TEORIA GERAL DO PROCESSO CIVIL
PROF. RODRIGO DE LIMA LEAL
PROCESSO
O processo pode ser visto como um instrumento ou método para o
exercício da ação, exceção e jurisdição.
Também pode ser visto como um procedimento animado por uma
relação jurídica. O processo é composto por dois elementos: procedimento e
relação jurídica.
a) Procedimento
Trata-se do aspecto visível ou externo, é o corpo do processo.
Procedimento é a sequência ordenada de atos tendentes ao ato fim, que é o
provimento jurisdicional.
b) Relação Jurídica Processual
Trata-se do vínculo entre autor, juiz e réu, que cria direitos e deveres
entre eles, é o elemento invisível, a alma do processo.
Por isso, fala-se que a natureza jurídica do processo é a de relação
jurídica. A relação jurídica processual é autônoma, ou seja, diferente e
independente, com sujeitos e objetivos próprios.
Trata-se de uma relação jurídica de direito público, pois o Estado-juiz é
uma das partes.
A relação jurídico processual é complexa, pois cria várias situações
jurídicas, as quais se dividem em ativas (poderes, direitos e faculdades) e
passivas (sujeições, deveres e ônus).
A relação jurídica processual também é dinâmica, ou seja, ela se
desenvolve no tempo. No curso do processo as situações jurídicas do sujeito
vão se alterando.
1. Pressupostos Processuais
São requisitos para a existência, validade e eficácia do processo. Alguns
requisitos tem ligações com o procedimentos, outros com as condições da
ação.
a) Pressupostos de existência
I. Jurisdição ou investidura
II. Provocação ou demanda
III. Capacidade para ser parte – em regra exige personalidade, física ou
jurídica, o art. 75 lista alguns entes sem personalidade que podem ser partes.
Observação. Alguns autores dizem que a capacidade é pressuposto de
validade, no entanto é pressuposto de existência, pois processo é relação
jurídica que cria direitos e deveres e só existe entre sujeitos que possam ser
titulares de direitos e deveres.
Observação. A capacidade postulatória é a habilitação técnica,
excepcionalmente a lei dá a qualquer pessoa (Ex. JEC e JEF até 20 e 40
salários mínimos, respectivamente, HC, ação de alimentos e Justiça do
Trabalho). Na doutrina há quem diga se tratar de pressuposto de existência
(Súm. 115, STJ) e quem diga se tratar de pressuposto de eficácia (art. 104, §
2°, CPC).
b) Pressupostos de validade
I. Competência absoluta
II. Imparcialidade
III. Inicial apta
IV. capacidade para estar em juízo – capacidade processual
Observação. A capacidade para estar em juízo exige a capacidade civil, ou
seja, o absolutamente incapaz deve ser representado, e o relativamente
incapaz deve estar assistido.
V. “Legitimatio ad processum” – trata-se da autorização do cônjuge, necessária
para as ações reais imobiliárias, conforme o art. 73, caput.
VI. Citação válida (art. 239)
VII, Pressupostos positivos e pressupostos negativos
c) Pressupostos de eficácia
São requisitos para que o processo e a sentença produzam todos os
seus efeitos.
I. Capacidade Postulatória
Observação. A capacidade postulatória é a habilitação técnica,
excepcionalmente a lei dá a qualquer pessoa (Ex. JEC e JEF até 20 e 40
salários mínimos, respectivamente, HC, ação de alimentos e Justiça do
Trabalho). Na doutrina há quem diga se tratar de pressuposto de existência
(Súm. 115, STJ) e quem diga se tratar de pressuposto de eficácia (art. 104, §
2°, CPC).
II. Citação dos litisconsortes necessários (art. 115)
Os vícios variam conforme o pressuposto violado:
a) violação a pressuposto de existência jurídica: pode ser reconhecido de ofício
ou a requerimento em qualquer fase durante o processo. Mesmo após o
trânsito em julgado e extinção do processo cabe ação declaratória a qualquer
momento, pois se trata de um vício insanável.
b) nulidade:
I. relativa: deve ser requerida pela parte na primeira oportunidade e com prova
do prejuízo, sana-se pela preclusão.
II. absoluta: pode ser reconhecida de ofício ou a requerimento da parte, em
qualquer fase durante o processo, o prejuízo é presumido pela lei. Sana-se
com o trânsito em julgado ou com o decurso do prazo da ação rescisória.
III. nulidade insanável: é aquele que decorre de vício de citação, que impede de
se defender e comparecer no processo. Pode ser reconhecida de ofício ou a
requerimento, em qualquer fase do processo ou após o trânsito em julgado,
cabendo a ação de querela a qualquer momento.
Observação. A “querela nulitates insanable” é uma ação declaratória e
imprescritível, de competência do primeiro grau.