O apartheid na África do Sul
Colonizada por holandeses desde o século XVII, a porção sul da África teve uma história
diferente do restante do continente. No início do século XX, após duas guerras contra os
holandeses (Guerras dos Bôeres), os africanos da região do sul da África tiveram suas
terras conquistadas por britânicos que, reconciliando-se com os africânderes (descendentes
dos holandeses), fundaram a União Sul-Africana, a qual passou a fazer parte da
Commonwealth em 1910.
A partir de então, brancos passaram a ter mais privilégios no país, enquanto negros e
mestiços eram excluídos e só tinham acesso a 8% das terras, em geral as menos férteis e
pobres em recursos minerais. Mas a situação pioraria.
Em 1948, o Partido Nacional ganhou as eleições. Convidado a compor o novo governo, o
sociólogo Hendrik F. Verwoerd (vervúerd) criou, entre 1949 e 1953, um aparato legal para
segregar os negros e mestiços, que ficou conhecido como apartheid. A legislação
classificou os sul-africanos em brancos, mestiços, negros e indianos (pois muitos imigrantes
indianos viviam no país) e segregou as etnias nativas. Estabeleceu acessos separados para
negros nas escolas, praias, clubes, ônibus, universidades e outros espaços de convivência
e proibiu os casamentos inter-raciais.
Obs.: O regime do apartheid foi oficializado na África do Sul durante os anos 1940, mas
as práticas e as leis segregacionistas já existiam desde o final do século XIXdezenove.
Pode-se dizer que a história desse país, ao longo do século XX, se confunde com a
história da segregação e da luta pela sua superação.
Bantustões
A legislação referente ao apartheid também estabeleceu áreas separadas dentro do
território, chamadas bantustões, onde os não brancos deveriam viver. Para saírem dessas
áreas e circularem nas cidades sul-africanas, os habitantes dos bantustões deveriam ter um
passe especial.
A resistência e o fim do apartheid
As primeiras manifestações contra as leis segregacionistas foram organizadas pelo
Congresso Nacional Africano (CNA), partido político fundado em 1913 por ativistas negros e
indianos. A partir de sua criação, o CNA passou a organizar vários atos de desobediência
civil, como greves e manifestações.
No final da década de 1950, setores descontentes com a política do CNA fundaram o
Congresso Pan-Africano (CPA). O novo partido defendia ações mais ostensivas contra o
apartheid. Orientados pelo partido, os negros passaram a ocupar os lugares reservados aos
brancos e a circular em áreas proibidas para eles. Em março de 1960, uma manifestação
pacífica convocada pelo CPA contra a lei que obrigava os negros a portar um passe para
circular nas ruas foi brutalmente reprimida pela polícia. O Massacre de Sharpeville, como
ficou conhecido, resultou na morte de 69 manifestantes e na prisão das principais lideranças
dos dois partidos.
Depois da tragédia de Sharpeville, o jovem advogado Nelson Mandela, um dos líderes do
CNA e até então contrário à luta armada, convenceu-se de que era necessário radicalizar a
resistência para derrotar o regime. Identificado em um protesto em 1962, Mandela foi
detido, julgado e condenado à prisão. Dois anos depois, teve um novo julgamento e foi
condenado à prisão perpétua.
A prisão de Mandela repercutiu no mundo todo. Por pressões da comunidade
internacional, a África do Sul foi banida dos Jogos Olímpicos de 1972. Em 1989, o novo
partido eleito prometeu formar um governo de conciliação. Em 1990, após forte pressão
internacional, Mandela foi libertado. Em 1992, um plebiscito determinou o fim do apartheid
e, no ano seguinte, Mandela foi eleito presidente da África do Sul.
Atividade
1- Várias manifestações foram realizadas contra o apartheid, sendo o principal líder desses
movimentos:
a) Mahatma Gandhi b) Frederick de Klerk c) Thabo Mbeki d) Nelson Mandela
2- De 1948 a 1991, vigorou na África do Sul o regime denominado apartheid. A esse
respeito é correto afirmar:
a) Trata-se de uma política de segregação racial que excluía os negros da participação
política, mas lhes reservava o livre direito à propriedade da terra.
b) Trata-se de uma política de segregação racial que previa uma lenta incorporação da
população negra às atividades políticas do país.
c) Trata-se de uma política de segregação racial que excluía negros e asiáticos da
participação política e restringia até mesmo a sua circulação pelo país.
d) Trata-se de uma política de integração racial baseada na perspectiva ideológica da
mestiçagem cultural entre as diversas etnias negras.
3- Redija, no caderno, um parágrafo expositivo sintetizando a história do apartheid na África
do Sul, desde a sua legalização e a organização da resistência contra o regime até a
eleição de Nelson Mandela para a presidência da república do país.
Leia o texto a seguir e faça as atividades em grupo.
4- Leia o texto a seguir e faça as atividades no caderno
É muito difícil discordar que a Europa tem uma enorme dívida para com a África pela
escravidão atlântica, pela partilha do continente e pelo colonialismo e suas heranças que
constituem obstáculos para a construção de uma longa estrada de combate à miséria e às
extremas desigualdades, assim como de enfrentamento dos vários conflitos presentes no
continente.
HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula: visita à história contemporânea. São
Paulo: Selo Negro, 2005.
a. Por que, segundo a autora, a “Europa tem uma enorme dívida para com a África”?
b.Como seria possível “pagar” essa dívida?