Introdução À Linguagem Lógica: Professor Marcelo Roseira
Introdução À Linguagem Lógica: Professor Marcelo Roseira
Você vai aprender os princípios lógicos, estruturas e tabelas-verdade, equivalência lógica, leis do
pensamento aristotélico e relações entre proposições. Também verá exemplos de operações de conjuntos
e a conexão entre lógica e as operações básicas.
Professor Marcelo Roseira
1. Itens iniciais
Propósito
A lógica tem aplicação direta em campos como ciência da computação, filosofia, matemática, direito e
ciências sociais, capacitando os alunos a tomar decisões fundamentadas e identificar falácias. Ter uma
compreensão sólida dos princípios lógicos e estruturas fundamentais para analisar, avaliar e construir
argumentos de forma racional é de extrema importância para o desenvolvimento de habilidades de
pensamento crítico.
Objetivos
• Identificar os princípios lógicos que regem o pensamento humano e investigar a importância do
princípio da não contradição, bem como o princípio da identidade.
• Formular as principais estruturas lógicas e suas tabelas-verdade e conhecer as propriedades da
conjunção, disjunção, condicional e bicondicional.
• Identificar as principais regras de equivalência lógica.
• Reconhecer as implicações lógicas entre proposições, incluindo implicações, equivalências, tautologias
e contradições.
Introdução
A lógica permeia diversas áreas do conhecimento e está presente em nosso cotidiano de maneira mais
profunda do que imaginamos. Vamos explorar os fundamentos dessa ciência, que nos permite analisar, avaliar
e construir argumentos de forma racional.
Abordaremos os princípios lógicos que regem o pensamento humano, investigando a importância do princípio
da não contradição (uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo) e da identidade, que
nos permitem desenvolver um pensamento mais claro e coerente.
A equivalência lógica nos permite simplificar e transformar expressões lógicas sem alterar seu significado.
Veremos suas principais regras, como a lei da dupla negação e a regra de Morgan, e aprenderemos a aplicá-
las na simplificação de argumentos complexos.
Utilizaremos exemplos de linguagem lógica simbólica e nossa linguagem corrente. Você verá que a lógica
pode ser uma ferramenta poderosa para analisar e resolver problemas complexos, além de desenvolver
habilidades de pensamento crítico, valiosas em sua carreira profissional.
A lógica está presente em todos os aspectos da vida. Aqui você será capaz de compreender seus princípios
básicos e introdutórios à linguagem e aplicá-la de maneira eficaz.
1. Introdução aos princípios lógicos
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A lógica permeia diversas áreas do conhecimento, desde a filosofia e a matemática até a ciência da
computação e a linguística. Ela nos permite analisar argumentos de forma sistemática, identificar falhas de
raciocínio e construir pensamentos coerentes. Ao dominar seus conceitos básicos, desenvolvemos
habilidades essenciais, como o pensamento crítico, a capacidade de avaliar informações e resolver problemas.
O pensamento lógico também ajuda a analisar e compreender estruturas e relações entre as proposições. Por
meio dos conectivos e estruturas lógicas (como a negação, a conjunção, a disjunção, a disjunção exclusiva, a
condicional e a bicondicional), podemos combinar proposições simples e criar proposições compostas.
A lógica nos possibilita distinguir entre argumentos válidos, ou seja, aqueles cujas conclusões são logicamente
inferidas a partir de suas premissas, e argumentos inválidos, que contêm falhas lógicas. Ao compreender as
leis do pensamento e os princípios lógicos, somos capazes de avaliar a validade de um argumento e identificar
possíveis erros de raciocínio.
Dica
A construção e interpretação de tabelas-verdade nos permite determinar os valores lógicos dessas
proposições compostas em diferentes cenários. Isso é particularmente importante em áreas como a
matemática e a ciência da computação, em que a lógica é usada para estabelecer as bases do raciocínio
dedutivo e da programação.
Além de sua aplicação direta em várias disciplinas, a lógica também promove o pensamento crítico e a
argumentação, auxiliando na tomada de decisão; ensina a formular perguntas claras, a examinar evidências de
forma imparcial e avaliar argumentos com base em critérios objetivos. A habilidade de pensar logicamente nos
capacita a tomar decisões e a evitar falácias e vieses cognitivos que podem levar a conclusões equivocadas.
Na filosofia, a lógica desempenha papel fundamental na análise e avaliação dos argumentos, permitindo
identificar os válidos e inválidos, examinando a estrutura lógica subjacente. Além disso, a lógica nos ajuda a
evitar falácias comuns e construir argumentos mais sólidos e convincentes.
Matemática
É essencial para o raciocínio dedutivo e a demonstração de teoremas. Os conceitos de verdade e
falsidade são cruciais para a construção de provas lógicas e a resolução de problemas matemáticos.
Por meio da lógica, estabelecemos uma base sólida para a compreensão das estruturas e relações
matemáticas.
Ciência da computação
É amplamente utilizada na programação e no design de algoritmos. Os conectivos lógicos (como a
negação, conjunção, disjunção, condicional e bicondicional) permitem a construção de expressões
lógicas complexas. Por meio das tabelas-verdade, podemos determinar os valores lógicos dessas
expressões e garantir o correto funcionamento dos programas.
Linguística
Aplicada no estudo da semântica e da análise de argumentos linguísticos, ajudando a identificar
ambiguidades e contradições na linguagem, permitindo uma análise mais precisa da estrutura e do
significado das sentenças.
O estudo dos conceitos básicos da lógica (como proposições lógicas, princípio da não contradição, princípio
do terceiro-excluído, sentenças abertas, verdade e falsidade) é fundamental para o desenvolvimento do
pensamento crítico e racional.
Resumindo
Os conceitos básicos da lógica são a base para a construção de argumentos sólidos, resolução de
problemas complexos e tomada de decisões. Ao dominar esses fundamentos, estamos preparados para
explorar os aspectos mais avançados da lógica e suas aplicações em diferentes áreas do conhecimento.
A lógica é essencial para a compreensão do raciocínio e da estrutura dos argumentos. Para adentrar nesse
campo, é fundamental familiarizar-se com alguns conceitos básicos que servem como alicerce para a lógica e
suas aplicações.
Proposição lógica
Frase declarativa que pode ser classificada como verdadeira ou falsa. É importante ressaltar que nem todas as
frases se enquadram nessa categoria.
Frases como "Que dia maravilhoso!" não podem Frases como "Feche a porta!" não são
ser consideradas proposições lógicas, pois não proposições lógicas, pois não expressam uma
têm valor lógico definitivo. afirmação que pode ser verdadeira ou falsa.
Frases interrogativas
Uma proposição lógica é uma frase declarativa, uma afirmação que pode ser categorizada como verdadeira ou
falsa. Deve ser formulada de maneira clara e inequívoca, permitindo a determinação de seu valor lógico.
Exemplo
"O sol nasce no leste" é uma proposição lógica verdadeira. "Os pássaros cantam todas as manhãs" é
uma proposição lógica falsa.
Notação
Para reforçar a representação das proposições lógicas verdadeiras e falsas, podemos utilizar as letras V
(verdadeiro) e F (falso) para atribuir valores de verdade a elas. Essa convenção permite uma representação
clara e padronizada dos valores lógicos das proposições.
Ao analisar uma proposição, podemos atribuir o valor V quando ela é verdadeira e o valor F quando é falsa,
facilitando a compreensão e a avaliação das afirmações lógicas. Essa representação é especialmente útil ao
trabalhar com tabelas-verdade, em que as diferentes combinações de valores V e F para proposições e
conectivos lógicos podem ser exploradas para determinar resultados lógicos de expressões mais complexas.
Curiosidade
Alguns autores utilizam a representação numérica, usando "1" para representar verdadeiro e "0" para
representar falso. Essa notação é comumente empregada em contextos em que a lógica é aplicada em
sistemas digitais, como a lógica booleana e a programação de computadores.
A representação numérica da notação, usando "1" e "0", tem a vantagem de ser facilmente mapeada para
conceitos de verdadeiro e falso, sendo especialmente útil em circuitos digitais, nos quais os valores lógicos
são representados eletronicamente. Além disso, essa notação se alinha à representação binária, utilizada em
sistemas computacionais.
Tanto a representação com "V" e "F" quanto a representação com "1" e "0" são formas válidas e
amplamente utilizadas para atribuir valores de verdade às proposições lógicas. A escolha entre
essas convenções depende do contexto e da preferência do autor ou da área de estudo.
Portanto, ao estudar lógica, é importante estar ciente das diferentes formas de representação dos valores de
verdade e adaptar-se ao padrão utilizado na fonte consultada ou definido no curso em questão. Deve-se
compreender a relação entre os símbolos adotados e os conceitos de verdadeiro e falso.
Sentença aberta
Além das proposições, outro conceito importante é o de sentença aberta. Estrutura com variáveis não pode
ser classificada como verdadeira ou falsa até que valores específicos sejam atribuídos a elas.
Exemplo
A sentença aberta "x + 2 = 5" só pode ser avaliada como verdadeira ou falsa quando um valor é atribuído
à variável x. Se x = 3, a sentença se torna verdadeira, mas se x = 4, a sentença se torna falsa.
Verdade x Falsidade
Os conceitos de verdade e falsidade estão intrinsecamente relacionados às proposições lógicas. Uma
proposição é considerada verdadeira se está em conformidade com os fatos e a realidade, e falsa se entra em
contradição com eles. Determinar a verdade ou falsidade de uma proposição é aspecto crucial da análise
lógica.
Além desses conceitos básicos, há outros termos relevantes na lógica, como premissa, conclusão, conectivos
lógicos e tabelas-verdade.
A lógica facilita a análise do raciocínio e a tomada de decisões, e nos capacita para distinguir entre
informações válidas e falaciosas, tomar decisões embasadas em fundamentos sólidos, identificar erros de
raciocínio e contradições, permitindo uma análise crítica mais precisa.
Resumindo
A introdução à lógica é fundamental para uma compreensão profunda das estruturas do pensamento e
da argumentação. Ela nos permite analisar, avaliar e construir argumentos de forma racional,
desenvolvendo habilidades de pensamento crítico cruciais em diversas áreas do conhecimento.
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As leis do pensamento aristotélico são fundamentais para a lógica clássica, e têm influência significativa na
forma como entendemos o raciocínio e a validade dos argumentos. Essas leis, formuladas por Aristóteles, são
compostas por 3 princípios que fornecem a base para construção de argumentos lógicos e análise rigorosa de
proposições. Conheça esses princípios!
Princípio da identidade
Afirma que uma coisa é idêntica a si mesma. Em termos lógicos, uma proposição é verdadeira se, e
somente se, ela se refere a algo verdadeiro. Por exemplo, se afirmarmos "O céu é azul", essa
afirmação será verdadeira apenas se o céu for, de fato, azul. Esse princípio é intuitivo e serve como
base para a consistência do raciocínio. Sem ele, seria impossível estabelecer qualquer forma de
comunicação lógica, pois não poderíamos confiar na validade das afirmações.
Afirma que uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, no mesmo sentido e no
mesmo contexto. Algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Esse princípio, essencial para a
coerência lógica e a consistência do pensamento, nos permite identificar contradições e
inconsistências nos argumentos e descartá-los como inválidos. Exemplo: É logicamente impossível
afirmar que "Um gato é um cão" e que "Um gato não é um cão", pois são proposições verdadeiras ao
mesmo tempo.
Estabelece que uma proposição só pode ser verdadeira ou falsa, não havendo uma terceira opção.
Não pode haver meio-termo entre verdadeiro e falso. Esse princípio é crucial para determinar valores
de verdade das proposições e permite a tomada de decisões lógicas com base na exclusão de
opções inviáveis, essencial para análise e construção de argumentos lógicos válidos. Exemplo: "A
água está quente ou não está quente", pois não há uma terceira possibilidade além de estar quente ou
não.
A importância dessas leis do pensamento aristotélico está na sua aplicação generalizada em diversas áreas do
conhecimento. Elas fornecem um alicerce sólido para o raciocínio lógico, permitindo análise crítica e avaliação
de argumentos.
Os princípios das leis do pensamento aristotélico são usados não apenas na filosofia e na lógica
formal, mas também na matemática, na ciência, no direito e em outras disciplinas. Eles nos
capacitam a reconhecer argumentos válidos e não válidos, identificar falácias e contradições, e
estabelecer um padrão de pensamento consistente e confiável.
As leis do pensamento também têm implicações práticas no dia a dia. Ao aplicá-las, podemos evitar
inconsistências em nossas afirmações, promover a coerência em nossos argumentos e tomar decisões mais
fundamentadas.
Resumindo
As leis do pensamento aristotélico, representadas pelos princípios da identidade, da não contradição e
do terceiro excluído são fundamentais para a lógica e a razão. Elas fornecem as bases para a validade
dos argumentos, a consistência do pensamento e a tomada de decisões informadas. Ao compreender e
aplicar esses princípios, somos capazes de desenvolver habilidades de pensamento crítico e analítico
essenciais para diversas áreas do conhecimento e para a busca da verdade.
Verificando o aprendizado
Questão 1
II. "Dizer que uma proposição lógica é verdadeira e falsa ao mesmo tempo é sempre falso." Essa afirmação
está de acordo com o princípio da não contradição, segundo o qual uma proposição não pode ser
verdadeira e falsa simultaneamente. Portanto, a afirmação II também é correta.
Questão 2
Considere a sentença aberta S(x): "x é um número primo maior do que 10". Determine se as seguintes
afirmações são verdadeiras ou falsas:
I. S(7) é verdadeira.
II. S(12) é falsa.
III. Existe um valor de x para o qual S(x) é verdadeira.
I. S(7) é verdadeira. Essa afirmação diz que 7 é um número primo maior do que 10. No entanto, 7 não é
maior do que 10, portanto, a proposição I é falsa.
II. S(12) é falsa. Essa afirmação diz que 12 é um número primo maior do que 10. No entanto, 12 não é um
número primo, pois é divisível por 2, 3, 4, 6 e 12. Portanto, a proposição II é verdadeira.
III. Existe um valor de x para o qual S(x) é verdadeira. A sentença aberta S(x) afirma que existe um número
primo maior do que 10. De fato, existem números primos maiores do que 10, como 11, 13, 17, 19 etc.
Portanto, a proposição III é verdadeira.
2. Principais estruturas lógicas e tabelas-verdade
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Agora vamos abordar as principais estruturas lógicas básicas e suas tabelas-verdade. Uma tabela-verdade
mostra possíveis combinações de valores lógicos para as proposições envolvidas. Vamos explorar os
conectivos lógicos fundamentais, incluindo a negação, conjunção, disjunção, e as estruturas condicional e
bicondicional.
Negação (~)
Conectivo que inverte o valor lógico de uma proposição. Se uma proposição p é verdadeira (V), a negação de
p (~p) ou (Øp) será falsa (F), e vice-versa.
P ~P
V F
F V
Exemplo: Se p representa "O Sol é amarelo", a negação de p (~p) seria "O Sol não é amarelo". Ou “Não é
verdade que o Sol é amarelo”. Ou “É falso que o Sol é amarelo”.
Conjunção (∧)
Conectivo que une duas proposições e resulta em uma nova, sendo essa terceira proposição verdadeira
apenas quando as anteriores também são. Em linguagem corrente, o sentido dessa nova estrutura é dado pelo
conectivo “e”, cuja lógica correspondente na linguagem simbólica é do conectivo (∧). Veja a tabela-verdade
para conjunção (∧) a seguir.
p q p∧q
V V V
V F F
F V F
F F F
Exemplo 1: A proposição "Maria estuda matemática" pode ser representada por p. A proposição "Pedro estuda
física" pode ser representada por q. A conjunção das duas proposições seria "Maria estuda matemática e
Pedro estuda física", representada por p ∧ q.
Exemplo 2: A proposição "O Sol está brilhando" pode ser representada por p. A proposição "O céu está claro"
pode ser representada por q. A conjunção das duas proposições seria “O Sol está brilhando e o céu está
claro”, representada por p ∧ q.
Disjunção (∨)
Conectivo que une duas proposições e resulta em uma nova, sendo verdadeira quando pelo menos uma delas
for verdadeira. Em linguagem corrente, o sentido dessa nova estrutura é dado pelo conectivo “ou”, cuja lógica
correspondente na linguagem simbólica é do conectivo (∨). Veja a tabela-verdade para disjunção (∨) a seguir.
p q p∨q
V V V
V F V
F V V
F F F
Tabela-verdade - Disjunção
Professor Marcelo Roseira
Exemplo 1: A proposição "Hoje é segunda-feira" pode ser representada por p. A proposição "Hoje é sexta-
feira" pode ser representada por q. A disjunção das duas proposições seria "Hoje é segunda-feira ou sexta-
feira", representada por p ∨ q.
Exemplo 2: A proposição "João gosta de futebol" pode ser representada por p. A proposição "Maria gosta de
basquete" pode ser representada por q. A disjunção das duas proposições seria "João gosta de futebol ou
Maria gosta de basquete", representada por p ∨ q.
Exemplo 1: A proposição "O carro é vermelho" pode ser representada por p. A proposição "O carro é azul"
pode ser representada por q. A disjunção excludente das duas proposições seria "O carro é vermelho ou azul,
mas não ambos", representada por p ⨁ q. Alternativamente, poderíamos utilizar a forma “Ou o carro é
vermelho, ou o carro é azul”.
Exemplo 2: A proposição "Hoje é sábado" pode ser representada por p. A proposição "Hoje é domingo" pode
ser representada por q. A disjunção excludente das duas proposições seria "Hoje é sábado ou domingo, mas
não ambos", representada por p ⨁ q. Alternativamente, poderíamos utilizar a forma “Ou hoje é sábado, ou
hoje é domingo”.
Condicional (→)
Relaciona duas proposições, estabelecendo uma implicação lógica entre elas. A proposição p → q afirma que,
se p for verdadeira, então q também será. Na estrutura condicional, chamamos p de antecedente e q de
consequente da estrutura condicional, respectivamente. Temos quatro formas distintas de verbalizar a relação
entre p e q. Vejamos!
p implica em q
se p, então q (mais usada)
p q p→q
V V V
V F F
F V V
F F V
Exemplo 1: A proposição "Se está chovendo, então a rua está molhada" pode ser representada por p → q. Isso
significa que, se p for verdadeiro (“está chovendo”), então q também será (“a rua está molhada”).
Exemplo 2: A proposição "Se a temperatura cai, então faz frio" pode ser representada por p → q. Isso significa
que, se p for verdadeiro (“a temperatura cai”), então q também será (“faz frio”).
Bicondicional (⬌)
Estabelece relação de equivalência entre duas proposições. A proposição p ⬌ q será verdadeira quando p e q
possuírem o mesmo valor lógico, e falsa em caso contrário. Você vai encontrar nos livros e questões
envolvendo essa estrutura a expressão se, e somente se. Como veremos no exemplo a seguir, “O número é
par se, e somente se, for divisível por 2.”
p q p↔q
V V V
V F F
F V F
F F V
Exemplo 1: A proposição "O número é par se, e somente se, for divisível por 2" pode ser representada por p ⬌
q. Isso significa que p implica em q (“se o número é par, então é divisível por 2”) e q implica em p (“se o
número é divisível por 2, então é par”).
Exemplo 2: A proposição “Uma figura é um quadrado se, e somente se, tiver quatro lados iguais e quatro
ângulos retos” pode ser representada por p ⬌ q. Isso significa que p implica em q (“se a figura é um quadrado,
então tem quatro lados iguais e quatro ângulos retos”) e q implica em p (“se a figura tem quatro lados iguais e
quatro ângulos retos, então é um quadrado”).
Resumindo
Conectivos, estruturas e tabelas-verdade nos permitem analisar a validade de argumentos e construir
demonstrações lógicas.
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Algumas estruturas e relações são importantes para compreender como as proposições se relacionam entre si
e como podemos fazer deduções ou inferências a partir delas. Como exemplo, podemos citar implicação
lógica, equivalência lógica, tautologia, contradição, contingência, contrariedade e subcontrariedade.
Compreenda estes conceitos!
Implicação lógica
Dada pela estrutura condicional, é uma relação entre duas proposições em que a veracidade de uma
implica necessariamente na veracidade da outra. Representamos a implicação lógica com o símbolo
"→" ou "Þ". Por exemplo, se temos a proposição "Se chove, então a rua fica molhada", podemos
deduzir que, “se chove” (proposição antecedente) é verdadeiro, então “a rua ficará molhada”
(proposição consequente).
Equivalência lógica
Relação entre duas proposições em que ambas possuem o mesmo valor lógico em todas as
circunstâncias. Representamos a equivalência lógica com o símbolo "⬌" ou "⟺"". Por exemplo, se
temos a proposição "O número é par se, e somente se, ele for divisível por 2", as duas partes da
proposição são equivalentes, pois, se uma é verdadeira, a outra também é, e vice-versa.
Tautologia
Proposição sempre verdadeira, independentemente dos valores lógicos das proposições
componentes. Em outras palavras, é uma expressão lógica verdadeira em todas as linhas de sua
tabela-verdade. Por exemplo, a proposição "p ∧ ~p" é uma tautologia, pois a disjunção entre uma
proposição e sua negação sempre resultará em uma proposição verdadeira.
Contradição
Relação entre duas proposições opostas e que não podem ser verdadeiras simultaneamente. Quando
duas proposições são contraditórias, uma é a negação da outra. A proposição "p ∧ ~p" é uma
contradição, pois a conjunção entre uma proposição e sua negação sempre resultará em uma
proposição falsa.
Exemplo: As proposições "A Terra é plana" e "A Terra não é plana" são contraditórias, pois não podem
ser verdadeiras ao mesmo tempo.
Contrariedade
Relação entre duas proposições em que não é possível que ambas sejam verdadeiras ao mesmo
tempo, mas podem ser falsas simultaneamente.
Exemplo: As proposições "O céu está azul" e "O céu está vermelho" são contrárias, pois não podem
ser verdadeiras simultaneamente, mas podem ser falsas ao mesmo tempo.
Subcontrariedade
Relação entre duas proposições em que ambas não podem ser falsas simultaneamente, mas podem
ser verdadeiras simultaneamente.
Exemplo: As proposições "Está chovendo" e "Está nevando" são subcontrárias, pois não podem ser
falsas simultaneamente, mas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.
Em síntese, ao compreender essas relações entre proposições, podemos analisar a validade de argumentos,
simplificar expressões lógicas complexas e identificar equivalências que nos auxiliam no processo de
raciocínio lógico.
Esses conceitos são fundamentais para o estudo da lógica e têm aplicações práticas em diversas áreas, como
ciência da computação, matemática, filosofia, entre outras.
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A linguagem lógica e as operações básicas de conjuntos (como a união, a interseção, a relação de inclusão e a
igualdade entre eles) nos permitem analisar e descrever várias relações entre elementos e conjuntos, bem
como propriedades importantes acerca de equivalências lógicas. Ao compreender a conexão entre essas duas
áreas, podemos aprofundar nosso entendimento sobre a lógica e sua aplicação no campo de estudo dos
conjuntos.
Conjuntos e proposições
Muitos livros e professores omitem que a linguagem lógica nos permite expressar proposições fortemente
relacionadas a propriedades e operação entre conjuntos. Por exemplo, podemos representar a proposição "x
pertence ao conjunto A" usando a linguagem lógica como p(x), "x pertence ao conjunto B" usando a linguagem
lógica como q(x), e assim por diante.
Podemos expressar essa interseção usando a conjunção lógica como p(x) ∧ q(x), em que p(x) representa a
proposição "x pertence a A" e q(x) representa a proposição "x pertence a B".
Do ponto de vista lógico, poderíamos expressar essa igualdade usando a estrutura lógica da bicondicional
representada por p(x) ⟷ q(x), ou por meio do símbolo da dupla seta (⟺), que dá o mesmo sentido a essa
relação e também é usado por diversos livros e autores. Assim, p(x) ⟺ q(x), em que p(x) representa a
proposição "x pertence a A" e q(x) representa a proposição "x pertence a B".
Sejam os conjuntos A = {1, 2, 3} e B = {2, 3, 4}. Como vimos, a interseção A B representa os elementos
que pertencem tanto a A quanto a B. Podemos expressar essa interseção usando a conjunção lógica
como p(x) ∧ q(x), em que p(x) representa a proposição "x pertence a A" e q(x) representa a
proposição "x pertence a B". Nesse caso, a interseção A ∩ B será {2, 3}.
A união de conjuntos pode ser relacionada à disjunção lógica. Por exemplo, se temos os conjuntos A =
{1, 2, 3} e B = {3, 4, 5}, a união A ∪ B representa os elementos que pertencem a A, a B ou a ambos.
Podemos expressar essa união usando a disjunção lógica como p(x) ∨ q(x), em que p(x) representa a
proposição "x pertence a A" e q(x) representa a proposição "x pertence a B". Nesse caso, a união A ∪
B será {1, 2, 3, 4, 5}.
Podemos expressar essa inclusão usando a estrutura condicional lógica p(x) → q(x), em que p(x)
representa a proposição "x é um animal em A" e q(x) representa a proposição "x é um animal em B".
Por exemplo, podemos dizer que "Se um animal é um cachorro, um gato ou um pássaro, então ele
também é um animal em B".
Igualdade entre conjuntos e bicondicional
Suponha que temos os conjuntos de frutas A = {maçã, banana, laranja} e B = {laranja, banana, maçã}.
A igualdade A = B significa que todos os elementos de A estão em B, e todos os elementos de B estão
em A.
Podemos expressar essa igualdade usando o bicondicional lógico p(x) ⬌ q(x), em que p(x) representa
a proposição "x é uma fruta em A" e q(x) representa a proposição "x é uma fruta em B". Por exemplo,
podemos afirmar que "Uma fruta é uma maçã, uma banana ou uma laranja se, e somente se, ela
também é uma fruta em B".
Verificando o aprendizado
Questão 1
F, F, F.
F, V, F.
V, V, V.
V, F, V.
V, V, F.
I. "Salvador é capital da Bahia ou a Lua é plana". A proposição I é verdadeira, pois a primeira parte,
"Salvador é capital da Bahia", é verdadeira. Não importa se a segunda parte, "a Lua é plana", é falsa, pois,
em uma disjunção (∨), apenas uma das partes precisa ser verdadeira para que a proposição seja
verdadeira.
II. "Se 21 é primo, então 6 é par". Essa proposição é verdadeira. A primeira parte, "21 é primo", é falsa, pois
21 é divisível por 3 e 7. Portanto, a implicação é considerada verdadeira de acordo com a terceira linha da
tabela-verdade da condicional.
III. "x2 = 1 ⟺ x = 1". Essa proposição é falsa. Embora seja verdade que x = 1 implica em x 2 = 1, a recíproca
não é verdadeira. Existem outros valores de x, como -1, que também satisfazem a equação x 2 = 1.
Questão 2
V, F, F.
F, V, V.
V, V, V.
F, F, V.
V, V, F.
I. "Todos os gatos são mamíferos ou todos os cachorros voam". Essa proposição é verdadeira, pois a
primeira parte, "Todos os gatos são mamíferos", é verdadeira. Na disjunção (∨), apenas uma das partes
precisa ser verdadeira para que a proposição como um todo seja verdadeira.
II. "Se 4 é um número ímpar, então 9 é um número primo". Essa proposição é falsa, pois a primeira parte, "4
é um número ímpar", é falsa. Nesse caso, uma implicação com uma premissa falsa é considerada verdadeira
de acordo com a terceira linha da tabela-verdade da condicional.
III. "x2 = 16 ⟺ x = 4 ou x = -4". Essa proposição é verdadeira. A primeira parte, "x 2 = 16 ⟹ x = 4 ou x =
-4", é verdadeira, pois, quando o quadrado de x é igual a 16, as soluções são x = 4 ou x = -4. A segunda
parte, "x = 4 ou x = -4 ⟹ x2 = 16", também é verdadeira, pois, quando x é igual a 4 ou -4, o resultado do
quadrado de x é igual a 16.
3. Equivalência lógica
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A equivalência lógica é um importante conceito na lógica matemática que descreve a relação entre duas
proposições com o mesmo valor lógico em todas as situações possíveis. Quando duas proposições são
equivalentes, elas são indistinguíveis do ponto de vista da sua veracidade ou falsidade. Em outras palavras, se
uma proposição é verdadeira, então a outra também será, e vice-versa.
Para entender melhor o conceito de equivalência lógica, é necessário compreender o valor lógico das
proposições.
Exemplo
Uma proposição é uma sentença declarativa que pode ser classificada como verdadeira (V) ou falsa (F).
A proposição "2 + 2 = 4" é verdadeira, enquanto a proposição "2 + 2 = 5" é falsa.
Quando duas proposições são equivalentes, são representadas pelo símbolo "≡" ou ⟺, que denota essa
relação de equivalência. Por exemplo, se P e Q são proposições compostas, podemos escrever “P ≡ Q” ou “P
⟺ Q” para indicar que P e Q são equivalentes.
A equivalência lógica é uma relação simétrica, ou seja, se P ⟺ Q, então Q ⟺ P. Além disso, a relação de
equivalência também é reflexiva, o que significa que qualquer proposição é equivalente a si mesma, ou seja, P
⟺ P. Uma maneira de verificar a equivalência lógica entre duas proposições é construir tabelas-verdade para
ambas e observar se os valores lógicos das duas são sempre os mesmos em todas as linhas da tabela.
A equivalência lógica não depende do conteúdo específico das proposições, mas sim da sua
estrutura lógica. Ou seja, a equivalência lógica está relacionada à forma lógica das proposições, não
ao seu conteúdo.
As propriedades e teoremas que regem a equivalência lógica são fundamentais para a compreensão e
manipulação de expressões lógicas, permitindo-nos simplificar e transformar proposições de maneira
eficiente. Vamos conferir!
Propriedade distributiva
Essa propriedade nos diz como as operações de conjunção e disjunção interagem entre si, e estabelece que a
conjunção distribui sobre a disjunção e vice-versa. Por exemplo, a expressão "(p ∨ q) ∧ r" é equivalente a "(p
∧ r) ∨ (q ∧ r)". Essa propriedade nos ajuda a reorganizar e simplificar expressões lógicas complexas.
"(p ∨ q) ∧ r ⟺ (p ∧ r) ∨ (q ∧ r)"
Da mesma forma, a expressão "(p ∧ q) ∨ r" é equivalente a "(p ∨ r) ∧ (q ∨ r)". Usando mais uma vez apenas a
notação simbólica, podemos dizer que:
"(p ∧ q) ∨ r ⟺ (p ∨ r) ∧ (q ∨ r)"
Absorção
Afirma que, se uma proposição está sendo conjunta ou disjuntamente combinada com ela mesma, podemos
simplificá-la mantendo a equivalência. Por exemplo, a expressão "p ∨ (p ∧ q)" é equivalente a "p". Essa
propriedade nos permite eliminar termos desnecessários e simplificar a expressão lógica.
Como fizemos com a propriedade distributiva, se quisermos utilizar apenas a notação simbólica, podemos
escrever que:
"p ∨ (p ∧ q) ⟺ p"
Da mesma forma, podemos construir a tabela-verdade da proposição lógica composta P dada pela expressão
"(p ∨ q) ∧ r" e demonstrar que ela é equivalente a "p". Ou seja, usando mais uma vez apenas a notação
simbólica, podemos dizer que:
"p ∧ (p ∨ q) ⟺ p"
Essas propriedades, juntamente com outros teoremas, serão exploradas em detalhes aqui para que você
manipule expressões lógicas de forma mais eficiente, facilitando a resolução de problemas e a demonstração
de equivalências lógicas. Além dessas propriedades, diversos teoremas nos auxiliam na manipulação de
expressões lógicas.
Identidade
O teorema da identidade estabelece que uma conjunção entre uma proposição e uma proposição tautológica
T (sempre verdadeira) resulta na própria proposição. Da mesma forma, a disjunção entre uma proposição e
uma contradição C (sempre falsa) também resulta na própria proposição.
Ou seja, a proposição "p ∧ T" é equivalente a "p", bem como a proposição "p ∨ C" é equivalente a "p". Esse
teorema nos permite simplificar expressões lógicas quando temos uma conjunção com uma tautologia (T), ou
uma disjunção com uma contradição (C).
"(p ∧ T) ⟺ p"
e
"(p ∨ C) ⟺ p"
Por analogia, podemos dizer que a proposição "(p ∨ T)", disjunção entre a proposição p e a tautologia T,
resulta em uma tautologia, e é equivalente a "T". Da mesma forma, a proposição "(p ∧ C)", conjunção entre a
proposição p e a contradição C, resulta em uma contradição, e é equivalente a "C".
"(p ∨ T) ⟺ T"
"(p ∧ C) ⟺ C"
Inversão
O teorema da inversão nos permite negar uma proposição mantendo a sua equivalência lógica. Por exemplo,
se temos a equivalência entre "P" e "Q", então também podemos afirmar a equivalência entre "~P" e "~Q", em
que “~” representa a negação.
Ao compreender esses princípios, você terá ferramentas poderosas para simplificar e manipular expressões
lógicas, facilitando a análise e a resolução de problemas.
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Aqui falaremos sobre a importância dos métodos para demonstrar equivalências lógicas de forma sistemática
e rigorosa. Utilizaremos tabelas-verdade, regras e/ou leis lógicas como ferramentas para justificar a
equivalência entre duas proposições.
Uma forma comum de demonstrar equivalências lógicas é por meio de tabelas-verdade, que apresentam
todas as combinações possíveis de valores lógicos para as proposições envolvidas. Ao comparar as colunas
correspondentes às proposições, podemos verificar se elas têm os mesmos valores lógicos em todas as linhas
da tabela. Caso isso ocorra, podemos concluir que as proposições são equivalentes.
O exemplo a seguir ajuda a visualizar como as colunas correspondentes às proposições são comparadas, bem
como é feita a verificação dos valores lógicos em todas as linhas da tabela para concluir a equivalência entre
as proposições.
p q ¬p (~p) ∨ q p ∨ ((~p) ∨ q)
V V F V V
V F F F F
F V V V F
F F V V F
Analisando as colunas correspondentes às expressões, podemos observar que elas têm os mesmos valores
lógicos em todas as linhas da tabela. Portanto, podemos concluir que a proposição p ∧ (~p ∨ q) é equivalente
à proposição p ∧ q.
Essa demonstração utilizando a tabela-verdade permite verificar que as proposições têm a mesma valoração
lógica em todas as combinações possíveis. Dessa forma, confirmamos a equivalência lógica entre p ∧ (~p ∨ q)
e p ∧ q.
Aqui você aprenderá a aplicar tanto as tabelas-verdade quanto as leis lógicas na demonstração de
equivalências lógicas. Exploraremos exemplos práticos e exercícios para desenvolver sua habilidade de
analisar e deduzir as equivalências de forma sistemática.
Recomendação
Ao compreender as estruturas lógicas e usar métodos adequados, você simplificará expressões lógicas
eficientemente e estará preparado para enfrentar desafios mais avançados e aplicar esse conhecimento
em várias áreas.
Como vimos, a capacidade de reconhecer e provar a equivalência entre proposições é uma habilidade valiosa
em campos como ciência da computação, matemática, filosofia, engenharia e outros. Portanto, você vai
adquirir ferramentas necessárias para demonstrar equivalências lógicas de forma rigorosa, utilizando tabelas-
verdade e/ou leis lógicas.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Para escrever uma proposição em uma linguagem simbólica, são usados os seguintes símbolos cujos
significados estão ao lado de cada um deles: ~(não); ∨(ou); ∧(e); ⟶(implicação); ⟷(dupla implicação).
Assim sendo, seja a proposição p: “João é alto” e a proposição q: “João é elegante”, então a proposição “Não é
verdade que João é baixo ou que não é elegante”, em linguagem simbólica, é
~(~p ∨ q).
p ∨ (~p ∨ q).
~(~p ∨ ~q).
~(p ∨ q).
p ∨ ~q.
~(~p ∨ ~q)
p representa "João é alto".
q representa "João é elegante".
Ú representa a operação lógica "ou".
~ representa a negação.
Questão 2
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A regra de Morgan é extremamente útil para negação de conjunções e disjunções. Por meio dela, podemos
observar que a negação de uma conjunção é equivalente à disjunção das negações de seus componentes
individuais, e a negação de uma disjunção é equivalente à conjunção das negações de seus componentes
individuais.
Vamos considerar a proposição "~(p ∧ q)", que representa a negação da conjunção entre as proposições p e
q. De acordo com a regra de Morgan, podemos reescrever essa proposição como "~p ∨ ~q", que é a disjunção
das negações de p e q.
Da mesma forma, se tivermos a proposição "~(p ∨ q)", que representa a negação da disjunção entre as
proposições p e q, podemos aplicar a regra de Morgan para reescrevê-la como "~p ∧ ~q", que é a conjunção
das negações de p e q. Utilizando apenas a linguagem simbólica, podemos escrever que:
~(p ∧ q) ⟺ ~p ∨ ~q
~(p ∨ q) ⟺ ~p ∧ ~q
A regra de Morgan permite que simplifiquemos expressões lógicas complexas ao trabalharmos com suas
negações. Ela nos ajuda a entender como a negação afeta as proposições e os conectivos lógicos envolvidos,
facilitando a análise e a manipulação dessas expressões. Ao compreender e aplicar a regra de Morgan,
podemos resolver problemas de lógica de forma mais eficiente e precisa.
Nas operações com conjuntos, a negação de um conjunto é representada pelo seu complementar. O
complementar de um conjunto A em relação a um conjunto universo U é o conjunto de elementos
que estão em U, mas não estão em A.
Se pensarmos na negação de uma união de conjuntos, podemos utilizar a primeira regra de Morgan para
reescrevê-la como a interseção dos complementares individuais dos conjuntos. Similarmente, a negação de
uma interseção de conjuntos pode ser expressa como a união dos complementos individuais dos conjuntos,
aplicando a segunda regra de Morgan.
Essa relação entre as regras de Morgan na lógica e as operações de negação de conjuntos destaca mais uma
vez a conexão entre esses dois campos, e como conceitos fundamentais em um podem ser aplicados no
outro.
Reflexão
A interseção entre lógica e teoria dos conjuntos é uma das razões pelas quais o estudo desses temas é
valioso e complementar, permitindo uma compreensão mais abrangente e a aplicação de conceitos em
diversos contextos.
Ao aplicar a negação a uma expressão composta, devemos distribuir a negação corretamente entre os
componentes individuais de acordo com a regra de Morgan. Dessa forma, podemos obter equivalências
lógicas precisas e garantir a correta simplificação das expressões.
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Vamos explorar agora as leis e regras para negar uma estrutura condicional, compreendendo como a negação
afeta as proposições e os conectivos lógicos envolvidos. A negação da condicional é aspecto fundamental da
lógica, e permite analisar a relação entre as proposições envolvidas em uma implicação.
Para compreender a negação da condicional, devemos primeiro revisar sua estrutura. Uma condicional é
composta por duas proposições, antecedente e consequente, conectadas por "se...então". Por exemplo, na
condicional "Se chove, então a rua fica molhada", a proposição "chove" é o antecedente e "a rua fica molhada"
é o consequente.
A implicação lógica "p implica em q" (p ⟶ q) pode ser reescrita como "a negação de p ou q" (~p ∨ q).
Portanto, para negar a condicional (p ⟶ q), podemos aplicar a regra de Morgan, que estabelece uma
equivalência entre a negação de uma disjunção e a conjunção das negações de seus componentes.
Como provar que (p ⟶ q) ⟺ (~p ∨ q)? Que tal usarmos uma tabela-verdade?
Vamos usar a tabela-verdade para provar a equivalência entre a condicional (p ⟶ q) e sua forma equivalente
(~p ∨ q). Esta é a tabela-verdade para a condicional (p ⟶ q). Veja!
p q p⟷q
V V V
V F F
F V F
p q p⟷q
F F V
Agora, vamos construir a tabela-verdade para a forma equivalente (~p ∨ q). Observe!
p q ~p (~p)∨q
V V F V
V F F F
F V V V
F F V V
As colunas das proposições (p ⟶ q) e (~p ∨ q) têm os mesmos valores lógicos em todas as linhas da tabela-
verdade. Portanto, podemos concluir que as duas proposições são equivalentes. Assim, com base na tabela-
verdade, podemos afirmar que(p ⟶ q)) é equivalente a (~p ∨ q).
Aplicando a regra de Morgan à condicional(p ⟶ q)), temos que a negação dessa condicional seria equivalente
à negação da sua forma equivalente (~p ∨ q). Simplificando essa negação, usando Morgan, obtemos "~(~p) ∧
~q", que é equivalente a (p ∧ ~q). Assim, concluímos que a negação da condicional(p ⟶ q)) é (p ∧ ~q).
(p ⟶ q)) ⟺ (p ∧ ~q)
Essa abordagem nos permite transformar a negação de uma implicação em uma conjunção, facilitando a
análise e a simplificação de expressões lógicas. A negação da condicional nos permite explorar diferentes
aspectos da lógica e compreender como as proposições se relacionam. A aplicação correta das regras
lógicas, como a regra de Morgan, nos auxilia a identificar equivalências e simplificar expressões de forma
rigorosa e precisa.
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Lei de dupla negação
Estabelece que a negação de uma negação de uma proposição resulta na proposição original.
Simbolicamente, ~(~p) é equivalente a p. Essa lei nos permite eliminar duplas negações e simplificar
expressões lógicas.
Exemplo
Pensemos a partir da proposição "Não é verdade que chove", a negação dessa proposição seria "Não é
verdade que não chove". Pela lei de dupla negação, podemos simplificar essa expressão para "Chove".
Negar a negação da proposição remete à proposição original. Essa lei permite eliminar as negações
desnecessárias e expressar de forma mais clara e simples as proposições lógicas.
Lei da contrapositiva
Estabelece relação de equivalência entre uma condicional e sua contrapositiva. Seja a estrutura condicional
"Se p, então q" (p ⟶ q), sua contrapositiva é definida como "Se não q, então não p" (~q ⟶ ~p). Essas duas
estruturas condicionais são logicamente equivalentes, têm o mesmo valor lógico em todas as situações
possíveis.
Vamos utilizar uma tabela-verdade para demonstrar a equivalência entre uma condicional e sua
contrapositiva.
(p ⟶ q) ⟺ (~q ⟶ ~p)
V V V F F V V
V F F V F F V
F V V F V V V
F F V V V V V
Portanto, por meio dessa tabela-verdade, provamos que a lei da contrapositiva é válida e que as duas
condicionais são equivalentes. Essa lei nos permite reescrever uma condicional de forma equivalente, o que
pode ser útil em várias situações.
Exemplo
Suponha a condicional (p ⟶ q): "Se chove, então a rua fica molhada". Sua contrapositiva seria (~q ⟶
~p): "Se a rua não fica molhada, então não chove". Essas duas condicionais são logicamente
equivalentes, ou seja, têm o mesmo valor lógico em todas as situações possíveis.
A lei da contrapositiva nos oferece uma maneira alternativa de expressar uma condicional, possibilitando a
análise lógica de diferentes perspectivas e facilitando a compreensão e a manipulação de proposições.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Considere a sentença: “Se é feriado, os bancos estão fechados”. A contrapositiva dessa sentença é:
Questão 2
Considere a seguinte sentença: “Não é verdade que, se os impostos baixarem, então haverá mais oferta de
emprego”. Pode-se concluir que
A
Considerações finais
Aqui vimos diversos conceitos fundamentais e ferramentas analíticas essenciais para a compreensão e
aplicação da lógica formal. Desenvolvemos habilidades de raciocínio lógico e capacidade de análise crítica por
meio do estudo das proposições, conectivos lógicos e equivalências lógicas.
Iniciamos com uma introdução às proposições, unidades básicas da lógica, e aprendemos a identificar suas
características e representá-las de forma simbólica. Em seguida, exploramos os principais conectivos lógicos.
Em relação às equivalências lógicas, estudamos importantes teoremas, como o teorema da identidade, que
nos permite simplificar expressões lógicas quando temos uma conjunção ou disjunção com uma proposição
tautológica (sempre verdadeira) ou uma contradição (sempre falsa). Além disso, abordamos a lei de dupla
negação, que estabelece que a negação de uma negação resulta na proposição original.
Exploramos também as regras de Morgan, que auxiliam na negação de expressões lógicas complexas,
fornecendo equivalências entre a negação de uma expressão composta e a negação de seus componentes
individuais. Discutimos a negação da condicional e a lei da contrapositiva. Por meio de exemplos e análise da
tabela-verdade, demonstramos a equivalência entre uma condicional e sua contrapositiva.
Vimos que a lógica é uma ferramenta poderosa para a argumentação, a tomada de decisões e a resolução de
problemas. Com as habilidades adquiridas aqui, você está apto a aplicar conceitos e princípios da lógica em
diversas áreas da vida cotidiana, pois os estudos na área da lógica está presente em diversos campos do
conhecimento e pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico e da clareza na comunicação.
Explore +
Confira no artigo Lógica: uma ferramenta indispensável na programação de computadores, da DevMedia, os
conceitos fundamentais de lógica de programação, como estruturas de controle, tipos de dados e algoritmos,
bem como exemplos práticos para ilustrar a aplicação desses conceitos.
Referências
AGLER, D. W. Symbolic Logic. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2012.
BERGMANN, M.; MOOR, J.; NELSON, J. The Logic Book. New York: McGraw-Hill Education, 2019.
COPI, I. M.; COHEN, C.; MCMAHON, K. D. Introduction to logic. London: Routledge, 2016.
HURLEY, P. J.; WATSON, L. A concise introduction to logic. Boston, MA: Cengage Learning, 2018.
LOPES, A.; GARCIA, G. Introdução à programação: 500 algoritmos resolvidos. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
NUNES, J. Lógica Para Ciência da Computação. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2008.
PRIEST, G. Logic: a very short introduction. Oxford, UK: Oxford University Press, 2001.
ZEGARELLI, M. Logic For Dummies. New York: John Wiley and Sons Ltd, 2011.