Redes de Atenção à Saúde no SUS
Redes de Atenção à Saúde no SUS
A porta de entrada do sistema de saúde deve ser preferencialmente a atenção básica (postos de saúde, centros de
saúde, unidades de Saúde da Família etc.). A partir desse primeiro atendimento, o cidadão será encaminhado para os
outros serviços de maior complexidade da saúde pública (hospitais e clínicas especializadas).
As Redes de Atenção à Saúde
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades
tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a
integralidade do cuidado (Ministério da Saúde, 2010 – portaria nº 4.279, de 30/12/2010).
A implementação das RAS aponta para uma maior eficácia na produção de saúde, melhoria na eficiência da gestão do
sistema de saúde no espaço regional, e contribui para o avanço do processo de efetivação do SUS. A transição entre o
ideário de um sistema integrado de saúde conformado em redes e a sua concretização passam pela construção
permanente nos territórios, que permita conhecer o real valor de uma proposta de inovação na organização e na gestão
do sistema de saúde.
A atual grande diretriz da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) para o período de 2011 a 2014 é a implantação das RAS,
sendo sua gestora no âmbito federal.
No dia 30 de dezembro de 2010, o Documento de Referência contendo as “Diretrizes para a organização das RAS no
âmbito do SUS” foi oficializado por meio da Portaria GM/MS nº 4.279, publicada no Diário Oficial de 31/12/2010. Este
documento havia sido aprovado pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT) no dia 16 de dezembro.
Para assegurar resolutividade na rede de atenção, alguns fundamentos precisam ser considerados: economia de escala,
qualidade, suficiência, acesso e disponibilidade de recursos.
A gestão da Saúde Pública no Brasil é fragmentada e organizada em três níveis de atenção: primário, secundário e
terciário. O modelo foi adotado para dividir os serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por categorias
determinadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que buscam promover, restaurar e manter a saúde dos
indivíduos. No nível primário, conhecido como a porta de entrada no SUS, estão as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Nessa etapa são marcadas consultas e exames básicos, como hemogramas, além da realização de procedimentos
simples, como curativos. Os profissionais se articulam para atuar não apenas na UBS, mas também em diversos espaços
da comunidade (como centros comunitários e escolas), além de fazerem visitas domiciliares às famílias. As Unidades de
Pronto Atendimento (UPAs), hospitais e outras unidades de atendimento especializado ou de média complexidade,
inclusive de urgência e emergência, compõem o nível secundário de gestão da Saúde Pública. A organização desse nível
é feita com base em macro e microrregiões de cada Estado, devendo apresentar tanto ambulatórios como hospitais. No
nível terciário estão os hospitais de grande porte, que atendem alta complexidade. O objetivo é garantir que
procedimentos para a manutenção dos sinais vitais sejam realizados, dando suporte para a preservação da vida sempre
que preciso. Nesse nível existem tecnologias médicas e profissionais capazes de atender a situações que, no nível
secundário, não puderam ser tratadas por serem casos mais raros ou complexos.
Índice: pode se referir a algo juntamente com outra coisa causa algum efeito. Apesar do uso popular do
termo, os índices correspondem a categorias de uso mais restrito, estando constituídos por medidas que
integram múltiplas dimensões ou elementos de diversa natureza. Devido ao seu caráter multidimensional, o
índice integra, numa medida, vários aspectos de uma determinada situação de saúde-doença.
A primeira é através de uma divisão que representa a relação entre entidades de distinta natureza, isto é,
numerador e denominador expressam distintas dimensões. IMC
A segunda forma de elaboração de índices é por meio de uma escala de pontos (score) que representa a
soma de unidades de diversa magnitude em diversas dimensões, algumas das quais podem ser qualitativas.
(APGAR E GLASGOW).
Taxa: Falando genericamente, pode-se referir a uma taxa de ocorrência de um dado evento incidente em
termos da sua tendência em um período (por exemplo, nos últimos anos, "as taxas de mortalidade por
acidentes de trânsito estão aumentando".
O numerador expressa um número simples de eventos em uma dimensão; em epidemiologia, geralmente
corresponde ao número de pessoas que desenvolveram um evento incidente.
O denominador inclui, de alguma maneira, a dimensão de tempo; note-se que no coeficiente de incidência o
tempo constitui uma referência básica, mas ele não está incluído no cálculo da medida resultante.
São coeficientes multiplicados por uma potência de 10 (em geral 100 ou 1000) (por cento ou por mil), para facilitar a
interpretação dos resultados. Exemplo: A taxa de empregados do sexo feminino da empresa Alfa é 0,51x100 = 51% e a
taxa de empregados do sexo masculino é 0,49x100 = 49%.
Alguns coeficientes são multiplicados por mil para se transformarem em taxa, é o caso da taxa de mortalidade.
Como calcular taxa por 100 mil habitantes
Por que usar a taxa por 100 mil habitantes?
Indicadores como a taxa por cem mil habitantes são proporcionais ao tamanho da população em questão, logo,
eles permitem comparar populações (países, cidades, bairros) de tamanhos diferentes.
Dividindo o indicador por fatias menores de pessoas, é possível entender a distribuição geográfica de forma mais
significativa.
A taxa também poderia ser por 10 mil, ou 1 mil habitantes, o princípio é o mesmo.
Outros exemplos:
Coeficiente: Constituem um tipo de medida matemática em que todas as unidades do numerador estão
contidas em um denominador mais amplo, isto é, o numerador é um subconjunto do denominador. São
adimensionais, isto é, o resultado não tem medida de mensuração, e variam desde zero (a ausência de
probabilidade do evento) a um (a sua ocorrência).
São razões entre valores de variáveis da mesma espécie numa relação de parte para o todo. Exemplo: A empresa Alfa
possui 102 empregados, dos quais 50 são homens e 52 mulheres.
No caso da empresa Alfa o coeficiente de empregados do sexo feminino é 52/102 = 0,51; enquanto o coeficiente de
empregados do sexo masculino é 50/102 = 0,49.
Outros exemplos:
Indicador: Termo amplo e abrangente para medidas em epidemiologia, tem a capacidade de revelar um
determinado aspecto da situação não aparente de saúde doença, é construído a partir de e observações
principalmente quantitativas, quantifica eventos relacionados a saúde doença. Pode ser expresso em
números absolutos (nº de novos casos de febre amarela) ou relativos (índices proporções, etc)
A construção da matriz de indicadores pautou-se nos critérios de: relevância para a compreensão da
situação de saúde, suas causas e consequências; validade para orientar decisões de política e apoiar o
controle social; identidade com processos de gestão do SUS; e disponibilidade de fontes regulares. Esses
critérios se mantêm no processo de revisão e atualização periódicas da matriz, que resulta em eventuais
alterações, acréscimos e supressões de indicadores. Por esse motivo, a consistência da série histórica
disponibilizada demanda atenção constante. Convencionou-se classificar os indicadores em seis
subconjuntos temáticos: demográficos, socioeconômicos, mortalidade, morbidade e fatores de risco,
recursos e cobertura. Cada indicador é caracterizado na matriz pela sua denominação, conceituação,
método de cálculo, categorias de análise e fontes de dados. A produção de cada indicador é de
responsabilidade da instituição-fonte mais bem identificada com o tema, a qual fornece anualmente os
dados brutos utilizados no cálculo, em planilha eletrônica padronizada, preparada pelo Datasus ou obtida
diretamente das bases de dados dos sistemas nacionais de informações de saúde. De maneira geral estão
disponíveis, para cada indicador, dados desagregados por unidade geográfica, idade e sexo. Dados sobre
cor/raça e situação de escolaridade, quando disponíveis, são utilizados como proxy de condição social. Há
ainda categorias de análise específicas a determinados indicadores como, por exemplo, a situação urbana ou
rural do domicílio. A matriz orienta a elaboração anual do produto finalístico da Ripsa “Indicadores e Dados
(IDB)”, a partir do qual devem ser realizados análises e informes sobre a situação de saúde no Brasil e suas
tendências.
Taxa de mortalidade: representa o risco de óbito na comunidade. É expresso por uma razão, e pode ser
calculado, como todos os demais coeficientes, também através de regra de três simples. Não é muito
utilizado para comparar o nível de saúde de diferentes populações, pois não leva em consideração a
estrutura etária dessas populações (se a população é predominantemente jovem ou idosa). Um coeficiente
geral de mortalidade alto para uma população mais idosa significa apenas que as pessoas já viveram o que
tinham para viver e, por isso, estão morrendo.
Taxa de mortalidade infantil: É obtida por meio do número de crianças de um determinado local (cidade,
região, país, continente) que morrem antes de completar 1 ano, a cada mil nascidas vivas. Esse dado é um
aspecto de fundamental importância para avaliar a qualidade de vida, pois, por meio dele, é possível obter
informações sobre a eficácia dos serviços públicos.
Taxa de mortalidade neonatal: É o número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade, observado
durante um determinado período de tempo - normalmente, 1 ano civil -, referido ao número de nados vivos
do mesmo período.
Para facilitar a comparabilidade dos dados dos diferentes países esta taxa é habitualmente expressa em
número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade por 1000 nados vivos.
Esse coeficiente pode ser dividido em: a mortalidade neonatal precoce tendo como numerador os óbitos de
crianças menores que 7 dias ou de 0 a 6 dias e a mortalidade neonatal tardia tendo como numerador os
óbitos de crianças entre 7 e 27 dias.
Taxa de mortalidade pós-natal: Número de óbitos ocorridos entre 28 e 364 dias de vida completos,
expresso por mil nascidos vivos, em determinado local e período.
Estima o risco de um nascido vivo morrer entre o 28o e 364o dias completos de vida.
Taxas elevadas de mortalidade pós-neonatal refletem, de maneira geral, baixos níveis de saúde, de
desenvolvimento socioeconômico e de condições de vida.
Quando a taxa de mortalidade infantil é alta, a mortalidade pós-neonatal costuma também ser alta.
Taxa de fecundidade: A taxa de fecundidade consiste em uma estimativa do número médio de filhos que
uma mulher tem ao longo da vida. Nesse sentido, esse indicador expressa a condição reprodutiva média das
mulheres de uma determinada região. Para que a reposição populacional seja assegurada, a taxa de
fecundidade não pode ser inferior a 2,1 filhos por mulher, pois as duas crianças substituem os pais e a fração
0,1 é necessária para compensar os indivíduos que morrem antes de atingir a idade reprodutiva, sendo um
dado importantíssimo para a análise da dinâmica demográfica.
Taxa de mortalidade materna: é o número de óbitos de mulheres devido a complicações da gravidez, do
parto e do puerpério, observados durante um determinado período de tempo - normalmente, 1 ano civil,
referido ao número de nados vivos ou nascimentos totais do mesmo período, é uma taxa de mortalidade
que foi padronizada de modo a eliminar os efeitos da diversidade da estrutura etária nas populações a
comparar.
Existem vários métodos de padronização. Na padronização direta, as taxas são calculadas a partir dos óbitos
esperados numa população padrão - por exemplo, a população padrão europeia-, a partir das taxas de
mortalidade específicas das populações a comparar.
Taxa de natalidade: é um coeficiente utilizado na medição do número de mortes (em geral, ou causadas por
um fato específico) em determinada população, adaptada ao tamanho desta mesma população, por unidade
de morte. É expressa comumente em unidades de morte por 1000 pessoas ao ano. Assim, uma taxa de
mortalidade de 5,5 numa população de 100.000 pessoas significa 550 mortes por ano em toda aquela área
estudada.
Além dos indicadores de morbidade e mortalidade, ainda existem:
Tal sistema é, desde sua concepção, fortemente influenciado pelas políticas públicas na área de atenção à
saúde, como as definidas pelas Normas Operacionais e os incentivos e restrições a determinadas práticas.
Alterações na operação do sistema introduzem descontinuidades e vieses nas informações, provocando
eventuais imprecisões ou mesmo distorções nos resultados da extração de dados do sistema.
Para que se possa avaliar o resultado de políticas, a situação da assistência à saúde ou as condições de saúde
de uma população, é necessário, portanto, que se tenha uma visão clara e objetiva de quais informações são
disponíveis, a sua evolução e como utilizá-las, considerando devidamente as influências exógenas e
endógenas do sistema. O presente estudo tem como objetivo geral descrever e analisar como as políticas de
saúde do SUS influenciam e se refletem nas informações e indicadores gerados a partir do Sistema de
Informações Hospitalares do SUS, no período de 1982 a 2004.o estudo está estruturado de acordo com o
contexto do Sistema de Informações Hospitalares.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) visa à reorganização da atenção básica no País, de acordo com os preceitos do
Sistema Único de Saúde, e é tida pelo Ministério da Saúde e gestores estaduais e municipais como estratégia de
expansão, qualificação e consolidação da atenção básica por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com
maior potencial de aprofundar os princípios, diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a resolutividade e
impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade.
Um ponto importante é o estabelecimento de uma equipe multiprofissional (equipe de Saúde da Família – eSF)
composta por, no mínimo: (I) médico generalista, ou especialista em Saúde da Família, ou médico de Família e
Comunidade; (II) enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família; (III) auxiliar ou técnico de enfermagem; e
(IV) agentes comunitários de saúde. Podem ser acrescentados a essa composição os profissionais de Saúde Bucal:
cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar e/ou técnico em Saúde Bucal.
Objetivos Específicos:
Prestar, na unidade de saúde e no domicílio, assistência integral, contínua, com resolubilidade e boa qualidade às
necessidades de saúde da população adscrita;
. Intervir sobre os fatores de risco aos quais a população está exposta;
. Eleger a família e o seu espaço social como núcleo básico de abordagem no atendimento à saúde;
. Humanizar as práticas de saúde através do estabelecimento de um vínculo entre os profissionais de saúde e a
população;
. Proporcionar o estabelecimento de parcerias através do desenvolvimento de ações intersetoriais;
. Contribuir para a democratização do conhecimento do processo saúde/doença, da organização dos serviços e da
produção social da saúde;
. Fazer com que a saúde seja reconhecida como um direito de cidadania e, portanto, expressão da qualidade de
vida;
. Estimular a organização da comunidade para o efetivo exercício do controle social;
Atribuições do médico:
Preferencialmente, o médico da equipe preconizada pelo PSF deve ser um generalista; portanto, deve atender a todos
os componentes das famílias, independentemente de sexo e idade. Esse profissional deverá comprometer-se com a
pessoa, inserida em seu contexto biopsicossocial, e não com um conjunto de conhecimentos específicos ou grupos de
doenças. Sua atuação não deve estar restrita a problemas de saúde rigorosamente definidos. Seu compromisso envolve
ações que serão realizadas enquanto os indivíduos ainda estão saudáveis.
Atribuições do enfermeiro:
Este profissional desenvolve seu processo de trabalho em dois campos essenciais: na unidade de saúde, junto à equipe
de profissionais, e na comunidade, apoiando e supervisionando o trabalho dos ACS, bem como assistindo às pessoas
que necessitam de atenção de enfermagem.
As ações do auxiliar de enfermagem são desenvolvidas nos espaços da unidade de saúde e no domicílio/comunidade, e
suas atribuições básicas são: desenvolver atividades de identificação das famílias de risco, contribuir com o trabalho dos
ACS no que se refere às visitas domiciliares, acompanhar as consultas de enfermagem dos indivíduos expostos às
situações de risco; acompanhar as consultas de enfermagem dos indivíduos expostos às situações de risco; participar da
discussão e organização do processo de trabalho da unidade de saúde.
Mapeamento de sua área de atuação, cadastrar e atualizar as famílias de sua área, identificar indivíduos e famílias
expostos a situações de risco, realizar acompanhamento domiciliar mensal (visitas), promover educação em saúde e
mobilização comunitária, orientar as famílias para a utilização adequada dos serviços de saúde, participar do
planejamento e da programação local das ações relativas ao território de abrangência da unidade de Saúde da Família
etc.
Tanto a UBS quanto a ESF precisam ter um agendamento prévio, ter uma equipe multidisciplinar para depois passar ao
médico. Ambos são a porta de entrada no sistema de saúde.
Na UBS temos sala de vacina, teste do pezinho, inalação, curativo, injeção e encontra-se atendimentos básicos de
primeiros socorros.
A equipe multiprofissional (equipe de Saúde da Família – eSF) composta por, no mínimo: (I) médico generalista, ou
especialista em Saúde da Família, ou médico de Família e Comunidade; (II) enfermeiro generalista ou especialista em
Saúde da Família; (III) auxiliar ou técnico de enfermagem; e (IV) agentes comunitários de saúde. Podem ser
acrescentados a essa composição os profissionais de Saúde Bucal: cirurgião-dentista generalista ou especialista em
Saúde da Família, auxiliar e/ou técnico em Saúde Bucal.
5) Compreender o financiamento a nível municipal, estadual e federal no SUS e quais impostos são
direcionados à saúde.
A Constituição Federal de 1988 determina que as três esferas de governo – federal, estadual e municipal –
financiem o Sistema Único de Saúde (SUS), gerando receita necessária para custear as despesas com ações e
serviços públicos de saúde. Planejar este financiamento, promovendo arrecadação e repasse necessários de
forma a garantir a universalidade e integralidade do sistema, tem se mostrado, no entanto, uma questão
bem delicada. As restrições orçamentárias para o setor – sobretudo a falta de recursos nos municípios – e a
necessidade premente de superá-las fazem com que as discussões sobre o financiamento ocupem
constantemente a agenda dos movimentos sociais e políticos que atuam em defesa do SUS.
Os percentuais de investimento financeiro dos municípios, estados e União no SUS são definidos atualmente
pela Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012, resultante da sanção presidencial da Emenda
Constitucional 29. Por esta lei, municípios e Distrito Federal devem aplicar anualmente, no mínimo, 15% da
arrecadação dos impostos em ações e serviços públicos de saúde cabendo aos estados 12%. No caso da
União, o montante aplicado deve corresponder ao valor empenhado no exercício financeiro anterior,
acrescido do percentual relativo à variação do Produto Interno Bruto (PIB) do ano antecedente ao da lei
orçamentária anual.
Diversas instituições organizadas reivindicam, no entanto, que a União destine pelo menos 10% das receitas
correntes brutas para a saúde pública brasileira, o que não se consolidou com a sanção da Lei Complementar
nº 141. Diante disso, organizou-se o Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, Saúde + 10, com o
objetivo de coletar assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que assegure o repasse deste
percentual, alterando a legislação vigente.
importante observar que o processo de descentralização tributária verificado a partir da nova Carta
Constitucional não só ampliou a competência tributária de estados e municípios como elevou o nível das
transferências de tributos federais às esferas subnacionais de governo. Assim, a partir da reforma tributária
introduzida na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, competem aos estados os seguintes
tributos: (i) o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de
Transporte Interestadual e de Comunicação (ICMS); (ii) o Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e
Doação de Bens e Direitos (ITCMD); (iii) o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e;
(iv) 5% adicionais ao Imposto de Renda (IR) incidente sobre rendimentos de capital - inclusive lucros - devido
à União.
Além desses impostos próprios, os estados viram-se beneficiados com um aumento das transferências
constitucionais diretas de tributos federais, pelo Fundo de Participação dos Estados (FPE), que passou a
receber 21,5% do IR e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) arrecadados pela União - em vez de
14%, como fazia antes de 1988 -; ainda, 10% dos recursos do IPI passaram a ser redistribuídos àqueles
estados que exportam produtos industriais, proporcionalmente ao valor dessas exportações. Por outro lado,
no que concerne a estados de regiões pobres, beneficiários do Fundo Especial para Fomento às Regiões
Pobres, passaram a receber através dos bancos regionais de desenvolvimento 4% (em vez de 3%) da
arrecadação do IPI e do IR.
Efetivamente, os municípios mantiveram o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e
o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), e obtiveram com a reforma tributária dois novos
tributos: o Imposto sobre Venda de Combustíveis a Varejo (IVCV) e o Imposto sobre Transmissão Intervivos
de Bens e Direitos sobre Imóveis (ITBI).
Mas é do aumento das transferências federais e estaduais que advém a maior parte dos ganhos tributários
das esferas locais de governo: (i) eles passaram a absorver, por meio do Fundo de Participação dos
Municípios (FPM) 22,5% (em vez de 17%) do IPI e do IR; (ii) a União passou a transferir-lhes 50% da
arrecadação do Imposto Territorial Rural (ITR); (iii) os estados passaram a transferir aos municípios 25% (em
vez de 20%) da sua arrecadação de ICMS e, ainda, 50% do valor do IPVA arrecadado. Dessa forma, as esferas
locais de governo passaram a reter 34% da carga tributária global brasileira.
Entre os tributos considerados para estimar a despesa familiar que se refere à parcela de tributos que
financiaram o SUS estão COFINS, CPMF, IPI, ICMS, ISS, Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), IPTU e IPVA,
que são responsáveis por 70% do financiamento público do sistema de saúde.
, com o objetivo de possibilitar maior autonomia aos gestores da saúde no gerenciamento financeiro dos recursos
transferidos da União, em 28 de dezembro 2017, foi publicada a Portaria do Ministério da Saúde, de n. 3.992, que trata
de alteração das normas sobre o financiamento e a transferência dos recursos federais para as ações e os serviços
públicos de saúde do SUS. Como principal mudança, a nova normativa estabeleceu que, a partir de 2018, o repasse dos
recursos financeiros federais destinados ao financiamento das ações e dos serviços de saúde, transferidos aos demais
Entes federados na modalidade fundo a fundo, passam a ser organizados e transferidos na forma dos seguintes blocos
de financiamento: Bloco de Custeio das Ações e dos Serviços Públicos de Saúde e Bloco de Investimento na Rede de
Serviços Públicos de Saúde. Com a nova metodologia de repasses, muitos gestores estão com dificuldades em
identificar a maneira correta da utilização dos recursos, e, diante do cenário, a maior preocupação é manter o
comprometimento da prestação dos serviços de saúde.
- à finalidade definida em cada Programa de Trabalho do Orçamento Geral da União que deu origem aos repasses
realizados, em cada exercício financeiro; -ao estabelecido no Plano de Saúde e na Programação Anual, submetidos ao
respectivo Conselho de Saúde; - ao cumprimento do objeto e dos compromissos pactuados e/ou estabelecidos em atos
normativos específicos e pactuados nas instâncias decisórias do SUS.
É o instrumento que, a partir de uma análise situacional, apresenta as intenções e os resultados a serem buscados no
período de quatro anos, expressos em objetivos, diretrizes e metas. A decisão de um gestor sobre quais ações de saúde
desenvolver deve ser fruto da interação entre a percepção da gestão e os interesses da sociedade, motivada pela busca
de soluções para os problemas de uma população, o que resulta na implementação de um plano capaz de promover
uma nova situação em que haja melhor qualidade de vida, maiores níveis de saúde e bem‐estar e apoio ao
desenvolvimento social desta mesma população. O Plano de Saúde aprovado pelo respectivo Conselho de Saúde é
instrumento fundamental para a gestão do SUS. Sua elaboração, implementação, monitoramento, avaliação e
atualização periódica constituem atribuição comum das três esferas de gestão do Sistema, as quais devem, a partir do
plano, formular a respectiva proposta orçamentária1.
O Ministério da Saúde somente poderá transferir recursos para o Estado, o Distrito Federal e o Município que tiverem,
conforme já dispõe a Lei Complementar 141/2012:
I – alimentação e atualização regular dos sistemas de informações que compõem a base nacional de informações do
SUS; II – Conselho de Saúde instituído e em funcionamento; III – Fundo de Saúde instituído por lei, categorizado como
fundo público em funcionamento; IV – Plano de Saúde, programação anual de saúde e relatório de gestão submetidos
ao respectivo conselho de Saúde.
Os recursos financeiros do Sistema Único de Saúde devem ser utilizados exclusivamente na execução de ações e
serviços públicos de saúde segundo as ações registradas no Plano de Saúde, conforme Lei 8.080/1990, plano este que
deve ser previamente submetidos pelo respectivo Conselho de Saúde. A transferência de recursos para o financiamento
de ações não previstas nos planos de saúde é vedada, exceto em situações emergenciais ou de calamidade pública, na
área de saúde, desde que devidamente justificadas. Em casos em que seja necessária a realização de ações e serviços
não previstos no Plano de Saúde, estas devem ser submetidas ao respectivo Conselho de Saúde, que também deverá
ser informado das inclusões e as alterações, contemplando, no mesmo exercício, as novas demandas. Ainda em relação
à execução dos recursos financeiros, vale ressalvar a proibição de se destinar subvenções e auxílios a instituições
prestadoras de serviços de saúde com finalidade lucrativa. Os Fundos de Saúde terão a movimentação dos seus
recursos em instituições financeiras oficiais federais, em conta única e específica, aberta pelo Fundo Nacional de Saúde
(FNS), para os Blocos de Custeio e Investimento, as quais receberão as transferências de recursos financeiros da União.
Considerando a necessidade de desenvolver mecanismos que assegurem, de forma homogênea, a apropriação contábil
de subitens de despesas para todas as esferas de governo, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) por meio da Portaria
448/2002 divulgou o detalhamento da natureza das despesas para Material de Consumo, serviços de terceiros pessoa
física, serviço de terceiros pessoa jurídica, equipamentos e material permanente. A portaria auxilia gestores municipais
a reconhecer ações classificadas para corrente e capital, uma vez que exemplificam em seu anexo os itens para cada
classificação de despesa.
2. A União é o principal financiador da saúde pública no país. Historicamente, metade dos gastos é feita
pelo governo federal, a outra metade fica por conta dos estados e municípios. A União formula políticas nacionais,
mas a implementação é feita por seus parceiros (estados, municípios, ONGs e iniciativa privada)
3. O município é o principal responsável pela saúde pública de sua população. A partir do Pacto pela Saúde,
assinado em 2006, o gestor municipal passa a assumir imediata ou paulatinamente a plenitude da gestão das ações e
serviços de saúde oferecidos em seu território.
4. Quando o município não possui todos os serviços de saúde, ele pactua (negocia e acerta) com as demais
cidades de sua região a forma de atendimento integral à saúde de sua população. Esse pacto também deve passar
pela negociação com o gestor estadual.
6. A porta de entrada do sistema de saúde deve ser preferencialmente a atenção básica (postos de saúde,
centros de saúde, unidades de Saúde da Família, etc.). A partir desse primeiro atendimento, o cidadão será
encaminhado para os outros serviços de maior complexidade da saúde pública (hospitais e clínicas especializadas).
7. O sistema público de saúde funciona de forma referenciada. Isso ocorre quando o gestor local do SUS,
não dispondo do serviço de que o usuário necessita, encaminha-o para outra localidade que oferece o serviço. Esse
encaminhamento e a referência de atenção à saúde são pactuados entre os municípios.
8. Não há hierarquia entre União, estados e municípios, mas há competências para cada um desses três
gestores do SUS. No âmbito municipal, as políticas são aprovadas pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS); no
âmbito estadual, são negociadas e pactuadas pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB) – composta por
representantes das secretarias municipais de saúde e secretaria estadual de saúde – e deliberadas pelo Conselho
Estadual de Saúde (CES) – composto por vários segmentos da sociedade: gestores, usuários, profissionais, entidades
de classe, etc.; e, por fim, no âmbito federal, as políticas do SUS são negociadas e pactuadas na Comissão
Intergestores Tripartite (CIT) – composta por representantes do Ministério da Saúde, das secretarias municipais de
saúde e das secretarias estaduais de saúde.
9. Os medicamentos básicos são adquiridos pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, dependendo
do pacto feito na região. A insulina humana e os chamados medicamentos estratégicos – incluídos em programas
específicos, como Saúde da Mulher, Tabagismo e Alimentação e Nutrição – são obtidos pelo Ministério da Saúde. Já
os medicamentos excepcionais (aqueles considerados de alto custo ou para tratamento continuado, como para pós-
transplantados, síndromes – como Doença de Gaucher – e insuficiência renal crônica) são comprados pelas
secretarias de saúde e o ressarcimento a elas é feito mediante comprovação de entrega ao paciente. Em média, o
governo federal repassa 80% do valor dos medicamentos excepcionais, dependendo dos preços conseguidos pelas
secretarias de saúde nos processos licitatórios. Os medicamentos para DST/Aids são comprados pelo ministério e
distribuídos para as secretarias de saúde.
10. Com o Pacto pela Saúde (2006), os estados e municípios poderão receber os recursos federais por meio
de cinco blocos de financiamento: 1 – Atenção Básica; 2 – Atenção de Média e Alta Complexidade; 3 – Vigilância em
Saúde; 4 – Assistência Farmacêutica; e 5 – Gestão do SUS. Antes do pacto, havia mais de 100 formas de repasses de
recursos financeiros, o que trazia algumas dificuldades para sua aplicação.