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Introdução à Medicina Legal: Conceitos e Importância

Nota sobre medicina

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Introdução à Medicina Legal: Conceitos e Importância

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MEDICINA LEGAL

ASPECTOS INTRODUTÓRIOS

1
Atualizado em 01/04/2024
MATÉRIA: MEDICINA LEGAL

PONTO: ASPECTOS INTRODUTÓRIOS

Tópicos:

ü Conceito.
ü Importância e finalidade.
ü Histórico.
ü Divisão.
ü Legislação sobre perícia médicas.
ü Ética médica e pericial.
ü Perícias médicas.
ü Perito e Assistente Técnico.
ü Corpo de delito.
ü Cadeia de custódia.
ü Documentos médico-legais.
ü Quesitos oficiais.

CPP (Título VII) – Da Prova

o Capítulo II – (artigos 158 a 161) – Leitura Complementar.

ORIENTAÇÕES:

ü A evolução histórica da Medicina Legal não é tema recorrente em provas, portanto não
se preocupe em decorar cada um dos períodos, mas tenha em mente os acontecimentos
relevantes.
ü Sobre perícias médicas, compreenda suas classificações (contraditória, complexa,
percipiendi e deducendi), pois o examinador costuma misturar os termos para tentar
confundi-lo.
ü Durante o estudo, conjugue o uso deste material com o Código de Processo Penal, em
especial nos temas Peritos e Assistentes técnicos, em razão dos vários artigos de lei
previstos no CPP.
ü No tópico “documentos médico-legais”, priorize a diferenciação entre auto e laudo e
dê bastante atenção para as 7 (sete) partes que compõem o relatório médico.

2
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS

1. CONCEITO

à Não se pode definir o termo Medicina Legal em um único e simples conceito, pois
representa um objeto de estudo interdisciplinar que dialoga com diversas áreas,
jurídica, biológica e social.

Em razão disso, há uma série de denominações, fornecidas por doutrinadores, que


tentam simplificar a conceituação da matéria. E, por se tratar de assunto
frequentemente abordado pelas questões, vale a pena conferir os conceitos que mais
se destacam:

Š Ambroisé Paré: “Arte de fazer relatórios em juízo.”

Š Genival Veloso França: “Medicina a serviço das ciências jurídicas e sociais.”

Š Le Grand Du Saulle: “Aplicação das ciências médicas ao estudo e solução de


todas as questões especiais, que podem suscitar a instituição das leis e ação da
justiça.”

Š Lacassagne: “Arte de pôr os conceitos médicos a serviço da Administração da


Justiça.”

Observa-se, em todos os conceitos listados, a presença de dois aspectos principais


que caracterizam a medicina legal, quais sejam:

a) aspecto técnico/científico, por dispor de metodologia médico-biológica,


além de procedimentos e conhecimentos próprios, por meios dos quais se obtém
a verdade;

b) aspecto jurídico, pois reúne o conhecimento que se destina à utilização nos


inúmeros ramos do direito.

Š CIÊNCIA: possui técnicas e métodos próprios para atingir um objetivo


determinado.
Š JURÍDICA: seus múltiplos conhecimentos auxiliam e alicerçam a atuação dos
operadores do direito, bem como as decisões judiciais que deles dependem.

3
à Assim, em termos gerais, a Medicina Legal pode ser conceituada como a ciência que,
se valendo de conhecimentos médicos, paramédicos e biológicos, se põe à
disposição para auxílio ao Direito e à sua correta aplicação.

2. IMPORTÂNCIA E FINALIDADE

à Considerada por alguns como a ciência subsidiária mais importante para o Direito, a
Medicina Legal irradia sua eficácia e conhecimento para os inúmeros ramos judiciais,
não se limitando apenas a questões relativas ao Direito Penal, às lesões corporais e à
dinâmica das infrações penais.

à No âmbito cível, essa matéria aborda casos de interdição, anulação de casamento e


determinação de paternidade. Já no âmbito trabalhista atua nas causas de acidentes de
trabalho, bem como nas consequências das doenças profissionais.

à Em termos gerais, a Medicina Legal atua de modo a atingir três finalidades:

Š orientar o processo legislativo;

Š auxiliar a aplicação da legislação existente;

Š fornecer a correta interpretação da legislação em vigor.

3. HISTÓRICO

A evolução histórica da Medicina Legal pode ser dividida em cinco períodos, desde a época
antiga até a atual modernidade científica, do seguinte modo:

à Período Antigo: época remota em que a Medicina e a Arte se confundiam, em razão


do pouco conhecimento disponibilizado. Havia fortes interferências religiosas em
diversos aspectos sociais, uma vez que os sacerdotes cumulavam as funções de juízes,
legisladores e médicos. Não existia um código médico-legal, mas apenas
referências esparsas, sem conteúdo científico.

à Período Romano: inicia-se a separação entre Direito e Religião, com a presença,


ainda que implícita, da Medicina Legal no Código Justiniano e na Lex Aquilia relativa
às lesões (ferimentos) e à sua letalidade.

Š Proibia-se, ainda, a realização de NECROPSIAS (exame do cadáver para


definir a causa de sua morte) ou VIVISSECÇÕES (dissecação do animal vivo

4
para realização de exames fisiológicos), em razão do caráter sagrado do corpo.

à Período da Idade Média: a figura do médico começa a ganhar maior relevância no


cenário mundial, de modo que as decisões judiciais, antes de serem proferidas,
deveriam ser tomadas com base em pareces médicos. Cita-se, também, a promulgação
da Lei Sálica, acréscimo à Lex Aquilia, que passa a tratar sobre a anatomia das lesões
corporais.

à Período Canônico: época de maior relevância e desenvolvimento literário, face à


instituição da Constituição do Império Germânico (primeiro documento organizado
de Medicina Legal).

ATENÇÃO!

ü Promulgação da Constitutio Criminalis Carolina (Carlos V – 1532), que


abordava, ineditamente, temas, como traumatologia, sexologia e psiquiatria
forense, bem como a obrigatoriedade de perícia médica em caso de mortes
violentas.

ü Lançamento da obra “Des rapports et des moyens d'embaumer les corps morts”,
escrita por Ambroise Paré, em 1575. Em razão desse feito, o francês é considerado
como pai da Medicina Legal.

à Período Moderno: a matéria assume caráter de disciplina jurídica e desponta em


inúmeros Tratados Italianos. Cita-se, também, a publicação de dez livros pelo escritor
Paulus Zacchias, razão pela qual alguns o consideram como o verdadeiro pai da
Medicina Legal.

3.1. EVOLUÇÃO NO BRASIL

à Em nosso território, o desenvolvimento da Medicina Legal se deu seguindo fortes


influências francesas, em maior escala, bem como italianas e alemãs, e ocorreu em
duas grandes fases:

Š Fase de Transição: como expoente da época, Agostinho José de Souza Lima


dá início ao caráter prático da matéria, no ano de 1877, em atuação discreta,
apenas fazendo referência às legislações estrangeiras.

Š Fase de Nacionalização: início da disciplina nas universidades, em 1895, com


relevante atuação de Raimundo Nina Rodrigues, seguido por outros
profissionais, como Oscar Freire e Afrânio Peixoto.

5
4. DIVISÕES

à Segundo Genival França, a Medicina Legal divide-se em diversos ângulos, entre os


quais se destacam o HISTÓRICO e o DIDÁTICO, por possuírem subdivisões
relevantes:

Š Histórico: aborda a evolução da Medicina Legal e seu contexto científico, ao


longo dos anos, e subdivide-se em:

§ Pericial: classificação mais antiga, voltada ao auxílio da administração da


justiça;

§ Legislativa: dedicada à fase de elaboração e revisão de diplomas relativos


às ciências biológicas;

§ Doutrinária: destina-se à discussão de elementos e questões jurídicas que


demandam conhecimento médico-legal;

§ Filosófica: fase atual, em que se discute temas como ética, bioética e moral.

Š Didático: aborda o modo pelo qual a medicina legal é estudada e se divide em:

§ Geral: aquela que estuda os direitos dos médicos (diceologia), bem como
seus deveres e obrigações (deontologia);

§ Especial: estuda os ramos específicos da matéria e perpassa por toda sua


extensão, tais como:

1. Antropologia forense: dedica-se ao estudo da identidade e da


identificação médico-legal e judiciária, valendo-se de dados, como
sexo, altura, raça e demais sinais individuais;

2. Criminalística: investigação da dinâmica do crime por meio das


ciências físicas, químicas e mecânicas;

3. Criminologia: ciência empírica e interdisciplinar, que se dedica ao


estudo do crime, do criminoso, da vítima e do ambiente;

4. Asfixiologia: estuda os diversos tipos de asfixias, suas classificações e


sinais específicos;

5. Traumatologia: estudo das lesões corporais, dos seus diagnósticos e


das energias causadoras;

6
6. Toxicologia: estudo dos cáusticos e dos venenos, bem como sua
repercussão no corpo humano;

7. Tanatologia: dedica-se, integralmente, ao estudo da morte e do morto,


ao diagnóstico de sua data e hora, aos fenômenos cadavéricos que dela
advêm, além de suas classificações e consequências;

8. Psicologia e Psiquiatria forense: ramos que se dedicam ao estudo da


responsabilidade e da capacidade civil, seus limites e modificações,
além das doenças mentais e suas repercussões;

9. Vitimologia: estuda a figura da vítima na dinâmica e no


desenvolvimento do crime, bem como seu processo de vitimização;

10. Infortunística: dedica-se ao estudo dos acidentes de trabalho e das


doenças profissionais que dele decorrem;

11. Genética médico-legal: aborda questões relativas aos vínculos


genéticos entre as famílias, tais como a paternidade, a maternidade e as
ações que as investigam.

12. Policiologia Forense: estudo das técnicas e dos processos científicos


utilizados nas investigações policiais.

ü Já caiu em prova
(PCSP - 2022) O ramo da medicina legal que aborda temas subsisiários que sustentam
explicam certos institutos jurídicos nos quais o conhecimento médico e biológico
faz-se necessário é denominado: Medicina Legal DOUTRINÁRIA.

5. LEGISLAÇÃO SOBRE PERÍCIA MÉDICA

à A disciplina das perícias médicas, oficiais e de natureza criminal está prevista na Lei
nº 12.030/2009, que estabelece as normais gerais para o exercício da atividade e elenca
os peritos criminais, os médicos legistas e os peritos odontologistas como sendo de
natureza criminal.

Há, também, o Código de Processo Penal, que, em seus artigos 158 a 184, aborda
os temas “corpo de delito” e “perícias em geral”, que serão analisados nos próximos
tópicos.

Os demais diplomas legais que possuem artigos relativos às perícias médicas não
possuem grande incidência nas provas, mas, a título de conhecimento, são os
seguintes:

7
Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) nº 1.480/1997 (morte
encefálica), Resolução CFM nº 1.617/2001 (Código de Processo Ético-profissional)
e Resolução CFM nº 1.779/2005 (normatiza o preenchimento da Declaração de
óbito).

6. ÉTICA MÉDICA E PERICIAL

à Além de estar submetido aos princípios que regem os agentes públicos e à relevante
atividade que exercem nessa condição, o perito médico legal, oficial ou nomeado, se
submete, também, aos preceitos estabelecidos no Código de Ética Médica (Resolução
do CFM nº 1931/2009).

Esse Código se aplica não só aos médicos, no exercício da profissão, mas também
aos profissionais que se valham do conhecimento advindo da Medicina, como os
peritos na realização das perícias médicas.

Em seus artigos 92 e seguintes, a referida Resolução elenca uma série de restrições


impostas ao médico perito que, uma vez inobservadas, compromete o caráter dos
documentos por ele emitidos, bem como o submete aos procedimentos de apuração
de responsabilidade.

Exemplos:

“Art. 92. Assinar laudos periciais, auditoriais ou de verificação médico-


legal quando não tenha realizado pessoalmente o exame.

Art. 93. Ser perito ou auditor do próprio paciente, de pessoa de sua


família ou de qualquer outra com a qual tenha relações capazes de
influir em seu trabalho ou de empresa em que atue ou tenha atuado.

[...]

Art. 98. Deixar de atuar com absoluta isenção quando designado para
servir como
perito ou como auditor, bem como ultrapassar os limites de suas
atribuições e de sua
competência.”

7. PERÍCIA MÉDICA

à Define-se como um exame/diligência realizado por profissional especializado, a fim


de esclarecer situações e fatos que interessem à Justiça.

Diversas são as oportunidades em que se torna indispensável a realização de perícia,


seja em demandas judiciais, ou não, quando a autoridade responsável pela decisão
não possui o conhecimento específico sobre determinado tema.
8
Não só a autoridade judicial, no curso de um processo, pode requisitar a realização de
uma perícia, mas também a autoridade responsável pela presidência do inquérito, na
fase pré-processual, também o pode.

à É composta por DUAS FASES:

ATENÇÃO!

FASES DA PERÍCIA
OBJETIVA SUBJETIVA
Alterações visíveis que podem ser Impressões do perito sobre aquilo
descritas. que foi descrito na fase objetiva.
Elementos DESCRITIVOS Elementos VALORATIVOS

§ Se realizada em pessoa viva à EXAME MÉDICO LEGAL.

§ Se recai sob um cadáver à EXAME DE NECROSCOPIA.

§ Se realizada em cadáver já sepultado à EXAME DE EXUMAÇÃO.

ü Já caiu em prova
(PCAL - 2023) As perícias podem ser conceituras como um conjunto de
procedimentos, de caráter técnico e médico, realizados em indivíduos vivios,
cadavéres, esqueletos, animais e objetos, cuja finalidade é o esclarecimento de um
fato de interesse da justiça. (certo)

à Quanto à conveniência da realização da perícia, exceto em caso de corpo de delito, sua


requisição pode ser indeferida, tanto pela autoridade policial como pela judicial,
quando não for necessária à solução da demanda (artigo 184 do CPP).

A despeito da carga probatória que carregam as perícias, o juiz não se vincula às


conclusões nelas previstas. Assim, em sua decisão, não está adstrito aos termos
apresentados pelo perito, podendo, inclusive, decidir em sentido contrário daquilo
que foi colhido no exame pericial (art. 182, CPP).

à Importantes classificações quanto às perícias:

9
Š Contraditória: assim denominada quando dois peritos não chegam a um ponto
de vista comum, apresentando, cada um deles, relatórios distintos e
individualizados sobre um mesmo objeto de análise.

Š Complexa: abrange mais de uma área de conhecimento especializado. Admite-


se a atuação de mais de um perito ou assistente técnico (artigo 159, § 7º, do CPP).

Š Percipiendi: tem por objeto fato ou circunstância a ser esclarecido, no qual se


verifica, qualitativa ou quantitativamente, as alterações por ele sofridas. É a mais
frequente.

Š Deducendi: realizada sobre fatos pretéritos, em especial, sobre perícias


anteriores, sobre as quais possa existir divergência entre autoridades ou partes.

ü Já caiu em prova
(PCRO - 2022). A perícia sobre outra já realizada (perícia deducendi) tem por objeto
fatos pretéritoc com relação aos quais possa existir discordância das partes ou do
julgador. (certo)

8. PERITOS E ASSISTENTES TÉCNICOS

à O agente responsável pela realização da perícia é chamado PERITO. É ele quem possui
o conhecimento técnico-científico sobre o objeto de estudo da perícia e se coloca à
disposição para esclarecer determinados fatos e situações sobre as quais a autoridade
não possui domínio.

Esse profissional pode ser oficial (investido por força de lei ou pertencente aos
quadros da Administração, presta o compromisso quando investido no cargo) ou não
oficial/ad hoc (quando nomeado pela autoridade competente para determinado ato).

à Há disciplina legal, no artigo 159 do Código de Processo Penal, a respeito da


importante atuação do perito:

Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados


por perito oficial, portador de diploma de curso superior.

§ 1o Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas


idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na
área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com
a natureza do exame.

10
Assim, ausente perito médico no momento do ato, a perícia poderá ser realizada por
duas pessoas IDÔNEAS, portadoras de diploma de curso superior,
PREFERENCIALMENTE na área sobre a qual recai o exame, sem qualquer
descrédito em seu valor probatório.

Por fim, em razão da atuação na condição de agente público, os peritos se


responsabilizam penal, civil e administrativamente pelos atos ilícitos que cometem
no exercício de suas funções, conforme disciplina o Código de Processo Civil, o
Código de Processo Penal e o regime administrativo a que estão submetidos.

ü Já caiu em prova
(PCAL - 2023) Por terem autonomia técnico-científica assegurada por lei, os peritos
não podem ser responsabilizados civil ou penalmente. (errado)

à Diferente da figura do perito, o ASSISTENTE TÉCNICO assume um papel de


profissional auxiliar, expert em determinado assunto, NÃO indicado pelo juízo,
tampouco investido em cargo, mas, sim, CONTRATADO pelas partes para
esclarecimento dos fatos e das situações.

Defendem o interesse das partes que os contratam, e em razão de seu caráter


particular/privado, respondem apenas pelo abuso da ética profissional, em sua
conduta, bem como pelos atos ilícitos no exercício da função (não estão sujeitos ao
integral regime de responsabilidade civil, penal e administrativa).

ATUAÇÃO DO ASSISTENTE TÉCNICO


FASE PRÉ PROCESSUAL FASE PROCESSUAL
Participação PASSIVA – Participação ATIVA – atua na produção
acompanhamento da produção pericial, complementa ou refuta
pericial. conclusões periciais.
Mediante indicação do MP, do Mediante indicação do MP, do
assistente de acusação, do assistente de acusação, do ofendido,
ofendido, do querelante e do do querelante e do acusado, após
acusado, após deferimento deferimento judicial.
judicial.
Novidade prevista na Lei nº Já havia previsão no CPP.
13.964/19 – Pacote Anticrime.

à No Código de Processo Penal, possuem disciplina no artigo 159, §§ 3º, 4º e 5º.


Recomenda-se a leitura para melhor fixação do conteúdo.
11
9. DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS

à São instrumentos, orais ou verbais, por meio dos quais, o médico/perito fornece seus
esclarecimentos à Justiça e às partes interessadas. Apresentam 5 classificações, em
ordem de complexidade:

9.1. ATESTADO MÉDICO: é a declaração ou certificação, simples e por escrito, sobre um


fato médico e suas consequências, bem como sobre a existência de determinado estado
de sanidade.

Podem ser:

a) judiciais: fornecidos mediante solicitação da administração da Justiça.


b) oficiosos: fornecidos para interesses particulares de pessoas físicas ou jurídicas.
c) administrativos: destina-se a fatos relativos ao serviço público.

ü Já caiu em prova
(PCAL - 2023) O documento que tem por finalidade firmar a veracidade de um fato,
ou ainda, a existência de determinado estado ou obrigação, denomina-se: Atestado..

Š ATESTADO/DECLARAÇÃO DE ÓBITO: documento que atesta a morte de


determinado indivíduo, indispensável para que a família proceda ao
sepultamento ou à cremação.

A regra é que, em caso de morte natural, o médico que acompanha o paciente


tem o dever de atestar o seu óbito.

Esse dever não subsiste em caso de morte violenta ou suspeita, por se fazer
necessária a autópsia, razão pela qual o atestado de óbito é fornecido nas
dependências do Instituto Médico Legal.

Š A morte, suas classificações e consequências serão estudadas em capítulo


posterior, mas apenas para situá-lo no assunto, morte natural é aquela que
decorre de doença ou envelhecimento, diferente da morte violenta, que advém
de crime, suicídio ou violência, ou da morte suspeita, que se dá em condições
incomuns e inesperadas.

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9.2. DEPOIMENTO ORAL: esclarecimentos orais fornecidos pelo perito, quando chamado
para ser ouvido em juízo, conforme autoriza o artigo 159, § 5º, I, do CPP:

§ 5o Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à


perícia:

I- requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para


responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou
questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima
de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar;

9.3. NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA: é a comunicação que o médico deve fazer às


autoridades competentes, seja por razões sociais, sanitárias ou por doenças contagiosas.

Exemplo: casos em que há indício ou confirmação de violência contra a mulher em


atendimentos de saúde, públicos ou privados; doenças que requeiram medidas de
isolamento.

Sujeita-se às penas do art. 269 do Código Penal o médico que se omite quanto à
notificação de doença, quando esta era devida.

9.4. RELATÓRIO MÉDICO: documento que relata, minuciosa e detalhadamente, a perícia


realizada, de modo a esclarecer a demanda suscitada pela autoridade policial ou judiciária.
Recebe o nome específico de:

a) LAUDO: quando é realizado pelo próprio perito, após suas investigações;


b) AUTO: quando é ditado, pelo perito, ao escrivão, mediante a presença de
testemunhas.

É composto por 7 partes:

RELATÓRIO MÉDICO
Parte introdutória do documento, em que se
menciona local, hora e data de realização do
PREÂMBULO exame, além do nome da autoridade que o
requereu e o tipo de perícia a ser feita.
Perguntas que devem ser respondidas pelo
perito, com o fim de esclarecer os fatos
QUESITOS relevantes que deram origem à perícia. É
facultada às partes a formulação de quesitos,
conforme o art. 176 do CPP.
Fatos importantes que antecederam a
realização da perícia, informações relevantes,

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HISTÓRICO tais como a dinâmica do evento, a posição da
vítima quando encontrada etc.
A parte mais importante do relatório, em que se
situa o visum et repertum (visto e relatado). É
a exposição, técnica e detalhada, de todas as
particularidades da perícia, como, por exemplo,
estado geral do examinado, particularidades e
DESCRIÇÃO repercussão das lesões, elementos de
identificação do periciando. Deve-se, sempre
que possível, anexar fotografias e desenhos que
facilitem a compreensão do esquema.
DISCUSSÃO Análise de todas as hipóteses e de todos os
elementos trazidos na descrição, a fim de
esclarecer, da melhor forma, a dinâmica do
evento que originou a necessidade da perícia.
CONCLUSÃO Momento em que o perito, após o cotejo entre a
descrição e a discussão, encerra sua análise
quanto à ocorrência, ou não, do fato.
RESPOSTA AOS QUESITOS Por meio de afirmações positivas ou negativas,
objetivas e concisas, o perito responde àqueles
quesitos listados no início do relatório.

ü Já caiu em prova
(PCRO - 2022) É correto afirmar que os aspectos objetivos de uma perícia,
relacionado às alterações visíveis verificadas por quem procede ao exame, serão
destacados nos respectivos laudos na parte: da DESCRIÇÃO. (letra b)

9.5. CONSULTA E PARECER MÉDICO: por meio da consulta médico-legal, a autoridade


ou outros peritos podem suscitar dúvidas ou divergências, ainda pendentes, quanto aos
termos trazidos no Relatório Médico, podendo, inclusive, sugerir quesitos
complementares.

Por outro lado, o parecer médico é a resposta técnica fornecida às consultas médico-
legais, com o fim de esclarecer contradições e dúvidas suscitadas.

Neste documento, devem constar, também, as mesmas partes previstas para o relatório
médico-legal, com toda a narrativa acerca da perícia, com exceção da DISCUSSÃO,
haja vista não se estar mais diante do objeto de perícia.

14
ü Já caiu em prova
(POAL - 2023) Discussão e conclusão são as partes mais importantes dos pareceres
médico-legais (errado, pois no parecer médico não há discussão).

10. QUESITOS OFICIAIS

à São questões elaboradas diante de uma situação jurídica que necessita de auxílio da
ciência médico-biológica para serem elucidadas.

Š OFICIAIS: perguntas genéricas e padronizadas, instituídas por lei estadual, cuja


finalidade é esclarecer aspectos relevantes, e específicos, relativos às infrações
penais cometidas, cuja resposta cabe ao perito responsável pela análise.

Exemplos:

§ Exame de Necropsia - Houve morte? Qual a causa? Qual instrumento


produziu a morte?

§ Exame de embriaguez – O agente está embriagado? Qual a espécie de


embriaguez? Em que quantidade?

Š NÃO OFICIAIS/COMPLEMENTARES: perguntas elaboradas, de modo


suplementar, pela autoridade policial ou judicial, bem como pelo Ministério
Público, pelo assistente de acusação, pelo ofendido, pelo querelante ou pelo
acusado (artigo 159, § 3º, do Código de Processo Penal).

Nos termos do art. 160 do Código de Processo Penal, uma vez formulados os
quesitos, estes devem ser obrigatoriamente respondidos pelo perito
encarregado da formulação do laudo.

No entanto, a resposta pode assumir caráter distinto, a depender da conclusão


que encerra os quesitos apresentados, podendo ser:

§ Monossilábica: nesse caso, a resposta é certa e conclusiva (SIM ou NÃO)


– “Houve morte? Sim”.

§ Justificada: quesitos que demandam, além da resposta monossilábica, a


explicação/justificativa para tal conclusão.

§ Evasivas: quando o perito não possui elementos periciais suficientes para


responder ao quesito, razão pela qual utiliza o termo “sem elemento”.

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§ Prejudicada: casos em que o quesito não se aplica àquele caso concreto,
ou em razão da impossibilidade de sua resposta, por circunstâncias
adversas.

11. CORPO DE DELITO

É o conjunto de vestígios que apresentam relação direta com a prática de um fato criminoso,
ou elementos residuais de uma infração penal, que podem ser percebidos pelos sentidos
humanos, segundo Genival França.

CORPO DE DELITO – EXAME DE CORPO DE DELITO – CORPO DA VÍTIMA.

São expressões distintas que não se confundem.

11.1. Exame de corpo de delito: é a prova pericial que se realiza sobre o CORPO DE
DELITO, tendo por objetivo a comprovação da autoria e da materialidade da infração
penal cometida.

à Se o crime deixar vestígios, é obrigatório o exame de corpo de delito, não podendo


supri-lo nem mesmo a confissão do acusado, sob pena de nulidade absoluta do feito.

à Pode ser direto ou indireto.

Š Direto: os peritos têm contato direto com o objeto a ser periciado.

Š Indireto: realizado quando não existirem vestígios ou quando eles tiverem


desaparecido. É realizado através de outros meios de prova.

Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os


vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

à Exceções à obrigatoriedade do exame de corpo de delito

Š Art. 12, § 3º, da Lei Maria da Penha: serão admitidos como meios de prova os
laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde.

Š Art. 77, § 1º, da Lei nº. 9.099/95: para o oferecimento da denúncia, que será
elaborada com base no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com
dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito
quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova
equivalente.

16
à Prioridades na realização do exame de corpo de delito

Š Crime que envolva violência doméstica e familiar contra mulher (art. 158,
parágrafo único, I, do CPP).

Š Crime que envolva violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com
deficiência (art. 158, parágrafo único, inciso II, do CPP).

ü Já caiu em prova

(PCSP - 2023) Nos crimes que envolvem violência doméstica e familiar contra mulher,
violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência, terá prioridade,
sobre os demais crimes, a realização de exame de corpo de delito. (certo)

à Momento de realização: poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora (art. 161
do CPP).

à Responsáveis pela realização da perícia: perito oficial, portador de diploma de curso


superior (art. 159 do CPP).

à Falta de perito oficial: o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras
de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, entre as que
tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame (art. 159, § 1º, do
CPP).

Š Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente


desempenhar o encargo (art. 159, § 2º, do CPP).

12. CADEIA DE CUSTÓDIA

Quanto à cadeia de custódia, deve-se focar no texto da lei: arts. 158-A e 158-F do CPP.

12.1. Conceito: trata-se do conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e


documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de
crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o
descarte.

12.2. Início da cadeia de custódia: o início da cadeia de custódia ocorre com a preservação
do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a
existência de vestígio.

12.3. Fases (art. 158-B): saiba a ordem exata (isso tem sido muito cobrado). Grave este
mnemônico: RE-I-FI-C-A-T-RE-P-A-DESCarta.
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a. REconhecimento: distinguir um elemento como de potencial interesse.

b. Isolamento: evitar que se altere o estado das coisas (isolar ambientes imediato,
mediato e relacionado).

c. FIxação: descrição detalhada do vestígio.

d. Coleta: recolher o vestígio.

e. Acondicionamento: embalar o vestígio de forma individualizada, de acordo com


suas características físicas, químicas e biológicas.

f. Transporte: transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as condições


adequadas.

g. REcebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio.

h. Processamento: exame pericial em si.

i. Armazenamento: guardar, em condições adequadas.

j. DESCarte: liberação do vestígio, de acordo com a legislação. Em regra, não se


exige autorização judicial.

ü Já caiu em prova

(PCSP-2023) No que concerne à cadeia de custódia, o ato de transferir o vestígio de um


local para o outro, utilizando as condições adequadas, de modo a garantir a manutenção de
suas características originais, bem como o controle de sua posse, denomina-se: Transporte.

12.4. Atribuição para liberar o local de crime: é atribuição do perito liberar o local do
crime, e não do delegado.

12.5. Quebra da cadeia de custódia

a. As irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo


magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a
prova é confiável. STJ. 6ª Turma. HC 653515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd.
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 23/11/2021 (Info 720).

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b. São inadmissíveis as provas digitais sem registro documental acerca dos
procedimentos adotados pela polícia para a preservação da integridade, da
autenticidade e da confiabilidade dos elementos informáticos.

à Caso adaptado: a Polícia Civil realizou operação para investigar e prender uma suposta
organização criminosa de hackers que teria furtado dinheiro de correntistas de bancos.
João foi um dos indivíduos preso e denunciado pelo Ministério Público por furto,
organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa de João impetrou habeas corpus
argumentando que a imputação dos crimes está fundamentada em supostas provas
digitais em relação às quais houve quebra da cadeia de custódia. As provas existentes
contra João foram extraídas dos computadores apreendidos na sua residência, no
entanto, não houve registro documental dos procedimentos adotados pela polícia para a
preservação da integridade, autenticidade e confiabilidade dos elementos informáticos.
Logo, houve quebra da cadeia de custódia (art. 158-A e seguintes do CPP). O STJ
concordou. Não há como assegurar que os elementos informáticos periciados pela
polícia são íntegros e idênticos aos que existiam nos computadores do réu, o que acarreta
ofensa ao art. 158 do CPP com a quebra da cadeia de custódia dos computadores
apreendidos pela polícia, inadmitindo-se as provas obtidas por falharem num teste de
confiabilidade mínima. STJ. 5ª Turma. RHC 143169/RJ, Rel. Min. Messod Azulay
Neto, Rel. Acd. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 7/2/2023 (Info 763).

12.6. Observações relevantes

à A superveniência de sentença condenatória não tem o condão de prejudicar habeas


corpus que analisa tese defensiva de que teria havido quebra da cadeia de custódia da
prova, ocorrida ainda na fase inquisitorial e empregada como justa causa para a própria
ação penal. STJ. 6ª Turma. HC 653515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 23/11/2021 (Info 720).

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