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Contestação em Ação Trabalhista 0016489-22

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Fls.

: 1

Poder Judiciário
Justiça do Trabalho
Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região

Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo


0016489-22.2023.5.16.0007

Processo Judicial Eletrônico

Data da Autuação: 07/06/2023


Valor da causa: R$ 52.041,11

Partes:
AUTOR: MARCOS ALVES GOMES
ADVOGADO: ANTONIO PEREIRA DE SOUSA FILHO
ADVOGADO: TIAGO PANDA SOARES DE OLIVEIRA
ADVOGADO: RAFAEL MONTEIRO DE OLIVEIRA
RÉU: MG EMPREENDIMENTOS LTDA
ADVOGADO: IRANDY GARCIA DA SILVA
PERITO: AGRIPINO PEREIRA MACHADO JUNIOR
PAGINA_CAPA_PROCESSO_PJE
Fls.: 2

AO JUÍZO FEDERAL DA ÚNICA VARA DO TRABALHO DE SANTA INÊS,


ESTADO DO MARANHÃO.

PROCESSO Nº 0016489-22.2023.5.16.0007
RECLAMANTE: MARCOS ALVES GOMES
RECLAMADO: MG EMPREENDIMENTOS LTDA

MG EMPREENDIMENTOS EIRELLI, pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ sob o nº 18.224.783/0001-52, com sede na Rua
05, 173, Quadra 159, Jardim Nova Era, Santa Inês, Estado do Maranhão,
representado pelo seu procurador IGOR SILVA CRUZ, brasileiro, casado,
administrador, RG nº 63239596-6 SSP/MA, CPF nº 808.630.003-34., por
seus advogados adiante assinados, constituídos, habilitados e qualificados nos
termos do instrumento procuratório em anexo, com escritório na Rua da Alegria,
nº 78, Bairro da Palmeira, Santa Inês/MA, vem a presença de Vossa Excelência,
na RECLAMAÇÃO TRABALHISTA proposta por MARCOS ALVES GOMES,
apresentar a sua:

CONTESTAÇÃO
O que faz baseado nas argumentações fáticas e fundamentações
jurídicas que passa a aduzir.

DOS FATOS PELA RECLAMANTE

O reclamante ingressou com Reclamação Trabalhista, alegando que foi


admitido pela reclamada, na função de gari, em 05 de janeiro de 2021, recebendo
mensalmente a importância de 01 (um) salário mínimo, tendo sido demitido em

Assinado eletronicamente por: IRANDY GARCIA DA SILVA - Juntado em: 22/08/2023 09:53:54 - 3c8ea54
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23 de maio de 2023, exercendo as atividades laborais de segunda a sábado das


07:00 às 18:00 h., como intervalo de 02 (duas) horas para o almoço. Pelo que
pleiteia as seguintes verbas:

Reconhecimento do vínculo empregatício, Aviso Prévio indenizado, 13º


salário, Férias + 1/3, FGTS + 40%, adicional de insalubridade, Multa das Férias,
Multa do Artigo 477, Multa do 13º salário, Horas Extras, dano moral e
honorários de sucumbência.

Por fim, deu a causa o valor de R$ 52.041,11 (Cinquenta e dois mil,


quarenta e um reais e onze centavos).

DOS FATOS PELO RECLAMADO

Em que pese os argumentos do reclamante, a presente reclamatória


não deve prosperar, haja vista que diversos fatos não correspondem à realidade,
em especial a motivação da não assinatura da CTPS do mesmo.

Por diversas vezes ocorreu a tentativa de anotação da CTPS, mas a


mesma deixou de ser feita em virtude do reclamante insistir em não realizar a
anotação, acreditando a reclamada que tal fato ocorreu em virtude do mesmo
ser filiado a alguma entidade de pescar para receber o seguro defeso, dessa forma
requer desse Juízo que seja oficiado ao INSS para fins de confirmar se o
reclamante recebia o Seguro Defeso.

Outro fato de extrema importância refere-se ao motivo da saída do


reclamante da empresa, pois o mesmo após a discussão com o encarregado não
voltou mais a reclamada, caracterizando o abandono de emprego.

Acrescente-se, ainda, que em relação aos EPI’s os mesmos eram


fornecidos pela reclamada, conforme foi informado pelo próprio reclamante na
exordial, fato que tem importância quando da aferição do grau de insalubridade.

M É R I T O AD CAUSAM

Os fatos não ocorreram da forma descrita na inicial, assim será


pontuado as discordâncias do reclamado.

Assinado eletronicamente por: IRANDY GARCIA DA SILVA - Juntado em: 22/08/2023 09:53:54 - 3c8ea54
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1. DATA DA ADMISSÃO E DEMISSÃO: O período de trabalho informado na


exordial está correto.

2. MOTIVO DA DEMISSÃO: Diferente do informado pelo reclamante, a saída


ocorreu em função do mesmo ter abandonado o emprego após a discussão
com o encarregado.

3. AVISO PRÉVIO: Indevido os valores cobrados, já que a demissão ocorreu


por justa causa, tendo em vista o abandono do emprego;

4. FÉRIAS 2021, 2022 e 2023 + 1/3 CONSTITUCIONAL: O pedido de férias


é inepto, pois não consta da petição inicial o período aquisitivo dos pedidos
o que gera, inclusive a impossibilidade da ampla defesa e do contraditório.

5. 13º SALÁRIO 2021, 2022 e 2023: Indevido o valor requerido, pois ao


final do ano ocorria o pagamento ao reclamante do valor relativo ao 13º
salário, excetuando-se o valor do proporcional de 2023, que não foi
pago pelo fato dele ter abandonado o emprego e não ter mais comparecido
a reclamada.

6. FGTS E MULTA DE 40% DE TODO PERÍODO LABORADO: O valor do


FGTS é devido, mas sem a multa de 40%, haja vista que a demissão
ocorreu por junta causa, consistente no abandono de emprego;

7. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE EM 40%: Como informado pelo


reclamante na exordial, o mesmo usava EPI, ou seja, o uso do EPI mesmo
que não consiga evitar a exposição a gente nocivos é capaz de diminuir a
mesma o que reflete diretamente no percentual de do adicional, dessa
forma entende a reclamada pela necessidade de realização de perícia para
mensurar o grau de exposição do reclamante;

8. MULTA DE FÉRIAS: Indevido o valor requerido, tendo em vista a


inexistência no nosso ordenamento jurídico da referida multa;

Assinado eletronicamente por: IRANDY GARCIA DA SILVA - Juntado em: 22/08/2023 09:53:54 - 3c8ea54
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9. MULTA DO ARTIGO 477 DA CLT: Indevida a multa requerida, tendo em


vista que o reclamante não compareceu mais a reclamada, após a
discussão com o outro colaborador;

10. MULTA DO ARTIGO 467 DA CLT: Indevida a multa requerida, já


que todas as verbas são controversas;

11. HORAS EXTRAS: Indevidas as horas extras, haja vista que não a
jornada de trabalho não chegava a apontada pelo autor, já que o mesmo
laborava das 07:00 h. às 11:00 h. e das 13:00 h. às 17:00 h de segunda a
sexta, ou seja, tinha jornada de 40 horas semanais;

12. DANOS MORAIS: Indevido o pedido de Dano Moral pois não fica
claro em que consistiu o dano, já que não foi produzida qualquer prova
para o deferimento de tal pedido, ou seja, o requerimento é genérico e por
isso entendemos pela inexistência do dano moral, ademais o vídeo juntado
é apenas o próprio reclamante falando do acontecido.

Pretende o autor a condenação da Ré ao pagamento de uma indenização


por danos morais. Caso o Estado-Juiz entenda ter havido algum dano
moral, ainda assim não assiste razão o autor, posto que não houve
qualquer dano passível de indenização ou qualquer ato ilícito praticado
pela empresa ré.

O autor pleiteia uma condenação por parte da Empresa, apresentação


suposições, mas não traz qualquer fato que justifique o pleito, sequer
menciona qualquer situação vexatória a que teria sido submetido, não
alega qualquer prejuízo à imagem, dignidade, moral ou qualquer
situação de dor, sofrimento ou humilhação.
Os fatos narrados pelo autor na sua ação estão incluídos nos percalços da
vida, tratando-se de meros dissabores e aborrecimentos e que não dão
ensejo ao pedido de indenização por danos morais. Em que pesem os
sentimentos e aspectos psicológicos pessoais do Autor, ou seja, por mais
vulneráveis que possam ser, o instituto do dano moral, que, a partir da
Constituição Federal de 1988, tornou-se de grande relevância no
ordenamento jurídico brasileiro, não pode ser desvirtuado chegando-se ao
ponto da banalização.

Assinado eletronicamente por: IRANDY GARCIA DA SILVA - Juntado em: 22/08/2023 09:53:54 - 3c8ea54
Fls.: 6

Nesse sentido, já há precedentes que sustentam que o dano moral não se


confunde com um mero dissabor; sendo que, a prevalecer dita tese,
qualquer problema daria ensejo a dano moral. Nesse diapasão merece
destaque decisão do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, no Resp n.º
606.382-MS (2003/0206071-6), de relatoria do Ministro César Asfor
Rocha, cujo voto do relator extrai-se seguintes trechos:

“Lembro aqui, a lição de Sérgio Cavaliere Filho, em seu


“Programa e Responsabilidade Civil” (Malheiros Editores
Ltda., 1996, p. 76) citando Antunes Varela, pela qual “a
gravidade do dano há de medir-se por um padrão objetivo
(conquanto a apreciação deva ter em linha de conta as
circunstâncias de cada caso), e não à luz de fatores
subjetivos (de uma sensibilidade particularmente embotada
ou especialmente requintada), e o dano deve ser de tal modo
grave que justifique a concessão de uma satisfação de ordem
pecuniária ao lesado.”

Continua o eminente relator:

“Por isso é que, “nessa linha de princípio, só de ser reputado


como dano moral a dor, vexame, sofrimento ou humilhação
que, fugindo à normalidade interfira intensamente o
comportamento psicológico do indivíduo, causando-lhe
aflições, angústias e desequilíbrio em seu bem-estar. Mero
dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade
exacerbada estão fora da órbita do dano moral.”

Conforme lição de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de


São Paulo, o ilustre José Osório de Azevedo Júnior destaca:

“Convém lembrar que não é qualquer dano moral que é


indenizável. Os aborrecimentos, percalços, pequenas
ofensas, não geram o dever de indenizar. O nobre instituto
não tem por objetivo amparar as suscetibilidades
exageradas...”(in Revista do Advogado nº 49, AASP, 1996,
pág. 11)

Ademais, a prova da existência do dano era imprescindível não só para o


julgador, mas principalmente para viabilizar articulação da defesa pela

Assinado eletronicamente por: IRANDY GARCIA DA SILVA - Juntado em: 22/08/2023 09:53:54 - 3c8ea54
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Ré que, sem os elementos que comprovem e explicitem o dano e sua


extensão, tem restringido o seu direito constitucional de ampla defesa.

Acerca da necessidade de comprovação do dano para verificação da


responsabilidade, a jurisprudência é pacífica:

“Indenização - Responsabilidade civil - Dano Moral - Prova


de sua repercussão - Falta - Verba não devida - Recurso
provido para esse fim - “No plano moral não basta o fato em
si do acontecimento, mas sim a prova de sua repercussão,
prejudicialmente mora”. (TJSP - 7ª Câm. - Apel. Rel. Benini
Cabral - j. 11.11.92 - JTJ LEX 143/89) (grifo nosso)

Os fatos alegados na ação, repita-se, não se constituem como fato


gerador de indenização por danos morais, sob pena de se ingressar na
esfera da chamada indústria do dano moral, pois certamente não foi para
albergar esse tipo de tutela que o legislador constituinte criou o instituto
em debate, nem tampouco é o pensamento dos doutrinadores ou reflete
a jurisprudência dos Tribunais.

Logo, se não existe dano não há que se falar em reparação.

Ora, Excelência é evidente a tentativa do autor de induzir este juízo ao


erro na medida em que utiliza alegações infundadas, sem qualquer
comprovação do fato constitutivo do seu direito, ou seja, da comprovação
do evento danoso.

Indevida, portanto, a indenização pretendida;

Assim sendo, não vemos, DATA VÊNIA, como possa prosperar a


reclamatória contestada.

EX POSITIS, requer no final seja acolhida a contestação, e no Mérito a


IMPROCEDENCIA da presente lide trabalhista, pela ilustre Titular em
Jurisdição.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito


admitidos, especialmente pelo depoimento pessoal do reclamante (En. 74 do
TST), juntada de documentos, oitiva de testemunhas, etc.

Assinado eletronicamente por: IRANDY GARCIA DA SILVA - Juntado em: 22/08/2023 09:53:54 - 3c8ea54
Fls.: 8

Termos em que.

Pede Deferimento.

Santa Inês/MA, 22 de agosto de 2023

IRANDY GARCIA DA SILVA – Advogado


OAB/MA N.º 5.208-A

Assinado eletronicamente por: IRANDY GARCIA DA SILVA - Juntado em: 22/08/2023 09:53:54 - 3c8ea54
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Número do processo: 0016489-22.2023.5.16.0007
Número do documento: 23082209535418000000019600556

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