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Redes de Atenção à Saúde no SUS

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Epidemiologia- Problema 2

1) Explicar o funcionamento da RAS

A porta de entrada do sistema de saúde deve ser preferencialmente a atenção básica (postos de saúde, centros de
saúde, unidades de Saúde da Família etc.). A partir desse primeiro atendimento, o cidadão será encaminhado para os
outros serviços de maior complexidade da saúde pública (hospitais e clínicas especializadas).
As Redes de Atenção à Saúde
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades
tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a
integralidade do cuidado (Ministério da Saúde, 2010 – portaria nº 4.279, de 30/12/2010).
A implementação das RAS aponta para uma maior eficácia na produção de saúde, melhoria na eficiência da gestão do
sistema de saúde no espaço regional, e contribui para o avanço do processo de efetivação do SUS. A transição entre o
ideário de um sistema integrado de saúde conformado em redes e a sua concretização passam pela construção
permanente nos territórios, que permita conhecer o real valor de uma proposta de inovação na organização e na gestão
do sistema de saúde.
A atual grande diretriz da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) para o período de 2011 a 2014 é a implantação das RAS,
sendo sua gestora no âmbito federal.
No dia 30 de dezembro de 2010, o Documento de Referência contendo as “Diretrizes para a organização das RAS no
âmbito do SUS” foi oficializado por meio da Portaria GM/MS nº 4.279, publicada no Diário Oficial de 31/12/2010. Este
documento havia sido aprovado pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT) no dia 16 de dezembro.
Para assegurar resolutividade na rede de atenção, alguns fundamentos precisam ser considerados: economia de escala,
qualidade, suficiência, acesso e disponibilidade de recursos.

A gestão da Saúde Pública no Brasil é fragmentada e organizada em três níveis de atenção: primário, secundário e
terciário. O modelo foi adotado para dividir os serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por categorias
determinadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que buscam promover, restaurar e manter a saúde dos
indivíduos. No nível primário, conhecido como a porta de entrada no SUS, estão as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Nessa etapa são marcadas consultas e exames básicos, como hemogramas, além da realização de procedimentos
simples, como curativos. Os profissionais se articulam para atuar não apenas na UBS, mas também em diversos espaços
da comunidade (como centros comunitários e escolas), além de fazerem visitas domiciliares às famílias. As Unidades de
Pronto Atendimento (UPAs), hospitais e outras unidades de atendimento especializado ou de média complexidade,
inclusive de urgência e emergência, compõem o nível secundário de gestão da Saúde Pública. A organização desse nível
é feita com base em macro e microrregiões de cada Estado, devendo apresentar tanto ambulatórios como hospitais. No
nível terciário estão os hospitais de grande porte, que atendem alta complexidade. O objetivo é garantir que
procedimentos para a manutenção dos sinais vitais sejam realizados, dando suporte para a preservação da vida sempre
que preciso. Nesse nível existem tecnologias médicas e profissionais capazes de atender a situações que, no nível
secundário, não puderam ser tratadas por serem casos mais raros ou complexos.

Redes de Atenção à Saúde (Macropolítica)


Normativas das Redes de Atenção a Saúde - Constituição Federal
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um
sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade.
Definição de Redes de Atenção à Saúde
Portaria GM nº 4.279 de 30 de dezembro de 2010
“Arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas, que integradas por meio
de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado”.
Atributos das Redes de Atenção
 APS como primeiro nível de atenção;
 População e territórios definidos;
 Mecanismos de coordenação, continuidade do cuidado e assistência integral fornecidos de forma continuada;
 Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e nas comunidades, levando em consideração as
particularidades de cada um;
 Gestão baseada em resultados.
 Integração entre os diferentes entes federativos a fim de atingir um propósito comum; (pactos interfederativo)
 Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico;
 Sistema de informação integrado;
 Ação intersetorial;
 Financiamento tripartite;

Atenção Básica à Saúde


Trata-se do primeiro nível de atenção à saúde, segundo o modelo adotado pelo SUS. É, preferencialmente, a “porta de
entrada” do sistema de saúde. A população tem acesso a especialidades básicas, que são: clínica médica (clínica geral),
pediatria, obstetrícia e ginecologia. Estudos demonstram que a atenção básica é capaz de resolver cerca de 80% das
necessidades e problemas de saúde.
Média Complexidade
Tem o objetivo de atender os principais agravos de saúde da população, com procedimentos e atendimento
especializados. São serviços como consultas hospitalares e ambulatoriais, exames e alguns procedimentos cirúrgicos. É
constituída por procedimentos ambulatoriais e hospitalares situados entre a atenção básica e a alta complexidade.
Alta Complexidade
Procedimentos que envolvem alta tecnologia e/ou alto custo. São exemplos de procedimentos de alta complexidade:
traumatoortopedia, cardiologia, terapia renal substitutiva e oncologia. As principais áreas estão organizadas em redes,
como as de cirurgias cardíacas e de atenção oncológica.
Redes de Atenção
As ações e serviços de saúde estão organizados em redes de atenção regionalizadas e hierarquizadas, de forma a
garantir o atendimento integral à população e a evitar a fragmentação das ações em saúde. O acesso à população
ocorre preferencialmente pela rede básica de saúde (atenção básica) e os casos de maior complexidade são
encaminhados aos serviços especializados, que podem ser organizados de forma municipal ou regional, dependendo do
porte e da demanda do município. As principais redes de atenção de alta complexidade do SUS são:
• assistência ao paciente portador de doença renal crônica (diálise);
• assistência ao paciente portador de oncologia;

POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA OPERACIONALIZAÇÃO


CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS DA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) é resultado da experiência acumulada por um conjunto de atores
envolvidos historicamente com o desenvolvimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), como
movimentos sociais, população, trabalhadores e gestores das três esferas de governo. Esta Portaria, conforme
normatização vigente no SUS, que define a organização em Redes de Atenção à Saúde (RAS) como estratégia para um
cuidado integral e direcionado às necessidades de saúde da população, destaca a Atenção Básica como primeiro ponto
de atenção e porta de entrada preferencial do sistema, que deve ordenar os fluxos e contrafluxos de pessoas , produtos
e informações em todos os pontos de atenção à saúde.
Esta Política Nacional de Atenção Básica tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para expansão e
consolidação da Atenção Básica. Contudo reconhece outras estratégias de organização da Atenção Básica nos
territórios, que devem seguir os princípios e diretrizes da Atenção Básica e do SUS, configurando um processo
progressivo e singular que considera e inclui as especificidades locorregionais, ressaltando a dinamicidade do território
e a existência de populações específicas, itinerantes e dispersas, que também são de responsabilidade da equipe
enquanto estiverem no território, em consonância com a política de promoção da equidade em saúde.
A Atenção Básica considera a pessoa em sua singularidade e inserção sociocultural, buscando produzir a atenção
integral, incorporar as ações de vigilância em saúde - a qual constitui um processo contínuo e sistemático de coleta,
consolidação, análise e disseminação de dados sobre eventos relacionados à saúde - além disso, visa o planejamento e
a implementação de ações públicas para a proteção da saúde da população, a prevenção e o controle de riscos, agravos
e doenças, bem como para a promoção da saúde.
Destaca-se ainda o desafio de superar compreensões simplistas, nas quais, entre outras, há dicotomia e oposição entre
a assistência e a promoção da saúde. Para tal, deve-se partir da compreensão de que a saúde possui múltiplos
determinantes e condicionantes e que a melhora das condições de saúde das pessoas e coletividades passa por diversos
fatores, os quais grande parte podem ser abordados na Atenção Básica.
1 - PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DA ATENÇÃO BÁSICA
Os princípios e diretrizes, a caracterização e a relação de serviços ofertados na Atenção Básica serão orientadores para
a sua organização nos municípios, conforme descritos a seguir:
1.1 - Princípios
- Universalidade: possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos,
caracterizados como a porta de entrada aberta e preferencial da RAS (primeiro contato), acolhendo as pessoas e
promovendo a vinculação e corresponsabilização pela atenção às suas necessidades de saúde. O estabelecimento de
mecanismos que assegurem acessibilidade e acolhimento pressupõe uma lógica de organização e funcionamento do
serviço de saúde que parte do princípio de que as equipes que atuam na Atenção Básica nas UBS devem receber e ouvir
todas as pessoas que procuram seus serviços, de modo universal, de fácil acesso e sem diferenciações excludentes, e a
partir daí construir respostas para suas demandas e necessidades.
- Equidade: ofertar o cuidado, reconhecendo as diferenças nas condições de vida e saúde e de acordo com as
necessidades das pessoas, considerando que o direito à saúde passa pelas diferenciações sociais e deve atender à
diversidade. Ficando proibida qualquer exclusão baseada em idade, gênero, cor, crença, nacionalidade, etnia,
orientação sexual, identidade de gênero, estado de saúde, condição socioeconômica, escolaridade ou limitação física,
intelectual, funcional, entre outras, com estratégias que permitam minimizar desigualdades, evitar exclusão social de
grupos que possam vir a sofrer estigmatização ou discriminação; de maneira que impacte na autonomia e na situação
de saúde.
- Integralidade: É o conjunto de serviços executados pela equipe de saúde que atendam às necessidades da população
adscrita nos campos do cuidado, da promoção e manutenção da saúde, da prevenção de doenças e agravos, da cura, da
reabilitação, redução de danos e dos cuidados paliativos. Inclui a responsabilização pela oferta de serviços em outros
pontos de atenção à saúde e o reconhecimento adequado das necessidades biológicas, psicológicas, ambientais e
sociais causadoras das doenças, e manejo das diversas tecnologias de cuidado e de gestão necessárias a estes fins, além
da ampliação da autonomia das pessoas e coletividade.
1.2 - Diretrizes
- Regionalização e Hierarquização: dos pontos de atenção da RAS, tendo a Atenção Básica como ponto de comunicação
entre esses. Considera-se regiões de saúde como um recorte espacial estratégico para fins de planejamento,
organização e gestão de redes de ações e serviços de saúde em determinada localidade, e a hierarquização como forma
de organização de pontos de atenção da RAS entre si, com fluxos e referências estabelecidos.
- Territorialização e Adstrição: de forma a permitir o planejamento, a programação descentralizada e o
desenvolvimento de ações setoriais e intersetoriais com foco em um território específico, com impacto na situação, nos
condicionantes e determinantes da saúde das pessoas e coletividades que constituem aquele espaço e estão, portanto,
adstritos a ele. Para efeitos desta portaria, considerase Território a unidade geográfica única, de construção
descentralizada do SUS na execução das ações estratégicas destinadas à vigilância, promoção, prevenção, proteção e
recuperação da saúde. Os Territórios são destinados para dinamizar a ação em saúde pública, o estudo social,
econômico, epidemiológico, assistencial, cultural e identitário, possibilitando uma ampla visão de cada unidade
geográfica e subsidiando a atuação na Atenção Básica, de forma que atendam a necessidade da população adscrita e ou
as populações específicas.
III - População Adscrita: população que está presente no território da UBS, de forma a estimular o desenvolvimento de
relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população, garantindo a continuidade das ações de saúde e
a longitudinalidade do cuidado e com o objetivo de ser referência para o seu cuidado.
- Cuidado Centrado na Pessoa: aponta para o desenvolvimento de ações de cuidado de forma singularizada, que auxilie
as pessoas a desenvolverem os conhecimentos, aptidões, competências e a confiança necessária para gerir e tomar
decisões embasadas sobre sua própria saúde e seu cuidado de saúde de forma mais efetiva. O cuidado é construído
com as pessoas, de acordo com suas necessidades e potencialidades na busca de uma vida independente e plena. A
família, a comunidade e outras formas de coletividade são elementos relevantes, muitas vezes condicionantes ou
determinantes na vida das pessoas e, por consequência, no cuidado.
- Resolutividade: reforça a importância da Atenção Básica ser resolutiva, utilizando e articulando diferentes tecnologias
de cui-dado individual e coletivo, por meio de uma clínica ampliada capaz de construir vínculos positivos e intervenções
clínica e sanitariamente efetivas, centrada na pessoa, na perspectiva de ampliação dos graus de autonomia dos
indivíduos e grupos sociais. Deve ser capaz de resolver a grande maioria dos problemas de saúde da população,
coordenando o cuidado do usuário em outros pontos da RAS, quando necessário.
VI - Longitudinalidade do cuidado: pressupõe a continuidade da relação de cuidado, com construção de vínculo e
responsabilização entre profissionais e usuários ao longo do tempo e de modo permanente e consistente,
acompanhando os efeitos das intervenções em saúde e de outros elementos na vida das pessoas, evitando a perda de
referências e diminuindo os riscos de iatrogenia que são decorrentes do desconhecimento das histórias de vida e da
falta de coordenação do cuidado.
VII - Coordenar o cuidado: elaborar, acompanhar e organizar o fluxo dos usuários entre os pontos de atenção das RAS.
Atuando como o centro de comunicação entre os diversos pontos de atenção, responsabilizando-se pelo cuidado dos
usuários em qualquer destes pontos através de uma relação horizontal, contínua e integrada, com o objetivo de
produzir a gestão compartilhada da atenção integral. Articulando também as outras estruturas das redes de saúde e
intersetoriais, públicas, comunitárias e sociais.
VIII - Ordenar as redes: reconhecer as necessidades de saúde da população sob sua responsabilidade, organizando as
necessidades desta população em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo para que o
planejamento das ações, assim como, a programação dos serviços de saúde, parta das necessidades de saúde das
pessoas.
IX - Participação da comunidade: estimular a participação das pessoas, a orientação comunitária das ações de saúde na
Atenção Básica e a competência cultural no cuidado, como forma de ampliar sua autonomia e capacidade na
construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do território. Considerando ainda o enfrentamento
dos determinantes e condicionantes de saúde, através de articulação e integração das ações intersetoriais na
organização e orientação dos serviços de saúde, a partir de lógicas mais centradas nas pessoas e no exercício do
controle social.
2) Diferenciar índice, coeficiente e taxa

Índice: pode se referir a algo juntamente com outra coisa causa algum efeito. Apesar do uso popular do
termo, os índices correspondem a categorias de uso mais restrito, estando constituídos por medidas que
integram múltiplas dimensões ou elementos de diversa natureza. Devido ao seu caráter multidimensional, o
índice integra, numa medida, vários aspectos de uma determinada situação de saúde-doença.

Pode ser calculado de duas maneiras:

A primeira é através de uma divisão que representa a relação entre entidades de distinta natureza, isto é,
numerador e denominador expressam distintas dimensões. IMC

A segunda forma de elaboração de índices é por meio de uma escala de pontos (score) que representa a
soma de unidades de diversa magnitude em diversas dimensões, algumas das quais podem ser qualitativas.
(APGAR E GLASGOW).
Taxa: Falando genericamente, pode-se referir a uma taxa de ocorrência de um dado evento incidente em
termos da sua tendência em um período (por exemplo, nos últimos anos, "as taxas de mortalidade por
acidentes de trânsito estão aumentando".
O numerador expressa um número simples de eventos em uma dimensão; em epidemiologia, geralmente
corresponde ao número de pessoas que desenvolveram um evento incidente.

O denominador inclui, de alguma maneira, a dimensão de tempo; note-se que no coeficiente de incidência o
tempo constitui uma referência básica, mas ele não está incluído no cálculo da medida resultante.

A medida resultante da divisão expressa a magnitude de mudança em relação ao tempo, sendo


matematicamente uma medida de função que segue o modelo da teoria do limite e que expressa mudança
instantânea no tempo.

São coeficientes multiplicados por uma potência de 10 (em geral 100 ou 1000) (por cento ou por mil), para facilitar a
interpretação dos resultados. Exemplo: A taxa de empregados do sexo feminino da empresa Alfa é 0,51x100 = 51% e a
taxa de empregados do sexo masculino é 0,49x100 = 49%.
Alguns coeficientes são multiplicados por mil para se transformarem em taxa, é o caso da taxa de mortalidade.
Como calcular taxa por 100 mil habitantes
Por que usar a taxa por 100 mil habitantes?
 Indicadores como a taxa por cem mil habitantes são proporcionais ao tamanho da população em questão, logo,
eles permitem comparar populações (países, cidades, bairros) de tamanhos diferentes.
 Dividindo o indicador por fatias menores de pessoas, é possível entender a distribuição geográfica de forma mais
significativa.
 A taxa também poderia ser por 10 mil, ou 1 mil habitantes, o princípio é o mesmo.
Outros exemplos:

Coeficiente: Constituem um tipo de medida matemática em que todas as unidades do numerador estão
contidas em um denominador mais amplo, isto é, o numerador é um subconjunto do denominador. São
adimensionais, isto é, o resultado não tem medida de mensuração, e variam desde zero (a ausência de
probabilidade do evento) a um (a sua ocorrência).

São razões entre valores de variáveis da mesma espécie numa relação de parte para o todo. Exemplo: A empresa Alfa
possui 102 empregados, dos quais 50 são homens e 52 mulheres.
No caso da empresa Alfa o coeficiente de empregados do sexo feminino é 52/102 = 0,51; enquanto o coeficiente de
empregados do sexo masculino é 50/102 = 0,49.
Outros exemplos:
Indicador: Termo amplo e abrangente para medidas em epidemiologia, tem a capacidade de revelar um
determinado aspecto da situação não aparente de saúde doença, é construído a partir de e observações
principalmente quantitativas, quantifica eventos relacionados a saúde doença. Pode ser expresso em
números absolutos (nº de novos casos de febre amarela) ou relativos (índices proporções, etc)

3) Compreender os indicadores de saúde e suas estratificações, como são utilizados no planejamento


das ações conforme sua importância

A construção da matriz de indicadores pautou-se nos critérios de: relevância para a compreensão da
situação de saúde, suas causas e consequências; validade para orientar decisões de política e apoiar o
controle social; identidade com processos de gestão do SUS; e disponibilidade de fontes regulares. Esses
critérios se mantêm no processo de revisão e atualização periódicas da matriz, que resulta em eventuais
alterações, acréscimos e supressões de indicadores. Por esse motivo, a consistência da série histórica
disponibilizada demanda atenção constante. Convencionou-se classificar os indicadores em seis
subconjuntos temáticos: demográficos, socioeconômicos, mortalidade, morbidade e fatores de risco,
recursos e cobertura. Cada indicador é caracterizado na matriz pela sua denominação, conceituação,
método de cálculo, categorias de análise e fontes de dados. A produção de cada indicador é de
responsabilidade da instituição-fonte mais bem identificada com o tema, a qual fornece anualmente os
dados brutos utilizados no cálculo, em planilha eletrônica padronizada, preparada pelo Datasus ou obtida
diretamente das bases de dados dos sistemas nacionais de informações de saúde. De maneira geral estão
disponíveis, para cada indicador, dados desagregados por unidade geográfica, idade e sexo. Dados sobre
cor/raça e situação de escolaridade, quando disponíveis, são utilizados como proxy de condição social. Há
ainda categorias de análise específicas a determinados indicadores como, por exemplo, a situação urbana ou
rural do domicílio. A matriz orienta a elaboração anual do produto finalístico da Ripsa “Indicadores e Dados
(IDB)”, a partir do qual devem ser realizados análises e informes sobre a situação de saúde no Brasil e suas
tendências.
Taxa de mortalidade: representa o risco de óbito na comunidade. É expresso por uma razão, e pode ser
calculado, como todos os demais coeficientes, também através de regra de três simples. Não é muito
utilizado para comparar o nível de saúde de diferentes populações, pois não leva em consideração a
estrutura etária dessas populações (se a população é predominantemente jovem ou idosa). Um coeficiente
geral de mortalidade alto para uma população mais idosa significa apenas que as pessoas já viveram o que
tinham para viver e, por isso, estão morrendo.

Taxa de mortalidade infantil: É obtida por meio do número de crianças de um determinado local (cidade,
região, país, continente) que morrem antes de completar 1 ano, a cada mil nascidas vivas. Esse dado é um
aspecto de fundamental importância para avaliar a qualidade de vida, pois, por meio dele, é possível obter
informações sobre a eficácia dos serviços públicos.

Coeficientes específicos e mortalidade proporcional: pode-se organizar a distribuição de óbitos para


numerosas características da população e do meio ambiente:

• Taxa de mortalidade infantil

• Taxa de mortalidade neonatal precoce

• Taxa de mortalidade neonatal tardia

• Taxa de mortalidade pós-neonatal

• Taxa de mortalidade perinatal

• Taxa de mortalidade na infância

• Razão de mortalidade materna

• Mortalidade materna segundo tipo de causa

• Mortalidade proporcional por grupos de causas

• Mortalidade proporcional por causas mal definidas

• Mortalidade proporcional por doença diarreica aguda em menores de 5 anos de idade

• Mortalidade proporcional por infecção respiratória aguda em menores de 5 anos de idade

• Taxa de mortalidade específica por doenças do aparelho circulatório

• Taxa de mortalidade específica por causas externas


• Taxa de mortalidade específica por neoplasias malignas

• Taxa de mortalidade específica por acidentes de trabalho em Segurados da Previdência Social

• Taxa de mortalidade específica por diabete melito

• Taxa de mortalidade específica por aids

• Taxa de mortalidade específica por afecções originadas no período perinatal

• Taxa de mortalidade específica por doenças transmissíveis

Taxa de mortalidade neonatal: É o número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade, observado
durante um determinado período de tempo - normalmente, 1 ano civil -, referido ao número de nados vivos
do mesmo período.

Para facilitar a comparabilidade dos dados dos diferentes países esta taxa é habitualmente expressa em
número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade por 1000 nados vivos.

Esse coeficiente pode ser dividido em: a mortalidade neonatal precoce tendo como numerador os óbitos de
crianças menores que 7 dias ou de 0 a 6 dias e a mortalidade neonatal tardia tendo como numerador os
óbitos de crianças entre 7 e 27 dias.

Taxa de mortalidade pós-natal: Número de óbitos ocorridos entre 28 e 364 dias de vida completos,
expresso por mil nascidos vivos, em determinado local e período.

Estima o risco de um nascido vivo morrer entre o 28o e 364o dias completos de vida.

Taxas elevadas de mortalidade pós-neonatal refletem, de maneira geral, baixos níveis de saúde, de
desenvolvimento socioeconômico e de condições de vida.

Quando a taxa de mortalidade infantil é alta, a mortalidade pós-neonatal costuma também ser alta.

Taxa de fecundidade: A taxa de fecundidade consiste em uma estimativa do número médio de filhos que
uma mulher tem ao longo da vida. Nesse sentido, esse indicador expressa a condição reprodutiva média das
mulheres de uma determinada região. Para que a reposição populacional seja assegurada, a taxa de
fecundidade não pode ser inferior a 2,1 filhos por mulher, pois as duas crianças substituem os pais e a fração
0,1 é necessária para compensar os indivíduos que morrem antes de atingir a idade reprodutiva, sendo um
dado importantíssimo para a análise da dinâmica demográfica.
Taxa de mortalidade materna: é o número de óbitos de mulheres devido a complicações da gravidez, do
parto e do puerpério, observados durante um determinado período de tempo - normalmente, 1 ano civil,
referido ao número de nados vivos ou nascimentos totais do mesmo período, é uma taxa de mortalidade
que foi padronizada de modo a eliminar os efeitos da diversidade da estrutura etária nas populações a
comparar.

Existem vários métodos de padronização. Na padronização direta, as taxas são calculadas a partir dos óbitos
esperados numa população padrão - por exemplo, a população padrão europeia-, a partir das taxas de
mortalidade específicas das populações a comparar.

Taxa de natalidade: é um coeficiente utilizado na medição do número de mortes (em geral, ou causadas por
um fato específico) em determinada população, adaptada ao tamanho desta mesma população, por unidade
de morte. É expressa comumente em unidades de morte por 1000 pessoas ao ano. Assim, uma taxa de
mortalidade de 5,5 numa população de 100.000 pessoas significa 550 mortes por ano em toda aquela área
estudada.
Além dos indicadores de morbidade e mortalidade, ainda existem:

O uso das informações e indicadores provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS


(SIH/SUS), tanto para análise de situação de saúde da população como para análise do desempenho do SUS,
é cada vez mais frequente.

Tal sistema é, desde sua concepção, fortemente influenciado pelas políticas públicas na área de atenção à
saúde, como as definidas pelas Normas Operacionais e os incentivos e restrições a determinadas práticas.
Alterações na operação do sistema introduzem descontinuidades e vieses nas informações, provocando
eventuais imprecisões ou mesmo distorções nos resultados da extração de dados do sistema.
Para que se possa avaliar o resultado de políticas, a situação da assistência à saúde ou as condições de saúde
de uma população, é necessário, portanto, que se tenha uma visão clara e objetiva de quais informações são
disponíveis, a sua evolução e como utilizá-las, considerando devidamente as influências exógenas e
endógenas do sistema. O presente estudo tem como objetivo geral descrever e analisar como as políticas de
saúde do SUS influenciam e se refletem nas informações e indicadores gerados a partir do Sistema de
Informações Hospitalares do SUS, no período de 1982 a 2004.o estudo está estruturado de acordo com o
contexto do Sistema de Informações Hospitalares.

4) Diferenciar UBS e ESF

A Estratégia Saúde da Família (ESF) visa à reorganização da atenção básica no País, de acordo com os preceitos do
Sistema Único de Saúde, e é tida pelo Ministério da Saúde e gestores estaduais e municipais como estratégia de
expansão, qualificação e consolidação da atenção básica por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com
maior potencial de aprofundar os princípios, diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a resolutividade e
impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade.

Um ponto importante é o estabelecimento de uma equipe multiprofissional (equipe de Saúde da Família – eSF)
composta por, no mínimo: (I) médico generalista, ou especialista em Saúde da Família, ou médico de Família e
Comunidade; (II) enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família; (III) auxiliar ou técnico de enfermagem; e
(IV) agentes comunitários de saúde. Podem ser acrescentados a essa composição os profissionais de Saúde Bucal:
cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar e/ou técnico em Saúde Bucal.

Objetivos Específicos:

 Prestar, na unidade de saúde e no domicílio, assistência integral, contínua, com resolubilidade e boa qualidade às
necessidades de saúde da população adscrita;
 . Intervir sobre os fatores de risco aos quais a população está exposta;
 . Eleger a família e o seu espaço social como núcleo básico de abordagem no atendimento à saúde;
 . Humanizar as práticas de saúde através do estabelecimento de um vínculo entre os profissionais de saúde e a
população;
 . Proporcionar o estabelecimento de parcerias através do desenvolvimento de ações intersetoriais;
 . Contribuir para a democratização do conhecimento do processo saúde/doença, da organização dos serviços e da
produção social da saúde;
 . Fazer com que a saúde seja reconhecida como um direito de cidadania e, portanto, expressão da qualidade de
vida;
 . Estimular a organização da comunidade para o efetivo exercício do controle social;
Atribuições do médico:

Preferencialmente, o médico da equipe preconizada pelo PSF deve ser um generalista; portanto, deve atender a todos
os componentes das famílias, independentemente de sexo e idade. Esse profissional deverá comprometer-se com a
pessoa, inserida em seu contexto biopsicossocial, e não com um conjunto de conhecimentos específicos ou grupos de
doenças. Sua atuação não deve estar restrita a problemas de saúde rigorosamente definidos. Seu compromisso envolve
ações que serão realizadas enquanto os indivíduos ainda estão saudáveis.

Atribuições do enfermeiro:

Este profissional desenvolve seu processo de trabalho em dois campos essenciais: na unidade de saúde, junto à equipe
de profissionais, e na comunidade, apoiando e supervisionando o trabalho dos ACS, bem como assistindo às pessoas
que necessitam de atenção de enfermagem.

Atribuições do auxiliar de enfermagem:

As ações do auxiliar de enfermagem são desenvolvidas nos espaços da unidade de saúde e no domicílio/comunidade, e
suas atribuições básicas são: desenvolver atividades de identificação das famílias de risco, contribuir com o trabalho dos
ACS no que se refere às visitas domiciliares, acompanhar as consultas de enfermagem dos indivíduos expostos às
situações de risco; acompanhar as consultas de enfermagem dos indivíduos expostos às situações de risco; participar da
discussão e organização do processo de trabalho da unidade de saúde.

Atribuições do agente comunitário de saúde:

Mapeamento de sua área de atuação, cadastrar e atualizar as famílias de sua área, identificar indivíduos e famílias
expostos a situações de risco, realizar acompanhamento domiciliar mensal (visitas), promover educação em saúde e
mobilização comunitária, orientar as famílias para a utilização adequada dos serviços de saúde, participar do
planejamento e da programação local das ações relativas ao território de abrangência da unidade de Saúde da Família
etc.

Tanto a UBS quanto a ESF precisam ter um agendamento prévio, ter uma equipe multidisciplinar para depois passar ao
médico. Ambos são a porta de entrada no sistema de saúde.

Na UBS temos sala de vacina, teste do pezinho, inalação, curativo, injeção e encontra-se atendimentos básicos de
primeiros socorros.

ESF- atendimentos domiciliares e curativos especializados é a diferença.

A equipe multiprofissional (equipe de Saúde da Família – eSF) composta por, no mínimo: (I) médico generalista, ou
especialista em Saúde da Família, ou médico de Família e Comunidade; (II) enfermeiro generalista ou especialista em
Saúde da Família; (III) auxiliar ou técnico de enfermagem; e (IV) agentes comunitários de saúde. Podem ser
acrescentados a essa composição os profissionais de Saúde Bucal: cirurgião-dentista generalista ou especialista em
Saúde da Família, auxiliar e/ou técnico em Saúde Bucal.

5) Compreender o financiamento a nível municipal, estadual e federal no SUS e quais impostos são
direcionados à saúde.

A Constituição Federal de 1988 determina que as três esferas de governo – federal, estadual e municipal –
financiem o Sistema Único de Saúde (SUS), gerando receita necessária para custear as despesas com ações e
serviços públicos de saúde. Planejar este financiamento, promovendo arrecadação e repasse necessários de
forma a garantir a universalidade e integralidade do sistema, tem se mostrado, no entanto, uma questão
bem delicada. As restrições orçamentárias para o setor – sobretudo a falta de recursos nos municípios – e a
necessidade premente de superá-las fazem com que as discussões sobre o financiamento ocupem
constantemente a agenda dos movimentos sociais e políticos que atuam em defesa do SUS.

Os percentuais de investimento financeiro dos municípios, estados e União no SUS são definidos atualmente
pela Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012, resultante da sanção presidencial da Emenda
Constitucional 29. Por esta lei, municípios e Distrito Federal devem aplicar anualmente, no mínimo, 15% da
arrecadação dos impostos em ações e serviços públicos de saúde cabendo aos estados 12%. No caso da
União, o montante aplicado deve corresponder ao valor empenhado no exercício financeiro anterior,
acrescido do percentual relativo à variação do Produto Interno Bruto (PIB) do ano antecedente ao da lei
orçamentária anual.

Diversas instituições organizadas reivindicam, no entanto, que a União destine pelo menos 10% das receitas
correntes brutas para a saúde pública brasileira, o que não se consolidou com a sanção da Lei Complementar
nº 141. Diante disso, organizou-se o Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, Saúde + 10, com o
objetivo de coletar assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que assegure o repasse deste
percentual, alterando a legislação vigente.

importante observar que o processo de descentralização tributária verificado a partir da nova Carta
Constitucional não só ampliou a competência tributária de estados e municípios como elevou o nível das
transferências de tributos federais às esferas subnacionais de governo. Assim, a partir da reforma tributária
introduzida na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, competem aos estados os seguintes
tributos: (i) o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de
Transporte Interestadual e de Comunicação (ICMS); (ii) o Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e
Doação de Bens e Direitos (ITCMD); (iii) o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e;
(iv) 5% adicionais ao Imposto de Renda (IR) incidente sobre rendimentos de capital - inclusive lucros - devido
à União.

Além desses impostos próprios, os estados viram-se beneficiados com um aumento das transferências
constitucionais diretas de tributos federais, pelo Fundo de Participação dos Estados (FPE), que passou a
receber 21,5% do IR e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) arrecadados pela União - em vez de
14%, como fazia antes de 1988 -; ainda, 10% dos recursos do IPI passaram a ser redistribuídos àqueles
estados que exportam produtos industriais, proporcionalmente ao valor dessas exportações. Por outro lado,
no que concerne a estados de regiões pobres, beneficiários do Fundo Especial para Fomento às Regiões
Pobres, passaram a receber através dos bancos regionais de desenvolvimento 4% (em vez de 3%) da
arrecadação do IPI e do IR.

Efetivamente, os municípios mantiveram o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e
o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), e obtiveram com a reforma tributária dois novos
tributos: o Imposto sobre Venda de Combustíveis a Varejo (IVCV) e o Imposto sobre Transmissão Intervivos
de Bens e Direitos sobre Imóveis (ITBI).

Mas é do aumento das transferências federais e estaduais que advém a maior parte dos ganhos tributários
das esferas locais de governo: (i) eles passaram a absorver, por meio do Fundo de Participação dos
Municípios (FPM) 22,5% (em vez de 17%) do IPI e do IR; (ii) a União passou a transferir-lhes 50% da
arrecadação do Imposto Territorial Rural (ITR); (iii) os estados passaram a transferir aos municípios 25% (em
vez de 20%) da sua arrecadação de ICMS e, ainda, 50% do valor do IPVA arrecadado. Dessa forma, as esferas
locais de governo passaram a reter 34% da carga tributária global brasileira.

Entre os tributos considerados para estimar a despesa familiar que se refere à parcela de tributos que
financiaram o SUS estão COFINS, CPMF, IPI, ICMS, ISS, Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), IPTU e IPVA,
que são responsáveis por 70% do financiamento público do sistema de saúde.
, com o objetivo de possibilitar maior autonomia aos gestores da saúde no gerenciamento financeiro dos recursos
transferidos da União, em 28 de dezembro 2017, foi publicada a Portaria do Ministério da Saúde, de n. 3.992, que trata
de alteração das normas sobre o financiamento e a transferência dos recursos federais para as ações e os serviços
públicos de saúde do SUS. Como principal mudança, a nova normativa estabeleceu que, a partir de 2018, o repasse dos
recursos financeiros federais destinados ao financiamento das ações e dos serviços de saúde, transferidos aos demais
Entes federados na modalidade fundo a fundo, passam a ser organizados e transferidos na forma dos seguintes blocos
de financiamento: Bloco de Custeio das Ações e dos Serviços Públicos de Saúde e Bloco de Investimento na Rede de
Serviços Públicos de Saúde. Com a nova metodologia de repasses, muitos gestores estão com dificuldades em
identificar a maneira correta da utilização dos recursos, e, diante do cenário, a maior preocupação é manter o
comprometimento da prestação dos serviços de saúde.

Mudança no Financiamento da Saúde

A Portaria 3.992, de 28 de dezembro de 2017, alterou a Portaria de Consolidação 6/GM/MS, de 28 de setembro de


2017, que trata das normas sobre o financiamento e a transferência dos recursos federais para as ações e os serviços de
saúde do Sistema Único de Saúde. A Portaria de Consolidação nº 6 havia incorporado o texto da Portaria 204/2007.
Desde a Portaria 204/2007, o financiamento e as transferências dos recursos federais para ASPS eram realizados
através de seis blocos de financiamento ou blocos financeiros. Para a recepção dos recursos federais, o Ministério da
Saúde, por meio do Fundo Nacional de Saúde, abria para cada bloco uma conta bancária e, no caso do bloco de
investimento, uma conta financeira para cada um dos projetos aprovados com plano de aplicação e prestação de contas
específicas, o que muitas vezes poderia ser confundido com a transferência de recursos financeiros realizada por meio
do instrumento tipo convênios.
Apesar das mudanças no modelo de repasse, que possibilitam maior autonomia na utilização dos recursos financeiros
durante o exercício financeiro vigente, vale ressaltar a importância de que os recursos federais permaneçam vinculados
às normativas que deram origem aos repasses. Desta forma, ao final do ano, a execução dos recursos deve estar
vinculada:

- à finalidade definida em cada Programa de Trabalho do Orçamento Geral da União que deu origem aos repasses
realizados, em cada exercício financeiro; -ao estabelecido no Plano de Saúde e na Programação Anual, submetidos ao
respectivo Conselho de Saúde; - ao cumprimento do objeto e dos compromissos pactuados e/ou estabelecidos em atos
normativos específicos e pactuados nas instâncias decisórias do SUS.

Plano Municipal de Saúde

É o instrumento que, a partir de uma análise situacional, apresenta as intenções e os resultados a serem buscados no
período de quatro anos, expressos em objetivos, diretrizes e metas. A decisão de um gestor sobre quais ações de saúde
desenvolver deve ser fruto da interação entre a percepção da gestão e os interesses da sociedade, motivada pela busca
de soluções para os problemas de uma população, o que resulta na implementação de um plano capaz de promover
uma nova situação em que haja melhor qualidade de vida, maiores níveis de saúde e bem‐estar e apoio ao
desenvolvimento social desta mesma população. O Plano de Saúde aprovado pelo respectivo Conselho de Saúde é
instrumento fundamental para a gestão do SUS. Sua elaboração, implementação, monitoramento, avaliação e
atualização periódica constituem atribuição comum das três esferas de gestão do Sistema, as quais devem, a partir do
plano, formular a respectiva proposta orçamentária1.

Bloco de Investimento na Rede de Serviços Públicos de Saúde


O novo regramento determina uma única conta para recebimento de todos os recursos financeiros referentes ao Bloco
de Investimento na Rede de Serviços de Saúde. Anteriormente, cada objeto pactuado possuía uma conta específica
para o recebimento dos repasses. Por exemplo: para a construção de uma Unidade Básica de Saúde, uma conta era
aberta para o recebimento do recurso financeiro e perdurava até o final da execução da obra pelo Município.
Atualmente, independente de quantos diferentes repasses o Município receber, todos os recursos ficarão disponíveis
em uma única conta. Caberá ao gestor municipal identificar junto ao plano de trabalho inserido nos sistemas de
monitoramento ou nas portarias do Ministério da Saúde que normatizaram os repasses a correta utilização do dinheiro.

O Ministério da Saúde somente poderá transferir recursos para o Estado, o Distrito Federal e o Município que tiverem,
conforme já dispõe a Lei Complementar 141/2012:

I – alimentação e atualização regular dos sistemas de informações que compõem a base nacional de informações do
SUS; II – Conselho de Saúde instituído e em funcionamento; III – Fundo de Saúde instituído por lei, categorizado como
fundo público em funcionamento; IV – Plano de Saúde, programação anual de saúde e relatório de gestão submetidos
ao respectivo conselho de Saúde.

Aplicação dos recursos financeiros no SUS

Os recursos financeiros do Sistema Único de Saúde devem ser utilizados exclusivamente na execução de ações e
serviços públicos de saúde segundo as ações registradas no Plano de Saúde, conforme Lei 8.080/1990, plano este que
deve ser previamente submetidos pelo respectivo Conselho de Saúde. A transferência de recursos para o financiamento
de ações não previstas nos planos de saúde é vedada, exceto em situações emergenciais ou de calamidade pública, na
área de saúde, desde que devidamente justificadas. Em casos em que seja necessária a realização de ações e serviços
não previstos no Plano de Saúde, estas devem ser submetidas ao respectivo Conselho de Saúde, que também deverá
ser informado das inclusões e as alterações, contemplando, no mesmo exercício, as novas demandas. Ainda em relação
à execução dos recursos financeiros, vale ressalvar a proibição de se destinar subvenções e auxílios a instituições
prestadoras de serviços de saúde com finalidade lucrativa. Os Fundos de Saúde terão a movimentação dos seus
recursos em instituições financeiras oficiais federais, em conta única e específica, aberta pelo Fundo Nacional de Saúde
(FNS), para os Blocos de Custeio e Investimento, as quais receberão as transferências de recursos financeiros da União.
Considerando a necessidade de desenvolver mecanismos que assegurem, de forma homogênea, a apropriação contábil
de subitens de despesas para todas as esferas de governo, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) por meio da Portaria
448/2002 divulgou o detalhamento da natureza das despesas para Material de Consumo, serviços de terceiros pessoa
física, serviço de terceiros pessoa jurídica, equipamentos e material permanente. A portaria auxilia gestores municipais
a reconhecer ações classificadas para corrente e capital, uma vez que exemplificam em seu anexo os itens para cada
classificação de despesa.

Responsabilidades dos entes

Qual a responsabilidade financeira do governo federal na área de saúde?


A gestão federal da saúde é realizada por meio do Ministério da Saúde. O governo federal é o principal financiador da
rede pública de saúde. Historicamente, o Ministério da Saúde aplica metade de todos os recursos gastos no país em
saúde pública em todo o Brasil, e estados e municípios, em geral, contribuem com a outra metade dos recursos. O
Ministério da Saúde formula políticas nacionais de saúde, mas não realiza as ações. Para a realização dos projetos,
depende de seus parceiros (estados, municípios, ONGs, fundações, empresas, etc.). • Também tem a função de
planejar, criar normas, avaliar e utilizar instrumentos para o controle do SUS.

Qual a responsabilidade do governo estadual na área de saúde?


 Os estados possuem secretarias específicas para a gestão de saúde.
 O gestor estadual deve aplicar recursos próprios, inclusive nos municípios, e os repassados pela União.
 Além de ser um dos parceiros para a aplicação de políticas nacionais de saúde, o estado formula suas próprias
políticas de saúde.
 Ele coordena e planeja o SUS em nível estadual, respeitando a normatização federal.
 Os gestores estaduais são responsáveis pela organização do atendimento à saúde em seu território.
Qual a responsabilidade do governo municipal na área de saúde?
 A estratégia adotada no país reconhece o município como o principal responsável pela saúde de sua população.
 A partir do Pacto pela Saúde, de 2006, o gestor municipal assina um termo de compromisso para assumir
integralmente as ações e serviços de seu território.
 Os municípios possuem secretarias específicas para a gestão de saúde.
 O gestor municipal deve aplicar recursos próprios e os repassados pela União e pelo estado.
 O município formula suas próprias políticas de saúde e também é um dos parceiros para a aplicação de políticas
nacionais e estaduais de saúde.
 Ele coordena e planeja o SUS em nível municipal, respeitando a normatização federal e o planejamento
estadual.
 Pode estabelecer parcerias com outros municípios para garantir o atendimento pleno de sua população, para
procedimentos de complexidade que estejam acima daqueles que pode oferecer.

Segundo a Cartilha “Entendendo o SUS”, existem 10 informações que são importantes:


1. Todos os estados e municípios devem ter conselhos de saúde compostos por representantes dos
usuários do SUS, dos prestadores de serviços, dos gestores e dos profissionais de saúde. Os conselhos são fiscais da
aplicação dos recursos públicos em saúde.

2. A União é o principal financiador da saúde pública no país. Historicamente, metade dos gastos é feita
pelo governo federal, a outra metade fica por conta dos estados e municípios. A União formula políticas nacionais,
mas a implementação é feita por seus parceiros (estados, municípios, ONGs e iniciativa privada)

3. O município é o principal responsável pela saúde pública de sua população. A partir do Pacto pela Saúde,
assinado em 2006, o gestor municipal passa a assumir imediata ou paulatinamente a plenitude da gestão das ações e
serviços de saúde oferecidos em seu território.

4. Quando o município não possui todos os serviços de saúde, ele pactua (negocia e acerta) com as demais
cidades de sua região a forma de atendimento integral à saúde de sua população. Esse pacto também deve passar
pela negociação com o gestor estadual.

5. O governo estadual implementa políticas nacionais e estaduais, além de organizar o atendimento à


saúde em seu território.

6. A porta de entrada do sistema de saúde deve ser preferencialmente a atenção básica (postos de saúde,
centros de saúde, unidades de Saúde da Família, etc.). A partir desse primeiro atendimento, o cidadão será
encaminhado para os outros serviços de maior complexidade da saúde pública (hospitais e clínicas especializadas).
7. O sistema público de saúde funciona de forma referenciada. Isso ocorre quando o gestor local do SUS,
não dispondo do serviço de que o usuário necessita, encaminha-o para outra localidade que oferece o serviço. Esse
encaminhamento e a referência de atenção à saúde são pactuados entre os municípios.

8. Não há hierarquia entre União, estados e municípios, mas há competências para cada um desses três
gestores do SUS. No âmbito municipal, as políticas são aprovadas pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS); no
âmbito estadual, são negociadas e pactuadas pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB) – composta por
representantes das secretarias municipais de saúde e secretaria estadual de saúde – e deliberadas pelo Conselho
Estadual de Saúde (CES) – composto por vários segmentos da sociedade: gestores, usuários, profissionais, entidades
de classe, etc.; e, por fim, no âmbito federal, as políticas do SUS são negociadas e pactuadas na Comissão
Intergestores Tripartite (CIT) – composta por representantes do Ministério da Saúde, das secretarias municipais de
saúde e das secretarias estaduais de saúde.

9. Os medicamentos básicos são adquiridos pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, dependendo
do pacto feito na região. A insulina humana e os chamados medicamentos estratégicos – incluídos em programas
específicos, como Saúde da Mulher, Tabagismo e Alimentação e Nutrição – são obtidos pelo Ministério da Saúde. Já
os medicamentos excepcionais (aqueles considerados de alto custo ou para tratamento continuado, como para pós-
transplantados, síndromes – como Doença de Gaucher – e insuficiência renal crônica) são comprados pelas
secretarias de saúde e o ressarcimento a elas é feito mediante comprovação de entrega ao paciente. Em média, o
governo federal repassa 80% do valor dos medicamentos excepcionais, dependendo dos preços conseguidos pelas
secretarias de saúde nos processos licitatórios. Os medicamentos para DST/Aids são comprados pelo ministério e
distribuídos para as secretarias de saúde.

10. Com o Pacto pela Saúde (2006), os estados e municípios poderão receber os recursos federais por meio
de cinco blocos de financiamento: 1 – Atenção Básica; 2 – Atenção de Média e Alta Complexidade; 3 – Vigilância em
Saúde; 4 – Assistência Farmacêutica; e 5 – Gestão do SUS. Antes do pacto, havia mais de 100 formas de repasses de
recursos financeiros, o que trazia algumas dificuldades para sua aplicação.

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