litígio para a sua acção de
pacificação esforços. Qualquer Estado Parte pode solicitar ao Presidente, em consulta
com os outros membros da troika, para colocar qualquer conflito significativo à
discussão ou mediar um conflito dentro do território desse Estado. Por fim, e de acordo
com o Art. 11 secção 4(e), o exercício do direito de legítima defesa individual ou
coletiva deverá ser imediatamente comunicado ao Conselho de Segurança e ao Órgão
Central do Mecanismo de Unidade Africana para a Prevenção, Gestão e Resolução de
Conflitos. 26
O que chocou a maioria dos analistas foi que na altura da RDC e do Lesoto conflitos. Os
negócios do OPDS estavam actualmente suspensos, devido a desentendimentos
prolongados entre o seu Presidente, o Zimbabué, e o Presidente da SADC, a África do
Sul. Durante este período funcionou de forma independente sob a presidência do
Presidente do Zimbabué, Mugabe, que presidiu ao OPDS desde a sua criação em 1996.
A presidência do Zimbabué destinava-se a “preencher o vazio deixado após a dissolução
dos Estados da Linha da Frente em 1994”, e o estadista mais antigo foi eleito pelo
Cimeira para preencher esta posição. 27 O protocolo de 1996 enfatizou que o OPDS
deveria funcionar a nível da Cimeira, independentemente de outras estruturas. 28 Isto
pressupunha que a SADC tivesse dois presidentes, um para a SADC como órgão
regional e o outro para o OPDS. O Presidente Mandela da África do Sul foi veemente
ao argumentar que a SADC não deveria ter dois presidentes, porque tais configurações
geram competição desnecessária e rivalidades indevidas com bifurcação de objectivos
entre os dois órgãos. 29 Em contrapartida, Mugabe instou que os dois deveriam
funcionar como órgãos separados, mas paralelos, em conformidade com a Cimeira de
1996, que estabeleceu o OPDS. 30 Mugabe defendeu que a SADC era uma entidade
financiada por doadores órgão, o que o tornava susceptível à influência estrangeira,
enquanto a segurança era uma questão altamente sensível que não podia ser subordinada
à influência dos doadores. 31

O impasse entre os Presidentes Mandela e Mugabe reflectiu esta relação complexa: a


África do Sul defendia que ‘as questões de política, defesa e segurança eram demasiado
sensíveis e importantes para serem efectivamente deixadas a um só membro Estado”, e
que “quaisquer receios sobre a Cimeira dos Órgãos da SADC ser separada abusadas
pelo Presidente do Órgão da SADC são infundadas’. 32 As cadeias de decisão como
previsto pelo Comunicado de Gaborone da SADC, principalmente relacionado com
questões, não pode ser tomada unilateralmente sem consulta de todos os membros
estados da SADC. Em termos do OPDS, o Presidente da SADC deve primeiro consultar
a Troika cuja decisão deverá ser aprovada pela cimeira. Isto levantou muitas questões de
legitimidade em relação à transparência e à propriedade desta missão da SADC.

À data da intervenção, a SADC não dispunha de qualquer documento oficial que


regulasse intervenções, para além do Comunicado de Gaborone de 28 de Junho de 1996
em em relação ao protocolo OPDS, que deveria ser encarregue de lidar com estas
questões. 33 Na altura deste conflito, só tinha recebido aprovação na reunião ministerial
nível e ainda não foi aprovado pela cimeira. Isto significava que o documento não era
oficial e não podia ser citado como justificação para a intervenção. Laurie Nathan
defende ainda que:

A decisão da SADC de não permitir golpes de Estado na região foi, de facto,


uma proposta da ISDSC à Cimeira da SADC; a proposta incluía a desde que a
aprovação da ONU, da OUA e da SADC seja obtida antes de qualquer
intervenção militar; a Cimeira não aprovou a proposta do ISDSC nem acção
militar autorizada.34
Na ausência da aprovação da Cimeira, a decisão dos dois países vizinhos o lançamento
da operação pelos países da SADC parecia ter sido incoerente com as regras de decisão
da SADC e a Carta das Nações Unidas e, por isso, era ilegal ao abrigo do direito
internacional. Esta operação destacou a ausência de regras acordadas e também a
complexidade na tomada de decisões do OPDS sobre questões jurídicas, militares e
políticas questões para a instauração de acção coerciva colectiva pela instituição. O que
ficou claro foi que esta intervenção foi motivada por interesses realistas. Foi
argumentou ainda que quando a intervenção ocorreu, os Estados-Membros tinham
acordado nem sobre a forma como o OPDS se deveria relacionar com a SADC nem
sobre quem tinha de controlar a intervenção. 35 A falta de transparência quanto à
decisão de intervir criou a impressão de que se tratava de uma missão sul-africana e não
da SADC.

Pode argumentar-se que a SADC não tinha mandato. A África do Sul tinha interesses
claros no Lesoto. A identidade da força interveniente era predominantemente do Sul
Africano, com a Força de Defesa do Botswana a chegar um dia depois e limitada a uma
companhia de infantaria motorizada (130 pessoas) e um comando de batalhão elemento,
em comparação com os 3.000 funcionários das SANDF. 36 A falta de transparência em
torno do nível de autorização da intervenção deixou várias questões sem resposta:

Não é claro se houve alguma decisão formal da SADC que autorizasse a


Intervenção do Lesoto. Se tal decisão foi tomada pela SADC, não é claro se foi
autorizado na Cimeira da SADC nas Maurícias, numa Reunião Ministerial
reunião ou em reunião de Chefes de Estado-Maior. Supondo por um momento
que a SADC aprovou a intervenção, qual o mandato aprovado pela SADC para a
missão?37
Diversas teorias foram formuladas por comentadores políticos, que procuravam
justificar ou repudiar a intervenção. Mas o facto era que ‘havia nenhum registo de tal
decisão na acta', e parece que foi decidido numa reunião de ministros da defesa em
Gaborone, em 15 de Setembro de 1998, em que apenas a África do Sul e o Botswana
estiveram presentes. 38 Isto levanta ainda mais questões sérias: por que razão foi
tomada a decisão de intervir na reunião ministerial reunião e não na Cimeira e porquê
pelos intervenientes que não constituir mesmo um quórum da SADC?

Embora a rapidez da intervenção parecesse ter sido fundamental, parece que os


planeadores “não compreenderam que a identidade multinacional da missão foi tão
crucial como a rapidez na forma como o Grupo de Trabalho da SADC foi percebido e,
portanto, em última análise, para o sucesso global da missão”. 39 Ele também não
percebeu que a missão, para ser credível, deveria ter tido um representante da SADC
logótipo e bandeira comparáveis às missões da ONU – símbolos que indicariam que a
intervenção foi de facto autorizada pela SADC. Outra falha foi o nome de código
Boleas. Ao contrário das forças de manutenção da paz da ONU que têm siglas claras e
explicativas, a missão do Lesoto tinha uma força militar não pertencente à SADC
código. É também de notar que a África do Sul e o Botswana parecem ter diferentes
entendimentos da suposta missão da SADC. Makoa defende que:

Os dois países tinham interpretações diferentes da sua missão e da sua fonte de


legitimidade. Por exemplo, ao entrar no Lesoto, o Botswana A Força de Defesa
(BDF) hasteou uma bandeira branca, indicando que se via como uma força de
manutenção da paz. O comportamento do BDF contrastou fortemente com o do
SANDF que entrou no Lesoto ao amanhecer como força de invasão, atacando o
Palácio Real, os dois principais quartéis do exército em Maseru e o pequeno
LDF guarnição em Ha Katse. 40
O pessoal das SANDF, e não os oficiais da SADC, lidava com os meios de
comunicação social e com a intervenção força foi visitada pelo Ministro da Defesa sul-
africano e pelo Chefe do Força de Defesa Sul-Africana, que manteve conferências de
imprensa com o comandante, Coronel Robbie Harstlief. A percepção nos media era que
a reportagem cadeia passava exclusivamente pelos canais sul-africanos. 41 Toda a face
do a missão tinha, portanto, uma identidade fortemente sul-africana, com liderança
militar e não civil. Além disso, a Cimeira da SADC nunca foi convocada para confirmar
e ratificar intervenção. 42 Ficou claro que a intervenção foi totalmente desequilibrada
em termos da sua preparação e da sua concomitante falha em subscrever o Artigo 2º (4)
da Carta das Nações Unidas e outros artigos. 43 Igualmente claro, “ignorou o sete regras
para uma manutenção da paz bem-sucedida: clareza e consenso entre os decisores,
recursos adequados, determinação política, comando e controlo eficazes, apoio
financeiro adequado, uma imagem de inteligência clara e uma estimativa precisa de
tolerância a baixas”. 44 Da mesma forma, a intervenção não obteve o consentimento
todas as partes em conflito. A intervenção não envolveu o uso mínimo de força, um pré-
requisito para as forças de manutenção da paz que operam sob o mandato da ONU. A
julgar pela escala da guerra que se seguiu e pelos níveis de baixas entre soldados e civis
no quartel de Makoanyane, no portão do Palácio Real e noutros locais, a força utilizada
foi severa.

A referência ao artigo 5.º, alínea c), do Tratado da SADC criou outra controvérsia. Se
esta foi uma intervenção da SADC consistente com este artigo, porque é que o
Botswana governo teve de liquidar os seus custos operacionais e porque é que o Lesoto
teve de pagar para todas as despesas das operações das SANDF’?45 Mais controverso
ainda, a SADC fez não pagar a conta; em vez disso, o Secretariado da SADC
argumentou que o protocolo que estabelece o OPDS não tinha sido ratificado, tornando
assim difícil qualificar esta intervenção como uma operação da SADC. 46 Além disso,
se foi uma operação da SADC, porquê participou a SANDF, tendo já assinado um
acordo definindo o Acordo sobre o Estatuto das Forças, enquanto o Botswana não tinha
assinado tal acordo?47 Porque é que o BDF chegou atrasado, em vez de chegar ao
mesmo tempo que o SANDF, se é que de facto esta foi uma operação da SADC?48

Conclusão

A intervenção militar externa no conflito interno do Lesoto foi preocupante com


polémica. Em primeiro lugar, ao contrário da sabedoria convencional, a operação militar
não representava, de forma alguma, uma operação de manutenção da paz, tal como
reivindicada pelos responsáveis sul-africanos. 66 Pelo contrário, tratou-se de uma
operação militar de aplicação da lei que não foi apoiada pelos Capítulos VI ou VIII da
Carta das Nações Unidas. O pré-requisitos primários para as operações de manutenção
da paz no âmbito da ONU são o consentimento, a imparcialidade e o uso mínimo de
força. 67 Estes estavam ausentes esta intervenção. Em segundo lugar, os organismos
regionais e continentais não foram consultados. A Cimeira da SADC nunca esteve
envolvida na sanção desta intervenção, embora os países intervenientes alegaram que
foram autorizados pela SADC. A operação não tinha um mandato formal da própria
SADC através de uma resolução da Cimeira. 68 Nem teve qualquer sanção formal da
OUA/UA ou da ONU. Artigo 53.º a Carta da ONU obriga os organismos regionais a
solicitar autorização ao Conselho de Segurança antes que qualquer intervenção possa
ser operacionalizada. Artigo 4.º do Estatuto da UA A Atos também apoia esta posição.
Na altura da crise, a SADC não tinha qualquer protocolo que rege ou autoriza um estado
membro a intervir na situação de outro estado conflito intra-estadual. Em terceiro lugar,
como defende Lambrechts, o principal interesse da África do Sul era para garantir água
do LHWP. Isto foi consistente com o presidente em exercício

ordens, que as SANDF deveriam primeiro proteger a barragem antes de dispersar os


manifestantes do Palácio Real.

Por isso, os interesses realistas, centrados na água, eram o principal imperativo, em vez
de impulsos humanitários, como sugeriram as autoridades sul-africanas. Sul África
trouxe o Botswana para legitimar a intervenção. Na verdade, o Botswana as forças
armadas hastearam uma bandeira totalmente branca, reconhecida nos costumes
internacionais como um sinal de rendição, mas neste caso provavelmente porque o
Botswana se via como um pacificador em vez de um interveniente. A face da missão,
conduta, sistemas de reporte e a estrutura de comando tinham a marca da África do Sul,
e não da SADC ou da OUA, muito menos a ONU. É claro que estes organismos
regionais e internacionais não autorizá-lo, pelo menos inicialmente. Consequentemente,
pode concluir-se que o motivo subjacente a esta intervenção foram os interesses
nacionais realistas.

DELEGADO DO MININT ABORDA SITUAÇÃO DE SEGURANCA PÚBLICA NA


LUNDA-NORTE

O Delegado do MININT na Lunda-Norte, comissário Alfredo Quintino Lourenço


"Nilo" esclareceu em entrevista, na Centralidade do Dundo, por ocasião dos 43 anos da
província da Lunda-Norte, que entre 100 a 150 imigrantes ilegais, maioritariamente da
República Democrática do Congo (RDC) tentam diariamente entrar de forma irregular
no território nacional.

O Delegado do MININT na Lunda-Norte, comissário Alfredo Quintino Lourenço


"Nilo" esclareceu nesta sexta-feira, 02 de Julho, em entrevista, na Centralidade do
Dundo, Distrito Urbano do Mussungue, município de Chitato, por ocasião dos 43 anos
da província da Lunda-Norte que entre 100 a 150 imigrantes ilegais, maioritariamente
da República Democrática do Congo (RDC) tentam diariamente entrar de forma
irregular no território nacional, tendo em conta a vasta linha fronteiriça existente com a
RDC (770 km), com o intuito de atingirem as zonas diamantíferas para explorar o
mineral estratégico.

O comissário "Nilo" reconheceu a capacidade policial reduzida nos postos de fronteira


para fazer face às constantes violações de fronteira por parte de imigrantes da RDC, mas
garantiu que o efectivo encontra-se em prontidão para impedir a entrada de estrangeiros
ilegais no território nacional, a julgar pelos números produzidos no âmbito da Operação
Transparência que visa o combate à imigração ilegal e tráfico ilícito de diamantes, que
decorre na província desde o ano de 2018.

"A nossa capacidade é ainda incipiente, tendo em conta a dimensão do relevo


geográfico daí a razão de constantes violações de fronteira que assistimos no dia-dia, de
estrangeiros ilegais ao território nacional, maioritariamente da RDC".

Questionado sobre a vandalização de bens em alguns apartamentos da Centralidade do


Dundo, Alfredo Quintino Lourenço "Nilo", esclareceu que os actos ocorrem em
apartamentos até ao momento não habitados, envolvendo jovens e menores e sem
precisar números, referiu que apesar da cobertura policial da subunidade da
Centralidade estar na ordem dos 40%, está em curso uma operação policial, que está a
resultar na detenção e retenção dos implicados, bem como a recuperação dos meios
como (sanitas, portas, candeeiros e mangueiras das bocas de incêndio), que serão
apresentados aos órgãos de comunicação social oportunamente.

Relativamente ao tráfico de menores, o Delegado do MININT e Comandante Provincial


da Polícia fez saber que é uma situação não recorrente, cujo registo das autoridades

https://minint.gov.ao/ao/noticias/delegado-do-minint-aborda-situacao-de-seguranca-
publica-na-lunda-norte/policiais locais é de 05 casos.
Lunda Norte é uma província angolana, cuja capital é Lucapa. Possui vários municípios,
um clima tropical húmido, uma área de aproximadamente 103 760 Km², e uma
população de 790.000 habitantes.

CAPITAL: LUCAPA

Municípios

Xa-Muteba, Cuango, Capemba-Camulemba, Lubalo, Caungula, Cuilo, Chitato, Lucapa,


Caumbo;

Clima

Tropical úmido; existe grande regularidade na variação das condições climáticas quer
com a latitude quer com a altitude.

A temperatura média anual é de 27° C, sendo a humidade relativa pronunciada


(aproxima-se dos 90% e 50%, respectivamente para o mais húmido e para o mês mais
seco) e o regime de chuvas carregado, por vezes torrencial.

A média anual das chuvas, é de 1.400 mm com a máxima de 1.500 mm e mínima de


1.200 mm.

Área

103 760 Km²; as elevações atingem mais de 1.000 m no interior e 800 m adjacentes.
A superfície é suavemente ondulada e monótona, quase sem deformações, por isso
constituída por autênticas peneplanícies.

A altitude baixa gradualmente desde o canto SW, onde estão as nascentes dos grandes
rios Kuango, Kassai, etc, e onde alcança cerca de 1.400 metros a NE e, para NW, reduz-
se até aos 700 metros.

Vegetação e Floresta

A moldura verde das matas e da grande floresta equatorial é mais expressiva junto dos
braços dos grandes rios.

O solo, desfeito pelo volume das quedas pluviais ou a savana desacolhedora, salvo em
algumas modestas manchas, é coberto de vegetação rasteira.

A Lunda Norte é, em síntese, uma região de savana pouco arborizada. Todavia, a região
possui alguns recursos florestais localizados fundamentalmente nos Municípios de
Cambulo e Capenda-Camulemba.

Fauna

A diversidade da fauna compreende mamíferos de grande porte, aves diversas, répteis,


batráquios, peixes e numeroso grupo de vertebrados (antópolos, coleópteros, fauna do
solo, etc.)

Hidrografia
A rede hidrográfica drena as suas águas para o rio Zaire, por intermédio do Kassai, um
dos seus maiores tributários e cujos afluentes, alimentados por inúmeros sub-afluentes,
atravessam a região de Sul para o Norte num paralelismo frisante.

Os principais afluentes do Kassai, que a banham são, de Oeste para Leste, o Kuango,
Cuilo, Luangue, Luxico, Chicapa, Luachimo, Chihumbue e seu afluen_e Luembe.

Todos nascem na região do SW. As quedas rápidas abundam, tomando os rios


impróprios para a navegação. As águas são remansosas, ora agitadas.

População: 790.000 Habitantes;

Principal produção: agrícolas- arroz, mandioca, milho, Abacateiro, Amendoim, Batata


Doce, Feijão Cutelinho, Goiabeir, Mamoeiro, Mandioca, Mangueira, Ananás, Arroz.

Face às suas características para desenvolver uma larga gama de culturas e mão-de-obra
disponível, o seu relançamento vai proporcionar, com a distribuição de instrumentos de
trabalho e sementes, a auto-suficiência alimentar, podendo com o seu alastramento,
fazer surgir uma agricultura empresarial, base para o aparecimento da indústria agro-
alimentar.

Minérios: Diamante e Ouro

Pecuária: Bonivicultura de Carne

Distâncias em km a partir de Lucapa: Luanda 1.175 – Saurimo 135;


Indicativo telefônico: 052.

Caracterização Econômica

O desenvolvimento de acções na indústria, no comércio e em actividade subsidiárias na


Província foi, como não podia deixar de suceder, importante no suporte da actividade
extractiva de diamantes, não tendo lugar ou expressão as outras ligadas aos mais
diferentes ramos.

Indústria de Minérios

A actividade de prospecção e exploração de Diamantes, iniciada no nordeste Angolano,


no começo do século transacto, obrigou a criação de infra-estruturas industrias, agro-
alimentares e urbanas (acampamentos mineiros), de apoio a essa actividade
fundamental.

É de referir que o crescimento econômico da Diamang, (o nível e ritmo), e logicamente


desta área geográfica, (hoje Província da Lunda Norte), se reflecte na sua estrutura de
ocupação territorial, e pode ser correlacionado com o grau de diversificação do espaço
econômico.

A análise da repartição das forças produtivas mostra que, em quase todo o espaço
econômico, ela se caracterizava pela tendência de polarização ou monocentricidade e,
os laços extremamente fracos entre o núcleo (centro) e os territórios periféricos,
resultaram que uma quantidade e uma qualidade significativa de recursos naturais e,
naturalmente, humanos se mantiveram inexplorados.
No domínio social, (os sectores de Educação e Ensino, Saúde e Assistência e
Reinserção Social), as acções estão viradas fundamentalmente para combater e suster a
magnitude da quebra registada nos períodos anteriores.

No programa: Aumento de 104 salas de aulas de construção definitiva para o ensino


primário e secundário, permitindo aumentar o número de alunos de 42.000 para 51. 720,
no sistema. Construção e funcionamento, com o aproveitamento de materiais de
construção locais, de cerca de 50 salas, absorvendo uma média de 2.250 alunos.

No ano de referência do sector – 1984/85 – na Província funcionavam cerca de 450


salas, atendidas por 1.500 professores, contra as 202 actuais que, com as a construir
totalizará 288 salas de construção definitiva. Juntando-se as 50 de materiais de
construção tradicionais locais, totalizará 338 o que se aproximará do ano de referência
(o maior no n.º de atendimento). Necessitar-se-á do recrutamento de cerca de 400
professores para se juntar aos actuais 850;

Saúde – Aumento da capacidade de assistência médico-medicamentosa.

Infra-estruturas

Viabilizar a criação das premissas de base do desenvolvimento. Este eixo estratégico é


absolutamente indispensável num processo de geração de crescimento forte e de
empregos de elevado conteúdo de rendimento, (é assim o motor essencial do
desenvolvimento económico, do crescimento e da criação de empregos),
consubstanciando-se na construção de estradas, pontes, habitação, escolas, hospitais,
etc.

Agricultura
Face às suas características para desenvolver uma larga gama de culturas e mão-de-obra
disponível, o seu relançamento vai proporcionar, com a distribuição de instrumentos de
trabalho e sementes, a auto-suficiência alimentar, podendo com o seu alastramento,
fazer surgir uma agricultura empresarial, base para o aparecimento da indústria agro-
alimentar.

Lunda Norte

Terra de mistério antigo, parece ter sido primitivamente habitada pelos pigmeus, hoje
encontrados um pouco mais a norte, na região dos grandes lagos. Esses primitivos
habitantes viriam a ser deslocados definitivamente pelas várias tribos bantu que na sua
migração para sul ocupariam a totalidade do território de Angola.

Lunda Norte

Para além do rio Lalua. viviam várias comunidades de um povo vindo do nordeste – os
bungos – subordinados a chefes, que, não obstante independentes, ouviam e respeitavam
o mais velho chamado lala Mácu, estando assim em embrião a formação de um novo
estado, o da Lunda ou Runda.

Lunda Norte

Este velho laia foi agredido, um dia, por dois dos seus filhos Quingúri e lala – quando
embriagados e dessa agressão sobreveio-lhe a morte.
Antes de morrer, porém, indicou sua filha Lueji como sucessora e pediu aos outros
chefes que a amparassem e aconselhassem, visto ser ela ainda nova e inexperiente,
evitando que os irmãos se apoderassem do lucano (bracelete insígnia usada pelo chefe).

Precisava Lueji de escolher um homem para pai dos seus filhos, mas não o encontrava
do seu agrado, até que nas suas terras apareceu um caçador de nome llunga, filho de
Mutumbu, potentado da Luba, que foi o escolhido e o progenitor de Noeji, o primeiro
Muatíânvua.

As divisões no novo estado cedo começariam com Quinguri que não querendo sujeitar-
se à autoridade da irmã e do estrangeiro a quem ela se unira, deliberou com alguns
parentes mais afeiçoados abandonar as suas terras e ir organizar, longe dali, um novo e
forte estado, cujas forças pudessem mais tarde vencer as do Muatiânvua.

Outro grupo descontente, chefiado por Andumba, partiria mais tarde para com as gentes
de Quinguri se juntar.

Lunda Norte

No seu caminho para oeste viriam a encontrar, no entanto, forças hostis que provocaram
alteração na rota inicial, havendo então um retrocesso para leste, espalhando-os até ao
rio Cassai e dando origem a diversas tribos que tomaram o nome dos rios nas margens
dos quais se estabeleceram. A esta gente os lundas designavam por aioco, que se pode
interpretar por expatriado, e tal palavra evoluiria para quioco.
Sentindo Lueji o novo estado do Muatiânvua ameaçado pelos de Quinguri, que
entretanto ia aumentando de poderio, mandou expedições de gente armada – as
chamadas “guerras”, comandadas por parentes de absoluta confiança, em diversos
rumos, a fim de ampliar os seus territórios e sujeitar outras tribos à sua obediência.

Por este motivo, para ocidente, foi Andumba, seu primo, a quem deu o título de
Capenda Muene Ambango, que se demorou próximo ao rio Luachimo, atraindo a si
outras gentes, sempre em ligação com a Mussumba.

Pela sua morte, ali, sucedeu-lhe sua sobrinha Mona Mavoa, que continuou o avanço
para poente, chegando ao rio Cuango. Dela descendem os Capendas: Capenda-ca-
Mulemba, Capenda-Malundo e Capenda-Cassongo. todos estabelecidos ao longo deste
rio

Reconhecida em 1907 a existência de diamantes nos vales de alguns rios que, correndo
em Angola. penetram no Congo Belga.

Previu-se que o rico mineral existiria. também em território angolano e por tal motivo
fundou-se a Companhia de Pesquisas Mineiras de Angola, à qual fora dada concessão
para esse fim e que em 1913 fez avançar para a Lunda uma expedição chefiada pelo seu
representante em Luanda.

O então capitão de artilharia António Brandão de Melo. Partindo de Camaxilo para


leste, chegou ao rio Luachimo e aí estabeleceu uma estação que serviria de base aos
reconhecimentos a efectuar e para se ligar aos engenheiros vindos do Congo Belga.
A descoberta dos primeiros diamantes em Angola, foi registada em Novembro de 1912
quando dois geólogos da empresa Forminière encontraram 7 diamantes no ribeiro
Mussalala, tendo sido no mesmo ano constituída a PEMA (Companhia de Pesquisas
Mineiras de Angola). As primeiras explorações tiveram lugar no rio Chicapa e seus
afluentes.

Lunda Norte

Em Outubro de 1917 foi criada a DIAMANG que registou no seu primeiro ano a
produção de 4. 110 quilates. A produção bateria o seu record em 1971 com 2 413 021
quilates. Em Janeiro de 1981 foi criada a ENDIAMA que substutuiria total e
definitivamente a Diamang em 1988.

A divisão administrativa de hoje dIvide as Lundas em duas Províncias:

A Lunda Norte com a capital em Lucapa e;

A Lunda Sul, em Saurimo.

O sector dos diamantes de Angola tem sido dos mais afectados pela situação de guerra e
posterior instabilidade que o País tem atravessado.

A Região das Lundas tem sido das mais afectadas. O preço da guerra provocou uma
comercialização anárquica e em grande escala fomentada por numerosos dealers ilegais
que catalizaram o desenvolvimento não só da garimpagem, mas também o desvio de
importantes quantidades de diamantes para o exterior do País, em total prejuízo para o
Estado.

O Programa de Estabilização do Sector dos Diamantes (PROESDA) deu origem às Leis


16/94 e 17/94, que complementando a Lei Quadro 1/92, definem a orientação para o
sector.
Assim, a Endiama, deixando uma situação de controlo absoluto, associou-se a vários
parceiros na propecção e pesquisa de diamantes.

Os povos lunda-quiocos herdaram fabulosa riqueza etnográfica e a sua escola


esculturica é das mais notáveis de toda a África. Estes povos construíram uma
civilização ara além das fronteiras de Angola, conhecidos internacionalmente por
Tchokwe.

A arte Tchokwe foi disseminada por coleccionares pelos cinco continentes e está
presente nos maiores museus.

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Direitos Humanos

Polícia: Repatriamento de imigrantes ilegais respeita a lei


Lusa | ar

05/11/20185 de novembro de 2018

Polícia angolana nega existência de maus tratos de cidadãos estrangeiros que estão a ser
expulsos de Angola e reitera posição do Governo: trata-se de uma operação legítima.

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Angola Lisboa Kongolesische Flüchtlinge

Foto: DW/N. Sul d'Angloa

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Em declarações à imprensa esta segunda-feira (05.11.), o diretor do Gabinete de
Informação e Comunicação Institucional da Polícia Nacional de Angola, comissário
Orlando Bernardo, escusou-se, porém, a adiantar quaisquer pormenores, remetendo para
as declarações de Manuel Augusto, proferidas a 02 deste mês em Maputo, quaisquer
outros esclarecimentos. "As palavras do ministro das Relações Exteriores proferidas em
Maputo dão todos os esclarecimentos", referiu Orlando Bernardo.

Queixas e denúncias de maus tratos

Em causa estão várias queixas e denúncias de alegados maus tratos a cidadãos


estrangeiros, sobretudo da Guiné-Bissau, Guiné-Conacri e Mali, reportadas nas redes
sociais e replicadas por alguns órgãos de comunicação social daqueles três países, que
dão conta de "situações humilhantes" na operação de repatriamento de cidadãos que
estão ilegais em Angola.

Recorde-se que na semana passada, em Maputo, o ministro das Relações Exteriores de


Angola disse que a "Operação Transparência", que combate o garimpo ilegal em sete
províncias, entretanto estendidas a outras quatro, não é dirigida a qualquer cidadão de
algum país, mas tem como objetivo travar a exploração indevida de diamantes,
afastando, porém, a questão da imigração ilegal."O Governo angolano tem consciência
do que está a fazer. Esta operação visa atacar os fundamentos do garimpo. Não estamos
contra nenhuma nacionalidade, nem contra a imigração ilegal", declarou Manuel
Domingos Augusto, falando à imprensa no final de um encontro com o seu homólogo
moçambicano, José Pacheco.

Symbolbild Festnahme Flüchtling

Foto ilustrativaFoto: picture-alliance/dpa/D. Bockwoldt

Operação transparência
Em causa está a "Operação Transparência", iniciada a 25 de setembro e que decorre em
sete das 18 províncias do país - Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Bié, Malanje, Cuando
Cubango e Uíje, entretanto estendidas a mais quatro (Luanda, Bengo Cuanza Norte e
Zaire) e que visa combater a exploração indevida de diamantes, bem como a imigração
ilegal.Segundo os dados oficiais de Luanda, a operação já permitiu o "repatriamento
voluntário" de mais de 500 mil estrangeiros, maioritariamente oriundos da República
Democrática do Congo (RDCongo), a apreensão de mais de um milhão de dólares,
17.000 quilates de diamantes e 51 armas de fogo e o encerramento de centenas de casas
de compra e venda de diamantes e de 91 cooperativas.

Redes de crime organizado

De acordo com o chefe da diplomacia angolana, ainda nas declarações feitas em


Maputo, a exploração indevida de diamantes na região está a ser protagonizada por
redes de crime organizado, que estão a transformar a zona num "Estado autónomo".

"Temos regiões onde a população é toda constituída por imigrantes e foi montada uma
estrutura, com chefia e guarda armada. É um problema sério de segurança nacional",
observou o governante angolano, acrescentando que o problema mais grave é a
destruição ambiental provocada pela ação dos garimpeiros ilegais. A 01 deste mês, o
Conselho Norueguês para os Refugiados (CNR) alertou para os "graves problemas" que
se vivem na província do Kasai (sul da República Democrática do Congo) depois da
expulsão de cerca de 360.000 cidadãos, o que tem agravado a crise humanitária na
região.

Angola Lisboa Kongolesische Flüchtlinge

Duas crianças congolesas num campo de refugiados em AngolaFoto: DW/N. Sul


d'Angloa
Num comunicado enviado à agência de notícias Lusa, o CNR referiu que o fluxo de
cidadãos da RDCongo, além de estar a agravar a "já de si problemática crise
humanitária" na região, pode "alimentar novos conflitos". No entanto, Manuel
Domingos, ainda em Maputo, desdramatizou a situação.

"As organizações não-governamentais, que estão sempre à espera de desgraças em


África para poder ganhar dinheiro, começam a criar a imagem de que há uma crise
humanitária. Já se começa a dizer que são necessários milhões para atender crianças que
estão a ser deportadas massivamente. Mas o Governo angolano sabe o que está a fazer",
frisou Manuel Augusto, garantindo que a operação policial vai continuar até que se tire
do país "o último garimpeiro ilegal".

Mais de 500 estrangeiros expulsos O Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) de


Angola expulsou, na última semana, 583 cidadãos estrangeiros por "decisão judicial e
administrativa", e deteve cidadãos por "permanência e auxílio à imigração ilegal",
anunciou o oficial de comunicação do SME, Orlando Muhongo, adiantando que, no
período em causa, foram também notificados e "convidados a abandonar" o país oito
cidadãos estrangeiros por permanência ilegal.

Kongo | Aus Angola abgeschobene illegale Flüchtlinge

Refugiados congoleses Foto: Reuters/G. Paravicini

Fazendo o balanço das atividades desenvolvidas pelo SME no decurso da última


semana, o oficial de informação disse que foi recusada a entrada no país e
"consequentemente reembarcados" 796 cidadãos de diversas nacionalidades - 794 por
falta de documentos de viagem, um por visto de trabalho falso e um por falta de meios
de subsistência.
Orlando Muhongo salientou igualmente que foram impedidos de sair de Angola oito
cidadãos nacionais, cinco por falta de meios de subsistência, um por falta de autorização
de saída por parte dos pais, um por falta de despacho do ministro de tutela e outro por
mau estado de conservação do passaporte.

Em relação ao movimento migratório, o SME registou a entrada de 25.058 passageiros


de diversas nacionalidades, dos quais 12.212 nacionais e os restantes estrangeiros, e a
saída de 25.612 passageiros, incluindo 12.994 nacionais.

Nesse período, o SME aplicou ainda 86 multas a cidadãos de diversas nacionalidades e


a nove empresas.

https://www.dw.com/pt-002/repatriamento-de-imigrantes-ilegais-de-angola-respeita-a-
lei-afirma-a-pol%C3%ADcia/a-46161968

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