E sobre as formas de participação popular, nós percebemos que são diversos os métodos utilizados em Curitiba
para apresentar propostas e ouvir a população em relação a demandas, dúvidas e oposições. Então, um desses
métodos é a audiência pública que são reuniões abertas ao público onde podem ser expressas as opiniões,
sugestões e preocupações sobre o que foi proposto com objetivo de maior transparência no processo e de incluir a
voz da população nos projetos para a sua cidade e decidir o que é de interesse coletivo. Durante as revisões do
último Plano Diretor, foram feitas audiências públicas para discutir as propostas e mais tarde eu apresento para
vocês um exemplo de uma audiência que ocorreu. Fazendo uma média entre os últimos, pra gente poder ter uma
noção, a participação nas audiências gira em torno de 300-600 pessoas. Esse método participativo não objetiva a
consensualidade, o objetivo é que seja feito o melhor para todos, e a decisão final é tomada pela autoridade, nesse
caso a população tem papel condicionante no processo decisório.
Outro método são os conselhos municipais que se tratam de órgãos consultivos e deliberativos compostos por
representantes da sociedade civil, do governo e de setores específicos, um exemplo é o Concitiba, o Conselho da
Cidade de Curitiba. O objetivo é facilitar o diálogo entre administração pública e população, entrelaçando os
diferentes interesses. Esses conselhos podem influenciar políticas públicas e suas decisões têm peso sobre isso.
Os conselhos devem ter relação colaborativa com o governo municipal e deve ser algo transparente, sem
interferências de interesses políticos específicos.
Agora sobre consultas públicas que é uma ferramenta que pode ser presencial ou digital com informações
dispostas sobre as propostas sobre assuntos previamente definidos e o cidadão pode enviar suas contribuições
livres. O objetivo principal é obter essas sugestões de forma ampliada já que o acesso desse formato de
participação popular é abrangente, ainda mais para quem não pode comparecer às audiências públicas, por
exemplo. Essa estratégia foi utilizada recentemente em 2018 e houve contribuição de 405 pessoas. Assim como
nas audiências públicas, essas sugestões são levadas em consideração para as tomadas de decisão.
Os workshops e seminários são eventos organizados para reunir técnicos, especialistas e membros da comunidade
e são discutidos aspectos de planejamento urbano. Nesses eventos o legal é que há um entendimento mais
profundo né e mais técnico sobre as propostas que estão sendo feitas. Outra questão é que geralmente são
utilizados métodos de diagramas participativos, mapas participativos, maquetes em que a população pode
participar realmente ali olhando o mapa, desenhando, anotando, fazendo as considerações sobre algo físico
mesmo. Esses eventos são distribuídos em sessões e acontecem em diversos bairros pra que seja algo mais
abrangente também. Daí, o relatório final com as sugestões e tudo que foi discutido são encaminhados para as
autoridades
E um outro método são encontros com lideranças comunitárias que, como o nome diz, são reuniões com líderes
comunitários e representantes dos bairros que captam as demandas da população e levam para as reuniões
representando todas aquelas pessoas. Então a conexão fica entre comunidade-representantes e
representantes-administração. Essas reuniões publicam o que foi discutido para que todos possam ter acesso e
essas contribuições da população tem influência sobre as decisões.
Aqui, nós trouxemos esse exemplo de divulgação que foi feita para os eventos que iam acontecer para a
adequação da lei de zoneamento, uso e ocupação do solo ao Plano Diretor de Curitiba, incentivando a participação
popular na tomada de decisões. O símbolo aqui da campanha indica esses eixos ligando os cantos de Curitiba que
seriam onde esses eventos iam acontecer e como a gente pode ver foi distribuído em 2 etapas. A primeira com
duas datas e em cada uma das datas aconteceram duas audiências em locais diferentes de Curitiba. Os eventos
ocorriam no período da tarde e da noite e eram transmitidos ao vivo pelo YouTube com o chat aberto. Aqui na
segunda etapa, foi feito um workshop somente para entidades que enviaram sugestões à Lei e posteriormente foi
feita uma Audiência Pública final no centro de Curitiba. Esses eventos ficaram disponíveis na internet publicamente.
E dessa forma, foi possível acompanhar uma audiência pública feita em 2019, voltada para o zoneamento, para a
revisão do Plano Diretor de 2020. Nós notamos a presença de moradores, de associações de moradores, entidades
ambientais, arquitetos e urbanistas e figuras políticas como vereadores. Os moradores levaram questões de
preservação de áreas verdes e a necessidade de espaços públicos de lazer. As entidades ambientais levaram
questões de criação de áreas de proteção para fauna e flora local e estratégias para amenizar o impacto das
construções sobre o meio ambiente. Os arquitetos e urbanistas levaram a questão da necessidade de uma
abordagem integrada de desenvolvimento urbano, incluindo soluções de mobilidade sustentável e acessibilidade no
planejamento urbano. As associações de moradores pediram pela revisão de normas de densidade construtiva e
questões sobre o impacto da atualização do Plano sobre as infraestruturas existentes. E daí, por exemplo, os
moradores levaram a questão das áreas verdes, a bancada lia a pergunta né e respondia como aquilo seria tratado,
nesse caso as áreas verdes foram colocadas como prioridade e a proposta era de que sempre que fossem
construir sobre áreas atualmente verdes, seriam feitas consultas públicas com objetivo de equilibrar o
desenvolvimento com a conservação ambiental.
1. Sugestões de Moradores
Contribuições: Moradores expressaram preocupações sobre a preservação de áreas verdes e a criação de mais espaços
públicos.
Respostas: Os representantes da prefeitura afirmaram que as novas diretrizes de zoneamento consideram a preservação
de áreas verdes como uma prioridade. Será criado um mecanismo que garante a consulta pública sempre que novas
construções estiverem planejadas em áreas atualmente verdes, com o objetivo de equilibrar o desenvolvimento com a
conservação ambiental.
2. Propostas de Entidades Ambientais
Contribuições: Organizações ambientais solicitaram a criação de áreas de proteção para a fauna e flora e melhorias na
legislação para evitar degradação ambiental.
Respostas: A prefeitura se comprometeu a incluir zonas de proteção ambiental e corredores ecológicos nas mudanças
propostas. Além disso, um grupo de trabalho será formado para monitorar os impactos ambientais de novos projetos e
garantir que planos de mitigação sejam implementados quando necessário.
3. Sugestões de Urbanistas e Arquitetos
Contribuições: Urbanistas e arquitetos sugeriram soluções de mobilidade sustentável e maior integração no
planejamento.
Respostas: A prefeitura reconheceu a importância de uma abordagem integrada e mencionou que a nova lei de
zoneamento irá incluir elementos de planejamento urbano que promovem o transporte público e a mobilidade ativa
(como ciclovias e calçadas adequadas). O projeto também considera infraestrutura que favoreça o uso de veículos não
motorizados e o transporte público.
4. Reivindicações de Associações de Moradores
Contribuições: Associações levantaram questões sobre a densidade construtiva e seu impacto nos bairros.
Respostas: A administração municipal esclareceu que os novos regulamentos buscarão uma distribuição mais equitativa
da densidade construtiva, garantindo que áreas já saturadas não enfrentem pressão adicional. Também foi prometido
que as associações de moradores teriam um papel ativo nas discussões sobre os novos projetos relacionados a suas
comunidades.
5. Questionamentos sobre Infraestrutura
Contribuições: Participantes questionaram a capacidade da infraestrutura existente para suportar o crescimento urbano.
Respostas: Os representantes da prefeitura explicaram que, paralelamente à atualização da lei de zoneamento, estão
sendo elaborados planos para expansão e melhoria da infraestrutura urbana. Isso inclui projetos para expandir a rede de
transporte público, melhorias na drenagem e sistemas de abastecimento de água, para garantir que o crescimento
urbano ocorra de forma sustentável e sem sobrecarregar os serviços existentes.