SEEU - Processo: 0057231-85.2012.8.13.
0079 - Assinado digitalmente por KAREN CRISTINA LAVOURA LIMA (certificado por SEEU)
[390.1] OUTRAS DECISÕES - Decisão em 17/10/2024
PODER JUDICIÁRIO
TJMG - TRES CORAÇOES
TJMG - TRES CORAÇOES - EXECUCAO PENAL - MEIO FECHADO E SEMIABERTO
Processo nº. 0057231-85.2012.8.13.0079
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Processo nº: 0057231-85.2012.8.13.0079
Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006.
Classe Processual: Execução da Pena
Assunto Principal: Pena Privativa de Liberdade
Autoridade(s): O ESTADO DE MINAS GERAIS
Executado(s): JACKSON DA CONCEICAO DA SILVA
DECISÃO
Vistos, etc.
Chamo o feito à ordem.
Trata-se de autos de execução de pena do reeducando JACKSON DA CONCEIÇÃO DA SILVA, em andamento nesta
Comarca,com uma pena global de 41 (quarenta e um) anos, 11 (onze) meses e 01 (um) dia de reclusão e, atualmente,
encontra-se no regime fechado.
O apenado, durante a concessão da prisão domiciliar concedida no ano de 2020, foi preso em flagrante delito, razão
pela qual o Juízo da Comarca de Belo Horizonte/MG reconheceu a prática de falta grave, bem como restabeleceu a prisão
domiciliar (seq. 190.1). Posteriormente, o acórdão acostado ao seq. 219.1 deu provimento ao recurso ministerial para
determinar a regressão de regime do sentenciado para o semiaberto. Então, faz-se necessário a regularização dos autos de
execução de pena do sentenciado.
Comunicou-se prática de faltas graves cometidas pelo sentenciado, consistentes no descumprimento das condições
da prisão domiciliar (sequenciais 235.2 e 235.4).
Ao seq. 255.1 houve a suspensão da prisão domiciliar concedida, bem como a expedição do competente mandado de
prisão.
Em sede de audiência de justificação, as supostas faltas graves não foram analisadas, tendo em vista a suposta
ocorrência da prescrição (seq. 308.1).
O Ministério Público se manifestou pela juntada do Relatório SIGPRI do sentenciado, pela regressão cautelar ao
regime fechado, bem como pela designação de nova audiência de justificação para apurar as faltas graves (sequenciais 311.1
e 319.1).
A Defesa manifestou ciência (seq. 329.1).
O sentenciado, em documento redigido a próprio punho, pleiteou a sua transferência para a cidade de Belo Horizonte (
seq. 334.1).
O sentenciado sofreu nova condenação, conforme se depreende da guia de execução acostada ao seq. 354.1, razão
pela qual houve a unificação das penas e a fixação do regime fechado para o cumprimento da pena (seq. 359.1).
O reeducando, em documento redigido a próprio punho, pleiteou a retificação da data-base para fins de progressão de
regime (seq. 378.1).
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[390.1] OUTRAS DECISÕES - Decisão em 17/10/2024
Ofício do Complexo Público Privado de Ribeirão das Neves ao seq. 381.1 informando acerca do impedimento à soltura
do sentenciado, em razão da expedição de alvará de soltura expedido nos autos nº 1985460-66.2021.8.13.0024.
A Defesa requereu a concessão do benefício do livramento condicional (seq. 382.3).
Instado a se manifestar, o Ministério Público pleiteou a retificação do atestado de pena do reeducando (seq. 385.1).
A Defesa reiterou o pleito referente à concessão do benefício do livramento condicional. Subsidiariamente, pleiteou a
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remessa dos autos de execução de pena para a Comarca de Ribeirão das Neves/MG (seq. 388.1).
Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006.
É o relatório. DECIDO.
I – Da comunicação de falta grave de seq. 235.4
Embora o legislador não tenha estabelecido o prazo prescricional das infrações disciplinares, ao enfrentar a matéria, o
E.TJMG adotou a posição de que o prazo a ser fixado para a prescrição das infrações disciplinares deve ser o menor prazo
estabelecido no Código Penal, qual seja, três anos. Nesse sentido:
EMENTA: AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL - PRELIMINAR - PRESCRIÇÃO -
INOCORRÊNCIA - PRAZO TRIENAL - DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES
DO LIVRAMENTO CONDICIONAL - REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO -
NECESSIDADE. À luz da jurisprudência dos Tribunais Superiores, o prazo
prescricional das infrações disciplinares é de três anos.Comprovado o
descumprimento das condições fixadas pelo magistrado singular na decisão
concessiva do livramento condicional, de rigor a revogação da benesse, nos
termos do art. 87 e 88 do CP. (TJMG - Agravo em Execução Penal
1.0686.15.019133-2/001, Relator(a): Des.(a) Maria das Graças Rocha Santos , 9ª
Câmara Criminal Especializa, julgamento em 28/09/2022, publicação da súmula
em 28/09/2022) (destaquei)
Ressalto que tal argumento é razoável, vez que, caso não houvesse um prazo prescricional estabelecido, o
reeducando seria penalizado “Ad aeternum” pela infração disciplinar cometida, o que é vedado pelo nosso ordenamento
jurídico.
Assim, por entender que o prazo de 03 (três) anos, a ser contado do cometimento da infração disciplinar, é
proporcional, bem como que a suposta falta cometida pelo reeducando, com relação à prática de novo crime, se deu em 12/06/
2021, tendo transcorrido até a presente data lapso temporal superior a 03 (três) anos, reconheço a prescrição da falta
noticiada ao seq. 235.4.
II – Incidente apuratório de falta grave
O relatório de comparecimento anexadono seq. 235.2, noticia a suposta falta grave praticada pelo reeducando, eisque
não compareceu em juízo no mês de novembro de 2021para justificar as suas atividadesno período em que estava
cumprindo pena em prisão domiciliar.
Todavia, o Egrégio Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso ministerial para determinar a regressão do
sentenciado para o regime semiaberto (seq. 219.1), em virtude da falta reconhecida ao seq. 190.1. Ademais,como
consequência, a situação do apenado deveria retornar ao status quo ante, eis que o apenado deveria estar preso, cumprindo
pena no regime semiaberto. Tanto é verdade, que foi expedido o competente mandado de prisão, conforme se depreende do
documento acostado ao seq. 262.1.
Em analogia,o E.TJMG já decidiu:
EMENTA: AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL - AFASTAMENTO DE FALTA GRAVE
- SENTENÇA ABSOLUTÓRIA - RESTABELECIMENTO DO "STATUS QUO ANTE"
SEEU - Processo: 0057231-85.2012.8.13.0079 - Assinado digitalmente por KAREN CRISTINA LAVOURA LIMA (certificado por SEEU)
[390.1] OUTRAS DECISÕES - Decisão em 17/10/2024
- DECISÃO SEM PRÉVIA OITIVA DO MP - NULIDADE - AUSÊNCIA. Não há que
se falar em nulidade de decisão que, afastando a falta grave, em razão de sentença
absolutória do crime doloso gerador da penalidade imposta no processo de
execução, restabelece o "status quo ante", sem prévia oitiva do órgão ministerial.
Todos os requisitos objetivos e subjetivos para cumprimento da pena como estava
sendo cumprida antes do reconhecimento da falta grave já haviam sido avaliados
quando de sua concessão, tendo o Parquet apresentado seu posicionamento nos
autos quando dessa análise. (TJMG - Agravo de Execução Penal
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1.0079.18.015082-7/001, Relator(a): Des.(a) Valeria Rodrigues , 4ª CÂMARA
Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006.
CRIMINAL, julgamento em 23/09/2020, publicação da súmula em 24/09/2020)
Registra-se, ainda, que a suposta falta teria sido praticada pelo reeducando durante o cumprimento da pena no regime
aberto, na modalidade de prisão domiciliar, de modo que o reconhecimento da citada infração disciplinar, no muito, o
reconduziria ao regime semiaberto, o que, por óbvio, não produziria nenhum efeito prático, já que o sentenciado, atualmente,
cumpre pena em regime fechado.
Ante o exposto,INDEFIROo pleito ministerial com relaçãoainstauração de incidente apuratório de falta grave.
III – Pedido de transferência
Tendo em vista o pleitoformulado a próprio punho peloreeducandoao seq. 334.1, intime-se a Defesa para que proceda
a distribuição do pedido de transferência, na aba da Corregedoria dos Presídios, conforme orientação CGJ/SEEU nº 30.
IV – Impedimentosà soltura do reeducando
Em que pese os argumentos trazidos pela douta defesa,comunicoque a informaçãoreferente àpersistência do
impedimento à soltura do apenado,com relação àação penal nº 0507830-84.2019.8.13.0024 deve ser solicitada ao Juízo de
origem.
Além disso, verifico que o sentenciado sofreu nova condenação, conforme se depreende da guia de recolhimento nº
1041540-38.2019.8.13.0024 acostada ao seq. 345.1. Destarte, este juízounificou as penas do sentenciado, bem como fixou o
regime fechado para o cumprimento de pena, de modo que o impedimento à soltura do apenado, atualmente,persiste,
conforme se depreende da decisão proferida ao seq. 359.1.
V – Retificação do atestado de pena
Tendo em vista o requerimento formulado pelo Ministério Público, retifique-se o atestado de pena do sentenciado, a
fim de que conste para fins de concessão do benefício do livramento condicional a fração de 1/3, uma vezque o sentenciadoé
reincidente na prática de crime comum e, ainda, certifique-seacerca da data-base que consta para fins de concessão da
benesse.
Saliento que o marco deverá ser a data da primeira prisão do reeducando, em que ocorreu o início do cumprimento da
pena de forma ininterrupta, conforme sedimentado no julgamento do REsp 1.720.367-PR.
Além disso, certifique a Secretaria acerca da anotação “em trâmite desde 27/10/2022” que consta na aba do
Livramento Condicional.
Após, dê-se vista ao IRMP para quese manifestesobre o pedido de livramento condicional formulado pela Defesa.
Tudo cumprido, venham-me os autos conclusos.
P.I.C.
Três Corações, 11 de outubro de 2024.
KAREN CRISTINA LAVOURA LIMA
SEEU - Processo: 0057231-85.2012.8.13.0079 - Assinado digitalmente por KAREN CRISTINA LAVOURA LIMA (certificado por SEEU)
[390.1] OUTRAS DECISÕES - Decisão em 17/10/2024
Juíza de Direito
Validação em https://seeu.pje.jus.br/seeu/ - Identificador: PJX6N Y2SSM K9U4L CVCT3
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