t r od u ç ã o a
In o
HTP
CASA, ÁRVORE, PESSOA
(HOUSE, TREE, PERSON)
PROFESSORA
ELLEN ZOPPI
Introdução
O desenho é considerado uma das formas de comunicação mais antigas entre os
seres humanos, mas foi apenas a partir do século XX que passou a ser utilizado
como técnica de avaliação psicológica, para investigar habilidades cognitivas e
características da personalidade humana. A esses tipos de técnicas, que possuem
como principal estímulo o desenho, dá-se o nome de técnicas ou testes gráficos.
Dentro dessa proposta, os desenhos passaram a ser analisados a partir de
diferentes perspectivas.
O HTP (do inglês, house, tree, person) foi criado por John N. Buck, em 1948, e tem
como objetivo compreender aspectos da personalidade do indivíduo bem como a
forma deste indivíduo interagir com as pessoas e com o ambiente.
Materiais
Para aplicar e interpretar o HTP, são necessários os
seguintes materiais, a saber:
Manual técnico;
Protocolo de avaliação;
Lápis grafite n. 2;
Papel sulfite;
Borracha.
OBJETIVO/FINALIDADE
O HTP é uma técnica projetiva gráfica de base psicodinâmica voltada à
investigação da personalidade em termos de representações de si e do
ambiente onde o examinando se encontra inserido, de suas atitudes,
interações, conflitos e recursos psicológicos disponíveis para manejá-
los. Trata-se de uma técnica de fácil compreensão para indivíduos de
diferentes níveis de escolaridade, menos sujeita ao controle consciente
da produção do que o observado em técnicas projetivas verbais ou
inventários de autorrelato. Por esses motivos, é útil nas mais variadas
áreas de atuação do psicólogo.
Público-
alvo
Indivíduos de 06 a 90 anos
de idade, sem restrições.
Aplicação
Individual e presencial. São solicitados três desenhos ao
examinando, cada um em uma folha de papel sulfite separada.
Inicialmente é solicitado que desenhe uma casa, depois uma
árvore e, por fim, uma pessoa. Os temas dos desenhos são
escolhidos por motivos práticos e simples: são familiares a todas
as pessoas, costumam ser aceitos pelas diferentes faixas etárias,
estimulam verbalizações espontâneas, mais do que qualquer
outra técnica, e são elementos de maior significação pessoal.
A apresentação da folha de papel é padronizada, mas o
examinando tem liberdade para girá-la, se preferir.
avaliação
A casa, a árvore e a pessoa são representações (conscientes ou não) da imagem
que o indivíduo tem de si. Os desenhos são analisados a partir das perspectivas
adaptativa (adequação à tarefa), expressiva (estilo próprio do sujeito) e
projetiva (aspectos psicodinâmicos). As três perspectivas e os três desenhos
devem ser analisados em conjunto, procurando-se padrões característicos da
produção do examinando considerado em sua singularidade.
A validade das interpretações é conferida pela experiência do avaliador, que
integra os aspectos particulares encontrados nos desenhos num todo que faça
sentido junto às demais informações e ao conjunto de dados disponíveis de
outras fontes. Dada sua complexidade, a avaliação não é informatizada.
EVIDÊNCIAS DE VALIDADE
São apresentados estudos de validade de construto (comparação da
produção entre idades) e de critério (comparação de grupos controles
com oito grupos clínicos: crianças e adolescentes vítimas de violência
doméstica; crianças com dificuldades de aprendizagem; crianças e
adolescentes que manifestam condutas de autolesão; crianças com
câncer; idosos com depressão; adultos com depressão; internos em
casa de custódia pessoas diagnosticadas com esquizofrenia) com
resultados satisfatórios.
Normas
A análise dos desenhos, proposta no Manual técnico do HTP atual
(2024), dispensa normas por se tratar de técnica projetiva gráfica, de
natureza idiográfica e avaliação qualitativa fundamentada na
Psicanálise. O foco, portanto, é a compreensão do indivíduo em sua
singularidade. As variáveis analisadas não têm um significado
absoluto ou unívoco, devendo ser compreendidas na configuração
específica, própria de cada pessoa, em que aparecem.