O PROFESSOR “PROTAGONISTA”: MAS PARA QUÊ E PARA
QUEM?
Olímpia Ribeiro da Silva
Cód. de Matrícula: 01566687
Curso de Pedagogia
Quando falamos em termos como “protagonismo”, “educação para todos”,
“inclusão”, “TICs”, “metodologias ativas”, dentre outras, logo nos vem a mente o que há
de mais moderno em termos de Pedagogia atualmente falando. O que muitos de nós
ignoramos ou não percebemos é que há todo um rol de interesses que nem sempre
tem a ver com educação ou inovação pedagógica, como veremos através de alguns
autores citados neste texto.
Autores como Evangelista e Shiroma (2007) afirmam que ao lado desse
protagonismo pode estar oculto um processo de desqualificação do professor. O
trabalho docente intensificado, tende a precarização: atender mais alunos na mesma
classe, por vezes com necessidades especiais; exercer funções de psicólogo,
assistente social e enfermeiro; participar nos mutirões escolares; em atividades com
pais; atuar na elaboração do projeto político-pedagógico da escola; controlar situações
de violência escolar; educar para o empreendedorismo, a paz e a diversidade;
envolver-se na estratégia de captação de recursos para a escola.
Mas a quem interessa essa nova “roupagem” do professor? a BNCC é fruto mais
de imposições de “especialistas em educação” do que de professores e educadores.
Na prática, as novas mudanças já são alvo de reclamações por parte não só de
professores, mas de alunos. O “novo” Ensino Médio atende mais a velhos interesses
tecnicistas e reducionistas do que à Educação emancipatória e integral.
Para Ramos (2015) o novo colorido dado aos preceitos educativos fortemente
instrumentais minimiza possibilidades de superação em definitivo, em que o “como
fazer” desarticula-se do essencial do “o que”, “quando” e “por que” fazer, limitando o
professor a um mero “tarefeiro”.
Assim, o conselho à professora, é que não há um “passe de mágica” para ser
um bom professor que a mídia e os discursos modernizantes vendem como uma
receita de sucesso em que todo e qualquer professor pode alcançar. Em nossas
escolas, na falta de varinhas e condões que nos tornem “fadas”, lembrar que você é
uma professora continua sendo o necessário para a aprendizagem.
REFERÊNCIAS
EVANGELISTA, Olinda. SHIROMA, Eneida Oto. Professor: protagonista e obstáculo da
reforma. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.33, n.3, p. 531-541, set./dez. 2007.
RAMOS, Bruna Sola da Silva. 'O protagonista, professor': do slogan e seu avesso. In:
37ª Reunião Nacional da ANPED, 2015, Florianópolis. Plano Nacional de Educação:
tensões e perspectivas para a educação pública brasileira, 2015. v. 1. p. 1-16.