Osce GO
Osce GO
Osce Ginecologia
Anamnese ginecológica
1. Identificação: nome, idade, cor, profissão, religião, estado civil, naturalidade (avaliar
condições em zonas endêmicas), procedência.
2. Queixa principal: as queixas mais comuns são leucorreia, irregularidade menstrual com
atraso menstrual ou aumento do sangramento.
3. História da moléstia atual:
a. Sangramento:
Duração do ciclo
Intervalo das datas
Tratamentos prévios
Correlação do sangramento com uso de anticoncepcionais
b. Dor:
Tipo
Duração
Relação com o ciclo e com hábito intestinal e urinário
Tratamento prévios
Correlação com processos infecciosos
c. Leucorreia:
Aspecto
Cor
Odor
Queixa de ardência
Prurido
Dor na relação
Queixas do parceiro
4. Interrogatório dos diferentes aparelhos:
Cabeça e pescoço: investigar cefaleia com relação a menstruação ou com uso de
contraceptivos, cefaleias com aura, que pioram com uso de contraceptivo podem se tornar
uma contraindicação para o método.
Aparelho respiratório: queixas de falta de ar, falta de ar ao deitar, dor ao respirar, presença
de tosse que leva a perda de urina
Aparelho cardiovascular: falta de ar, dispneia aos esforços.
Aparelho digestivo: azia, epigastralgia, refluxo, hábito intestinal, náuseas e vômitos
Aparelho urinário: hábito urinário, número de micções, disúria, queixas ao urinar, correlação
das queixas urinarias com queixas de corrimento, urgência urinaria, hematúria, polaquiúria,
nictúria, incontinência urinária
Mamas: investigar queixas de dor (mastalgia ou mastodinia?), aumento de volume,
deformidades, aparecimento de caroços, inchados, secreções mamilares (cor, aspecto, se
espontânea ou não, unilateral ou uniductal ou multiductal)
Aparelho locomotor: problemas de quadril, cirurgias previas, cirurgias em coluna, doenças
musculares e desmielinizantes que podem interferir tanto na anestesia como em cirurgias
em que é necessário o posicionamento em posição ginecológica, dores osteoarticulares
fazem parte do diagnóstico diferencial em ginecologias. As doenças neuromusculares
podem interferir na incontinência urinária.
5. Antecedentes familiares - indicar o familiar
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Câncer: pesquisa de tumores que podem ter aumento de incidência familiar como CA de
mama, ovário e intestino.
Tuberculose
Hipertensão
Trombose
AVC
Infarto
Osteoporose
6. Antecedentes pessoais - Mesmos dos familiares +
Asma
Sífilis
Transfusões
Tabagismo
Consanguinidade
Uso de drogas
ALERGIAS
Cirurgias prévias
Anestesias (problemas prévios? Cefaleia pós raqui?)
7. Antecedentes ginecológicos
Menarca
DUM
Telarca
Pubarca
Ciclos menstruais:
Intervalo de quantos em quantos dias
Dias de duração
Quantidade
Coágulos
Dismenorreia? Dispareunia?
Mamas
Exame físico das mamas:
Inspeção estática.
Inspeção dinâmica.
Palpação de LFN: axilar, supraclavicular e infraclavicular.
Palpação da mama.
DERRAME PAPILAR
Anamnese: investigar uso de fármacos, identificar fatores de risco para CA de mama.
Característica:
Lácteo: Hiperprolactinemia (fisiológico, gestação, prolactinoma, medicamentosa).
Multicolor (verde/amarelo/marrom): alteração funcional benigna da mama ou ectasia
ductal.
Sanguíneo/Serosanguíneo: A principal causa de derrame papilar sanguinolento é o
papiloma intraductal que é benigno. Pode ser também carcinoma papilífero.
QUANDO INVESTIGAR: unilateral; uniductal; descarga espontânea; água de rocha;
sanguinolento
Investigação através da biopsia/ressecção ductal
MASTALGIA
Queixas: dor mamária, ingurgitamento, aumento da sensibilidade.
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Fatores de risco: estresse, tabagismo, uso de antidepressivos e ansiolíticos.
Tipos:
a. Cíclica
Dor na fase lútea tardia, bilateral, difusa, em QSE, corresponde ao ciclo
menstrual, dor em peso, hipersensível.
Exemplo: AFBM – alteração funcional benigna da mama.
b. Acíclica
Não tem associação com o ciclo menstrual, ocorre na 4ª década de vida,
unilateral e localizada, mas pode ser bilateral em atletas. É uma dor em
queimação e pontada.
Exemplo: mastite, abscesso, adenose esclerosante e ectasia.
Classificação da dor
Dor leve - não interfere na qualidade de vida
Moderada - interfere na qualidade de vida, mas interfere nas atividades diárias
Grave - interfere na qualidade de vida
Exames de imagem: Raio-X; Mamografia; USG em jovens.
Tratamento
Conduta expectante.
Avaliar uso de medicamentos se sintomas > 6 meses e dor grave.
Tamoxifeno (só para alívio da dor).
NÓDULO PALPÁVEL
Investigação:
1. Exame clínico
Sugere benignidade: nódulo bem delimitado, móvel, sem retração de pele,
fibroelástico.
2. PAAF
Sugere benignidade: nódulo cístico, líquido amarelo-esverdeado (não é CA) -> USG
ou MMG.
Sugere malignidade: líquido sanguinolento, > 2 recidivas, massa residual ou nódulo
sólido -> BIÓPSIA.
OBS: Fibroadenoma é sólido, mas é benigno.
3. Exame de imagem
USG ou MMG de acordo com a idade.
Indicações USG: MMG inconclusiva (BR 0), sólido x cístico, avaliação de nódulo em
jovem e gestante.
Sugere benignidade: nódulo anecóico, homogêneo, bem delimitado, com reforço
acústico posterior.
Sugere malignidade: nódulo misto (sólido e cístico), heterogêneo, mal delimitado,
com sombra acústica posterior -> BIÓPSIA.
4. BIRADS
0: MMG inconclusiva (mamas densas) -> fazer outro exame como USG/ RNM ou maior
compressão na MMG.
1: ausência de lesões, só mama -> repetir de acordo com a idade.
2: alterações benignas, regular, homogêneo, calcificação grosseira -> repetir de acordo
com a idade.
3: duvidosa (provável benigna) -> repetir em 6 meses. Acompanhar por 3 anos, se
continuar estável vira BIRADS 2.
4/5: suspeita e fortemente suspeita - nódulo espiculado, microcalcificação pleomórfica
agrupada -> BIÓPSIA.
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
6: confirmado, em tratamento
5. Biopsia: ambulatorial e biópsia cirúrgica.
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Linfonodo sentinela: o primeiro LFN que drena a área do tumor, se for negativo não precisa
continuar a dissecção axilar radical, se for positivo, faz o esvaziamento completo.
Terapia adjuvante/neoadjuvante
Quimioterapia adjuvante.
Quimioterapia neoadjuvante: antes da cirurgia para reduzir o tumor. Se faz a neoadjuvante,
não precisa da adjuvante.
Radioterapia adjuvante: sempre que fizer cirurgia conservadora. Usada também em tumores
> 4cm.
Hormonioterapia: Receptor de estrogênio +: Tamoxifeno (antagonista para mama, mas
agonista para endométrio) ou inibidores da aromatase (exclusivo para menopausadas) por
5 anos.
Tamoxifeno = SERM (modulador do receptor seletivo de estrogênio).
Terapia alvo dirigida: Trastuzumabe -> usar em pacientes com HER2 positivo.
Estadiamento
Fatores de mau prognóstico: não ter receptor hormonal; CA em mulheres jovens; expressão
HER2; acometimento linfonodal
Câncer de colo de útero
Tipos oncogênicos do HPV: 16 e 18
Fatores de risco: HPV, fatores para DST, tabagismo, baixa imunidade
Investigação: anamnese ginecológica + obstétrica + pesquisa de fatores de risco + exame físico
evidenciando dor, corrimento e/ou sangramento (indicadores de gravidade)
Rastreio: COLPOCITOLOGIA ONCÓTICA
1 vez ao ano. Após 2 coletas anuais negativa, colher a cada 3 anos.
Entre 25 a 64 anos, após a sexarca.
Parar com 64 anos se tiver dois exames normais nos últimos 5 anos.
Mesma conduta para gestantes
Portadores de HIV: início logo após a sexarca e de 6/6m no 1º ano e anualmente para o
resto da vida. Se cd4 < 200 volta a ser semestral até recuperar.
Conduta:
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Câncer de cervical
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Amenorreia
AMENORREIA PRIMÁRIA
Definição: ausência de menstruação aos 14 anos associada à falha no desenvolvimento sexual
(ausência de características sexuais secundárias) ou ausência de menstruação aos 16 anos,
mesmo com desenvolvimento sexual normal.
Investigação:
USG, FSH, LH, Prolactina, TSH, T4L, Cortisol, Testosterona livre, 17-OH-progesterona.
Exame físico: estigmas de Turner (hipertelorismo mamário, infantilismo sexual, baixa
estatura, pescoço alado, tórax em escudo), hímen imperfurado (criptomenorreia)
AMENORREIA SECUNDÁRIA
Definição: ausência de menstruação por 6 meses ou pelo período equivalente a três ciclos
consecutivos.
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Endometriose
Investigação: anamnese ginecológica + obstétrica + pesquisa de fatores de risco
Fatores de risco: menarca precoce e menopausa tardia (maior janela estrogênica), nuliparidade
(maior janela estrogênica)
Quadro clínico:
Assintomático
Dor (dismenorreia secundária)
Dispareunia (quando há implante endometrial no fundo de saco de Douglas)
Infertilidade ***
Diagnóstico:
USTV com preparo intestinal para pesquisa de endometriose
TC e RM da pelve
Padrão ouro: videolaparoscopia (vê diretamente os focos de endometriose e pode ser feito
diagnóstico e tratamento no mesmo procedimento, porém por ser invasivo não é primeira
escolha)
CA-125 positivo sugere, porem negativo não exclui
Tratamento:
Pacientes com desejo de engravidar: videolaparoscopia com ressecção/cauterização dos
focos visíveis
NÃO deseja engravidar: ACO contínuo, DIU levonogestrel, análogo de GnRH (*)
*usado por pouco tempo, causa sintomas de menopausa
Osteoporose
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Indicar uso de citrato de Cálcio ao invés do Carbonato de cálcio se: história de cirurgia
bariátrica, gastrite atrófica, câncer gástrica, acloridria e litíase renal
Candidíase
Investigação: anamnese ginecológica + obstétrica + pesquisa de fatores de risco
Fatores de risco: DM, HIV, umidade local, estresse, gestação, obesidade, uso de corticosteroides,
uso de anticoncepcional combinado, desequilíbrio da microbiota (após uso de ATB para outros tipos
de infecções)
Quadro clínico:
Leucorreia branca grumosa (aspecto de ricota)
Hiperemia
Prurido intenso
Exame físico:
Hiperemia de vulva e canal vaginal devido reação inflamatória local
Diagnóstico:
Exame a fresco: coloca secreção em lâmina e analisa no microscópio, nesse caso veremos
hifas (estruturas fúngicas)
Tratamento:
Miconazol a 2% creme vaginal – usar por 7 dias a noite
Nistatina creme vaginal 1000.000 UI – aplicar por 14 noites
Fluconazol VO é segunda opção
Outros: cetoconazol, clotrimazol, anfoericina, isoconazol
GESTANTES: o mesmo, porém SEMPRE tópico, nunca usamos flucanozol VO
NÃO precisa tratar parceiro, não é IST
NÃO precisa tratar assintomáticas, nem mesmo gestantes
Em casos de repetição (>4 episódios/ano) tratar com fluconazol 150mg D1, D4 e D7, depois
uma vez por semana durante 6 meses
Vaginose bacteriana
Agente etiológico: Gardnerella vaginalis
Bactéria presente na microbiota normal em quantidade muito pequena que em situações em
que o pH da vagina sobe ela consegue se proliferar e aumentar sua quantidade.
Fatores predisponentes: situações em que ocorre alcalinização do pH vaginal como relações
sexuais muito frequentes principalmente com ejaculação dentro da vagina, mulheres que recebem
sexo oral com muita frequência e ducha vaginal.
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Quadro clinico: leucorreia fluida branco acinzentada de odor fétido que piora após o coito e durante
a menstruação
Exame especular: leucorreia fluida branco acinzentada de odor fétido com bolhas
Testes diagnósticos:
Teste de Whiff/das aminas: passa o espéculo, pega uma Cheron com algodão e limpa a
secreção, pinga uma gota de hidróxido de potássio (KOH) no algodão com secreção e se for
bactéria anaeróbia (como a Gardnerella) irá subir um odor de peixe podre, é a volatilização
das aminas.
Exame a fresco: coloca a secreção em uma lamina e olha no microscópio, nesse caso
iremos ver as clue cells ou células alvo
Teste de pH da secreção: vai estar mais alcalina do que o normal (porém ainda ácido, por
volta de 4,5)
Critérios de Amsel: > 3
Leucorreia branco acinzentada
pH > 4,5
Teste das aminas positivo
Células alvo no exame microscópico
Tratamento
1. Primeira escolha: metronidazol 500mg de 12/12h por 7 dias
No SUS temos apenas comprimidos de 250 mg então prescrever 2cp a cada 12h
Creme não é mais utilizado
NÃO precisa tratar parceiro
NÃO tratar pacientes assintomáticas, a não ser gestantes e pacientes pré-procedimento com
manipulação
Orientar paciente a não ingerir bebidas alcóolicas durante o tratamento
Tratamento da GESTANTE: o potencial risco do uso de metronidazol na gestação (primeiro
trimestre) é inferior ao risco do paciente continuar com a vaginose (possível aborto, infecção
ovular, parto pré-termo)
2. Secunda opção: clindamicina 300 mg 1cp VO 12/12h por 7 dias
Boa opção para gestantes no primeiro trimestre de gestação
Tricomoníase
Investigação: anamnese ginecológica + obstétrica + pesquisa de fatores de risco
Fatores de risco: perguntar sobre parcerias sexuais, uso de preservativos e contraceptivos, se já
teve quadro antes e se já fez algum tratamento
Quadro clínico:
Leucorreia verde, abundante e bolhosa
Prurido
Colpite tigroide – colo em morango (reação inflamatória do colo)
Odor ruim
Exame especular: corrimento verde, abundamente e bolhoso, colo em morango, odor ruim
Testes diagnósticos:
Teste do pH: vai estar mais “alcalino” do que o normal, > 4,5
Exame a fresco: coloca secreção na lamina e analisa no microscópio: veremos protozoário
com flagelo se movendo
Tratamento: metronidazol 500mg 12/12h por 7 dias OU 2g VO em dose única (gestante)
Sempre tratar o parceiro pois é IST e pacientes assintomáticas devido risco de transmissão
Orientar não fazer uso de álcool durante o tratamento
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Osce Obstetrícia
Anamnese obstétrica
1. Identificação: nome, idade, cor, profissão, religião, estado civil, naturalidade, procedência
2. Queixa principal: todas as queixas devem ser investigadas quanto ao tempo, intensidade,
características, tratamentos prévios.
3. História da moléstia atual ginecológica: focar em dor, sangramento, corrimentos vaginais,
perda de liquido, falta de percepção de movimentos fetais.
4. História da gestação atual:
DUM: primeiro dia da última menstruação
DPP: somamos 7 dias ao primeiro dia da DUM e caso ultrapasse o número de dias
do mês, jogamos o resto para o mês seguinte. Para o cálculo do mês somamos 9,
caso a DUM seja até março ou descontamos 3 caso seja de abril a dezembro.
Cálculo de amenorreia: tempo da gravidez. Soma-se o número de dias mês a mês,
desde a data da última menstruação até a data que queremos calcular. Divide-se o
resultado final por 7
Obs:
• Feto: até 10 semanas
• Embrião: 11ª semana para frente
• Paridade (nuligesta, primigesta, secundigesta, tercigesta)
• GxPyAw
5. Interrogatório sobre diversos aparelhos: IGUAL DA GINECO
6. Antecedentes familiares: IGUAL DA GINECO
7. Antecedentes pessoais: da gineco +
8. Vacinas:
• H1N1: recomendado pelo MS para gestantes
• Hepatite
• Anti-tetânica: a partir do 7º mês
9. Cirurgias prévias: cirurgias perineais, prévias de intestino ou bexiga, colina, bacia,
cesáreas prévias com cicatrizes não usuais, miomectomias, cirurgias em processos
inflamatórios pélvicos.
10. Antecedentes ginecológicos: menarca, DUM, telarca, pubarca, ciclos menstruais,
dismenorreia
11. Antecedentes obstétricos:
Partos, cesáreas, abortos: Gesta/Para/Aborto
Puerpérios: investigar problemas que teve anteriormente, como infecções,
dificuldade na amamentação, sangramentos excessivos
Lactações: quantas e por quanto tempo
Antecedentes de mastite: se teve precisou de tratamento? Drenagem? De qual
lado? Foi de repetição?
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Pré Natal
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Sífilis na mulher e na gestante
Agente Etiológico: Trepponema pallidum.
Formas Clínicas:
1ª “cancro duro” – úlcera única, indolor e que desaparece espontaneamente.
Exame padrão ouro: microscopia em campo escuro.
2ª “condiloma plano” e lesão cutaneomucosa não ulcerada.
3ª tabes dorsalis, gomas sifilíticas, pseudoaneurisma de Charcot/aneurisma aórtico.
Diagnóstico e Seguimento na Gestante:
Ideal pedir FTA-Abs se VDRL menor 1:8.
Controle de cura mensal com VDRL na gestante e trimestral na não gestante.
Se um teste positivar, iniciar o tratamento e depois confirmar com um segundo teste.
Se o primeiro teste for VDRL, o segundo deve ser o FTA-Abs e vice-versa.
Tratamento
1. Primeira escolha: Penicilina Benzatina
1ª, 2ª e latente recente: dose única de 2.400.000 UI IM
3ª, latente tardia ou duração indeterminada: 3 doses de 2.400.000 UI IM, com intervalo
de 7 dias.
2. Gestantes alérgicas: tentar primeiro a dessenssibilização, e se não for possível, utilizar
Ceftriaxone 1g IM ou EV por 8 a 10 dias.
3. Não gestantes alérgicas utilizar Doxaciclina 100mg VO 2x ao dia por 14 dias.
4. Tratamento inadequado
Não Penicilínico.
Sem esquema completo ou sem comprovação
Concluído < 30 dias antes do nascimento.
Antigamente parceiro não tratado era considerado tratamento inadequado, agora é
considerado inadequado apenas se não foi tratado um parceiro cuja sorologia fosse
positiva. Se a sorologia dele for negativa, está adequado.
ITU na gestação
Definição: crescimento de microorganismo(s), com ou sem danos para o trato urinário, Na
prática clínica, é o número de bactérias igual ou superior a 100mil UFC/ml em urina coletada em
jato médio, na primeira micção do dia.
Formas Clínicas: bacteriúria assintomática; infecção urinária baixa (cistites e uretrites);
pielonefrite aguda
Quadro Clínico:
1. Infecção baixa: disúria; urgência urinária; anictúria; aspecto turvo na urina; dor
suprapúbica
2. Infecção alta: mal-estar geral; anorexia; náuseas e vômitos; febre > 40 graus; calafrios;
sudorese; taquicardia; disúria; polaciúria; urgência miccional; Giordano +
Diagnóstico laboratorial:
Hemograma completo
Urina 1
Urocultura com antibiograma (sempre pedir antes de começar atb)
Para os casos graves:
Hemocultura 2 amostras
Eletrólitos
Ureia/creatinina
Perfil ácido básico
USG de vias urinárias superiores
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Alterações possíveis: leucocitúria – piúria ( > 10mil) , nitrito positivo (fala a favor de gram -),
hematúria, bacteriúria, urocultura com mais de 100 mil colônias
Antibiótico terapia:
1. Bacteriúria assintomática:
Ampicilina 2g (dose única)
Ampicilina 500 mg VO (6/6h) por 3 dias
2. Recorrência:
Nitrofurantoína 100mg VO a noite até o fim da gravidez
3. Cistite:
Ampicilina 500 mg VO (6/6h) por 7 – 14 dias
Cefalexina 500mg VO (6/6h) por 7 – 14 dias
4. Pielonefrite:
Ampicilina 1 – 2g EV (6/6h) por 10 – 14 dias
Cefalotina 1-2 g EV (6/6h) por 10 – 14 dias
Conduta na Pielonefrite
Hospitalização
Exames para casos mais severos
Monitorização dos sinais vitais (incluindo a diurese)
Solução cristaloide EV para manter diurese > 30 ml/h
Antibiticoterapia EV
Raio X de tórax em caso de dispneia ou taquipneia
Repetir HMG e eletrólitos em 48 h
Alta quando afebril por 48 horas (considerar atb por 14 dias)
Urocultura em 1 semana a 2 semanas após completar a terapia e controle mensal na
gravidez
DHEG e suas complicações
Investigação: anamnese ginecológica + obstétrica + pesquisa de fatores de risco
Fatores de risco:
Idade materna avançada
História familiar de DHEG
Obesidade
Gestação múltipla
Doença trofoblástica gestacional
DHEG em gestação pregressa
DM
Doença renal
Colagenoses
Trombofilias
Quadro Clínico
1. DHEG leve
PA >/= 140x90 após 20 semanas de gestação
Proteinúria >/= 300mg/24h ou 1+ em fita reagente ou 0,3 na relação
proteína/creatinina
2. DHEG grave:
PA >/= 160x110 após 20 semanas de gestação
Proteinúria >/= 2g/24h OU 3/4 + em fita reagente
Apresenta uma ou mais das seguintes características: edema generalizado, insuficiência
respiratória, insuficiência renal (oligúria/anúria/aumento de creatinina), insuficiência
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
cardíaca, HELLP síndrome, eminencia de eclampsia (fotofobia, escotomas, amaurose,
náuseas e vômitos), eclampsia (convulsão tônico-clônica generalizadas).
Consequências da DHEG:
1. Na mãe
Maior risco de eclampsia
Maior risco de HELLP
DPP
CIVD
Insuficiência renal aguda
Hemorragia cerebral
Edema pulmonar
2. No feto
Prematuridade
RCIU
Oligodrâmnio
Sofrimento fetal
Morte perinatal
Diagnóstico clínico
Exames complementares
1. Hemograma
2. Urina I
3. DHL
4. TGO
5. TGP
6. Ácido úrico
7. Ureia
8. Creatinina
9. Bilirrubinas
Tratamento
O tratamento definitivo consiste na interrupção da gestação, porém quando não for possível devido
prematuridade é feito:
1. DEHG grave
a. Controle de pressão:
Metildopa 250mg de 8/8h até 500mg de 6/6h
BCC: nifedipina ou anlodipina
Beta-bloqueador: propranolol
Se emergência hipertensiva utilizar hidralazina 5mg EV diluído em 19ml de agua
destilada a cada 15min
b. Repouso
c. Controle de peso e dieta hipossódica (evitar o sal a mesa)
d. Sedação em formas graves
2. Eminência de eclampsia
a. Sulfato de magnésio
Dose de ataque de 4g em 100ml de SF em bomba de infusão correndo em 30
minutos + manutenção de 1-2g por hora em 100ml de SF até 24h depois da
última convulsão ou 24h após o parto
Durante a infusão avaliar: diurese (mínimo 25ml/h); Reflexo patelar presente;
frequência respiratória > 16 ipm
Intoxicação: gluconato de cálcio
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Gestação ectópica rota
Investigação: anamnese ginecológica + obstétrica + pesquisa de fatores de risco
Fatores de risco:
DIP prévia
Tabagismo
Procedimento tubário prévio
DIU/laqueadura
Falha na anticoncepção de emergência
Reprodução assistida
Gestação ectópica prévia
Quadro Clínico
Dor em fossa ilíaca
Atraso menstrual
Sangramento vaginal
Exame Físico
Abdome: dor em fossa ilíaca, pode ter sinais de irritação peritoneal (presente quando rota)
Especular: colo arroxeado
Toque bimanual: pode conseguir palpar abaulação em um dos lados e ao toque do fundo de
saco de Douglas paciente grita, sinal conhecido como grito de douglas.
Diagnóstico: USG TV e Beta-HCG
Tratamento
1. Paciente estável
a. Medicamentoso/ conservador – Metrotrexate, indicações:
Massa anexial <3,5 cm
Beta-HCG <5.000 UI/L
Embrião sem BCF
Gestação ectópica íntegra
Provas de função hepática e renal normais
b. Cirúrgica via laparoscopica
Se rota: salpingectomia
Se intacta: salpingostomia (tira apenas saco gestacional)
2. Paciente instável
Estabiliza e faz laparotomia + salpingecomia na tuba afetada
Obs.: em mães Rh negativas devemos lembrar de fazer a imunoglobulina!!
Rotura prematura membranas ovulares
Investigação: anamnese ginecológica + obstétrica + pesquisa de fatores de risco
Buscar ativamente: infecções, corrimentos, procedimentos, tabagismo, história prévia e familiar de
amniorrexe prematura, traumatismo e contrações.
Quadro clínico: perda de líquido
Exame especular
Líquido amniótico represado no fundo de saco
Saída de líquido pelo orifício externo do colo uterino com manobra de Valsalva
Testes diagnósticos
Teste de cristalização: coletamos pequena quantidade de muco cervical, colocamos em
uma lâmina, esperamos secar e analisamos no microscópio. Se for líquido amniótico,
veremos a cristalização ou arborização.
Fitas de pH: pH alcalino (> 6)
Exame complementar: US para avaliação de oligoâmnio
CONDUTA geral
INTERNAÇÃO
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Repouso
Controle de sinais vitais
Avaliação de maturidade e vitalidade fetal diariamente
Hemograma e leucograma
Proteína C reativa
Evitar toque vaginal
Conduta segundo idade gestacional
a. Gestação a termo (> 37 semanas)
Espera entrar em TP e se demorar muito (> 12 horas), induzir com misoprostol e
ocitocina (se não houver contraindicações como cesárea prévia ou cicatriz uterina)
b. IG de 34 a 36 semanas
Se maturidade fetal: interrupção da gestação (preferência para parto vaginal)
Se ausência de maturidade: conduta expectante, aguardamos 24-72h após o
momento da ruptura para induzir parto (intuito de aumentar corticoide endógeno fetal
diminuindo o risco de stress respiratório)
Se infecção materna interrupção da gestação
c. IG de 24 a 34 semanas
Corticoterapia com betametasona 12mg IM de 24/24h (2 a 3 doses), aguardar 24
horas da última dose para realização do parto
Antibioticoterapia como profilaxia estreptocócica (para sepse neonatal) com Penicilina
G cristalina dose de ataque de 5 milhões UI e + manutenção 2,5 milhões UI de 4/4h
até o parto. Alternativa: ampicilina 2g EV de ataque + 1g de manutenção de 4/4h até
o parto.
Proteção neurológica fetal com sulfato de magnésio: dose de ataque de 4g +
manutenção de 1g de 1/1h até o parto. Até 32 semanas.
Avaliar tocólise por 48h para ação do corticoide na maturação pulmonar fetal
Interrupção da gestação em caso de sofrimento fetal ou de infecção materna
d. IG < 24 semanas
Orientar a família quanto a inviabilidade do feto
Não está indicada tocólise, corticoterapia e antibioticoprofilaxia
Se infecção materna ou fetal: INTERRUPÇÃO da gestação de preferência por via
vaginal
Complicações:
Prematuridade
Hemorragia intraventricular
Enterocolite necrotizante
Hipoplasia pulmonar
Síndrome da angustia respiratória ou doença da membrana hialina
Deformidades ortopédicas
Corioamnioite
Prolapso de cordão
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Diabetes Gestacional
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
Toxoplasmose
COLO COLO
CLÍNICA CONDUTA CLÍNICA CONDUTA
ABERTO FECHADO
Útero menor e
Útero menor Esvaziamento vazio
Incompleto Completo Orientação
com restos uterino (Endométrio <
Útero 15)
Esvaziamento Embrião vivo
Inevitável compatível Repouso
uterino Ameaça com útero
com embrião Analgésico
Febre, odor ATB* compatível
Infectado fétido, Esvaziamento Embrião morto Esvaziamento
Retido
leucocitose... uterino e útero menor uterino
ATB: Clindamicina + gentamicina
Colo fechado: para diferenciar entre ameaça e aborto retido → USG
Colo aberto: para diferenciar entre incompleto e inevitável → esvaziamento
T.M.
OSCE GO/PED GRUPO 6 1/2022
ESVAZIAMENTO
O limite é 12 semanas → formação óssea da criança (risco de perfuração do útero)
≤ 12 semanas AMIU (padrão-ouro) ou curetagem
OUTRAS CLASSIFICAÇÕES
PRECOCE x TARDIO
≤ 12 semanas > 12 semanas
ESPONTÂNEO x PROVOCADO
Legal: risco de vida, estupro e anencefalia
ESPORÁDICO x HABITUAL
Causa + comum: trissomia (16)
Aborto provocado legal
Casos de anencefalia (USG comprovando)
Risco de vida materno (2 medicos assinam o laudo);
Estupro;
Outras malformações (só com autorização judicial)
CONDUTA NO SANGRAMENTO
A TERMO Interrupção
Depende do sangramento
PREMATURO Intenso → interrupção
Escasso → expectante
VIA DE PARTO
Sempre cesariana (indicação
TOTAL
absoluta
PARCIAL A maioria cesariana
MARGINAL Avaliar parto vaginal
Complicações: apresentação não cefálica, acretismo, puerpério anormal
(hemorragias, infecção)
T.M.