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Vitaminas
Lana Magalhães
Professora de Biologia
As vitaminas são
encontradas em uma grande diversidade de alimentos
Tipos
Vitamina A (Retinol/Beta-Caroteno)
Vitamina D
Vitamina E (Tocoferol)
Vitamina K
Vitaminas Hidrossolúveis
Vitamina C
Vitaminas do Complexo B
Tiamina (B1)
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Vitamina
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Nota: Para outros significados, veja Vitamina (desambiguação).
Cristais de ácido ascórbico, ouvitamina C
Índice
1Classificação
o 1.1Vitamina A
o 1.2Vitamina B
1.2.1Vitamina B1
1.2.2Vitamina B2
1.2.3Vitamina B3
1.2.4Vitamina B5
1.2.5Vitamina B6
1.2.6Vitamina B7
1.2.7Vitamina B9
1.2.8Vitamina B12
o 1.3Vitamina C
o 1.4Vitamina D
o 1.5Vitamina E
o 1.6Vitamina K
2Efeitos na saúde
o 2.1Deficiências vitamínicas
o 2.2Hipervitaminose
o 2.3Efeitos adversos
o 2.4Suplementos
o 2.5Regulamentação
3História
o 3.1Nomenclatura
4Referências
Classificação
As vitaminas são classificadas como hidrossolúveis ou lipossolúveis, dependendo se se
dissolvem na água ou em lípidos. Nos seres humanos existem 13 vitaminas, das quais
quatro são lipossolúveis (A, D, E e K) e nove são hidrossolúveis (as 8 vitaminas B e a
vitamina C). As vitaminas hidrossolúveis dissolvem-se facilmente na água e, em geral, são
rapidamente excretadas pelo corpo, ao ponto de o débito urinário ser um indicador do
consumo de vitaminas.[8] No entanto, uma vez que estas vitaminas não são armazenadas
com facilidade, é importante que sejam ingeridas de forma consistente.[9] Muitos tipos de
vitaminas hidrossolúveis são sintetizadas por bactérias.[10] As vitaminas lipossolúveis são
absorvidas no trato intestinal com a ajuda de lípidos. Estas vitaminas são mais facilmente
armazenadas no corpo, pelo que é mais provável causarem hipervitaminose do que as
proteínas hidrossolúveis.[11] Cada vitamina é geralmente usada em várias reações, pelo
que a maior parte tem diversas funções.[12] Esta é uma lista das vitaminas humanas:
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Vitamina A
Ver artigo principal: Vitamina A
A vitamina A é um grupo de compostos orgânicos não saturados, entre os
quais retinol, retinal, ácido retinoico e vários carotenoides provitamina A. Os carotenoides
são substâncias presentes nas plantas que podem ser convertidas pelo corpo em vitamina
A. Existem mais de 500 carotenoides conhecidos, dos quais o mais comum é
o betacaroteno.[26][27] A vitamina A tem várias funções: é essencial para o crescimento e
desenvolvimento, para a formação e manutenção dos dentes,ossos, tecidos moles,
membranas mucosas e pele, para a manutenção do sistema imunitário e para uma visão
saudável, sobretudo com baixa luminosidade.[26][28]
A retina do olho necessita de vitamina A na forma de retinol, que se combina com a
proteína opsina para formar rodopsina, a molécula responsável pela absorção de luz.[29]
[30]
O ácido retinoico é uma forma oxidada de retinol, que é um importante fator de
crescimento de várias células, principalmente de células epiteliais.[28][31] Os betacarotenos
são antioxidantes que protegem as células dos danos causados por radicais livres, os
quais se pensa contribuírem para algumas doenças crónicas. Os alimentos ricos em
betacarotenos podem diminuir o risco de cancro, embora a suplementação não diminua
este risco.[26]
As principais fontes alimentares de vitamina A são fontes de origem
animal: ovos, queijo, manteiga, bacalhau ou carne, principalmente fígado. O óleo de fígado
de bacalhau é particularmente rico em vitamina A. No entanto, as fontes animais são
também ricas em gordura saturada e colesterol. Entre as principais fontes vegetais de
vitamina A estão as frutas e legumes amarelos e cor-de-laranja e fontes ricas em
betacaroteno, como brócolos, espinafre, pimento, batata-doce,cenoura, abóbora e
legumes de folha verde-escura. Quanto mais intensa a cor de uma fruta ou vegetal, maior
a quantidade de betacarotenos. Ao contrário das fontes animais, as fontes vegetais são
isentas de gordura e colesterol.[26][32]
A vitamina A está presente nos alimentos em duas principais formas: o retinol e
os carotenos. O retinol é a forma de vitamina A que é absorvida ao ingerir alimentos de
origem animal, como carne e ovos. Trata-se de uma substância lipossolúvel, presente nos
tecidos na forma de éster de retinil. Também pode ser produzida artificialmente na forma
de acetato de retinil ou palmitato de retinil e comercializada sob a forma de suplementos
alimentares.[33] Em animaisherbívoros e omnívoros, vários carotenoides das plantas
funcionam como provitamina A: os carotenos alfacaroteno, betacaroteno e gamacaroteno,
e a xantofilacriptoxantina. Estes animais obtêm o retinol de forma indireta, possuindo na
mucosa do intestino a enzima beta-caroteno-15,15´-dioxigenase, que converte
betacarotenos em retinol.[34]
A deficiência de vitamina A aumenta o risco de problemas de visão, como cegueira
noturna reversível e lesões na córnea não reversíveis, hiperqueratose e pele seca e
escamosa. Por outro lado, o consumo excessivo de vitamina A através de suplementos
alimentares de pode causar doenças congénitas. Embora o consumo excessivo de
betacarotenos não provoque doenças, pode levar a que a pele adquira um tom amarelo ou
laranja, embora reversível.[26][35] A deficiência de vitamina A é a principal causa de cegueira
em crianças e estima-se que em todo o mundo afete cerca de um terço das crianças com
menos de cinco anos.[36]
Vitamina B
Ver artigo principal: Vitamina B
As vitaminas B são um grupo de vitaminas hidrossolúveis importantes para
o metabolismo celular, ajudando o corpo a obter ou criar energia a partir dos alimentos
ingeridos e a produzir glóbulos vermelhos. As vitaminas B podem ser obtidas a partir de
proteínas animais como o peixe, aves de criação, carne, ovos e lacticínios, e de vários
legumes de folhas verdes, feijões, favas e ervilhas. A deficiência em vitaminas B pode
causar doenças como a anemia.[37]
Vitamina B1
Ver artigo principal: Tiamina
A tiamina, ou vitamina B1, é uma coenzima que atua no catabolismo dos açúcares e
dos aminoácidos. Tem como função libertar energia dos hidratos de carbono, estando
também envolvida na produção de ADN e ARN e na função nervosa. A sua forma ativa é
uma coenzima denominada tiamina pirofosfato, que participa na conversão
do piruvato em acetilcoenzima A durante o metabolismo.[38]
Vitamina B2
Ver artigo principal: Riboflavina
A riboflavina, ou vitamina B2, tem como função libertar energia na cadeia de transporte de
electrões, no ciclo do ácido cítrico e no catabolismo dos ácidos gordos.[39]
Vitamina B3
Ver artigo principal: Niacina
A niacina, ou vitamina B3, é composta por duas estruturas: ácido nicotínico e nicotinamida.
Existem duas formas coenzimáticas da niacina: o dinucleótido de nicotinamida e
adenina (NAD) e o fosfato de dinucleótido de nicotinamida e adenina (NADP). Ambas as
formas têm uma função importante nas reações de transferência de energia no
metabolismo da glicose, das gorduras e do álcool.[40] O NAD transporta o hidrogénio e
respetivos eletrões durante as reações metabólicas. O NAPD é uma coenzima na síntese
de lípidos e ácidos nucleicos.[41]
Vitamina B5
Ver artigo principal: Ácido pantoténico
O ácido pantoténico, ou vitamina B5, está envolvido na oxidação de ácidos gordos e de
hidratos de carbono. A coenzima A, que pode ser sintetizada a partir do ácido pantoténico,
está envolvida na síntese de aminoácidos, ácidos gordos, corpos
cetónicos, colesterol, fosfolípidos, hormonas esteroides, neurotransmissorese anticorpos.[42]
[43]
Vitamina B6
Ver artigo principal: Vitamina B6
O termo vitamina B6 designa um grupo de compostos quimicamente semelhantes que
podem ser interconversíveis dentro de sistemas biológicos. [44] A forma metabolicamente
ativa da vitamina B6 é o fosfato de piridoxal. O fosfato de piridoxal está envolvido em
muitos dos aspetos do metabolismo de macronutrientes, síntese de neurotransmissores,
síntese da histamina, síntese e função da hemoglobina e na expressão de genes. O
fosfato de piridoxal atua como coenzima em mais de 100 reações enzimáticas, entre as
quais a descarboxilação, transaminação, racemização, eliminação, substituição e
interconversão de grupos funcionais.[44][45]A piridoxina é uma forma de vitamina B6 comum
em frutas, legumes e cereais. É usada como suplemento alimentar no tratamento e
prevenção de deficiência de vitamina B6, anemia sideroblástica, epilepsia dependente de
piridoxina, algumas doenças metabólicas, problemas derivados da isoniazida e
envenenamento por cogumelos.[46][47]
Vitamina B7
Ver artigo principal: Biotina
A biotina, ou vitamina B7, é essencial para o metabolismo de lípidos, proteínas e hidratos
de carbono e uma coenzima fundamental em quatro carboxilases: a acetil-CoA
carboxilase, envolvida na síntese de ácidos gordos a partir do acetato; a piruvato CoA
carboxilase, envolvida na glicogénese; a betametilcrotonil Coa carboxilase, envolvida no
metabolismo da leucina; e a propionil CoA carboxilase, envolvida no metabolismo da
energia, aminoácidos e colesterol.[48]
Vitamina B9
Ver artigo principal: Ácido fólico
O ácido fólico, ou vitamina B9, atua como coenzima na forma de ácido
tetrahidrofólico (THF). O THF está envolvido no metabolismo dos ácidos nucleicos e dos
aminoácidos, e na síntese de nucleótidos de pirimidina, pelo que é fundamental para a
correta divisão celular, sobretudo durante a gravidez e infância, que são períodos de
rápido crescimento. O THF também auxilia a eritropoiese, o processo de produção
de glóbulos vermelhos.[49]
Vitamina B12
Ver artigo principal: Vitamina B12
A vitamina B12 é uma coenzima envolvida no metabolismo de todas as células do corpo,
influenciando particularmente a síntese e regulação de ADN. Está envolvida no
metabolismo dos hidratos de carbono, proteínas, lípidos, aminoácidos e ácidos gordos. É
fundamental para a produção de células sanguíneas na medula óssea, para
os neurónios e proteínas.[50]
Vitamina C
Ver artigo principal: Vitamina C
A vitamina E é um antioxidante que protege as células dos danos causados pelos radicais
livres, fortalece o sistema imunitário, alarga os vasos sanguíneos e impede a formação
de coágulos. As células do corpo usam vitamina E para interagir entre si e para
desempenhar várias funções importantes. Os alimentos mais ricos em vitamina E são
os óleos vegetais como oóleo de girassol ou o óleo de gérmen de trigo ou óleo de cártamo;
frutos secos, como amendoins, avelãs e amêndoas; e sementes, como as sementes de
girassol. O óleo de milho, óleo de soja e legumes verdes como os espinafres e
os brócolostambém contêm alguma vitamina E. Muitas empresas acrescentam vitamina E
a alguns alimentos, como os cereais de pequeno almoço, sumos de fruta ou margarinas.[72]
A deficiência de vitamina E pode causar doenças neuromusculares, como ataxia
espinocerebelar e miopatia, problemas neurológicos, anemia,[73] retinopatia e diminuição
da resposta imunitária.[74][75] A suplementação de vitamina E não só não demonstra
benefícios significativos em pessoas saudáveis como aparenta ser prejudicial.[76][77] A
suplementação também não melhora o controlo da glicose em diabéticos,[78] não diminui o
risco deAVC,[79] nem oferece benefícios durante a gravidez, aumentando o risco de dores
e ruptura prematura de membranas durante o parto.[80] A maior parte dos estudos conclui
que a suplementação de vitamina E não diminui o risco de cancro, e que a suplementação
diária pode inclusive aumentar o risco de cancro da próstata.[72][81] A vitamina E também não
diminui o risco de cataratas nem a sua progressão.[82] Existem também poucas evidências
de que os suplementos de vitamina E possam prevenir ou diminuir a demência
ou Alzheimer em pessoas idosas.[72]
A vitamina E é um grupo de compostos químicos que incluem os tocoferois e
os tocotrienois.[81][83] A vitamina E está disponível em várias formas. A mais comum é
o gama-tocoferol.[84][85] A segunda forma mais comum, e também a mais ativa
biologicamente, é o alfa-tocoferol. Trata-se de um antioxidante lipossolúvel que interrompe
a propagação das espécies reactivas de oxigénio,[84][86][87][88]
Vitamina K
Ver artigo principal: Vitamina K
Efeitos na saúde
A maior parte das vitaminas são obtidas através da alimentação. No entanto, algumas são
obtidas de outras formas; por exemplo, a flora intestinal produzvitamina K e biotina,
enquanto que a vitamina D é sintetizada pela pele com a ajuda da
radiação ultravioleta da luz do sol. Os seres humanos conseguem produzir algumas
vitaminas a partir dos precursores que consomem; por exemplo, a vitamina A é produzida
a partir do betacaroteno e da niacina do aminoácidotriptófano.[13] Mesmo após o
crescimento e desenvolvimento do organismo estarem completos, as vitaminas continuam
a ser nutrientes essenciais para a manutenção saudável das células, tecidos e órgãos.
Permitem também que as formas de vida multicelular usem de forma eficiente a energia
química disponível nos alimentos que consomem e ajudam a processar
as proteínas, hidratos de carbono e lípidos necessários.[5]
A vitamina A protege o revestimento superficial dos olhos, dos
aparelhos respiratório e urinário e do trato intestinal e ajuda a manter a função de barreira
da pele e das membranas mucosas. A deficiência em vitamina A pode fazer com que os
revestimentos cedam, permitindo às bactérias entrarem no corpo e provocarem infeções.
[14]
A vitamina B6 é essencial para a produção de hemoglobina, o componente dos glóbulos
vermelhos que transporta o oxigénio para os tecidos e, tal como a maior parte das
vitaminas, é importante para o funcionamento do sistema imunitário.[20] A vitamina B12 é
essencial para manter o funcionamento adequado dosistema nervoso.[21] A vitamina E é um
poderoso antioxidante (um químico que neutraliza os radicais livres) que tem mostrado ser
de particular importância para a saúde. A acumulação de radicais livres pode provocar
danos nas células e nos tecidos, aumentando o risco de doenças. Alguns estudos
demonstraram que uma dieta rica em fruta e vegetais pode diminuir a incidência de
algumas doenças, incluindo doenças cardiovasculares e alguns cancros.[87]
Deficiências vitamínicas
Ver também: Avitaminose
De forma a evitar a deficiência vitamínica, os seres humanos necessitam de consumir
vitaminas periodicamente, mas em diferentes intervalos de tempo. As reservas das
diferentes vitaminas no corpo humano variam significativamente. O corpo humano
armazena as vitaminas A, D e B12 em quantidade significativa, principalmente no fígado,
[23]
pelo que a dieta de um humano adulto pode ser deficiente em vitamina A e D por vários
meses e, no caso da B12, por vários anos, antes de desenvolver uma condição de
deficiência vitamínica. No entanto, a vitamina B3 (niacina e niacinamida) não é armazenada
pelo corpo em quantidade significativa, pelo que as reservas podem durar apenas um par
de semanas.[14][23] No caso da ausência completa de vitamina C, o aparecimento dos
primeiros sinais de escorbutovaria entre um e seis meses, dependendo do historial de
dieta.[89]
As deficiências de vitaminas são classificadas em primárias ou secundárias. Uma
deficiência primária ocorre quando um organismo não obtém a quantidade necessária de
determinada vitamina através dos alimentos. Uma deficiência secundária pode dever-se a
uma condição de saúde que impede ou limita a absorção ou uso da vitamina devido a
fatores como o tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou uso de
medicamentos que interferem com a absorção e uso das vitaminas. É pouco provável que
as pessoas que consumam uma dieta completa e variada desenvolvam uma deficiência
vitamínica grave. Por outro lado, as dietas restritivas têm o potencial de causar deficiências
vitamínicas prolongadas.[23] Entre as doenças por deficiência de vitaminas mais comuns
estão o beribéri(tiamina), pelagra (niacina), escorbuto (vitamina C) e o raquitismo (vitamina
D). Em países desenvolvidos estas deficiências são raras, devido não só ao fornecimento
adequado de alimentos, como também pelo acréscimo de vitaminas e sais minerais aos
alimentos comuns, ou enriquecimento alimentar.[13][23]
Hipervitaminose
Ver artigo principal: Hipervitaminose
Efeitos adversos
Em doses excessivas, algumas vitaminas apresentam efeitos adversos que tendem a ser
mais graves quanto maior for a dose. A probabilidade de consumir quantidades excessivas
de vitaminas apenas a partir dos alimentos é remota. No entanto, pode
ocorrer envenenamento por vitaminas a partir de suplementos vitamínicos. Em doses
suficientemente elevadas, algumas vitaminas causam efeitos adversos
como náuseas, vómitos e diarreia.[14][90]
Suplementos
Suplementos de cálcio comvitamina D, feitos a partir decarbonato de cálcio, maltodextrina,óleo
mineral, hipromelose,glicerina, colecalciferol,polietilenoglicol e cera de carnaúba.
História
A importância de ingerir determinados alimentos para manter a saúde era já valorizada
muito antes das vitaminas serem identificadas. Os antigos egípcios sabiam que alimentar
uma pessoa com fígado ajudava a curar a cegueira noturna, uma doença que hoje se sabe
ser causada pela deficiência em vitamina A.[97] O progresso nas grandes viagens de
exploração durante o Renascimento provocou longos períodos sem acesso a fruta e
vegetais frescos, tornando comuns entre os marinheiros as doenças por deficiência
vitamínica.[98] Em 1747, o cirurgião escocês James Lind descobriu que os citrinos ajudavam
a prevenir o escorbuto, uma doença particularmente mortal na qual o colagénio não é
corretamente formado, o que causa a diminuição da capacidade de cicatrização,
hemorragia das gengivas, dores fortes e morte.[97] Em 1753, Lind publicou o Tratado sobre
o Escorbuto, que recomendava o consumo de limões e limas para prevenir a doença, o
que foi adotado pela Marinha Real Britânica. No entanto, esta descoberta não era
amplamente aceite nas expedições ao Ártico do século XIX, nas quais se acreditava que o
escorbuto podia ser prevenido com boas práticas de higiene, exercício regular e por
manter a moral da tripulação, e não por uma dieta de comida fresca. Muitas destas
expedições continuaram a ser assoladas pelo escorbuto e outras doenças por desnutrição.
No início do século XX, a teoria dominante era a de que o escorbuto era causado por
comida de lata contaminada.[97]
Durante os finais do século XIX e início do século XX, os estudos de privação permitiram
aos cientistas isolar e identificar uma série de vitaminas. Os lípidos do óleo de peixe eram
usados para curar o raquitismo em ratos, sendo o nutriente lipossolúvel denominado
"antirraquítico A". Assim, a primeira bioatividade vitamínica a ser isolada, que curava o
raquitismo, foi inicialmente denominada "vitamina A". No entanto, este composto é agora
denominado vitamina D.[99] Em 1881, o cirurgião russo Nikolai Lunin estudou o efeito do
escorbuto, alimentando ratos com uma mistura artificial de constituintes separados
do leite(proteínas, lípidos, hidratos de carbono e sais minerais). Os ratos que receberam
apenas os constituintes individuais morreram, enquanto que os ratos alimentados com o
próprio leite se desenvolveram normalmente. Lunin concluiu que um alimento natural,
como o leite, deve conter, para além dos nutrientes conhecidos, pequenas quantidades de
substâncias desconhecidas que são essenciais para a vida.[100]
Em 1884, Takaki Kanehiro, um médico da Marinha Imperial Japonesa treinado em
Inglaterra, observou que o beribéri, uma doença causada pela deficiência de vitamina B1,
era comum entre a tripulação de baixa patente que comia maioritariamente arroz, mas não
entre os oficiais que comiam uma dieta ao estilo ocidental. Com o apoio da marinha,
alimentou a tripulação de um barco apenas com arroz e a de outro com uma dieta de
carne, peixe, cevadae feijão. O primeiro grupo apresentou 161 casos da doença e 25
mortes, enquanto o segundo apresentou apenas 14 casos e nenhuma morte. Apesar de
ter descoberto que a doença tinha causa dietética, Kanehiro estava convencido que as
proteínas eram a razão.[101] A causa dietética das doenças foi investigada por Christiaan
Eijkman, que em 1897 descobriu que alimentar as galinhas com arroz integral, em vez de
arroz branco, ajudava a prevenir o beribéri nas galinhas. No ano seguinte Frederick
Hopkinspostulou que alguns alimentos continham "fatores acessórios" (para além das
proteínas, hidratos de carbono, lípidos, etc.) que eram essenciais para o corpo humano.
[97]
Posteriormente, Hopkins e Eijkman foram galardoados com o Prémio Nobel de
Medicina em 1929 pela descoberta de várias vitaminas.[102]
Em 1910 foi isolado o primeiro complexo vitamínico pelo cientista japonês Umetaro Suzuki,
que conseguiu extrair um complexo de nutrientes hidrossolúveis a partir do farelo do arroz,
o qual denominou ácido abérico (posteriormente "orizanina"). O artigo foi publicado num
jornal japonês,[103] mas quando foi traduzido para alemão, a tradução não mencionou que
se tratava de um nutriente recém-descoberto, pelo que atraiu pouca atenção. Em 1912, o
bioquímico polaco Casimir Funkisolou o mesmo complexo de micronutrientes e propôs que
esse complexo fosse denominado "vitamina", uma contração de "vital" e "amina". [104][105] O
nome rapidamente se tornou sinónimo dos "fatores acessórios" de Hopkins e, mesmo
depois de se ter demonstrado que nem todas as vitaminas eram aminas, o termo já era
omnipresente.[101] Os cientistas alemães que isolaram, descreveram e deram o nome à
vitamina K fizeram-no porque a vitamina está estritamente relacionada com acoagulação
do sangue durante o processo de cicatrização – em língua alemã koagulation.[106][107]
Em 1930, Paul Karrer determinou a estrutura correta do betacaroteno, o principal prcursor
da vitamina A, e identificou outros carotenoides. Karrer e Norman Haworth confirmaram a
descoberta do ácido ascórbico de Szent-Györgyi's e fizeram contribuições importantes
para a química das flavinas, que permitiu a identificação da lactoflavina. Em 1931, Albert
Szent-Györgyi e Joseph Svirbely suspeitaram que o "ácido hexurónico" era na realidade
a vitamina C e entregaram uma amostra a Charles Glen King, que demonstrou a sua
atividade antiescorbuto. Em 1937 foi-lhes atribuído o Prémio Nobel de Química.[108] Em
1943, foi atribuído a Edward Adelbert Doisy e Henrik Dam o Prémio Nobel de Medicina
pela descoberta da vitamina K e da sua estrutura química. Em 1967, o mesmo prémio foi
atribuído a George Wald, Ragnar Granit e Haldan Keffer Hartline pela descoberta de que a
vitamina A participava diretamente nos processos fisiológicos.[102]
Ano de
Vitamina Fonte alimentar
descoberta
1920 Vitamina C (Ácido ascórbico) Citrus, maior parte dos alimentos frescos
Vitamina B5 (Ácido
1931 Carne, cereais integrais
pantoténico)
Nome
Nome químico Motivo de alteração[106]
anterior
Nome
Nome químico Motivo de alteração[106]
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Referências
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