França 04
Nicolas Klai de França
Faces da história
01 de dezembro de 2023
O GRITO DA ESCÓCIA POR LIBERDADE
“Digo-vos verdadeiramente: a Liberdade é a melhor de todas as coisas; nunca viva
sob o laço de um cabresto servil’’
Escócia, meu país de origem, vivia momentos críticos em sua nobreza,
lamentavelmente vários reis sábios e pacíficos reinaram por breve tempo. E após tantas
perdas, nosso país jazia em tempos obscuros de incertezas, sendo ameaçada entrar numa
Guerra Civil. Sem um sangue real que pudesse liderar-nos, o Rei inglês Eduardo I, foi
convidado a mediar uma possível solução, porém o astuto rei, exigiu para tal benevolência,
que fosse declarado Lord Paramount da Escócia, e com isso possuísse domínio e autoridade
militar sobre os escoceses. Nossa nação então, a partir desse momento, foi subjugada com
mão de ferro e ingleses sanguinários se valiam da força para impor uma agenda de
crueldade. Foi exatamente neste contexto que vi meu país perder sua preciosa Liberdade,
surgindo em mim o desejo de libertar meu povo e restaurar nossa coroa legítima e pacífica.
Nasci em 1272, em Renfrewshire, numa pequena vila no sudoeste da Escócia, meu pai
se chamava Sir Malcon e minha mãe, Margaret. Fui educado na sagrada igreja de minha
província e ali aprendi ler e escrever em latim, e apreciava as artes marciais com o uso de:
espadas, escudos e arco e flecha. Infelizmente, em 1291, aos 19 anos, meu querido pai foi
morto por um cavaleiro inglês em Loudon Hill. Tal injustiça acendeu-me um espirito de
vingança e em meu furor matei um comandante britânico. Passados seis anos de fuga,
encontrei uma aldeia em Lanark, lá conheci uma bela moça chamada Marion Braidfute, com
a qual me casei em secreto. Porém, nossa união foi descoberta e numa emboscada, o xerife
William Heselring a feriu mortalmente. E angustiado, reuni 30 homens, e num ato de
vingança destruímos toda aldeia, e com minha espada claymore, desferi um golpe fatal no
xerife o mandando para a cova. Deste dia em diante não haveria mais volta, ou lutaria contra
os ingleses pela Liberdade de meu povo ou continuaria fugindo deles. E daquela pequena
vila, o simples filho de Sir Malcon tornou-se um guerreiro escocês.
Depois do incidente em Lanark, em 11 de setembro de 1297, partimos para a cidade
de Scone, onde lutamos intensamente ao lado de Guilherme, o Hardy, tomando o controle
de todo o centro-oeste da Escócia. Enquanto nossas tropas se fortaleciam, Andrew Moray,
um proeminente líder militar, liderava outra rebelião ao Norte, mas seus esforços não foram
suficientes, pois um dos castelos em Dundee, permanecia sob o poderio dos ingleses. Então,
unindo nossas forças, retiramo-nos para a Ponte de Stirling, que dava entrada para as terras
altas e encontrava-se em frente ao castelo, onde lutamos bravamente contra nosso inimigo
e o derrotamos. Desde de Lanark até nossa batalha ao Norte, nossos bravos guerreiros
lutaram por honra, mas ainda haveria uma próxima peleja e ela poderia custar nossa
derrota.
Muitos combates aconteceram desde o início de nossa revolta e minha reputação
crescia a ponto de ser condecorado Guardião da Escócia, o que me tornou um alvo para o
Rei Eduardo e este planejava arduamente eliminar-me da face da terra. Por isso em meu
coração crescia a aspiração de uma última Guerra, ansiava estar diante dessa serpente. O
que se desenrolou no dia 22 de julho de 1298 em Farkirk, na floresta de Black Ironside,
reunimos toda nossa tropa e lá estava sobre um cavalo, o estupido Rei, e em meu
pensamento só idealizava o triunfo de meu povo. Mas, não foi o que ocorreu, após um longo
confronto, centenas de escoceses perderam sua vida e a Inglaterra ao longe ergueu sua
bandeira exprimindo sua vitória avassaladora contra a Escócia. Desesperadamente fugi para
a floresta e fiquei escondido por 7 anos. Contudo, em meados de 1305, uma frota inglesa me
encontrou e levaram-me para Londres, onde fui preso, humilhado, torturado e por fim
decapitado. No entanto, o que não esperavam é que o fim de minha jornada despertaria um
novo líder, Robert the Bruce, nosso futuro Rei, que guerreou com determinação pela
Independência da Escócia. A coroa inglesa conseguiu tirar minha vida, mas não pode retirar
o Guardião do coração dos escoceses.
Toda vida tem um proposito e o meu foi lutar por minha nação. Desde pequeno
ensinaram-me valores, caráter e a arte da guerra, preparando-me para ser o mais notável
dos escoceses. Com a morte de meu pai e minha esposa, juntei-me a rebelião, unindo forças
na Ponte de Stirling, onde saímos vitoriosos. Porém, em Farkirk, não obtivemos o mesmo
resultado, perdemos nosso último ataque e o Rei Eduardo saiu vitorioso no campo de
batalha. Sem êxito, fugi o mais longe possível, ocultando-me na vasta floresta. Todavia,
minha jornada chegaria ao fim, fui capturado e levado a Londres, para a mais desprezível
morte. O que inflamou ainda mais no coração de Robert the Bruce, a força e a intrepidez
para continuar lutando e assim resgatando nossa amada coroa. Perdas e vitórias marcaram
minha trajetória, minha partida abalou a Europa, despertei valentia e coragem em homens
que viviam sob a mais feroz tirania, libertei meu reino e me tornei uma lenda, pois, até hoje,
corre entre os escoceses, que em meio ao meu flagelo, do mais profundo gemido, bradei o
que mudaria o destino da Escócia: LIBERDADE!! E expirei para enfim me juntar a Marion.
QUEM SOU EU???
Bibliografia:
Internet:
https://www.britannica.com/biography/William-Wallace.
Livros:
William Wallace: Uma Biografia, por André Tadei
E
William Wallace: A Life from Beginning to End (History of Scotland), por Hourly
History.