I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 2
ORGANIZADORES
Prof. Doutor Sílvio Pedro José Saranga
Doutorado em Ciências do Desporto pela
Universidade do Porto. Professor Associado na
Universidade Pedagógica de Maputo
Prof. Doutor Gustavo Paipe
Doutorado em Ciências do Desporto pela
Universidade do Porto. Professor Auxiliar na
Universidade Pedagógica de Maputo
Prof. Doutor Clemente Afonso Matsinhe
Doutorado em Ciências da Cultura Física pela
Universidad del Deporte Manuel Fajardo. Professor
Auxiliar na Universidade Pedagógica de Maputo
MSc. Rafael Miguel
Mestre em Actividade Física e Saúde pela
Universidade Pedagógica de Maputo. Assistente
Universitário na Universidade Pedagógica de Maputo
Prof. Doutor Luis Rodríguez de Vera Mouliaá
Doutorado em Ciências do Desporto pela
Universidade Pedagógica de Maputo. Professor
Auxiliar na Universidade Pedagógica de Maputo
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 3
UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA DE MAPUTO
REENCONTRO DE GERAÇÕES, DESAFIOS E
PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA,
ACTIVIDADE FÍSICA E DESPORTO
Maputo
2023
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 4
COPYRIGHT
ISBN: 978-65-00-60638-6
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 5
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons
Attribution 3.0
Carlos Alberto Figueiredo da Silva
Editor
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 6
Editora Equalitas
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
(CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Congresso Nacional de Educação Física, Actividade
Física e Desporto (1. : 2022 : Niterói, RJ)
I Congresso Nacional de Educação Física,
Actividade Física e Desporto [livro eletrônico] :
reencontro de gerações, desafios e perspectivas
para a educação física, actividade física e
desporto / organização Sílvio Saranga...[et al.]. --
1. ed. -- Niterói, RJ : Ed. dos Autores, 2023.
PDF.
Outros organizadores: Gustavo Paipe, Clemente
Matshinhe, Rafael Miguel, Luís Rodríguez de Vera
Mouliaá.
Bibliografia.
ISBN 978-65-00-60638-6
1. Atividade física 2. Educação física
I. Saranga, Sílvio. II. Paipe, Gustavo.
III. Matsinhe, Clemente. IV. Miguel, Rafael.
V. Mouliaá, Luís Rodríguez de Vera.
23-141987 CDD-613.706
Índices para catálogo
sistemático:
1. Educação física : Congressos : Promoção da saúde
613.706
Aline Graziele Benítez - Bibliotecária - CRB-1/3129
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 7
APRESENTAÇÃO
A Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade
Pedagógica de Maputo organiza a Iª Edição do Congresso Nacional
de Educação Física, Actividade Física e Desporto de 28 – 30 de
Novembro de 2022 sob o lema “Reencontro de Gerações, Desafios e
Perspectivas para Educação Física, Actividade Física e Desporto”.
O congresso é um evento de abrangência nacional que reúne,
estudantes, alumnus, professores, atletas, ex-atletas, treinadores,
movimento associativo e demais participantes interessados
possibilitando a reflexão e profícua discussão sobre a realidade
vivenciada, bem como sobre questões que permeiam a nossa área.
O lema foi escolhido porque a Educação Física, a Actividade Física e
o Desporto são elementos centrais nas discussões científicas e sua
importância leva a uma reflexão sobre a sua complexidade, seja no
âmbito pedagógico, do treino, da saúde, do estético, do ético, do
lazer, bem como político. Concomitantemente, é necessário
compreendê-los como ponto de partida para possibilidades diversas
na construção do conhecimento da nossa área em contexto
moçambicano.
Outrossim, o estatuto que granjeia a nossa escola como a mais antiga
do país na formação de profissionais desta área, impele-nos a reunir
esforços para congregar todos os profissionais imbricados com a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 8
Educação Física, a Actividade Física e o Desporto para que juntos
possamos repensar os caminhos sinuosos que nos assolam, ao mesmo
tempo encontrarmos soluções conjuntas e abrangentes contra a
“guetização1” da nossa área. Neste concernente, o evento visa criar
um espaço comum para o intercâmbio e partilha de experiências
oriundas do Ensino, da Pesquisa e da Extensão vivenciadas no
âmbito educacional e no campo académico, e fortalecer o movimento
de professores/as e pesquisadores/as que actuam nas áreas de
conhecimento relacionadas à Educação Física, Actividade Física e
Desporto no contexto Nacional.
No entanto, o livro encontra-se organizado em três secções, as quais
versam sobre a Educação Física, Actividade Física e Desporto no
contexto moçambicano. Assim, a Iª secção está redigida em formato
de capítulo, sendo a IIª e IIIª secção destinadas, respectivamente, aos
trabalhos completos e resumos apresentados durante o congresso em
formato de comunicações orais.
Deste modo, esperamos ter dado o primeiro passo do longo caminho
que ainda temos por percorrer para que este movimento nacional se
consolide e seja assumido por todos os profissionais desta área como
um verdadeiro espaço académico de partilha dos resultados das
pesquisas desenvolvidas em contexto moçambicano.
A Comissão Organizadora
1A "guetização" refere-se, em sentido figurado, à marginalização da área de
Educação Física, Actividade Física e Desporto.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 9
AGRADECIMENTOS
A Comissão Organizadora agradece a todos aqueles que
acreditaram e contribuíram para a realização deste Congresso.
De modo especial, endereçamos um imensurável agradecimento aos
professores, estudantes e funcionários, assim como a cada uma das
empresas e instituições que ofereceram o seu apoio incondicional ao
longo das várias fases deste evento académico.
A todos eles vai o nosso Muito Obrigado!
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 10
COMISSÃO ORGANIZADORA
Comissão de Honra
Prof. Doutor Jorge Ferrão (Reitor da UPM- Moçambique)
Senhor Carlos Gilberto Mendes (Secretário de Estado do Desporto)
Doutor Joel Matias Libombo
Prof. Doutor António Prista
Mestre Mussá Tembe
Mestre Mabell Serra
Comissão Organizadora
Prof. Doutor Sílvio Saranga (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Gustavo Paipe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Clemente Matsinhe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Timóteo Daca (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Vicente Tembe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Mário Tchamo (UPM- Moçambique)
Mestre Rafael Miguel (UPM- Moçambique)
Mestre Pedro Pessula (UPM- Moçambique)
Mestre Domingos Merione (Uni Rovuma- Moçambique)
Mestre Humberto Nhabomba (Uni Save- Moçambique)
Mestre Extenzias Becape (Uni Licungo- Moçambique).
Mestre Jorge Domingos (Uni Pungué- Moçambique)
Comissão Científica
Prof. Doutor Sílvio Saranga (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Gustavo Paipe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Clemente Matsinhe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Ângelo Muria (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Vicente Tembe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Jeremias Mahique (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Luis Rodríguez de Vera Mouliaá (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Edmundo Ribeiro Roque (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Timóteo Daca (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Mário Tchamo (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor António Prista (UPM- Moçambique)
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 11
Profª. Doutora Lucília Magona (ESCIDE- UEM).
Profª. Doutora Aspácia Madeira (Uni Save- Moçambique)
Prof. Doutor Hugo Sarmento (Universidade de Coimbra- Portugal)
Prof. Doutor Ytalo Mota (Universidade Federal da Paraíba- Brasil)
Prof. Doutor Hugo Louro (Escola Superior de Desporto do Rio
Maior- Portugal)
Prof. Doutor Jerri Ribeiro (Universidade Federal do Rio Grande do
Sul- Brasil)
Prof. Doutor Vasco Parreiral Vaz Simões (Universidade de Coimbra-
Portugal)
Comissão Executiva
Prof. Doutor Sílvio Saranga (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Gustavo Paipe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Timóteo Daca (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Clemente Matsinhe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Vicente Tembe (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Mário Tchamo (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Jeremias Mahique (UPM- Moçambique)
Prof. Doutor Luís Rodríguez de Vera Mouliaá (UPM- Moçambique)
Mestre Rafael Miguel (UPM- Moçambique)
Mestre Domingos Mirione (Uni Rovuma)
Mestre Humberto Nhabomba (Uni Save)
Mestre Extenzias Becape (Uni Licungo)
Mestre Jorge Domingos (Uni Pungué)
Protocolo
Doutora Maria Celeste (UPM- Moçambique)
Doutora Issília Langa (UPM- Moçambique)
Doutora Estefânia Muheca (UPM- Moçambique)
Doutora Esmeralda Zandamela (UPM- Moçambique)
Informação e Propaganda
Mestre Rafael Miguel (UPM- Moçambique)
Doutor Eliseu Sueia (UPM- Moçambique)
Doutor Castro Jorge (Rádio de Moçambique)
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 12
Registo e Documentação
Prof. Doutor Luis Rodríguez de Vera Mouliaá (UPM- Moçambique)
Mestre Domingos Nhamussua (UPM- Moçambique)
Audiovisual e Informática
Alex Mate (UPM- Moçambique)
Engº. Wilton Baltazar
Neto Cumaio (UPM- Moçambique)
Transporte
Sr. Maurício Rui Mabuiangue (UPM- Moçambique)
Tesouraria e Finanças
Doutora Fátima Zefanias (UPM- Moçambique)
Doutora Estefânia Muheca (UPM- Moçambique)
Doutora Abelina Sónia Wailesse (UPM- Moçambique)
Cultura
Doutora Lucinda Martins (UPM- Moçambique)
Saúde
Prof. Doutor Ernesto Macongonde (UPM- Moçambique)
Mestre Sandra Paticene (UPM- Moçambique)
Mestre Ercílio Machanguana (UPM- Moçambique)
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 13
Linhas Temáticas do Congresso
Fizeram parte deste Congresso cinco linhas temáticas:
Educação Física e Desporto Escolar
Treino Desportivo
Desporto para Pessoas com Deficiência
Gestão do Desporto e das Infra-estruturas
Actividade Física e Saúde em diferentes contextos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 14
ÍNDICE
ORGANIZADORES…………..…..……..……..…………..…………………..……….2
CONTRACAPA………………………………………………………………………..…...4
DADOS DE CATALOGAÇÃO……………………………..…………………………..5
APRESENTAÇÃO………………………………………………………..………………..6
AGRADECIMENTOS…………………………………………………….……………… 9
COMISSÃO ORGANIZADORA…………………………………………….……… 10
Linhas Temáticas do Congresso...…………………………………….……….13
ÍNDICE……………………………………………………………………………………...14
SECÇÃO I: CAPÍTULOS DO LIVRO………………………..……………………..19
O Papel das Autarquias na Promoção de Actividade Física e
Desporto. Estudo de caso em cinco autarquias da Província de
Inhambane (Humberto Nhabomba; Alan Ferreira; Gustavo Pascoal
Paipe)……………………………………………………………………….……….……...20
A Actividade Física e o Desporto como ferramentas de inclusão
social de pessoas com deficiência ( Luis Rodríguez de Vera Mouliaá;
Jeremias Deolinda Mahique; Inês Agostinho Mabota).….…….….………..33
Baixo peso ao nascer, sua relação com a nutrição e impacto de
Actividade Física para atenuar seus efeitos (Mário Eugénio Tchamo;
Carol Góis Leandro)………………..…………………………..……….…………….. 68
Percepções sobre género e a influência dos estereótipos de
género nas aulas de educação física e desportos em uma escola
comunitária no sul de Moçambique (Sandra Paticene; Beatriz Ruiz;
Tsinine Agostinho; Sílvio Saranga) ……………..…..…..…..…….……………..89
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 15
Processo de aquisição das Habilidades Motoras, Técnicas e
Capacidades Físicas (Jeremias Deolinda Mahique, Luís Rodríguez de
Vera Mouliaá, Teresa Mavulula, Sílvio Pedro Saranga )……………….….104
Emergência da Psicologia do Desporto e sua aplicação em
Moçambique (Paulo Saveca; Vicente Alfredo Tembe)….….……..…… 131
Interculturalidade, Actividade Física e Desporto em jovens
moçambicanos (Vicente Alfredo Tembe; Alberto Graziano)…….…… 141
SECÇÃO II: TRABALHOS APRESENTADOS……………….………………..159
Perfil antropométrico, físico e técnico das jogadoras de futebol
em relação à posição táctica no campo de jogos em Moçambique,
África (Angelina Dinana; Jeremias Mahique; André Seabra; Sílvio Pedro
Saranga)………………………………………………………………..………………………….160
Modelo de Formação de Professores de Educação Física e
Desporto na Modalidade a Distância: Reflexões a partir de uma
experiência formativa (Alberto Malequeta; Agata Marques Aranha;
Clemente Afonso Matsinhe)…………………………………………..……………175
A gestão do desporto de rendimento em Moçambique: factores
do seu desenvolvimento e êxito (Angélica Manhiça, Gustavo Paipe)
……………………………………………………………………………..………………………....197
Programas de intervenção na redução das assimetrias funcionais:
um estudo de revisão ( Domingos Manuel Nhamussua; Sílvio José
Saranga; Rodolfo Novellino Benda)…………………..………….……….……….217
Indicadores da síndrome metabólica, obesidade e actividade
física habitual. Um estudo em mulheres adultas vendedeiras no
mercado do peixe em Maputo – Moçambique (Rafael Miguel, Luis
Rodríguez de Vera Mouliaá, Sílvio Pedro Saranga) …….…………..……… 233
SECÇÃO III: RESUMOS………………………………………….………………… 261
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 16
Actividade Física habitual das mulheres de Mocuba e Quelimane,
durante a gestação ( Domingos Chivure Júnior; Eugénia Luís; Carla
Guenha; Sílvio José Saranga)……………………………………...……………….262
Programas de intervenção na redução das assimetrias funcionais:
um estudo de revisão ( Domingos Manuel Nhamussua; Sílvio José
Saranga; Rodolfo Novellino Benda)…..……………...………………………….264
Modelo gestão das instalações futebolísticas nos clubes
desportivos da cidade da Beira: o caso do Sporting Clube,
Ferroviário da Beira e Desportivo Estrela Vermelha da Beira ( David
Filipe; Leonor Picardo; Gustavo Paipe )……………………………………..….266
Factores da motivação para a prática de desporto escolar dos
adolescentes de Quelimane: um estudo exploratório ( Noémia
Luciano Augusto; Vicente Alfredo Tembe ; Jacinto José Vasconcelos-
Raposo )…………………………………………………………………………………..268
Maturação bio-fisiológica dos jovens praticantes de basquetebol:
uma revisão sistemática (Stélia Mazivila Xavier; José Luís Sousa; José
Gamonales; Hugo Louro; Clemente Afonso Matsinhe )…………………… 270
Estrutura de prática no ensino e aprendizagem das habilidades
motoras: uma revisão sistemática ( Gómes Nhaca, Timóteo Daca)
…………………………………………………………………..…………………..272
Força Explosiva de membros inferiores. Estudo Exploratório em
crianças e adolescentes de 10 a 16 anos de idade praticantes do
Rope Skipping nos núcleos desportivos da cidade de Nampula
(Carmuto Paulo Namahela)…………………………………………………………274
Estrutura das cargas de treino em natação pura desportiva. Um
estudo com atletas moçambicanos de todos os escalões etários
(José Pene; Clemente Matsinhe)…….…………………………………………….276
O uso da língua materna e sua influência no auxílio do PEA em
Educação Física, face ao desempenho escolar dos alunos ( Stélio
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 17
Joaquim Bizueque; Gustavo Paipe )……………………………………..……… 278
Estudo comparativo da Aptidão Física de jogadores seniores
masculino de futebol de diferentes níveis competitivos da cidade
de Quelimane (Nilsio Sengo; Estevão Domingos Aleixo; Alberto
Graziano)…………………………………………………………………………….
…...280
Treino dos fundamentos técnicos - desportivos dos atletas
infanto-juvenil de basquetebol moçambicano ( Extenzias Becape;
Clemente Matsinhe)…………………………………………………………………..282
Crescimento somático e estado nutricional de adolescentes de 10
aos 16 anos de idade da cidade de Nampula ( Domingos Mirione;
Israel José; Francisco Valentim; Juliana Júlio Muchiguere )……………….284
Motivação e auto-estima em atletas de basquetebol do núcleo
desportivo de Namicopo – Nampula ( Domingos Mirione; Israel José;
Osvaldo Miquitosse; Juliana Júlio Muchiguere)………………………………286
Boas práticas na leccionação de aulas de Educação Física no
Ensino Secundário Geral (Hermenegilda da Conceição Joaquim Viola)
……………………………………………………………………………………… 288
Hábitos alimentares e composição corporal dos atletas do
basquetebol sénior dos clubes da cidade de Maputo ( Mário
Eugénio Tchamo; Rufina Homo)…………………………………..………….…..290
Influência do peso ao nascer sobre a frequência alimentar,
antropometria, composição corporal de crianças dos 7 aos 10
anos residentes em Boane (Eulálio Malinga; Mário Eugénio Tchamo;
Wylla Ferreira e Silva)……………………………..………………………………...292
A gestão do desporto de rendimento em Moçambique: factores
do seu desenvolvimento e êxito ( Angélica Manhiça; Gustavo Paipe)
………………………………………………………………….…………………..294
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 18
Efeito do treino pliométrico na melhoria da força explosiva. Um
estudo experimental em crianças e jovens, nos núcleos
desportivos da Faculdade de Educação Física e Desporto ( Carvalho
Eduardo Mbebe; Clemente Afonso Matsinhe)……………………….……….296
Influência do peso ao nascer sobre a composição corporal e as
variáveis cardio-metabólicas e a aptidão física de crianças dos 7
aos 10 anos de idade residentes na Província de Maputo –
Moçambique (Euclides Guiliche; Sílvio Saranga; João Henriques)…...298
Recuperação da plasticidade motora do idoso com exercício físico
(Jorge Uate; Timóteo Daca)…………….………………………………………….300
Percurso histórico do Grupo Desportivo de Maputo e dos seus ex-
jogadores de futebol (Elísio Chamusse; Pedro Pessula)…..…………...302
Talento e Iniciação Desportiva: Estudo exploratório dos
indicadores de aptidão física em crianças e adolescentes em
desportos colectivos, cidade de Nampula em Moçambique 2022
(Lúcio Morais Alfredo; Leonardo Nhantumbo)……………………………….304
Factores determinantes da prova de 100m no Atletismo ( Ercílio
Machanguana)……………………………………………………………………..…..306
Perfil morfológico e funcional das jovens futebolistas
moçambicanas: estudo realizado na região centro ( Jorge Domingos;
Carol Virgínia Gois Leandro; Sílvio Pedro Saranga )……………..………… 307
Efeito da idade relativa nos clubes de Moçambola da cidade de
Maputo (Mário Eugénio Tchamo; Nelson Morane)………………………..309
Modelo de Responsabilidad Personal y Social de Donald Hellison
para melhorar odesenvolvimento de valores e atitudes positivas
através das aulas de Educação Física em crianças da 6 a y 7a Classe
do Ensino Primário (Raul Cánovas; Clemente Matsinhe)………..…….310
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 19
SECÇÃO I: CAPÍTULOS DO LIVRO
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 20
O Papel das Autarquias na Promoção de Actividade
Física e Desporto. Estudo de caso em cinco autarquias
da Província de Inhambane
1
Humberto Mateus Nhabomba
2
Alan Ferreira
3
Gustavo Pascoal Paipe
1
Universidade do Save - Moçambique
2
Instituto Politécnico de Santarém - Portugal
3
Universidade Pedagógica de Maputo - Moçambique
Introdução
A actividade física e o desporto são para o Homem formas de
expressão que contribuem para o seu aperfeiçoamento, seu
conhecimento e sua descoberta. Actualmente, o desporto possui um
conjunto de valores que lhe promove uma autêntica dimensão da
cultura humana, na medida em que o seu progresso resulta da
actividade criadora do homem e da acção modeladora da sociedade
(Ferreira & Nery, 1996).
O desporto é um fenómeno social total uma vez que interage com os
vários sistemas que compõem a vida moderna, nomeadamente a
tecnologia, a cultura, a economia, a sociedade e a política. Neste
sentido, o desporto torna-se indiscutivelmente solidário com a
evolução do mundo, com valores morais e estéticos que o
caracterizam, projectando-se para o futuro (Ferreira & Nery, 2000).
Deste modo, afigura-se num poderoso e potencial instrumento para o
desenvolvimento local de uma determinada cidade/ região. Todavia,
o desporto em Moçambique revela grandes carências de múltipla
natureza, não tanto no domínio financeiro, mas principalmente ao
nível técnico e de organização, tornando-se indispensável repensar e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 21
planificar estratégias com o intuito de optimizar as acções e
promover o desenvolvimento desportivo (Paipe, 2016).
Os municípios são entidades imprescindíveis para promover e
auxiliar o desenvolvimento desportivo, criando maiores e mais fáceis
condições de acesso às diferentes actividades desportivas ao maior
número de cidadãos dos diferentes grupos etários e sociais
(Constantino, 1990). Nos dias de hoje, segundo Carvalho (1994), a
autarquia aparece como um terreno fértil para a inovação e a
modernização de uma determinada região, permitindo uma
reorganização da vida social.
Inevitavelmente, o ser humano preocupa-se cada vez mais com a sua
saúde e por um estilo de vida sensato e activo, no entanto para que a
prática desportiva esteja associada à saúde, é necessário que a mesma
seja intencionalmente estruturada, planificada, conduzida e
controlada (Bento, 2004). Segundo Garcia (2002), o ser humano não
tem necessidades básicas universais, pois estas variam de local, de
tempo e de pessoa para pessoa. Deste modo, torna-se necessária uma
investigação aprofundada dos hábitos e necessidades desportivas da
população, de modo a planificar uma intervenção social e desportiva.
É aqui que o conjunto de técnicos com formação especializada e
profissional na área de actividade física e desporto que se ocupam da
gestão e administração dos serviços, e não apenas da animação e/ou
orientação das actividades desportivas e recreativas, têm um papel
fundamental no impulsionar do desenvolvimento desportivo nos
diversos pontos de Moçambique.
Com a evolução natural dos tempos, a actividade física e o desporto
têm vindo a assumirem no panorama contemporâneo um papel de
capital importância, quer no plano social, quer no plano da saúde,
para a promoção da qualidade de vida e bem-estar, quer no plano
pedagógico, traduzindo-se num dos principais meios de educação e
formação da população em geral. Deste modo, com este artigo
pretendemos caracterizar a intervenção das autarquias da província
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 22
de Inhambane na promoção de actividade física e desporto para os
seus munícipes, realizando um levantamento das acções e programas
municipais desenvolvidos nos anos de 2019-2021, e verificar se os
municípios conseguem realmente responderem às necessidades da
população (diferentes faixas etárias da população) ao nível das
diversas formas de actividade física e desporto.
1. Material e Métodos
De acordo com Pires (1989), o processo de investigação tem uma
determinada metodologia relativa ao conjunto de operações que nos
levam à verificação dos propósitos da investigação.
Desta forma, encontram-se expostos neste ponto os procedimentos
metodológicos que se decidiu adoptar, com vista a alcançar os
objectivos estabelecidos.
1.1. Amostra
Este estudo encontra-se direccionado para uma população especifica:
agentes responsáveis pelo desporto nos municípios. Sendo assim,
definimos que o estudo seria constituído por cinco agentes
desportivos dos cinco municípios da Cidade de Inhambane
(Vilankulo, Massinga, Maxixe, Inhambane e Quissico). É possível,
assim, ter uma amostra considerável de municípios que nos permita
retirar conclusões sobre as práticas desportivas que a generalidade
das autarquias da província de Inhambane promove.
1.2. Instrumento
Para a recolha de dados, estabelecemos como instrumento o
questionário aberto. Este é caracterizado, segundo Matalon (2005, p.
64), pela “formulação e a ordem das questões ser fixas, mas o sujeito
pode fornecer uma resposta tão longa quanto desejar e pode ser
incitado por insistência do entrevistador”.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 23
Neste estudo, optámos por este tipo de questionário, uma vez que
certifica que os dados obtidos serão comparáveis entre os vários
sujeitos.
2. Resultados
Os resultados obtidos permitem realizar uma caracterização geral da
realidade desportiva nas cinco autarquias, na medida em que estas
possuem um conjunto de actividades desportivas para diferentes
alvos da população.
De referir que, embora fosse dificuldade acrescida, este estudo
poderia ter um carácter mais aprofundado se tivéssemos conseguido
informações e dados a cerca do financiamento dos municípios ao
nível da promoção das diferentes actividades físicas e desportivas.
No entanto esta vontade de ir mais além não foi possível na medida
em que os municípios possuem ainda algum desconforto em fazer
transparecer alguns dados internos da sua intervenção.
Ao iniciarmos a análise do objectivo proposto, olharemos o papel
reservado para actividade física e desporto em cada município.
Seguidamente, faz-se uma reflexão do papel reservado para o
desporto em cada autarquia (Categoria 1) e, níveis de
desenvolvimento do desporto (Categoria 2). A seguir, examinamos
mais detalhadamente os resultados referentes aos diferentes
programas desportivos concebidos para os munícipes (Categoria 3).
Na etapa seguinte, analisamos as infra-estruturas e equipamentos
desportivos existentes nos municípios, tendo em conta o papel destes
na promoção de actividade física e desporto (Categoria 4). Por
último, examinamos os resultados relativamente à existência dos
planos estratégicos e planos de acção com vista ao desenvolvimento
do desporto nas autarquias da província de Inhambane (Categoria 5).
2.1. Categorias 1 e 2: Desporto e Autarquia – Realidade
Desportiva
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 24
Neste ponto (categoria 1) analisa-se a importância do desporto para
cada uma das autarquias do estudo. Na categoria 2, indicam-se os
resultados referentes ao nível do desenvolvimento do desporto nos
cinco municípios da província de Inhambane.
Nestas duas categorias, em todos os municípios do estudo verifica-se
a aplicação de práticas basicamente ligadas a massificação do
movimento associativo desportivo, segundo as respostas dos
entrevistados. Os resultados da pesquisa ressaltam uma preocupação
dos municípios em criar condições para que a oferta desportiva e a
aplicação de programas de actividade física sejam massificadas e
dirigidas a todos os munícipes sem excepção, fomentando-se assim o
“Desporto para Todos”, conforme estipulado na Constituição da
República de Moçambique de 2004, no seu artigo 93. Em relação a
oferta desportiva (utilização de equipamentos e instalações
desportivas municipais), na generalidade dos municípios aplicam
preços muito reduzidos ou mesmo gratuitos aos seus munícipes e/ou
interessados dado que, os equipamentos têm o estatuto de utilidade
pública – segundo os depoimentos dos entrevistados para o estudo.
Os municípios de Vilankulo, Maxixe e Inhambane, consideram haver
diferenças ao nível do desenvolvimento do desporto autárquico. Os
entrevistados invocam razões relacionadas com diferenças
acentuadas ao nível das categorias (cidade e vila), nível populacional
e de investimento para o desporto, em que as autarquias de Maxixe e
Vilankulo apresentam melhores indicadores comparando com os
restantes municípios do estudo.
2.2. Categoria 3: Actividade Física e Programas Desportivos
Municipais
As autarquias da província de Inhambane, através dos seus pelouros
do desporto, desenvolvem e apoiam um conjunto de actividades,
atendendo aos interesses, motivações e características particulares
das diferentes populações que compõem as cidades e vilas
municipais. De um modo geral, estas autarquias procuram
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 25
estabelecer um conjunto de relações múltiplas e dinâmicas com os
vários sistemas e organizações desportiva, nomeadamente federado,
educativo, associativo e empresarial de modo a contribuírem
efectivamente para o desenvolvimento desportivo e
consequentemente para a melhoria da qualidade de vida das
populações, através da implementação de um conjunto de estratégias
inovadoras (protocolos desportivos e culturais, projectos e
actividades desportivas para os diferentes grupos etários,
apoios/patrocínios desportivos e comemorações desportivas, entre
outros).
É notável ainda que as actividades regulares desenvolvidas pelas
autarquias visam não só um desenvolvimento desportivo, mas
simultaneamente a criação de uma planificação desportiva sustentada
e qualificada (actualização e inovação das estratégias de intervenção
e procura constante de formação). As autarquias
As actuações e promoções das autarquias da província de Inhambane
ao nível de actividade física e programas desportivos podem ser
considerados em três grupos etários: crianças das escolas, jovens
adolescentes e população adulta.
2.2.1. Oferta Desportiva para Crianças das Escolas
Actualmente está completamente esclarecida a enorme importância
que a actividade física e o desporto devidamente orientados por
objectivos educativos têm para a vida da criança e para a própria
actividade da escola. As intervenções em contexto escolar para a
promoção de actividade física e desporto são fundamentais pelo facto
de facilitarem o acesso a um grande número de jovens, apesar de ser
insuficiente à luz das actuais recomendações, (Calmeiro & Matos,
2004).
Após a análise das respostas dos entrevistados nas cinco autarquias
em estudo na província de Inhambane, pode-se constatar que as
crianças com idade escolar, podem desfrutar de um conjunto
alargado de actividades e eventos lúdico-desportivos.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 26
No que se refere aos programas desportivos e actividade física para
crianças das escolas, nota-se que todas as autarquias em parceria com
educação (escolas) têm concebido as mais diversas e variadas
actividades. Em relação à oferta desportiva total (número de
programas desportivos) para esta faixa etária, verifica-se que, a
autarquia da Vila de Quissico apresenta maior percentagem de oferta
(41%), seguindo as autarquias de Inhambane, Maxixe e Massinga
com 17% para cada e, por fim a autarquia da cidade de Vilanculo que
apresenta 8% da oferta desportiva.
As actividades desportivas realizadas encontram-se distribuídas ao
longo do ano, no entanto existe maior prevalência em alguns meses,
quando decorre a interrupção das actividades escolares,
nomeadamente em Maio, Agosto e Novembro.
Considerando o actual panorama das autarquias da província de
Inhambane, a oferta desportiva como resultado de um padrão de
comportamento, esta apresenta uma correcta abordagem ao nível das
crianças da escola. Desta forma, pode dizer-se que as vantagens da
oferta desportiva praticada durante a escolaridade neste tipo de
população, sob a orientação de um educador devidamente qualificado
e fazendo parte integrante do projecto educativo que esta desenvolve,
constitui um factor decisivo para o aperfeiçoamento da personalidade
global do ser em crescimento.
Na opinião de Carvalho (1994), as autarquias devem intervir
directamente e indirectamente na generalização e dinamização da
prática desportiva, criando programas que deverão considerar um
diferenciado tendo em conta horários, segurança, locais de
aprendizagem e as características de cada turma. Neste estudo, nota-
se que a oferta desportiva para crianças das escolas, ressalva as
condições para que todo o segmento possa usufruir dos benefícios
desta.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 27
2.2.2. Oferta Desportiva para Jovens Adolescentes
Em relação às actividades desportivos para jovens-adolescentes,
verificamos que a autarquia da cidade de Maxixe é que mais
promove actividades para este tipo de população comparativamente
com os outros municípios que fazem parte do estudo. A autarquia de
Maxixe apresenta um incremento de 29%, seguida das autarquias de
Inhambane e Quissico com 21% e por fim as autarquias de Massinga
e Vilanculo com 14%. O Município de Quissico possui uma
particularidade diferente de todos, visto que os programas
desportivos se desenvolvem em ambos sexos (masculino e feminino),
sendo uma mais-valia para inclusão e desenvolvimento do desporto.
2.2.3. Oferta Desportiva para Terceira Idade
As autarquias da província de Inhambane possuem programas de
actividades específicas para a população idosa, que são basicamente,
o campeonato de futebol dos veteranos e o programa de ginástica
aeróbica que se desenvolve frequentemente nas datas comemorativas
e/ou festivas. Apenas a autarquia da vila de Quissico não tem
nenhuma oferta programas próprios para a população idosa.
Através da análise de respostas dos entrevistados, pode afirmar-se
que o futebol e as actividades gímnicas são promovidos na
generalidade das autarquias, sendo que estas são as acções mais
fomentadas na oferta desportiva para os idosos. Conforme os dados
relativamente ao número de participantes e de acções promovidas,
pelos conjuntos de entidades parceiras e diversidade de oferta de
actividades, percebe-se que as autarquias de Inhambane e Maxixe
apresentam uma oferta desportiva mais generalizada e diversificada,
dada as suas categorias e investimento autárquico para o pelouro do
desporto.
Segundo Sardinha (1999), refere que acções e iniciativas que
envolvam o idoso em actividades de interacção social, no quadro de
redes de suporte formal, informal ou social, são fulcrais para o
processo de revitalização da sua autonomia funcional, interacção
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 28
social e auto-estima. Relativamente à população idosa, conclui-se
que a oferta desportiva nesta população nas autarquias da província
de Inhambane, responde aos resultados encontrados no estudo de
Sardinha.
Na procura de remediar o seu isolamento e postura apática, a oferta
desportiva na população idosa responde às seguintes necessidades:
manutenção de vida activa e aumento da longevidade produtiva;
prevenção de doenças e melhoria sustentada da saúde; participação
social e integração no grupo como forma de garantir a continuidade
da vida activa como cidadão e por fim, contribui para a melhoria e
manutenção da qualidade de vida.
2.3. Categoria 4: Infra-estruturas e Equipamentos Desportivos
As instalações desportivas são espaços específicos que pretendem
responder às solicitações da população tendo por objectivo o
desenvolvimento das actividades desportivas.
Considerando que o planeamento das instalações desportivas pode
ser dirigido a sectores específicos que incluem determinadas
modalidades, as autarquias devem apostar equipamentos que geram
um grande fluxo de utilização por parte dos munícipes, através de
uma gestão previamente definida, (Bardin, 2004).
Todas as actividades desportivas patentes nas autarquias decorrem
nas diversas instalações desportivas (estádios municipais, pavilhões,
campos exteriores, polidesportivos e espaços naturais) existentes nas
cidades e vilas municipais.
No que se refere às infra-estruturas desportivas, as autarquias das
cidades de Inhambane e Maxixe apresentam melhores indicadores,
com 29% para cada autarquia, seguidas das autarquias de Vilanculo e
Quissico com 21%. Nesta categoria, a autarquia da vila de Massinga
não possui nenhuma infra-estrutura desportiva municipal. As
actividades físicas e desportivas municipais são desenvolvidas nas
escolas e colectividades desportivas existentes na autarquia.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 29
Em relação aos procedimentos de utilização dos equipamentos
desportivos municipais (acesso aos utentes e/ou clientes), verifica-se
uma orientação no sentido de as autarquias aplicarem taxas reduzidas
e em outros casos, a utilização de infra-estruturas desportivas é
mesmo de forma grátis (custo zero). Existe igualmente um leque
variado de opções (por exemplo, utilização de infra-estruturas para
casamento, festivais culturais, eventos religiosos) na utilização de
infra-estruturas desportivas municipais como forma de responder as
necessidades e demanda de munícipes. Contudo, este desiderato
constitui, assim, um factor importante para o fomento da prática de
actividade física e desporto dos munícipes da maioria das autarquias
da província de Inhambane.
Quanto ao tipo de gestão, as infra-estruturas desportivas das
autarquias de Inhambane, Maxixe, Vilankulo e Quissico (através das
áreas de vereações) têm uma gestão directa, feita pelos sectores
municipais de desporto. A autarquia de Msssinga, possui um dado
preocupante visto que não possui nenhuma instalação desportiva
municipal, por isso não se encontra qualquer tipo de gestão.
É de realçar ainda que, todas as autarquias em estudo, possuem
regulamentos de todos os campeonatos municipais que estão sob sua
responsabilidade de organização. As autarquias que possuem
instalações desportivas municipais utilizam, para promover
campeonatos e programas de actividade física para os utentes e/ou
munícipes. Considera-se que este tipo de equipamentos municipais é
um veículo para promoção de actividades físicas e desportivas e,
qualidade de vida da população residente.
A supremacia das autarquias de Inhambane e Maxixe quanto à oferta
de instalações e equipamentos desportivos para todos os segmentos
da população relativamente às restantes autarquias pode ser
justificada pelo maior número de população municipal (número total
de residentes) usufruindo, consequentemente, um maior número de
recursos (por exemplo, equipamentos desportivos, escolas, recursos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 30
humanos e financeiros, colectividades) que conduzem a uma maior
procura desportiva.
2.4. Categoria 5: Plano Estratégico/ Plano de Acção
(operacionalização)
No que concerne ao Plano Estratégico de Desenvolvimento do
Desporto Autárquico, todos os municípios em estudo, não possuem
uma estratégia definida para o desenvolvimento desportivo. Não
possuindo os planos estratégicos, as actividades de pelouro do
desportivo estão inseridas no manifesto eleitoral e, por sua vez,
realizadas (plano de acção) através do PESOM anual (Plano
Económico e Social do Município).
As autarquias da província de Inhambane estabelecem vários tipos de
recursos e apoios (financeiro, logístico – material e instalações
desportivas, humano – técnicos desportivos) ao movimento
associativo desportivo (associações e clubes).
3. Considerações Finais
De uma forma genérica, a elaboração deste estudo possibilitou uma
caracterização da intervenção das autarquias da província de
Inhambane ao nível da promoção de actividades físicas e desportivas
nos anos de 2019 – 2021.
Com este estudo verifica-se que as autarquias desenvolvem um
número significativo de oferta desportiva (programas desportivos e
infra-estruturas), sendo a maioria desta destinada às crianças das
escolas e jovens adolescentes. No entanto, não deixam de
desenvolverem outras actividades para outros tipos de população,
nomeadamente para adultos, idosos e pessoas com necessidades
educativas especiais.
Relativamente ao carácter ou tipo de oferta desportiva desenvolvida
verifica-se que existe predominância das actividades de
competição/rendimento sob as actividades de recreação e de
formação/aprendizagem.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 31
Nas autarquias em estudo, nota-se uma preocupação com a formação,
organizando-se deste modo acções de formação em temáticas
pertinentes ao movimento associativo desportivo. A promoção de
seminários e cursos de formação especializada são vistos como meio
de dotar os recursos humanos de uma actualização e inovação de
saberes e conhecimentos, conseguindo responderem adequadamente
e com qualidade a todos os constrangimentos de associativismo
desportivo nas autarquias.
Contudo, as autarquias atribuem particular atenção ao fenómeno
desportivo, procurando levar o desporto a todos os munícipes,
respeitando o princípio do “desporto como um direito colectivo” e
consequentemente do “desporto para todos”, através de serviços e/ou
produtos de desporto e de recursos humanos qualificados. De referir
ainda que o desconforto demonstrado pelos membros autárquicos em
desvendar alguns dados internos das suas intervenções impossibilitou
um maior aprofundamento deste estudo no concerne ao
financiamento autárquico para a actividade física e o desporto.
Referências Bibliográficas
BENTO, J. Desporto – Discurso e Substância. 1ª Edição. Colecção:
Saberes do Desporto. Porto, 2004.
BARDIN, L. O espaço e o desenvolvimento desportivo. Horizonte.
Lisboa 2004.
CALMEIRO, L. & MATOS, M. Psicologia do Exercício e da Saúde.
Editora Visão e Contextos. Lisboa, 2004.
CARVALHO, M. Desporto e Autarquias Locais. Edição: Campo das
Letras. Porto, 1994.
CONSTANTINO, J. Desporto, Política e Autarquias – Cultura
Física. Lisboa, 1999.
CUSTÓDIO, C. A autarquia e a promoção de actividade física.
Estudo de caso em sete municípios da Península de Setúbal.
Dissertação elaborada com vista à obtenção do grau de mestre na
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 32
especialidade de gestão do desporto – Organizações Desportivas.
Lisboa, 2011.
FERREIRA, M.; NERY, P. Desporto e Autarquias – Planificação e
Programação Desportiva para o Desenvolvimento. Pelouro do
Desporto da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Porto,
1996.
FERREIRA, M.; NERY, P. Desporto e Autarquias – Planificação e
Programação Desportiva para o Desenvolvimento. Lisboa, 2000.
GARCIA, R. A educação física face ao desafio do tempo livre. In
temas actuais em educação física e esportes VII. Editora Health-
UFMG, Belo Horizonte, Brasil, 2002.
JOAQUIM, B. Desporto e Autarquias Locais. Intervenção Política
na Promoção de Desporto no Concelho de Tondela. Porto, 2009.
MATALON, B. O Inquérito. 4ª Edição. Celta Editora. Oeiras, 2005.
PAIPE, G. Políticas Públicas Desportivas – Estudo centrado em
municípios de Moçambique. Dissertação apresentada com vista à
obtenção do grau de Doutor em Ciências do Desporto.
Universidade do Porto, 2016.
PIRES, G. A Estrutura e a Política Desportivas – o Caso Português.
Estudo da Intervenção do Aparelho Estatal no Sistema
Desportivo Português. Dissertação apresentada com vista à
obtenção do grau de Doutor em Motricidade Humana.
Universidade Técnica de Lisboa, 1989.
SARDINHA, L. Programa de Actividade Física para a Pessoa Idosa
do Concelho de Oeiras. Câmara Municipal de Oeiras/ Faculdade
de Motricidade Humana, 1999.
Legislação
Constituição da República de Moçambique – CRM, 2004.
Lei do Desporto – Lei nº 11/2002 de 12 de Março.
Instituto Nacional de Estatística de Moçambique.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 33
A Actividade Física e o Desporto como ferramentas de
inclusão social de pessoas com deficiência
1
Luis Rodríguez de Vera Mouliaá
2
Jeremias Deolinda Mahique
3
Inês Agostinho Mabota
1, 2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
fumoam@[Link]
3
CNE - Maputo- Moçambique
Introdução
Segundo o Relatório Mundial sobre a Deficiência, elaborado pela
Organização Mundial de Saúde e o Banco Mundial, as pessoas com
deficiência representam uma população estimada em mais de um
bilhão de pessoas no mundo (WHO, 2011). Entretanto, apesar deste
elevado número, a deficiência continua a ser alvo de discriminação a
partir de um processo de estigmatização simples: a pessoa possui
alguma característica que a distingue do que é considerado "normal",
e com base neste atributo lhe são associadas um conjunto de
particularidades de viés negativo.
Esta conotação impede que sejam identificados outros aspectos
positivos, o que dificulta a sua integração nas relações sociais
concorrendo para um quadro discriminatório (GOFFMAN, 2004).
Desta forma, a pessoa com deficiência é transformada num ser
incapaz e sem direitos, passível de ser excluído socialmente e
impedido de participar plenamente na comunidade (FRANÇA,
2020). É certo que esta concepção negativa de deficiência tem ido
variando ao longo da História e entre as diferentes culturas, mas
geralmente se tem caracterizado por atitudes e actos discriminatórios,
que em muitos casos têm derivado em agressão e violência, e que
lastimavelmente subsistem até os dias de hoje (LOPES, 2013).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 34
De acordo com DEL ÁGUILA (2013), na actualidade esta
discriminação contra a deficiência não se expressa de forma
consciente, mas se fundamenta numa série de preconceitos anteriores
herdados de tempos remotos e que se tornaram um substrato cultural
que os torna inconscientes. Assim, a subtilidade está além das
normas que proíbem as expressões preconceituosas e
discriminatórias, tidas como uma forma "socialmente aceitável" de
expressar o preconceito sem ser conotado desta maneira
(FERNÁNDEZ et al., 2020).
Nesse sentido, pese a não serem manifestados explicitamente, os
preconceitos subtis possuem uma carga negativa que podem provocar
emoções de rejeição, desprezo e medo; advertindo-se uma
contradição entre o discurso da pessoa e a sua prática. No entanto,
segundo BISOL et al. (2017) parecem vislumbrar-se algumas
mudanças a este respeito, embora o pleno bem-estar e desempenho
dos direitos das pessoas com deficiência continuam distantes de ser
uma realidade, preponderando uma imagem desvalorizada da pessoa
com deficiência (DA SILVA et al. 2010).
A origem deste preconceito poderia estar ligada a modelos biológicos
de aproximação à deficiência, onde estas pessoas eram observadas
como objectos de tratamento e reabilitação centrados no défice e não
nas potencialidades. Afortunadamente estes modelos estão em
desuso, sendo que na actualidade a deficiência é analisada desde uma
perspectiva bio-psico-social (OMS, 2001). Porém, existem limitações
para que as pessoas com deficiência tenham uma real inclusão social,
as quais vêm impostas por estereótipos negativos, falsas crenças
sobre dependência, culturas opressivas e problemas económicos.
Dentre os vários obstáculos para efectivar esta mudança, a literatura
hodierna aponta às atitudes negativas das pessoas sem deficiência
como uma das principais barreiras para a inclusão prática — e não
apenas teórica — das pessoas com deficiência (GAONA et al., 2018;
FRANÇA et al., 2019; MELO, 2017; MOLERO et al., 2016;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 35
OMOTE, 2018; PAREDES & PRADO, 2018; RELLO et al., 2018;
etc.). A este respeito, entendemos a atitude desde uma perspectiva
multidimensional sendo uma "organização duradoura de crenças e
cognições em geral, dotada de carga afectiva pró ou contra um
objecto social definido, que predispõe a uma acção coerente com as
cognições e afectos relativos a este objecto" (RODRIGUES et al.,
2009; p. 81).
Perante este panorama de exclusão, surge-nos uma questão de
interesse: como contribuir no processo da inclusão social das pessoas
com deficiência considerando que a literatura aponta como um dos
principais entraves às atitudes negativas perante este grupo?
Uma possível resposta é encontrada na bibliografia específica, a qual
apresenta efeitos promissores sobre o desenvolvimento de atitudes
positivas perante a deficiência quando utilizada a Actividade Física e
o Desporto (AFD) como um meio para a inclusão social (ABELLÁN
et al., 2018a; ANACLETO, 2018; CABRAL, 2016; DE LA OSA &
HERNANDEZ, 2018; McKAY et al., 2019; PEREIRA, 2017;
REINA et al., 2019; VÍQUEZ et al., 2020; e outros).
Com efeito, a investigação faz referência a que as intervenções
através da prática inclusiva da AFD, devem possuir um desenho
eficaz que permita a cooperação e ajuda entre grupos de pessoas com
e sem deficiência (RELLO, et al., 2018; RELLO et al., 2020;
PÉREZ-TEJERO et al., 2012). Nesse sentido, algumas das
estratégias mais eficazes para a redução do preconceito e a promoção
de atitudes positivas têm sido o "contacto directo" entre os grupos e a
"informação" específica sobre o colectivo do qual espera-se melhorar
a percepção (IGARTUA et al., 2013; LEITÃO & DA SILVA, 2019;
RELLO & PUERTA, 2014).
Portanto, quando em uma situação de prática desportiva de carácter
cooperativo se produz um contacto directo entre pessoas com e sem
deficiência, se alcançam benefícios para os dois grupos que podem
fomentar a mudança positiva de atitudes (ABELLÁN et al., 2018a;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 36
ANACLETO, 2018; LUNDBERG et al., 2008; McKAY et al., 2019;
PAPAIOANNOU et al., 2014; VÍQUEZ et al., 2020; etc.).
Igualmente, quando facilitamos informação sobre a deficiência, o
Desporto Adaptado e a sua prática, as pessoas envolvidas em
programas de AFD mostram uma atitude mais positiva para a
inclusão de pessoas com deficiência (KRAHÉ & ALTWASSER,
2006; LIU et al., 2010; OCETE, 2016; RELLO et al., 2020; e
outros).
Para além do contacto directo e a informação, PÉREZ-TEJERO et al.
(2012) afirmam que na área da AFD, existem outras estratégias
usadas para o desenvolvimento de atitudes positivas, como por
exemplo, a persuasão e a experiência vicária. Embora, RELLO et al.
(2020) incluem a simulação e os grupos de discussão como
estratégias igualmente eficazes, parece haver consenso em que o
contacto directo e a informação — com destaque para o primeiro —
continuam sendo as estratégias que produzem um maior efeito sobre
o desenvolvimento positivo das atitudes (ABELLÁN et al., 2018a;
KRAHÉ & ALTWASSER, 2006; LINDSAY & EDWARDS, 2013;
McKAY et al., 2018; RELLO & PUERTA, 2014; OCETE et al.,
2017; etc.).
Parte destas estratégias tem a sua fundamentação a partir da Teoria
do contacto de ALLPORT (1954), a qual explica como são formadas
as atitudes, indicando que os estereótipos, preconceitos e
discriminação em contra de certo grupo podem ser reduzidos a partir
do contacto directo com esse colectivo. De forma simplificada, o
preconceito dirigido a essa minoria pode ser reduzido quando o
contacto for estruturado em base a quatro premissas: i) compartilhar
status de igualdade; ii) a comunidade deve apoiar institucional e
legislativamente a mudança; iii) os indivíduos devem procurar
objectivos comuns; e iv) o trabalho conjunto deve ser profundo,
genuíno e íntimo.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 37
Portanto, a teoria propõe que o contacto directo favorece as
experiências mútuas de conhecimento dos seus elementos,
descobrindo as semelhanças e melhorando a percepção entre
membros dos grupos. Em consequência, a percepção destas
semelhanças geraria uma certa atracção entre eles que fomentaria a
aproximação dos grupos, sendo que o efeito contrário acarretaria a
quebra da comunicação e a possibilidade de aumentar a hostilidade
(CALDERON-LÓPEZ, 2020; CALDERÓN-LÓPEZ & NAVAS,
2015; FRANÇA et al., 2019).
Em base à teoria apresentada, seria apropriado afirmar que qualquer
intervenção que pretenda desenvolver atitudes positivas perante um
determinado grupo através do contacto exige uma estruturação
adequada e intencional das suas componentes. Isto é devido a que na
maioria dos casos, as pessoas interagem com seus pares com
deficiência apenas quando são incentivados a fazê-lo (TAVARES,
2011). Para além disso, devemos ter em conta que o contacto casual
não só não é efectivo (BARR & BRACCHITTA, 2014; FRANÇA et
al., 2019; GOFFMAN, 2004; LINDSAY & EDWARDS, 2013;
MAGALHÃES & CARDOSO, 2010), senão que ainda pode ser
prejudicial, funcionando como um elemento que reforça a atitude
negativa existente (DE BEER, 2015; SLININGER et al., 2000).
Portanto, a literatura tem sustentado que a AFD efectuada desde
ambientes inclusivos com um contacto estruturado —
independentemente da actividade / modalidade escolhida — é um
meio óptimo para a obtenção de resultados positivos nas atitudes
perante as pessoas com deficiência (ABELLÁN et al., 2018a;
CABRAL, 2016; LIU et al., 2010; OCETE et al., 2015;
PAPAIOANNOU et al., 2014; REINA et al., 2011; VÍQUEZ et al.,
2020; etc.); sendo ainda destacado que as actividades de natureza
cooperativa têm um maior efeito que as de natureza competitiva (DE
LA OSA & HERNANDEZ, 2018; McKAY et al., 2015; PEINADO,
2017; RELLO et al., 2020;SANTANA & GAROZ, 2013; e outros).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 38
Destarte, se a planificação da proposta está orientada à construção e
inclusão social de um determinado grupo, esta pode contribuir no
desenvolvimento de atitudes positivas que produzam uma actuação
social num contexto de igualdade de oportunidades (MEIZOSO &
BLANCO, 2013). A este respeito, queremos sublinhar que quando
utilizada a AFD com este intuito, o seu principal valor está assente na
obtenção de resultados sociais e deverá ser avaliada pelo resultado
em base à quantidade e qualidade de redes de relações que se
originem, às possibilidades de participação e inclusão que permitam,
assim como às habilidades sociais que se instalem na comunidade
(MEIZOSO & BLANCO, 2013).
Sendo conscientes das potencialidades nesta área, os pesquisadores
têm realizado vários estudos tendo como base as perspectivas da
integração e inclusão através da AFD, obtendo resultados
prometedores que sugerem mudanças positivas de atitude perante a
deficiência quando se produz um contacto entre grupos (ABELLÁN
et al., 2018a; ANACLETO, 2018; McKAY et al., 2019; CALVO et
al., 2015; TEMBE & MACHAVA, 2012; VÍQUEZ et al., 2020; e
outros).
Podemos concluir, que pese a inclusão ser tida ainda como um
obstáculo a ser vencido, a bibliografia aponta às áreas da AFD como
reconhecidas "áreas – chave" para tornar a sociedade mais inclusiva
(GORGATTI, 2005). A este respeito, existem três fortes argumentos
(RODRIGUES & LIMA-RODRIGUES, 2017):
Possuem programas mais flexíveis dado que, tanto a
disciplina curricular da Educação Física como as actividades
desportivas e recreativas, são mais receptivas a programas
diferenciados e diversificados;
Contêm uma forte componente lúdica e de interacção social,
que ajuda na formação e desenvolvimento do sentido de pertença,
solidariedade e cooperação, fundamentais para a geração de um
ambiente inclusivo;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 39
As actividades desenvolvidas podem mobilizar
expressivamente a área cognitiva, social e afectiva, ademais do
desenvolvimento e desempenho motor.
1. A Educação Física na promoção de atitudes positivas através
do contacto entre grupos
Desde o aparecimento da ideia de uma educação inclusiva no nosso
quotidiano (preconizado pela Declaração Mundial sobre Educação
para Todos – Tailândia, 1990; e pela Declaração de Salamanca –
Espanha, 1994), a maior parte dos alunos com algum tipo de
Necessidade Educativa Especial (NEE), derivada de alguma
deficiência, tem sido escolarizada progressivamente em centros
regulares junto a colegas sem deficiência (LEITÃO & DA SILVA,
2019). Esta situação tem desafiado os sistemas educativos a criarem
ambientes de aprendizagem que possam adaptar-se às novas
expectativas do desenvolvimento social do século XXI (também
apontadas por DELORS, 1998).
No entanto, pese às mudanças curriculares e metodológicas
necessárias para efectivar a inclusão escolar, a pesquisa neste campo
vem afirmando que a mudança de atitudes das pessoas sem
deficiência perante as pessoas com deficiência é um factor sine qua
non de sucesso nesta área (ALVES, 2015; FRANÇA et al., 2019;
MELO, 2017; OCETE, 2016; PEREZ-TEJERO et al., 2012;
VALENCIA-PERIS et al., 2020; etc.). Desta maneira, o actual
enfoque educativo extravasa os limites da integração, introduzindo
programas que contribuam para o desenvolvimento de atitudes
positivas perante este grupo.
Por conseguinte, a inclusão não é mais a colocação de alunos com
NEE junto a alunos sem NEE, e sim a preparação de ambos para uma
convivência na diversidade (RELLO & PUERTA, 2014). Como
indicam OCETE et al. (2017) o facto de reconhecer à atitude como
um dos critérios de êxito necessários para a educação inclusiva, tem
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 40
feito que muitos autores tenham centrado as suas pesquisas neste
aspecto.
Perante este contexto, a Educação Física tem sido apresentada como
uma disciplina escolar de primeira ordem para o fomento da inclusão
e desenvolvimento de atitudes positivas perante a deficiência
(BLOCK & OBRUSNIKOVA, 2007; LEITÃO & DA SILVA, 2019;
McKAY, 2013; OCETE et al., 2015; PARDO, 2008; REINA, 2014;
REINA et al., 2019; e outros), devido ao seu carácter vivencial e
lúdico, potencialmente cooperador, que conduz a interacções
pessoais profundas as quais geram conflitos e oportunidades para a
sua resolução (PEINADO, 2017; RELLO & PUERTA, 2014;
RODRÍGUEZ DE VERA et al., 2019).
De facto, a pesquisa tem mostrado resultados encorajadores que
afirmam que um contacto estruturado entre alunos sem e com NEE
nas aulas de Educação Física promove o desenvolvimento de atitudes
positivas nos primeiros em relação à inclusão dos segundos
(ABELLÁN et al., 2018a; LIU et al., 2010; McKAY et al., 2019;
PANAGIOTOU et al., 2008; PEREIRA, 2017; TEIXEIRA, 2014;
XAFOPOULOS et al., 2009). De acordo com McKAY (2015), os
estudos sobre inclusão no cenário da Educação Física têm salientado
o papel instrumental que os alunos sem NEE desempenham nas
experiências dos pares com NEE, já que a rejeição por parte dos
colegas pode limitar as oportunidades de aprendizado social e
prejudicar o desempenho académico.
Consentaneamente, LEITÃO & DA SILVA (2019) destacam a
importância do apoio e do trabalho colaborativo dos colegas sem
NEE para o sucesso escolar dos alunos com NEE, e por extensão da
educação inclusiva. Desta forma, acreditamos que é necessário
estabelecer metodologias específicas que forneçam ferramentas para
ajudar a desenvolver atitudes positivas perante a deficiência nos
alunos sem NEE, ao tempo que auxiliam na criação de um ambiente
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 41
verdadeiramente inclusivo (BLOCK & OBRUSNIKOVA, 2007;
RODRÍGUEZ et al., 2017).
Neste contexto, parte dos estudos desenvolvidos sobre inclusão no
âmbito escolar têm sido centrados nas atitudes dos professores face
aos alunos com NEE (MAHL, 2016; MONTEIRO, 2011; PELT,
2020; etc.); no entanto, cada vez é mais frequente a linha de
investigação focada nas atitudes dos alunos perante os seus pares nas
aulas de Educação Física (ABELLÁN et al., 2018a & 2018b;
GARCIA, 2016; OCETE et al., 2017; PARADA, 2014; PEREIRA,
2017; REINA et al., 2019; etc.). Segundo GARCIA et al. (2009);
RELLO & PUERTA (2014); ALVES (2015) e ABRANTES (2017);
entre outros, independentemente de estar centrados nos docentes ou
nos alunos, a teoria com maior projecção que tem sustentado este
tipo de pesquisas tem sido à Teoria do Contacto (ALLPORT, 1954).
Porém, RELLO et al. (2018) afirmam que o número de estudos de
intervenção na população escolar tem sido relativamente escasso,
pese ao reconhecimento da AFD como potenciais desenvolvedores
de atitudes positivas perante a deficiência (LEITÃO & DA SILVA,
2019; McKAY et al., 2018; OCETE et al., 2017; RODRIGUEZ et
al., 2017; VIQUEZ et al., 2020; e outros). Alguns exemplos de
pesquisas realizadas através das aulas de Educação Física com o
intuito de influenciar positivamente sobre as atitudes perante a
deficiência a partir de intervenções embaçadas na teoria do contacto
são ABELLÁN et al. (2018a); KRAHÉ & ALTWASSER (2006);
OCETE et al. (2015) e RELLO et al. (2018).
De facto, muitos dos estudos realizados na Educação Física referem-
se a análises transversais com intuito de examinar as atitudes dos
alunos perante os seus pares com NEE (GARCIA, 2016; PEREIRA,
2017; REIS, 2016; RODRIGUEZ et al., 2017; etc.). Estas pesquisas
não interventivas, normalmente ressaltam a importância desta
disciplina no desenvolvimento de atitudes perante a deficiência,
utilizando variáveis como o "contacto anterior com familiares ou
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 42
amigos com deficiência"; "contacto anterior com colegas com
deficiência nas aulas de Educação Física"; "sexo do respondente";
"nível educativo"; "tipo de deficiência do colega"; etc.
Paradoxalmente, algumas pesquisas indicaram que os alunos que
tinham tido um contacto anterior com familiares ou amigos com
deficiência, ou mesmo experiência de contacto directo nas aulas de
Educação Física com pares com NEE não apresentavam uma melhor
atitude quando comparados a colegas que não tiveram este contacto
(CABRAL, 2016; PEREIRA, 2017; REIS, 2016). Neste sentido,
incidimos em que o mero contacto entre pessoas com e sem
deficiência — ou alunos com e sem NEE — por si só, não é
suficiente para promover atitudes positivas (BARR &
BRACCHITTA, 2015). Portanto, acreditamos que a estruturação do
contacto, assim como os aspectos quantitativos e qualitativos do
mesmo, são determinantes para o sucesso da mudança positiva de
atitudes e o abandono de preconceitos e estereótipos em relação à
deficiência.
Relativamente a esta estruturação do contacto, sem detrimento do
ocorrido durante o convívio no ambiente escolar, a aula de Educação
Física proporciona um meio formal adequado para a implementação
de inúmeras formas e possibilidades de actuação. Ao seu favor, esta
disciplina pressupõe uma igualdade de status entre colegas, o qual
constitui uma das condições de base favoráveis da teoria do contacto
(ALLPORT, 1971).
Entretanto, podemos questionar-nos se a desinformação actual sobre
a deficiência dos diversos membros da comunidade educativa escolar
— por vezes baseada no modelo médico da incapacidade e da
limitação — permite entender a diversidade desde a equidade e não
nos moldes da caridade. Como resposta, sublinhamos que a
sensibilização e informação sobre a diversidade deve ser estimulada e
sustentada por uma cultura escolar inclusiva e intencional, isto é,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 43
através de um apoio institucional consciente, o que constitui outra
das condições propícias da teoria de Gordon Allport.
Em relação às outras duas condições para o êxito de propostas
baseadas no contacto (trabalho cooperativo e experiência íntima e
profunda que leve a um melhor conhecimento), referimos a
necessidade de um trabalho pedagógico intencional que potencie um
clima inclusivo de partilha e colaboração, onde se experimente o
sucesso sem passar necessariamente pela competição. Assim
percebemos que, apriori, o contexto da Educação Física permite a
construção de interacções reciprocamente significativas, tanto a nível
cognitivo como afectivo e motor, onde os alunos podem conhecer-se
melhor, tendo a oportunidade de partilhar sentimentos, facto que
dificilmente poderá acorrer em contactos casuais e esporádicos
(BARR & BRACCHITTA, 2015; LEITÃO & DA SILVA, 2019).
De acordo com os aspectos quantitativos, os estudos de REINA et al.
(2011) e RELLO et al. (2018) indicam que o contacto prolongado
entre alunos com e sem NEE tem um efeito mais positivo e
duradouro no tempo do que intervenções mais breves. De facto, as
propostas com uma duração mais longa (CABRAL, 2016; OCETE et
al., 2015; e RELLO et al., 2018; VÍQUEZ et al. 2020) apresentaram
um maior efeito sobre a atitude do que estudos mais curtos
(ABELLÁN et al., 2018a; DE LA OSA & HERNANDEZ, 2018;
KRAHÉ & ALTWASSER, 2006).
Como afirmam LEITÃO & DA SILVA (2019), sem ignorar a
importância da duração do contacto, também devem ser envidados
esforços nos factores qualitativos (interdependência de objectivos,
metodologia, conteúdos seleccionados, etc.) que presidem este
contacto. A modo de exemplo, a introdução nas aulas de Educação
Física de unidades temáticas de carácter inclusivo através de
actividades lúdicas e de desportos adaptados (p. ex: futebol para
pessoas com deficiência visual, goalball, bocha paralímpica,
atletismo adaptado, etc.), parecem influenciar positivamente a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 44
promoção de atitudes perante a deficiência (ABELLÁN et al., 2018a;
CABRAL, 2016; DE LA OSA & HERNANDEZ, 2018;
LUNDBERG et al., 2008; OCETE, et al., 2015; REINA et al., 2011;
SANTANA & GAROZ, 2013).
Seguindo esta ideia, acreditamos que o uso das modalidades
desportivas convencionais nos moldes convencionais, permita-se a
redundância, estipuladas em grande parte dos actuais curricula da
disciplina de Educação Física, não contribuem para a inclusão de
alunos com deficiência. Neste sentido, aconselhamos a sua
reformulação devendo ser propostos novos conteúdos (baseados na
inclusão de actividades lúdicas e modalidades desportivas adaptadas)
que enriqueçam as aulas de Educação Física e fomentem a
diversidade (reflexões similares podem ser encontradas em DE LA
OSA & HERNANDEZ, 2018; LUNDBERG et al., 2008; OCETE,
2016; RELLO et al., 2020; RODRÍGUEZ et al.,2017; e outros).
Para que isto aconteça, é necessário tanto o apoio institucional, como
a formação dos professores que devem administrar estes conteúdos;
pois como já temos advertido, a mera criação de situações de
contacto na escola entre alunos com e sem NEE — dito de outro
modo "a integração de alunos com NEE na sala de aulas" — não é
uma condição suficiente para que se produza uma mudança positiva
de atitudes dos alunos sem deficiência perante os seus pares
(PARADA, 2014). Pelo contrário, quando se apresentam ambos
elementos em ambientes estruturados de contacto — conteúdos
inclusivos e professores capacitados e motivados para a sua
implementação — ficam criadas as condições para o
desenvolvimento de atitudes positivas dos alunos sem NEE perante a
deficiência.
Em relação à evolução da atitude ao longo dos níveis de ensino,
KRAHÉ & ALTWASSER (2006) sugerem que a mudança de
atitudes responde a um processo desenvolvimentista iniciado na
infância e que evolui positivamente até o início da adolescência —
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 45
momento no qual apresenta um ligeiro declínio — que melhora no
fim da mesma e vai crescendo ao longo da vida (também sugerido
por ALVES, 2015).
É neste sentido que as pesquisas que pretendem o crescimento
positivo de atitudes perante a deficiência têm realizado as suas
intervenções fundamentalmente com amostras de alunos entre os 10-
13 anos (CABRAL, 2016; DE LA OSA & HERNANDEZ, 2018;
RELLO et al., 2018) e os 14-16 anos (ABELLÁN et al., 2018a;
KRAHÉ & ALTWASSER, 2006; OCETE et al., 2015; REINA et al.,
2011).
Para além disso, LEITÃO & DA SILVA (2019) indicam que o tipo
de deficiência parece influenciar sobre as atitudes, sendo que os
alunos apresentam uma disposição mais positivas para a inclusão de
colegas com deficiência física motora e sensorial do que para colegas
com deficiência intelectual (BARR & BRACCHITTA, 2015). Não
entanto, os estudos de intervenção apresentados não têm analisado
esta associação especificamente, focando os seus interesses no
desenvolvimento positivo de atitudes a partir das deficiências de
natureza físico-motora (DE LA OSA & HERNANDEZ, 2018;
KRAHÉ & ALTWASSER, 2006), visual (REINA et al., 2011;
RELLO et al., 2018), intelectual (ABELLÁN et al., 2018a) ou várias
em simultâneo (CABRAL, 2016; OCETE et al., 2015).
Uma possível explicação para esta limitação pode estar relacionada
com o facto de todas estas pesquisas utilizarem a técnica da
simulação, o que constitui uma dificuldade para a realização de
pesquisas específicas na deficiência intelectual. Nesse sentido, parece
ter um maior efeito experiencial nos participantes o uso desta técnica
em actividades lúdicas e desportivas baseadas na simulação da
deficiência físico-motora e sensorial.
Relativamente ao sexo do aluno, os resultados parecem concluir que
as meninas apresentam atitudes mais positivas perante os pares com
deficiência do que os rapazes (CABRAL, 2016; REINA et al., 2011;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 46
RELLO et al., 2018). Estes resultados coincidem com os encontrados
em VAN BIESEN et al. (2006); PARADA (2014); RODRÍGUEZ et
al. (2017); e outros; sendo apontadas como hipóteses explicativas a
maior empatia das mulheres em relação aos homens (RELLO et al.,
2018); ou experiências de socialização diferentes, sendo que
culturalmente as meninas vem sendo educadas para serem mais
atenciosas, carinhosas e tolerantes (ALVES, 2015).
Para além do efeito de unidades didácticas de Educação Física
criadas ex professo para o desenvolvimento de atitudes positivas de
alunos sem NEE frente aos seus pares com NEE através do contacto
directo, um outro programa explorado neste âmbito está relacionado
à implementação do "Dia Paralímpico Escolar" (Paralympic School
Day) (ABELLÁN et al., 2018a; LEITÃO & DA SILVA; 2019).
O "Dia Paralímpico Escolar" é um programa educativo que foi
desenvolvido pelo Comité Paralímpico Internacional com o intuito de
aumentar o conhecimento sobre o Movimento Paralímpico e os seus
desportos. Entretanto, o programa também pretende melhorar a
compreensão da prática da inclusão na escola através da actividade
física, facilitando a mudança positiva de atitudes em relação às
pessoas com deficiência.
Assim, o programa foi elaborado por especialistas em desportos
paralímpicos, pedagogia e deficiência que tentaram atingir estes
objectivos por meio de actividades físicas e desportivas divertidas
para crianças de 6 a 15 anos (BORGMANN & GAVIÃO, 2015; IPC,
2006). De acordo com MCKAY et al. (2015), o currículo do Dia
Paralímpico Escolar é baseado em quatro valores: respeito à
conquista desportiva, respeito e aceitação das diferenças individuais,
desporto como um direito humano e formação e apoio social no
desporto.
No geral, os resultados das pesquisas realizadas no âmbito da
implementação do programa do "Dia Paralímpico Escolar" têm sido
imprecisos, constatando-se mudanças positivas em relação à inclusão
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 47
de colegas com NEE (LIU et al., 2010; MCKAY et al., 2015;
PANAGIOTOU et al., 2008; XAFOPOULOS et al., 2009), mas nem
sempre com um nível significativo (VAN BIESEN et al., 2006).
Assim, o efeito do programa indica mudanças de atitude
relativamente positivas em relação à inclusão de colegas com NEE
na sala de aulas, mas ao mesmo tempo os alunos não desejam
modificar as regras do desporto ou adaptar as actividades para
acomodar estes colegas (JESINA et al., 2006; LIU et al., 2010;
PANAGIOTOU et al., 2008; VAN BIESEN et al., 2006;
XAFOPOULOS et al., 2009). Podemos inferir que alunos sem NEE
entendem que os pares com NEE podem participar das aulas de EF
(actividades de colaboração), mas não os querem nas suas equipes
(actividades de competição).
Como indica McKAY et al. (2015), especula-se que esta situação se
deve, por um lado ao desejo que os alunos têm de vencer — os quais
jogam com um alto nível de competitividade junto a colegas de
equipe poderosos (PANAGIOTOU et al., 2008) — e por outro lado,
ao pouco conhecimento dos alunos sobre a adaptação e modificação
de regras desportivas. Ainda, XAFOPOULOS et al. (2009) indicam
que este facto poderia estar relacionado a que as adaptações nas
regras distrairiam às crianças dos altos níveis de competição e
desafio.
Por conseguinte, parece existir uma contraposição entre o entusiasmo
e motivação pela tarefa, versus resultado (ganhar ou perder); o que
nos aproxima da diferenciação entre objectivos de desempenho e
objectivos centrados na tarefa (LEITÃO & DA SILVA, 2019).
Entretanto, a teoria do contacto (ALLPORT, 1971), destaca as
actividades cooperativas em detrimento das actividades competitivas
para o desenvolvimento de atitudes positivas para aceitação da
diferença. Assim sendo, as actividades baseadas na competição
poderiam actuar como um impedimento para o desenvolvimento de
atitudes positivas com relação aos colegas com NEE.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 48
Como conclusão, concordamos em que os resultados da maioria dos
estudos realizados sobre o "Dia Paralímpico Escolar" apresentam um
incremento das atitudes positivas dos alunos sem NEE em relação
aos seus pares com NEE, pelo que a sua implementação parece
contribuir para que as crianças se tornem conscientes dos seus
valores e atitudes relativamente a pessoas com capacidades
diferentes. Como advertido, a pesquisa sobre a mudança de atitudes
através da AFD, indica que as intervenções que combinam
actividades estruturadas de contacto, simulação, aquisição de
conhecimento e consciencialização — como é o caso deste programa
— são eficazes para atingir este objectivo (LIU et al., 2010; McKAY
et al., 2015, 2019; PANAGIOTOU et al., 2008; REINA et al., 2011;
RELLO & PUERTA, 2014; XAFOPOULOS et al., 2009).
2. A Actividade Física e o Desporto na promoção de atitudes
positivas através do contacto entre grupos
Como afirma FRANÇA (2020), o desporto vem assumindo um papel
fundamental na sociedade, chegando a converter-se em um dos seus
pilares e configurando-se como o maior acontecimento social do
milénio. Com efeito, este fenómeno está inevitavelmente moldado
pelas mudanças e crises sociais, quedando profundamente arraigado
na vida do homem.
Por conseguinte, o desporto é uma das experiências que participa e
contribui no nosso processo de socialização, havendo inúmeras e
diversas formas de abordá-lo. Assim sendo, podemos encontrá-lo "na
prática, mas também no entretenimento, nas conversas com os
amigos, na escola e até nos nossos sonhos" (SOTO, 2009, p. 177).
Disto podemos inferir que, enquanto actividade social, o desporto faz
referência a um vasto repertório de símbolos, valores, normas e
comportamentos que o reconhecem claramente e o distinguem de
outras praxes sociais. A este respeito, devemos ter em conta que na
actualidade, o desporto é uma ferramenta de comunicação massiva de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 49
valores e atitudes com enormes repercussões políticas, económicas,
sociais e culturais (MARQUES, 2016).
Para além da relevância conferida, a AFD têm adquirido um espaço
proeminente na qualidade de vida dos seus praticantes, sendo aceite
que a aquisição de hábitos que incluem estas práticas são benéficos
dado que ajudam na prevenção de doenças, melhoram o estado de
ânimo, elevam a auto-estima, contribuem para a formação integral do
indivíduo e favorecem a interacção e a inclusão social (BOFILL
RÓDENAS, 2010; MOLERO et al., 2016; MONTEIRO, 2020;
SARAIVA et al., 2013; VITORINO et al., 2015).
Com base no último benefício indicado, consideramos que as AFD
que são realizadas em ambientes inclusivos podem contribuir na
promoção de atitudes positivas perante às pessoas com deficiência.
Aparece aqui o conceito de "desporto inclusivo", percebido como a
AFD que possibilita a prática conjunta de pessoas com e sem
deficiência, ajustando-se às particularidades dos participantes e
mantendo o objectivo da especialidade desportiva em questão
(OCETE, 2016). Isto pressupõe uma adaptação do regulamento e do
material com o intuito de fomentar a participação activa e efectiva de
todos os participantes.
Entretanto, são escassas as intervenções relacionadas desde o
contacto directo no âmbito da AFD inclusivos, devido à dificuldade
para obter uma amostra significativa de pessoas com e sem
deficiência coincidindo na mesma prática desportiva (PEREZ-
TEJERO et al., 2012). É neste sentido que a maioria das pesquisas
têm sido produzidas no contexto educativo onde a obrigatoriedade
legislativa facilita a sua organização.
Contudo, alguns trabalhos como os de REINA (2003) e TEIXEIRA
(2014), têm tido resultados positivos através da realização de
jornadas práticas recreativas de carácter massivo na via pública.
Estes autores implementaram o trabalho através de actividades de
carácter lúdico-desportivo, facilitação de informação sobre o
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 50
desporto adaptado e a deficiência, e o contacto directo com pessoas
com deficiência em ambientes inclusivos. Fora da discussão sobre o
maior ou menor controle das variáveis que influenciam nas atitudes,
acreditamos que o determinante está na interacção produzida como
consequência da prática de AFD inclusivas, e não tanto o contexto
onde ela se produz.
É neste sentido, que a maior parte dos estudos analisados
(ABELLÁN et al., 2018a; DE LA OSA & HERNANDEZ, 2018;
GARCIA et al., 2009; OCETE, 2016; PEINADO, 2017; SANTANA
& GAROZ, 2013; e outros) adaptaram a AFD como parte da
disciplina de Educação Física. Isto tem sido feito como unidades
temáticas específicas dentro da dosificação, ou mesmo usando
modelos de actuação pedagógica, por exemplo, através do "Modelo
de Educação Desportiva"2. Ora, este modelo tem sido proposto,
dentro do contexto inclusivo, como um facilitador de atitudes
positivas perante a deficiência.
De acordo com FOLEY et al. (2007), através do contacto directo, a
simulação e a experiência pessoal, o "Modelo de Educação
Desportiva" pode ajudar a melhorar a compreensão dos alunos
perante os pares com NEE, aumentando a socialização entre eles, e
fornecendo uma melhor percepção dos desafios que os colegas com
deficiência podem enfrentar durante os jogos ou numa competição
desportiva.
Em todo caso, fora do âmbito educativo — incluindo cá o programa
do "Dia Paralímpico Escolar" — aparecem poucas propostas para a
mudança de atitude através do contacto directo no âmbito desportivo
(McKAY et al., 2015). Cabe ressaltar que a maior parte destas, se
têm focalizado na deficiência físico-motora para a realização do seu
programa (BERGMAN & HANSON, 2000; LUNDBERG et al.,
2Apresentado como um agente transformador de Unidades Temáticas em
experiências desportivas para os alunos através do seu envolvimento na
organização de actividades, proporcionando-lhes momentos prazenteiros, e
desenvolvendo o espírito e trabalho de equipa (MESQUITA et al., 2016).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 51
2008; PAPAIOANNOU et al., 2014; PÉREZ-TEJERO et al., 2012)
sendo que outros estudos têm atendido um maior leque de grupos,
como REINA (2003) e VÍQUEZ et al. (2020). Segundo GARCÍA et
al. (2009), as actividades focadas nas deficiências físico-motora e
visual têm sido as mais recorrentes, sobretudo se entre as estratégias
está prevista a simulação.
Relativamente à duração, algumas pesquisas têm sido implementadas
apenas por um ou dois dias, como as efectuadas por REINA (2003) e
BERGMAN & HANSON (2000) respectivamente; sendo que outros
têm tido uma duração de vários dias (PÉREZ-TEJERO et al., 2012),
e até várias semanas (LUNDBERG et al., 2008; PAPAIOANNOU et
al., 2014; VÍQUEZ et al., 2020). Neste sentido, as pesquisas que têm
aplicado as suas acções durante um maior tempo, tiveram um efeito
superior sobre as atitudes, em relação àquelas que tiveram uma
menor duração.
De facto, concordando com McKAY et al. (2015), ABELLÁN et al.
(2018a) e LEITÃO & DA SILVA (2019), embora as implementações
de um dia têm tido resultados positivos, parece que as acções com
uma maior duração tendem a melhorar a atitude a curto e longo
prazo. Reforçando esta ideia, RELLO et al. (2018) propõem um
mínimo de oito sessões para garantir uma mudança de atitudes
significativa e estável no tempo.
Conforme GARCÍA et al. (2009) e ALVES (2015) a técnica mais
utilizada na mudança de atitudes, tem sido o contacto directo,
seguida da informação, sendo que a maior parte das intervenções se
tem interessado por ambas em simultâneo (LUNDBERG et al., 2008;
PAPAIOANNOU et al., 2014; PÉREZ-TEJERO et al., 2012;
REINA, 2003; VÍQUEZ et al., 2020). Com relação à informação,
parece existir certo consenso em que o conhecimento sobre a
deficiência — o qual pode ser adquirido a partir da leitura de um
livro, durante uma palestra, ou mesmo assistindo um filme — ajuda a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 52
melhorar a sensibilidade perante as pessoas com deficiência
revertendo em favor de atitudes positivas (ALVES, 2015).
Com efeito, segundo o conceito multidimensional da atitude
anteriormente referido (RODRIGUES et al., 2009), a predisposição
para uma acção partiria da coerência entre as cognições e os afectos
que o sujeito tem sobre o objecto social. Portanto, se faz necessária
uma actuação intencional tanto sobre as ideias e crenças da pessoa —
através da informação e o contacto directo — quanto sobre o afectivo
através do contacto directo.
De forma similar, a simulação tem sido usada como uma técnica
válida na mudança positiva de atitudes na AFD, sendo com
frequência utilizada junto às anteriores (REINA, 2003; LUNDBERG
et al., 2008; PAPAIOANNOU et al., 2014; VÍQUEZ et al., 2020).
Entretanto, algumas pessoas com deficiência têm criticado o uso
desta técnica alegando um potencial prejuízo, já que se focaliza nos
desafios associados às limitações, perdendo o quadro social mais
amplo, e podendo perpetuar estereótipos negativos (French, 1996;
como citado em LUNDBERG et al., 2008).
Nesta mesma linha, MAGALHÃES & CARDOSO (2010), advertem
que a vivência de uma situação artificial de deficiência (p. ex: vendar
os olhos ou usar cadeiras de rodas para deslocar-se) pode ter um
efeito negativo, já que a simulação não possibilita entender como a
pessoa com deficiência vivencia a sua relação com o entorno,
levando a conclusão de quanto é péssima a situação do outro (cego
ou cadeirante) e, portanto, valorizando negativamente a situação da
pessoa com deficiência. Conquanto, estas apreciações carecem de
apoio científico, sendo reconhecida a simulação como uma das
técnicas adequadas para a mudança positiva de atitudes na AFD
(ALVES, 2015; BORGMANN & GAVIÃO, 2015; OCETE et al.,
2015; OCETE, 2016; RELLO et al., 2018; e outros).
Independentemente das técnicas utilizadas, os resultados parecem
constatar que os programas que apenas utilizam uma única técnica,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 53
como o estudo de BERGMAN & HANSON (2000), apresentam
efeitos não significativos (ou menos significativos) na mudança
positiva de atitudes perante a deficiência. No entanto, propostas que
empregaram diferentes técnicas, como LUNDBERG et al. (2008);
PÉREZ-TEJERO et al. (2012); PAPAIOANNOU et al. (2014) e
VÍQUEZ et al. (2020); obtiveram resultados mais encorajadores.
Efeitos similares obtiveram KRAHÉ & ALTWASSER (2006) e
RELLO et al. (2018), quem concluíram que os grupos que recebiam
um maior número de estímulos, provenientes de diferentes técnicas,
tinham um maior efeito sobre as atitudes.
Do anteriormente exposto, queremos convir em que as intervenções
que promovem uma experiência activa dos participantes com intuito
de melhorar as atitudes — como as propostas no âmbito da AFD —
são mais eficazes que as que apresentam formas passivas de mera
exposição à informação. Reforçando esta reflexão, Yuker e Block
(1979, p. 55; como citado em ALVES, 2015, p. 133) afirmaram:
“para mudar as atitudes é necessário levar às pessoas a fazer alguma
coisa. Raramente se modificam as atitudes através de palestras ou
materiais escritos. A única forma real de mudar as atitudes é levar as
pessoas a participarem activamente”.
3. Considerações finais
Embora a Teoria do Contacto proposta por ALLPORT (1954) foi
tardiamente aplicada à investigação centrada na mudança de atitudes
perante a deficiência, a partir da década dos anos 70 proliferaram as
pesquisas dirigidas neste campo. Muitos destes estudos têm usado a
AFD como meio ideal para a mudança de atitudes positivas perante a
deficiência, obtendo resultados prometedores (ANACLETO, 2018;
CABRAL, 2016; DE LA OSA & HERNANDEZ, 2018; McKAY et
al., 2015, 2019; PAPAIOANNOU et al., 2014; VÍQUEZ et al., 2020;
entre outros).
De facto, encontramos o contacto com pessoas com deficiência como
uma das variáveis que conduzem ao êxito tanto em programas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 54
escolares — através da disciplina de Educação Física — como
através da AFD (CAMPOS et al., 2013; GARCIA, 2016;
MACMILLANet al., 2013; REINA et al., 2019; REIS, 2016;
RELLO et al., 2018; TEIXEIRA, 2014; VÍQUEZ et al., 2020; etc.).
Desta forma, continuam proliferando os estudos que demonstram que
estas áreas, quando programados sob um paradigma de inclusão
social, podem ser um meio extraordinário para melhorar as atitudes
das pessoas sem deficiência em relação às pessoas com deficiência
(ABELLÁN et al., 2018a; CAMPOS et al., 2013; MAHL, 2016;
OCETE et al., 2015; OCETE, 2016; OMOTE, 2018; RELLO et al.,
2020; SOO et al., 2014; e outros).
Assim, as propostas de AFD com interesse na inclusão social de
pessoas com deficiência devem ser necessariamente apresentadas
como uma ferramenta transversal orientada à construção de
habilidades e espaços sociais geradores de valores, e que promovam
o desenvolvimento humano desde a visão holística do ser.
É desta forma, que a AFD se apresenta como instrumentos
potencialmente facilitadores do processo efectivo de inclusão das
pessoas com deficiência (ANACLETO, 2018; DENARDIN, 2011;
FREIRE, 2010; GORGATTI & COSTA, 2005; LEITÃO & DA
SILVA, 2019; McKAY et al., 2019; MONTEIRO, 2012; OCETE et
al., 2015; OCETE, 2016; REINA et al., 2019; RELLO et al., 2020;
RODRIGUEZ de VERA, 2013; VÍQUEZ et al., 2020; e outros).
Referências bibliográficas
ABELLÁN, Jorge; SÁEZ-GALLEGO, Nieves María; REINA, Raúl.
Evaluación de las actitudes hacia la discapacidad en Educación
Física: Efecto diferencial del sexo, contacto previo y la
percepción de habilidad y competencia. Cuadernos de Psicología
del Deporte, v. 18, n. 1, 2018a. pp. 133-140.
ABELLÁN, Jorge; SÁEZ-GALLEGO, Nieves María; REINA, Raúl.
Explorando el efecto del contacto y el deporte inclusivo en
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 55
Educación Física en las actitudes hacia la discapacidad intelectual
en estudiantes de secundaria. RICYDE. Revista Internacional de
Ciencias del Deporte. v.14, n. 53, 2018b. pp. 233-242.
ABRANTES, Viviana da Silva Ferreira. As atitudes dos alunos do
ensino secundário em relação à inclusão dos seus pares com
necessidades educativas especiais nas aulas de educação física:
o contacto anterior e a presença de alunos com NEE na turma.
Dissertação de Mestrado em Educação Física. Faculdade de
Educação Física e desporto. Lisboa, Universidade Lusófona de
Humanidades e Tecnologias, 2017.
ALLPORT, Gordon Willard. The nature of prejudice. Cambridge,
MA: Addison-Wesley, 1954.
ALLPORT, Gordon Willard. La naturaleza del prejuício. 4ª ed.
Traduzida por Ricardo Malfé. Buenos Aires, Editorial
Universitária de Buenos Aires, 1971.
ALVES, Sílvia Regina Gonçalves. Avaliação das atitudes de alunos
do ensino básico face aos pares com incapacidades e ensaio
exploratório de um programa de intervenção. Tese de
Doutoramento em Psicologia. Faculdade de Psicologia e de
Ciências da Educação. Porto, Universidade do Porto, 2015.
ANACLETO, Luísa Paula Quintino. Relatório final de estágio
curricular no Comité Paralímpico de Portugal: o impacto do dia
paralímpico nos participantes dos eventos de Caldas da Rainha e
Évora. Dissertação de mestrado em Sociologia do desporto,
organização e desenvolvimento. Faculdade de Educação Física e
Desporto. Lisboa, Universidade Lusófona de Humanidades e
Tecnologias, 2018.
BARR, Jason; BRACCHITTA, Kristi. Attitudes toward individuals
with disabilities: The effects of contact with different disability
types. Current Psychology. v. 34, n. 2, 2014. pp. 223-238.
BERGMAN, Michelle; HANSON, Carolyn. The Relationship
Between Participation in a Sports Camp and Students’ Attitudes
Towards Persons with Disabilities. Occupational Therapy in
Health Care. v. 12, n. 4, 2000. pp. 51-63.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 56
BISOL, Cláudia Alquati; PEGORINI, Nicole Naji; VALENTINI,
Carla Beatris. Pensar a deficiência a partir dos modelos médico,
social e pós-social. Cadernos de Pesquisa. v. 24, n. 1, 2017. pp.
87-100.
BLOCK, Martin; OBRUSNIKOVA, Iva. Inclusion in physical
education: A review of the literature from 1995-2005. Adapted
Physical Activity Quarterly. v. 24, 2007. pp. 103-124.
BOFILL RÓDENAS, Ana María. Educación física en personas con
discapacidad intelectual: Una propuesta para evaluar
manifestaciones de la condición física de manera inclusiva.
Educación y Diversidad. v. 4, n. 2, 2010. pp. 17-32.
BORGMANN, Tiago; GAVIÃO, José Júlio. Paralympic sport at
school: a literature review. Movimento. v. 21, n. 1, 2015. pp. 49-
64.
CABRAL, Tiago Filipe Piloto. Atitudes dos Alunos sem Deficiência
Face à Inclusão de Alunos com Deficiência nas Aulas de
Educação Física. Dissertação de mestrado em Ciências da
Educação. Departamento de Educação Especial, Domínio
Cognitivo e Motor. Porto, Universidade Fernando Pessoa, 2016.
CALDERÓN-LÓPEZ, Sonsoles. "La influencia del contacto sobre
las actitudes intergrupales". In: NAVAS LUQUE, M.;
CUADRADO GUIRADO, I. (Coords.). El estudio del prejuicio
en Psicologia Social (vol. 2). Madrid, Ed. Sanz y Torres, 2020.
pp. 251-270.
CALDERÓN-LÓPEZ, Sonsoles; NAVAS, Marisol. Imagen
exogrupal de adolescentes autóctonos e inmigrantes latinos:
influencia del contacto intergrupal y la edad. Anales de
Psicología/Annals of Psychology. v. 31, n. 3, 2015. pp. 941-951.
CALVO, Carmen Ocete; PÉREZ-TEJERO, Javier; LÓPEZ, Javier
Coterón. Propuesta de un programa de intervención educativa
para facilitar la inclusión de alumnos con discapacidad en
educación física. Retos. Nuevas tendencias en Educación Física,
Deporte y Recreación. n. 27, 2015. pp. 140-145.
CAMPOS, Maria; FERREIRA, José; BLOCK, Martin. An analysis
into the structure, validity and reliability of the children’s
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 57
attitudes towards integrated physical education-revised (CAIPE-
R). European Journal of Adapted Physical Activity. v.6, n. 2,
2013. pp. 29-37.
DA SILVA, Luciana Neves; GUILHEM, Dirce; ALVES, Elioenai
Dornelles. Modelo social: uma nova abordagem para o tema
deficiência. Revista Latino-Americana de Enfermagem. v. 18, n.
4, 2010. pp. 1-9.
DE BEER, Hannari. Attitude and empathy generalisation as
mediators of the secondary transfer effect amongst white South
African students at Stellenbosch University. Dissertação de
mestrado em Artes. Faculdade de Psicologia. Stellenbosch,
Stellenbosch University, 2015.
DEL ÁGUILA, Luis Miguel. "Estereotipos y prejuicios que afectan a
las personas con discapacidad. Las consecuencias que esto genera
para el desarrollo de políticas públicas inclusivas en cualquier
lugar del mundo". In: ROSALES, P. (dir.). Discapacidad, justicia
y Estado. Discriminación, estereotipos y toma de conciencia (vol.
2). Buenos Aires, INFOJUS, 2013. pp. 67-99.
DE LA OSA, Moisés Contreras; HERNANDEZ, Jorge Abellán.
Mejorando las actitudes hacia la discapacidad en Educación
Física a través del deporte adaptado. E-motion: Revista de
Educación, Motricidad e Investigación. n. 11, 2018. pp. 3-15.
DELORS, Jack; et al. Educação um tesouro a descobrir. Relatório
para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação
para o século XXI. São Paulo, Cortez Editora, 1998. ISBN: 85-
249-0673-1
DENARDIN, Vinícius. A reabilitação de pessoas com deficiência
através do desporto adaptado. Revista Brasileira de Ciências do
Esporte. v. 33, n. 2, 2011. pp. 529-539. [online] Disponível na
Internet via WWW. URL:
[Link] Arquivo capturado
em 03 de Maio de 2015.
FERNÁNDEZ, Alicia Guardian; et al. Validación de una escala de
prejuicios hacia personas con discapacidad. Revista Actualidades
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 58
Investigativas en Educación. v. 20, n. 2, 2020. pp. 1-25. Doi.
10.15517/aie.v20i2.41655
FOLEY, John; et al. How to develop disability awareness using the
sport education model. Journal of Physical Education, Recreation
& Dance. v. 78, n. 9, 2007. pp. 32-36.
FRANÇA, Dalila; SANTOS, Rozélia dos Anjos Oliveira; DE
SOUSA, Kelyane Oliveira. Estratégias de combate ao
preconceito. REPECULT – Revista Ensaios e Pesquisas em
Educação e Cultura, v. 4, n. 7, 2019. pp. 18–39.
FRANÇA, Ricardo Santos. Inclusão, Desporto e Deficiência.
Dissertação de mestrado em Sociologia. Faculdade de Letras.
Porto, Universidade do Porto, 2020.
FREIRE, Marta Fernandes. A Inclusão Através do Desporto
Adaptado: O caso português do basquetebol em Cadeira de
Rodas. Dissertação de Mestrado em Exercício e Saúde em
Populações Especiais. Faculdade de Ciências do Desporto e
Educação Física. Coimbra, Universidade de Coimbra, 2010.
GAONA, Susana; CRUZ, Christian Enrique; JENKINS, Benjamin.
Actitudes y estereotipos en estudiantes del área de la salud hacia
personas con discapacidad motriz. Revista Española de
Discapacidad. v. 6, n. 1, 2018. pp. 199-219.
GARCIA, Cristiana Isabel Gomes. As atitudes dos alunos do 2º e 3º
ciclos do ensino básico face à inclusão dos seus pares com
deficiência nas aulas de educação física: o género e o contacto
anterior com os alunos com necessidades educativas especiais.
Dissertação de Mestrado em Ensino em Educação Física no
Ensino Básico e Secundário. Faculdade de Educação Física e
Desporto. Lisboa, Universidade Lusófona de Humanidades e
Tecnologias, 2016.
GARCÍA, María Ángeles Flórez; DÍAZ, Antonio León Aguado;
RODRÍGUEZ, María Ángeles Alcedo. Revisión y análisis de los
programas de cambio de actitudes hacia personas con
discapacidad. Anuario de psicología clínica y de la salud /
Annuary of Clinical and Health Psychology. v. 5, 2009. pp. 85-
98.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 59
GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da
identidade. 4ª ed. Tradução: Mathias Lambert, 2004. [online]
Disponível na Internet via WWW.
URL
:[Link]
ng.estigma_notassobreamanipulacaodaidentidadedeteriorada.pdf
Arquivo capturado em 18 de Julho de 2018.
GORGATTI, Márcia Greguol. Educação Física escolar e inclusão:
uma análise a partir do desenvolvimento motor e social de
adolescentes com deficiência visual e das atitudes dos
professores. Tese de Doutoramento em Biodinâmica do
movimento humano. Faculdade de Educação Física e Esporte.
São Paulo, Universidade de São Paulo, 2005.
GORGATTI, Márcia Greguol; COSTA, Roberto Fernandes.
Atividade Física Adaptada. Barueri, Manole, 2005.
IGARTUA, Juan José; et al. "Ficción audiovisual, inmigración y
prejuicio". In: GRANADOS, A. (Org.). Las representaciones de
las migraciones en los medios de comunicació[Link], Trotta,
2013. pp. 157-177.
IPC, International Paralympic Committee. Paralympic School Day
Manual. 2006. [online] Disponível na Internet via WWW. URL:
[Link]
/Menu/Education. Arquivo capturado em 21 de Agosto de 2015.
JESINA, Ondrej; et al. Effect of an intervention program on attitude
of elementary school children toward inclusion of children with a
disability. 2006. In:8th European Congress of Adapted Physical
Activity, Olomouc, [Link]. [online] Disponível na Internet
via WWW. URL: [Link]
/eucapa/proceedings/[Link] Arquivo capturado em 26
de Agosto de 2015.
KRAHÉ, Barbara; ALTWASSER, Colette. Changing negative
attitudes towards persons with physical disabilities: an
experimental intervention. Journal of Community and Applied
Social Psychology. v. 16, n. 1, 2006. pp. 59-69.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 60
LEITÃO, Francisco Alberto Ramos; DA SILVA, Maria Odete
Emygdio. Inclusão de Pessoas com Necessidades Especiais.
Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas, 2019.
LINDSAY, Sally; EDWARDS, Ashley. A systematic review of
disability awareness interventions for children and youth.
Disability and Rehabilitation. v. 35, n. 8, 2013. pp. 623-646.
LIU, Yang; KUDLAČEK, Martin; JEŠINA, Ondřej. The influence of
Paralympic School Day on children's attitudes towards people
with disabilities. Acta Gymnica. v. 40, n. 2, 2010. pp. 63-69.
LOPES, Gustavo. O preconceito contra o deficiente ao longo da
história. [Link] – Revista Digital. v. 17, n. 176, 2013.
[online] Disponível na Internet via WWW. URL:
[Link]
[Link]. Arquivo capturado em 12 de Junho de 2015.
LUNDBERG, Neil; et al. Using wheelchair sports to complement
disability awareness curriculum among college students. Schole:
A Journal of Leisure Studies and Recreation Education. v. 23, n.
1, 2008. pp. 61-74.
MACMILLAN, Megan; et al. The association between children's
contact with people with disabilities and their attitudes towards
disability: a systematic review. Developmental Medicine & Child
Neurology. v. 56, n. 6, 2013. pp. 529-546.
MAGALHÃES, Rita de Cássia Barbosa Paiva; CARDOSO, Ana
Paula Lima Barbosa. A pessoa com deficiência e a crise das
identidades na contemporaneidade. Cadernos de Pesquisa. v. 40,
n. 139, 2010. pp. 45-61.
MAHL, Eliane. Programa de formação continuada para professores
de educação física: possibilidades para a construção de saberes
sobre a inclusão de alunos com deficiência. Tese de
Doutoramento em Educação Especial. Centro de Educação e
Ciências Humanas. São Paulo, Universidade Federal de São
Carlos, 2016.
MARQUES, Renato Francisco Rodrigues. A contribuição dos Jogos
Paralímpicos para a promoção da inclusão social: o discurso
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 61
mediático como um obstáculo. Revista USP. n. 108, 2016. pp. 87-
96.
McKAY, Cathy. Paralympic School Day: A Disability Awareness
and Education Program. Palaestra. v. 27, n. 4, 2013.
McKAY, Cathy; BLOCK, Martin; PARK, Jung Yeon. The impact of
Paralympic School Day on student attitudes toward inclusion in
physical education. Adapted physical activity quarterly. v. 32, n.
4, 2015. pp. 331-348.
McKAY, Cathy; HAEGELE, Justin; BLOCK, Martin. Lessons
learned from Paralympic School Day: Reflections from the
students. European Physical Education Review. v. 25, n. 3, 2019.
pp. 745-760.
McKAY, Cathy; PARK, Jung Yeon; BLOCK, Martin. Fidelity
criteria development: Aligning Paralympic school day with
contact theory. Adapted Physical Activity Quarterly. v. 35, n. 2,
2018. pp. 233-242.
MEIZOSO, Paula; BLANCO, María del Mailin. El deporte como
herramienta de inclusión social. Boletín Electrónico REDAF. v. 3,
n. 58, 2013. [online] Disponível na Internet via WWW. URL:
[Link]
social_c94e.pdf. Arquivo capturado em 28 de Setembro de 2015.
MELO, Márcia Fonseca de. Qualidade e atitudes face à atenção à
diversidade: proposta de melhoria. Tese de doutoramento em
Equidade e Inovação na educação. Departamento
Interuniversitário. Coruña, Universidade da Coruña, 2017.
MESQUITA, Isabel; et al. Representação dos alunos e professora
acerca do valor educativo do Modelo de Educação Desportiva
numa unidade didática de Atletismo. Motricidade. v. 12, n. 1,
2016. pp. 26-42.
MOLERO, Fernando; et al. La relación entre la discriminación
percibida y el balance afectivo en personas con discapacidad
física: el papel mediador del dominio del entorno. Acta
Colombiana de Psicología. v. 16, n. 1, 2016. pp. 35-42.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 62
MONTEIRO, Joana Raquel. O contributo do Desporto Adaptado
para a Integração Social da Pessoa com Deficiência
[Link]ção de mestrado em Serviço Social. Escola
Superior de Altos Estudos. Coimbra, Instituto Superior Miguel
Torga, 2012.
MONTEIRO, Layse de Oliveira; et al. Benefícios psicossociais da
Educação Física Adaptada para alunos com Síndrome de
Down/Psychosocial benefits of Adapted Physical Education for
students with Down Syndrome. Brazilian Journal of
Development. v. 6, n. 5, 2020. pp. 28463-28470.
MONTEIRO, Susana Maria da Silva. A atitude dos professores como
meio de inclusão de alunos com necessidades educativas
especiais. Dissertação de mestrado em Educação Especial.
Departamento de Educação Especial. Lisboa, Escola Superior de
Educação Almeida Garrett, 2011.
OCETE, Carmen. Deporte inclusivo en la escuela: diseño y análisis
de un programa de intervención para promover la inclusión del
alumnado con discapacidad en Educación Física. Tese de
doutoramento em Ciências da Actividade Física e o Desporto.
Faculdade de Ciências da Actividade Física e o Desporto.
Madrid, Universidad Politécnica de Madrid, 2016.
OCETE, Carmen; et al. La percepción de los alumnos de Secundaria
y Bachillerato hacia la inclusión de compañeros con discapacidad
en Educación Física. Psychology, Society & Education. v. 9, n. 2,
2017. pp. 299-310. ISSN 1989-709X.
OCETE, Carmen; PÉREZ-TEJERO, Javier; COTERÓN, Javier.
Propuesta de un programa de intervención educativa para facilitar
la inclusión de alumnos con discapacidad en educación física.
Retos. n. 27, 2015. pp. 140-145. ISSN: Edición impresa: 1579-
1726.
OMOTE, Sadão. Atitudes Sociais em Relação à Inclusão: Recentes
Avanços em Pesquisa. Revista Brasileira de Educação Especial.
v. 24, n. especial, 2018. pp. 21-32.
ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD (OMS).
Clasificación internacional del funcionamiento de la
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 63
discapacidad y de la salud: CIF, versión abreviada. Ginebra,
Organización Mundial de la Salud. 2001. [online] Disponível na
Internet via WWW.
URL:[Link] Arquivo
capturado em 24 de Agosto de 2015.
PANAGIOTOU, Anna; et al. Attitudes of 5th and 6th grade Greek
students toward the inclusion of children with disabilities in
physical education classes after a Paralympic education program.
European Journal of Adapted Physical Activity. v.1, n. 2, 2008.
pp. 31-43.
PAPAIOANNOU, Christina; EVAGGELINOU, Christina; BLOCK,
Martin. The Effect of a Disability Camp Program on Attitudes
towards the Inclusion of Children with Disabilities in a Summer
Sport and Leisure Activity Camp. International Journal of
Special Education, v. 29, n. 1, 2014. pp. 121-129.
PARADA, Isabel das Dores. Atitudes dos alunos face à inclusão de
alunos com deficiência, nas aulas de educação física:
comparação em alunos do 2º ciclo e secundário. Dissertação de
mestrado em Exercício e Saúde para Populações Especiais.
Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física. Coimbra,
Universidade de Coimbra, 2014.
PARDO, Rodrigo Garcia. La transmisión de valores a jóvenes
socialmente desfavorecidos a través de la Actividad Física y el
Deporte. Estudio Múltiple de casos: Getafe, L’aquila y Los
Ángeles. Tese de doutoramento em Ciências da Actividade Física
e Desporto. Escuela Superior de Arquitectura. Madrid,
Universidad Politécnica de Madrid, 2008.
PAREDES, Soliani; PRADO, José. Teoría del estigma, sus
implicaciones en la discapacidad. Mucuties Universitaria. v. 5,
n.8, 2018. pp. 29-44.
PEINADO, Marta Vicente. Diseño e implementación de una
intervención de deporte adaptado en Educación Física: "Deporte
inclusivo en la escuela". Dissertação de mestrado em Educação
Física. Departamento de mestrado inter-universitário em
formação do professorado de educação secundária obrigatória,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 64
bachilherato e formação profissional. Madrid, Universidad
Politécnica de Madrid, 2017.
PELT, Robin. Teachers' Attitudes Toward the Inclusion of Students
with Disabilities in the General Education Classroom in a Rural
School District. Tese de doutoramento em Filosofía.
Departamento de Aconselhamento e Educação Especial.
Richmond, Virginia Commonwealth University, 2020.
PEREIRA, Miguel Martins. As crenças de controlo dos alunos do 3º
ciclo e do ensino secundário face à inclusão dos seus pares com
deficiência nas aulas de Educação Física: o contacto e o nível de
ensino. Dissertação de mestrado em Educação Física e Desporto.
Faculdade de Educação Física e Desporto. Lisboa, Universidade
Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 2017.
PÉREZ-TEJERO, Javier; et al. Diseño y aplicación de un programa
de intervención de práctica deportiva inclusiva y su efecto sobre
la actitud hacia la discapacidad: El Campus Inclusivo de
Baloncesto. RICYDE. Revista Internacional de Ciencias del
deporte. v. 8, n. 29, 2012. pp. 258-271.
REINA, Raúl. Propuesta de intervención para la mejora de actitudes
hacia personas con discapacidad a través de actividades
deportivas y [Link] - Revista Digital. v. 9, n.
59, 2003. [online] Disponível na Internet via WWW. URL:
[Link] Arquivo capturado
em 02 de Maio de 2015.
REINA, Raúl. Inclusión en deporte adaptado: dos caras de una
misma moneda. Psychology, Society, & Education.v. 6, n. 1,
2014. pp. 55-67.
REINA, Raul; et al. Effects of awareness interventions on children's
attitudes toward peers with a visual impairment. International
Journal of Rehabilitation Research. v. 34, n. 3, 2011. pp. 243-
248.
REINA, Raul; et al. Student Attitudes Toward Inclusion in Physical
Education: The Impact of Ability Beliefs, Gender, and Previous
Experiences. Adapted Physical Activity Quarterly. v. 36, n. 1,
2019. pp. 132-149.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 65
REIS, Patrícia Alexandra Cabral. As crenças de controlo dos alunos
dos 2º e 3º ciclos face à inclusão dos seus pares com deficiência
nas aulas de educação física: o contacto e o nível de ensino.
Dissertação de mestrado em Educação Física. Faculdade de
Educação Física e Desporto. Lisboa, Universidade Lusófona de
Humanidades e Tecnologias, 2016.
RELLO, Carlos Felipe; PUERTA, Ignacio Garoz. Actividad físico-
deportiva en programas de cambio de actitudes hacia la
discapacidad en edad escolar: Una revisión de la literatura.
Cultura, Ciencia y Deporte. v. 9, n. 27, 2014. pp. 199-210.
RELLO, Carlos Felipe; PUERTA, Ignacio Garoz; GONZÁLEZ,
Carlos María Tejero. Análisis comparativo del efecto de tres
programas de sensibilización hacia la discapacidad en Educación
Fí[Link]: nuevas tendencias en educación física, deporte y
recreación. n. 34, 2018. pp. 258-262.
RELLO, Carlos Felipe; PUERTA, Ignacio Garoz; GONZÁLEZ,
Carlos María Tejero. Cambiando las actitudes hacia la
discapacidad: diseño de un programa de sensibilización en
Educación Física. Retos: nuevas tendencias en educación física,
deporte y recreación. n. 37, 2020. pp. 713-721.
RODRIGUES, Aroldo; ASSMAR, Eveline Maria Leal;
JABLONSKY, Bernardo. Psicologia social. 27ª ed. Petrópolis,
Vozes, 2009.
RODRIGUES, David; LIMA-RODRIGUES, Luzia. Educação Física:
formação de professores e inclusão. Práxis Educativa. v. 12, n. 2,
2017. pp. 317-333.
RODRÍGUEZ, José Eugenio Fernández; CIVEIRO, Adriana Ruiz;
NAVARRO, Rubén Patón. Formación del profesorado de
Educación Física en atención a la diversidad en educación
primaria. Sportis Scientific Journal of School Sport, Physical
Education and Psychomotricity. v. 3, n. 2, 2017. pp. 323-339.
Doi: [Link] 2017.3.2.1886
RODRÍGUEZ DE VERA, Luis. Desenvolvimento de valores sociais
e relacionais através da Educação Física: orientações curriculares
para a educação Técnico-Profissional e Vocacional. Dissertação
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 66
de mestrado em Desenvolvimento curricular e Instrucional.
Faculdade de Educação. Maputo, Universidade Eduardo
Mondlane, 2013.
RODRÍGUEZ DE VERA, Luis; TEMBE, Vicente; BUENDIA,
Miguel. Development of Social and Relational Values through
Physical Education: Curricular Guidelines for Technical-vocational
and Vocational Education in Mozambique. WeberEducational
Research & Instructional Studies. v. 11, n. 1, 2019. pp. 1139-1146.
ISSN:2449-1608.
SANTANA, Paloma; GAROZ, Ignacio. Actitudes hacia la
discapacidad e intervención docente desde el deporte adaptado.
Revista Internacional de Medicina y Ciencias de la Actividad
Física y el Deporte. v. 13, n. 49, 2013. pp. 1-17.
SARAIVA, João Paulo; et al. Desporto Adaptado em Portugal: do
conceito à prática. Revista Brasileira de Atividade Física &
Saúde. v. 18, n. 5, 2013. pp. 623-623. DOI:
[Link]
SLININGER, David; SHERILL; Claudine; JANKOWSKI,
Catherine. Children's Attitudes Toward Peers With Severe
Disabilities: Revisiting Contact Theory. Adapted Physical
Activity Quarterly. v. 17, 2000. pp. 176-196.
SOO, Sang; KOH, Younghwan; BLOCK, Martin. Contributing
factors for successful inclusive physical education. Palaestra, v.
28, n. 1, 2014. pp 42-49.
SOTO, Cornelio Águila. "El deporte en el ámbito del ocio como
medio de transformación social". In: MURCIA, J.; COLL, D.
(Coor.). Deporte, intervención e transformación social. Rio de
Janeiro, Rede Euro-Americana de Motricidade Humana, 2009.
pp. 173-210.
TAVARES, Wendy. An Evaluation of the Kids Are Kids Disability
Awareness Program: Increasing Social Inclusion Among
Children With Physical Disabilities. Journal of Social Work in
Disability and Rehabilitation. v. 10, n. 1, 2011. pp. 25-35.
TEIXEIRA, Joana Daniela. O efeito de um Programa de Educação
Paralímpica nas atitudes dos alunos sem NEE face à inclusão na
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 67
Educação Física. Dissertação de mestrado em Actividade Física
Adaptada. Faculdade de Desporto. Porto, Universidade do Porto,
2014.
TEMBE, Vicente; MACHAVA, Eduardo. Necessidade Educativas
Especiais - Da teoria a acção psico-motora para a inclusão e
elevação de auto estima. UDZIWI: Revista de Educação. v. 3, n.
10, 2012. pp. 5-17. [online] Disponível na Internet via WWW.
URL:[Link] UDZIWI_10.pdf.
Arquivo capturado em 23 de Outubro de 2015.
VALENCIA-PERIS, Alexandra; MÍNGUEZ-ALFARO, Patricia;
MARTOS-GARCÍA, Daniel. La formación inicial del
profesorado de Educación Física: una mirada desde la atención a
la diversidad. Retos. v. 37, n. 37, 2020. pp. 597-604.
VÍQUEZ, Fabián; et [Link] inclusión de personas con discapacidad en
una escuela multideportiva: Efecto de las actitudes hacia la
discapacidad en niños, niñas, jóvenes, padres, madres y personal
de instrucción. MHSalud. v. 17, n. 2, 2020. pp. 38-53. ISSN:
1659-097X. DOI: [Link]
VITORINO, Anabela; et al. Atividade física adaptada na população
com necessidades especiais. Revista Científica da FPDD –
Desporto e Atividade Física para Todos. v. 1, n. 1, 2015. pp. 47-
51.
WHO. Relatório Mundial sobre a Deficiência, 2011. [online]
Disponível na Internet via WWW.
URL
:<[Link]
4047020
_por.pdf;jsessionid=5CA3DD778D955ACD70C2136DEB080B3
0?sequence=4>Arquivo capturado em 11 de Novembro de 2022.
XAFOPOULOS, Georgios; KUDLAČEK, Martin;
EVAGGELINOU, Christina. Effect of the intervention program
“Paralympic School Day” on attitudes of children attending
international school towards inclusion of students with
disabilities. Acta Universitatis Palackianae Olomucensis.
Gymnica. v. 39, n. 4, 2009. pp. 63-71.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 68
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 69
Baixo peso ao nascer, sua relação com a nutrição e
impacto de Actividade Física para atenuar seus efeitos
1
Mário Eugénio Tchamo
2
Carol Góis Leandro
1
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
2
Universidade Federal de Pernambuco- Brasil
Introdução
Considera-se baixo peso à criança que nasce com peso abaixo de
2500g. Os bebés com Baixo Peso ao Nascer (BPN) estão em maior
risco de morte e incapacidade (GLASS, COSTARINO et al., 2015).
A prevalência de baixo peso ao nascer no Senegal, Burkina Faso,
Malawi, Gana e Uganda foi, respectivamente, 15,7%, 13,4%, 12,1%,
10,2% e 10% (HE, BISHWAJIT et al., 2018). Quase todos os recém-
nascidos que morrem são BPN e maioritariamente são de
comunidades rurais (MARCHANT, JARIBU et al., 2010). Mais da
metade dessas crianças BPN, morrem logo depois de nascer em casa
(BHUTTA, DARMSTADT et al., 2005). África é um continente com
alta taxa de crianças nascidas baixo peso, particularmente a África
subsaariana(RYLANCE e WARD, 2013; ANDERSEN, JENSEN et
al., 2014).
Está estimado que na África subsaariana, BPN representa 14,3% que
é quase o dobro da taxa dos países europeus (NGUAH SB, 2011;
TCHAMO, PRISTA et al., 2016). Um estudo realizado no Congo em
1000 nascimentos 164 eram BPN isso em Kama,e em Kipaka em
1000 nascimentos 270 eram BPN (MILABYO
KYAMUSUGULWA, 2006). Em Jimma, sudoeste de Etiópia, foi
encontrado uma prevalência de 22,5% em cerca de 145 recém-
nascidos (TEMA, 2006). Em Zimbabwe, um estudo encontrou uma
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 70
prevalência 12,9% de crianças nascidas BPN (TICCONI, ARPINO et
al., 2005).Uma revisão sistemática encontrou baixos níveis de
crescimento e mortalidade em crianças africanas nascidas baixo peso
(TCHAMO, PRISTA et al., 2016). Devido a alta percentagem de
crianças baixo peso na África subsaariana, é importante avaliar o
impacto disto durante os estágios de desenvolvimento de crianças.
A avaliação de crescimento é determinado pelas mudanças nas
medidas antropométricas e o peso ganho é um valioso guia para
indicar o crescimento adequado (RUGOLO, 2005). As mudanças no
peso corporal durante o período neonatal das crianças BPN são
caracterizadas por uma perda inicial da massa corporal em 8 a 15%
nos primeiros 7 dias de vida seguido por uma recuperação que ocorre
cerca de 10-21 dias pós-natal (GARN, 1985). A perda do peso no
período pós-natal é maior nas crianças muito baixo peso ao nascer e
nas crianças extremo de peso ao nascer (GARN, 1985). O atraso ou
falha no crescimento para recuperar o peso corporal pode ocorrer
devido a vários factores que podem ser médicos, nutricionais ou
ambientais (NAMIIRO FB, 2012). Este atraso no crescimento ou
falha na recuperação do peso pode ter consequências na vida adulta.
Nascer muito baixo peso e extremo baixo peso está associado com
dificuldades motoras e desordens no desenvolvimento da
coordenação (POWLS, BOTTING et al., 1995; HOLSTI, GRUNAU
et al., 2002). Estudo realizado numa zona rural da Polónia mostrou
baixos níveis de flexibilidade e corrida de velocidade em crianças
BPN (CIESLA, ZAREBA et al., 2017). Em crianças brasileiras de 7
a 10 anos o baixo peso ao nascer preditou altura, Índice de massa
corporal, massa magra e performance nas nos testes de força e
velocidade (MOURA-DOS-SANTOS, DE ALMEIDA et al., 2015).
Em Holanda Crianças de 8 anos nascidas Baixo Peso revelaram
baixos níveis de desempenho em corrida de velocidade de 20 metros
e em provas neuromusculares através de salto horizontal quando
comparados com os seus pares que nasceram normais (AW VAN
DEUTEKOM, 2015). O baixo peso ao nascer afeta negativamente a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 71
Actividade Física infantil e, portanto, pode desempenhar um papel
desfavorável na saúde futura da prole (TAMBALIS, MOURTAKOS
et al., 2022). Em Moçambique já foram realizados estudos
associando BPN e performance motora e composição corporal.
Em um estudo realizado com jovens de idade compreendida entre 19
a 22 anos, residentes na cidade de Maputo, o grupo BPN apresentou
baixos níveis de flexibilidade, força da mão e no salto horizontal
(TCHAMO, DOS-SANTOS et al., 2016). Num estudo realizado com
crianças de 7-10 anos de idade na cidade de Maputo, as BPN
apresentaram baixos níveis de massa corporal, altura, IMC e massa
magra quando comparadas com as que nasceram normal. No que
concerne a aptidão física, as crianças BPN apresentaram baixos
níveis de força de mão e coordenação motora (TCHAMO, MOURA-
DOS-SANTOS et al., 2017). Apesar dos resultados interessantes por
parte destes estudos, os mesmos avaliaram apenas o momento actual,
sem ter em conta a trajectória desses indivíduos até ao momento.
Ademais, os exercícios físicos protegem os indivíduos com BPN do
desenvolvimento de intolerância à glicose e resistência à insulina
(ORTEGA, RUIZ et al., 2011). Adaptações fisiológicas induzidas
por actividade física, como aumento dos níveis de GLUT4 e
glicogénio sintetase podem estar por trás do aumento da
sensibilidade à insulina( HENRIKSSON, 1995).
Diante destas evidências, mecanismos de intervenção são necessárias
para atenuar os efeitos do baixo peso ao nascer. Estudos mostram que
o salto pliométrico pode melhorar a aptidão física e coordenação
motora das crianças (FAIGENBAUM, KRAEMER et al., 2009;
NOBRE, 2017). O treinamento pliométrico melhorou a força da mão,
a flexibilidade, o salto em pé, o desempenho em agilidade e força
abdominal (flexão) e melhorou a coordenação motora em crianças
brasileiras obesas de 7-10 anos de idade (NOBRE, 2017) . Para os
resultados da coordenação motora grossa, o grupo de crianças obesas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 72
apresentou melhor desempenho em todos os testes após o
treinamento pliométrico (NOBRE, 2017).
1. Baixo peso e suas implicações na actividade física na vida
adulta
Em indivíduos com BPN, as diferenças nos níveis de actividade
física habitual comparados com as do peso normal (PN) aparecem
apenas a partir da adolescência, enquanto os indivíduos com extremo
baixo peso ao nascer (EBPN) têm reduzida capacidade de realizar
tarefas, principalmente aeróbicas/resistentes ou baseadas em força,
desde a primeira infância. Essa redução na capacidade de exercício é
aparente em todas as idades que foram examinadas até o momento
(SIEBEL, CAREY et al., 2012). Um estudo relatou uma reduzida
reacção muscular e coordenação motora em criança EBPN e muito
baixo peso ao nascer (MBPN) com 5 a 7 anos de idade, quando
comparado aos seus pares normais (KELLER, AYUB et al., 1998).
As crianças com EBPN neste grupo etário também apresentaram
redução na capacidade de exercício anaeróbico em comparação com
as crianças com PN (KELLER, BAR-OR et al., 2000). As
deficiências na capacidade de exercício em crianças e adolescentes
com EBPN e MBPN incluem capacidade aeróbica reduzida, expressa
em termos absolutos ou relativos (KILBRIDE, GELATT et al.,
2003). Múltiplos índices de potência e resistência muscular também
são reduzidos (ROGERS, FAY et al., 2005; VRIJLANDT,
GERRITSEN et al., 2006)
2. Que mecanismos estão envolvidos nessa capacidade de
exercício alterado em crianças nascidas BPN (Baixo Peso ao
Nascer), MBPN (Muito Baixo Peso ao Nascer) e EBPN (Extremo
Baixo Peso ao Nascer)?
Estudos com animais e humanos consistentemente relatam redução
da massa muscular e aumento correspondente massa gorda relativa
em indivíduos com MBPN (KELLER, BAR-OR et al., 2000; KIND,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 73
MOORE et al., 2006; SIPOLA-LEPPANEN, HOVI et al., 2011). Em
ratos adultos nascidos com BPN, tanto as fibras musculares
vermelhas quanto as brancas são menores (área transversal) do que
nos animais controle (HUBER, MILES et al., 2009). Os
corticosteróides usados no tratamento da doença pulmonar crónica
em indivíduos BPN também podem induzir atrofia muscular
(CLARKE, DRUJAN et al., 2007). As crianças apresentam reduzidas
concentrações de fosfocretina, (BERTOCCI, MIZE et al., 1992). O
transportador de glicose GLUT4 é reduzido no músculo-esquelético
de indivíduos BPN (OZANNE, JENSEN et al., 2005). Em humanos,
no entanto, a função pulmonar prejudicada associada ao BPN pode
restringir a actividade física (VICTORA, ADAIR et al., 2008).
A hipótese de origem fetal das doenças no adulto (BARKER, 1995)
sugere que experiências no útero como a desnutrição podem, além de
limitar o tamanho ao nascer, alterar o desenvolvimento e aumentar a
susceptibilidade a doenças crónicas. Menor peso ao nascer tem sido
associado a maiores riscos de doença cardiovascular (BARKER,
1995; WANG, SHU et al., 2014) e diabetes tipo II (WHINCUP,
KAYE et al., 2008) e também com menor capacidade aeróbica e
resistência muscular (RIDGWAY, ONG et al., 2009) e composição
corporal menos favorável em termos de massa óssea (KUH, WILLS
et al., 2014), massa muscular (BANN, WILLS et al., 2014) e força
muscular mais fraca (DODDS, DENISON et al., 2012).
Os resultados destes estudos (BARKER, 1995; DODDS, DENISON
et al., 2012; BANN, WILLS et al., 2014; KUH, WILLS et al., 2014)
alinham com os dos feitos com animais que mostraram menos
actividade física por parte dos filhos nascidos de mães desnutridas
fornecendo evidência que adolescentes e adultos com BPN podem
participar menos em actividade física. Os mecanismos subjacentes
podem operar através de um efeito sobre as habilidades motoras
necessárias para desenvolver a competência desportiva, uma
capacidade reduzida de exercício e subsequente auto-selecção de
desportos e exercícios em pessoas nascidas com baixo peso
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 74
(DAHAN-OLIEL, MAZER et al., 2012). Um estudo que avaliou
actividade física dos adultos, teve como resultado que os que
nasceram com peso normal eram mais activos do que os que
nasceram baixo peso (ELHAKEEM, COOPER et al., 2017).
Num estudo com crianças de 6-7 anos, as nascidas baixo peso
apresentaram baixos níveis de flexibilidade e menor desempenho na
corrida de velocidade (ELŻBIETACIEŚLA, 2017). Pessoas nascidas
MBPN demonstraram menor tempo de participação no exercício,
menor frequência e menor dispêndio de energia em actividades.
Além disso, eles participam menos em actividades físicas no tempo
de lazer (KAJANTIE, STRANG-KARLSSON et al., 2010;
KASEVA, WEHKALAMPI et al., 2012). Resultados de um estudo
mostraram que a associação entre actividade física e o desempenho
físico é maior em homens com baixo peso ao nascer, onde estes
apresentaram menor desempenho. Os resultados sugerem que
homens com baixo peso ao nascer podem se beneficiar mais em
actividade física, a fim de manter um melhor desempenho físico
(JANTUNEN, WASENIUS et al., 2018).
3. Pode a actividade física atenuar os efeitos negativos do baixo
peso ao nascer?
O baixo peso ao nascer está associado à menor sensibilidade à
insulina em jovens (LAWLOR, RIDDOCH et al., 2005; PARK,
2010) e a um aumento do risco de diabetes tipo 2 mais tarde na vida
adulta (WHINCUP, KAYE et al., 2008). A resistência à insulina é o
principal distúrbio metabólico nos estágios iniciais do
desenvolvimento das diabetes tipo 2 (LUDWIG e EBBELING,
2001). A identificação de factores de estilo de vida capazes de
reduzir a resistência à insulina e o risco de diabetes tipo 2 associado
ao baixo peso ao nascer nas fases iniciais da vida são importantes do
ponto de vista clínico. Sabe-se que a actividade física está associada
a um melhor perfil metabólico e sensibilidade à insulina em crianças
e adolescentes (RIZZO, RUIZ et al., 2008). A nossa hipótese é de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 75
que níveis mais altos de actividade física podem atenuar o efeito
adverso do baixo peso ao nascer sobre a sensibilidade à insulina.
Níveis mais altos de actividade física podem atenuar o efeito do
baixo peso ao nascer sobre a resistência à insulina na adolescência
(ORTEGA, RUIZ et al., 2011). Adaptações fisiológicas induzidas
por actividade física, como aumento dos níveis de GLUT4 e
glicogénio sintetase (HENRIKSSON, 1995) ou mudanças na
expressão e / ou actividade de proteínas envolvidas na transdução de
sinal de insulina no músculo-esquelético (OZANNE, JENSEN et al.,
2006), podem estar por trás do aumento da sensibilidade à insulina. A
prática de actividade física pôde atenuar o efeito negativo do baixo
peso ao nascer sobre os níveis séricos de leptina em adolescentes
europeias(LABAYEN, ORTEGA et al., 2013).
A actividade física tem efeitos benéficos, que incluem a melhora da
sensibilidade à insulina (BORGHOUTS e KEIZER, 2000;
NISHIDA, HIGAKI et al., 2001) em obesos, bem como em
indivíduos pré-diabéticos e pacientes com diabetes mellitus tipo 2
(KROTKIEWSKI, LONNROTH et al., 1985; DELA e
STALLKNECHT, 2010). Os exercícios físicos protegem os
indivíduos com BPN do desenvolvimento de intolerância à glicose e
resistência à insulina (ERIKSSON, YLIHARSILA et al., 2004;
ORTEGA, RUIZ et al., 2011). Um treinamento de bicicleta ao ar
livre por 45 minutos todos os dias pode melhorar a sensibilidade à
insulina e diminuir os níveis plasmáticos de insulina em homens
indianos jovens com baixo peso nascer (MADSEN, MOGENSEN et
al., 2015).
Distúrbios do desenvolvimento motor, bem como distúrbios
auditivos e visuais, estão associados ao nascimento prematuro e ao
baixo peso ao nascer, isto foi observado em um de cada três bebés
prematuros (WILSON-COSTELLO, FRIEDMAN et al., 2007).
Mecanismos biológicos, médicos e ambientais complexos
contribuem para problemas de desenvolvimento em bebés nascidos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 76
prematuros (GRUNAU, WHITFIELD et al., 2009; VOLPE, 2009).
Bebés prematuros pequenos para a idade gestacional correm maior
risco de atrasos cognitivos e de desenvolvimento. Aqueles nascidos
com peso extremamente baixo têm um duplo risco e requerem
atenção e cuidados clínicos especiais (FELDMAN e EIDELMAN,
2006). Tem havido algumas pesquisas indicando que a intervenção
motora precoce pode facilitar o desenvolvimento motor e minimizar
os efeitos nocivos do ambiente de tratamentos intensivos
(VANDERVEEN, BASSLER et al., 2009). As intervenções nessa
área podem ter um impacto significativo na diferenciação das fibras
musculares e, consequentemente, no desenvolvimento do tônus
postural em lactentes nascidos pré-termo (DOWNS, EDWARDS et
al., 1991).
Um estudo de meta-análise descobriu que as crianças que nasceram
BPN ou prematuras que participaram de programas de intervenção
precoce exibiram melhorias significativas em seus desenvolvimentos
funcionais mentais ou neuro músculo esqueléticos e de movimento
(PARK, MAITRA et al., 2014). Existem algumas evidências que
sugerem que a actividade física pode ser útil para diminuir o risco de
osteopenia em bebés prematuros, promovendo a massa óssea e ganho
de peso (MOYER-MILEUR, BALL et al., 2008; VIGNOCHI,
MIURA et al., 2008; TOSUN, BAYAT et al., 2011). Alguns
benefícios da hidrocinesioterapia para acelerar o crescimento e o
desenvolvimento de sistemas biológicos são encontrados em
prematuros internados em unidades de tratamentos intensivos. Um
estudo encontrou que a hidroterapia é útil para promover ganho de
peso e tolerância à alimentação (SWEENEY e SMUTOK, 1983). Os
recém-nascidos pré-termo têm uma redução significativa na
frequência cardíaca e respiratória (ambos dentro dos limites
normais), e que os níveis de cortisol salivar foram significativamente
reduzidos após a hidroterapia, sugerindo alívio a curto prazo do
estresse (DE OLIVEIRA TOBINAGA, DE LIMA MARINHO et al.,
2016).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 77
Em estudos com animais, o exercício pós-desmame atenuou os
efeitos da dieta hiperlipídica materna (BAHARI, CARUSO et al.,
2013) ou restrição de crescimento intra-uterino sobre o aumento da
adiposidade na prole(GATFORD, KAUR et al., 2014). Um punhado
de estudos em humanos sugere que a actividade física pode atenuar
os efeitos da programação do desenvolvimento na tolerância à
glicose (ERIKSSON, YLIHARSILA et al., 2004; ORTEGA, RUIZ
et al., 2011). Os efeitos do BPN e excesso de peso ao nascer na
adiposidade podem ser facilmente modificados com uma actividade
física de moderado a vigoroso em adolescentes (BOONE-
HEINONEN, MARKWARDT et al., 2016).
Um estudo encontrou que um programa diário de actividade física
aumentou o peso corporal, a altura, o comprimento tibial em
prematuros nascidos EBPN (ERDEM, TOSUN et al., 2015). A
actividade Física pode atenuar o efeito negativo do baixo peso ao
nascer sobre os níveis séricos de leptina em adolescentes europeias
(LABAYEN, ORTEGA et al., 2013). Um programa de intervenção
duas vezes ao dia de exercício de amplitude de movimento assistida
atenua a diminuição na força óssea e pode diminuir o risco de
osteopenia e futuras fraturas em bebés prematuros de muito baixo
peso (LITMANOVITZ, EREZ et al., 2016).
4. Nutrição e o peso ao nascer
4.1. Estado nutricional da mãe durante a gestão e lactação e o
Baixo peso ao nascer
O baixo peso ao nascer é um problema significativo de saúde
pública, pois trás graves consequências na saúde, influencia nos
problemas sociais e económicas para o indivíduo, família e sociedade
em geral. O baixo peso ao nascer aumenta as chances de mortalidade
neonatal e desnutrição infantil (PELLETIER, 1995; MARTORELL,
1999; HACK e FLANNERY, et al, 2002). Bebês com baixo peso ao
nascer têm probabilidade de começar a escola tarde, abandonar a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 78
escola, completar menos anos de escolaridade, tornar-se um adulto
atrofiado e sofrer de baixa produtividade e doenças crônicas mais
tarde na vida (WHO, 2004).
Crianças que enfrentam fatores de risco perinatais adicionais, como
prematuridade, baixo peso ao nascer (BPN) e restrição de
crescimento intrauterino (RCIU), correm maior risco de morrer na
infância (Marchant T, et al 2012; Sania A, et al 2014). Bebês
prematuros e BPN (PT / BPN) que sobrevivem têm probabilidade de
enfrentar desafios de desenvolvimento adicionais (Walker SP et al
2011; Feldman R, Eidelman AI 2006) e comorbidades como doenças
respiratórias (Baraldi E, Fillipone M. 2007) dificuldades de
alimentação ( Lau C, 2006) e desnutrição (Black MM, et al 2011).
Os bebês nascidos com PT / BPN na área rural de Ruanda
apresentaram altas taxas de estado de saúde anormal relatado,
subnutrição e potencial desenvolvimento anormal de um a três anos
de vida, indicando uma lacuna na prestação de serviços para esta
população vulnerável (Catherine M. Kirk et al. 2017) .
A nutrição intrauterina inadequada é a principal causa de baixo peso
ao nascer nos países em desenvolvimento (VILLAR, BELIZAN,
1982; KRAMER,1987; DINH, TO 1996).O crescimento fetal, por
sua vez, é afetado por uma série de fatores específicos do bebê, da
mãe ou do ambiente físico (WHO, 2004). De todos os fatores que
afetam o peso ao nascer, a nutrição materna é o mais importante
(Kramer,1987; Kusin, Kardjati e Renqvist, V. 1994). O estado
nutricional das mães antes e durante a gravidez é fundamental para
determinar o peso ao nascer (RAMAKRISHNAN, MARTORELL et
al, 1999). Acesso e uso de cuidados pré-natais, infecções e ingestão
de micronutrientes também podem influenciar a incidência de taxas
nascimentos de crianças com baixo peso ao nascer
( RAMAKRISHNAN, NEUFELD, 2001).
Nutrientes de particular preocupação incluem ferro, zinco, folato,
vitamina A, vitamina D, iodo e cálcio, que desempenham papéis
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 79
significativos na saúde materna e no desenvolvimento fetal (Bukhary
NBI, 2016; Ministry of Health and Sports (MoHS) and ICF 2017;
Moench-Pfanner R 2016). A inadequação de nutrientes durante a
gravidez pode prejudicar o crescimento fetal, o que pode, por sua
vez, aumentar o risco de baixo peso ao nascer ou pequeno para a
idade gestacional e partos prematuros ( Martin JC, 2016; Vaivada T,
2017; Victora CG, 2010).
A nutrição pós o nascimento é de extrema importância para o
desenvolvimento da criança. Numa coorte bem caracterizada de 86
indivíduos MBPN, os resultados mostraram que a maior ingestão de
energia e leite humano durante a internação hospitalar inicial foram
associadas a um melhor funcionamento cognitivo na vida adulta
(Sammallahti, S. et al, 2018).
esforços simultâneos e multifacetados voltados para a melhoria do
estado nutricional das mulheres, o acesso aos cuidados de saúde e à
gravidez, por um lado, e o combate à pobreza e à desigualdade de
gênero, por outro são de extrema importância ( A. Dharmalingam et
al 2010). Não só a nutrição pode contribuir para que a criança nasça
com baixo peso, mas também a vida sedentária durante a gravidez
pode resultar em pobre crescimento fetal e idade gestacional reduzida
no parto (WHO, 2004)
4.2. Salto pliométrico e o seu contributo
Exercícios pliométricos são uma metodologia específica de
treinamento amplamente apoiada pela literatura científica
(MARKOVIC e MIKULIC, 2010; SLIMANI, CHAMARI et al.,
2016; YANCI, LOS ARCOS et al., 2016). Tal metodologia é uma
forma generalizada de condicionamento físico que envolve exercícios
de salto usando a ação muscular do ciclo de alongamento /
encurtamento (CAE) (MARKOVIC e MIKULIC, 2010). O CAE
pode ser resumida como um aprimoramento da capacidade dos
sistemas neural e musculo tendinoso em produzir força máxima no
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 80
menor tempo possível (WANG e ZHANG, 2016). A literatura relata
efeitos positivos sobre potência explosiva associada a melhor
desempenho do salto vertical, agilidade e desempenho no sprint após
treinamento pliométrico (SLIMANI, CHAMARI et al., 2016;
WANG e ZHANG, 2016; YANCI, LOS ARCOS et al., 2016).
O treinamento pliométrico é considerado seguro e recomendado para
melhorar a aptidão física e a coordenação motora dos jovens, de
acordo com a National Strength and Conditioning Association
(FAIGENBAUM, KRAEMER et al., 2009).Nas crianças sobrepesos
e obesidade a intervenção com salto pliométrico melhorou força de
preensão manual, resistência abdominal, salto em distância,
flexibilidade e teste de milha. Na coordenação motora grossa houve
aumento em todos os testes do protocolo do KTK: equilíbrio, salto
monopedal, salto lateral e transferência de plataformas. O
treinamento pliométrico melhorou as variáveis relacionadas a aptidão
física e coordenação motora grossa de crianças entre 7 e 9 anos de
idade, com sobrepeso e obesidade (NOBRE, 2017).
O protocolo de treinamento pliométrico com incremento progressivo
de intensidade durante as semanas induziu redução significativa das
dobras cutâneas do bíceps, abdominal, apertada e panturrilha, e
aumento da massa livre de gordura em meninos com sobrepeso e
obesidade (GOIS LEANDRO, ARNAUT BRINCO et al., 2021). Os
efeitos mais pronunciados foram relacionados ao efeito crônico do
exercício pliométrico que induziu uma redução progressiva da
Pressão Sistolica, Pressão Diastólica , Frequência Cardíaca e produto
frequência-pressão durante o período de recuperação pós-exercício
(GOIS LEANDRO, RNAUT BRINCO et al., 2021). O treinamento
pliométrico parece ser uma maneira segura e eficaz de melhorar o
desempenho específico do esporte em populações atléticas jovens
masculinas e femininas. O desempenho atlético que consiste em
arremesso, capacidade de salto e velocidade melhorou
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 81
significativamente devido a intervenções de treinamento pliométrico
(ERASLAN, CASTELEIN et al., 2021).
Referências Bibliográficas
ANDERSEN, A. et [Link] very low- and very high in vitro cytokine
responses were associated with infant death in low-birth-weight
children from Guinea Bissau. PLoS One, v. 9, n. 4, p. e93562,
2014.
AW VAN DEUTEKOM, M. C., TGM VRIJKOTTE AND RJBJ
GEMKE. The association of birth weight and infant growth with
physical fitness at 8–9 years of age—the ABCD study.
Macmillan Publishers Limited, p. 1-8, 2015.
BAHARI, H. et al. Late-onset exercise in female rat offspring
ameliorates the detrimental metabolic impact of maternal obesity.
Endocrinology, v. 154, n. 10, p. 3610-21, Oct 2013.
BANN, D. et al. Birth weight and growth from infancy to late
adolescence in relation to fat and lean mass in early old age:
findings from the MRC National Survey of Health and
Development. Int J Obes (Lond), v. 38, n. 1, p. 69-75, Jan 2014.
BARKER, D. J. Fetal origins of coronary heart disease. BMJ, v. 311,
n. 6998, p. 171-4, Jul 15 1995.
BERTOCCI, L. A. et al. Muscle phosphorus energy state in very-
low-birth-weight infants: effect of exercise. Am J Physiol, v. 262,
n. 3 Pt 1, p. E289-94, Mar 1992.
BHUTTA, Z. A. et al. Community-based interventions for improving
perinatal and neonatal health outcomes in developing countries: a
review of the evidence. Pediatrics, v. 115, n. 2 Suppl, p. 519-617,
Feb 2005.
BOONE-HEINONEN, J. et al. Overcoming birth weight: can
physical activity mitigate birth weight-related differences in
adiposity? Pediatr Obes, v. 11, n. 3, p. 166-73, Jun 2016.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 82
BORGHOUTS, L. B.; KEIZER, H. A. Exercise and insulin
sensitivity: a review. Int J Sports Med, v. 21, n. 1, p. 1-12, Jan
2000.
CIESLA, E. et al. The level of physical fitness in children aged 6-
7years with low birthweight. Early Hum Dev, v. 111, p. 23-29,
Aug 2017.
CLARKE, B. A. et al. The E3 Ligase MuRF1 degrades myosin
heavy chain protein in dexamethasone-treated skeletal muscle.
Cell Metab, v. 6, n. 5, p. 376-85, Nov 2007.
DAHAN-OLIEL, N. et al. Preterm birth and leisure participation: a
synthesis of the literature. Res Dev Disabil, v. 33, n. 4, p. 1211-
20, Jul-Aug 2012.
DE OLIVEIRA TOBINAGA, W. C. et al. Short-Term Effects of
Hydrokinesiotherapy in Hospitalized Preterm Newborns. Rehabil
Res Pract, v. 2016, p. 9285056, 2016.
DELA, F.; STALLKNECHT, B. Effect of physical training on
insulin secretion and action in skeletal muscle and adipose tissue
of first-degree relatives of type 2 diabetic patients. Am J Physiol
Endocrinol Metab, v. 299, n. 1, p. E80-91, Jul 2010.
DODDS, R. et al. Birth weight and muscle strength: a systematic
review and meta-analysis. J Nutr Health Aging, v. 16, n. 7, p.
609-15, Jul 2012.
DOWNS, J. A. et al. Effect of intervention on development of hip
posture in very preterm babies. Arch Dis Child, v. 66, n. 7 Spec
No, p. 797-801, Jul 1991.
ELHAKEEM, A. et al. Birth Weight, School Sports Ability, and
Adulthood Leisure-Time Physical Activity. Med Sci Sports
Exerc, v. 49, n. 1, p. 64-70, Jan 2017.
ELŻBIETACIEŚLA, M., SŁAWOMIRKOZIE. The level of physical
fitness in children aged 6–7 years with low birthweight. Early
Hum Dev. , v. 111, p. 23-29, 2017.
ERASLAN, L. et al. Effect of Plyometric Training on Sport
Performance in Adolescent Overhead Athletes: A Systematic
Review. Sports Health, v. 13, n. 1, p. 37-44, Jan/Feb 2021.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 83
ERDEM, E. et al. Daily physical activity in low-risk extremely low
birth weight preterm infants: positive impact on bone mineral
density and anthropometric measurements. J Bone Miner Metab,
v. 33, n. 3, p. 329-34, May 2015.
ERIKSSON, J. G. et al. Exercise protects against glucose intolerance
in individuals with a small body size at birth. Prev Med, v. 39, n.
1, p. 164-7, Jul 2004.
FAIGENBAUM, A. D. et al. Youth resistance training: updated
position statement paper from the national strength and
conditioning association. J Strength Cond Res, v. 23, n. 5 Suppl,
p. S60-79, Aug 2009.
FELDMAN, R.; EIDELMAN, A. I. Neonatal state organization,
neuromaturation, mother-infant interaction, and cognitive
development in small-for-gestational-age premature infants.
Pediatrics, v. 118, n. 3, p. e869-78, Sep 2006.
GARN, S. Relationship between birth weight and subsequent weight
gain. Am J Clin Nutr., v. 42, p. 57-60, 1985.
GATFORD, K. L. et al. Exercise as an intervention to improve
metabolic outcomes after intrauterine growth restriction. Am J
Physiol Endocrinol Metab, v. 306, n. 9, p. E999-1012, May 1
2014.
GLASS, H. C. et al. Outcomes for extremely premature infants.
Anesth Analg, v. 120, n. 6, p. 1337-51, Jun 2015.
GOIS LEANDRO, C. et [Link]-exercise hypotension effects in
response to plyometric training of 7- to 9-year-old boys with
overweight/obesity: a randomized controlled study. J Sports Med
Phys Fitness, v. 61, n. 9, p. 1281-1289, Sep 2021.
GRUNAU, R. E. et al. Neonatal pain, parenting stress and
interaction, in relation to cognitive and motor development at 8
and 18 months in preterm infants. Pain, v. 143, n. 1-2, p. 138-46,
May 2009.
HE, Z. et al. Prevalence of low birth weight and its association with
maternal body weight status in selected countries in Africa: a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 84
cross-sectional study. BMJ Open, v. 8, n. 8, p. e020410, Aug 29
2018.
HENRIKSSON, J. Influence of exercise on insulin sensitivity. J
Cardiovasc Risk, v. 2, n. 4, p. 303-9, Aug 1995.
HOLSTI, L. et al. Developmental coordination disorder in extremely
low birth weight children at nine years. J Dev Behav Pediatr, v.
23, n. 1, p. 9-15, Feb 2002.
HUBER, K. et al. Prenatally induced changes in muscle structure and
metabolic function facilitate exercise-induced obesity prevention.
Endocrinology, v. 150, n. 9, p. 4135-44, Sep 2009.
JANTUNEN, H. et al. Relationship between physical activity and
physical performance in later life in different birth weight groups.
J Dev Orig Health Dis, v. 9, n. 1, p. 95-101, Feb 2018.
KAJANTIE, E. et al. Adults born at very low birth weight exercise
less than their peers born at term. J Pediatr, v. 157, n. 4, p. 610-6,
616 e1, Oct 2010.
KASEVA, N. et al. Lower conditioning leisure-time physical activity
in young adults born preterm at very low birth weight. PLoS One,
v. 7, n. 2, p. e32430, 2012.
KELLER, H. et al. Neuromotor ability in 5- to 7-year-old children
with very low or extremely low birthweight. Dev Med Child
Neurol, v. 40, n. 10, p. 661-6, Oct 1998.
KELLER, H. et al. Anaerobic performance in 5- to 7-yr-old children
of low birthweight. Med Sci Sports Exerc, v. 32, n. 2, p. 278-83,
Feb 2000.
KILBRIDE, H. W. et al. Pulmonary function and exercise capacity
for ELBW survivors in preadolescence: effect of neonatal chronic
lung disease. J Pediatr, v. 143, n. 4, p. 488-93, Oct 2003.
KIND, K. L. et al. Diet around conception and during pregnancy--
effects on fetal and neonatal outcomes. Reprod Biomed Online, v.
12, n. 5, p. 532-41, May 2006.
KROTKIEWSKI, M. et al. The effects of physical training on insulin
secretion and effectiveness and on glucose metabolism in obesity
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 85
and type 2 (non-insulin-dependent) diabetes mellitus.
Diabetologia, v. 28, n. 12, p. 881-90, Dec 1985.
KUH, D. et al. Growth from birth to adulthood and bone phenotype
in early old age: a British birth cohort study. J Bone Miner Res, v.
29, n. 1, p. 123-33, Jan 2014.
LABAYEN, I. et al. Physical activity attenuates the negative effect
of low birth weight on leptin levels in European adolescents; the
HELENA study. Nutr Metab Cardiovasc Dis, v. 23, n. 4, p. 344-
9, Apr 2013.
LAWLOR, D. A. et al. The association of birthweight and
contemporary size with insulin resistance among children from
Estonia and Denmark: findings from the European Youth Heart
Study. Diabet Med, v. 22, n. 7, p. 921-30, Jul 2005.
LITMANOVITZ, I. et al. The Effect of Assisted Exercise Frequency
on Bone Strength in Very Low Birth Weight Preterm Infants: A
Randomized Control Trial. Calcif Tissue Int, v. 99, n. 3, p. 237-
42, Sep 2016.
LUDWIG, D. S.; EBBELING, C. B. Type 2 diabetes mellitus in
children: primary care and public health considerations. JAMA, v.
286, n. 12, p. 1427-30, Sep 26 2001.
MADSEN, C. et al. Effects of an outdoor bicycle-based intervention
in healthy rural Indian men with normal and low birth weight. J
Dev Orig Health Dis, v. 6, n. 1, p. 27-37, Feb 2015.
MARCHANT, T. et al. Measuring newborn foot length to identify
small babies in need of extra care: a cross sectional hospital based
study with community follow-up in Tanzania. BMC Public
Health, v. 10, p. 624, Oct 19 2010.
MARKOVIC, G.; MIKULIC, P. Neuro-musculoskeletal and
performance adaptations to lower-extremity plyometric training.
Sports Med, v. 40, n. 10, p. 859-95, Oct 1 2010.
MILABYO KYAMUSUGULWA, P. [Low birth weight in Maniema
(Democratic Republic of Congo)]. Sante, v. 16, n. 2, p. 103-7,
Apr-Jun 2006.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 86
MOURA-DOS-SANTOS, M. A. et al. Birthweight, body
composition, and motor performance in 7- to 10-year-old
children. Dev Med Child Neurol, v. 57, n. 5, p. 470-5, May 2015.
MOYER-MILEUR, L. J. et al. Maternal-administered physical
activity enhances bone mineral acquisition in premature very low
birth weight infants. J Perinatol, v. 28, n. 6, p. 432-7, Jun 2008.
NAMIIRO FB, M. J., MCADAMS RM, NDEEZI G. Poor birth
weight recovery among low birth weight/preterm infants
following hospital discharge in Kampala, Uganda. BMC
Pregnancy Childbirth., v. 12, p. 1, 2012.
NGUAH SB, W. P., OBENG R, YAKUBU A, KERBER KJ,.
Perception and practice of Kangaroo Mother Care after discharge
from hospital in Kumasi,
Ghana: A longitudinal study. BMC Pregnancy and Childbirth;, v. 11,
p. 99-107, 2011.
NISHIDA, Y. et al. Effect of mild exercise training on glucose
effectiveness in healthy men. Diabetes Care, v. 24, n. 6, p. 1008-
13, Jun 2001.
NOBRE, G. G. D. A., MARCELUS B.; NOBRE, ISABELE G.;
DOS SANTOS, FERNANDA K.; BRINCO, RAPHAEL A.;
ARRUDA-LIMA, THALISON R.; DE-VASCONCELOS,
KENYA L.; DE-LIMA, JOCIELLEN G.; BORBA-NETO,
MANOEL E.; DAMASCENO-RODRIGUES, EMMANUEL M.;
SANTOS-SILVA, STEVE M.; LEANDRO, CAROL G.;
MOURA-DOS-SANTOS, MARCOS A. Twelve Weeks of
Plyometric Training Improves Motor Performance of 7- to 9-
Year-Old Boys Who Were Overweight/Obese: A Randomized
Controlled Intervention. Journal of Strength and Conditioning
Research, v. 31, n. 8, p. 2091-2099, 2017.
ORTEGA, F. B. et al. Physical activity attenuates the effect of low
birth weight on insulin resistance in adolescents: findings from
two observational studies. Diabetes, v. 60, n. 9, p. 2295-9, Sep
2011.
OZANNE, S. E. et al. Decreased protein levels of key insulin
signalling molecules in adipose tissue from young men with a low
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 87
birthweight: potential link to increased risk of diabetes?
Diabetologia, v. 49, n. 12, p. 2993-9, Dec 2006.
OZANNE, S. E. et [Link] birthweight is associated with specific
changes in muscle insulin-signalling protein expression.
Diabetologia, v. 48, n. 3, p. 547-52, Mar 2005.
PARK, E. Birth weight was negatively correlated with plasma
ghrelin, insulin resistance, and coenzyme Q10 levels in
overweight children. Nurs Res Pract, v. 4, p. 311-316, 2010.
PARK, H. Y. et al. Effects of early intervention on mental or
neuromusculoskeletal and movement-related functions in children
born low birthweight or preterm: a meta-analysis. Am J Occup
Ther, v. 68, n. 3, p. 268-76, May-Jun 2014.
POWLS, A. et al. Motor impairment in children 12 to 13 years old
with a birthweight of less than 1250 g. Arch Dis Child Fetal
Neonatal Ed, v. 73, n. 2, p. F62-6, Sep 1995.
RIDGWAY, C. L. et al. Birth size, infant weight gain, and motor
development influence adult physical performance. Med Sci
Sports Exerc, v. 41, n. 6, p. 1212-21, Jun 2009.
RIZZO, N. S. et al. Associations between physical activity, body fat,
and insulin resistance (homeostasis model assessment) in
adolescents: the European Youth Heart Study. Am J Clin Nutr, v.
87, n. 3, p. 586-92, Mar 2008.
ROGERS, M. et al. Aerobic capacity, strength, flexibility, and
activity level in unimpaired extremely low birth weight (<or=800
g) survivors at 17 years of age compared with term-born control
subjects. Pediatrics, v. 116, n. 1, p. e58-65, Jul 2005.
RUGOLO, L. M. [Growth and developmental outcomes of the
extremely preterm infant]. J Pediatr (Rio J), v. 81, n. 1 Suppl, p.
S101-10, Mar 2005.
RYLANCE, S.; WARD, J. Early mortality of very low-birthweight
infants at Queen Elizabeth Central Hospital, Malawi. Paediatr Int
Child Health, v. 33, n. 2, p. 91-6, May 2013.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 88
SIEBEL, A. L. et al. Can exercise training rescue the adverse
cardiometabolic effects of low birth weight and prematurity? Clin
Exp Pharmacol Physiol, v. 39, n. 11, p. 944-57, Nov 2012.
SIPOLA-LEPPANEN, M. et al. Resting energy expenditure in young
adults born preterm--the Helsinki study of very low birth weight
adults. PLoS One, v. 6, n. 3, p. e17700, Mar 25 2011.
SLIMANI, M. et [Link] of Plyometric Training on Physical
Fitness in Team Sport Athletes: A Systematic Review. J Hum
Kinet, v. 53, p. 231-247, Dec 1 2016.
SWEENEY, J. K.; SMUTOK, M. A. Vietnam head injury study.
Preliminary analysis of the functional and anatomical sequelae of
penetrating head trauma. Phys Ther, v. 63, n. 12, p. 2018-25, Dec
1983.
TAMBALIS, K. D. et al. Birth Weight was Favorably Associated
With Physical Fitness in Childhood After Adjustment for Several
Perinatal Factors. J Phys Act Health, v. 19, n. 1, p. 12-19, Jan 1
2022.
TCHAMO, M. E. et al. Physical fitness and birth weight in young
men from Maputo city, Mozambique. Brazilian Journal of Sports
Medicine, v. 22, n. 1, p. 66-70, 2016.
TCHAMO, M. E. et al. Deficits in anthropometric indices of
nutritional status and motor performance among low birth weight
children from Maputo City, Mozambique. Am J Hum Biol, v. 29,
n. 3, May 06 2017.
TCHAMO, M. E. et al. Low birth weight, very low birth weight and
extremely low birth weight in African children aged between 0
and 5 years old: a systematic review. J Dev Orig Health Dis, v. 7,
n. 4, p. 408-15, Aug 2016.
TEMA, T. Prevalence and determinants of low birth weight in Jimma
Zone, Southwest Ethiopia. East Afr Med J, v. 83, n. 7, p. 366-71,
Jul 2006.
TICCONI, C. et al. Prevalence and risk factors for low birth weight
in Northern Zimbabwe. Int J Gynaecol Obstet, v. 88, n. 2, p. 146-
7, Feb 2005.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 89
TOSUN, O. et al. Daily physical activity in low-risk pre-term infants:
positive impact on bone strength and mid-upper arm
circumference. Ann Hum Biol, v. 38, n. 5, p. 635-9, Sep 2011.
VANDERVEEN, J. A. et al. Early interventions involving parents to
improve neurodevelopmental outcomes of premature infants: a
meta-analysis. J Perinatol, v. 29, n. 5, p. 343-51, May 2009.
VICTORA, C. G. et al. Maternal and child undernutrition:
consequences for adult health and human capital. Lancet, v. 371,
n. 9609, p. 340-57, Jan 26 2008.
VIGNOCHI, C. M. et al. Effects of motor physical therapy on bone
mineralization in premature infants: a randomized controlled
study. J Perinatol, v. 28, n. 9, p. 624-31, Sep 2008.
VOLPE, J. J. Brain injury in premature infants: a complex amalgam
of destructive and developmental disturbances. Lancet Neurol, v.
8, n. 1, p. 110-24, Jan 2009.
VRIJLANDT, E. J. et al. Lung function and exercise capacity in
young adults born prematurely. Am J Respir Crit Care Med, v.
173, n. 8, p. 890-6, Apr 15 2006.
WANG, S. F. et al. Birth weight and risk of coronary heart disease in
adults: a meta-analysis of prospective cohort studies. J Dev Orig
Health Dis, v. 5, n. 6, p. 408-19, Dec 2014.
WANG, Y. C.; ZHANG, N. Effects of plyometric training on soccer
players. Exp Ther Med, v. 12, n. 2, p. 550-554, Aug 2016.
WHINCUP, P. H. et al. Birth weight and risk of type 2 diabetes: a
systematic review. JAMA, v. 300, n. 24, p. 2886-97, Dec 24 2008.
WHO, U. A. Low birth weight: Country, regional and global
estimates. New York: WHO press, 2004.
WILSON-COSTELLO, D. et al. Improved neurodevelopmental
outcomes for extremely low birth weight infants in 2000-2002.
Pediatrics, v. 119, n. 1, p. 37-45, Jan 2007.
YANCI, J. et al. Effects of horizontal plyometric training volume on
soccer players' performance. Res Sports Med, v. 24, n. 4, p. 308-
319, Oct-Dec 2016.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 90
Percepções sobre género e a influência dos
estereótipos de género nas aulas de educação física e
desportos em uma escola comunitária no sul de
Moçambique
1
Sandra José Paticene
2
Beatriz Muros Ruiz
3
Tsinine Agostinho
4
Sílvio Pedro José Saranga
1, 4
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
[Link]@[Link]
2
Universidade de Alcalá de Henares - Espanha
3
Universidade do Licungo- Moçambique
Introdução
Os únicos estudos que pudemos localizar realizados com a população
especifica moçambicana e que dissertam sobre as questões dos
estereótipos de género nas aulas de Educação Física foram realizados
por autores como Bive e Pessula, (2018) e Pessula e Bive, (2019).
Estes autores referem que as relações de género em Moçambique são
fortemente marcadas por estereótipos e tabus com uma forte
influência da educação tradicional (Bive e Pessula 2018). Outrossim,
os rapazes e as raparigas são educados de formas distintas;
esperando-se que cada um comporte-se de acordo com o género a
que pertence (Osório e Macuacua, 2013). Além disso, enfatizam que,
nas zonas rurais a educação que é passada nas famílias de geração em
geração indica que desde muito cedo a educação da rapariga é para o
lar, enquanto que, a dos rapazes é virada para tarefas com uma forte
demanda do uso da força. Esta constatação é corroborada por
(Benitez e Gamarro, 2010; Pastor-Pastor-Vicedo et al. 2019), quando
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 91
afirmam que os seres humanos vivem um processo de socialização
muito diferente durante a sua infância, adolescência e na sua fase
adulta, durante todo esse processo vão adquirindo formas de pensar,
de relacionar-se, de divertir-se e de trabalhar, o que faz com que
recebam mensagens e modelos de identificação diferentes e mais
tarde, essa acaba sendo a base para que apresentem um modelo social
e estereotipado determinado em função do sexo. E sobre essas
diferenças biológicas que vão sendo criadas desigualdades sociais
que atribuem papéis estereotipados para o masculino e o feminino
existindo nisso um desequilíbrio tendo em conta que o papel dos
homens é sempre mais valorizado que o da mulher (De Oliveira,
2018).
Para Da Silva, (2006), e Bive e Pessula, (2018), a educação
tradicional moçambicana praticada nas zonas rurais, onde as meninas
são ensinadas que a sua tarefa consiste em cuidar dos afazeres
domésticos, a satisfação sexual dos seus esposos, e em contrapartida
os rapazes são ensinados a ir a escola, a arranjar um bom trabalho
para sustento das suas famílias são estes factores que reforçam ou
contribuem para a existência das desigualdades de género e
sobretudo a ocorrência de comportamentos sexistas. Com tudo, essa
forma de educação diferenciada possivelmente acaba influenciando
nas relações de género nas escolas e em particular nas aulas de
Educação Física, reflectindo e influenciando na ocorrência e
permanência dos estereótipos de género no seio escolar Os avanços
observados quer a nível da igualdade de género, ou da melhoria das
legislações em prol da igualdade e oportunidades, os estereótipos
relacionados ao género, actitudes sexistas persistem na maior parte
dos espaços escolares com particular destaque nas aulas de Educação
Fisica (Pastor-Vicedo, 2019).
Para Gomes, Silva e Queirós, (2000), as relações de género,
principalmente nas aulas de Educação Física, são marcadas por
atitudes depreciativas, e que os comportamentos femininos são
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 92
muitas vezes ridicularizados e até mesmo os rapazes que se
comportam ou se identificam com comportamentos femininos sofrem
do mesmo estigma.
Segundo Da Silva, (2006) a equidade de género pode estar longe do
almejado, quando faz referência que as raparigas nas zonas rurais são
vítimas de um duplo processo de exclusão da educação tendo como
origem diversos factores desde os económicos, sociais e culturais e
para além de se optar pela educação do rapaz em relação a rapariga
isto quando as famílias se encontram desprovidas de recursos
económicos para suportar a continuação dos estudos destas. Por
conseguinte nosso principal objectivo foi o de determinar a
percepção dos rapazes, raparigas, pai, mãe, professor/a em relação
aos estereótipos nas aulas de Educação Física e Desporto.
Para Knippel e Aeschlimann, (2017) entendem o género como uma
construção social e cultural que reflecte um padrão social atribuído
aos homens e mulheres para que possam realizar em sociedade.
Gomes et al (2000), acrescenta que os papéis que se atribuem para
que esses homens ou essas mulheres realizem em sociedade não vem
determinados a nascença, mais sim impostas desde a mais tenra idade
e estão sobe perspectiva patriarcal e demonstram claramente uma
relação de poder e subordinação da mulher ao homem. Por outro
lado, Estereótipos de género são uma concepção baseada em ideias
pré-concebidas sobre algo ou algum sem seu conhecimento real, e
muitas das vezes é algo prejudicial pois não corresponde a verdade.
Para Cañadas (2019), o sexismo é uma ideologia que determina
papéis sociais, valores e capacidades em função do sexo, com
predominância e maior valor social de um sexo sobre o outro sexo.
1. Género, Estereótipos de Género, Sexismo e Sua Relação com a
Educação Física.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 93
Para Benitez e Gamarro, (2010), na Educação Física ocorrem atitudes
sexistas e comportamentos estereotipados da seguinte forma:
Primerio: a nível do Professorado, que pensam que
biologicamente as raparigas estão menos preparadas que os rapazes;
descriminam as raparigas a partir da linguagem, quando usam muito
a linguagem no masculino sem incluir o feminino. Bive e Pessula
(2018), afirmam que não se pode falar das relações de género nas
aulas sem que se fale acerca da actuação dos Professores e suas
estratégias de organização e selecção dos conteúdos, da forma como
esses mesmos professores conduzem as suas aulas ou até da forma
em que rapazes e raparigas se relacionam. Da Silva (2006),
corroboram com estes pressupostos quando referem que os
professores nas zonas rurais não acreditam nas potencialidades ou
nas capacidades das suas alunas.
Segundo: ocorre ao nível dos alunos, eles pensam que as
raparigas são mais motivadas por jogos típicos de raparigas; pensam
que as raparigas não participam em actividades de contacto físico e
que as raparigas preferem a ginástica. Esta forma de pensar vai de
acordo com Muñoz e Prieto (2020) quando afirmaram, que é a
questão de os estereótipos estarem enraizados nas práticas culturais e
serem percebidas e interiorizadas dentro das práticas cotidianas.
Terceiro: tem a ver com os conteúdos, na Educação Física
tratam mais conteúdos com conotações masculinas (desporto e
condição física), por outro lado os conteúdos em geral fomentam a
auto-estima dos rapazes em relação as raparigas. Bive (2019),
corrobora ao afirmar que os livros didácticos assumem uma ligação
directa com o currículo oficial e denuncia a existência de uma híper
representação do género masculino nas danças e nos desportos
colectivos e uma híper representação do género feminino nas danças
e jogos tradicionais e consequentemente impossibilidade da
dissociação da cultura porque as raparigas apresentam-se trajadas de
capulanas nas imagens referidas nos livros de Educação Física.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 94
Quarto: ocorrem a nível da metodologia usada, o nível de
dificuldade das tarefas apresentadas nas aulas que são em função do
sexo. Prieto e Muñoz (2020); afirmam que, os recursos e agentes
educativos usados para as aulas também podem influenciar para a
ocorrência dos estereótipos de género.
Quinto: ocorre a nível da avaliação, segundo elas encontram
maiores dificuldades para transitarem na disciplina de Educação
Física e suas qualificações tem sido geralmente pior.
Sexto: quanto ao nível da organização dos espaços, ocorrem
um agrupamento por sexo; os líderes geralmente são rapazes; os
espaços centrais geralmente são ocupados pelos rapazes; e para
terminar a recolha do material muitas vezes está ao cargo dos rapazes
por considerar-se que eles são mais aptos para essa tarefa. Bive e
Pessula (2018), acrescentam que o tratamento diferenciado acaba por
influenciar na aquisição das habilidades e uma quebra nas relações
rapazes versus raparigas e contribui para a desigualdade de
oportunidades entre os géneros, e isso nos explicaria o motivo pela
qual os rapazes estão sempre aptos para as a realização dessas
actividades.
Portanto, a ocorrência dos estereótipos nas aulas de Educação Física
não está alheia ao processo da história da exclusão da participação da
mulher na Actividade Física e no desporto em geral, muitos autores
referem que, por muito tempo prevaleceu a ideia de que a mulher não
devia participar nas Actividades Físicas porque a composição
fisiológica do seu corpo não lhe permitia e que esteticamente não
ficava bonito que ela tivesse musculatura sendo mulher e que no
desporto ela só servia para coroar ao campeões com grinaldas
(Gamarro e Benitez , 2010; Terret, 2008; Canãdas, 2019).
2. Métodos
Nesta investigação, para alcançar nossos objectivos, optamos por
fazer o uso do desenho misto; Sampiere et al (2004); Uma das nossas
primícias nesta investigação é que os dois enfoque se cruzem e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 95
combinem na maioria das etapas sem que uma sobressaia mais que o
outro e essa junção permite resultados mais robustos, fiáveis e
coesos. No entanto a amostra deste estudo esteve constituída por 75
alunos/as, dos quais 55 rapazes e 20 raparigas; igualmente tivemos a
participação de 1 pai e uma mãe, um Professor e uma Professora, e o
total de participantes foi de 79 com uma idade que varia de 15 a 38
anos.
2.1. Instrumentos
Usamos como instrumentos o Questionário de Percepção Igualdade –
descriminação em Educação Fisica (CPIDEF), validado por Alonso
Martinez-Galindo Moreno et al (2006), com objectivo de captar a
percepção que os alunos/alunas possuem em relação ao Professor/a.
O questionário está composto por 19 questões divididas em duas
partes: a primeira refere-se ao factor de igualdade e a segunda com o
factor descriminação. Também usamos: um caderno de campo para
anotações das observações e um Gravador de áudios para a gravação
das entrevistas.
2.2. Procedimentos e Análise de Dados
Uma investigação com sujeitos humanos, requer uma série de
procedimentos, para que não se atropelem questões culturais e éticas
das pessoas a serem investigadas. Sampiere et al (2004); Denzin e
Lincolln (2012); Lundin (2016). E para respeitar essa premissa na
investigação, foi necessária uma carta de autorização do Comité
Nacional de Bioética para a Saúde (CNBS); Autorização do Comité
de Bioética para estudo com seres humanos da Universidade de
Alcalá de Henares; Autorização da Direcção da Escola; autorização
dos pais, mães e encarregados/as de educação. Seguida essa fase e
com a vontade expressa do grupo que que aceitou participar do
estudo aplicamos 2 questionários a um total de 75 rapazes e
raparigas; deste grupo 8 foram seleccionados/as para participar da
nossas entrevista de Profundidade pois respondiam aos nossos
requisitos previamente delimitados que consistia em terem
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 96
vivenciado, presenciado alguma situação de estereótipos de género.
Desta feita com base na informação que pretendíamos obter
igualmente entrevistamos a 1 professor e uma professora; 1 pai e uma
mãe. Com intuito de obtermos dados fiáveis realizamos a
triangulação dos dados seguindo a metodologia de análises Sampiere
et al. (2004), Marcos et al; (2014); Lundin (2016); Depois de
recolhida a informação dividimos em categorias e seguimos com a
codificação da informação, por essa razão temos resultados dos 3
instrumentos que são: resultados do questionário, resultados das
entrevistas e resultado das observações. Desta feita, a parte
quantitativa deste estudo realizou-se no Programa estático SPSS v.
26.0 e o nível de significância foi mantido a 5%; fez-se uma
comparação usando a Covariância (ANCOVA) que nos deu a
percentagem real das percepções estereotipadas e a de igualdade de
tratamento e por último, para a análise qualitativa das entrevistas e
das observações do contexto natural em que elas estão inseridas,
usamos como base a fenomenologia, por isso fizemos induções e
explicamos o tipo de experiência, ou o significado que as pessoas
entrevistadas atribuem aos estereótipos de género. (Marcos et al.
2014).
3. Resultados e Discussão
Tabela 1. Percepção sobre igualdade de tratamento
Rapazes Raparigas
Questões t p
n=55 n=20
Q1. Reparte o material por igual entre 1.87±0.33
1.75±0.444 1.279 0.205
rapazes e raparigas. 6
Q2. Quando avalia leva em conta que 1.76±0.42
1.55±0.510 1.812 0.074
se trata de aluno ou aluna. 9
Q3. Normalmente nos organiza de
1.71±0.45
modo que no mesmo grupo hajam 1.65±0.489 0.485 0.629
8
rapazes e raparigas
Q5. Utiliza o mesmo tipo de
1.64±0.48
expressões para referir-se aos alunos e 1.70±0.470 -.506 0.614
5
as alunas.
Q6. Faz que tanto os rapazes como as 1.89±0.31
1.85±0.366 0.476 0.635
raparigas participem. 5
Q10. Quando avalia leva em conta o
1.60±0.49
que melhorou cada um/a em relação 1.60±0.503 0.000 1.000
4
ao seu nível inicial.
[Link] como exemplos tanto a 1.80±0.40
1.50±0.513 2.642 0.010
rapazes como as raparigas. 4
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 97
Q15. Pensa que os rapazes e raparigas 1.76±0.42
1.70±0.470 0.554 0.581
podem aprender e melhorar por igual. 9
Q16. Escuta por igual as propostas
1.53±0.50 -
que fazem os rapazes que as que 1.75±0.444 0.085
4 1.744
realizam as raparigas.
Q17. Emprega as mesmas normas 1.53±0.50 -
1.75±0.444 0.085
para as alunas que para os alunos. 4 1.744
[Link] responsabilidades tanto 1.84±0.37
1.80±0.410 0.363 0.717
em raparigas como em rapazes. 3
[Link] o mesmo tempo de
1.45±0.50 -
atenção e correcção aos rapazes que 1.65±0.489 0.138
3 1.500
as raparigas.
Ao analisarmos a tabela 1 por género e em separado, observa-se que
nas questões 1, 2, 3, 6, 13, 15 e 18 os rapazes apresentam uma
percepção maior em relação as raparigas no factor igualdade de
tratamento nas aulas de Educação Física. Enquanto isso e no mesmo
factor as raparigas apresentam uma percepção maior em relação aos
rapazes nas questões 5, 16, 17 e 19. Ainda assim, existem algumas
questões a ter em conta nesta tabela que são a 1, 6, e 18 onde
realmente se reflecte uma percepção maior dos rapazes e as questões
dizem o seguinte:
(Q1) Reparte o material por igual entre alunos e alunas.
(Q6) Faz que tanto os rapazes como as raparigas participem.
(Q18) Delega responsabilidades tanto em raparigas como
em rapazes. Por outro lado, ainda que os rapazes tenham um nível de
percepção maior em relação as raparigas no factor em abordagem,
observa-se que elas acreditam que nas aulas de Educação Física o/a
professor/a utiliza o mesmo tipo de expressões para referir-se aos
alunos e as alunas, que emprega as mesmas normas para as alunas
que para os alunos e que dedica o mesmo tempo de atenção e
correcção dos exercícios para ambos grupos. De todas formas,
rapazes e raparigas coincidem na questão 10 com relação a percepção
sobre a avaliação que refere que: Quando avalia leva em conta o que
melhorou cada um/a em relação ao seu nível inicial com uma M±DP
de 1.60±0.494 para os rapazes e 1.60±0.503 para as raparigas. Estes
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 98
resultados também foram encontrados no estudo realizado por
(Fernandez, 2018).
Para terminar, ao analisarmos de uma forma geral o nível de
percepção da igualdade de tratamento, os rapazes têm tendências a
apresentarem um nível maior de percepção da igualdade em relação
as raparigas como se pode ver pelos números apresentados num toral
de 7 para os rapazes e 4 para as raparigas e ao mesmo tempo essa
diferenças podem ter sua influência no tamanho da amostra.
Tabela 2. Percepção sobre descriminação.
Chicos Chicas
Questões T P
n=55 n=20
Q4. Acredita que o nível de melhoria física
pode ser diferente dependendo se és um 1.62±0.490 1.75±0.444 1.054 .295
rapaz ou uma rapariga.
Q7. Presta atenção diferente aos rapazes do
1.40±0.494 1.40±0.503 0.000 1.000
que às raparigas.
Q8. Acredita que meninos e meninas
começam de um nível diferente de
1.64±0.485 1.50±0.513 1.060 0.293
habilidade de acordo com diferentes
actividades.
Q9. Usa um tom verbal diferente para
1.42±0.498 1.20±0.410 1.753 0.084
meninos do que para meninas.
Q11. Ao avaliar, tem em conta o que cada
um melhorou no que diz respeito ao seu 1.45±0.503 1.25±0.444 1.605 0.113
nível inicial.
Q12. Propõe diferentes actividades para
1.18±0.389 1.25±0.444 -.646 0.520
raparigas do que rapazes.
Q14. Motiva e encoraja os rapazes de forma
1.33±0.474 1.20±0.410 1.064 0.291
diferente das raparigas.
Ao analisarmos este factor em género e em separado, percebemos
que os rapazes apresentam valores médios relativamente superiores
em relação que as raparigas nas questões 8, 9, 11 e 14; o que quer
dizer que nestas questões eles percebem maior descriminação nas
aulas de Educação Física, e enquanto isto na questão 4 as raparigas
apresentam uma percepção maior de descriminação em relação aos
rapazes no que refere ao o nível de melhoria física que pode ser
diferente dependendo se és um rapaz ou uma rapariga, e igualmente
apresentam uma percepção maior de descriminação em relação aos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 99
rapazes na questão 12 quando nas aulas o Professor/a de Educação
Física propõe diferentes actividades para raparigas do que rapazes.
No entanto rapazes e raparigas percebem a mesma descriminação na
questão 7 em relação a atenção prestada de uma forma diferente em
relação aos rapazes do que às raparigas, os resultados nesta questão
assemelham-se ligeiramente com os resultados de Regla (2019),
tendo em conta que os resultados apresentados por ela não
apresentam muita diferença em relação a sua percepção sobre a
diferença na forma de tratamento.
Analisando de uma forma geral o factor descriminação, e o factor
igualdade, percebe-se que os rapazes apresentam valores ligeiros
mais altos em relação as raparigas. Ainda assim, os resultados
apresentados neste estudo dão a entender que rapazes são os que
apresentam valores mais altos na maioria das questões quer no factor
igualdade de tratamento ou no factor descriminação, o que quer dizer
que eles percebem maior descriminação em relação as raparigas e ao
mesmo tempo maior percepção da igualdade e corroboram com o
estudo realizado por (Regla 2019).
Os resultados preliminares encontrados nas entrevistas e nas
Observações, dão a entender uma diversidade de opiniões, há crenças
estereotipadas nos dois lados quer para rapazes e do lado das
raparigas, uma das nossas entrevistadas é praticante de Judo e sente-
se mais motivada pelos rapazes pois as raparigas aconselham a ela a
abandonar essa modalidade por considerarem masculina.
Rapazes e raparigas acreditam na igualdade de direitos e de
oportunidades embora isso não se verifique na sociedade nem se
traduz da mesma forma nas aulas de educação física; são conscientes
que as raparigas podem ter habilidades nas aulas de educação física e
referem a preguiça como a causa e na falta de oportunidades
igualitárias; o facto de uma das nossas entrevistadas pensar que a
mulher é quem deve realizar trabalhos domésticos deixa-nos pensar
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 100
de como a questão dos papeis sociais e género estão enraizados na
cultura Moçambicana.
Por outro lado, a ocupação dos espaços no recreio é da
responsabilidade dos rapazes; a divisão dos grupos é por género e por
habilidades, os rapazes mais fracos ou que não possuem habilidades
desportivas são chamados de maricas e ao contrário Maria rapaz. Os
resultados aqui encontrados vão ao encontro dos resultados de Pomar
(2006), refere da existência de uma grande variabilidade nas
percepções e nos fundamentos apresentados pelos alunos e alunas do
seu estudo; em relação a percepção das raparigas elas denunciaram e
expressaram uma clara consciência em relação a existência das
desigualdades na oportunidades de prática e sucesso provocadas
pelas relações de podes assimétricas entre os géneros durante a
realização dos jogos colectivos por exemplo, por outro lado os
resultados reiteram que as modalidades de expressão rítmicas foram
dirigidas para as raparigas enquanto que as de controle motor ou
corridas como sendo para os rapazes; por outro lado os rapazes
preferem estar no grupo de rapazes por razões relacionadas com as
habilidades motoras e por ser mas fácil prosperar ou ter sucesso, para
o caso das raparigas apontam como questões sociais para agruparem-
se em grupos.
Ainda que haja variabilidade de percepções, neste estudo ainda em
análise ainda não podemos corroborar com os resultados de Bive e
Pessula (2018), em relação a ausência de actividades de grupos
direccionadas ao rapazes e raparigas, considerando que o que
analisamos até agora nas entrevistas e observações dá-nos a perceber
que existem as actividades, o que acontece é que os rapazes não
querem incluir as raparigas nestas actividades porque não querem
perder os jogos, por considerar que elas não possuem habilidades
desportivas.
4. Reflexão Final
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 101
Para terminar, podemos referenciar que os resultados preliminares
deste estudo em relação ao questionário (CPIDEF), que os rapazes
possuem uma percepção de igualdade e descriminação relativamente
superior em relação as raparigas.
No que se refere as observações e as entrevistas pode-se dizer que
eles ocupam a maior parte do pátio escolar e andam grupos
numerosos, enquanto que as raparigas estão em pequenos grupos
confirmando-se assim a divisão por sexo biológico, na formação dos
grupos obedece do mais habilidoso ao menos habilidoso,
confirmando assim os estudo realizado por Benitez e Gamarro,
(2010), e consequentemente, por costume não incluem as raparigas,
por isso elas revindicam a sua participação nos jogos colectivos; os
rapazes sem habilidades e as raparigas com habilidades são
chamados de “maricas e Maria rapaz”, acreditam na questão da
igualdade de direitos, acreditam que as meninas são preguiçosas por
isso não participam da aula de Educação Física e não possuem
habilidades desportivas mesmo que tenham consciência da diferença
de oportunidades nas aulas, na família e na sociedade.
E por último provavelmente, as questões culturais podem ter a sua
influência nestes estereótipos de género e na forma que rapazes e
raparigas são representados na sociedade em particular nas aulas de
Educação Física. (Bive, 2019). Para esse aspecto, os Professores são
chamados a intervir, e a melhorar os seus métodos de ensino para que
rapazes e raparigas sintam-se num verdadeiro projecto escolar
coeducativo e possam apreender por igual.
Deste modo, reiteramos que os resultados deste estudo são
preliminares e devem ser observados com cautela. Mesmo assim
aconselhamos que se façam mais estudos desta natureza para que
possam preencher o vazio em relação a essa temática.
Referências bibliográficas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 102
Pastor-Vicedo, Juan, Carlos; Sanchez-Oliva Adrián; Sanchez-
Blachart, Jonatan;Martinez-Martinez, Jesús. (2019) Estereotipos
de género en educación física. SPORT TK: Revista
EuroAmericana de Ciencias del Deporte. V.8 n.°2 (supl 1)
Monografico: Tendencias de Investigación en educación Física.
Disponivel em:
[Link]
BIVE, M.; PESSULA, P. (2018). Percepções sobre as relações de
gênero em escolas de Moçambique- discurso e pratica.
Motricidades. Disponivel: Motricidades: Rev. SPQMH, v. 2, n. 3,
p. 201-209, set.-dez. | ISSN 2594-6463 |. DOI
[Link]
De Oliveira, Maria, Aparecida. (2018). Educação Fisica e Equidade
de Género: Perspectiva e Possibilidades. Acesso em 16/11/2019
Gomes, Paula, Botelho., Silva, Paula., Queirós, Paula. (2000).
Equidade na Educação. Educação Física e Desporto na Escola.
Da Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da
Universidade do Porto. Editora: Associação Portuguesa A
Mulher e o Desporto Rua do Heroísmo, 16 – 2795 Queijas.
Impressão Multitema ISBN 972-98686-0-3 Tiragem de 750
exemplares Impresso em Dezembro.
Knippel, Edson, luz., Aeschlimann, Maria, Carolina de Assis
Nogueira. (2017). EDUCAÇÃO E EQUIDADE DE GÊNEROS.
Capa.v15, n.2 Disponível em: revista
[Link]/[Link]/THEMIS/article/view/569/538.
Pessula, Pedro., Bive, Madalena. (2019). Physical Education in
Mozambique: historical dilemmas of training and professional
activity v. 3, n. 1, p. 17-29, jan.-abr. | ISSN [Link]
[Link]
Lundin, Irae, Baptista. (2016). Metodologia de Pesquisa em Ciências
Sociais. ISBN 978-989-670-076-8. Escolar Editora e Editores e
Livreiros, Lda. Maputo.
Osório C, Ernesto M. (2013). Os Ritos de Iniciação no contexto
actual: ajustamentos rupturas e confrontos. Construindo
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 103
identidades de género. [Link]
iniciacao-no-contextoactual/: WLSA Moçambique.
Terret Tierry. (2007). História do Desporto. Publicações Europa
America, LDA.
Gamarro, Luis, Manuel, Timon; Benitez, Fran, Hormigo. (2010). La
coeducacion en la educacion fisica del siglo XXI. Las actividades
fisicas coeducativas en educacion fisica escolar. C/Cristo del
Desamparo e abandono,56 41006 Sevilla: wuanceulen editorial
deportiva, S.L.;
Hernández Sampieri, R., Fernández Collado, C. y Baptista Lucio, P.
(2004). Metodología de la Investigación. McGraw Hill. México,
D.F.; Buenos Aires. Disponivel em: [Link]
content/uploads/2017/03/[Link]?
msclkid=5fa7d329d0a111ecba44508f8115364b
Da Silva, Gabriela Moreira; (2006). Educação e Género em
Moçambique. A lingua é um factor determinante para o sucesso
escolar das raparigas nos meios rurais? Estudo de caso em duas
escolas com programa bilingue. Dissertação de mestrado
disponivel em: [Link]
educacao-mocambique-lingua-determinante-sucesso-raparigas-
[Link]. Capturado aos 01/11/2022
Pomar De Jesus Clarinda, Banha; (2006); O Género na Eduação
Fisica, Perepções de Alunos e Alunas do primeiro e segundo ciclo
do Ensino Basico. Tese de Doutoramento disponivel em:
[Link] Capturados aos
02/11/2022
Bive, Madalena, Antonio, Tirano; (2019). Livro Didactico de
Educação Fisica no Ensino Básico: Um estudo sobre as
Representações de Género nos Conteúdos Imagéticos. Tese de
Doutoramento. Universidade Pedagógica de Maputo.
Macho, Fernandez, Loreto. (2018). Percepción del alumnado de
ESO sobre la igualdad-discriminación de género del profesorado
de Educación Física. (Trabajo de fin de grado). Universidad de
Sevilha. Disponivel
em
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 104
:[Link]
df?sequence=1&isAllowed=y. Capturado aos 13/11/2022.
Marcos Pedraz, azucena; Colón, Juan Zarco; Gutierrez, Ramasco,
Milagros; Santos, Ana, Maria, Palmar. (2014). Investigacion
Cualitativa; ISBN: [Link] CONSULTORIA
EDITORIAL, S.L. Barcelona España
Del rio Paloma, Cañadas. (2019). El Papel de las Mujeres en el
Deporte.
Macho Fernandez,L. (2018). Percepcion del alumnado de ESO sobre
la igualdad-descriminacion de género del profesorado de
Educacion Fisica. (trabajo fin de grado). Universidad de Sevilla.
Disponivel em:
[Link]
df?sequence=1&isAllowed=[Link] aos 13/11/2023.
Regla, Sara Allué. (2019). Educación Física, igualdad de género y
percepción, por parte del alumnado de 2°ESO, igualdad e
discriminación del profesor de Educación Física. Trabajo de fin
de master. Universidad de Zaragoza. Disponivel em:
[Link]
[Link]. Capturado aos 12/11/2022.
Itziar, Prieto, Gracia; Arriazu-Muñoz, Rúben. (2020). Estereotipos de
Género en Educacion Infantil: Un Estudio de Caso desde la
Perspectiva Socio Cultural. Revista Zero-a-seis, ISSN-e 1980-
4512, págs. 4-30. Disponível em:
ttps://[Link]/servlet/articulo?codigo=7529486.
Tirano, Madalena, Bive. (2019) Livro Didáctico de Educação Fisica
no Ensino Básico: Um Estudo sobre as Representações de Género
nos Conteúdos Imagéticos. Tese de Doutoramento em Educação e
Currículo.
Alonso, N., Martínez Galindo, C., y Moreno, J. A. (2006). Análisis
factorial confirmatorio del "Cuestionario de Percepción de
Igualdad-Discriminación de Educación Física (CPIDEF) " en
alumnos adolescentes de Educación Física. Disponivel em:
[Link]
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 105
del-qcuestionario-de-percepcion-de-igualdad-discriminacion-de-
educacion-fisicaq-en-alumnos-adolescentes-de-educacion-fisica/
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 106
Processo de aquisição das Habilidades Motoras,
Técnicas e Capacidades Físicas
1
Jeremias Deolinda Mahique
2
Luís Rodríguez de Vera Mouliaá
3
Teresa Mavulula
4
Sílvio Pedro Saranga
1,2,4
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
3
Escola Secundária da Matola- Moçambique
1. Introdução
As habilidades motoras referem-se às potencialidades para produzir
um resultado de performance com máxima certeza, mínimo
dispêndio de energia e tempo, desenvolvidas como resultado da
práctica (WRISBERG & SCHMIDT, 2001). Ou seja, acção
complexa e intencional, envolvendo toda uma cadeia de mecanismos
sensórios, central e motor, a qual, mediante o processo de
aprendizagem, tornou-se organizada e coordenada para alcançar
objectivos predeterminados com máxima certeza (WHITING, 1975).
Autores como HAY & REID (1985) entendem por habilidade
motora, uma série de movimentos voluntários do corpo humano
designados para atingir um objecto espacial. Mais especificamente, a
habilidade motora é um padrão do movimento fundamental, adaptado
para uma actividade específica ou objectivo e, geralmente, está
relacionada com uma determinada modalidade desportiva
(KNUDSON & MORRISON, 2001).
No entanto, convém dissecar algumas características das habilidades
motoras afim de melhor ilustrar a dinâmica da sua aquisição tendo
em conta as mudanças provocadas no indivíduo a vários níveis. As
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 107
habilidades motoras segundo BRUNNER (1973); BENDA & TANI
(2005); TANI (2008), são usadas em função do seguinte: (i) contexto
- habilidade compatível perante uma intencionalidade; (ii) precisão -
habilidade compatível perante o objectivo; (iii) consistência -
habilidade compatível perante eficiência e eficácia; (iv) flexibilidade
- habilidade compatível com a capacidade de adaptação em diferentes
contextos e, (v) equivalência motora - habilidade compatível com a
capacidade de atingir os mesmos objectivos e metas através de
diferentes padrões de movimento.
A aquisição de habilidades motoras é por natureza um processo
dinâmico e complexo. Entretanto, as teorias correntes de
aprendizagem motora ADAMS (1971); SCHMIDT (1975), explicam
apenas uma parte desse processo, qual seja, a estabilização da
performance na qual os sujeitos passam de um estágio inicial em que
se apresenta um número elevado de erros, inconsistência e alta
demanda de atenção na execução de movimentos, para um estágio
final em que mostram consistência, poucos erros e baixa demanda de
atenção (FITTS & POSNER, 1967; GENTILE, 1972). Portanto, estas
teorias podem ser caracterizadas como modelo de equilíbrio, pois se
fundamentam em processos homeostático (equilíbrio) alcançado via
feedback negativo visando a consistência e precisão ou segundo
TANI (1982), procuram a manutenção e estabilidade do sistema.
Outrossim, processos baseados em feedback negativo ou modelo de
equilíbrio, são capazes de manter a estrutura ou ordem, mas são
incapazes de conduzir a uma nova estrutura, visto que para tal, é
necessário a desestabilização. Ora, conseguem explicar como se
adquire e se mantém uma estrutura, mas não explicam a formação de
novas estruturas a partir daquelas já adquiridas, o aumento da
complexidade do sistema. No entanto, importa neste particular,
reforçar a nossa visão do ser humano numa perspectiva ecológica,
como um sistema aberto em constante troca de matéria, energia,
informação com o meio ambiente (BERTALANFFY, 1977;
HAYWOOD & GETTCHELL, 2010). Agregando a esta premissa, a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 108
aquisição das habilidades motoras não pode esgotar-se com a
automatização. Por tudo isto, tratando-se de um processo fruto da
aprendizagem e está caracterizada como um processo contínuo e de
elevada complexidade, propõem-se então novos modelos decorrentes
da necessidade de se prever novas aprendizagens.
Desta arte, recentes metateorias da ciência têm enfatizado que, em
sistemas abertos, a formação de novas estruturas pressupõe a quebra
de estabilidade (instabilidade). A aquisição de habilidades motoras
melhor se explica quando vistas como um processo cíclico e
dinâmico de estabilidade-instabilidade-estabilidade, que resulta em
crescente complexidade (TANI, 2000). Com esse background teórico
vários estudiosos CHOSHI & TANI (1983); TANI (1989) e TANI et
al. (1992) têm proposto um modelo de não-equilíbrio em
aprendizagem motora em que dois processos fundamentais são
considerados: primeiro a estabilização e o segundo a adaptação.
A estabilização é aquela em que se procura, como a própria palavra
indica, a estabilidade funcional que resulta na padronização espacial
e temporal do movimento, isto é, na formação de uma estrutura.
Movimentos inicialmente inconsistentes vão sendo gradativamente
refinados até se alcançar padrões de movimento precisos e
consistentes. Nesse processo, o elemento fundamental é o feedback
negativo, ou seja, mecanismo de redução do erro.
A adaptação é aquela em que se procura adaptações às novas
situações ou tarefas motoras (perturbação), mediante a aplicação das
habilidades já adquiridas. Nesse processo exige-se modificações na
estrutura da habilidade já adquirida, e sua posterior reorganização
num nível superior de complexidade. Existem perturbações para as
quais a adaptação se faz pela flexibilidade inerente à estrutura
adquirida, ou seja, pela mudança de parâmetros do movimento.
Entretanto, existem perturbações de tal envergadura que por mais que
haja disponibilidade na estrutura, não há condições de adaptar-se.
Nesse caso, exige-se uma reorganização da própria estrutura que,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 109
quando concluída, reflecte uma mudança qualitativa do sistema
(TANI, 1982).
Com efeito, o processo de aquisição das habilidades motoras após a
sua aquisição e manutenção, consideráveis evidências, apontam que
para o alcance de níveis mais complexos de proficiência, a
consistência de novos comportamentos deve-se aos processos
adaptativos que caracterizam-se por um ciclo de factores
relacionados à desordem - como o ruído, incerteza e variabilidade,
como possíveis fontes da ordem, pois a formação de novas estruturas
implica a desestabilização do sistema por uma perturbação, para
posterior re-estabilização (TANI, 2005).
Entretanto, após esta incursão pela conceitualização e o processo da
aquisição das habilidades motoras, convém, diferenciar a técnica das
habilidades motoras, no sentido de entender o ensino e o treino das
mesmas. A técnica comummente utilizada em distintas actividades
humanas é entendida, duma forma genérica, como o conjunto de
processos bem definidos e transmissíveis que se destinam à produção
de certos resultados (DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA,
1985). No domínio do desporto, sendo o corpo o primeiro
instrumento de que o homem dispõe, ele constitui simultaneamente,
objecto e meio técnico. Neste contexto, assumem particular
importância as designadas técnicas do corpo, isto é, as diferentes
formas de utilização do corpo que permitem lidarem eficazmente
com os constrangimentos impostos pelas características das
respectivas modalidades desportivas. (GARGANTA, 1979).
A técnica no contexto desportivo tem sido definida como sendo a
forma de realizar uma determinada habilidade específica, ou seja,
carácter objectivo e contextual do modo de execução (eficiência),
uma espécie de “saber fazer” e, quanto à informação disponível
acerca de alcançar um objectivo através da acção, ou seja, o resultado
final (eficácia) uma espécie de “produto final”. Logo, as técnicas não
se restringem a movimentos específicos. Constituem acções motoras,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 110
formas de expressão do comportamento, realizadas no sentido de
solucionar os problemas que as várias situações de jogo colocam ao
praticante (SISTO & GRECO, 1995).
Das principais características de uma determinada técnica corporal,
se configuram conjuntos de padrões fundamentais a saber: algo
identificável, reprodutível e transmissível, revelando uma forte
componente cultural. Constitui, portanto, um meio específico para
gerar certos efeitos, um "utensílio" reconhecido por uma
comunidade, que se consagrou culturalmente através do uso e da
eficácia demonstrada na produção de determinados resultados
(GARGANTA, 1979).
TANI, SANTOS & JÚNIOR (2006), fizeram uma distinção a fim de
diferenciar a técnica das habilidades motoras, assim referem que a
capacidade técnica pode ser abordada de duas formas distintas a
saber: quanto à informação intrínseca que o jogador já possui sobre a
forma de realizar uma determinada habilidade motora, e quanto à
informação disponível sobre uma maneira de atingir um determinado
objectivo através de uma acção. Por seu turno, as habilidades
motoras são conotadas como uma tarefa em que a sua realização
requer um processo de aprendizagem, ou como um indicador da
qualidade de desempenho. Sendo assim, para os mesmos autores, a
técnica encerra informação importante para a execução de uma
determinada tarefa motora, enquanto habilidade motora é uma
interiorização da informação que provoca mudanças internas
(cognitivas, preceptivas e motoras), adquiridas através do processo
de aprendizagem.
2. A Interface entre a Aquisição das Habilidades Motoras e
Técnica
Segundo GARGANTA (1997), no processo de formação de um atleta
em qualquer modalidade desportiva colectiva, dá-se primazia ao
domínio de habilidades motoras características do desporto em
questão. Em qualquer desporto, o atleta é exigido que seja
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 111
tecnicamente habilidoso (eficiente) e que obtenha os resultados
ligados aos propósitos da acção. A relação entre eficiência e eficácia
serve para ajustar a dinâmica dos movimentos. Importa salientar que
encontramos uma dicotomia, quanto à forma como as aprendizagens
evoluem e se formam novas estruturas (modelos ecológicos e de não
equilíbrio) a partir dos modelos já existentes (equilíbrio) uma vez
que, o jogador profissional vem com uma bagagem para executar
diversas habilidades técnicas da modalidade específica (passe, remate
ou drible).
Para o efeito, nas diferentes modalidades as habilidades motoras
estão integradas na estrutura específica do jogo. Implica, no entanto,
que, um jogador deve perceber quando, como e onde deve aplicar
uma ou outra habilidade com vista a produção de acções
contextualizadas. Para a concretização da acção é exigida uma
elevada capacidade de leitura de situações e tomada de decisão
instantânea, mas, é necessário que da leitura da situação seja
“escrita” a solução. Por isso, quanto mais recursos motores
específicos o jogador possuir ou desenvolver, mais probabilidade de
obter o sucesso no momento de materializar a acção, de “escrever” a
solução (COSTA et al., 2010)
As habilidades técnicas têm sido referidas na literatura como sendo
um recurso muito importante no contexto do desempenho desportivo,
pois, é através delas que a inteligência e a intencionalidade táctica
vão se exteriorizar e materializar. Elas adquirem grande importância
nos escalões de rendimento, pois, o jogador tecnicamente evoluído
fica livre para analisar as situações de jogo e, consequentemente
decidir melhor, prevalecendo na relação com a bola o controle
sinestésico em detrimento do visual (MESQUITA, 2008). Entretanto,
diversos estudiosos MESQUITA (2008); GARGANTA (1997);
SISTO & GRECO (1995) mencionam a importância da técnica para
o rendimento desportivo e todos convergem que para o seu
desenvolvimento nas camadas de formação deve-se observar dois
aspectos essenciais: (i) é um factor decisivo que permite aos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 112
melhores executantes desempenhos superiores em situações de jogo
e, (ii) os jogadores com um maior repertório motor, ou seja, com
maior variabilidade técnica poderão alcançar no futuro níveis
excelentes de rendimento desportivo.
Sendo assim, a aprendizagem das habilidades técnicas deve ser parte
integrante de contextos de tomada de decisão, onde o que importa
está contido na situação de jogo. Somente assim, os praticantes serão
capazes de desenvolver as habilidades técnicas de forma qualitativa,
no qual a técnica seja caracterizada pela intenção táctica que lhe
solicita uma fusão da fase final do gesto precedente com a fase
preparatória do gesto que lhe sucede, a constituir-se em uma fase
intermediária de antecipação do gesto seguinte, não só sobre o
aspecto técnico motor, mas também sobre o aspecto mental e táctico
(GARGANTA, 1997).
Desta arte, passamos a fazer uma síntese de estudos sendo que numa
primeira fase abordaremos estudos de revisão e em seguida iremos
apresentar estudos empíricos sobre a temática ao nível das diferentes
regiões planetárias.
Assim, no contexto europeu, em Portugal, RAMOS et al., (2016),
realizaram uma revisão sistemática sobre o perfil morfológico,
funcional e habilidades técnico de jovens futebolistas, do sexo
masculino com idades compreendidas entre os 15-16 anos. Foram
utilizados os descritores nos idiomas inglês (Youth, Growth, Football
or Soccer, Maturation) e português (Jovem, Crescimento, Futebol,
Maturação). A busca foi feita em duas bases: PUBMED e
SportDiscus. Foram revistos 14 artigos (11 PUBMED e 3
SportDiscus) com um n amostral com intervalo de 31 a 606
indivíduos. A morfologia foi avaliada através da estatura (167.8-
179.5 cm; intervalo das médias), massa corporal (59.5-71.9 kg),
percentagem da massa gorda (8.0-17.0%), massa gorda (7.3-10.0 kg),
massa livre de gordura (52.3-62.7 Kg), IMC (19.0-21.7 Kg.m²) e
soma de pregas de adiposidade -4 a 7- (42.9-48.7 mm). As
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 113
características funcionais avaliadas foram: força explosiva dos
membros inferiores – salto com contramovimento (31.8-47.2 cm);
salto estático (28.2-35.0 cm) e salto horizontal (214-230 cm);
agilidade (10.10-18.41 segundos), velocidade (1,09-4,52 segundos),
resistências aeróbia (819.5-1720 m) e anaeróbia (51.41-54.08
segundos 7 sprints e 8.68 [Link]-1 no RAST), enquanto a técnica foi
verificada a partir de um teste de passes (18-24 passes), controle de
bola (51-176 toques), condução de bola (11.96-19.6 segundos) e
precisão de remate (7.7-16 pontos). Os resultados confirmaram que
as características mensuradas foram semelhantes, mas há
diversificação nos métodos escolhidos, o que pode justificar a
variação nos resultados obtidos.
No continente americano, num estudo de revisão realizado no Brasil
por RÉ (2010), com objectivo de analisar as relações entre o
desenvolvimento biológico e a experiência ambiental durante a
infância e a adolescência, suas implicações para a aquisição de
habilidades e capacidades motoras inerentes ao desporto, verificou
que durante a infância, em consequência do rápido desenvolvimento
do sistema nervoso central, é fundamental que ocorra uma ampla e
adequada variação dos estímulos ambientais, favorecendo assim o
desenvolvimento motor, cognitivo e afectivo-social. Na adolescência,
ocorrem alterações biológicas importantes associadas ao pico de
produção dos hormônios testosterona nos rapazes e estrogénio nas
raparigas, com grande variabilidade em relação à idade cronológica,
o que acarreta a necessidade de ajustar os estímulos motores em
função do estágio de maturação biológica e das experiências
anteriores. O processo de aquisição de habilidades e capacidades
motoras, assim como o desempenho desportivo, emerge em função
das interações entre factores biológicos e ambientais. Portanto, a
infância pode ser considerada uma fase determinante desse processo,
tanto pelo ritmo acelerado de alterações biológicas, como pela
elevada capacidade de adequação aos estímulos ambientais. É
provável que a quantidade e a qualidade dos estímulos presentes
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 114
nessa fase influenciem directamente o desenvolvimento em idades
posteriores. Na adolescência, o ritmo de maturação biológica, em
conjunto com as experiências anteriores, resulta numa grande
variabilidade no desempenho motor. Assim, programas de
treinamento nessa faixa etária devem avaliar ambos os factores.
Geralmente, no período pós-pubertário, o adolescente deveria possuir
um excelente padrão coordenativo e cognitivo (tomada de decisão),
para que assim fosse priorizado o treinamento da força, velocidade e
resistência, levando-se em consideração a especificidade de
determinada modalidade desportiva.
Ainda no continente americano, no Brasil, MATTA et al. (2013),
realizaram um estudo com o principal propósito de apresentar uma
revisão de literatura sobre o estado de crescimento, maturação
biológica e aptidão física e técnica de jovens futebolistas. Os dados
referentes a estas características foram observados em estudos que
abordaram as variáveis relacionadas e que estão disponibilizadas nas
bases de dados Medline, Scieloe e Sport Discus. Os resultados
revelaram que até aos 13-14 anos de idade a relação entre estatura e a
massa corporal dos futebolistas tende a ser semelhante à observada
na população em geral. Após esta idade, a massa corporal tende a
valores superiores, aumentando a componente mesomorfa. Os
estudos sugerem que entre os 10 e 16 anos há uma enorme
variabilidade maturacional. Entre as idades de 10 aos 13 anos, todos
os estágios maturacionais se encontram representados com uma
tendência para a idade esquelética acompanhar a idade cronológica.
No entanto, após os 13 anos e com o incremento do nível
competitivo, os futebolistas avançados maturacionalmente tendem a
dominar o jogo. Os futebolistas promovidos a níveis competitivos
superiores apresentam valores elevados nas provas funcionais e
técnicas. O desempenho técnico tende a aumentar com o incremento
da idade cronológica.
No mesmo contexto brasileiro COSTA et al. (2010), com o intuito de
mostrar a importância dos aspectos tácticos e técnicos para o
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 115
desempenho desportivo, assim como identificar pontos importantes
para o processo de ensino-aprendizagem e treinamento dos
comportamentos técnicos e tácticos no Futebol, especialmente para
crianças e jovens. Realizaram um estudo focalizado em duas
vertentes complementares: ensinar a jogar o jogo com o objetivo de
transmitir valores culturais e educativos, e, paralelamente, perseguir
o propósito de provocar melhorias no desempenho. Os processos de
ensino-aprendizagem e treinamento aqui referenciados tiveram como
eixo norteador os praticantes, nomeadamente no que diz respeito as
suas experiências, bem como aos processos volitivos e de maturação.
Deste modo, advoga-se que os aspectos cognitivos inerentes ao
processo de ensino-aprendizagem se revestem de significativa
importância nas fases iniciais da prática. Além disso, pressupõe-se
que durante a evolução nas diferentes fases de rendimento, tanto o
conhecimento quanto a habilidade dos praticantes vão se
desenvolvendo à medida que as experiências são adquiridas
propiciando o aperfeiçoamento dos comportamentos técnicos e
tácticos inerentes ao jogo de Futebol.
Nos Estados Unidos da América, MALINA et al. (2015), com o
propósito de conferirem métodos para estimar a maturação biológica,
resumiram os dados disponíveis para jovens atletas e discutiram suas
implicações para o seu desenvolvimento. Na prossecução destes
objectivos, asseveram que a selecção/exclusão em muitos desportos
segue um gradiente relacionado à maturação, em grande parte
associada à puberdade e ao período da ocorrência do salto pubertário.
Nesse sentido, descreveram estudos que avaliam métodos
comumente usados para avaliar o estatuto maturacional (idade
esquelética, características sexuais secundárias), tempo (idades no
PVA e da menarca) e dois métodos antropométricos relativamente
recentes não invasivos (percentagem para a estatura adulta final e
idade em PVA). Estes últimos métodos carecem de validação prévia
com atletas.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 116
Estabelecidos os estudos de revisão sobre esta temática, procedemos
a apresentação das pesquisas empíricas. Neste sentido, no Brasil,
MATTA (2014), realizaram um estudo com o principal propósito de
caracterizar e comparar o perfil morfológico, funcional e técnico de
jovens futebolistas das categorias de Sub-15 e Sub-17, e identificar
possíveis diferenças em função da maturação biológica. Para tanto,
foram amostrados 245 futebolistas do sexo masculino (Sub-15 = 161;
Sub17 = 84). As medidas antropométricas incluíram a massa
corporal, a estatura e as pregas de adiposidade subcutânea. A
maturação biológica foi avaliada através do desenvolvimento da
pilosidade púbica. O desempenho funcional foi realizado através dos
testes: salto estático e com contramovimento, Yo-Yo intermitente
endurance teste nível 2, RAST, velocidade de 5 e 30 metros e teste T
de agilidade. O desempenho técnico foi avaliado através dos testes:
controle da bola, condução da bola e precisão do chute. Para a análise
de dados, recorreu-se ao teste t de medidas independentes e à análise
da variância de medidas independentes (ANOVA). Os resultados
indicaram que os futebolistas Sub-17 são mais altos e pesados e
apresentam um desempenho superior na generalidade dos testes
funcionais. Na categoria Sub-15 foram observadas diferenças
estatisticamente significativas nas variáveis morfológicas e
funcionais em função do estágio maturacional evidenciado pelos
futebolistas. Daí, concluir-se que os futebolistas Sub-17 diferem dos
Sub-15 na generalidade dos indicadores morfológicos e funcionais
considerados. Outrossim, o desempenho técnico não parece estar
associado a idade cronológica.
As diferenças observadas nos indicadores morfológicos e funcionais
parecem-nos ser explicadas por questões associadas a factores de
âmbito auxológico e aos diferentes níveis competitivos dos
futebolistas amostrados, pois, há grande influência do processo de
crescimento que ocorre durante as duas primeiras décadas de vida.
Em relação ao desenvolvimento da capacidade aeróbica, poderá estar
associada ao facto desta capacidade aumentar com a idade e quanto
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 117
ao aumento da força aos 13/14 anos os níveis séricos da testosterona
aumentam significativamente e o ganho de força acontece a seguir ao
pico de crescimento em velocidade. Quanto à velocidade de
deslocamento esta apresenta uma acentuada evolução desde os 5 aos
16 anos de idade e são apontados como factores que favorecem esta
capacidade durante o crescimento: o aumento da passada; o aumento
do comprimento da passada; melhoria da qualidade de produção de
força contra o solo; incremento da força muscular e neural.
Relativamente às eventuais diferenças entre as variáveis analisadas
em função ao estágio maturacional terem-se observado apenas na
categoria Sub 15 e em indicadores antropométricos e funcionais e
não se registarem diferenças estatisticamente significativas nas
habilidades motoras especificas em função do estágio maturacional,
parece-nos que seja possível pelo facto dos sujeitos amostrados terem
sido classificados com PP4 e PP5, tornando o grupo mais
homogêneo.
Ainda no Brasil MATTA (2014), realizou um outro estudo cujo
objectivo foi de descrever a associação entre idade cronológica,
morfologia, maturação biológica e anos de experiência desportiva no
desempenho técnico de jovens futebolistas. Algumas variáveis
antropométricas, relacionadas com a maturação biológica e técnicas
foram avaliadas em 119 futebolistas das categorias Sub-15 (n=74) e
Sub-17 (n=45). Para a análise dos dados recorreu a estatística
descritiva e a regressão linear múltipla. A adiposidade mostrou-se
uma associação negativamente com o desempenho técnico. O peso
corporal teve um efeito negativo nos Sub-15 e positivo nos Sub-17.
Nos Sub17 a maturação biológica mostrou-se relação negativa com o
teste condução de bola e positiva com o teste de controlo de bola; os
anos de experiência revelaram uma associação positiva com a técnica
nos futebolistas Sub-17. A variância explicada foi diferente entre as
categorias. O desempenho técnico de jovens futebolistas brasileiros
com idades entre os 14 e 17 anos parece estar associada com a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 118
maturação biológica, adiposidade subcutânea, peso corporal e anos
de experiência.
Ainda no Brasil, FELTRIN & MACHADO (2009), realizaram uma
pesquisa com o propósito de descrever o perfil técnico e físico de
jovens futebolistas considerando as diferentes posições específicas
em campo, o estudo prestou-se a identificar os factores (técnicos ou
físicos) que melhor se relacionam com o desempenho de jogo. Para
tanto, foram avaliados 18 futebolistsa escolares, com idade média de
14±0.70 anos; 53.9±6.50 Kg e 169.4±8.17cm. Os indicadores
utilizados foram os testes de habilidades específicas proposta por
MOR-CRISTIAN; testes de aptidão física (resistência aeróbia,
velocidade, agilidade e força/potência de membros inferiores) e o
desempenho em situação real de jogo. A análise estatística foi
realizada para o total da amostra (n=18) e por posição específica em
campo, nomeadamente: defesas centrais (n=3), defesas laterais (n=4),
meio-campistas (n=7) e atacantes (n=4). Para destrinçar os
futebolistas em função da posição específica em campo recorreram a
análise de variância (ANOVA), seguida do teste de post-hoc de
TUKEY para a localização de eventuais diferenças. Os resultados do
total da amostra indicaram um baixo desempenho nos testes
específicos e não foram registadas diferenças estatisticamente
significativas em função da posição específica em campo na situação
real de jogo. Daí, conclui-se que as habilidades técnicas não foram
preponderantes para o desempenho de jogo, enquanto a aptidão física
mostrou-se capaz de explicar boa parte do desempenho desportivo.
MAZZUCO (2007), realizou um estudo com intuito de detectar os
indicadores antropométricos, fisiológicos e técnicos (habilidades
motoras específicas) capazes de determinar o desempenho dos jovens
futebolistas brasileiros, relacionandos às diferenças entre idade
cronológica e maturação biológica, e verificar a influência da
maturação biológica nestes indicadores. A amostra foi constituída por
48 futebolistas com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos,
integrantes das equipes pré-infantil e infantil de um clube
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 119
profissional. A amostra foi dividida por grupo etário (pré-infantil,
n=32; infantil, n=16), e então subdividida em grupos maturacionais
dentro de cada grupo etário, sendo tardio (n=03; n=01), normal
(n=18; n=06) e precoce (n=11; n=09). Foram recolhidos dados
referentes às variáveis antropométricas, fisiológicas e técnicas
(habilidades específicas), além de exame radiológico para detectar a
idade esquelética. A análise estatística realizada de modo a detectar
diferenças estatisticamente significativas entre idade cronológica (IC)
e idade esquelética (IE), entre os grupos etários e entre os grupos
maturacionais. As correlações entre as variáveis IC e IE e as demais
variáveis analisadas também foram verificadas. Os resultados
revelaram que as idades cronológicas e esqueléticas estão associadas
à diferenças no tamanho corporal entre os futebolistas (ICx massa
corporal r=0.574; IE [Link] r=0.789; IC x estatura (ES) r=0.582; IE x
ES r=0.770). Quanto ao estágio maturacional, foi detectada uma
predominância de futebolistas com desenvolvimento normal e
precoce nos grupos etários. A maturação biológica mostrou-se
benéfica no que tange às variáveis técnicas para os futebolistas com
maturação tardia, no entanto, acarreta desvantagens em relação às
variáveis antropométricas. Dos resultados constatou-se que as
diferenças observadas provocam a exclusão precoce de futebolistsa
com maturação biológica tardia, dado que os aspectos físicos
exercem uma forte influência nos critérios de selecção. Por outro
lado, sugere-se que a maturação biológica seja considerada, visto que
resultados de testes de habilidades específicas, apontam melhores
resultados para os futebolistsa no estágio maturacional tardio,
principalmente em categorias mais jovens.
No contexto Europeu, especialmente em Portugal, SEABRA, MAIA
& GARGANTA (2001), com o propósito de investigar o impacto da
maturação, da selecção e do treino na estrutura somática, na aptidão
física, na força explosiva e nas habilidades motoras específicas de
jovens futebolistas realizaram um estudo com uma amostra
constituída por 226 sujeitos com idades compreendidas entre os 12 e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 120
os 16 anos, distribuídos por 3 grupos (G1-infantis; G2-iniciados e
G2-juvenis) de jovens futebolistas e de jovens sedentários do mesmo
escalão etário. As medidas somáticas analisadas incluíram a altura, o
peso, os perímetros, os diâmetros e pregas de adiposidade subcutânea
que permitiram estimar dois compartimentos da massa corporal e o
somatótipo. O desenvolvimento genital foi avaliado através das
tabelas descritas por Tanner (1962). A aptidão fisica foi avaliada pela
bateria de testes da AAHPERD relacionada com a performance e
descrita em KIRKENDALL et al. (1987). A avaliação da força
explosiva foi realizada através do protocolo descrito por BOSCO et
al. (1983). As habilidades motoras específicas foram avaliadas de
acordo com a bateria de testes da Federação Portuguesa de Futebol
(1986). Os procedimentos estatísticos incluíram a média aritmética,
desvio-padrão, t teste de medidas independentes e a ANCOVA. No
G1 a maturação, a selecção e o treino não tiveram um efeito
significativo favorecendo os jovens futebolistas relativamente aos
jovens sedentários na estrutura somática e na força explosiva. Pelo
contrário, constatou-se que o treino tinha um impacto nos futebolistas
na grande maioria das componentes da aptidão fisica, à excepção da
força inferior e resistência aeróbica. No G2 a maturação, a selecção e
o treino não tiveram um efeito favorecendo os jovens futebolistas no
peso, no mesomorfismo, no ectomorfismo, no salto estático e no salto
com contramovimento. Pelo contrário, nos jovens futebolistas, o
treino tinha um impacto, na massa gorda, no endomorfismo e na
grande maioria das componentes da aptidão física, exceptuando a
força inferior e resistência aeróbica. No G3, e de igual forma, não
houve um efeito marcado da maturação, da selecção e do treino
favorecendo os jovens futebolistas relativamente aos jovens
sedentários no endomorfismo, no salto estático e no salto com
contramovimento. Contudo, constatou-se através dos resultados
apresentados pelos jovens futebolistas, que o treino tinha um impacto
no peso, na massa magra, e na grande maioria das componentes da
aptidão física, exceptuando a força inferior e a resistência aeróbica.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 121
Os resultados observados parecem encontrar explicação para a altura
nas diferenças dimensionais e ponderais dos jovens avançados
maturacionalmente relativamente aos jovens atrasados, que são
sempre mais baixos e leves. No peso, o treinamento é um dos agentes
que
influencia esta medida somática. Quanto à massa isenta de gordura
nos rapazes está associada ao processo maturacional que salienta o
efeito positivo da actividade física regular e do treino no seu aumento
particularmente no período pós-pubertário (escalão de juvenis). Nas
componentes do somatótipo o treino explica a melhoria da
performance na componente mesomorfa. A idade biológica parece
influenciar a potência aeróbica, dado existir uma correlação positiva
entre ambos factores. Na capacidade aeróbica a maturação deve ser
considerada o factor influenciador das diferenças de resultados desta
prova, pois o treino por si só não parece ter um efeito positivo na
melhoria da performance desta componente da aptidão física nos
jovens futebolistas estudados. No salto estático e salto com
contramovimento os valores mais elevados expressos pelos jovens
futebolistas poderão estar associados a um melhor aproveitamento da
energia elástica e da capacidade contráctil do músculo, pois, o
potencial elástico do músculo-esquelético humano é uma propriedade
que pode ser melhorada através do treino e parece que é um dado, o
aumento do número de anos de treino conduz a uma melhoria do
aproveitamento da contracção concêntrica no ciclo de estiramento/
encurtamento (SEABRA et al., 2001). Na componente das
habilidades motoras específicas a maturação não parece ter uma
grande explicação sobre as habilidades motoras específicas. Pelo
contrário, o treino e o número de anos de prática de futebol parecem
ter uma acção positiva na melhoria destas habilidades, daí que um
alto nível de prática de elevada qualidade seja um factor crítico no
desenvolvimento das habilidades motoras específicas.
Ainda em Portugal, REBELO et al. (2009), com intuito de estudar o
processo de crescimento somático, maturação biológica, desempenho
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 122
motor e capacidade de execução técnica de jovens futebolistas.
Desenvolveram um estudo longitudinal em diferentes clubes do
Concelho da Maia ao longo de um ciclo de formação de cinco anos
nas categorias (Sub-9, Sub-10; Sub-11; Sub-12; Sub-13; Sub-14,
Sub-15; Sub-16; Sub-17 e Sub-18). A amostra foi constituída por 516
jovens futebolistas. Foram efectuadas 10 medidas antropométricas
(altura, peso, perímetros e pregas de adiposidade). A composição
corporal foi efectuada com base na balança de bioimpedância
TANITA com vista a estimar o fracionamento da massa corporal em
dois compartimentos. A determinação do somatotipo da morfologia
externa foi efectuada de acordo com a técnica antropométrica de
HEATH & CARTER (1967) e o cálculo das componentes
(endomorfismo, mesomorfismo, ectomorfismo) baseou-se nas
equações propostas por (ROSS & MARFELL-JONES, 1983). Para o
desempenho físico foram avalidas a resistência através do teste Yo-
Yo Intermitente Endurance Test (BAGSBOO, 1996); velocidade
avaliada nas distâncias de 5 e 30 metros; agilidade teste T; força
máxima isocinética foi efectuda com recurso ao dinamómetro
isocinético; força explosiva dos membros inferiores com recurso a
plataforma (Ergojump); a coordenação geral foi mensurada através
do teste Tapping Pedal e a potência do remate foi através do
velocímetro doppler. Para as habilidades técnicas foram avaliados o
domínio da bola; drible em slalom; precisão do remate. Os resultados
demonstraram que nas medidas de natureza morfológica (massa
isenta de gordura), testes funcionais (resistência, velocidade de 30
metros, agilidade, força de extensão e flexão do joelho e
coordenação) e Provas do domínio técnico (domínio da bola e drible
em slalom) os jovens futebolistas de Maia apresentam claras
desvantagens relativamente aos futebolistas de elite.
Num outro estudo em Portugal, MALINA et al. (2005), realizaram
uma pesquisa com o propósito de estimar a contribuição da
experiência, tamanho corporal e estatuto maturacional na
variabilidade das habilidades específicas de futebolistas. Participaram
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 123
do estudo 69 futebolistas com idades compreendidas entre os 13 e os
15 anos. Usaram como indicadores a altura, o peso corporal e o
estágio de desenvolvimento da pilosidade púbica. Os anos de
experiência no futebol foram obtidos através da entrevista. As
habilidades específicas avaliadas foram: controle de bola com o
corpo, controle de bola com a cabeça, drible com passe, velocidade
de drible, precisão de remate e precisão de passagem. A análise de
regressão linear múltipla foi usada para estimar as contribuições
relativas de idade, estágio de maturidade sexual, altura, massa
corporal e anos de treinamento formal de futebol para os seis testes
de habilidade. Idade, anos de treino, peso corporal e o estágio de
desenvolvimento da pilosidade púbica contribuíram
significativamente, mas em diferentes combinações para a variação
em quatro das seis habilidades: drible com passe (21%; idade, estágio
de desenvolvimento da pilosidade púbica); controle da bola com a
cabeça (14%; estágio de desenvolvimento da pilosidade púbica,
altura, peso corporal); controle da bola com o corpo (13%; estágio de
desenvolvimento da pilosidade púbica, anos de treino) e precisão do
arremesso (8%; estágio de desenvolvimento da pilosidade púbica,
altura). Não houve preditores significativos para os testes de drible,
velocidade e precisão de passe. Em conclusão, idade, anos de treino,
peso corporal e estágio de desenvolvimento da pilosidade púbica
contribuíram para a variação no desempenho em quatro dos seis
testes de habilidades específicas para os jovens futebolistas
avaliados.
Ainda em Portugal, REBELO et al. (2013), realizaram um estudo
com o objectivo de comparar as características antropométricas,
aptidão física e habilidades técnicas de jovens futebolistas de dois
níveis competitivos e posições em campo. A amostra foi constituída
por 180 indivíduos da categoria de Sub-19 (elite n= 95; não elite n=
85). Os testes selecionados para avaliar o desempenho físico foram:
velocidade 5 e 30 metros, agilidade, salto estático, salto com
contramovimento, força abdominal e resistência aeróbica. As
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 124
habilidades específicas do futebol foram avaliadas com recurso aos
testes de controlo de bola e drible. A estatura e massa corporal dos
jovens futebolistas de elite apresentam diferenças significativas com
relação aos jovens futebolistas não elite, entre guarda-redes e
atacantes. As principais diferenças foram observadas entre os guarda-
redes de não elite para salto estático, salto com contramovimento,
resistência aeróbica e controle de bola. Os defesas centrais de elite
tiveram um melhor desempenho do que seus colegas não
pertencentes à elite nos testes de salto estático e controle de bola. Os
jovens futebolistas de elite apresentaram melhor níveis de agilidade e
capacidade aeróbica do que os futebolistas não elite em todas as
posições. As diferenças observadas na aptidão física e habilidades
técnicas entre os jovens futebolistas de elite e não elite parecem ser
explicados pela experiência e tempo de treinamento. A estatura,
massa corporal e força parecem ser factores discriminantes mais
importantes entre guarda-redes e futebolistas de campo.
Ainda em Portugal, com o propósito de analisar a evolução das
características antropométricas e capacidades físicas, ao longo de
uma época desportiva em jovens futebolistas SILVA & MOROUÇO
(2017) estudaram uma amostra de 50 futebolistas Sub-15 (n= 16:
14.0±0.1 anos), Sub-17 (n= 14; 15.6±0.5 anos) e Sub-19 (n= 20;
17.2±0.7 anos), controlados em três momentos de avaliação: após o
período de preparação geral (pré-época), após a 1ª fase competitiva
(meio da época) e após a 2ª fase competitiva (pós-época). Para a
análise antropométrica foi medida a altura, massa corporal, massa
muscular, massa gorda e perímetros corporais. Para a análise das
capacidades físicas foram avaliadas a resistência aeróbia, salto
estático, salto com contramovimento, agilidade e flexibilidade. Dos
resultados verificaram uma estabilização da percentagem da gordura
corporal ao longo da época, associada a um aumento da massa
corporal que parece ser explicado pelo aumento da massa muscular.
De um modo geral, independentemente do escalão competitivo,
observaram-se ganhos nas capacidades físicas da pré-época para o
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 125
meio da época, existindo uma estabilização dessas capacidades até ao
período pós-época.
RIBEIRO (2010), em Portugal, com o propósito de descrever o perfil
cineantropométrico e funcional do jovem futebolistas, analisando as
diferenças entre as posições específicas em campo, a idade e ainda as
eventuais relações entre os diversos parâmetros avaliados. Para o
efeito, pesquisou 54 jovens futebolistas do sexo masculino, com
idades compreendidas entre 13 e os 19 anos, divididos em três
escalões de formação (juniores, juvenis e infantis). Em cada escalão,
foi considerado para análise duas subdivisões de posição: (1) defesas,
que incluíram os guarda-redes e os defesas centrais e laterais e; (2)
avançados, que incluíram os médios, os extremos e os avançados. Os
jovens futebolistas foram submetidos a uma bateria de testes,
contemplando dois principais domínios: (i) o perfil
cineantropométrico (peso, altura e composição corporal) e; ii) o perfil
funcional no âmbito da força explosiva dos membros inferiores (salto
estático e salto com contra-movimento), velocidade de corrida (em
linha recta e com mudança de direcção) e flexibilidade. Os resultados
indicam que na globalidade dos parâmetros observaram-se melhorias
na performance nos três escalões avaliados. Contudo, as diferenças
estatisticamente significativas situaram-se fundamentalmente entre os
escalões de iniciados e juvenis. No que se refere às diferenças entre
as posições, salienta-se o facto dos futebolistas juvenis meio
campistas revelarem maior capacidade aeróbia e menor flexibilidade
do que os restantes. Também nos juniores, os meio campistas
revelaram-se mais rápidos na velocidade com mudança de direcção.
Na França, LE GALL et al. (2010) realizaram um estudo com um
total de 161 futebolistas (23 guarda-redes; 32 defesas; 61 médios e 45
avançados) das camadas juvenis de elite do Instituto Nacional do
Futebol. Os futebolistas foram distribuídos em três categorias de
idades (Sub-14, Sub-15 e Sub-16). Todos jogadores foram
submetidos a uma bateria de testes e avaliação da maturação
esquelética. Os indicadores avaliados foram: altura, peso, pregas de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 126
adiposidade subcutânea (tríceps, bíceps, subescapular e suprailíaca) e
percentagem de gordura corporal. O desempenho funcional foi
avaliado através da velocidade nas distâncias de (10, 20 e 40 metros);
salto com contramovimento, força dos extensores e flexores da perna
dominante e não dominante; VO2 Máximo. A maturação esquelética
foi avaliada através do exame radiológico da mão esquerda. Os
resultados revelaram melhores performances dos futebolistas de nível
internacional ou profissional em comparação com os amadores.
Verificaram-se ainda diferenças significativas na maturação
biológica em todas categorias a favor dos jovens futebolistas
internacionais e profissionais, esta circunstância parece estar
associada ao treino sistemático a que estes estão sujeitos.
No contexto africano localizamos dois estudos, o primeiro foi
realizado na Argélia por CHIBANE et al. (2008), com o objectivo de
comparar os indicadores antropométricos e a idade do PVA entre
jovens adolescentes futebolistas. A amostra foi constituída por 91
futebolistas (28 elite e 63 não elite) todos do sexo masculino, com
idade média 16.6 anos. Para tanto, recorreram as seguintes variáveis:
idade, altura, peso e estatuto maturacional. A avaliação da maturação
biológica foi determinada através da idade no PVA, esta foi
determinada com base na equação proposta por MIRWALD et al.
(2002). Dos resultados, constatou-se que após o cálculo do PVA, os
jogadores da elite foram significativamente mais avançados
maturacionalmente que os jogadores não elite (P <0.001). Todos os
sujeitos da elite atingiram PVA, enquanto nos não elite 32% dos
futebolistas encontravam abaixo PVA. Outrossim, os atletas de elite
apresentaram-se mais pesados, mais altos, com maior quantidade da
massa muscular e maior perímetro da coxa quando comparados aos
futebolistas não elite (P <0.001).
O segundo estudo foi realizado na Tunísia por HAMMAMI et al.
(2018), com o propósito de avaliar o efeito de duas épocas de treino
nas concentrações das hormonas de crescimento, desenvolvimento e
somatótipo de jovens futebolistas. Nesse sentido, recorreram a uma
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 127
amostra composta por 36 indivíduos 18 futebolistas de elite (grupo
experimental) e 18 indivíduos não futebolistas (grupo de controlo).
As avaliações foram realizadas em cinco momentos ao longo de duas
épocas competitivas nas seguintes componentes: antropométricas,
performance aeróbica e anaeróbica e hormônio do crescimento (GH),
concentrações séricas de insulina factor de crescimento1 (IGF-1) e
ligação ao fator de crescimento semelhante à insulina proteína-3
(IGFBP-3). Os resultados revelaram factores GH, IGF-1 e IGFBP-3
mais altos nos futebolistas quando comparados ao grupo de controlo
em todos os momentos de avaliação. No entanto, valores de
correlações moderados foram observados somente em futebolistas
entre as concentrações hormonais (IGF-1 e IGFBP-3) e os testes de
salto (r= 0.45-0.48; p <0.010). Estes resultados revelaram que o
treino intenso não prejudicou o crescimento ou desenvolvimento dos
jovens futebolistas nos dois anos de estudo.
3. Considerações Finais
A aquisição de habilidades motoras é por natureza um processo
dinâmico e complexo. Entretanto, as teorias correntes de
aprendizagem motora explicam uma parte desse processo, a
estabilização, que se fundamentam em processos homeostático
(equilíbrio) alcançado via feedback negativo visando a consistência e
precisão ou segundo TANI (1982), procuram a manutenção e
estabilidade do sistema. Desta arte, destaca-se que estas teorias
apenas conseguem explicar como se adquire e se mantém uma
estrutura, mas não explicam a formação de novas estruturas a partir
daquelas já adquiridas, o aumento da complexidade do sistema.
Entretanto, partindo da visão do ser humano numa perspectiva
ecológica, como um sistema aberto em constante troca de matéria,
energia, informação com o meio ambiente. Sendo a aprendizagem
um processo contínuo e de elevada complexidade, propõem-se então
novos modelos decorrentes da necessidade de se prever novas
aprendizagens.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 128
Destas constatações, recentes metateorias da ciência têm enfatizado
que, em sistemas abertos, a formação de novas estruturas pressupõe a
quebra de estabilidade (instabilidade). A aquisição de habilidades
motoras melhor se explica quando vistas como um processo cíclico e
dinâmico de estabilidade-instabilidade-estabilidade, que resulta em
crescente complexidade e tem sido propostos dois modelos: primeiro
a estabilização e o segundo a adaptação.
A estabilização é aquela em que se procura, a estabilidade funcional
resultante da padronização espacial e temporal do movimento, isto é,
na formação de uma estrutura. Movimentos inicialmente
inconsistentes vão sendo gradativamente refinados até se alcançar
padrões de movimento precisos e consistentes. Nesse processo, o
elemento fundamental é o feedback negativo, ou seja, mecanismo de
redução do erro.
A adaptação é aquela em que se procura adaptações às novas
situações ou tarefas motoras (perturbação), mediante a aplicação das
habilidades já adquiridas. Nesse processo exige-se modificações na
estrutura da habilidade já adquirida, e sua posterior reorganização
num nível superior de complexidade.
Referências bibliográficas
ADAMS. J. A. A close-loop theory of motor learning. Journal of
Motor Behavior. Vol 3; p 11-150, 1971.
BENDA, R. N E TANI, Go. Variabilidade e processo adaptativo na
aquisição de habilidades motoras. In: Tani G. editor.
Comportamento motor aprendizagem e desenvolvimento. Rio
de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A, p. 129-140, 2005.
BERTALANFFY, Ludwig Von. Teoria geral dos sistemas. 2ª
Ediçao. Editora Vozes. Petropolis, 1977.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 129
BRUNER, J. S. Organization of early skilled action. Child
development. Vol 4; p. 1-11, 1973.
CHIBANE, Samir et al. Influence of age, maturity and body
dimensions on selection of under-17 Algerian soccer players. In
Thomas Reilly and Feza Korkusuz. Science and Football VI
The Proceedings of the Sixth World Congress on Science and
Football, 2008.
CHOSI, K & TANI, Go. Stable system and adaptativesystem in
motor learning. In Japan association of Biomechanics /Ed), The
science of movement V. Tokyo: Kiorin, 1983.
COSTA, V. T. D. et al. Fases de transição da carreira esportiva:
perspectiva de ex-atletas profissionais do futebol brasileiro.
Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da
UNICAMP - Campinas, SP, v. 8, 3, p. 84-103, 2010.
FELTRIN, Ygor Raphael.; MACHADO, DRL. Habilidade técnica e
aptidão física de jovens futebolistas. Rev Bras Futebol, Jan-Jun;
02(1): 45-59, 2009.
FITTS, Paul. & POSNER, Michael. Human Performance. Monterey,
1967.
GARGANTA, Júlio. Modelação táctica do futebol. Estudo da
organização ofensiva de equipas de alto nível de rendimento.
Porto: J. Garganta. Tese de Doutoramento apresentada a
Faculdade de Ciências do Desporto da Universidade do Porto,
[Link], Israel et al. Ensino-Aprendizagem e treinamento
dos comportamentos Táctico-Técnicos no Futebol. Revista
Mackenzie de Educação Física e Esporte –9 (2): 41-61, 2010.
GENTILE, A. M. A working modelo f skill acquisition with
application to teaching. Quest. Vol 17; p 3-23, 1972.
HAMMAMI, Mohammed et al. Somatotype Hormone Levels and
Physical Fitness in Elite Young Soccer Players over a Two-
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 130
Year Monitoring Period. Journal of Sports Science and
Medicine 17, 455-464, 2018.
LE GALL, Franck et al. Características antropométricas de jovens
jogadores profissionais internacionais e amadores de uma
academia de futebol juvenil. Revista de Ciências e Medicina do
Esporte (13) 90–95, 2010.
MALINA Robert et al. Biological maturation of youth athletes:
Assessment and implications. Br J Sports Med;49: 852–859,
2015.
MALINA, Robert., CUMMING, SP.,KONTOS, AP., EISENMANN,
JC., RIBEIRO, B E AROSO, J. Maturity-associated variation in
sport-specific skills of youth soccer players 13-15 years. J
Sports Sciences; May 23(5): 515-522, 2005.
MATTA, Marcelo de Oliveira et al. Morphological and maturational
predictors of technical performance in young soccer players.
Motriz, Rio Claro, v.20 n.3, p.280-285, July/Sept. 2014.
MATTA, Marcelo de Oliveira; FIGUEIREDO, AJB; GARCIA, ES
& SEABRA, André. Crescimento, maturação biológica e
aptidão física e técnica de jovens futebolistas: Uma revisão das
características do jovem futebolista. Rev. Bras. Futebol.
Jan/Jun; 06(1): 85-99. 2013.
MAZZUCO, Mário André. Relação entre maturação e variáveis
antropométricas, fisiológicas e motoras em atletas de futebol de
12 a 16 anos. Dissertação de Mestrado defendida como pré-
requisito para a obtenção do título de Mestre em Educação
Física, no Departamento de Educação Física, Setor de Ciências
Biológicas da Universidade Federal do Paraná, 2007.
MESQUITA, Isabel. A magnitude adaptativa da técnica nos jogos
desportivos. Fundamento para o treino. In: TAVARES, F;
GRAÇA, A; GARGANTA, J.; MESQUITA, I. (Ed.). Olhares e
Contextos da Performance nos Jogos Desportivos. Faculdade de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 131
Desporto da Universidade do Porto: Multitema, Cap.9. p. 93-
107, 2008.
MIRWALD RL, BAXTER-JONES ADG, BAILEY DA, BEUNEN
GP. An assessment of maturity from anthropometric
measurements. Med Scie Sports Exer; 34(4): 689-694, 2002.
RAMOS, Maurício Ricardy Batista et al., Perfil morfológico,
funcional e técnico de jovens futebolistas de 15-16 anos: uma
revisão sistemática. Annals of research in sport and physical
activity. Impresa da Universidade de Coimbra, 2016.
RÉ, Alessandro Hervaldo Nicolai. Crescimento, maturação e
desenvolvimento na infância e adolescência: Implicação para o
Esporte. Um estudo de revisão. Revista Motricidade. Vol. 7, n.
3, pp. 55-67. 2011.
REBELO, António et al. Anthropometric Characteristics, Physical
Fitness and Technical Performance of Under-19 Soccer Players
by Competitive Level and Field Position. International Journal
of Sports Medicine, April 2013.
REBELO, António Natal., SEABRA, André., BRITO, João.,
SALGADO, Bruno & RAMOS, Álvaro. O JOVEM
FUTEBOLISTA DE MAIA. Perfil antropométrico, físico e
técnico. Editores Departamento do Desporto da Camara
Municipal de Maia, Faculdade de Desporto da Universidade do
Porto e Centro de Investigação, Formação e Inovação e
Intervenção em Desporto. Portugal, 2009.
RIBEIRO, Tiago André Antunes. Perfil cineantropométrico e
funcional do jogador de futebol em diferentes escalões de
formação e posições. Dissertação de Mestrado em Ciências do
Desporto. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas –
Departamento de Ciências do Desporto da Universidade da
Beira Interior, 2010.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 132
SCHMIDT, Richard. A schema theory of discrete motor skill
learning. Psycholoogical Review. Vol 82, p. 225-260, 1975.
SCHMIDT, Richard., WRISBERG, Craig. Aprendizagem e
performance motora. Uma abordagem da aprendizagem baseada
no problema- 2ª ed. Artmed Editora, Porto Alegre, 2001.
SEABRA, André. MAIA, José. GARGANTA, Rui. Crescimento,
maturação, aptidão física, força explosiva e habilidades motoras
específicas. Estudo em jovens futebolistas e não futebolistas do
sexo masculino dos 12 aos 16 anos de idade. Revista
Portuguesa de Ciências do Desporto, vol. 1, nº 2 (22 – 359),
2001.
SILVA, Rui & MOUROÇO, Pedro. Evaluetion of antropometric
characteristics and physical abilities in a soccer season:
Comparison between U-15, U-17 and U-19. Revista
Motricidade, vol. 13, n. 1, pp. 38-49, 2017.
SISTO, F.F. & GRECO, J.P. Comportamento táctico nos jogos
esportivos colectivos. Rev. Paulista de Educação Física , vol. 9
n.1. pp. 63-68, 1995.
TANI, Go. Adaptative process in perceptual-motor skill learning.
Doctoral Dissertation. Hiroshima: Faculty of Education of
Hiroshima University, 1982
TANI, Go.; SANTOS, S. MEIRA JÚNIOR, Cássio. O ensino da
técnica e a aquisição de habilidades motoras no desporto. In:
TANI, G.; BENTO, J. O.; PETERSEN, R. D. S. (Ed.).
Pedagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.
225-240, 2006.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 133
Emergência da Psicologia do Desporto e sua aplicação
em Moçambique
1
Paulo Tibério Armando Saveca
2
Vicente Alfredo Tembe
1
Universidade Eduardo Mondlane- Moçambique
2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Introdução
Entender como os factores psicológicos afectam o desempenho físico
de um indivíduo e como a participação no desporto e no exercício
afecta o desenvolvimento psicológico, a saúde e o bem-estar de uma
pessoa, são os objectivos que nos dias de hoje tornam a Psicologia do
Desporto uma das áreas que cada vez mais se demonstra importante
no conhecimento científico. Da mesma forma, nos últimos 25 anos,
os atletas têm merecido uma atenção muito especial por parte de
ciência, da tecnologia, economia e imprensa (VASCONCELOS-
RAPOSO, 1993) e o nosso País, Moçambique, não deve andar alheio
a estas realidades se de facto pretender lograr grandes desafios
desportivos ao nível nacional e, principalmente, internacional.
Este capítulo tem como objectivo central perceber a emergência da
Psicologia do Desporto e do Exercício e a sua aplicação em contexto
moçambicano. O reconhecimento do papel da psicologia do desporto
na melhoria da performance desportiva é amplamente documentado
na literatura da especialidade (FONSECA, 2001; VASCONCELOS-
RAPOSO & ARANHA, 2000). Quer dizer, tal como são treinadas as
variáveis físicas e técnico-tácticas dos atletas, também as variáveis
psicológicas devem ser desenvolvidas no sentido de potenciar o seu
rendimento. No entanto, para se alcançarem estes objectivos é
importante que a Psicologia do Desporto seja uma área emergente e
em crescimento em Moçambique.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 134
1. Desenvolvimento
Para se compreender a Psicologia do Desporto, quer quanto às teorias
que a fundamentam, como quanto à sua aplicação prática, é
necessário perceber em que consiste o seu conceito, qual o seu
percurso histórico, e o seu estado actual. Além disso, para se
identificar os seus fundamentos é necessário perceber como a
Psicologia do Desporto e Exercício foi pensada, como é pensada
agora e em que contexto social tem estado inserida, quer em relação
ao conhecimento científico em geral, quer quanto ao conhecimento
acumulado pela psicologia e pelas ciências do desporto (ARAÚJO,
2002). De seguida, passamos a apresentar visões de vários estudiosos
sobre o conceito da Psicologia do Desporto e Exercício. É importante
referir-se que, uma revisão desta matéria levada a cabo por FELTZ
(1992), procurando encontrar as definições sobre a Psicologia do
Desporto, concluiu que alguns autores a vêem como uma
subdisciplina da Psicologia, enquanto os outros como uma
subdisciplina das Ciências do Desporto.
Na concepção de SINGER (1993), a Psicologia do Desporto e
Exercício integra a investigação, a consultoria clínica, a educação e
actividades práticas programadas associadas à compreensão, à
explicação e à influência de comportamentos de indivíduos e de
grupos que estejam envolvidos em desporto de alta competição,
desporto recreativo, exercício físico e outras actividades. Para
WEINBERG e GOULD (2017), a Psicologia do Desporto e
Exercício é um estudo científico de pessoas e seus comportamentos
em actividades desportivas e actividades físicas, e a aplicação deste
conhecimento. Ainda no desenrolar destas visões, para GILL e
WILLIAMS (2008), a Psicologia do Desporto consiste no estudo
científico do comportamento humano em contextos desportivos e de
exercício, bem como na aplicação prática desse conhecimento nos
ambientes de actividade física.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 135
Fazendo uma análise sobre estas visões de vários autores sobre o
conceito da Psicologia do Desporto, pode se perceber que, para além
de ser uma disciplina académica e científica, com aplicação no
ensino em Ciências do Desporto e Educação Física, é também uma
área de intervenção profissional que apoia se dos conceitos da
Psicologia Geral e das Ciências do Desporto. De facto, apoiando se
no TENENBAUM e MORRIS (2000), a Psicologia do Desporto e
Exercício resultou da intersecção entre Psicologia, Ciências do
Desporto e do próprio desporto, sendo simultaneamente uma área
profissional que olha para o desporto e para o exercício sob uma
perspectiva psicológica.
Segundo os psicólogos desportivos possuem três campos de actuação
profissional: o ensino, a pesquisa e a intervenção (WEINBERG
&GOULD,2001). No campo do ensino o objectivo é transmitir
conhecimentos e habilidades técnicas desportivas. Para tanto, os
profissionais necessitam ter conhecimentos das capacidades
psicológicas necessárias para melhor compreender o comportamento
humano no âmbito do desporto (papel de professor). No campo da
pesquisa, são mais explorados procedimentos diagnósticos para
medir características psicológicas das pessoas, avaliações desportivas
e medidas de intervenção psicológica para competição e treinamento
(papel de pesquisador). No campo da intervenção psicológica (papel
de consultor) são realizados psicodiagnósticos, programas
psicológicos de treinamento mental, juntamente com medidas de
aconselhamento e acompanhamento.
É importante evidenciar que, por um lado, a Psicologia do Desporto,
no campo de intervenção académico e científico é uma disciplina
leccionada nas instituições de ensino em Ciências do Desporto e
Educação Física nos níveis técnico profissional e nos cursos de
graduação com o intuito de promover a investigação científica e
desenvolver teorias para a compreensão do comportamento humano
praticante do desporto e do exercício físico. Por outro lado, refere-se
à intervenção de profissionais na área que se especializam em
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 136
actividades com atletas, praticantes do desporto e outras formas de
aplicação com vista a acompanhar o desempenho, fazer o
aconselhamento, reabilitação de lesões e a promoção do exercício
físico no âmbito da saúde e bem-estar dos indivíduos.
A trajectória histórica da Psicologia do Desporto mostra que pode ser
sintetizada em seis períodos (WEINBERG &GOULD, 2008):
Os primeiros anos (1895-1920): O psicólogo Norman Triplett
(1861-1931) foi o precursor da Psicologia do Desporto na América
do Norte. Em 1897, ele investigou em que ocasião os ciclistas
pedalavam mais rápido, se acompanhados ou sozinhos;
A Era Griffith (1921-1938): Coleman Griffith (1893-1966) é
considerado o pai da Psicologia do Desporto nos Estados Unidos. Ele
desenvolveu o primeiro laboratório desse ramo da Psicologia e
publicou dois livros clássicos: “Psychology of Coaching” (1926), no
qual discutiu os problemas levantados pelos métodos de treinamento
da época, e “Psychology of Athletics” (1928);
Preparação para o futuro (1939-1965): No plano mundial, o
primeiro Congresso Internacional de Psicologia do Desporto foi
realizado em Roma, na Itália, em 1965;
O estabelecimento da Psicologia do Desporto como disciplina
académica (1966-1977): Com o estabelecimento do curso superior de
educação física, a Psicologia do Desporto passou a ser considerada
uma disciplina desse curso, separando-se da disciplina de
aprendizagem motora. Nessa época, surgiram as consultorias de
psicólogos direccionadas a atletas e a equipes. Nos Estados Unidos,
foram estabelecidas as primeiras sociedades científicas da área;
Ciência e prática multidisciplinar na psicologia do exercício e
do desporto (1978-2000): A Psicologia do Desporto ganhou espaço.
Nesse período, houve um aumento do número de eventos e de
publicações científicas na área, que passou a contar com mais
estudantes e profissionais. As pesquisas e as intervenções começaram
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 137
a apresentar um viés multidisciplinar, à medida que os estudantes
realizavam mais trabalhos de curso relacionados a aconselhamento e
Psicologia; e
Psicologia do Desporto contemporânea (2000 até o presente):
A nível mundial, observou-se um aumento da importância conferida
às pesquisas em Psicologia do Desporto, em virtude dos benefícios
que o desporto traz à saúde e à qualidade de vida.
Todavia, BRITO (1990) dividiu a evolução da Psicologia, a
nível internacional, em oito períodos, sendo todos eles caracterizados
por determinadas tendências, nomeadamente:
De 1890 a 1920: período dos pioneiros procurou-se relacionar
o desporto com a Psicologia;
De 1920 a 1945: fase preparatória, definição do conceito da
Psicologia do Desporto;
De 1950 a 1965: período de desenvolvimento e de
reconhecimento do desporto como fenómeno específico e da
Psicologia do Desporto como uma das áreas da Psicologia;
De 1966 a 1977: período da autonomia da Psicologia do
Desporto, caracterizada pelo impacto que o desporto teve a nível
político e económico;
De 1978 a 1981: abrem-se novos ramos de investigação e
intervenção nas várias disciplinas com afinidade ao desporto;
De 1982 a 1985: definição da originalidade acentuou-se a
intervenção no domínio da alta competição e principalmente
centrados a atletas de elite;
Seguiu se a época de especialização com o desenvolvimento
de estratégias de preparação psicológica e apuramento das técnicas
do treino mental, dando-se prioridade às técnicas cognitivas;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 138
De 1988 em diante: a Psicologia do Desporto tem-se virado
quase exclusivamente para a preparação mental dos atletas do alto
rendimento.
Ao longo da história, os investigadores da Psicologia do Desporto
têm desenvolvido os seus trabalhos nas seguintes áreas:
personalidade, motivação, psicometria, stress, educação física,
psicossociologia do desporto, metodologia do treino, atletismo,
agressividade e agressão, basquetebol, ginástica, treinador,
desenvolvimento motor, socialização do treino, futebol, competição,
testes e psicodiagnósticos e outros (BRITO, 1990). Portanto, abaixo,
segue a Quadro n°1, retratando os temas mais dominantes na
investigação em Psicologia do Desporto.
Quadro n°1: Temas dominantes na investigação da Psicologia do Desporto
(BRITO, 1990)
n° Área de investigação N = 378 (%)
1 Personalidade 16.06
2 Aplicações da Psicologia do Desporto 15.81
3 Motivação 9.8
4 Stress 9.56
5 Avaliação 9.5
6 Educação Física 6.68
7 Psicossociologia e Desporto 5.87
8 Metodologia do Treino 5.37
9 Atletismo 5.31
10 Agressividade e Agressão 5.31
11 Basquetebol 5.0
12 Ginástica 4.75
13 Treinador 4.1
14 Desenvolvimento Motor 4.1
15 Socialização do Treino 4.1
16 Treino 4.1
17 Futebol 4.1
18 Competição 4.1
19 Testes e Psicodiagnósticos 4.1
Ao longo dos anos, a Psicologia do Desporto tem-se desenvolvido
lentamente e faz-se de acordo com as dinâmicas que se estabelecem
entre a academia, o poder político e a economia dos vários países
(VASCONCELOS-RAPOSO, 1993). Em Moçambique, por
exemplo, começou a notar-se os primeiros sinais de interesse na
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 139
pesquisa e aconselhamento em Psicologia do Desporto entre os finais
da década de 90 e início dos anos 2000 com o envolvimento de
docentes e estudantes do curso de Educação Física e Desporto da
então Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto
(FCEFD) da Universidade Pedagógica (UP), actualmente Faculdade
de Educação Física e Desporto (FEFD). Este fenómeno foi
exclusivamente motivado por docentes formados no exterior cujos
seus trabalhos científicos de culminação do curso estavam
meramente relacionados com a Psicologia do Desporto.
Por outro lado, pode afirmar-se que até ao ano 2014, a FEFD e os
departamentos ao nível das delegações da UP, hoje subdivididas e
inseridas em cinco universidades (Universidade Pedagógica de
Maputo, Universidade Save, Universidade Licungo, Universidade
Pungué e Universidade Rovuma), eram as únicas instituições de
ensino no país envolvidas na pesquisa e publicação de artigos em
Psicologia do Desporto, com abundância de temas relacionadas com
a motivação, auto-estima, imagem corporal, ansiedade e factores
emocionais, stress e liderança. A investigação na área da Psicologia
do Desporto em Moçambique tem como referências e tendências ao
modelo português, por um lado, devido à facilidade linguística na
revisão da literatura e por outro lado terem-se formado
moçambicanos com professores daquele país.
Em Moçambique, exceptuando os académicos (docentes e estudantes
universitários), nota-se um fraco envolvimento dos profissionais do
desporto, nos eventos, estudos científicos e aconselhamentos-
intervenções no âmbito da psicologia desportiva, com principal
ênfase aos futebolistas profissionais. Doravante depois da
independência o extinto Instituto Nacional de Educação Física
(INEF) ter realizado ensaios de intervenção de aplicação de
Psicologia do Desporto através do Prof. Henrique Querol na década
nos anos 80. Este trabalho recebeu impulso notório com as primeiras
pesquisas nacionais significativas, como se disse, com criação da
Faculdade de Educação Física e Desporto (FEFD) da Universidade
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 140
Pedagógica de Maputo, Escola Superior de Ciências do Desporto
(ESCIDE) da Universidade Eduardo Mondlane, Instituto Médio do
Desporto e Educação Física de Moçambique (IMEDE) em 2016 e
recentemente com a criação das Universidade Rovuma, Universidade
Pungué e Universidade Save.
As recentes janelas de pesquisas abertas por estas instituições
poderão contribuir significativamente para o aumento do número de
estudos, publicações científicas, intervenções e eventos no domínio
da Psicologia do Desporto e Exercício em Moçambique. Nos dias de
hoje, com o desenvolvimento da psicologia geral e da psicologia do
desporto em particular, é reconhecida a importância dos métodos e
das técnicas de avaliação das medidas psicológicas, consagradas
actividades eminentemente especializadas, com ênfase na avaliação e
não na testagem.
2. Considerações finais
A abordagem da aplicabilidade da Psicologia do Desporto e do
Exercício em Moçambique demonstra que após a independência
ouve correntes académicas nas extintas Escolas de Educação Física
de Maputo, Escolas de Educação Física de Quelimane e Instituto
Nacional de Educação Física. Ouve a compreensão da alocação da
disciplina nos cursos de formação de Professores e técnicos
desportivos. Este facto recebeu impulso significativo na aceitação da
Psicologia do Desporto e do Exercício nos cursos de bacharelato,
licenciatura, mestrado e doutoramento ministrados nas várias
instituições académicas em Moçambique. Adjacente a leccionação,
tem-se assistido publicações de temáticas da Psicologia do Desporto
e do Exercício em forma de palestras, posters, monografias,
dissertações, teses e artigos nos eventos nacionais e internacionais.
Contudo, a intervenção psicológica continua deficitária embora e não
esturrada.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 141
Referências Bibliográficas
ARAÚJO, Duarte. Definição e história da psicologia do desporto.
In: Serpa, S. e Araújo, D. Psicologia do Desporto e do Exercício,
Lisboa: FMH Edições, 2002.
BRITO, António. Psicologia do Desporto. Panorâmica:
Desenvolvimento, Principais áreas e aplicações. Investigação ao
nível internacional e em Portugal. Ludens. vol. 12. n°2. 1990.
FELTZ, Deborah. The nature of sport psychology. ln: T. Horn (Ed.)
Advances in sport psychology. Champaign: Human Kinetics,
1992.
FONSECA, António. A FCDEF-UP e a Psicologia do Desporto:
Estudos sobre motivação. Porto, Portugal: Editora da
Universidade do Porto, 2001.
GILL, Diane e WILLIAMS, Lavon. Psychological dynamics of sport
and exercise. 3 ed. Champaign-IL. Human Kinetics, 2008.
SINGER, Robert. Sport Psychology: an integrated approach. In:
Serpa, S.; Alves, J.; Ferreira, V. E Brito, A. Proceedings of the
8th world congress in sport psychology. Lisboa, Faculdade de
Motricidade Humana, 1993.
TENENBAUM, Gershon & MORRIS Tracy. Sport and Exercise
Psycholgy. ln Vade Mecum. 2. ed. Directory of Sport Science, I
CSSPE, C1EPSS, 2000.
VASCONCELOS-RAPOSO, José. Os factores psico-socio-culturais
que influenciam e determinam a busca da excelencia pelos atletas
da elite desportiva portuguesa. Tese de doutoramento nao
publicada, Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro, Vila
Real, 1993.
VASCONCELOS-RAPOSO, José e ARANHA, Ágata. Algumas
considerações sobre treino metal. In J. Garganta (Ed.),
Horizontes e órbitas no treino dos jogos desportivos (pp. 111-
131). Centro de Estudos dos Jogos Desportivos – Faculdade de
Ciências do Desporto e de Educação Física. Porto, Universidade
do Porto, 2000.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 142
WEINBERG, Robert e GOULD, Daniel. Fundamentos da Psicologia
do Esporte e do Exercício. 6. ed. Porto Alegre, ARTMED, 2017.
WEINBERG, Robert e GOULD, Daniel. Fundamentos da Psicologia
aplicada ao exercício e ao esporte. 5. ed. Porto Alegre,
ARTMED, 2001.
WEINBERG, Robert e GOULD, Daniel. Fundamentos da psicologia
do esporte e do exercício. 4 ed. Porto Alegre, ARTMED, 2008
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 143
Interculturalidade, Actividade Física e Desporto em
jovens moçambicanos
1
Vicente Alfredo Tembe
2
Alberto Graziano
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
O jovem que se faz presente às actividades físicas e desportivas
possui potencialidades culturais, diferenciando-se em seu conteúdo,
qualidade, quantidade, padrões e formas da utilização,
principalmente em função das condições materiais, factores
económicos e suas consequências como tempo livre e instalações
desportivas. O presente ensaio tem como finalidade explanar os
aspectos culturais do jovem que se apresentam para a prática de
desporto e exercícios físicos. Partindo da convivência nas
comunidades, com intuito de recolha de dados para as pesquisas
psicossociais, emergiu o arrolamento dos aspectos culturais inerentes
às actividades físicas. Assim, em certas comunidades existem a
tendência cultural de discriminar as actividades físicas dos jovens,
facto que deve ser equacionada na mobilização destes para o
desporto e exercícios físicos.
Palavra-chave: Interculturalidade, actividade física, jovem
Introdução
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 144
O desenvolvimento das ferramentas de produção, as tecnologias de
informação e comunicação, a vida rotineira, o sedentarismo dos
indivíduos estimulou, nos últimos anos, a recorrência destes aos
exercícios físicos como meio de satisfazer as necessidades físicas e
psíquicas. Hoje em dia, nos jardins, nas piscinas, nos ginásios e nas
ruas regista-se um número considerável de jovens a praticar
exercícios físicos com as mais diversificadas motivações.
Já CRATTY, em 1973, defendia que os juízos, pelos quais os
indivíduos desempenham qualquer acção ou fazem algo, são
extremamente variáveis e difíceis de serem reduzidos a conceitos
rígidos. Não só as razões que levam os indivíduos a praticarem
exercício físico são diferentes, como também o são os motivos que os
fazem permanecer nessa ou noutra actividade. Cabendo aos
promotores da mobilização desses indivíduos, compreenderem e
adequarem os aspectos culturais na motivação para exercício físico e
desporto. É sabido, por exemplo, que o desporto é um fenómeno
humano estritamente ligado ao mito, à religião, e particularmente à
cultura, e que contribui para a transformação do homem (COSTA,
1992 e BARROS, 2014).
Por isso, e concordando com VYGOTSKY (1989), o
desenvolvimento não pode ser separado do contexto social onde a
cultura afecta a forma como o indivíduo pensa e o que pensa. A
cultura exerce uma pressão no indivíduo e que o conhecimento do
indivíduo advém da sua experiência social.
Desta forma, podemos dizer que todos nós possuímos graus de
cultura, diferenciando-se, na actualidade, em seu conteúdo, em
qualidade e quantidade, em padrões e formas de utilização,
principalmente em função das condições materiais, factores
económicos, e suas consequências, como tempo livre e instalações
desportivas.
As características supracitadas marcam as diferenciações de
mentalidade de comportamentos, que acontecem por intermédio da
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 145
educação, escolarizada ou informal, em função da divisão social do
trabalho e de factores de poder (VYGOTSKY, 1989). De notar que
na divisão social em classes verificam-se diferentes níveis culturais
daí que é frequente referir-se a cultura como sinónimo de erudição
(VALSINER, 2012 e KELMAN, 2010). Por sua vez, a erudição, é
relacionada a realidades mais elevadas, como delicadeza,
conhecimentos, aceitando que a pessoa culta seja aquela que se
expressa correctamente, fala vários idiomas, aprecia artes, como
pintura, escultura, teatro, música clássica e desporto.
Com o intuito de compreendermos a inserção das actividades físicas
na cultura moçambicana achamos pertinente abordarmos a
interculturalidade. A abordagem é inspirada no modelo ecológico da
prática desportiva proposto por VASCONCELOS-RAPOSO
(1993:216) quando refere que “o desenvolvimento desportivo tende a
ocorrer nos centros urbanos, e os requisitos para que um atleta se
integre na alta competição prendem-se com vários domínios de
ordem sociocultural, daí a necessidade de melhor entendermos o
impacto que os factores demográficos podem ter e,
consequentemente, como afectam a quantidade e a qualidade dos
talentos desportivos”.
Desta forma, iremos abordar os factores culturais ligados à religião,
habitação, deficiência e língua que interferem nas actividades físicas
dos jovens., objectivando explanar os aspectos culturais do jovem
que se apresentam para a prática de desporto e exercícios físicos.
1. Desenvolvimento
No estágio actual de desenvolvimento de Moçambique os factores
culturais das comunidades tendem a interferir positivamente ou
negativamente na utilização das actividades físicas e desportivas.
Pode-se considerar factores culturais positivos quando propiciam a
presença dos intervenientes na exercitação físicas dentro dos
parâmetros pedagogicamente aceites. Em contrapartida pode-se
considerar que os factores culturais são negativos quando inibem o
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 146
indivíduo de usufruir dos ganhos psicossociais e biológicos que as
actividades físicas proporcionam.
As actividades físicas corporizam o esforço permanente do homem
em alargar as fronteiras das suas forças, das suas capacidades e das
suas habilidades; corporizam o mundo imenso das emoções que são
internas às situações de prova, de experimentação, de risco, de
desafio do que é superior, e ainda, do equilíbrio físico e psicológico.
Ademais, a prática das actividades físicas constitui um dos factores
fundamentais e eficazes na educação corporal e psicológica e uma
conformação básica de preparação do homem para a vida com
relevância significativa tanto para o trabalho, como para todas as
outras formas socialmente necessárias da actividade humana. Daí que
no desenrolar e desenvolvimento das acções das práticas físicas, os
indivíduos através dos sentimentos que resultam do controlo que
exercem sobre o seu próprio corpo encontram nelas um meio
privilegiado para experimentarem alegria, satisfação e realização
pessoal.
Nas sociedades contemporâneas promove-se a ideia do direito à
prática desportiva. No entanto, quando tomamos em consideração as
diferenças sociais, logo se torna evidente que há um conjunto de
factores que se apresentam como barreiras ao acesso às práticas das
actividades físicas.
Se tomarmos em consideração as diferenças entre meios urbanos e
meios rurais na compreensão e interpretação das actividades físicas,
parecem pouco explorados os condicionalismos que podem advir das
variáveis socioculturais ligadas à religião, à habitação, à deficiência
física, ao estado civil, à migração e à linguagem.
Relativamente à religião ela pode ser equacionada como um factor
activo e essencial das dinâmicas culturais e políticas que estão
transformando o sentido do vínculo social e do político (BURITY,
2008). Por exemplo, a presença da igreja cristã em Moçambique
simboliza a chegada dos valores culturais do ocidente. O seu
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 147
enraizamento acompanhou o engajamento de várias instituições de
ciência e da política. Na conjugação das actividades dessas
instituições, surgiu uma parte do mosaico cultural moçambicano.
No grupo das igrejas cristãs em Moçambique realçamos a existência
da igreja tradicional (entende-se católicos e protestantes) e as seitas
cristãs (entende-se os grupos com interpretação tendenciosa dos
pensamentos cristãos) (TEMBE, 2006). Na visão cristã, o bem e o
mal estão devidamente definidos e cabe aos indivíduos seguir estes
ensinamentos. Os vícios e as fraquezas são expurgados da concepção
do Eu que esta orientação obedece. Este facto leva ao contraste entre
o Eu-verdadeiro e o Eu-não-verdadeiro. De salientar que aqui o Eu
humano é descrito como uma imagem limitada que rejeita a
complexidade do ser humano e obedece a igreja. Um dos
ensinamentos prevalecentes nestas seitas cristãs moçambicanas é a
conjugação do Eu verdadeiro e eu-não-verdadeiro. Contrariamente a
outras visões, o Eu verdadeiro afigura-se como submissão do homem
aos ideais dos pregadores e eu-não-verdadeiro afigura-se como
defensor da interpretação complexa da vida humana.
Este pensamento faz-nos recordar sobre os pensamentos medievais
dominantes onde o culto à beleza física ou toda a preocupação com o
corpo, sob perspectiva estética, era encarada como um reflexo do
paganismo, e era proibida, enquanto a alma (entende-se via religião)
era tido como o sinónimo de um indivíduo “São” (entende-se quem
obedece a igreja). Esta parte de pensamento de Platão é doravante
actualizada quando deparamos com certas seitas religiosas que
consideram as actividades culturais, por exemplo, danças tradicionais
e desportivas como actividades não recomendáveis para os jovens
das suas seitas porque valorizam o corpo.
Quanto à corrente religiosa muçulmana, ela, em muitos momentos, é
vista como um contraste da civilização ocidental. A sua inserção em
Moçambique remonta aos tempos antes da chegada do Vasco da
Gama. As lendas e história contam que quando Vasco de Gama
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 148
chegou a uma das ilhas moçambicanas (Ilha de Moçambique), em
1497, pediu encontro com um indivíduo influente tendo-lhe sido
indicado o Xeique de nome Mussa-Bin-Bique, daí nasceu o nome
Moçambique (SANTOS, 1990).
As manifestações desta religião são notórias na discriminação do
comportamento de acordo com género o que sobremaneira influencia
na participação das mulheres em exercícios físicos. Sendo esta, uma
das proibições evidentes que se manifesta na relação corpo-mente da
mulher. Para esta religião o corpo da mulher constitui um património
do seu marido e é ao homem como representante do Supremo que a
mulher deve a obediência. O pensamento desta religião assume uma
significativa importância se atendermos à sua inserção na sociedade
moçambicana. Daí que os motivos para a prática dos exercícios
físicos, nesta comunidade, tenderão a ser influenciados pelas normas
religiosas que são representadas pelo modo de comportamento
imposto.
No que concerne às crenças animistas podemos verificar que
constituem uma manifestação que se enraizou em Moçambique antes
das religiões cristãs e muçulmanas entre outras. O termo animista
pode ser visto como fenómeno de manifestações religiosas
tradicionais africanas de milhares de etnias, heterogéneas e
complexas, mas com elementos que as unem (PARADISO, 2015).
Paradoxalmente no passado recente, da dominação colonial em
Moçambique, as crenças animistas tiveram explicações demonizadas,
sinónimo de vida primitiva.
Nas crenças animistas o corpo depende da mente, e na natureza
existem representantes da mente. Estas crenças advogam que a
pessoa, uma vez morta, torna-se o “todo poderoso” para os vivos pelo
que estes devem vassalagem. Pelos vistos, a crença é maleável, e
estes tendem a interpretar duma forma empírica os fenómenos sociais
e da natureza com vista a satisfazer os seus crentes.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 149
As comunidades crentes animistas criam no indivíduo uma
personalidade de adesão. Todos os actos estão baseados em normas
pré-estabelecidas. O papel do indivíduo não é outro senão o de aderir
ao pré-determinado. Atendendo a que as mudanças são lentas e
tendencialmente tomam forma em movimento de carácter regional, a
crise e/ou o desequilíbrio aparecem em proporções restritas e
reduzidas. O jovem, nestas comunidades, não foge à influência da
mesma. As suas potencialidades, o seu vigor físico, a sua
agressividade, os seus impulsos violentos são amoldados, e
amenizadas neste ambiente. Daí que o jovem adquire uma
personalidade de adesão, de culto à tradição, à autoridade e aos
valores consagrados, permanentes e invioláveis. O jovem sujeita se
em aderir antes de decidir, sujeita se a obedecer antes de dialogar e
sujeita se a aceitar antes de duvidar.
Nas crenças animistas a distância entre os adultos e os jovens é
reduzida, e, o estado de adulto é uma aspiração dos jovens
dependendo do sexo. Realça-se que a ocorrência do sexismo pode
propiciar a desvantagem na base do seu género e onde as mulheres
tendem a ser as mais afectadas (NETO, 1998). Embora as sociedades
tendem a ter leis que limitam a inserção social na base de género, em
certas comunidades moçambicanas esta prática prevalece. Nos
ambientes empobrecidos tendem a se atribuir estatutos pouco
dignificantes a mulheres. Também tende a se discriminar o acesso às
actividades físicas o que representa o prelúdio da discriminação ao
emprego, cargos sociais e profissionais. Tradicionalmente, as crenças
animistas, duma forma assinalável, não são hostis a manifestações
religiosas e consequentemente não o são em relação às actividades
desportivas.
No prosseguimento da explanação da interculturalidade, na
componente associada aos pensamentos em relação à prática de
actividades desportivas, temos a vertente habitação. Esta atenção
deve-se em parte por uma simples razão presenciada aquando da
recolha de dados de pesquisa para vários estudos.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 150
A habitação é uma das necessidades básicas, que toda a população
moçambicana procura satisfazer. Podemos até considerar como uma
necessidade social elementar. As características físicas das
habitações, especialmente o material de construção e o acesso a
serviços básicos, são indicadores importantes do nível de vida dos
agregados familiares e dos seus membros. As características do
parque habitacional na sociedade moçambicana constituem um
indicador bastante relevante do nível de desenvolvimento
socioeconómico. Nas zonas rurais, onde reside uma parte
considerável de moçambicanos, a habitação predominante é a
palhota. A este facto alia-se a falta de instalações desportivas, por
mais elementares que fossem. Ora, se existem estas carências, até que
ponto o meio socioeconómico influencia a formação do
comportamento, em especial as motivações para prática de
actividades desportivas. A condição da habitação e instalações
desportivas deve ser interpretada no âmbito cultural e económico.
As actividades físicas possibilitam maior mobilidade e autonomia,
melhoram no humor e desenvolvimento social dos indivíduos dos
vários extractos sociais (OLIVEIRA & OLIVEIRA, 2013). Nas
comunidades moçambicanas existem indivíduos com deficiências,
cujo número é compreensível se tomarmos em consideração os
conflitos armados experimentados no país durante as últimas
décadas.
“Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de
longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os
quais, em interacção com diversas barreiras, podem obstruir sua
participação plena e efectiva na sociedade em igualdades de
condições com as demais pessoas” (ONU, 2006: artigo 1). Este dado
é deveras importante se tomarmos em consideração o aparato que
rodeia o afectado a nível comportamental. Até que ponto os jovens
que possuem contactos com as pessoas portadoras de deficiência
lidam com as actividades físicas e o desporto? Este facto tem sido
presenciado com preocupação nas zonas rurais. Nestas zonas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 151
verificamos que o deficiente é em muitos casos encarado como
vingança dos defuntos (entenda-se como se referindo a outras
mentes) ao indivíduo ou família. Este facto, para um jovem
pertencente a uma família com esta percepção, constitui um
indicador que deve ser leal às crenças familiares (animistas) ou certas
seitas. Daí que estas seitas, no nosso entender, constituem parte da
socialização que influencia a formação da personalidade do jovem.
Num outro passo devemos ter em consideração o estado civil ou
conjugal prevalecente em Moçambique. Normalmente, são o pai e
mãe os primeiros modelos comportamentais de uma criança, pois, a
eles cabe o papel de reforçar algumas formas ou normas para o
comportamento e desencorajar outras. Só dessa maneira vão
ajudando a determinar os hábitos e valores dos seus filhos e da
sociedade em geral, promovendo a conformidade comportamental.
Pode-se considerar o estado civil ou conjugal como uma
característica sócia demográfica básica das populações
moçambicanas e que abrange aspectos biológicos, sociais,
económicos, legais e religiosos. A composição da população
moçambicana, segundo esta variável, é o resultado de três eventos
vitais:
1) O primeiro evento é a união relativamente permanente de
duas pessoas de sexo oposto com o propósito de constituir uma
família. Quando a união tem um carácter legal, designa-se por
casamento ou matrimónio e quando a união é de facto, por união
marital. Em Moçambique, a união marital envolve um acordo entre
as famílias dos cônjuges. Em muitos casos, na zona sul, essa união
consuma-se em forma de lovolo, uma forma de dar dotes aos pais da
noiva. Neste sentido, não pode ser considerada como uma simples
união consensual, mas sim, como um matrimónio tradicional.
2) O segundo evento é a dissolução da união por decisão de um
dos cônjuges ou de ambos. Quando a dissolução é legal designa-se
por divórcio e quando é de facto, por separação.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 152
3) O terceiro evento é o óbito de um dos cônjuges. O cônjuge
sobrevivente é o viúvo ou a viúva. Estes eventos mudam
permanentemente a distribuição das pessoas por estado civil.
Portanto, o aspecto do estado civil é relevante quando queremos
exercer uma comparação intercultural, pois que entendemos que cada
cultura tem seus valores, códigos de moral e maneiras distintivas de
comportamento, e, é ela que estabelece as regras para o treinamento
da criança e os relacionamentos dentro da família.
Por isso, o ambiente familiar deve ser de protecção, caracterizado por
respeito, afectividade e relação de igualdade. Quando ocorrem lares
desestruturados, autoritários, hierárquicos com rigidez de padrões
morais e sexuais, os seus adolescentes tornam-se mais expostos à
vivência de sofrimento e problemas. Esta vivência danosa vai se
constituir em violência doméstica de índole psicológica.
Nas razões para participação ou abandono nas actividades físicas a
dimensão casamento-prematuros aflora-se inquietante. Citamos
Chiziane (2003:44) - "As minhas mães, tias, avós fecharam-me a
uma semana nesta palhota tão quente e dizem que me preparam para
o património; Falam de amor com os olhos embaciados, falam da
vida com os corações dilacerados, falam do homem pelas chagas
deferidas no corpo e na alma durante séculos; Samau, fecha a tua
boca, esconde o teu sofrimento quando o homem dormir com tua
irmã mais nova mesmo na tua presença, feche os olhos não chore
porque o homem não foi feito para uma só mulher ".
Realmente o casamento prematuro constitui um dos fenómenos
preocupantes no actual estágio de desenvolvimento humano.
Contudo, a sua génese tende a estar ligada às tradições de uma dada
sociedade como se pode perceber no romance "Balada de amor ao
vento" de Paulina Chiziane."Fazem-se cumprimentos e discursos,
dinheiros tilitam. Coloca-se na esteira a cabeça de rapé e o pano
vermelho; exibem-se peças de vestuário, pulseiras, meu Deus, esta é
uma feira, eu estou a venda" (CHIZIANE, 2003:38).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 153
O casamento prematuro pode estar relacionado a factores culturais,
mas também pode estar associado a pobreza. As adolescentes
femininas, pertencentes à camada social de baixa renda, tendem a
começar a trabalhar o mais cedo para ajudar no sustento da família, e,
na maioria das vezes, não estão na escola e não têm casa para morar
(TEMBE, 2006). As adolescentes pertencentes as camadas sociais de
baixa renda tendem a começar a trabalhar o mais cedo para ajudar no
sustento da família, e, na maioria das vezes, não estão presentes na
escola (TEMBE, 2010). Essas adolescentes conhecem pouco ou
mesmo não conhecem o outro lado da vida deste mundo acelerado no
seu desenvolvimento, principalmente nas TIC`s (Tecnologias de
Informação e Comunicação?) e também nas actividades desportivas.
Não poucas vezes as adolescentes, fogem de casa e vão morar com
seus companheiros, mas terminam abandonadas pelo parceiro
imaturo e incapaz de assumir responsabilidades, e, com um filho nos
braços, voltam então a morar com os pais, onerando ainda mais a
renda familiar já escassa (TEMBE, 2006). Neste caso, essas jovens
mães vão ficar na dependência financeira dos pais, esquecem os
estudos, o desporto, afastam se do grupo de pares, ajudam nos
afazeres de casa, cuidam dos irmãos menores e do filho, enquanto
outros membros da família trabalham, transformando de forma
abrupta as perspectivas de vida da adolescente. Estes adolescentes
constituem uma falange problemática para inserção nas actividades
desportivas.
Desta forma, mais uma vez, subscrevemos a ideia de que a cultura
influencia a personalidade, porque através de um processo
“socializante” e “enculturante” ditam se inúmeras características que
um indivíduo adquire.
Outra característica saliente na formação do comportamento do
jovem moçambicano é a prevalência de deslocamento das populações
vistas como migrações internas. “As migrações internas
correspondem ao deslocamento de pessoas dentro do próprio país e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 154
as migrações internacionais ao deslocamento de pessoas para outro
país” (BOA, 2016:11).
A migração que deve ser vista como um fenómeno social e
demográfico complexo com várias características (SALIM, 1992;
DAVIS, 1989; DMITRI, 2010 FAZITO, 2010). Ela pode ser
significativa se tomarmos em consideração que, devido às
calamidades naturais e a recém-terminada guerra civil, se assiste a
este fenómeno, que duma forma directa afecta na formação da
personalidade do jovem moçambicano. Outrossim é a formação da
personalidade do jovem que num período, por exemplo, da
adolescente vem se confrontado com mudanças constantes de
residência. Este facto poderá influenciar os motivos para a prática das
actividades desportivas considerando que os hábitos culturais
influenciam a formação da personalidade.
Outro factor a ter em consideração na interculturalidade
moçambicana é a linguagem das suas comunidades. Umas linguagens
que são vistas como a capacidade de os seres indivíduos
comunicarem-se por meio de um sistema de signos (FIORIN, 2009).
Embora a língua portuguesa seja a língua oficial do país, existe uma
enorme diversidade de idiomas. Nos vários trabalhos de campo foi
possível estar-se presente em territórios que falava Yao, Makonde,
Makua-Lomwe, Nyanja, Chuabo, Chewa, Shona, Changana-Ronga,
Ki-Swhahil, Bitonga e Chopi.
Para a maioria da população, estes idiomas nacionais constituem a
sua língua materna e a mais utilizada na comunicação diária. Este
factor leva-nos a enfatizar que o jovem moçambicano, como
qualquer ser humano, nasce com inesgotáveis potencialidades
intelectuais e fica exposto a um processo de aprendizagem e de
realizações culturais durante toda a sua existência, e só entra no
universo de compreensão e afirmação como ser no mundo, ser de um
povo e de uma sociedade ou comunidade quando usa
intencionalmente uma linguagem tornando-se, desta forma, detentor
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 155
de cultura. Daí que, só possuindo uma determinada língua, o homem
passa a criar e cultivar o seu universo cultural, e mostrar o que é
capaz de fazer, as obras de cultura que proporcionam ao património
espiritual do povo, da sociedade, da nação e da humanidade. Para
nós, a cultura deve ser entendida na perspectiva de que os indivíduos
aprendem a criar os objectos, a conviver e a expressar a sua condição
humana.
Nesta ordem de ideia, todo o indivíduo possui cultura, tal como esta,
está expressa, no quotidiano do tempo histórico as diferentes
manifestações culturais que aprende como, por exemplo, a cultura do
artesão visto nas zonas rurais, a cultura de quem pratica o desporto, a
cultura enciclopedista, a cultura religiosa etc. Desta forma é
considerado a língua neste aspecto que podemos afirmar que ele é um
vínculo transmissor da educação, parte da cultura, de geração em
geração.
Os motivos para a prática desportiva são uma das expressões que a
cultura, como sistemas de símbolos, assume quer nas suas formas
mais pristinas quer nas que reflectem as eventuais aculturações a que
os grupos sociais estão sujeitos, face ao maior ou menor contacto que
mantêm com outros agentes culturais (TEMBE, 2006). Também
podem se manifestar, como quando vão trabalhar para outros lugares
ou até mesmo sob a influência dos que regressam após terem-se
ausentado por algum período de tempo para outros países.
De acordo com as particularidades da interculturalidade aqui
mencionadas, em especial na área demográfica e na vasta cultura
moçambicana, urge resumirmos a maneira como se desenrola a
adolescência nas diferentes zonas de Moçambique.
É incontestável que as relações entre adolescentes e adultos tendem a
ser diferentes, segundo os hábitos culturais de cada zona ou
província. Em certas comunidades moçambicanas, ligadas à tradição,
a duração do período de adolescência é determinada pelos ritos de
iniciação ou de passagem que variam de uma etnia para a outra.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 156
Também, no que concerne aos modos predominantes de enculturação
e socialização, certas etnias favorecem a que a educação do
adolescente se realize no seio da sua comunidade e não no lugar
doutra comunidade.
Esta questão é particularmente actual no que diz respeito aos
adolescentes sujeitos a movimentação ora como deslocados de guerra
ou de calamidades naturais. De notar que em Moçambique, é saliente
a diferença entre adolescentes que vivem numa determinada zona
desde a nascença ou desde a mais tenra idade, e os que deixaram a
sua zona de origem no início ou meio de adolescência. Para os
primeiros, ou o adolescente está especialmente bem integrado no
meio social em que vive desde a infância, ou a procura da sua
diferença e originalidade leva-o a interrogar-se sobre as suas origens.
Nesta situação o jovem viverá um conflito identificatório no qual o
biculturalismo desempenhará um lugar importante. Para os segundos,
a situação será diferente se a vinda para a zona de acolhimento for
desejada ou forçada. Se for desejada, a passagem da cultura de
origem para o novo meio social será de certa maneira para o jovem
uma fonte de dificuldades, mas as diferenças e os possíveis conflitos
culturais serão vividos de uma forma dinâmica e positiva. Em
contrapartida, se este deslocamento e fixação tiverem sido forçados
por razões familiares ou conjunturais, o biculturalismo pode tornar-se
um ponto de fixação penosa, tornando muito conflituosa as relações
do jovem com a sua família e o meio social que o circunda.
O jovem deslocado pode, de facto, apreender o novo espaço para
onde foi levado como um espaço amputado, uma redução do seu
campo potencial. O jovem nestas condições arrisca-se então a uma
projecção persecutória sobre o espaço presente, que se traduz pela
hostilidade para com a nova zona de residência ou província. O
jovem sujeito a estas mudanças arrisca-se igualmente a não
relacionar as suas dificuldades às novas condições socioculturais e a
idealizar o espaço perdido.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 157
O tempo vivido pelos jovens nesta condição é dominado pelo
sentimento de que o presente está suspenso. Este é apenas colocado
entre o tempo passado, marcado por nostalgia, pelas angústias, por
vezes mesmo pela culpabilidade (por ter deixado uma parte da sua
família e ambiente) e o tempo futuro, marcado pela expectativa, mas
acima de tudo, pela angústia do lugar de acolhimento.
Por outro lado, a identidade do jovem, onde se encontram inseridas
as raízes familiares e culturais, mas também o reconhecimento de si
através da sua própria imagem social e da que os outros reflectem,
têm a característica anterior. Este conflito corre o risco de se
organizar em torno da ausência. Os adolescentes sujeitos a estas
condições, mostram como um espaço de segurança, composto por
imagens familiares, é fundamental ao indivíduo. As ideologias
políticas ou religiosas, os hábitos culturais, os laços familiares que
unem os adolescentes à volta das raízes constituem outros tantos
meios para reencontrar este espaço de segurança.
2. Considerações finais
Certas comunidades moçambicanas discriminam as actividades
físicas e a razão pode ser encontrada abordando aspectos culturais.
A explanação da interculturalidade em que estão inseridos os jovens
e que acabamos de expor torna-se pertinente para alargar a
compreensão do ambiente que rodeia a participação dos jovens em
determinadas actividades físicas.
Assim, considera-se aceitável considerar, por exemplo, aspectos da
religião, habitação, migração, deficiência e língua como factores
adjacentes a psicometria do desporto a serem equacionados quando
se procura a motivação para a participação em actividades físicas nas
comunidades moçambicanas.
Os conhecimentos da relação das actividades físicas e desportivas
com factores culturais que o jovem acumulou ao longo de anos
tendem a estar fixados na consciência de uma forma dispersa. O
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 158
jovem, principalmente o adolescente, luta por ordenar os
conhecimentos e experiências acumuladas de uma forma lógica.
Um problema que deve merecer a atenção por parte dos
mobilizadores que trabalham com jovens, que tiveram dificuldades
em assimilar correctamente aspectos da religião, migração,
habitação, deficiência e língua, pois podem e a apresentação dos
níveis de autoconceito baixo e do desenvolvimento das actividades
socialmente não aceites como, por exemplo, a delinquência e
consumo de drogas. Nas comunidades devem-se criar programas com
temáticas socialmente aceites para propiciar pensamentos aceitáveis
socialmente como teatro educativo, desporto, arte, visita de estudos a
lugar históricos, palestra com personalidades de dada comunidade,
maneio aceitável dos recursos naturais entre outros.
Referências Bibliográficas
BARROS, F. C. [Link] desportos de adaptação ao meio, numa vertente
aplicada, tendo em conta predominantes as especificidades da
escola e do turismo no quadro da RAM. Teses de Doutoramento.
Universidade da Madeira. [Link]
2014.
BOA, A.F.P. As causas/motivações da emigração dos profissionais
de soldadura. Dissertação de Mestrado em Gestão Estratégica de
Recursos Humanos. Escola Superior de Ciências Empresariais.
Setúbal, 2016.
BURITY, J. A. Religião, política e cultura. Tempo Social, 20 (2), 83-
113. 2008. [Link]
CHIZIANE, P. Balada de amor ao vento. Editora Caminho. Lisboa,
2003.
COSTA, A. Desporto e análise social. Separata da Revista da
Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Vol. II, 101-109.
1992.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 159
CRATTY, B. J. Motivation. Movement behavior and motor learning
(3ª ed.).Philadelphia: Ed. Lea & Febier, 1973.
CUNHA, AG. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua
portuguesa. 2ª ed., Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986.
DAVIS, K. Social science approaches to international migration, in
Michael Teitelbaum e Jay Winter (eds.), Population and resources
in western intellectual traditions, Cambridge, Cambridge
University Press, pp. 245-261. 1989.
FAZITO, D. Análise de redes sociais e migração: dois aspectos
fundamentais do "retorno". Revista Brasileira de Ciências
Sociais,25 (72), 89-176, 2010. [Link]
69092010000100007.
FIORIN, J. L. Língua, discurso e política. Alea: Estudos
Neolatinos, 11(1), 148-165. 2009. [Link]
106X2009000100012.
KELMAN, C. A. Sociedade, educação e cultura. In: D. A. Maciel
&Barbato, S. Desenvolvimento humano, educação e inclusão
escolar. Brasília: Editora UnB. 2010.
MESQUITA, R. & DUARTE, F. Dicionário de psicologia. Plátano
Editora. Lisboa, 1996.
NETO, F. Psicologia Social. Universidade Aberta. Lisboa, 1998.
OLIVEIRA, J. H. B. & OLIVEIRA, M. B. Psicologia da Educação
Escolar. 2ª Edição. Livraria Almedina. Coimbra, 2013.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Convenção sobre os
direitos das pessoas com deficiência. 2006.
PARADISO, S. R. Religiosidade na literatura africana: a estética do
realismo animista. Revista estacão Literária. Londrina, Volume
13, p. 268-281, jan. 2015.
SALIM, C. Migração: o fato e a controvérsia. In: Encontro nacional
de estudos populacionais, 8., Anais. Brasília: Abep, v. 3, p. 119-
143, 1992.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 160
SANTOS, C. M. Moçambique Como Centro de Articulação de
Comércio Português do Índico Afro-Asiático. Universidade de
Brasília, 1990. Disponível em: [Link]
TEMBE, V. A. Estudo intercultural dos factores de motivação para a
prática do desporto em jovens moçambicanos em idade escolar.
Tese de Doutoramento. Universidade de Trás-os-Montes e Alto
Douro. Vila Real, 2006.
TEMBE, V. A. Manual da Psicologia de Desenvolvimento. Instituto
Superior Monitor. Maputo, 2010.
UNESCO. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E A CULTURA. Declaração Universal
sobre a Diversidade Cultural. Brasília: UNESCO. 2002.
Recuperado em setembro 3, 2020, disponível em
<[Link]
VALSINER, J. Fundamentos da Psicologia Cultural: mundos da
mente, mundos da vida. Porto Alegre: Artmed, 2012.
VASCONCELOS-RAPOSO, J. Os Factores psico-sócio-culturais
que determinam e influenciam a busca da excelência pelos atletas
da elite portuguesa. Tese de Doutoramento. Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro. Vila Real, 1993.
VYGOTSKY, L. S. (1989). A Formação Social da Mente. São Paulo:
Martins Fontes.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 161
SECÇÃO II: TRABALHOS
APRESENTADOS
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 162
Perfil antropométrico, físico e técnico das jogadoras
de futebol em relação à posição táctica no campo de
jogos em Moçambique, África
1
Angelina Constantino de Deus Dinana
2
Jeremias Deolinda Mahique
3
André Filipe Teixeira Seabra
4
Sílvio Pedro Saranga
1
Universidade Licungo- Moçambique
angelinadedeus@[Link]
2,4
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
3
Universidade do Porto- Portugal
Resumo
Introdução: as jogadoras tendem a apresentar um perfil
antropométrico, físico e técnico de acordo com a sua posição táctica
no campo jogos, realidade que carece de estudo no futebol feminino
de Moçambique. Objectivo: comparar o perfil antropométrico, físico
e técnico de jogadoras de futebol Moçambicanas de acordo com as
posições tácticas ocupadas em jogo. Métodos: participaram no estudo
61 jogadoras (20.7±4.70 anos idade) voluntárias, todas inscritas nas
Associações Provinciais de Futebol na época 2016/2017. O estudo
transversal ocorreu no meio da época desportiva. Procedeu-se à
avaliação das (i) medidas somáticas (peso, altura, massa magra e
gorda) (ii) componentes da performance física (Resistência,
velocidade, força explosiva dos membros inferiores e flexibilidade) e
(iii) habilidades específicas do futebol (drible em slalom e domínio
da bola. Os dados foram analisados com recurso à one-way ANOVA
no SPSS.20 tendo obedecido os 95 % de intervalo de confiança.
Resultados: O perfil antropométrico (peso, altura e massa isenta de
gordura) foi o único domínio que revelou diferença estatística entre
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 163
as posições tácticas de campo (p<0.05). Não se verificaram
diferenças com significado estatístico nas medidas físicas tal como as
técnicas (p>0.05). A mesma ausência de significância foi observada
nas variáveis técnicas de domínio da bola e drible em slalom.
Conclusão: as Guarda-redes foram mais altas e com maior massa
corporal do que os seus pares das outras posições tácticas de campo,
sugerindo que este seja um dos critérios em uso para se ocupar esta
posição.
Palavras-chave: Futebol, feminino, Antropometria, Aptidão
Funcional, Habilidades.
Introdução
O Futebol é o desporto mais popular do mundo, praticado por
homens, mulheres, crianças e adolescentes, em diferentes níveis de
especialização (Lockie et al., 2018, pp. 334-343). É modalidade
desportiva colectiva que depende da combinação de características
técnico-tácticas, perfil somatótipo e aspectos psicológicos (Vescovi
et al., 2021, pp. 1-12). A composição corporal (massa gorda, massa
magra e massa isenta de gorduras dos desportistas associado as
características físicas e técnicas podem contribuir positivamente para
a performance dos atletas (Ciplak, et al., 2020, pp. 347-353). À
semelhança dos outros desportos, o futebol feminino começa a
ganhar o seu espaço como modalidade desportiva que actualmente
começa a ganhar sua popularidade. Por exemplo, no início do século
XIX, foram registadas mais de 300 jogadoras de futebol federado
pertencentes aos escalões sénior e juniores, número de praticantes
que tende a aumentar de época para época, estimando-se que nos
últimos 15 anos atingiu-se a cifra de 1000 jogadoras inscritas das
federações de futebol mundial (FMF, 2016).Os estudos sobre o perfil
antropométricos dos jogadores de futebol em função da posição
táctica de campo tem sido realizados um pouco por toda parte do
mundo, a exemplo do Japão (Hasegawa e Kuzuhara, 2015, pp. 51-
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 164
57), Turquia (Can et al., 2019, pp. 78-90), Portugal (Leão et al.,
2019), Tunísia (Hammami et al., 2019, pp. 67-74), África do Sul
(Booysen et al., 2019, pp. 121-129; Williams et al., 2019, pp. 433-
443), Tunísia (Kamoun et al., 2020, pp. 130-137), Indonésia
(Firdausi e Simbolon, 2021, pp. 102-109), Montenegro (Goranovic et
al., 2021, pp. 81-87), e Equador (Pesantez et al., 2022, pp. 716-727).
Os principais resultados indicam que as Guarda-redes tem sido
geralmente mais alto que os jogadores das posições centrais tanto
defensivos tal como ofensivo.
Sabe-se, porém que a maioria das pesquisas foram realizados com
homens, e existe pouca literatura acerca das mulheres nesta temática.
Esta realidade tende a ser cada vez mais reduzida para o contexto
africano. Relativamente a Moçambique, existe uma única categoria
de futebol feminino que tem realizados competições regulares. Em
relação a pesquisa, o que é do nosso conhecimento, não existe um
registo da sua realização o que motivou, até certo ponto, a
apresentação da presente proposta que assume como hipótese que as
guardas redes apresentarão um perfil somático superior que os
defesas, médios e avançados, tendência que se alterara para as
medidas físicas e técnicas do futebol. Daí que o presente estudo
pretende caracterizar o perfil antropométrico, funcional e técnico das
futebolistas de diferentes clubes de Moçambique.
1. Material e métodos
1.1. Amostra
A amostra do estudo foi composta por 61 futebolistas amadoras
(20.7±4.70 anos de idades), seleccionada por conveniência com mais
de 7 anos de prática de futebol nos cinco clubes da cidade de Maputo
(Ferroviário de Maputo, Costa do Sol, Benfica de Laulane, Albasine
e Cosmos), na época desportiva 2016/2017. Fizeram parte da amostra
9.8% Guarda-Redes, 39.1 % Defesas, 36.1% Médios e 14.8%
Avançados. O critério de selecção obedeceu aos seguintes elementos:
1) Ser mulher; 2) Ter idade compreendida entre 14 a 35 anos; 3)
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 165
Estar inscrita como jogadora de Futebol na Federação Moçambicana
de Futebol na época 2016/2017; 4) Representar um clube desportivo
da cidade de Maputo e 5) Assinaram o consentimento informado.
1.2. Variáveis do estudo
São variáveis do estudo as dimensões sociodemográficas (idade,
clube desportivo, nível de escolaridade, local de residência, estado
civil); Dimensões antropométricas e da composição corporal (Peso,
altura, índice da massa corporal, Massa gorda, massa isenta de
gordura); Dimensão físicas (resistência, velocidade, Agilidade, Força
explosiva dos membros inferiores e flexibilidade) e Dimensão das
habilidades técnicas (domínio da bola e drible em slalom).
1.3. Variáveis sociodemográficas
Os dados sociodemográficos foram recolhidos através de
administração de um questionário no formato de entrevista.
1.4. Variáveis antropométricas e da composição corporal
O peso corporal foi avaliado através de uma balança de
bioimpendância de marca Tanita (BF-350, Tokyo-Japan). O sujeito
foi colocado na plataforma com o mínimo de roupa desportiva
possível com os braços ao longo do corpo seguindo orientações
padronizadas Ross e Marfell-Jones (1983). A altura foi avaliada com
recurso ao uso do estadiómetro de marca "Secca", modelo 213. Os
procedimentos de avaliação da altura seguiram orientações
padronizadas de Ross e Marfell-Jones (1983, pp. 75-117). O índice
de massa corporal (IMC) foi calculado utilizando a fórmula de
referência (Peso (kg)/Altura2m.) o indicador do IMC foi utilizado
para classificar a massa corporal em baixo peso (IMC <18,5 kg/m 2),
normais (IMC >18,5 - 24,9 kg/m2), sobrepeso (IMC ?25 - 29,9
kg/m2), e obesidade (IMC >30,0 kg/m2) de acordo com as orientações
da WHO (2021). As dimensões da massa corporal magra e gorda
foram estimadas com recurso ao uso das fórmulas propostas por
(Heyward e Stolarczik, 1996, pp. 2-20).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 166
1.5. Variáveis físicas
Os dados físicos foram avaliados com recurso a cinco testes motores;
(1) o teste Yo-Yo (Intermittent Endurance-level I) que avaliou a
resistência cardiorrespiratória seguindo orientações propostas por
Bangsbo (1996); (2) o teste de velocidade de 5 e 30 metros que
seguiu orientações de Kinkerdal (1987, p.553) para avaliar a
velocidade; (3) o teste T foi utilizado para avaliar a agilidade
segundo o procedimento de Semenick (1990, pp. 36-37); (4) o salto
estático e o salto contramovimento foram utilizados para avaliar a
força explosiva dos membros inferiores segundo o protocolo de
Bosco et al. (1983, pp. 129-135); e (5) o teste de sentar e alcançar foi
utilizado para avaliar a flexibilidade do tronco segundo o protocolo
de Brittenham (1995).
1.6. Variáveis técnicas
As variáveis técnicas foram avaliadas com recurso a dois testes, (1)
domínio da bola e (2) drible em slalom segundo o protocolo descrito
pela Federação Portuguesa de Futebol (1986). No teste de domínio da
bola cada jogadora teve direito a duas tentativas registando-se a
melhor tentativa. No teste do drible em slalom cada jogadora teve
que contornar 9 cones equidistantes por dois metros entre eles. Foram
executadas duas tentativas, com três minutos de separação entre as
tentativas, sendo considerada a melhor das duas.
1.7. Análise dos dados
Os dados foram processados na planilha de cálculos do Excel. De
seguida foram importados para o pacote estatístico SPSS versão 20,
no qual as médias e o desvio padrão foram submetidas a análise da
normalidade através do teste Kolmogorov-Smirnov. O teste de
ANOVA, seguido o teste de Post-hoc de Bonferroni, foi utilizado
para comparar os dados das dimensões antropométrica, física e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 167
técnica de acordo com as posições tácticas das jogadoras. O nível de
significância foi fixado em 5%.
2. Resultados
Na tabela 1 estão apresentados os dados sociodemográficos em
médias sobre a idade, anos de prática, número de treino por semana e
número de horas de treino por semana. Independentemente da
posição técnica das jogadoras a similaridade foi observada nestas
dimensões sociodemográfica quando comparadas. Observa-se que a
variável idade e o número de anos de prática favoreceram aos
Guarda-Redes e os Médios que apresentaram valores superiores
relativamente as restantes posições em campo.
Tabelas 1. Resultados sociodemográficos das jogadoras de futebol
segundo as posições tácticas.
Variáveis Guarda-Redes Defesas Médios Avançados F p
(n=6) (n=24) (n=22) (n=9)
Idade 23.5 ± 6.50 20.1 ± 4.04 21.1 ± 4.67 19.6 ± 5.18 1.04 0.378
Anos de prática 8.8 ± 3.66 6.7 ± 3.69 8.8 ± 4.12 7.7 ± 5.15 1.12 0.348
Nº treinos/sem 2.7 ± 0.52 2.9 ± 0.20 2.9 ± 0.21 3.0 ± 0.00 2.87 0.060
Nº horas/sem 5.3 ± 1.03 5.9 ± 0.41 5.9 ± 0.43 6.0 ± 00 2.87 0.060
Na tabela 2 estão apresentados a informação sociodemográfica dos
clubes desportivos, nível de escolaridades e a zona de residência das
jogadoras de futebol.
Tabela 2. Resultados sociodemográficos
Total (%) %G. redes %Defesas %Médios %Avançados
Clubes Desportivo
Ferroviário Maputo 32.8 50.0 29.2 20.0 44.4
Costa do Sol 19.7 16.7 20.8 25.0 11.1
Cosmos 18 33.3 20.8 25.0 11.1
Benfica Laulane 6.6 0.0 4.2 5.0 0.0
Albasine 23.0 0.0 25.0 5.0 33.3
Nível Escolar
Nível Primário 1.6 0.0 0.0 5.0 0.0
Nível Secundário 93.4 83.3 100 85.0 100.0
Nível Superior 4.9 16.7 0.0 10.0 0.0
Locais Residências
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 168
Urbano 45.9 100.0 33.3 40.0 66.7
Sub-Urbano 54.1 0.0 66.7 60.0 33.3
Os dados antropométricos, da composição corporal, medidas físicas e
técnicas estão apresentadas na tabela 3. Nos resultados
antropométricos os guarda redes apresentam peso corporal e massa
isenta de gordura superior do que os avançados. Adicionalmente os
guarda-redes apresentam maior estatura do que os seus pares Médios
e Avançados. Os Defesas apresentam maior estatura do que os
avançados. Não foram observadas diferenças estatísticas nas medidas
física e técnicas entre as posições táctica das jogadoras de futebol.
Tabela 3. Média (M), desvio padrão (DP), valor da estatística (F) e
valor de prova (p) da diferença entre as posições específicas das
jogadoras.
[Link] Defesas Médios Avançados F p Post-hoc
Medidas antropométricas
Peso (kg) 65.3±12.01 55.9±5.40 56.8±8.22 53.3±8.40 3.164 0.031 G>A
Altura (cm) 164.7±2.81 161.3±4.67 158.6±4.39 156.1±5.78 5.4 0.002 G>M;
G>A
D>A
Massa gorda (%) 27.6±8.80 22.7±4.68 24.1±7.77 22.4±7.98 0.943 0.426
Massa gorda (kg) 18.6±8.62 12.9±3.63 14.2±6.61 12.3±5.69 1.828 0.152
Massa isenta gord (%) 72.5±8.80 77.4±4.63 75.9±7.77 77.7±8.09 0.967 0.415
Massa isenta gord (kg) 46.7±6.89 43.0±2.63 42.6±3.15 39.2±8.02 3.563 0.02 G>A
Í. Massa C. (kg/m2) 24.0±4.08 21.5±1.93 22.6±2.69 21.8±2.32 1.849 0.149
Medidas físicas
Resistência (m) 320.0±138.56 381.7±121.43 407.7±150.50 435.6±222.21 0.812 0.492
Veloc 5 m (m/seg) 1.20±0.67 1.18±0.08 1.21±0.08 1.22±0.08 1.014 0.393
Veloc. 30 m. (m/seg) 5.00±0.31 4.94±0.26 4.92±0.21 5.12±0.41 1.169 0.329
Agilidade (seg) 11.2±0.78 10.9±0.38 10.8±0.54 11.2±0.58 1.541 0.214
[Link] Defesas Médios Avançados F p Post-hoc
Salto estático (cm) 23.1±7.44 24.0±11.82 28.6±11.62 26.5±10.07 0.789 0.505
Salto C-Mov (cm) 27.3±3.23 28.1±5.97 26.3±7.20 27.8±9.36 0.26 0.854
Flexibilidade (cm) 40.2±4.92 42.5±4.33 40.3±4.37 39.2±13.68 0.762 0.52
Medidas técnicas
Dom da bola (toques) 28.7±24.22 17.5±16.31 26.1±22.12 12.9±86 1.577 0.205
Drible em slalom (seg) 20.4±1.19 21.3±2.12 20.2±2.41 18.2±2.53 1.655 0.187
3. Discussão dos resultados
O objectivo da presente investigação foi de comparar o perfil
antropométrico, composição corporal, medidas físico e técnico das
jogadoras de futebol onze da cidade de Maputo em Moçambicanas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 169
tendo em conta as posições tácticas de campo de jogo. Relativamente
as diferentes medidas físicas e técnicas, os nossos resultados indicam
que os guarda redes apresentaram diferenças antropométricas e da
composição corporal superior do que os seus pares médios e
avançados. Resultados similares foram observados nos estudos
realizados por Booysen et al. (2019, pp. 121-129) na África de Sul,
Randell et al., (2021, pp. 1377-1399) que os Guarda-redes são mais
altos e pesados, e os Avançados foram mais pesados
comparativamente aos Médios e Defesas provavelmente porque estas
têm maior massa muscular e registaram diferenças com significado
estatístico. Ainda nesta linha de investigação, Booysen et al. (2019,
pp. 121-129) refere que os Guarda-redes são mais pesados e altos
provavelmente porque percorrem menos distância durante o jogo e
despendem menos energia comparativamente as restantes posições
em campo enquanto que os defesas, médios e avançados percorrem
maior distância e despendem mais energia). Estas características
ajudariam os guarda-redes a exercerem com eficácia a sua posição
específica no terreno do jogo.
No que concerne a composição corporal das jogadoras, os resultados
situaram-se dentro das médias dos estudos realizados por Idrizovic
(2014, pp. 1-15), Martínez-Lagunas et al. (2014, pp. 258-272)
Bajramovi?et al. (2018, pp. 127-130); Goranovic, et al. (2021, pp.
81-87). Portanto, na presente investigação foram encontradas
diferenças com significado estatístico no parâmetro massa isenta de
gordura. Nas restantes variáveis não foram encontradas diferenças
estatísticas (>0.05). No que tange ao Índice de massa corporal (IMC)
entre as posições em campo, os guarda-redes obtiveram melhores
valores, seguidos dos Médios, Avançados e por fim Defesas. Estes
resultados são similares aos observados por Boyseen et al. (2019,
pp. 121-129), corroborando com os resultados da presente
investigação. Da análise dos valores médios do teste de resistência
(yo-yo) nível 1 observados na presente investigação os dados
revelaram que não existem diferenças significativas em relação a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 170
posição táctica das jogadoras em campo e os avançados e médios
foram considerados os jogadores que percorreram a maior distância
comparativamente as restantes posições de jogo. No entanto, estes
resultados são similares aos encontrados por Datson et al. (2014,
pp.1225-1240) com jogadoras de elite da Inglaterra; Haughen et al.
(2014, pp.515-521) com jogadoras da Noruega, Bradley et al. (2014,
pp. 43-54) com jogadoras da Inglaterra; Odsson (2018) com
jogadoras de elite da Islândia; Booysen et al. (2019, pp. 121-129)
com jogadoras semi-profissionais da África do Sul; Kammoun et al.
(2020, pp. 130-137) com jogadoras sub elite da Tunísia). Segundo
FIFA (2016, pp. 9-13) estas diferenças podem ser explicadas pela
posição funcional que cada jogadora desempenha no terreno do jogo
onde os Guarda-redes durante uma partida de futebol caminham 68%
do tempo de jogo, e despendem 3% em actividades que exigem alta
intensidade e sprints entre 0-5 metros. No entanto, os defesas são
considerados os jogadores menos resistentes e menos velozes
comparativamente as restantes posições em campo. Com relação ao
teste de corrida de velocidade não foram encontradas diferenças com
significado estatístico de acordo com a posição em campo e os
defesas foram superiores no teste de corrida de 5 metros e os defesas
nos 30 metros. Estes resultados são similares aos encontrados por
Martínez-Lagunas et al. (2014, pp. 258-272) e Lockie et al. (2018,
pp. 334-343). Em contrapartida estudos realizados por Odsson (2018)
com jogadoras da Islândia e Manson et al. (2014, pp. 308-318) na
Nova Zelândia revelaram que os guarda-redes são mais velozes.
Relativamente aos valores médios obtidos no teste de agilidade em
função da posição em campo demonstraram que as jogadoras Defesas
e Médios foram as mais ágeis e as mais lentas foram Guarda-redes e
Avançados e não foram encontradas diferenças significativas no que
refere a agilidade mediante posições de jogo (p>0.05). Outros
estudos que não registaram diferenças significativas no teste de
agilidade (Hasegawa e Kuzuhara, 2015, pp. 51-57). Portanto, esta
diferença parece associar-se aos níveis competitivos, tempo de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 171
prática e número de horas de treino semanal. No que concerne a força
explosiva dos membros inferiores os Médios obtiveram melhores
resultados no salto estático (28.6 +11.6) cm, seguido dos Avançados
(26.5 +10.1), defesas (24.0 +11.8) cm e por último as Guarda-redes
obtiveram o valor médio muito inferior (23.1+7.4) cm e em nenhum
dos testes foram registadas diferenças estatísticas em função da
posição táctica. Os valores médios obtidos na presente investigação
são próximos dos encontrados por (Pesantez, et al., 2020, pp. 716-
727), com atletas de escalão etário e nível competitivo diferente.
Portanto, os resultados da presente investigação são semelhantes aos
encontrados na literatura com atletas de elite, pois nenhum dos
estudos demonstrou diferenças estatística no salto estático (Lockie, et
al., 2018, pp. 334-343; Booysen et al., 2019, pp. 121-109). Em
contrapartida, o salto com contra-movimento os valores médios
foram alcançados pelos defesas, contudo não existem diferenças
significativas entre os estatutos posicionais. No que tange ao teste de
flexibilidade, de um modo geral os valores médios alcançados em
função da posição funcional das jogadoras favoreceram os Defesas
(42.5±4.3) cm, seguidos dos Médios (40.3±4.4) cm, guarda-redes
(40.2±4.9) cm e por último os Avançados (39.2±13.6) cm com os
piores resultados. Estudo realizado por Firdausi e Simbolon (2021,
pp. 102-109) com jogadoras de elite da Indonésia os resultados
ilustram que não se registaram diferenças significativas (F=0.543, p>
0.05) concordando com os resultados da presente investigação. Em
contrapartida estudo realizado por Nikolaidis (2014, pp. 41-48) os
resultados divergem com os da presente investigação. No que
concerne as habilidades específicas do futebol os resultados obtidos
no presente estudo revelam que não foram encontradas diferenças
estatísticas entre as posições em campo nos testes de habilidades
específicas do futebol e a maior vantagem favoreceu as Guarda-redes
e avançados no domínio da bola e avançados no teste de drible em
slalom (p>0.05). Os defesas foram as jogadoras com menos
desempenho em ambos testes. Portanto, estes resultados verificados
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 172
no domínio da bola estão em concordância com os encontrados por
(Odsson, 2018).
4. Conclusão
Ao nível dos indicadores antropométricos os Guarda-Redes foram
mais altos e pesados relativamente as restantes posições em campo
com diferenças estatísticas entre as posições. Quanto as medidas
físicas os Defesas foram mais ágeis, mais rápidos e jogadoras em
termos globais estiveram com valores próximos aos da literatura nos
testes de velocidade aos 5 e 30 metros, agilidade e flexibilidade. O
teste de resistência foi o único parâmetro motor que as jogadoras
apresentaram valores muito inferiores e aquém da literatura. As
jogadoras apresentaram valores médios no plano técnico nos testes
domínio de bola e drible em slalom a favor de Guarda-Redes e
avançados respectivamente sem diferenças estatísticas entre os
estatutos posicionais.
5. Agradecimentos
Este trabalho de pesquisa não recebeu apoio financeiro externo.
Nenhum dos autores declara conflito de interesse pela contribuição
na investigação. Um agradecimento especial às jogadoras e
treinadores pela cedência dos dados. Os agradecimentos são
extensivos aos colaboradores Afonso Castigo Afonso, Chadreque
Pedro Manhiça e ao Bento Tomás Navesse pelo apoio incondicional
na recolha dos dados.
Referências Bibliográficas
Bangsbo, J (1996). Yo-Yo Test. Copenhagen: HO Storm.
Bajramovi, I. et al., (2018). Differences in the level of morphological
characteristics, speed abilities and aerobic endurance in relation
to the team position of top female football players. Journal of
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 173
Anthropology of Sport and Physical Education, 2(3), 127-130.
DOI: 10.26773/jaspe.180722.
Bradley, P. S., Bendiksen, M., Dellal, A., Mohr, M., Wilkie, A.,
Datson, N., ... & Krustrup, P. (2014). The Application of the Y
o?Y o Intermittent Endurance Level 2 Test to Elite Female
Soccer Populations. Scandinavian journal of medicine &
science in sports, 24(1), 43-54. DOI:
[Link]
Brittenham, G (1995). Complete conditioning for Basketball.
Champaign, IL: Human Kinetics.
Bosco, C., Komi, P. V., Tihanyi, J., Fekete, G., & Apor, P. (1983).
Mechanical power test and fiber composition of human leg
extensor muscles. European journal of applied physiology and
occupational physiology, 51(1), 129-135.
Booysen, M. J., Gradidge, P. J. L., & Constantinou, D. (2019).
Anthropometric and motor characteristics of South African
national level female soccer players. Journal of human kinetics,
66(1), 121-129. DOI: 10.1515/hukin-2017-0189
Ibrahim, C. A. N., YA?AR, A. B., Bayrakdaro?lu, S., & YILDIZ, B.
(2019). Fitness profiling in women soccer: performance
characteristics of elite Turkish women soccer players. Turkish
Journal of Sport and Exercise, 21(1), 78-90. DOI:
10.15314/tsed.510853.
Ciplak, M. E., Eler, S., Joksimovi, M., & Eler, N. (2019). The
relationship between body composition and physical fitness
performance in handball players. International Journal of
Applied Exercise Physiology, 8(3.1), 347-353.
Datson, N., Hulton, A., Andersson, H., Lewis, T., Weston, M., Drust,
B., & Gregson, W. (2014). Applied physiology of female
soccer: an update. Sports Medicine, 44(9), 1225-1240.
Federação Moçambicana de Futebol (2016). Relatórios sobre a
modalidade feminina em Moçambique. Maputo: FMF.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 174
Federação Portuguesa de Futebol (1986). Habilidades e Destrezas do
Futebol - Os Skills do Futebol. Editor aFederação Portuguesa de
Futebol. Lisboa.
FIFA. (2016). Physical Analysis of the FIFA Women´s World Cup
Canada 2015.
Firdausi, D. K. A., & Simbolon, M. E. M. (2020). Physical Fitness of
Female Soccer Players Based on Playing Position. Jurnal
Pendidikan Jasmani dan Olahraga, 6(1), 102-109.
DOI:[Link]
Goranovic, K., Lili?, A., Karišik, S., Eler, N., An?eli?, M., &
Joksimovi?, M. (2021). Morphological characteristics, body
composition and explosive power in female football
professional players. Journal of Physical Education and Sport,
21(1), 81-87.
Hammami, et al. (2019). Physical performances and anthropometric
characteristics of young elite North-African female soccer
players compared with international standards. Science and
Sports, 35(2), 67-74. [Link]
[Link].2019.06.005.
Hasegawa, N. e Kuzuhara, K. (2015). Physical characteristics of
collegiate women's football players. Football science, 12, 51-57.
Haugen, T. A., Tønnessen, E., Hem, E., Leirstein, S., & Seiler, S.
(2014). VO2max characteristics of elite female soccer players,
1989-2007. International journal of sports physiology and
performance, 9(3), 515-521.
Heyward, V e Stolarczik, L. Applied Body Composition Assessment.
Human Kinetics Books. Champaign Illinois, 1996.
Idrizovic, K. (2014). Physical and anthropometric profiles of elite
female soccer players. Med. Sport, 67(4), 1-15.
Kammoun, M. M., Trabelsi, O., Gharbi, A., Masmoudi, L., Ghorbel,
S., Tabka, Z., & Chamari, K. (2020). Anthropometric and
physical fitness profiles of tunisian female soccer players:
Associations with field position. Acta Gymnica, 50(3), 130-137.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 175
Kirkendall D, Gruber J, Johnson R (1987). Measurement and
Evaluation for Physical Educators. Champaign: Human
Kinetics Publishers, Inc.
Lockie, R. G., Moreno, M. R., Lazar, A., Orjalo, A. J., Giuliano, D.
V., Risso, F. G., ... & Jalilvand, F. (2018). The physical and
athletic performance characteristics of Division I collegiate
female soccer players by position. The Journal of Strength &
Conditioning Research, 32(2), 334-343.
Leão, C., Camões, M., Clemente, F. M., Nikolaidis, P. T., Lima, R.,
Bezerra, P., ... & Knechtle, B. (2019). Anthropometric profile of
soccer players as a determinant of position specificity and
methodological issues of body composition estimation.
International journal of environmental research and public
health, 16(13), 2386. DOI:
[Link]
Mara, J. K. (2016). The physical and physiological characteristics of
elite female soccer players [Tese doutoral não publicada].
University of Canberra.
Martínez-Lagunas, V., Niessen, M., & Hartmann, U. (2014).
Women's football: Player characteristics and demands of the
game. Journal of Sport and Health Science, 3(4), 258-272. DOI:
[Link]
Manson SA, Brughelli M, Harris NK. (2014). Physiological
characteristics of international female soccer players. J Strength
Cond Res. 28(2):308-18.
[Link]
Nikolaidis, P. T. (2014). Weight status and physical fitness in female
soccer players: is there an optimal BMI Sport Sciences for
Health, 10(1), 41-48. DOI: 10.1007/s11332-014- 0172-2.
Oddsson, HR (2018). Athlete profile: Basic anthropometry, physical
fitness and specific skill of the Icelandic female youth national
teams. A descriptive analysis [Tese doutoral não publicada].
Reykjavík University.
World Health Organization. Obesity and overweight [Internet].
Geneva: WHO; 2020 [acesso em 30 jan 2021]. Disponível em:
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 176
[Link]
overweight.
Pesantez, R. M. M., Pereira, L. G., Sánchez, D. A. G., Morales, P. P.
R., de la Rosa Fuente, Y. A., & Toro, A. M. C. (2022).
Anthropometric and capacitive analysis of the Ecuadorian
senior national women's soccer team (Análisis antropométrico y
capacitivo del equipo nacional femenino de fútbol de mayores
de Ecuador). Retos, 44, 716-727. DOI:
[Link]
Randell, R. K., Clifford, T., Drust, B., Moss, S. L., Unnithan, V. B.,
De Ste Croix, M., ... & Rollo, I. (2021). Physiological
characteristics of female soccer players and health and
performance considerations: a narrative review. Sports
Medicine, 51(7), 1377-1399. DOI:
[Link]
Vescovi et al., (2021). Physical demands of womens soccer matches:
A perspective across the development aspetrum. Frontiers, in
sports and active living.
World Health Organization. Obesity and overweight [Internet].
Geneva: WHO; 2020 [acesso em 30 jan 2021]. Disponível em:
[Link]
overweight.
Ross, W. D., Marfell-Jones, M., & Clarys-Robion, J. P. (1983).
Kinanthropometry. In Physiological testing of the elite athlete.
Chap. 6 (pp. 75-115). Mutual Press, Ottawa.
Semenick, D. (1990). Tests and measurements: The T-test. Strength
& Conditioning Journal, 12(1), 36-37.
Williams, K. T., Coopoo, Y., Fortuin, C., & Green, A. (2019).
Anthropometric and physical performance attributes of first
division female football players in Gauteng province, South
Africa. African Journal for Physical Activity and Health
Sciences, 25(3), 433-443.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 177
Modelo de Formação de Professores de Educação
Física e Desporto na Modalidade a Distância:
Reflexões a partir de uma experiência formativa
1
Alberto Francisco Malequeta
2
Agata Cristina Marques Aranha
3
Clemente Afonso Matsinhe
1
Universidade Católica de Moçambique
amalequeta@[Link]
2
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
3
Universidade Pedagógica de Moçambique
Resumo
O curso de licenciatura de Educação Física e Desporto, tais como
outras licenciaturas, vêm passando por uma série de reforma com
objectivo adequar a matriz curricular ao actual momento socio-
histórico. O presente artigo traz reflexão a discussão sobre os
modelos de formação que orientam a proposta curricular do curso de
licenciatura a partir da análise de uma experiência curricular com
características de inovação desenvolvida no Instituto de Educação a
Distância da Universidade Católica de Moçambique. Como recorte
da pesquisa, é de abordagem qualitativa, tendo como apoio a análise
documental. Para o efeito, a fonte de análise são os seguintes
documentos: plano curricular do curso de licenciatura em ensino de
educação física e desporto (2015). Para a análise dos documentos,
utilizamos os procedimentos metodológicos propostos por Ludke e
André (2013). Depreende-se da análise documental que o modelo de
formação do curso analisado conclui-se que o modelo de formação
de professores de educação física e desporto do IED é orientado por
princípios metodológicos socio-construtivista, que consiste na
construção gradual do conhecimento especialmente por meio de
discussões síncrona e assíncronas entre os intervenientes do processo
de ensino e aprendizagem. Além disso, o modelo pedagógico
assenta-se nos seguintes princípios: aprendizagem centrada no
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 178
estudante, tutoria e tecnologia, visando uma maior interação entre as
partes (estudante-estudante, tutor-estudante e estudante-conteúdo).
Palavras-chave: Modelos de formação, Currículo, Educação Física e
Desporto.
Introdução
O século XXI é caracterizado pelas crescentes mudanças na
sociedade contemporânea na qual o aumento da disponibilidade de
informação é veloz e a capacidade de transformá-la em conhecimento
se tornou uma mais-valia, novos desafios são colocados à escola.
Nesta perspectiva, adoptar um conceito de ensinar mais coerente com
a função social e a especificidade da actividade docente, e repensar a
Formação de Professores (FP) e o profissionalismo, em consonância
com as necessidades educativas dos cidadãos, configuram
actualmente importantes questões na investigação em educação.
Diante das actuais transformações sociais que caracterizam diferentes
esferas da vida humana as questões concernentes a educação,
formação, em particular na era da globalização, das tecnologias, dos
mídias, o debate sobre a qualidade de ensino tem encontrado largo
espaço nas diferentes arenas de reflexão. No que se refere ao
contexto educativo, o modelo de formação dos professores na
modalidade a distância tem sido um dos temas mais instigante
quando associado à qualidade de educação, já que, na experiência de
muitos, a qualidade de ensino está inevitavelmente ligada à formação
do professor.
Além disso, nas últimas décadas, a formação de professores vem
sendo analisada na perspectiva de ser retraduzida tendo em vista a
acelerada transformação que afecta a sociedade, a educação e a
escola. Tem-se verificado evidencias de estuos e discussões acerca da
formação e da prática pedagógica de professores.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 179
Em face de tais estudos e discussões, novo cenário de formação
professores estão sendo propostos. Notadamente, no Brasil, as
transformações indicam que os processos formativos devem
considerar a singularidade das situações de ensino, as novas
competências e novos saberes que o ofício profissional docente está a
requerer neste milénio.
Por outro lado, a formação de professores constitui desde cedo
preocupação dos governos africanos e em particular do governo de
Moçambique. Este facto foi notório durante a primeira reunião dos
Ministros da Educação dos Estados membros da Africa, em 1961,
onde os Estados independentes discutiram e adoptaram o que se
chamou Plano Adis-Abeba, isto é, onde foi feito um esboço de plano
para o desenvolvimento da educação na Africa, com vista a favorecer
o crescimento económico e o progresso social.
No contexto moçambique (Mugime et al., 2019), desde a
proclamação da independência nacional, em 1975, a formação de
professores apareceu como uma das prioridades do Ministério de
Educação (MINED), como aponta o Relatório do Estudo Holístico
sobre a situação de professores em Moçambique (2017). Esta
preocupação fez com que a formação de professores tomasse ao
longo dos tempos distintas orientações.
Além disso, no período de transição (1975-1976), Moçambique
registou a fuga maciça dos estrangeiros e a carência de quadros
qualificados, a contracção de novos professores sem formação inicial
foi uma das vias encontradas para suprir o problema da falta de
professores, ao mesmo tempo que foram criadas 10 Centros de
Formação de Professores primários (CFPP) para leccionarem da 1ª à
4ª classe e 4 Centros Regionais de reciclagem de professores para o
Ciclo Preparatório e Ensino Secundário respectivamente (Ministério
da Educação e desenvolvimento Humano, 2017).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 180
1. Panorama de formação de professores em Moçambique
Entre o período 1977-1991, foi caracterizado pela consolidação da
formação de professores para o Serviço Nacional de Educação (SNE)
tendo se alargado o tempo de FP para 2 anos, nos centros referidos,
tanto para o Ensino Primário (EP), como para o Ensino Secundário
(ES).
Tanto quanto a FP do ES em função aos objectivos, foi criada a
Faculdade de Educação localizado nos campos da Universidade
Eduardo Mondlane; Centro de Formação de Quadros de Educação
para preparar instrutores para o CFPP e técnicos de educação;
Escolas de Formação e de Educação de Professores (EFEPs), na
cidade do Maputo e na cidade da Beira para formar professores do
ciclo preparatório.
Paralelamente foram criados Institutos Médios Pedagógicos (IMP)
em substituição das EFEPs, para formar Professores do Ensino
Primário do 2º Grau (EP2); o Instituto Superior Pedagógico (ISP), na
cidade do Maputo, para formar professores do ES; e o Instituto de
Aperfeiçoamento de Professores (IAP) na cidade do Maputo, para
formação, em exercício, de professores do EP de Carreira de Docente
N5 (DN5) para a de Doente N4 (DN4) (Ministério da Educação e
desenvolvimento Humano, 2017). Do mesmo modo, com objectivos
de formar professores de educação física para todos os níveis, foi
criado o Instituto Nacional de Educação Física.
Por outro lado, com as reformas políticas sociais a que se assistiu, a
partir de 1992, os Institutos do Magistério Primário (IMAP) e os
CFPP foram convertidos em Institutos de Formação de Professores
(IFP) com objectivo de formar professores do EP completo
(Ministério da Educação e desenvolvimento Humano, 2017), tal
como à criação foram sendo adoptados vários os modelos, tanto para
o EP, como a nível do ES.
A nível do EP foram adoptados os seguintes modelos: Modelo de 6ª
Classe + 1 ano (1982 a 1983); Modelo de 6ª Classe + 3 anos (1983 a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 181
1991) ou 7ª Classe + 3 anos (1991 a 2007); Modelo de 7ª Classe + 2
+ 1 anos (1999 a 2003); Modelo de 10ª Classe + 2 anos (1998 a
2007); Modelo de 10ª Classe + 1 + 1 ano (1999 a 2004); Modelo de
10ª Classe + 1 ano (2007 ate à presente data) e o Modelo de 10ª
Classe + 3 anos (2012) (Mahalambe, 2011).
Por outro lado, a nível do ES foram registados os seguintes modelos
de formação de professores: Modelo de 9ª 10ª Classe (ex-5º ano) + 3
anos (1976 a 1980) – Nível de Bacharel, realizado na Universidade
Eduardo Mondlane; Modelo de 9ª 10ª Classe + 2 anos (1980 a 1989)
– Nível médio, realizado na Faculdade de Educação da Universidade
Eduardo Mondlane; Modelo de 12ª Classe (ex-11ª 10ª Classe) + 5
anos (1986 a 2003) – Nível de Licenciatura, realizado na
Universidade Pedagógica (ex- ISP); Modelo de 12ª Classe + 4 anos
(2004 a 2018) – Nível de Licenciatura, realizado na Universidade
Pedagógica; Modelo de 12ª Classe + 1 ano (2007 a 2010) – Nível
médio, realizado na Universidade Pedagógica, para formar
professores do ES do I ciclo (Mahalambe, 2011).
As razões que justificam as várias multiplicidades de modelos de FP
a nível dos diferentes subsistemas de educação estão relacionadas
com a necessidade de ajustar a FP à expansão da rede escolar. Em
relação os modelos de 10ª 10ª Classe + 1 ano e 12ª 10ª Classe + 1
ano, tinha como objectivo de formar mais professores em curto
espaço de tempo e manter o crescimento da massa salarial, assim
como a necessidade de responder os desafios do milénio,
contribuíram para a sua introdução.
Segundo o Programa Quinquenal do Governo (Ministério de
Economia e Finanças, 2005, p. 16), enfatiza que para a melhoria da
qualidade e relevância da educação, FP em quantidade e qualidade
com base nas Instituições de Magistério Primários, na Universidade
Pedagógica, no Instituto de Aperfeiçoamento de professores e
noutras Instituições vocacionadas.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 182
Deste modo, dada a sua relevância, a formação de professores em
Moçambique insere-se no quadro dos desafios que são colocados ao
sector da educação, outrossim, pelas agendas internacionais, como se
procurou mostrar e, por outro lado, pela própria conjuntura interna
que exigia transformações no campo da educação no período pós-
independência, transformações essas que passavam por um
incremento na formação de professores.
Paralelamente, a transição de um modelo antigo de formação de
professor, que concebia o professor somente como repassador de
informações, para um novo modelo, caracterizado pelas incertezas
quanto aos seus novos paradigmas de formação. A formação deve
centrar-se na concepção de um processo permanente e pelo
desenvolvimento da capacidade reflexiva, critica e criativa, dando ao
professor autonomia em sua profissão e elevado seu status. Por outro
lado, a questão da formação de professores aparece referenciada
tanto nas políticas públicas, de um modo geral, como políticas
educativas, em particular.
Por conseguinte, as investigações em torno da formação do professor
têm desconstruído certezas e, principalmente, vêm revelando
diferentes possibilidades de estudos e de pesquisas, pois, na medida
em que questionam a formação de professores de educação física na
modalidade a distância, indicam novos paradigmas de formação
assentados na compreensão de que o processo formativo por si só não
assegura a efectiva preparação profissional.
Para além disso, as concepções de formação de professores presentes
nas políticas educativas reflectem aquilo que é o discurso dominante
sobre a formação de professores nos círculos académicos, nas
Agendas internacionais e são materializados através de programas
patentes em currículos. Por outro lado, para a formação de
professores o curricular foi variando em função dos modelos de
formação, não havendo uma estrutura única. Por exemplo, no modelo
de FP de professores de Educação Física e Desporto (EFD), tais
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 183
como outras licenciaturas, vêm passando por uma série de revisão
com objectivo adequar a matriz curricular ao actual memento socio-
histórico.
Apesar do salto qualitativo do trabalho da actividade física nas
últimas décadas, verifica-se muitos desafios sobre a formação de
professores de educação física com vista a atender a necessidades de
actualização em três grandes dimensões: pedagógica, tecnológica e
didáctica. A dimensão pedagógica refere-se às actividades de
orientação, aconselhamento e tutoria, inclui o domínio de
conhecimentos relativos aos processos de aprendizagem e vindos da
psicologia, das ciências cognitivas e das ciências humanas. A
dimensão tecnológica envolve as relações entre tecnologia e
educação, desde a utilização adequada dos meios tecnológicos
disponíveis até a produção de materiais pedagógicos utilizando esses
meios. A dimensão didáctica refere-se ao conhecimento do professor
sobre a sua disciplina específica, envolvendo também a necessidade
de constante actualização.
Porém verifica-se contradições entre a formação do professor de
educação física e desporto, as suas experiências de ensino e as
demandas do seu contexto de trabalho, a uma necessidade
implementação de uma proposta de formação reflexível do professor
de educação física que conduza à pesquisa e reflexão sobre a prática
docente de forma sistematizada, gerando um conhecimento científico
novo no campo da pedagogia.
Estas constatações provocam questionamentos com relação à
pertinência, actualizações e necessidades emergentes do campo de
trabalho no que diz respeito ao perfil profissional partindo do
seguinte paradoxo: como acontece a formação de professores de
educação física e desporto, cuja especificidade é socialmente
concebida e reconhecida pelas práticas corporais (práticas
desportivas) a partir da modalidade de Educação a Distância (EAD),
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 184
visto que esta possui a sua interacção com o conhecimento mediada
pelas tecnologias digitais?
Sendo uma grande área de perspectivas, a educação física e desporto
destina-se ao atendimento da necessidade de se prestar serviços
específicos à sociedade, por meio de programas de actividades
físicas, seja para alcançar um melhor nível de qualidade de vida, seja
para atingir um maior desempenho assim como ampliar o repertorio
motor. Pois a preparação de profissionais para actuar no ensino, em
todos os seus níveis e demais contextos educacionais, por sua vez,
vem passando por transformações que vão desde a sua formação
inicial de professores até respectivos cursos de graduação.
Todo esse processo fundamenta-se nas mudanças que a sociedade
afronta, e a educação física, assim como os demais elementos que
compõem a vida social, não podem permanecer desconectada de seu
meio, seja ele macro ou micro social. Assim, com o aumento de
pesquisas na área de educação física possibilitou a abertura de novos
campos de trabalho e modalidade de formação, processo pelo qual
não é acompanhado na definição de modelos de formação.
Devido ao considerável número de críticas desencadeou-se um amplo
processo de discussão no campo da educação física, no qual alguns
formatos de organização estão sendo adoptadas, assim como as
transformações ocorridas no mundo do trabalho e a ascensão da
tecnologia e da produção científica e actualização dos cursos de
formação de professores motivou a proposta deste estudo que
consiste na concepção metodológica de um modelo de formação de
professores de educação física e desporto à distância.
Ressalta-se, assim, a importância de definição de uma metodológica
que seja aplicável na formação de professores do ponto de vista
académico e profissional. Para isso, é necessário empreender acções
que promovam a preparação dos futuros professores. Mas, como
prepará-los? Novamente, ao se buscar as bases científicas para
responder a este questionamento encontram-se vários relatos de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 185
iniciativas voltadas para a preparação dos professores e este estudo
sugere estratégias e procedimentos que suscitam inquietações das
quais decorrem as questões norteadoras deste estudo.
2. Metodologia
A reflexão sobre a formação de professores é, frequentemente, muito
teórica e tem sido pouco articulada com a forma de atingir objectivos
concretos. Dessa maneira, vê-se reforçada a necessidade de estudos
que buscam a superação do modelo da racionalidade técnica que tem
caracterizado a formação inicial e continuada de professores de
educação física e desporto.
Dessa forma, resultou o interesse em partilhar um recorte de uma
pesquisa maior (Keller-Franco, 2014) que teve como foco a análise
critica de uma organização curricular alternativa que vem sendo
desenvolvida nos cursos de formação de professores de educação
física desporto do IED-UCM, instituição que, desde a sua
implantação, apresenta a mesma forma de conceber e organizar seu
projecto educativo.
Como recorte da pesquisa, é de abordagem qualitativa, tendo como
apoio a análise documental. Para o efeito, a fonte de analise são os
seguintes documentos: plano curricular do curso de licenciatura em
ensino de educação física e desporto (2015). Para a analise dos
documentos, utilizamos os procedimentos metodológicos propostos
por Ludke e André (2013).
Segundo Novoa (2009), investigar inovações curriculares em
andamento apresenta-se como relevância social para as políticas e as
práticas de formação de professores, pois, ao trazer para analise uma
experiência concreta que busca operacionalizar na prática o consenso
discursivo.
3. Discussão dos resultados
3.1. Um olhar sobre os modelos de formação de professores
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 186
Tanto o problema, como seu objectivo e questões de investigação
possuem como iniciativa uma melhor compreensão do curso
oferecido na modalidade EAD, em especial o curso de licenciatura
em ensino de educação física e desporto oferecidos por instituições
de ensino superior credenciadas em Moçambique.
Qualquer reflexão sobre inovação na formação de professores só fará
sentido se os modelos de formação subjacentes a essas iniciativas
forem questionados. Vários autores têm se dedicado às concepções
que orientam os programas de formação de professores, usando, para
isso, terminologias variadas como tendências, orientação,
paradigmas, tradição e modelo. Para esta pesquisa definiu-se como
categoria “modelo”.
Estudos desenvolvidos por Garcia (1999), Santos (2007), Fernanda et
al. (2007), Diniz-Pereira (2007a, 2014) e Tardif (2011), sugerem os
seguintes modelos de formação de professores:
orientação académica: para Garcia (1999), neste modelo a
formação de professores, prioriza a formação de especialista em uma
determinada área. A concepção metodológica esta centralizada na
transmissão de conteúdos académicos e científicos, com objectivo
central de oferecer o domínio de conteúdos universalmente
reconhecidos.
orientação tecnológica: essa orientação centra-se na
competência técnica, nas destrezas e estratégias necessárias para
ensinar. O professor é considerado como técnico que aplica ou
transmite com destreza um conhecimento pré-definido ou elaborado
fora dele. Neste modelo, é necessário a definição da conduta, os
objectivos e a avaliação precisa dos resultados.
Orientação personalista: diferentemente na orientação
tecnológica o domínio dos instrumentos e a técnica para ensinar
constituem o foco da formação, no modelo personalista a pessoa é o
centro dessa orientação. O conhecimento, a visão de si mesmo e a
forma como interagem com as situações são características essenciais
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 187
deste modelo. Ensinar é mais complexo do que uma técnica e o
recurso mais importante do professor é ele próprio.
O papel do programa de formação de professores consiste em
promover o desenvolvimento pessoal e valorizar o caracter pessoal
do ensino, desse modo, busca ajudar a cada futuro professor a
desenvolver suas estratégias individuais, personalizadas diante do
fenómeno educativo.
Segundo Garcia (1999), este modelo procura dar ao futuro professor
flexibilidade de acção, plasticidade mental, capacidade para fazer
face com êxito às situações que poderá encontrar no exercício da sua
profissão. Para o mesmo autor, trata-se antes do mais de ensiná-lo a
cooperar, a inovar, a comunicar bem, a mudar, a ter dúvidas, a
evoluir.
Orientação prática: este modelo privilegia a experiência
como fonte de aprendizagem para a docência. Nesta perspectiva, a
docência é uma actividade complexa, caracterizada pela ambiguidade
e incerteza, com situações singulares não previstas na teoria, cuja
aprendizagem é melhor favorecida mediante a experiência adquirida
no desempenho com os práticos da profissão.
Na perspectiva de Garcia (1999), o modelo de aprendizagem
associado a essa orientação na formação de professores é a
aprendizagem pela experiência e pela observação. Aprender a ensinar
é um processo que se inicia através da observação pela experiência e
pela observação de mestres considerados bons professores, durante
um período prolongado. Isso significa trabalhar com um mestre
durante um determinado período de tempo ao longo do qual o
aprendiz adquire as competências práticas e aprende a funcionar em
situações reais.
Orientação social-reconstrucionista: na perspectiva de García (1999),
a orientação social reconstrucionista mantem uma estreita conexão
com a teoria critica aplicada ao ensino e ao currículo. Neste contexto,
essa orientação inclui análise do contexto social no processo ensino
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 188
aprendizagem, adoptando uma perspectiva do conhecimento como
construção social.
3.2. Análise interpretativa: Modelo de formação que orienta o
curso de Licenciatura em ensino de educação física e desporto do
IED
A seguir faremos apresentação do cenário da pesquisa e, na
sequência, desenvolvemos a análise dos modelos de formação que
orientam a experiência educativa em andamento.
3.2.1. Cenário da pesquisa
No universo da formação de professores e do currículo ocorrem
discussões contantes sobre a formatação da preparação profissional
numa sociedade globalizada e de frequentes mudanças. Estas
contendas instigam vários questionamentos com relação à
pertinência, actualização e necessidades emergentes do campo de
trabalho no que diz respeito ao perfil profissional.
Neste contexto, os documentos que configuram as directrizes
curriculares para os cursos de formação de professores a nível do
território nacional, apresentam uma nova configuração. Assim sendo,
no âmbito desta preparação nos lembra que esta traz uma teoria da
formação, abarcando visões de currículo, concepção de professores,
prática pedagógica, avaliação, entre outros aspectos que são
norteados por orientações conceptuais.
Diante destas constatações o estudo centra-se em analisar o projecto
pedagógico de um curso de Licenciatura em ensino de Educação
Física e Desporto, de uma instituição privada, o perfil profissional
proposto, a orientação conceptual adoptada (modelo curricular), bem
como avaliação proposta no âmbito do currículo.
Esta pesquisa foi desenvolvida no Instituto de Educação à Distância
(IED) da Universidade Católica de Moçambique (UCM), localizada
na cidade da Beira, na província de Sofala em Moçambique.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 189
A UCM foi criada oficialmente em 1995 como uma instituição de
ensino superior provada (cfr. Decreto n.o 43/95 de 14 de Setembro).
É uma instituição da conferencia Episcopal de Moçambique (CEM)
com sede na cidade da Beira, província de Sofala. É uma das
primeiras universidades privadas do País e a primeira com sede fora
da cidade de Maputo e a ministrar cursos superiores sem fins
lucrativos.
Com aprovação da Lei do Ensino Superior. Lei nº 1/93 de 24 de
Junho de 1993; a UCM expandiu a nível do país através da criação de
Faculdades. Foi nesta perspectiva que com objectivos de a) apoiar na
formação inicial e continua, de professores tornando-os qualificados
e comprometidos com novas metodologias de ensino e
aprendizagem; b) apoiar os estudantes particularmente das zonas
rurais para que tenham acesso a educação, humana de qualidade
acessível através se educação aberta e a distância; e, c) assessorar e
prestar serviços de consultoria, a outras instituições em matéria de
EAD, a UCM criou o IED.
O IED nasce da transformação do Centro de Ensino à Distância
(CED) através da deliberação nº 04/2019/CUUCM (1ª sessão). Tem a
sua sede na Beira e o processo de ensino e aprendizagem ocorre nos
centros de recursos, nomeadamente: Beira, Gorongosa, Chimoio,
Tete, Quelimane, Milange, Gurúè, Nampula, Cuamba, Pemba,
Mocímboa da Praia, Marromeu, Búzi, Muanza e Maputo. A oferta
formativa compreende os cursos de licenciatura em ensino de:
Educação Física e Desporto, Língua portuguesa, Geografia, História,
Química, Física, Matemática, Biologia, Desenho, Informática, e
Licenciaturas em: Gestão Ambiental e Administração Pública.
O curso de Licenciatura em ensino de Educação Física e Desporto
tem vindo a funcionar desde a criação do Centro de Ensino a
Distância da Universidade Católica de Moçambique e rege-se pela
Lei nº 27/2009, de 29 de Setembro, sobre o Ensino Superior,
publicada no Boletim da República I Série, Número 38; pelos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 190
Estatutos da Universidade Católica de Moçambique e pelo
Regulamento em vigor na UCM.
Por outro lado, o curso insere-se no âmbito da missão institucional,
enquadra-se no contesto das inovações impulsionados no Sistema
nacional de Ensino em Moçambique ou da revisão global dos
currículos e da adopção do novo modelo de formação dos professores
e de outros técnicos que possam assegurar o ensino dos níveis
anteriores e do desenvolvimento da ciência e técnica. A organização
dos conteúdos foi desenhada numa combinação entre disciplinas que
possibilita o graduado tenha maior competência e desempenho
individual nos estudos e na vida profissional.
Tabela 1. Apresentação do curso de Licenciatura em ensino de
Educação Física e Desporto do IED
Licenciatura em Ensino de
Designação
Educação Física e Desporto
Sigla EFD
Ref. Homologação do MINED Decreto no. 35/2009, de 07 de
Junho
Data de Homologação do MINED Maputo, 04 de Março de 2015
Ano de Início de Funcionamento 2003
Grau Académico Licenciatura
Área Científica Ciências Naturais e Matemática
Modalidade de Ensino Ensino a Distância
Duração 4 Anos
Créditos 240
Carga Horária 6000
3.3. Análise interpretativa
Em função a missão do IED-UCM, compreende-se que a proposta do
curso está paralelamente em sintonia com o plano curricular do
curso, seguindo uma nova forma e conceber e organizar o processo
educativo.
Assim sendo, a política de formação de professores da UCM esta
vinculada a política e estratégia de expansão do ensino e de melhoria
da qualidade da educação. Como mecanismo para a materialização, a
UCM através do IED procura dotar os candidatos a profissão docente
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 191
de saberes e competências necessárias para o desenvolvimento da
profissão.
Porem, verifica-se constrangimentos estruturais, próprios do estágio
de desenvolvimento do país, tem condicionado a que o país
experimente, em vários momentos históricos, diferentes modelos
curriculares de formação de professores, cada um com suas
limitações e possibilidades de formação de identidade docente.
Considerando que a educação física é concebida como área de
conhecimento e de intervenção profissional, que tem como objecto
de estudo e de aplicação o movimento humano, o IED preocupa-se
com a maneira pela qual os graduados apreendem o movimento
humano na sua formação e no seu exercício profissional, na
articulação teórica e prática.
O curso é guiado pelos princípios estabelecidos pelas directrizes para
a formação de professores no ensino medio, priorizando os aspectos
da competência, da pesquisa e da coerência entre o que se propõe e a
posterior prática pedagógica exercida pelo profissional de educação
física no currículo escolar.
Nesta perpceção, o IED-UCM adotou como eixo norteador da
proposta curricular do curso de licenciatura em ensino de educação
física e desporto “aprender a aprender o movimento na formação e
actuação na e através da cultura corporal”.
Assim sendo, considera que o “aprender a aprender” refere-se à
valorização dos diferentes sabres curriculares provenientes da escola
básica. Ainda, este eixo estabelece pontes entre as diferentes
disciplinas e seus significados. Entende, sobretudo, que a educação
física incorpora essa transmissão social do movimento humano,
através da cultura corporal.
Essa abordagem, compreende a fusão de disciplinas na formação
profissional, permitindo que o perfil do graduado não seja
especialista, mas sim generalista, humanísticas e critico-reflexivo.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 192
Assim sendo, os graduados são profissionais conectados, capazes de
adaptar a emergência e as circunstâncias da vida profissional que
permite uma constante actualização de suas potencialidades, atentos a
uma sociedade em transformação. Em outras palavras, trata-se de
profissionais que aprendem a aprender nos contextos de formação e
actuação profissional, dotados de um controlo reflexivo sobre suas
acções, onde o questionamento deve estar sempre presente.
Além dos eixos, o currículo de licenciatura em educação física e
desporto do IED-UCM apresenta as seguintes dimensões
interdependentes: a) dimensão da prática de actividades físicas e
desportivas, b) dimensão do estudo e da formação académica-
profissional e c) dimensão da intervenção académico profissional,
considerado o objecto de estudo do movimento humano. Essas três
dimensões caracterizam o currículo do IED.
A dimensão da prática de actividades físicas e desportivas estão
consagrados na Constituição da República de Moçambique como
sendo um direito dos cidadãos, incumbindo ao Estado a sua
promoção e difusão, através das instituições desportivas e escolas,
conforme estabelece o artigo 93º de epigrafe Cultura Física e
Desporto. Assim, a Educação Física e o Desporto estão consagrados
na Constituição da República de Moçambique (CRM)20 como um
direito dos cidadãos, incumbindo ao Estado a sua promoção e
difusão, através das instituições desportivas e escolares, conforme
estabelece o artigo 93.º de epígrafe Cultura Física e Desporto:
“1. Os cidadãos têm direito à educação física e ao desporto.
2. O estado promove, através das instituições desportivas e
escolares, a prática e a difusão de educação física e do
desporto”.
Com este preceito constitucional, a prática das manifestações e
expressões culturais do movimento humano são orientadas para a
promoção, a prevenção, a protecção e a recuperação da saúde, para a
formação cultural, para a educação e reeducação motora, para o
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 193
rendimento físico desportivo, para o lazer, bem como para outros
objectivos decorrentes da prática de exercícios e actividades físicas,
recreativas e desportivas.
Segundo André, Lisita, Rosa & Lipovetsky (2004), apontam aspectos
que devem ser o foco da formação inicial e continuada do professor
de educação física e desporto com objectivos de proporcionar
experiências práticas de ensino que devem ser vivenciadas pelos
futuros docentes, acrescidas de conteúdos mais actuais,
possibilitando um processo de construção e reconstrução de
conceitos, de procedimentos e de valores, sublinhando a importância
de se priorizar, por outro lado, uma solida formação teórica-cultural-
cientifica-e, por outro, uma formação para “saber-fazer”, para as
competências quem geram ampliação, cognição, bem como a
capacidade de resolver problemas específicos que se delineiam no
cotidiano da prática da Educação Física.
A dimensão do estudo e da formação académico-profissional em
Educação Física refere-se às diferentes formas, possibilidades e
modalidades de formação em licenciatura com objectivo de qualificar
e habilitar os indivíduos interessados em intervir académica e
profissionalmente na realidade social, por meio das manifestações e
expressões culturais do movimento humano, visando a formação, a
ampliação e o enriquecimento cultural das pessoas, no sentido de
aumentar as possibilidades de adopção de estilo de vida fisicamente
activo e saudável.
A dimensão da intervenção académico-académico profissional
refere-se ao exercício político-social, ético-moral, técnico-
profissional e científico do graduado em Educação Física no sentido
de diagnosticar os interesses e as necessidades das pessoas, de modo
a planificar, prescrever, ensinar, orientar, assessorar, supervisionar,
controlar e avaliar a eficiência, a eficácia e os efeitos de programas
de exercícios e de actividades físicas, recreativas e desportivas. A
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 194
finalidade é possibilitar ao cidadão o direito a Educação Física e ao
Desporto.
Embora que a formação em Educação Física e Desporto pertença à
grande área da saúde, para além desta preocupação, o IED enfatiza o
seu caracter multidisciplinar referenciando igualmente os
conhecimentos produzidos no contexto das ciências humanas e
sociais, bem como em conhecimento da arte e da filosofia.
Pensar a Educação Física e Desporto a partir de um olhar
multidimensional é justamente permitir a construção de uma prática
que não se fecha às fragmentações nem as reduções mutilantes, mas
que possibilita a ampliação dos referenciais necessário para uma
actuação reflexiva sobre a diversidade de realidades e estas
necessitam de percepções específicas e tratamentos locais, embora
ponderamos numa inter-relação com um contexto maior que não
pode se desconsiderado.
Além disso, o currículo do curso de licenciatura em ensino de
Educação Física e Desporto do IED as disciplinas foram
desenvolvidas partir das suas considerações gerais, de modo a
assegurar a autonomia institucional, articulação entre ensino,
pesquisa e extensão, ético pessoal e profissional, acção crítica,
investigativa e reconstrutiva do conhecimento, construção e gestão
colectiva do projecto pedagógico, abordagem interdisciplinar do
conhecimento, indissociabilidade teoria-prática, e, articulação entre
conhecimentos de formação ampliada e específica.
4. Considerações finais
Depreende-se da análise documental que o modelo de formação do
curso analisado, conclui-se que o modelo de formação de professores
de educação física e desporto do IED é orientado por princípios
metodológicos socio-construtivista, que consiste na construção
gradual do conhecimento especialmente por meio de discussões
síncrona e assíncronas entre os intervenientes do processo de ensino
e aprendizagem. Neste modelo a aprendizagem é centrada no
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 195
estudante exigindo maior autonomia, permitindo uma maior
flexibilidade e participação activa na gestão do processo de ensino e
aprendizagem. Um aspecto que se faz sentir representado é um
modelo diferenciado de formação que rompe com a racionalidade
técnica predominante nos cursos de formação em Moçambique.
Além disso, o modelo pedagógico assenta-se nos seguintes
princípios: aprendizagem centrada no estudante, tutoria e tecnologia,
visando uma maior interacção entre as partes (estudante-estudante,
tutor-estudante e estudante-conteúdo). Estes princípios objectivam
garantir a organização do ensino, o papel do estudante e do tutor, a
planificação, concepção e gestão das actividades de aprendizagem a
propor aos estudantes, o tipo de materiais ou conteúdos a desenvolver
e a natureza da avaliação das competências adquiridas.
Essa orientação caracteriza-se por incluir a analise do contexto social
no processo ensino-aprendizagem e adoptar uma perspectiva do
conhecimento como construção social. Ela concede ao perfil doente o
papel de agente de mudanças comprometido com valores
emancipatórios frente as relações desiguais de poder presentes na
sociedade e na escola. Além disso, abordagem critica tem como
finalidade auxiliar os estudantes para que eles questionem e
negociem as relações entre a teoria e pratica, analise critica e senso
comum, aprendizagem e mudança social.
Referências Bibliográficas
Diniz-Pereira, J. E. (2007a). Formação de professores: pesquisas,
representações e poder. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica.
Diniz-Pereira, J. E. (2014). Da racionalidade técnica à racionalidade
crítica: formação docente e transformação social. Perspectivas em
Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, Cuiabá, v. 1, n. 1, p.
34-42.
Fernanda B. F; Lopes, J. G.S; César, E. T. (2017). Reflexões sobre
experiências de formação continuada de professores em um
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 196
centro de ciências: trajetória, concepções e práticas formativas.
Ciência & Educação (Bauru), vol. 23, núm. 4, pp. 817-834.
Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência,
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências,
campus de Bauru.
García, C. M. (1999). Formação de professores para uma mudança
educativa. Porto: Porto Editora.
Keller-Franco, E. (2018). Modelos De Formação Docente Em
Projetos Curriculares Inovadores: Reflexões a Partir De Uma
Experiência Formativa. Revista E-Curriculum, 16(3), 694.
[Link]
Lisita, V.; Rosa, D.; Lipovetsky, N. (2004). Formação de professores
e pesquisa: uma relação possível? In: André, M. O papel da
pesquisa na formação e na prática dos professores. [Link].
Campinas: Papirus, Mendes.
Ludke, M; André, Marli E. D. A. de. (2013). Pesquisa em educação:
abordagens qualitativas. São Paulo: EPU.
Mugime, S. M. J., Mapezuane M., F., Cossa, J., & Leite, C. (2019).
Estudos sobre formação inicial de professores em Moçambique e
sua relação com as políticas de formação de professores (2012-
2017). Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 27 (149).
[Link]
Nóvoa, A. (2009). Professores imagens do futuro presente. Lisboa:
Educa.
Santos, L. L. (2007). Paradigmas que orientam a formação docente.
In: SOUZA, João Valdir Alves. (Org.). Formação de professores
para a educação básica: dez anos de LDB. Belo Horizonte:
Autêntica. p. 235-252.
Tardif, M. (2011). Saberes docentes e formação profissional. 12. ed.
Petrópolis: Vozes. Araújo, G. K.; Rocha, J. V., Lamparelli, R. A.,
Rocha, A. M. (2011). Mapping of summer crops in the state of
Paraná, Brazil,through the 10-day spot vegetation NDVI
composites. Engenharia Agricola, 31(4), 760-770.
Beven, K., Kirkby, M. J. (1979). A physically based, variable
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 197
contributing area model of basin hydrology/Un modèle à base
physique de zona dapple variable de Ihydrologie du basin versant.
Hydrological Sciences Journal, 24(1), 43-69.
Da Silva, J. F. de O. (2017). Aplicação da análise multicritérios para
a definição de áreas de risco de transmissão de malária na
província de Luanda, Angola. Dissertação realizada no âmbito do
mestrado em sistemas de Informação Geográfica e Ordenamento
do Território. Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
De Abreu, K. K. R. C., Leite, M. E. (2009). Sistema de Informação
geográfica aplicado à distribuição do caso de dengue na
microrregião de Pirapora-MG. Hygeia.
Lima Neto, E. M. de; Biondi, D.; Araki, H. (2010). Aplicação do SIG
na arborização viária – unidade amostral em Curitiba-PR. III
Simpósio Brasileiro de Ciências Geodésicas e Tecnologias da
Geoinformação. Recife.
Malczewski, J. (1999). GIS and multicriteria decision analysis: John
Wiley & Sons.
Malczewski, J. (2004). GIS-based land-use suitability analysis: a
critical overview. Progress in planning, 62(1), 3-65.
McFeeters, S. K. (1996). The use of the Normalized Difference
Water Index (NDWI) in the delineation of open water features.
International Journal of Remote Sensing, 17(7), 1425-1432.
Medronho, R. A., Werneck, G. L. (2002). Técnicas de análise
espacial em saúde. In: Epidemiologia. 1ed. São Paulo, Rio de
Janeiro, Ribeirão Preto, Belo Horizonte: Atheneu.
Organization, W. H. (2016). World malaria report 2015: World
Health Organizatio.
República de Moçambique Ministério de Saúde Direcção Nacional
de Saúde Departamento de Epidemiologia e Endemias Programa
Nacional de Controlo da Malária Documento Estratégico para o
Controlo da Malária em Moçambique, julho 2006- 2009.
República de Moçambique. Província de Sofala, Detrito de
Gorongosa. Plano Estratégico distrital de desenvolvimento de
Gorongosa. Elaborado pela Administração Distrital, fev de 2006.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 198
Resendes, A. P. D. C., Barcellos, C., Skaba, D. A., Oliveira, E. X. G.
D., Werneck, G. L., Silveira Junior, J. C., Peiter, P. C. (2007).
Sistemas de Informações Geográficas e Análise espacial na Saúde
Publica.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 199
A gestão do desporto de rendimento em Moçambique:
factores do seu desenvolvimento e êxito
1
Angélica Manhiça
2
Gustavo Paipe
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo - Moçambique
Resumo
O desenvolvimento desportivo de um país obriga a um planeamento
assente num conjunto de objectivos claros. A presente pesquisa tem
como objectivo central analisar os factores do Desenvolvimento e
Êxito do Desporto de Rendimento em Moçambique. Na sua
execução, para além da análise documental, foram seleccionados 6
dirigentes de Federações Desportivas (Futebol, Basquetebol,
Voleibol, Vela e Canoagem, Judô e Atletismo), aos quais foi aplicado
um inquérito ad hoc, constituído por 39 itens distribuídos em 6
dimensões. Os dados da análise documental tiveram por base a
análise de conteúdo e os do inquérito foram analisadas com recurso
ao Software SPSS versão 22.0, de forma a determinar a média, as
frequências relativas e absolutas. Os resultados apontam que, para a
dimensão de Recursos Financeiros, o fundo alocado às federações
estudadas é relativamente aceitável. Com relação aos Eventos e
Resultados, as federações organizam competições nacionais e
participam em competições internacionais. No que concerne aos
Recursos Humanos, as federações desportivas possuem um quadro de
pessoal formado em diversas áreas. Já em relação às Infra-estruturas
Desportivas, as federações foram unânimes em afirmar que estas se
encontram em um estado de degradação e não correspondem ao
padrão internacional. No que respeita à Ciência e Tecnologia, os
resultados apontam que há pouca valorização do conhecimento
produzido pelas Universidades e, no que tange aos Equipamentos e
Materiais, os resultados demostram que são insuficientes. Disto,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 200
concluímos que os principais constrangimentos que afectam o
desenvolvimento do DR recaem sobretudo nos seguintes factores: i)
Equipamentos desportivos obsoletos e que não se enquadram aos
padrões internacionais; ii) Dificuldades dos atletas em participar em
eventos internacionais como consequência da escassez de fundos; iii)
Pouca divulgação das investigações inerentes ao deporto de
rendimento; iv) Pouca organização de eventos a nível nacional.
Entretanto, entendemos que seja primordial aprimorar as formas de
apoio da parte do governo e entidades privadas para que as FDN
possam responder afincadamente às necessidades do
desenvolvimento do desporto de rendimento em Moçambique.
Palavras-chave: Desporto de Rendimento; Federações Desportivas;
Gestão Desportiva.
Introdução
O desporto constitui uma das grandes construções culturais da
humanidade. Os seus valores estão agregados à sua prática e o seu
crescimento dependente de um planeamento assente num conjunto de
objectivos precisamente claros. O Desenvolvimento do Desporto de
Rendimento compreende um processo complexo que deve estar
assente em políticas públicas mais estruturadas.
Desta feita, há uma necessidade de desenvolver estratégias que
busquem estimular a gestão holística das organizações desportivas no
mundo e em particular em Moçambique, pois, ainda prevalecem na
sujeição financeira, em relação ao Estado, o que, obviamente,
condiciona a elaboração de estratégias com vista ao desenvolvimento
DR.
A reflexão sobre o desporto não é matéria nova e mantém-se como
um objecto actual de pesquisa. Nas últimas décadas, o seu estudo
evoluiu e ganhou mais expressão na sociedade. As suas tipologias
ganharam um espaço significativo na agenda pública. Pelos valores
agregados e pela sua função cultural, o mesmo engloba uma grande
variedade de características. O desporto é a única expressão regida
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 201
por um código universal aceite por todos, que estabelece um sistema
de comunicação eficiente entre os mais distintos e variados
segmentos populacionais à escala planetária (CORREIA &
GONÇALVES, 2003; PIRES, 2009).
Diante dessa proposta, e entendendo ser este o espaço para a
discussão e aprendizado, este trabalho tem como objectivo observar e
analisar os Factores do Desenvolvimento e Êxito do Desporto de
Rendimento em Moç[Link] isso, fica claro, desde já, que
pretendemos discutir os problemas e/ou os factores que estão na
origem da “estagnação” do DR em Moçambique.
1. Procedimento Metodológico
No “trilho” metodológico, optamos por uma abordagem qualitativa e
exploratória de cunho bibliográfico e documental. Nesse âmbito,
verificamos relatórios primários e consultamos a literatura à
disposição sobre o assunto em análise – revisão da literatura (GIL,
2008).
Além dos recursos metodológicos acima apontados, diante da falta de
intervenção científica sobre o DR em Moçambique – relativamente a
factores que condicionam o seu pleno desenvolvimento, concebemos
uma grelha de questões para o inquérito, articuladas através de e-mail
com os responsáveis das Federações Desportivas em Moçambique.
Assim, procedemos, por conta das restrições impostas pela Covid-19,
o que, de certa forma, condicionou o meio de colecta dos dados.
Seleccionamos e inquerimos seis (6) Federações Desportivas,
nomeadamente: de Futebol, Basquetebol, Voleibol, Vela e
Canoagem, Judô e Atletismo. Tais inquéritos foram analisados à luz
dos estudos realizados por MEIRA, BASTOS e BOHM (2012);
MAZZEI et al. (2012) e De BOSSCHER et al. (2006).
Para a selecção das Federações, baseamo-nos nos resultados
alcançados nos últimos anos, bem como na capacidade de
organização de campeonatos nacionais, concretamente as ligas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 202
profissionais e participação das selecções nacionais em várias
competições internacionais.
A amostragem foi realizada de acordo com o método não
probabilístico-intencional (MARCONI & LAKATOS, 2009), que
busca seleccionar, intencionalmente, os participantes mais
adequados, com uma interacção constante com o objecto de estudo
em análise.
2. Enquadramento Teórico
2.1. Desporto de Rendimento
Para melhor compreendermos a problemática actual da gestão do
desporto de rendimento, é crucial entender que o desporto assumiu,
no século XX, uma relevância económica, social e política, que o
transformou num motor de desenvolvimento e progresso dos Países
(PIRES, 2020).
Quanto aos factores de desenvolvimento do desporto, na visão de
MARTINS (2013), sem coordenação, não é possível fazer o
diagnóstico das situações, equacionar possíveis soluções,
dimensionar recursos e planear a sua aplicação, estabelecer
prioridades e opções e elaborar planos a curto, médio e longo prazo.
É necessário um projecto global de desenvolvimento, coordenando e
integrando todas as áreas da prática desportiva, apontando para os
objectivos concretizáveis.
A definição de políticas desportivas concretas passa exclusivamente
pelo conhecimento e diagnóstico da realidade, de forma a estabelecer
linhas de actuação estratégicas perante uma realidade em constante
mudança (PAIPE, 2016).
PIRES (2003) apresenta algumas qualidades que um gestor deve
possuir, como forma de contribuir positivamente para o sucesso da
organização, como: (i) assumir riscos em relação ao tempo; (ii) estar
apto a tomar decisões estratégicas; (iii) ser capaz de construir e
integrar equipe de trabalho; (iv) saber comunicar informação; (v) ser
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 203
capaz de ver o seu trabalho como um todo; (vi) conseguir relacionar
a sua acção como sistema total.
Para o nosso estudo, mostra-se importante a simbiose de abordagens,
pois a gestão desportiva assume variadas formas de intervenção,
cooperação íntima entre os gestores de desporto e dos especialistas
de outras disciplinas. Por outro lado, remete-nos a saber utilizar os
instrumentos de gestão, inerentes ao conhecimento tecnológico, que
devem ser contextualizados ao ambiente, com vista ao
desenvolvimento do desporto de rendimento.
2.2. Modelo de Gestão do Desporto de Rendimento
A presente pesquisa centra-se nos fundamentos da teoria clássica da
Gestão Desportiva e do modelo teórico composto por nove (9)
pilares, uma das ferramentas para avaliação do DR e de políticas para
seu fomento, o SPLISS (Sports Policy Factors Leading to
International Sporting Success) (DE BOSSCHER et al., 2006). Este
instrumento em aplicação e aprimoramento desde 2006, foi proposto
por DE BOSSCHER et al. (2006) e adaptado por MAZZEI et al.
(2012), o SPLISS. O mesmo, parte da compreensão do DR como um
sistema, cuja existência e desenvolvimento resultam da combinação
de políticas governamentais e não-governamentais. Como ilustra em
seguida a figura 1:
Figura 1: Modelo teórico para o sucesso desportivo internacional
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 204
Fonte: Adaptado de De Bosscher et al. (2006) por Mazzei et al. (2012)
Os pilares sinalizados pelo SPLISS ajudam a compreender o que é o
DR, no contexto do desporto Contemporâneo. O modelo apresentado
engloba, por um lado, os dados mais importantes para a tomada de
decisão de gestores desportivos e para subsidiar acções e políticas,
considerando os factores de sucesso desportivo internacional. Por
outro lado, concede as informações mais importantes para a tomada
de decisão que, aliadas à boa gestão, podem qualificar as respectivas
políticas, pois as respostas, relatórios e diagnósticos são claros e
precisos, contribuindo para uma comunicação eficiente entre as
diferentes entidades ligadas ao desporto, assim como pode prevenir
conflitos ou sobreposição de acções.
A gestão de informações está directamente ligada aos princípios da
governança (transparência, equidade, prestação de contas,
responsabilidade corporativa) e, por isso, o modelo construído
capacita as entidades “no caminho” das boas práticas de gestão
(MAZZEI et al., 2012).
2.3. O Desporto de Rendimento em Moçambique
Moçambique é um país em vias de desenvolvimento, em todas as
suas vertentes sociais, políticas e económicas. Por conta disso, há
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 205
uma necessidade de aprender dos países vizinhos sobre o desporto de
rendimento, a sua gestão e manutenção, dentro e fora das actividades.
O Estado estabelece um regime jurídico da actividade desportiva e
assegura o funcionamento do sistema desportivo nacional, tendo
aprovado a Lei do Desporto, n°11/2002, de 12 de Março, publicado
no Boletim da República de Moçambique, no 2° Suplemento.
O DR, ao abrigo da lei 11/2002, Lei do Desporto, nos seus artigos 7º
e 13º, elucida que esta tipologia desportiva abrange todo o conjunto
de actividade desportiva, de formação e competição, praticada nos
clubes desportivos, visando, particularmente, a superação dos
resultados desportivos, e constitui um factor de promoção desportiva.
Assim, o Desporto de Rendimento 3 é visto como aquele que abrange
todo o conjunto de actividades desportivas, formais e selectivas, de
formação, competição, mas praticadas nos Clubes desportivos. A
mesma lei, no artigo 17º no n.º 1, estabelece a organização de
Núcleos desportivos; Clubes Desportivos; Sociedades Desportivas;
Associações Desportivas Distritais; Associações Desportivas
Provinciais; Federações Desportivas; Associação de Agentes
Desportivos e Comité Olímpico de Moçambique.
2.4. Comité Olímpico de Moçambique
O Comité Olímpico Nacional (COM) é uma organização nacional
não-governamental que tem a missão de fomentar e proteger o
Movimento Olímpico no país, segundo a Carta Olímpica (2001), que
difunde os princípios fundamentais do Olimpismo ao nível nacional,
para contribuir na divulgação do Olimpismo e na criação das
Academias Olímpicas Nacionais, cujos programas culturais estão
relacionados com o Movimento Olímpico4.
O COM foi criado em 1978, através dos termos dispostos no nº 1 do
Artigo 5 da Lei nº 8/91, de 18 de Julho e do Artigo 1 do Decreto nº
3Secção I, artigo 7º da Lei 2/2002, Lei do Desporto.
4 Veja-se a CARTA OLÍMPICA (2001).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 206
21/91, de 3 de Outubro, no momento, exarado pela Ministra da
Educação e Cultura, Doutora Graça Machel, com o objectivo de
Moçambique participar, pela primeira vez, dos Jogos Olímpicos de
Moscovo, em 1980.
Moçambique participou em 10 edições de Jogos Olímpicos, desde
1980, em Moscovo, até 2016, no Brasil. Das participações
mencionadas, Moçambique tem na Lurdes Mutola o seu expoente
máximo, a atleta olímpica que conquistou a Medalha de Bronze nos
Jogos de Atlanta, Estados Unidos, em 1996, nos 800 metros. No ano
de 2000, a “Menina de ouro” conseguiu a medalha de ouro na mesma
prova, nos Jogos Olímpicos que decorreram em Sydney, na Austrália.
2.5. Secretaria de Estado do Desporto
A Secretaria de Estado do Desporto é um órgão central do Aparelho
de Estado que, de acordo com os princípios, objectivos e tarefas
definidas pelo Governo, dirige, planifica, implementa, coordena,
controla e desenvolve as políticas e programas no âmbito do
Desporto aprovado na Resolução nº 8/2020, de 24 de Abril. No artigo
3º, estão descritas as competências da Secretaria do Estado do
Desporto, na alínea b), no domínio do Desporto de Rendimento.
3. Apresentação, Análise e Discussão dos Resultados
Existem vários documentos oficiais que versam sobre o DR em
Moçambique, entre os quais a Lei do Desporto, a Lei do Mecenato, o
Estatuto de Atleta de Alta Competição, o Regulamento de Premiação
Desportiva, Decretos da criação da Plenária de Justiça Desportiva,
bem como o Plano de Implementação da Política do Desporto.
No concerne aos mecanismos de financiamento, defende-se que o
Instituto Nacional do Desporto e o Fundo de Promoção Desportiva
têm um papel fundamental na angariação e gestão dos recursos
financeiros destinados a implementação das actividades da Estratégia
da Política do Desporto de Rendimento.
Gráfico1: Fundos alocados às Federações Desportivas pelo Estado (2010-2017)
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 207
25.000.000,00
20.000.000,00
FMJUDO
15.000.000,00
FMVC
10.000.000,00 FMATLETISMO
5.000.000,00 FMV
FMBAS
0,00
FMF
10 11 12 13 14 15 16 17
20 20 20 20 20 20 20 20
Fonte: Fundo de Promoção Desportiva. Legenda: FMJUDO Federação Moçambicana Judo;
FMVC: Federação Moçambicana de Vela e Canoagem; FMATLETISMO: Federação
Moçambicana de Atletismo; FMV: Federação Moçambicana de Voleibol; FMBAS: Federação
Moçambicana de Basquetebol; FMF: Federação Moçambicana de Futebol.
Os nossos resultados, distanciam-se dos que foram encontrados por
CAMACHO (2018) –cujo estudo avança que o futebol beneficiou de
mais financiamento público e, de igual forma, do estudo de
CARNEIRO et al. (2019), quem, por sua vez, concluiu que a
modalidade de futebol beneficiava de mais verbas públicas que as
demais.
3.1. Recursos Financeiros
Em relação aos Recursos Financeiros destinados ao DR, os
resultados indicam que a maioria (83%) das federações inquiridas
refere que a maior fonte de financiamento do desporto é através de
verbas públicas, por meio de contractos-programas celebrados com o
Fundo de Promoção Desportiva.
No que tange às parcerias com o sector privado, os resultados
sugerem que 50% das federações não têm uma forte colaboração com
o sector privado, sendo, contudo, de destacar indícios de boas
parcerias entre as federações e o sector privado, uma vez que 17%
dos inqueridos respondeu positivamente à existência de alguma
pareceria. Os resultados apontam que 50% das FDN consideram que
esta lei não constitui o meio ideal para o financiamento do DR por
parte das empresas. A mesma realidade foi verificada quando foi
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 208
abordado o financiamento proveniente das receitas de loteria,
conforme apresentado na tabela 4.
Tabela 4. Fontes de Financiamento
Recursos financeiros Frequências
CT DT SI
Itens FR FA FR FA FR FA
50 33 17
O financiamento proveniente do Governo para o DR é adequado. 3 2 1
% % %
83 17 -
O financiamento é dado através de contractos-programas. 5 1 -----
% % -
50 50 -
A lei do Mecenato é um meio de financiamento ideal. 3 3 -----
% % -
17 50 33
A federação tem uma forte parceria com entidades privadas. 1 3 2
% % %
50 50 -
Parte do valor financiado é proveniente das receitas de loteria. 3 3 -----
% % -
A federação recebe mais apoio vindo da Federação Internacional da 33 50 17
2 3 1
modalidade. % % %
33 50 17
Há muita simplicidade na gestão e solicitação do financiamento. 2 3 1
% % %
A Federação tem receitas provenientes da venda da imagem de 50 50 -
3 3 -----
jogadores e transferência de Jogadores. % % -
67 33 -
Para promoção do DR deve se potenciar o marketing desportivo. 4 2 -----
% % -
Existem acções de marketing e comunicação desportiva para o DR 50 17 33
3 1 2
no país. % % %
Legenda: SI- Sem informação; FR- frequência relativa; FA- Frequência Absoluta e CT- Concordo
Totalmente, Discordo Totalmente.
3.2. Recursos Financeiros
À luz dos nossos resultados, observa-se que as federações
impulsionam as suas actividades na base de financiamentos
provenientes do estado por meio do fundo de promoção desportiva,
através de contractos-programas celebrados entre aquelas e o FPD.
Os nossos resultados são similares aos encontrados por CORREIA
(1999), quem afirma que os recursos financeiros, além dos
provenientes do Estado, são um imperativo no desenvolvimento do
sector federado.
Uma amostra tangível é a criação do Fundo de Promoção Desportiva
(FPD), da Direcção Nacional do Desporto de Rendimento (DNDR) e
outros instrumentos, com vista a estimular a alocação de fundos para
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 209
o DR, embora sejam medidas ainda não profícuas para alavancar o
DR de forma eficiente.
3.3. Equipamentos e Material desportivo
Neste ponto, os resultados revelaram que mais de 80% das FDN
consideram existir materiais e equipamentos desportivos, técnicos e
gestores especializados para a potencialização do DR. No que diz
respeito à eficácia das empresas, mais de 60% dos inqueridos
consideram que estas não são eficazes e 50% considera que não
conseguem responder à demanda, assim como aos timings das
solicitações, conforme apresentado na tabela 5.
Tabela 5: Equipamentos e materiais desportivos
Equipamentos e material desportivo Frequências
CT DT SI
Itens FR FA FR FA FR FA
Existem empresas específicas que fornecem material 50 50
3 3 ---- ---
e equipamentos com padrões internacionais. % %
Os equipamentos quando solicitados são 50 50
3 3 ---- ---
disponibilizados de acordo com os timings. % %
Existem técnicos e gestores de materiais e 83 17
5 1 ---- --
equipamentos especializados. % %
As empresas e fábricas de equipamentos são eficazes 17 67 17
1 4 1
na sua distribuição. % % %
A demanda é maior em relação a capacidade das 50 17 33
3 1 2
empresas e das fábricas. % % %
SI- Sem informação; FR- frequência relativa; FA- Frequência Absoluta e CT-
Concordo Totalmente, DT-Discordo Totalmente.
As federações desportivas inqueridas convergem sobre a
disponibilização dos equipamentos, e materiais desportivos
adequados para o Desporto de Rendimento. Portanto, é fundamental
referir que compete as federações desportivas, junto das autoridades
nacionais, assegurar que os equipamentos e os materiais desportivos
para competições respondam às especificações técnicas exigidas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 210
pelos padrões e internacionais de acordo com as regras da
modalidade.
Esta posição é reforçada por DELICADO (2003), ao considerar que a
definição da estratégia da federação, no âmbito dos equipamentos
desportivos para a prática da modalidade, é um factor importante
para o estabelecimento das linhas de orientações e de acção. No
mesmo pensamento, CUNHA (1993) afirma que os equipamentos
desportivos devem responder às aspirações daqueles que são
escolhidos como os destinatários ou utilizadores dos equipamentos.
3.4. Eventos e Resultados
Na tabela 6, apresentamos os principais resultados sobre estes pontos.
Em relação à participação em eventos internacionais, os resultados
demonstram divergência de opiniões, sendo que 33% afirma
participar em todos os eventos de especialidade, à medida que outros
33% distanciam-se deste posicionamento e os restantes 33% não
emitiram o seu parecer. Quanto à organização dos eventos
programados (nacionais e internacionais), em cada época desportiva,
constatamos que 50% das FDN cumprem com o calendário
desportivo definido.
Sobre a participação dos atletas/selecções desportivas em eventos, os
resultados sugerem que mais de 60% não tem participado em todos
os eventos programados no âmbito internacional, contudo, nos
eventos em que participam, a maioria (83%) ocupa lugares cimeiros,
conforme demostra a tabela. Porém, cabe destacar que 50% das FDN
referem que estes eventos são de nicho. Os resultados sugerem,
também, uma fraca colaboração entre as FDN e outras entidades que
gerem o desporto no seu todo e em particular o DR. Veja a tabela 6.
Tabela 6: Eventos e Resultados
Frequências
Eventos e resultados
CT DT SI
Itens FR FA FR FA FR FA
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 211
O nosso país tem participado em todos os
eventos desportivos relativos a sua 33% 2 33% 2 33% 2
modalidade.
A sua federação tem organizado
50% 3 33% 2 17% 1
continuamente campeonatos nacionais.
A sua federação tem organizado
50% 3 33% 2 17% 1
periodicamente eventos internacionais.
A participação de atletas/equipas tem
--- -- 33% 2 67% 4
sido em número considerável.
E quanto aos rankings, sempre ocupam
83% 5 17% 1 --- ---
lugares cimeiros.
Alguns campeonatos, eventos e ligas são
50% 3 33% 2 17% 1
de nicho.
Existe uma forte coordenação entre todas
as entidades que gerem o desporto de alta 33% 2 67% 4 --- ---
competição no país.
SI- Sem informação; FR- frequência relativa; FA- Frequência Absoluta e CT-
Concordo Totalmente, DT-Discordo Totalmente.
Se o calendário competitivo nacional é fraco por falta de provas e as
competições não estiverem bem organizadas, é difícil haver melhoria
da performance dos atletas, pois estes não conseguirão atingir o pico
das suas capacidades e estarão desajustados em relação aos seus
pares, nas competições internacionais.
Os nossos resultados sugerem haver empenho no seio das FDN para
a organização de eventos desportivos e aspirações para ganhar
competições internacionais, mas estes achados não vão ao encontro
do pensamento do FERREIRA (2018), que verificou, no seu estudo,
fraca organização de eventos desportivos.
3.5. Ciência e Tecnologia
Em relação à importância e ao envolvimento das instituições
académicas no DR, os resultados indicam que 50% possui algum tipo
de colaboração com as Faculdades ligadas à área Desportiva,
contudo, outros 50% são da opinião contrária. Os mesmos resultados
foram encontrados em relação aos memorandos de entendimento
existentes e a capacitações dos técnicos e dirigentes desportivos das
FDN.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 212
Em relação à produção de conhecimento útil para o DR, mais de 60%
considera que as monografias, dissertações e teses produzidas nas
Universidades têm contribuído muito para uma melhor preparação
dos atletas/selecções nacionais e dos técnicos envolvidos nesta
actividade. No entanto, mais de 80% dos inqueridos referem que esta
informação não é colocada à disposição das entidades desportivas, tal
como apresentado na tabela 7.
Tabela 7: Ciência e Tecnologia
Frequências
Ciência e tecnologia
CT DT SI
F
Itens FR FA FR FA FR
A
Existe uma forte colaboração com a academia para
o desenvolvimento de programas de teste e 50% 3 50% 3 - -
avaliação dos atletas?
A Federação e as Faculdades têm protocolos para
a investigação e desenvolvimento de software para 50% 3 50% 3 - -
a monitoria do treino?
As Universidades produzem conhecimento
inovador que contribua para a melhoria do
67% 4 33% 2 - -
desporto de rendimento na tomada de decisões e
melhor planificação?
Nas formações e capacitações as Universidades
estão sempre envolvidas para que os resultados 50% 3 50% 3 - -
sejam baseados em evidências científicas?
Existem teses e dissertações desenvolvidas nas
universidades nacionais colocadas a disposição 17% 1 83% 5 -- -
para o consumo das federações?
SI- Sem informação; FR- frequência relativa; FA- Frequência Absoluta e CT-
Concordo Totalmente, DT-Discordo Totalmente.
No modelo proposto por DE BOSSCHER et al. (2006) adaptado por
MAZZEI et al. (2012), o Pilar 9 elucida que a Pesquisa e o Suporte
Científico aplicados ao Desporto correspondem à relação entre
centros de pesquisa e estudos com o desenvolvimento desportivo de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 213
um país. Desta feita, podemos afirmar que existe uma maior
preocupação por parte dos pesquisadores desta área do saber no país,
apesar de estes trabalhos não serem de fácil acesso para as entidades
desportivas. Outro aspecto de realce é que a literatura nos mostra que
todos os países que alcançaram bons resultados aliaram as práticas
desportivas à Ciência e Tecnologia.
3.6. Recursos Humanos
Os recursos humanos são o maior activo que as organizações
desportivas possuem; mas, no que toca à sua qualificação, os
resultados sugerem que 50% das federações inquiridas não possuem
um staff devidamente qualificado, e 33% é da opinião contrária.
Em relação aos técnicos, mais de 60% das FDN possuem técnicos
com uma formação diversificada; na mesma situação, foi verificada a
existência de planos para a formação contínua. No respeitante ao
sentido de pertença, encontramos uma diversidade de opiniões, sendo
que 33% identifica-se com os princípios e as normas das federações,
33% não se edifica, e 33% não emitiram nenhuma opinião.
Em relação ao Estatuto de Atleta de rendimento, por um lado, 50%
das FDN referiram que são respeitados os preceitos deste documento
normativo sempre que necessário e, por outro, 50% das FDN não
observam os preceitos deste documento, conforme sugere a tabela 8.
Tabela 8: Recursos humanos
Frequências
Recursos Humanos
CT DT SI
Itens FR FA FR FR FR FA
Na Federação existe um staff e quadro técnico
devidamente qualificado para responder a 33% 2 50% 3 17% 1
demanda do dia-a-dia?
Os treinadores têm formação em diferentes
áreas de conhecimento (Analistas, Gestores 67% 4 17% 1 17% 1
desportivos, psicólogos, médicos)?
Existe um programa específico para a
67% 4 17% 1 17% 1
formação contínua do staff?
Há um alto nível de comprometimento e
sentido de pertença de todo o quadro humano 33% 2 33% 2 33% 2
com a federação?
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 214
A relação com os clubes ou associações é
50% 3 50% 3 --- -
saudável?
Os atletas/ selecções que fazem parte do DR
gozam do previsto no Estatuto do atleta de 50% 3 50% 3 --- -
rendimento?
SI- Sem informação; FR- frequência relativa; FA- Frequência Absoluta e
CT- Concordo Totalmente, DT-Discordo Totalmente.
Assim, os nossos resultados distanciam-se dos que foram
encontrados por CHELLADURAI (2006), para quem, apesar de
existir uma necessidade de formação do pessoal-quadro, as entidades
desportivas continuam a ser dirigidas por pessoas não especializadas,
entusiastas e/ou ex-atletas, o que faz com que os resultados sejam
geralmente medidos por números e não pela eficiência e qualidade.
3.7. Instalações desportivas
Nesta abordagem, constatou-se que 50% das FDN inqueridas relatam
que as instalações desportivas existentes no país não são suficientes
para responder à demanda do DR, sendo, apenas, 33% a assumir que
as instalações são suficientes. No que diz respeito ao programa de
construção de instalações desportivas, os resultados apontam que
50% dos inqueridos referem existir um plano para tal efeito,
enquanto outros 50% refere que não.
Sobre as exigências das instalações para padrões internacionais do
DR, os nossos resultados sugerem que mais de 60% das FDN
consideram que estas não respondem aos padrões e exigências
estabelecidas internacionalmente. Em contrapartida, 30% considera
que as instalações respondem aos padrões estabelecidos. Outro
aspecto analisado foi a criação de centros de rendimento para
impulsionar o DR, mas 50% das FDN consideram que este factor não
contribuiria para a alavancar o DR.
Tabela 9: Instalações Desportivas
Frequências
Instalações desportivas
CT DT SI
Perguntas FR FA FR FA FR FA
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 215
As Instalações desportivas existentes para o DR
33% 2 50% 3 17% 1
satisfazem a procura?
-
Existe um programa específico para a
-
construção e manutenção das instalações 50% 3 50% 3 -----
-
desportivas para o DR?
-
As instalações desportivas são geridas de -
50% 3 50% 3 ---
cientificamente? -
-
As políticas de manutenção e construção de
50% 3 50% 3 ----- -
instalações desportivas são sustentáveis para DR
-
-
As Infra-estruturas concebidas pelo estado -
33% 2 67% 4 -----
respondem as exigências da alta competição? -
-
Com a criação de centros de excelência e
academias do desporto de rendimento 33% 2 50% 3 17% 1
melhoraria o estado actual DR?
SI- Sem informação; FR- frequência relativa; FA- Frequência Absoluta e CT-
Concordo Totalmente, DT-Discordo Totalmente.
Sobre as políticas de construção, o nosso estudo apresenta resultados
similares aos do estudo de MATOS (2000), para quem as políticas
públicas para construção e manutenção das infra-estruturas
desportivas de rendimento não são sustentáveis e as instalações
desportivas existentes eram insuficientes para satisfazer a demanda
DR.
Esta posição encontra apoio em ALMEIDA (2012), ao afirmar que o
programa de construção e manutenção de instalações desportivas
para o desporto de rendimento deve constituir um processo dinâmico
cujos objectivos comprometem o decisor político de forma a gerar
sinergias entre os elementos do sistema desportivo ao nível central,
tomando decisões que incrementem a oferta desportiva de acordo
com a dispersão das organizações que administram ou utilizam a rede
de infra-estruturas desportivas para o DR.
No que tange à análise global das dimensões, constatámos que os
recursos financeiros apresentam valores médios (M=31.0±8.1) mais
altos em relação as outras dimensões e os valores médios
(M=12.3±6.3) mais baixos são verificados na dimensão Ciência e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 216
Tecnologia, respectivamente, tal como se pode verificar na Tabela
10.
Tabela 10: Estatística geral de todas as dimensões
Estatísticas
Recursos Equipament Eventos e Ciência e Recursos Instalações
financeiros o e material resultados tecnologia humanos desportivas
desportivo
M±DP 31.0±8.1 15.8±5.9 21.5±2.8 12.3±6.3 19.2±3.7 16.8±7.7
Mediana 29.5 15.0 21.0 13.0 18.5 14.5
Mínimo 23.0 8.0 18.0 4.00 14.0 10.0
Máximo 42.0 25.0 26.0 20.0 25.0 26.0
Fonte: Elaborado pela autora (2020)
Atinente aos Eventos e Resultados, houve um crescimento do
número de participações e de resultados nas modalidades de
Basquetebol, Voleibol, Canoagem, destacando-se a situação negativa
nas modalidades de Judo, Futebol e Atletismo.
4. Considerações finais
A intenção de discutir e apresentar os potenciais factores que
condicionam o desenvolvimento do DR em Moçambique foi a nossa
principal preocupação. Portanto, reiteramos o facto de que os
esforços que as organizações desportivas empreendem não geram
bons resultados em razão de, principalmente, não serem “injectados”
recursos financeiros satisfatórios– associado a uma má gestão dos
instrumentos já disponíveis, por conta de gestores não explicitamente
qualificados – para responder, rigorosamente, às necessidades de
cada federação, sendo um dos factores fundamentais para a coerência
de todo um sistema desportivo e para a consequente modernização do
DR no país.
Em suma, também, constatamos que os principais constrangimentos
que afectam o DR, resultam, principalmente, dos seguintes factores:
i) Equipamentos desportivos obsoletos em relação aos padrões
internacionais; ii) Dificuldades dos atletas em participar em eventos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 217
internacionais como consequência da escassez de fundos; iii). Pouca
divulgação das investigações inerentes ao deporto de rendimento; iv).
Pouca organização de eventos ao nível nacional.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, J. Planeamento e programação de instalações
desportivas municipais,2012.
CUNHA, L. Espaço e desporto. Revista Ludens, Lisboa, v.13, n. 3/4,
Jul./Dez., 1993.
CARTA OLÍMPICA em vigor a partir de 11 de Setembro de 2000,
ratificada pela 112ª sessão do Comité Olímpico Internacional em
Moscovo, em 14 de Julho de 2001.
CORREIA, A.& GONÇALVES, C. Os Desportos em Portugal.
Lisboa: Edições Confederação do Desporto de Portugal ,2003.
De BOSSCHER, V.; DE KNOP, P.; VAN BOTTENBURG, M.; e
SHIBLI, S. [Link] framework for analysing Sports Policy
Factors Leading to international sporting success. European Sport
Management Quarterly, 2006.
CHELLADURAI, P. Human resource management in sport and
recreation (2ªed.). United States of America, 2006.
FERREIRA, A, C.. Um modelo para a gestão de informações do
desporto de alto rendimento no brasil. E-legis, Brasília, Número
Especial – Pesquisas e Políticas sobre Esporte, 2018.
GIL, António Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São
Paulo: Atlas, 2008.
GONÇALVES, L, P, P. Do talento ao Alto Rendimento: a visão de
treinadores, jogadores e coordenadores sobre os factores
relevantes no desenvolvimento de um jogador de basquetebol;
porto editora, 2013.
MARCONI, M. LAKATOS, E. Fundamentos de Metodologia
Cientifica. 5ª ed. - São Paulo: Editora Atlas, 2009.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 218
MARTINS, M. Desenvolvimento do Desporto: a situação e o nível
desportivo do futebol e futsal feminino em Portugal, dissertação
elaborada com vista à obtenção do grau de mestre em gestão do
desporto – organizações desportivas. Portugal, Lisboa, 2013.
MATOS, V. Planeamento de Instalações Desportivas no Município.
A Procura da Prática Desportiva na Estratégia do Planeamento.
Estudo aplicado ao município de Santo Tirso. Porto: Dissertação
de Mestrado apresentada à Faculdade de Desporto da
Universidade do Porto. 2000.
MAZZEI, L. C.; BASTOS, F. C; FERREIRA, R. L.; e BÖHME, M.
T. S. Centros de treinamento esportivo para o Esporte de alto
rendimento no brasil: Um estudo preliminar R. Min. Educ. Fís.,
Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 1575-1584, 2012.
MEIRA, T, B; BASTOS, F, C; e BÖHME, T, T, S.. Análise da
estrutura organizacional do exporte de rendimento no Brasil: um
estudo preliminar, Rev. Bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.26,
n.2, p.251-62, Abr./Jun. 2012.
PIRES, G. A Relevância Estratégica do Desporto: Imprensa da
Universidade de Coimbra.2020.
Legislação Consultada
República de Moçambique, Boletim da República. In: Boletim da
República, III Série, número 50, publicação oficial da República
de Moçambique de 9 de Julho de 2020;
República de Moçambique, Boletim da República In: Decreto-lei n.º
21/1991 de 3 de Outubro, sobre os Princípios e Regras para o
exercício do Livre Associação;
República de Moçambique, Boletim da República: In: Decreto-lei n.º
52/2013 de 23 de Setembro, sobre o Fundo de Promoção
Desportiva;
República de Moçambique, Boletim da República. In: Lei 11/2002,
lei do Desporto, I Série, 2º Suplemento de 12 de Março de 2002;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 219
Programas de intervenção na redução das assimetrias
funcionais: um estudo de revisão
1
Domingos Manuel Nhamussua
2
Sílvio José Saranga
3
Rodolfo Novellino Benda
1, 2
Universidade Pedagógica de Maputo, Moçambique.
dnhamussua@[Link]
3
Universidade Federal de Pelotas, Brasil
Resumo
Introdução: As assimetrias laterais no comportamento motor
humano estão presentes tanto na preferência quanto no nível de
desempenho apresentado com segmentos corporais de ambos os
lados. Essas assimetrias laterais podem ser observadas através da
vantagem de desempenho com membros preferidos sobre os
membros não-preferidos em uma série de tarefas motoras,
particularmente nos movimentos manipulativos finos relacionados à
escrita, como no desempenho de acções motoras complexas, tais
como chutar, sendo comumente atribuídas a factores genéticos. Neste
sentido, era espectável uma supremacia generalizada do desempenho
em tarefas motoras realizadas com o membro dominante em relação
ao membro não-dominante. Contudo, vários estudos têm evidenciado
que os factores genéticos não são determinantes no desenvolvimento
da lateralidade. Neste caso, os factores ambientais têm comprovado
possuir um papel decisivo na determinação de assimetrias funcionais,
com particular destaque para o efeito da quantidade de prática
específica realizada com cada membro. Objectivo: O presente estudo
pretende apresentar o estado da arte sobre o efeito de programas de
intervenção na redução das assimetrias funcionais dos membros
inferiores em jovens atletas. Metodologia: Para o efeito foi realizado
uma revisão de estudos nas bases de dados electrónicas Google
Acadêmico, SciELO e PubMed no período de Junho a Outubro de
2022. Como critérios de inclusão foram usados apenas estudos
empíricos, publicados entre os anos 2012 e 2022, realizados com
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 220
atletas jovens com idades compreendidas entre 10 e 16 anos.
Resultados: As principais descobertas revelaram que o uso do pé não
preferido aumenta significativamente com o programa de treino no
grupo experimental, e paralelamente, a solicitação do pé preferido
diminui significativamente nos elementos do mesmo grupo, tanto nos
exercícios critérios como no contexto do jogo. Conclusões: Com a
literatura encontrada pode-se concluir que o MNP, pode ter
desempenho similar ao MP, e propiciar a transferência bilateral de
aprendizagem, quando devidamente estimulado com um programa de
treino técnico específico. Acredita-se também que os fatores
genéticos não são determinantes ao desempenho motor do MND, e
que, pelas características dinâmicas da lateralidade, quando o
estímulo direccionado ao MNP for interrompido, os ganhos sofrem
uma reversão.
Palavras Chaves: Lateralidade, Assimetrias Funcionais, Membros
Inferiores, Habilidades Motoras, Jovens Atletas.
Introdução
As assimetrias laterais no comportamento motor humano estão
presentes tanto na preferência, quanto no nível de desempenho
apresentado com segmentos corporais de ambos os lados, definindo-
se como sendo diferenças no desempenho de uma determinada tarefa
com o membro preferido e o não preferido (Teixeira & Paroli, 2000).
Essas assimetrias laterais podem ser observadas, particularmente
naquelas tarefas motoras envolvendo movimentos manipulativos
finos relacionados à escrita (Borod, Caron, & Kolff, 1984; Provins,
Milner, & Kerr, 1982), como no desempenho de ações motoras
complexas, tais como chutar (Teixeira, Chaves, Silva, & Carvalho,
1998). Estas assimetrias de desempenho entre os dois lados do corpo,
frequentemente têm sido adjudicadas à factores genéticos (Levy,
1976), acreditando-se numa relativa independência aos factores
ambientais. Nesta óptica, era espectável uma supremacia
generalizada do desempenho em tarefas motoras realizadas com o
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 221
membro dominante em relação ao membro não-dominante.
Entretanto, vários estudos têm evidenciado que os fatores de
dominância ou genéticos não são determinantes no desenvolvimento
da lateralidade e das assimetrias funcionais (Fagard & Lemoine,
2006). Por exemplo, em estudo com pares de gêmeos monozigóticos
concordantemente destros ou discordantes em lateralidade, Jancke &
Steinmetz (1995) mensuraram o desempenho máximo com as mãos
direita e esquerda em tarefas de velocidade de toques repetidos e
tarefas relacionadas à escrita, onde os resultados não indicaram
diferenças significativas. Esse achado sugere que, apesar de
possuírem heranças genéticas iguais, as assimetrias laterais
observadas em cada sujeito não predizem o grau de assimetria lateral
de desempenho apresentado pelo gémeo correspondente.
Neste contexto, os seres humanos usam seus membros de forma
diferente, num processo dinâmico, uma vez que emerge da interacção
de factores genéticos, neurológicos e socioculturais, juntamente com
todas as experiências de vida e treinamento persistente no caso do
desporto (Teixeira & Paroli, 2000; Leconte & Fagard, 2006). Hoje
em dia, os factores ambientais têm comprovado possuir um papel
decisivo na determinação de assimetrias funcionais, com particular
destaque para o efeito da quantidade de prática específica realizada
com cada membro, bem como pela especificidade da tarefa (Teixeira
& Paroli, 2000).
Nas habilidades motoras pedais, como no futebol, são muito poucos
os indivíduos que têm a mesma destreza e o mesmo desembaraço
com ambos os pés. A reforçar essa ideia, Carey et al., (2001) referem
que aproximadamente 79% dos jogadores utilizam o pé direito
(destros) para o remate e que a maioria dos jogadores não usa o
membro “não preferido” em acções de jogo, ou quando o fazem
apenas acontece em situações de fácil acção. Todavia, a medição das
assimetrias pedais é mais difícil do que as manuais. Isso acontece
porque a maioria das actividades realizadas com os membros
inferiores exige a comparticipação de ambos, envolvendo um
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 222
componente de mobilização e estabilização, o que não ocorre nas
actividades manuais, onde uma mão e, portanto, a mão dominante é
considerada a mão preferida para a maioria das actividades rotineiras
como escrever (Nicholls et al., 2013).
A maioria dos estudos referentes as assimetrias funcionais têm
acontecido na modalidade de futebol, onde Starosta & Bergier (1997)
advertem que a pouca utilização do membro não preferido (MNP)
parece estar relacionada com um desequilíbrio na preparação técnica
dos jogadores. Não obstante, alguns estudos referem que jogadores
que utilizam ambos os pés (ambidestros) podem ter vantagens
durante a competição, pois, este tipo de jogadores usam estratégias
distintas dos atletas que apenas utilizam o pé direito ou apenas o
esquerdo. Neste sentido, Teixeira & Paroli (2000) acreditam que os
jogadores que utilizam os dois pés com uma assinalável competência
têm uma maior habilidade do que aqueles que apenas utilizam
eficazmente o membro preferido (MP).
Para Barbieiri et al. (2008), o alto rendimento do jogador com ambos
os pés facilitam as acções do próprio durante o jogo, pois dá um
maior background técnico/táctico e acreditam e defendem também
que as assimetrias laterais no futebol prejudicam o rendimento do
jogador.
Por sua vez, Haaland & Hoff (2003), verificaram que os níveis de
eficácia do “pé não preferido” aumentaram significativamente depois
de aplicarem um programa de treino para esse membro. No entanto,
atestaram que por consequência ou não os níveis de eficácia do pé
preferido melhoraram igualmente.
Neste caso, compete ao treinador e aos profissionais das camadas de
formação a responsabilidade de contribuir para redução das
assimetrias laterais, e pela planificação adequada das actividades de
intervenção. Isso porque, estes devem ter uma visão global de todos
os processos que fundamentam o desenvolvimento e a aprendizagem
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 223
do movimento, visto que este é imprescindível na iniciação esportiva,
bem como no decorrer da evolução motora do ser humano (Benda,
2001).
O objectivo deste estudo de revisão é de apresentar o estado da arte a
respeito das assimetrias funcionais nos membros inferiores,
verificando os efeitos observados em programas de intervenção
aplicados a jovens.
1. Método
Foi realizada a captação de publicações em língua inglesa e
portuguesa, relacionadas aos temas assimetrias funcionais,
habilidades desportivas e programas de intervenção através de
bancos de dados científicos electrónicos (Google Académico,
Pubmed e SciELO), além de algumas dissertações que se destacaram
nesta temática da redução das assimetrias funcionais. Como critérios
de inclusão foram usados apenas estudos empíricos, publicados entre
os anos 2012 e 2022, realizados com atletas jovens com idades
compreendidas entre 10 e 16 anos. Os textos foram analisados e
sintetizados de forma crítica, a fim de discutir resumidamente as
informações obtidas.
2. Resultados
Na performance das habilidades motoras pedais, como é o caso de
futebol, um jogador ambidestro não perde segundos quando a
situação em causa exige o uso do MNP (Teixeira & Paroli, 2000).
Para o efeito, várias pesquisas reiteram que intervenções focadas ao
MNP podem aumentar os índices da sua utilização e reduzirem as
assimetrias laterais, permitindo assim, boas prestações em contextos
de jogo.
Num estudo realizado por Cunha & Fonseca (2014) cujo o objectivo
foi analisar o efeito do treinamento das habilidades especificas de
futebol com MNP a uma amostra de 20 crianças com idades
compreendidas entre 9 e 10 anos, inscritas em uma escola de futebol.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 224
Estes foram divididos em dois grupos: grupo experimental (GE) e
grupo controle (GC). Para o grupo experimental foi realizado um
trabalho específico com o MNP durante 30 minutos, já o grupo
controle recebeu somente o treinamento regular da escola. O período
de intervenção foi de 8 semanas com frequência de 3 vezes por
semana, delineado em três momentos diferentes: pré-teste, período de
treinamento e pós-teste. Os resultados obtidos mostraram que o
grupo experimental, obteve um melhor desempenho na precisão do
passe e do chute, apresentando médias superiores ao grupo controle.
Neste caso concluiu-se que o MNP, que antes era maioritariamente
apenas para efeitos de apoio, também pode ter desempenhos
similares ao MP, desde que seja estimulado.
Noutro estudo feito para verificação do impacto de um programa de
treinamento técnico específico para o membro não preferido na
redução das assimetrias funcionais em situação de jogo, Guilherme et
al., (2015) realizaram uma pesquisa onde participaram jovens
jogadores de futebol (N = 71). Estes foram divididos aleatoriamente
em dois grupos, um experimental e outro controle. O estudo foi
desenvolvido em três etapas: primeiro, avaliação do índice de
utilização de ambos os membros durante o jogo; segundo, a aplicação
de um programa de treinamento técnico que inclui o exercício de
habilidades motoras específicas direccionadas exclusivamente ao pé
não preferencial; e terceiro, avaliação da nova taxa de utilização de
ambos os membros após 6 meses de intervenção. Os principais
resultados foram: (1) no grupo experimental o índice de utilização do
pé não preferido aumentou significativamente com o programa de
treinamento técnico e no grupo controle permaneceu constante; (2)
no grupo experimental o uso do pé preferido diminuiu
significativamente e no grupo controle permaneceu semelhante. Com
este estudo concluiu-se que, um treinamento técnico sistemático e
específico para o MNP aumenta o seu uso e reduz a assimetria
funcional em situação de jogo, consequentemente melhorando a
actuação dos jogadores nas competições.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 225
Na perspectiva de indagar se a interrupção de um programa de
treinamento técnico seria acompanhada pela perca ou não dos ganhos
outrora obtidos, Guilherme et al., (2015) realizaram outra pesquisa
na qual participaram 50 jovens futebolistas divididos aleatoriamente
em dois grupos: grupo experimental e grupo controle. Primeiro
avaliou-se o índice de utilização de ambos os pés com recurso a
jogos reduzidos. Segundo aplicou-se o programa de treinamento com
a duração de 8 meses, subdivididos em dois períodos de 4 meses
cada: 1) submeteu-se o grupo experimental a um protocolo de
treinamento do pé não preferido, enquanto que o grupo controle
realizava o trabalho regular; 2) o grupo experimental interrompeu o
seu treinamento técnico enquanto o grupo controle passava a realizar
treinamento técnico nas mesmas condições do grupo experimental.
Terceiro, terminados os 8 meses do programa de treinamento os dois
grupos foram sujeitos a nova avaliação do índice de utilização dos
membros inferiores. Cumpridos os 3 momentos concluiu-se que o
treinamento técnico direccionado ao pé não preferido aumenta
significativamente o respectivo índice de utilização durante jogos
reduzidos e que a interrupção do treinamento revertia de forma
parcial este efeito. Ou seja, o treinamento técnico do MNP deve ser
sistemático para que os resultados positivos daí alcançados sejam
duradoiros.
Recentemente, Bozkurt et al., (2020) realizaram um estudo com o
propósito de investigar a transferência unilateral e bilateral de
habilidades básicas de futebol, nomeadamente a condução da bola, o
controle da bola, o passe e o remate em crianças iniciantes.
Participaram do estudo 24 crianças de 10 anos de idade separados em
dois grupos. Nas práticas das técnicas básicas do futebol o grupo de
MP apenas usou a perna/pé dominante e o grupo do MNP apenas
usou a perna não dominante. A fase de prática foi aplicada entre os
meses de Fevereiro e Maio no campo de futebol com grama sintética.
Os resultados mostraram que não houve diferença significativa entre
as transferências do grupo dominante para o grupo não dominante e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 226
vice-versa. Por outro lado, o desempenho de todas as técnicas
melhorou no grupo de pernas dominantes e não dominantes na
comparação de pré-teste para o pós-teste. As descobertas sugerem
que a transferência da aprendizagem das habilidades motoras pode
ser mais eficaz no sentido MNP para o MP nas técnicas de controle
de bola, drible e remate.
Tabela 1. Programas de intervenção para redução das assimetrias
funcionais
Idade das Teste Duraçã
Autor Amostra Tarefa
crianças utilizado o
Bateria de
Andrade testes de Treino
(2012) Idade - 12 e 14 infantis Mor- técnico
5 meses
(Dissertação os 13 anos Masculinos Christian específico
) (1979) e jogo de futebol
(Oliveira s/d)
Treino
Adaptado de
Cunha & 20 pré- técnico das
Mor- 8
Fonseca 9 e 10 anos púberes habilidades
Christian semanas
(2014) masculinos de passe e
(1979).
remate
SAFALL- Treino
Guilherme 71 jovens
11 a 16 FOOT de técnico
et al. (2015) atletas 6 meses
anos Guilherme et específico
masculinos
al. (2012) de futebol
Avaliação
24 alunos das Treino
Bozkurt et 10 anos de
do sexo habilidades técnico 4 meses
al. (2020) idade
masculino especificas específico
de futebol
Foram Treino
Idade 16 jovens avaliadas as técnico
Lipecki
média 11.6 futebolistas habilidades específico 6 meses
(2017)
± 0.6 masculinos especificas e 75% MNP
jogo de 1x1 e 25%PP
Foram
Treino
40 meninas avaliadas as
Erdil et al. 11 e 12 técnico 8
e 40 habilidades
(2016) anos específico semanas
rapazes em 3
de futebol
momentos
Como pode-se observar na tabela 1, a aplicação de uma intervenção
de treinamento técnico específico direccionado ao MNP demonstrou
ser efectivo na redução das assimetrias funcionais em muitos estudos,
após um período de 8 semanas no mínimo (Erdil et al., 2016; Cunha
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 227
& Fonseca, 2014). Em concordância com estes achados são vários
estudos a confirmarem que, a intervenção especifica gera um
aumento nos índices de utilização do MNP. Embora estes tenham
levado um período de intervenção maior (4-6 meses), contudo os
resultados são similares (Guilherme et al., 2015; Lipecki, 2017;
Bozkurt et al., 2020).
3. Discussão
Dos diferentes estudos observados nesta pesquisa foi verificado que
os níveis de eficácia do MNP aumentaram significativamente depois
de aplicação de um programa de treino para esse membro em
crianças
A partir de tais evidências, diferentes questões podem ser
consideradas. O uso exclusivo do MNP para realizar acções que
geralmente não fazem parte de suas acções, leva o corpo para criar
novos padrões de acção. Este recurso atende opiniões de vários
autores que destacaram a característica multidimensional e dinâmica
de comportamento motor (Martin & Porac, 2007; Teixeira &
Okazaki, 2007).
Uma das justificativas para este facto pode estar relacionada com a
perspectiva ecológica, fundamentada através das ideias de Bernstein
(1967), segundo a qual, o envolvimento fornece a informação
necessária para a realização de uma acção sem que haja um mediador
central, e que o comportamento é entendido como o resultado de um
processo de auto-organização e de uma interacção dinâmica ente a
informação das propriedades perceptíveis e pertinentes para a
realização da função.
Observando atentamente o desenho dos estudos encontrados na
literatura, estes apresentaram algumas restrições iniciais quanto à sua
praticabilidade. O facto de terem que interferir o menos possível nas
dinâmicas da preparação das equipas, sempre foi um requisito a
considerar. Neste sentido, a quantidade do tempo de treino
disponibilizado ao MNP do grupo experimental, representou uma
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 228
percentagem muito menor em comparação com o treinamento
direccionado ao MP, o que pode fazer antever uma certa limitação na
redução da assimetria. No entanto, conforme os resultados, esta
aparente desvantagem tornou-se em vantagem, já que foi possível
demonstrar que uma percentagem reduzida do tempo de treino, mais
ou menos 20 para cada 90 minutos de treino, permitiu um aumento
significativo da utilização do MNP nos testes subsequentes
(Guilherme et al., 2015).
Outrossim, os resultados mostraram que os protocolos nos quais o
grupo experimental foi submetido a um treino específico, tiveram um
impacto efectivo no aumento do uso do MNP em situações de jogo,
uma vez que os valores do índice de utilização dos mesmos foram
significativamente maiores quando comparados aos do grupo
controle. Neste caso é importante reter que o treino técnico específico
adoptado nas pesquisas, aparentemente proporcionou aos
participantes uma certa segurança no uso do MNP na situação de
jogo, e que, em alguns momentos, o uso deste membro fosse
remetido para o plano do não consciente (Andrade, 2012). Essas
informações destacam a importância de exercitar o MNP em
qualquer nível competitivo.
No entanto, sabe-se que além destes benefícios, as pesquisas
constataram que por consequência, os níveis de eficácia do pé
preferido melhoraram do mesmo modo, num processo denominado
transferência bilateral das habilidades motoras. Este fenómeno
refere-se à capacidade de aprender uma habilidade específica mais
facilmente, com uma mão ou perna, depois da mesma ter sido
aprendida com a mão ou perna oposta (Magill, 1993). Segundo
Magill (2011), na aquisição das habilidades motoras aprendemos
várias informações (referentes a posicionamento, força, velocidade),
contudo essa informação é independente dos membros executantes,
ou seja, o cérebro usa essa informação já adquirida para realizar o
movimento com o membro não usado. Neste sentido, a baixa
habilidade do MNP pode restringir de certa forma a performance do
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 229
MP, sendo isso consubstanciado por vários estudos observados na
presente revisão (Barbieri & Gobbi, 2009; Haaland & Hoff, 2003;
Teixeira et al., 2003).
O outro aspecto relevante nos estudos sobre assimetrias funcionais,
foi a dinâmica que caracteriza as assimetrias funcionais ao longo do
tempo. Vários autores (Haaland, & Hoff, 2003; Teixeira et al., 2003)
constataram que a assimetria funcional dos membros inferiores tende
a diminuir quando há um aumento sistemático no treinamento do
MNP, porém, percebeu-se também que quando abordagem
sistemática do treinamento é interrompido, a assimetria funcional
aumenta novamente. A presumível explicação para entender este
factor, pode ser encontrado na intersecção de informações
decorrentes dos efeitos de desempenho, e de aprendizagem (Magll,
2007; Tani et al, 2011) e também da perspectiva da abordagem
ecológica (Gibson, 1979). Como é sabido, os efeitos de
aprendizagem são aqueles que persistem após um longo período de
tempo, sem que a tarefa aprendida seja exercida directamente
(Magill, 2007). Neste caso, o resultado encontrado, sendo fruto da
comparação entre o grupo experimental e de controle ao longo do
tempo, pode-se considerar que, os valores mensurados no último
momento no grupo controle, referem-se aos efeitos do desempenho, e
os valores do grupo experimental, representam efectivamente, as
reais consequências da durabilidade da aprendizagem.
Para identificação das assimetrias funcionais e a respectiva
intervenção são fundamentais os testes. Dentre os instrumentos
utilizados para avaliação das habilidades especificas de futebol,
destaca-se a bateria de testes de Mor-Christian (1979), que media
precisão do passe, do remate, como também, o tempo de condução da
bola entre obstáculos. Contudo, constatou-se que os testes aplicados
para comparação dos índices de utilização de ambos os membros,
eram descontextualizados do jogo, havendo a necessidade da criação
de rotinas e tarefas de treino capazes de promover a utilização do
MNP no jogo. Percebendo-se da lacuna que dificultava a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 230
compreensão da eficácia das rotinas de avaliação, Guilherme et al.
(2012), optaram por validar um procedimento de avaliação
susceptível de avaliar a diferença de utilização entre “pé-preferido” e
“pé não-preferido” em situação de jogo, denominado SAFALL-
FOOT (System of assessment of functional asymmetry of the
lowerlimbsinFootball). Como se referiu entes, este instrumento foi
criado com o objetivo de analisar a assimetria funcional no contexto
de jogo. Em suma, o SAFAAL-FOOT trouxe condições de avaliação
com uma certa robustez, visto que, sendo o futebol um Jogo
Desportivo Colectivo, conferiu-lhe assim, a validade ecológica de
que carecia.
Na presente revisão, foi possível observar que o treino técnico
específico do MNP apresenta em média uma melhoria significativa,
reduzindo as assimetrias funcionais, mostrando que este treino gera
uma adaptação nos atletas. Os resultados sugerem ainda que, em um
período de dois meses, com uma frequência de 3 vezes por semana
de treinamento específico pode ser suficiente para promover
modificações significantes em jovens jogadores.
4. Considerações finais
Com o presente estudo de revisão pode-se concluir que o MNP,
muitas vezes apenas usado como suporte, ou seja, em fornecer
equilíbrio para a acção motora, pode ter desempenho similar ao MP,
quando devidamente estimulado. Para isso recomenda-se atenção
diferenciada com sessões de treinamento específicos, na finalidade de
equilibrar o índice de utilização de ambos os membros. Pode-se
entender a partir dos resultados observados que os factores genéticos
não são determinantes ao desempenho motor do MNP. Também se
observou a característica dinâmica da lateralidade, na qual, quando os
estímulos direccionados ao MNP fossem interrompidos, ocorria uma
reversão dos ganhos outrora obtidos. Os estudos observados sugerem
também que, existe um factor chamado transferência bilateral da
aprendizagem do MNP para o MP, sendo assim uma ferramenta
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 231
decisiva em termos de economia de tempo de prática para o
desenvolvimento de habilidades no geral. Finalmente, para se obter
implicações duradouras na taxa de utilização de ambos os membros
durante o jogo, o treinamento do MNP deve ser sistemático e não
ocasional. Para de alcançar estes benefícios, sugere-se atenção
especial para as crianças, sendo de suma importância que os
treinadores e profissionais que trabalham com o futebol estimulem o
MNP e organizem um programa apropriado de actividades,
ampliando o repertório motor dos jovens com sessões especificas de
treinamento, a fim de desenvolver as habilidades necessários para a
prática do futebol.
Referências Bibliográficas
Barbieri, F. A., & Gobbi, L. T. B. (2009). Assimetrias laterais no
movimento de chute e rendimento no futebol e no
futsal. Motricidade, 5(2), 33-47.
Barbieri, F. A., Santiago, P. R. P., Gobbi, L. T. B., & Cunha, S. A.
(2008). Análise cinemática da variabilidade do membro de
suporte dominante e não dominante durante o chute no
futsal. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 8(1), 68-76.
Benda, R. N. (2001). Aprendizagem motora e a coordenação no
esporte escolar. Revista mineira de educação física, 9(1), 74-82.
Borod, J.C., Caron, H.S., & Kolff, E. (1984). Left-handersand right-
handers compared on performance andpreference measures of
lateral dominance. British Journal of Psychology, 75, 177-186.
Bozkurt, S., Çoban, M., & Demircan, U. (2020). The effect of
football basic technical training using unilateral leg on bilateral
leg transfer in male children. Journal of Physical Education, 31.
Carey, D. P., Smith, G., Smith, D. T., Shepherd, J. W., Skriver, J.,
Ord, L., & Rutland, A. (2001). Footedness in world soccer: an
analysis of France'98. Journal of sports sciences, 19(11), 855-
864.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 232
Cunha, ES & Fonseca GM. (2014). Efeito de oito semanas de
estimulação de habilidade em membro inferior não-dominante de
pré-púberes sobre a precisão de passe e chute. [Link],
Revista Digital. Buenos Aires, Año 18, Nº 188.
Erdil, G., Yorulmaz, H., Olcucu, B., & Bulbul, A. (2016). Effect of 8
weeks bilateral football training program for 11-12 age group
children over learning transfer and permanency of the learning
transfer. International Journal of Academic Research, 8.
Fagard, J., & Lemoine, C. (2006). The role of imitation in the
stabilization of handedness during infancy. Journal of Integrative
Neuroscience, 5(04), 519-533.
Gibson JJ. (1979). The ecological approach to visual perception.
Boston: Houghton-Mifflin.
Guilherme, J., Garganta, J., Graça, A., & Seabra, A. (2015). Effects
of technical training in functional asymmetry of lower limbs in
young soccer players. Revista Brasileira de Cineantropometria &
Desempenho Humano, 17, 125-135.
Oliveira, J. G., Graça, A., Seabra, A., & Garganta, J. (2012).
Validação de um sistema de avaliação da assimetria funcional dos
membros inferiores em Futebol (SAFALL-FOOT). Revista
Portuguesa de Ciências do Desporto, 12(3).
Guilherme, J., Garganta, J., Graça, A., & Seabra, A. (2015).
Influence of non-preferred foot technical training in reducing
lower limbs functional asymmetry among young football
players. Journal of Sports Sciences, 33(17), 1790-1798.
Haaland, E., & Hoff, J. (2003). Non‐dominant leg training improves
the bilateral motor performance of soccer players. Scandinavian
journal of medicine & science in sports, 13(3), 179-184.
Leconte, P., & Fagard, J. (2006). Which factors affect hand selection
in children’s grasping in hemispace? Combined effects of task
demand and motor dominance. Brain and cognition, 60(1), 88-93.
Lipecki, K. Influence of technical training with an increased share of
non-dominant leg exercises on reduction in lower limbs
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 233
functional asymmetry in young soccer players. Human Movement
Special Issues, 2017(5), 157-164.
Magill RA. (1993). In motor learning concepts and applications.
Indiana: Brown and Benchmark.
Magill RA. (2007). Motor Learning and control. Concepts and
applications. Eighth ed. NewYork: McGraw-Hill.
Magill RA. (2011). Motor learning and control (9th Edition).
NewYork, NY: McGrawHill.
Martin, W. L. B., & Porac, C. (2007). Patterns of handedness and
footedness in switched and nonswitched Brazilian left-handers:
cultural effects on the development of lateral
preferences. Developmental neuropsychology, 31(2), 159-179.
Mor, D. & Christian, V. (1979). The development of a skill test
battery to measure general soccer ability. North Carolina, Journal
of Health and Musical Educariam.v.15 (1), p.30.
NA, P. N. D. M. E. (2012). Efeito do treino com o membro não
preferido no desempenho motor e na assimetria motora funcional
de jovens futebolistas (Doctoral dissertation, Universidade do
Porto).
Nicholls, M. E., Thomas, N. A., Loetscher, T., & Grimshaw, G. M.
(2013). The Flinders Handedness survey (FLANDERS): a brief
measure of skilled hand preference. Cortex, 49(10), 2914-2926.
Provins, K. A., Milner, A. D., & Kerr, P. (1982). Asymmetry of
manual preference and performance. Perceptual and motor
skills, 54(1), 179-194.
Tani, G., Bruzi, A. T., Bastos, F. H., & Chiviacowsky, S. (2011). O
estudo da demonstração em aprendizagem motora: estado da arte,
desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Cineantropometria
& Desempenho Humano, 13, 392-403.
Teixeira, L. A., & Paroli, R. (2000). Assimetrias laterais em ações
motoras: preferência versus desempenho. Motriz. Journal of
Physical Education. UNESP, 01-08.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 234
Teixeira, L. A., Silva, M. V., & Carvalho, M. (2003). Reduction of
lateral asymmetries in dribbling: The role of bilateral
practice. Laterality: Asymmetries of Body, Brain and
Cognition, 8(1), 53-65.
Teixeira, L. A. (2008). Categories of manual asymmetry and their
variation with advancing age. Cortex, 44(6), 707-716.
Teixeira, L. A., & Teixeira, M. C. T. (2007). Shift of manual
preference in right-handers following unimanual practice. Brain
and Cognition, 65(3), 238-243.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 235
Indicadores da síndrome metabólica, obesidade e
actividade física habitual. Um estudo em mulheres
adultas vendedeiras no mercado do peixe em Maputo
– Moçambique
1
Rafael Miguel
2
Luis Rodríguez de Vera Mouliaá
3
Sílvio José Saranga
1,2,3
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
O propósito deste estudo foi: (1) Determinar a frequência de alguns
indicadores da Síndrome Metabólica e sua associação com o excesso
de peso ou obesidade e inactividade física (menos de 150 min de
Actividade Física/semana moderada e ou vigorosa); (2) Verificar a
associação entre o excesso de peso, AF e factores de risco para
doenças cardiovasculares. Métodos: Uma amostra por conveniência
(49 mulheres) vendedeiras no Mercado do Peixe na cidade de
Maputo, cujas idades oscilaram entre os 22 e os 72 anos. O excesso
de peso e a Obesidade foram calculados através do Índice de Massa
Corporal. A Actividade Física foi avaliada através do (IPAQ)
International Activity Questionnaire, versão curta. Foram utlizados
alguns indicadores de risco para identificar a presença da Síndrome
Metabólica, nomeadamente: Glicemia em jejum ≥ 110 mg/dl,
Perímetro da cintura ˃88 cm, Tensão Arterial ≥ 130 e /ou 85 mm/Hg.
Resultados: Mostram que o sobrepeso e a obesidade é um problema
importante quer enquanto variável isolada quer, na relação com as
alterações metabólicas e, a frequência da obesidade parece ser,
sobretudo, um problema de obesidade do tipo andróide. Outrossim,
mais de 32% da amostra apresenta pelo menos 3 indicadores da
Síndrome Metabólica. Sendo a Hipertensão o indicador com maior
prevalência seguida da Cintura Abdominal (CA), o factor menos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 236
frequente foi a glicemia; a amostra em estudo evidenciou níveis
insuficientes da prática de AF.
Palavras-chave: Mulheres, Actividade Física, Obesidade, Síndrome
Metabólica
Introdução
A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo,
representado por um conjunto de factores de risco cardiovascular
(MENDES et al., 2012; JOUYANDEH et al., 2013) como
hiperinsulinemia, hipertensão arterial (HTA), níveis baixos de
lipoproteina de alta densidade (HDL) e hipertrigliceridemia que
normalmente estão relacionados a deposição central da gordura e a
resistência a insulina.
A obesidade é um fenómeno de dimensão global, não estando apenas
circunscrito a alguns países ou sociedades. Países desenvolvidos ou
em desenvolvimento, zonas favorecidas ou desfavorecidas, classes
sociais de elevada ou baixa renda, estão sujeitos a este flagelo
mundial (GOMES et al., 2010a).
A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2000) refere que a
obesidade é uma doença crónica que envolve factores sociais,
comportamentais, ambientais, culturais, psicológicos, metabólicos e
genéticos, caracterizando-se pelo acumulo de gordura corporal
resultante do desequilíbrio energético prolongado, que pode ser
originado pelo excesso de consumo de calorias e/ou inactividade
física.
Moçambique tem presenciado nos últimos anos uma transição
sociodemográfica e nutricional, o que concorre para o declínio da
prevalência da desnutrição em crianças e um aumento exponencial da
prevalência de sobrepeso e obesidade em adultos (OMS, 1999;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 237
DAMASCENO e PRISTA, 2002; CABALLERO, 2005; PRISTA,
2012). Pela pesquisa bibliográfica realizada para o nosso estudo, são
em número reduzido as evidencias identificadas que abordam
indicadores da SM com a população adulta.
DAMASCENO et al. (2009) com o propósito de verificar a
prevalência, tratamento e controlo da hipertensão arterial na
população adulta moçambicana e comparar as estimativas em função
do contexto urbano e rural, puderam registar um fenómeno
inesperado, isto é, para além de doenças transmissíveis,
paralelamente acumula-se um crescimento de doenças não
transmissíveis.
Por seu lado, GOMES et al. (2010a) procuraram conhecer a
percentagem de sobrepeso e obesidade conjugadas, nas zonas rurais
registaram 9.2% nas mulheres e 6.9% nos homens, enquanto nas
zonas urbanas foi de 39.4% e 21,5%, para homens e mulheres,
respectivamente. No entanto, SILVA-MATOS et al. (2012) refere
que a prevalência de diabetes foi de 2%, tendo a estimativa para a
zona urbana sido 2,9 vezes superior a rural.
DOS SANTOS et al. (2014), procuraram documentar as tendências
seculares na actividade física habitual dos jovens moçambicanos
entre 1992, 1999 e 2012, com uma amostra de 3393 sujeitos dos 8 a
15 anos de idade avaliados em 3 momentos diferentes,
nomeadamente 1992 – 1999 e 2012. A AF foi medida através de um
questionário, incluindo itens relacionados com as tarefas domésticas,
participação desportiva, jogos tradicionais e caminhadas e, como
resultados, registou-se no sexo masculino uma redução significativa
ao longo dos anos, nas seguintes variáveis: tarefas domésticas, jogos
tradicionais e actividades de caminhada. Por outro lado, no sexo
feminino observou-se um declínio significativo e consistente ao
longo dos anos conforme o perfil a seguir (1992>1999>2012) para as
tarefas domésticas, um declínio entre 1992 - 1999 e 1992 - 2012 para
jogos tradicionais e actividades de caminhada respectivamente, e um
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 238
incremento significativo entre 1992-1999 na participação desportiva.
Segundo o mesmo autor, concluiu-se que a tendência secular com
relação a actividade física habitual dos jovens é negativa, o que
sugere uma oportunidade para educação, com vista a aumentar os
níveis de actividade física habitual, para assim evitar os efeitos
adjacentes a este mal com consequências directas sobre a saúde
pública no futuro, ou seja, a obesidade e risco para doenças
cardiovasculares.
Segundo o Plano Estratégico do Sector de Saúde de Moçambique
(PESS, 2014 – 2019), as doenças não transmissíveis são consideradas
responsáveis por 80 % de todas mortes e por 60% de todas causas de
incapacidade que ocorrem nos países em vias de desenvolvimento,
com importantes consequências no consumo dos serviços de saúde,
bem como nos recursos económicos. Segundo este mesmo relatório,
estas doenças e o trauma começam a influenciar o perfil
epidemiológico do país e, consequentemente, o fardo da doença e a
pressão sobre os serviços de saúde. Nas doenças não transmissíveis, a
doença cardiovascular é a causa mais importante de morbilidade e
mortalidade, tendo como principal factor de risco a hipertensão
arterial. A prevalência da hipertensão arterial é estimada em 35% em
Moçambique, sendo maior nas cidades (40.6%) que no campo
(29.8%), aumentando com a idade (PESS, 2014-2019). Segundo o
mesmo relatório, a diabetes é também uma das maiores causas de
doença e morte prematura, sendo responsável pelo aumento do risco
para as doenças cardiovasculares. Em Moçambique, a prevalência da
diabetes na população com idade superior a 20 anos foi de 3,1% em
2003, e projectava-se um incremento para 3.6% em 2005.
Face a este quadro epidemiológico e ao reduzido tamanho da
pesquisa nesta esfera de conhecimento, a presente pesquisa pretende
constituir-se uma contribuição para conhecer a prevalência de alguns
indicadores da SM, AF, associados aos factores de risco
cardiovascular.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 239
Nesse sentido, levantamos as seguintes questõesː
– Qual é a prevalência dos indicadores da SM e sua associação
com a obesidade e inactividade física em mulheres moçambicanas
adultas vendedeiras no mercado do peixe;
– Até que ponto existe associação entre o excesso de peso, AF e
factores de risco para doenças cardiovasculares em mulheres
vendedeiras do mercado do peixe.
Com o intuito de dar resposta a estas questões apresentadas,
definimos os seguintes objectivosː
– Determinar a frequência de alguns indicadores da SM e sua
associação com o excesso de peso ou obesidade e inactividade física
das mulheres vendedeiras do mercado do peixe.
Actualmente e em dimensão planetária, assistindo-se a um
incremento exponencial da obesidade e de um estilo de vida
sedentário, a SM emerge como um desafio sério e preocupante não
só para a medicina, mas também, para os responsáveis pela saúde
pública mundiais (FORD, 2005). Os sujeitos com SM têm um risco
acrescido de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares. Neste
concernente, diversos esforços vão no sentido de precocemente
detectar e tratar a SM e concomitantemente, diminuir o risco de
doenças cardiovasculares, principal causa de morte nos países
desenvolvidos (ZHU et al., 2004) e, começa também a ser
preocupante nos países em transição socioeconómica e nutricional,
principalmente nos que se localizam na África subsaariana, devido a
mudança sequencial do estilo de vida e dos hábitos nutricionais
(BELUE et al., 2009).
– Verificar a associação entre o excesso de peso, AF e factores de
risco para doenças cardiovasculares das mulheres vendedeiras do
mercado do peixe.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 240
A inactividade física é um dos factores de risco modificável mais
importante concorrente para o surgimento das doenças crónicas
degenerativas, o que contribui para o surgimento de vários factores
de risco intermediário com o aumento da importância destas doenças
para a saúde pública na África Subsaariana (BELUE et al., 2009) e,
no particular em Moçambique, ou seja, a pressão arterial elevada
(DAMASCENO et al., 2009), glicemia elevada (SILVA- MATOS et
al., 2011), e sobrepeso / obesidade (GOMES et al., 2010b). O
reconhecimento da importância da AF aumentou, dada a evidência
epidemiológica, associando o estilo de vida sedentário com a
obesidade (PEREIRA & PEREIRA, 2011; TRAPÉ et al., 2015). Por
outro lado, a correlação entre a inactividade física e um risco
acrescido de doenças coronárias tem vindo a ser inequivocamente
demonstrada, sendo que, alguns estudos epidemiológicos e clínicos
têm demonstrado a existência de uma associação benéfica entre a AF
com diversos indicadores das doenças não transmissíveis (SANTOS
et al., 2005; PEREIRA & PEREIRA, 2011; TURI et al., 2014;
ALMEIDA, 2015).
1. Material e métodos
1.1. Caracterização da amostra
A amostra do presente estudo foi decidida por conveniência, sendo
constituída por 49 mulheres todas vendedeiras no Mercado do Peixe
na cidade de Maputo, cujas idades oscilaram entre os 22 e os 72 anos.
Os sujeitos constituintes da amostra representam mais de ¾ de toda a
população feminina que exerce actividades comerciais naquele local.
Estas aderiram ao estudo de forma voluntaria.
1.2. Instrumentos e variáveis do Estudo
Todas as voluntárias foram submetidas à análise sanguínea e a
avaliação nutricional. A análise sanguínea foi realizada por forma a
determinar a glicemia de jejum. Mediu-se em seguida a Pressão
Arterial. Para a avaliação do estado nutricional das mulheres, as
medidas antropométricas obtidas foram: peso, altura, IMC e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 241
circunferência abdominal. Foi também calculado o nível de
actividade física habitual. Para a definição dos indicadores da SM
foram considerados os portadores da SM os indivíduos que
apresentarem três ou mais dos seguintes requisitos: Cintura
Abdominal (CA)> 88cm, HTA (≥130/85 mm Hg; Glicemia em jejum
elevada (≥110 mg/dl ou 6.1 mmol/L). Todas as avaliações foram
realizadas no período da manhã entre as 7h00 e as 9h00, após o
pequeno almoço (com excepção das análises sanguíneas).
1.2.1. Medidas Antropométricas
A altura e o peso foram medidos com um estadiómetro da marca
Harpender (Holtain, Crymych, United Kindom) e uma balança de
marca Secca (M 01-22-07-245; Secca Germany). A circunferência
abdominal (CA) foi medida com fita antropométrica de marca
Roche®, flexível e inextensível, com escala em centímetros. Todas
as medidas foram realizadas de acordo com os procedimentos
descritos e padronizados por LOHMAN (1988). O Índice de Massa
Corporal (IMC) foi calculado através da fórmula: Peso/Altura²,
expresso em kg/m²). Foram considerados os critérios de definição de
Obesidade da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2000; JAMES
et. al., 2001).
1.2.2. Pressão Arterial
A Pressão Arterial foi medida antes da avaliação antropométrica e
após o sujeito permanecer cinco minutos na posição de sentado. Com
o braço esquerdo do sujeito apoiado e a altura do coração, colocou-se
a braçadeira do aparelho cerca de 3 centímetros acima da fossa
anticubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a artéria umeral.
Procedeu-se a desinsuflação da braçadeira com velocidade constante.
Determinou-se o valor da pressão arterial sistólica e diastólica. Esta
medição foi realizada duas vezes com intervalo intermédio de dois
minutos e foi considerada a média das duas medições. Foi utilizado
um esfigmomanómetro digital automático de marca OMRON Model
I-Q142.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 242
1.2.3. Actividade Física
No nosso estudo, a actividade física total por semana foi calculada
tendo em conta as recomendações do Center for Disease Control and
Prevention's e do ACSM (pelo menos 150 min por semana de
actividade física moderada e/ou vigorosa) (PATE et al., 1995) e o
questionário utilizado foi o IPAQ (International Physical Activity
Questionnnaire) – versão curta.
1.2.4. Análises sanguíneas
Todas as recolhas de sangue foram realizadas por um técnico de
análises clínicas do laboratório da Associação dos Diabéticos de
Moçambique, encontrando-se os indivíduos em jejum de pelo menos
10 horas. Foi obtida uma amostra de sangue de 5 ml para um tubo
seco, retirado da veia anticubital, na posição de sentado. As amostras
foram convenientemente rotuladas e analisadas no próprio
laboratório após repousarem cerca de quarenta minutos (este tempo
justifica-se pela adição de um activador que torna a coagulação mais
rápida). Foram feitas as separações por centrifugação (centrifuga
refrigerada), durante dez minutos a 3000 rot. ⁄ min, de soro. O
doseamento foi feito imediatamente após a separação. Os níveis
séricos da glicose que foram apurados através do método GOD−PAP
(Beckman, USA), teste calorimétrico enzimático. Foi realizado o
reconhecimento de precisão e garantia da avaliação das análises
através de controlo interno constante de laboratório.
1.3. Procedimentos Estatísticos
Os dados foram tratados em computador, através do programa
informático estatístico SPSS. (Statistical Package for the Social
Science) para Windows, versão 22.0. Fez-se uma análise exploratória
dos dados para que se avaliassem os pressupostos essenciais da
análise estatística. Utilizaram-se os procedimentos normais para a
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 243
estatística descritiva. Para verificar a aderência à normalidade
utilizaram-se os testes de inferência Shapiro-Wilk, com correcção de
Lilliefors. O teste de Shapiro-Wilk (indicado para n <50 indivíduos) é
o que nos permitiu verificar que a distribuição da maior parte das
variáveis em análise era uma distribuição normal (p> 0.05).
Elaborou-se Tabelas de Contingência que relacionaram o IMC com
as restantes variáveis do SM e com agregação de factores de risco do
SM. Para verificar a agregação dos indicadores de risco para a SM
observou-se o critério de diagnóstico proposto pela NCEP-ATP III
(FORD et al., 2002). O teste Qui-quadrado foi aplicado a cada uma
das Tabelas de Contingência a fim de determinar a existência ou não
de relação de dependência entre as variáveis. Foram realizadas
análises de correlação para verificação entre variáveis continuas
utilizando a de Pearson quando as duas variáveis apresentam
distribuição normal e a de Spearman, quando pelo menos uma
variável tenha violado o pressuposto de normalidade. O nível de
significância foi mantido em 0.05.
1.4. Considerações éticas
Todas as participantes foram informadas do propósito do estudo, do
modo e do tipo de avaliações, e assinaram um termo de
consentimento informado preparado para o efeito, como prova e
anuência à pesquisa. O estudo foi autorizado pelo Conselho
Municipal da cidade de Maputo, entidade gestora daquele mercado.
2. Apresentação e Discussão dos resultados
2.1. Resultados
Na Tabela 1 apresentam-se as medidas descritivas (média, desvio
padrão, mediana, valor máximo) de todas as variáveis analisadas.
Verificamos que o valor médio da Glicemia se encontra dentro dos
parâmetros considerados normais. Nas restantes variáveis os valores
médios se situam acima do valor crítico. Realça-se, contudo, o valor
elevado dos desvios padrões, o que demonstra uma certa
heterogeneidade da amostra.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 244
Relativamente ao IMC verifica-se que metade (51,0%) dos
indivíduos da amostra são obesos, (30,6%) têm excesso de peso e
apenas (18,4) são normoponderais. No que tange a AF, os resultados
mostram-nos que (85,7%) dos sujeitos da amostra são considerados
insuficientemente activos e apenas (14,3%) são declarados activos.
Verificamos ainda que, os factores de risco da SM com maior
frequência são a TA (75,5%), CA (71,4%), TAD (67,3) e por último
os valores da glicemia (30,6%). Relativamente à frequência de um ou
mais factores de risco da SM, os resultados mostram uma
percentagem importante (32,7%) de mulheres com SM e apenas
(10,2%) com um ou mais factores de risco da SM (Tabela 2).
Tabela 1. Caracterização da amostra para as variáveis analisadas no
estudo: idade, altura, peso, índice de massa corporal (IMC), tensão
arterial sistólica (TAS), tensão arterial diastólica (TAD), tensão
arterial média (TAM), glicémia, circunferência abdominal (CA),
gordura corporal total (GCT), gordura visceral (GV) e actividade
física (AF).
Idade Altur Peso IMC TAS TAD TA Glicemi CA GC GV AF
(anos a (kg) (kg/ (mm (mm M a (cm) T (%) (min/sem)
) (cm) m2) Hg) Hg) (mm (mg/dl) (%)
Hg)
152. 112. 10.
Média 46.0 159.4 79.2 31.2 92.6 109.7 97.0 51.4 355.2
3 5 9
Median 149. 114. 12.
48.0 160.0 76.8 30.4 93.0 97.2 99.5 53.1 300.0
a 0 3 0
Desvio
13.7 5.8 18.2 7.1 29.7 14.3 18.1 40.3 15.3 6.6 3.3 239.4
Padrão
Mínimo 22.0 143.0 45.7 19.0 99.0 65.0 79.0 34.2 67.0 36.5 5.0 .00
126. 237. 131. 158. 130. 18.
Máximo 72.0 169.0 48.8 268.2 67.0 993.0
4 0 0 0 0 0
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 245
Tabela 2. Prevalência (%) da obesidade e (IMC), da atividade física
(AF) e dos indicadores da SM: circunferência abdominal, tensão
arterial sistólica (TAS), tensão arterial diastólica e glicose para a
amostra total.
Variáveis Amostra Total
IMC
Eutrofia 18.4
Sobrepeso 30.6
Obesidade 51.0
AF
Insuficientemente Activos 85.7
Suficientemente Activos 14.3
Indicadores do SM
CA (> 88 cm) 71.4
TAS (> 130 mm Hg) 75.5
TAD (> 85 mm Hg) 67.3
Glicose (> 110 mg/dl) 30.6
Fatores de Risco do SM
≥ 1 Fator de Risco 10.2
≥ 2 Fatores de Risco 16.3
≥ 3 Fatores de Risco 32.7
≥ 4 Fatores de Risco 24.5
Tabela 3. Prevalência (%) do IMC relacionado com a AF, com os
indicadores do SM e com o SM (Amostra total).
Variáveis IMC IMC IMC
Eutrofia Sobrepeso Obesidade
n= 9 n= 15 n= 25
n % n= % n= %
AF
Insuficiente Activos 9 100.0 14 93.3 19 76.0 p=
Suficiente Activos 0 0.0 1 6,7 6 24.0 0.126
Indicadores do SM
Normal 9 100.0 4 26.7 0 0.0 p=
CA
Risco 0 0.0 11 73.3 24 100.0 0.000
Normal 7 77.8 3 20 2 8
TAS p= 0.00
Risco 2 22.2 12 80 23 98
Normal 7 77.8 5 33.3 4 16.0 p=
TAD
Risco 2 22.2 10 66.7 21 84.0 0.003
Glicémi Normal 8 88.9 12 80.0 14 56.0 p=
a Risco 1 11.1 3 20.0 11 44.0 0.105
Factores de Risco do SM
Sem F. de Risco 6 66.7 1 6.7 0 0.0 p=
1 F. de Risco 1 11.1 3 20.0 1 4.2 0.000
2 F. de Risco 2 22.2 2 13.3 4 16.7
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 246
≥ 3 F. de Risco 0 0.0 9 60 19 79.2
Ao relacionarmos o IMC com a AF verifica-se que a maior parte das
mulheres insuficientemente activas tem o IMC normal. Quando
cruzamos o IMC com cada um dos indicadores da SM verificamos
que os indivíduos com excesso de peso ou obesidade são os que
apresentam maiores frequências de valores de risco da CA, TAS,
TAD e Glicemia. Na associação variáveis IMC e a presença de
factores de risco da SM, nota-se que não há nenhum sujeito obeso
sem factores de risco da SM. Quando o IMC é relacionado com a SM
verificamos que apenas os indivíduos com excesso de peso ou
obesidade têm a SM (Tabela 3).
Quando a amostra é dividida de acordo com o nível de AF,
verificamos que 14,3% dos indivíduos activos tem pelo menos um
fator de risco da SM. No entanto, a prevalência da SM é elevada quer
nas mulheres inactivas (58,5%) assim como nas activas (57,2%)
(Tabela 4).
Tabela 4. Prevalência (%) do SM relacionado com a AF
Variávei IMC CA GC GV
s R r R r
Glicemia .300 .356 .273 .416
PAS .511 .645 .517 .700
PAD .463 .484 .464 .439
Idade .356 .541 .334 .826
Resultados obtidos mediante a análise de correlação entre os
indicadores da SM e os da composição corporal, Tabela 5. Do modo
geral, todas as correlações são significativas. Pode-se observar que a
Glicemia teve uma correlação fraca com o IMC, CA, GC, enquanto a
PAS teve uma correlação moderada a alta com todos indicadores da
composição corporal. A idade teve uma correlação alta com a GV.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 247
Tabela 5. Correlações entre idade, IMC, composição corporal,
glicemia e pressão arterial (p = 99 %)
AF AF
Insuficientemente Suficientemente
Variáveis Activos Activos
N= 41 N= 7
n % N %
Factores de Risco do SM
Sem Factores de Risco 7 17,1 0 0,0
1 Factor de Risco 4 9,8 1 14,3 p=
2 Factores de Risco 6 14,6 2 28,6 0.625
≥ 3 Factores de Risco 24 58,5 4 57,2
2.2. Discussão dos resultados
Após análise dos estudos revistos, as evidências epidemiológicas
referem que a AF parece ser um factor protector na ocorrência da
SM. A plausibilidade biológica da AF na modelação dos diferentes
componentes da SM tem sido proposta por diversos autores (LAKHA
et al., 2002; ZHU et al., 2004; SANTOS et al., 2005; BROWNSON
et al., 2005, LI et al., 2007, PEREIRA & PEREIRA, 2011). Para
ZHU et al. (2004) e PEREIRA e PEREIRA (2011) a AF tem um
efeito protector no SM, evidente através da melhoria na concentração
dos lípidos no plasma sanguíneo, principalmente com o aumento da
concentração de colesterol HDL e pelo decréscimo da concentração
de triglicerídeos. Outrossim, a AF concorre para a diminuição da
pressão arterial sanguínea, melhora a tolerância à glicose e a
sensibilidade à insulina, com implicações importantes na redução das
diabetes tipo II e problemas cardiovasculares.
No presente estudo a proporção de mulheres com obesidade (51,0%)
e com excesso de peso (30,6%) revelam-se superiores aos resultados
registados em estudos com a população portuguesa em que os valores
se encontram entre (27,7%) e (30,8%) para o excesso de peso e
(7,4%) e (15,4%) para a obesidade, respectivamente (CARMO, 2001;
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 248
ROSSNER, 2002; SANTOS et al., 2005). No entanto, importa referir
que as médias de idade dos participantes dos estudos por nós
visitados são menores que a da presente pesquisa. As mulheres nas
faixas etárias elevadas apresentam um risco acrescido de doenças
cardiovasculares (FORD & MOKDAD, 2008). Essa mudança no
perfil de risco cardiovascular coincide com o climatério e caracteriza-
se pelo surgimento ou piora de alguns factores de risco com a
obesidade centralizada, hipertensão arterial, e dislipidemia. Dai,
alguns estudos referirem uma associação causal entre a menopausa e
os factores de risco componentes da SM, enquanto outros atribuem o
aumento do risco apenas ao processo de envelhecimento
(CASIGLIA, 1996).
A AF permite aumentar à sensibilidade a insulina, ao contribuir para
o aumento do número e actividade dos transportadores de glicose
quer no músculo quer no tecido adiposo (LI et al., 2007). Ademais,
algumas pesquisas percorridas referem a possibilidade da AF
concorrer para a redução da incidência de diabetes para cerca de
metade com a implementação de uma AF regular em pessoas com
alterações da tolerância à glicose (LAKHA et al., 2002, PEREIRA &
PEREIRA, 2011).
Neste concernente, verificamos que (85,7%) das mulheres do
presente estudo são insuficientemente activas. Estas frequências são
relativamente semelhantes as observadas na população americana,
em que apenas (26,2%) dos adultos são considerados suficientemente
activos (MARTINEZ-GONZALEZ et al., 2001). Estes valores são
superiores aos referidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS,
2000) que apontam para o facto de 60% da população mundial não
praticar AF.
No nosso estudo, verificamos que a obesidade parece ser sobretudo,
um problema de obesidade centralizada ou tipo androide, dado que
(73,3%) dos indivíduos com excesso de peso e todos com obesidade,
apresentam valores de risco para a CA e que todos que têm um IMC
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 249
<25 Kg/m2 têm também a CA dentro dos parâmetros normais. Este
quadro de resultados é preocupante, dada a reconhecida importância
da obesidade abdominal no despoletar de diversas complicações
metabólicas (REIS et al., 2001). A literatura de especialidade está
repleta de evidências de que o excesso de tecido adiposo na região do
tronco é considerado um factor conspirador para o surgimento de
doenças cardiovasculares, até mais importante que a obesidade
generalizada (OKOSUN e DEVER, 2002). Os sujeitos com CA
acima dos valores normais, independentemente do seu IMC, têm um
risco acrescido de desenvolver a hipertensão arterial, Diabetes
Mellitus, Dislipidemias e SM do que indivíduos com CA normal
(JANSSEN et al., 2002). Com efeito, os indivíduos com excesso de
peso ou obesidade são as que maiores indicadores da SM apresentam.
Na nossa pesquisa, a prevalência da TAS, TAD e de glicemia
alterada aumentou com o aumento do IMC. Estes dados são similares
aos encontrados por SANTOS e BARROS (2003), estes autores
verificaram igualmente que o IMC aumenta com a idade e que os
valores da pressão arterial e perímetro abdominal são maiores nos
indivíduos obesos quando comparados com indivíduos com peso
normal.
Os resultados concernentes à obesidade e à AF antes da sua análise
apelam à seguinte exegese: Partindo do pressuposto de que a
obesidade, apesar de ser um problema de etiologia multifactorial, é
sobretudo causada por desequilíbrio do balanço energético (onde o
intake calórico é superior a energia despendida) (ERIKSSON et al.,
1997). No entanto, no presente estudo a maior parte dos sujeitos
componentes da amostra considerados suficientemente activos
pertencem aos grupos dos indivíduos com excesso de peso ou com
obesidade. Este quadro é semelhante ao registado por SANTOS et
al., (2005) com a população portuguesa. Quadro distinto aos nossos
resultados esta patente nos estudos desenvolvidos por autores como
(SHAPER et al., 1991).
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 250
Os nossos resultados parecem encontrar explicação não só no facto
dos níveis de AF avaliados com recurso ao questionário do IPAQ
tenderem a sobrestimar a AF (OLIVEIRA e MAIA, 2002), assim
como, a natureza transversal do estudo não permitir conhecer se os
indivíduos com sobrepeso e obesidade utilizam a AF como
ferramenta para o combate do excesso de peso e obesidade ou se
sempre tiveram comportamento activo. MARIVOET (2001) refere
num estudo por ele levado a cabo que 90% dos inquiridos
consideram a AF um instrumento de combate a obesidade, no
entanto, são poucos os que utilizam, significando que as populações
conhecem os benefícios, mas não usam essa informação.
O indicador da SM com maior prevalência foi a HTA, seguida da CA
e o factor menos frequente foi a glicemia. Por se tratar da população
africana os aspectos genéticos parecem contribuírem fortemente para
a alta prevalência da HTA encontrada neste estudo (DAMASCENO
et al., 2009). Estes resultados não são diferentes dos obtidos em
estudos realizados com a população portuguesa por autores como
(SANTOS & BARROS, 2003; SANTOS et al., 2005), assim como
em outros estudos por nos visitados, a HTA foi mais frequente nas
mulheres com excesso de peso ou obesidade (KRAUSS et al., 1998;
OKOSUN et al., 2001). Os 75,5% de frequência da TAS e os 67,3%
da TAD, são significativamente superiores aos registados nos países
europeus 44% e os 28% verificados nos Estados Unidos e Canada
(WOLF-MAIER et al., 2003, SANTOS et al., 2005).
Um dado preocupante no nosso estudo ainda que menor em relação a
outros indicadores da SM é a alta prevalência de valores de risco da
glicemia 30,6% e principalmente quando consideramos a obesidade
44%. Este quadro de resultados é diferente do observado por
SANTOS et al. (2005) que encontraram baixa prevalência de 3.5%
glicemia, mesmo quando considerada parte da amostra com excesso
de peso ou obesidade 7.7% ou quando é insuficientemente activa
7,9%. A obesidade e a inactividade física são importantes factores de
risco para a etiologia da Diabetes Mellitus tipo II (MOKDAD et al.,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 251
2001), no entanto, existe uma grande variabilidade na sensibilidade a
insulina, mesmo entre os sujeitos com excesso de peso ou obesos
(GRUNDY et al., 2004).
No entanto, é reconhecido que a HTA, as diabetes, a obesidade e as
dislipidemias podem ser parcialmente prevenidos por intervenções
sobre factores de risco comportamentais, com resultados favoráveis
sobre sua taxa de prevalência na população (LESSA, 2004).
Contudo, pela elevada prevalência da HTA em Moçambique (40%
nas cidades e 29.8% nas zonas suburbanas, PESS 2014-2019) e pelo
elevado custo social de suas consequências, a medida da frequência
de múltiplos factores de risco de doenças cardiovasculares com e sem
inclusão da HTA é social e economicamente relevante para
estratégias preventivas.
A natureza transversal deste estudo não nos permite saber que
consequências terão no futuro estes indivíduos. Sabemos sim que as
frequências da obesidade e da Diabetes Mellitus tipo II tendem a
aumentar com o avanço da idade e que a obesidade aumenta muito
mais o risco de aparecimento da Diabetes Mellitus tipo II do que o
risco de aparecimento de qualquer outra patologia (ALDER, 2002).
A Glicemia em jejum elevada é uma das componentes da SM, mas
nem sempre é determinante, já que os indivíduos sem resistência a
Insulina podem também apresentar a SM.
A frequência da SM na nossa amostra apresenta-se superior à de
outros estudos, cujos critérios de definição da SM foram os mesmos
(FORD et al., 2002; BONORA et al., 2003; PALANIAPPAN et al.,
2003; PARK et al., 2003; SANTOS et al., 2005). É de referir que
quanto maior o número de variáveis usadas para agrupamentos, tanto
maior o número de combinações possíveis e maiores as chances de
encontrar frequências mais elevadas para dois ou mais factores de
risco de doenças cardiovasculares ou isoladamente, para cada grupo
de factores de risco. Nas mulheres da nossa amostra a prevalência da
SM é superior a 32,7%. Estes resultados parecem encontrar
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 252
explicação na relação entre o excesso de peso ou obesidade e a SM
sugerida na literatura (ANDERSON & KONZ, 2001), uma vez que
as mulheres do presente estudo apresentam na sua maioria valores ≥
25 no IMC. Portanto, sempre que se relaciona o IMC com os factores
de risco da SM, verifica-se que todas as mulheres obesas apresentam
pelo menos um factor de risco da SM e que todas as mulheres com
SM têm excesso de peso ou são obesas. De nenhum modo, no
presente estudo pretendeu-se discriminar domínios com factores de
risco cardiovascular específicos predominantes. No entanto, os
factores de risco seleccionados, além da HTA, são
internacionalmente reconhecidos como sendo da maior relevância
para as doenças cardiovasculares de modo que, em qualquer
combinação são importantes para decisões preventivas. Dai que,
factores socioeconómicos, ambientais e culturais são mencionados
como imbuídos de uma provável explicação para a ampla variação
geográfica internacionais da prevalência de factores de risco
cardiovascular isolados ou múltiplos em distintas etnias (YUSSUF et
al., 2001), e como responsáveis pela elevada frequência das doenças
cardiovasculares nos países em desenvolvimento (LEVENSON et al.,
2002).
A forte associação entre a SM, agregação dos factores da SM e o
excesso de peso ou obesidade, sustentam o pressuposto que o IMC
≥25 acarretam frequentemente diversas comorbilidades e que
predispõe os sujeitos para o aparecimento da SM (SANTOS et al.,
2005). Estes indivíduos com SM para além dos factores de risco da
SM têm pelo menos mais um factor de risco de doenças
cardiovasculares, a obesidade, o que faz com que a probabilidade de
ocorrência de doenças cardiovasculares, nos próximos dez anos, seja
de 10 a 20%, segundo o NCEP-ATP III (2001). No entanto, quando a
amostra da presente pesquisa é subdividida de acordo com o nível de
AF, observa-se que das 28 mulheres com SM, 24 são consideradas
insuficientemente activas, constatações similares foram referidas nos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 253
estudos realizados (CARROLL & DUDFIELD, 2004; LAKKA et al.,
2003).
A literatura de especialidade tem referido de maneira premente que
fracos níveis de AF estão fortemente associados com todas as
componentes da SM, consequentemente, um aumento dos níveis de
AF pode actuar na prevenção da SM (ERIKSSON et al., 1997,
TURI, et al., 2014). Neste concernente, instituições avisas como
ACSM (2006) advogam que o exercício deve ser realizado numa
dada intensidade mínima e com um limiar de frequência e de
duração. Alguns estudos têm sugerido que múltiplos períodos de
actividade mesmo que ligeira poderão apresentar grandes benefícios
reduzindo o prolongado tempo sentado do cidadão moderno dos
tempos contemporâneos (HASKELL et al., 2007). Algumas
evidências apontam que, de facto, a maior parte do exercício físico
realizado, mesmo que de forma regular, tem pouca expressão no
balanço energético geral, já que as pessoas passam mais de 99% do
seu tempo na posição sentado ou deitado (PRISTA, 2012).
Outrossim, durante a execução da AF, algumas alterações ocorrem
após o término da actividade. Dentre elas é o fenómeno da
Hipotensão Pós – Exercício que se caracteriza pela redução da
pressão arterial durante o período de recuperação, fazendo que os
valores pressóricos observados pós-exercido permaneçam inferiores
aqueles medidos antes do exercício ou mesmo aqueles medidos em
um dia controle, sem a execução de exercícios. Para que a hipotensão
pós-exercício tenha importância clínica é necessário que ela tenha
magnitude importante e perdure na maior parte das vinte e quatro
horas subsequentes à finalização do exercício (BRUM et al., 2004)
Diversos estudos referem uma alta prevalência da obesidade (GU et
al., 2005; SABRY et al., 2002; SICHIERI, 2002) e que esta parece
ser importante entre as mulheres (GUEDES e GUEDES, 1998;
SABRY et al., 2002) e o seu incremento com a idade. A GV e CA
correlacionam-se com a maioria dos factores de risco de doenças
cardiovasculares, apresentando maior impacto sobre a elevação da
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 254
pressão arterial, como fortemente marcado na literatura de
especialidade (SIANI et al., 2002; CARNEIRO et al., 2003).
Outrossim, é importante referir a média de idade das mulheres no
nosso estudo que é elevada, com efeito à prevalência da obesidade
superior em idades mais avançadas (KRAUSS et al., 1998,),
principalmente em mulheres pós-menopausa (JOUYANDEH et al,
2013). Dai não ser surpreendente, na correlação a GV encontra neste
indicador um forte incremento com a idade.
3. Conclusões
1. Os resultados obtidos neste estudo, numa população de
mulheres adultas vendedeiras no Mercado do Peixe em Maputo,
indicam que o sobrepeso e a obesidade é um problema importante
quer enquanto variável isolada quer, na relação com as alterações
metabólicas caracterizadoras da SM. Outrossim, a frequência da
obesidade parece ser, sobretudo, um problema de obesidade
centralizada, ou do tipo androide.
2. Mais de 32% das mulheres adultas vendedeiras no Mercado
do Peixe apresentam pelo menos 3 indicadores da SM. O indicador
da SM com maior prevalência foi a HTA, seguida da CA e o factor
menos frequente foi a glicemia. Por se tratar da população africana os
aspectos genéticos parecem contribuir fortemente para a alta
prevalência da HTA encontrada no presente estudo.
3. As mulheres adultas vendedeiras no Mercado do Peixe
evidenciam níveis insuficientes da prática de AF. Pese embora a
ausência de relações significativas da AF com a SM, a AF pode-se
constituir como um elemento importante na mediação daqueles dois
factores pelo que se recomendam medidas e estratégias de
intervenção adequadas no âmbito preventivo nesta população
específica.
Referências bibliográficas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 255
ADLER, Amanda I., STEVENS, Richard J., NEIL, Andrew,
STRATTOR, Irene M., BOULTON, Andrew J., & HOLMAN,
Rury R. UKPDS 59: hyperglycemia and other potentially
modifiable risk factors for peripheral vascular disease in type 2
diabetes. Diabetes care, (2002). 25(5), 894-899.
ALMEIDA, Alfredo Magno Farias. Avaliação da atividade física
regular nos componentes da Síndrome Metabólica em
participantes de programa de atividade física. 2015.
ANDERSON, James W.; KONZ, Elizabeth C. Obesity and disease
management: effects of weight loss on comorbid
conditions. Obesity research, 2001, 9.S11: 326S-334S.
BELUE, Rhonda et al. An overview of cardiovascular risk factor
burden in sub-Saharan African countries: a socio-cultural
perspective. Globalization and health, v. 5, n. 1, p. 10, 2009.
BONORA, Enzo, KIECHL, Stefan, WILLET, Johann,
OBERHOLLENZER, F., Egger, G., Bonadonna, R. C., &
MUGGEO, M; Metabolic syndrome: epidemiology and more
extensive phenotypic description. Cross-sectional data from the
Bruneck Study. International journal of obesity, 27(10), 1283-
1289, (2003).
BROWNSON, Ross C.; BOEHMER, Tegan K.; LUKE, Douglas A.
Declining rates of physical activity in the United States: what
are the contributors?.Annu. Rev. Public Health, 2005, 26: 421-
443.
BRUM, Patrícia C., FORJAZ, Cláudia D. M., TINUCCI, Taís, &
NEGRÃO, Carlos E. Adaptações agudas e crônicas do exercício
físico no sistema cardiovascular. Rev Paul Educ Fís, (2004). 18,
21-31.
CABALLERO, Benjamin. A nutrition paradox—underweight and
obesity in developing countries. n engl j med, 2005, 352.15:
1514-1516.
CARMO, Isabel do. Obesidade: a epidemia global. Revista da
Faculdade de Medicina de Lisboa, 2001, 6.1: 39-46.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 256
CARNEIRO, G. et al. Influência da distribuição da gordura corporal
sobre a prevalência de hipertensão arterial e outros fatores de
risco cardiovascular em indivíduos obesos. Rev Assoc Med
Bras 2003; 49(3): 306-11.
CARROLL, Sean; DUDFIELD, Mike. What is the relationship
between exercise and metabolic abnormalities?. Sports
Medicine, 2004, 34.6: 371-418.
CASÍGLIA, Edoardo, et al. Lack of influence of menopause on
blood pressure and cardiovascular risk profile: a 16-year
longitudinal study concerning a cohort of 568 women. Journal
of hypertension, 1996, 14.6: 729-736.
DAMASCENO, Albertino; AZEVEDO, Ana; SILVA-MATOS,
Carla; PRISTA, António; DIOGO, Domingos; & LUNET,
Nuno. Hypertension Prevalence, Awareness, Treatment, and
Control in Mozambique Urban/Rural Gap During
Epidemiological Transition. Hypertension,54(1), 77-83. (2009).
DAMASCENO, Albertino; PRISTA, António. Prevalência de
factores de risco cardiovascular nas crianças da Cidade de
Maputo. Saúde, crescimento e desenvolvimento: um estudo
epidemiológico em crianças e jovens de Moçambique. FCDEF-
Universidade do Porto, FCEFD-Universidade Pedagógica,
Porto, Portugal, 2002, 89-96.
DOS SANTOS, Fernanda. K., Maia, José A., Gomes, Thayse N. Q.,
Daca, Timóteo, Madeira, Aspácia, Damasceno, Albertino, ... &
Prista, António Secular trends in habitual physical activities of
Mozambican children and adolescents from Maputo
[Link] journal of environmental research and public
health, (2014). 11(10), 10940-10950.
ERIKSSON, J.; TAIMELA, Simo; KOIVISTO, V. A. Exercise and
the metabolic syndrome. Diabetologia, 1997, 40.2: 125-135.
FORD, Earl S.; GILES, Wayne H.; DIETZ, William H. Prevalence
of the metabolic syndrome among US adults: findings from the
third National Health and Nutrition Examination Survey. Jama,
2002, 287.3: 356-359.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 257
FORD, Earl S.; MOKDAD, Ali H. Epidemiology of obesity in the
Western Hemisphere. The Journal of Clinical Endocrinology &
Metabolism, 2008, 93.11_supplement_1: s1-s8.
GOMES, A., DAMASCENO, Albertino, AZEVEDO, Ana, PRISTA,
Aantónio, SILVA-MATOS, Carla, SARANGA, Sílvio, &
LUNET, Nuno. Body mass index and waist circumference in
Mozambique: urban/rural gap during epidemiological
transition. Obesity reviews, (2010a). 11(9), 627-634.
GOMES, Fernando, TELO, Daniela F., SOUZA, Heraldo P.,
NICOLAU, José C., HALPERN, Alfredo., & SERRANO Jr,
Carlos V. Obesidade e doença arterial coronariana: papel da
inflamação vascular. Arquivos Brasileiros de Cardiologia,
(2010b). 94(2), 273-279.
GRUNDY, Scott M., BREWER, H Bryan, ClEEMAN, James I.,
SMITH, Sidney C., & LENFANT, Claude: Definition of
metabolic synd rome report of the National Heart, Lung, and
Blood Institute/American Heart Association Conference on
scientific issues related to definition. Circulation, 109(3), 433-
438. (2004).
GU, Dongfeng, REYNOLDS, Kristi, WU, Xigui, CHEN, Jing,
DUAN, Xiufang, REYNOLDS, Robert F., ... & INTERASIA,
Collaborative Group. Prevalence of the metabolic syndrome and
overweight among adults in China. The Lancet, 365(9468),
1398-1405. (2005).
GUEDES, Dartagnan Pinto; GUEDES, Joana Elisabete Ribeiro
Pinto. Distribuição de gordura corporal, pressão arterial e níveis
de lipídeos-lipoproteínas plasmáticos. Arq Bras Cardiol,
Londrina, v. 70, p. 93-8, 1998.
HASKELL, William L., et al. Physical activity and public health:
updated recommendation for adults from the American College
of Sports Medicine and the American Heart
Association. Circulation, 2007, 116.9: 1081.
JAMES, Philip T., LEACH, Rachel, KALAMARA, Eeleni, &
SHAYEGHI, Maryam. The worldwide obesity
epidemic. Obesity research, (2001). 9(S11), 228S-233S.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 258
JANSSEN, Ian; KATZMARZYK, Peter T.; ROSS, Robert. Body
mass index, waist circumference, and health risk: evidence in
support of current National Institutes of Health
guidelines. Archives of internal medicine, 2002, 162.18: 2074-
2079.
JOUYANDEH, Zahra, NAYEBZADEH, Farnaz, QORBANI,
Mostafa, & ASADI, Mojgan. Metabolic syndrome and
menopause. Journal of Diabetes & Metabolic Disorders,
(2013) 12(1), 1.
KRAUSS, Ronald M., et al. Obesity impact on cardiovascular
[Link], 1998, 98.14: 1472-1476.
LAKKA, Haana Maaria, LAAKSONEN, David E., LAKKA, Timo
A., NISKANEN, Leo K & SALONENA, Jukka: The metabolic
syndrome and total and cardiovascular disease mortality in
middle-aged men. Jama, 288(21), 2709-2716. 2002.
LAKHA, Haana Maaria, LEAKSONEN, D. E., LAKKA, T. A.,
NISKANEN L. K., KUMPPUSALO, E., & TUOMILEHTO, J.
(2002). The metabolic syndrome and total cardiovascular
disease mortality in middle aged man. JAMA, 288, 2709-16.
LAKKA, Timo. A., LAAKSONEN, David E., LAKKA, Hanna-
Maaria, MäNNIKKO, Niko I. K. O., NISKANEN, Leo K.,
RAURAMAA, Rainer A. I. N. E. R., & SALONEN, Jukka T.
Sedentary lifestyle, poor cardiorespiratory fitness, and the
metabolic [Link] and science in sports and
exercise, (2003) 35(8), 1279-1286.
LESSA, Ines. Doenças crônicas não-transmissíveis no Brasil: um
desafio para a complexa tarefa da vigilância. Cien Saude Colet,
2004, 9.4: 931-943.
LEVENSON, James W.; SKERRETT, Patrick J.; GAZIANO, J.
Michael. Reducing the global burden of cardiovascular disease:
the role of risk [Link] cardiology, 2002, 5.4: 188-
199.
LI, Chia-Lin, et al. Associations between the metabolic syndrome
and its components, watching television and physical
activity. Public Health, 2007, 121.2: 83-91.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 259
LOHMAN, David F. Spatial abilities as traits, processes, and
knowledge. 1988.
MARIVOET, Maria Salomé Fernandes Martins. Hábitos desportivos
da população portuguesa. 2001.
MARTINEZ-GONZALEZ, Miguel Angel, et al. Prevalence of
physical activity during leisure time in the European Union.
2001.
MENDES, Karina G., THEODORO, Heloísa, RODRIGUES, Alice
D., & OLINTO, Maria T. A. Prevalência de síndrome
metabólica e seus componentes na transição menopáusica: uma
revisão sistemática. Cad. saúde pública, (2012). 28(8), 1423-
1437.
MOKDAD, Aly H., BOWMAN, Barbara A., FORD, Earl S.,
VINICOR, Frank, MARKS, James S., & KOPLAN, Jeffrey P.
The continuing epidemics of obesity and diabetes in the United
States. Jama, (2001). 286(10), 1195-1200.
OKOSUN, Ike S., CHANDRA, Dinesh Choi, SIMON, Christman
Jackeline, DEVER, Alan & PREWITT, T. Elaine..
Hypertension and type 2 diabetes comorbidity in adults in the
United States: risk of overall and regional adiposity. Obesity
research, (2001) 9(1), 1-9.
OKOSUN, Ike S.; DEVER, G. E. Abdominal obesity and ethnic
differences in diabetes awareness, treatment, and glycemic
control. Obesity research, 2002, 10.12: 1241-1250.
OLIVEIRA, Marcos; MAIA, José: Avaliação multimodal da
actividade física. FCDEF Porto, 2002.
OMS (1999). Definition, diagnosis and classification of diabetes
mellitus and its complications. (em linha). WHO, Geneva.
Consultado em 12.11.2014. Disponível em
OMS/IASO/IOTF (2000) World Health Organization/International
Association for the Study of Obesity/International Obesity Task
Force. The Asia-Pacific perspective: redefining obesity and its
treatment.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 260
PALANIAPPAN, Latha; CARNETHON, Mercedes; FORTMANN,
Stephen P. Association between microalbuminuria and the
metabolic syndrome: NHANES III. American journal of
hypertension, 2003, 16.11: 952-958.
PARK, Yog-Woo., ZHU, Shankuan, PALANIAPPAN, Latha,
HESHKA, Stanley, CARNETHON, Mercedes R., &
HEYMSFIELD, Steven B.. The metabolic syndrome:
prevalence and associated risk factor findings in the US
population from the Third National Health and Nutrition
Examination Survey, 1988-1994. Archives of internal
medicine,163(4), 427-436. (2003)
PATE, Russell R., PRATT, Michael, BLAIR, Steven N., HASKELL,
Walter L., MACERA, Caroline A., BOUCHARD, Claud, ... &
KRISKA, Andrea; et al. Physical activity and public health: a
recommendation from the Centers for Disease Control and
Prevention and the American College of Sports
Medicine. Jama, 1995, 273.5: 402-407.
PEREIRA, Sofia; PEREIRA, Duarte. Síndrome metabólico e
actividade física. Acta Medica Portuguesa, 2011, 24.5.
PRISTA, António. Sedentarismo, urbanização e transição
epidemioló[Link] Científica da UEM: Série Ciências
Biomédicas e Saúde Pública, 2012, 1: 28-39.
REIS, Steven E., et al. Coronary microvascular dysfunction is highly
prevalent in women with chest pain in the absence of coronary
artery disease: results from the NHLBI WISE study. American
heart journal, 2001, 141.5: 735-741.
ROSSNER, Stephan. Obesity: the disease of the twenty-first
century. International Journal of Obesity & Related Metabolic
Disorders, 2002, 26.
SABRY, Maria O. Dantas; SAMPAIO, Helena Alves de Carvalho;
SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Hipertensão e obesidade em
um grupo populacional no Nordeste do Brasil. Rev Nutr,
Campinas, v. 15, p. 139-147, 2002.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 261
SANTOS, Ana; BARROS, Henrique. Prevalence and determinants
of obesity in an urban sample of Portuguese adults. Public
health, 2003, 117.6: 430-437.
SANTOS, Rute, NUNES, Ana, RIBEIRO, José C., SANTOS, Paula.,
DUARTE, José A. R., & MOTA, Jorge (2005). Obesidade,
síndrome metabólica e atividade física: estudo exploratório
realizado com adultos de ambos os sexos, da Ilha de S. Miguel,
Região Autônoma dos Açores, Portugal. Revista Brasileira de
Educação Física e Esporte, 19(4), 317-328. (2005).
SHAPER, A. G.; WANNAMETHEE, Goya; WEATHERALL, R.
Physical activity and ischaemic heart disease in middle-aged
British men. British heart journal, 1991, 66.5: 384-394.
SIANI, A.; CAPPUCCIO, F. P.; BARBA, G.; TREVISAN, M.;
FARINARO, E.; IACONE, R.; RUSSO, O.; RUSSO, P.;
MANCINI, M.; STRAZZULLO, P. The 30 Relationship of
Waist Circumference to Blood Pressure: The Olivetti Heart
Study. AJH 2002; 15:780–786
SICHIERI, Rosely. Dietary patterns and their associations with
obesity in the Brazilian city of Rio de Janeiro. Obesity research,
v. 10, n. 1, p. 42-48, 2002.
SILVA-MATOS, Carla; BERAN, David. Non-communicable
diseases in Mozambique: risk factors, burden, response and
outcomes to [Link] and health, 2012, 8.1: 1.
SILVA-MATOS, Carla, GOMES, A., AZEVEDO, A.,
DAMASCENO, Albertino, PRISTA, António, & LUNET, N.
Diabetes in Mozambique: prevalence, management and
healthcare challenges. Diabetes & metabolism, (2011). 37(3),
237-244.
TRAPÉ, Átila A., LIZZI, Elisangela A., JACOMINI, André M.,
HOTT, Sara C., JÚNIOR, Carlos R. B., & ZAGO, Anderson S..
Aptidão física e nível habitual de atividade física associados à
saúde cardiovascular em adultos e idosos. Medicina (Ribeirao
Preto. Online), (2015).48(5), 457-466.
TURI, Bruna C.; CODOGNO, Jamile S.; FERNANDES, Romulo A.;
MONTEIRO, Henrique L.: Pratica de atividade física ,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 262
adiposidade corporal e hipertensão em usuários do Sistema
Único de Saúde. Revista Brasileira de Epidemiologia – 2014.
WOLF-MAIER, Katherine, COOPER, Richard S., BANEGAS, José
R., GIAMPAOLI, Simona, HENSE, Hans- Werner, JOFFRES,
Michel, ... & STEGMAYR, Birgitta. Hypertension prevalence
and blood pressure levels in 6 European countries, Canada, and
the United States. (2003) Jama,289(18), 2363-2369.
YUSUF, Salim, REDDY, Srinath, ÔUNPUU, Anand; Global burden
of cardiovascular diseases part I: general considerations, the
epidemiologic transition, risk factors, and impact of
urbanization. Circulation, 2001, 104.22: 2746-2753.
ZHU, Shankuan, ST-ONGE, Marie-Pierre., HESHKA, Stanley, &
HEYMSFIELD, Steven B. Lifestyle behaviors associated with
lower risk of having the metabolic [Link],
(2004). 53(11), 1503-1511.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 263
SECÇÃO III: RESUMOS
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 264
Actividade Física habitual das mulheres de Mocuba e
Quelimane, durante a gestação
1
Domingos Chivure Júnior
2
Eugénia Luís
3
Carla Guenha
4
Sílvio José Saranga
1,4
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
muchjunior @[Link]
2
Universidade Católica- Moçambique
3
Universidade Licungo- Moçambique
Resumo
Introdução: a combinação entre a actividade física e a gestação
constitui uma fonte de benefícios não só durante os noves meses de
gestação, e sim em toda a vida da mulher. No entanto, factores como
falta de incentivos para a prática, algumas doenças na gestação e o
déficit de conhecimento acerca dos benefícios e o tipo de actividade a
praticar, podem constituir-se em barreira para a prática. Objectivo:
caracterizar os hábitos de actividade física das mulheres de Mocuba e
Quelimane, durante a gestação. Metodologia: estudo foi
desenvolvido em dois centros de saúde localizados na cidade de
Mocuba e Quelimane. Participaram do estudo, um total de 96
gestantes, das quais, 74 estavam inscritas num centro de saúde em
Quelimane e 22 em Mocuba. Os dados foram obtidos por meio de um
questionário desenvolvido por Silva (2018) que inclui indicadores
sociodemográficos, clínicos e hábitos de actividade física na
gestação. Os dados foram tabulados no pacote computacional Excel e
as análises da estatística descritiva foram efectuadas para verificar a
distribuição das frequências tanto absolutas quanto relativas através
do pacote estatístico SPSS versão 23.0. Resultados: a maioria das
gestantes praticavam a actividade física regularmente (Mocuba –
90.9% e Quelimane – 66.2%) relativamente ao tipo, constatamos que
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 265
as actividades foram predominantemente domésticas sendo que, em
Mocuba 90.9% desempenhavam actividades de lavoura e caseiras, tal
como ocorreu em Quelimane com 65.3%. Conclusão: os hábitos de
actividade física foram satisfatórios considerando que as gestantes
praticavam actividades domésticas regularmente, no entanto estas
actividades resultam espontaneamente das necessidades de
subsistência familiar e não necessariamente para uma finalidade
especifica de melhorar os indicadores de aptidão física. Isto sugere a
necessidade de continuidade da pesquisa, de modo a investigar o
padrão das actividades permitindo aprofundar os conhecimentos ao
nível da prescrição, bem como a percepção sobre os benefícios de
tais actividades na saúde geral da gestante e do bebé.
Palavras-chave: Hábitos, Actividade física, Gravidez, Mocuba e
Quelimane.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 266
Programas de intervenção na redução das assimetrias
funcionais: um estudo de revisão
1
Domingos Manuel Nhamussua
2
Sílvio José Saranga
3
Rodolfo Novellino Benda
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique.
dnhamussua@[Link]
3
Universidade Federal de Pelotas- Brazil
Resumo
Introdução: As assimetrias laterais no comportamento motor
humano estão presentes tanto na preferência quanto no nível de
desempenho apresentado com segmentos corporais de ambos os
lados. Essas assimetrias laterais podem ser observadas através da
vantagem de desempenho com membros preferidos sobre os
membros não-preferidos em uma série de tarefas motoras,
particularmente nos movimentos manipulativos finos relacionados à
escrita, como no desempenho de acções motoras complexas, tais
como chutar, sendo comumente atribuídas a factores genéticos. Neste
sentido, era espectável uma supremacia generalizada do desempenho
em tarefas motoras realizadas com o membro dominante em relação
ao membro não-dominante. Contudo, vários estudos têm evidenciado
que os factores genéticos não são determinantes no desenvolvimento
da lateralidade, e que os ambientais têm comprovado possuir um
papel decisivo. No caso do desporto, muitos estudos têm evidenciado
que o treino específico direccionado ao membro não dominante
aumenta os índices da sua utilização, reduzindo assim as assimetrias
funcionais entre os membros. Contudo, são raros os estudos que
avaliam a assimetria dos membros inferiores, uma vez que a maioria
das actividades é realizada por ambos os membros envolvendo um
componente de mobilização e estabilização. Objectivo: o presente
estudo pretende apresentar o estado da arte sobre o efeito de
programas de intervenção na redução das assimetrias funcionais dos
membros inferiores em jovens. Metodologia: Para o efeito foi
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 267
realizada uma revisão de estudos nas bases de dados electrónicos
Google Académico, SciELO e PubMed, no período de Junho a
Outubro de 2022, tendo sido seleccionados 13 artigos originais e uma
dissertação. Como critérios de inclusão foram usados estudos
empíricos, publicados entre os anos 2012 e 2022, realizados com
atletas jovens com idades compreendidas entre 10 e 16 anos.
Resultados: As principais descobertas revelaram que o uso do
membro não preferido aumenta significativamente com aplicação de
um programa de treino específico, e paralelamente, a solicitação do
membro preferido diminui, tanto nos exercícios critérios como no
contexto do jogo. Na perspectiva da transferência bilateral, os
estudos sugerem que a aprendizagem é mais efectiva no sentido
membro não preferido para o membro preferido. Conclusões: Com a
literatura encontrada pode-se concluir que o membro não preferido,
pode ter desempenho similar ao membro preferido, quando
devidamente estimulado. Acredita-se também que os factores
genéticos não são determinantes no desempenho motor do membro
não dominante, e que, pelas características dinâmicas das assimetrias
laterais, quando o estímulo direccionado ao membro for
interrompido, os ganhos também podem sofrer uma reversão parcial.
Palavras Chaves: Lateralidade, Assimetrias Funcionais, Membros
Inferiores, Habilidades Motoras, Jovens Atletas.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 268
Modelo gestão das instalações futebolísticas nos clubes
desportivos da cidade da Beira: o caso do Sporting
Clube, Ferroviário da Beira e Desportivo Estrela
Vermelha da Beira
1
David Filipe
2
Leonor Picardo
3
Gustavo Paipe
1,3
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
dawdphilip@[Link]
2
Universitária na Universidade Licungo- Moçambique
Resumo
Introdução: A gestão das infra-estruturas desportivas cumpre um
papel fundamental nas entidades desportivas, podendo inclusive
influenciar nos resultados desportivos, pelo que se torna fundamental
conhecer os modelos utilizados para este processo. Objectivo: A
presente pesquisa teve como objectivo conhecer os modelos
adoptados na gestão das instalações futebolísticas nos Clubes
desportivos da Cidade da Beira [Sporting Clube da Beira (SCB;
Clube Ferroviário da Beira (CFB) e Clube Desportivo Estrela
Vermelha da Beira (CDEVB)]. Metodologia: Para a colecta de
dados utilizou-se o questionário adaptado de VIEIRA (2006) e o
protocolo de observação com SANTOS (2007) para além da
observação, o questionário foi aplicado a um total de três (03)
gestores dos clubes em menção. Para a análise e tratamento de dados
recorreu-se ao Excel v. 2010 (Software da Microsoft®), onde nos
valemos da estatística descritiva básica para a determinação das
frequências relativas e absolutas. Resultados: Os principais
resultados demostram que os Clubes estudados utilizam a gestão
directa, modelo caracterizado pela entidade dona da Instalação
Desportiva ser o garante da sua gestão e em regime de exclusividade.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 269
No que diz respeito a eficiência, Clube Ferroviário da Beira mostrou
maior eficiência no uso do modelo comparativamente aos demais
clubes. Conclusões: Como principais conclusões destaca-se que
apesar da gestão directa ser o modelo adoptado pelos clubes, estes
ressentem-se sobre os encargos relacionados aos gastos fixos e
despesas quotidianas típicas deste modelo de gestão, contudo, mais
estudos que indagam sobre esta temática são necessários de forma a
que possam ser elaborados planos de gestão eficazes baseados em
evidencias científicas.
Palavras-chave: Gestão do Desporto, Modelos, Clube, Instalação
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 270
Factores da motivação para a prática de desporto
escolar dos adolescentes de Quelimane: um estudo
exploratório
1
Noémia Luciano Augusto
2
Vicente Alfredo Tembe
3
Jacinto José Vasconcelos-Raposo
1
Universidade Licungo- Moçambique
noemia.luciano2011@[Link]
2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
3
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro- Portugal
Resumo
Introdução: A motivação para a prática desportiva é vista como um
novo paradigma que garante maior participação dos indivíduos no
desporto. Devido a novas civilizações que a humanidade ganhou ao
longo dos tempos, a prática do desporto passou a ser um meio que
garante o bem-estar e saúde das pessoas, não só, como vários
motivos dependendo dos objectivos de quem o pratica. Objectivo: O
presente trabalho objectivou analisar os factores de motivação para a
prática do desporto escolar. Metodologia: Fizeram parte da amostra
809 adolescentes da zona rural e urbana do Distrito de Quelimane,
com idades entre 12-18 anos, dos quais538 masculinos e 271
femininos. Para a colecta de dados foi aplicado o Questionário de
Motivação para as Actividades Desportivas (QMAD), versão
traduzida e adaptada para a língua portuguesa por Serpa e Frias
(1991), originalmente desenvolvido por Gill et al., (1983).
Resultados: A análise factorial revelou existir cinco factores
principais: Amizade, Reconhecimento; Excitação; Outros e Estatuto.
As análises comparativas indicaram diferenças significativas entre os
sexos em três factores, Amizade com destaque para o sexo feminino,
Reconhecimento e factor,outros para o sexo masculino, porém, não
houve diferenças significativas nos factores Excitação e Estatuto.
Quanto a zona de residência houve diferenças significavas apenas
para os residentes da zona urbana nos factores Excitação e Outros,
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 271
excepto os factores Amizade e Estatuto. Para os grupos etários
também houve diferenças significativas nos factores Amizade,
Reconhecimento, Excitação e Outros, excepto estatuto. Sendo, o G1
valoriza a prática desportiva por Amizade, G2 e 3 por Estatuto.
Conclusões: Face aos resultados, concluiu-se que, as variáveis
independentes influenciaram positiva e negativamente para a prática
do desporto escolar, indicando como maior influência os factores
extrínsecos. Sugere-se a necessidade de integrar o treino mental nas
suas rotinas diárias de treino para melhorar a competência
motivacional intrínseca dos praticantes, pois, este é um dos factores
indispensáveis para o sucesso desportivo escolar.
Palavras-chave: Motivação, Desporto Escola, adolescentes.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 272
Maturação bio-fisiológica dos jovens praticantes de
basquetebol: uma revisão sistemática
1
Stélia Ermelinda Mazivila Benjamim Xavier
2
José Luís Sousa
3
José M. Gamonales
4
Hugo Gonçalo Duarte Louro
5
Clemente Afonso Matsinhe
1,5
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
steliax27@[Link]
2,3
Universidad de Extremadura- Espanha
4
Instituto Politécnico De Santarém- Portugal
Resumo
Introdução: Basquetebol é uma modalidade olímpica, caracterizada
por exercícios intermitentes de alta intensidade, enquanto o
desempenho ideal é alcançado por meio de uma combinação
complexa de habilidades técnicas e tácticas e alta aptidão física.
Objectivos: O principal objectivo, desta Revisão Sistemática, foi
levar ao cabo uma pesquisa narrativa associada aos conteúdos da
maturação bio-fisiológica dos jovens praticantes de basquetebol.
Metodologia: A base de dados Web of Science (Core collection) foi
acedida, para explorar artigos científicos publicados até ao dia 12 de
Agosto de 2022, de acordo com a seguinte equação única de procura
((ALL=(Basketball)) AND ALL=(Physical OR Physiology OR
Biology OR Maturation) AND ALL=(Tecnhical OR Tactical OR
Skills) AND ALL=(Youth OR Kids OR Children OR Age)). Os
critérios de inclusão foram: 1) seleccionar qualquer tipo de artigo
cietífico; 2) descrever pelos menos algumas características do
basquetebol; 3) estar escrito em Inglês, Português ou Espanhol; 4)
estar disponível em texto completo ou resumo. Os conectores (AND-
Y-E) foram usados entre as palavras para reduzir o número de
documentos. Foi utilizado o diagrama de fluxo PRISMA-P (Preferred
Reporting Items for Systematic Reviews and Meta analyses). A
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 273
amostra do nosso estudo é constituída por artigos científicos
publicados na WOS (Core collection). Foram seleccionados 24
documentos (n=24) que cumpriam com os critérios de inclusão.
Resultados: A base de dados (WOS) utilizada para a nossa
investigação apresentou, após a primeira pesquisa com o domínio
“Basquetebol”, 13.009 documentos. Contudo, após a utilização dos
seguintes domínos: “Physical”, “Technical” and “Youth” o número
de documentos seleccionados decresceu, significativamente, da
seguinte forma: 4.794, 407 e 51 respectivamente. Por fim, foram
seleccionados 24 documentos de acordo com os critérios de inclusão
previamente propostos pelos autores. Conclusões: O propósito do
nosso estudo foi efectuar uma revisão sistemática original
procurando encontrar na base de dados WOS (Core collection) os
artigos mais recentes no que concerne a maturidade bio-fisiológica
dos jovens praticantes de Basquetebol.
Considerações/Recomendações: Para o futuro sugere-se explorar
estudos relacionados com a performance dos jovens praticantes de
Basquetebol.
Palavras chave: Basquetebol, Maturação, Biológico, Fisiológico e
Jovem.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 274
Estrutura de prática no ensino e aprendizagem das
habilidades motoras: uma revisão sistemática
1
Gomes Nhaca
2
Timóteo Daca
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
nhacagomes@[Link]
Resumo
Introdução: A prática é considerada na área de comportamento
motor como um esforço consciente de organização, execução,
avaliação e modificação das acções motoras a cada execução, e sua
manipulação, enquanto estrutura, tem sido alvo de diversas
investigações. Objectivo: Revisar estudos retratando o efeito da
estrutura de prática na aprendizagem de habilidades motoras.
Metodologia: O estudo enquadra se na Educação Física e Desporto
Escolar, os dados foram colectados nas bases de dados indexadas
(LILACS, SCIELO e GOOGLE ACADÊMICO), nos quais foram
captando artigos científicos publicados na integra, sendo 13 em
inglês e 01 em português, entre os anos de 2012 e 2022. A busca dos
artigos foi efectuada em Junho de 2022, utilizando os seguintes
descritores: Estrutura de prática, prática em aprendizagem motora,
practice schedule, practice in motor learning, e suas combinações
possíveis. Resultados: 14 estudos foram encontrados dos quais 05
indicam que tanto a prática constante como aleatória facilitam a
aprendizagem das habilidades motoras, 08 referem prática aleatória
se revelar mais eficaz na melhoria dos parâmetros das habilidades e
que a prática combinada necessita de uma maior quantidade de
prática aleatória para promover a melhoria dos parâmetros da
habilidade. Para além disso 01 estudo sugere também que a prática
aleatória deve ser usada quando o objetivo principal for baseado na
retenção e transferência de conhecimento sobre habilidades motoras.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 275
Conclusão: Diante do exposto, pode-se concluir que embora todas as
estruturas de prática promovam a aprendizagem, a prática aleatória
presenta melhores resultados na melhoria da aprendizagem das
habilidades em relação a outras estruturas de prática.
Palavra Chave: Estrutura da prática, Prática, Aprendizagem Motora
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 276
Força Explosiva de membros inferiores. Estudo
Exploratório em crianças e adolescentes de 10 a 16
anos de idade praticantes do Rope Skipping nos
núcleos desportivos da cidade de Nampula
Carmuto Paulo Namahela
Universidade do Rovuma– Moçambique
Resumo
Introdução: o Rope Skipping é uma modalidade em franco
desenvolvimento a nível mundial, e a principal habilidade que lhe é
característica são os saltos, muitos deles explosivos. Objectivo:
avaliar a força explosiva de membros inferiores em crianças e
adolescentes praticantes desta modalidade, na cidade de Nampula.
Metodologia: fizeram parte da amostra um total de 220 crianças e
adolescentes de ambos os sexos, sendo 92 masculinos e 128
femininos, com idades compreendidas entre os 10 aos 16 anos, os
quais foram submetidos ao teste de força explosiva de membros
inferiores através do salto horizontal sem balanço da bateria do
PROESP-Br (2016), o processamento de dados foi feito a partir do
pacote estatístico SPSS na versão 22.0 e o nível de significância foi
estabelecido em 0.05, tendo sido aferidas as medidas de estatística
descritiva básicas, ainda usado o t teste de medidas independentes, o
ANOVA I para comparação por sexo e por núcleos respectivamente.
Resultados: foram constatadas diferenças altamente significativas
entre os masculinos e os femininos (p=0,00), os masculinos
apresentando melhor desempenho por outro lado, o núcleo de
Napipine apresentou o pior desempenho com diferenças
significativas que Mutauanha (p=0.025) e Mutomote (p=0.023).
Conclusão: As crianças e adolescentes praticantes do Rope Skipping
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 277
na cidade de Nampula, apresentaram resultados satisfatórios para
classifica-los nas escalas de Bom a Excelente e o núcleo de
Mutomote apresentou o valor da média mais apreciável que os
restantes núcleos.
Palavras-chave: Força explosiva, membros inferiores, Crianças e
Adolescentes, Rope Skipping.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 278
Estrutura das cargas de treino em natação pura
desportiva. Um estudo com atletas moçambicanos de
todos os escalões etários
1
José F. Pene
2
Clemente Matsinhe
1
Universidade Licungo- Moçambique
2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
A organização e estrutura do treino desportivo constituem os passos
fundamentais na planificação da época desportiva, assim como, no
processo de formação a longo prazo do jovem atleta. Assim sendo, a
estrutura de carga de treino desportivo representa o plano de acção
para alcançar o êxito e a máxima rentabilidade dos recursos.
Portanto, analisar a estrutura de cargas de treino em Natação Pura
Desportiva, para os nadadores moçambicanos na época 2019-2020
constitui o objectivo do presente estudo. Trata-se de uma pesquisa
descritivo-transversal, com uma abordagem quali- quantitativa; onde
foram inqueridos 17 treinadores moçambicanos, aplicando o
questionário validado por BERGAMIM (2009), compostas por 30
perguntas fechadas. Os dados corroborados foram analisados e
processados através do programa Microsoft Excel® 2010 e SPSS® v
23. No entanto, os decorridos revela que a estrutura de cargas de
treino aplicado aos atletas moçambicanos pré-iniciados e iniciados
(G1) de natação não responde as recomendações científicas no treino
de alta competição nestas idades e na categoria G1 (If) mostrou-se
que os treinadores apresentam estruturas de carga de treino
aconselhável pese embora com algumas recomendações, e no G2, as
cargas de treino coincidem com as práticas sistematizadas nos
estudos, contudo, existe distintas práticas da estrutura das cargas de
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 279
treino. Portanto, conclui-se que a estrutura de cargas de treino em
Natação Pura Desportiva utilizada pelos treinadores moçambicanos
na temporada em análise não respeita as recomendações vigorantes
no nível internacional quase em todos os escalões. O escalão G1
(para If) o resultado foi contrário, apesar de apresentar cargas mais
adequadas.
Palavras-Chaves: Treinadores; escalões, Cargas de Treinamento;
Natação Pura Desportiva.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 280
O uso da língua materna e sua influência no auxílio do
PEA em Educação Física, face ao desempenho escolar
dos alunos
1
Stélio Joaquim Bizueque
2
Gustavo Paipe
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
steliobizueque10@[Link]
Resumo
Introdução: Estudos que analisam a relação entre língua e educação
mostram que o aluno tem melhores resultados pedagógicos se o
ensino for conduzido na sua língua materna ou na língua que melhor
domina. Objectivo: Analisar o uso da língua materna e sua
influência no auxílio do processo de ensino e de aprendizagem em
Educação Física, face ao desempenho escolar dos alunos.
Metodologia: Trata-se de uma pesquisa exploratória, e para a
recolha de dados tivemos em consideração uma amostra de 30
alunos, dentre eles 16 do sexo masculino e 14 do sexo Feminino e 3
professores, 1 do sexo feminino e 2 do sexo masculino. Tendo sido
usado para a recolha de dados o inquérito, entrevista e observação.
No inquérito foram levantadas questões que tem a ver com a língua
materna dos inqueridos. A entrevista foi dirigida aos professores e foi
constituída por 7 perguntas abertas. A observação decorreu durante
aulas de Educação Física, com o intuito de registar o comportamento
a nível da expressão facial dos alunos. O tratamento dos dados deu-se
através da análise estatística descritiva, o qual efectuou-se um cálculo
da frequência (absoluta e relativa) das respostas obtidas no inquérito
dos professores e dos alunos, isto é, os dados colectados foram
transformados em números que, após analisados, geraram conclusões
permitindo um conhecimento objectivo da realidade. E através da
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 281
análise do conteúdo da entrevista para melhor compreensão e
explicação dos aspectos sociolinguísticos dos professores
relacionados com o problema pesquisado no campo. Resultado: A
maior parte dos alunos apresentam a língua Xichangana como sua L1
e comunicam-se com todos os interlocutores (pais, amigos, irmãos e
vizinhos) através desta; os professores envolvidos nesta pesquisa
auto-reconhecem a pertinência do uso das línguas maternas no
processo de ensino e aprendizagem, de modo a facilitar a
compreensão de vários conteúdos aos seus alunos. Conclusão: De
forma sintetizada, concluímos que a língua materna é usada para
traduzir as palavras difíceis, explicar actividades aos alunos que não
tem muito domínio da língua portuguesa, minimizando desta forma a
fraca percepção da matéria por parte dos alunos da 3ªclasse nas aulas
ministradas já que muitos têm a L1 como o Xichangana.
Palavras-chave: Língua Materna, Educação Física, Processo de
Ensino e Aprendizagem.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 282
Estudo comparativo da Aptidão Física de jogadores
seniores masculino de futebol de diferentes níveis
competitivos da cidade de Quelimane
1
Nilsio Miguel Adriano Sabino Sengo
2
Estevão Domingos Aleixo
3
Alberto Graziano
1,2
Universidade Licungo- Moçambique
nilsiosengo27@[Link]
3
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução: A aptidão física é uma componente indispensável no
desporto de rendimento ao servir de alicerce para melhor aquisição
das componentes técnicas, tácticas e psicológica no treino e sua
melhor efectivação durante o jogo. Em níveis competitivos de futebol
as exigências diferem-se, razão pela qual supõe-se a existência de
diferenças de níveis de aptidão física nos futebolistas. Objectivo: O
presente estudo tem como objectivo compreender o comportamento
dos indicadores da aptidão física dos jogadores de futebol de
diferentes níveis competitivos da cidade de Quelimane dos
campeonatos Recreativo, Provincial e Moçambola. Metodologia:
Este estudo é de caracter comparativo quantitativo, com um
delineamento transversal. A amostra foi constituída por 33
futebolistas seniores masculinos com idades compreendidas entre os
18 a 32 anos escolhidos aleatoriamente, sendo que 11 futebolistas são
da equipa do Boavista pertencentes ao nível competitivo de
Recreativo, 11 futebolistas são da equipa do Ferroviário pertencentes
ao nível competitivo Provincial e 11 futebolistas são da equipa do 1º
de Maio pertencentes ao Moçambola. Os instrumentos de recolha de
dados usados para esta pesquisa foram testes físicos, elaborados na
base de quatro (4) protocolos, salto horizontal de JOHNSON &
NELSON (1986), teste de corrida de 30 metros de JOHNSON &
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 283
NELSON (1986), teste de quadrado, PROESP-BR (2012) e teste de
corrida durante 12 minutos de COOPER (1968). Resultados: Todos
os indicadores da aptidão física apontaram melhor desempenho ao
nível competitivo superior, o Moçambola seguido do nível
competitivo intermédio, o Provincial e por último do nível
competitivo inferior, o Recreativo. Conclusões: Concluímos que
existe uma correlação moderada nos testes motores e a composição
corporal não influenciou no desempenho dos jogadores.
Palavras-Chave: Aptidão física, desempenho motor, nível
competitivo
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 284
Treino dos fundamentos técnicos - desportivos dos
atletas infanto-juvenil de basquetebol moçambicano
1
Extenzias Becape
2
Clemente Matsinhe
1
Universidade Licungo- Moçambique
2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução: o treino do fundamento técnico desportivo de
basquetebol são alicerces indispensáveis na formação dos atletas. O
presente estudo teve como Objectivo: Verificar a valoração que os
atletas infanto-juvenil moçambicanos detêm em relação a constância
de treinamento dos fundamentos técnicos desportivos de basquetebol;
Metodologia: O estudo foi de tipo descritivo com abordagem
quantitativa e delineamento transversal, a amostra foi constituída por
245 atletas com idades compreendidas entre 13 a 17 anos. as
variáveis são as cinco dimensões de fundamento técnico desportivo
de basquetebol, nomeadamente de drible, passe, lançamento, ressalto
e de defesa. A recolha de dados foi através Inventário de
Treinamento Técnico-Desportivo do Basquetebol (ITTB-50)
Validado por GONZALEZ, (2007). A análise de dados foi feita
através do programa estatístico SPSS versão 22.0, recorrendo-se ao
cálculo das medidas de tendência central e de dispersão,
nomeadamente média e desvio padrão, aplicou-se os testes
Kolmogorov-Smirnov para verificação da normalidade, o Test T,
para as diferenças entre os grupos e One Way Anova para medidas
independentes. O nível de significância foi estabelecido em 5%.
Resultados: A constância do treino foi a defensa do jogador da bola
com 62%, drible de velocidade com mão direita (55%), lançamento
livre (54 %), passe do peito (52%) e ressalto ganhar a bola e girar
com 34%; na comparação em função do sexo registaram-se
diferenças estatisticamente significativas em todas dimensões,
excepto na dimensão Drible Conclusões: Os atletas infanto-juvenil
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 285
de basquetebol moçambicano valorizaram o treino dos fundamentos
técnicos desportivos de drible, lançamentos, passe e ressalto. Os
fundamentos técnicos desportivos não estão a ser treinos de forma
harmoniosa pelos atletas infanto-juvenis de basquetebol
moçambicanos.
Palavras-chave: Treinamento; Habilidades especificas; Atletas
infanto-juvenil, Basquetebol; Moçambicano.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 286
Crescimento somático e estado nutricional de
adolescentes de 10 aos 16 anos de idade da cidade de
Nampula
1
Domingos Carlos Mirione
2
Israel Cláudio Stélio José
3
Francisco Cosme Valentim
4
Juliana Júlio Muchiguere
1,2
Universidade Rovuma- Moçambique
mmirione@[Link]
3
Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano – Cabo
Delgado, Moçambique
4
Escola Secundária de Muatala – Nampula, Moçambique
Resumo
Introdução: O crescimento somático é um dos principais indicadores
de saúde e estado nutricional de crianças e adolescentes. A
Organização Mundial de Saúde estabeleceu valores de referência de
crescimento somático utilizados a nível mundial para avaliação do
estado nutricional e de saúde das crianças e adolescentes. No entanto,
esses valores de referência não são específicos para cada país razão
pela qual muitos países estabelecem seus próprios valores de
referência. Em Moçambique estudos de crescimento somático e
estado nutricional em adolescentes foram feitos na região de Maputo
não sendo abrangentes para o resto do país. Objectivo: Estabelecer
valores de referência de crescimento somático e do estado nutricional
dos adolescentes de 10 a 16 anos de idade da Cidade de Nampula.
Metodologia: A amostra foi de 7342 adolescentes (3225 masculinos
e 4117 femininos) de 10 a 16 anos de idade, tendo sido o peso, a
estatura e o índice de massa corporal (IMC) as principais variáveis
aferidas. Os dados foram colectados através de uma balança
mecânica de marca NIKAI e uma fita métrica fixada na parede para o
peso e a estatura respectivamente. O IMC foi calculado através da
razão do peso pelo quadrado da estatura. A análise dos dados baseou-
se na estatística descritiva (média, desvio padrão e percentis) e
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 287
inferencial (teste T de medidas independentes e ANOVA
unidireccional) para análise das diferenças entre sexo e idade
respectivamente. O nível de significância foi mantido em 0.05. Os
valores de corte para a idade e sexo foram estabelecidos em 3; 5; 10;
25; 50; 75; 90; 95 e 97 percentis. Resultados: A média e desvio
padrão de peso, estatura e IMC em masculino foi de 38,96±8,4kg,
148,11±9,8cm e 17,59±2,4kg/m2 respectivamente e em feminino foi
de 41,43±8,4kg, 148,26±7,9cm e 18,73±2,8kg/m 2 respectivamente.
Em masculino o percentil 50 de peso, varia de 31kg aos 10 anos a
50kg aos 16, a estatura de 136cm a 161,6cm e IMC de 17,2 kg/m 2 a
19kg/m2. Em feminino o percentil 50 de peso varia de 32kg aos 10
anos a 50kg aos 16, a estatura de 138,8cm a 150,0cm e IMC de
16,7kg/m2 a 21,4kg/m2. Foram observadas diferenças estatisticamente
significativas entre o sexo masculino e feminino em quase todas
variáveis à excepção do peso aos 10 e 16 anos e IMC aos 16 anos.
Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas no
peso entre adolescentes de 10 e 11 anos de idade em ambos os sexos,
11 e 12; 15 e 16 em masculino. Na estatura o domínio do sexo
feminino em relação ao sexo masculino inverte-se aos 14 anos. Em
ambos sexos e em quase todas as idades, o percentil 50 da estatura
situou-se abaixo dos adolescentes da Cidade e Província de Maputo e
do estabelecido pela OMS. Conclusão: Os adolescentes da Cidade
de Nampula apresentam baixa estatura relativamente aos seus pares
do país e do mundo, o que sugere maior estresse ambiental. Os
valores correspondentes aos percentis estabelecidos no presente
estudo para futuras avaliações de crescimento somático e estado
nutricional de adolescentes da Cidade de Nampula.
Palavras-chave: crescimento somático, adolescência e estado
nutricional.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 288
Motivação e auto-estima em atletas de basquetebol do
núcleo desportivo de Namicopo - Nampula
1
Domingos Carlos Mirione
2
Israel Cláudio Stélio José
3
Osvaldo Miquitosse
4
Juliana Júlio Muchiguere
1,2,3
Universidade do Rovuma – Moçambique
4
Escola Secundária de Muatala – Nampula, Moçambique
Resumo
Introdução: Motivação é uma força interior, impulso, intenção, que
determina acção de um individuo. A auto-estima corresponde a
valorização intrínseca que o individuo faz de si mesmo em diferentes
situações da vida a partir de um determinado conjunto de valores.
Objectivo: Analisar os factores motivacionais e o nível de auto-
estima de Atletas praticantes de basquetebol do Núcleo Desportivo
de Namicopo. Metodologia: é um estudo descritivo, qualitativo, com
uma amostra de 29 atletas, do sexo feminino, com uma média e
desvio padrão de idade de 16,79±1,20. Para da colecta de dados
usamos o Questionário de motivação para a práctica desportiva de
(GAYA e CARDOSO,1998) e Escala de Auto-estima de
(ROSENBERG, 1965). A verificação da normalidade foi com base
ao teste de Shapiro-Wilk. Para análise dos dados baseamo-nos na
estatística descritiva (media e desvio padrão), e para comparação
entre os escalões e local de residência das atletas usamos a estatística
inferencial (T-test de medidas independentes e Mann-Whitney com
nível de significância mantido em 0.05%. Para análise consistência
interna foi utilizado o coeficiente de alfa de Cronbach. Todos os
dados processados no pacote estatístico SPSS versão 26.0.
Resultados: Nas dimensões competência desportiva, saúde e
autoestima positiva os dados não obedecera uma distribuição normal
P <0,05. O coeficiente de alfa de Cronbach, mostra-nos que de forma
geral ouve uma consistência interna boa em todas as dimensões dos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 289
factores motivacionais e uma consistência interna fraca nos níveis de
auto-estima. As atletas que vivem dentro da cidade e nos arredores da
cidade tiveram maior média na dimensão competência desportiva
2,68±0,31 e 2,66±0,25, seguido de saúde 2,20±0,43 e 2,38±0,37, e
por último amizade e lazer com média e desvio padrão de 1,77±0,50
e 2,21±0,47 respectivamente, apresentando diferenças
estatisticamente significativa na dimensão amizade e laser. Tanto as
atletas juvenis e juniores praticam desporto primeiramente para
aquisição da competência desportiva, saúde e por último amizade e
laser com diferenças significativas no factor saúde P <0,05. Em
relação a auto-estima as atletas dos escalões juvenis e juniores bem
como as que vivem dentro e arredores da cidade apresentam um nível
médio de auto-estima alta/ positiva, diferente da auto-estima
baixa/negativa que as atletas do escalão juvenil e as atletas que
moram dentro da cidade apresentaram um maior nível, pois embora
sem diferenças estatisticamente significativas quando comparados
com as atletas do escalão júnior e atletas que moram arredores da
cidade. Conclusão: De forma geral na motivação encontramos a
dominância do factor competência desportiva e na auto-estima um
nível baixo/negativo.
Palavras-chaves: Motivação, Auto-estima, Adolescentes,
Actividades desportivas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 290
Boas práticas na leccionação de aulas de Educação
Física no Ensino Secundário Geral
Hermenegilda da Conceição Joaquim Viola
Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano- Moçambique
[Link]@[Link]
Resumo
Introdução: A Educação Física é uma disciplina que visa o
aperfeiçoamento, controle e manutenção da saúde do corpo e da
mente do ser humano. Entende-se por boas práticas aquelas acções,
projectos ou programas que têm ou tiveram sucesso em seu
desenvolvimento, atingindo objectivos estabelecidos, com custos
razoáveis. Objectivo: O presente trabalho tem como objectivo
partilhar experiências de leccionação para melhoria da aprendizagem
dos alunos. Metodologia: A metodologia usada foi a observação de
aulas de educação física em várias escolas secundárias do país.
Resultados: Constatou-se que na maioria das escolas, ainda
prevalece a falta de professores formados, turmas numerosas, a
insuficiência do material didáctico, o não cumprimento do programa
curricular e ausências de planificações conjuntas, comprometendo
assim, a qualidade do ensino-aprendizagem. Sobre o mesmo ponto de
vista, uma das estratégias para garantir a qualidade de ensino foi a
criação dos pontos focais de educação física em todas as províncias
fortificando assim, as supervisões pedagógicas. De acordo com os
resultados encontrados, houve necessidade de se realizar um evento
nacional para em conjunto traçar estratégicas de boas práticas na
leccionação das aulas envolvendo profissionais de educação física
das instituições de ensino, mas, devido a insuficiência de meios
financeiros, não foi possível a sua realização. No entanto, para
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 291
cumprir com algumas constatações verificadas durante as visitas nas
escolas, surgiu a iniciativa da realização do Retiro Nacional de
Educação Física que com o desejo de todos pontos focais de
educação física, foi implementada utilizando os seus próprios fundos
com interesse de minimizar os problemas existentes na disciplina de
educação física. No retiro, foram abordados vários temas como por
exemplo a produção do material didáctico alternativo para as aulas de
educação física produzidos com materiais locais de baixo custo como
forma de minimizar as dificuldades que os professores têm
enfrentado durantes as aulas. Conclusão: Em jeito de conclusão,
salientar que para que haja boas práticas na leccionação é necessário
garantir a melhoria no relacionamento entre os professores e os
gestores escolares, promover jornadas pedagógicas e permitir
igualmente a interacção com as Direcções Provinciais de Educação,
para que estas garantam a existências de materiais didácticos
promovendo a melhoria do ensino nas escolas e dessa maneira, a
Educação Física culmina como plataforma da Unidade Nacional.
Palavras-chave: Educação Física, Boas práticas, Retiro e o
Desenvolvimento da Educação Física, Retiro como Plataforma da
Unidade Nacional.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 292
Hábitos alimentares e composição corporal dos atletas
do basquetebol sénior dos clubes da cidade de Maputo
1
Mário Eugénio Tchamo
2
Rufina Homo
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução: Os atletas têm uma tendência maior ao comportamento
alimentar pouco saudável devido à pressão intensa e ao ambiente
competitivo nos desportos. É importante identificar os hábitos
alimentares entre atletas para prevenir distúrbios alimentares que
possam afectar seu desempenho e sua saúde. Objectivo: Descrever
hábitos alimentares e sua relação com a composição corporal dos
atletas do basquetebol sénior dos clubes da cidade de Maputo.
Metodologia: tivemos uma amostra de 48 atletas seniores de
basquetebol de 4 clubes da cidade de Maputo com idade
correspondente a 18 aos 25 anos de sexo masculino, para os hábitos
alimentares foi utilizado a Ferramenta de Avaliação da Dieta
Moçambicana, os alimentos neste questionário variam de pontuação
1 a 4. Avaliou-se também a antropometria e a composição corporal.
para a análise e tratamento de dados nos baseamos no programa
SPSS versão 22.0 de onde extraímos a estatística descritiva com base
na M±DP, valores máximos e mínimos. Para os cálculos de massa
magra, percentagem de gordura e massa gorda recorremos a equação
de Slaughter 1988. Resultados: em termos de quantidades os atletas
consomem mais carboidratos 716,3±298,7 em detrimento de
proteínas 279,7±219,2. Em termos de qualidade os atletas consomem
mais proteínas 7,9±4,7 em detrimento dos carboidratos 7,4±2,6.
Conclusão: os hábitos alimentares dos atletas do basquetebol da
cidade de Maputo são inadequados, o consumo de carboidratos é
insuficiente e demonstram de forma incorrecta o alto consumo de
proteínas. Na composição corporal apresentam menor massa magra.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 293
Há necessidade de um suporte nutricional contínuo dos clubes aos
atletas, pois comportamento nutricional inadequado pode influenciar
negativamente nos resultados finais bem como na sua composição
corporal.
Palavras-chave: Atletas, Clubes, Carboidratos, Proteínas,
Moçambique
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 294
Influência do peso ao nascer sobre a frequência
alimentar, antropometria, composição corporal de
crianças dos 7 aos 10 anos residentes em Boane
1
Eulálio Malinga
2
Mário Eugénio Tchamo
3
Wylla Tatiana Ferreira e Silva
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
emalingaops@[Link]
3
Universidade Federal de Pernambuco- Brasil
Resumo
Introdução: O baixo peso ao nascer (BPN) é definido pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), como o peso ao nascer (PN) entre 1.500g e ≤
2.500g. Crianças com BPN estão em maior risco de complicações que um
bebé de peso normal. De acordo com uma revisão sistemática da OMS em
2019, 20,5 milhões de bebés em todo o mundo nasceram com BPN, o que
representa 14,6% de todos os nascimentos. Em África Subsaariana a
prevalência de BPN foi de 24% e em Moçambique foi de 6,1% e 5.0% para
Pequena Idade gestacional (PIG) respectivamente. Estudos prévios relatam
que o BPN influencia a antropometria, composição corporal, sendo um
preditor de baixa força muscular e baixo desempenho em testes de movimento
lateral. Na vida adulta, crianças de BPN são mais propensas a desenvolver
doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, dislipidemias e hipertensão arterial.
O presente estudo tem como objectivo avaliar a influência do peso ao nascer
sobre a frequência alimentar, antropometria, composição corporal de crianças
dos 7 aos 10 anos de idade residentes no distrito de Boane – Moçambique.
Metodologia: Foram avaliadas 222 crianças dos 7 aos 10 anos de idade (107
meninos e 115 meninas), divididas a partir do peso ao nascer: em grupo
exposto (4) e o grupo não exposto (218). As variáveis avaliadas foram: peso e
altura corporal; Índice de massa corporal; dobras de adiposidade subcutânea
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 295
(triciptal, subescapular, geminal, bicepscrural e supra ilíaca); percentual de
gordura, massa magra e massa gorda; circunferência do quadril, cintura,
braços e pernas e questionário de frequência alimentar (QFA) semi-
quantitativo adaptado. Nos resultados preliminares: houve diferença entre
meninos e meninas em relação ao peso ao nascer, peso corporal actual e ao
IMC, na análise comparativa das dobras de adiposidade subcutânea não houve
diferença entre os grupos P> 0.05. Na análise comparativa entre meninos e
meninas em relação aos perímetros corporais não houve diferença entre os
grupos P> 0.05. Não houve correlação entre o peso ao nascer e o peso actual
das meninas dos 7 aos 10 anos de idade, e para os meninos, houve correlação
positiva entre o peso ao nascer e o peso actual. Na análise de correlação de
Pierson entre o peso ao nascer e o peso actual de meninas, houve correlação
positiva (p < 0.05), no entanto não houve correlação entre o peso ao nascer e o
IMC dos meninos.
Palavra-chave: Peso ao Nascer, Crianças, Saúde
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 296
A gestão do desporto de rendimento em Moçambique:
factores do seu desenvolvimento e êxito
1
Angélica Manhiça
2
Gustavo Paipe
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução: O desenvolvimento desportivo de um país obriga a um
planeamento assente num conjunto de objectivos claros. Objectivo:
A presente pesquisa teve como objectivo analisar os factores do
desenvolvimento e êxito do desporto de rendimento em
Moçambique. Metodologia: Para tal, além da análise documental,
foram seleccionados 6 dirigentes de Federações Desportivas
(Futebol, Basquetebol, Voleibol, Vela e Canoagem, Judo e
Atletismo), aos quais foi aplicado um inquérito ad hoc, constituído
por 6 dimensões. A análise documental teve por base a análise de
conteúdo e o inquérito o recurso ao Software SPSS versão 22.0 para a
estatística descritiva. Resultados: Os resultados apontam que, para a
dimensão dos Recursos Financeiros, o fundo alocado às federações é
aceitável. Com relação aos Eventos e Resultados, as federações
organizam competições nacionais e participam em competições
internacionais. Já nos Recursos Humanos, as federações possuem um
quadro humano formado em diversas áreas. As Infra-estruturas
Desportivas, as federações foram unânimes em que estas se
encontram em que não correspondem ao padrão internacional. No
que respeita à Ciência e Tecnologia, há pouca valorização do
conhecimento produzido pelas Universidades e, no os Equipamentos
e Materiais são insuficientes. Conclusões: As principais conclusões
apontam como constrangimentos os seguintes factores: i)
Equipamentos desportivos obsoletos; ii) Pouca participação em
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 297
eventos internacionais; iii) Pouca divulgação das investigações
inerentes ao deporto de rendimento; iv) Poucos eventos organizados
a nível nacional. Entretanto, entendemos que seja primordial
aprimorar o apoio por parte do governo e empresas privadas para que
as FDN possam responder afincadamente ao desenvolvimento do
desporto de rendimento em Moçambique.
Palavras-chave: Desporto de Rendimento; Federações Desportivas;
Gestão Desportiva.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 298
Efeito do treino pliométrico na melhoria da força
explosiva. Um estudo experimental em crianças e
jovens, nos núcleos desportivos da Faculdade de
Educação Física e Desporto.
1
Carvalho Eduardo Mbebe
2
Clemente Afonso Matsinhe
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução: Com o propósito de buscar modelos de intervenção que
influenciam no desenvolvimento da força explosiva; Objectivo: o
presente estudo, busca analisar o efeito do programa do treinamento
pliométrico no desenvolvimento da força explosiva em 8 semanas.
Metodologia: Participaram do estudo 60 crianças púberes, de ambos
os sexos, distribuídas em quatro grupos em função do sexo (2 de
grupo de controlo e 2 do grupo experimental). A idade biológica foi
avaliada na base dos critérios de auto-avaliação maturacional de
MORRIS & UDRY (1980) e pelo questionário de TANNER (1962).
Ambos os grupos foram submetidos aos testes de antropometria em
dois momentos (Pré e Pós-teste), de acordo com os protocolos de
LOHMAN et al., (1998). A força explosiva dos membros inferiores
(FEMI), foi avaliada nos dois momentos de observação de acordo
com os protocolos de (BOSCO, 1982, TORRANDEL et al.,2003 e
PROESP-BR, 2016), mediante os testes de Salto Horizontal (SH),
teste RAST (running-based anaerobic spring test) e Saltos verticais
com o método de Counter Movement Jump (CMJ). Os dados foram
analisados na base do programa estatístico SPSS, 21.0, com o nível
de significância de 5%. Para além das estatísticas descritivas básicas
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 299
(média e desvio padrão), foram aplicados os testes inferenciais de t-
test de Student de medidas pareadas e ANOVA II. O t-Student de
medidas pareadas, foi aplicado para averiguar os resultados das
variáveis somáticas e dos parâmetros da força explosiva, no pré-teste
e no pós-teste. Resultados: a) – O crescimento somático não foi
afectado pelo programa de treino (PT); b) – Foi notório efeito
significativo do PT pliométrico, sendo (P˂0.05) em todas variáveis
da força no grupo experimental. Conclusão: foi evidenciado o
desenvolvimento da força explosiva através de aplicação do
programa do treinamento pliométrico de 8 semanas em crianças e
jovens púberes.
Palavras-chave: treinamento pliométrico; força explosiva; crianças e
jovens púberes.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 300
Influência do peso ao nascer sobre a composição
corporal e as variáveis cardio-metabólicas e a aptidão
física de crianças dos 7 aos 10 anos de idade residentes
na Província de Maputo – Moçambique.
1
Euclides Guiliche
2
Sílvio Saranga
3
João Henriques
1,3
Universidade Federal de Pernambuco- Brasil
2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução: É considerada, a probabilidade de que insultos
nutricionais na fase gestacional e de lactação, fases críticas de
desenvolvimento fetais, poderem degenerar em situações do baixo
peso ao nascer (BPN) que é associado a diferentes distúrbios de
ordem metabólica na fase adulta assim como a manifestações de
baixa força muscular, baixa coordenação motora e baixa resistência
cardiovascular em indivíduos acometidos por esta anomalia.
Comparadas as crianças com BPN e as nascidas a norma tem-se
evidenciado diferenças significativas em diferentes aspectos
relacionados a saúde física dos indivíduos acometidos pelo BPN e a
mortes prematuras na idade adulta, devido a doenças do fórum
metabólico. Objectivo: (a) Avaliar os indicadores de crescimento
físico, composição corporal, nível de actividade física diário e a
aptidão física em crianças pertencentes a distintos grupos de peso ao
nascer; (a) Analisar as associações entre o peso ao nascer e a
influência do efeito cumulativo do tamanho do corpo atingido e da
composição corporal sobre aptidão física de crianças pertencentes a
grupos distintos de peso ao nascer; (c) Analisar as variáveis da
aptidão física e coordenação motora em crianças, ao longo da
variação cumulativa em gramas de peso ao nascer. Metodologia: Um
total de 160 crianças de 7 a 10 anos de idade de ambos os sexos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 301
foram convidados a participar deste estudo deste universo 148 ficou
considerada amostra total do projecto e destes 72 do sexo feminino e
76 do sexo masculino. A amostra foi dividida em três grupos de
acordo com o peso ao nascer: baixo peso ao nascer (BPN) de 1500 a
2499 g, peso na norma (PN) de 2500 a 3999 g e 4000 g a 5000 g.
Foram avaliados parâmetros referentes aos indicadores do
crescimento físico (peso, estatura), composição corporal (dobras de
adiposidade). A aptidão física foi avaliada com base nos protocolos
das seguintes baterias EUROFIT (1988) e FINESSGRAM (1994). A
avaliação do desempenho neuromotor foi analisada com base na
bateria de testes Körperkoordinations-test für Kinder (KTK)
Resultados esperados: Apesar da diferença de peso ao nascer e das
influências relatadas pela ciência espera-se que o BPN possa ser o
principal factor que influência a antropometria, mas não da aptidão
física e componentes neuromotores para este grupo populacional.
Contudo, espera-se diferenças de pouca significância estatística nas
avaliações relativas a aptidão física e componentes neuromotores.
Palavras chaves: Baixo peso ao nascer, performance física, crianças,
coordenação motora
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 302
Recuperação da plasticidade motora do idoso com
exercício físico
1
Jorge Uate
2
Timóteo Daca
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
uateja@[Link]
Resumo
Introdução: A recuperação da plasticidade cerebral é uma
possibilidade equacionada quando a aprendizagem ocorre com
simples repetições de movimento. Por conseguinte as mudanças
plásticas e dinâmicas do sistema nervoso central (neurogênese,
sinaptogênese, angiogênes e modulação sináptica) são induzidas por
diferentes modelos de treinamento motor inconclusivos. Objectivo:
Sistematizar sobre a eficácia e a eficiência de um programa de
treinamento motor desenhado para recuperar a plasticidade motora
do idoso. Metodologia: Foram consultadas as bases de dados
MEDLINE, PUBMED, LILACS e SciElo de artigos publicados no
período de 1992 a 2021 com os descritores: Plasticidade Neural;
Neurónios; Idosos, programa de exercício físico; Capacidade
funcional. Foram seleccionados 58 artigos. Resultados: A prática de
exercício aumenta os mecanismos celulares e sinápticos da
plasticidade por sua vez contribui os efeitos benéficos do
enriquecimento motor, reduz a degeneração e promove a recuperação
da função em encéfalos lesados. Os programas de exercidos de
domínio aeróbico (agilidade e do equilíbrio), intensidade moderada,
frequência diária, duração 4 a 8 semanas, um volume adequado e
uma progressão de três meses. Têm sido elegíveis para melhorar a
plasticidade motora dos idosos. Conclusão: O programa de exercício
físico produziu melhoras significativas nas variáveis neuromotoras de
força de membros inferiores e agilidade corporal das idosas
submetidas a ele. A prática de tarefas específicas, deve ser sempre o
foco principal do programa de tratamento dos pacientes neurológicos.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 303
A manipulação de intensidade e especificidade da tarefa aumentam o
potencial da recuperação.
Palavras-chave: Neurónios; Envelhecimento; Programa de exercício
físico; Capacidade funcional; Plasticidade Neural; Idosos
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 304
Percurso histórico do Grupo Desportivo de Maputo e
dos seus ex-jogadores de futebol
1
Elísio Chamusse
2
Pedro Pessula
1
Treinador Adjunto do Grupo Desportivo da Matola- Moçambique
2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução: O percurso desportivo das antigas glórias no desporto
tem sido um tema que vem despertando interesse na esfera
académica nacional e internacional. Objectivo: O presente estudo
visa analisar o percurso histórico do Grupo Desportivo de Maputo na
modalidade de futebol e dos seus ex-jogadores que contribuíram para
bem do nome do clube. O estudo de carácter descritivo e qualitativo.
Metodologia: Para tal foram entrevistados nove sujeitos sendo um
membro de direcção e oito ex-jogadores do clube. Para este trabalho
usamos como instrumento para a recolha de dados um guião de
entrevista previamente elaborado para pessoas e lugares. Resultados:
Os resultados revelaram que (a) o Grupo Desportivo de Maputo
surgiu a mais de 100 anos e tem participado regularmente em todas
as provas nacionais e internacionais na modalidade de futebol; (b)
São revistos gloriosos do clube os troféus ganhos, com maior
enfoque para dois títulos provinciais de Moçambique e doze títulos
no Campeonato Distrital de Lourenço Marques, antes da
independência. Após à independência, conquistou seis títulos de
campeão nacional e foi uma vez vencedor da Taça de Moçambique;
(c) Os ex-jogadores narram que tiveram muitas brincadeiras iguais a
outras crianças da época; (d) afirmaram terem tido uma paixão pela
prática do desporto, destacando-se o futebol como a modalidade de
eleição na infância; (e) Alguns dos ex-jogadores são originárias de
Maputo e que tinham condições mínimas para lhes garantir os
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 305
estudos até ao secundário; (f) Com encerramento das suas carreiras
ainda lhes sobra tempo para continuar com os estudos no nível
superior; (g) revelam que encerraram as suas carreiras na faixa etária
entre 27 e 40 anos e tiveram como principal causa as lesões,
divergência com dirigentes desportivos e a idade; (h) No fim da
carreira muitos jogadores tornaram- se treinadores e dirigentes dos
clubes de modo a garantir o seu próprio sustento e das suas famílias.
Palavras-chave: Histórias de Vida; GDM; Ex-Jogadores; Futebol
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 306
Talento e Iniciação Desportiva: Estudo exploratório
dos indicadores de aptidão física em crianças e
adolescentes em desportos colectivos, cidade de
Nampula em Moçambique 2022
1
Lúcio Morais Alfredo
2
Leonardo Nhantumbo
1
Universidade do Rovuma- Moçambique
2
Universidade Eduardo Mondlane- Moçambique
Resumo
Introdução: a participação de crianças e jovens em programas de
iniciação desportiva tem-se revelado importante na detecção e
selecção de talentos desportivos, no entanto estudos realizados em
Moçambique com estes jovens praticantes não são conhecidos.
Objectivos:(1) avaliar os níveis de aptidão física em crianças e
adolescentes envolvidos em treinos de iniciação à prática desportiva
em Jogos Desportivos Colectivos, (2) identificar e descrer os
indicadores de aptidão física que melhor distinguem estas crianças e
adolescentes em função da idade, sexo e modalidade desportiva e (3)
contrastá-los em função do sexo e da modalidade desportiva.
Metodologia: a amostra foi constituída por 223 sujeitos de amos os
sexos (122 rapazes e 101 raparigas), com idade entre 10 e 14 anos da
cidade de Nampula. As medidas somáticas consistiram na estatura,
peso e cálculo de índice de massa corporal. A aptidão física foi
avaliada através da bateria do PROESP-BR (2007) com o recurso aos
testes de sentar e alcançar (flexibilidade), impulsão horizontal (força
explosiva dos membros inferiores), abdominais em 60 segundos
(força de resistência abdominal), corrida de 20 metros (velocidade de
deslocamento) e corrida e/ou caminhada em 9 minutos (resistência
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 307
aeróbia). Os dados foram analisados no programa estatístico SPSS,
22.0, com o nível de significância fixado em 0.05, e além da
estatística descritiva básica, i.e., média e desvio padrão, foram
aplicados os testes t-teste de medidas independentes para
comparações de acordo com o sexo, ANOVA com um factor para
comparações entre grupos etários e modalidades, teste de Bonferroni
para múltiplas comparações a posteriori e teste de Qui-Quadrado para
análise de proporções da classificação dos sujeitos. Resultados: No
domínio somático, as diferenças estatísticas indicaram uma clara
superioridade estatural dos rapazes em relação às raparigas (p=0.02),
que por sua vez apresentaram médias superiores em relação aos
rapazes no peso (p<0.01) e no IMC (p<0.001). Na aptidão física os
rapazes apresentaram melhores desempenhos na maioria dos
indicadores em relação às raparigas que, por sua vez, superam
significativamente os rapazes na flexibilidade. As modalidades
desportivas apresentaram diferenças estatísticas significativas entre
elas, sugerindo perfis diferenciados de desempenho motor para as
diversas modalidades integrantes dos jogos desportivos colectivos. A
classificação dos sujeitos evidenciou proporções com diferenças
estatisticamente significativas na flexibilidade (X2=27.051, p<0.001),
velocidade (X2=20.882, p<0.001) e resistência aeróbia (X2=10.332,
p<0.05). Conclusões: crianças e jovens estudados apresentam um
diferencial significativo quanto aos seus indicadores somáticos e
níveis de aptidão física, tanto em função do sexo e da idade como da
modalidade desportiva praticada. Entre as modalidades desportivas,
os melhores desempenhos foram registados em andebol na
flexibilidade, em basquetebol na força explosiva dos membros
inferiores e na resistência aeróbia, em futebol na força de resistência
abdominal e, finalmente, em voleibol na velocidade de deslocamento.
A proporção de crianças e adolescentes que atende aos critérios da
saúde é inferior a 50% tanto em masculinos como em femininos, o
que não deixa de constituir preocupação tendo em conta que se trata
de crianças e adolescentes envolvidos em treinos de iniciação
desportiva.
Palavras-chave: Aptidão física, talento desportivo, iniciação
desportiva.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 308
Factores determinantes da prova de 100m no
Atletismo
Ercílio Machanguana
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Introdução. De forma genérica, tanto os treinadores como os
pesquisadores procuram compreender todo o processo de treino.
Objectivo: resumir e analisar os dados obtidos da investigação sobre
factores determinantes da prova de 100 metros do atletismo.
Metodologia. Para este estudo iremos proceder a uma pesquisa de
artigos científicos recorrendo às bases de dados Web of Knowledge;
pubmed, Sciencedirect, Scorpus e Ebsco. Serão excluídos os artigos
que recaíam apenas no controlo antropométrico. Proceder-se-á
análise dos resultados dos respectivos artigos, como forma de
enriquecer documento e como forma de desenvolver vários
caminhos, várias sugestões para que no futuro este artigo seja
actualizado. Resultados esperados: esperamos encontrar os factores
determinante desempenho da prova de 100m que está relacionado
com uma frequência universalmente pouco variada entre atletas de
classe mundial enquanto o comprimento determina assim o número
de passos até 100m.
Palavras-chave: Treino, 100 metros, atletismo, sprint.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 309
Perfil morfológico e funcional das jovens futebolistas
moçambicanas: estudo realizado na região centro
1
Jorge Domingos
2
Carol Virgínia Gois Leandro
3
Sílvio Pedro José Saranga
1
Universidade Púguè- Moçambique
2
Universidade Federal de Pernambuco - Brasil
3
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
O presente estudo, teve como objectivo: Caracterizar e
comparar o perfil morfológico e funcional de jovens futebolistas
da zona centro de moçambique nos diversos Subgrupos (Sub-
10 n=13, Sub-12n=24, Sub-14 n=26, Sub-17n=47), assim como
verificar possíveis diferenças nas variáveis referenciadas em
função da maturação biológica nas categorias etárias.
Metodologia: Para a amostra deste estudo, foram
seleccionadas 110 futebolistas do sexo feminino. Metodologia:
Foi utilizada estatística descritiva (média ± desvio padrão)
através do programa SPSS v24 e utilizou-se da “anova One
way” complementando-se com o teste “bonferroni” com nível
de significância para as amostras de p<0.05. Resultados: as
variáveis antropométricas ligadas à IMC: peso corporal,
estatura, perímetro da cintura, diâmetro do braço relaxado e
tenso, da coxa mostraram perfeita evolução dentre as
categorias analisadas, onde tivemos uma harmonia no processo
de evolução entre os grupos. Com relação a maturação
Biológica foram observadas diferenças significativas entre as
categorias na variável de mesomorfia (p>0,05). Conclusão:
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 310
recomenda-se treinamentos com volume e intensidade
específicos de acordo com as características das diferentes
categorias, tendo em vista melhor perfil morfológico dos
atletas nos variados subgrupos etários.
Palavras-chave: perfil morfológico; futebol feminino, maturação
biológica.
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 311
Efeito da idade relativa nos clubes de Moçambola da
cidade de Maputo
1
Mário Eugénio Tchamo
2
Nelson Morane
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Introdução Efeito da Idade Relativa (EIR) refere-se à representação
excessiva de jogadores nascidos no início do ano de selecção em
comparação com jogadores nascidos tardiamente na mesma categoria
de idade. Objectivos: Avaliar a influência do efeito idade relativa em
atletas de Moçambola da Cidade de Maputo. Metodologia: A
amostra é formada por atletas de Moçambola de três (3) equipas,l
Moçambola: Associação Black Bulls (n=40), Costa do Sol (n=29),
Liga Desportiva de Maputo (n=29), totalizando 98 atletas. Para o
levantamento de dados, as equipas seleccionadas (a) para o estudo,
foram previamente informadas de forma verbal e escrita sobre o
modelo do estudo. Assim os dados foram obtidos através do plantel
documental físico fornecido pelo pessoal administrativo dos clubes e
outros no plantel electrónico verificados nas suas páginas na internet.
Para o efeito, nos cabia verificar apenas o nome e o semestre de
nascimento dos atletas. Resultados: verificou-se que há maior
percentagem de atletas nascidos no primeiro semestre em relação aos
seus pares, conforme ilustram os resultados 1º Semestre (63.3%) e 2º
(36.7%). Conclusão: os resultados mostram que as esquipas de
Moçambola sofrem o EIR. Para proteger os jovens atletas da
discriminação, os vieses do EIR devem ser analisados e eliminados
em todos os estágios de participação desportiva, selecção, pois
podem levar ao abandono precoce por parte dos futuros talentos.
Modificações na estrutura organizacional do desporto e nos sistemas
de desenvolvimento de atletas são recomendadas para prevenir a
discriminação relacionada ao EIR em desportos juvenis.
Palavras chaves: Efeito da Idade Relativa, Moçambola, selecção de
talentos, futebol
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 312
Modelo de Responsabilidad Personal y Social de
Donald Hellison para melhorar odesenvolvimento de
valores e atitudes positivas através das aulas de
Educação Física em crianças da 6a y 7a Classe do
Ensino Primário
1
Raul Cánovas
2
Clemente Matsinhe
1,2
Universidade Pedagógica de Maputo- Moçambique
Resumo
Objectivo: Esta pesquisa teve como objectivo aplicar o Modelo de
Responsabilidad Personal y Social de Donald Hellison para melhorar
o desenvolvimento de valores e atitudes positivas através das aulas
de Educação Física em crianças da 6ª y 7ª Classe do Ensino Primário.
Metodologia: O estudo foi levado a cabo nas instalações da Casa do
Gaiato de Maputo, na aldeia da Massaca I, Distrio de Boane,
Província de Maputo, com uma amostra de 15 crianças com idades
compreendidas entre os 11 e os 15 anos de idade. Inicialmente o
estudo ia ser levado a cabo na Escola Comunitária Padre José
Maria, na aldeia da Massaca I, mas devido à interrupção das aulas
causada pela pandemia da Covid19, os investigadores tiveram que
mudar o local e a amostra do estudo. Foi aplicado o Modelo de
Responsabilidad Personal y Social nos seus 5 níveis através de 14
aulas de 45 minutos utilizando a modalidade desportiva do voleibol.
Mediante a técnica da observação, o investigador foi registrando os
comportamentos e atitudes dos alunos em todo momento, dando
especial importância aos momentos de reflexão no final de cada aula
e aos jogos cooperativos como ferramentas para atingir os objectivos
desejados. Resultados: Os resultados obtidos mostram uma
significativa melhora em determinadas atitudes e valores por parte da
I Congresso Nacional de Educação Física, Actividade Física e Desporto 313
maior parte dos alunos que foram objecto de estudo (respeito,
responsabilidade pessoal e responsabilidade social). Conclusão: Foi
possível, portanto melhorar o desenvolvimento de atitudes e valores
através das aulas de Educação Física.
Palavras-chave: valores, atitudes, Educação Física, desporto, jogos
cooperativos