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Autodepuração dos Lagos do Zoológico SP

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CARACTERIZAÇÃO ECOLÚGICA DA AUTODEPURAÇÃO

DE LAGOS DO PARQUE ZOOLúGICO DE SÃO PAULO

CLEIDE MACHADO CHAVES

DISSERTAÇÃO APRESENTADA À FACULDADE

DE SAÚDE PÚBLICA DA UNIVERSIDADE DE

SÃO PAULO PARA OBTENÇÃO DO TITULO DE

MESTRE EM SAÚDE PÚBLICA.

SÃO PAULO
19 78

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FACULD.o:-1t: i.. , . . ~i w· · , .•
A meus pais,

pelo carinho e incentivo.


Ao Doutor Aristides Almeida
R acha, o meu reconhecimento
pelo entusiasmo e interesse que
sempre demonstrou durante a
realização deste trabalho.
RESUMO:

Devido ao agravamento da situação sanitária decorrente da constante


deterioração das águas dos lagos do Parque Zoológico de São Paulo,
realizou-se um estudo a fim de avaliar a capacidade de autodepuração
desses corpos de água.
Foram colhidas amostras em nove pontos dos lagos das aves do Parque
Zoológico, para exames físico-químicos e biológicos.
Tal pesquisa além de avaliar a capacidade de autodepuração dos
corpos d'água, visa caracterizar as atuais condições sanitárias dos
lagos, assim como recomendar possíveis providências a serem adotadas
para minimizar a poluição dos mesmos.
Esse estudo foi realizado no período compreendido entre março de
1976 e março de 1977.

SUMMARY:

This work was developed in order to estimate the deterioration of


the water quality from two lakes for fowles in São Paulo Zoo Garden
and to determine the self-purification capacity.
Physical, chemical and biological parameters were determined from
several samples collected in nine different points from both lakes.
This survey also tries to characterize the sanitary conditions of the
lakes, as well as to recommend some probable measures to be taken
in order to minimize the pollution effects.
The research was carried out in the period between March, 1976 and
March, 1977.
AGRADECIMENTOS

Ao Doutor João Pessoa de Paula Carvalho pelo incentivo e apoio, durante o

período de orientação deste trabalho.

Ao Doutor Mário Paulo Autuori, Diretor da Fundação Parque Zoológico de

São Paulo, por ter tornado possível a realização desta pesquisa.

Ao Doutor João Pereira da Rosa, Reitor da Universidade Estadual de Mato

Grosso, pela autorização de meu afastamento daquela Universidade.

Ao Doutor Waldeck F. de Castro Maia, Diretor do Centro de Ciências Biológicas

da Universidade Estadual de Mato Grosso, pela compreensão.

Aos Professores da Comissão Especial de Saúde Coletiva da Universidade

Estadual de Mato Grosso, em particular à Professora Lêda Augusta Jorge, pela dedicação

e apoio.

Ao Doutor Samuel Murgel Branco pela atenção.

A Doutora Helena Apparecida dos Santos Lima Pereira pela atenção e sugestões

apresentadas durante esta pesquisa.

Ao Senhor Rubens Gomes de Oliveira pelo valioso auxílio nas coletas de

amostras.

A Senhorita Elisa Conceição da Rocha pela revisão ortográfica dos originais.

Aos Professores e funcionários do Departamento de Saúde Ambiental da

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo pela convivência amiga.

Aos funcionários da Biblioteca da Faculdade de Saúde Pública da Universidade

de São Paulo pelas diversas formas de colaboração neste trabalho.

As Doutoras Erika Schlenz, Maria Aparecida Juliano de Carvalho e Gisela Yuka

Shimizu, do Departamento de Zoologia do Instituto de Bio-ciências da Universidade de

São Paulo, pela agradável convivência, colaboração e apoio, durante a execução deste trabalho.
Ao Doutor Ivan Ronaldo Horcel da Divisão de Análises Inorgânicas e Orgânicas

da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) pela valiosa colaboração.

Ao Doutor Eduardo Masato Kato da Gerência de Tecnologia de Poluição por

Resíduos Sólidos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental pela atenção e

apoio.

A Doutora Elenita Gherardi Goldstein e demais funcionários da Divisão de

Biologia Aquática da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, pela compreensão

e apoio.

A cada membro de minha família pela compreensão.

A todos que direta ou indiretamente colaboraram para a realização deste

trabalho.
fN O I C E

1 INTRODUÇAO .................................................................................. .

2 MATERIAL E MÉTODOS ................ .. . 5

2.1 Area pesquisada ......................... . 6


2.2 Pontos de amostragem ......... . 6
2.3 Análise físico-químicas .......... . 8
2.4 Parâmetros biológicos ............ . 11

2.4.1 Amostras de organismos do fitoplâncton.. . .. ................. .. 11

2.4.2 Amostras de organismos do zooplâncton .................................. . 11

2.4.3 Amostras de organismos bentônicos ...... 12

3 RESULTADOS E DISCUSSAO ................ .. 14

3. 1 General idades ............................... .. 15

3.2 Parâmetros físicos-químicos.......... . .. .. . . .. . ... .. .. . ..... .. .. .. 15


3.2.1 Temperatura, pH, índice de transparência e alcalinidade............. 15

3.2.2 Oxigênio dissolvido (OD) e demanda bioquímica de oxigênio

(DBO) ........................................ . 18
3.2.3 Nutrientes minerais ........ 20
3.3 Indicadores biológicos ....... .. 21

3.3.1 Fitoplâncton ................................ . 21

3.3.1.1 Flagelados clorofilados .. 25

3.3.1.2 Algas verdes..... . ... .. .. .. ... 27

3.3.1.3 Algas azuis ........................................... .. 30


3.3.1.4 Diatomáceas .............. . 35

3.3.2 Zooplâncton .. .... .. .. .. . .. .. .. .. ...... .. .. .... .. .... .... .. .. .. . .... . . ... .. . . 37

3.3.2.1 Copépodos ...................................................... .. . ...... 37

3.3.2.2 Cladóceros ............ ........... ... . ... ............ ........ .... ..... ... .. . 43

3.3.2.3 Rotíferos ...... .... .. .. .. ............ .... .. ....... .... ...... ...... . .. .. . .... 43
3.3.3 Orgânismos Bentônicos ............ ..... .. .......................... .... ......... 46
3.3.3.1 Anelídeos: Hirudíneos e Tubificídeos ................ ........ 49

3.3.3.2 Dípteros: Quironomídeos e Caoborídeos ........ . 51

4 CONCLUSÕES .......... .. 53

5 RECOMENDAÇÕES ....... 55

6 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...... 57


1 INTRODUÇÃO.
2

1 INTRODUÇAO.

"Hidrobiologia, no seu sentido mais amplo (e também etimológico), significa

biologia aquática, devendo compreender, pois, o estudo da vida dos seres que habitam o meio

aquático, de água doce ou marinha. No entanto, reserva-se em geral, para o estudo destes

últimos, a denominação de "biologia marinha", que constitui um capítulo da oceanografia,

assim como a hidrobiologia constitui capítulo, da limnologia (ou estudo dos lagos), e da

reologia (estudo dos rios)". (BRANCO, 1971 ) 8 .

Etimologicamente "poluir" significa sujar; "biologicamente" define-se a poluição

como sendo o lançamento ao curso d'água de uma substância que altere, consideravelmente, a

composição ou distribuição das populações aquáticas, através da modificação de quaisquer

fatores ecológicos, tais como: composição química e física da água; natureza do leito e

correnteza. (BRANCO, 1971 )8 .

A matéria orgânica alóctone e mesmo a autóctone, pode participar como

veículo de germes saprófitas e patogênicos, causando poluição e, eventualmente, uma

contam inação.

Estabelecida a propriedade patogênica de certos microorganismos, evidenciado

que seu aparecimento em uma massa de água não se faz por geração espontânea, tornou-se

possível verificar que a transmissão de doenças pelas águas implica no acesso a elas de matéria

contaminante de origem fecal.

Surgiu, então, a necessidade de se estabelecer padrões que, do ponto de vista

. sanitário, permitissem uma classificação mais real, a fim de que se pudesse considerar uma

água como sendo de boa qualidade, não apenas levando em conta suas características

biológicas, mas também físico-químicas.

Grande parte do material orgânico que atinge os corpos d'água, contém energia

potencial que pode ser aproveitada por microrganismos aquáticos. Sendo a biodegradabilidade

um fenômeno bioquímica, a ação dos seres aquáticos é de fundamental importância, pois,

degradando ou oxidando o material poluente, concorrem para a melhoria da qualidade da

água. (BRANCO, 1971) 8 .

As fases de autodepuração dos cursos de água, poluídos com material orgânico,

podem ser acompanhadas através do conhecimento dos organismos existentes no meio

hídrico. Esses organismos, que vivem ou suportam ambientes altamente seletivos, constituem
3

excelentes indicadores biológicos, caracterizando através da flora e fauna, determinados

trechos do corpo d'água (de rio ou lago).

Muitas vezes o poluente físico ou químico cessou o seu efeito, permanecendo, no

entanto, certos seres aquáticos. Nesse caso, o grau de seletividade ou de pertubação do

ecossistema encontrado, constitui o principal parâmetro biológico indicativo da intensidade

de poluição. (ROCHA, 1972) 29 •

"Com efeito, os maiores prejuízos que advém da poluição, para o manancial, são

aqueles que se referem à destruição de sua flora e fauna naturais e este decorre, essencialmente,

da alteração do teor de oxigênio, matéria orgânica, pH, temperatura, etc., enquanto que para

a saúde pública, de um modo geral, interessam quase que exclusivamente os aspectos

relacionados com a bacteriologia das águas, que por outro lado, pouco ou nenhum significado

apresentam em relação à destruição da flora e fauna". (BRANCO, 1971 )8 .

Tendo em vista os grandes prejuízos que podem surgir para o homem, como

resultado de uma poluição hídrica, mesmo que não o afete diretamente, mas indiretamente

como veículo de bactérias, vírus, fungos e outros organismos patogênicos ou ainda de outros

elementos prejudiciais, são bem justificadas as medidas de saneamento dos mananciais.

A Hidrobiologia Sanitária, no Brasil, encontra-se em fase de estudos, abrindo,

desse modo, campo para inúmeras pesquisas. (BRANCO, 1959) 4 •

Quando se fala em controle de seres vivos, em Hidrobiologia Sanitária, tem-se a

impressão de que esta seria a atividade que visa eliminar todos os microrganismos existentes

na água destinada ao consumo público. Esta interpretação, no entanto, não é verdadeira, uma

vez que os microrganismos não são necessariamente nocivos à saúde pública, ou mesmo ao

tratamento da água; eles podem ter interesse de ordem econômica e mesmo sanitária em

águas naturais. Nas pesquisas de microrganismos aquáticos levadas a efeito nas estações

biológicas de piscicultura, verifica-se que há a preocupação em se descobrir meios para

aumentar as populações e não em destruí-las, uma vez que constituem importante elo na

cadeia alimentar dos peixes. A produção de oxigênio, pelos vegetais fotossintetizantes, é de

interesse para a respiração dos animais aquáticos, bem como para a melhoria da qualidade da

água potável. (BRANCO, 1959) 4 •

Há, entretanto, vários preju izos, alguns bastante sérios, que podem ser causados

por microrganismos quando estes aultrapassam um certo número por unidade de volume de

água. Podem ser citados entre outros: a transmissão de moléstias, a produção de mau gosto e
4

mau cheiro, os distúrbios que causam à filtração e à decantação. (BRANCO, 1959} 4 .

O equilíbrio ecológico constitui uma característica da natureza. "O mundo vivo

só não é estável por causa da instabilidade do mundo físico. Não houvessem as contínuas

alterações de carater físico, químico e climático do meio, também não haveria os fenômenos

de adaptação e seleção que levam à evolução orgânica". (BRANCO, 1972} 9 .

Assim, ao se planejar a realização do presente trabalho, teve-se em mente:

a) - Proceder ao estudo ecológico de dois corpos d'água do Parque Zoológico

da cidade de São Paulo, pesquisando organismos indicadores de poluição, tanto os do fito e

zooplâncton como os macroinvertebrados bentônicos. Tal estudo visa avaliar a situação

sanitária dos lagos, partindo-se do pressuposto que os mesmos, em toda sua extensão, estejam

em fase de intensa degradação orgânica, dada a introdução ininterrupta de poluentes que

impedem a sua recuperação.

b) - Reconhecer o meio físico-químico existente nos lagos, uma vez que para a

Hidrobiologia não só interessa o estudo sistemático dos microrganismos, como também o

estudo das relações entre organismos, a fim de se poder exercer sobre eles um controle

efetivo.

c) - Avaliar qual a capacidade de autodepuração desses corpos d'água e

verificar se há necessidade de exportar ou tratar os esgotos antes de atingirem os lagos.


5

2 MATERIAL E MI:TODOS.
6

2 MATERIAL E MÉTODOS:

2.1 Area pesquisada.

"A Fundação Parque Zoológico de São Paulo está localizada no Parque do

Estado de São Paulo (Água Funda), possuindo terrenos limitados de um lado com o Instituto

de Botânica e de outro com o município de Diadema. À sua frente, situa-se o observatório do

Instituto Astronômico e Geográfico do Estado de São Paulo". (ROCHA, 1975) 30 .

O Parque Zoológico tem como final idades básicas: recreação, educação e

pesquisa.

O Parque do Estado possui uma área verde de 5.808.000 m 2 e o Parque do

Zoológico uma área de 629.200 m 2 .

Representado pelas várias espécies de aves, répteis, peixes e mamíferos, o Jardim

Zoológico possui atualmente cerca de 3.000 animais.

A população efetiva do Parque Zoológico é de aproximadamente 300 servidores

e recebe cerca de 120.000 visitantes por mês, com maior afluência aos sábados e domingos.

O presente estudo foi realizado em dois dos quatro lagos do Parque Zoológico: o

lago do Jaburú e dos Cisnes, onde vivem inúmeras aves. Esses lagos foram aqui denominados

de A e B, respectivamente.

Embora já tenha sido projetado, não foi ainda construido um interceptar de

esgotos ao redor dos lagos. Dessa forma, a maior parte dos resíduos provenientes das jaulas,

e outros locais em que se encontram os animais, bem como o esgoto doméstico, converge

para os lagos. O Parque Zoológico possui, ainda, 87 sanitários, com seus efluentes destinados

a fossas, das quais 18 são sépticas e 16 são fossas negras.

2.2 Pontos de amostragem.

levando em conta as regiões críticas existentes nos lagos, tais como: pontos de

lançamento de resíduos; canais de escoamento provenientes de jaulas; galerias de águas

pluviais; a existência de baías pronunciadas onde o ambiente lêntico propicia maior estagnação

da água, foram estabelecidos nove pontos de amostragem (Figura 1 ), a seguir descritos:

Ponto 1 - Demarcado no local de escoamento das águas do lago A (lago do

Jaburú). Estas águas vão ter ao lago B (lago dos Cisnes), por um

conduto subterrâneo.
7

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Ponto 2 - Próximo à margem esquerda do lago B, onde frequentemente são

colocadas as rações das aves.

Ponto 3 - A margem direita do lago B, nas proximidades do local de descarga


das águas do recinto dos Hipopótamos.

Ponto 4 - Logo após a ponte, onde há um estreitamento do lago B.

Ponto 5- Junto à passarela existente entre a margem esquerda do lago B e

a Ilha dos Cisnes.

Ponto 6- Próximo das margens da Ilha dos Cisnes, cerca de cinco metros a

montante do ponto 7.

Ponto 7 - A jusante do ponto 6 do qual dista aproximadamente cinco metros.

Ponto 8- Localizado às margens da baía existente entre as duas Ilhas dos

Macacos.

Ponto 9- Onde se faz o escoamento do lago B.

Dada as circunstâncias especiais, entre as quais a grande quantidade de amostras

a serem examinadas, as coletas foram feitas com cerca de um mês de intervalo, durante o

espaço de um ano. A maioria das tomadas de amostras de água foi feita com o auxílio de

um barco.

2.3 Análise físico-químicas.

Com o objetivo de estabelecer os vários níveis de qualidade da água em seus

aspectos sanitários e ecológicos, relacionados com o lançamento das cargas poluidoras nos

corpos d'água estudados, foram efetuadas as seguintes determinações: temperatura, pH,

alcalinidade, índice de transparência, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), oxigênio

dissolvido (OD), nitrogênio amoniacal, nitroso, nítrico e fosfato.

Para a análise do teor de oxigênio dissolvido, foi utilizada na coleta de superfície

a "garrafa de OD" ou recipiente conhecido como "batiscafo", para evitar a formação de

bolhas de gás quando da ocasião da coleta de amostras. Esse aparelho, feito inteiramente com

chapas de aço inox, é constituído basicamente de duas partes: corpo propriamente dito e

tampa (Figura 2).


9

Figura 2 - Garrafa de OD ou Batiscafo.


10

1- Corpo da garrafa: mede 15 em de altura por 12 em de diâmetro e aloja em

seu interior um frasco de vidro, com cerca de 300 ml de capacidade, próprio para coletas de

amostras de água para determinação de oxigênio dissolvido (00). Colocado no interior do

corpo do "batiscafo", esse frasco encaixa-se em uma guia metálica fixa concentricamente na

face interna inferior. Também estão afixadas no corpo, as extremidades da alça móvel. Esta

alça deve ter um pequeno anel na região mais afastada das extremidades. Através deste anel

deve passar uma corda apropriada que suspende o aparelho, garantindo, desta forma, que a

"garrafa de 00" desça em posição vertical.

2- Tampa: também de aço inox, é fixa ao corpo da garrafa por meio de um

sistema de rosca. Essa tampa é atravessada por dois tubos "a" e "b" de pequeno diâmetro e

de diferentes comprimentos. Os tubos têm simplesmente a função de orientar a entrada da

água no frasco de 00, preenchendo-o de forma que o ar nele contido, saia sem provocar

bolhas na amostra, não alterando a concentração de gases dissolvidos originalmente. A água

entra pelo tubo mais longo (a), montado no centro da tampa, que se introduz até o fundo do

frasco de 00. A medida que a amostra de água ocupa o volume do frasco, expulsa o ar pelo
tubo menor (b) montado lateralmente na tampa. A este tubo é encaixado externamente um tubo

de látex com aproximadamente 20 em de comprimento, com o objetivo de estabelecer

diferentes pressões de entrada e saída de Iíquido na garrafa. Após o preenchimento do frasco

de 00, ainda resta completar o volume existente entre este e o interior da garrafa metálica.

Teremos como amostra final, o segundo volume de água reciclado pelo frasco de 00.

O peso formado pelo conjunto: corpo, tampa e frasco de 00, deve ser de tal

ordem que facilite a submersão do "batiscafo". *

Para análise em profundidade foi utilizado o "Cilindro ou Amostrador de

Kemmerer". (BRANCO, 1971 )8 .

O índice de transparência foi determinado com um disco de Secchi de 25 em de

diâmetro. (BRANCO, 1971 )8 .

O pH da água de superfície foi tomado no local da coleta com fita tipo "Merck".

A partir do mês de setembro de 1976, além do uso da primeira prática, o pH foi determinado

em potenciômetro.

As análises físico-químicas foram realizadas segundo os métodos estabelecidos no

"STANOARD METHOOS FOR THE EXAMINATION OF WATER ANO WASTEWATER" 1 •

*- "Garrafa de 00 ou batiscafo", modificada pelo Biólogo Eduardo Masato Kato e colaboradores.


11

2.4 Parâmetros biológicos.

2.4.1 Amostras de organismos do fitoplâncton.

As amostras foram coletadas na superfície das águas dos lagos, utilizando-se

frascos neutros de cor âmbar (para evitar interferência na multiplicação dos microrganismos),

com capacidade de aproximadamente 50 ml e com tampa de polietileno. Para manter as

amostras com gás carbônico e oxigênio, os frascos não foram totalmente cheios. As amostras

foram então transportadas para o laboratório nos mesmos frascos, dentro de uma caixa de

isopor e imediatamente colocados no refrigerador, para leitura no dia seguinte. Foram coletadas

duas amostras para cada ponto, sendo uma fixada com mertiolate. A escolha do mertiolate

como preservativo se deveu principalmente à vantagem que o mesmo oferece na identificação

das algas azuis, uma vez que provoca a perda de gás dos vacúolos das referidas algas, facilitando

a sua sedimentação. (WEBER, 1973) 35 •

Para a identificação e contagem dos microrganismos, foi utilizada a câmara de

Sedwick-Rafter, conforme BRANCO, 1971 8 , com auxílio de microscópio tipo "Nikon",

usando objetiva 40 e ocular 9 X. Não houve necessidade de se concentrar as amostras. Para

tanto, paralelamente, foram utilizadas as chaves de classificação de: BICUDO & BICUDO

1970 2 , BOURRELLY 1966 10 ,1968 11 e 1970 12 ,SMITH 195033 ePRESCOTT 1962 28 •

Quanto ao aspecto sanitário, os organismos foram classificados através dos

sistemas de PALMER & INGRAM 1955 22 .

2.4.2 Amostras de organismos do zooplâncton.

Para a obtenção de amostras do zooplâncton foi utilizada rêde de plâncton, com

abertura de 85 J.Lm e "boca" de 22 em de diâmetro. Imediatamente após a coleta, as

amostras foram fixadas em formalina a 4%. Foram feitas coletas verticais em três pontos do

lago B (6, 7 e 9), para estudos qualitativos e quantitativos. Devido a pouca profundidade dos

demais pontos, só foi possível coletar amostras de superfície.

A identificação da fauna presente nos lagos, foi feita com o auxílio de microscó-

pio entomológico, tipo "Sitzerland e Bausch & Lomb- U.S.A.".

A população de cada ponto foi estimada usando um método de sub-amostragem,

utilizando para as· diversas tomadas de amostra (em torno de sete para cada frasco) uma pipeta

de pistão, Hidro-Bios Kel de 1 ml, segundo Hensen citado por CARVALHO, 1975 13 .
'f '.
12

Posteriormente, foi estimado o número de organismos por metro cúbico de

água, utilizando-se a fórmula :

v 7T r ~ h

onde:

v Volume de água teoricamente filtrado pela rêde nessa amostra;

7T = 3,1416;

r = Raio da circunferência (aro superior da rêde de plâncton);

h = Altura da coluna de água filtrada.

2.4.3 Amostras de organismos bentônicos.

Foi efetuada a coleta nas estações de amostragem, utilizando-se a draga tipo

"Ekman-Birge", de 6x6 polegadas ou 231,04 cm 2 de área. (ROCHA, 1972 29 )

As amostras do material do fundo foram recolhidas em sacos plásticos devida·

mente etiquetados, as quais, ao chegarem ao laboratório, eram imediatamente colocadas no

refrigerador, para análise no dia seguinte.

A primeira etapa da análise deste material consistiu na triagem dos organismos.

Para esse trabalho, pequenas porções do material eram colocadas sobre um jogo

de peneiras, tipo "W.S. Tyler Company, Cleveland 14 Ohio" de aberturas iguais a 200, 833

e 1.168 mm.

O material das peneiras era submetido a suaves e constantes "jatos" d'água. Os

detritos que ficavam nas peneiras iam sendo colocados em frascos de boca larga, de aproxima-

damente 500 ml e imediatamente levados ao refrigerador, para posterior identificação e

contagem.

Conforme ROCHA, 1972 2 '), os animais aderidos às malhas das peneiras eram

retirados para dentro de uma bandeja esmaltada de cor branca. As peneiras eram submetidas d

constantes jatos de água até que os organismos se desprendessem.

Os exemplares eram identificados, contados e colocados em frascos de tampa

plástica contendo álcool a 70 graus e devidamente etiquetados.

Não sendo possível analisar todas as amostras num perlodo de 48 horas após ,"

remoção dos sedimentos, os espécimes eram fixados em formalina a 4%.

Os exemplares eram identificados com o auxílio de microscópio entomológico


13

tipo "Bausch & Lomb- U.S.A.", seguindo as chaves de classificação de PENNAK, 1953 2 6 .

Para a contagem foi utilizado um contador de teclas tipo "Laboratory Counter

- U.S.A.".

A estimativa referente ao número de organismos por metro quadrado de área de

fundo, foi feita utilizando a fórmula de Ekman, mencionada por ROCHA, 1972 29 .

t
n = --------- · 10.000
a s

onde:

n = Número de organismos por m 2 ;

t Número de organismos contados na amostra total ;

a = Valor da área abrangida pela draga em cm 2 ;

s = Número de amostras.

Todo o trabalho foi realizado nos laboratórios:

do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da

Universidade de São Paulo;

do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade

de São Paulo;

da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental- (CETESB).

A classificação dos organismos estudados, quando possível, foi efetuada até ao

nível sistemático de gênero.


14

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO.
15

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO.

3. 1 General idades.

Neste trabalho é dada maior ênfase aos aspectos biológicos do meio aquático.

Esse enfoque deve-se ao fato de os lagos servirem de "habitat" aos animais aquáticos e

semi-aquáticos e porque o sistema concorre para a economia da Fundação Parque Zoológico,

produzindo especialmente tilápias, destinadas à alimentação de grande número de espécies.

Os "estudos populacionais" devem ser feitos em duas etapas. A primeira,

denominada "estática da população", procura determinar, num dado instante, os diferentes

tipos de indivíduos existentes na população, como estão distribuídos e qual a quantidade. A

segunda, denominada "dinâmica da população", procura determinar as variações, em função

do tempo, na quantidade e distribuição desses indivíduos". (SANTOS, 1968) 32 •

A fim de se conhecer a distribuição e as variações dos indivíduos em determinado

momento, foram demarcados nove pontos de coleta. Como já foi ressaltado anteriormente, as

coletas foram realizadas a intervalos de aproximadamente um mês de uma para a outra,

abrangendo um período sazonal completo.

Procurou-se relacionar as populações do fitoplâncton, zooplâncton e os

macroinvertebrados bentônicos aos parâmetros físico-químicos indicadores de poluição.

(ROCHA, 1972)2 9 .

3.2 Parâmetros físico-químicos.

3.2.1 Temperatura, pH, índice de transparência e alcalinidade.

Na Tabela 1 observa-se que a temperatura da água de superflcie dos dois


lagos estudados, apresentou pequenas variações, tanto no que se refere a cada ponto de
coleta, como durante o período de amostragem.
Verifica-se que a temperatura da água variou entre um m 1 nimo de 15° C no
mês de julho de 1976 e um máximo de 32°C no mês de março de 1977.
No ano de 1976, a temperatura mediana da água foi de : março = 24° C,
abril= 22°C, maio= 20°C, junho= 18°C, julho= 16°C, agôsto = 21°C, setembro= 17°C
e dezembro= 25°C; no ano de 1977 foi: janeiro= 27°C, fevereiro= 30°C e março= 28°C.
Nota-se que a temperatura mediana da água nos nove pontos oscilou de 16° C
no mês de julho de 1976 a 30°C no mês de fevereiro de 1977.
Pela Figura 3 há uma melhor visualização das temperaturas da água
16

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FIGURA 3 - Temperatura mediana da égua em graus cent(grados, dos nove pontos de coleta, dos lagos A e 8 do Parque Zoológico de São Paulo- março de 1976 a março çle 1977.

Temperatura
Mediana-°C
30

20

10

o .....
......
MAR ABR MAl JUN JUL AGO SET DEZ JAN FEV MAR
18

de superfície.

A temperatura é importante fator ecológico, tanto pela influência direta que

pode exercer sobre os organismos, como pela relação existente entre esta e a solubilidade dos

gases e sais e ainda pela interferência na viscosidade da água. (ROCHA, 1972) 2 q.

PEREIRA, 1976 2 ' , com relação à distribuição do calor, em regiões de clima

temperado, durante as estações quentes, afirma que nos 1Om abaixo da superfície não há

diferenças apreciaveis de temperatura, e que nessa camada, a absorção é de 99% da radiação

total. Dessa forma, devido ao fato da profundidade máxima encontrada ser de 4,6m, julgamos

desnecessárias as tomadas de amostras de água em profundidade.

Foi demonstrado também na Tabela 1 que não houve grandes variações do pH

da água de superfície. Devido a motivos técnicos, no mês de março de 1976, somente foi

possível medir o pH da água de três dos nove pontos de coleta.

Para a alcalinidade em carbonato de cálcio, foram utilizados os dados obtidos

por ROCHA, 1975 3 0 . Nessa pesquisa, levada a efeito nos mesmos lagos, observou-se que, em

geral, a água apresentou uma concentração cuja moda foi de 86 mg/1 de íons HC0 3 .

Ainda na Tabela 1 pode ser evidenciada a pequena oscilação dos dados referentes

à transparência da água.

A perda de transparência (causada por absorção, reflexão ou dispersão da luz

solar), além de ser indesejável do ponto de vista estético, pode provocar grandes distúrbios

ecológicos no meio, por limitar a quantidade de luz indispensável a algumas atividades

fisiológicas dos microrganismos. (BRANCO, 1969) 7 •

Na Figura 4, onde aparecem dados medianos do índice de transparência em

metros, dos nove pontos de coleta, dos lagos A e B, nota-se que a transparência variou de

O, 1Om no mês de abril de 1976 a 0,25m nos meses de junho e julho de 1976 e fevereiro

de 1977.

Os índices de transparência obtidos foram bastante baixos influindo, assim, na

penetração da luz necessária aos sêres fotossintetizantes localizados nos estratos inferiores.

3.2.2 Oxigênio dissolvido (OD) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO).

Pelo resultado das análises (Tabela 2), pode-se observar que nestes ambientes

aquáticos houve grande depleção de oxigênio dissolvido, principalmente em profundidade

(zero mg/1).
FIGURA 4 - Mediana do fndice de transparência (m) dos nove pontos de coleta, dos lagos A e 8 do Parque Zoológico de São Paulo- março de 1976 a março de 1977.

Mediana

0,25
em

0,20

0,15

0,10

0~--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ......
MAR ABR MAl JUN JUL AGO SET DEZ JAN FEV MAR CO
20

TABELA 2

Oxigênio dissolvido (00) e profundidade de três pontos de coleta dos lagos A e B do Parque Zoológico
de São Paulo, janeiro a março de 1977.

OXIGÊNIO OISSOL-
JANEIRO FEVEREIRO MARÇO
VIOO (00) mg/1
E PROFUN-

00 PROFUND OD PROFUNO OD PROFUNO


(m)
DE COLETA (m) (m) {m)

5,84 0,20 7,50 0,20 16,00 0,20

6 0,00 2,00 0,00 3,30 0,00 3,40

9 12,40 0,20 12,06 0,20 13,80 0,20

Os corpos d'água que apresentam despejos orgânicos diluídos em sua massa

líquida, estão sujeitos a uma série de reações bioquímicas de oxidação e redução. As reações

bioquímicas de oxidação em ambientes aeróbios são, em geral, responsáveis pela queda do

teor de oxigênio dissolvido no curso d'água.

Ressaltamos que estas reações bioqu (micas dependem da presença de microrga-

nismos ou suas enzimas, podendo, portanto, serem prejudicadas pela presença de substâncias

tóxicas na água, tais como: o cloro, o cromo hexavalente e outras. (MONTE I RO, 1975) 1 9 •

A demanda bioquímica de oxigênio (DBO), durante 5 dias, a 20°C, conforme

os dados de ROCHA, 1975 3 0 , foi bastante alta, apresentando as modas: 100 e 24 mg/1 de

DBO, nos diversos pontos estudados.

3.2.3 Nutrientes minerais.

Devido a problemas relacionados com a realização das análises de elementos

nutrientes (Nitrogênio e Fósforo), efetuou-se apenas uma coleta de amostras no ponto 3 do

lago B, no dia 30 de março de 1977. Estas análises foram feitas na Companhia de Tecnologia

de Saneamento Ambiental (CETESB), obtendo-se os seguintes resultados:


Amonia (NH 3 ) = 0,16 mg/1

Nigrogênio total (N) = 2,32 mg/1

Nitrito (N0 2 ) = 0,07 mg/1

Nitrato (NH 3 ) = 0,05 mg/1

Ortofosfato (P0 4 ) = 0,088 mg/1


Fosfato total (P) = 0,312 mg/1
21

Quanto a estes parâmetros, na pesquisa desses lagos, foram paralelamente

considerados os dados obtidos por ROCHA, 1975 3 0 .

As concentrações de 0,30 mg/1 e 0,01 mg/1 para Nitrogênio e Fósforo

respectivamente, são suficientes para desencadear a floração de algas em um corpo d'água,

desde que outras condições sejam satisfeitas, como penetração da luz, cor, turbidez, etc.

(ROCHA, 1975) 30 .

3.3 Indicadores Biológicos

Através deste parâmetro, procurou-se mostrar a interdependência dos vários

organismos que habitam os dois lagos estudados. Esse conhecimento, bem como o das

alterações havidas no equilíbrio biológico, face as modificações das características físicas e

químicas da água, possibilita estabelecer a intensidade da poluição e indicar paralelamente

possíveis medidas para a minimização dos impactos sobre a ecologia dos lagos.

"A composição do plâncton em lagos e em outros corpos de água varia em

qualidade, não somente de uma água para outra, mas também de um mesmo corpo de água,

durante as estações do ano, e frequentemente de ano para ano. Essas variações são ininter-

ruptas, principalmente as quantitativas". (KLEERKOPPER, 1944) 17 •

"Em um lago todas as comunidades bióticas se interrelacionam ou podem fazê-lo

direta ou indiretamente. O lago se apresenta assim como um ecossistema autossuficiente, com

escassa dependência do meio externo, onde a energia circula em um processo metabólico

fechado e de considerável eficiência". (BONETTO, 1976) 3 .

3.3.1 Fitoplâncton.

Sendo, os componentes do sistema hídrico estudado, dois lagos artificiais e

recebendo alta carga orgânica, há a tendência a um acelerado assoreamento e eutrofização.

Essa passagem do meio oligotrófico (pobre em sais minerais nutrientes) a

eutrófico (rico em sais minerais nutrientes) leva a frequentes florações de algas, o que, por

sinal, se verificou no decorrer de todo o perlodo da pesquisa.

Como foi visto no iten 3.2.3, os teores de nutrientes nos lagos estudados

(N = 2,32 mg/1 e P = 0,312 mg/1) estão muito acima do mínimo suficiente para desencadear

uma floração do fitoplâncton.

Os fenômenos de eutrofização manifestam-se de muitas maneiras e afetam, de


22

diversos modos, os lagos naturais ou artificiais. (BONETTO, 1976) 3 •

A respeito das algas como indicadoras de poluição, PALMER, 1969 2 4 , criou um

sistema indicador que consta de uma listagem de 60 gêneros em ordem decrescente de

resistência à poluição orgânica. Após a consulta aos trabalhos de 165 pesquisadores, Palmer

atribui um número a cada um dos gêneros. Assim por exemplo, 97 trabalhos assinalavam o

gênero Euglena ocorrendo em ambientes de alta concentração de matéria orgânica, atingindo,

de acordo com Palmer, no total, 172 pontos. Seguindo essa sistemática, Palmer atribui um

índice a cada um dos gêneros a seguir considerados:

No. GENEROS GRUPO N°. DE PONTOS

Euglena F 172

2 Oscillatoria c 161

3 Chlamydomonas c 115

4 Scenedesmus v 112

5 Chlorella v 103

6 Nitzschia o 98

7 Navicula o 92

8 Stigeoclonium v 69

9 Synedra o 58

10 Ankistrodesmus v 57

11 Phacus F 57

12 Phormidium c 52

13 Melosira o 51

14 Gomphonema o 48

15 Cyclotella o 47

16 Closterium v 45

17 Micractinium v 44

18 Pandorina F 42

19 Anacystis c 39

20 Lepocinclis F 38

21 Spirogyra v 37

22 Anabaena c 36

23 Criptomonas F 36
23

No. G~NEROS GRUPO N°. DE PONTOS

24 Pediastrum v 35
25 Arthrospira c 34

26 Trachelomonas F 34

27 Carteria F 33
28 Chlorogonium F 33
29 Fragilaria D 33
30 Ulothrix v 33
31 Surirella D 33
32 Stephanodiscus D 32
33 Eudorina F 30
34 Lyngbya c 28
35 Oocystis v 28
36 Agmenellum c 27
37 Spirulina c 25
38 Pirobotrys F 24

39 Cymbella D 24
40 Actinastrum v 24
41 Coelastrum v 24
42 Cladophora v 24

43 Hantzschia D 23
44 Diatoma D 22
45 Spondylomorum F 21

46 Golenkinia v 19

47 Achnanthes D 19
48 Synura F 18
49 Pinnularia D 18

50 Chlorococcum v 17

51 Asterionella D 17

52 Cocconeis D 17

53 Cosmarium v 17
24

No. Gi:NEROS GRUPO N°. DE PONTOS

54 Gonium F 17

55 Tribonema v 16

56 Stauroneis D 16

57 Selenastrum v 15

58 Dictyosphaerium v 14

59 Cymatopleura D 14

60 Crucigenia v 14

GRUPOS

C =Alga azul

D = Diatomácea

F = Flagelado clorofilado

V = Alga verde

Mas entre as algas encontradas neste estudo merecem destaque pelo aspecto

sanitário, de acordo com o sistema de PALMER, os gêneros :

GÊNEROS GRUPOS TOTAL ORG/ml


Euglena F 2.262

Oscillatoría c 167.349

Chlamydomonas c 7.124

Scenedesmus v 9.607

Chlorella v 403

Ankistrodesmus v 1.807

Phacus F 2.314

Cyclotella D 52

Closterium v 195

Micractinium v 10.634

Pandorina F 286

Anacystis c 166.104

Anabaena c 182

Pediastrum v 273

Trachelomonas F 7.124

Stephanodiscus o 1.430
25

G~NEROS GRUPOS TOTAL ORG/ml


Oocystis v 4.420

Actinastrum v 1.443
Coelastrum v 3.146

Golenkinia v 221
Synura F 793
Chlorococcum v 5.694
Cosmarium v 2.054

Selenastrum v 1.729

Dictyosphaerium v 16.536
Crucigenia v 6.435

3.3.1.1 Flagelados clorofilados.

Na Figura 5, nota-se um pico nos meses de inverno (35,66%). E possível atribuir


esse aumento de flagelados à contribuição da matéria orgânica advinda dos lreres, que

migram para esses lagos nos meses mais frios do ano. Estima-se que a população dessas aves,

no inverno, chega a atingir aproximadamente 10.000 animais. *

A mineralização dos excretas dessas aves, aliada aos demais contribuintes,

concorre para o aumento do teor de Nitrogênio e Fósforo desses mananciais.

Dentre os flagelados, apresentados por PALMER, 1962 2 3 , como algas produto-

ras de odor e sabor típicos, encontram-se, nos lagos, os seguintes gêneros: Chlamydomonas,

Euglena, Pandorina, Peridinium e Synura.

Segundo BRANCO e col., 1963 6 , estes gêneros apresentam os seguintes significa-

dos sanitários:

Chlamydomonas - Exigem a presença de certos compostos orgânicos

no meio; suportam ambientes ricos em matéria

orgânica em decomposição, ou altamente minerali-

zados por esta.

Euglena - Frequentes nas águas ricas em matéria orgânica.

*- Informações pessoais dadas pelo Dr. Werner Bokerman, Biólogo da Fundação Parque Zoológico,
responsável pelo Setor de Ornitologia.
26

FIGURA 5 - Flagelados clorofilados, nas estações do ano. agrupan-


do os nove pontos de coleta , dos lagos A c B do
Parque Zoológico de São Paulo - marçu de 1976 a
N°. Total março de 1977 .
de Org.
p/ml
8.000

6.000

4.000

2.000

o o <! o
z z a: •<!
o a: LU a:
1- LU > LU
::::> > <! >
o z ~
a:
0..
27

Peridinium - Produzem, em pequena quantidade, odor semelhante

ao pepino; em grande número, odor de peixe.

Synura - Produzem odor e sabor mesmo quando presentes em

pequeno número (odor de pepino, de temperos ou

de peixes quando em grande número). Possuem

gosto picante ou metálico e dão à língua sensação de

secura. Podem produzir floração.

De acordo com observações empíricas, verificadas nas análises que a Companhia

de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) tem realizado, o gênero Pandorina,

ocorre em águas contendo matéria orgânica. *


No grupo dos organismos flagelados clorofilados, o gênero que teve maior

frequência durante a pesquisa, foi Clamydomonas (34,91%). Indicador de poluição orgânica

conforme o sistema de Palmer descrito anteriormente (iten 3.3.1 ). O número total de

organismos dotados de flagelos, nos nove pontos de coleta foi de 20.41 O org/ml, isto é, 4, 7%

em relação às algas em geral encontradas. (Tabela 3).

3.3. 1.2 Algas verdes.

Em relação às algas verdes, depreende-se da observação da Figura 6, que há um

pico correspondente ao outono (37,30%).

Nos dois primeiros meses do outono, a temperatura da água em quaisquer dos

pontos, foi superior à temperatura mediana de 21° C encontrada para o período total da

estação.

PALMER, 1962 2 3 , assinala que, em geral, as distintas classes e espécies de algas

possuem uma temperatura mínima, uma temperatura máxima e uma ótima para seu desenvol-

vimento, e que para as algas verdes, o ótimo de temperatura está entre 30 e 35° C. Pode-

se dizer que este foi um dos fatores que contribuiu para os aumentos bastantes pronunciados,

dessas algas no outono, como já foi assinalado.

As algas verdes são consideradas como um fator positivo no controle da qualida-

de da água, uma vez que podem produzir menor quantidade de odor e sabor. Seu desenvolvi-

mento ajuda a dominar o crescimento das algas azuis e diatomáceas. (PALMER, 1962) 2 3 •

Dentre as algas verdes selecionadas por PALME R, 1962 2 3 , como causadoras de

*- Informações pessoais dadas pelo Dr. Aristides Almeida Rocha.


TABELA 3
Número total de organismos Fito-Flagelados p/ml, nos nove pontos de coleta dos lagos A e B do Parque Zoológico de São Paulo,
março de 1976 a março de 1977.

PONTOS DE

2 3 4 5 6 7 8 9 TOTAL %

Clamydomonas 1.053 338 611 793 819 1.092 1.079 702 637 7.124 34,91

Euglena 2.236 13 - ·- - 13 - - - 2.262 11,08

Pandorina - 13 - - 169 13 65 26 286 1,40

Perídíníum 13 - - - - - - - 13 0,06

Phacus 286 13 - 299 507 611 364 39 195 2.314 11,34

Synura 377 221 78 104 - 13 - - - 793 3,89

Trachelomonas 1.443 104 221 455 208 429 494 455 598 4.407 21,59

Uva 13 - 52 - - - - - - 65 0,32

Não identificados 338 221 221 182 429 247 520 - 988 3.146 15,41

N
Total 5.759 923 1.183 1.833 2.132 2.418 2.522 1.222 2.418 20.410 100,00 co
29

FIGURA 6 - Algas verdes p/ ml, nas estações do ano, agrupando os


nove pontos de coleta dos lagos A e 8 do Parque
Zoológico de São Paulo - março de 1976 a março
N°. Total
de 1977 .
de Org.
p/ml.
30.000

22.500

15.000

7.500

o o <X: o
z z o: •<X:
o:
o o: l.LI
1- UJ > UJ
~ > <X: >
c z 2
o:
a..
30

sabor e odor, foram encontradas: Cosmarium, Dictyosphaerium, Pediastrum e Scenedesmus.

BRANCO e col., 1963 6 , apresentam para esses gêneros os seguintes significados

sanitários, de interesse para este trabalho :

Cosmarium - São algas de superfície. Algumas espécies podem


causar odor de capim, além de darem turbidez
(falsa coloração), verde na água.

Dictyosphaerium - Produzem odor e sabor de capim ou, quando em

grande quantidade, gosto de peixe.

Pediastrum - São algas de superfície, podem produzir sabor e odor

de peixe, quando em grande número.

Scenedesmus - São algas de superfície. Podem produzir odor e

sabor de capim na água. Vivem bem em águas de

elevado teor mineral. "Sobrevivem em águas forte-

mente poluídas por substâncias orgânicas". (ENCI-

CLOPÉDIA MIRADOR, 1976) 1 s.

Como são altas as concentrações de Nitrogênio e Fósforo, a frequência de

Scenedesmus ( 12,90%) em relação aos outros gêneros de algas verdes encontradas é relativa-

mente ampla.

Constata-se pela Tabela 4, que os gêneros do grupo das algas verdes que tive-

ram maior prevalência foram : Dictyosphaerium (22,02%), Micractinium ( 14,28%) e

Scenedesmus ( 12,90%) enquanto que o gênero de menor prevalência foi Diacanthos (0,02%)

Os três gêneros de maior prevalência encontrados nos lagos, de acordo com o sistema indica

dor de Palmer, são considerados indicadores de poluição orgânica. Observa-se, também, que o

total desse grupo foi de 74.477 org/ml (17,00% do total dos grupos estudados).

3.3.1.3 Algas azuis.

De acordo com os resultados obtidos da contagem das algas azuis (p/ml) no

período sazonal estudado, observa-se que a concentração desses organismos no outono

(171.899 org/ml ou 51,20%) e verão (115.508 org/ml ou 34,40%) foi aproximadamente

duas vezes maior que no inverno (47.203 org/ml ou 14,06%). Aparecem em número bastante

reduzido na primavera ( 1.079 org/ml ou 0,32%). Nesta estação do ano só foi realizada uma

coleta, não sendo, entretanto, este dado fator de comparação. (Figura 7).
31
TABELA 4
Número total de organismos algas verdes, p/ml, nos nove pontos de coleta, dos lagos A e B, do Parque
Zoológico de São Paulo, março de 1976 a março de 1977.

2 3 4 5 6 7 8 9 Total %

G~NEROS

Actinastrum 182 286 169 195 182 208 78 143 1.443 1,94
Ankistrodesmus 78 273 741 117 390 39 26 13 130 1.807 2,43
Chodatella 26 26 0,03
Chlorella 13 91 299 403 0,54
Clorococcum 130 2.132 286 637 676 702 364 364 403 5.694 7,65
Closterium 39 26 13 26 91 195 0,26
Closteridium 364 273 52 13 702 0,94
Coelastrum 1.599 884 143 156 156 26 117 65 3.146 4,22
Coronastrum 13 78 91 0,12
Cosmarium 13 117 1.638 78 26 65 39 78 2.054 2,76
Crucigenia 39 1.612 1.469 468 884 559 780 364 260 6.435 8,65
Diacanthos 13 13 0,02
Dictyosphaerium 4.732 4.160 1.573 1.521 1.664 1.352 845 689 16.536 22,02
Elakatotrix 26 26 26 13 26 65 26 208 0,28
Golenkinia 104 65 26 13 13 221 0,29
Kirchneriella 52 26 26 13 39 156 0,21
Micractinium 52 5.499 3.484 247 195 286 572 156 143 10.634 14,28
Nephrochlamys 52 52 0,07
Oocystis 169 624 1.014 195 637 377 949 403 52 4.420 5,93
Ourococcus 104 13 26 65 39 13 260 0,35
Pediastrum 39 104 78 13 13 13 13 273 0,37
Planktosphaeria 39 39 0,05
Protococcus 52 65 117 0,16
Scenedesmus 650 1.508 962 1.066 1.508 1.131 1.196 858 728 9.607 12,90
Schederia 26 182 130 182 78 104 104 39 117 962 1,29
Selenastrum 13 832 338 26 130 104 182 91 13 1.729 2,32
Sphaerocystis 117 117 0,16
Sphaerozosma 13 13 13 39 0,05
Tetraedron 351 741 611 260 234 286 234 195 91 3.003 4,03
Tetrallantos 91 65 156 0,21
Tetrastrum 39 585 559 247 104 26 65 13 39 1.677 0,25
Treubaria 247 65 117 572 312 286 325 39 299 2.262 3,04

Total 1.872 21.801 17.368 6.084 7.267 6.019 6.669 3.978 3.419 74.477 100,00
32

FIGURA 7 - Algas azuis p/ml, nas estações do ano, agrupando os


nove pontos de coleta dos lagos A e 8, do Parque
Zoológtco de São Paulo - março de 1976 a março
de 1977.

N°. Totill
de Org.
p/ml
180.000

160.000

140.000

120.000

100.000

80.000

60.000

40.000

20.000

o o <( o
z z CJ: •<(
o CJ: UJ a:
UJ > UJ
""""
.::> >
z
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c ~
CJ:
0..
33

Como a temperatura ótima para algas azuis está entre 35 e 40°C, conforme

PALMER, 1962" 3 , justifica-se o desnível das colunas correspondentes ao inverno (14,06% e

primavera (0,32%). De acordo com a Figura 2, foram esses períodos os de temperatura mais

baixa durante o ano de coleta.

No período sazonal estudado, os gêneros mais observados foram: Microcystis e

Oscillatoria, com as seguintes concentrações para cada gênero, nas estações do ano:

Primavera Microcystis 845 org/ml

Oscillatoria 234 org/ml

Ressalta-se, todavia, que nesta estação o número não foi Significativo pois,

infelizmente, só houve possibilidade de se realizar uma coleta durante o período.

Verão Microcystis 114.104 orgiml

Oscillatoria 1.001 org/ml

Outono Microcystis 5.681 org/ml

Oscillatoria 164.957 org/ml

Inverno Microcystis 45.474 org/ml

Oscillatoria 1.391 org;ml

Conforme BONETTO, 1976 1 , o aumento do Nitrogênio e Fósforo fundamenta o

desenvolvimento explosivo de algumas espécies de algas, especialmente as algas azuis, e

sobretudo de algumas espécies dos gêneros Anabaena, Aphanizomenon e Microcystis,

principalmente nos meses de elevada temperatura, o que comprova o aumento do gênero

Microcystis, encontrado no verão do período estudado.

A mediana do índice de transparência (Figura 4) nos nove pontos de coleta no

mês de março de 1977 teve uma redução significativa e que correspondeu ao mês de maior

densidade numérica do gênero Microcystis.

As algas causadoras de odor e sabor, conforme PALME R, 1962 2 3 , encontradas

neste estudo foram : Anabaena e Oscillatoria.

Os significados sanitários, segundo BRANCO e cal., 1963 6 , desses dois gêneros,

são:

Anabaena - Muitas espécies desse gênero produzem odor de

capim, rabanetes e mofo nas águas. Quando se de-

compõem, dão odor séptico. São abundantes algumas


• ·-_r·~ 1\
.. ·- ;·t::3UCA
34

vezes em águas ricas em despejos orgânicos. Varias

espécies são tóxicas ou potencialmente tóxicas.

Oscillatoria - Quando em grande número, causam odor de grama

ou de temperos na água. As espécies O. chalybea,

O. chlorina, O. formosa, O. lauterbornii, O.liminosa,

O. princeps e O. tenuis podem indicar poluição.

De acordo com BRANCO, 1959 5 , o gênero mais frequente citado como

causador de efeitos tóxicos em águas, é o gênero Microcystis do qual se destacam as espécies

M. flos-aquae e M. aeruginosa. Além destas, causam frequentemente toxidez, algas do gênero

Anabaena. Destas, a principal espécie tóxica é A. flos-aquae.


Do grupo das algas azuis que predominaram nos lagos do Parque Zoológico de

São Paulo foram os gêneros Oscillatoria (49,85%) e Microcystis (49,44%) sendo que o gênero

de menor frequência foi Anabaena (0, 1O%).

O número total do grupo das algas azuis durante o período estudado foi de

335.689 org/ml (76,6%), constituindo o grupo de maior prevalência. (Tabela 5).

TABELA 5

Número total de algas azuis p/ml, nos nove pontos de coleta dos lagos A e B, do Parque Zoológico de São Paulo, março de 1976 a março
de 1977.

PONTOS DE
COLETA TOTAL
2 3 4 5 6 7 8 9
N!' %
GÊNEROS

Anabaena 13 26 143 182 0,10

Merismopedia 65 13 39 13 91 845 1.066 0,31

Microcystis 5.395 37.713 56.602 13.780 10.816 6.500 23.130 12.168 166.104 49,44

Oscillatoria 416 5.226 37.336 36.205 28.938 12.714 39.442 7.072 167.349 49,85
---
Raphidiopsis 143 312 104 104 65 39 130 52 39 988 0,30

Total 143 6.188 43.069 94.042 50.050 39.858 19.357 62.858 20.124 335.689 100,00
35

3.3.1.4 Diatomáceas.

Para este grupo de algas, observa-se um aumento relativamente grande no verão

(3.601 org/ml ou 46,44%) e outono (3.367 org/ml ou 43,45%) em relação às outras duas

estações do ano (inverno = 559 org/ml ou 7,21% e primavera = 221 org/ml ou 2,85%).

(Figura 8).

FIGURA 8 - r:Jia•.omáceas p/ml, nas estações do ano, agrupando os


nove pontos de coleta, dos lagos A e B do Parque
Zoológico de São Paulo - março de 1976 a março
N°. Total
de 1977.
de Org.
p/ml
4.000

3.000

2.000

1.000

o o <( o
z z c: I<(
o c: LU c:
1- LU > LU
:l > <( >
o !'= ~
c:
"-
36

Para o grupo das algas diatomáceas, PALMER, 19622 3 , considera de 18 a 30°C

a temperatura ótima necessária ao seu desenvolvimento.

Verifica-se que no verão as medianas das temperaturas foram: para janeiro/77

= 27° C, para fevereiro/77 = 30° C e para março/77 = 28° C, fato que deve ter concorrido
para aumentar o número destes microrganismos.

Pela classificação de PALMER, 1962 2 3 , das algas pesquisadas deste grupo, as

que produzem sabor e odor encontradas foram: Cyclotella e Stephanodiscus, que de acordo

com BRANCO e co I., 1963 6 , apresentam como interesses sanitários, os seguintes:

Cyclotella - Algumas espécies podem caracterizar águas Iim-

pas. Causam sabor e odor de gerânio ou de peixe.

Stephanodiscus - Algumas produzem odor de gerânio ou de peixe,

dependendo da quantidade em água de abasteci-

menta.

O total de algas Diatomáceas, durante um ano, nos pontos de coleta foi de

7. 748 org/ml ( 1,8% do total dos grupos estudados), sendo este o grupo de menor frequência.

(Tabela 6).

TABELA 6

Número total de organismos, Diatomáceas, p/ml, nos nove pontos de coleta, nos lagos A e B, do Parque Zoológico de São Paulo, março de
1976 a março de 1977.

PONTOS DE
COLETA
2 3 4 5 6 7 8 9 TOTAL

Gr:NEROS

26 13 13 52 0,68

Diatomácea penada 50 7 390 429 871 1.209 871 962 481 546 6.266 80,87

Stephanodiscus 507 208 143 52 78 117 182 143 1.430 18.45

Total 507 923 637 1.014 1.261 962 1.092 663 689 7.748 100,00
37

3.3.2 Zooplâncton.

"As alterações existentes nos lagos do Zoológico estão afetando também o

zooplâncton. Vivem no lago protozoários de vida I ivre, habitantes normais das águas doces e

também uma grande população de microcrustáceos". ROCHA, 1975 3 0 .

As análises qualitativas e quantitativas foram realizadas em três pontos de coleta

(6, 7 e 9) do lago B. Como ja foi exposto anteriormente, em vista da profundidade dos

outros pontos não permitir uma coleta vertical, foram feitas apenas coletas de superf(·

cie para identificação dos organismos.

A distribuição do zooplâncton durante o período sazonal estudado, pode ser

observada nas Figuras 9, 1O e 11.

Um número máximo desses organismos (p/m 3 ) apareceu no outono ( 1.676.111

org/m 3 ou 49,14%) e inverno (1.512.392 org/m 3 ou 44,34%). Na primavera o número de

organismos ficou reduzido a 23.264 org/m 3 ou O, 70%, (estação do ano de menor prevalência

no período estudado).

Admite-se que o aumento do zooplâncton se deva à diminuição de Cladóceros, o

que teria trazido como consequência uma maior quantidade de alimentos para os Náuplios,

aumentando em consequência o número de Copépodos. (CARVALHO, 1975) 13 .

No per(odo amostrado o número total de organismos por metro cúbico, foi de

3.41 0.306, conforme pode ser verificado na Tabela 7.

3.3.2.1 Copépodos.

Os microcrustáceos Copépodos cyclopoides de vida livre ocorrem nos lagos

estudados e pertencem às espécies Trococyclos prasinus e Metacyclops mendocinus, este

último encontrado por CARVALHO, 1975 1 3 , em amostras desses mesmos corpos d'água.

Encontramos nas amostras, adultos (machos e fêmeas), Copepoditos e Nauplios,

(estágio de metamorfose).

Analisando as Tabelas 8 e 9, nota-se que no mês de julho houve uma ausência de

Copépodos adultos e Copepoditos.

No ponto 9, (Tabela 10), verifica-se, também, a ausência de Nauplios e no ponto

7, um número bastante inferior ao encontrado nos três pontos durante o ano.

Esse fato mostra o intenso impacto do material poluente biodegradável sobre a


38

FIGURA 9 - O'oani"no, do zooplôncton p/m' na, enaçõe, do ano, no Ponto 6 de coleta


ademarço de 1977.
•mo"'" do lago B do P.,que ZooJó9~o de São Paulo,- maio de 1976

~
OUTONO
147,6%)

INVERNO
llllll!/1/11!11/ 144,6%)

PRIMAVERA

-
10,2%)
- VERÃO
PONTO 6
17,6%)

FIGURA 10- O,ganl•mo, do woplancton Pl m 3 , n., e"açõ., do ano, no Ponto 7 de coleb


ademarço de 1977.
amo,,., do lago B do P.,que Zoológico de São Paulo, maio de 1976

)!;::
x;

Y'
k"
~

\("'
"
o
~W'~
~
~

'~
~ - OUTONO
151,0%)

1111!/1111/11/!1 INVERNO
(45,0%)

lllllll~
PRIMAVERA
'l.l.lJ.J.Ull 10,7%)
-
PONTO 7 VERÃO
(3,4%)

FIGURA 11 - o,ganl,mo, do Woplancton p/m 3 , n., enaçõe, do •no. no POnto 9 de COleta


ademarço de 1977.
""o"'" do lago B do P.,que Zoológico de São Paulo, maio de 1976

88@ OUTONO
147,4%)

INVERNO
11111111111/111I
143,0%)

PRIMAVERA

-
11,1%)
-
PONTO 9 VERÃO
18,3%)
39

TABELA 7

3
Número total de organismos do zooplâncton (m ), em três pontos de coleta, do lago B, do Parque Zoológico de São Paulo. Maio de 1976 a Março de 1977.

ORGANISMOS
DO ZOOPLANCTON
COPEPODOS METACYCLOPS METACYCLOPS
ROTIFEROS CLADOCEROS TOTAL %
IMETACYCLOPSI ICOPEPODITOS) (NAUPLIOSI
PONTOS
DE COLETA

35.582 84.115 230.726 644.406 4.873 999.702 29,32

22.944 68.558 450.071 1.036.871 3.789 1.582.233 46,39

43.858 74.440 234.021 474.255 1.797 828.371 24,29

TOTAL 102.384 227.113 914.818 2.155.532 10.459 3.410.306 100,00

microfauna aquática. Próximo a esse ponto é colocada também a ração para as aves, o que

deve incrementar ainda mais a intensa proliferação bacteriana.

Já no mês de março de 1977 deu-se o inverso: teve-se ausência de Nauplios, nos

três pontos (Tabela 10), ausência de Copepoditos nos pontos 6 e 7 e um número muito

pequeno de organismos por metro cúbico (132) no ponto 9 (Tabela 9). Os Copépodos

aparecem também em quantidade muito pequena nos três pontos estudados nesse mês.

(Tabela 8).

Observou-se que no mês de março as algas verdes estavam na água numa

concentração relativamente baixa. O gênero Dictyosphaerium anteriormente dominante,

possivelmente deve ter servido de alimento aos animais do zooplâncton. (CARVALHO,

Nota-se que houve uma floração de Microcystis (Tabela 5). Sendo os Nauplios

organismos que vivem em superfície, necessitando de locomoção ativa (inclusive para auxiliar

na respiração) é provável que tenham morrido nos grumos formados por essus algas. *

*- Informações pessoais dadas pela Professora Dra. Maria Aparecida Juliano de Carvalho.
TABELA 8
Profund•dade da coleta em metro' e números de Copepodos, p/m 1 , nos trM pontos de coleta do lago B, do Parque Zoológico de São Paulo, maio de 1976 a março de 1977

ANOS 1 9 7 6 1 9 7 7

MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO DEZEMBRO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO TOTAL

Profun- Organis- Profun- Organis· Profun- Organis- Profun- Organis- Profun- Organis- Pmfun- Dfganis- Profun- Organ•s· Profun- Organis· Profun· Organis- Organis-

didade mos didade mos didade mos didade mos didade mos didade mos
did&de mos didade mos didade mos mos %

lml {ml) lml (ml) lml (ml) lml (ml) lml (m,) lml 1m 3 ) 3
lml (m l lml 1m 3 ) lml (ml) (mll

2,30 1.144 1,80 2.715 0,70 2,80 1.208 2,50 15.189 2,50 1.053 3,50 2.1102 1,80 11.067 2,60 304 35.582 34,75

1,40 671 1,05 1.253 1,50 2,10 1.074 2,10 9.311 2,80 2.011 3,80 1.643 3,00 6.895 3,05 86 22,944 22,41

0,80 5.639 1,20 627 ·0,90 2,00 470 2,00 21.618 2,00 4.592 3,00 10.649 1,50 2,00 263 43.858 42,64

TOTAL 7.454 4.595 2.752 46.118 7.656 15.194 17.962 653 102.364 100,00

~
o
TAIELA I
Profundidlde da cotet. (m) 1 números d• CopepoditDs, fm 1 ) 001 tris pontos de colltl Oo l.go 8 do Parque Zoológico de Slo Paulo, tn1kl de 1876 1 nwço de 1977.

ANOS 1 9 7 8 1 9 7 7 .

MESES MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO DEZEMBRO JANEIRO FEVEREIRO MARCO TOTAL

-
Profundict.de lml Profun· Org~nil· Profun· Organis· Profun· Org~nit- P,ofun- ()rglnts- Profun· Orgtnit- Profun· Orpnis· Profun- Organis· Profun· ()rglnis- Profun- Orgtnia- Orpnis·

Pontos
do Coleta
• n~~ilfOOS

\
lm I
di-

lml
mos

3
fm 1
didldt

tml
mos

1m3 )
d-

lml
mos

(m') (m)
mos

(m 3 )
di-

(ml
mos

(m,l
di-

(ml
mos

1m3 )
di-

lml
mos

1m3 )
di-

{m)
mos

(m 3 1
didlde

{m)
-
fm 1 1
"""
(m 3 )
"

2,30 1.144 1,80 6.161 0,70 2,80 2.014 2,50 80.000 2,50 147 3,50 1.266 1,80 13.363 2,80 84.115 37,06

1,40 637 1,06 10.741 1,50 2,10 827 2,10 46.426 2,80 3,80 2.076 3,00 9.149 3,05 68.558 30,18

9 0,80 9.396 1,20 1.680 0,90 2,00 168 2,00 47.388 2,00 184 3,00 10.272 1,50 5.018 2,00 132 74.440 32,77

TOTAL 11.079 18.782 2.829 162.794 331 13.636 27.530 132 227.113 100,00

~
TABELA 10
1
Prctund1d.trle dél coleTa (rn) e n1imero de Naup1L05 (m 1. nos trés pon10~ 11e coleta do layo 8 do Parque ZoológiCO de São Paulo, msio rle 1976 a março de 1977

~ =- -=---=- -=... --=:-::--=:.=-=...-====-:--= -==-·-= =.·-::: =-=- -=--:=. ·=-=-==..,-=---===~-=--=~=.-=~-==-=-=--=-=-=--=-=

ANOS 1 9 7 6 1 9 7 7

MESES MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO DEZEMBRO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO TOTAL

Profut1· Organ1$· Profun- Orgams- Profun- Organ1s· Profun- Organ1~ Profun· Organ1s· Profun· Organ•s· Profun- Orqar11S· Profun- Organ1s· Profun- OrGinis- Organ1s-
e n~ Orgarmmos
1
(m 1
d•dade d1dode mos didacle didade d•dade mos d•dade mos d1dade d•dade d1d1de mos mos

1
Pontos (rnJ (mJ) (m( (ml) lml (m l lml (ml) (ml tm 3 J 1m) (mJ) 1m) lm 1 1 lml (mJ) lml (ml) (mJJ
de Co1eta

7.]0 392:1 1.80 4.282 0,70 1.671 2,80 13.158 2.50 182.105 2,50 1.053 3,50 7 414 1,80 17.120 2.60 230.726 25.23

1.40 1.074 1,05 10.383 1,50 585 2,10 3.491 2,10 409.774 2.80 1,476 3,80 3.463 3,00 19.825 3,05 450.071 49.19

0.80 2.350 1.20 1.096 0,90 2.00 1.128 2.00 206.578 2.00 1.316 3,00 10.272 1.50 11.281 2.00 234.o21 25,58

TOTAL 7 347 15.761 7 256 17.777 798.457 3.845 21.149 48.226 914.818 100,00

~
N
43

"Os efeitos de uma floração de algas azuis sobre o zooplâncton são muito

discutidos. Enquanto Smith (1969), Smith ~~ Moyle (1945). In: Smith (1969) e Novak

(1961 ), In: Straskraba & Hrbacek (1966) notaram que a quantidade de zooplâncton diminuía

durante a floração, outros autores como Strask e Hrbacek (1969) e Manujlova (1957), In:

Straskraba & Hrbacek ( 1969), acusavam um aumento de zooplâncton em condições se-

melhantes". (CARVALHO, 1975) 1 1 .

A autora comenta que tal concentração se deve ao fato das florações serem

causadas por algas azuis de outros gêneros. No caso de Smith ( 1969) e Smith [J Moyle ( 1945),

tratava-se de floração por Anabaena, enquanto, que para Straskraba & Hrbacek ( 1966), foi

ocasionada por Aphanizomenon e Microcystis. Citados por CARVALHO, 1975 1 -'.

Diante deste fato, não se pode afirmar com segurança a hipótese levantada

anteriormente, com relação à morte dos Naupl i os presos em grandes massas de Microcystis.

3.3.2.2 Cladóceros.

Este grupo de microcrustãceos não foi muito frequente no período estudado.

Apenas ocorreram em número um pouco mais elevado nos meses de janeiro (3.143 org/m 3 ),

fevereiro (5.176 org/m-') de 1977. (Tabela 11) correspondentes ao verão.

Segundo PENNAK, 1953 2 t>, no começo da primavera relativamente poucos

Cladóceros são encontrados em lagos e represas. Tais populações podem ser constituídas de

fêmeas ou de ovos que sobreviveram no outono. Poucos indivíduos podem ser encontrados

nos meses de verão e no outono, podendo ou não haver tendência a uma segunda população.

Durante o inverno a população é invariavelmente baixa, com pequena ou nenhuma reprodu·

ção. Assim, justifica-se a presença desses organismos nos meses de verão do período estudado.

3.3.2.3 Rotíferos.

Esses vermes constituem, juntamente com os microcrustáceos, uma das bases do

plâncton, formando elo importante na cadeia de alimentação, principalmente para certas

espécies de peixes. No ponto 7 (Tabela 12), esses vermes ocorreram em concentração cerca

de duas vezes maior do que nos outros pontos. Talvez pela abundância de alimentos já

relatada no item anterior.


TABELA 11

Profundidade da coleta (ml e número de Oadoceros (m 3 l. nos três pontos de coleta do lago 8 do Parque Zoológico de Sio Paulo, maio de 1976 a março de 1977

ANOS 1 9 7 6 1 9 7 7

MESES MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO DEZEMBRO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO TOTAL

Profundidade (m) Profun· Organis- Profun· Organis· Profun- Organis· Profun- Organis· Profun· Organis- Profun· Organis· Profun· Organis- Profun- Organis- Profun- Organis· ~is-
e n~ Organismos
fm 3 )
didade didade mos didade mos didade mos didade mos didade mos dict.de mos didade mos didade mos mos

3 3 3 3
Pontos (m) (m ) (m) 1m } (m) (ml) (m) 1m ) lml 1m ) (m) (ml) lml (ml) (m) (ml) (m) (ml) (mll
de Coleta

2,30 1,80 522 0,70 2,80 2,50 2,50 3,50 2.684 1,80 1.667 2,60 4.873 48,59

1,40 235 1,05 716 1,50 2,10 89 2,10 2,80 273 3,80 29 3,00 2.509 3,05 173 4.024 38,47

0,80 1,20 0,90 2,00 2,00 2,00 3,00 430 1,50 1.000 2,CO 132 1.582 14,94

TOTAL 235' 1.238 88 273 3.143 5.176 305 10.459 100,00

~
~
T A B E L A 1 z

Profundtdlde dl coletli lml e núm.ro de Aotfferos 1m 3 ) nos trh pontos de coletl do I~ 8 do Parque Zool6gk:o dl Sio Paulo - m1lo de 1978 1 ~ de 1877.

A N O S

M E S E S MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO DEZEMBRO JANEIRO FEVEREIRO MARÇO TOTAL

Pr'ofundtdade lml Pfofun- Orttn;. Profun- OrQ~Jnit- Profun- Orpnis- Protun- orvon~o- Profun- OopniJ. Profun- Orpnit- Profun- Orpnts- Profun- Organis- P!ofun- ~~~- O..t~nts-

PONTOS~e n°.de0rg.lm 3 ) ...... d- ......


DE COLETA
dict.dl

lml
mos
(m,)
dK!odo

lml
"""
1m' I
d;dodo

(m)
mos
(m')
d-
(m)
"""
1m3 )
d;dodo

(m) 1m3 )
dklode

(ml
"""
1m' I (m) lm 1 )
d-

lml
mos
1m' I
dódode

tml
mos

1m 3 )
mos
(m1 1
"
2,30 2.370 1,80 453.216 0,70 4.596 2,80 80.866 2,50 106.283 2.50 171 3,50 3.436 1.80 14.196 2,80 304 &M.408 29,89

1,40 1.074 1,06 780.701 1,50 1.169 2,10 35.088 2,10 203.007 2,80 7.791 3,80 2.669 3.00 5.386 3,06 86 1.038.871 48,11

0,80 1.1145 1,20 370.814 0.110 - 2,00 20.132 2,00 68.211 2,00 3.187 3.00 9.849 1,50 8.018 2,00 789 474.265 22,00

TOTAL 5.088 1.804.531 5.784 116.075 3117.481 11.168 15.854 29.800 1.179 2.155.532 100,00

~
(11
46

3.3.3 Organismos bentônicos.

Foi observado recentemente, que estes organismos, no fundo, vivem apenas a

alguns centímetros da parte superior da camada de lôdo depositada. (COLEMAN e col.,

1970) 14 .

Os macroinvertebrados bentônicos são frequentemente utilizados para avaliar

as condições de corpos de água que recebem cargas poluidoras. "Os organismos do fundo são

particularmente adequados para tais estudos porque sua motilidade relativamente baixa não

permite que fujam das sustâncias nocivas que entram no ambiente". (WI LHM & DOR RIS,

1968) 36 .

Segundo Gauffin & Tarzwell (1968) citados por Wl LHM & DOR RIS, 1968 36 , as

associações de organismos bentônicos, oferecem critérios de maior confiabilidade com respei-

to ao aumento de matéria orgânica do que a simples ocorrência de espécies indicadoras. Entre-

tanto, estas análises geralmente envolvem longas descrições de associações.

Foi verificado por ROCHA, 1975 3 0 , que a demanda bentônica de oxigênio, nos

lagos do Zoológico, é bastante elevada. Em média são consumidos 3,58 gramas de oxigênio

por dia no lôdo do fundo.

No ponto 6 do lago B, observou-se que, em profundidade, o teor de oxigênio

dissolvido é nulo (Tabela 2).

ROCHA, 1975 3 0 , analisando amostras desse mesmo lago, notou que a demanda

bioquímica de oxigênio em profundidade junto ao lôdo, era de 20 mg/1 e que o oxigênio

dissolvido estava ausente.

Bodenheimer ( 1965), Janasson ( 1965), Pearson e cal. ( 1968), citados por RO-

CHA, 1976 3 1 , bem como ODUM, 1971 2 1 , observaram que ambientes aquáticos pobres em

material orgânico e de reduzida flora fitoplanctônica apresentam baixos números de macro-

invertebrados bentônicos. De fato, os lagos do Parque Zoológico são ricos em matéria orgâ-

nica; possuem flora fitoplanctônica abundante (floração) e um número elevado de macroin-

vertebrados bentônicos, em certos pontos de coleta.

Na Tabela 13, observa-se que o número total de organismos bentônicos, nos

nove pontos de coleta, no período estudado foi de 493.837 org/m 2 e os organismos mais

frequentes foram os Tubificídeos (95,87%).

Estudos de ROCHA, 1976 3 1 , na Represa do Guarapiranga, mostraram que o

número de organismos bentônicos foi bem maior no inverno. Analisando a Figura 12, verifica-
TABELA 13

Número total de organismos bentônicos, p/ m 2 , nas estações do ano, nos nove pontos de coleta, dos lagos A e B do Parque Zoológico de São
Paulo, março de 1976 a março de 1977.

Número total de
PONTOS DE COLETA

Organismos
2 3 4 5 6 7 8 9 TOTAL %
Bentônicos

Tubificídeos 1.211 2.964 104.516 11.126 3.247 1.982 - 308.656 39.741 473.443 95,87
--
Hirudíneos - - 172 173 - - - 8.398 607 9.350 1,89

Ouironom ídeos 1.254 - 303 43 - - - 1.549 - 3.149 0,64

Caoborídeos 563 3.074 303 130 130 34 34 - - 4.268 0,86

Pu pa-Caobor í deos 476 1.818 - - - 303 823 - - 3.420 0,69

Hemiptera (ninfa) - - - - - - - 34 - 34 0,01

Nematoda - - - - - - 173 - 173 0,04

--
~
.......
Total 3.504 7.856 105.294 11.472 3.377 2.319 857 318.810 40.348 493.837 100,00
48

FIGURA 12 - Organismos bentônicos p/mc, nas estações do ano,


agrupando os nove pontos de coleta dos lagos A e B
do Parque Zoológico de São Paulo - março de 1976
N°. Total
de Org. a março de 1977.
p/m2

250.000

200.000

150.000

100.000

50.000

o o c:r: o
z z a: :<r:
o;- a: w a:
w > w
::J > c:r: >
o z ~
a:
0..
49

se que nos lagos do Zoológico, o aumento aconteceu no verão (240.821 org/m 2 ou 49, 12%)

talvez graças ao elevado número de Tubificídeos que ocorreram durante todo o período

sazonal estudado.

Segundo Kreis ( 1966), citado por ROCHA, 1972 2 9 , os organismos indicadores

de poluição orgânica podem ser agrupados em:

TOLERANTES À POLUIÇÃO INTENSA

- Representados por, Tubificldeos, Ouironomideos, Planorbídeos

e Glossifonídeos;

TOLERANTES À POLUIÇÃO MODERADA

- Representados por, Caoborldeos, Ancil ídeos e Bivalvas;


DE AGUAS LIMPAS

- Representados por, larvas de Odonatas e Coleopteros.

A fauna bentônica nesse ecossistema é representada como é a seguir descrito:

3.3.3.1 Anelídeos: Hirudíneos e Tubificídeos.

3.3.3.1.1 Hirudíneos.

No Brasil, os Hirudíneos (sanguessugas da família Glossiphonidae) são ainda

pouco estudados. (NONATTO, 1964) 2 0 .

A Tabela 14 mostra os resultados obtidos para esta família, onde verifica-se

que, no período estudado a ocorrência se deu no ponto 8. Nesse ponto foram também

encontrados 33 conchas de Planorbídeos e 308.656 Tubificídeos por metro quadrado. "Os

Hirudíneos têm os moluscos como elemento preferido em sua alimentação e parece não terem

muito significado como indicadores de águas poluídas por matéria orgânica os representantes

do gênero Helobdella". *
Provavelmente devido ao pequeno número de moluscos ali existentes, os

sanguessugas passaram a se alimentar dos Tubificídeos, o que justifica a sua frequente presen-

ça naquela região do lago.

*- Informações verbais da Professora Ora. Erika Schlenz.


TAM.LA. 14

A'*fdeos: Hirudl'*- 1 Tubificldlol., plm 1 , no. l'IOWI pontot de eoie'tll, lb legos A 1 8, do hrqu~ Zool6gic:o • Slo Pluio, ~ • 117'1 1 ~ • 1177.

ANOS 1 e 1 e 1. 7 7

MESES MARÇO ABRIL MAIO JUNHO .ULHO AGOSTO SElE MIRO DEZEMBRO .IAHI!IRO FEVEMIIItO IIAJtÇO

~de Or91fliltr'IOI CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE CLAaE CLAaE ,..... ca..-- · HIRUDIHIA ~ • OLIGOOUETA

(m2)
01.100
...., HIAU OLIGO H!RU OUGO H!RU OLIGO HIRU OUGO HIRU O LIGO HIAU OLIGO HIAU OLIGO HIRU Ot.IGO HIIIU 01.100
"'"" HIRU 01.100

dllcoletl OINEA OUETA OINEA ÔUETA DINEA OUETA DINEA OUETA OINEA OUETA DINEA OUETA OlhE A OUETA OINEA OUETA ..... OUETA ...... OUETA DINEA OUETA
TOTAL
" TOTAL
"
., ., - ....
...
43 130 303 43 - 1.211
130
"' 303

22 1.385
" 1.<1112 173 .. - - ~ ....
., ., ,., - .. 104.111 ....
"
..
3.03() 9.091 43 2. . . 1.421 17 172 1,14
" 88.074

130 2.771 1.030 1.... 4.719


"' 210 .. 173 173 1. l1.1JI ....
2.771 43 43 B7 - 303 - ...., ....
.. 173 ,.,. 1.386 43 - ., .. 1. . .....
-
- ....
7 -

218
"
1.o30
" 18.831
"' 14.675
'" 13.333 87 3 . .., ... 12.381 87 18.5211 ., "'- U72 ,...., ..... ...... La ....
87 2.587 300 21.421 130 15.456
" 43
" - - ., 807 .... ••741 ....
TOTAL ... ..... 470 33.D31 211
"""'" 210 11.1t7 ... 18.131 130 3.722 ... 13.333 B7 ....., 130 17.117 1.472 117.273 ... ...,. ..... 100.1111 .,.,... 100.1111

(11
o
51

3.3.3.1.2 Tubificídeos.

Nos lagos do Zoológico, a maior parcela de oxigênio dissolvido (00) na água de

superfície, corresponde à produzida pelo fitoplâncton, pois praticamente não existe reaera-

ção naqueles corpos d'água. As concentrações de oxigênio dissolvido de superfície nos pontos

pesquisados ficaram entre a mínima de 5,84 mg/1 e a máxima de 16,00 mg/1, característica de

super-saturação, mas entretanto, como foi observado anteriormente (no ponto 6 em profun-

didade) a concentração de oxigênio dissolvido foi nula.

Embora os vermes Tubificídeos sejam resistentes a ambientes que apresentam

baixo teor de oxigênio, conforme estudos e pesquisas de Lendeman (1942), Gaufin e col.

(1952:57), Gaufin (1958) e Hawkes (1963) citados por ROCHA, 1976 31 , não suportam

ambientes de anaerobiose.

Admite-se que a ausência dos animais no ponto 7 (Tabela 14), tenha ocorrido

devido a ausência de oxigênio no ambiente. Este ponto estava bastante próximo do ponto

6 (Figura 1 ), onde foi coletada amostras em profundidade, para pesquisa de Oxigênio Dissol-

vido. Conforme mostra a Tabela 2, houve ausência de oxigênio nesse ponto. Verifica-se

também que a profundidade no ponto 7, na maioria das vezes, é superior à do ponto 6.

No ponto 8 (Tabela 14), entretanto, a população de Tubificídeos foi mais eleva-

da. Considera-se como fator desse aumento populacional, além de outros, as características

físicas do lago nessa região, que se apresenta com baía pronunciada e com muito pouca

profundidade, chegando à máxima de 0,80m. Consequentemente há um grande depósito de

matéria orgânica, facilitando, assim, a obtenção de alimentos para esses sêres que aí prolife-

ram. Em compensação, há uma queda no teor de oxigênio dissolvido, prejudicando os orga-

nismos menos tolerantes às baixas taxas de oxigênio. (ROCHA, 1972 2 9 ).

Foi observado que os vermes Oligoquetos em águas densamente poluídas consti·

tuem excelentes reservas alimentares para peixe. (LELLÃK 1966 18 , citado por ROCHA,

1972) 29 .

3.3.3.2 Dípteros: Quironomídeos e Caoborídeos.

Até a realização do simpósio sobre organismos aquáticos no Brasil, em 1963,

foram estudadas apenas quatorze famílias de Dípteros aquáticos.

As fases aquáticas dos representantes da família Quironomidae têm sido objeto

de cuidadosa investigação por parte de alguns estudiosos. (PAPAVERO, 1964) 2 5 •


52

Os representantes da família dos Caoborídeos apresentam sua densidade máxima,

no mês de março de 1977 (2.969 org/m 2 ). Apareceram também nos lagos no mês de março

de 1976 ( 1.126 org/m 2 ) , estando ausentes durante todos os outros meses do período pesquis-

sado. Isso se deva talvez ao fato de estes organismos não serem tolerantes à poluição intensa,

conforme foi descrito anteriormente.

As larvas de Ouironomídeos foram representadas nos pontos de coleta por duas

sub-famílias: Tanipodinae e Ouironominae.

Devido a ocorrência muito pequena, ou quase nula, destes representantes

nos pontos estudados merece destaque apenas o ponto 8, onde a densidade numérica

foi mais elevada (1.549 org/m 2 ) durante o período estudado (Tabela 13).

Conforme estudos de STR IXI NO, 1973 3 4 , foi verificado que as condições

ambientais externas e da água, estão correlacionadas com a diminuição da densidade numérica

dos Ouironomídeos, pois nos meses de agôsto e setembro (quando a temperatura da água

baixou consideravelmente - Tabela 1 e Figura 3) estas larvas estiveram ausentes do lago.


53

4 CONCLUSÕES.
54

4 C O N C L U S Õ E S.

a) - Os lagos da Fundação Parque Zoológico de São Paulo estão recebendo uma

alta carga orgânica poluente. A matéria orgânica alóctone representa uma parcela considerável

na demanda bioquímica de oxigênio. Por outro lado, a autóctone é também elevada tendo

em vista o assoreamento e os organismos aquáticos e semi-aquáticos que vivem nessas peque-

nas represas artificiais.

b) - A biodegradação é intensa, levando à constante mineralização das águas.

c) - Devido o grande número de organismos fotossintetizantes, ocorreram flora·

ções de algas, especialmente das algas azuis. A floração das algas foi um dos fatores que

ocasionou dificuldade na penetração de luz nos estratos inferiores dos lagos, contribuindo

para impedir o desenvolvimento dos organismos fitoplanctontes, que vivem a alguns

centímetros da superfície.

d) - Os lagos apresentam zonas de intensa degradação e decomposição ativa. O

desequilíbrio ecológico resultante desse processo está levando a uma redução qualitativa e

quantitativa do zooplâncton.

e) - A maioria das algas e organismos encontrados no fundo, é indicadora de

poluição das águas com matéria orgânica.

f) - A quase total ausência de oxigênio dissolvido, no fundo do lago, deve contr1

buir para determinar a relativa redução dos macroinvertebrados bentônicos.

g) - No período de inverno houve um aumento dos flagelados colorofilados nos

lagos: Este fenômeno pode estar relacionado ao aumento da matéria orgânica advinda das

aves migradoras.

h) - No outono, o aumento das algas verdes, azuis e diatomáceas, pode estar

ocorrendo pelas condições ótimas de temperatura, além de outros fatores adequados à

multiplicação dessas algas.

i) - Durante o outono ocorreu o aumento do zooplâncton. Isso deve estar relacio·

nado com a diminuição da densidade numérica do gênero Microcystis.


55

5 RECOMENDAÇÕES
56

5 RECOMENDAÇOES.

Em vista da ecologia dos lagos constituir ecossistema que abriga muitas espécies

de animais e vegetais; dadas suas finalidades recreacionais e paisagísticas; em virtude de seu

aspecto econômico, por produzir pescado necessário à alimentação de vários animais

expostos no Parque Zoológico e também por apresentarem risco sanitário em potencial às

pessoas, recomenda-se :

que se proceda, no Parque Zoológico, à construção do projetado interceptar

de esgotos, de modo que os esgotos domésticos e os excrementos dos recintos dos animais

não atinjam os lagos ;

que o efluente do emissário de esgotos seja tratado por processo biológico

e lançado, finalmente, no lago do Instituto de Botânica, uma vez que esse lago encontra-se

em melhores condições de autodepuração que os lagos do Parque Zoológico.

que após a construção do emissário transportador dos esgotos, seja feita

uma dragagem para remoção do lôdo do fundo, diminuindo, assim, a camada de decomposi-

ção anaeróbia.
57

6 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
58

6 REFER!:NCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

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8 BRANCO, S. M. Hidrobiologia aplicada a engenharia sanitária. São Paulo, Secretaria

dos Serviços e Obras Públicas. Fomento Estadual de Saneamento Básico e Centro

Tecnológico de Saneamento Básico, 1971. 3v.

9 BRANCO, S. M. Poluição: a morte de nossos rios. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico,

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59

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