João Alberto: Revolta e Coluna Prestes
João Alberto: Revolta e Coluna Prestes
*militar; rev. 1924; Col. Prestes; rev. 1930; deleg. mil. SP 1930; interv. SP 1930-1931; ch.
pol. DF 1932-1933; const. 1934; dir. ger. DFSP 1945.
João Alberto Lins de Barros nasceu em Recife no dia 16 de junho de 1897, filho de
Joaquim Cavalcanti Leal de Barros e de sua segunda esposa, Maria Carmelita Lins de
Barros. Embora descendendo de tradicional família nordestina, seu pai recebia rendimentos
como professor do Ginásio do Estado de Pernambuco que asseguravam apenas modestas
condições de vida à sua numerosa família de 15 filhos, cinco dos quais do primeiro
matrimônio.
João Alberto iniciou o curso primário na escola de Dona Amélia, no bairro de Caxangá, em
Recife. Dois anos depois, foi expulso devido a um atrito com a professora, prosseguindo os
estudos com o pai. Mais tarde ingressou no Ginásio Pernambucano e aos 15 anos
matriculou-se na Escola Politécnica de Recife. Aos 18 anos foi obrigado a interromper o
curso por motivo de doença, o que lhe permitiu obter apenas o título de engenheiro-
geógrafo.
Já restabelecido da enfermidade, em 1918 alistou-se como praça no Quadro Suplementar do
Exército e logo foi promovido a sargento e classificado no 34º Batalhão de Caçadores, na
capital pernambucana. Em princípios de 1919 matriculou-se na Escola Militar do Realengo,
no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, da qual saiu aspirante da arma de artilharia em
janeiro de 1922. Ainda nesse mês, apresentou-se ao 1º Regimento de Artilharia Montada,
na Vila Militar, no Rio de Janeiro, sendo designado subalterno da 2ª Bateria, então
comandada pelo capitão João Batista Mascarenhas de Morais. Em abril do mesmo ano foi
promovido a segundo-tenente.
Em março de 1922, realizaram-se eleições para a sucessão de Epitácio Pessoa na
presidência da República, disputadas por Nilo Peçanha e Artur Bernardes. Este último,
embora não contasse com o apoio dos militares, saiu vitorioso. No início de julho Epitácio
Pessoa ordenou o fechamento do Clube Militar – que se opusera à candidatura e oferecia
resistência à posse de Bernardes –, desencadeando inúmeros protestos no meio militar. João
Alberto aderiu a essas manifestações no cassino do seu regimento e em seguida participou
da preparação de um levante, deflagrado em 5 de julho de 1922 na Escola Militar, no forte
de Copacabana e na Vila Militar, no Rio, e debelado no mesmo dia. Apesar de não ter
participado da sublevação, ficou confinado durante cinco meses na fortaleza de Santa Cruz,
onde entrou em contato com outros oficiais rebeldes, que, sob a liderança do tenente Juarez
Távora, preparavam um novo movimento.
NA COLUNA PRESTES
João Alberto chegou a São Luís Gonzaga comandando um corpo de mais de
duzentos homens e aí juntou-se às forças remanescentes da revolução, constituindo assim o
contingente gaúcho composto de cerca de mil militares e mil civis praticamente
desarmados que, em 27 de dezembro de 1924, iniciaram a marcha em direção ao norte para
fazer a junção com as forças revolucionárias paulistas estacionadas em Catanduvas (PR).
Prestes assumiu o comando geral da tropa sulista, dividida em três destacamentos entregues
à chefia dos tenentes Mário Portela Fagundes, João Alberto e Antônio de Siqueira Campos.
Em Tupanciretã (RS), os revolucionários receberam a adesão de cerca de cem voluntários
mal armados e liderados pelo coronel Nestor Veríssimo. Depois de travar combate com as
tropas legalistas concentradas na cidade, foram obrigados a recuar até Carazinho, onde
receberam de um emissário do general Isidoro a orientação de rumar para Foz do Iguaçu
(PR) a fim de encontrar os paulistas.
Deixando Nestor Veríssimo no comando do seu destacamento, João Alberto juntou-se a
Prestes para ajudar a penosa ocupação de Boqueirão da Ramada, ponto obrigatório de
passagem para o norte, onde os revolucionários tiveram 50 mortos e cem feridos. Outros
cem combatentes desertaram quando a tropa chegou a Barracão, na fronteira com a
Argentina e última cidade gaúcha do trajeto. João Alberto e Siqueira Campos assumiram o
comando da vanguarda no deslocamento para Porto Feliz e Clevelândia, no Paraná,
enquanto o tenente Osvaldo Cordeiro de Farias chefiava a retaguarda.
Uma parte do contingente gaúcho já havia atravessado o rio Iguaçu quando chegou a
notícia de que os paulistas, atacados pelas tropas legalistas do general Cândido Rondon,
haviam abandonado em 30 de março de 1925 a região de Catanduvas. A travessia foi
acelerada, e o destacamento de João Alberto prosseguiu em marcha forçada para a cidade
de Benjamim Constant (PR), enquanto Prestes rumava em direção a Santa Helena, às
margens do rio Paraná, onde ocorreu o primeiro encontro entre gaúchos e paulistas. Em
reunião realizada no dia 12 de abril de 1925, Isidoro Dias Lopes apresentou um relato
pessimista sobre as condições político-militares de prosseguimento da luta e sugeriu que
tomassem o rumo do exílio, mas foi contestado por Prestes e pelo major paulista Miguel
Costa, defensores de uma estratégia de guerra de movimento. Esse ponto de vista
prevaleceu, levando à formação da 1ª Divisão Revolucionária, que nos anos seguintes
percorreria grandes extensões do território nacional e ficaria conhecida como Coluna
Prestes. Isidoro, então com 60 anos, foi enviado para a Argentina por ser muito idoso para o
tipo de luta que se desenvolveria.
Na reorganização das forças rebeldes, as tropas gaúchas e paulistas formaram inicialmente
duas brigadas independentes e todos os oficiais receberam novas patentes, de acordo com
suas funções na Coluna. Miguel Costa, comandante-geral, foi promovido a general, Prestes
passou a coronel e continuou à frente da Brigada Rio Grande, composta por cerca de
oitocentos homens divididos em quatro destacamentos sob a chefia dos tenentes-coronéis
João Alberto, Cordeiro de Farias e Siqueira Campos, e do capitão Ari Salgado Freire.
O destacamento João Alberto foi colocado na vanguarda da tropa revolucionária, que
atravessou um trecho do território paraguaio e reingressou no Brasil em 30 de abril de 1925
através do rio Iguatemi, ao sul de Mato Grosso. Depois de um combate com o 2º Batalhão
de Caçadores (2º BC) em Pranchita, a Coluna se reagrupou em Ponta Porã (MS),
abandonada pelas forças legalistas em pânico. Miguel Costa pretendia travar um combate
decisivo com o inimigo, mas sua proposta encontrou forte oposição de Prestes, que alegava
inferioridade de forças. Acabou prevalecendo este último ponto de vista e, pouco depois, a
cadeia de comando e a estrutura operacional da Coluna foram reestruturadas, com a
indicação de Prestes para a chefia do estado-maior, a desativação das duas brigadas e a
formação de quatro novos destacamentos comandados por João Alberto, Cordeiro de
Farias, Siqueira Campos e Djalma Dutra.
O contingente chefiado por João Alberto sofreu um revés em 10 de maio de 1925, mas
conseguiu bater em retirada e reincorporar-se à Coluna, que se deslocava para Goiás
perseguida pelas tropas do major Bertoldo Klinger. Nesse estado, o destacamento João
Alberto teve importante participação na luta travada em Anápolis, decisiva para dispersar
as forças legalistas e permitir à Coluna penetrar no sertão livre de perseguições imediatas.
Entre agosto e dezembro, os revolucionários percorreram, sucessivamente, Minas Gerais,
Bahia, Maranhão e Piauí, onde João Alberto chegou a flanquear com seus homens a
margem esquerda do rio Parnaíba para cercar Teresina. Entretanto, diante da enorme
concentração de tropas governistas nessa cidade, o comando revolucionário decidiu
suspender a manobra e iniciar a marcha em direção ao Ceará, onde a Coluna foi obrigada a
enfrentar os jagunços de Floro Bartolomeu e do padre Cícero Romão Batista.
Atravessando o Rio Grande do Norte e a Paraíba, a Coluna chegou a Pernambuco no dia 12
de fevereiro de 1926, pretendendo atacar Recife e receber adesões de unidades militares ali
sediadas. O fracasso do levante chefiado pelo tenente Cleto Campelo provocou uma
mudança de planos, com a continuação do deslocamento pelo interior. João Alberto
participou nessa época de diversos combates contra tropas da polícia estadual, chefiada por
seu antigo comandante, o coronel João Nunes. Depois de atravessar novamente a Bahia e
penetrar em Minas Gerais, os revolucionários foram forçados a retornar em direção ao
Nordeste, já bastante desgastados pelo longo tempo de marchas e combates. O estado geral
dos equipamentos também era bastante precário, limitando a capacidade operacional da
tropa, então reduzida a oitocentos combatentes. Chegando a Formosa (BA), a Coluna
tomou o rumo de Goiás, e, depois, Mato Grosso, já com a perspectiva de uma possível
emigração, concretizada em 3 de fevereiro de 1927.
NA REVOLUÇÃO DE 1930
Nos primeiros dias de maio, os antigos líderes da Coluna reuniram-se na capital
argentina e tomaram conhecimento da intenção de Prestes de lançar um manifesto
rompendo com a Aliança Liberal e conclamando o povo à luta por uma verdadeira
revolução. João Alberto e Siqueira Campos convenceram-no a esperar mais um mês antes
de tomar essa iniciativa e obtiveram a adesão do até então indeciso Miguel Costa, que
aceitou manter sigilo sobre a reunião e combinou sua volta ao Brasil para ajudar a
articulação revolucionária. Os dois “tenentes” partiram então em um avião monomotor
rumo a Porto Alegre, mas a viagem não chegou ao fim, pois uma pane precipitou o
aparelho no rio da Prata. Os dois tripulantes conseguiram mergulhar na água, mas, segundo
o relato de João Alberto, “mal havia recuperado a calma (talvez decorridos uns dez minutos
de nado), ouvi, perto de mim, o grito angustiante de Siqueira: ‘Espera, João!’ Voltei-me
ainda em tempo de ver, a um metro de mim, ser tragado por uma onda”.
João Alberto conseguiu nadar até uma praia uruguaia, enquanto o corpo de Siqueira
Campos só foi encontrado dias mais tarde. Em fins de maio, João Alberto rompeu
definitivamente com Prestes, que lançara pouco antes seu manifesto, e, em seguida, criticou
duramente a indecisão das lideranças aliancistas, que se negavam a deflagrar o movimento
apesar da conjuntura propícia decorrente da crise econômica em curso. Irritado, retirou-se
para Buenos Aires, declarando que só voltaria a Porto Alegre quando todos estivessem
preparados para a luta. A evolução da conjuntura política brasileira favoreceu o projeto
revolucionário. Com o assassinato de João Pessoa em 26 de julho de 1930, os ânimos se
acirraram, e com a adesão do presidente eleito de Minas, Olegário Maciel, cuja posse
estava marcada para o dia 7 de setembro, as condições materiais para a deflagração do
levante se fortaleceram. Chamado de volta a Porto Alegre por Osvaldo Aranha e Maurício
Cardoso, João Alberto passou a integrar o grupo de comando da revolução, composto
também por Pedro Aurélio de Góis Monteiro, Virgílio de Melo Franco, Newton Estillac
Leal, os irmãos Etchegoyen, Augusto Amaral Peixoto, Herculino Cascardo, Pinheiro de
Andrade, Cícero Góis Monteiro, Ricardo Holl, Adalberto Correia e Luís Aranha.
Oficiais revolucionários e elementos civis dividiram então entre si as responsabilidades no
levante, iniciado pela Brigada Militar gaúcha em 3 de outubro de 1930, data combinada
com as forças de Minas Gerais e da Paraíba comprometidas com a revolta. Coube a João
Alberto comandar o ataque aos dois batalhões de infantaria e ao esquadrão de cavalaria
sediados no morro do Menino Deus e guardiães de um imenso paiol, a única grande reserva
de munição existente no estado. Contando com o apoio do capitão Argolo, do tenente
Setembrino Palma e de outros oficiais que serviam nessas unidades, os revolucionários
obtiveram êxito em pouco tempo, permitindo que João Alberto se apresentasse no mesmo
dia ao chefe da revolução, Getúlio Vargas, no palácio do governo. O Rio Grande do Sul foi
completamente dominado em 24 horas e, com a vitória do movimento também em Minas e
na Paraíba, os revolucionários passaram a contar com importantes bases para a operação de
suas colunas. Os destacamentos gaúchos comandados por Miguel Costa invadiram e
controlaram rapidamente Santa Catarina e, em seguida, o Paraná, avançando em direção a
São Paulo, principal foco de resistência das tropas legalistas. Por ordem de Góis Monteiro,
João Alberto acompanhou a retaguarda desse deslocamento, partindo no dia 5 de outubro
num trem especial com cem homens, aos quais se somaram em Tupanciretã ex-combatentes
da Coluna Prestes chefiados por Nestor Veríssimo. Ao chegar a Curitiba, foi informado de
que Miguel Costa se aproximara da fronteira com São Paulo, Alcides Etchegoyen obtivera
uma importante vitória contra tropas federais no norte do Paraná e Vargas viajara para
Ponta Grossa (PR), onde instalaria o novo quartel-general revolucionário. A principal
concentração de forças legalistas estava na cidade paulista de Itararé, ponto necessário de
passagem para o destacamento de Miguel Costa.
A situação militar evoluía de forma claramente favorável aos rebeldes em todas as frentes
de luta. Nesse contexto, oficiais de alta patente lotados no Distrito Federal articulavam um
golpe militar contra o governo, finalmente deflagrado no dia 24 de outubro, com êxito. O
presidente Washington Luís foi substituído por uma junta militar, o que, no entanto, não
solucionou imediatamente a questão do poder, pois os novos governantes não se
comprometeram claramente com a posse de Getúlio Vargas, reivindicada pelos
revolucionários. Além disso, a junta escolheu militares para exercer provisoriamente os
governos estaduais, cabendo ao comandante da 2ª Região Militar (2ª RM), general
Hastínfilo de Moura, a chefia do Executivo paulista. Seu governo foi efêmero. Na noite do
dia 24, as forças legalistas estacionadas em Itararé renderam-se às tropas de Miguel Costa,
e representantes do Partido Democrático (PD) de São Paulo, principal base de apoio da
revolução no estado, começaram a discutir com Vargas, ainda em Ponta Grossa, a
nomeação de Francisco Morato para o cargo de interventor e a formação de um secretariado
composto por “grandes nomes paulistas”. Essa proposta do PD encontrava forte oposição
entre os setores tenentistas, levando Vargas a deixar a questão em aberto. Começava assim
a prolongada crise política em São Paulo.
NA INTERVENTORIA PAULISTA
Na condição de representante de Vargas, João Alberto integrou o grupo de líderes
revolucionários enviado à capital paulista para preparar a chegada posterior do chefe da
revolução e buscar uma solução para o problema da reorganização do poder estadual.
Vargas partiu de Ponta Grossa no dia 25 e, durante a viagem, recebeu a visita de Francisco
Morato que, apesar da ferrenha oposição de João Alberto e de Miguel Costa, estava
confiante em sua nomeação para a interventoria. Em meio a um vazio de poder – pois
Hastínfilo de Moura já abandonara seu cargo – a comitiva foi festivamente recebida na
capital paulista no dia 28 de outubro. As diversas correntes integrantes do movimento
vitorioso chegaram em seguida a um acordo, estabelecendo que, provisoriamente, o
Executivo paulista permaneceria sem chefe, cabendo a José Maria Whitaker coordenar o
secretariado (responsável pelos negócios correntes do governo), enquanto João Alberto
ficaria como delegado militar da revolução no estado. Pretendendo manter o diálogo com o
PD, Vargas convidou Morato para o Ministério da Fazenda de seu futuro governo, mas este
não aceitou, ainda seguro de sua indicação para a interventoria paulista.
Vargas partiu em seguida para o Rio de Janeiro, onde, depois de superadas as resistências
iniciais da junta militar, tomou posse em 3 de novembro à frente do governo provisório.
Nesse mesmo dia, Miguel Costa foi nomeado comandante da Força Pública paulista,
passando a deter, junto com João Alberto, o controle das decisões relativas à ordem pública
e à segurança no estado, fator de permanente conflito entre as lideranças tenentistas e as
forças políticas tradicionais de São Paulo. No dia 6, Plínio Barreto, homem de confiança do
PD, substituiu Whitaker na chefia do secretariado paulista, mas a influência de João
Alberto se fortaleceu através da nomeação de muitos militares ligados a ele para diversos
órgãos de administração estadual. Seu prestígio também cresceu junto às classes média e
operária, duramente atingidas pela crise econômica em curso.
João Alberto autorizou o funcionamento legal do Partido Comunista Brasileiro – então
Partido Comunista do Brasil (PCB) – e a criação da Sociedade dos Amigos da Rússia;
ameaçou confiscar as fábricas que não cumprissem as primeiras medidas sociais decretadas
pelo novo governo (aumento salarial de 5% e redução da jornada semanal de trabalho para
40 horas); e, junto com Miguel Costa e coronel João Mendonça Lima, fundou em 13 de
novembro a Legião Revolucionária, voltada para garantir a realização das reformas
reivindicadas pelos “tenentes”, de modo a evitar que a revolução representasse apenas
“uma derrubada de ocupantes de posições para dar lugar a um assalto a essas mesmas
posições”. Seu decreto de 14 de novembro de 1930, permitindo ao governo paulista
aposentar e nomear livremente os juízes estaduais, provocou a intensificação dos protestos
do PD que temia o crescimento do poder do delegado militar. Considerando-se ultrapassado
pelos acontecimentos, Plínio Barreto renunciou a seu cargo em 25 de novembro, sendo
acompanhado por todo o secretariado. Vargas nomeou então João Alberto para o cargo de
interventor federal no estado e, depois de algumas negociações, a renúncia coletiva dos
secretários foi provisoriamente suspensa. Mesmo assim, as divergências se aprofundaram
com rapidez. Acusado pelo interventor de usar seu cargo para fazer política partidária
contrária ao espírito da revolução, Vicente Rao, membro do PD, foi demitido da chefia da
Polícia, provocando um novo pedido de demissão – desta vez concretizado – de todos os
secretários. No dia 4 de dezembro, João Alberto divulgou a composição de seu novo
governo, criando inclusive uma nova secretaria, a de Segurança Pública, confiada a Miguel
Costa, que acumulou o novo cargo com o comando da Força Pública. Para as outras
funções de primeiro escalão foram chamados Marcos de Sousa Dantas (Secretaria da
Fazenda), Artur Neiva (Interior), Florivaldo Linhares (Justiça), Edmundo Navarro de
Andrade (Agricultura) e Alberto Coutinho (Viação), enquanto Luís de Anhaia Melo
passava a ocupar a prefeitura da capital.
Além dos conflitos políticos, o estado enfrentava uma grave crise econômica e social. A
lavoura cafeeira, com seus estoques invendáveis, exigia maiores medidas de amparo à sua
atividade; a indústria reduzia seu ritmo de produção; as mobilizações operárias assustavam
as elites tradicionais. O início do governo de João Alberto coincidiu com uma greve
operária em diversos setores, o que motivou uma enérgica proclamação sua, contrária à
continuação do movimento e a qualquer agitação social. O PD ainda procurou estabelecer
um entendimento com o novo interventor, divulgando nota nesse sentido em 8 de
dezembro. Três dias depois, João Alberto declarou à imprensa que aceitaria de bom grado
essa colaboração e aproveitaria os quadros do partido na administração estadual. Mas as
demonstrações de boa vontade não foram suficientes para impedir o agravamento da crise.
A Comissão de Organização Municipal, formada por João Alberto, continuou substituindo
prefeitos vinculados às forças políticas tradicionais, enquanto a Delegacia de Ordem
Política e Social, também recém-criada, intensificava a censura e a vigilância sobre as
atividades políticas no estado – agravando assim dois importantes focos de tensão. No
plano nacional, as posições do PD e de João Alberto também eram conflitantes. O primeiro
defendia a imediata reconstitucionalização do país, e o interventor era partidário de uma
maior centralização de poderes, participando inclusive do chamado “Gabinete Negro”,
grupo de líderes da Revolução de 1930 que continuava a se reunir periodicamente com
Vargas no palácio do Catete para discutir a situação nacional. Osvaldo Aranha, Góis
Monteiro, José Fernandes Leite de Castro, Ari Parreiras, José Américo de Almeida e Juarez
Távora também integravam o grupo, que liderou em janeiro de 1931 a formação do Clube 3
de Outubro, organização tenentista de âmbito nacional defensora de um ponto de vista
centralizador e anticonstitucionalista.
Em São Paulo, o crescimento da Legião Revolucionária junto à classe média, à oficialidade
militar e a setores do operariado acirrou a tensão existente entre essa organização e as
forças políticas tradicionais, especialmente o PD e o Partido Republicano Paulista (PRP).
Esse conflito evoluiu para uma ruptura, configurada em 24 de março de 1931, com a
elaboração do manifesto em que o PD acusava João Alberto de manter no governo
“elementos inconvenientes à tranquilidade geral”, perseguir “ilustres paulistas” e estimular
as atividades da Legião Revolucionária. O documento defendeu ainda a formação de uma
frente única em São Paulo para lutar pela convocação de uma assembleia nacional
constituinte e pela devolução da autonomia estadual. A pedido de Vargas, o manifesto não
foi divulgado imediatamente, vindo a público apenas no dia 7 de abril, depois de uma
ofensiva de repressão que levou Vicente Rao e outros líderes do PD à cadeia e provocou a
invasão das sedes do partido e do seu jornal, o Diário Nacional. Em protesto contra a
política aplicada por João Alberto e Miguel Costa, Isidoro Dias Lopes pediu demissão do
comando da 2ª RM dois dias depois, mas não foi atendido.
Hostilizado pelas forças paulistas tradicionais, João Alberto viajou ao Rio de Janeiro e, em
seguida, a Petrópolis (RJ), onde se reuniu com Vargas, Osvaldo Aranha e Flores da Cunha.
No dia 16 de abril, foi divulgado um sucinto comunicado oficial: “O Governo Provisório
decidiu definitivamente manter em absoluto o status quo em São Paulo”. Descontentes,
oficiais da Força Pública e membros do PD articularam um levante contra o interventor e o
secretário de Segurança. Deflagrado em 28 de abril de 1931 o movimento foi rapidamente
sufocado com a prisão de mais de duzentos revoltosos e a posterior transferência de vários
oficiais do Exército para outras regiões do país, inclusive o general Isidoro Dias Lopes,
substituído pelo general Góis Monteiro no comando da 2ª RM.
O crescimento da Legião Revolucionária causava atritos com diferentes grupos políticos e
setores sociais. Acusada de comunista por seus adversários conservadores e de demagógica
por Luís Carlos Prestes (ainda exilado no Uruguai e já adepto do marxismo), essa
organização era alvo também de desconfiança dos setores mais organizados da classe
operária, que não aceitavam o enquadramento da estrutura sindical conforme os planos
oficiais. O próprio João Alberto passou a temer o crescimento da influência de Miguel
Costa e o poder paralelo representado pela Legião, que conseguiu inclusive colocar
obstáculos à sua política de aproximação com os produtores de café. Em meados de 1931,
Miguel Costa viajou para o Rio a fim de solicitar o afastamento de João Alberto, que,
sentindo-se isolado, pediu demissão no dia 24 de julho. Entre as principais realizações do
seu governo no terreno da reorganização administrativa destacaram-se a criação de novos
órgãos vinculados à Secretaria de Agricultura, do Conselho Consultivo Econômico, da
Diretoria de Colonização, do Conselho de Educação e da Faculdade de Ciências
Econômicas e Sociais; a reforma da Escola Normal, do Serviço Sanitário do Estado e do
Departamento de Trabalho Industrial, Comercial e Doméstico; e a alteração da legislação
tributária do estado.
A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA
Mesmo afastado da interventoria, João Alberto continuou a interferir na situação de
São Paulo, marcada pelo agravamento do conflito entre elementos tenentistas e as forças
políticas tradicionais, agora representadas no governo de Laudo de Camargo, próximo do
PD e empossado em 25 de julho. Além disso, procurou tornar-se intermediário entre as
reivindicações dos plantadores de café e o governo federal, sendo saudado no Congresso de
Lavradores, reunidos em agosto de 1931, como o “patrono da lavoura paulista”.
Depois de uma série de conflitos, a situação em São Paulo tornou-se mais tensa com a
anistia decretada por Laudo de Camargo para diversos políticos comprometidos com a
situação anterior à Revolução de 1930 e a nomeação de juízes afastados de seus cargos por
motivos políticos. O governo federal forçou a demissão desses juízes e, pouco depois,
enviou João Alberto e Miguel Costa para intimarem Numa de Oliveira, secretário da
Fazenda, a depor em juízo sobre as acusações de corrupção que existiam contra ele. Do
ponto de vista do ex-interventor, esse episódio significava também uma reafirmação de sua
posição favorável aos cafeicultores, hostis ao secretário da Fazenda, que se negara pouco
antes a suspender suas dívidas com o banco do estado. João Alberto chegou a escrever um
relatório a Vargas, datado de 4 de novembro de 1931, descrevendo a situação crítica da
lavoura cafeeira e solicitando maior assistência do governo federal para o setor.
Considerando essas medidas uma violência contra seu governo, Laudo de Camargo pediu
demissão em 13 de novembro de 1931, sendo acompanhado pelo ministro da Fazenda, José
Maria Whitaker, que se afastou três dias depois.
João Alberto e Miguel Costa viajaram então para o Rio a fim de influenciar a escolha do
novo interventor. Depois de uma série de reuniões no palácio do Catete, obtiveram êxito
com a nomeação do coronel Manuel Rabelo, simpático ao tenentismo, o que levou as forças
paulistas tradicionais de volta à oposição, radicalizando suas posições. Em 13 de janeiro de
1932 o PD lançou manifesto rompendo com o governo federal e conclamando a população
à luta pela imediata constitucionalização do país e a devolução da autonomia estadual.
Pouco depois, o PRP fez o mesmo, iniciando o processo de união dos dois grandes partidos
locais que resultou na formação da Frente Única Paulista (FUP) em 16 de fevereiro
seguinte. Entrevistado pelo jornal A Noite três dias depois, João Alberto declarou, em nome
do Clube 3 de Outubro, que a luta pela reconstitucionalização era encabeçada por
elementos que pretendiam destruir a revolução, mas que, mesmo assim, os “tenentes” não
afastavam a hipótese de “aceitar esse desafio”, transformar o clube em partido político e
disputar o poder por meios legais.
A intensificação das manifestações populares promovidas pela FUP e a simpatia despertada
no Rio Grande do Sul e em Minas pelas reivindicações paulistas levaram Vargas a preparar
um estudo para a constitucionalização do país, que resultou no código eleitoral decretado
em 22 de fevereiro de 1932. Ao mesmo tempo, contrariando João Alberto e Miguel Costa,
o chefe do governo provisório começou a preparar a substituição de Manuel Rabelo por
Pedro de Toledo, paulista, civil e próximo do PRP. Toledo foi empossado em 7 de março,
quando João Alberto se encontrava no Rio participando de uma reunião do Partido
Autonomista do Distrito Federal, criado para defender na futura constituinte a eleição direta
do prefeito e a formação de um corpo legislativo na capital semelhante aos congressos
estaduais. Junto com Pedro Ernesto, Edgar Romero, Ernesto Pereira Carneiro e Luís
Aranha, João Alberto foi indicado para integrar a comissão executiva desse partido e,
permanecendo no Rio, foi nomeado por Vargas em 15 de abril chefe de Polícia do Distrito
Federal. Nesse cargo, criou a Polícia Especial, destinada a reprimir distúrbios de rua,
prendeu diversos políticos acusados de conspirar contra o governo e se manteve atento à
evolução da situação paulista, que se tornou crítica a partir da formação, em 23 de maio, de
um secretariado composto exclusivamente por membros da FUP. No dia seguinte, Miguel
Costa foi reformado e afastado do comando da Força Pública, enquanto Góis Monteiro,
pressionado, deixava o comando da 2ª RM, levando João Alberto a defender a nomeação do
coronel Manuel Rabelo para este último posto, a fim de promover a dissolução do governo
de Pedro de Toledo e a prisão dos líderes da FUP.
A situação de São Paulo se radicalizou de tal modo que não foi possível ao governo federal
evitar a deflagração da Revolução Constitucionalista em 9 de julho, dando início a uma
guerra civil de grandes proporções. No começo das operações, o comandante das tropas
legalistas na frente de batalha, general Góis Monteiro, combinou com João Alberto a
adoção de medidas preventivas de segurança na retaguarda, para evitar que as incipientes
manifestações públicas de simpatia aos rebeldes no Distrito Federal estimulassem generais
descontentes a repetir contra Vargas a atitude adotada contra Washington Luís em 1930.
Pouco depois, João Alberto foi substituído interinamente pelo capitão Dulcídio do Espírito
Santo Cardoso, que ocupou o cargo durante todo o período de guerra civil, encerrada em 2
de outubro com a derrota paulista.
A CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO PAÍS
Depois da vitória sobre a Revolução Constitucionalista, Vargas nomeou o general
Valdomiro Lima para a interventoria em São Paulo, com a missão de pacificar o estado e
promover a conciliação entre o governo federal e as forças derrotadas. Segundo carta de
José Carlos de Macedo Soares a Vargas, a interferência de João Alberto representava um
obstáculo ao trabalho de normalização, pois este insistia em adotar uma posição repressiva,
chegando a apresentar ao novo interventor listas de proscrições. Macedo Soares passou a
acusá-lo de “cigano, ambicioso e aventureiro”, afirmando que sua influência continuava
viva no estado graças ao “Instituto do Café com seus formidáveis recursos de dinheiro; ao
Departamento das Prefeituras com seus enormes recursos políticos; à Chefatura de Polícia
com seus terríveis recursos de violência”.
Apesar da derrota militar dos constitucionalistas, o tenentismo não conseguiu se recuperar
no estado durante a interventoria do general Valdomiro Lima, enquanto no plano nacional
Vargas confirmava as eleições constituintes para maio de 1933, atendendo assim a uma
reivindicação dos paulistas derrotados. O Clube 3 de Outubro, organização tenentista mais
significativa naquele momento, criticou a medida, considerada um “triunfo das velhas
máquinas ou mesmo das máquinas novas, construídas de peças velhas e pela mesma
técnica”. A restauração integral da hierarquia militar e o declínio das organizações
tenentistas ficaram evidenciados durante o Congresso Revolucionário realizado entre 16 e
25 de novembro de 1932, ocasião em que os setores mais radicais dos “tenentes” não
tiveram o menor espaço. João Alberto participou do encontro, que resultou na fundação do
Partido Socialista Brasileiro (PSB), cujo programa enfatizava a necessidade de sobrepor os
interesses nacionais aos regionais. No início de 1933, João Alberto e Juarez Távora
tentaram dotar os agrupamentos políticos de tendência tenentista de uma plataforma única
em nível nacional, tendo em vista as eleições constituintes. Com esse objetivo, articularam
a União Cívica Nacional, oficialmente fundada em 24 de março de 1933, e tentaram, sem
êxito, atrair o PSB para esse projeto.
João Alberto retornou à chefia da Polícia do Distrito Federal por um curto período no início
de 1933. Ajudou então a fundar o jornal A Nação, destinado a apoiar o governo Vargas e
dirigido à classe média. Segundo Francisco de Assis Barbosa, os fundos mobilizados para o
empreendimento tiveram origem, entre outras fontes, no “jogo do bicho” e em uma verba
secreta especialmente destinada a apoiar a propaganda do governo nos meios de
comunicação. João Alberto deixou a chefia de Polícia em abril de 1933 para concorrer no
mês seguinte à Assembleia Nacional Constituinte por Pernambuco, na legenda do Partido
Social Democrático (PSD) local. Eleito, participou das sessões preparatórias em que foram
examinados os diplomas dos deputados e foi realizada a eleição do presidente da
Assembleia, cabendo ao mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada a maioria absoluta dos
votos. João Alberto absteve-se de votar, mas, mesmo assim, recebeu oito votos para o cargo
em disputa.
Com o início dos trabalhos constituintes em 15 de novembro de 1933, o general Góis
Monteiro organizou diversas reuniões entre os militares que haviam sido eleitos, para
aumentar sua força na Assembleia através da defesa de uma plataforma comum. João
Alberto participou desses encontros, cujos debates giraram principalmente em torno de três
pontos, relacionados com o capítulo sobre a defesa nacional: o papel do Conselho Supremo
de Defesa Nacional, o critério de promoções militares e a manutenção ou não das forças
estaduais. Sobre o primeiro ponto, houve consenso em torno de que o conselho deveria ser
um órgão político, sem intromissão na atividade normal das forças armadas. Sobre os dois
outros assuntos, no entanto, houve divergências. Góis Monteiro defendia a preponderância
do critério de merecimento sobre o de antiguidade nas promoções, mas sua posição foi
contestada por possibilitar uma maior intromissão da política na vida militar. Augusto
Amaral Peixoto, por sua vez, defendia a extinção das forças estaduais, enquanto Góis
Monteiro e outros eram favoráveis à sua manutenção em nome da redução dos encargos da
União.
O início dos trabalhos constituintes coincidiu com uma crise política em Minas Gerais,
onde Virgílio de Melo Franco e Gustavo Capanema disputavam a nomeação para a
interventoria, vaga desde setembro com a morte de Olegário Maciel. João Alberto defendeu
o primeiro pretendente, identificado com posições tenentistas, mas o episódio terminou
com a surpreendente nomeação do obscuro deputado Benedito Valadares, empossado em
15 de dezembro de 1933.
Com o atraso ocorrido no cronograma da Assembleia Constituinte, parlamentares
governistas apresentaram a proposta de inversão na ordem originariamente prevista para os
trabalhos, de modo que a eleição do presidente da República precedesse a promulgação da
nova Constituição. João Alberto discursou nessa ocasião, afirmando que, apesar de apoiar a
eleição de Vargas, não concordava com a inversão dos trabalhos que, a seu ver, significaria
um aviltamento da Assembleia Constituinte. Depois de alguma discussão, chegou-se a uma
fórmula conciliatória que preservava a ordem original. A elaboração do texto constitucional
ocorreu em meio a um permanente conflito entre as propostas que enfatizavam o
fortalecimento da autonomia e dos poderes estaduais, defendidas pela representação
paulista e outras grandes bancadas, e a ampliação da centralização política e econômica em
torno da União, defendida pelos elementos tenentistas presentes nas bancadas dos pequenos
estados e apoiada pela maior parte dos deputados classistas. João Alberto se identificava
com esse último bloco que, embora majoritário, fora obrigado a fazer diversas concessões
aos defensores da descentralização. Assim, a Constituição promulgada em 16 de julho de
1934, apesar de mais centralizadora do que a de 1891, passou a ser considerada por alguns
setores como um empecilho à ação do governo federal. No dia seguinte, Vargas foi eleito
presidente da República.
NO SERVIÇO DIPLOMÁTICO
Os mandatos dos constituintes foram estendidos até maio de 1935, data da posse dos
deputados que seriam eleitos em outubro de 1934. Nessa ocasião João Alberto conquistou
uma cadeira na Assembleia Constituinte de Pernambuco, reunida a partir de abril de 1935.
Por essa época, a luta política ganhou novos rumos. A Ação Integralista Brasileira (AIB),
de tendência fascista, experimentou notável crescimento, levando partidos de esquerda,
sindicatos e outras organizações a formar a Aliança Nacional Libertadora (ANL) para lutar
contra o imperialismo, o latifúndio e o fascismo. Luís Carlos Prestes foi eleito em março de
1935 presidente de honra dessa entidade, e a seguir convidou muitos de seus antigos
companheiros da Coluna e das rebeliões da década de 1920 a aderir ao movimento.
Consultado, João Alberto respondeu em junho de 1935 que, embora concordasse com
diversos pontos do programa e considerasse o governo federal desacreditado, não
ingressaria na ANL porque precisava recuperar-se dos desgastes sofridos nos últimos 13
anos. Pouco depois, Prestes escreveu a André Trifino Correia, veterano das revoltas
tenentistas da década de 1920, chamando João Alberto de traidor dos ideais de Siqueira
Campos.
A ANL foi declarada ilegal pelo governo em julho de 1935 e, sob a influência dominante
do PCB, definiu uma orientação insurrecional que conduziu à revolta de novembro do
mesmo ano, rapidamente dominada. Luís Gonzaga Lins de Barros, irmão de João Alberto,
foi uma das milhares de vítimas da onda de repressão subsequente, permanecendo preso até
maio de 1937. O ex-interventor em São Paulo, no entanto, não foi atingido pelas
perseguições.
Ainda em 1935, equiparado no serviço diplomático a ministro de primeira classe, João
Alberto viajou para os Estados Unidos a fim de estudar as possibilidades de fomento das
exportações de café. No ano seguinte, foi encarregado pelo presidente Vargas de
inspecionar o funcionamento de consulados e serviços consulares das missões diplomáticas
brasileiras na Europa. De volta ao Rio, trabalhou de janeiro a outubro de 1937 na Secretaria
do Ministério das Relações Exteriores, sendo transferido, em fevereiro, para a reserva do
Exército. Integrou também a Comissão de Eficiência do ministério até ser nomeado, no
início de novembro, encarregado de negócios na Argentina em substituição ao embaixador
José Bonifácio de Andrada e Silva. Recém-chegado a Buenos Aires, ocorreu no Brasil o
golpe militar que, sob a liderança do presidente Vargas, implantou o Estado Novo. Em
fevereiro de 1938, João Alberto foi substituído pelo embaixador Luís Guimarães Filho e,
nos dois meses seguintes, participou da chamada Missão Góis Monteiro, enviada à
Argentina, Chile e Uruguai com o objetivo de garantir boas relações entre o novo regime
brasileiro e os governos desses países.
Enviado para representar o Brasil na Liga das Nações, em Genebra, integrou os comitês
financeiro e econômico da entidade até ser deslocado, em novembro de 1938, para Berna,
também na Suíça, onde permaneceu até setembro de 1939, quando retornou ao Brasil para
assumir a chefia da recém-criada Comissão de Defesa da Economia Nacional, encarregada
de levantar estoques de produtos básicos, fomentar exportações, controlar importações,
propor acordos econômicos com governos estrangeiros e coordenar o transporte marítimo,
tendo em vista a nova conjuntura mundial criada com a eclosão da Segunda Guerra
Mundial. Voltou a exercer missão diplomática no exterior entre abril de 1941 e julho de
1942, como embaixador no Canadá, o primeiro que o Brasil enviou àquele país.
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Retrato; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1).