Pediatria Hospitalar - OSCE
Pediatria Hospitalar - OSCE
Consulta do adolescente:
Programação de consultas:
Quebra de sigilo:
➢ A quebra de sigilo é justificada nas situações em que o profissional percebe que o adolescente não tem
condições de arcar sozinho com sua saúde ou se conduz de forma a causar danos a si ou outras pessoas.
• Presença de qualquer tipo de violência (exemplo: estupro).
• Percepção da ideia de suicídio, homicídio ou autoagressão (como automutilação).
• Gravidez ou abortamento.
• Sorologia positiva de HIV ou diagnósticos de doenças graves e/ou incuráveis/intratáveis.
▪ HIV, hepatite C ou câncer, quebrar. Sífilis não (exceto recusa ao tratamento).
• Drogadição ou uso escalado de álcool ou outras drogas lícitas.
▪ Note que o uso de quantidades crescentes de drogas lícitas também justifica a quebra.
• Recusa ao tratamento.
• Outras situações nas quais percebemos que o adolescente não tem condição de lidar, ou que vá
causar dano a si mesmo e/ou a outras pessoas.
➢ Vale ressaltar que nunca devemos quebrar o sigilo de forma secreta (ou seja, sem que o paciente saiba).
Assim sendo, antes de quebrá-lo, é importante explicar ao paciente de que faremos isso e convencê-lo
da importância. Se o paciente quiser, podemos deixar que ele conte (mas precisamos ver).
Adicionais:
➢ Orientações gerais (se for o caso): atuar na prevenção de acidentes; doenças que possam ser prevenidas
(através de vacinas), IST/AIDS (através de métodos de barreiras); gravidez (planejamento familiar);
uso de drogas (orientação).
➢ Diagnósticos: crescimento, estado nutricional, alimentação, vacinação, DNPM e moradia.
➢ Riscos: IST/gravidez, drogas/alcoolismo e suicídio.
➢ Sempre que a queixa envolver crescimento e desenvolvimento, dar bastante atenção à alimentação, AP
e AFH. O mais importante é analisar a velocidade de crescimento e o canal familiar.
• O ideal é avaliar a velocidade de crescimento por 12 meses (ou, no mínimo, por 3 e fazer X4).
➢ Início da puberdade: nas meninas doas 8 aos 13 anos e nos meninos dos 9 aos 14 (duração: 2 a 4 anos).
Pilificação:
Estatura:
➢ 1. Estatura alvo: (altura da mãe + altura do pai)/2 = estatura alvo (+/- 2cm). Porém, antes de realizar a
conta, precisamos somar o subtrair 13 cm em um dos pais de acordo com o sexo do filho.
➢ 2. Estirões: intraútero (0 a 50 cm), 1º ano (50 a 75 cm) e adolescência (cresce 20% da altura final):
• Feminino: 8 cm/ano, Tanner 2 e 3, precede menarca. Masculino: 9 cm/ano, Tanner 3 e 4.
• Entre o 2º e 3º estirão: 5 a 7 cm/ano.
➢ O crescimento ocorre no sentido distal-proximal (assimétrico): o pé é a parte do corpo que entra
primeiro no estirão (e também a parte que para de crescer primeiro).
Baixa estatura:
➢ Definições:
➢ Estatura abaixo de – 2 desvios padrão (- 2DP) da média populacional de altura, para gênero e idade.
➢ Estatura abaixo de – 2 desvios padrão (-2 DP) da média do alvo parental (calcular o alvo parental,
colocar nos 18 anos e analisar regressivamente).
• Calcular a estatura alvo e determinar a curva de crescimento que será entre 2 cm a menos e 2
cm a mais da estatura alvo (basta verificar os percentis correspondentes ao valor mínimo e
máximo, e então teremos o canal de crescimento).
➢ Estatura para a idade se situa abaixo do percentil 3,0 na curva de crescimento.
➢ Outros pontos:
➢ Etiologias: baixa estatura familiar, retardo constitucional do crescimento, desnutrição crônica, doenças
crônicas, endócrinas ou esqueléticas, RCIU, síndromes congênitas e privação psicossocial.
➢ Exames obrigatórios quando há baixa estatura ou atraso na puberdade: hemograma (anemia), VHS
(doenças inflamatórias), urina tipo 1, parasitológico de fezes, glicemia de jejum, ureia, creatinina e
eletrólitos, cálcio, fosfato e fosfatase alcalina (raquitismo), TGO /TGP, TSH e T4l, IGF1 e idade óssea.
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➢ A síndrome da adolescência normal consiste de características que estarão presentes com maior ou
menor intensidade em cada adolescente (não há obrigação de apresentar todas essas características.
➢ Trata-se de uma síndrome puramente psico-comportamental (sem componentes orgânicos).
➢ Período de busca de si mesmo por sua identidade adulta.
Características:
➢ Tendência e necessidade grupal – desloca o sentimento de dependência dos pais para os amigos e sente
que pertence mais a este grupo que a sua família (e não tem uma opinião forte).
➢ Necessidade de fantasiar com o futuro imaginário e saída do presente – mecanismo de defesa de fuga
da realidade do que ocorre consigo mesmo e teoriza princípios éticos, filosóficos e sociais no mundo.
➢ Questionamento das religiões e religiosidade – atitudes de ateísmo à fanatismo.
➢ Deslocação temporal – coloca urgência para coisas não urgentes e posterga as realmente urgentes.
➢ Evolução sexual desde o autoerotismo até a sexualidade genital – evolução da masturbação à
aprendizagem, se sente mais “apaixonado” e geralmente conhece sua orientação.
➢ Atitude social reivindicatória, agressividade e violência - contesta e reivindica um mundo, uma
sociedade, uma humanidade melhor, mais justa e cheia de amor. Analisar se não está correndo riscos.
➢ Contradições sucessivas em todas as manifestações de conduta – personalidade permeável e instável.
➢ Separação progressiva ou brusca dos pais – ambivalência dual: filhos e pais possuem sentimentos
contraditórios quanto à separação (querem isso, mas têm medo).
➢ Constantes flutuações de humor e do estado de ânimo, com base depressiva – a mistura de medo,
preconceitos, insegurança, busca de aprovação geram sentimentos de solidão e exaltação.
➢ Perda do corpo infantil – passa a ter que aceitar seu corpo (preocupação com padrões estéticos).
➢ Perda dos pais da infância – percebe que seus pais são “comuns” e passa a criticá-los.
➢ Perda da identidade e do papel infantil – passar a ter novas responsabilidades e ser mais cobrado.
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Anticoncepção na adolescência:
Aspectos éticos:
➢ A escolha do método é do adolescente e não é motivo para quebra de sigilo (exceto métodos que
envolvam procedimentos, abuso ou presença de doenças incuráveis - ou outras indicações já faladas).
➢ Situações em que evidentemente nem é possível que o adolescente seja atendido sozinho:
• Desejo do próprio paciente de não ser atendido sozinho.
• Déficit intelectual importante ou distúrbios psiquiátricos.
• Abuso sexual: notificação obrigatória ao Conselho Tutelar ou Vara da Infância e Juventude
(ECA). Além disso, devemos ter a presença de outro profissional especialmente no momento
do exame físico (para que a criança/adolescente se sinta mais segura).
➢ O uso de contraceptivo não depende da idade, e sim da vontade dele e dos critérios de elegibilidade.
➢ É permitido prescrever contraceptivos para menores de 14 anos e não devemos considerar estupro
(caso o paciente alegue vontade própria e tenha discernimento para isso).
➢ Orientação ampla sobre todos os métodos, com ênfase na dupla proteção, evitando-se qualquer
preconceito e deixar a paciente escolher. Agendar retorno em um mês. (**)
➢ O AE também pode ser prescrito normalmente para adolescentes (mesmas indicações dos adultos).
➢ Observação: sempre cuidado com idade, tabagismo e trombofilias (questionar AP e AF). No caso de
lúpus, dosar os anticorpos antifosfolípedes (se positivo, todos os hormonais estão proibidos).
Métodos contraceptivos:
➢ ACO combinado – altamente eficaz – fazer anamnese e exame físico detalhado para verificar a
presença de contraindicações. Agendar retornos mensais no 1º trimestre de uso.
➢ Contraindicações: fenômenos tromboembólicos (AVC e oclusão coronariana), suspeita de câncer de
mama ou neoplasias hormônio-dependentes, cardiopatia isquêmica, enxaqueca com aura, diabetes com
complicações vasculares, hipertensão grave (> 160) ou com doença vascular, icterícia, hepatopatia ou
tumores de fígado, LES (com anticorpos antifosfolípides +), tabagista (15 cigarros/dia) > 35 anos.
➢ Cuidado com interações medicamentosas: antibióticos, anticoagulantes, antidepressivos e vitamina C.
➢ Efeitos colaterais (geralmente transitórios): irregularidades menstruais, náuseas, irritabilidade, ganho
de peso, cefaleia cíclica, ingurgitamento mamário // acne, depressão, aumento de LDL e redução HDL.
➢ Exemplos (baixa dosagem): levonorgestrel (mais androgênico), e desogestrel (menos androgênico).
➢ ACO apenas com progesterona – minipílula é muito ruim, sendo indicada a pílula de média dosagem
(como o desogestrel – cerazette). Pode gerar sangramentos irregulares frequentes (avisar a paciente).
➢ Eficácia próxima ao ACOC e pode ser usada nas contraindicações estrogênicas e amamentação.
➢ AC injetável mensal – mesygina – idem aos ACOC. Principal efeito colateral: ganho de peso.
➢ AC injetável trimestral – depoprovera – idem aos ACO progestagênicos e alta eficácia.
➢ Contraindicado para tumores hormonais e doença hepática. Pode gerar ganho de peso e irregularidade,
além da redução da densidade óssea se uso prolongado.
➢ Outros:
➢ Implantes subdérmicos (Implanon)– etonogestrel (sem estrogênio) – eficaz por 3 a 5 anos, alta eficácia.
➢ Adesivo hormonal combinado – usado por 7 dias 3x e pausa por 7 dias – características idem ACOC.
➢ Anel vaginal – colocado na vagina por 3 semanas e pausa por uma. Características idem ACOC.
➢ DIU de cobre – bastante eficaz e não hormonal – pode agravar o sangramento e a cólica.
➢ SIU – levonorgestrel (endocepção) – Mirena – reduz fluxo menstrual.
• Vale lembrar que métodos invasivos (implante, DIU e SIU) necessitam quebra de sigilo.
➢ Preservativo masculino – sempre indicar (dupla proteção) – explicar a forma correta de uso. (*)
➢ Preservativo feminino – se desejar utilizar, orientar (um anel fica sobre o colo e o outro externo).
➢ Diafragma + espermicida – métodos ruins e não previnem IST.
➢ Métodos comportamentais – coito interrompido é ruim pois pode ter espermatozoides no líquido pré-
ejaculatório e abstinência sexual periódica (tabelinha) é ruim pois os ciclos são irregulares + impulso.
➢ AE – pode ser utilizada até 72 horas após a relação – vômitos, cólicas, cefaleia, sangramento irregular
e hipersensibilidade mamária – levonorgestrel 0,75 mg 2 cp dose única (repetir se vômito até 2 horas).
• O próximo fluxo poderá ser antecipado ou atrasado, além de poder ter alteração da quantidade
(orientar). Não protege contra IST. Não perde eficácia se usado várias vezes.
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➢ Refluxo gastroesofágico (RGE) consiste na passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou
sem exteriorização em forma de regurgitação e/ou vômito.
➢ No lactente é muito frequente o RGE fisiológico ser acompanhado de regurgitações ou “golfadas” que
não se associam a redução no ganho de peso ou outras manifestações clínicas.
➢ Motivos: imaturidade da barreira antirrefluxo, alimentação líquida e posição deitada.
➢ Critérios de Roma IV: 1. Dois ou mais episódios diários de regurgitação por pelo menos 3 semanas. 2.
Ausência de náuseas, hematêmese, aspiração, apneia, déficit de ganho ponderal e dificuldade para
alimentação.
➢ Diminui por volta dos 6 meses e não necessita de investigação complementar.
➢ Questionar alimentação – leite materno, forma como está amamentando, quantidade de leite que está
dando, posição em que amamenta, tempo de mamada e introdução de novos alimentos.
➢ Analisar se o ganho ponderal está adequado.
➢ Conteúdo do vômito – pode ser um conteúdo com restos de alimento, bilioso, fecaloide.
➢ Frequência desta regurgitação e quando ocorre – se é após a alimentação/mamadas ou não.
➢ Presença de outros sintomas associados – irritabilidade, perda de peso, sintomas respiratórios, entre
outros possíveis sintomas.
➢ A DRGE é caracterizada quando o RGE causa manifestações clínicas de gravidade variável, associadas
ou não a complicações, que se associam a morbidades e alterações da qualidade de vida do paciente.
➢ Havendo tais sintomas, investigar também outras patologias (exemplo: cianose – cardiopatias).
• Os lactentes costumam ter irritabilidade, dificuldade em ganhar peso, choro fácil, sono agitado.
➢ Fatores de risco para DRGE de difícil controle: atresia de esôfago, hérnia hiatal, pneumopatias crônicas
(como fibrose cística), doenças neurológicas, obesidade, genética e prematuridade (principal).
➢ Diagnósticos diferenciais: observar os sinais de alerta abaixo e buscar outros diagnósticos.
• Vômitos em jato são mais indicativos de HIC do que de DRGE, assim como vômito biliar ou
fecaloide (compatível com obstrução intestinal).
➢ 1. História clínica + exame físico = verificar sinais de alerta. Se houver, ver diagnósticos diferenciais.
➢ 2. Questionar como é a amamentação e corrigir técnica e posição. Orientar também a evitar o excesso
da amamentação (“overfeeding”). Se utilizar fórmula, trocar para fórmula espessada AR.
➢ 3. Caso não melhore, pensar em “alergia à proteína do leite de vaca” (APLV) – pedir para a mãe deixar
de ingerir leite de vaca (e derivados) por 2 a 4 semanas. Se utilizar fórmulas, substituir pela
extensamente hidrolisada (FeH) por 2 a 4 semanas. Se houver melhora, manter restrição de lactose.
• Se houver melhora, considerar APLV e manter tal conduta restritiva de proteína leite de vaca.
➢ 4. Se permanecer sem melhora, encaminhar para gastroenterologista pediátrico.
Tratamento conservador:
➢ Orientações dietéticas – AMLD, corrigir pega, sucção e posicionamento, evitar refeições volumosas e
utilização de dieta espessada.
➢ Orientações de postura – posição vertical por 20 a 30 min após mamadas e, durante o sono, decúbito
dorsal com elevação de 30 a 40 graus (jamais decúbito lateral ou prona – risco de morte súbita).
➢ Uso de fórmulas AR (ou espessadas) – reduz os episódios de refluxo. Não fazer espessamento caseiro.
Tratamento medicamentoso:
Exames diagnósticos:
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Diarreia aguda:
➢ Diarreia aguda: diminuição da consistência e/ou aumento no volume e/ou na frequência de evacuações
com consequente aumento das perdas de água e eletrólitos. Duração de até 14 dias.
• Se maior que 14 dias, persistente. Se maior que 30 dias, diarreia crônica.
➢ Diarreia aguda com sangue (disenteria): é caracterizada pela presença de sangue nas fezes, e representa
lesão na mucosa intestinal.
➢ Tempo de duração: geralmente < 7 dias e nunca > 14 dias – autolimitada.
➢ Etiologia: presumivelmente infecciosa – por conta do início súbito e sintomas gerais associados.
➢ Transmissão: fecal-oral (água e alimentos contaminados, e falta de higiene) – orientar a prevenção.
➢ Características: início súbito, podendo ter vômitos, febre, dor abdominal e queda do estado geral.
➢ Principal complicação: desidratação – sempre avaliar se está desidratada.
➢ Fatores de risco: higiene e saneamento básico, desmame precoce, desnutrição e lactente < 6 meses.
➢ Agentes etiológicos: Escherichia coli, Shigella, Salmonela, Yersínia, cólera, rotavírus, adenovírus,
coronavírus, astrovírus, Entamoeba histolytica e Giardia lamblia.
➢ Tipos: diarreia osmótica (rotavírus), inflamatória (shigella) e secretora (E. coli).
Anamnese:
Exame físico:
➢ Estado de hidratação (tabela abaixo) – estado de alerta, olhos, lágrimas, boca e língua, sede, sinal da
prega, pulso e enchimento capilar.
➢ Estado nutricional – peso e altura.
➢ Percentual de perda do peso – desidratação 5% a 10% de perda e desidratação grave > 10% de perda.
➢ Capacidade de beber líquidos.
Tratamento:
Medicações:
➢ Sulfato de zinco – crescimento celular, sistema imunológico e prevenção de diarreia aguda por 3 meses
– indicado para menores de 5 anos. Administrar por 10 a 14 dias. até 6 meses 10 mg/dia e > 6 meses
20 mg/dia.
➢ Antibióticos – indicados para disenteria, cólera, Giardia ou Entamoeba, imunossuprimidos (uso de
corticoide), anemia falciforme, RN e lactentes < 3 meses e sinais de sepse.
• Ciprofloxacino 15 mg/Kg 2 vezes ao dia ou azitromicina 10 mg/kg no primeiro dia e 5 mg/kg
por mais 4 dias. Não esquecer de colher coprocultura antes do antibiótico.
➢ Antieméticos (ondansetrona 0,1 mg/kg até 4 mg VO), probióticos e racecadotrila só são indicados pela
sociedade europeia.
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➢ Doença inflamatória crônica. Etiologia desconhecida. Nunca esquecer de excluir demais doenças.
➢ Epidemiologia: doença articular mais comum na infância – mais comum no sexo feminino,
principalmente entre 1 e 3 anos.
➢ Artrite: diagnosticada se presença de derrame articular (no US) ou 2 dos seguintes sinais: dor à
palpação, dor à movimentação, calor e limitação de movimento. Caso contrário, trata-se de artralgia.
➢ Critérios: artrite crônica (> 6 semanas) com início < 16 anos e acompanhada durante 6 meses.
➢ Articulações envolvidas:
➢ Monoarticular: envolve apenas uma articulação (causa geralmente infecciosa ou traumática, ou AIJ).
➢ Oligoarticular ou pauciarticular: envolve de 2 a 4 articulações (vasculite por IgA ou AIJ).
➢ Poliarticular: a partir de 5 articulações (febre reumática, lúpus eritematoso sistêmico juvenil, ou AIJ).
➢ Duração do envolvimento:
➢ Aguda: < 5 semanas (trauma, infeccioso, FR, LESJ e vasculite por IGA).
➢ Crônica: > 6 semanas (Artrite idiopática juvenil e espondiloartropatias juvenis).
➢ Artrite sistêmica – artrite + febre de no mínimo 2 semanas diária em pelo menos 3 dias + 2 dos
seguintes sinais: exantema evanescente (lembra o exantema súbito), linfadenopatia generalizada
(geralmente cervical), hepatomegalia ou esplenomegalia, e serosites (pleurites e pericardites).
➢ Artrite poliarticular com FR negativo – 5 ou mais articulações com FR IgM ausente. Necessitamos de
ao menos 2 FR positivos ou negativos com 3 meses de intervalo cada para confirmar.
➢ Artrite poliarticular com FR positivo – 5 ou mais articulações com FR IgM positivo em pelo menos
duas ocasiões com 3 meses de intervalo – mais parecida à artrite reumatoide (gera mais deformidades).
➢ Artrite oligoarticular – até 4 articulações – oligo persistente se nunca ultrapassa 4 articulações e oligo
estendida se após 6 meses acomete mais de 4 articulações.
➢ Artrite relacionada à entesite – artrite + entesite, ou, um dos dois + dois fatores seguintes: dor articular
axial, HLA-B27 positivo, uveíte anterior aguda, artrite em menino após 6 anos, e história familiar.
• Pontos de enteses: Inserção de fáscia plantar nas cabeças do 1° ao 5° metatarsiano, na base do
5° metatarsiano (lateral do pé), tendão de aquiles no calcâneo e 10, 02, 06 e 06 horas no joelho
(vulgo inserção do quadríceps na patela e inserção do ligamento patelar na patela e na
tuberosidade da tíbia).
➢ Artrite psoriásica – artrite + psoríase ou um dos dois + dois fatores seguintes: dactilite (edema dos
flexores), Onicólise (sulco nas unhas) ou história familiar de psoríase em parente de 1º grau.
➢ Artrite indiferenciada – não entra em nenhuma categoria ou entra em mais de uma.
Exames laboratoriais:
Tratamento:
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Critérios diagnósticos:
Manifestações clínicas:
Exames laboratoriais:
➢ Hemograma – anemia (< 10), hemólise, leucopenia (< 4K), linfopenia (< 1,5K), plaquetopenia (100K).
➢ Urina I: proteinúria (> 0,5 g/dia), hematúria, leucocitúria, cilindros urinários.
➢ Outros: VHS > 20.000, FAN + (99% dos casos), Anti-DNA (forte ligação com alteração renal), Anti-
SM, consumo de complemento (C3, C4, CH50 diminuídos).
➢ Solicitar também: função renal e hepática, FR (se houver artrite) e sorologias.
Tratamento:
➢ Medidas gerais – apoio emocional e incentivo ao tratamento, atividade física leve à moderada, dieta
adequada com restrição de sal (proteção renal) e suplementação com cálcio e vitamina D.
➢ Fotoproteção – evitar sol das 10 às 16, protetor com FPS 30 entre 15 e 30 minutos antes da exposição.
➢ Proteção contra infecções – contraindicadas vacinas com vírus vivos atenuados: Febre amarela,
sarampo, caxumba e rubéola (SCR), varicela e poliomielite oral.
➢ Acompanhamento: psicológico, nutricional, oftalmológico e endócrino (anuais).
➢ Tratamento medicamentoso:
➢ Se apenas 3 critérios, usar apenas o antimalárico (hidroxicloroquina).
➢ Fechado o diagnostico: corticoide (prednisona 1 mg/kg/dia) + antimalárico (hidroxicloroquina 5
mg/kg/dia) para todos. Os demais fármacos dependerão da manifestação mais grave.
• Antimalárico: fotoprotetor, reduz agregação plaquetária, LDL, triglicerídeos, atividade da
doença, e ainda permite reduzir a dose dos corticoides. Oftalmo anual – risco de retinopatia.
➢ Manifestações cutâneas mantidas e articulares – AINE-naproxeno (situação aguda – temporário) e
metotrexato. Se artrite em até duas articulações, infiltração com triancinolona.
➢ Manifestações hematológicas – se plaquetopenia < 50.000, pulsoterapia com metilprednisolona ou
ciclosporina se necessário.
➢ Manifestações pulmonares e cardíacas – serosites (pleurite e pericardite) usar metotrexato se não
responder à prednisona. Se hemorragia pulmonar, pulsoterapia com metilprednisolona.
➢ Manifestações renais – classe III e IV, pulsoterapia com ciclofosfamida. Classe V, pulsoterapia com
metilprednisolona.
➢ Manifestações neuropsiquiátricas – pulsoterapia com metilprednisolona.
➢ Prognóstico mais grave: masculino, etnia negra, início em idade precoce (antes da adolescência), HAS
de difícil controle, anemia, GN classes III e IV, e persistência ou múltiplas reativações.
➢ SLEDAI 2K: critérios que mensuram o grau de atividade. Pontua de 0 a 105 e a partir de 5 é ativa.
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Febre reumática:
Critérios diagnósticos:
Manifestações clínicas:
➢ Cardite – pode ser sintoma isolado (“cardite reumática” comprovada por ECO já fecha diagnóstico),
geralmente associada à nódulos subcutâneos e eritema marginado.
• No ECO vem descrito como “regurgitação” e as válvulas mais acometidas são mitral e aórtica.
➢ Artrite – início precoce e agudo, geralmente grandes articulações, dor intensa, edema pequeno, caráter
migratório e envolvimento assimétrico. Duração de dias a 1 semana em cada articulação e surto total
< 1 mês. Excelente resposta aos AINES (naproxeno).
➢ Coreia – pode ser sintoma isolado - manifestação tardia (os demais sintomas já podem estar até
sumindo), autolimitada, pode ser unilateral, e é composta por movimentos involuntários, arrítmicos e
incoordenados (principalmente em face e nas extremidades – faz caretas), além de distúrbios de
comportamento (como labilidade emocional). Variação: hipotonia (coreia mole).
• Movimentos coreicos: caretas, disartria, movimentos vermiformes na língua, disfagia.
• Sinal da colher (mãos em concha), sinal da ordenha (ao cumprimentar o paciente, ele fica dando
vários apertos), movimentos incontrolados dos dedos e movimentos mais amplos de membros.
➢ Eritema marginado - máculas róseas com bordas serpiginosas e centro claro (hipocrômico), indolores,
não pruriginosas, mais comumente em tronco e raiz de membros (não ultrapassa cotovelos e joelhos).
➢ Nódulos subcutâneos - nódulos duros, indolores, de número variável, distribuição simétrica, e com
diferentes tamanhos (0,5 a 2 cm), em superfícies extensoras de articulações.
• Sempre que houver eritema marginado e nódulos subcutâneos, pesquisar cardite.
Exames complementares:
Tratamento:
➢ Profilaxia primária – penicilina G benzatina 0,6 M UI se < 20 Kg ou 1,2 M UI se > 20 Kg – dose única.
• Se alergia: azitromicina 20 mg/kg/dia 1x ao dia por 3 dias.
➢ Tratamento da cardite – prednisona 1 mg/kg/dia e acompanhar com PCR e VHS até normalização,
quando podemos fazer a retirada gradual. Se IC, IECA, DIU e espiro.
➢ Tratamento da artrite – naproxeno por 1 a 4 semanas.
➢ Tratamento da coreia – Haloperidol ou carbamazepina. Se difícil controle, associar prednisona.
➢ Profilaxia secundária: penicilina G benzatina 0,6 M UI se < 20 Kg ou 1,2 M UI se > 20 Kg – a cada
21 dias (ou eritromicina VO 250 mg 12/12h), sendo que o período dependerá da complicação cardíaca:
• Febre reumática sem cardite prévia – até 21 anos ou por 5 anos.
• Com cardite prévia ou insuficiência mitral leve – até 25 anos ou por 10 anos.
• Lesão valvar residual moderada ou grave – até os 40 anos ou toda a vida.
• Após cirurgia valvar – por toda a vida.
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Vasculites:
➢ Kawasaki é de médio calibre e a vasculite por IgA de pequeno calibre (não granulomatosa).
Doença de kawasaki:
➢ Trata-se de uma inflamação sistêmica de órgãos e tecidos, incluindo vasos de médio calibre.
➢ Epidemiologia: 2ª vasculite mais frequente, sexo masculino, menores de 5 anos. Sars-Cov2 é gatilho.
➢ Critérios diagnósticos: febre (geralmente alta) > 5 dias + 4 dos 5 critérios seguintes:
➢ 1. Hiperemia conjuntival bilateral não purulenta.
➢ 2. Alterações orais da mucosa – eritema labial, fissura labial, eritema difuso em orofaringe e língua
em framboesa.
➢ 3. Adenomegalia cervical – com diâmetro > 1,5 cm (geralmente cervical anterior).
➢ 4. Exantema polimórfico – forma macular, papular ou escarlatiniforme.
➢ 5. Alterações de extremidades – edema de mãos e pés, eritema palmo-plantar ou descamação
periumgueal.
➢ Outras: irritabilidade, diarreias e vômitos, artrite, serosites, uretrite, uveíte anterior aguda, vesícula
hidrópica e meningite asséptica (cefaleia).
➢ Doença de kawasaki atípica: febre > 5 dias + 2 ou 3 critérios + PCR > 3 e VHS > 40 + ecocardiograma
alterado ou 3 alterações laboratoriais (anemia, plaquetose, albumina < 3g, aumento de TGO e TGP,
leucocitose > 15.000 e urina I > 10 leucócitos por campo.
• Caso contrário, apenas avaliar clinicamente e solicitar ECO se desidratação hidrópica.
➢ Tratamento:
➢ Gamaglobulina EV 2g/Kg/dose em infusão única de 10 horas – deixar o paciente afebril antes.
• Maior objetivo da gamaglobulina: evitar formação de aneurismas coronarianos.
➢ AAS 5 mg/kg/dia (associado à gamaglobulina) – até a ausência de anormalidades coronarianas
(geralmente 6 a 8 semanas – solicitar provas de fase aguda após este tempo).
➢ Se falha (permanência da febre 36 horas após a infusão: repetir dose de gamaglobulina. Se nova falha:
pulsoterapia com metilprednisolona.
➢ Acompanhamento cardiovascular: acompanhar com ECO rotineiramente (semanal e ir espaçando).
➢ Vasculite de pequeno calibre não granulomatosa causada por depósito de imunocomplexos de IgA na
parede dos vasos, acometendo pele, articulações, trato gastrointestinal e rins.
➢ Epidemiologia: vasculite mais frequente, sem diferença entre sexos, 3 aos 10 anos, pico no inverno.
➢ Etiologias (gatilhos): infecções (IVAS), vacinas, alergia, drogas, neoplasias e exposição ao frio.
➢ Critérios diagnósticos: púrpura palpável ou petéquias + 1 dos critérios abaixo:
• As púrpuras são violáceas, elevadas, predomínio em MMII e não desaparecem à dígito-pressão.
• Note que o eritema multiforme no kawasaki é em tronco e a púrpura no IgA é MMII.
➢ 1. Envolvimento gastrointestinal – dor em cólica, difusa e aguda, intussuscepção e sangramento.
➢ 2. Artrite ou artralgia aguda com edema ou dor + limitação – e tem característica migratória (idem
febre reumática – característica importante).
➢ 3. Envolvimento renal leve – proteinúria > 0,3 g/24 horas e hematúria > 5 hemácias ou cilindros.
➢ 4. Histopatológico – biópsia de pele com vasculite com depósito de IgA ou renal com GN proliferativa
com depósito de IgA.
➢ Emergência: edema de bolsa escrotal, alteração no SNC e hemorragias pulmonares e epistaxes.
➢ Exames complementares:
➢ Hemograma completo – anemia, leucocitose e plaquetose.
➢ Fator de Von Willebrand - usado como marcador de lesão endotelial.
➢ Marcadores de fase aguda – PCR e VHS.
➢ Urina 1 – avaliar envolvimento renal.
➢ Complementos – C3 e C4 – não estão reduzidos na vasculite por IgA (suspeitar de LES).
➢ Imunoglobulinas – principalmente IgA (claro que teremos aumento).
➢ Biópsia de pele e biópsia renal – se não fechar os critérios diagnósticos.
➢ Tratamento:
➢ Repouso relativo – no primeiro mês.
➢ Remoção dos agentes etiológicos – tentar descobrir qual foi e retirar (se possível).
➢ Tratamento das lesões cutâneas – colchicina se lesões recorrentes.
➢ Tratamento da artrite sem envolvimento renal – naproxeno.
➢ Tratamento da dor abdominal – omeprazol ou direto a prednisona.
➢ Dor abdominal importante, hemorragia, invaginação, nefrite grave, orquiepididimite, hemorragia
pulmonar ou comprometimento neuropsiquiátrico – prednisona 1 mg/kg/dia 7 dias ir reduzindo por 2
a 4 semanas. Casos graves: pulsoterapia com metilprednisolona EV.
➢ Acompanhamento: acompanhar função renal (maior preocupação) por pelo menos 5 a 10 anos
(mensalmente nos primeiros 2 anos e então ir espaçando) caso não tenham alterações renais ou por
toda a vida se já tiverem. Gestantes – monitorar mais de perto, pois a gestação pode ser gatilho.
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Sintomatologia:
➢ 1. Déficit qualitativo persistente na comunicação e interação social – para afirmarmos que é persistente,
a criança já deve ter tido estimulação adequada.
• Por isso que recomenda-se não fechar diagnóstico na primeira consulta e contar com o auxílio
de uma equipe multidisciplinar. Tentar fechar o diagnóstico até os 3 anos, para ter tempo de
iniciar terapias adequadas (psicóloga, fonoaudióloga, terapia ocupacional, ecoterapia, etc.
➢ Dificuldade de interação social – isolamento ou comportamento social impróprio, contato visual pobre,
dificuldades de atividades em grupo, indiferença afetiva ou afeto inapropriado, falta de empatia.
➢ Dificuldade de comunicação – não falam nos quadros graves (autistas não verbais), linguagem imatura
nos quadros moderados (jargão, ecolalia, uso de terceira pessoa, prosódia anormal ou entonação
monótona) e inabilidade em iniciar ou manter conversação nos quadros leves.
• 25% desaprendem a falar – investigar outras regressões de DNPM – no TEA é só a fala.
• Se tiver apenas o critério 1 e não o 2 (abaixo), ela possui um transtorno da comunicação.
➢ 2. Padrões de comportamentos e interesses repetitivos, restritos e ritualizados (estereotipias).
➢ O mais comum é o flapping. Outros exemplos: empilhas objetos, ficar rodando ao redor do próprio
eixo, brincar excessivamente com objetos sem valor, andar na ponta dos pés, enfileirar objetos por cor.
Comorbidades associadas:
Diagnóstico:
Conceitos adicionais:
➢ Escala M-chat – ferramenta para rastreamento (triagem) de autismo – alta sensibilidade e baixa
especificidade (apenas 20 a 30% das que apresentam M-chat “positivo” são autistas). Pode ser aplicada
entre 18 e 24 meses e é “positiva” se houver falhas em 3 itens do total de 23.
➢ Neurônios espelho – crianças com TEA apresentam disfunção de neurônios espelho para mais (como
ecolalia) ou para menos (como não estender a mão para cumprimentar quando alguém a estende a ele).
➢ Linhas de raciocínio – crianças com TEA possuem um raciocínio não neurotípico, ou seja, podemos
ter dificuldade de compreender o que ele está querendo nos passar ou o porquê não gosta de algo.
Tratamento:
➢ Medicamentoso: não existe medicação específica para autismo e sim para suas comorbidades.
➢ Risperidona - para o paciente que tem TEA com muita agressividade. É o medicamento mais utilizado.
A dose diária varia de 0,25 mg/dia até 6 mg. Claro que recomenda-se iniciar com doses baixas.
➢ Aripiprazol – tão bom quanto a risperidona e engorda menos (mas não tem no SUS e é caro) – indicado
para TEA com muita agressividade e sem resposta à risperidona.
➢ Haloperidol – menos usado por ser mais epileptogênico.
• Estes 3 antipsicóticos são os que possuem respaldo científico e são bons para o comportamento
agressivo, irritabilidade e inquietude.
➢ Metilfenidato (Ritalina) - para o paciente com TEA + déficit de atenção e hiperatividade (> 6 anos).
➢ Melatonina - para pacientes com TEA + distúrbio do sono.
➢ Cloridrato de clonidina (Atensina) - para pacientes com TEA + dificuldades de concentração ou
distúrbio do sono – pois é um fármaco que aumenta a liberação de dopamina (acalmando a criança).
➢ Divalproato de sódio (Depakote) - para pacientes com TEA + crises convulsivas (como ausência).
➢ Tratamento não medicamentoso: encaminhamento para psicóloga, fonoaudióloga e terapia
ocupacional. Terapias possíveis: TEACCH, ABA e PECS.
• Extras: ouvir e confiar sempre no feedback dos pais, não expor a criança a telas até os 2 anos
e, entre os 2 a 7 anos, o tempo total diário de tela não pode ultrapassar 2 horas.
➢ Subcritérios – necessário ter todos os A (1, 2 e 3) e pelo menos 2 B (B1, B2, B3 ou B4):
➢ A1 – déficit na reciprocidade social e emocional – não responde pelo nome, dá as costas, etc.
➢ A2 – déficit na comunicação não verbal - gestos, contato visual, linguagem corporal e expressão social.
➢ A3 – dificuldade de manter relacionamentos e de ajustar o comportamento de acordo com o contexto.
➢ B1 – movimentos, uso de objetos e linguagem estereotipada e atividades.
➢ B2 – rituais e resistência às mudanças – como lugar no carro, lugar na cama, pratos e talheres.
➢ B3 – interesse exagerado em mesmos assuntos – como se recusar a sair de casa sem seu dinossauro.
➢ B4 – hiper ou hiporreação a estímulos sensoriais ambientais – gostar de luzes piscantes e odiar barulho.
➢ Níveis de autismo: nível 1 necessita de pouca ajuda; nível 2 necessita de mais apoio para fazer suas
atividades e nível 3 não faz nada sem apoio.
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Epilepsia:
Introdução:
➢ A epilepsia é uma doença crônica na qual o paciente irá apresentar uma predisposição persistente a ter
crises epiléticas. Crises epiléticas são descargas elétricas neuronais anormais, difusa ou localizada
(tempestades elétricas).
➢ A epilepsia é a 2ª doença neurológica mais prevalente, perdendo somente para o AVC, e é a doença
neurológica mais importante a ser estudada na infância e adolescência.
Crises epiléticas:
➢ Crises focais – iniciadas em redes neuronais limitadas a um hemisfério, ou seja, possuem um foco
localizado e nunca atingem outro hemisfério. Suas manifestações dependerão do lobo acometido.
• Lobo frontal – manifestações predominantemente motoras. Lobo parietal – manifestações
somatossensitivas (formigamento). Lobo occiptal – manifestações visuais (como alucinações).
Lobo temporal – manifestações comportamentais (agitação) ou auditivas (alucinações).
➢ Crises generalizadas – recrutam redes neuronais bilaterais desde o início, sendo a mais comum a crise
tônico-clônica bilateral (ou crise convulsiva).
➢ Crises focais que evoluem para tônico-clônica bilateral – iniciam como focal, mas passam a atingir
redes neuronais em ambos os hemisférios (mais comum em adultos). Ex: alucinação + convulsão.
• Após recuperar a consciência, não esquecer de questionar ao paciente se ele teve ou notou
sintomas antes da convulsão (como alucinações ou formigamentos), para que consigamos saber
se é generalizada ou focal com evolução para tônico-clônica bilateral.
➢ Idade X tipo de crise: quanto mais jovem, maior a tendência a ser focal (pela imaturidade da
comunicação inter-hemisférica – corpo caloso). Geralmente, em < 7 anos é só focal.
➢ Uma vantagem de crises que aparecem desde a infância é que a doença como um todo tende a ser mais
autolimitada, podendo até suspender as medicações caso fique 2 anos sem apresentar crises.
➢ Outras classificações das crises epiléticas:
➢ A primeira coisa é analisar se é uma crise de início focal, generalizada, focal evoluindo para tônico-
clônica bilateral, ou desconhecido (quando o paciente chega descordado e ainda não sabemos).
➢ O segundo passo é classificar em crise motora (como a tônico-clônica bilateral) ou não motora (como
alucinações, como exemplo das focais, ou uma crise de ausência, como exemplo das generalizadas).
➢ Por fim, no caso das crises focais, ainda podemos classificar como perceptivas/simples (sem alteração
do nível de consciência) ou disperceptivas/complexas (alguma alteração no nível de consciência).
➢ Comorbidades associadas: deficiência intelectual, depressão, ansiedade, transtornos do aprendizado,
TDAH, entre outras.
➢ Possíveis etiologias: estrutural (malformação do cérebro), genética (parece ter grande relevância),
infecciosa (como doenças priônicas), metabólica, imune, desconhecida.
Diagnóstico:
➢ 1. Pelo menos duas crises não provocadas (ou reflexas), ocorrendo com intervalo superior a 24 horas
e inferior a 10 anos entre as duas crises.
• Não provocadas significa que não pode ser decorrente de outra situação (como TCE).
• Crises reflexas é quando o paciente tem uma epilepsia na qual as crises são desencadeadas por
determinado fator (como fotossensibilidade).
➢ 2. Uma crise não provocada (ou reflexa) ou mais de uma crise em menos de 24 horas + risco de 60%
(ou mais) de ter uma nova crise a qualquer momento. 2 ou mais pontos = 60%:
• Caso subjetivo (sem pontuação): paciente com uma crise + alterações estruturais graves.
➢ 3. Diagnóstico de uma síndrome epiléptica – síndrome epilética consiste na presença de manifestações
clínicas (crise) + achado no EEG compatível com síndromes epiléticas (como a síndrome de West).
➢ Cura da epilepsia: pacientes que permaneceram livres de crises nos últimos 10 anos, sem medicação
antiepilética nos últimos 5 anos.
➢ Crise tônico-clônica – paciente hipertônico (enrijecido), com membros superiores e inferiores semi
fletidos, com contrações e relaxamentos sucessivos e incontroláveis. Geralmente são crises
autolimitadas e não passam de 1 minuto (se > 5 minutos, estado de mal epilético – muito deletéria).
➢ Crise tônica – paciente só fica completamente rígido, sem haver as manifestações clônicas
(contrações). Pós-ictal (sono, cefaleia, confusão) bastante breve (segundos). Também é generalizada.
➢ Crise neonatal – sutil, criança apresenta uma parada do comportamento anterior e retorno após a crise.
➢ Crise de ausência - mais comum em meninas (3:1) e consiste de um evento de parada comportamental
(o paciente para o que estava fazendo) e fixação do olhar. Após, volta a fazer o que estava fazendo.
Pode ocorrer várias vezes ao dia e dura alguns segundos (diferencial com TDAH).
• Uma forma de provocar esta crise é pedir para o paciente hiperventilar por 5 minutos.
• Crises de ausência + EEG condizente (complexos regulares, espículas onda-lenta,
generalizados, frequência de 3Hz) fecha diagnóstico de síndrome epilética: ausência infantil.
➢ Crise mioclônica - espasmos rápidos e repentinos (involuntários), como se tivesse levado um choque
naquele grupo muscular. É generalizada.
➢ Espasmo epilético – movimento rápido dos braços (movimento de abertura, como se fosse abraçar)
simultaneamente a um olhar conjugado (clássica “virada dos olhos”), com predomínio pela manhã, ao
acordar, e a noite, antes de dormir - extremamente grave e deletéria para o cérebro (urgência).
• Variante: saudação de salém – paciente abaixa a cabeça como se fosse uma saudação (10%).
• Síndrome de West – tríade: espasmo epilético + atraso ou regressão do desenvolvimento +
EEG com padrão anárquico (padrão de ipsiarritmia). A Sd. De West é uma síndrome epilética.
▪ A síndrome de West é uma encefalopatia epilética (gera comprometimento cognitivo).
➢ Crise epilética única:
➢ Quando o paciente apresenta uma crise epilética única sem risco de 60% de ter novas crises e nem
fecha diagnóstico de nenhuma síndrome epilética. Resumindo: não fecha diagnóstico de epilepsia.
➢ Recomenda-se realizar um EEG, mas não recomenda tratar até que feche diagnóstico de epilepsia.
➢ Exames complementares: o mais recomendado é o EEG ou vídeo-EEG, mas, se indisponível ou
suspeita de alterações morfológicas ou malformações, podemos solicitar tomografia ou ressonância.
Tratamento:
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Considerações gerais:
➢ TDAH caracteriza-se por sintomas de déficit de atenção (desatenção) e/ou hiperatividade (agitação).
➢ Epidemiologia: acomete 5% das crianças - síndrome neurocomportamental mais comum na infância.
➢ Fisiopatologia: os neurotransmissores associados são dopamina (principal) e noradrenalina.
➢ Trajetória: A maioria dos pacientes apresentam muitos sintomas na infância e redução deles na idade
adulta (metade deixa de apresentar sintomas). Outros apresentam sintomas na infância e eles
permanecem na idade adulta. Por fim, algumas crianças podem mimetizar os sintomas após evento
estressor ou de alta demanda, mas não fecharão diagnóstico (atentar-se à anamnese).
➢ Fatores de risco: genética (principal), prematuridade, infecções congênitas e tabagismo/alcoolismo.
➢ Formas clínicas: forma combinada (mais comum – 50 a 60% dos casos); forma predominantemente
desatenta (20 a 30% - mais em meninas); e forma predominantemente hiperativa (10 a 15% - meninos).
Diagnóstico:
➢ Triagem – é realizada com o SNAP IV – considera-se positivo se resultado igual ou maior que 6 entre
as perguntas 1 e 9 ou entre as perguntas 10 e 18. Pontuar apenas “bastante” e “demais”.
• Deve ser realizado em 2 ambientes distintos (como escola e casa).
• Itens 1 a 9 - predomínio de desatenção; 10 a 18 – predomínio de hiperatividade; 19 a 26 – TOD.
➢ Exames complementares – não são necessários, exceto se outras suspeitas (como crises de ausência).
• Ex: se suspeita de TDAH, mas a queixa for olhar fixo e parada comportamental, solicitar EEG.
➢ Critérios diagnósticos:
➢ A. sintomas de TDAH – para analisarmos se existe ou não este critério, basta aplicarmos o SNAP IV.
➢ B. Sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade e devem estar presentes por mais de 6
meses (ou seja, persistente), e não serem provocados por um desencadeante psicossocial.
➢ C. Existem problemas causados pelos sintomas acima em pelo menos 2 ambientes diferentes (como
escola, trabalho, vida social e casa) – basta aplicar o SNAP em 2 locais diferentes.
➢ D. Há problemas evidentes na vida escolar, social ou familiar, por conta dos sintomas – resumindo:
ter prejuízo – o SNAP também resolve este critério, já que só pontuamos quando há prejuízo.
➢ E. Outras patologias não devem explicar melhor os sintomas (como depressão, deficiência mental,
psicose, entre outros), pois crianças que possuem tais patologias mimetizam o TDAH – exceção: TEA.
Tratamento:
Adultos:
➢ Diagnóstico: os critérios são os mesmos, mas vale lembrar que os sintomas devem ter começado antes
dos 12 anos. Para triagem, ao invés de utilizar o SNAP, utilizaremos o ASRS-18 (que também possui
18 perguntas, com algumas alterações e 5 opções de resposta, ao invés de apenas 4).
➢ A nota de corte do ASRS também muda em relação ao SNAP: considera-se positivo se maior ou igual
a 4 (e não maior ou igual a 6, como era no SNAP). Para computar a computar a pontuação, a regra
segue a mesma: contaremos um ponto para cada pergunta cuja a resposta for uma das duas últimas.
• Na idade adulta, o déficit de atenção é mais comum que a hiperatividade.
➢ Por fim, a última alteração é que quem responde o ASRS-18 é o próprio paciente (e não pais e prof.).
➢ Como o principal fator de risco do TDAH é genético, ao diagnosticar a criança, é interessante também
investigar os pais.
➢ Tratamento: praticamente idêntico ao da criança e adolescente, porém, tanto o metilfenidato quanto o
lisdexanfetamina são indicados como primeira opção (enquanto nas crianças e adolescentes ambos são
primeira linha, mas a recomendação é iniciar com o metilfenidato – maior segurança).
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➢ Condição que mata mais rápido na infância e o mais difícil é reconhecê-la (sempre devemos procurar).
➢ Principal causa de PCR na infância (junto com o choque, mas a IRpA é mais rápida).
➢ Vale lembrar que não são só patologias pulmonares que podem gerar IRpA.
➢ Definição: deficiência do organismo em realizar as trocas gasosas. Valores de referência da
gasometria: PCO2: 35 a 45. PO2: 80 a 100. pH: 7,35 a 7,45 (mas nem sempre estarão alterados,
dependendo da fase da IRpA, além de haver outras doenças que os alteram, como cardiopatias).
Fases da IRpA:
➢ Fase I – PO2 alta (porém caindo) e PCO2 ainda baixa, às custas de taquipneia. Pode ter dispneia leve.
➢ Fase II – estabilização da PO2 (estabilizando a hipoxemia presente desde a fase I), mas às custas de
esforço respiratório, gerando queda de CO2. Dispneia leve (início) à moderada (final).
➢ Fase III – PO2 volta a cair e PCO2 passa a subir. Dispneia moderada (início) à grave (final). Intubar.
➢ Fase IV – IRpA gravíssima – PCO2 cruza a PO2. Apneia, gasping ou gemência.
Fisiopatologia:
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Distúrbios ácido-básicos:
➢ Os sistemas tampão impedem grandes variações de pH. Principal: bicarbonato – dióxido de carbono.
➢ VRs: PH = 7,35 – 7,45. PCO2 = 35 – 45. HCO3 (bicarbonato) = 22 – 26. Ânion gap = 8 – 15.
• O valor normal de Na+ na corrente sanguínea é de 135 a 145, e o K+ é de 3,5 a 5,0.
➢ Possibilidades de distúrbios: acidose metabólica ou respiratória e alcalose metabólica ou respiratória.
➢ A resposta compensatória respiratória é rápida (minutos) e envolve hiperventilação (elimina CO2) se
pH baixo ou hipoventilação (retém CO2) se pH alto.
➢ A resposta compensatória metabólica é lenta (3 a 5 dias), envolvendo aumento da exceção de H+ e
retenção de BIC (se pH baixo) ou aumento da exceção de BIC e retenção de H+ (se pH alto).
➢ Note que, ao chegar um paciente com taquipneia, não podemos afirmar que a patologia é respiratória.
Acidose metabólica:
➢ HCO3 < 22 mEq/L e Ph < 7,35 – ou seja, causada por redução de BIC ou aumento de H+ (não CO2).
➢ Pode ser acidose metabólica com ânion-gap alto (>15) ou com ânion-gap normal (<8 - hiperclorêmica).
➢ Os cátions correspondem ao Na+, enquanto os ânions mensuráveis são o BIC (HCO3) e o Cl-. Logo,
ânion-gap são os ânions não mensurados (não HCO3 ou Cl-). ânion gap = Na+ - (Cl- + HCO3).
➢ Sempre que houver acidose metabólica por aumento das substância ácidas já existentes ou acúmulos
de substâncias ácidas novas (como ácido lático, na sepse), teremos ânion gap aumentado. Por outro
lado, se a causa da acidose for perda de bicarbonato, teremos ânion gap normal (hiperclorêmica).
➢ Acidose metabólica com ânion-gap alto: acidose lática (sepse, choque, PCR, hipoxemia, crise
convulsiva), cetoacidose diabética ou alcoólica, uremia (IRA) e intoxicações (salicilatos e metanol).
➢ Acidose metabólica hiperclorêmica (ânion-gap normal – perda de BIC): diarreia, fístula biliar, entérica
ou pancreática, ureterossigmoidostomia e ATR (acidose tubular renal).
➢ Acidose mista:
➢ Sempre que houver acidose respiratória, precisamos calcular a PCO2 esperada, para verificar se está
havendo resposta compensatória ventilatória. PCO2 esperada = 1,5 x BIC + 8 (margem de + ou – 2).
➢ Causas de acidose mista: politraumatizado com choque hipovolêmico e hemotórax, panumotórax +
contusão pulmonar, e TCE + hemorragia (choque hemorrágico).
Acidose respiratória:
➢ PCO2 > 45 e PH < 7,35 - hipoventilação pulmonar decorrente de patologia pulmonar grave.
➢ Causas: pneumonia, EAP, obstrução de vias aéreas (corpo estranho), doenças do SNC (bradipneia),
derrame pleural, pneumotórax, Guillain-Barré, DPOC, fibrose cística ou pulmonar, cifoescoliose grave
• Vale lembrar que, se estiver havendo tentativa de compensação metabólica, a hipótese
diagnóstica não será muito aguda, já que indica que tal acidose iniciou há 3-5 dias.
Alcalose metabólica:
➢ HCO3 > 26 e pH > 7,45 - perda de ácidos (H+) para as células ou para o meio externo.
➢ As principais causas são vômitos ou uso de diuréticos.
➢ A hipocalemia pode causar e perpetuar a alcalose metabólica e vice-versa – pois, toda vez que o Na+
é absorvido, é excretado K+ ou H+. Logo, na falta de K+, sempre será excretado H+.
➢ Causas: Vômitos (estenose hipertrófica de piloro, suboclusão intestinal), alta drenagem nasogástrica,
fístula gástrica, pós-hipercapnia crônica, Hemotransfusão maciça (citrato), hipocalemia persistente e
administração de BIC exagerada (iatrogenia).
➢ Consequências: vasoconstrição cerebral (confusão, torpor, convulsões), excitabilidade neuromuscular
(tetania, parestesias), excitabilidade cardíaca (arritmias), hipoventilação pulmonar.
Alcalose respiratória:
➢ Alcalose metabólica – tratar a causa – se estenose hipertrófica de piloro ou fístula gástrica, operar e
corrigir; se for uma oclusão intestinal, verificar custo-benefício da cirurgia; se perda por sonda gástrica,
limitar a drenagem da sonda.
➢ Alcalose respiratória - Tratar a causa – se for um paciente psiquiátrico, administrar
ansiolítico/benzodiazepínico (para se acalmar e reduzir a hiperventilação); se for um paciente intubado
com parâmetros excessivos, reduzir os parâmetros ou extubar, se broncoespasmo fase 1, beta2 agonista
➢ Acidose respiratória – tratar a causa - se EAP por picada de escorpião (por exemplo), administrar o
soro antiescorpiônico e furosemida; se broncoespasmo, administrar um beta-2 agonista inalatório.
• Mas, o caso mais clássico é IRpA em fases graves (3 e 4) – ofertar oxigênio, VNI ou IOT.
➢ Acidose metabólica pura: quando PH < 7,2 ou BIC < 10: administrar bicarbonato (exceto na
cetoacidose diabética). Considerar 15 como BIC esperado/alvo e então utilizar o cálculo: (15 - Bic
atual) x 0,6 x peso = (resultado em ml de bicarbonato de sódio 8,4%).
• Diluir o resultado do cálculo em volume 4 vezes maior de SG5% ou água destilada e
administrar EV em 4 horas em bomba de infusão contínua.
• Quando acabar de administrar o bicarbonato, vamos colher gasometria e potássio (pois o BIC
administrado gera influxo de K+ para dentro das células, podendo gerar hipocalemia).
• Além disso, tratar a causa da acidose – exemplo: se for choque, tratar o choque.
➢ Acidose mista - Tratar primeiro a parte respiratória (acidose respiratória), por levar ao óbito mais
rapidamente. Após tratarmos a acidose respiratória, teremos transformado esta acidose mista em uma
acidose metabólica pura, e então, só aí iremos analisar se há indicação de administração de bicarbonato.
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Choque séptico:
➢ Na pediatria, o choque e a insuficiência respiratória são as patologias que mais causam mortalidade.
➢ Choque trata-se de uma redução da perfusão tecidual, resultando em déficit de oxigênio e nutrientes.
➢ Fisiopatologia: uma injúria primária gera mal perfusão tecidual, que gera a liberação de catecolaminas
endógenas para manter o fluxo em órgãos nobres, gerando taquicardia, vasoconstrição e aumento da
força de contração (tudo para manter o DC). Também são liberados corticoides e glucagon (ambos
endógenos), que geram elevação da glicose. Porém, a permanência da injúria sobrepõem-se a tais
mecanismos e geram má perfusão tecidual, com metabolismo anaeróbico, disfunção e morte celular.
Definições:
➢ SRIS (síndrome da resposta inflamatória sistêmica) – 2 dos 4 critérios: Febre (> 38,5ºC) ou hipotermia
(< 36,0ºC); taquicardia (ou bradicardia se < 1 ano); taquipneia (ou uso de VM) e leucocitose ou
leucopenia (ou > 10% de neutrófilos maduros).
➢ Sepse – SRIS na presença de infecção suspeitada ou confirmada.
➢ Sepse grave – sepse com disfunção cardiovascular ou disfunção orgânica ou SDRA (síndrome do
desconforto respiratório agudo) - termo em desuso.
➢ Choque séptico – sepse com disfunção cardiovascular após reanimação volêmica adequada.
➢ Disfunção orgânica – deve ter 2 ou mais das seguintes disfunções: cardiovascular (hipotensão ou
necessidade de medicação vasoativa), acidose metabólica, lactato arterial elevado, oligúria, TEC
prolongado, respiratória (PCO2 > 65 ou FiO2 > 50% para manter SatO2 > 92% ou necessidade de
VM), neurológica (glasgow a partir de 11), hematológica (plaquetas < 80.000 ou queda de 50%), renal
(creatinina > 2 vezes o basal), hepática (TGO e TGO > 2 vezes o VR ou BT > 4 mg/dL).
➢ Valores de referência:
Diagnóstico de choque:
➢ Risco de choque: 3 critérios (abaixo) ou 2 em crianças com risco para sepse (imunossuprimidos -
oncológicos, transplantados, síndrome nefrótica, IRC ou imunodepressões primárias).
• SIRS: alteração de temperatura, taquicardia, taquipneia.
• Alteração do nível de consciência – sonolência, rebaixamento ou irritação.
• Anormalidade do TEC (com o membro acima do nível do coração – evita retorno venoso).
• Anormalidade dos pulsos.
• Hipotensão (já é um sinal de evolução – não aguardar a hipotensão para fechar diagnóstico).
• Oligúria – diurese < 1 ml/kg/h.
• Alterações da pele: pele marmoreada ou marmórea, ou ainda, rendilhada. Sufusão hemorrágica
(por CIVD) – comum na meningococemia.
Tratamento:
➢ Objetivos da 1ª hora: normalização do TEC, pulsos, nível de consciência, PA, diurese > 1 ml/kg/h,
extremidades aquecidas e níveis adequados de glicemia e calcemia.
➢ 1. Fornecimento de oxigênio – na 1ª hora já devemos ter conseguido intubar o paciente (e, enquanto
não intubar, fornecer oxigênio de algum jeito).
➢ 2. Ressuscitação hídrica – administrar cristaloide balanceado em bolus (ou seja, aberto): 10 – 20 ml/kg
(totalizando, no máximo, 40 – 60 ml/kg na 1ª hora – após isso, entrar com droga vasoativa).
• Após acabar os 10 a 20 ml/kg, pode iniciar nova infusão (máximo de 40 – 60 ml/kg na 1ªh).
• Reavaliar frequentemente sinais de sobrecarga volêmica e perfusão tecidual – se sobrecarga
(cardíaca ou pulmonar), para a infusão e iniciar as drogas vasoativas.
➢ 3. Administração de drogas vasoativas – serão utilizadas para os pacientes que não toleram volume ou
que não melhoraram após o volume máximo de volêmica (60 ml/kg na primeira hora).
• Normotensos – administrar adrenalina (0,03 – 0,1 mcg/kg/min) ou dopamina.
• Hipotensos – verificar perfusão periférica:
▪ Se perfusão lentificada – utilizar adrenalina (0,03 – 0,1 mcg/kg/min).
▪ Se perfusão boa – utilizar noradrenalina (0,01 – 3 mcg/kg/min).
➢ 4. Inotrópicos (continuação das drogas vasoativas) – serão utilizados dependendo das condições
cardíacas, que poderão ser analisadas por ECO ou SVC. Droga: dobutamina (2 a 20 mcg/kg/min).
• ECO – utilizar inotrópico se o ECO mostrar baixa contratilidade ou baixo débito.
• SVC – utilizar inotrópico se SVC < 70%, pois indica que o sangue demorou para circular
(indicando baixo débito) e/ou mais oxigênio foi retirado destes sangue pelas células.
➢ 5. Antibioticoterapia – dependerá do diagnóstico, sendo que os mais comuns são:
• Pneumonia grave – ceftriaxone (75 mg/kg/dia) e oxacilina (50 a 100 mg/kg/dia).
• Pielonefrite – ceftriaxone (100 mg/kg/dia).
• Apendicite – ampicilina (200 a 400 mg/kg/dia), amicacina (15 mg/kg/dia) e metronidazol (30
a 50 mg/kg/dia).
• Meningite – ceftriaxone (100 mg/kg/dia – máxima 4 g/dia).
➢ 6. Corticoides – hidrocortisona 100 mg/m²/dia - quando consideramos que haja insuficiência adrenal:
• Choque refratário – sem melhora após dose máxima de drogas vasoativas (mais comum).
• Choque séptico associado à exposição aguda ou crônica a corticoesteroides.
• Distúrbios do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
• Hiperplasia de adrenal congênita ou outras endocrinopatias relacionadas a corticoesteroides.
• Recentemente tratados com cetoconazol ou etomidato (não usar etomidato para intubar).
➢ 7. Hemotransfusão – indicada se Hb for igual ou menor a 7 mg/dL.
Monitorização e ajustes:
➢ Usar USG ou ECO e SVC para direcionar fluido, inotrópico, vasopressor e vasodilatador:
• Se PVC baixa, infundir mais volume (se tolerar); se PVC normal, preferir drogas vasoativas.
• A contratilidade miocárdica e débito cardíaco nos permitem avaliar necessidade de inotrópico.
• A SVC nos permite saber indiretamente se o DC está ou não satisfatório.
➢ Após todo o protocolo, se choque persistente, cogitar: derrame pericárdico, pneumotórax, insuficiência
adrenal, hipotireoidismo, síndrome comportamental abdominal e focos infecciosos ocultos.
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Diagnóstico:
Seguimento:
➢ Padrão ouro: dosagem da HbA1c (hemoglobina glicada). Meta para < 18 anos: HbA1c até 7,5%.
• Claro que em alguns pacientes podemos tolerar metas maiores (como < 5 anos).
➢ A hemoglobina glicada estima a média glicêmica nos últimos 3 a 4 meses, logo, se está dentro da meta,
está controlado e tem baixos riscos de complicações. O contrário também é verdadeiro.
➢ Outra opção de avaliação é a automonitorização da glicemia realizando os dextros (através do
glicosímetro). Benefícios: reduz risco de cetoacidose e hipoglicemia, permite correlação entre os
resultados e os alimentos ingeridos e permite que o paciente faça correções.
• Hipoglicemia leve: entre 55 e 70. Hipoglicemia severa: < 55.
➢ Também existe o sistema de monitorização contínua de glicose em líquido intersticial, que permite
uma aferição da glicemia praticamente em tempo real quando quiser, mas só está disponível judicial.
Tratamento:
➢ O tratamento é sempre baseado na tríade: insulina (já que o paciente será insulinodependente) +
alimentação (restrição de açúcares, carboidratos e dar preferências para alimentos ricos em proteínas
e fibras) + atividade física (que é fundamental, pois sensibiliza os receptores de insulina).
➢ Ao diagnóstico, é comum internarmos o paciente, para: treinamento da família, educação em diabetes
(explicação da tríade do tratamento – conduta mais importante), orientação nutricional e ajuste de dose.
➢ Insulinoterapia:
➢ Dose diária total de insulina (considerando esquema basal-bolus – mais indicado): 0,5 – 1,0 UI/kg/dia.
➢ Insulina basal: NPH (intermediária – 2 a 4 doses). Insulinas bolus: lispro (ultrarrápida: aplicar 15 min
antes das refeições - alto custo, mas precisa ser prescrita por endócrino) e insulina regular (rápida:
aplicar 30 a 40 minutos antes das refeições).
➢ Dose da insulina basal: 30 a 50% do total – utilizar 2/3 da dose pela manhã e 1/3 à noite.
• A dose noturna pode até ser reduzida em risco de hipoglicemia (pacientes magros e < 5 anos).
➢ Dose da insulina bolus: 0,1 a 0,2 UI/Kg/dose – usar toda vez que a glicemia está > 200 ou quando
sabemos que ficará > 200 (como antes das principais refeições). Outra opção é calcular a dose máxima
para correção (peso/5) e ir decrescendo de acordo com as categorias (>350; >300; >250; >200; >150).
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Sífilis congênita:
Conduta na gestante:
➢ A gestante deve realizar teste o não treponêmico (VDRL) e teste rápido (treponêmico) uma vez por
trimestre. Se positivos, solicitar um teste treponêmico por sorologia (FTA-Abs) e iniciar tratamento.
• Se já tiver feito tratamento adequado e o VDRL for compatível, não precisa tratar.
➢ Se primária, secundária ou latente recente (até 1 ano), 2 doses. Terciária ou latente tardia, 3 doses.
• Para considerarmos precoce, ele deve ter registrado algum teste negativo há menos de 1 ano.
➢ Sempre que uma mulher for realizar teste de gravidez, também devem ser realizados TR para sífilis,
HIV e hepatites B e C. Se TR para sífilis positivo e nunca tratou, já aplicar 1ª dose e solicitar VDRL.
• Chamar o parceiro para realizar os exames nele e já aplicar a 1ª dose (no mesmo dia).
➢ O tratamento da gestante deve ser realizado simultaneamente ao do parceiro.
➢ Controle de cura: consideraremos o tratamento satisfatório caso haja queda de duas titulações do
VDRL em 3 meses e quatro titulações em 6 meses.
• Importante realizar o VDRL no mesmo dia da 1ª dose (para que ele não aumente até aplicá-la).
➢ Não existe um exame complementar que determine com precisão o diagnóstico de infecção na criança,
exigindo avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial. Considerar os seguintes pontos:
• Histórico materno de sífilis, tratamento (ou não) e acompanhamento durante a gestação.
• Sinais e sintomas clínicos da criança.
• Teste não treponêmico da criança comparado com o teste não treponêmico da mãe (ao parto).
➢ Já nesta avaliação inicial, conseguimos analisar o primeiro fator determinante do diagnóstico, que é se
a mãe fez ou não tratamento adequado:
• Se fez o tratamento adequado, a criança (por enquanto) ainda é apenas um RN exposto à sífilis.
• Se não fez tratamento adequado, já está fechado o diagnóstico de sífilis congênita.
➢ Considera-se “tratamento adequado” se estiverem documentados os seguintes fatores: (**)
• Tratamento realizado com penicilina benzatina (as demais não previnem transmissão vertical).
• Tratamento realizado com as doses corretas de acordo com o estágio clínico da sífilis.
• Tratamento iniciado até 30 dias antes do parto.
▪ Não é mais obrigatório que o parceiro tenha sido tratado (apesar de muito
recomendado). Porém, devemos excluir o risco de reinfecção, ou seja, se a paciente
cumpre todos os critérios de tratamento adequado, mas continua tendo relações com o
parceiro sabidamente infectado, claro que se torna questionável considerar ela tratada.
• Além dos 3 critérios anteriores, durante a aula teórica também foi ressaltado a necessidade de
queda de 2 titulações em 3 meses e 4 titulações em 6 meses. (**)
➢ Observação: crianças FM com sífilis tratada em gestação anterior, com tratamento documentado, e
sem elevação do VDRL entre a gestação anterior e esta não são consideradas nem “criança exposta”.
Seguimento clínico-laboratorial:
➢ É esperado que os testes não treponêmicos das crianças declinem aos três meses de idade, devendo ser
não reagentes aos seis meses nos casos em que a criança não tiver sido infectada ou que tenha sido
adequadamente tratada.
➢ Note que estamos falando tanto da criança exposta, quanto da com SC que foi tratada ao diagnóstico.
➢ O seguimento pode ser feito na puericultura, na Atenção Básica, durante as consultas de rotina, com
atenção mais cuidadosa no monitoramento de sinais e sintomas sugestivos de sífilis congênita, além
do monitoramento laboratorial em 1, 3, 6, 12 e 18 meses de idade. A partir dessa idade, se não houver
achados clínicos e laboratoriais, exclui-se sífilis congênita. (*)
➢ A falha no tratamento em prevenir a ocorrência de SC é indicada por (basta um dos dois): (*)
• Persistência da titulação reagente do teste não treponêmico após seis meses de idade.
• Aumento nos títulos não treponêmicos em duas diluições ao longo do seguimento (exemplo:
1:2 ao nascimento e 1:8 após).
➢ Nos 2 casos anteriores, notificar como SC (caso seja “criança exposta”) e realizar punção lombar para
estudo do LCR com análise de: VDRL, contagem celular e proteína.
➢ Além disso, devem ser tratadas durante dez dias com penicilina parenteral (a escolha do tratamento
dependerá da presença ou não de neurossífilis), mesmo quando houver histórico de tratamento prévio.
➢ Consultas: seguimento habitual na rotina de puericultura na 1ª semana de vida e nos meses 1, 2, 4, 6,
9, 12 e 18, com retorno para checagem de exames complementares, se for o caso. (*)
➢ A criança exposta à sífilis, mesmo que não tenha sido diagnosticada com sífilis congênita no momento
no nascimento, pode apresentar sinais e sintomas compatíveis com a doença ao longo do seu
desenvolvimento. Dessa forma, deve ser realizada busca ativa de sinais e sintomas a cada retorno.
➢ Aproveitar o momento da consulta para avaliar risco de outras IST maternas. O diagnóstico de uma
IST é fator de risco para outras, inclusive HIV, e pode ser transmitido pelo aleitamento materno. (*)
➢ Exame físico: apenas 10 a 40% das crianças com SC são sintomáticas ao nascimento, sendo que a
maioria desenvolve os sintomas entre 3 a 8 semanas (raramente após 4 meses), o que ressalta a
importância do exame físico cuidado no acompanhamento das crianças expostas e também das crianças
com SC que foram tratadas ao nascimento (pois o tratamento pode não ter sido suficiente).
➢ Os sinais mais frequentes são: hepatomegalia, icterícia, corrimento nasal (rinite sifilítica), rash
cutâneo, linfadenopatia generalizada e anormalidades esqueléticas radiográficas (e dor à mobilidade).
• Outros: anemia, trombocitopenia, leucopenia e leucocitose, febre.
➢ Particularidades para a criança com SC:
➢ A SC pode ser classificada em SC precoce (surge até o 2ª ano de vida) e SC tardia (após 2 anos).
➢ Todas as crianças com sífilis congênita devem ser submetidas a uma investigação completa, incluindo
punção lombar e análise do líquor (já que a presença de neurossífilis influencia no tratamento). (*)
➢ Acompanhamento com especialidades: consultas odontológicas, oftalmológicas e audiológicas
semestrais por 2 anos.
Testagem para sífilis e exames complementares para a criança com sífilis congênita: (*)
Neurossífilis:
➢ Acredita-se que a neurossífilis ocorra em 60% das crianças com sífilis congênita, com base na presença
de alterações no líquor, como reatividade no VDRL, pleocitose e aumento na proteinorraquia. (*)
➢ Dos parâmetros citados, o mais importante é o teste não treponêmico reagente no líquor, que tem 90%
de especificidade e 54% de sensibilidade (desde que esteja livre de qualquer contaminação por sangue).
Logo, VDRL positivo = neurossífilis confirmada. Demais alterações: neurossífilis presumida. (*)
Tratamento:
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Lhabsim - PCR:
➢ Deve-se realizar RCP: 15 compressões para 2 ventilações (se não intubado) ou 120 compressões por
minuto (duas compressões por segundo) e 20 ventilações por minuto (uma a cada 3 segundos).
➢ Já administrar adrenalina logo no primeiro ciclo. Para isso, basta diluir uma ampola (1 ml) de
adrenalina e 9 ml de água destilada. Administrar então a dose de 0,1 ml/Kg EV ou IO (intraósseo).
➢ Para bebês, recomenda-se utilizar a seringa de insulina (que tem 1 ml).
➢ Após cada ciclo (2 minutos), devemos checar novamente o ritmo (se AESP, palpar pulso). A adrenalina
deve ser novamente administrada a cada 3 a 5 minutos, ou seja, ciclo sim, ciclo não. Fazer flush.
➢ Quando e se o monitor apresentar ritmo organizado, checar o pulso. Se ausente, se trata de AESP,
devendo continuar a RCP (ou seja, iniciar um novo ciclo). Se estiver presente, devemos analisar a FC:
• Se FC > 60 bpm, existe estabilidade - podemos parar a reanimação e tratar como pós-parada.
• Se FC < 60 bpm, não existe estabilidade, logo, devemos realizar mais um ciclo (reanimar por
mais 2 minutos e verificar novamente se a FC ficou > 60 bpm).
Ritmos chocáveis:
➢ Assim que for constatado ritmo chocável no monitor (TV ou FV), devemos realizar a desfibrilação
imediata: 2 J/Kg (máximo de 200 J no desfibrilador bifásico ou 360 J no desfibrilador monofásico).
➢ Após a desfibrilação, proceder com RCP (não checar ritmo): 15 compressões para 2 ventilações (se
não intubado) ou 120 compressões por minuto e 20 ventilações por minuto (uma a cada 3 segundos).
➢ No primeiro ciclo após o choque, não devemos administrar nenhuma droga.
➢ Após o primeiro ciclo, checar novamente o ritmo e, se permanecer ritmo chocável, realizar nova
desfibrilação: 4 J/Kg. No 2º ciclo (após o 2º choque), realizar a primeira dose da adrenalina (idem).
➢ Após o segundo ciclo, checar novamente o ritmo e, se permanecer ritmo chocável, realizar nova
desfibrilação: 4-10 J/Kg.
➢ No terceiro ciclo de RCP após choque, realizar a primeira dose de antiarrítmico, podendo ser:
Amiodarona 5 mg/Kg (máximo de 300 mg – 3 doses) ou lidocaína 1 mg/Kg (máximo de 3 doses).
➢ Quando e se o monitor apresentar ritmo organizado, checar o pulso. Se ausente, se trata de AESP,
devendo continuar a RCP (ou seja, iniciar um novo ciclo). Se estiver presente, devemos analisar a FC:
• Se FC > 60 bpm, existe estabilidade - podemos parar a reanimação e tratar como pós-parada.
• Se FC < 60 bpm, não existe estabilidade, logo, devemos realizar mais um ciclo (reanimar por
mais 2 minutos e verificar novamente se a FC ficou > 60 bpm).
➢ Caso o paciente não volte, devemos manter a reanimação por 40 minutos (exceto hipotermia – 1 hora).
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Punção intraóssea:
Punção liquórica:
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Execução da IOT:
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Anafilaxia:
➢ A anafilaxia é definida como uma reação multissistêmica grave de início agudo e potencialmente fatal,
em que alguns ou todos os seguintes sinais e sintomas podem estar presentes: urticária, angioedema,
comprometimento respiratório e gastrintestinal e/ou hipotensão arterial.
➢ A ocorrência de dois ou mais destes sintomas imediatamente após a exposição ao alérgeno confirma.
➢ Os alimentos que se destacam são leite de vaca, clara do ovo e crustáceos.
➢ Entre os medicamentos, aqueles de uso mais frequente, como os antibióticos, especialmente os
betalactâmico, e os anti-inflamatórios não hormonais (AINH) são as classes mais envolvidas.
➢ Também vale mencionar as picadas de insetos (formigas de fogo, abelhas e vespas).
➢ A frequência de anafilaxia ao látex vem aumentando e deve-se ter atenção especial para grupos de
risco como os profissionais de saúde, além de reação cruzada com banana, abacate, kiwi, mamão.
➢ Cerca de 2% dos indivíduos que recebem radiocontrastes iônicos de alta osmolaridade podem
experimentar algum tipo de reação adversa (mas a maioria leve).
➢ Por fim, o exercício físico, isoladamente ou associado a alimentos (camarão, maçã, aipo e trigo).
➢ Fisiopatologia: na maioria das vezes, a anafilaxia é desencadeada por mecanismo imunologicamente
mediado por IgE contra diferentes antígenos como: alimentos, medicamentos, veneno de insetos
himenópteros (abelhas, vespas, formigas), látex, entre outros, e com liberação imediata de histamina e
outros mediadores de mastócitos e basófilos.
➢ O espectro das manifestações clínicas compreende desde reações leves até graves e fatais.
➢ O início geralmente é súbito, podendo atingir vários órgãos. Os sintomas iniciais ocorrem em
segundos/minutos até horas após a exposição ao agente causal.
➢ É importante ressaltar que reações bifásicas podem ocorrer de 8 a 12 horas em até 10% dos casos. (*)
➢ A anamnese deve conter: agente suspeito, via de administração e dose (se fármaco), sequência de
sintomas e tempo dos sintomas, episódios anteriores e respectivo tratamento efetuado.
➢ Cutâneos: urticária e angioedema (mais comum em lábios e olhos), erupção cutânea (rash, eritema),
prurido sem rash.
➢ Respiratórios: dispneia, sibilos, tosse, edema de laringe (glote), espirros, coriza, obstrução, prurido
nasal e/ou ocular acompanhados ou não de hiperemia conjuntival e lacrimejamento.
➢ Cardiovascular: taquicardia, tontura, síncope, dor precordial, hipotensão arterial e choque.
➢ Digestórios: náuseas, vômitos, diarreia e cólicas.
➢ Miscelânia: cefaleia, convulsão, incontinência urinária, cólicas uterinas, gosto metálico, sensação de
morte eminente, desorientação.
➢ Por fim, vale ressaltar a importância de se solicitar dosagem sérica de IgE e/ou pach teste para educação
do paciente e instituição de medidas preventivas (mas pode ser negativo no momento – fazer depois).
Tratamento:
➢ Observação clínica: nos casos leves, mínimo de 6 a 8 horas; já nos casos graves, 24 a 48 horas.
➢ Reações bifásicas podem ocorrer entre 8 e 12 horas após o episódio agudo, em 10% dos casos.
➢ Corticoides e anti-histamínicos são drogas de 2ª linha (mas são indicadas).
➢ Paciente em uso de beta-bloqueador pode necessitar de doses maiores de adrenalina para o mesmo
efeito. Nestes casos, o ideal é utilizar glucagon: 5-15 µg/minuto IV (infusão contínua).
Orientações pós-alta:
➢ Corticoide (prednisolona 1-2 mg/Kg/dia em dose única diária por 7 dias) e anti-histamínicos de 2ª
geração (desloratadina por 7 dias) – são importantes para evitar recorrência em pacientes com
agravantes (como asma) ou absorção contínua do alérgeno.
➢ Todos os pacientes com reações anafiláticas devem ser encaminhados ao especialista em alergia, para
investigação etiológica, avaliação de riscos e prevenção de novos episódios e tratar comorbidades.
➢ Pacientes e familiares devem ser orientados para o reconhecimento dos sinais precoces de novo
episódio de anafilaxia. A escola também deve ser orientada.
➢ Alergia a látex: evitar contato e inalação (chupetas, bolas de aniversário, máscaras odontológicas, luvas
cirúrgicas, drenos e equipos de soro). Avisar dentistas e médicos (usarem equipamentos sem látex).
➢ Alergia à fármacos: orientar a sempre avisar os médicos.
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Picada de escorpião:
➢ Apresentação clínica: sialorreia, sudorese, vômitos, náuseas, dor no local da picada com parestesia
edema, eritema. Pode haver sinais de choque (pulso fino, tec <3 seg, extremidades frias e pálidas, pele
sem elasticidade), dispneia e sinais de edema agudo de pulmão.
➢ Principal sintoma: dor intensa no local.
➢ Complicações: choque cardiogênico e derrame pleural.
➢ Anamnese:
➢ Há quanto tempo foi a picada?
➢ Viu ou trouxe o escorpião?
➢ Perguntar onde ocorreu, se há infestação de escorpião na casa/no bairro, se há terrenos baldios na
vizinhança.
➢ Questionar sobre entulhos na casa, lotes vagos ao redor (epidemiologia).
➢ Questionar vômitos precoce: sinal de gravidade.
➢ Questionar dispneia, taquicardia (sinais de edema de pulmão e choque cardiogênico).
➢ Conduta:
➢ Seguir ABCDE para examinar:
➢ AC: procurar por taquicardia
➢ Ap: procurar por estertores, dispneia, taquipneia
➢ Neuro: agitação, convulsão, coma
➢ Solicitar monitorização e acesso venoso (vai fazendo simultaneamente ao exame físico): FC, FR, Sat,
PA, temperatura e dextro.
➢ Oximetria de pulso (SatO2) – colocar cateter de O2 se necessário.
➢ Cateter tipo óculos: 3L/min.
➢ Máscara: 5l/min (Nunca colocar máscara em paciente que está vomitando).
➢ Frequência respiratória.
➢ Frequência cardíaca.
➢ Crianças de até 2 anos: 120 a 140 bpm.
➢ De 8 até 17 anos: 80 a 100 bpm;
➢ Pressão arterial
➢ Dextro (vômitos pode levar a hipoglicemia)
➢ Classificar em leve, moderado ou grave:
➢ Leve: manifestações locais: dor, edema, rubor, parestesia, pilo ereção
➢ Moderado: Sintomas sistêmicos > sudorese, náuseas, vômitos ocasionais, taquicardia, taquipneia,
hipertensão leve
➢ Grave: sintomas sistêmicos, e pelo menos 1 exacerbado > sudorese profusa, vômitos incoercíveis,
sialorreia importante, edema pulmonar, choque convulsões, coma.
➢ Conduta:
➢ Leve: Tratamento sintomático
➢ Alívio da dor – infiltração de anestésico sem vasoconstritor: lidocaína 2% 3-5mL
➢ Analgésico sistêmico – dipirona 10mg/kg
➢ Antiemético – ondansetrona 0,15mg/kg (Vonau)
➢ Observação clínica no mínimo 4-6 horas
➢ Moderado e Grave:
➢ Internação (se grave, UTI)
➢ Solicitar exames
➢ Gasometria arterial
➢ • ECG: casos graves
➢ • Rx de tórax: aumento da área cardíaca , edema agudo de pulmão
➢ • Hemograma, eletrólitos, CKMB, amilase e troponina em casos graves
➢ • Ecocardiograma se necessário
➢
➢ Tratamento com soro antiescorpiônico (SAEsc)
➢ Moderados: SAEsc 3 ampolas EV em bolus ou diluído em SF 0,9% 1:1 ou 2:1
➢ Graves: SAEsc 6 ampolas EV em bolus ou diluído em SF 0,9% 1:1 ou 2:1
➢ Se não tiver SAE: Dexametasona 0,5mg/kg 20.
➢ Observação por no mínimo 24h após o fim dos sintomas. Pacientes graves devem preferencialmente
ser internados em UTI.
➢ OBS: não dar volume, exceto se o paciente estiver vomitando muito com risco de desidratação; fazer
expansão com 10 ml/kg.
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Cetoacidose diabética:
➢ Apresentação clínica:
➢ Criança ou adolescente com náuseas, vômitos, anorexia profunda, dor abdominal, fadiga, desidratação,
confusão mental, perda de consciência.
➢ OBS: Solicitar dextro para todo paciente com esses sintomas
➢ Anamnese:
➢ Questionar sintomas prévios: Poliuria (devido à diurese osmótica induzida por glicose), polidipsia
(devido ao aumento das perdas de água na urina), fadiga, emagrecimento, polifagia, infecções de
repetição por Candida. Em bebês o diagnóstico pode ser mais difícil - podemos notar hipoatividade,
irritabilidade, perda de peso e desidratação.
➢ Questionar fatores precipitantes: se já é diagnosticado, questionar omissão do uso de insulina, má
adesão à dieta, mau funcionamento da bomba de insulina, uso de medicamentos hiperglicemiantes
(ex.: corticoide), infecções, problemas emocionais e estresse.
➢ Questionar histórico familiar de DM1
➢ Ao exame físico:
➢ 1º Ver sinais de desidratação;
➢ Podemos observar a respiração de Kussmaul (hiperventilação na tentativa de reduzir os valores de
CO2 para compensar a acidose metabólica - é uma respiração rápida e profunda seguida de pausas),
➢ Pele e mucosas secas
➢ Ausência de lágrimas
➢ Turgor cutâneo diminuído
➢ Taquicardia
➢ TEC > 2 s
➢ Pulsos finos
➢ Extremidades frias
➢ Nível de consciência
➢ Se possível, realizar pesagem do paciente e comparar com peso anterior para ter uma estimativa da
desidratação.
➢ Solicitar: Gasometria arterial, Na, K, glicemia e urina 1
➢ Diagnóstico:
➢ Acidose - pH venoso ou arterial < 7,30 e/ou bicarbonato < 15 mEq/L;
➢ Glicemia > 200 mg/dL;
➢ Presença de cetonemia e/ou cetonúria.
➢ Classificação:
➢ Leve: ph venoso <7,3 ou BIC <15
➢ Moderado: ph venoso <7,2 ou BIC <10
➢ Grave: ph venoso <7,2 ou BIC <5
➢
➢ Conduta:
➢ Manter via aérea pérvia
➢ Solicitar monitorização
➢ Solicitar dextro
➢ 2 acessos periféricos
➢ 1ª ETAPA: HIDRATAÇÃO
➢ 1ª Expansão com cristalóide (SF 0,9% ou ringer lactato) 20 ml/kg em 30 minutos até 3x SOMENTE
PARA PACIENTES COM SINAL DE DESIDRATAÇÃO
➢ 2ª Reparação residual, conforme a estimativa de peso perdida (calcular valor total a ser feito em 12
horas)
➢ Leve: pcte hidratado – 5% do peso
➢ Moderado: paciente desidratada – 5-10% do peso
➢ Grave: pcte em choque - >10% do peso (pulsos fracos ou impalpáveis, hipotensão e oligúria)
➢ O volume aqui calculado será dividido em 6 fases de 2 horas
➢ 3ª Reparação dinâmica: reparação residual + diurese
➢ VT – O que foi adm na expansão / 6
➢ Em cada fase de 2 horas: resultado da divisão + diurese.
➢ Escolha do soro na reparação dinâmica:
➢ Gli > 250 : SF 0,9%
➢ Gli < ou = 250: ½ SF 0,9% e ½ SG 5%
➢ 2ª ETAPA: INSULINA
➢ Via endovenosa em bomba de infusão: ideal
➢ 0,1 U/Kg/hora infusão continua (glicemia > 250 mg/dl); 0,05 U/Kg/hora (glicemia < ou = 250 mg/dl
e/ou glicosúria < 2+, com cetonuria positiva);
➢ Sugestão de diluição: 20 Ui em 100 ml de SF 0,9
➢ Via IM: 2ª opção
➢ Dose: 0,2 UI/Kg/ 2 horas (a cada fase)
➢ 0,1 UI/Kg/ 2 horas (glicemia < 250 com cetonúria +)
➢ 0,2 UI/Kg/ a cada 4 horas (glicemia < 250 sem cetonúria).
➢ Insulina Intermediária (NPH) (Tratamento do Diabetes):
➢ A dose a ser administrada nos pacientes com primeira descompensação da DM tipo I é, em média, de
0,5 UI/Kg por via SC.
➢ Nos pacientes já acompanhados, se necessário, aumentar a dose a 10%.
➢
➢ 3ª ETAPA: POTÁSSIO
➢ Contraindicações temporárias da reposição de potássio:
➢ Oligoanúria
➢ K > 6,5mEq/L
➢ Apresentação do potássio: KCL 19,1% (1ml = 2,5 mEq) - Geralmente iniciamos a reposição de KCL
na 2ª fase da reparação dinâmica
➢ K = 4,5 – 6,0 20mEq/L (velocidade de 0,2 – 0,3 mEq/Kg/hora)
➢ K < 4,5 40 mEq/L (0,3 – 0,5 mEq/kg/hora)
➢ Cálculo:
➢ Primeiro calcula o meq e depois o soro.
➢ 4ª ETAPA: BICARBONATO
➢ Não vamos usar para todos, exceto se o paciente permanece ruim após todas as etapas e apresenta:
➢ Choque refratário
➢ PCR
➢ Complicações pulmonares
➢ Acidose metabólica persistente (PH < 7,0 – 6,9)
➢
➢ CRITÉRIOS PARA RESOLUÇÃO DE CAD:
➢ Glicemia controlada (< 250)
➢ Bicarbonato ≥ 18mEq/L
➢ PH venoso > 7,3
➢ Cetonúria 1+ ou negativa
➢ The end????
Além do resumo:
➢ Deixar as 4 possibilidades de cenário para o final (mas, jamais deixar passar das 10:00 para iniciar).
➢ Ler (obrigatório): cirúrgica (pelo menos as primeiras patologias), resumos da enfermaria e picada de
escorpião e cetoacidose.
➢ Ler (opcional): materiais extras de endócrino, toxoplasmose, sarampo e calendário vacinal.