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Contextualizacao

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO 02

APRESENTAÇÃO 03

I – O PROBLEMÁTICO DA CONTEXTUALIZAÇÃO 05

II – OS MODELOS MISSIONÁRIOS NA HISTÓRIA 05

III – PRÉ-REQUISITOS PARA A CONTEXTUALIZAÇÃO DA BÍBLIA 06

IV– PASSOS PRÁTICOS NA ADAPTAÇÃO CULTURAL 10

V – CHOQUE CULTURAL 12

VI –
RESUMO DE NICHOLLS (CONTEXTUALIZAÇÃO: UMA TEOLOGIA DO EVANGELHO
E CULTURA) 13

CONCLUSÃO 15

BIBLIOGRAFIA 16

APÊNDICES

1. “Aprendizagem de Línguas por Missionários” – por Marta Kerr Carriker.

2. “De todas as Etnias” – por Rinaldo de Mattos.

3. “A Importância e o Perigo da Contextualização” – por Bertil Ekstrom.

4. “A Contextualização da Palavra de Deus” – Relatório de Willowbank.

5. “Missões Modernas em Perspectiva” – por Raph D. Winter.

6. “Missões Brasileiras em Angola” – por Antonia Leonora.


INTRODUÇÃO

Não se pode pensar em Missões sem levar a sério a questão da Contextualização. É importante
ressaltar que Contextualização não significa anarquizar, mas procurar transmitir fielmente a
mensagem de Deus ao homem perdido, na sua cultura de forma que este homem possa
compreender e assimilar a mensagem sem deturpá-la.

Esta disciplina visa orientar alunos de Missiologia a entender o que é Contextualização e se


necessário, colocá-la em prática no momento exato de transmissão do evangelho aos povos
perdidos.

Na Bíblia Sagrada existe vários exemplos de pessoas que conseguiram contextualizar-se


permanecendo fiel ao propósito de Deus para suas vidas. Destacamos Paulo que disse: “Fiz-me
tolo para com os tolos com o fim de ganhar a todos”. Jesus que viveu, pregou, andou, alimentou-
se com pecadores, mas em nenhum momento se misturou ao ponto de contaminar-se, mas se
manteve firme no santo propósito de Deus para sua trajetória neste mundo. Poderíamos citar
outros exemplos, mas deixamos com o aluno a responsabilidade de descobrir individualmente o
sentido e a necessidade da Contextualização na obra missionária especialmente num contexto
transcultural.

Sucesso no estudo desta disciplina é o nosso desejo a todos!

2
APRESENTAÇÃO:

“Depois da ressurreição de Jesus Cristo, Ele disse aos seus discípulos: “Ide, portanto, fazei
discípulos de todas as nações...” (Mateus 28:19).

O QUE É FAZER DISCÍPULOS DE TODAS AS NAÇÕES?

Primeiro:
Fazer discípulos é a ordem primária segundo esta grande comissão. Não é uma opção para nós.
É uma ordem de Cristo. Ele nos recrutou para fazermos isso.

Quem é um discípulo de Jesus Cristo? Conforme as Escrituras, o discípulo deve ter as seguintes
características:

 Seguir a Cristo, carregando a sua cruz.


 Amar uns aos outros.
 Viver as Escrituras Sagradas de uma maneira real.
 Ter uma vida frutífera.

Segundo:
“... de todas as nações...”. Mas, como podemos entrar em países comunistas?

Veja que a palavra “todas as nações” no Novo Testamento é (panta ta ethnei) –


que quer dizer: “todos os povos”. Um povo é um grupo com a sua própria cultura e modo de
encarar as coisas. Isto é mais do que uma nação. Há muitos povos aqui no Brasil. Por exemplo:
existem 16.000 “grupos de povos” no mundo ou quase sem nenhum contato com Jesus Cristo.

Eis aí um grande desafio. Eis uma missão quase que impossível. Deus está nos chamando para
levarmos não somente as pessoas e famílias para Cristo, mas os povos do mundo inteiro. Nossa
tarefa é, juntamente com outros irmãos, a de alcançar estes 16.000 “grupos de povos” que
significam cerca de 2,5 bilhões de pessoas. Eis uma tarefa gigantesca.

Porém, lembramos que Jesus Cristo é o Senhor da seara. Ele disse: “Toda a autoridade me foi
dada... E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. (Mateus 28:18a e
20b).

Que alegria sentimos aos lembrarmos que Jesus Cristo é o Senhor. Ele nos prometeu que
edificaria a sua Igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Que segurança! Ele
fará o que prometeu, pois esta é a promessa do Rei dos reis e Senhor dos senhores.1

“Enquanto a ordem do senhor Jesus de fazer discípulos de todas as nações permanece


inalterável, a Igreja atual, em sua missão de evangelizar o mundo, confronta-se com um número
assustador de mais de dez mil grupos étnicos ainda não alcançados e aproximadamente seis mil
línguas distintas, ao redor do mundo, metade das quais, sedo ágrafas, não possuem sequer um
versículo da Bíblia traduzido”.2

“A contextualização do evangelho é a tarefa fundamental do missionário comprometido com o


próprio evangelho e com os valores culturais do povo ao qual é enviado”.3

_____________________

1 Ken Kudo, Enviar Obreiros Transculturais.


2 Rinaldo de Mattos, De todas as Etnias.
3 Rinaldo de Mattos, De todas as Etnias.

3
DEFINIÇÕES:

“Contextualização é o processo de conscientização do povo de Deus das reivindicações


hermenêuticas do evangelho”. (Harvie Conn)

“A interpretação (translação) do conteúdo imutável do evangelho do reino em forma verbal


compreensível aos povos em suas diversas culturas e em suas situações existenciais peculiares”.
(Bruce Nicholls)

“Contextualização aplicada adequadamente significa descobrir as implicações legítimas do


evangelho em cada situação”. (George Peters)

“Contextualização pode ser vista como uma tentativa de comunicar a mensagem sobre a pessoa,
a obra, a palavra e a vontade de Deus, numa forma que é fiel à revelação divina. Especialmente
como é apresentada nos ensinamentos das Sagradas escrituras que é relevante aos receptadores
em sua respectiva cultura e contexto existencial. Contextualização é tanto verbal como não verbal
e tem a ver com a teologização, tradução, interpretação e aplicação da Bíblia, estilo de vida de
encarnação, evangelização, instrução cristã, plantação e crescimento de igrejas, organização
eclesiástica, estilo de adoração – de fato, com estas atividades que envolvem o cumprimento da
Grande Comissão”. (David Hesselgrave)

“Adaptação de idéias, conceitos, ações, interesses, preocupações e costumes de uma cultura


para outra. É apresentar a mensagem da cultura receptora encarada atingindo suas necessidades
e preocupações”. É um processo dinâmico de duas forças: uma cultura em mudança e uma
mensagem ou programa de fora da cultura”. (Kraft)

Nosso Alvo:

1. Buscar definições em relação à interpretação bíblica.


2. Avaliar a importância da contextualização na comunicação transcultural.
3. Transmitir uma mensagem sem perder o supra-cultural.

Comunicação Tornar a mensagem compreensível e prática.


Contextualização “Ouvir antes de falar, procurar penetrar no mundo das idéias e
pensamentos da outra pessoa, tentar descobrir quais são as suas
possíveis objeções ao evangelho e então compartilhar com ela as boas
novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale às suas necessidades”.4

_____________________
4
John Stott, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, p. 123.

4
I – O PROBLEMÁTICO: AS TENSÕES, CONTEXTUALIZAÇÃO E PRÁTICA MISSIONÁRIA

1. Identificação vs. Confronto.


2. Relevância vs. Sincretismo.
3. Supracultural vs. Cultural.
4. Forma vs. Significado.
5. Evangelho e Cultura.

Não são poucos os pontos de tensão da contextualização, como mostramos acima, mas podemos
fazer uma adaptação consciente dela na interpretação das Escrituras. “ Na defesa da tradição e
de possíveis mudanças, é importante se fazer uma diferença entre aquilo que é essencial ao
Evangelho, como a Salvação em Cristo, e aquilo que é secundário, como a posição dos bancos
do templo”.5

II – OS MODELOS MISSIONÁRIOS NA HISTÓRIA (LUZBETAK, CAP. 3)

1. O Modelo Etnocêntrico:

A. intensidade de etnocentrismo – de patriotismo até a xenofobia de Hitler;


B. Os níveis de etnocentrismo – cultura, subcultura, ou familiar;
C. As formas de etnocentrismo:
 Paternalismo – compaixão mal direcionada que humilha os “beneficiados”;
 Triunfalismo – levar a “civilização” do missionário junto com o Evangelho;
 Racismo e divisão de classes – inferioriza a pessoa.

2. O Modelo Acomodacional ou “Indigenizado”:

A. Respeita e utiliza os pontos bons da cultura;


B. Tem a tendência de tratar os níveis superficiais da cultura;
C. Os agentes principais de mudança eram os missionários;
D. Implantava estrutura do missionário para os nacionais a levar para frente.

3. O Modelo Contextualizado:

A. Características principais que diferencia Contextualização dos outros modelos:

 Os discípulos são agentes principais da encarnação do Evangelho;


 O resultado é enriquecimento mútuo;
 A profundidade da penetração do Evangelho é maior;

B. Tipos de modelos contextualizados (Luzbetak, p. 791):

 O tipo “tradicional” – Kraft (uma idéia “romântica” da cultura);


 O tipo “liberacional” – TL;
 O tipo “Dialético” (entre o Evangelho, a Igreja universal, história e cultura);
 O tipo bíblico ou “crítico”, limitando a contextualização aos parâmetros bíblicos. É
integração do texto com o contexto.

_____________________
5
Bertil Ekstrom, Contextualização das Escrituras.

5
III – PRÉ-REQUISITOS PARA A CONTEXTUALIZAÇÃO BÍBLICA DO EVANGELHO:

Tradução da Bíblia (Francis B. Popovich, 1989):

O que é traduzir? É fazer passar uma mensagem de uma língua para a outra, é “transmitir o
significado exato da mensagem original, usando-se a construção gramatical e as expressões
idiomáticas que são naturais na língua receptora” (Katherine Barnwell 1979, pág. 7). “O alvo do
tradutor é fazer o povo entender a mensagem que os ouvintes da mensagem original entenderam”
(pág. 38).

1. Princípios de Tradução:

A. A diferença entre a Forma e o Significado:

As formas são óbvias, pois nós as percebemos com os cinco sentidos: são objetos,
gestos, cheiros, sons ou comportamentos. Quando elas pertecem às nossas próprias
culturas, entendemos o que elas significam e para nós não há nenhuma diferença
entre a forma que observamos e aquela realidade que ela indica.

O significado é invisível porque está na cabeça. O observador forasteiro não sabe o


que uma forma significa para pessoas de uma outra língua e cultura. Às vezes uma
forma parece com uma forma que o forasteiro conhece, porém poderia ter um
significado bem diferente. Entender esse fato é muito importante quando traduzimos.
As palavras que soam iguais podem ter sentidos diferentes. As estruturas também
podem parecer iguais e ter significados ou funções diferentes.

B. Como traduzir uma Linguagem Figurada:

Todas as línguas possuem expressões que não devem ser entendidas ao pé da letra.
Expressões em português desse tipo são “todo o mundo” (simplesmente quer dizer que
as pessoas as quais achamos importantes tomaram a mesma atitude) e “meu prato
predileto é feijoada” (refere-se à comida, e não ao prato mesmo). Estes são exemplos
de linguagem figurada. Há muita linguagem figurada na Bíblia. É preciso uma exegese
cuidadosa para descobrirmos a mensagem principal de cada expressão, para que
possamos transmiti-la corretamente numa outra língua.

C. Como produzir um Texto Compreensível:

Certos termos bíblicos representam costumes desconhecidos em sociedades


indígenas. Poderia exigir uma frase explicativa. Para garantir a conservação do
significado do original, pode ser preciso usar formas diferentes quando traduzimos. Há
perguntas, por exemplo, que de fato não pedem informação. As línguas indígenas tem
algumas formas gramaticais que o grego e hebraico não tem, e vice-versa. A Dra.
Barnwell diz que há três perigos que o tradutor enfrenta: o primeiro – o perigo de supor
que todos entendem um trecho só porque ele sabe o que significa. O segundo – tornar
uma passagem complicada e longa demais. O terceiro – de tentar omitir ou mudar o
sentido de algum trecho para torna-lo mais claro. Isto não é lícito. Precisamos
comunicar a mensagem corretamente.

D. Como tornar a Tradução Natural:

Barnwell diz que uma boa tradução é tão natural que parece ser original naquela
língua. Para conseguir esta naturalidade, precisamos conhecer e respeitar a língua
indígena em que traduzimos. As línguas indígenas preferem frases verbais aos
substantivos abstratos. Um outro exemplo é a tradução da voz passiva. Outro exemplo
é a estrutura bastante sofisticada da narrativa em línguas indígenas. E o grego
emprega períodos muito longos e complicados, ao passo que muitas línguas indígenas
dão preferência às orações breves e períodos de poucas orações.

6
A tradução da Bíblia depende da hermenêutica. Há perigos. O Prof. Sturz levanta os
perigos da hermenêutica contextualizada sem limites que:

 Defende o status quo;


 Não cumpre a tarefa da transformação;
 Não admite que não há muitas igrejas, muitas Teologias, mas um “novo homem”.

Ele diz: “exige-se um compromisso com a cultura sem conformar-se” (I Cor. 9:19-23).
As Escrituras são normativas para a vida – no meio de culturas caídas.

Sem parâmetros temos sincretismo:

 Cultural:
 Sem discriminação de símbolos e formas;
 Forçando símbolos e formas estranhas;

 Teológico:
 A Bíblia sem autoridade final, misturando crenças;
 Deixando que a cultura absorva o Cristianismo.

Temos que manter o Evangelho íntegro, sem misturar costumes do missionário,


sem misturar costumes não bíblicos do receptor.

O que é o Evangelho íntegro?


Como descobrir = Exegese;
Como definir = Hermenêutica (Interpretação);
Como aplicar o Evangelho íntegro = Contextualização.

2. Princípios de Hermenêutica:

A. Humildade, compromisso, submissão (estudo subjetivo);


B. Estudo Objetivo – reflexão, estudo profundo, sentido original;
C. A comunidade interpreta junto a palavra (hermenêutica não é individualismo). O
Espírito santo dá dons ao corpo de Cristo, que tem dimensão histórica.
D. Feito no contexto da missão ao mundo – se não a teologia é sempre truncada e míope!

3. Princípios de Contextualização:

A. Usando termos culturalmente entendidos:


 Imagens, categorias certas (ie. Ap. 3:20);
 Linguagem certa;
 Símbolos certos (ie. Branco como a neve);
 Ilustrações certas (ie. Jesus usava governos, plantação, etc).

B. Usando sistemas lógicos adequados – “processos cognitivos”:


 Intuito / linear / circular, etc.

C. Aplicando-a às questões relevantes;


D. Usando formas literárias adequadas – poesias, histórias, jograis, etc.

7
4. O Processo da Tradução e o Uso de Equivalentes Dinâmicos:

Equivalência evita confusões culturais:

A. Rm. 14:7 para alguns africanos é magia negra que faz morte;
B. Dragão em apocalipse para orientais = boa sorte;
C. Sangue vermelho lava para branco? Como?;
D. Roupa branca para alguém é luto;

5. Como Ajudar em Situações Assim:

A. A forma pode ser modificada se não alterar o conteúdo;


Exemplos:

 Nomes próprios: Mary .......................Maria (transliteração);

 Formas gramaticais (estruturas morfológicas):


 Masculino / feminino;
 Posição de verbos;
 Negativo duplo – “não tenho nada” (“I don´t have nothing?).

 Usos do retórico – paralelismo, ironia, hipérbole:


 Rm. 8:31-35 – quem os condenará (ninguém) é inferência;
 Ênfase – I would not have you, ignorant brethren! (Rom. 1:13 em inglês).

 Poesia (difícil);

 Figuras de linguagem:
 Deve traduzir o sentido e o impacto – o autor original usou para trazer impacto
emocional ou intelectual. Não devemos reduzir isto com uma explicação seca.

 A estrutura do discurso – narrativa/descrição/argumento/diálogo:


 Ie. A Poesia e o Camponês – posição dá sentido no chiasmo;
 Conversas de Jesus e outros como Jó.

 O gênero literário – biografias/cartas/poesias/apocalíptico:


 Neemias 4:10.

6. O Tradutor não é Editor

Não é melhorar o original, mas refletir sobre o original com cuidado. Quando o escritor não
escolheu explicar mais um assunto, o tradutor não pode (ie. João 1:1).

A. O conteúdo tem que ser mantido – sem aumentar, sem diminuir.

 Eventos Históricos – especialmente os com significado religioso, como circuncisão,


cruz, batismo, cordeiro (pode usar anotações em baixo);

 Eventos Históricos sem significado religioso:


 Davi – não pode por que ele dançou de calção / ou que;
 Abraão matou uma vaca, não uma ovelha.

 Eventos/objetos figurativos/ilustrações com raízes na história:


 Sangue .- significa morte sacrificial, não apenas “morte”. A teologia do tradutor
não pode entrar, especialmente quando os autores usaram especialmente
“sangue” (quando podiam ter usado “morte”) em tantos lugares;

8
 Batismo – Mt. 28:19-20, história de Jesus e o NT.

 Eventos/objetos figurativos/ilustrações:
 Pode aumentar no texto uma palavra que esclarecesse como Salmo 23: “ungir
minha cabeça com óleo me fazendo bem-vindo”. Gen. 49:9 Judá é um leão ou
como um leão; Lc. 22:42 – “este cálice de sofrimento”.
 No Canadá quando o missionário quis substituir cavalo para ovelha – eles não
aceitaram e chamaram-no de paternalista! (Nida, p.55).

 Nomes próprios:
 Não pode chamar “Pedro de Rocha”, mas pode chamar Peter, Petrus, etc.
 Respeitar as pessoas – se nós podemos entender, eles também. Nós temos
que estudar para entender, eles também.
(Conceitos tirados do livro Meaning Across Culture de Eugene Nida e William D.
Reybunr, Orbis Books, 1981.)

9
IV– PASSOS PRÁTICOS NA ADAPTAÇÃO CULTURAL (BÁRBARA H. BURNS)

1. Procurar bom preparo antes de ir (espiritual, teológico, prático e cultural);

2. Ter um bom relacionamento com Deus e com os outros:


A. Relacionar-se bem;
B. Perdoar; ser aberto; bom gênio;
C. Senso de humor.

3. Cuidado com motivos egoístas:


A. Satisfação própria;
B. Posição e status;
C. Controle sobre os outros;
D. Complexo de “patrão” (coronealismo, paternalismo).

4. Ser Humilde:
A. Auto avaliação em vez de auto defesa;
B. Respeitar, aceitar e valorizar os outros/a outra cultura;
C. Procurar pessoas que podem corrigir (missionários com experiência nacional). “Fiz
errado?” “O que posso fazer melhor?”;
D. Sem teimosia/sem “olhar altivo”;
E. Sem etnocentrismo/racismo.

5. Ter paciência consigo mesmo;

6. Não se fechar dentro de casa;

7. Tirar tempo para lazer;

8. Não impor sua cultura, ou criar vácuos culturais;

9. Não “comprar” as pessoas, fazendo “crentes de arroz”;

10. Identificar-se/amar/servir/aprender o que é de interesse deles;

11. Comunicar com eles/falar;

12. Manter contato intenso/criar amizade;

13. Viver no nível apropriado (casa, roupa, comida, transporte, etc) Não escandalizar!

14. Demonstrar atitudes de Aprendiz e continuar aprendendo a cultura/língua;

15. Aproveitar a oportunidade de aprender novas expressões de cristianismo;

16. Aprender os pontos da cultura que são essenciais para o recém chegado:

A. Os conceitos de higiene: O que é limpo e o que é sujo varia de cultura para cultura;

B. Os conceitos de Etiqueta de mesa;

C. Conceitos sobre amizade e sua expressão;

D. Conceitos e práticas relacionados aos barulhos, sons e voz;

10
E. Conceitos sobre a organização do tempo:
 Tempo de espera;
 Hora de visita;
 Hora de dormir e levantar;
 Tempo é dinheiro/pressa;
 Paciência.

F. Conceitos sobre hierarquia:


 Quem é o chefe (chefia), como tratar, chamar, etc.
 Quais os termos de respeito para todos.

G. Conceitos sobre a procura de alguém:


 Telefone – “Quem fala” / como falar / tom de voz.

H. Conceitos sobre distância pessoal;

I. Conceitos de humor;

J. Conceitos de como tratar de negócios;

K. Conceitos sobre relacionamentos entre homens e mulheres:


 Cumprimentos (pegar na mão, beijo, nada);
 Familiaridade (não pode olhar (Índia , muçulmanos), olhar ao lado, etc);
 Dentro do casamento / família;
 Em público – afeição – namoro na tribo;

L. Conceitos sobre privacidade e direitos individuais:


 O que é seu é nosso;
 Comunidade;
 Não revela salário, idade, preço de compras nos EUA.

M. Conceitos sobre o que é coerente ou não:


 Doce e salgado no mesmo prato;
 Em alguns países na Europa, doces existem somente para crianças, é feio um
adulto tomar!
 Carregar algo sem ser embrulhado;

17. Descobrir sua cosmovisão, seus desejos, aspirações, ansiedades, alvos, pecados: a
cultura com profundidade.

A. O porquê – significados e funções (influências de raça, geografia, cultura, psicologia,


instinto);
 Comida (social, gosto, satisfação, fome, status, religião);
 Roupa.

B. Crenças religiosas/mitos e lendas;

C. A cosmovisão;

D. Poesia, escritos;

E. A história;

F. A política;

G. Sistema de educação/processos cognitivos (como perceber a realidade, e conceituar,


simbolizar elementos abstratos, formular regras e avaliar comportamento (Ligenfelter,
cap.3);

11
H. Artes;

I. Estruturas de família, parentesco, padrões sexuais;

J. Status e papéis;

K. Economia / troca de bens e serviços / formas de propriedades;

L. Valores;

M. Ciências.

V – CHOQUE CULTURAL

É a reação negativa do missionário no seu novo ambiente. É uma desorientação, raiva e


depressão. A nova vida é difícil porque o missionário tem que:

 Conseguir as necessidades básicas;


 Ter razoável bem estar físico e emocional;
 Entender as pessoas ao seu redor (sua língua, costumes, cosmovisão);
 Há níveis de choque cultural;
 Superficial – costumes e boas maneiras;
 Profundo – cosmovisão, valores, processos cognitivos, raciocínio;

1. Problemas de Identificação Cultural:


(Mayers, Marvin K, Christianity Confronts Culture, p. 195)

Tornar-se “Nativo” Identificação Sadia

 Necessidade de Aceitação  Desejo de aceitação para poder


(segurança pessoal); comunicar;

 Desejo egoísta de auto satisfação;  Desejo altruísta para o bem dos


outros;
 Reações indiscriminadas diante
das tensões culturais;  Reações positivas baseadas na
Palavra de Deus e nos objetivos
 Rejeição da própria cultura; de trabalho;

 Aceitação indiscriminada de todos  Aceitação de si mesmo e da sua


os traços culturais, negativos e própria cultura;
positivos;
 Confronto sábio com a cultura
 Falta de capacidade de ajudar as quando em conflito com princípios
pessoas da cultura – incapacidade bíblicos;
de efetuar mudanças culturais.
 Capacidade de levar o povo à sua
transformação espiritual e cultural.

2. Etapas de Adaptação em Choque Cultural:


(Grunlan e Mayers)

A. Fascinação – turista;

12
B. Rejeição – não consegue viver como vivia dentro da cultura;
Frustração;
Faz estereótipos – “eles são burros”, “sujos”, “mal-educados”, etc;
Desconfiança;
Piadas – menosprezo;
Separação – desassociação. Não compra produtos da terra, etc. Comida! (nada
melhor do que café com leite e muitos missionários não tomam, etc). Ler a Bíblia
só em Português! (Sua atitude com a língua nova pode indicar bem claramente
seu índice de choque da cultura);
Associação com pessoas da sua própria cultura;
Criação de um ambiente familiar (conhecido) com aparelhos, comidas, costumes,
dias de festas, etc do seu país de origem;
Rejeição – rejeição mútua.

C. Recuperação:

Aprendeu as regras e estruturas da nova cultura;


Diminuir julgamentos etnocêntricos;
Identificação com a cultura;
Identificação com o pecado de todo o ser humano, sem indignação;
Choque cultural pode edificar você – levar a necessidade de aprender e crescer.

D. Assimilação Parcial (nunca é total):

Sempre haverá um senso de que algo falta, algo é incompleto. Está sempre no
processo ainda.

VI – RESUMO DE NICHOLLS:

1. Fatores Culturais e Supraculturais na Comunicação do Evangelho:

A. Problemática:
Comunicar sem entender a cultura receptora;
Comunicar sem entender as influências da cultura do comunicador – ambos
alteram a mensagem.
Isto leva à resistência por causa da ameaça cultural ou pela maneira estranha de
apresentação.

Solução: maior sensibilidade cultural para que o Evangelho possa trocar e transformar
todas as áreas até as mais fundamentais da cultura. “A cultura não é neutra – reflete
o conflito entre o Reino de Deus e o império das trevas. O Evangelho não é hóspede
da cultura – é seu juiz e redentor”.

B. Fundamentos Bíblicos:
A dignidade do homem como imagem de Deus;
O efeito da queda (Rm. 1:18-25, etc);
A soberania de Deus na comunicação do Evangelho;

2. O Movimento de Contextualização para Sincretismo:

A. A História
Indigenização  Contextualização;
Diálogo (CMI)  Marxismo, ação social (revolução);
Os evangélicos  Envolvidos em questões sociais porque são de importância bíblica
e faz parte da vida cristã;

13
B. Modelos de Contextualização:

Contextualização existencial:
 Cultura é suprema;
 Etnoteologia;
 Relatividade do texto.

Contextualização dogmática:
 Teologia é suprema;
 Preocupada com cosmovisão e valores;
 Começa como uma teologia bíblica “cuja compreensão dogmática é
contextualizante numa determinada situação cultural”.

Sincretismo:
 Cultural:
- Fusão;
- Imposição de fora.

 Teológico:
- Bíblia sem autoridade;
- Universalidade da fé (existe em todas as religiões);
- Todos tem a verdade;
- Absorção progressiva pelo naturalismo e relativismo.

C. Compreendendo a Teologia Bíblica:

O CMI (Conselho Mundial de Igrejas) – “Teologias Bíblicas)” – cultura determinante,


existencialismo (Bultmann), subjetivismo (Barth);

Os Evangélicos:
 A Palavra é inspirada, inerente, autoridade;
 A Hermenêutica é essencial;
 Deus é soberano:
- Ele criou a cultura judaica;
- Ele comunicou fielmente através dela;
- Os próprios autores bíblicos rejeitaram tentativa de contextualização
sincretista (Ex. Baal, etc);
- Falso condicionamento cultural é condenado por Deus.
 Princípios Hermenêuticos:
- Compromisso com a fé como estilo de vida;
- Autoridade objetiva com experiência subjetiva (ambos importantes);
reflexão/obediência;
- A comunidade é necessária para interpretação;
- O resultado enriquecedor, é missão no mundo.

D. A Dinâmica da Comunicação Transcultural:

Comunicador (com conhecimento incompleto da Bíblia, usando pontos de contato,


etc.  Cultura (alienada)  Desculturação (Denúncia de traços não bíblicos e
renovação dos traços bíblicos e neutros);

Precisa-se:

“Correspondência formal” dos universais;


“Equivalência dinâmica” das variáveis culturais.

14
CONCLUSÃO

A tarefa da Grande Comissão é grande. A batalha espiritual é dura, a barreira da comunicação é


complexa.

Enviar obreiros requer envolvimento pessoal. Levar alguém a Cristo é um privilégio e uma
responsabilidade também.

Como afirma o professor de missões Bertil Ekstrom, a contextualização do evangelho é


importante, mas tem perigos, que podem comprometer o sentido da mensagem, ou podem ser
evitados.

Os missionários transculturais terão ajuda do Espírito Santo na comunicação e nas técnicas


científicas de tradução da Bíblia, e na sensibilidade espiritual.

A contextualização é um termo que requer estudos mais aprofundados, pois a cultura e a língua
são dinâmicas e não estáticas.

Se queremos ser relevantes no contexto onde estamos, precisamos contextualizar a Palavra


Escrita. Isto é, ouvir o Espírito, e ouvir o Mundo.

15
BIBLIOGRAFIA

1. NICHOLLS, B. J., “Contextualização: Uma Teologia do Evangelho e Cultura”. São


Paulo : Vida Nova, 1983.

2. Relatório Willowbank. “O Evangelho e a Cultura” In Série LAUSANNE, Nº 3. São


Paulo : ABU, 1983.

3. EKSTROM, L. B. “A Importância e o Perigo da Contextualização na Interpretação das


Escrituras”. In Capacitando para Missões Transculturais – Revista Missiologia
da APMB – Vol.1, Nº1. São Paulo, 1994.

4. MEER, A. L. Vander. “Missões Brasileiras em Angola”. In Missões e a Igreja Brasileira


: Perspectiva Estratégicas. São Paulo. Vida Nova.

5. WINTER, R. D. “Missões Modernas em Perspectiva: A dinâmica da História”.. Artigo


Impresso (Apêndice).

6. CARRIKER, M. KERR “A Aprendizagem de línguas por Missionários” In Missões e a


Igreja Brasileira: Perspectivas Culturais. São Paulo : Vida Nova.

7. BURNS, Bárbara H. “Introdução a Contextualização”. Apostila ministrada no Curso de


Mestrado do Instituto Bíblico Betel Brasileiro. João Pessoa – 1999 (Apêndice).

8. KUDO, KEN “Como enviar obreiros capacitados para Missões Transculturais”.


Apostila publicada pela SEPAL - São Paulo.

9. PADILLA, René. “A Contextualização do Evangelho”. In Missão Integral: Ensaios


sobre o Reino e a Igreja. São Paulo : Fraternidade Teológica Latino Americana –
B, 1992.

10. JUNIOR, W. O’ Donavan : “O Cristianismo Bíblico da Perspectiva Africana”. São


Paulo : Vida Nova, 1999.

11. HESSELGRAVE, D. J. “A Comunic Transcultural do Evangelho”. Volume 1. São Paulo


: Vida Nova, 1997. V. 1.

12. BEEKMAN, J. e Callow, J. “A Arte de Interpretar a Palavra Escrita” : Técnica de


Tradução da Bíblia. São Paulo : Vida Nova. 1992.

13. STOTT, J. “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo”. São Paulo : ABU Editora. 1998.

14. NIDA, E. A. “Costumes e Culturas”. Introdução à Antropologia Missionária. São


Paulo : Vida Nova. 1985.

15. CARSON, D. A. “A Exegese e suas Falácias” : Perigos na Interpretação da Bíblia.


São Paulo. Ed. Vida Nova, 1992.

16. DEKKER, John. “Tochas de Júbilo”. EUA : Ed. Vida, 1992.

17. MATTOS, Rinaldo. “De Todas as Etnias”. In: Revista Ultimato, Outubro, 1991 (Pág.
30-32).

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QUESTIONÁRIO

Aprendizagem de Línguas por Missionário – Marta Carriker

1. Por que é necessário aprendermos a língua do povo a quem queremos nos dirigir?

2. O que é mais importante na aprendizagem de língua, segundo Marta Carriker? Justifique.


Além deste fator, existem outros? Quais?

3. Qual é o papel da comunicação na aprendizagem de língua? Justifique.

4. Como o modelo de Jesus de encarnação se aplica na via do missionário que está aprendendo
uma língua nova?

5. Cite algumas escolas que podem oferecer um preparo melhor para aqueles que irão traduzir a
Bíblia para um grupo não alcançado.

De Todas as Nações – Rinaldo de Mattos

1. Qual a Teologia Bíblica de Missões para a evangelização dos grupos étnicos e tribais do
mundo, incluindo os grupos indígenas do Brasil?

2. Quais são as três fontes que todos os povos receberam, segundo Rinaldo de Mattos?

3. Qual é a perspectiva do direito à informação segundo Rinaldo de Mattos?

4. O que é evangelização contextual, ou contextualizada?

A Contextualização da Palavra de Deus – Relatório de Willowbank

1. Qual deve ser a nossa perspectiva, diante da Base Bíblica da Cultura, conforme os
mandamentos de Gn. 1:26-28?

2. O que é cultura? O que é cosmovisão?

3. O que significa “equivalência dinâmica” na tradução da Bíblia?

4. Qual deve ser o propósito de uma “abordagem contextual” dos Evangelhos?

5. Quais são as barreiras culturais à comunicação do Evangelho?

6. O que significa sensibilidade cultural?

A Importância e o Perigo de Contextualização na Interpretação das Escrituras

1. A Contextualização, como princípio na interpretação bíblica, parte de exemplos concretos na


divulgação do Evangelho. Comente sobre a situação do Apóstolo Paulo em Listra na
comunicação do evangelho.

2. Qual é a importância da contextualização das Escrituras, segundo Bertil Ekstrom?

3. Comente sobre os “perigos com a contextualização”, segundo Bertil Ekstrom.

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Missões Modernas em Perspectiva – Ralph D. Winter

1. Classifique os 3 períodos das Missões Modernas. Comente-os.

2. Como W. Cameron Towsend entendeu a tarefa que devemos realizar?

Missões Brasileira em Angola – Antonia Leonora

1. Por que os aspectos sociais, culturais e políticos devem ser considerados pelo missionário
transcultural?

2. Quais são as características desejáveis a encontrar nos missionários brasileiros, segundo


Antonia Leonora?

Tochas de Júbilo – Livro de John Dekker

Leia o Livro “Tochas de Júbilo” e faça uma avaliação baseado nas seguintes perguntas.

1. Quais as mudanças e não mudanças na cultura? Avaliá-las à luz da Bíblia?

2. Avaliar a estratégia de contextualização de John Dekker. O que podemos aprender dele? Deu
resultados? Quais?

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BIBLIOGRAFIA:
NICHOLLS, B. J., “Contextualização: Uma Teologia do Evangelho e
Cultura”. São Paulo : Vida Nova, 1983.

BIBLIOGRAFIA:
“O Evangelho e a Cultura” In Série LAUSANNE, Nº 3. 2 a. ed. ABU
Editora e Visão Mundial, 1985.

BIBLIOGRAFIA:
EKSTROM, L. B. “A Importância e o Perigo da Contextualização na
Interpretação das Escrituras”. In Capacitando para Missões
Transculturais – Revista Missiologia da APMB – Vol.1, Nº1. São
Paulo, 1994.

BIBLIOGRAFIA:
MEER, A. L. Vander. “Missões Brasileiras em Angola”. In Missões e a
Igreja Brasileira : Perspectiva Estratégicas. São Paulo. Vida
Nova.

BIBLIOGRAFIA:
WINTER, R. D. “Missões Modernas em Perspectiva: A dinâmica da
História”.. Artigo Impresso (Apêndice).

BIBLIOGRAFIA:
CARRIKER, M. KERR “A Aprendizagem de línguas por Missionários”
In Missões e a Igreja Brasileira: Perspectivas Culturais. São
Paulo : Vida Nova.

BIBLIOGRAFIA:
BURNS, Bárbara H. “Introdução a Contextualização”. Apostila
ministrada no Curso de Mestrado do Instituto Bíblico Betel
Brasileiro. João Pessoa – 1999 (Apêndice).

BIBLIOGRAFIA:
KUDO, KEN “Como enviar obreiros capacitados para Missões
Transculturais”. Apostila publicada pela SEPAL - São Paulo.

BIBLIOGRAFIA:
MATTOS, Rinaldo. “De Todas as Etnias”. In: Revista Ultimato,
Outubro, 1991 (Pág. 30-32).

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