RUPTURA PREMATURA DE MEMBRANAS
CONCEITO
Chama-se ruptura prematura de membranas (RPM) a quando se rompem as membranas ovulares
antes do início do trabalho de parto. É um quadro grave para o prognóstico perinatal e sua
importância está em relação inversa com a idade gestacional em que se produz, ou seja, que quanto
mais cedo aparece piores serão os resultados. Podemos então assegurar que no embaraço de mais
de 35 semanas (feto viável) o prognóstico é bom, embora não isento de complicações; pelo
contrário, quando ocorre antes das 34 semanas é desfavorável e pior ainda antes das 32; a evolução
está sujeita a uma alta morbilidad e mortali dêem fetal e neonatal.
QUADRO CLÍNICO
O signo característico é a perda do líquido amniótico pelos genitálias, que tem um aroma parecido ao
do sêmen. É geralmente incolor, mas pode estar tingido de meconio ou ser sanguinolento. A
quantidade depende do grau de ruptura e do volume de líquido; em caso de produzir-se pequenas
fissuras, perde-se em pequenas quantidades e intermitente. Só se existir uma corioamnionitis clínica
se acompanha de fiebre,dolor suprapúbico e o líquido pode ser fétido e de aspecto purulento.
COMPLICAÇÕES DA RPM
Maternas. Maior índice de cesáreas e de infecção puerperal.
Fetais. Sepsis ovular, procidencia do cordão, hipoplasia pulmonar, síndrome das bridas
amnióticas,muerte fetal e maior número de partos distócicos.
Neonatales. Sepsis congênita e as que derivam da imaturidade (enfermidade da membrana hialina,
hemorragia intraventricular e enterite necrosante).
CONDUTA OBSTÉTRICA
Quando a RPM ocorre às 25 semanas ou menos, salvo em casos excepcionais, a conduta será a
interrupção da gestação, já que o prognóstico fetal é muito mau devido às complicações que
apareceriam antes de chegar à viabilidade, a qual é muito difícil de alcançar nessa situação
Entre as 26 e 33 semanas se indica reposo,antibióticos e indutores da maturação pulmonar
(betametasona). Devem-se vigiar os signos de sepsis ovular onde existam os meios disponíveis
antes descritos (estas pacientes devem ser ingressados em hospitais com serviços perinatológicos
especializados). A taquicardia materna, a dor abdominal suprapúbico a palpación acompanhado do
início de contrações uterinas, a febre (mais tardia) e as mudanças de cor de líquido amniótico a
sanguinolento ou purulento, assim como a fetidez de este, são signos inequívocos de corioamnionitis
e indicam a imediata interrupção do embaraço. Geralmente a via depende da apresentação fetal,
que nesta etapa da gestação, é mais freqüente a pelviana, por isso se indica a cesárea.
Se existir sofrimento fetal, o parto transpelviano deve ser evitado.
Às gestantes com 34 a 36 semanas e cálculo de peso fetal de mais de 1 800 g lhes pode fazer uma
tomavaginal de líquido para determinar o fosfatidil glicerol e saber se existir maturação pulmonar
fetal. Se o feto estiver imaturo se administram 24 mg de betametasona em 2 dose e se induz o parto
às 48 horas.
Com mais de 36 semanas sempre se indica a indução depois de um período de observação de 12 a
24 horas e se busca a possibilidade do trabalho de parto espontâneo, o que ourre em mais de 60 %
dos casos.