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Gregório de Matos: Barroco e Crítica Social

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Gregório de Matos e o Barroco

Gregório de Matos foi um dos mais conhecidos poetas da literatura feita


durante o século XVII, período da cultura colonial brasileira. É também a
grande expressão do movimento barroco no Brasil. Muitos de seus
versos são ácidos, satíricos e refletem uma postura crítica à
administração colonial – excessivamente localista e burocrática –, à
fidalguia brasileira, ao clero moralista e corrupto e a quem mais
compusesse a degradada sociedade colonial, o que lhe rendeu o apelido
de Boca do Inferno.

Filho de dois fidalgos portugueses, Gregório de Matos e Guerra nasceu


em 20 de dezembro de 1636 em Salvador (BA), então capital da colônia.
Estudou Humanidades no Colégio dos Jesuítas e depois partiu para
Coimbra, onde se formou pela Faculdade de Direito e escreveu lá sua
tese de doutoramento, toda em latim.

Veja mais sobre "Gregório de Matos" em:


https://brasilescola.uol.com.br/literatura/gregorio-matos-guerra.htm
Gregório de Matos Matos (1636 – 1696) era doutor in utroque
jure pela Universidade de Coimbra. Sua produção literária continha
poesias líricas, religiosas e satíricas. Havia em sua poesia denúncias
contra as autoridades da colônia, o desprezo pelos mestiços, a cobiça
pelas mulatas, o fervor religioso.
À mesma dona Ângela
Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda

À mesma dona Ângela é uma poesia lírica. Aqui podemos perceber o


caráter imitativo da obra de Gregório de Matos que, assim como
poetas como Shakespeare, comparava a beleza da musa a elementos
da natureza. A musa é, ao mesmo tempo, comparada a um anjo e à flor
angélica. O paradoxo, figura de linguagem bastante explorada no
Barroco literário também é encontrada no poema: “Sois anjo que me
tenta e não me guarda”. Angélica é retratada metaforicamente como
um ser tão puro que pode ser comparado a um anjo ou a uma flor,
porém sua beleza é tão perturbadora para o eu lírico que estar próximo
a ela é uma tentação.
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado
de vossa alta piedade me despido.
Antes quanto mais tenho delinquido,
vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
a abrandar-vos sobeja um só gemido;
que a mesma culpa, que vos há ofendido,
vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
glória tal e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na sacra história,
eu sou, Senhor, ovelha desgarrada:
cobrai-a, e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha a vossa glória.

O Barroco foi influenciado pela ideologia da Contra-Reforma e pelo


Concílio de Trento. A estética barroca é composta pelo dualismo
razão/fé. A Contra-Reforma “opôs a concepção de ‘homem aberto’,
voltado para o céu assim, à ideia renascentista do ‘homem fechado’,
limitado à terra” (COUTINHO, 1995). O poema Pequei, Senhor reflete
o homem barroco saudoso da religiosidade medieval.

Epílogos
Que vai pela clerezia?………………Simonia
E pelos membros da Igreja?……….Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?…..Unha.
Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.
E nos frades há manqueiras?………Freiras
Em que ocupam os serões?…………Sermões
Não se ocupam em disputas?………Putas.
Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.
O açúcar já se acabou?………………Baixou
E o dinheiro se extinguiu?………….Subiu
Logo já convalesceu?…………………Morreu.
À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.
A Câmara não acode?……………….Não pode
Pois não tem todo o poder?………..Não quer
É que o governo a convence?……..Não vence.
Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.

Gregório ficou conhecido pelo apelido Boca do Inferno pelo teor de


suas poesias satíricas e pelo vocabulário deselegante que empregava
em suas obras. No poema Epílogos, o autor utiliza a estética medieval
com estrofes em redondilha maior (sete sílabas métricas). Outra
característica barroca presente no texto é o processo de disseminação
e recolha: as palavras são espalhadas por versos diferentes para depois
serem reunidas em um mesmo verso, como podemos ver em
“Simonia, Inveja, Unha” e nas estrofes seguintes.

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