Hematologia Resumo PDF
Hematologia Resumo PDF
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Série Branca
Geraldo Sant´ana da Cunha Junior
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Hematopoese
Linhagem mieloide: plaquetas, hemácias/eritrócitos, monócitos e
Definição granulócitos (neutrófilos, basófilos e eosinófilos).
Produção de células sanguíneas:
Glóbulos vermelhos;
Glóbulos brancos;
Plaquetas.
Conjunto de eventos envolvidos em 3 principais funções fisiológicas:
células imaturas → células comprometidas com uma linhagem →
diferenciação e proliferação celular;
Automanutenção do pool indiferenciado de células tronco
hematopoéticas (CTH): células imaturas (medula óssea);
Geração e manutenção do pool de células precursoras
comprometidas com uma linhagem hematológica;
Produção e diferenciação de células precursoras em cé-
lulas diferenciadas que migram para a corrente sanguí-
nea. Elementos do sangue
Elementos figurados do sangue: células sanguíneas ao final da he-
matopoese. São produzidas tanto na reposição fisiológica quanto em
condições patológicas (fatores estimuladores x inibidores).
Linhagem linfoide: células NK, LT ou LB (que se diferenciam em plas- Monócito I Neutrófilo bastonete I Neutrófilo segmentado
mócitos);
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Hormônios
Estimulam as células tronco para uma linhagem específica.
Eritropoetina: linhagem eritrocitária;
Trombopoetina: linhagem plaquetária;
G-CSF: linhagem granulocítica.
OBS: Também são produzidos na farmacoterapia para pacientes com deficiên-
Eosinófilos I Basófilos I Plaquetas
cia desses elementos.
Hematopoiese normal
A interação do estroma medular com a medula óssea vermelha permite a pro-
dução qualitativa e quantitativa das células, originando a hematopoese.
OBS: A proliferação celular é em progressão geométrica.
Célula tronco ou primordial + células do estroma;
Diferenciação;
Células progenitoras;
Precursor mieloide ou linfoide.
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Função das hemácias Neutrófilos: coloração neutra;
Transporte de gases.
2. Mononucleares
Pulmão: libera CO2 e capta O2;
Linfócitos;
Órgãos: libera O2 e capta CO2.
Plasmócitos;
Monócitos.
O ciclo do ferro
As hemácias velhas são destruídas por hemácias no baço. Quando isso acon-
Análise da série branca
tece há liberação de ferro, que é utilizado para a produção de mais hemácias.
É importante avaliar o número absoluto e a quantidade proporcional. As alte-
Eritropoese: 300 mg de ferro;
rações são estudadas com base no valor absoluto.
Macrófagos: 600 mg de ferro;
Glóbulos vermelhos: 1,8 g de ferro;
Descamação celular: 3 mg/dia → quantidade insignificante.
Em adultos, ferropenia é sinônimo de perda de glóbulos vermelhos (san-
gramento). Sangramento é a única forma de perder ferro no adulto.
Glóbulos brancos
Números
4.000-11.000 m3;
6.200 ml – (70 x 80 = 5.600 ml) = 34.720.000 leucócitos.
Funções
Anemia Evitar a entrada de patógenos no organismo;
Organização Mundial de Saúde (OMS) Destruição de patógenos invasores.
Hemoglobina (g/dl): melhor marcador para avaliar hemácias OBS: Nas crianças até 7-8 anos os GB mais prevalentes são os linfócitos, nos
Homens: < 13; adultos são os neutrófilos.
Mulheres não gestantes: < 12;
Mulheres gestantes: < 11. a) Polimorfonucleares/Granulócitos
Classificação Granulopoese
Mieloblasto: célula + imatura da linhagem granulocítica. Sufixo blasto
Leve: abaixo do limite e Hb ≥ 10;
Moderada: 10 > Hb ≥ 7; indica a presença de núcleo e nucléolo;
Severa: Hb < 7. Metamielócito: até aqui são células imaturas, presentes somente
OBS: Quanto menor a quantidade de Hb, mais grave os sintomas. na medula óssea;
Bastonetes e segmentados: células maduras, presentes na MO e
sangue.
Produção de glóbulos brancos OBS: A cada etapa maturativa há uma etapa proliferativa.
Processos
São produzidos 2 subtipos diferentes.
1. Polimorfonucleares/granulócitos
Dependendo da coloração citoplasmática recebem um nome:
Basófilos: coloração básica;
Eosinófilos: coram por ácidos;
Eosinófilos: coloração ácida;
Basófilos: coram por base;
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Neutrófilos: coloração neutra. b) Mononucleares
OBS: Todos seguem o mesmo padrão (mieloblasto até célula madura).
Monócitos
Têm sobrevida curta na circulação, necessitam ser repostos rapidamente.
Neutrófilos Têm a capacidade de sair do sangue e ir para os tecidos, onde originam os
Leucócitos mais abundantes no sangue periférico; macrófagos.
Função: fagocitose e destruição intracelular de bactérias → imuni- Sangue periférico (8-9 horas) → tecido (função principal, vivem
dade celular; meses);
G-CSG e GM-CSF: fatores de crescimento produzidos pelos osteo- Tecidos: macrófagos (pulmonares, derme = Langhans, fígado = Kup-
blastos. fer, ossos = osteoclastos, pleurais, SNC = micróglia, inflamatórios =
células gigantes).
Divididos em 2 grupos
Circulantes: sangue → contados no hemograma; Funções
Marginados: parede da microcirculação, principalmente vênulas pós Ativados em estímulo inflamatório ou imunológico;
-capilares. Células maduras extravasculares → reserva para casos Defesa contra microorganismos: parasitas intracelulares (M. le-
de infecção por patógenos. prae, Brucella, Lesteria, P. carinni, Salmonella, Toxoplasma, malária);
Compartimentos funcionais dos neutrófilos Interação com linfócitos na resposta imune: célula apresentadora
Compartimento medular de formação de Ag e células efetoras da imunidade celular (estimulada por lin-
Compartimento medular de reserva fócitos);
Sangue Eliminação dos restos celulares: “lixeiro”.
Células marginadas Células circulantes
Linfócitos
Cinética dos neutrófilos Fazem parte do sistema imune.
Maturação: 11-12 dias; Função: defender o organismo contra infecções;
Reposição: infecções ou perdas naturais → pool de armazenamen- Subtipos/fatores de crescimento:
to ou pool marginal. Linfócitos T: IL-2 e IL-3;
Linfócitos B: IL-6 e IL-7 → imunidade humoral;
Neutropenia (< 1.500 mm3) Linfócitos NK.
Classificação Produção de linfócitos:
Leve: < 1.500/mm3; Linfócitos T: 65%-85% dos circulantes;
Moderada: < 1.000/mm3; Linfócitos B: 5%-15% dos circulantes;
Severa: < 500/mm3; Linfócitos NK: o restante.
Muito severa: < 200/mm3;
Extensa: > 7 dias. LT x LB
LT: formas imaturas são originadas na medula, migram para o timo,
Causas onde sofrem o processo de maturação e proliferação e atingem a
Infecções: principalmente virais → dengue, HIV; corrente sanguínea;
Quimio e radioterapia; LB: todo o processo de maturação, desde a stem cell até o LB ma-
Aplasia medular; duro ocorre na medula óssea.
Secundária a drogas;
Doenças oncohematológicas. Valores de referência
Linfócitos: 18%-48% → 1.000-4.500 células;
OBS: Por serem as mais abundantes, a soma é um importante preditor do
risco de infecções. As células imaturas habitualmente não estão presentes no Linfopenia: < 1.000 mm3;
sangue periférico, onde predominam segmentados e bastonetes. A neutro- Infecções: principalmente virais;
penia é a diminuição dessas células no sangue periférico. Quanto mais intensa LES;
e extensa a neutropenia, maior a chance de ter processos infecciosos e pior Corticoterapia: uso crônico em altas doses → linfolítico;
a evolução do paciente, já que se tem menos células para combater a infecção. Quimio e radioterapia;
Essa avaliação é muito importante principalmente em tratamentos oncohema- Estresse;
tológicos HIV;
Hemopatias malignas.
Linfocitose: > 4.500 mm3 → doenças infecciosas;
Neutrofilia (> 7.000 mm3)
Infecções: principalmente bacterianas → otite, sinusite, amigdalite; Coqueluche;
CMV;
Queimaduras;
Mononucleose;
Uremias;
Sífilis;
Necroses;
Rubéola;
Cetoacidose diabética;
Hepatites;
Hemopatias malignas (LMC): leucemia mieloide crônica.
Toxoplasmose;
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Hemopatias malignas (LLC → Leucemia Linfoide Crônica). Pós esplenectomia: o baço retira as plaquetas velhas da circulação;
Hemopatias malignas (SMP).
Trombopoese
Características Avaliação da medula óssea
Produção de plaquetas: 100 trilhões de plaquetas/dia. Analisa se o processo de produção das células está qualitativa e quantitativa-
Megacariócitos: célula que origina as plaquetas; mente adequado.
Poliploidia: replica DNA sem dividir citoplasma;
Plaquetas: fragmentação do citoplasma. Mielograma – PBAAF (punção biópsia aspirativa de agulha fina)
Plaquetas: removidas pelo baço (10 dias). Sobrevida média de 10 dias. Punção aspirativa de agulha fina.
Função: adesão → contém sangramentos nos casos de Locais: crista ilíaca posterior da pelve ou no osso esterno;
ruptura de vasos. Semiotécnica: assepsia, punção com agulha fina, aspirado e lâmina
TPO (trombopoetina): hormônio que estimula a produção plaquetária; (esfregaço), que é corado e analisado em microscópio de forma
Proteína glicolisada, gene no cr 3q27-28; quantitativa (número absoluto e porcentagem) e qualitativa (morfo-
Produzida pelos hepatócitos, sinusóides hepáticos e tú- logia e grau de diferenciação). Ao final do processo emite-se um
bulo proximal do rim; laudo descrevendo os achados, correlacionando com as hipóteses
Forma os grânulos específicos das plaquetas; diagnósticas.
Desenvolve membranas dos megacariócitos;
Expressão das proteínas de membrana GP IIb/IIIa, re- Biópsia de medula óssea
ceptores do fibrinogênio e FvW; Faz a retirada do fragmento ósseo como um todo, e não apenas a aspiração
Aumenta o desenvolvimento do megacariócito junto com do periósteo (componente líquido), como na PBAAF.
outras citocinas. Local: sempre na crista ilíaca;
OBS: Doenças hepáticas que levam a insuficiências graves podem estar rela- Semiotécnica: agulha grossa retira fragmento ósseo. O material é
cionadas a diminuição da produção plaquetária. enviado para o patologista, que faz o processo de descalcificação
e monta a lâmina, a partir da qual também se faz estudo quantita-
Análise das plaquetas tivo e qualitativo.
Normal: 150.000-400.000/mm3; OBS: A biópsia de medula óssea é o melhor método para avaliar celularidade.
275.000 ml – (70 x 80 = 5.600 ml) = [Link]; Usada quando mielograma revela hipocelularidade.
131.040.000/dia.
Estudo de cariótipo
Plaquetopenia (< 150.000 mm )3 Estudo mais complexo, feito a partir do aspirado celular.
Classificação Usos: principalmente na oncohematologia (leucemias agudas) → va-
Leve: < 150.000/mm3 → assintomático; lor prognóstico.
Moderada: < 100.000/mm3 → sem sangramentos espontâneos,
mas com sangramentos aumentados em pequenos cortes; Imunofenotipagem/imunohistoquímica – Citometria de fluxo
Severa: < 50.000/mm3; Feito com aspirado celular.
Sangramentos espontâneos
Muito severa: < 20.000/mm3. CD: Ag marcador de superfície → permite marcar células especí-
OBS: Quando as plaquetas estão diminuídas o risco de se ter sangramento e ficas. Feito antes e após o tratamento, pois auxilia a diagnosticar a
ele ser intenso é maior. doença e a avaliar a eficácia do tratamento (pesquisa de doença
residual mínima);
Causas Sempre é feito nas leucemias agudas.
Infecções virais: crônicas (hepatite/HV), aguda (dengue); OBS: IMH permite avaliar um Ag por vez, na Imunofenotipagem pode-se avaliar
Pós transfusões maciças; vários ao mesmo tempo (permite traçar o perfil imunofenotípico da doença).
Pós hemorrágicas; A imunofenotipagem também é usada para avaliação de doença residual míni-
Esplenomegalia: aumenta destruição de plaquetas; ma após o tratamento (permite identificar células doentes em meio a células
Sepse; normais). Portanto, pode ser usado tanto para DX quanto para pesquisa de
CIVD: coagulação intravascular disseminada; DRM.
Quimio e radioterapia;
Aplasia medular;
Leucemias/linfomas.
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Hemoterapia
Este é um dos principais motivos para a necessidade constante de
Introdução doadores de sangue.
Volume total de sangue: ≈70 ml para cada kg de peso;
Um adulto com 80 Kg possui ≈ 5.600 ml de sangue; Componente Temperatura Armazenamento
Concentrado plaquetas 20°-24° C 5 dias
Plasma: parte líquida do sangue → ≈ 55% do volume;
Concentrado hemácias 2°-6° C 35-42 dias
Células sanguíneas: 45% do volume restante;
Plasma fresco < 20° C negativos 1 ano
Glóbulos vermelhos;
Crioprecipitado < 20° C negativos 1 ano
Glóbulos brancos;
Plaquetas. OBS: Plasma fresco e crioprecipitado podem ser usados por mais tempo, pois
Qualquer pessoa com boa saúde, entre 16-69 anos, com mais de não contêm células, apenas fatores de coagulação.
50 kg, pode ser um doador de sangue;
A doação de sangue não engrossa nem afina o sangue; Aférese
Ao doar sangue você não ganha nem perde peso; Outra forma, na qual o processo de centrifugação é feito junto à coleta, e
O volume total de sangue doado não pode exceder: não posteriormente.
Mulheres: 8 ml/kg → colhe-se menos devido a perda A máquina seleciona um único item e devolve o restante;
menstrual, para evitar anemias; Pode ser feita para colher hemácias, plasma ou células tronco para
Homens: 9 ml/kg. transplante.
O volume médio colhido em uma doação de sangue é de 450 ml ±
50 ml;
Após uma doação de sangue, o organismo recupera: Hemoderivados
Plasma: em 24 horas; Medicamentos feitos na indústria a partir de elementos do sangue.
Glóbulos vermelhos: em 4 semanas; Complexo protrombínico;
Estoque de ferro: Fator VIII;
o Homens: em 8 semanas; Intervalo Fator IX;
o Mulheres: em 12 semanas. doações Albumina;
Por esse motivo, os intervalos mínimos para doação e o número Imunoglobulina.
máximo de doações por ano são:
Homens: 60 dias e até 4 doações por ano; Transfusão
Mulheres: 90 dias e até 3 doações por ano.
Todo sangue doado é testado (todas as vezes) para as seguintes a) Concentrado de hemácias
doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue: Volume: 220-320 ml;
Hepatite B: sorologia + PCR; Peso x 3: volume aproximado em hemácias para hemoglobina subir
Hepatite C: sorologia + PCR; 1 ponto (80 x 3 = 240 ml);
HIV I e II: sorologia + PCR; Indicação: anemia* → a meta é tirar o paciente da descompensa-
HTLV I e II; ção cardiovascular (anemia severa), e não curar a anemia.
Sífilis; OBS: O máximo de bolsas que se pode transfundir é 3. Se precisar de mais
Doença de Chagas. fazer hemograma no dia seguinte e avaliar.
OBS: Dos 16-17 anos tem que ter responsável acompanhando. A partir dos A transfusão é feita em pacientes nos quais o grau de anemia está le-
70 não doa, pois há diminuição da eritropoiese, levando a dificuldade de repor vando a repercussões cardiovasculares.
o sangue doado.
Regra geral (existem exceções)
Hemoglobina < 7 g/dl: transfundir (grau de recomendação A);
Fracionamento/Hemocomponentes Hemoglobina > 7 e < 10 mg/dl: depende do quadro clínico do paciente.
Após a doação, o sangue é fracionado em componentes; Transfundir na presença de sintomatologia, taquicardia e/ou hipo-
Podem ser separados na centrífuga nos seguintes hemocomponen- tensão (grau de recomendação B);
tes: Hemoglobina > 10 mg/dl: não transfundir (grau de recomendação
1 bolsa de concentrado de hemácias; A).
1 bolsa de concentrado de plaquetas;
1 bolsa de plasma fresco;
Tipagem sanguínea
1 bolsa de crioprecipitado.
Embora as hemácias sejam as mesmas, os Ag de superfície que determinam
a tipagem sanguínea são diferentes.
Armazenamento Para a correta transfusão é necessário pesquisar os antígenos e-
Cada componente do sangue apresenta um tempo máximo e uma ritrocitários e os anticorpos no plasma.
temperatura ideal de armazenamento;
Após este período deve ser descartado imediatamente;
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Transfusões iniciais podem gerar sensibilização (inicia produção de anticor-
pos) e, nas próximas, pode haver hemólise.
b) Concentrado de plaquetas
Tipos
Randômica;
Aférese: possuem as mesmas características, exceto o fato de
na aférese o volume e a quantidade de plaquetas ser maior.
Randômica Aférese
Volume (ml) 50-70 > 200
Plaquetas na
> 5 x 1010 > 30 x 1010
bolsa/mm3
Sistema ABO e Rh
Há outras dezenas de sistemas eritrocitários, mas para as trans- Transfusão
fusões habituais, esses são os mais pesquisados. Indicação: plaquetopenia → 1 unidade para cada 10 kg de peso.
Fenótipo Genótipo Habitualmente, plaquetopenia leve e moderada não recebem transfusão. As
A IAIA ou IAi indicações são na severa e muito severa.
B IBIB ou IBi Quantidade baixa de plaquetas: indicação profilática;
AB IA I B Quantidade moderada de plaquetas com sangramento associado: in-
O ii dicação terapêutica.
Genótipo Fenótipo
Classificação do sangramento – OMS
Rh+ RR ou Rr
Rh- rr Grau I Sangramento menor: petéquias (indicação profilática)
5 genes: C, c, D, e, E Grau II Sangramento leve (indicação terapêutica)
Rh+ Com D Grau III Sangramento maior (indicação terapêutica)
Rh- Sem D Grau IV Sangramento debilitante (indicação terapêutica)
Transfusão profilática
Tem como objetivo prevenir hemorragias espontâneas, induzidas
por pequenos traumas ou por procedimentos invasivos.
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Plaquetopenia aguda por deficiência de produção: plaquetas < Procedimentos especiais
20.000/mm3;
Febril: < 20.000/mm3 → risco de sangrar por conta da Leucorredução/deleucotização/filtragem
Definição: processo físico de filtragem pelo qual é reduzido o núme-
febre é maior;
ro de leucócitos de um componente sanguíneo celular (hemácias ou
Afebril: < 10.000/mm3.
plaquetas). Nesse processo ≈ 99,9% dos leucócitos são removidos;
Antes de procedimentos invasivos: plaquetas < 50.000/mm3 (<
100.000/mm3 → SNC). Objetivo: prevenção de complicações relacionadas à exposição do
receptor aos leucócitos do doador. Entre elas incluem: reação febril
Em portadores de tromboastenia hereditária ou adquirida, indepen-
não hemolítica, aloimunização com refratariedade plaquetária, imu-
dente da contagem plaquetária, sempre que submetidos a proce-
nomodulação, transmissão de CMV, EBV e o HTLV I/II.
dimentos invasivos.
OBS: Tromboastenia → pacientes com contagem de plaquetas normal, mas
Indicações
com função diminuída. Causa hereditária ou adquirida (uso de AAS ou clopido-
Pacientes com anemias hemolíticas hereditárias;
grel).
Pacientes que apresentaram 2 reações FNH (febris não hemolíti-
cas);
Exceção Anemia aplásica;
Plaquetopenias de consumo Transplante de medula óssea;
Inclui PTI (Púrpura Trombocitopênica Idiopática), dengue hemorrá- Leucemias agudas;
gica e hiperesplenismo: grau de recomendação C; Crianças com até 6 meses;
Transfundir somente na presença de sangramento ou manifesta- Candidatos a poli transfusões: anemia falciforme.
ções sugestivas de hemorragia intracraniana.
Irradiação
c) Plasma fresco congelado Os hemocomponentes que possuem linfócitos viáveis (concentrados
Volume: > 170 ml; de hemácias, plaquetas e granulócitos) podem ser irradiados para
Indicação: coagulopatia/sangramento* → INR e/ou TTPA 1,5x mai- prevenir a Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro Transfusional
or do que o valor de controle; (TA-GVDH), complicação imunológica comumente fatal, causada pela
Tempo máximo para uso após descongelamento: 6 horas à 22 ± enxertia e expansão clonal dos LT do doador em receptores sus-
2° C ou 24 horas à 4 ± 2° C. ceptíveis.
Indicações
Coagulopatia comprovada
Transfusão intrauterina;
INR > 1,5 e/ou TTPA 1,5x o controle
Exsanguineotransfusão, obrigatoriamente quando houver antece-
CIVD grave com sangramento ativo;
dente de transfusão intrauterina prévia;
Hemorragia em hepatopatas;
RN de baixo peso (< 1.200 g) ou com até 28 dias de vida;
Prevenção de hemorragias em hepatopatas que serão submetidos
Imunodeficiências congênitas;
a procedimento invasivo;
Transplante de medula óssea, células progenitoras de sangue pe-
Na revisão da anticoagulação oral, em vigência de sangramento com
riférico ou de cordão umbilical, autólogo ou alogênico;
risco de vida (se disponível, o complexo protrombínico deve ser a
Receptor de transplante de coração ou pulmão.
primeira escolha).
d) Crioprecipitado
Volume: 10-30 ml;
Indicação: coagulopatia/sangramento*;
Tempo máximo para uso após descongelamento: 6 horas.
OBS: O principal componente em uma bolsa de crioprecipitado é o fibrinogênio.
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Terapias Antineoplásicas
Tratamento antineoplásico Aspectos técnicos
A eficácia e a segurança da radioterapia dependem do delineamen-
Regra geral to do campo a ser irradiado e da proteção dos órgãos vitais.
Nenhum tratamento deverá ser iniciado antes da formalização do
diagnóstico: laudo histopatológico, citológico ou imunofenotípico.
Principais efeitos colaterais imediatos
A maioria deles ocorre quando a irradiação além de atingir a região alvo,
Exceções atinge outros locais.
Síndrome de compressão medular decorrente de massa paraver- Mielotoxicidade: quando maior a produção hematopoética da região,
tebral; maior a mielotoxicidade. É maior na pelve, que é responsável por
Dispneia aguda grave decorrente de grande massa mediastinal; 40% da hematopoese;
Ainda assim: é imperioso colher material antes do início do trata- Anorexia;
mento. Náuseas;
Diarreia.;
Estadiamento Alopécia tópica;
Desenvolvido inicialmente para os linfomas na década de 60, tem várias Pneumonite;
funções: Pericardite.
Delinear a extensão da doença;
Servir como roteiro para avaliação da resposta final do tratamento;
Contribuir para a avaliação prognóstica; Quimioterapia
Ajudar a definir a melhor estratégia terapêutica; Mecanismo de ação
Facilitar a comparação dos resultados dos estudos clínicos ao tonar Drogas que agem em determinadas fases do ciclo celular;
possível a comparação entre pacientes com características seme- Células em repouso são poupadas.
lhantes. OBS: Agem em todas as células em proliferação, inclusive as normais, mas co-
mo as células neoplásicas têm taxa de proliferação maior, elas são as mais le-
Status performance sadas.
Avaliação do impacto da doença no dia a dia do paciente.
Células com altas taxas de proliferação
Maior resposta ao tratamento.
Poliquimioterápico
Associação de drogas que agem em fases distintas do ciclo celular:
protocolos;
Ciclos: usos repetitivos → repetições com intervalos multissema-
nais (7, 14, 21, 28, 35 dias);
Útil para destruir células em repouso que começam a se
proliferar.
Efeito potencializador.
Impacto da idade na hematopoese
Idosos: hematopoese residual → também ocorre nos ossos chatos Protocolos
e longos, como nos adultos, mas em intensidade menor; Recebem as iniciais das drogas utilizadas;
A capacidade de recuperar a hematopoese após tratamento neo- Recebem os nomes dos locais ou dos grupos que a desenvolveram;
plásico é muito menor em idosos. Podem ser simples ou complexos: ambulatoriais x hospitalares.
Radioterapia
Raios X e gama
Transferência de energia para materiais biológicos;
Ionização;
Produção de radicais livres e dano celular;
Quebra da dupla hélice de DNA: destruição celular impede prolife-
ração.
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Antibioticoterapia de amplo espectro em dose máxima:
cefepime 2g de 8/8 hrs.
Para a maioria das doenças, febre não significa infecção e necessidade de an-
tibióticos. Para pacientes em quimioterapia com neutropenia febre é infecção
e é necessário antibioticoterapia precoce.
Mielossu
pressão
Terapias-alvo Imunossu
pressão Infecção Mucosite
Agem diretamente em alvos terapêuticos da doença;
Alto custo.
Coleta da medula
Punções aspirativas: crista ilíaca posterior;
Coleta de sangue periférico;
Cordão umbilical: não é muito eficaz para adultos, pois possui pouca
quantidade de células.
Esses procedimentos geram uma bolsa de sangue, que é transfundido no paci-
ente. Não se faz injeção intraóssea.
DECH tem efeito transitório e pode ser controlada pelo uso de imunossupres-
sores (ciclosporina).
3) Recuperação hematológica
DECH aguda (< 100 dias).
4) Recuperação imunológica
DECH crônica (> 100 dias).
Complicações imediatas
Infecções.
Complicações tardias
Infecções;
DECH crônica;
Disfunções nutricionais;
Impacto na qualidade de vida;
Esterilidade;
Retardo de crescimento;
Retardo de aprendizado;
Menopausa precoce;
Distúrbios hormonais;
Neoplasias secundárias.
Prevenção
Isolamento protetor;
Suporte transfusional;
Antimicrobianos;
Profilaxia da DECH;
Reposição hormonal.
Vantagens x desvantagens
a) Transplante alogênico
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Falência Medular
Citopenias
Série vermelha: anemia → Hb < 10 mg/dl;
Séria branca: neutropenia → neutrófilos < 1500/mm3;
Série plaquetária: plaquetopenia → plaquetas < 100.000/mm3.
Se presença de 2 quaisquer, tem-se bicitopenia, e se todas, pancitopenia. A
pancitopenia é a principal característica das doenças com falência medular.
Mecanismos possíveis
Anemia aplástica/aplasia de medula óssea Doença autoimune
Independente do mecanismo, a causa é autoimune
Definição Lesão intrínseca da célula progenitora hematopoética: lesão da
Entidade rara e heterogênea, caracterizada por: stem cell com diminuição das células maduras;
Pancitopenia com medula hipoplástica (hipocelular); Mecanismo imune no desencadeamento e manutenção das citope-
Medula óssea sem infiltração por células neoplásicas ou fibrose. nias;
Perturbações no microambiente da medula óssea;
Mutação do gene da telomerase e encurtamento telomérico: telo-
Incidência merase está relacionada ao envelhecimento celular. Mutações po-
1,5-6 casos/100.000 habitantes: 2,3 casos/100.000 hab (Brasil); dem levar ao encurtamento precoce desses telômeros, fazendo
2 picos de incidência: 15-25 anos e > 60 anos; com que as células envelheçam mais rapidamente.
Homem 1 : 1 mulher: sem predileção por sexo.
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Eltrombopag Quadro clínico
Análogo da trombopoetina;
Mais comum: fraqueza e indisposição secundárias a anemia;
Promessa para o tratamento.
Manifestações hemorrágicas: petéquias, equimoses e hematomas;
Sangramentos aumentados: secundários a plaquetopenia;
Raros.
Síndrome mielodisplásica (SMD) Hepatoesplenomegalia e linfonodomegalia: não encontrados habitual-
Definição mente;
Manifestações autoimunes: 15-30%.
Grupo de desordens hematopoéticas de natureza clonal: clone neo-
plásico que surge na medula;
Apresenta graus variados de insuficiência medular; Quadro laboratorial
Citopenias variadas no sangue periférico; Plaquetopenia
Medula óssea geralmente hipercelular; Presente em 25% dos casos;
Podem evoluir para LMA: doença instável. Síndrome 5q-: tipo raro de SMD com plaquetose.
Características Leucopenia
Presente em 50% dos casos;
Hematopoese ineficaz
Pode haver células jovens: bastonetes ou metamielócitos.
Alterações de proliferação, maturação e apoptose: células displási-
cas, com alteração de morfologia, destruídas por apoptose. O au-
mento da apoptose causa aumento da proliferação e o ciclo se re- Anemia
pete. A maioria das células são destruídas na medula e não migram Alteração mais comum
para o sangue periférico; Normo-normo ou macrocítica: macrocitose discreta (VCM ≈ 100);
Presença de atipia nas linhagens celulares; Reticulócitos diminuídos;
Citopenias variadas no sangue periférico: variável, pois a maioria Pode haver células jovens: eritroblastos.
das células displásicas são destruídas na medula e não chegam ao
sangue. A mais comum é anemia macrocítica; Medula óssea
Mais comum a partir dos 50 anos. Mais comum: hipercelularidade + atipias (obrigatória)
Na maioria dos casos a MO é normo ou hipercelular;
Raros casos hipocelulares;
Etiologia Atipias.
Exposição a agentes mielotóxicos: quimioterapia, radioterapia;
Exposição a benzeno, inseticidas, solventes.
Atipias/displasias celulares
Epidemiologia
EUA subnotificação: 3,3 casos/100.000 habitantes;
EUA real: 75 casos/100.000 habitantes > 65 anos/ano;
Estima-se que 10% é secundário ao tratamento antineoplásico.
Diagnóstico
Suspeita
Presença de citopenias no hemograma;
Estudo medular: displasia nas linhagens celulares; Alterações citogenéticas
Alteração citogenética: presente em 30-50% dos casos. Presentes em até 50% dos casos de novo;
Presentes em até 80% dos casos secundários;
Confirmação Pode haver ganho ou perda simples de material genético;
Pelo menos 1 citopenia periférica; Pode haver mutações complexas.
Estudo medular: atipia em pelo menos 2 linhagens hematopoéticas
na medula óssea;
Alteração citogenética: pode ou não estar presente → valor prog-
nóstico.
16
Alterações citogenéticas.
Tratamento
Como se trata de um grupo heterogêneo de patologias, o tratamento dis-
ponível também é.
Tratamento de suporte
Objetivo: melhorar a insuficiência medular;
Conduta inicial: classificar os pacientes.
Classificação
a) Paciente de baixo risco: acompanhamento clínico
DLU (Displasia de linhagem única)
Anemia assintomática;
1 displasia medular;
Neutrófilos > 1.000;
Citopenia em 1 ou 2 linhagens;
Plaquetas > 40.000.
Sideroblastos em anel < 15%: se mesmas características e > 15%
é DLU com sideroblastos em anel;
Paciente com anemia sintomática
Sem aumento de blastos medulares e circulantes.
Eritropoetina < 500: reposição de EPO → se ausência de resposta
em 3 meses associar talidomida;
DLM (Displasia de linhagens múltiplas)
Eritropoetina > 500:
2 a 3 displasias medulares;
Hipometilantes: AZA, decitabina;
Citopenia em 1 ou mais linhagens;
Transfusões.
Sideroblastos em anel < 15%: se mesmas características e > 15%
é DLM com sideroblastos em anel;
b) Paciente de alto risco
Sem aumento de blastos medulares e circulantes.
< 65 anos: quimioterapia + transplante alogênico de medula óssea;
> 65 anos: hipometilantes;
Excesso de blastos Pacientes frágeis: suporte → antibióticos e transfusões esporádi-
Com ou sem displasia medular;
cas.
Citopenia em 1 ou mais linhagens;
Sem sideroblastos em anel;
Aumento de blastos medulares e circulantes;
Quimioterapia em altas doses (protocolo LMA)
Pacientes < 65 anos;
Tipo 1: sem bastonetes de Auer;
> 10% de blastos;
Tipo 2: com bastonetes de Auer.
RC 50%, mas com taxa de recidiva elevada.
Prognóstico
Avaliado por:
Contagem de blastos na medula óssea;
Dosagem de Hb, plaquetas e neutrófilos no sangue periférico;
17
V Leucemias Agudas e NMPC
Leucemias agudas Manifestações clínicas
Linhagem mieloide: produção de mieloblastos que proliferam, amadurecem
Introdução na medula óssea e são liberados na circulação.
Após ser recrutada, a stem cell se compromete com uma das li- Linhagem linfoide: pode haver infiltração leucêmica nos órgãos linfoides se-
nhagens celulares: cundários. Os blastos têm capacidade de atravessar a barreira hematoence-
Linfoide; fálica e causar sintomas neurológicos. Além disso, também podem atravessar
Mieloide. a barreira testicular e causar leucemia testicular;
Na leucemia, isso também ocorre. Pode-se ter leucemia da linhagem Órgãos linfoides primários: medula e timo;
linfoide ou da mieloide, agudas ou crônicas; Órgãos linfoides secundários: linfonodos e polpa branca do baço.
Agudas: transformação neoplásica de blastos (linfoblas-
tos e mieloblastos) → proliferam, mas não amadurecem; Manifestações clínicas
Crônicas: linfócitos e granulócitos maduros → não per- Adenomegalia 49%
Hepatomegalia 35%
dem capacidade de amadurecer.
Esplenomegalia 44%
Na leucemia há transformação neoplásica e vantagem proliferativa, com re- Massa mediastinal 15%
sistência a apoptose → células neoplásicas têm aumento do processo proli- Sintomas neurológicos 8%
ferativo em relação as células de mesma origem. Leucemia testicular 0,3%
Atenção
Aguda É obrigatória a punção do líquor em pacientes com LLA, mesmo na
Mieloide ausência de sintomas neurológicos.
Crônica
2) Leucemia mieloide aguda
Leucemia
Definição
Aguda
Grupo heterogêneo de doenças clonais caracterizadas pela prolife-
Linfoide ração anormal de precursores que são incapazes de amadurecer
e a responder aos reguladores naturais de proliferação e morte
Crônica
celular.
Epidemiologia
1) Leucemia linfoide aguda
Crianças
Definição Pouco comum em crianças: 15%;
Doença caracterizada pela proliferação clonal dos precursores a- Abaixo dos 10 anos.
normais (células imaturas) da linhagem linfoide na medula óssea.
Adultos
Epidemiologia Leucemia mais comum no adulto: 90% dos casos;
Pode ocorrer em qualquer época da vida, mas é mais comum na infância. Incidência nos EUA: 3,5 casos/100.000 habitantes;
Aumenta com a idade: 17,9 casos/100.000 após os 65 anos.
Crianças Portanto, leucemias agudas podem ocorrer em qualquer época da vida. A lin-
Neoplasia mais comum da infância; foide (LLA) é mais comum na infância, e a mieloide (LMA), em adultos e idosos.
Pico de incidência: 2 a 5 anos;
Sobrevida entre 80%-90% em 5 anos.
3) Leucemias agudas
Adultos Características
Nos adultos, a leucemia mieloide é mais comum do que a linfoide. Quanto Interrupção do processo maturativo: célula permanece na forma imatura.
mais jovem, maior a taxa de incidência. LLA: linfoblastos;
Pouco comum em adultos: 15% das leucemias; LMA: mieloblastos.
Pico de incidência: 25-37 anos;
Mais comum em homens; Há proliferação excessiva da linhagem linfoide. As demais linhagens con-
Sobrevida em 5 anos: 20-30% → sobrevida menor; tinuam a proliferar normalmente até que haja invasão medular.
Incidência na região de Ribeirão Preto: 6,5 casos/milhão de pessoas A medula óssea é um espaço finito;
/ano. Conforme a proliferação dessa linhagem aumenta, ocupa-se o es-
paço das células normais;
18
↑↑ blastos e ↓ das outras células. o Redução ou aumento de glóbulos brancos: no
início da doença tem-se pancitopenia clássica,
Neoplasias com redução de todas as séries.
↓ apoptose ↑ proliferação: invasão medular e ↓ hematopoese. Punção medular aspirativa: mielograma + citoquímica;
Padrão-ouro para DX;
Medula com hipercelularidade;
Etiologia Presença de clone celular que não amadurece e toma o
Fatores adquiridos: mais relacionados a LMA no adulto; espaço das demais células;
Fatores hereditários: mais relacionados a LLA em crianças. Citoquímica: refere-se a mieloperoxidase. Positiva quando
Destaque para: síndrome de Down e anemia de Fanconi. se trata de linhagem mieloide.
Fatores adquiridos Fatores hereditários Biópsia de medula óssea – SN;
Radioterapia Constitucionais Raramente precisa ser feita.
Quimioterapia Síndrome de Down Imunofenotipagem;
Produtos químicos (benzeno) Neurofibrimatose tipo I Biologia molecular;
Doenças hematológicas Síndrome de Bloom
Citogenética;
- Síndrome mielodisplásica Síndrome de Schwachmann-Diamond
- Doenças mieloproliferativas Ataxia-telangiectasia Avalia a presença de mutações genéticas: valor prog-
Tabagismo Síndrome de Kostman nóstico → relacionadas a melhor ou pior evolução.
Monossomia familiar do Cr 7
Síndrome Klinefelter
Quadro clínico
Bastante variável.
Depende do grau de infiltração da medula óssea: quantidade de cé-
lulas leucêmicas x células normais;
Quanto maior a infiltração da medula, maior o grau de citopenias;
Anemia; Fator prognóstico na LLA: a mutação mais comum para prognóstico
Leucopenia; desfavorável está relacionada a t(9,22)
Plaquetopenia.
Manifestações clínicas
Dependem da intensidade da pancitopenia.
Relacionados à anemia
Hipóxia: cefaleia, tontura, lipotimia, zumbido, fraqueza, cansaço;
Falta de ar;
Palidez da mucosa. Fator prognóstico LMA: a mutação mais comum para prognóstico favorável é a
inversão do cromossomo 16
Relacionados aos glóbulos brancos Para o DX é ideal que se faça o hemograma e o esfregaço, mas o padrão-
Infecções: favorece o aparecimento e a pior evolução. É comum a- ouro é a punção medular. Além disso, deve-se complementar a análise com a
brir o quadro de leucemia com alguma infecção; imufenotipagem e o estudo molecular, que pode ser feito por citogenética ou
Febre é comum. biologia molecular.
20
Prognóstico Tratamento não curativo;
Fatores que influenciam na sobrevida dos pacientes: Necessidade de tratamento constante: 1 semana por mês → trata
Citogenética: se desfavorável menor sobrevida; 1 semana e descansa 3, enquanto houver boa resposta terapêutica.
Idade: aumento da idade diminui a sobrevida;
Objetivo: tratamento curativo.
Hemograma
Intercorrências: Aumento de células maduras:
Internações prolongadas; Hemácias;
Longo (> 7 dias) episódio de aplasia pós QTX; Granulócitos e/ou;
Intenso episódio de aplasia pós QTX; Plaquetas.
Neutropenia severa;
Neutropenia febril. Classificação
Baseada na presença ou ausência da mutação BCR-ABL
2) Consolidação (intensificação): nessa fase o transplante de medula óssea
pode ser feito;
1) BCR-ABL positiva
Alto risco citogenético: transplanta → 2 ciclos e transplante;
Leucemia mieloide crônica (LMC).
Baixo risco citogenético: não transplanta → 4 ciclos;
Risco intermediário: pode ou não realizar transplante → depende
2) BCR-ABL negativa
da faixa etária do paciente e presença de doador compatível. Quan-
Policitemia vera (PV);
to mais jovem maior a indicação de transplante, quando mais próxi-
Trombocitemia essencial (TE);
mo dos 60 anos, menor.
Mielofibrose.
4 ciclos de citarabina
1) Leucemia mieloide crônica (LMC)
Definição
Doença clonal maligna das células tronco hematopoéticas caracteri-
zada pela presença do cromossomo Filadélfia (Ph ou Ph1).
3) Manutenção: NÃO?
Cromossomo Filadélfia (Ph ou Ph1)
Produto da translocação t(9,22) gerando a fusão dos genes BCR e
Tratamento paliativo
Feito com hipometilantes. ABL: um pedaço do cromossomo 22 migra para o cromossomo 9;
Geralmente em idosos;
21
Gene BCR-ABL: esse novo gene possui elevada atividade da tirosi- culação → priaprismo, zumbido, alterações
no-quinase que regula a proliferação celular → transformação ma- visuais.
ligna da célula. OBS: Anemia geralmente não está presente, e quando está, é leve.
As alterações moleculares produzem: Sintomas constitucionais ou sintomas B: perda de peso (10% do peso em
Hiperplasia mieloide: hiperplasia na linhagem mieloide leva ao aumen- pelo menos 6 meses), febrícula e sudorese noturna.
to de todos os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos). Esse
aumento respeita a proporção celular, logo tem-se mais neutrófilos, Hemograma (sangue periférico)
seguidos de basófilos e eosinófilos; Leucocitose > 25.000/mm3;
Leucocitose: ocorre a custas do aumento de neutrófilos; Neutrofilia;
Neutrofilia; Basofilia; ↑ granulócitos
Basofilia; Eosinofilia;
Eosinofilia; Anemia normo/normo: Hb normal ou discretamente diminuídas;
Esplenomegalia: exame físico. Plaquetas normais ou aumentadas: aumento se acometimento se-
Hiperplasia mieloide e leucocitose a custas principalmente de neutrofilia. cundário da linhagem megacariocitária;
Aumento DHL e ácido úrico.
Epidemiologia OBS: Pode não haver anemia e alteração plaquetária. Isso depende da leuco-
citose. Quanto mais intensa, maior chance de alterar hemácias e plaquetas.
Constitui 14% de todas as leucemias;
1,6 casos por 100.000 habitantes;
Medula óssea (mielograma)
Idade ao diagnóstico: 50-60 anos → pode ocorrer em qualquer fai-
Intensa hiperplasia granulocítica (células em todas as fases de ma-
xa etária, mas é menos comum < 18 anos;
turação);
Predominância masculina discreta: 1,4:1;
Blastos < 10%;
Fator de risco conhecido: radiação ionizante.
Hiperplasia granulocítica;
Fosfatase alcalina de neutrófilos: diminuída.
Quadro clínico
Depende de: 2) Fase acelerada
Fase da doença: 3 fases; Aceleração da taxa proliferativa
Volume da doença: leucocitose e esplenomegalia. Sintomática;
OBS: Tanto nas leucemias agudas quanto nas crônicas há maior capacidade de Duração de meses.
proliferação celular, só que nas leucemias agudas essa capacidade é maior,
pois células jovens (blastos) têm maior capacidade proliferativa. Assim, o agudo Características
e crônico referem-se à capacidade de instalação da doença. Leucemia aguda A presença de 1 dos critérios já configura fase acelerada.
surge abruptamente (semanas-meses), pois a taxa de replicação é muito alta, Blastos: entre 10-19%;
ao passo que nas leucemias crônicas, o início é indolente (meses-anos), pois a Intensificação das alterações no hemograma:
taxa de replicação é menor. Por isso, muitas vezes é uma doença assintomá- Basofilia periférica ≥ 20%;
tica. Trombocitopenia: < 100.000 mm3 OU
Trombocitose: > 1.000.000/mm3.
1) Fase inicial (fase crônica)
Oligossintomática ou assintomática; 3) Crise blástica
Mais longa: 3-5 anos. Transformação da leucemia mieloide crônica em aguda
Leucemia aguda: > 20% de blastos;
Sintomas que podem ocorrer: inespecíficos Frequentemente fatal.
Fadiga;
Perda de peso; Características
Sudorese; Blastos > 20% na medula óssea ou sangue periférico.
Febrícula; 50% mieloblastos;
Palidez cutânea; 25% linfoblastos;
Esplenomegalia: 80% dos pacientes; 25% bifenotípica.
Estágios iniciais: aumento pequeno, sem repercussões;
Estágios maiores: aumentos extremos → pode contri-
buir para;
o Infarto esplênico;
o Compressão de vísceras ocas;
o Plenitude gástrica;
o Hepatomegalia;
Fase crônica é a mais longa e a crise blástica a mais curta e grave, com altas taxas
o Hiperviscosidade: leucocitose faz com que o de mortalidade
plasma fique mais viscoso, prejudicando a cir-
22
Exemplo de hemograma Mesilato de Imatinib: revolucionário no tratamento.
Paciente, 20 anos, assintomática, hemograma rotina.
Sem alterações em glóbulos vermelhos. Terapia alvo
Leucocitose com neutrofilia: aumento de leucócitos a custas principalmente BCR/ABL: alvo ideal para desenvolvimento de terapias
de neutrófilos. Expresso em altos níveis em células leucêmicas;
Plaquetose. Ausente em células não-hematopoéticas e normais;
Essa paciente está na fase acerelada da doença (plaquetas > 1.000.000). Exibe elevada atividade tirosina-quinase;
Superexpressão pode induzir transformação de células leucêmicas;
Atividade tirosina-quinase é essencial para funcionamento do onco-
gene BCR-ABL.
Mesilato de Imatinib
Inibidor específico do BCR-ABL;
Mecanismo de ação: bloqueia sítio de ligação do ATP e faz com que
a célula perca a capacidade proliferativa. Deixam de produzir novas
células neoplásicas.
Tratamento atual
Uso de TK1 1ª geração (Mesilato de Imatinib);
Resposta ótima: manter;
Resposta sub ótima: manter ou mudar para 2ª geração;
Falha na resposta: mudar para 2ª geração.
O objetivo é manter o paciente indetectável: avalia-se a resposta
ao tratamento pela quantificação do BCR-ABL;
Diagnósticos diferenciais Após 3 meses: BCR-ABL <10%;
Infecção severa: infecções bacterianas levam a quadro de leucoci- Após 6 meses: BCR-ABL <1%;
tose e neutrofilia; Após 12 meses: BCR-ABL <0,1% → resposta molecular
Reação leucemoide: resposta exagerada secundária a infecções, maior.
com leucocitose intensa; Se paciente indetectável o tratamento é contínuo, para o resto da
Outras doenças mieloproliferativas: trombocitemia essencial e mie- vida.
lofibrose; OBS: TKI → Inibidor de tirosina-quinase.
Leucemias agudas: também tem leucocitose, mas na leucemia crôni- Tratamento é VO.
ca há desvio escalonado, com células em todas as fases de matura-
ção. Já nas leucemias agudas há somente células imaturas (muitos Transplante alogênico de medula óssea
blastos → padrão monótono). Com a eficácia do mesilato de imatinib, hoje é reservado para 2 situações:
Pacientes muito jovens (< 20, ou de 20-40 anos): doadores familia-
Diagnóstico e monitorização res compatíveis;
Hematológico: hemograma; Pacientes sem resposta a essa medicação.
Citogenética: cariótipo t(9,22);
Molecular: BCR-ABL por FISH e/ou PCR. Fatores prognósticos
PCR: método mais sensível, é quantitativo; Conferem mal prognóstico:
o BCR-ABL P190: mais comum na LLA; Maior idade;
o BCR-ABL P120: mais comum na LMC. Maior volume esplênico;
O DX é sugerido pelo hemograma e confirmado pela presença da mutação Maior contagem de plaquetas e blastos.
BCR-ABL (citogenética ou molecular). OBS: A partir desses parâmetros é possível dividir os pacientes em baixo ris-
co, risco intermediário e alto risco.
Tratamento geral
Agentes citostáticos: interferon + citarabina; 2) Policitemia Vera (PV)
Não curativo, prolongava a fase crônica;
Redução da esplenomegalia e leucocitose; Características
Diversos efeitos colaterais: lúpus like → febre e artral- Doença clonal do sistema hematopoético com proliferação dos se-
gia; tores:
Não mais usado. Eritrocitário: é a série mais acometida, mas também po-
Transplante alogênico; de abarcar as demais;
Curativo; Granulocítico;
Problema: doadores disponíveis. Megacariocítico.
23
Eritrocitose é a principal característica da doença: aumento da AIT/AVC: ataque isquêmico transitório.
quantidade de hemácias;
Há baixa produção de eritropoetina; Doenças associadas
O aumento de eritrócitos não é decorrente desse hor- Úlcera péptica;
mônio; Gota: destruição das hemácias em excesso aumenta o ácido úrico.
Decorre de mecanismo neoplásico;
Eritropoetina está baixa porque organismo faz feedback Eventos tromboembólicos
negativo na tentativa de conter a produção de glóbulos 30% ocorrem antes do diagnóstico;
vermelhos. 40-60% durante os primeiros 10 anos;
Acompanhada ou não de trombocitose e/ou leucocitose; Sem tratamento: sobrevida média de 18 meses;
BCR-ABL é negativo: não auxilia no diagnóstico e no tratamento; Eventos arteriais: AVC, IAM, infarto adrenal, infarto de A. renal e
Presença de mutação JAK2: ≈ 96% dos pacientes; isquemia digital;
Marcador de mal prognóstico; Eventos venosos: tromboembolismo pulmonar, trombose da V. porta
Alvo terapêutico. e trombose de MMII → mais comuns.
Principais características
Poliglobulia: aumento da massa eritrocitária → é o inverso do que
ocorre nas anemias;
Pode evoluir para mielofibrose, SMD (síndrome mielodisplásica) e
leucemia aguda;
Proliferação de colônias eritroides na ausência de eritropoetina;
10-25% dos pacientes apresentam anormalidades cariotípicas ao
diagnóstico;
Mutações tardias podem significar transformações: MF, SMD ou
LMA;
Mutação tirosina-quinase JAK-2: presente em 75-98% dos pacien-
tes;
Avaliado por exame de sangue: vem positivo ou negativo
para JAK-2.
Epidemiologia
Incidência: 5 a 26 casos por 1.000.000 de habitantes.
Prevenção de eventos tromboembólicos é o principal objetivo do manuseio de
pacientes com PV.
Quadro clínico
Insidiosa: evolução lenta;
Apresentação média aos 60 anos; Exame físico
Assintomática: aumento inicial dos glóbulos vermelhos passa des- Faces pletórica: avermelhada → oposto da anemia;
percebido. Vermelhidão violácea das orelhas e dígitos;
Esplenomegalia: pode estar presente, mas tende a ser discreta,
Manifestações mais comuns (30-40%) principalmente quando comparada aos pacientes com LMC.
Quando a produção de glóbulos vermelhos começa a aumentar muito surge
os sintomas relacionados à hiperviscosidade: manifestações de circulação len- Alterações laboratoriais
tificada (prejudica principalmente a microcirculação). Aumento de eritrócitos: pode ser isolado ou com alterações em ou-
Cefaleia; tras células;
Prurido: queixa comum; Neutrofilia em 60%;
Sudorese; Desvio à esquerda;
Fraqueza; Plaquetose (50%): apesar do aumento da quantidade, há diminuição
Tonturas; de função → pode-se ter sangramentos;
Eventos tromboembólicos. Tromboastenia;
Po2 discretamente aumentada;
Prurido após o banho Medula óssea: hiperplasia (pode ser nas 3 séries).
Liberação de histamina de basófilos e mastócitos.
Exemplo de hemograma
Queixas neurológicas
Eritrócitos, Hb e hematócrito muito aumentados: hematócrito indica que
Vertigem;
paciente só tem 32% de plasma, ou seja, há hiperviscosidade.
Escotomas;
Leucocitose a custas principalmente de segmentados.
Diplopia;
24
Plaquetas normais. Além do tratamento da doença, precisa tratar os fatores de ris-
co.
4) Citorredução: para pacientes que não toleram a sangria ou progressão
da doença mesmo com tratamento.
Quimioterapia oral em baixas doses: ↓ células da linhagem mieloide;
Objetiva manter Ht < 45%, glóbulos brancos < 10.000 e plaquetas
< 400.000.
Critérios diagnósticos
Requer 3 critérios maiores OU 2 maiores + 1 menor.
Critérios maiores
Hemoglobina: > 16,5 g/dl em homens e > 16 g/dl em mulheres;
Hematócrito: > 49% nos homens e > 48% nas mulheres;
Biópsia de medula óssea: panmielose → aumento de todas as célu-
las da linhagem mieloide, em especial glóbulos vermelhos;
Presença de mutação JAK2.
Critérios menores
Dosagem baixa de eritropoetina.
Classificação de risco
Divididos de acordo com a faixa etária e história de trombose.
Baixo risco: < 60 anos E sem história de trombose;
Alto risco: ≥ 60 anos OU com história de trombose.
3) Trombocitemia essencial
Tratamento
Principalmente com associação de flebotomia (sangria terapêutica)
Características
e baixas doses de AAS. Doença clonal do sistema hematopoético com proliferação dos se-
tores:
1) Sangria terapêutica: meta é hematócrito < 45%; Eritrocitário;
2) Antiagregante com AAS baixas doses; Granulocítico;
3) Pacientes de risco intermediário: com fatores de risco reversíveis para Megacariocítico: principal linhagem acometida.
tromboembolismo;
25
Principais características Hemograma
Trombocitose/plaquetose: aumento na produção de plaquetas;
Exemplo
Pode ter ou não eritrocitose e leucocitose;
Eritrograma normal.
Mutação JAK-2 e CALR;
Leucocitose e neutrofilia discretas.
Pode evoluir com mielofibrose, síndrome mielodisplásica e leucemia
Plaquetose intensa.
aguda.
Incidência
0,6 a 2,5 casos por 100.000 habitantes;
Idade média ao diagnóstico: 50-60 anos;
Mais comum nas mulheres, principalmente nas mais jovens.
Epidemiologia
Sobrevida ligeiramente menor que a da população;
Taxa de transformação em 15 anos:
MF (mielofibrose): 9,3%;
LA (leucemia aguda): 2,1%.
Tiroquinase JAK-2: presente em 25%-60% dos pacientes.
Quadro clínico
Indolente: evolução lenta;
Assintomática;
Eventos tromboembólicos; Classificação de risco
Manifestações mais frequentes;
É a mesma da policitemia vera.
Maior causa de mortalidade;
OBS: Fatores de risco cardiovascular → HAS, DM, hipercolesterolemia, taba-
Risco 6,6% x 0,33% ao ano;
gismo.
Tromboses arteriais (60% dos casos): IAM, AVC, isque-
mia arterial periférica.
Manifestações hemorrágicas;
Menos comuns que as manifestações tromboembólicas;
Sangramentos maiores: 0,79%/ano;
Sítio mais comum: TGI.
Hidroxiureia
Usada para reduzir o tamanho do baço;
Pode piorar as citopenias.
Esplenectomia
Para casos de hiperesplenismo: baço com aumento de tamanho e
de função.
Anemia
Dosar eritropoetina;
27
Se baixa: repor. Se ausência de resposta usar danazol
(imunossupressor).
Problemas
Mortalidade em 100 dias: 10-30%;
Recaídas: 30-50%.
28
V Leucemia Linfoide Crônica V
Casos familiares: predisposição genética → de todas as doenças
Doenças proliferativas crônicas oncohematológicas é a única em que a ocorrência de casos familia-
Grupo heterogêneo de neoplasias que tem em comum a origem na
res é mais comum;
proliferação de células linfoides maduras, que infiltram órgãos lin-
Aumento da incidência: exposição a gentes químicos e derivados do
foides (gânglios, baço), além de medula óssea e sangue periférico.
petróleo.
OBS: Para esse grupo de neoplasias, o tratamento nem sempre é obrigatório,
principalmente nas fases iniciais.
Características biológicas
Relembrando Maioria das células em G0: é uma neoplasia muito indolente. Células
Dentro da linhagem linfoide, há os órgãos linfoides primários e secundários. ficam muito tempo em repouso (↓ proliferação celular com evolu-
Órgãos linfoides primários: medula óssea e timo. Os LB e LT são ção muito lenta, em anos);
produzidos na medula, os LB amadurecem na medula e os LT, no ti- Aumento da massa linfocitária por acúmulo e não por progressão
mo; acelerada: proliferação de linfócitos na medula;
Órgãos linfoides secundários: linfonodos, tecidos linfoides associados Linfócitos com sobrevida longa: inibição da apoptose;
às mucosas (TGI) e polpa branca esplênica. LLC possui fenótipo de membrana diferente nas demais doenças
linfoproliferativas: ajuda a diferenciar entre leucemias e linfomas
Doenças linfoproliferativas → visualmente não é possível identificar, mas a partir da imunofe-
Sistema linfático está presente da cabeça aos pés. Doenças linfoprolife- notipagem sim.
rativas podem acometer esses gânglios de forma isolada ou difusa. OBS: LLC → aumento da proliferação de linfócitos principalmente na medula
e no sangue, e de forma menos intensa nos órgãos linfoides secundários. Por-
Principais neoplasias linfoproliferativas crônicas tanto, leucemias têm origem medular e linfomas, por sua vez, têm origem nos
LLC (Leucemia linfoide crônica);
órgãos linfoides secundários (linfonodos). Em fases avançadas da leucemia, to-
Mais comuns do o organismo pode ter infiltração de linfócitos maduros.
LF (Linfoma folicular).
Linfócitos proliferam um pouco mais e sobrevivem mais (inibição da apop-
tose) → doença linfoacumulativa.
29
Quadro laboratorial Hb normal;
Linfocitose PERSISTENTE: leucocitose persistente (↑ leucócitos) a Leucocitose de 25.800 leucócitos.: 82% eram linfócitos típicos (maduros);
custas de linfócitos maduros; Plaquetopenia discreta.
Anemia (20%); Altamente sugestivo de LLC.
Leves, nem sempre ocorre
Plaquetopenia (20%);
AHAI (10-25%): anemia hemolítica autoimune;
Hipogamaglobulinemia (60%): LB participam da imunidade humoral
produzindo imunoglobulina. Linfócitos neoplásicos da LLC não pro-
duzem imunoglobulinas, assim, embora haja aumento do número de
linfócitos, há redução das mesmas. Paciente fica imunossuprimido,
aumenta o risco de infecções;
OBS: Doenças infecciosas causam linfocitose transitória.
Critérios diagnósticos
Linfocitose: quantidade e tempo → 5000 em 3 meses;
Linfócitos pequenos e maduros: se for imaturo (blastos) é leucemia
aguda;
Características imunofenotípicas.
Leucocitose absurda a custos de linfócitos maduros: exemplo extremo!
Variantes da LLC (Tricoleucemia)
↑ linfócitos maduros restritos à medula e ao baço: não haverá lin- Diagnóstico
focitose no sangue periférico; Imunofenotipagem de sangue periférico.
Necessário punção de medula para o DX. OBS: A maioria dos pacientes faz DX ao acaso, após alterações sugestivas de
OBS: Tricoleucemia é exceção. Para DX de leucemia crônica geralmente não LLC no hemograma.
há a necessidade de biópsia. Na LLC se faz o estudo fenotípico no sangue pe-
riférico.
Estadiamento
2 sistemas: RAI ou BINET. O BINET é o mais usado.
Sistema BINET
Prediz a sobrevida do paciente: valor prognóstico;
Critérios depende de exame físico e hemograma.
OBS: Critérios C → Hb < 10 g/dl ou plaquetas < 100.000/mm3.
Hemogramas
Exemplos
Fatores prognósticos
Relacionados tanto a doença quanto ao paciente
Estadiamento;
Performance status: idosos podem ter respostas diferentes, pois
podem ou não ter comorbidades;
Mutação imunoglobulina (Ig) de cadeia pesada – IGHV;
Bom prognóstico.
Alterações citogenéticas: del 17p ou TP53.
Mau prognóstico.
30
CLL-IPI Jovens (< 65 anos): quimioterapia tradicional (protocolo FCR) → 6
Índice de prognóstico internacional ciclos a cada 28 dias;
Classifica os pacientes de acordo com a presença de fatores de Idosos (a partir dos 65 anos): clorambucil + anti-CD20 (VO);
mau prognóstico; Tratamento mais utilizado, maioria dos pacientes.
Quanto maior a pontuação, pior o paciente. Frágeis (muito idosos ou muitas comorbidades).
Tratamento
Quando tratar
LLC: doença incurável com quimioterapia → quimioterapia não age
em células no estágio G0 (só age em células em proliferação);
TMO alogênico: única alternativa de cura (alta mortalidade);
Na prática clínica é pouco feito, pois a maioria dos paci-
entes com LLC são idosos.
OBS: Na LLC nem todos os pacientes precisam ser tratados.
Doença do 1/3: 1/3 nunca precisa tratar, 1/3 inicialmente não precisa
tratar, mas com a progressão da doença precisará e 1/3 já descobre em
estágio avançado e já inicia o tratamento.
b) Doença progressiva
Tratamento.
Como tratar
Estadiar o paciente;
Avaliação status performance;
Avaliação geriátrica;
Comorbidades.
Condutas
Só tratar quando o paciente tiver em estágios avançados (B instável e C) e
sintomático.
31
V Linfomas V
Reavaliação ao final do tratamento;
Introdução Comparação dos resultados.
Se originam nos órgãos linfoides secundários
Descrito inicialmente por Thomas Hodgkin em 1932: 7 casos de lin-
Como é feito?
fadenopatia + esplenomegalia;
Exames radiológicos
Termo linfoma: Virchow 1858.
TC cervical + tórax + abdome total;
Pet scan: TC de corpo todo com radiofármaco que marca glicose.
Características Como células neoplásicas têm taxa de replicação maior, há consumo
Neoplasias de origem linfoide, caracterizadas pela heterogeneidade de glicose, que se acumula nas áreas do tumor.
do comportamento biológico (agressividade);
Extensão; Biópsias
o Local: 1 cadeia ganglionar; Gânglio linfático: diagnóstico;
o Difusa: várias cadeias ganglionares. Medula óssea: estadiamento → avalia presença ou ausência de in-
Comportamento biológico; filtração medular;
o LLA: células imaturas → ↑ proliferação; Se for possível fazer pet scan não precisa fazer biópsia
o LLC: células maduras → ↓ proliferação; de medula óssea, pois esse exame também consegue a-
o Linfomas: situação intermediária. valiar infiltração de medula. Se não tem pet scan fazer
Caracterizada pela proliferação de células neoplásicas em diferen- biópsia.
tes fases de maturação;
Pode acometer diferentes órgãos linfoides: começa em órgãos lin- Classificação de Lugano
foides secundários, mas pode migrar para primários. Nos linfomas Linfonodo anormal: > 1,5 cm;
T o timo pode ser acometido primeiro. Envolvimento hepático: comprovação radiológica;
Envolvimento esplênico: > 13 cm (maior diâmetro);
Sítios extranodais.
Grupos
Dividida em 2 grandes grupos É subdividido em 2 categorias:
Linfomas de Hodgkin; a) Doença limitada
Linfomas não Hodgkin. Estadio 1: 1 cadeia ganglionar acometida (pode ter vários gânglios a-
cometidos, desde que em uma mesma cadeia);
Apresentação clínica mais comum Estadio 2: 2 ou mais cadeias ganglionares acometidas, necessaria-
Linfonodomegalia: acomete 1 ou mais cadeias ganglionares; mente do mesmo lado do diafragma (só supra OU só infradiafrag-
Visíveis: cadeias cervical, axilar e inguinal; mática).
Não visíveis: cadeias intratorácicos e intra-abdominais
→ identificados por exames de imagem. b) Doença disseminada
Estadio 3: pelo 2 cadeias ganglionares acometidas, de ambos os la-
dos do diafragma (supra E infradiafragmático);
Diagnóstico Estadio 4: doença disseminada com infiltração de medula óssea.
Anatomopatológico;
Biópsia excisional: exérese de gânglio acometido → pa-
drão-ouro;
Geralmente o maior gânglio palpável.
Gânglios intrabdominais/intratorácicos;
Toracoscopia/laparoscopia.
Atenção
PAAF: não deve ser feita;
Possibilidade de falso negativo é muito grande.
Core-biopsy: pode ser suficiente. Em relação aos sintomas:
a) A
Pacientes assintomáticos.
Estadiamento
Antes de tratar o paciente é necessário fazer o estadiamento clínico b) B
Auxilia na abordagem terapêutica;
Presença de sintomas B ou constitucionais: perda > 10% peso, fe-
Define prognóstico;
brícula vespertina e/ou sudorese noturna. Se tiver pelo menos 1
Reconhecimento de todas as áreas acometidas;
sintoma, ganha sufixo B. Se ausência de sintomas é sufixo A.
32
c) X Brasil: 50% adultos e 80% crianças;
Lesão bulky: ocupa pelo menos 1/3 da região intratorácica. Positividade maior nos casos de celularidade mista;
Esse sistema de classificação serve tanto para linfomas de Hodgkin quan- Antecedente de mononucleose: incidência 3x maior.
to para não Hodgkin.
Quadro clínico
Adenomegalia – mais comum
Linfoma de Hodgkin Adenomegalia cervical de consistência borrachosa e indolor, sem si-
Introdução nais flogísticos;
Neoplasia de origem linfoide caracterizada por proliferação de cé- Em 3/4 dos casos: gânglio cervical;
lulas neoplásicas de morfologia característica; Em 1/4 restante: axilar ou inguinal.
Células de Reed-Sternberg. Gânglios podem se tornar dolorosos após a palpação ou ingestão
de álcool;
Progressão por contiguidade (escalonada).
Tratamento
O tratamento é feito de acordo com a extensão da doença.
Quimioterapia
Doença localizada: estadio 1 e 2;
Doença avançada: estadio 3 e 4.
Quimioterapia + radioterapia
Doença avançada + Bulk.
Atenção
Efeito terapêutico e toxicidade são dose dependentes.
Doses maiores: aumentam a eficácia e a toxicidade;
34
ABVD Irradiação ionizante
10-15% refratários ao tratamento inicial.
BEACOPP
Comportamento clínico
Complicações infecciosas;
Comportamento heterogêneo
Neoplasias secundárias; Indolentes;
Infertilidade; Agressivos;
Fadiga. Altamente agressivos.
Etiologia
Multifatorial
Agentes infecciosos
Helicobacter pylori;
HTLV1;
EBV.
Marcadores de superfície
Potenciais alvos terapêuticos: ex → anti-CD20.
Imunodeficiência
Primária;
Terapia imunossupressora;
Infecção por HIV;
Desordens autoimunes.
35
Linfomas T/NK Ao diagnóstico
Linfócitos T Estágios avançados: 70-80% entre II e IV;
Produção: medula óssea; Infiltração medular comum: quadro leve de pancitopenia;
Proliferação e maturação: timo. Sintomas B raros.
Neoplasia tímica e pré-tímica: células imaturas com ↑taxa de proliferação. Índices prognósticos
Linfoma linfoblástico T. Grupos de risco - estadiamento
Baixo: 0-1 fatores de risco;
Neoplasia pós tímica: células maduras com ↓taxa de proliferação. Intermediário: 2 fatores de risco;
Grupo heterogêneo; Alto: ≥ 3 fatores de risco.
Linfoma T periféricas. Quanto maior o risco, pior a sobrevida.
1) Linfomas indolentes
Características
Crescimento lento com baixo índice de proliferação
40% de todos os casos;
Sintomatologia frustra: instalação lenta → anos;
Maior incidência: > 60 anos;
Incuráveis;
OBS: MO pos = infiltração de medula óssea.
Nem sempre requer tratamento imediato.
Tratamento
Subtipos mais comuns Depende do estadiamento do paciente
Linfomas foliculares: mais comuns;
Linfomas da zona marginal: MALT, esplênico da zona marginal e no- a) Doença precoce: estadios I e II
dal da zona marginal; Watch and wait: estadio 1;
Linfoma linfoplasmocítico (macroglobuliemia de Waldenstron). Radioterapia: lesões maiores;
Monoterapia com ANTI-CD20.
a) Linfomas foliculares
Características b) Doença avançada
70% de todos os linfomas indolentes Quimioterapia e imunoterapia;
22% de todos os LNH; Quimioterapia: R-CVP → 6 ciclos a cada 21 dias;
Incidência crescente; Imunoterapia: rituximabe → 1x/semana por 4 semanas.
EUA: 24.000 casos novos/ano;
Idade média: 60 anos; c) Manutenção
Levemente mais prevalente nos homens; Para todos os pacientes
Mais prevalente em brancos; Imunoterapia: anti-CD20 → 1 dose por mês a cada 2 anos;
Faz parte das doenças linfoproliferativas crônicas. Diminuição do risco de recidivas.
OBS: A doença é considerada incurável, pois há muitas células em repouso
Quadro clínico (G0) que em algum momento voltam a proliferar e disseminar a doença.
Linfonodomegalia: principal manifestação → conglomerado de linfonodos
(“cachos de uva”), geralmente retroperitoneal. Podem comprimir regiões adja- b) Linfoma MALT
centes. MALT: tecido linfoide associado a mucosa. Mais comum no TGI (estômago).
Periférica;
Assintomática ou oligossintomática: sem sinais flogísticos; Tratamento
Não dolorosa; Erradicação do H. pylori: esquema tríplice → amoxicilina + claritro-
Evolução lenta: anos → paciente muitas vezes não percebe e DX micina + pantoprazol por 14 dias.
só é feito nos estágios mais avançados da doença;
Envolvimento extranodal é comum:
Esplenomegalia: mais comum; 2) Linfomas agressivos
Hepatomegalia; Características
Massa tumoral sólida.
É o grupo mais importante de todos os linfomas, têm maior prevalência.
Qualquer idade, usualmente adultos;
Sintomas B ou constitucionais
Massa de rápido crescimento: ≠ dos linfomas indolentes →
Fases mais avançadas da doença: febre vespertina e diária > 38°C,
evolução da linfonodomegalia é mais rápida (meses);
perda de peso > 10% em 6 meses e sudorese noturna.
Todos os estágios podem ser observados;
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Envolvimento do sangue e medula óssea é incomum. Doença avançada (estadio III/IV): 6 ciclos de R-CHOP.
Tratamento
Quimioterapias agressivas, semelhantes às usadas na LLA.
38
V Gamopatias Monoclonais V
1) Mieloma múltiplo
É a gamopatia mais comum e com maiores repercussões clínicas. Hemograma
Anemia normocrômica e normocítica (75%);
“Rouleaux” (50%);
Características Empilhamento de moedas: hemácias aderidas umas as
Neoplasia maligna caracterizada pela proliferação de plasmócitos outras.
na medula óssea associado ao surgimento de proteína monoclonal Neutropenia e plaquetopenia (doença avançada): não são comuns
sérica e/ou urinária e presença de disfunção em órgãos-alvo; nas fases iniciais, pode ocorrer na fase avançada quando infiltração
Cadeias pesadas: são exclusivamente séricas;
medular é mais extensa.
Cadeias leves: podem ser séricas ou urinárias.
Idade média ao DX: 65 anos → 53% homens. É uma doença de ido-
sos, raro em mais jovens.
OBS: Plasmocitose + proteínas monoclonais causam disfunção em órgãos-alvo,
resultando em quadro clínico bastante típico da doença.
Etiologia
Ainda não bem estabelecida;
Estudos buscam relação com exposição a pesticidas e a agentes
Empilhamento de moedas
infecciosos.
Anemia, fragilidade óssea e insuficiência renal são manifestações comuns do
Epidemiologia mieloma múltiplo.
Incidência 4 casos/100.000 hab;
13% dos casos de neoplasias hematológicas e 1% de todas as neo- Doença óssea
plasias; Rarefação óssea aumenta a fragilidade óssea;
Predomínio discreto nos homens; Lesão em saca bocado: decorrente da reabsorção óssea muito in-
Sobrevida diminui muito com a idade: 70% nos jovens e 25% em tensa. Fragiliza o osso e favorece a ocorrência de fraturas espon-
idosos.
39
tâneas. Ocorre mais comumente nos locais de hematopoese resi- Quando iniciar o tratamento
dual; Mesmo após o DX, só iniciar tratamento em pacientes sintomáticos
Vértebras; com CRAB (pelo menos 1 dos critérios).
Costelas;
Crânio;
Pelve;
Fêmur;
Clavícula.
Doença neurológica
Neuropatia periférica é rara;
Alterações neurológicas na maioria das vezes ocorrem por radicu-
lopatias: desabamento de vértebras e compressão de feixes ner-
vosos. As manifestações clínicas vão depender do feixe acometido;
Complicação mais comum;
Colapso de vértebra;
10% compressão extra medular.
Critérios diagnósticos
Plasmocitose + proteína monoclonal.
Punção paraóssea ou de medula: presença de plasmócitos;
Eletroforese de proteínas: proteína monoclonal sérica/urinária.
40
Outros grupos terapêuticos
Transplante possível: 4 ciclos com 3 drogas + transplante + manutenção;
Transplante inviável: combinação de 2 ou 3 drogas.
Corticoides: dexametasona;
Antracíclicos: doxorrubicina;
Agentes alquilantes: ciclofosfamida;
Estadiamento internacional do mieloma múltiplo (ISS) Inibidores proteasoma: bortozemibe, carfilzomibe e ixazomibe;
Relação com sobrevida; Imunomoduladores: talidomida, lenalidomina e pomalidomida;
Avalia somente 2 variantes: albumina e β2-microglobulina. Anticorpos monoclonais: daratumumabe.
Recidivas
Mesmo após o tratamento, não há um platô da sobrevida;
Múltiplas recidivas: característica importante do mieloma.
2) Plasmocitoma solitário
Características
Tumor de células plasmocitárias localizado no osso: lesão única;
Ausência de lesões líticas;
Medula óssea normal;
Ausência de proteína M.
Citogenética
Critérios diagnósticos
Bom prognóstico
Plasmocitose sem nenhuma outra alteração de mieloma: se preen-
t(11,14);
cher qualquer outro critério é mieloma múltiplo.
Hiperdiploidia.
Mau prognóstico
t(4,14);
t(14,16).
Tratamento
Suporte
Controle das alterações provocadas pela doença:
Uremia: hemodiálise;
Hipercalcemia;
Paraplegia: laminectomia, radioterapia, quimioterapia. Tratamento
Radioterapia;
Doença Em 10 anos: 35% cura, 55% evolui para mieloma múltiplo e 10%
Controle do mieloma em si. tem recaída.
a) Quimioterapia
Curativa: quimioterapia potente + transplante autólogo de medula
3) Gamopatia monoclonal de significado
óssea → mais comum em jovens.. Faz o controle da doença, mas
não cura; indeterminado – GMSI
Paliativa: quimioterapia sem transplante → mais comum em idosos. Características
Ausência de plasmocitose medular ou plasmocitoma (óssea);
b) Bifosfonados (ácido zoledrônico) Sem alterações no hemograma, na função renal e no metabolismo
Capta Ca2+ do sangue e devolve aos ossos; do cálcio;
Reverte hipercalcemia e melhora a fragilidade óssea. Só tem pico monoclonal sérico e/ou urinário;
3% das pessoas > 70 anos.
c) Transplante autólogo: aumenta a sobrevida;
Paciente elegível: quimioterapia + transplante;
Não elegível: só quimioterapia → > 65 anos.
Quadro clínico
Assintomático;
41
Acompanhamento: só se realiza tratamento se e quando houver a
progressão para mieloma múltiplo.
Critérios diagnósticos
42
Série Vermelha e Plaquetária
Marissa Rabelo Tarlá
43
Série Vermelha
Eritropoese Portanto, durante a maturação dos eritrócitos há condensação da cro-
matina e formação da hemoglobina, com aumento da eosinofilia do citoplasma.
Eritropoetina: hormônio produzido nos rins. Age na célula tronco da medula
óssea e estimula o processo de diferenciação celular.
Reticulócitos x eritrócitos maduros
Célula tronco;
Maturação da circulação periférica: 24 horas (reticulócito → eritroblasto).
Eritroblasto: primeiro precursor, presença da proteína glicoforina
Reticulócito: maior volume e presença de organelas (azul da Prússia);
na membrana → proteína que marca que a célula está comprome-
Correspondem a 0,5%-1% das células circulantes: 35-
tida a série vermelha;
110 milhões de células.
Múltiplas mitoses na medula: 1 célula pode originar até
Hemácia: sem organelas.
1000 células iguais;
Nesse processo as células amadurecem e formam he-
moglobina. Isso ocorre em ≈ 6 dias; Estrutura do eritrócito
As células perdem o núcleo e formam os reticulócitos, Disco bicôncavo, deformável;
que são liberados na circulação. Essa forma jovem possui Alterações na forma e dimensões: DDX das anemias;
características diferentes da hemácia; Vida média: 120 dias.
Na circulação os reticulócitos perdem organelas e for-
mam os eritrócitos, que têm meia vida de ≈ 120 dias e Composição da hemoglobina
têm como função carrear 02. Hemácias → formadas somente por hemoglobina: sem núcleo e organelas.
Reticulócito: marcador de produção da série vermelha. Tetrâmero: 2 pares de cadeias polipeptídicas;
2 cadeias α;
2 cadeias não α: β, γ ou δ.
A composição varia com idade:
Adultos: 2 cadeias α + 2 cadeias não α (mais comumen-
te cadeia β, mas também γ ou δ). O que difere essas
cadeias é a capacidade de liberar oxigênio;
o HbA: α2β2 → mais comum.
Ilhas de eritoblastos
o HbA2: α2δ2 → produção basal mínima;
Agrupamento de células vermelhas em diversas fases de matura-
o HbF: α2γ2 → hemoglobina fetal (intraútero).
ção no centro da medula;
Entremeadas por macrófagos: fagocitam os núcleos perdidos no Formato bicôncavo: na região central não há nenhuma proteína, o
processo de maturação celular. que confere esse formato as hemácias.
OBS: HbA e HbA2 têm a mesma capacidade de liberação de 02, já a HbF tem
Precursores da série vermelha liberação mais rápido de 02, sendo inviável, pois não leva O2 para extremidades
Proeritroblasto basófilo: mais imaturo → núcleo grande, cromatina do organismo.
frouxa, basofilia citoplasmática; Portanto, as formas mais comuns no adulto são HbA e HbA2.
Eritroblasto policromatófilo: condensação do núcleo e da cromatina,
formação de hemoglobina; Transporte de O2
Reação de oxirredução do ferro: liga ou desliga o 02;
Eritroblasto ortocromático: núcleo picnótico e eosinofilia citoplasmá-
Baixa tensão: liberação de O2;
tica. Ao final do processo núcleo será expulso, formando o reticu-
Alta tensão: retenção de O2.
lócito;
À medida que se diminui a capacidade de oxirredução do ferro a
Reticulócito: célula anucleada que é liberada na circulação e após 24
horas forma as hemácias (eritrócitos maduros). célula envelhece.
44
Metabolismo das hemácias Como quem transporta 02 é a hemoglobina contida nos eritrócitos,
a maior parte das anemias cursa com ↓ Hb e/ou↓ eritrócitos.
Única célula do organismo com metabolismo exclusivamente anaeróbio para
produção de ATP. O ATP é importante para:
Manutenção da Hb na forma de tetrâmero; Observação – Metahemoglobinas
Manutenção de ferro na forma férrica; Exceção: anemia em que há número normal de eritrócitos, mas in-
Manutenção das bombas de Na/K: equilíbrio da osmolaridade inter- capacidade de transportar O2;
na de acordo com o meio; Isso ocorre devido a mudança de conformação do grupo
Manutenção das proteínas de sua estrutura funcionantes. heme: fica voltado para dentro do citoplasma, impedindo
É anaeróbio, pois não faria sentido uma célula que transporta 02 consumi- a captação de O2.
lo no meio do caminho → transportador ineficiente. OBS: Por isso que a definição é incapacidade de transporte de O2, não redução
no número de hemácias.
Metabolismo anaeróbio
Via glicolítica Sintomas gerais de anemia
1 glicose forma 2 ATPs; Sintomas relacionados a desoxigenação dos tecidos:
Enzima 2,3 ou 6 DPG (fosfodesidrogenase) : é a enzima que marca Cansaço, fadiga, palpitações, dor em MMII, dispneia progressiva;
a sobrevida celular → quanto menor a quantidade da enzima, me- Pobre relação entre os níveis de Hb e a gravidade dos sintomas:
nor a capacidade de produzir ATP e consequentemente, menor depende de vários fatores, portanto trata-se o paciente, não o
função celular (menor transporte de 02 e incapacidade de manter exame;
o ferro na forma oxidada). Idade do paciente;
o Jovens: menos sintomas;
Sistema retículo-endotelial – Catabolismo das hemácias no baço o Idosos: mais sintomas.
Macrófagos do boço: principais responsáveis pela retirada das cé- Tempo de instalação;
lulas vermelhas da circulação → após atingir a meia vida hemácias o Agudo: mais sintomáticas;
se tornam maiores e mais rígidas, perdendo sua conformação e o Crônico: menos sintomáticas → presença de
função; mecanismos compensatórios;
Baço: ↑ trabalho cardíaco: maior volume
Polpa vermelha: filtração do sangue → retirada de he- de sangue ejetado em cada sístole
mácias, neutrófilos, plaquetas, imunocomplexos e outras e ↑ FC;
células da circulação através do cordão de Billroth; ↓ circulação periférica: impede a
Polpa branca: linfócitos de memória → memória imuno- circulação para pele, músculos e
lógica. mucosas (risco de hipóxia dos teci-
dos), mantendo a circulação cen-
Catabolismo heme tral, para órgãos vitais (coração,
Degradação de proteínas: reaproveitadas na forma de homocisteí- pulmões, cérebro).
na; Função cardíaca;
Metabolização do anel porfírico: grupo heme é clivado e libera bilir- o Boa função: menos sintomas;
rubinas; o Má função: mais sintomas → incapacidade de
Bilirrubina indireta: corresponde a quantidade de grupo exercer mecanismo compensatório. Cardiopa-
heme catabolizada → marcador do catabolismo da célula tas têm sintomas de anemia muito mais ex-
vermelha; pressivos do que pessoas com coração saudá-
Bilirrubina direta: bilirrubina indireta é captada por colan- vel.
geócitos no fígado, onde é transformada em bilirrubina
direta.
Ferro: é liberado pelos macrófagos e volta a circulação, carreado
pela transferrina. Será utilizado na produção de novas células ver-
melhas.
Anemias
Definição
Redução na capacidade de transportar oxigênio pelo sangue;
45
Sistema cardiovascular Hemoglobina (g/dl);
Os principais sintomas são relacionados ao sistema cardiovascular. Hematócrito (%): % ocupada pelas células vermelhas no mm3.
Com a anemia e ativação dos mecanismos compensatórios o cora- Plasma: 45%;
ção aumenta seu trabalho: aumento das fibras musculares e dis- Glóbulos brancos e plaquetas: 1%;
funções, como sopro sistólico de ejeção, aumento de área cardíaca, Glóbulos vermelhos: 44%.
hipertrofia ventricular, IC e “cor anemicus”;
Portanto, mesmo em pacientes saudáveis e jovens a anemia pode Homens Mulheres
precipitar um quadro de insuficiência cardíaca: cor anemicus → IC Eritrócitos (106/mm3) 4,3-5,9 3,5-5
secundária a anemia, por falência dos mecanismos compensatórios. Hemoglobina (g/dl) 12-15 12-15
Hematócrito (%) 39-49 33-43
Reticulócitos (%) 0,5-1,5
Sistema vascular
VCM (μm3) 76-100
Sintomas decorrentes do mecanismo compensatório de fechamen-
HCM (pg) 27-33
to da circulação periférica;
CHCM (g/dl) 33-37
Diminuição da oxigenação periférica: ↓ tempo de enchimento ca-
RDW 11,5-14,5
pilar, úlceras de estase, dermatite ocre.
OBS: Hematócrito pode expressar o nível de hidratação do sangue, tem que
Sistema nervoso central ser compatível com número de Hb. Hb = 12 gera hematócrito entre 34-36
Hipoperfusão leva a hipoatividade.
→ Regra: (hemoglobina x 3) ± 2.
Hb 12 com Ht 33: muito líquido, pouca célula → hemodiluição;
Sistema gastrointestinal
Hb 12 com Ht 40: pouco líquido, muita célula → hemoconcentração.
Anorexia e náuseas;
Indigestão crônica: mucosas menos irrigadas fazem com que ali-
Outros indicadores
mentos demorem mais a serem digeridos e absorvidos. Bolo alimen-
Contagem de reticulócitos (%);
tar começa a fermentar e paciente sente náuseas e fica coma a-
Volume corpuscular médio (VCM) (μm3): 76-100;
norexia (pela menor absorção).
Portanto, os sintomas são muito genéricos, avaliar paciente como um todo. < 76: microcíticas → células pequenas;
76-100: normocíticas;
> 100: macrocíticas.
Hemograma
Níveis normais de Hb Ht
𝑉𝐶𝑀 = 𝑥 10
Pode oscilar 1 ponto acima ou abaixo, a depender da população: Eritrócitos
Mulher: 12 g/dl;
Homens: 13 g/dl. Hemoglobina corpuscular média (HCM) (pg): peso da Hb dentro da
célula;
Quanto menos Hb ou menos ferro:
Variações nos níveis de hemoglobina
o Menor o HCM;
Sexo
o Menor a coloração: hipocrômica.
Homens: têm mais Hb que as mulheres, pois a testosterona poten-
Não existe células hipercrômicas: não tem como ter mais
cializa a ação da eritropoetina, favorecendo a eritropoese. Por isso
crianças do sexo masculino que ainda não produzem testosterona Hb, ou se tem menos ou a quantidade normal.
têm níveis de Hb femininos, assim como idosos, que têm queda na
Hb
produção de testosterona (andropausa); 𝐻𝐶𝑀 = 𝑥 10
Mulheres: sem variação. Na gestação excesso de progesterona ini- Eritrócitos
be eritropoese.
Índice de anisocitose: diferença dos tamanhos e da coloração das células.
Varia de 1 a 4 cruzes. Se 4/4+ indica células de tamanhos muito diferentes
Raça
Brancos: Hb mais alta;
Negros: Hb mais baixa. Concentração da hemoglobina corpuscular média (CHCM) (g/dl): dis-
tribuição da Hb na célula → índice pouco usado. A única condição
Altitude médica que pode alterar esse índice é a esferocitose;
Maior altitude: maior Hb; Variação do tamanho dos eritrócitos (RDW): mostra variação do ta-
Menor altitude (mais próximo ao mar): menor Hb. manho ou forma celular → normal até 14,5%;
Elevado: maior o número de células estranhas circulan-
Idade tes.
Quanto maior a idade, menor os níveis de Hb.
Índice de poiquilocitose: está relacionado com as formas das células. Varia de
1 a 4 cruzes
Avaliação da série vermelha
3 indicadores principais:
Contagem de eritrócitos (106/mm3);
46
Tipos de anemias
O que diferencia os grupos é a contagem de reticulócitos.
Reticulopênicas/hipoproliferativas: defeitos na produção da série
vermelha;
Reticulócitos baixos: déficit na produção → reticulopenia.
Hemolíticas: retirada precoce de células vermelhas da circulação.
Reticulócitos altos: aumento compensatório → reticulo-
se.
47
Anemias Hipoproliferativas
Introdução
Anemias devido a diminuição da eritropoese
A contagem de reticulócitos não vai estar zero, mas no limite infe-
rior ou próximo a ele (0,5%);
Esse conjunto de anemias é caracterizado por reticulopenia.
48
Etiologias
a) Deficiência de cobalamina (B12)
Causa mais comum;
Fontes de B12: alimentos de origem animal (frango, peixe, carne
vermelha, ovos e leite) → atenção aos veganos.
Dieta deficiente;
Vegetarianos: ingerem ovos e leite, podem ter anemia
megaloblástica, mas risco é menor;
Veganos: não ingerem nenhum alimento de origem animal,
bastante atenção a anemia megaloblástica. Esses paci-
entes tendem a ter deficiência de B12, que por ser vita-
mina hidrossolúvel, tem pouca reserva no organismo.
Comprometimento de absorção: apesar de ser hidrossolúvel, não é Anemia perniciosa
facilmente absorvida. Necessário célula parietal competente, que É um tipo de gastrite atrófica autoimune (autoanticorpo que destrói célu-
libere pepsina para a quebra de proteínas dos alimentos, a fim de las parietais).
que haja liberação de B12 no lúmen do estômago. A B12 precisa ser Falha na secreção de fator intrínseco pela mucosa gástrica;
ligada ao fator intrínseco anti-anêmico (produzido pela célula parie- Doença autoimune, com destruição das células secretoras de ácido
tal), formando complexo fator intrínseco – B12. Esse complexo tem e pepsina do estômago;
receptor específico no íleo. Ao se ligar ao receptor há endocitose Predisposição hereditária: mais comum em homens, 5-6ª décadas;
do complexo, que é separado. A vitamina B12 então poderá ser Atrofia gástrica e acloridria, 2x maior risco de câncer gástrico.
transportada por uma proteína plasmática chamada transcoba-
lamina. O tecido que mais consome B12 é a medula óssea, uma re- Achados clínicos
serva mínima é mantida no fígado. Os principais problemas associa- Sintomas da anemia + anormalidades neurológicas (B12 é usada na
dos à deficiência na absorção de B12 são: produção de mielina → falta resulta em desmielinização inicial de
Gastrectomia: cirurgias bariátricas;
axônios longos, com fibras de sensibilidade);
Gastrite atrófica: por refluxo de bile, uso crônico de IBP
Distúrbio neurológico: irreversível, há desmielinização do cordão
(deficiência absortiva crônica), anemia perniciosa.
posterior e lateral da medula espinhal (fibras de sensibilidade),
causando discinesia ascendente → parestesias dos dedos e arte-
lhos, se não tratado evolui para ataxia espástica;
Pode ocorrer demência ou estado psicótico.
OBS: Idosos têm maior chance de ter anemia macrocítica por deficiência de
B12, pois há déficit disabsortivo crônico devido ao envelhecimento. Muitas ve-
zes se repõe B12 em idosos, mesmo na ausência de déficit.
Laboratório
Níveis reduzidos de cobalamina sérica: < 300 → nem sempre ocor-
re;
Hiperhomocisteinemia: se falta B12, homocisteína não é convertida
em metionina e aumenta. É útil tanto no DX de déficit crônico de
B12 quanto para acompanhamento do TTO (homocisteína tem que
normalizar);
Estado de má absorção: doenças do intestino → diarreias, com Aumento de ácido metilmalônico: substrato entre a homocisteína e
desabsorção crônica e deficiência de múltiplos nutrientes. Não se a metionina. Não é um exame usado rotineiramente, mais usado
tem anemia megaloblástica pura (não falta só B12, mas também quando se desconfia de problema na enzima tetrahidrofolato redu-
Ca2+ e outros eletrólitos); tase;
Aumento do consumo de B12: crescimento, gestação, hipertireoidis- Teste de Schilling: determina a absorção de cobalamina, medindo-se
mo, câncer. a radioatividade urinária após ingesta de dose de cobalamina radio-
Crianças devem ter dieta animal até pelo menos 12 anos: ativa;
B12 é importante para formação de mielina e cresci- Ingestão de B12 com radioisótopos;
mento. Crainças não devem ser criadas na dieta vegeta- Contagem de B12 marcada na urina;
riana; Teste positivo: sem problemas no metabolismo de B12;
Câncer: mais mitoses, maior consumo de B12 → anemia Teste negativo: problemas no metabolismo de B12 →
megaloblástica pode ser secundária a câncer. Importân- fator intrínseco, transcobalamina, etc.
cia da anmense;
Hipertireoidismo: estado hipermetabólico, mais mitoses. Tratamento
Repor B12: VO se déficit de crescimento e IM se déficit absortivo.
49
b) Deficiência de folato Laboratório
Fisiopatologia Dosagem de ácido fólico sérico: dificilmente vai estar baixo → mais
Tetrahidrofolato (ácido fólico) é o doador de elétrons para a forma- útil nos casos de uso de anticonvulsivantes e aumento das neces-
ção de bases nitrogenadas, sai da reação como di-hidrofolato; sidades.
Folato (B9): vitamina hidrossolúvel;
Fontes: verduras de folhas escuras, cereais e leveduras → é difícil
ter deficiência de folato devido a déficit alimentar. Casos clínicos
Caso 1
Homem, 60 anos, com história de cansaço, fadiga, palpitação. Ao exame físico
descorado, subictérico, edema de MMII, taquicardia, sem sopros e sem sinais
de congestão pulmonar.
50
Hemograma alguns dias após início do tratamento
Caso 2 Reposição de B12 intramuscular: Hb subiu um pouco, VCM normalizou, RDW
Mulher, síndrome de Down, adolescente, pálida e hipoativa. Alimentação difícil aumentou porque começou a aparecer células normais;
e dificuldade de mastigação. Leucócitos aumentaram um pouco;
Plaquetas são as últimas a recuperar;
Aumento dos reticulócitos mostra melhora da paciente.
OBS: Só se transfunde pacientes com sinais de hipo-oxigenação → síncope,
insuficiência vascular periférica, claudicação, sinais de IC ou sinais de isquemia.
Hemograma evidencia:
Eritrócitos baixos;
Hb baixa;
Hematócrito baixo;
VCM aumentado: macrocítica;
HCM pouco aumentado: normocrômica;
RDW aumentado: amplitude aumentada.
Leucograma evidencia:
Neutropenia.
Anemias microcíticas (VCM < 75)
Plaquetopenia. Ou < 80 (referência americana).
Ferrocinética
Alimentação: 8-15 mg/dia;
Absorção: 1-2 mg/dia;
35-45 mg de ferro/kg;
Fe3+ (férrico): insolúvel → depende do pH;
2/3: hemoglobina → 2/3 do ferro está em forma de Hb;
10%: citocromo-pigmentos;
25%: ferritina/hemossiderina;
1 gHb: 3,4 mg ferro;
1 mg ferritina plasmática: 10 mg ferritina hepática.
O grande depósito de ferro está no sangue. À medida que as células san-
guíneas são destruídas no sistema retículo-endotelial o ferro é liberado, trans-
portado pela transferrina e usado para a produção de mais células. Lúmen intestinal
2 tipos de ferro alimentar:
Regulação da absorção de ferro Ferroso (Fe2+): grupo heme → presente no sangue, carne;
No fundo do intestino, nas criptas intestinais, há células tronco, que se Atravessa a membrana passivamente;
multiplicam e originam novas células. À medida que amadurecem, ascendem, Auxilia no metabolismo do enterócito;
até chegar nas vilosidades intestinais, onde se tornam células capazes de rea- É ou não transportado para a circulação;
lizar absorção. Um marcador desse amadurecimento é o ferro (ferro está o ↓ hepcidina: ↑ ligação a portoferrina ↑
presente nas células das vilosidades, mas não está presente nas células das absorção de ferro;
criptas). Os enterócitos possuem: o ↑ hepcidina: ↓ ligação à portoferrina ↓
Porção apical: entrada de ferro; absorção de ferro.
52
Férrico (Fe3+): ferro não heme → presente nas verduras;
Se liga a mucina secretada pelas glândulas salivares;
Complexo mucina-ferro se liga ao receptor DMT1 da
borda em escova do enterócito;
Só há absorção do ferro férrico se o enterócito não
estiver saturado de ferro: só é absorvido na carência
de ferro ferroso.
O ferro ferroso pode se transformar em férrico e vice-versa:
essa transformação depende do pH;
Mais ácido: favorece ferro ferroso (Fe2+) → o melhor
local para absorção de ferro é a 1ª e 2ª porção do duo-
deno (saída do estômago), quando o bolo alimentar está
ácido. À medida que se avança pelo TGI há a liberação de
bile e de suco pancreático, levando a alcalinização do lú-
men, o que dificulta a absorção → ferro ferroso vai se
tornando férrico;
Mais básico: favorece ferro férrico (Fe3+).
OBS: Síndrome de Sjogren prejudica absorção de ferro, pela menor quantida- O grande regulador do nosso estoque de ferro é o fígado, através da hepcidina pro-
de de mucina. duzida pelos hepatócitos. No fígado há depósito de ferro na forma de ferritina, que
Portanto, o enterócito tem predileção a absorção de ferro ferroso (Fe2+). em adultos oscila entre 20-300 mg em mulheres e 30-350 mg em homens. É
A absorção de ferro férrico (Fe3+) só ocorre quando há carência na absorção possível estocar até 500 mg de ferro no fígado. A hepcidina tem ação direta sobre
de ferro ferroso (Fe2+). a portoferrina (FPN) dos enterócitos. Quando o estoque de ferro está alto, a
hepcidina cliva a portoferrina e impede a absorção de ferro. Se o estoque de ferro
está baixo, há a diminuição da hepcidina, a portoferrina não é clivada e o ferro se
liga a transferrina, sendo absorvido e transportado na circulação. O principal
captador de ferro é a medula óssea (série vermelha). A degradação das hemácias
senis pelo sistema retículo-endotelial libera ferro, que será reaproveitado para a
produção de mais células vermelhas. O macrófago do sistema retículo-endotelial
também possui portoferrina, mas esta é bem menos sensível a ação da hepcidina.
Nesse caso, são necessárias quantidades muito grandes de hepcidina para clivagem
da portoferrina e retenção de ferro dentro dos macrófagos (esse é o mecanismo
que acontece em anemias inflamatórias). Em situações normais, o macrófago não
retém ferro
Classificação
1) Deficiência fisiológica
Deficiência de ferro é esperada em algumas situações:
Infância: primeiros 3 anos → ferropenia é esperada, criança está
triplicando o peso corporal e aumentando muito rapidamente a mas-
sa corpórea (até 70% das crianças até os 3 anos de idade têm
deficiência de ferro);
Final da adolescência (estirão do crescimento): aumento do GH e
crescimento rápido, resultando em ferropenia. É ainda mais eviden-
te nas meninas, nas quais ainda há perda de ferro com a menstrua-
Portanto, o metabolismo para absorção de ferro nos adultos é fechado. O nosso ção;
grande depósito de ferro são os eritrócitos. À medida que essas células são Perdas menstruais: balanço negativo de ferro, não consegue com-
catabolizadas pelo sistema retículo-endotelial (RES) o ferro é liberado na circulação e pensar as perdas. Ferropenia mais evidente a partir dos 40 anos;
é captado pela transferrina, que faz com que o ferro seja reutilizado para a
Gravidez (2-3° trimestres): principalmente multíparas, no 2° e 3°
produção de mais precursores eritroides. Quando há perda de massa eritrocitária,
pode-se dispor do depósito de ferro hepático. Pode-se ter um aumento discreto de trimestres começam a ter ferropenia, pois têm que dividir o esto-
ferro devido a absorção intestinal que de ferro com o feto;
Doadores frequentes de sangue.
53
Portanto, deficiência fisiológica ocorre em períodos da vida com cresci- Inibidores: deixam meio alcalino → polifenóis, fitatos, fibras, cálcio
mento acelerado (infância, adolescência e gravidez) ou períodos de sobrecarga e gorduras. São quelantes de ferro.
fisiológica (menstruação). OBS: Reposição de ferro deve ser feita preferencialmente fora do período
Absorção de ferro regulada pela quantidade de calorias e pela quali- alimentar, pois muitos alimentos são quelantes de ferro, inibem sua absorção.
dade do alimento; Tomar ácidos, como suco de laranja ou refrigerante, ajuda na absorção.
Determinante: condições econômicas e sociais.
OBS: A principal fonte de ferro de lactente/RN é o leite materno. O leite
materno transporta ferro porque possui a proteína lactoferrina. Por isso o
Clínica
aleitamento materno é tão importante até os 6 meses de idade. A partir daí, Atrofia da mucosa TGI: desde a cavidade oral até o ânus;
com a introdução alimentar, o ferro passa a ser obtido também através da Má absorção: não se sabe se a má absorção é decorrente da atro-
alimentação. Além disso, lembrar que crianças não devem ter dieta exclusiva- fia da mucosa ou vice-versa. Em situações em que há muita atrofia
mente vegetariana, pois a absorção de ferro férrico é deficiente em huma- de mucosa a reposição VO não é indicada, pois a absorção será pe-
nos. quena;
Síndrome Plummer-Vinson: atrofia da mucosa esofágica → sensa-
Ambiental ção de alimento retido no esôfago. Gera disfagia, e à endoscopia, é
Baixa ingestão de ferro: < 8 mg/dia; possível visualizar pseudomembranas;
Mal nutrição; Pica/piacismo: perversão alimentar → desejo de comer coisas atí-
Veganos e vegetarianos. picas (macarrão cru, arroz cru, tijolo, terra, etc);
Coiloníquia: atrofia do leito ungueal → linhas verticais, com escava-
2) Deficiência patológica ções nas unhas, que ficam fracas e quebradiças;
Problemas absortivos: principalmente quando há alcalinidade no es- Queilite: atrofia na mucosa dos lábios (fissura no canto da boca);
tômago (↑ ferro férrico ↓ ferro ferroso) → gastrite atrófica, Alopécia: folículo piloso hipo-irrigado e necessidade do ferro para
gastrectomia, by-pass, cirurgias bariátricas; formação do cabelo;
Perdas crônicas de sangue: primeiro sinal clínico de doença intesti- Atrofia na língua;
nal é anemia ferropriva; Obesidade mórbida/apetite perverso.
CA de intestino: primeiro sinal é ferropenia;
Outros: esofagite, gastrite, úlcera péptica, diverticulite, Hemograma
DII (doença celíaca), tumores benignos, angiodisplasia, he-
Anemia hipocrômica;
morroida e casas obscuras.
Microcítica: VCM < 75.
Associada ao uso de drogas: AINES (inibem as prostaglandinas e as
prostaciclinas, aumentando o risco de hemorragias) e corticoides;
Genéticas: problema na transferrina → sem resposta a reposição
de ferro (IRIDA).
OBS: Pode haver deficiência de ferro e de B12, é muito comum em pacientes
obesos com cirurgia bariátrica. As células ficam macrocíticas (problema maior
é B12) ou normocíticas e hipocrômicas (problema maior é ferro) → anemia
megaloblástica + anemia ferropriva.
55
Portanto, paciente com anemia ferropriva fisiológica. Lembrar de SEMPRE in-
vestigar o TGI dos pacientes com anemia ferropriva.
Caso 2
Mulher, 40 anos, encaminhada para investigação de anemia, pouco sintomá-
tica.
56
o ↑ hepcidina ↑ degradação da portoferrina Reposição de ferro: avaliar caso a caso → na maioria dos casos
↓ absorção de ferro; não repõe, pois metabolismo está alterado. Portoferrina vai estar
o Ação antibacteriana: bactérias também pre- clivada pela hepcidina e o ferro não vai ser absorvido;
cisam de ferro para seu metabolismo. Como a Administração de eritropoetina: somente se doença renal associa-
hepcidina reduz absorção de ferro, há redu- da;
ção dos níveis séricos e menor proliferação Transfusão de hemácias: menor produção da série vermelha devido
bacteriana. ao desvio da produção para leucócitos na medula óssea. Dar se si-
Na inflamação há clivagem da portoferrina dos enteró- nais de hipoxogenação.
citos e dos macrófagos, portanto há estoque de ferro
tanto dentro dos enterócitos quanto dos macrófagos:
↓ ferro na circulação e ↑ ferritina (pelo aumento dos
b) Anemia da insuficiência renal
estoques de ferro e pela inflamação). Características
Os rins produzem eritropoetina, logo um dos primeiros sinais de insufici-
ência renal é anemia normocrômica e normocítica. DX pode ser feito pela do-
Regulação da hepcidina
sagem de eritropoetina e ClCr.
Aumento de ferro: ↑ hepcidina;
Produção diminuída de eritropoetina;
Inflamação: ↑ hepcidina;
Hidremia: hemodiluição, acúmulo de líquidos no plasma;
Eritropoese aumentada: ↓ hepcidina;
Uremia: lise mecânica das células → acúmulo de ureia causa hemó-
Anemia e hipóxia: ↓ hepcidina.
lise;
Pacientes com doença renal em diálise:
Laboratório Deficiência de ferro: perda de sangue durante a diálise;
Perda de ácido fólico nos procedimentos dialíticos.
Anemia de doença inflamatória simples/doença crônica
Ferro sérico baixo;
Saturação de transferrina baixa ou normal (limite inferior); Tratamento
Ferritina alta: ↑ inflamação e ↑ depósito; Reposição de eritropoetina: 50-100 U/Kg 3x/semana;
Suplementação de ferro e ácido fólico;
Hb baixa;
Se ausência de resposta a eritropoetina: deficiência de ferro, toxi-
HCM e VCM normais: anemia normocrômica-normocítica.
cidade do alumínio ou fibrose medular secundária ao hiperparatireoi-
dismo;
Anemia de doença crônica prolongada ou com deficiência de ferro
Tratamento com androgênios: nandralona 100-200 mg IM a cada
Ferro sérico baixo;
6 meses.
Saturação de transferrina baixa ou normal (limite inferior);
Se não houver resposta a eritropoetina primeira a coisa a se pensar é
Ferritina não alta;
em deficiência de ferro, pois se não tem estoque de ferro não adianta dar
Hb baixa;
eritropoetina.
HCM e VCM baixos.
O que distingue os 2 tipos de anemia é a ferritina e o HCM e VCM. Ferri-
tina baixa é considerada < 20. c) Anemia de doenças endócrinas
OBS: Pacientes hepatopatas → falência da hepcidina e acúmulo de ferro nos O hormônio tireoidiano e a testosterona potencializam a ação da eritropoe-
depósitos (piora doença hepática). Necessário realizar sangria. tina. Deficiências nesses hormônios causam quadro leve de anemia normocítica
e normocrômica.
Disfunção tireoidiana: hipotireoidismo → sempre que se tem ane-
mia investigar função tireoidiana (TSH);
Disfunção gonadal: hipogonadismo;
Meninos pré-púberes e > 60 anos têm déficit de testos-
terona e valores do hemograma serão iguais aos femini-
nos;
Cuidado com medicamentos inibidores de testosterona:
finasterida e medicamentos para HPB → homens em
uso dessas drogas também terão hemograma feminino.
Não repor testosterona se HPB (aumenta a próstata).
d) Anemia da gravidez
Gestante ter anemia é regra, não exceção. A progesterona é um hormônio
inibidor da eritropoese. Além disso, há hemodiluição.
Tratamento Agravada pelas deficiências de ferro e ácido fólico;
Necessário reduzir a inflamação: normalização da hepcidina. Anemia ocorre por volta da oitava semana, progredindo lentamente
Tratar doença de base; até 34 semanas. No último trimestre Hb é ≈ 10 g/dl;
57
Anemia hidremia: volume do plasma aumenta ≈ 30%;
Hematócrito não é proporcional a Hb: queda maior;
Ht = (Hb x 3) ± 2 → queda do Ht não é proporcional a
queda da Hb pela hemodiluição.
Leucocitose: > 10.000 → a custas de granulócitos (não é infecção);
Normalmente não há alteração plaquetária.
OBS: Durante a gestação há queda de 20-30% dos valores de Hb e hemató-
crito. Cuidado com mulheres que já iniciam a gestação com Hb baixa. A partir
da 24ª semana é comum haver queda da Hb.
Para oxigenar a placenta é necessário 7 g/dl de Hb. Cuidado com Hb < 7
g/dl, pois pode haver sofrimento fetal.
Atenção
Em toda gestante deve-se suplementar ácido fólico;
Reposição de ferro deve ser avaliada caso a caso;
Não é necessário repor B12: obtém através da alimentação.
58
Paciente com doença renal preexistente
Cl Cr elevado
Ureia e creatinina elevadas
Retenção de K+
59
Anemias Hemolíticas Hereditárias
Retirada ocorre por fagocitose;
Introdução Hiperbilirrubinemia: aumento de bilirrubina indireta (↑ bi-
Grupos de anemia em que a produção da medula óssea está normal,
le). Se > 3 g/dl manifesta icterícia. Aumento contínuo le-
mas o meio está impróprio. As células sobrevivem por menos tempo
va a formação de pedras de vesícula;
na circulação sanguínea;
Esplenomegalia: hemólise prolongada (anemia hemolítica
Hemólise: redução do tempo de sobrevida dos eritrócitos;
crônica) aumenta a capacidade de fagocitose do baço,
Consequências:
que aumenta de volume.
Acúmulo de produtos do catabolismo da Hb: pela maior
retirara de células da circulação → ↑ bilirrubina indire-
2) Hemólise intravascular: ocorre dentro do vaso. Células em meio inapropri-
ta, que clinicamente pode ser percebido com a formação ado rompem dentro dos vasos
de cálculos na vesícula (colelitíase). Portanto, pacientes Hemoglobinemia: quando a hemólise ocorre dentro dos vasos não
com anemia hemolítica crônica tendem a ter colelitíase. dá tempo de liberar bilirrubina. A principal característica será a li-
Se aumento de bilirrubina > 3 g/dl o paciente terá ic- beração da Hb livre no plasma;
terícia. Portanto, colelitíase não é secundária a problema Hemoglobinúria: Hb precisa ser metabolizada, pois é tóxica para os
hepático, é resultante do aumento da bile. Ao catabolizar rins e acumula nos túbulos renais. Se está em excesso no organis-
mais Hb, o macrófago libera mais ferro (hemossiderose). mo, é filtrada nos rins e liberada na urina. A hemoglobinúria é a ex-
Aumento da eritropoese medular: tentativa de compen- pressão clínica da hemólise intravascular;
sação pela retirada precoce de células vermelhas da cir- Redução nos níveis de haptoglobina: haptoglobina é uma globulina
culação; quelante de Hb. Para a hemólise intravascular diária, sem anemia
Reticulose no sangue periférico; hemolítica, não há filtração de Hb nos rins e liberação na urina, pois
Alterações ósseas: anemias hemolíticas inten- a haptoglobina se liga a Hb e esse complexo haptoglobina-Hb é fago-
sas durante as fases de crescimento (infân- citado no SRE. A Hb será metabolizada e transformada em bilirrubi-
cia) podem levar a alterações na medula óssea na e bile;
culminando com alterações ósseas. Ossos se- Níveis de haptoglobina são determinados pelo nível de a-
rão pouco mineralizados e formados basica- tividade física realizado por cada indivíduo;
mente por medula (ossos medulares). À medida em que se aumenta o condicionamento físico,
OBS: Nem sempre a expressão clínica de anemia hemolítica será anemia, pois aumenta-se a haptoglobina.
se há retirada precoce de um lado e aumento da eritropoese de outro, pode- OBS: Normalmente se tem um pouco de hemólise intravascular, que ocorre
se equilibrar a massa eritrocitária, de forma que nem sempre haverá anemia. por trauma mecânico das células vermelhas, principalmente na musculatura.
Principalmente nas doenças hereditárias, isso é comum. Nesses casos, as ma- Assim, caminhadas ou exercícios físicos extenuantes podem levar a hemólise
nifestações mais comuns serão colelitíase, reticulocitose, hemossiderose, etc. intravascular.
Hemossiderose: está associada tanto com o aumento do catabolismo de
Hb, quanto com o aumento da eritropoese medular (↑ fator eritroide ↓
Malária
hepcidina e ↑ absorção de ferro). Portanto, nas anemias hemolíticas existe
Principal exemplo de hemólise intravascular;
uma tendência em acumular ferro. Plasmodium usa células vermelhas para produção de novos para-
sitas;
Ruptura maciça de hemácias libera grande quantidade de Hb;
Hemólise aguda: causa anemia e hemoglobinúria, levando a lesão re-
nal (LRA). Além disso, a Hb circulando no plasma age como fator te-
cidual, pode ativar a coagulação pela ligação ao fator VII. Assim, Hb
livre também pode levar a coagulação intravascular.
Malária grave: anemia, LRA e coagulação intravascular.
60
Barreiras na circulação icterícia fisiológica do RN. Se há genes que levam a problemas em
Também podem levar a hemólise intravascular: coagulação intravas- algum dos componentes das hemácias, esse período de troca é
cular, púrpura trombótica, válvulas mecânicas, válvulas cardíacas prolongado e a icterícia ocorre por mais tempo;
com estenose grave. Esplenomegalia: todo paciente com hemólise extravascular crônica
tem aumento do baço;
Observação – Hemoglobinúria da marcha Colelitíase: cálculos de vesícula pelo aumento de bilirrubina indireta;
Pessoa sedentária decide fazer caminhada de longa distância; Hemossiderose: acúmulo de ferro durante a vida → maior produção
Pessoa sedentária tem pouca haptoglobina; (↑ fator eritroide circulando) e maior acúmulo em macrófagos (ca-
Atividade física intensa leva a hemólise maciça, com muita liberação tabolização do grupo heme);
de Hb, mas haptoglobina insuficiente; Crises hemolíticas ou aplásticas: crises agudas de hemólise, com ic-
Pode haver, portanto, hemoglobinúria relacionada a atividade física. terícia e anemia. Isso ocorre em situações em que há menor produ-
ção de eritrócitos, principalmente nas inflamações;
↑ produção ↑ consumo de ácido fólico ↑ produção
de B12;
Se infecção há redução abrupta da eritropoese, com
desvio para a produção de leucócitos;
Aumento da hemólise devido a inflamação;
A crise aplástica ocorre principalmente associada à de-
generação megaloblástica: ↑ eritropoese consome mais
ácido fólico, causando crise megaloblástica. Em algumas
situações anemias megaloblásticas podem esconder qua-
dro hemolítico.
Anemia: paciente ictérico, anêmico, com colelitíase, esplenomegalia
e ferro acumulado. A anemia é clássica, mas nem sempre ocorre.
Presente principalmente nas hemoglobinopatias.
As anemias dessa aula serão todas por hemólise extravascular. Quando se fala de alterações em enzimas e membranas o quadro mais
comum é o assintomático. Quando se fala de alterações na Hb, pode haver
anemia clássica.
Hemólises crônicas de SRE – Anemias hemolí-
ticas hereditárias Marcadores de hemólise
Ocorrerá sempre em que houver problemas na formação das células. Me- Para investigação de hemólise usa-se 3 marcadores:
dula vai produzir células, mas a qualidade das células não será boa. Bilirrubina: estará aumentada;
Precursor e produção mantida; Reticulócitos: estarão aumentados;
Célula formada com má-formação. Desidrogenase-lática: marcador do aumento de produção de células
hematopoéticas.
Podem ocorrer por:
Mecanismos intracorpusculares: pessoas herdam genes que codifi-
cam proteínas diferentes ou deixam de produzir proteínas impor-
1) Patologias da membrana eritrocitária
tantes para a formação dos componentes das hemácias → mem- Formação da membrana
branas, enzimas ou da própria hemoglobina; Composição
Patologias da membrana: esferocitose e eliptocitose; Bicamada lipídica;
Enzimopatias: deficiência de G6PD e deficiência de piru- Proteínas integrais: atravessam bicamada lipídica;
vato quinase; Proteínas estruturais da banda elástica: conferem elasticidade a
Hemoglobinopatias: talassemias (falta um pedaço de Hb) célula.
ou anemia falciforme (Hb mutante).
Alterações
Defeitos nas proteínas integrais geram defeitos na bicamada
Clínica lipídica: formação de eliptócitos;
Assintomático: quadros leves, sem anemia → hemólise SRE é com- Defeitos nas proteínas da banda elástica: formação de esferócitos
pensada pelo aumento da produção de eritrócitos; (células rígidas, pouco elásticas).
Icterícia do recém-nascido: todos os RN passam por um período de
troca de Hb → intraútero a Hb predominante é a fetal (α2γ2). À Eliptocitose
medida que o feto amadurece há a produção de Hb A(α2β2). Ao
nascimento se tem ≈ 50% de cada tipo, mas ao respirar tensão
normal de O2 há inibição imediata de Hb fetal. Hb fetal vai sendo
substituída então pela Hb tipo A. Assim, todas as crianças passam
por período de hemólise extravascular ao nascimento, que causa a
Esferocitose
61
Classificação das doenças hemolíticas a) Esferocitose hereditária
Auxilia a definir a gravidade da doença hemolítica. Características
a) Leve: Hb normal; bilirrubina indireta de 1-2 mg/dl (sem icterícia); reticuló- Defeitos nas proteínas da banda elástica: ausência de proteína ou proteína
citos elevados, mas < 6%; taxa de transfusão durante a vida de 0-1; ba- anômala (não funcional) → formação de células não elásticas, rígidas, não bi-
ço aumentado, mas sem necessidade de intervenção; côncovas (células esferocíticas).
b) Moderado: anemia (Hb entre 8-12); BI entre 2-3; reticulócitos > 6%; taxa Hb é distribuída de forma diferente na célula: pode haver altera-
de transfusão de 0-2; esplenectomia pode ser necessária. Controlar in- ção do CHCM (Hb não tem distribuição central e sim, periférica) →
fecções e risco de degeneração megaloblástica (dar ácido fólico) para única condição em que CHCM pode alterar;
que esplenectomia não seja necessária; Maioria causadas por doenças autossômicas dominantes: basta 1
c) Grave: anemia (Hb entre 6-8); BI 2-3 (com icterícia); reticulócitos > 10%; gene para formar esferócitos. Homozigotos têm 100% de esfe-
taxa de transfusão > 2; esplenectomia necessária; rócitos e heterozigotos têm menor quantidade;
d) Severo (paciente grave homozigoto): anemia intensa (<6), icterícia (BI > Muito comum em negros.
3); reticulócitos > 10%; transfusões sanguíneas regulares; esplenectomia Não há mudança de volume celular (VCM).
necessária.
OBS: Icterícia só se manifesta quando BI > 3g/dl. O tratamento da anemia
Patogenia
hemolítica é retirar o baço, para redução da hemólise. Só é necessária essa
Células vermelhas produzidas na medula com formato bicôncavo;
abordagem nos casos moderados e severos.
Defeitos nas proteínas da banda elástica: evaginação de partes de-
Na esferocitose, a maioria dos pacientes tem quadro leve e moderado.
feituosas e liberação de pequenos seguimentos de membrana;
Raramente há paciente homozigoto.
Formação do esferócito: célula rígida, cheia de Hb;
É retirada da circulação pelos macrófagos do SRE;
Há redução dos eritrócitos e aumento da produção: por isso, nem
sempre a doença se manifesta como anemia.
Esplenomegalia
Na esferocitose, a esplenomegalia se dá às custas da polpa verme-
lha do baço: congestão da polpa vermelha, com macrófagos gran-
des e de número aumentado.
Laboratório
Marcadores de doença hemolítica
Reticulocitose;
↑ DHL;
Complicações
↑ bilirrubinas indiretas.
Crise aplásica: parvovírus B19, anemia megaloblástica;
Em pacientes sem hemólise infecção pelo parvovírus é
assintomática, nem febre causa. Em pacientes com he- Marcadores específicos da esferocitose
mólise, causa anemia grave, com queda acentuada da Hb, Esferócitos > 30%: ↑RDW a custas de esferocitose (células de
levando a crise aplásica. Reticulócitos também caem, ou forma diferente → poiquilocitose);
seja, cessa-se a produção medular. ↑ CHCM > 36: distribuição alterada da Hb → não ocorre em todas
Crise hemolítica: principalmente durante infecções → desvia a pro- as doenças esferocíticas;
dução compensatória de hemácias dos hemolíticos crônicos para Testes de criohemólise;
produção de leucócitos, aumentando a retirada de hemácias pela Fragilidade osmótica das células aumentada na incubação com solu-
hiperatividade dos macrófagos; ção salina hipotônica a 37 graus durante 24 horas.
Alterações megaloblásticas: crises megaloblásticas por consumo de OBS: Existem testes genéticos para avaliação de esferocitose, mas eles não
folato. Anemia megaloblástica pode mascarar anemia hemolítica; precisam ser usados rotineiramente.
Cálculos biliares;
Kernicterus: acúmulo de bilirrubina no SNC de RN; b) Eliptocitose
Sobrecarga de ferro: se muito exagerada necessário intervenção, Defeitos nas proteínas que atravessam a bicamada lipídica. Resultam em
pois excesso de ferro pode lesar o fígado. alterações estruturais, como receptores e canais iônicos não funcionantes.
As células têm distribuição normal de Hb, com certa elasticidade, mas têm al-
Laboratório terações no citoesqueleto → eliptócitos/ovalócitos.
Reticulocitose; Alteração da forma leva a degradação mais rápida pelos macró-
↑ DHL; fagos: hemólise;
↑ bilirrubinas indiretas. Culmina com alteração dos antígenos eritrocitários: mutações nos
grupos sanguíneos (ABO zero, Rh zero, etc) → é difícil transfundir
esses pacientes;
62
Mais comum em negros. Determina a sobrevida das células vermelhas;
Se há incapacidade de manter via glicolítica ativa as células se tor-
Morfologia nam senis: retirada mais precoce da circulação e aumento compen-
Células tipo cápsulas: facilmente visíveis nas lâminas; satório da produção → maior parte dos pacientes sem manifesta-
Podem se apresentar como estomatócitos: forma de boca. ções hematológicas.
Clínica PK (piruvato-quinase)
Mesmas manifestações já descritas na página anterior. Função: transformação de ADP em ATP.
Assintomática;
Manifestações mínimas ou brandas; Consequências
Anemia hemolítica grave em lactentes: ocorre pela retirada rápida A deficiência enzimática causa doenças hemolíticas leves.
da Hb fetal → melhora com a ↓[HbF].
Excetuando-se as hemoglobinopatias, é a que mais causa anemia grave a) Deficiência de G6PD
em RN.
Manifestações clínicas
Hemólise episódica após exposição a oxidantes ou infecções: típico
Laboratório → existe uma lista de medicamentos que esses pacientes têm que
Marcadores de hemólise: reticulocitose, ↑ BI e ↑DHL;
evitar para não causar hemólise precoce;
Normal: até 5% de eliptócitos → para DX da doença é necessário Anemia hemolítica crônica: raro → Hb limítrofe, BI aumentada sem
> 20% de eliptócitos associados a mutação de proteína; icterícia, pode descompensar rapidamente com inflamação;
Fragilidade osmótica: em geral normal, aumentada nas formas gra- Metamoglobinemia: mudança da conformação da Hb, que perde a
ves e esferocíticas; capacidade de carrear 02;
Índice de poiquilocitose aumentado: RDW aumentado por alteração Icterícia do recém-nascido;
na forma das células. Sem manifestações hematológicas: retirada de hemácias é com-
pensada pelo aumento da produção → maioria dos pacientes.
2) Defeitos enzimáticos OBS: Dosagem de G6PD incluída no teste do pezinho.
Características
Mais comum em negros;
Mais prevalentes do que as alterações de membrana;
Não alteram forma e volume celular: RDW normal;
Via glicolítica: a maior parte das enzimas também faz parte da res-
piração celular (ciclo de Krebs). A ausência de qualquer uma delas é
incompatível com a vida. Há, no entanto, algumas enzimas que são
específicas da via glicolítica.
63
Quando suspeitar da deficiência de G6PD
Reação hemolítica aguda após exposição a agente oxidantes: anti-
bióticos, quinolonas, -pril;
Descendentes de área com alta prevalência de deficiência de G6PD.
Diagnóstico
Maioria dos exames não são disponíveis no SUS.
Teste do pezinho;
Dosagem de G6PD: pode ser normal;
Teste funcional: raro.
Quadro clínico
Anemia normocrômica normocítica: RDW normal;
Morfologia inespecífica: não esferocítica;
Períodos de piora de hemólise: infecção, estresse orgânico;
Outros: aplasia por parvovírus, icterícia de RN.
Diagnóstico - Lâminas
Inclusões de Hb;
OBS: Também podem ser realizados testes funcionais para dosagem de ATP
e DX da doença, mas são caros e pouco disponíveis.
Poiquilocitose – poiquilócitos
Hemácias com formas alteradas e RDW aumentado.
Formas diferentes são mais comuns nas alterações de membrana.
Tipos
Dacriócitos: formato de lágrimas → comum quando há fibrose de
medula (mielofibrose) e hematopoese extramedular;
Drepanócitos: formato de foice ou extremidades afiladas → ane-
mia falciforme;
Equinócitos: presença de espículas (projeções citoplasmáticas) →
células de geladeira, pós transfusão;
Acantócitos: células mortas, irregulares → pessoas sem baço ou
com baço não funcional;
Esquizócitos: células em capacete (“arrebentadas”) → indicam he-
mólise intravascular por barreira.
64
3) Hemoglobinopatias Foca no estudo das talassemias, exceto heterozigóticas.
α-talassemias
A presença de mutações que levem a redução ou ausência da pro-
Defeitos na hemoglobina dução da cadeia α já se expressa desde a vida intrauterina, pois a
Gene cromossomo 11: produção da cadeia β; HbF é α2γ2;
Gene cromossomo 16: produção da cadeia α; Estados homozigóticos (deleção completa): incompatíveis
Hemoglobina normal: A (α2β2). com a vida. Há produção de Hb de Bart (γ4), que é fisio-
logicamente inviável. Se consegue sobreviver ao período
Portanto: fetal (HbH-Barts), melhora ao nascimento, pela troca pe-
β-talassemias: deleções do gene β; la Hb com β4 (evolui com quadro de anemia hemolítica);
α-talassemias: deleções do gene α;
Anemia falciforme: mutação pontual do gene β (troca do ácido glu-
tâmico por valina).
65
A cadeia β é exclusiva da HbA. Assim, não há problemas durante o β0 – Talassemia intermediária
período fetal. As manifestações se iniciarão ao nascimento, quando Desenvolvem talassemia mesmo tendo recebido só 1 gene, pois esse gene
começará a troca da HbF pela HbA; apresenta grandes deleções e é o usado para produção de Hb.
Estados homozigóticos (deleção completa): Hb não circula, Estado heterozigótico;
pois produz cadeia α4 que precipita e morre na medula Elevação de HbA2 e HbF e pequena quantidade de HbA: portanto,
(eritropoese ineficaz). Esses pacientes têm anemias mui- DX é feito com a eletroforese, na qual há deficiência de HbA e per-
to graves, pois têm só HbA2 na circulação; sistência da HbF;
Estados heterozigotos (deleção parcial): pode ser de 2 Amplo espectro de incapacidades;
tipos; Forma grave: semelhante β maior, início mais tardio;
Intermediário; Forma leve: assintomático, níveis de Hb 10-12 mg/dl.
Talassêmico menor.
β+ - Talassemia minor/menor
α-talassemia é mais comum que β-talassemia
Só 1 gene de talassemia e dificuldade mínima de produção de cadeia β. Não
apresenta doença, apenas alterações no hemograma.
i. β-talassemias Estado heterozigótico;
Menos comum, mas mais diagnosticada → manifestações clínicas são mais A2 aumentada;
floridas do que as α-talassemias. Microcitise e hipocromia de graus variados: pode não ter anemia,
faz DDX com anemia ferropriva → o que diferencia é que na ane-
Apresentação genética mia ferropriva existe proporcionalidade na queda e na talassemia
1 alelo herdado do pai e 1 alelo herdado da mãe. minor não, haverá eritrócitos normais ou aumentados, Hb normal,
Β0: homozigoto → não produz cadeia β (nenhum alelo); VCM e HCM baixos;
β talassemia maior. Assintomático.
β+: heterozigoto → deficiência parcial de cadeia β (possui 1 alelo). Anemia e microcitose está presente em todos os talassêmicos menores,
Possui 2 apresentações clínicas, a depender da funcionalidade do é regra.
alelo recebido;
β talassemia intermediária: alelo mais funcionante; ii. α-talassemia
β talassemia menor: alelo menos funcionante → mais Apresentações genéticas
comum. Deficiência de 1 ou 2 alelos de α: paciente assintomático → hemo-
grama com anemia e microcitose.
β0 – Talassêmico maior
Estado homozigoto;
Ausência de HbA: detectado no teste do pezinho → precisa de
teste confirmatório;
Apenas HbF e pequena quantidade de HbA2;
RN normal, anemia progressiva: criança nasce bem, começa a ter
quadro de icterícia de RN e anemia progressiva, pois não produz
HbA; Transfusão de sangue
Clinicamente grave: requer transfusão; Sangue: testes virais e leucoredução;
Insuficientemente transfundida: expansão da medula óssea (ossos Uso de quelantes de ferro: transfusão causa acúmulo de ferro
medulares), hepatomegalias (reativação compensatória de locais de → depósito inicial no fígado e a longo prazo nos músculos. Pode se
eritropoese fetal), retardo de desenvolvimento; depositar no músculo cardíaco e causar bloqueio de ramo;
Estado hipermetabólico (não ganham peso), fraturas, infecções, Problemas hormonais e no PTH, com deficiência de vitamina D.
deficiência de folato, pancitopenia.
Portanto, DX deve ser precoce e tratamento é transfusão mensal. A Complicações da transfusão
transfusão além de corrigir a anemia tem o objetivo de retardar a eritropoese Transmissão de doenças;
e diminuir as consequências da doença, como ossos medulares e hepatomega- Expansão óssea;
lia, por exemplo. Problema: acúmulo de ferro pelas transfusões (hemocroma- Impregnação de ferro nos órgãos;
tose). Tratamento definitivo seria transplante de medula óssea na infância. Hipopituitarismo;
Pigmentação da pele;
Fácies talassêmica Hipo ou hipertireoidismo;
Espleno e hepatomegalia; Hipertensão pulmonar;
Emagrecido; Cardiomiopatia restritiva;
Ossos alargados; Esplenomegalia e hepatomegalia;
Má implantação dos dentes. DM;
Artropatias e osteopatias.
Tríade da hemocromatose;
Insuficiência hepática;
66
DM insulinodependente; Desidratação: aumenta a viscosidade do plasma e dificulta retorno
Hiperpigmentação. das hemácias para os pulmões e aumenta o número de drepanóci-
Usar quelantes de ferro para evitar complicações. tos. Pacientes com anemia falciforme sempre devem se manter
bem hidratados;
b) Anemia falciforme Vasoconstrição: dificulta retorno das hemácias para os pulmões e
aumenta o número de drepanócitos. Pacientes com anemia falcifor-
Características me não podem se expor a temperaturas frias, pois isso aumenta
Hb mutante: mutação leva a produção de cadeias diferentes de globulinas. a vasoconstrição e as crises de dor;
A maior parte das Hb mutantes levam a quadros hemolíticos. Concentração de HbS: pacientes homozigotos têm muito HbS e mais
OBS: Pode produzir hemoglobinas instáveis incompatíveis com a vida (metaglo- casos de falcização;
bulina). Concentração de HbF: pacientes com anemia falciforme tendem a
HbS: mutação mais prevalente no Brasil → substituição da valina
manter a produção de HbF na vida adulta. Essas pessoas têm me-
pelo ácido glutâmico na posição 6 da cadeia β, resultando na subs- nos crises de falcização → fator protetor.
tituição de adenina por timina (GAG → GTG); OBS: O tratamento básico de uma crise é feito com hidratação, pois haverá
Hemácia falciforme: muda de forma se tensão baixa de melhora da vasoconstrição e desidratação, diminuindo o tempo de travessia
02 e pH baixo → drepanócito. Essa hemácia tem capa- na circulação (hemácias em foice → hemácias bicôncavas).
cidade de agregação; As crises de dor ocorrem principalmente nos MMSS e MMII, regiões mais
o Aumento da viscosidade sanguínea; distantes da irrigação central.
o Estase vascular e lesão tecidual.
Sofre hemólise: hemácia falciforme é retirada pelo SRE
Quadro clínico
no baço. É diferente em crianças e adultos.
Portanto, não há só hemólise, mas também estase vascular e lesão teci-
dual. a) Pediatria
Infância é período de desenvolvimento, onde há formação de ossos, teci-
Apresentação genética dos, músculos e sangue. Assim, as principais manifestações da doença serão
Traço falciforme: só 1 gene de S (heterozigoto) → na eletroforese as crises vaso-oclusivas (falcização).
haverá HbA, pequena quantidade de HbA2 e < 50% de HbS. Esse Anemia normo/normo com RDW aumentado: presente em todo
paciente não tem a doença; paciente, varia de 7-11. Quanto pior a anemia (Hb), mais falcização.
Anemia falciforme: 2 genes de S (homozigoto) OU 1 gene de S + Esses pacientes têm risco de degeneração megaloblástica, neces-
qualquer outra mutação, incluindo β talassemia → HbSS, SC, SD e sário suplementar com ácido fólico;
β talassemia falciforme. Icterícia: bilirrubina > 3g/dl em todos os pacientes.;
Esplenomegalia;
S-talassemia: geralmente tem mais HbF e tem hipocromia e microcitose no Síndrome mãos-pés: crises vaso-oclusivas crônicas nas mãos e pés
hemograma. → preditor de AVC;
Crises vaso-oclusivas (falcização): predominam no período noturno
Epidemiologia → há redução da tensão de oxigênio/pH pela redução do centro
Mais comum na raça negra; respiratório durante o sono. Ocorrem em regiões mais distantes da
Origem africana; circulação central (pés, mãos, panturrilha, rins, cérebro);
Prevalência no Brasil: migração negra → nordeste e RJ. Enurese: isquemia renal e diminuição da capacidade de concentração
OBS: Portadores do traço falciforme têm resistência a malária. da urina → perda de líquidos na urina e aumento das crises de
falcização;
Fisiopatologia AVCI;
HbS altera as propriedades físico-químicas do eritrócito e forma Priaprismo: vaso-oclusão no corpo cavernoso do pênis. > 6 horas
hemácias falcilizadas (em foice - drepanócito); pode levar a isquemia do pênis.
Hemólise: retiradas da circulação pelo SRE; Regra: anemia normo/normo com ↑RDW e icterícia.
Crises de dor (falcização): obstrução da circulação e is-
quemia tecidual → é o que distingue a anemia falciforme
das outras anemias hemolíticas.
67
Complicações
Síndrome torácica aguda: isquemia pulmonar. Pacientes com anemia
falciforme não devem ter infecção respiratória baixa (vias respira-
tórias inferiores), pois isso leva a redução do pH pela inflamação e
oclusão dos vasos pulmonares por falcização. Isso causa hipoxemia
central aguda levando a queda abrupta de tensão de oxigênio em
todo o corpo, aumentando os dacriócitos e piorando a crise. É uma
urgência;
Crises de sequestro: isquemia do baço. Criança tem esplenomegalia
e em adultos há perda do baço por isquemia crônica. É uma urgência
cirúrgica → atenção se aumento do volume do baço, dor em hipo-
côndrio e piora da anemia;
Aplasia: muito comum na infecção por parvovírus ou por degenera-
ção megaloblástica. Drepanócitos
Característicos da doença;
b) Adultos Hemácia nucleada: hemólise é tão intensa que se pode liberar hemá-
Como não está mais em período de desenvolvimento, há menos crises va- cias nucleadas no sangue. Será contado como leucócito no hemo-
so-oclusivas. O que predomina nos adultos são as complicações de tecidos já grama → tendência a leucocitose, pois conta célula como nucleada.
isquemiados.
Ossos: dor óssea, reabsorção das epífises ósseas;
Aparelho geniturinário: perda de função renal por isquemia dos rins.
Pode haver ↓ eritropoese e anemia;
Baço: aesplênico → perda da função por isquemia;
Sistema hepatobiliar: colelitíase. Necessitam de colecistectomia pre-
coce, pois produzem muitos cálculos, podendo levar a coledocolitíase
ou pancreatite, por exemplo;
Sistema cardiopulmonar: anemia crônica e insuficiência cardíaca,
cor anêmico e cor pulmonale;
Olhos: diminuição da vascularização. Necessário fundoscopia periódi-
ca para rastreio;
SNC;
Úlceras de pernas: se Hb < 10, presença de úlcera de estase em
Tratamento
MMII; Profilático
Gravidez: aconselhar as mulheres com anemia falciforme a não en-
Suplemento de folato: sempre;
gravidar. Se isso acontecer devem ser transfundidas mensalmente Vacinações especiais: evitar infecções, que piora falcização;
(igual na talassemia). O objetivo não é só melhorar a anemia, mas Antibiótico profilaxia: alterações no baço ↓ resposta humoral;
reduzir a quantidade de HbS por meio da transfusão;
Orientações gerais;
Síndrome álgica crônica: sentem dor o tempo todo.
Não se expor ao frio;
OBS: A transfusão de sangue deve ser feita com parcimônia nos pacientes
Hidratação;
com anemia falciforme, pois quando há a formação dos drepanócitos, os Ag
Cuidado com diarreia, vômitos e enurese;
do sistema ABO presentes nas hemácias se dispõe em conformação dife-
Sinais de alarme.
rente. Mesmo em doadores idênticos isso pode predispor a formação de Ac
IECA: função protetora para os rins, evitar isquemia precoce.
e falha na transfusão. Sempre evitar transfusões desnecessárias nesses pa-
cientes. É necessária quando: IC, SNC (AVC agudo), DRC, úlceras de estase gra-
Terapêutico
ves.
Hiperhidratação;
Transfusões ocasionais;
Complicações
Hidroxiureia: quimioterápico → ↑ HbF. É a base do tratamento;
Síndrome torácica aguda;
Hipertransfusão;
Lesões orgânicas irreversíveis.
TMO: tratamento definitivo, na infância → cura.
Evitar dar 02 para pacientes com anemia falciforme, pois isso inibe a pro-
Genótipos
dução de eritropoetina e piora a anemia. Não é terapia, é conduta em emer-
A clínica é variável, depende do genótipo
gência/urgência. Evitar usar morfina nesses pacientes, por eles podem ter
Do SS para frente todos são anemia falciforme;
dependência.
AS: traço falciforme;
SS: mais oclusivo e grave de todos;
SC: quadro leve;
SD: mais hemolítico e menos oclusivo.
68
Hemostasia
Ainda há poucos métodos para o estudo do endotélio: biópsia é o
Introdução principal.
Características
Sistema trombótico e fibrinolítico devem estar sempre em equilí- Plaquetas
brio: isso evita que haja trombose ou hemorragias; Características
Quando há lesão de tecidos há exposição de substâncias subendo- Fragmentos citoplasmáticos dos megacariócitos: estrutura muito
teliais, que iniciam o sistema de hemostasia. antigênica → possui várias proteínas de superfície (HLA, ABO, etc);
Discoides, anucleadas;
Formação do trombo Produção diária: 1014 (aumento até 10x) → é a célula menos produ-
≈ 2-2,5 minutos zida pela medula óssea. Isso acontece, pois durante a mitose não
Agregação de plaquetas: trombo branco; há formação de novas células, mas aumento do volume citoplasma-
Deposição de fibrina; tico de células precursoras;
Organização do trombo: fibrina central e plaquetas periféricas; Sequestradas pelo baço após 24-48 hrs da sua liberação pela me-
Trombo organizado: fibrina + fator tecidual + plaquetas. dula óssea;
OBS: Portanto, trombo inicial é sempre plaquetário, depois há deposição de 30% das plaquetas circulantes estão no baço: até 90% se espleno-
fibrina e fator tecidual. megalia volumosa;
Baço também remove plaquetas pelo SRE.
Tipos Vida média: 10 dias (8-14 dias);
Valor de referência: 150.000-450.000/μL;
Hemostasia primária
Citocinas na megacariocitopoese:
Composta por:
Trombopoetina: citocina que estimula a formação de pla-
Fator endotelial;
quetas. É produzida no fígado. Sua produção é aumenta-
Plaquetas.
da quando há redução do volume sanguíneo (sangramen-
tos);
Hemostasia secundária IL-3: interleucinas também auxiliam na formação de pla-
Composta por: quetas. Por isso que em algumas inflamações crônicas
Fibrina: formação da fibrina. pode haver plaquetose;
Outras: IL-11, IL-6.
1. Hemostasia primária
Endotélio
Características
Grande extensão;
Células endoteliais: muito semelhantes aos eritrócitos;
Origem nas células tronco mesenquimais;
Borda elástica igual à dos eritrócitos: capacidade de con-
tração e extensão;
o Vasoconstrição: angiotensina II, prostaciclinas
e endotelina (RDRF);
Célula pluripotente recebe estímulo de IL-3 e forma o precursor granulocítico. Se o
o Vasodilatação: NO, PGs e cininas.
estímulo das interleucinas persiste há produção de granulócitos, se diminui,
Célula endotelial in natura: função antitrombótica; acompanhado ao aumento da trombopoetina há a formação do megacariócito e, por
Heparan: reveste a superfície celular. Inibe a anti-trom- fim, das plaquetas (fragmentos citoplasmáticos dos megacariócitos)
bina e os fatores da cascata de coagulação;
Secreta substâncias antifibrinolíticas: Ativação plaquetária
o TFPI: fator inibidor de agregação plaquetária; Ativadas na presença de FVW, presente na região subendotelial, que é expos-
o tPA: ativador do plasminogênio; to se lesão e/ou inflamação.
o Proteína S. Adesão plaquetária: ligação do GPIb (glicoproteína Ib) da plaqueta ao
Célula endotelial sob estresse: função protrombótica → inflama- FVW endotelial;
ção, lesão; Mudança de conformação: abertura dos poros, ↑ citoplasma e
Fator tecidual: ativador do fator VII → ativa toda a cas- volume, emissão de pseudópodes;
cata da coagulação; Abertura do receptor de superfície GPIIb/IIIa;
Secreta substâncias fibrinolíticas; Metabolismo dos fosfolipídios: inicia o processo inflamatório → pro-
o PAI-1: inibidor do plasminogênio; dução de citocinas, especialmente o TXA2 (tromboxano A2);
o TAF1: ativador de agregação plaquetária; TXA2: ativação de plaquetas adjacentes;
o Fator de von Willebrand.
69
Agregação plaquetária: ligação do GpIIIb/IIa das novas Tempo de sangramento
plaquetas ao fibrinogênio → formam o trombo inicial Mede o tempo de formação do trombo branco (agregação plaque-
(plaquetário). Esse trombo é instável, só oclui pequenos tária);
sangramentos. Não é eficiente se lesões extensas. De Técnica: indução de sangramento e avaliar tempo para formação
qualquer forma, é sempre o início da hemostasia. do trombo branco;
Normal: até 10 minutos;
Alterado: se plaquetas < 90.000 ou trombastenias.
Plaquetômetro – PFA-100
Avaliação da hemostasia primária;
Sangue total;
Tempo de sangramento;
Tempo de fechamento.
Agregação plaquetária
Usado para triagem de defeitos plaquetários: coagulopatias primá-
rias (genéticas);
Síndrome Bernard-Soulier: deficiência de GpIb → impe-
de adesão plaquetária;
Trombastenia de Glanzmann: deficiência de GpIIb-IIIa →
impede agregação plaquetária;
Avaliação laboratorial – Plaquetas Semiotécnica: acrescer ao plasma do paciente rico em plaquetas
Testes numéricos um agente agregante e avaliar curvas de agregação plaquetária;
Agentes agregantes: ADP, adrenalina, colágeno, ristocetina.
Hemograma – Contagem de plaquetas
Normal: 150.000 - 450.000 → começa a ter manifestação se <
50.000; 2. Hemostasia secundária
< 50.000: equimoses e púrpura; Formação da fibrina.
< 20.000: risco de sangramento espontâneo.
Amostra de sangue deve ser fresca: se deixar parado por muito Fatores de coagulação
tempo plaquetas agregam. Amostras com > 6 horas são ineficien- Proteínas da circulação ativadas em cascata para a formação do
tes para a contagem de plaquetas. coágulo;
Divididos de I a XIII, exceto VI (não existe);
Testes funcionais Alguns não são proteínas.
Prova de laço (Rumpel-Leed) Possui 2 vias: clássica (extrínseca) e alternativa (intrínseca);
Teste de triagem; O que difere essas vias é a forma como ativarão a via
Avalia número e função plaquetária; comum (fator X).
Semiotécnica: insuflar o manguito na pressão média, mantendo por
3-5 minutos. Soltar e contar petéquias; Via extrínseca (clássica)
Se > 10 petéquias: teste positivo → só é positivo se < É a via mais ativa.
50.000 plaquetas. Via do fator tecidual – fator III: várias substâncias podem agir co-
mo fator tecidual (organelas, membranas, líquor, etc);
Ativa fator VII: produção hepática. É o fator mais ativo no orga-
nismo, vitamina K dependente, com vida média de ≈ 6 horas;
Pode ativar tanto a via intrínseca (fator IX) quanto a via
comum (fator X).
Via comum
Necessita de fator X e V, além de 1 molécula de Ca2+;
Ativação do fator II;
Transformação da protrombina em trombina;
Trombina, na presença de Ca2+, quebra o fibrinogênio (fator I) em
fibrina.
O fator VIII é cofator do IX e o fator V é cofator do X. Os cofatores são
proteínas leito/berço. Sem a presença deles os fatores não conseguem agir
e continuar com a cascata de coagulação. Nessa situação, há consumo de 1
molécula de Ca2+ (fator IV).
Características
Fáceis de serem feitos;
Modelo celular da hemostasia Grande possibilidade de erro;
A coagulação é feita em 3 etapas: Não existe distúrbio de hemostasia sem associação clínica: necessá-
Iniciação: fator VII → inicia a coagulação; rio exames alterados + CLÍNICA;
VII + fator tecidual ativam fator X; Coleta: estase venosa mínima (sem garrote);
Fator X junto com o fator V quebra a protrombina (fator Quanto mais estase, maiores os tempos de coagulação;
II) em trombina, que quebra o fibrinogênio (fator I) em fi- Tubos de material plástico;
brina; Exame deve ser processado imediatamente, se não for
Fator VII também pode ativar o fator IX. possível, conservar amostra de plasma refrigerada.
Amplificação; Anticoagulante/antiagregante: citrato → quelante de cálcio;
Trombina é formada e é capaz de reverberar, ou seja, Cuidado com hematócrito: poliglobulia x anemia.
ela sozinha é capaz de ativar o fator IX, XII e IX (ativa via
comum e de contato)
Propagação;
Ativação de todos os fatores levando a formação de fi-
brina.
Hoje sabe-se que não dá para separar as vias em intrínseca e extrínseca, TP – Tempo de Protrombina
pois essas vias agem continuamente e dependem uma da outra. Avalia via extrínseca: fator VII e fator tecidual;
71
Semiotécnica: pega-se a amostra. Para iniciar a avaliação é neces- Gráficos
sário acabar com o efeito do quelante de cálcio (citrato), para isso B: falta de fibrina → usar plaquetas;
adiciona-se cálcio na amostra (oxalato ou gluconato de cálcio). Além C: falta de algum fator da cascata de coagulação → repor fator
disso, adiciona-se o fator tecidual (fator III). Como várias substân- de coagulação (plasma seco congelado);
cias podem ser usadas como fator tecidual, esse exame é muito D: fibrinólise em excesso → plasma e procurar deter sistema fi-
facilmente enviesado. Para evitar isso, padroniza-se o exame de brinolítico;
acordo com o reagente (INS → índice de reatividade de acordo com E: maior risco de trombose → anticoagular.
o agente). Portanto, usa-se plasma + Ca2+ + tromboplastina; OBS: Podem auxiliar na tomada de conduta, como por exemplo a necessidade
Tromboplastina: fator tecidual comercial. de transfusão.
Sempre fazer controle; Esse exame é muito útil em pacientes críticos (CTI): grandes queimados,
INS: padronizado pela OMS. CIV.
INR normal: 0,8-1,4 → não é lido em segundos, mas em INR, pois
multiplica-se o tempo de coagulação do paciente, em segundos, pelo Se exames alterados realizar 2ª amostra, pois são muito suscetíveis a erros.
ISR do fator tecidual usado.
3. Sistema fibrinolítico
(TP paciente)𝑥 𝐼𝑆𝑅 Degradação da fibrina, auxiliando no controle da hemostasia.
𝐼𝑁𝑅 =
TP controle
Trombografia ou tromboelastografia
Avalia a coagulação no momento do exame;
Semiotécnica: coloca-se o plasma do paciente em um equipamento,
que traça um gráfico, que avalia todas as fases da coagulação;
Formação do trombo branco;
Formação da fibrina;
Pico de formação da fibrina;
Fibrinólise.
A partir dos gráficos obtidos avalia-se a coagulação do paciente.
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Características do sistema fibrinolítico
Evita a perpetuação da produção de fibrina.
Componentes
Plasmina: principal proteína do sistema fibrinolítico. É muito impor-
tante para manter a coagulação no sítio de lesão. Degrada toda a
fibrina fora do local de lesão (fibrina em gel não estabilizada pelo
fator XIII);
Formada a partir do plasminogênio, que é produzido no
fígado. O plasminogênio circula na forma inativa, até ser
ativado;
Ativadores do plasminogênio: ativador de plasminogênio
tecidual (TPA), fragmentos do fator de Hageman (fator
X) e uroquinase;
Plasmina na circulação é neutralizada pelo inibidor α2
plasmina.
Antitrombina III: forma complexos com todos os fatores de coagula-
ção, exceto fator VII, inativando-os. Também limita a coagulação ao
sítio de lesão;
Proteína C: convertida pela trombina em protease ativa. Inativa os
fatores V e VIII;
Proteína S: cofator da ação da proteína C.
OBS: Proteína C e S agem juntas, uma cofator da outra. Na ausência de uma
a outra não funciona e vice-versa. Elas são importantes para inativar os cofa-
tores V e VIII.
Não existem inibidores para o fator VII, uma vez ativo ele é consumido na
reação. É o fator da CIVD (Coagulação intravascular disseminada).
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Desordens da hemostasia primária
Formação de trombos plaquetários disseminados: começam a se
Tipos depositar na pequena circulação, ocluindo os pequenos vasos termi-
1. Trombocitopenias: mais comuns nais. Tem-se então, a pêntade clínica da doença.
2. Trombastenias
3. Trombocitose Fator de von Willebrand: produzido na região subendotelial, tem a função de
4. Púrpuras vasculares estabilizar o fator VIII. Esses fatores se ligam e se estabilizam. Quando ligados,
a proteína C e a S não agem sobre o fator VIII. Além disso, não há atuação da
enzima endotelial ADAMTS-13, que cliva o FVW. Essa enzima evita que grandes
1) Trombocitopenias moléculas de Von Willebrand (polímeros) sejam liberados na circulação. Grandes
Redução da plaquetometria → plaquetas < 100.000. moléculas de Von Willebrand são capazes de ativar as plaquetas.
74
Fisiopatologia 2ª linha de tratamento;
Plaquetas têm Ag em sua superfície; Esplenectomia: ↓ sequestro de plaquetas pelo SRE. É
Produção de autoanticorpos contra Ag nas plaquetas; uma opção para pacientes com < 50.000 plaquetas sem
Em geral a medula está normal ou com aumento da pro- comorbidades e mais jovens. Pacientes refratários a 1ª
dução dos megacariócitos de forma compensatória; linha geralmente também não respondem bem a 2ª linha;
Dependendo do Ac produzido, pode-se atacar também o Quimioterápicos: rituximabe → anti-CD20. Diminui a pro-
megacariócito, mas isso é mais raro. dução de linfócitos e, consequentemente, a imunidade
Sequestro esplênico: plaquetas são retiradas da circulação pelo SRE. humoral (↓produção de Ac);
Trombopoetina (TPO) recombinante: age na stem cell
Avaliação da plaquetopenia desviando a produção para série plaquetária, além de a-
Feita em 3 tempos gir nos megacariócitos aumentando a produção de pla-
Aguda, persistente e crônica: ajuda a definir etiologias e o trata- quetas. É uma droga excelente, mas muito cara.
mento a ser utilizado; 3ª linha de tratamento: outros quimioterápicos.
Aguda: ≤ 3 meses. Geralmente decorrentes de estímulos
antigênicos → infecções virais e vacinas (reação cruza- c) Outras causas
da – produção de Ac de fase aguda IgM); Pseudotrombocitopenias: erros laboratoriais;
Persistente: > 3 meses-12 meses. Produção de Ac IgG; Hiperesplenismo: sequestro esplênico de até 90% das plaquetas;
o Medula: plaquetopenia persistente; Trombocitopenia associada à transfusão maciça;
o Imunológica: plaquetopenia linear. Hepatopatias, radiação, quimioterapia, álcool, medicamentos e viro-
Crônica (> 12 meses): evolução da persistente. ses.
OBS: Pacientes com > 50.000 plaquetas não precisam ser tratados (só fazer
orientações gerais). < 50.000 tratar, principalmente se sangramento. Nos <
20.000 sempre tratar.
2) Trombastenias
Desordens da função plaquetária
Adquiridas;
Uremia: derivações pulmonares e doenças mieloprolife-
rativas;
Drogas: antiagregante (ex → AAS) e alimentos ricos em
ácidos graxos.
Hereditários: púrpura com contagem de plaquetas normais ao he-
mograma;
Achados clínicos e evolução Trombastenia de Glanzmann: disfunção na agregação
Baseados no tipo de púrpura: IgM x IgG; plaquetária;
IgM: muito comum na pediatria → após infecção ou va- Síndrome de Bernard-Soulier: disfunção na adesão pla-
cina. Geralmente autolimitada, raramente cronifica; quetária.
IgG: mais comum em adultos;
o Presença de autoanticorpo que se liga pre- Diagnóstico
ferencialmente no receptor GpIIb/IIIa. Testes de função plaquetária.
3) Trombocitose
Elevação da contagem de plaquetas > 400.000
Primária;
Doença mieloproliferativa: plaquetose ascendente →
número de plaquetas em aumento contínuo;
o Trombocitemia essencial.
Secundária;
Deficiência de ferro com sangramento;
Epidemiologia
Inflamação crônica.
Púrpuras primárias: 50% por causa imunológica, 50% por outras
causas (hepatopatias, infecções virais, colagenoses, medicamentos).
5. Púrpura senil
Púrpuras impalpáveis
Traumatismos;
Queimadura solar;
Infecções;
Púrpura embólica;
Pioderma gangrenoso;
Púrpura fulminante;
Reações farmacológicas;
Síndrome Ac antifosfolípides.
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Outras desordens da hemostasia
Doença de Von Willebrand Testes confirmatórios
Distúrbio misto da hemostasia: altera hemostasia primária e secundária. Atividade do fator VIII: dosar % de fator VIII;
Antígeno do fator Von Willebrand: quantificação do FVW;
Atividade de cofator da ristocetina: avalia a ligação do FVW à pro-
Fator de Von Willebrand (FVW) teína ristocetina, que imita as proteínas da hemostasia. Os subtipos
É secretado pela célula endotelial como monômeros; 2 pode ter alteração dessa ligação (haverá diminuição);
Forma grandes polímeros na circulação e se liga ao fator VIII (esta- Capacidade de ligação do FVW ao colágeno: permite identificar os
bilidade); tipos da doença.
Polímeros não estabilizados pelo fator VIII são clivados pela enzima OBS: Quando a doença é do tipo 1 (diminuição da quantidade de FVW), os exa-
ADAMTS-13. mes de atividade do fator VIII e antígeno do fator Von Willebrand estarão com
quantidades reduzidas. Já no tipo 2 (menor funcionalidade do FVW), as quanti-
Função dades desses fatores pode estar normal. Nesses casos é recomendado a rea-
Ligação e estabilização do fator VIII da coagulação; lização do teste de atividade de cofator da ristocetina.
Ligação entre plaqueta e subendotélio. Geralmente para confirmar a doença são feitos os 3 primeiros exames.
Testes especiais
Epidemiologia Aglutinação plaquetária induzida pela ristocetina: avalia a ligação do
Doença mais prevalente dos distúrbios de coagulação; FVW a GpIb e GpIIb/IIIa das plaquetas. Também é um teste que a-
Herança autossômica dominante: os heterozigotos apresentam sin- juda a separar os subtipos 2;
tomas, mas no geral, as manifestações da doença são leves. Paci- Eletroforese em gel: avaliação do subtipo da doença. Avalia as fra-
entes homozigotos têm quadros mais floridos; ções do FVW.
Mais comum em caucasianos.
Tipos
Tipo 1: quantidade → produção de menos FVW;
Tipo 2: qualidade → menor funcionalidade do FVW;
A: sem plaquetopenia → mais comum;
B: plaquetopenia discreta.
Tipo 3: sem produção de FVW. Também tem deficiência de fator
VIII, sendo muitas vezes classificado como hemofilia do tipo A.
Manifestações clínicas
Sangramento mucocutâneo: epistaxe, equimoses, menorreia, gengi-
vorragias, sangramento após extração dentária, pós-parto e pós-
operatório;
História familiar de hemorragias.
Importante lembrar que pacientes com a doença podem ter sangramentos
após procedimentos: pós-parto, pós-operatório, após extrações dentárias.
Atenção
Dosagem do FVW não mede a função: avalia só quantidade;
Achados laboratoriais No tipo 2 pode-se ter quantidade normal de FVW, mas
FVW é importante para estabilizar hemostasia primária. ele ser não funcional.
OBS: Pacientes com a doença geralmente têm anemia ferropriva pelas perdas Necessário saber tipo sanguíneo do paciente (ABO): pessoas do ti-
crônicas de sangue. po sanguíneo 0 naturalmente têm menos FVW (≈↓25%). Esses
pacientes podem ter manifestações clínicas mais exuberantes;
Testes de triagem FVW é liberado de acordo com o ciclo circadiano: pico da liberação
Tempo de sangramento (TS): avaliação da hemostasia primária; ocorre ao amanhecer, durante o dia não há produção, que volta a
Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA): avalia via de conta- ocorrer à noite, durante o sono. Portanto, sempre que se for fa-
to → fator VIII. Nos pacientes com a doença existe alargamento zer a avaliação laboratorial dos pacientes com a doença, é impor-
do TTPA (20% ou mais do tempo do controle); tante que esta seja feita de manhã, pois dosagens feitas em outros
Contagem plaquetária: geralmente normal, apenas em um dos subti- períodos geralmente são menores;
pos 2 é alterada.
77
Por isso, as manifestações clínicas da doença predomi- A clínica da doença é sangramento prolongado nos tecidos moles profundos:
nam no final do dia. Não há muita sintomatologia durante hematomas musculares e hemartroses. A clínica é sempre muito florida.
a manhã.
Hemartroses espontâneas
Tratamento Principalmente em MMII: episódios de repetição resultam em sino-
vite crônica, podendo evoluir para artropatia crônica;
Tipos 1 e 3 NUNCA puncionar aleatoriamente articulações de hemofílicos: risco
Reposição do FVW: pacientes em sangramento ou que serão submetidos de infecção → artrite séptica crônica.
a procedimentos operatórios.
Hemocomponentes: crioprecipitado (fator VIII + FVW + fibrinogê-
nio);
Hemoderivados: concentrado de fator VIII + FVW;
Desmopressina (DDAVP): para o tipo 1. Promove a liberação do FVW
do endotélio. Corrige a TTPA do paciente;
0,3 g/kg EV, máximo 20 g: não ultrapassar dose máxi-
ma, pois pode haver retenção urinária.
Outras drogas Artropatia crônica do hemofílico será uma complicação das hemartroses
Desmopressina: libera FVW; espontâneas sucessivas
Inibidores da fibrinólise: inibidores de plasminogênio. São opções para
sangramentos menores. Não usar por mais de 3 dias, por risco de Hematomas musculares
trombose; Em geral grandes músculos flexores (panturrilha e ileopsoas), pode
Ácido tranexânicio; gerar síndrome compartimental e formação de pseudotumores;
Ácido aminocaproico. Pode comprimir drenagem e levar a perda de membros.
Tratamento: imobilização, gelo e reposição de fatores de coagulação.
Hemofilias
Tipos
Hemofilia A: deficiência de fator VIII → hemofilia mais comum;
Hemofilia B: deficiência de fator IX;
Hemofilia C: deficiência do fator XI → mais sintomática.
A clínica desses tipos é muito parecida, pois o fator VIII é cofator do fator IX,
e o fator XI é o ativador do IX, assim ambos agem em um mesmo ponto da
cascata de coagulação (via de contato). Nas hemofilias A e B a herança é ligada
ao X, na C a herança é autossômica. Aqui, focaremos nas hemofilias A e B.
Características Localizações mais perigosas de hematosas, locais onde há grandes vasos. Há risco de
síndrome compartimental
Doença hereditária ligada ao X;
Mulheres: portadoras → geralmente não têm a doença,
Outros
pois possuem 1 X normal;
Problemas dentários;
Homens: doentes → presença de 1 X já manifesta a do-
Hemorragia no SNC: causa mais comum de mortalidade;
ença. A doença geralmente pula 1 geração;
Hematúria macroscópica;
Resultado: incapacidade de ativação do fator X.
Sangramento pós-cirúrgico: cicatrização deficiente de feridas.
Clínica Laboratório
Grave: níveis de fator ≤ 1% → sangramentos espontâneos;
TTPA prolongado, corrigido pela adição de plasma normal: plasma
Mulheres podem ter nível de fator < 30%: presença normal tem todos os fatores de coagulação, corrige o TTPA;
de apenas 1 gene de hemofilia confere clínica mais le- Hemofilias A e B são diferenciadas pela dosagem de fator VIII e IX.
ve nessas pacientes;
Maioria dos pacientes.
Moderada: entre 2-5% → associado a pequenos traumas; Diagnóstico diferencial
Leve: 5-30% → traumas graves ou cirurgia; Doença de Von Willebrand;
Minoria dos pacientes. Inibidores adquiridos: principalmente do fator IX;
Outras coagulopatias com alargamento do TTPA: deficiência do
fator XI e XII.
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Tratamento Deficiência nutricional
Alarga TP
Tipos Rara.;
Episódico (sob demanda): controle de problemas; Baixa ingesta de alimentos ricos em vitamina K: vegetais verdes;
Profilático: prevenção; Uso de antibióticos.
Reposição diária do fator de coagulação;
o Hemoderivados: fatores derivados do plasma
Hepatopatia
→ VIII e IX;
Risco aumentado de sangramento: distúrbio hemorrágico complexo;
o Recombinantes.
Síntese reduzida dos fatores de coagulação: inicia pelos fatores vi-
tamina K dependentes → inicia com alargamento do TP (deficiência
Não havendo outra possibilidade do fator VII) e progride com alargamento do TTPA (deficiência dos
Hemocomponentes; outros fatores dependentes de vitamina K);
Hemofilia A: crioprecipitado; Deficiência de fibrinogênio e fibrinólise anormal: fator I (fibrinogê-
Hemofilia B: plasma → reposição de fator IX. nio) não é vitamina K dependente, mas é produzido no fígado. Com
Sempre orientar os hemofílicos a não usar AINES, pelo risco de distúrbios de a doença hepática há diminuição de fibrinogênio e, consequente-
agregação plaquetária. mente, de fibrina;
Trombocitopenia: hepatopatas têm menor produção de trombopoe-
tina e podem ter sequestro esplênico;
Anormalidades vasculares como varizes de esôfago.;
Distúrbios dos fatores de coagulação vitami- Tratamento:
na K dependentes Vitamina K: assegurar que não haja deficiência. Só ajuda
quando a função do fígado ainda não está muito compro-
Vitamina K metida;
Tipos Antifibrinolíticos: controle dos sangramentos;
Origem vegetal: filoquinona → mais ativa; Plasmaférese: reposição de fatores de coagulação quan-
Principal fonte: folhas verdes. do há sangramentos.
Síntese bacteriana endógena: menaquinona;
Deficiência de vitamina K: a deficiência pura de vitamina K é rara.
Pode ocorrer quando há destruição de bactérias colônicas produto-
Tratamento
ras pelo uso de antibióticos. Anticoagulantes cumarínicos
Mecanismo de ação: redução da vitamina K a sua forma ativa;
Fatores da cascata de coagulação dependentes de vitamina K Promovem o controle do TP.
II (protrombina), VII, IX, X e proteína C e S: importante para todas
as etapas da cascata de coagulação → via comum, via extrínseca
e via intrínseca;
Deficiência de vitamina K: o primeiro fator a desapare-
cer é o fator VII → alarga TP;
Deficiência prolongada de vitamina K: afeta os demais
fatores → alarga TTPA.
Deficiência dos fatores dependentes de vitamina K: TP prolongado
e, nas formas graves, TTPA alargado.
Deficiência de vitamina K
Doença hemorrágica do RN
Fatores de coagulação: passam pela placenta, exceto o fator VIII,
que é uma molécula muito grande por estar ligada ao FVW. Assim,
crianças nascem protegidas pelos fatores de coagulação maternos;
Fator VII: relacionado a doença, pela meia vida curta. Aumenta o ris-
co de sangramentos;
Conduta: reposição de vitamina K, para estimular a produção do
fator VII endógeno;
Leite materno não é fonte de vitamina K: no entanto, a amamenta-
ção é importante para que o RN tenha contato oral, com prolifera-
ção de bactérias endógenas, que iniciarão a produção de vitamina
K.
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