Introdução à Medicina Legal: Conceitos e Importância
Introdução à Medicina Legal: Conceitos e Importância
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
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Atualizado em 01/04/2024
MATÉRIA: MEDICINA LEGAL
Tópicos:
ü Conceito.
ü Importância e finalidade.
ü Histórico.
ü Divisão.
ü Legislação sobre perícia médicas.
ü Ética médica e pericial.
ü Perícias médicas.
ü Perito e Assistente Técnico.
ü Corpo de delito.
ü Cadeia de custódia.
ü Documentos médico-legais.
ü Quesitos oficiais.
ORIENTAÇÕES:
ü A evolução histórica da Medicina Legal não é tema recorrente em provas, portanto não
se preocupe em decorar cada um dos períodos, mas tenha em mente os acontecimentos
relevantes.
ü Sobre perícias médicas, compreenda suas classificações (contraditória, complexa,
percipiendi e deducendi), pois o examinador costuma misturar os termos para tentar
confundi-lo.
ü Durante o estudo, conjugue o uso deste material com o Código de Processo Penal, em
especial nos temas Peritos e Assistentes técnicos, em razão dos vários artigos de lei
previstos no CPP.
ü No tópico “documentos médico-legais”, priorize a diferenciação entre auto e laudo e
dê bastante atenção para as 7 (sete) partes que compõem o relatório médico.
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ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
1. CONCEITO
à Não se pode definir o termo Medicina Legal em um único e simples conceito, pois
representa um objeto de estudo interdisciplinar que dialoga com diversas áreas,
jurídica, biológica e social.
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à Assim, em termos gerais, a Medicina Legal pode ser conceituada como a ciência que,
se valendo de conhecimentos médicos, paramédicos e biológicos, se põe à
disposição para auxílio ao Direito e à sua correta aplicação.
2. IMPORTÂNCIA E FINALIDADE
à Considerada por alguns como a ciência subsidiária mais importante para o Direito, a
Medicina Legal irradia sua eficácia e conhecimento para os inúmeros ramos judiciais,
não se limitando apenas a questões relativas ao Direito Penal, às lesões corporais e à
dinâmica das infrações penais.
3. HISTÓRICO
A evolução histórica da Medicina Legal pode ser dividida em cinco períodos, desde a época
antiga até a atual modernidade científica, do seguinte modo:
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para realização de exames fisiológicos), em razão do caráter sagrado do corpo.
ATENÇÃO!
ü Lançamento da obra “Des rapports et des moyens d'embaumer les corps morts”,
escrita por Ambroise Paré, em 1575. Em razão desse feito, o francês é considerado
como pai da Medicina Legal.
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4. DIVISÕES
§ Filosófica: fase atual, em que se discute temas como ética, bioética e moral.
Didático: aborda o modo pelo qual a medicina legal é estudada e se divide em:
§ Geral: aquela que estuda os direitos dos médicos (diceologia), bem como
seus deveres e obrigações (deontologia);
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6. Toxicologia: estudo dos cáusticos e dos venenos, bem como sua
repercussão no corpo humano;
ü Já caiu em prova
(PCSP - 2022) O ramo da medicina legal que aborda temas subsisiários que sustentam
explicam certos institutos jurídicos nos quais o conhecimento médico e biológico
faz-se necessário é denominado: Medicina Legal DOUTRINÁRIA.
à A disciplina das perícias médicas, oficiais e de natureza criminal está prevista na Lei
nº 12.030/2009, que estabelece as normais gerais para o exercício da atividade e elenca
os peritos criminais, os médicos legistas e os peritos odontologistas como sendo de
natureza criminal.
Há, também, o Código de Processo Penal, que, em seus artigos 158 a 184, aborda
os temas “corpo de delito” e “perícias em geral”, que serão analisados nos próximos
tópicos.
Os demais diplomas legais que possuem artigos relativos às perícias médicas não
possuem grande incidência nas provas, mas, a título de conhecimento, são os
seguintes:
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Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) nº 1.480/1997 (morte
encefálica), Resolução CFM nº 1.617/2001 (Código de Processo Ético-profissional)
e Resolução CFM nº 1.779/2005 (normatiza o preenchimento da Declaração de
óbito).
à Além de estar submetido aos princípios que regem os agentes públicos e à relevante
atividade que exercem nessa condição, o perito médico legal, oficial ou nomeado, se
submete, também, aos preceitos estabelecidos no Código de Ética Médica (Resolução
do CFM nº 1931/2009).
Esse Código se aplica não só aos médicos, no exercício da profissão, mas também
aos profissionais que se valham do conhecimento advindo da Medicina, como os
peritos na realização das perícias médicas.
Exemplos:
[...]
Art. 98. Deixar de atuar com absoluta isenção quando designado para
servir como
perito ou como auditor, bem como ultrapassar os limites de suas
atribuições e de sua
competência.”
7. PERÍCIA MÉDICA
ATENÇÃO!
FASES DA PERÍCIA
OBJETIVA SUBJETIVA
Alterações visíveis que podem ser Impressões do perito sobre aquilo
descritas. que foi descrito na fase objetiva.
Elementos DESCRITIVOS Elementos VALORATIVOS
ü Já caiu em prova
(PCAL - 2023) As perícias podem ser conceituras como um conjunto de
procedimentos, de caráter técnico e médico, realizados em indivíduos vivios,
cadavéres, esqueletos, animais e objetos, cuja finalidade é o esclarecimento de um
fato de interesse da justiça. (certo)
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Contraditória: assim denominada quando dois peritos não chegam a um ponto
de vista comum, apresentando, cada um deles, relatórios distintos e
individualizados sobre um mesmo objeto de análise.
ü Já caiu em prova
(PCRO - 2022). A perícia sobre outra já realizada (perícia deducendi) tem por objeto
fatos pretéritoc com relação aos quais possa existir discordância das partes ou do
julgador. (certo)
à O agente responsável pela realização da perícia é chamado PERITO. É ele quem possui
o conhecimento técnico-científico sobre o objeto de estudo da perícia e se coloca à
disposição para esclarecer determinados fatos e situações sobre as quais a autoridade
não possui domínio.
Esse profissional pode ser oficial (investido por força de lei ou pertencente aos
quadros da Administração, presta o compromisso quando investido no cargo) ou não
oficial/ad hoc (quando nomeado pela autoridade competente para determinado ato).
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Assim, ausente perito médico no momento do ato, a perícia poderá ser realizada por
duas pessoas IDÔNEAS, portadoras de diploma de curso superior,
PREFERENCIALMENTE na área sobre a qual recai o exame, sem qualquer
descrédito em seu valor probatório.
ü Já caiu em prova
(PCAL - 2023) Por terem autonomia técnico-científica assegurada por lei, os peritos
não podem ser responsabilizados civil ou penalmente. (errado)
à São instrumentos, orais ou verbais, por meio dos quais, o médico/perito fornece seus
esclarecimentos à Justiça e às partes interessadas. Apresentam 5 classificações, em
ordem de complexidade:
Podem ser:
ü Já caiu em prova
(PCAL - 2023) O documento que tem por finalidade firmar a veracidade de um fato,
ou ainda, a existência de determinado estado ou obrigação, denomina-se: Atestado..
Esse dever não subsiste em caso de morte violenta ou suspeita, por se fazer
necessária a autópsia, razão pela qual o atestado de óbito é fornecido nas
dependências do Instituto Médico Legal.
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9.2. DEPOIMENTO ORAL: esclarecimentos orais fornecidos pelo perito, quando chamado
para ser ouvido em juízo, conforme autoriza o artigo 159, § 5º, I, do CPP:
Sujeita-se às penas do art. 269 do Código Penal o médico que se omite quanto à
notificação de doença, quando esta era devida.
RELATÓRIO MÉDICO
Parte introdutória do documento, em que se
menciona local, hora e data de realização do
PREÂMBULO exame, além do nome da autoridade que o
requereu e o tipo de perícia a ser feita.
Perguntas que devem ser respondidas pelo
perito, com o fim de esclarecer os fatos
QUESITOS relevantes que deram origem à perícia. É
facultada às partes a formulação de quesitos,
conforme o art. 176 do CPP.
Fatos importantes que antecederam a
realização da perícia, informações relevantes,
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HISTÓRICO tais como a dinâmica do evento, a posição da
vítima quando encontrada etc.
A parte mais importante do relatório, em que se
situa o visum et repertum (visto e relatado). É
a exposição, técnica e detalhada, de todas as
particularidades da perícia, como, por exemplo,
estado geral do examinado, particularidades e
DESCRIÇÃO repercussão das lesões, elementos de
identificação do periciando. Deve-se, sempre
que possível, anexar fotografias e desenhos que
facilitem a compreensão do esquema.
DISCUSSÃO Análise de todas as hipóteses e de todos os
elementos trazidos na descrição, a fim de
esclarecer, da melhor forma, a dinâmica do
evento que originou a necessidade da perícia.
CONCLUSÃO Momento em que o perito, após o cotejo entre a
descrição e a discussão, encerra sua análise
quanto à ocorrência, ou não, do fato.
RESPOSTA AOS QUESITOS Por meio de afirmações positivas ou negativas,
objetivas e concisas, o perito responde àqueles
quesitos listados no início do relatório.
ü Já caiu em prova
(PCRO - 2022) É correto afirmar que os aspectos objetivos de uma perícia,
relacionado às alterações visíveis verificadas por quem procede ao exame, serão
destacados nos respectivos laudos na parte: da DESCRIÇÃO. (letra b)
Por outro lado, o parecer médico é a resposta técnica fornecida às consultas médico-
legais, com o fim de esclarecer contradições e dúvidas suscitadas.
Neste documento, devem constar, também, as mesmas partes previstas para o relatório
médico-legal, com toda a narrativa acerca da perícia, com exceção da DISCUSSÃO,
haja vista não se estar mais diante do objeto de perícia.
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ü Já caiu em prova
(POAL - 2023) Discussão e conclusão são as partes mais importantes dos pareceres
médico-legais (errado, pois no parecer médico não há discussão).
à São questões elaboradas diante de uma situação jurídica que necessita de auxílio da
ciência médico-biológica para serem elucidadas.
Exemplos:
Nos termos do art. 160 do Código de Processo Penal, uma vez formulados os
quesitos, estes devem ser obrigatoriamente respondidos pelo perito
encarregado da formulação do laudo.
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§ Prejudicada: casos em que o quesito não se aplica àquele caso concreto,
ou em razão da impossibilidade de sua resposta, por circunstâncias
adversas.
É o conjunto de vestígios que apresentam relação direta com a prática de um fato criminoso,
ou elementos residuais de uma infração penal, que podem ser percebidos pelos sentidos
humanos, segundo Genival França.
11.1. Exame de corpo de delito: é a prova pericial que se realiza sobre o CORPO DE
DELITO, tendo por objetivo a comprovação da autoria e da materialidade da infração
penal cometida.
Art. 12, § 3º, da Lei Maria da Penha: serão admitidos como meios de prova os
laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde.
Art. 77, § 1º, da Lei nº. 9.099/95: para o oferecimento da denúncia, que será
elaborada com base no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com
dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito
quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova
equivalente.
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à Prioridades na realização do exame de corpo de delito
Crime que envolva violência doméstica e familiar contra mulher (art. 158,
parágrafo único, I, do CPP).
Crime que envolva violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com
deficiência (art. 158, parágrafo único, inciso II, do CPP).
ü Já caiu em prova
(PCSP - 2023) Nos crimes que envolvem violência doméstica e familiar contra mulher,
violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência, terá prioridade,
sobre os demais crimes, a realização de exame de corpo de delito. (certo)
à Momento de realização: poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora (art. 161
do CPP).
à Falta de perito oficial: o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras
de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, entre as que
tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame (art. 159, § 1º, do
CPP).
Quanto à cadeia de custódia, deve-se focar no texto da lei: arts. 158-A e 158-F do CPP.
12.2. Início da cadeia de custódia: o início da cadeia de custódia ocorre com a preservação
do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a
existência de vestígio.
12.3. Fases (art. 158-B): saiba a ordem exata (isso tem sido muito cobrado). Grave este
mnemônico: RE-I-FI-C-A-T-RE-P-A-DESCarta.
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a. REconhecimento: distinguir um elemento como de potencial interesse.
b. Isolamento: evitar que se altere o estado das coisas (isolar ambientes imediato,
mediato e relacionado).
ü Já caiu em prova
12.4. Atribuição para liberar o local de crime: é atribuição do perito liberar o local do
crime, e não do delegado.
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b. São inadmissíveis as provas digitais sem registro documental acerca dos
procedimentos adotados pela polícia para a preservação da integridade, da
autenticidade e da confiabilidade dos elementos informáticos.
à Caso adaptado: a Polícia Civil realizou operação para investigar e prender uma suposta
organização criminosa de hackers que teria furtado dinheiro de correntistas de bancos.
João foi um dos indivíduos preso e denunciado pelo Ministério Público por furto,
organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa de João impetrou habeas corpus
argumentando que a imputação dos crimes está fundamentada em supostas provas
digitais em relação às quais houve quebra da cadeia de custódia. As provas existentes
contra João foram extraídas dos computadores apreendidos na sua residência, no
entanto, não houve registro documental dos procedimentos adotados pela polícia para a
preservação da integridade, autenticidade e confiabilidade dos elementos informáticos.
Logo, houve quebra da cadeia de custódia (art. 158-A e seguintes do CPP). O STJ
concordou. Não há como assegurar que os elementos informáticos periciados pela
polícia são íntegros e idênticos aos que existiam nos computadores do réu, o que acarreta
ofensa ao art. 158 do CPP com a quebra da cadeia de custódia dos computadores
apreendidos pela polícia, inadmitindo-se as provas obtidas por falharem num teste de
confiabilidade mínima. STJ. 5ª Turma. RHC 143169/RJ, Rel. Min. Messod Azulay
Neto, Rel. Acd. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 7/2/2023 (Info 763).
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