MÉTODOS CONTRACEPTIVOS
Métodos contraceptivos são comportamentos, medicamentos, intervenções cirúrgicas
ou objetos utilizados com o intuito de impedir uma gravidez. Atualmente existem vários
tipos deles, que vão desde os que garantem praticamente o fim da fertilidade, como
os métodos cirúrgicos, até os que, se interrompidos, garantem o retorno imediato da
capacidade de gerar filhos, sendo esse o caso da camisinha.
Os métodos contraceptivos podem ser utilizados tanto por homens quanto por
mulheres, sendo necessário um consenso entre o casal para que o melhor seja
escolhido. Assim como não existe nenhum método completamente eficaz, não existe a
definição do melhor método contraceptivo a ser adotado. Isso se deve ao fato de que
cada casal vive uma realidade diferente, e fatores, como saúde do usuário, valor do
método e vontade de ter filhos futuramente, devem ser analisados.
Classificação dos métodos contraceptivos
Os métodos contraceptivos podem ser classificados nos seguintes grupos:
1. Métodos contraceptivos de barreira
Como o nome indica, esse métodos formam uma barreira, física ou química, que
impede que o gameta masculino encontre o gameta feminino. Veja, a seguir, alguns
exemplos:
• Camisinha masculina: funciona como uma pequena capa que reveste
o pênis durante a relação sexual. Quando a ejaculação ocorre, o esperma fica retido na
camisinha. Uma das principais vantagens da camisinha é o fato de que ela protege
contra infecções sexualmente transmissíveis.
• Camisinha feminina: é colocada no interior da vagina e impede o contato direto
entre o pênis e essa região. Quando a ejaculação ocorre, o esperma fica retido dentro
dela. Assim como a camisinha masculina, a camisinha feminina garante proteção contra
infecções sexualmente transmissíveis.
• Diafragma: é uma espécie de capa que deve
ser colocada dentro da vagina até atingir
o colo do útero. Como é colocado no
colo do útero, esse material impede que
o espermatozoide encontre o ovócito.
• Espermicida: funciona como um método de barreira químico. Trata-se de
uma substância, colocada no interior da vagina, que causa a morte ou
imobilização dos espermatozoides. Pode ser usado sozinho ou então em
combinação com outros métodos.
Vantagens: simples de usar.
Desvantagens: não protege contra as IST/HIV/AIDS; a sua eficácia é de apenas uma
hora após a aplicação; uma nova dose deve ser reaplicada a cada relação sexual; pode
ocasionar irritação ou alergia na vagina ou no pênis, bem como fissuras e microfissuras
na mucosa vaginal ou retal, quando usado com muita frequência
Dispositivo intrauterino
O Dispositivo intra-uterino (DIU) é colocado no interior do útero para garantir a
prevenção contra a gravidez. Podemos encontrar dois tipos diferentes de DIU:
• DIU de cobre: é um dispositivo intrauterino que não libera hormônios. Ele atua
causando modificações no endométrio e no muco cervical, além de provocar danos aos
ovócitos em decorrência do cobre nele presente.
O DIU é colocado no interior do útero.
• Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (SIU-LNG ou
Mirena®): difere-se do DIU com cobre por liberar o hormônio levonorgestrel
no interior do útero. Ele atua protegendo contra a gravidez, pois controla,
principalmente, o desenvolvimento do endométrio e promove o
espessamento do muco cervical, dificultando a movimentação do
espermatozoide.
Vantagens: é um método de alta eficácia; pode ser usado por longos períodos, até a
menopausa; a fertilidade retorna logo após a sua remoção.
Desvantagens: não protege contra as IST/HIV/AIDS; pode desencadear a doença
inflamatória pélvica em algumas mulheres.
2. Métodos contraceptivos hormonais
Os métodos contraceptivos hormonais são aqueles que previnem a gravidez por meio
da utilização de hormônios sintéticos. Dentre os principais métodos hormonais,
podemos citar:
• Pílulas anticoncepcionais: podem ser
combinadas e
conter estrogênio e progesterona sintéticos ou
conter apenas progesterona. Elas atuam impedindo
a ovulação e também garantindo o espessamento
do muco cervical.
Vantagens: quando usado corretamente é um
método seguro para evitar a gravidez.
Desvantagem: não protege contra as IST/HIV/AIDS; algumas mulheres não podem usar
este método (grávidas ou com suspeita de gravidez, com algumas doenças cardíacas e
vasculares, doença hepática ativa etc.); se houver esquecimento, a mulher pode
engravidar
• Anticoncepcionais injetáveis: assim como as pílulas, contêm hormônios
similares aos que são produzidos no corpo da mulher. Existem diferentes tipos de
anticoncepcionais injetáveis, sendo alguns aplicados mensalmente, e outros, a cada três
meses. O mecanismo de ação baseia-se no impedimento da ovulação.
Vantagens: são muito eficazes para evitar a gravidez.
Desvantagem: não protege contra as IST/HIV/AIDS; pode causar cefaleia, ganho de
peso, algumas mulheres não podem usar este método (com múltiplos fatores de risco
para doença cardiovascular, hipertensão arterial, antecedente de acidente vascular
cerebral e outros).
• Implantes subcutâneos
É um sistema de silicone (consiste de um bastonete de 4 cm de comprimento e 2 mm
de diâmetro) com um hormônio no seu interior, que é liberado na corrente
sanguínea. Atua inibindo a ovulação e alterando o muco cervical, o que impede a
passagem dos espermatozoides.
Vantagens: método de longa duração (dura três anos) e são muito eficazes para evitar
a gravidez.
Desvantagem: não protege contra as IST/HIV/AIDS; pode causar cefaleia, ganho de
peso, acne, dor nas mamas, sangramento menstrual, dor abdominal, inflamação ou
infecção no local dos implantes, entre outros
• Adesivo anticoncepcional
O contraceptivo em forma de adesivo é semelhante a um esparadrapo, sendo aplicado
na pele para que ocorra a liberação dos hormônios, que acontece de forma contínua.
O tempo de duração do adesivo é de uma semana, devendo ser substituído durante 3
semanas, atingindo assim, 21 dias. Assim como a pílula, a orientação é que seja feita
uma pausa de uma semana para que o processo seja iniciado.
• Anticoncepção de emergência
Conhecido como “pílula do dia seguinte”.
Este método deve ser usado somente em situações emergenciais, para evitar uma
gravidez indesejada após relação sexual desprotegida, e não de forma regular para
substituir outro método anticoncepcional. Também está indicado para os casos em
que ocorreu falha na utilização de algum método anticoncepcional, como: ruptura do
preservativo, esquecimento de pílulas ou injetáveis, deslocamento do DIU ou do
diafragma.
A pílula apresenta compostos hormonais concentrados e é utilizada por alguns dias
após a relação sexual.
A sua eficácia está relacionada entre o tempo em que ocorreu a relação sexual e a sua
administração. Quando mais cedo for administrada, a sua eficácia será maior. O prazo
máximo para uso deste método é de até cinco dias (120 horas) após a relação sexual
desprotegida. Vale ressaltar, que o uso repetitivo ou frequente da anticoncepção de
emergência compromete sua eficácia.
3. Métodos naturais / abstinência periódica
Esses métodos baseiam-se, principalmente, na identificação do período fértil e na
abstinência sexual nesse período. Veja, a seguir, mais sobre esses métodos naturais:
• Tabelinha: identificação do período fértil da mulher após a análise de, pelo
menos, seis ciclos menstruais. Após a realização de cálculos e determinação
do período fértil, a mulher deverá abster-se de relações sexuais desprotegidas
nesse período.
• Método da temperatura basal: acompanhamento diário da temperatura da
mulher. Observa-se um aumento de, pelo menos, 5 ºC na temperatura após a
ovulação. Nesse período a relação sexual desprotegida deve ser evitada.
• Método de Billings (muco cervical): avaliação da viscosidade do muco
cervical durante o ciclo menstrual. No período da ovulação, verifica-se que o
muco torna-se mais claro e abundante. Nesse período a mulher deve evitar
relações sexuais sem proteção.
• Coito interrompido: retirada do pênis da vagina antes da ejaculação,
portanto, esse método necessita de grande autocontrole do homem.
Vantagens: estes métodos podem ser eficazes quando usado de forma correta e
consistente; são mais simples e de baixo custo.
Desvantagens: não protegem contra as IST/HIV/AIDS; são pouco eficazes no uso
rotineiro ou habitual, apresentando uma taxa de gravidez de 20 em 100 mulheres no
primeiro ano de uso; não estão indicados para mulheres cuja gravidez constitui risco
de vida.
4. Métodos cirúrgicos
Os métodos cirúrgicos são de alta eficácia e garantem uma proteção considerada
definitiva, pois as cirurgias de reversão desses procedimentos nem sempre conseguem
retomar a fertilidade do indivíduo. Veja, a seguir, mais sobre:
Os métodos cirúrgicos são considerados definitivos.
• Vasectomia: consiste em uma secção no canal deferente, a qual impede a
passagem do espermatozoide. O homem, após essa cirurgia, é capaz de
ejacular normalmente, porém o sêmen não contém espermatozoide
• Laqueadura ou ligação das tubas: baseia-se na obstrução das tubas uterinas,
que podem ser cortadas e amarradas; fechadas pela utilização de grampos ou
anéis; ou cauterizadas. Essa técnica atua impedindo que o espermatozoide
chegue até o ovócito e ocorra a fecundação.