Direito Digital
Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Unidade 5
Marco Civil da Internet
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Histórico Do Marco Civil da Internet (MCI)
• O Marco Civil da Internet no Brasil. Lei nº 12.965/2014. Necessidade crescente de regular o uso da internet no país, garantindo
direitos, estabelecendo deveres e definindo princípios básicos para sua utilização. O objetivo foi criar uma legislação que
equilibrasse a liberdade de expressão, a privacidade e a proteção dos usuários, ao mesmo tempo que promovesse a neutralidade de
rede.
• O processo de criação. Ampla participação da sociedade civil e setores envolvidos com a internet, em um esforço colaborativo que se
destacou pela transparência e pela busca por consenso. Iniciou em 2009, quando o governo abriu consultas públicas para discutir as
diretrizes da lei.
• Após anos de discussões e várias versões do projeto, ele foi aprovado e sancionado em 23 de abril de 2014.
• A aprovação foi acelerada, em parte, como resposta ao escândalo de espionagem envolvendo o governo dos Estados Unidos, o que
reforçou a urgência de uma legislação que protegesse a soberania digital e os direitos dos usuários brasileiros.
• A lei regula temas fundamentais como a neutralidade da rede, a proteção à privacidade, a responsabilização dos provedores de
internet e a liberdade de expressão.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Principais Conceitos do MCI
• Os principais conceitos envolvem a definição de direitos, deveres e princípios fundamentais para o uso da internet no Brasil. Esses
conceitos incluem:
• Neutralidade de Rede: É o princípio que garante que todos os pacotes de dados sejam tratados de forma igual, sem discriminação
quanto ao conteúdo, origem, destino, serviço, terminal ou aplicação. A lei proíbe que provedores priorizem ou limitem certos tipos de
tráfego, exceto em situações específicas, como serviços de emergência ou requisitos técnicos indispensáveis.
• Privacidade e Proteção de Dados: O Marco Civil assegura a proteção à privacidade dos usuários, garantindo o sigilo das
comunicações e a inviolabilidade de seus dados pessoais. Dados pessoais só podem ser armazenados e tratados mediante
consentimento explícito, salvo por determinação judicial.
• Liberdade de Expressão: Garante que o direito à liberdade de expressão e comunicação dos usuários seja preservado. Não há
censura prévia, e a responsabilidade civil de provedores por conteúdo gerado por terceiros só ocorre após a não remoção de
material ilegal após ordem judicial.
• Guarda de Registros: Registros de conexão: Os provedores de internet devem armazenar por um ano os registros de conexão
(dados de início e término da conexão). Registros de acesso a aplicações: Provedores de aplicações devem guardar os registros de
acesso a suas plataformas por seis meses, em ambiente seguro e sigiloso.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Estruturação do MCI
• A Lei nº 12.965/2014, conhecida como Marco Civil da Internet (MCI), é estruturada em cinco capítulos principais, que delineiam os princípios, direitos,
deveres e diretrizes sobre o uso da internet no Brasil. A seguir, está a estrutura básica da lei:
Capítulo I - Disposições Preliminares
• Define o objetivo da lei e seu campo de aplicação, estabelecendo que o Marco Civil regula os princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da
internet no Brasil. Ele também determina que a lei se aplica mesmo a atividades realizadas por empresas no exterior, desde que ofereçam serviços ao
público brasileiro.
Capítulo II - Dos Direitos e Garantias dos Usuários
• Os principais direitos dos usuários da internet, como: Inviolabilidade da intimidade e vida privada, com garantia de indenização por danos decorrentes
de sua violação. Proteção dos dados pessoais e do sigilo das comunicações. Direito à qualidade da conexão, e proibição de suspensão arbitrária do
acesso à internet. Transparência sobre coleta e uso de dados pessoais pelos provedores, além de direitos relacionados ao consentimento expresso
para o uso de dados.
Capítulo III - Da Provisão de Conexão e de Aplicações de Internet
• Trata da neutralidade de rede e estabelece regras para a provisão de serviços de conexão e aplicações de internet, incluindo: Neutralidade de rede,
assegurando o tratamento isonômico de todos os dados. Regras para a guarda de registros de conexão e de acesso a aplicações de internet. A
responsabilidade civil de provedores, que só podem ser responsabilizados por conteúdo de terceiros após ordem judicial específica.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Estruturação do MCI
Capítulo IV - Da Atuação do Poder Público
• Trata das diretrizes para a atuação do governo em relação à internet, incluindo: Promoção da governança multiparticipativa. Expansão e
uso racional da internet, com participação do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Adoção de padrões abertos, acessibilidade, e inclusão
digital.
Capítulo V - Disposições Finais
• Trata de sanções, observações sobre a aplicação da lei e sobre como as infrações ao Marco Civil da Internet serão punidas. Ele também
reforça a competência da justiça brasileira sobre casos envolvendo a internet, mesmo que as empresas responsáveis estejam sediadas
fora do Brasil.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Principais Conceitos
1. Neutralidade de Rede
A neutralidade de rede é o princípio que determina que todo o tráfego na internet deve ser tratado de forma isonômica, sem discriminação por
conteúdo, origem, destino, serviço, terminal ou aplicação. Isso significa que os provedores de conexão à internet não podem priorizar ou
bloquear o acesso a determinados serviços ou conteúdos, salvo exceções técnicas, como serviços de emergência.
2. Proteção da Privacidade
A lei garante que os dados pessoais e as comunicações dos usuários sejam protegidos, assegurando o sigilo das informações, que só podem
ser acessadas por terceiros mediante consentimento ou ordem judicial específica.
3. Liberdade de Expressão
A liberdade de expressão é protegida pelo Marco Civil, que proíbe a censura prévia e garante o direito de os usuários manifestarem seus
pensamentos na internet. A responsabilidade por conteúdos publicados por terceiros só ocorre após ordem judicial, e os provedores de
aplicações só podem ser responsabilizados se não removerem conteúdos infratores após decisão judicial.
4. Proteção de Dados Pessoais
O Marco Civil define que os dados pessoais só podem ser coletados, tratados e armazenados mediante o consentimento livre e expresso do
usuário. Os dados também devem ser excluídos quando o usuário solicitar o fim do tratamento, salvo por exigência legal.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Principais Conceitos
5. Guarda de Registros de Conexão e de Acesso
Registros de conexão: Os provedores de conexão devem guardar os registros de conexão (horários de início e término de uma conexão à
internet) por um ano, em ambiente seguro e sob sigilo.
Registros de acesso a aplicações: Os provedores de aplicações de internet (como redes sociais) devem guardar os registros de acesso por
seis meses, também sob sigilo e em ambiente seguro.
6. Responsabilidade Civil dos Provedores
Os provedores de conexão à internet não são responsáveis pelo conteúdo gerado por terceiros. No entanto, os provedores de aplicações
(como plataformas de redes sociais) podem ser responsabilizados civilmente se, após ordem judicial, não removerem conteúdo considerado
infrator.
7. Acesso Universal e Inclusão Digital
O Marco Civil assegura que o acesso à internet é essencial ao exercício da cidadania, promovendo a inclusão digital e garantindo que os
usuários tenham acesso a serviços de qualidade. Ele também estimula o desenvolvimento de novas tecnologias e a difusão da internet de
maneira ampla e acessível.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Principais Conceitos
8. Transparência e Informações Claras
Os provedores devem fornecer informações claras e completas sobre as práticas de coleta, uso, armazenamento e tratamento de dados
pessoais. Isso inclui informar previamente os usuários sobre o gerenciamento de tráfego e garantir a transparência em relação aos dados
coletados.
9. Inovação e Padrões Abertos
A lei incentiva a inovação tecnológica e o uso de padrões abertos, garantindo que a internet continue a ser um espaço colaborativo e acessível,
permitindo a interoperabilidade entre sistemas e serviços.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Artigos de Destaque do MCI
• Os principais artigos da Lei nº 12.965/2014, o Marco Civil da Internet, são aqueles que estabelecem os direitos dos usuários, as obrigações dos
provedores e as diretrizes fundamentais para o uso da internet no Brasil:
• Art. 3º – Princípios. Estabelece os princípios fundamentais que guiam o uso da internet no Brasil, incluindo: Garantia da liberdade de
expressão, Proteção da privacidade. Proteção de dados pessoais. Neutralidade de rede. Preservação da funcionalidade e segurança da
rede.
• Art. 7º – Direitos dos Usuários. Define os direitos essenciais dos usuários da internet, como: Inviolabilidade da intimidade e da vida
privada. Proteção e sigilo das comunicações privadas. Direito à exclusão de dados pessoais após o término da relação com os serviços.
Qualidade da conexão à internet contratada. Informações claras sobre coleta e uso de dados pessoais.
• Art. 9º – Neutralidade de Rede. Trata do princípio da neutralidade de rede, que garante que todos os pacotes de dados sejam tratados de
forma igualitária, sem discriminação por conteúdo, origem ou destino. Estabelece também as exceções, como serviços de emergência ou
requisitos técnicos indispensáveis.
• Art. 10 – Proteção aos Dados Pessoais e Registros. Define as regras para a guarda de registros de conexão e acesso a aplicações de
internet, estabelecendo que: A guarda de registros deve atender à preservação da intimidade e da privacidade. O conteúdo das
comunicações privadas só pode ser acessado mediante ordem judicial.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Artigos de Destaque do MCI
• Art. 11 – Aplicação da Lei Brasileira. Determina que a legislação brasileira se aplica a qualquer operação de coleta, armazenamento e
tratamento de dados no Brasil, mesmo que a empresa responsável esteja sediada no exterior, desde que ofereça serviços ao público
brasileiro.
• Art. 13 – Guarda de Registros de Conexão. Os provedores de conexão são obrigados a manter os registros de conexão por um ano, sob
sigilo e em ambiente seguro, sem que essa responsabilidade seja transferível a terceiros.
• Art. 15 – Guarda de Registros de Acesso a Aplicações. Os provedores de aplicações de internet (como redes sociais e plataformas online)
são obrigados a manter os registros de acesso por seis meses, garantindo sigilo e segurança dos dados.
• Art. 19 – Responsabilidade dos Provedores de Aplicações. Estabelece que os provedores de aplicações de internet só podem ser
responsabilizados por conteúdos gerados por terceiros se, após ordem judicial específica, não removerem o conteúdo infrator no prazo
determinado.
• Art. 22 – Requisição Judicial de Registros. Estabelece que os registros de conexão ou de acesso a aplicações só podem ser fornecidos
mediante ordem judicial, sendo vedada a sua divulgação para outros fins.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Artigos de Destaque do MCI
• Art. 11 – Aplicação da Lei Brasileira. Determina que a legislação brasileira se aplica a qualquer operação de coleta, armazenamento e
tratamento de dados no Brasil, mesmo que a empresa responsável esteja sediada no exterior, desde que ofereça serviços ao público
brasileiro.
• Art. 13 – Guarda de Registros de Conexão. Os provedores de conexão são obrigados a manter os registros de conexão por um ano, sob
sigilo e em ambiente seguro, sem que essa responsabilidade seja transferível a terceiros.
• Art. 15 – Guarda de Registros de Acesso a Aplicações. Os provedores de aplicações de internet (como redes sociais e plataformas online)
são obrigados a manter os registros de acesso por seis meses, garantindo sigilo e segurança dos dados.
• Art. 19 – Responsabilidade dos Provedores de Aplicações. Estabelece que os provedores de aplicações de internet só podem ser
responsabilizados por conteúdos gerados por terceiros se, após ordem judicial específica, não removerem o conteúdo infrator no prazo
determinado.
• Art. 22 – Requisição Judicial de Registros. Estabelece que os registros de conexão ou de acesso a aplicações só podem ser fornecidos
mediante ordem judicial, sendo vedada a sua divulgação para outros fins.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Jurisprudência
1. Responsabilidade dos provedores por conteúdos de terceiros
Caso: REsp 1.629.021/SP (STJ - Superior Tribunal de Justiça, 2017)
O STJ determinou que provedores de aplicação, como redes sociais, não podem ser responsabilizados por conteúdo ofensivo publicado por terceiros, a menos que tenham sido
notificados judicialmente e não tenham removido o conteúdo dentro do prazo estabelecido. Esta decisão reforça a aplicação do Art. 19 do MCI, que condiciona a responsabilização civil
dos provedores à ordem judicial específica.
A jurisprudência estabeleceu que a responsabilidade dos provedores é subsidiária e apenas ocorre se não houver cumprimento de uma ordem judicial para remoção de conteúdo.
2. Exclusão de conteúdo sem ordem judicial
Caso: AREsp 1.057.697/RJ (STJ - Superior Tribunal de Justiça, 2018)
O STJ decidiu que o provedor de aplicação não é obrigado a remover conteúdo ofensivo com base apenas em notificação extrajudicial do ofendido, sendo necessária uma ordem
judicial específica. A corte fundamentou-se no Art. 19 do MCI, que exige que apenas com uma decisão judicial o provedor de aplicação pode ser responsabilizado por não remover o
conteúdo.
Esse caso consolidou a exigência de uma ordem judicial para que os provedores sejam obrigados a remover conteúdo, protegendo a liberdade de expressão e evitando censura prévia.
3. Proteção de Dados Pessoais e Guarda de Registros
Caso: REsp 1.660.168/DF (STJ - Superior Tribunal de Justiça, 2019)
Neste caso, o STJ reafirmou que os provedores de conexão à internet têm a obrigação de guardar os registros de conexão por 1 ano, conforme estabelecido pelo Art. 13 do MCI. A
decisão determinou que a disponibilização desses dados só pode ocorrer mediante ordem judicial, conforme o Art. 10 da mesma lei, protegendo a privacidade e os dados pessoais dos
usuários.
A decisão protege a privacidade dos usuários e restringe o acesso aos registros de conexão, garantindo que esse acesso só ocorra por ordem judicial, reafirmando a proteção de dados
prevista no MCI.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Estudo de Casos
CASO 1 - MARIANA
"Alô, doutor? Aqui é a Mariana. Desculpe ligar assim de repente, mas estou realmente desesperada e preciso da
sua orientação. Há alguns meses, conheci um rapaz chamado Roberto em um evento profissional. Desde
então, ele tem me perseguido sem trégua. No começo eram mensagens e convites, mas agora ele aparece nos
lugares que frequento, deixa presentes na porta da minha casa e até me segue na rua. Ontem, ele me seguiu do
trabalho até em casa e tentou me impedir de entrar no prédio, querendo conversar.
Já deixei claro várias vezes que não quero nenhum tipo de contato, mas ele não respeita. Estou com muito
medo, não consigo dormir direito e isso está afetando meu trabalho e minha saúde. O que posso fazer
legalmente para me proteger? Quais são os meus direitos nessa situação?
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Caso Mariana
Resumo
• Mariana é uma jovem de 28 anos que trabalha como designer gráfica em uma agência de publicidade. Há cerca de seis
meses, após participar de um evento profissional, ela conheceu Roberto, um colega de profissão. Inicialmente, trocaram
contatos por motivos profissionais, mas Mariana percebeu rapidamente que Roberto tinha intenções além do trabalho.
Educadamente, ela deixou claro que não estava interessada em um relacionamento pessoal.
• Desde então, Roberto começou a enviar mensagens incessantes para Mariana, inicialmente com elogios e convites para
sair, que foram ignorados. Com a falta de resposta, as mensagens tornaram-se mais insistentes e, por vezes, agressivas.
Ele passou a aparecer nos lugares que ela frequentava, como sua academia, cafés próximos ao seu trabalho e até mesmo
em eventos familiares, sempre alegando coincidência.
• Nos últimos dois meses, a situação piorou significativamente. Roberto começou a deixar presentes na porta do
apartamento de Mariana, a seguir seus passos e a fazer publicações nas redes sociais insinuando que estavam em um
relacionamento. Em uma ocasião, ele aguardou Mariana na saída do trabalho e a seguiu até em casa, tentando forçar
uma conversa. Sentindo-se ameaçada e com medo pela sua segurança, Mariana decidiu procurar ajuda legal.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Caso Mariana
Análise dos dispositivos legais aplicáveis
Constituição Federal de 1988 (CF/88):
• Artigo 1º, inciso III: Dignidade da pessoa humana – princípio fundamental que garante a proteção da integridade física e psicológica das pessoas.
• Artigo 5º, caput: Assegura a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
• Artigo 5º, inciso X: "São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação."
Código Civil:
• Artigo 186: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito."
• Artigo 927: "Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo."
Código Penal:
• Artigo 147-A (Perseguição ou Stalking): "Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-
lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade."
Pena: reclusão, de 6 meses a 2 anos, e multa.
• Artigo 147 (Ameaça): "Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave."
Pena: detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Caso Mariana
Solução Jurídica
1. Registro de Boletim de Ocorrência (B.O.)
• Procedimento: A primeira medida é procurar uma delegacia, preferencialmente uma Delegacia da Mulher, para registrar um boletim de ocorrência relatando todos
os fatos.
• Importância: O registro oficial é fundamental para a instauração de um inquérito policial e futuras ações judiciais.
2. Solicitação de Medidas Protetivas
• Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006): Apesar de a lei ser voltada para casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, há precedentes que permitem
sua aplicação em casos de violência contra a mulher em contextos diversos.
• Medidas Possíveis
• Proibição de aproximação: O agressor pode ser proibido de se aproximar da vítima a uma determinada distância.
• Proibição de contato: Impedimento de qualquer tipo de comunicação, seja por telefone, e-mail ou redes sociais.
3. Ação Penal
• Inquérito Policial: Coleta de Provas: O inquérito servirá para reunir provas, como mensagens, registros de ligações e testemunhos.
• Denúncia pelo Ministério Público: Tipificação Penal: Com base no artigo 147-A do Código Penal, o Ministério Público pode oferecer denúncia contra o agressor
pelo crime de perseguição (stalking).
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Caso Mariana
Solução Jurídica
4. Ação Civil:
• Indenização por Danos Morais
• Fundamento: O sofrimento psicológico e os prejuízos à vida pessoal e profissional configuram dano moral. Base Legal: Artigos 186 e 927 do Código Civil.
• 5. Medidas Preventivas e de Segurança:
• Alteração de Rotina. Evitar Locais Frequentes: Mudar temporariamente rotas e horários habituais para dificultar a perseguição. Comunicação a Terceiros: Informar
Amigos e Familiares: Manter pessoas próximas cientes da situação para apoio e testemunho, se necessário.
• 6. Coleta e Preservação de Provas:
• Mensagens e Ligações: Salvar Evidências: Guardar todas as mensagens, e-mails, registros de chamadas e presentes recebidos.
• Relatórios de Incidentes: Anotar Ocorrências: Manter um diário detalhando cada episódio de perseguição, com datas, horários e locais.
• 7. Comunicação com Autoridades Competentes:
• Delegacia Especializada: Apoio Especializado: Procurar delegacias especializadas em atendimento à mulher para suporte adequado.
• Ministério Público: Acompanhamento do Caso: Solicitar informações sobre o andamento do inquérito e ações penais.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Caso Mariana
Fundamentação Jurídica Detalhada
• Violação de Direitos Fundamentais:
Dignidade da Pessoa Humana (CF/88, Art. 1º, III): A perseguição compromete a dignidade, afetando a
integridade psicológica.
Direito à Segurança (CF/88, Art. 5º, caput): O Estado deve garantir a segurança dos cidadãos.
Inviolabilidade da Intimidade e Vida Privada (CF/88, Art. 5º, X): A perseguição invade a esfera privada da
vítima.
• Responsabilidade Civil:
Ato Ilícito (Código Civil, Art. 186): A perseguição é uma ação que viola direitos e causa danos.
Obrigação de Reparar (Código Civil, Art. 927): O agressor deve indenizar pelos danos morais causados.
• Responsabilidade Penal:
Crime de Perseguição (Código Penal, Art. 147-A): Tipifica a conduta do agressor como crime, sujeitando-o a
pena de reclusão.
Crime de Ameaça (Código Penal, Art. 147): Se houver ameaças explícitas, caracteriza-se também este crime
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Caso Mariana
Conclusão
• A situação descrita pela Mariana configura claramente o crime de perseguição,
conforme previsto no Código Penal. Além disso, há violação de direitos
fundamentais assegurados pela Constituição Federal e possibilidade de
reparação civil pelos danos sofridos.
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Revisão
• Como o Projeto de Lei das Fake News busca regulamentar o uso de redes sociais e serviços de mensageria para combater a
desinformação, e quais são os impactos disso na liberdade de expressão?
• Qual a importância da neutralidade da rede para o Direito Digital e a proteção dos usuários
• Como o conceito de "liberdade de expressão" pode ser interpretado no contexto do combate à desinformação, especialmente em relação
ao PL das Fake News?
• Como a governança da Internet contribui para a criação de um ambiente digital mais democrático e seguro?
• De que forma a evolução da Internet e o surgimento de novas tecnologias impactam a necessidade de regulamentação jurídica no campo
do Direito Digital?
• Qual é a importância do Marco Civil da Internet para a proteção dos direitos dos usuários e a neutralidade da rede no Brasil?
• Como a evolução do protocolo IP contribuiu para o crescimento e a escalabilidade da Internet?
• De que forma a evolução da Internet e o surgimento de novas tecnologias impactam a necessidade de regulamentação jurídica no campo
do Direito Digital?
• Qual é a função da ICANN no contexto da governança da Internet, e como ela impacta o sistema global de nomes de domínio (DNS)?
• Como o conceito de governança multissetorial se aplica à administração da Internet no Brasil?
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza
Revisão
• Quais foram os impactos da privatização da Internet a partir dos anos 1990
• De que maneira a Governança da Internet e o Direito Digital interagem para garantir a liberdade e a segurança no uso da rede global?
• De que maneira a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contribui para a proteção dos dados pessoais no Brasil, e como isso
está relacionado à governança da Internet?
• De que maneira o PL das Fake News lida com o conceito de responsabilização das plataformas digitais sem comprometer a liberdade de
expressão dos usuários
• Qual o papel do Direito Digital na proteção de dados pessoais na era da Internet
• Qual é o papel do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) na implementação de políticas públicas para a Internet?
• De que forma o PL das Fake News pode impactar a forma como as plataformas de redes sociais exercem a moderação de conteúdo, e
como isso pode afetar a liberdade de expressão?
• O que é o Marco Civil da Internet e como ele regulamenta o uso da Internet no Brasil?
• Explique o conceito de "Web 2.0" e como ele transformou o uso da Internet.
• Como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil busca proteger os direitos dos indivíduos na era digital?
Direito Civil – Obrigações – Prof. M.e Mauro Roberto Freire de Souza