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GALVÃO FILHO, T.

A formação em Tecnologia Assistiva no Brasil: pressupostos,


demandas e perspectivas. In: GALVÃO FILHO, T. Tecnologia Assistiva: um itinerário
da construção da área no Brasil. Curitiba: Editora CRV, 2022, p. 101-130.
Disponível em: [Link]
assistiva-brum-itinerario-da-construcao-da-area-no-brasil

A formação em Tecnologia Assistiva no Brasil:


pressupostos, demandas e perspectivas
Teófilo Galvão Filho
[Link]

No intuito de buscar contribuir para a reflexão sobre os pressupostos,


demandas e perspectivas relativas aos processos formativos na área da
Tecnologia Assistiva e Acessibilidade no Brasil, este trabalho disponibiliza uma
análise sobre as implicações dos pressupostos teóricos, com seus diversos
paradigmas possíveis, e das trajetórias concretas existentes no país nesta
área. Além de, a partir dessas implicações, apresentar e analisar diferentes
possibilidades, passos e decisões necessários para a construção e efetivação
de uma formação de nível superior, no campo das engenharias, em Tecnologia
Assistiva e Acessibilidade.

1. Pressupostos teóricos e sociais

Inicialmente, propõe-se analisar a trajetória de sistematização e


consolidação da área da Tecnologia Assistiva no Brasil, abordando
principalmente alguns dos principais pressupostos teóricos e passos concretos
dessa trajetória nos últimos anos, na realidade nacional.

1.1 O conceito de Tecnologia Assistiva: princípios e implicações

Decorrida mais de uma década da trajetória de desenvolvimento e


sistematização da concepção nacional relativa à Tecnologia Assistiva (TA), tem
se consolidado cada vez mais a opção pela formulação conceitual proposta,
em 2007, pelo Comitê de Ajudas Técnicas, o CAT, um comitê criado em 2006
no âmbito da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da
República1, formulação esta assumida e incorporada quase que integralmente
pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – LBI, também
conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Lei Nº 13.146 de 6 de
julho de 2015 (BRASIL, 2015)2.
Este Comitê de Ajudas Técnicas aprovou por unanimidade, na sua
reunião plenária realizada nos dias 13 e 14 de dezembro de 20073, a
formulação conceitual proposta por sua Comissão de Conceituação e Estudo
de Normas, que foi elaborada a partir de um amplo estudo realizado por esta
Comissão sobre as concepções existentes, nacional e internacionalmente,
relativas a este conceito (GALVÃO FILHO et al., 2009, p. 13-39)4. Como
resultado desse estudo, a formulação conceitual aprovada foi expressa da
seguinte forma:
Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de
característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos,
metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam
promover a funcionalidade, relacionada à atividade e
participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou
mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência,
qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2007, p. 3)

Esta formulação conceitual proposta pelo CAT foi obtendo, nos anos
seguintes, uma crescente adesão dos pesquisadores e estudiosos dessa área,
passando a se converter na principal referência no país e a balizar as reflexões
e estudos relatados em diferentes teses, dissertações, livros, artigos, capítulos
de livros e outras publicações, culminando, como já foi mencionado, na sua
incorporação quase integral no Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL,
2015).
A amplitude dessa concepção conceitual sobre a área da Tecnologia
Assistiva no Brasil fez com que este conceito fosse sendo analisado e
estudado ao longo dos anos seguintes, na busca de um discernimento e uma

1
A Portaria N° 142, de 16 de novembro de 2006, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da
Presidência da República, que instituiu o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, está disponível no seguinte
endereço:
[Link]
2
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência - LBI pode ser acessada no seguinte endereço:
[Link]
3
A Ata dessa reunião do CAT está disponível no seguinte endereço:
[Link]
4
O acesso integral à síntese desse estudo está disponível nas páginas de 13 a 39 da seguinte publicação:
[Link]
compreensão mais precisa sobre as implicações e significados dos diferentes
elementos e princípios contidos nesta formulação, principalmente com vistas a
evitar equívocos e distorções que pudessem reintroduzir elementos de
discriminação e preconceito, nos processos de construção do paradigma
inclusivo (GALVÃO FILHO, 2013 e 2016).
Buscando analisar de forma mais detalhada alguns desses elementos e
princípios contidos nesta formulação do conceito de TA proposta pelo CAT,
destaca-se, inicialmente, a evidência do caráter interdisciplinar da TA. Essa é
uma das características fundamentais da área do conhecimento da TA: ser
intrinsecamente interdisciplinar.
Em grande parte das soluções de TA estão contidos conhecimentos que
perpassam diferentes áreas simultaneamente. Na construção de uma simples
cadeira de rodas motorizada, por exemplo, estão presentes conhecimentos de
áreas tais como: Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica/Eletrônica, área da
saúde, da ergonomia, da Engenharia de Computação em alguns casos, entre
outras possibilidades. Conhecimentos de diferentes áreas, portanto, aplicados
simultaneamente em um mesmo produto, em uma mesma solução de TA. Isto
se torna ainda mais evidente quando se percebe que a área da TA abarca
soluções em campos muito amplos e distintos, como o campo das órteses e
próteses, todo o campo da mobilidade pessoal (cadeiras de rodas manuais ou
motorizadas, exoesqueletos, bengalas, muletas etc.), área da Comunicação
Alternativa e Aumentativa, dos recursos para o acesso digital e a acessibilidade
Web, das normas de acessibilidade física, da automação residencial
(domótica), das adaptações veiculares, entre outras áreas.
Esse reconhecimento no Brasil do caráter interdisciplinar da área da TA
sepulta definitivamente as percepções baseadas no anacrônico Modelo Médico
da Deficiência, que entendia e defendia, muitas vezes explicitamente, a
concepção sobre a TA como sendo uma realidade exclusivamente da área da
saúde. Embora, diga-se de passagem, essa percepção ultrapassada ainda se
manifeste eventualmente em algumas circunstâncias, nos dias de hoje, na
sociedade.
Um outro elemento importante presente nessa formulação do conceito
de TA é a percepção de que esta área “engloba produtos, recursos,
metodologias, estratégias, práticas e serviços” (CAT, 2007). Ou seja, é o
reconhecimento, primeiramente, de que as soluções de TA não se referem
apenas a equipamentos, dispositivos, ferramentas, como, a primeira vista,
muitos tendem a entender. Porém, que essas soluções também se referem a
metodologias, estratégias e práticas, ou seja, a maneiras de fazer as coisas, ou
a conhecimentos sistematizados com vistas à acessibilidade e a inclusão.
Como exemplo disso, pode-se citar o Sistema Braille, como uma solução de TA
que não se trata de um equipamento ou dispositivo, mas de um sistema de
escrita em alto relevo com vistas ao acesso a textos, por meio do sentido do
tato, por pessoas com deficiência visual. Ou os conhecimentos organizados e
sistematizados da área de Orientação e Mobilidade para pessoas cegas. Ou,
também, os conhecimentos sistematizados e disponibilizados nas orientações
do W3C5, para a acessibilidade Web, entre outras soluções de TA desse tipo.
Também nesse elemento do conceito está implícito que as soluções de
TA não se referem apenas a recursos sofisticados e pouco acessíveis,
necessariamente relacionados a conhecimentos mais complexos ou a custos
mais elevados, como os das áreas de eletrônica, mecânica ou computação.
Não, pois também incluem recursos bem simples e artesanais, porém de alta
funcionalidade em diferentes circunstâncias, como, por exemplo, um
engrossador de lápis, construído de forma artesanal por um professor, com
emborrachados ou epóxi, para facilitar a preensão do lápis por uma criança
com dificuldades de coordenação motora. Ou a simples fixação de uma folha
de papel na mesa dessa criança, utilizando uma fita crepe, entre uma infinidade
de outras possibilidades e recursos artesanais, muitas vezes construídos pelos
próprios professores de estudantes com deficiência, fazendo uso da sua
iniciativa e criatividade. Todos esses recursos simples também se tratam de
eficientes soluções de TA.
Um terceiro elemento fundamental presente nessa formulação do
conceito de TA se refere aos objetivos das soluções existentes nessa área:
“objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação”
(CAT, 2007). Ou seja, as soluções de TA não objetivam “curar” uma
deficiência, nem serem recursos com vistas a processos de reabilitação e
tratamento. E nem, tampouco, serem mediações simbólicas para a

5
W3C, o World Wide Web Consortium, é a principal organização de padronização da World Wide Web,
a qual disponibiliza documento com orientações para a Acessibilidade Web.
compreensão de conteúdos e conceitos, em processos de ensino e
aprendizagem, que é o campo das estratégias pedagógicas e das tecnologias
educacionais. Não! O objetivo das soluções de TA, como uma mediação
instrumental, é promover a funcionalidade relacionada à atividade e
participação. Ou seja, essa concepção parte do entendimento sobre a
deficiência baseado no chamado Modelo Social de Deficiência (PALÁCIOS,
2008), que a entende não apenas relacionada com as características físicas
individuais do indivíduo, mas, também, relacionada com as características do
ambiente social no qual esse indivíduo se move e interage, com as
características de acessibilidade ou as barreiras encontradas na sociedade, as
quais são determinantes para que possa haver essa funcionalidade, essa
atividade e participação autônoma individual e social desse indivíduo com
deficiência.
Outro elemento chave presente nessa formulação do conceito de TA se
refere à especificação sobre a quem as soluções nessa área se dirigem e se
destinam. Ou seja, sobre quem é o seu público-alvo: “de pessoas com
deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida” (CAT, 2007). Com essas
três expressões buscou-se englobar os três segmentos da população aos quais
se destinam as soluções de TA.
Primeiramente, engloba as pessoas com deficiência, com permanentes
comprometimentos das funções físico/motoras, sensoriais e/ou de
comunicação. Quanto aos comprometimentos cognitivos da deficiência
intelectual, entende-se aqui que estes são comprometimentos com uma
natureza distinta, demandando outro tipo de recursos de apoio, também de
natureza diferente das soluções de TA. Sobre os estudantes com deficiência
intelectual, por exemplo,
[...] conclui-se que as tecnologias utilizadas para o aprendizado
desses estudantes, tendo como pressuposto o paradigma
inclusivo, situam-se no âmbito das tecnologias educacionais
utilizadas como estratégias pedagógicas para esses processos,
e não como recursos de Tecnologia Assistiva. (GALVÃO FILHO,
2016, p. 305)

Com a segunda expressão referente ao público-alvo da TA, pessoas


com “incapacidades”, buscou-se fazer referência a todas as pessoas que
possam ter os mesmos comprometimentos das pessoas com deficiência,
porém não de forma permanente como estas, e sim de forma temporária. Ou
seja, pessoas acidentadas, ou que passaram por cirurgias, ou em processo de
recuperação de um membro inferior ou superior fraturado, por exemplo, e que
podem se beneficiar temporariamente de recursos de TA para sua
independência e autonomia, ao longo desse seu processo de recuperação.
Recursos como uma bengala ou andador, ou uma cadeira de rodas, entre
outras possibilidades de recursos de TA que podem ser úteis a essas pessoas,
nesses casos.
E com a terceira expressão presente nesse conceito referente ao
público-alvo da TA, pessoas com “mobilidade reduzida”, buscou-se abarcar
todo o segmento das pessoas idosas, as quais, com as limitações crescentes
do avanço da idade, também podem beneficiar-se das soluções de TA, para
sua “autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social” (CAT,
2007).
O processo de consolidação e oficialização no Brasil da formulação do
conceito de TA proposta pelo CAT culminou, portanto, com a incorporação
quase que integral da mesma na Lei Brasileira de Inclusão das Pessoas com
Deficiência – LBI, a Lei nº 13.146 de 6 de julho de 2015, que assim se
expressa:
Tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos,
dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e
serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à
atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com
mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência,
qualidade de vida e inclusão social. (BRASIL, 2015, p. 8)

1.2 A área da Tecnologia Assistiva no Brasil: avanços, retrocessos e


lacunas

Sem dúvida, é possível perceber diversos avanços significativos, na


realidade nacional, principalmente quanto à percepção sobre a relevância da
Tecnologia Assistiva para os processos de inclusão social das pessoas com
deficiência, um segmento numericamente significativo da população6 e, ao

6
O último censo demográfico do IBGE, de 2010, apontou que 23,9 % da população brasileira possuía
algum tipo de deficiência. Esses dados, já bastante defasados, devem ser atualizados no censo de 2022.
mesmo tempo, historicamente tão excluído, segregado e invisibilizado na
sociedade brasileira.
Esses avanços são decorrentes principalmente da construção de uma
nova consciência social, a qual tem levado a que a sociedade passe a
questionar a exclusão ou discriminação de diferentes segmentos da população
no país, por questões relativas à raça, gênero, idade, ou mesmo deficiência,
entre outros segmentos.
Com o avanço dessa consciência, as pessoas com deficiência passam a
ser percebidas como cidadãs de direitos, porém ainda marginalizadas por uma
sociedade que, no lugar de incluí-las nas suas possibilidades e oportunidades
de participação e crescimento, as discriminam e segregam, com a imposição
continuada de preconceitos, barreiras e dinâmicas sociais excludentes, na
medida em que toda a organização dos espaços e das dinâmicas sociais não
foi pensada e estruturada para acolher a diversidade humana, diversidade esta
que é a realidade objetiva da constituição de qualquer sociedade.
O crescimento dessa nova consciência coletiva passa a demandar que a
sociedade se reorganize, se reestruture, para que essa nova consciência
inclusiva não permaneça apenas nas idéias, nas intenções, mas passe a
tornar-se realidade no cotidiano das suas dinâmicas e interações.
Para isso, no caso das pessoas com deficiência, torna-se fundamental o
efetivo aperfeiçoamento da organização e estruturação dessa sociedade, com
a elaboração de novas dinâmicas, novos dispositivos legais, novas políticas
públicas de acessibilidade, com o fomento a novas pesquisas e inovações,
para que, de fato, esse processo inclusivo saia do nível apenas das idéias e se
estabeleça no nível da realidade, por meio de decisões e ações concretas,
transformando as dinâmicas cotidianas existentes no seio dessa sociedade
historicamente excludente.
Caminhando neste sentido, o Brasil avançou bastante nas últimas
décadas, em diferentes dimensões, tais como:
- Avanços conceituais e na sistematização dos conhecimentos na área da
Acessibilidade e da Tecnologia Assistiva, superando paradigmas
excludentes, como já analisado anteriormente neste trabalho;

- Aperfeiçoamento do ordenamento jurídico relativo aos direitos das


pessoas com deficiência;
- Avanço das políticas públicas nessa área;

- Crescimento e aprofundamento das pesquisas e do desenvolvimento de


inovação no campo da Tecnologia Assistiva;

- Crescimento dos setores de produção e comercialização de recursos de


Tecnologia Assistiva;

Entre outras dimensões desses avanços. Apresentam-se, a seguir,


alguns exemplos e analises sobre as principais dessas dimensões.

Quanto ao aspecto legal referente aos direitos das pessoas com


deficiência, e ao direito de acesso à Tecnologia Assistiva, o país já alcançou
uma legislação bastante avançada, considerada até mesmo uma referência
para outros paises. É importante destacar, nesse aspecto, a assinatura e
ratificação, pelo Brasil, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, aprovada na ONU no ano de 2006, e incorporada integralmente na
nossa Lei Maior, a Constituição Brasileira, por meio de Emenda Constitucional,
no ano de 2009 (BRASIL, 2009).
Em absoluta consonância com os avanços legais presentes nessa
Convenção Internacional, foi aprovada em 2015 a Lei Brasileira de Inclusão da
Pessoa com Deficiência - LBI, o chamado Estatuto da Pessoa com Deficiência,
a Lei Nº 13.146 de 6 de julho de 2015 (BRASIL, 2015), que se tornou uma das
principais referências no Brasil, atualmente.
Essa nova lei tornou-se um marco também para o avanço e
consolidação da área da Tecnologia Assistiva no Brasil, na medida em que,
neste texto legal, passa a ser dado um grande destaque para a relevância da
TA na efetivação dos direitos das pessoas com deficiência. E isso é percebido
até mesmo pela frequência com que a TA é mencionada neste texto legal, ou
seja, a expressão Tecnologia Assistiva (no singular ou no plural) aparece 31
vezes nesse texto.
Porém, muito mais do que isso, esta lei traz uma verdadeira mudança de
paradigma na forma legal de perceber e caracterizar o acesso à Tecnologia
Assistiva. A partir dessa lei o acesso à TA deixa de ser percebido como algo
opcional, que dependa da boa vontade ou da iniciativa espontânea e voluntária
de uma pessoa ou instituição. A partir da LBI a falta de acesso à TA passa a
ser claramente caracterizada, tipificada, como uma forma de discriminação. Ou
seja, como algo à margem da lei.
Essa falta de acesso à Tecnologia Assistiva, tipificada como uma forma
de discriminação, está claramente expressa no Capítulo II, Art. 4º, §1º da LBI,
da seguinte forma:
Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma
de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que
tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o
reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades
fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de
adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias
assistivas. (BRASIL, 2015, p. 9)

Para a LBI, portanto, a discriminação não ocorre apenas quando uma


pessoa tenha a intenção de discriminar, ou atue concretamente para isso. Não!
A própria omissão, a ausência de ações efetivas, “incluindo a recusa de
adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas”, também é
claramente tipificada como discriminação, no texto dessa lei.
Portanto, uma escola, por exemplo, que não fornece os recursos de TA
necessários para o aprendizado de um estudante com deficiência, está
discriminando este estudante e, consequentemente, pode ser penalizada, de
acordo com a lei. Dessa forma, o necessário acesso a TA para efetivação dos
direitos básicos do cidadão com deficiência (direito ao estudo, trabalho,
mobilidade, saúde, lazer etc.) passa a ser legalmente considerado também
como um direito básico desse cidadão, e não mais como algo opcional ou
eletivo.
Todos esses avanços quanto aos direitos das pessoas com deficiência
fazem com que cresça a necessidade e a relevância da estruturação e
implantação de novas Políticas Públicas na área da Tecnologia Assistiva, de
maneira a viabilizar e efetivar o cumprimento de todas as determinações dessa
nova legislação, e esses direitos sejam efetivamente alcançados. A ação direta
do poder público, por meio das Políticas Públicas, é fundamental para que
esses avanços realmente ocorram na sociedade.
Analisando também essa dimensão das Políticas Públicas relativas à
área da Tecnologia Assistiva é possível identificar tanto os diferentes avanços
significativos que ocorreram, porém também os retrocessos e lacunas
existentes no país, nos últimos anos.
Quanto aos avanços das Políticas Públicas na área da TA, pode-se
destacar, por exemplo, os Programas e Projetos viabilizados pelo Plano
Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o “Plano Viver sem Limite”7,
que entre os anos de 2011 e 2014, com um investimento anunciado de 7,6
bilhões de reais, desenvolveu diferentes ações interministeriais, com vistas à
pesquisa, desenvolvimento, inovação, comercialização e acesso aos recursos
na área da TA. Quanto ao acesso aos recursos de TA, foi consideravelmente
ampliada a lista de produtos de concessão gratuita pelo Governo Federal, além
de uma nova política de desoneração tributária na comercialização e
importação de recursos de TA, e da disponibilização de linhas de crédito
subsidiado para a aquisição de produtos de TA, entre outras ações.
Destacam-se também, como um outro exemplo de avanço na área, as
ações para a aplicação da Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva8, de 2008, que, com vistas à viabilização do
Atendimento Educacional Especializado (AEE), implantou cerca de 40 mil
Salas de Recursos Multifuncionais em todo o país, todas elas dispondo de kits
de recursos pedagógicos e recursos de TA. São exemplos de ações
importantes que estimularam e fomentaram novas pesquisas, inovação,
produção, disponibilização e comercialização de recursos, na área da TA.
Lamentavelmente, as ações nessa área têm sofrido graves retrocessos
nos últimos anos, com uma significativa redução de investimentos e de
políticas públicas na área da TA. Ações importantes foram interrompidas ou
abandonadas, como, por exemplo, a realização da Pesquisa Nacional de
Inovação em Tecnologia Assistiva (PNITA), a qual, após a realização de três
versões da mesma, não mais foi renovada até o momento9. A relevância e a
contribuição dessa pesquisa se encontra, principalmente, no mapeamento que

7
O Decreto N.º 7.612 de 17 de novembro de 2011, que instituiu o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa
com Deficiência - Plano Viver sem Limite, está disponível em:
[Link]
8
Documento disponível em:
[Link]
9
Publicações com a análise sobre os resultados de duas versões dessa pesquisa podem ser acessadas nos
seguintes endereços:
[Link]
[Link]
realiza sobre o que está ocorrendo na área da TA no país num dado momento,
inclusive por ser uma área com dados bastante móveis, mutáveis em curto
espaço de tempo, em decorrência do crescimento nas pesquisas e também
dos atuais rápidos avanços tecnológicos. A PNITA, portanto, se tornava uma
bússola para a configuração e estruturação de novas políticas públicas nessa
área. Por esse motivo, esse tipo de pesquisa deve ser periodicamente
atualizado, dado que:
A escassez desses estudos acarreta, como uma de suas
consequências mais importantes, grandes dificuldades para a
definição e formatação de políticas públicas nessa área e para a
configuração adequada de iniciativas de apoio e fomento a
projetos com esse foco. Que iniciativas apoiar? Com que volume
de recursos? Quais as subáreas prioritárias? Quais são as
maiores demandas? Onde elas ocorrem? Que resultados têm
sido alcançados? A necessidade de responder a estas e a
outras perguntas desse tipo tem se tornado cada vez mais
urgente. (GALVÃO FILHO e DELGADO GARCIA, 2012, p. 8)

Além dessa, outras importantes ações também foram interrompidas pelo


poder público nos últimos anos. Como exemplos, a interrupção da publicação
do Catálogo Nacional de Produtos de Tecnologia Assistiva, a retirada do Portal
Nacional de Tecnologia Assistiva, a desativação do funcionamento de órgãos
colegiados que desenvolviam estudos nessa área, entre outros retrocessos.
Uma das informações importantes obtidas pela PNITA se refere à
escassez de processos formativos mais aprofundados na área da TA, no Brasil,
configurando-se numa das maiores lacunas entre os elementos indispensáveis
para o crescimento e a consolidação dessa área no país.
Se, por um lado, é possível detectar consideráveis avanços na área da
TA, em diferentes dimensões, como a das pesquisas, da inovação, do
desenvolvimento e produção, da comercialização, da disponibilização de
recursos e das políticas públicas, como foi analisado anteriormente, por outro
lado, a escassez de processos formativos de recursos humanos especializados
nessa área pode ser percebida como uma importante lacuna e um grave
gargalo, a represar um avanço mais acelerado da área da Tecnologia Assistiva
no Brasil.
E essa realidade brasileira está na contramão da tendência internacional
de crescimento acelerado na disponibilização de processos formativos
aprofundados, principalmente em nível de graduação e pós-graduação stricto
sensu, num número crescente de países, conforme pode ser verificado nas
listas internacionais de cursos, publicadas por organizações profissionais da
área, como a RESNA10, Rehabilitation Engineering and Assistive Technology
Society of North América, e a SUPERA11, Sociedade Portuguesa de
Engenharia de Reabilitação, Tecnologias de Apoio e Acessibilidade. A
SUPERA e a RESNA, por exemplo, relacionam 49 cursos de formação superior
na área da Tecnologia Assistiva, existentes em diferentes países do mundo.
Enquanto isso, no Brasil ainda não existia, até 2018, nem um único
curso de Graduação, Mestrado ou Doutorado com foco específico na área da
Tecnologia Assistiva.

2. Princípios norteadores e perspectivas na formação superior de


profissionais na área da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade no Brasil:
um relato.

A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, principalmente


a partir do ano de 2012, vem realizando estudos e ações com vistas a
contribuir para a redução dessa lacuna no país.
Em 2012, a partir da constituição de um grupo de trabalho pela reitoria
da UFRB, foi elaborado o projeto de implantação do Núcleo Interdisciplinar em
Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (NITA). Este projeto foi submetido a um
Chamamento de Propostas para a Constituição de Núcleos de Tecnologia
Assistiva, da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS)
do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Este projeto do NITA
foi aprovado, em primeiro lugar no país, no primeiro grupo de Núcleos de TA a
terem sua implantação apoiada, conforme o resultado anunciado pela Portaria
Nº 65 de 6 de julho de 2012, do MCTI12. Com isso, foi possível, a partir dos
recursos recebidos, adquirir uma considerável quantidade de equipamentos e
recursos de TA, para o aprofundamento dos estudos e pesquisas
desenvolvidas nessa área na UFRB, no âmbito do NITA.

10
Lista de cursos superiores na área de TA, disponibilizada pela RESNA em:
[Link]
11
Lista de cursos superiores na área de TA, disponibilizada pela SUPERA em:
[Link]
12
A íntegra do texto da Portaria Nº 65 de 6 de julho de 2012, do MCTI, está disponível em:
[Link]
A seguir, no ano de 2013, um grupo de trabalho elaborou e apresentou à
reitoria da UFRB o primeiro projeto de um curso superior em Tecnologia
Assistiva e Acessibilidade, para uma formação de Tecnólogos em Tecnologia
Assistiva e Acessibilidade, com duração de três anos, a ser implantado no novo
campus da UFRB, em Feira de Santana, o recém criado Centro de Ciência e
Tecnologia em Energia e Sustentabilidade – CETENS13. Este projeto recebeu o
apoio da reitoria, devendo iniciar os trâmites necessários para a sua
implantação.
Entretanto, a partir do aprofundamento das reflexões para a implantação
desse curso para a formação de tecnólogos, foi sendo percebida a
necessidade e a relevância de que este fosse um curso de engenharia, com
cinco anos de duração, principalmente devido à amplitude da área a ser
estudada e das demandas sociais existentes, necessitando, para dar conta
dessas demandas, de um tempo maior de formação e em uma carreira de
engenharia, para que se pudesse alcançar o grau de aprofundamento e
abrangência suficiente, de maneira a que fosse disponibilizado à sociedade um
profissional solidamente formado, que efetivamente desse conta das novas e
crescentes demandas existentes no país, nessa área.
É importante destacar que, historicamente, novas formações relevantes
sempre surgem a partir dos avanços que acontecem, tanto em relação às
novas consciências sociais que vão sendo geradas e construídas ao longo dos
séculos, quanto devido aos avanços tecnológicos que também sempre estão
presentes no caminhar da humanidade. Tudo isso gerando, para a sociedade,
a necessidade de dispor de recursos humanos devidamente formados com as
novas habilidades e competências que possam viabilizar o atendimento desses
avanços e dessas novas demandas sociais.
Por exemplo, os atuais acelerados avanços em toda a tecnologia médica
e hospitalar, novos aparelhos e equipamentos cirúrgicos e de diagnóstico, entre
outras tecnologias da área da saúde, geraram novas demandas de habilidades
e competências específicas, que levaram à criação de uma nova engenharia, a
Engenharia Biomédica.

13
O CETENS, Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade, campus Feira de Santana
da UFRB, foi criado em setembro de 2013.
No campo da Tecnologia Assistiva, como foi analisado anteriormente, os
avanços nos paradigmas e conceitos relativos aos direitos das pessoas com
deficiência e das pessoas idosas, com a crescente presença e participação
dessas pessoas na sociedade, geram avanços e demandas em outros âmbitos,
como os avanços no âmbito legal e os avanços tecnológicos, com a Tecnologia
Assistiva passando a ser percebida e caracterizada como um direito básico de
todo o cidadão com deficiência ou idoso, para a sua efetiva inclusão social e
acesso ao direito de atividade e participação na sociedade. E essa nova
realidade social amplia, de forma crescente e bastante significativa, a
necessidade de novos estudos, pesquisas, inovação e disponibilização de
recursos na área de TA e, portanto, a necessidade de novos recursos humanos
especificamente formados para efetivamente dar conta dessa demanda. E,
como também foi visto anteriormente, o Brasil encontra-se bastante atrasado
nesse processo de formação de recursos humanos especializados na área da
Tecnologia Assistiva.
Dessa forma, surge a proposta do Curso de Engenharia de Tecnologia
Assistiva e Acessibilidade como uma iniciativa pioneira da UFRB, por se tratar
do primeiro curso de graduação com esse foco específico no Brasil, na busca
de responder a esta crescente demanda social e contribuir para a redução
dessa lacuna na formação superior de recursos humanos especializados na
área de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade, no país.
Para isso, a reitoria da UFRB nomeou uma comissão para a elaboração
do Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Por se tratar de primeiro curso do
Brasil nesta área, foi necessário que a comissão, para seus estudos e
definições, buscasse subsídios fora do país, em outros cursos de engenharia já
existentes com esse foco específico.
Uma referência importante para isso foi o curso de Engenharia de
Reabilitação e Acessibilidade Humana, implantado em 2007 na Universidade
de Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD, no norte de Portugal. As interações
com essa universidade portuguesa foram bastante ricas e produtivas, tendo,
inclusive, sido aprovado um projeto de cooperação internacional entre a UFRB
e a UTAD, com o apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização,
Diversidade e Inclusão – SECADI e da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior – CAPES, órgãos do MEC, por meio do qual foi
possível enviar, ao longo de três anos, oito estudantes da UFRB que
passaram, cada um, 12 meses cursando uma Graduação Sanduíche na UTAD,
desenvolvendo estudos específicos na área da Tecnologia Assistiva e
Acessibilidade, entre os anos de 2016 e 2019.
Também neste período foi criado o NETAA, o Núcleo de Estudos,
Pesquisa e Extensão em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade do
CETENS/UFRB, em função, principalmente, do crescente grupo, não apenas
de estudantes, mas também de docentes e outros profissionais, da UFRB e de
outras instituições, que foram se aproximando do CETENS na busca de um
maior aprofundamento e sistematização das reflexões, pesquisas e ações na
área da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade. O NETAA que, conforme
determina o Art. 45 do Regimento Geral da UFRB, foi instituído pelo Conselho
Diretor do CETENS e aprovado por unanimidade pelo Conselho Universitário –
CONSUNI da UFRB, em sua reunião plenária de setembro de 201614, tem,
como seu objetivo geral, a missão de desenvolver, articular e apoiar projetos de
pesquisa, ensino e extensão na área da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade
na UFRB, favorecendo a inclusão educacional e social de pessoas com
deficiência ou mobilidade reduzida, tanto na sua comunidade acadêmica,
quanto no seu entorno, em diferentes comunidades do Estado da Bahia,
articulando-se também com Núcleos congêneres de outras instituições de
educação superior do país e do exterior. A partir daí, iniciaram-se as reuniões
mensais de estudos do NETAA, no Laboratório de Tecnologia Assistiva do
CETENS.
Para a elaboração do PPC, Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia
de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade, a comissão responsável considerou
fundamental e indispensável primeiramente identificar, da forma mais precisa
possível, as principais demandas sociais e lacunas relativas à existência e
atuação de profissionais formados especificamente para esta área e,
consequentemente, traçar o perfil que o egresso do curso deveria ter, para dar
conta dessas crescentes demandas e lacunas. Com isso, se tornaria possível
que, posteriormente, pudessem ser definidos, com a devida pertinência, os
conhecimentos, conteúdos estruturantes e componentes curriculares que

14
[Link]
efetivamente formassem estudantes e profissional com esse perfil de egresso,
com o necessário domínio desses conhecimentos, e com as habilidades e
competências demandadas.
Nessa etapa foram identificadas as principais demandas sociais
emergentes que ainda não contavam com um profissional especificamente
formado para dar conta das mesmas. E, a partir daí, foram relacionadas
diferentes características e capacidades que configuravam o perfil do egresso
do curso de Engenharia de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade da UFRB,
com destaque para as seguintes capacidades e habilidades demandadas:
• Analisar os principais processos do desenvolvimento humano, normal e
atípico, nas diferentes fases de sua evolução;

• Refletir sobre a deficiência como uma condição de caráter não apenas


orgânico, mas também social, condicionada pela acessibilidade
proporcionada pelos ambientes;

• Conhecer os principais pressupostos conceituais e epistemológicos que


envolvem a deficiência, analisando criticamente a realidade nos seus
aspectos social, político e econômico.

• Avaliar diferentes ambientes, atividades e rotinas quanto aos seus


problemas de acessibilidade, nas suas dimensões arquitetônica,
atitudinal, comunicacional, metodológica, programática, instrumental e
tecnológica, e suas necessidades de Tecnologia Assistiva, e, a partir
disso, elaborar, propor e executar projetos estruturantes, que promovam
soluções em relação às barreiras e lacunas encontradas, e a construção
de uma cultura de acessibilidade e inclusão;

• Coordenar a elaboração e execução de projetos de pesquisa e


desenvolvimento de Produtos e Serviços de Tecnologia Assistiva,
levando a contribuição específica de um enfoque e uma formação
holística e interdisciplinar, além de sólidos conhecimentos sobre as
características, necessidades e potencialidades dos usuários público-
alvo da Tecnologia Assistiva, em seus diferentes contextos de atividade
e participação;

• Participar da inovação em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade no


âmbito de projeto, produção e exploração de sistemas e equipamentos;

• Desenvolver pesquisas que favoreçam a produção de conhecimentos na


área de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade;

• Avaliar usuários, em interação com diferentes ambientes, atividades e


processos, quanto às suas necessidades de Tecnologia Assistiva e
Acessibilidade, elaborando e propondo soluções e projetos para cada
realidade;

• Avaliar produtos de Tecnologia Assistiva e realizar um controle de


qualidade desses produtos;

• Desenvolver uma capacidade empreendedora, atuando na gestão de


processos de produção de bens e serviços de Tecnologia Assistiva e
Acessibilidade;

• Atuar na gestão de processos que envolvam produção, comercialização


e marketing de recursos e serviços de Tecnologia Assistiva;

• Realizar trabalho em equipe multi e interdisciplinar;

• Desenvolver pesquisas aplicadas e prestação de serviços;

• Implementar projetos de natureza tecnológica que se traduzam na


promoção da melhoria da qualidade de vida do usuários da Tecnologia
Assistiva;

• Adotar a atitude proativa de investir em sua própria formação


continuada, criando espaços para desenvolvimento de seus projetos
pessoais, e continuamente “aprendendo a aprender”.
(PRINCIPAL FONTE: UFRB, 2018, p. 21-22)
Pode-se perceber, a partir dessas características e desse perfil do
egresso, a fundamental necessidade de que este novo engenheiro tenha um
conhecimento aprofundado sobre o público-alvo da Tecnologia Assistiva,
principalmente sobre as pessoas com deficiência e as pessoas idosas. Quem
são essas pessoas? Quais as principais características, particularidades,
demandas, potencialidades e direitos dessas pessoas? Como aprender a
investigar e conhecer essas necessidades e características particulares de
cada uma delas, sendo que cada pessoa é única e diferente das demais?
Também a necessidade de um conhecimento aprofundado sobre as diferentes
deficiências e sobre o processo de envelhecimento humano. Para isso, este
engenheiro deverá estudar e conhecer também sobre a anatomia humana e
sobre a gerontecnologia, por exemplo.
A partir da identificação e proposição desse perfil do egresso do curso,
elaborado de maneira que este profissional possa abordar e responder, de
forma abrangente e eficaz, as crescentes demandas sociais nessa área, foi
possível construir e estabelecer a estrutura desse curso, com as Temáticas
Estruturantes necessárias para a formação deste profissional. É importante
compreender que este curso de engenharia foi implantado em dois ciclos,
sendo que o primeiro ciclo, o Bacharelado Interdisciplinar em Energia e
Sustentabilidade – BES, com seis semestres de duração, é comum a todas as
engenharias do CETENS15, pois é nele que são estudados os conteúdos
básicos específicos das engenharias, como todas as disciplinas de Cálculo e
Física, por exemplo.
Quanto à estrutura do curso no seu segundo ciclo, com os
conhecimentos específicos da área de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade,
foram identificados, primeiramente, três eixos condutores, que abarcam todas
essas Temáticas Estruturantes necessárias ao curso, a saber:

EIXO 1 - DEFICIÊNCIA, MOBILIDADE REDUZIDA E REALIDADE: Voltado


principalmente para os estudos relacionados ao usuário final da Tecnologia
Assistiva em seus diferentes contextos de atividade e participação.

EIXO 2 - PRODUTOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA A


ACESSIBILIDADE E AUTONOMIA.

EIXO 3 - SERVIÇOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA E CULTURA INCLUSIVA.


(FONTE: UFRB, 2018, p. 19)
Em cada um desses eixos foi possível agrupar as principais Temáticas
Estruturantes propostas para o curso, para que, a partir delas, se chegasse a
posterior definição das disciplinas, ou componentes curriculares, organizados
em uma Matriz Curricular, sistematizando o estudo e o aprendizado desses
conteúdos. Com destaque para as seguintes temáticas:

EIXO 1 - DEFICIÊNCIA, MOBILIDADE REDUZIDA E REALIDADE


Temáticas Estruturantes:
• Etiologias e características das deficiências;

• Concepções e paradigmas sobre a deficiência ao longo da história;

• Possibilidades e desafios para a pessoa com deficiência na sociedade


contemporânea, nas suas diferentes áreas de atividade e participação;

15
A relação dos cursos do CETENS está disponível em:
[Link]
• Particularidades, possibilidades e desafios para o idoso na sociedade
contemporânea, nas suas diferentes áreas de atividade e participação;

• Áreas de pesquisa sobre as deficiências;

• Introdução aos estudos de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade;

• Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em TA.

• Políticas públicas e programas oficiais com foco na promoção de direitos


e autonomia de pessoas com deficiência e idosas.
(FONTE: UFRB, 2018, p. 26)

EIXO 2 – PRODUTOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA A


ACESSIBILIDADE E AUTONOMIA

Temáticas Estruturantes:
• Produtos de TA para a autonomia e acessibilidade física e motora;

• Produtos de TA para a autonomia e acessibilidade sensorial;

• Produtos de TA para a autonomia e acessibilidade comunicacional;

• Produtos de TA e a área da Computação e das Tecnologias Digitais;

• Produtos de TA e a área da Mecânica;

• Produtos de TA e a área da Eletroeletrônica;

• Produtos de TA e a área da Arquitetura e Engenharia;

• Produtos de TA e a área da Saúde.


(FONTE: UFRB, 2018, p. 26)

EIXO 3 – SERVIÇOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA E CULTURA INCLUSIVA

Temáticas Estruturantes:

• Projeto e configuração de ambientes acessíveis e da construção de uma


cultura de acessibilidade e inclusão (escola, empresa, comércio, lazer,
residência etc.);

• Formação do usuário final para seleção e uso da TA apropriada;

• Acompanhamento do usuário final na configuração, customização e uso


de TA;
• Avaliação de usuários e de ambientes para as decisões sobre a seleção
e aquisição de TA apropriada;

• Manutenção da TA.
(FONTE: UFRB, 2018, p. 27)

A partir dessas definições, a comissão para a construção do Projeto


Pedagógico do Curso já possuía os elementos fundamentais e indispensáveis
para a elaboração e proposição de uma Matriz Curricular adequada e
consistente, com as respectivas ementas e referências de cada componente
curricular dessa Matriz16. Dada a amplitude das possibilidades de estudo e
atuação profissional na área da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade, os
componentes optativos dessa Matriz Curricular foram estruturados de forma a
que os estudantes possam buscar um maior aprofundamento nas subáreas
pelas quais cada um tenha um maior interesse e desejo preferencial de
atuação, como, por exemplo, na área das tecnologias digitais, ou da
automação residencial, ou da TA para a educação, ou da robótica assistiva,
entre outras áreas.
Concluída a elaboração do PPC de Engenharia de Tecnologia Assistiva
e Acessibilidade17, o mesmo foi submetido e aprovado nas tramitações internas
da universidade, obtendo-se, posteriormente, a autorização de funcionamento
do curso, pelo Ministério da Educação – MEC, no ano de 2018, conforme a
Portaria Nº 330, de 11 de maio de 201818.
Com isso, iniciaram-se as atividades do curso, contando com um corpo
docente qualificado e interdisciplinar, para dar conta dessa característica
intrínseca da Tecnologia Assistiva e da Acessibilidade, que é a
interdisciplinaridade. São docentes com diferentes formações, em áreas como
a das engenharias (Mecânica, Elétrica, Eletrônica, Computacional, Civil), área
da Arquitetura, área da Saúde (Fisioterapia, Terapia Ocupacional), área das
Ciências Humanas e Sociais (Psicologia, Pedagogia, Sociologia).
16
A Matriz Curricular do curso de Engenharia de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade da UFRB, com
seus dois ciclos, pode ser acessada no seguinte endereço da página do curso:
[Link]
17
O PPC de Engenharia de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade da UFRB pode ser acessado no
seguinte endereço da página do curso:
[Link]
18
A Portaria Nº 330, de 11 de maio de 2018, do MEC, está disponível no seguinte endereço da página do
curso:
[Link]
Comprovando a característica interdisciplinar desse corpo docente, constata-se
que as formações desses docentes abrangem todas essas áreas19. Com isso,
tornou-se possível contemplar amplamente o caráter interdisciplinar da Matriz
Curricular do curso.
Uma questão fundamental, principalmente para as perspectivas futuras
de trabalho dos estudantes de Engenharia de Tecnologia Assistiva e
Acessibilidade, é a identificação mais precisa possível das principais áreas de
atuação desse engenheiro. Em função, portanto, das crescentes e urgentes
demandas da sociedade nessa área, é possível identificar algumas dessas
áreas de atuação desse profissional, com a indicação da relevância social de
cada uma delas:

ELABORAÇÃO, IMPLEMENTAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS DE


ACESSIBILIDADE:
Possibilitar que diferentes organizações, tais como empresas, redes
educacionais, ambientes de lazer, instituições públicas e privadas, entre
outras, estejam em conformidade com a legislação brasileira referente à
Acessibilidade e à inclusão social de pessoas com deficiência, por meio da
elaboração, implementação e/ou gestão de projetos estruturantes de
Acessibilidade, específicos para cada realidade estudada, a partir da
avaliação dos ambientes, atividades e rotinas quanto às barreiras de
Acessibilidade, nas suas dimensões arquitetônica, instrumental e
tecnológica, atitudinal, comunicacional, metodológica e programática, e suas
necessidades de Tecnologia Assistiva.

Relevância:
- Conformidade com a legislação nacional na área (por exemplo: Lei de
Cotas- Lei nº 8.213, de 24/07/1991; Lei Brasileira de Inclusão LBI- Lei nº
13.146, de 06/07/2015, entre outras).
- Ampliação da visibilidade institucional com a efetivação de projetos de
Responsabilidade Social.
- Ampliação das possibilidades de acesso e circulação nos ambientes da
organização, beneficiando não apenas os seus trabalhadores, mas também
clientes, fornecedores, visitantes e público em geral.
- Melhores condições de trabalho para os colaboradores, com maior
satisfação dos mesmos.

DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS E SERVIÇOS DE


TECNOLOGIA ASSISTIVA E ACESSIBILIDADE:
Por se tratar de uma área ainda nova, com crescente demanda de usuários,

19
A relação nominal do corpo docente do curso de Engenharia de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade
da UFRB, principalmente do segundo ciclo, pode ser acessada no seguinte endereço da página do curso:
[Link]
principalmente pessoas com deficiência e pessoas idosas, há uma
diversidade de características dessas demandas, que exigem um
permanente processo criativo de pesquisa e desenvolvimento de novos
produtos e inovações em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade.

Relevância:
- Atendimento de um leque cada vez mais amplo de usuários e de suas
necessidades específicas.
- Ampliação das opções do mercado de produtos e serviços de Tecnologia
Assistiva e Acessibilidade.
- Redução gradativa dos preços finais dos produtos para o usuário final pelo
aumento da oferta diversificada de produtos e do aperfeiçoamento
tecnológico dos mesmos.

ASSESSORAMENTO PARA A ELABORAÇÃO E AVALIAÇÃO DE


POLÍTICAS PÚBLICAS NA ÁREA DA TECNOLOGIA ASSISTIVA E
ACESSIBILIDADE:
Assessoramento e consultoria para órgãos públicos, com vistas à
elaboração, implementação e acompanhamento de Políticas Públicas na
área da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade, com a necessária relevância e
fundamentação, nas diferentes esferas governamentais, que favoreçam o
atendimento das demandas da população nessa área, e a construção de
uma cultura de Acessibilidade e Inclusão.

Relevância:
- Subsidiar o poder público com a fundamentação necessária para a
elaboração e implementação de relevantes Políticas Públicas na área da
Tecnologia Assistiva e Acessibilidade.
- Contribuir para a definição das prioridades e do escopo dessas Políticas
Públicas nesta área.
- Auxiliar os órgão públicos na avaliação de resultados das Políticas Públicas
efetivamente implementadas.

AVALIAÇÃO E ORIENTAÇÃO DE POTENCIAIS USUÁRIOS DE


PRODUTOS E SERVIÇOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA:
Avaliar usuários, em interação com diferentes ambientes, atividades e
processos, quanto às suas necessidades de Tecnologia Assistiva e
Acessibilidade, elaborando e propondo soluções e projetos para cada
realidade.

Relevância:
- Aplicação racional dos recursos financeiros na aquisição, pelo usuário, ou
por setores governamentais e empresariais, de produtos de Tecnologia
Assistiva mais adequados e eficientes, com a necessária aderência às
necessidades específicas de cada usuário.
- Redução dos índices de abandono de produtos de Tecnologia Assistiva,
adquiridos sem a devida e precisa avaliação das necessidades específicas
de cada usuário.
- Favorecimento da autonomia e da qualidade de vida de pessoas com
deficiência ou pessoas idosas, com a possibilidade do uso dos recursos de
Tecnologia Assistiva mais adequados para a atividade, participação e
inclusão social dessas pessoas.

FORMAÇÃO DE MULTIPLICADORES DE CONHECIMENTOS NA ÁREA DA


TECNOLOGIA ASSISTIVA E ACESSIBILIDADE:
Atuar na formação de recursos humanos na área de Tecnologia Assistiva e
Acessibilidade, realizando a capacitação de multiplicadores de conhecimentos
nessa área, com a finalidade de reduzir essa lacuna existente no país, com a
escassez de pessoas formadas para responder a esta crescente demanda.

Relevância:
- Possibilitar um atendimento eficiente às empresas e instituições que
necessitam reconfigurar seus espaços, equipamentos, atividades e rotinas para
melhor atenderem esses segmentos da população, estando em conformidade
com a legislação vigente no país, nesta área.
- Possibilitar que o setor público, nos seus diferentes âmbitos, passe a poder
contar com o assessoramento de pessoal especificamente capacitado para o
desenvolvimento e implementação de Políticas Públicas na área da
Tecnologia Assistiva e Acessibilidade.
- Permitir que as empresas de produção e comercialização de produtos e
serviços de Tecnologia Assistiva disponham de pessoal especializado e
adequadamente formado para comporem suas equipes.

VIABILIZAÇÃO DO ACESSO ÀS TECNOLOGIAS DIGITAIS E AO


AMBIENTE VIRTUAL
Favorecer o acesso das pessoas com deficiência e pessoas idosas,
independente do seu comprometimento sensorial ou motor, às tecnologias
digitais e ao ambiente virtual, por meio do desenvolvimento, seleção e
configuração de softwares de acessibilidade, de hardwares especiais,
acionadores e sensores, em função de suas necessidades específicas, além
da promoção da Acessibilidade WEB.

Relevância:
- Acesso aos ambientes virtuais de aprendizagem e à educação à distância.
- Acesso a diferentes possibilidades laborais por meio das tecnologias digitais.
- Acesso a informações, serviços e lazer, disponíveis nos ambientes digitais e
virtuais.

ATUAÇÃO EM SEGMENTOS DE COMERCIALIZAÇÃO, DIVULGAÇÃO E


MARKETING NA ÁREA DA TECNOLOGIA ASSISTIVA E
ACESSIBILIDADE:
O conhecimento aprofundado e interdisciplinar na área da Tecnologia
Assistiva e Acessibilidade possibilita uma atuação eficiente e pró-ativa nos
diferentes ramos de comercialização, divulgação e marketing de produtos e
serviços nessa área.

Relevância:
- Disponibilizar, no mercado de produtos e serviços de Tecnologia Assistiva e
Acessibilidade, recursos humanos que possuem os conhecimentos mais
relevantes e atualizados para o comércio e a divulgação desses recursos.
- Atender a diferentes tipos de usuários, gestores e profissionais, interessados
nos produtos e serviços na área da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade.

AVALIAÇÃO DE PRODUTOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA E


REALIZAÇÃO DO CONTROLE DE QUALIDADE DESSES
PRODUTOS:
Num mercado de produtos de Tecnologia Assistiva com escassez de
profissionais especializados nessa área, a realização eficiente da avaliação e
controle de qualidade de seus produtos permite o crescimento dos processos
de produção e comercialização dos mesmos, além da segurança dos
usuários, profissionais e gestores na aquisição e uso desses produtos.

Relevância:
- Segurança dos usuários quanto a riscos de uso e quanto a durabilidade dos
produtos de Tecnologia Assistiva que adquiram e utilizem.
- Evitar o desperdício de recursos na aquisição de produtos que não tenham
passado por um eficiente controle de qualidade.

ATUAÇÃO NA PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO NAS


DIFERENTES ÁREAS DE PRODUTOS E SERVIÇOS DE TECNOLOGIA
ASSISTIVA E ACESSIBILIDADE

O caráter interdisciplinar da formação do Engenheiro de Tecnologia Assistiva


e Acessibilidade permite sua atuação na pesquisa, desenvolvimento e
inovação nos diferentes nichos dessa área, tais como: automação residencial
(domótica), adaptação veicular, mobilidade pessoal (cadeiras de rodas
manuais ou motorizadas, exoesqueletos, bengalas etc.), órteses e próteses,
comunicação alternativa e aumentativa, recursos para acesso digital e virtual,
normas de acessibilidade física, entre outros.

Relevância:
- Versatilidade e amplitude das possibilidades de atuação, e das
possibilidades de pesquisas, produção de inovação e de produtos em
diferentes áreas.
- Possibilidade de combinar diferentes soluções e produtos para um mesmo
usuário, contemplando todo o universo de necessidades desse usuário.
- Possibilidade de combinar diferentes soluções e produtos para uma mesma
organização pública ou privada, contemplando todo o universo de
necessidades dessa organização.

3. Concluindo

Estas reflexões e relato são apresentados no intuito de buscar


contribuir para a compreensão sobre a realidade atual relativa à formação
superior na área da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade no Brasil, com seus
pressupostos teóricos e sociais, e descrever uma proposta de princípios
norteadores e perspectivas para essa formação, a partir do relato concreto
sobre a implantação de um curso de engenharia nessa área.
Pode-se concluir que uma das consequências fundamentais da missão
e ação do profissional de Engenharia de Tecnologia Assistiva e Acessibilidade
é possibilitar e ajudar a sociedade a cumprir a lei. Ou seja, disponibiliza
conhecimentos e intervenções concretas nessa sociedade de maneira a
contribuir para que sejam efetivamente alcançados, no seu cotidiano, todos os
direitos das pessoas com deficiência e das pessoas idosas.
Um profissional, portanto, cuja atuação tem um impacto imediato na
vida de um crescente número de pessoas, contribuindo para a sua autonomia,
atividade e partipação, qualidade de vida, e inclusão social.

Referências

BRASIL, 2009. Decreto n° 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a


Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu
Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007.
Disponível em: <[Link]
2010/2009/decreto/[Link]> Acesso em 21 jan. 2022.

BRASIL, 2015. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei


brasileira de inclusão da pessoa com deficiência - Estatuto da pessoa com
deficiência. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2015.
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CAT, 2007. Ata da Reunião VII, de dezembro de 2007, Comitê de Ajudas


Técnicas, Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da
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