TICs: Impacto e Evolução Histórica
TICs: Impacto e Evolução Histórica
2.3 www.................................................................................................... 13
8 BIBLIOGRAFIA ......................................................................................... 56
1
1 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – CONCEITO
Fonte:i.ytimg.com
2
O desenvolvimento de hardwares e softwares garante a operacionalização da
comunicação e dos processos decorrentes em meios virtuais. No entanto, foi a
popularização da internet que potencializou o uso das TICs em diversos campos.
Através da internet, novos sistemas de comunicação e informação foram
criados, formando uma verdadeira rede. Criações como o e-mail, o chat, os fóruns, a
agenda de grupo online, comunidades virtuais, web cam, entre outros, revolucionaram
os relacionamentos humanos.
Através do trabalho colaborativo, profissionais distantes geograficamente
trabalham em equipe. O intercâmbio de informações gera novos conhecimentos e
competências entre os profissionais.
Novas formas de integração das TICs são criadas. Uma das áreas mais
favorecidas com as TICs é a educacional. Na educação presencial, as TICs são vistas
como potencializadoras dos processos de ensino – aprendizagem. Além disso, a
tecnologia traz a possibilidade de maior desenvolvimento – aprendizagem -
comunicação entre as pessoas com necessidades educacionais especiais.
As TICs representam ainda um avanço na educação a distância. Com a criação
de ambientes virtuais de aprendizagem, os alunos têm a possibilidade de se
relacionar, trocando informações e experiências. Os professores e/ou tutores tem a
possibilidade de realizar trabalhos em grupos, debates, fóruns, dentre outras formas
de tornar a aprendizagem mais significativa. Nesse sentido, a gestão do próprio
conhecimento depende da infraestrutura e da vontade de cada indivíduo.
A democratização da informação, aliada a inclusão digital, pode se tornar um
marco dessa civilização. Contudo, é necessário que se diferencie informação de
conhecimento. Sem dúvida, vivemos na Era da Informação.
3
Somente muito tempo depois, a partir do século XVII, os pesquisadores
dedicaram-se a explorar as possibilidades da energia que posteriormente propiciou o
movimento das máquinas e a invenção dos geradores.
Em 1873, James Clerk Maxwell publica o tratado sobre eletricidade e
magnetismo que constituiu um importante avanço e abriu espaço para muitos
equipamentos de comunicação e informação.
As principais tecnologias de informação e comunicação provocaram mudanças
por seu impacto significativo sobre a cultura e reorientaram as perspectivas sociais,
econômicas, científicas e políticas.
No ocidente, a prensa para impressão tipográfica desenvolvida por Johann
Gutenberg (1400-1468), iniciou um processo em cadeia de publicação de
conhecimentos, inicialmente por meio da impressão de livros, depois de jornais. A
invenção de Gutenberg pode ser considerada uma das mais importantes tecnologias
de informação.
O pintor Samuel Finlay Breese Morse aperfeiçoou as experiências de M.
Faraday sobre eletromagnetismo e, em 1830, construiu o primeiro aparelho telegráfico
registrador de apenas um fio; também estabeleceu os princípios do código de pontos,
traços e intervalos de acordo com a presença ou ausência de impulsos elétricos. O
invento, patenteado em 1837, simplificava a operação dos modelos anteriores por sua
eficiência o que permitiu a popularização do uso.
O telégrafo pode ser considerado um dos principais meios de comunicação a
longa distância do século XIX ao começo do século XX quando foi substituído pelo
telefone.
Em 1839, apareceu outra invenção revolucionária: o artista e pesquisador
francês LouisJacques-Mandé Daguerre obteve a primeira fotografia, com sua máquina
chamada daguerreótipo: “(...) M. Daguerre descobriu um método de fixar as imagens
que são representadas na parte posterior da câmara escura, de forma que estas
imagens não sejam reflexos temporários do objeto, e sim sua impressão fixa e durável.
” (7 de janeiro de 1839, The Literary Gazette).
4
Fonte: cdf.montevideo.gub.uy (Imagem de uma rua tirada em 1839)
5
1895, os irmãos Lumière criaram um aparelho movido a manivela chamado
cinematógrafo que permitia a projeção de imagens para o público.
Guglielmo Marconi interessou-se pela transmissão de sinais sem fio e, em
1995, obteve os primeiros resultados de suas pesquisas. Em 1932, demonstrou o
primeiro link terrestre de telefonia em ondas curtas; dois anos depois apresentou o
mesmo sistema adaptado para navegação marítima e em 1935 apresentou os
princípios do radar.
As contribuições do engenheiro eletrônico e físico John Ambrose Fleming
(1849-1945) aperfeiçoaram os inventos de Thomas Edison com quem trabalhou em
1880 no desenvolvimento de geradores e luminárias. Fleming atuou também como
consultor científico de Marconi em 1899 pesquisando válvulas termoiônicas, diodo
detector para sinais de rádio frequência, contribuições para telegrafia sem fio, circuitos
sintonizados, entre outros aparatos que formaram a base científica e técnica para o
desenvolvimento do rádio, da televisão e posteriormente dos primeiros computadores.
Embora a célula fotoelétrica tenha sido inventada em 1892 por Elster e Hans
Getill, somente a partir da invenção de um sistema de raios catódicos em 1906 por
Arbwehnelt é que foi possível desenvolver o sistema funcional de televisão. A era do
sistema mecânico de televisão com tubo de lâmpada Kino é a fase posterior à de 1935
e pode ser considerada a primeira geração da TV.
Em 1924, Wladimir Zworykin foi contratado pela RCA para produzir o primeiro
tubo de TV baseado em seu iconoscópio (conversor de imagem). A produção em
escala industrial dos aparelhos de televisão possibilitou as primeiras transmissões
oficiais em 1935 na Alemanha e, logo a seguir, na França.
Em 1938, iniciam-se as transmissões na Rússia e em 1939, nos Estados
Unidos. Durante a Segunda Guerra Mundial, somente a Alemanha não suspendeu as
transmissões. Depois da guerra, iniciou-se uma nova fase na qual as principais TICs
tornaram-se importantes meios de comunicação de massa.
2.1 O computador
6
O ábaco, cuja existência remonta a 2000 a.C, pode considerado o primeiro
instrumento que tornou possível a realização de cálculos. A primeira máquina que
permitia realizar operações matemáticas simples foi inventada por Leonardo da Vinci
em 1500.
Desde aquela ocasião, os inventos para realizar operações matemáticas e para
escrever foram aperfeiçoando-se devido à integração entre ciência e técnica. O
processo envolveu, desde a criação do primeiro código binário por Francis Bacon
(1561-1626), passando pelos logaritmos criados por John Napier em 1614 para
facilitar as operações matemáticas e depois pelo sistema binário (por meio de 0 e 1)
de Leibnitz que instaurou a lógica formal e estipulou os conceitos verdadeiro/falso,
ligado/desligado, válido/ inválido até os cartões perfurados do tear mecânico de
Jacquard em 1801, possivelmente a primeira máquina programável.
As primeiras calculadoras portáteis começaram a ser comercializadas em 1820.
Charles P. Babbage criou, em 1823, uma calculadora que realizava os cálculos sem
necessidade de um operador. Os programas para a máquina foram criados por Ada
Lovelace, pioneira da programação por estabelecer conceitos como sub-rotina
(sequência de instruções), loop (repetição da sequência de execução), salto
condicional (desvio se a condição fosse satisfeita). Babbage determinou que um
aparelho de computação deveria ser composto por um dispositivo de entrada, uma
memória e um dispositivo de saída.
A primeira máquina de escrever, inventada por Christopher Latham Sholes em
1867, foi patenteada e vendida à Remington Company em 1873, mas só começou a
ser fabricada em 1877.
Em 1890, Herman Hollerith (1860-1929), PhD em estatística e fundador da
empresa TMC (Tabulation Machine Company), aperfeiçoou a ideia de Babbage ao
inventar uma máquina de processamento de dados baseada na separação de cartões
perfurados de acordo com um código.
Já em 1903, Nikola Tesla patenteou os primeiros circuitos elétricos, os
switches. Posteriormente, em 1914, a TMC uniu-se a outras empresas e formou a
CTRC (Computing Tabulation Recording Company) que em 1924 mudou de nome
para IBM (International Business Machine). Mais tarde, em 1930, a máquina de
teletipo uniu-se a máquina de escrever, resultando em uma nova forma de
comunicação telegráfica.
7
Ainda na década de 30, Vannevar Bush construiu o analisador Diferencial
mecânico que possibilitava a resolução de equações diferenciais. O invento marcou o
início da primeira geração de computadores que abrange o período até 1959. Além
de pouco eficiente, as máquinas eram pesadas, lentas e o aquecimento dificultava
ainda mais a operação.
Somente no período de 1935/1938 Konrad Zuze (1910-1995) construiu o
primeiro computador eletro-mecânico programável chamado Z1 que já continha as
partes de um computador moderno: unidade de controle, memória e lógica com ponto
flutuante. Posteriormente, com Helmut Schreyer, Zuze construiu o modelo Z2. A
primeira linguagem de programação de alto nível, a Plankalkul, também foi criada por
Konrad Zuze.
8
A máquina de Turing simulava o modo operacional de um computador
moderno. Permitiu o avanço dos estudos de computação, decompondo um problema
numa sequência de problemas elementares bastante simples.
Basicamente foi uma máquina de calcular teórica isentando problemas de
defeitos.
9
armazenar livros, dados e comunicações. A principal vantagem do dispositivo seria
permitir consultas rápidas e de maneira flexível.
Em 1948, Claude E. Shannon defende a tese Symbolic Analysis of Relay and
Switching Circuits no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets) na qual
demonstra a conexão entre lógica simbólica e circuitos elétricos. Posteriormente suas
ideias foram divulgadas no artigo A Mathematical Theory of Communication. O estudo
é resultado das reflexões de Shannon sobre as teorias propostas por Norbert Wiener
e John von Neumann. (MATTELART, 2002, p. 57).
A Segunda Guerra Mundial constituiu um campo propício para pesquisa e
elaboração de computadores com objetivos militares.
O primeiro computador, o ABC, foi construído por John Vincent Atanasoff e o
estudante Clifford Berry na Universidade Estadual de Iowa em 1942, mas a patente
do primeiro computador eletrônico, o ENIAC, foi obtida por John W. Mauchly e J.
Presper Eckert.
No congresso da American Mathematical Society em 1940 foi demonstrada,
pela primeira vez, a operação da primeira calculadora com máquina de somar, relês
telefônicos e notação binária (notação em base 2, isto é, o bit só pode assumir os
valores 0 ou 1) de números que permitia a realização de cálculos a distância.
A rede de teleprocessamento de George Stibitz foi precursora das atuais redes
de comunicação de dados. Nesse mesmo ano, foi criado o primeiro terminal que
realizava os cálculos e um teclado de teletipo pelo qual eram introduzidos os dados e
eram lidos os resultados.
Em 1946 surge a Arquitetura de Von Neumann, base dos computadores
modernos, propondo que um programa, da mesma forma que os dados, poderia ser
armazenado na memória do computador.
As características dessa arquitetura estão descritas abaixo e permitiram
agilidade, versatilidade e auto modificação:
• Uso de uns e zeros para codificar as instruções armazenadas na memória do
computador;
• Armazenamento das instruções na memória;
• Durante o processamento do programa, a busca das instruções deveria
acontecer diretamente na memória e não a cada passo como era realizada nos
cartões perfurados.
10
O primeiro transistor (condutor e isolante de corrente elétrica) com função de
amplificar e chavear os sinais elétricos foi projetado nos Laboratórios Bell em 1947.
O que se seguiu foi uma revolução da eletrônica, pois o transistor, um substituto
eficiente da válvula, possibilitou rapidez e economia de eletricidade evitando a
geração de calor. A partir daí os computadores tornaram-se cada vez menores e os
efeitos dessa inovação podem ser vistos em todas as áreas da ciência e tecnologia.
O termo transistor significa “transfer resistor”, ou seja, resistor de transferência.
Seus desenvolvedores, Shockley, Brattain e Bardeen ganharam o prêmio Nobel de
Física em 1956. A produção em massa de transistores e circuitos impressos principia
a segunda geração de computadores na década de 60.
Outra invenção da década que merece destaque foi o projeto do modem
(modulador – demodulador) pela AT&T (empresa fundada por Graham Bell) para
transmissão de dados por redes através da conversão de informações binárias (de
zeros e uns) em frequências (tons) audíveis que podiam ser transmitidos pelo sistema
telefônico.
Pode-se dizer que a terceira geração de computadores começou quando a
empresa Intel passou a produzir microprocessadores que são circuitos integrados do
tipo LSI (large scale integration) que integra o circuito lógico de unidade central de
processamento em um pequeno chip (milhares de circuitos transistorizados micro
miniaturizados em uma pastilha de silício) possibilitando a construção de mini e
microcomputadores. Na mesma década surgiram os grandes computadores
(mainframes).
A quarta geração de computadores, que corresponde à atual, iniciou-se em
1970 e caracteriza-se principalmente pelo aperfeiçoamento da tecnologia existente.
A Apple, uma empresa fundada em 1976 alcançou sucesso de venda de
computadores em 1982. Em 1981 a IBM lançou seu computador chamado PC
(Personal Computer) que posteriormente tornou-se sinônimo de computadores de uso
pessoal. Em 1984, a Apple lançou o computador Macintosh com uma tecnologia
diferenciada chamada interface gráfica (GUI – graphical user interface) caracterizada
pelo suporte visual de janelas, menus, ícones, figuras, caixas de diálogo e mensagem,
barra de ferramentas, botões e controles que dispensavam a redação da linha de
comando.
A tecnologia de interface gráfica passou por várias etapas de aprimoramento
desde a década de 60.
11
A Microsoft, fundada em 1976 para produzir softwares para PC’s, tornou-se
líder de mercado na produção de sistemas operacionais, ambientes de
desenvolvimento de programas, servidores (inclusive de correio eletrônico), jogos e o
navegador Internet Explorer entre outros produtos.
A partir de 1980, inicia-se a fase dos computadores em rede e de portabilidade.
As redes dependem das telecomunicações que, por meio de um sistema chamado
tecnologia de nós, composta de roteadores, comutadores eletrônicos e novas
conexões, permitem a comunicação entre os computadores localizados em diferentes
locais.
Steven Johnson em seu livro a Cultura da Interface (2001, p. 109) afirma que
já na década de 1970 a Intel tinha tecnologia (chips, o circuito integrado e a fonte de
alimentação) para fabricar computadores pessoais, mas as propostas não foram
aprovadas.
Fonte: sostav.ua/app/public/images/news/
12
O termo é usado tanto para definir a infraestrutura (rede públicas de TCP/IP e
outras redes interligadas) como para indicar o uso público (WWW, e-mail e espaços
virtuais que permitem a comunicação).
A primeira experiência de conexão de computadores ocorreu em 1969 por
iniciativa da ARPA (Advanced Research Projects Agency), uma agência norte-
americana financiada pelo governo que reunia militares e pesquisadores com o
objetivo de elaborar projetos tecnológicos.
A ARPARNET, precursora da Internet, ligava inicialmente os departamentos de
pesquisa e entidades militares. No início da década de 70, computadores de outras
instituições e universidades passaram a integrar a rede. No final dessa mesma
década, foi criado o conjunto de protocolo (linguagem que permitiu a comunicação
entre computadores) TCP/IP (Transmission Control Protocol, Protocolo de Controle
de Transmissão) e o IP (Internet Protocol, Protocolo de Internet) que permitiu a
intercomunicação entre computadores por incluir comunicação entre os programas e
os protocolos de transporte, transmissão e controle de recepção de dados e
roteamento que é a verificação do roteador (caminho) de destino.
Atualmente, o acesso ao sistema pode ser realizado por meio de rede telefonia
fixa (dial-up), banda-larga (cabos ou fibras ópticas), tecnologia de interconexão sem
fio (wireless), satélites e telefones celulares.
2.3 www
Fonte:i.ytimg.com
A WWW (World Wide Web), também conhecida por Web ou rede mundial é
uma parte da Internet e um dos seus mais importantes recursos.
O projeto da WWW foi elaborado em 1989 por Timothy Berners-Lee e teve
como objetivo o compartilhamento de informações entre pesquisadores do Laboratório
13
Europeu de Partículas Físicas, propiciando a união entre o hipertexto e a Internet.
Berners-Lee criou o protocolo de comunicação especial chamado HTTP para
transmitir e acessar informações (incluindo os chamados documentos hipermídia,
páginas ou sítios) que podiam conter gráficos, sons, vídeos e texto. Também foi
invenção de Berners-Lee o URI (Universal Resource Identifier) atualmente conhecido
como URL (Uniform Resource Locator) que é o localizador, ou seja, o endereço Web.
Para a visualização das páginas na tela do computador era necessário o uso
de um programa chamado navegador. Normalmente as páginas contêm hiperligações
(hyperlinks ou links) que permitem acessar outros documentos. Ao movimento de
seguir as hiperligações de uma página denominou-se navegar ou surfar na rede.
Berners-Lee desenvolveu a linguagem HTML (Hypertext Markup Language) para a
produção das páginas Web e também o primeiro Servidor Web (Web Server), um
software capaz de armazenar páginas Web em um computador, permitindo o acesso
por outros computadores.
O panorama apresentado até aqui objetivou situar a Internet no contexto do
desenvolvimento científico e tecnológico intensificado principalmente a partir da
Segunda Guerra mundial. O entendimento da Internet como infraestrutura técnica e
sua utilização como meio de comunicação humana constituem o centro desse estudo.
A rápida expansão da Internet, bem como sua abrangência incitou os
pesquisadores levando-os a refletirem sobre seus impactos na sociedade, economia,
política e cultura. Trata-se de um assunto de interesse para o desenvolvimento de
pesquisas teóricas e de campo principalmente sobre os efeitos da nova mídia. Tais
estudos são determinantes tanto para o desenvolvimento e aplicações tecnológicas
como para a formulação das normas de regulamentação.
O uso da Internet tende, necessariamente, a intensificar-se o que promoverá
mudanças cujos reflexos serão sentidos nos vários setores da sociedade, economia,
cultura e educação. Logo, os processos que envolvem sociabilidade, qualidade
inerente aos indivíduos, também devem intensificar-se com o aporte das novas formas
de comunicação.
As modalidades de comunicação possibilitadas pelos recursos das TICs estão
se consolidando rapidamente enquanto, ao mesmo tempo, as pessoas se apropriam
das inovações.
Ainda que o potencial de Internet para comunicação seja inegável e que
constitua um campo propício para abrigar a diversidade cultural, a educação, a arena
14
política, o panorama econômico, persiste a necessidade de determinar processos de
inclusão digital para que as pessoas com menor poder aquisitivo e menos
escolaridade tenham acesso às TICs.
Nesse momento de transição, as pesquisas científicas sobre as práticas de uso
da Internet são fundamentais para garantir o estabelecimento de políticas públicas e
privadas adequadas e benéficas à população.
As Tecnologias de Informação e Comunicação oferecem recursos para
favorecer e enriquecer as aplicações e processos principalmente na área de ensino e
aprendizagem.
Fonte: benceblogblog.files.wordpress.com
15
A escrita é um processo simbólico que possibilitou ao homem expandir suas
mensagens para muito além do seu próprio tempo e espaço, criando mensagens que
se manteriam inalteradas por séculos e que poderiam ser proferidas a quilômetros de
distância. O surgimento da escrita é de grande importância para a história, pois a partir
desse momento que se encontram os primeiros registros de comunicação, no qual
datam acontecimentos considerados importantes para a época vivida, e que seriam
passados não só de um indivíduo para outro, mas de geração em geração.
Com o passar do tempo o homem evoluiu, e procurou desenvolver técnicas que
facilitasse sua vida em sociedade, e um dos pontos principais para a melhoria da vida
em grupo é a comunicação, pois é através desta que nos tornamos sujeitos ativos e
capazes, nesse processo de evolução muito se inventou e desenvolveu o que nos
levou a chegar à era da comunicação tecnológica, mas todo esse processo passou
por várias fases e invenções que acabaram se tornando de grande importância para
toda sociedade.
Ao longo do século XX, mais precisamente entre os anos de 1940 e 1970, é
que se dá o início de uma era de desenvolvimento da última geração de avanços
tecnológicos. Em que através da técnica de imprimir ilustrações, como desenhos e
símbolos se tornam possível transmitir informações a um determinado grupo de
indivíduos, que por sua enorme expansão se torna cada vez mais acessível a um
maior número de pessoas. Esse novo método de comunicação, a escrita em papel,
passa a alterar o modo de vida das pessoas, pois tem maior influência sobre o modo
de viver e de pensar de uma sociedade.
A partir da descoberta da técnica de imprimir, passamos por grandes
invenções, como os jornais que desde seu surgimento tem o intuito de levar ao
conhecimento do público acontecimentos importantes tanto sociais como políticos. O
primeiro jornal publicado no Brasil foi “Gazeta do Rio de Janeiro” e data se de 10 de
setembro de 1808.
Por volta de 1860 surge um aparelho de comunicação de grande importância
também para os dias atuais, o telefone, que foi inventado pelo italiano Antonio Meucci,
este o inventou com o objetivo de comunicar se com sua esposa doente que ficava no
andar superior da casa em uma cama, no mesmo ano o italiano tornou pública sua
invenção. No Brasil o telefone foi instalado no ano de 1883 no Rio de Janeiro.
Após o surgimento do jornal e do telefone o homem conseguiu evoluir ainda
mais com a invenção do rádio, a primeira transmissão é datada de 1900, a partir deste
16
momento marca se o início de uma forma de transmitir informações numa velocidade
maior, pois as ondas do rádio tinham um alcance às pessoas muito superior ao do
jornal, essa evolução marca o momento em que as informações passam a cruzar
grandes distâncias geográficas, culturais e até mesmo cronológicas.
Outro passo importante na evolução dos meios de informação ocorreu em
1924, com o surgimento da televisão, o que tornou possível unir as técnicas do jornal,
como imagens e figuras com a técnica do rádio, a fala, essa nova invenção possibilitou
ver imagens em movimento juntamente com o áudio, tornando ainda mais atrativo as
informações e notícias antes transmitidas por jornais e rádio, conquistando não só o
público adulto, mas também as crianças, que agora associavam o som a imagem. A
esse respeito o autor Sacristan afirma:
Desta maneira, os meios de comunicação de massa, e em especial a televisão,
que penetra nos mais recônditos cantos da geografia, oferecem de modo atrativo e ao
alcance da maioria dos cidadãos uma abundante bagagem de informações nos mais
variados âmbitos da realidade. Os fragmentos aparentemente sem conexão e
assépticos de informação variada, que a criança recebe por meio dos poderosos e
atrativos meios de comunicação, vão criando, de modo sutil e imperceptível para ela,
incipientes, mas arraigadas concepções ideológicas, que utiliza para explicar e
interpretar a realidade cotidiana e para tomar decisões quanto a seu modo de intervir
e reagir. (1996, p. 25)
Após passarmos por toda essa evolução, chegamos então ao que chamamos
de Era da Tecnologia e da Informação, pois é no ano de 1943 que inicia se a era do
computador, a princípio era uma máquina gigantesca em que o seu principal papel
era o de realizar cálculos.
Ainda na década de 1940 temos outra importante evolução tecnológica foi à
invenção do telefone celular que ocorreu em 1947, embora no Brasil só tenha sido
difundida no ano de 1990, a princípio no Rio de janeiro, seguido depois pela cidade
de Salvador. Sua principal função desde a invenção foi tornar fácil à comunicação
entre pessoas que se encontravam em lugares diferentes e distantes, tornando assim
possível a comunicação com familiares à longa distância e também solucionar alguns
problemas sem que houvesse a necessidade de ir até o local naquele momento.
Em se tratando de desenvolvimento, ainda em 1971 o computador passa por
uma importante transformação, na qual surge o primeiro microcomputador, desde
então, o homem não teve mais limites em sua evolução, e a cada dia busca inovar,
17
atualmente além de computadores portáteis há também computadores de mão,
ambos não têm mais somente a função de calcular, e sim inúmeras e variadas
funções.
Junto à evolução dos computadores temos a internet, que nem sempre foi como
conhecemos hoje, ela foi desenvolvida no ano de 1969, com o objetivo de auxiliar os
militares durante o período da Guerra Fria na comunicação entre as bases militares
dos Estados Unidos da América, com o fim da guerra o sistema de comunicação
tornou se desnecessário aos militares que decidiram tornar acessível ao público à
invenção.
Foi a partir do ano de 1971 que professores universitários e acadêmicos dos
Estados Unidos passaram a fazer uso dessa tecnologia para trocar mensagens e
pensamentos. E por fim em 1990 dá se a disseminação e popularização da rede de
internet, que gradativamente vem evoluindo até os dias atuais, se tornando cada vez
mais indispensável para nossa vida, pois estar conectado à rede mundial de
computadores é uma fonte de conhecimento, interatividade e principalmente de
informação e comunicação.
As tecnologias da informação ou como conhecemos atualmente as novas
tecnologias da informação e comunicação são o resultado da fusão de três vertentes
técnicas: a informática, as telecomunicações e as mídias eletrônicas. Elas criaram no
meio educacional um encantamento em relação aos conceitos de espaço e distância,
como as redes eletrônicas e o telefone celular, que nos proporcionam ter em nossas
mãos o que antes estava a quilômetros de distância.
Fonte:cdn-images-1.medium.com
18
O computador interligado a internet extrapolou todos os limites da evolução
tecnológica ocorrida até então, pois rompeu com as características tradicionais dos
meios de comunicação em massa inventados até o presente momento, enquanto o
rádio, o cinema, a imprensa e a televisão são elementos considerados unidirecionais,
ou seja, são meios de comunicação em que a mensagem faz um único percurso, do
emissor ao receptor, os sistemas de comunicação que estão interligados à internet
propiciam aos usuários que ambos, emissor e receptor interfiram na mensagem.
Além disso, a rapidez com que a internet foi disseminada pelo mundo é enorme
diante das outras tecnologias, pois, o rádio levou 38 (trinta e oito) anos para atingir um
público de 50 (cinquenta) milhões nos Estados Unidos, o computador levou 16
(dezesseis) anos, a televisão levou 13 (treze) anos e a internet levou apenas 04
(quatro) anos para alcançar 50 (cinquenta) milhões de internautas. Essas novas
tecnologias transformaram a vida e o cotidiano das pessoas, tanto em seu meio de
comunicação, como em todos os campos da sociedade.
A partir de 1980 o computador passou a funcionar como extensão das
atividades cognitivas humanas que ativam o pensar, o criar e o memorizar. Segundo
Pretto e Costa Pinto (2006), essas a máquinas não estão mais apenas a serviço do
homem, mas interagindo com ele, formando um conjunto pleno de significado.
É importante frisar uma interessante observação feita por Lévy (1999), “a maior
parte dos programas computacionais desempenham um papel de tecnologia
intelectual, ou seja, eles reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão de mundo
de seus usuários e modificam seus reflexos mentais”.
Desde que nos deparamos com a internet uma série de funções inauguradas
por este advento veio facilitar a vida das pessoas, não só a comunicação se tornou
mais ágil e fácil, como se tornou um meio facilitador das atividades realizadas no
nosso dia a dia, pois por intermédio desta tecnologia e possível fazer praticamente
tudo sem que tenhamos a necessidade de sair de casa, como por exemplo, a
efetuação de compras, tanto de alimentos, como medicamentos, roupas, calçados,
etc. Também podemos realizar transações bancárias sem ter que ir até o banco, o
que é um ato muito importante visto que perante os perigos de assalto conseguimos
realizar funções dentro de casa sem que coloquemos nossa própria vida em risco, e
mais interessante ainda é podermos realizar cursos à distância, atualmente podemos
nos qualificar para o mercado de trabalho, sem que aja a necessidade de termos que
nos deslocar até um determinado local. Tudo isso que citamos até agora são apenas
19
algumas das facilidades que a internet proporcionou a vida humana, se formos
pensarmos na realidade e impossível numerar todos os dispositivos que temos ao
nosso alcance graças a este advento tecnológico.
Atualmente a tecnologia está tão evoluída que o telefone celular que antes era
usado somente para a comunicação oral, já é usado para enviar mensagens
eletrônicas, tirar fotos, filmar, gravar lembretes, jogar, ouvir músicas e até mesmo
como despertador, mas não para por aí, nos últimos anos, tem ganhado recursos
surpreendentes até então não disponíveis para aparelhos portáteis, como GPS,
videoconferências e instalação de programas variados, que vão desde ler e-book (livro
eletrônico) a usar remotamente um computador qualquer, quando devidamente
configurado.
As ferramentas digitais apresentam uma extensa lista de oportunidades, a
sociedade em geral vislumbra um período onde todos têm acesso por meio da internet
à cursos não presenciais, materiais pedagógicos virtuais, acesso a biblioteca online,
banco de dados compartilhados, interação por teleconferência, grupos de discussão,
fatores esse que tornam possível a universalização do ensino superior, que
imprescindivelmente um fator de grande importância para o desenvolvimento de
qualquer nação.
As tecnologias de informação e comunicação tem desempenhado um papel
importante na comunicação coletiva, pois através dessa ferramenta a comunicação
flui sem que aja barreira. Segundo Levy (1999), novas maneiras de pensar e de
conviver estão sendo elaboradas no mundo da informática.
Como podemos observar o avanço tecnológico se colocou presente em todos
os campos da vida social, invadindo a vida do homem no interior de sua casa, na rua
onde mora, e como na educação não poderia ser diferente, invadiu também as salas
de aulas com os alunos, possibilitando que condicionassem o pensar, o agir, o sentir
e até mesmo o raciocínio com relação as pessoas.
Em se tratando de comunicação e informação, há uma variedade de
informações que o tratamento digital proporciona, como, imagem, som, movimento,
representações manipuláveis de dados e sistemas (simulações), que por sua vez
oferecem um quadro de conteúdos que podem ser objeto de estudos. Todo esse
aparato de informação contido na rede está a serviço da cultura segundo Kalinke:
Os avanços tecnológicos estão sendo utilizados praticamente por todos os
ramos do conhecimento. As descobertas são extremamente rápidas e estão a nossa
20
disposição com uma velocidade nunca antes imaginada. A internet, os canais de
televisão à cabo e aberta, os recursos de multimídia estão presentes e disponíveis na
sociedade. Em contrapartida, a realidade mundial faz com que nossos alunos estejam
cada vez mais informados, atualizados, e participantes deste mundo globalizado.
(1999, p. 15)
Com toda agilidade que a internet proporciona a comunicação, esse se tornou
o meio mais utilizado e eficaz na transmissão de mensagens. Atraindo pincipalmente
os jovens que tem uma enorme necessidade de interagir entre si, e tudo para eles tem
que ser e acontecer de forma rápida, em casa ou em outro local, crianças, jovens e
adultos tem utilizado a internet diariamente para se comunicar com amigos e
familiares, além de realizarem muitas outras ações.
Esse crescente acesso de pessoas à rede mundial de computadores e o
surgimento de vários gêneros digitais tem possibilitado a criação de uma maneira
diferente de lidar até mesmo com a escrita e suas normas gráficas. Visto que as novas
gerações têm pleno acesso à internet não só em casa ou na escola, mas também
devido às Lans houses (rede locais onde há vários computadores conectados) que
permitem a interação de dezenas de pessoas pelo baixo custo do serviço e uso dos
equipamentos. Tal fato possibilita que todas as classes possam ter acesso a este meio
de informação e comunicação.
A internet veio inaugurar uma forma de comunicação e de uso da linguagem
através do surgimento dos gêneros digitais, nome dado às novas modalidades de
gêneros discursivos surgidos com o advento da internet, os quais possibilitam a
comunicação entre duas ou mais pessoas mediadas pelo computador. As línguas
estão em constante transformação e, principalmente pelo fato de o homem estar
exposto a inúmeros meios eletrônicos, é que seu modo de viver vem sofrendo diversas
transformações, entre elas citamos o uso do internetês, que é uma nova modalidade
de expressão e linguagem que faz uso de abreviaturas, estrangeirismos, neologismos,
siglas, desenhos, ícones, gírias, símbolos, tudo com o objetivo de transmitir as
emoções de quem fala. Deparamo-nos com uma nova forma de comunicação: a rede
ou internet, que associou o desenvolvimento e o conhecimento tecnológico ás
diferentes linguagens.
O frequente contato com as diversas formas de textos em múltiplas semioses
tem possibilitado que os próprios usuários inovem no uso da linguagem, testando
novas formas de transcrever e apresentar a língua oral no meio virtual, dissolvendo
21
as fronteiras que há entre a linguagem escrita e a oral. Embora para muitas pessoas
a linguagem esteja sofrendo “deformações” nestes campos, podemos dizer que a
palavra escrita nunca foi tão utilizada. O fato de a internet estar levando as pessoas a
lerem e a usarem mais a escrita tem desenvolvido nos internautas uma habilidade no
manuseio e na criação de formas específicas de lidar com a língua. Comparado com
as gerações passadas, o advento da internet tem possibilitado aos adolescentes o
contato com os mais variados gêneros discursivos e manifestações de linguagem,
visto que são mais de cinco milhões de usuários brasileiros navegando, em alta
velocidade, durante vinte quatro horas por dia. A esse respeito Lévy (1993) ressalta:
As ‘chamadas tecnologias da inteligência’, construções internalizadas nos
espaços da memória das pessoas e que foram criadas pelos homens para avançar
no conhecimento e aprender mais, vem ressaltando a linguagem oral, a escrita e a
linguagem digital (dos computadores são exemplos paradigmáticos desse tipo de
tecnologia. (CAMPOS, 2006, p.35)
Além disso, a internet oferece livros na rede, downloads de músicas, permite
baixar obras clássicas de literatura e a troca ‘de experiências entre as pessoas,
independente da distância em que se encontram. Essa interação proporciona o
aprendizado e o desenvolvimento cultural, social e cognitivo. É a comunicação entre
os homens que lhes permitem tornar cidadãos, pois através das várias formas de
linguagem o homem consegue se organizar na sociedade.
Pierre Lévy (1999), em sua obra Cibercultura, afirma que a rede de
computadores é um universo que permite as pessoas conectadas construir e partilhar
inteligência coletiva sem submeter-se a qualquer tipo de restrição político-ideológico,
ou seja, a internet é um agente humanizador porque democratiza a informação e
humanitário porque permite a valorização das competências individuais e a defesa
dos interesses das minorias.
Navegar na internet como ferramenta de ensino pode ser um processo de
busca de informações que dependendo da situação pode transformar-se em
conhecimento, gerando um ambiente interativo de aprendizagem ou pode ser um inútil
coletor de dados sem a menor relevância que não proporciona nenhuma contribuição
ao aluno.
Diante dessa realidade, surgem os desafios da escola, na tentativa de
responder como ela poderá contribuir para que crianças, jovens e adultos tornem se
usuários criativos e críticos dessas ferramentas, evitando que se tornem meros
22
consumidores compulsivos ou até mesmos depositórios de dados, que não fazem
sentido algum. Para tanto seria preciso estudar, aprender e depois ensinar a história,
a criação, a utilização e a avaliação dos equipamentos tecnológicos, analisando de
forma minuciosa como estas estão presentes na sociedade e qual o impacto e
implicações causados pelas mesmas na sociedade.
Como podemos observar a inserção das TICs na escola implica em muitos
desafios, primeiro porque temos aqueles que acreditam que basta utilizarem as
tecnologias que já temos para efetuar um bom papel na educação, segundo desafio e
muito mais árduo é o fato de que temos que aprender a lidar com as novas tecnologias
e esse processo não se detém de nenhuma receita, até mesmo porque interfere
diretamente na política de gestão escolar e em seus currículos, o que desafia a escola
a pensar e discutir o uso das TICs de forma coletiva, visto que seu principal objetivo é
o de melhorar, promover e dinamizar a qualidade de ensino para que ocorra sempre
de forma democrática.
Ao contrário do que grande parte da sociedade pensa, os recursos tecnológicos
não foram implantados nas escolas para facilitar o trabalho dos educadores, mas para
que o educando aprendesse a partir da realidade do mundo e principalmente para que
esse indivíduo consiga então agir sobre essa realidade, transformando-a e assim
transformando a si próprio. Todo e qualquer conhecimento implica uma série de
ações, e todo indivíduo deve agir sobre o objeto do conhecimento para que se torne
possível reconstruí-lo e até mesmo ressignificá-lo.
É importante frisarmos que desde a década de 1950, teóricos já chamavam
atenção para o fato de que os meios de informação e comunicação constituíam uma
escola onde seus indivíduos estariam encantados e atraídos em conhecer conteúdos
diferentes da escola convencional, inicia-se nesse momento a análise do efeito da
tecnologia sobre a sociedade e a educação, pensando nesses impactos Friedmann e
Pocher (1977) aponta que as tecnologias são mais do que meras ferramentas a
serviço do ser humano, elas modificam o próprio ser, interferindo seu modo de
perceber o mundo, de se expressar sobre ele e de transformá-lo. O que se prima é
que o uso das TICs em sala de aula faça desse local um ambiente articulador de
inovações e totalmente democrático, onde professor e aluno promovam ações
políticas participativas e inclusivas, transformando o ensino-aprendizagem de forma a
suprir a necessidades de todos os envolvidos a partir da interatividade.
23
A passagem de uma sociedade fechada para uma sociedade aberta impõe aos
profissionais da educação desafios, uma tomada de atitude e de coragem, pois trata
de um tempo em que a sociedade exige dos cidadãos atitudes críticas, tomadas de
decisões, reflexões sobre o seu próprio fazer. As mudanças acontecem a todo o
momento e não nenhum tipo de preocupação se os profissionais da educação querem
ou não essas mudanças, ninguém vai questionar qual é a vontade desses
profissionais. A opção é mudar ou ficar parado no tempo vendo o “bonde” passar.
Assim Freire (1979) enfatiza:
[...] a transição se torna então um tempo de opções. Nutrindo-se de mudanças,
a transição é mais que mudanças. Implica realmente na marcha que faz a sociedade
na procura de novos temas, de novas tarefas ou, mais precisamente, de sua
objetivação. As mudanças se reproduzem numa mesma unidade de tempo, sem afetá-
la profundamente. É que se verificam dentro do jogo normal, resultante da própria
busca de plenitude que fazem esses temas. (p. 65)
Afinal é extremamente importante à interação do sujeito com as pessoas e com
o meio, desde o momento de nosso nascimento passamos a interagir com o meio e
com as pessoas, sendo esta uma relação de aprendizado. A partir do conhecimento
compartilhado e interativo temos a promoção do novo, isto é, precisamos transformar
concepções teóricas e metodológicas de modo que estas acompanhem toda a
evolução tecnológica e cientifica que ocorre e que possivelmente ocorrerá no decorrer
dos próximos anos. Uma mudança acompanhada de ações inovadoras rompe as
barreiras impostas pelo conhecimento já estabelecido e fragmentado, a esse respeito
Leite ressalta:
Em muitas inovações que vemos hoje implantadas pelos gestores do sistema
de educação, as lógicas privilegiadas envolvem o curto prazo e a massificação, a
classificação, a comparação e até mesmo a competição, o individualismo e o
disciplinamento. Essas lógicas são reguladoras e se sustentam em um sistema
regulador. Como dizem Forrestier e Lipovetzki, são lógicas do momento do
capitalismo desordenado, de final de século, que contribuem para construir as
subjetividades consumistas e midiáticas da “cultura do efêmero” e do “horror
econômico”. A educação acrescenta, então, sua parcela de regulação social aos
sistemas. Parcela essa reproduzida dos paradigmas da regulação econômica, que,
em última análise, serve a exclusão social e, portanto, não serve a educação (2000,
p.56).
24
As verdadeiras inovações devem possuir características importantes que levem
os gestores dos sistemas educacionais a pensarem e planejarem estratégias que dure
um longo prazo, a fuga da rotina e da massificação de respostas prontas, fazer com
que alunos não sejam mais passivos de seguir modelos, que se tornem indivíduos
atuantes, participativos e interativos, sobretudo críticos, somente assim será capaz de
formar cidadãos capazes de agir em uma sociedade de forma a mudar e transformar
aquilo que está imposto ao ser humano. E para que a escola se torne um lugar capaz
de formar cidadãos com estas características atuantes, é preciso antes de tudo que o
professor se torne um educador intelectual, curioso, entusiasmado com as
possibilidades do ensinar e do aprender, aberto a ouvir e aceitar a opinião do outro e
também capaz de motivar e dialogar. De acordo com Valente (1999, p. 41):
[...] A implantação de novas ideias depende, fundamentalmente, das ações do
professor e dos alunos. Porém essas ações, para serem efetivas, devem ser
acompanhadas de uma maior autonomia para tomar decisões, alterar o currículo,
desenvolver propostas de trabalho em equipe e usar novas tecnologias de informação
[...].
Mudar não é uma tarefa fácil, pois envolve decisão, ousadia e, sobretudo
coragem, não ter medo de construir novas metodologias de ensino e fazer uso assim
das TICs. Trabalhar de forma que o fio condutor da educação seja a aprendizagem
do aluno, e que este possa ser o protagonista de sua construção, em que o professor
se torne seu guia e mediador no processo do conhecimento, ensinar não implica em
repassar conhecimento, mas um ato que deve ser regido pela curiosidade e vontade
de aprender.
25
4 AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICS) NO
CONTEXTO ESCOLAR
Fonte://pb21.de/wp-content/uploads
26
responsabilidade de formação da personalidade do indivíduo, tendo em vista a
transmissão cultural do conhecimento acumulado historicamente. No que se referem
à escola as tecnologias sempre estiveram presentes na educação formal, o que faz
necessário é o fato de que as instituições de ensino têm o papel de formar cidadãos
críticos e criativos em relação ao uso dessas tecnologias. Para tanto é preciso que as
mesmas abandonem a prática instrumental das tecnologias, e faça avaliações sobre
o trabalho com a inserção das novas tecnologias educativas, visto que:
Dessa forma, temos de avaliar o papel das novas tecnologias aplicadas à
educação e pensar que educar utilizando as TICs (e principalmente a internet) é um
grande desafio que, até o momento, ainda tem sido encarado de forma superficial,
apenas com adaptações e mudanças não muito significativas.
Sociedade da informação, era da informação, sociedade do conhecimento, era
do conhecimento, era digital, sociedade da comunicação e muitos outros termos são
utilizados para designar a sociedade atual. Percebe-se que todos esses termos estão
querendo traduzir as características mais representativas e de comunicação nas
relações sociais, culturais e econômicas de nossa época (SANTOS, 2012, p. 2).
A internet atinge cada vez mais o sistema educacional, a escola, enquanto
instituição social é convocada a atender de modo satisfatório as exigências da
modernidade, seu papel é propiciar esses conhecimentos e habilidades necessários
ao educando para que ele exerça integralmente a sua cidadania, construindo assim
uma relação do homem com a natureza, é o esforço humano em criar instrumentos
que superem as dificuldades das barreiras naturais. As redes são utilizadas para
romper as barreiras impostas pelas paredes das escolas, tornando possível ao
professor e ao aluno conhecer e lidar com um mundo diferente a partir de culturas e
realidades ainda desconhecidas, a partir de trocas de experiências e de trabalhos
colaborativos.
Em uma sociedade com desigualdade social como a que vivemos, a escola
pública em alguns casos torna-se a única fonte de acesso às informações e aos
recursos tecnológicos, das crianças de famílias da classe trabalhadora baixa. A esse
respeito Pretto (1999, 104) vem afirmar que “em sociedades com desigualdades
sociais como a brasileira, a escola deve passar a ter, também, a função de facilitar o
acesso das comunidades carentes às novas tecnologias”.
O uso da informática na educação implica em novas formas de comunicar, de
pensar, ensinar/aprender, ajuda aqueles que estão com a aprendizagem muito aquém
27
da esperada. A informática na escola não deve ser concebida ou se resumir a
disciplina do currículo, e sim deve ser vista e utilizada como um recurso para auxiliar
o professor na integração dos conteúdos curriculares, sua finalidade não se encerra
nas técnicas de digitações e em conceitos básicos de funcionamento do computador,
a tudo um leque de oportunidades que deve ser explorado por aluno e professores.
Valente (1999) ressalta duas possibilidades para se fazer uso do computador, a
primeira é de que o professor deve fazer uso deste para instruir os alunos e a segunda
possibilidade é que o professor deve criar condições para que os alunos descrevam
seus pensamentos, reconstrua-os e materialize-os por meio de novas linguagens,
nesse processo o educando é desafiado a transformar as informações em
conhecimentos práticos para a vida. Pois como diz Valente:
[...] a implantação da informática como auxiliar do processo de construção do
conhecimento implica mudanças na escola que vão além da formação do professor.
É necessário que todos os segmentos da escola – alunos, professores,
administradores e comunidades de pais – estejam preparados e suportem as
mudanças educacionais necessárias para a formação de um novo profissional. Nesse
sentido, a informática é um dos elementos que deverão fazer parte da mudança,
porém essa mudança é mais profunda do que simplesmente montar laboratórios de
computadores na escola e formar professores para utilização dos mesmos. (1999, p.
4)
Implantar laboratórios de informática nas escolas não é suficiente para que a
educação no Brasil dê um salto na qualidade, é necessário que todos os membros do
ambiente escolar inclusive os pais, tenham seu papel redesenhado.
Atualmente o mundo dispõe de muitas inovações tecnológicas para se utilizar
em sala de aula, o que condiz com uma sociedade pautada na informação e no
conhecimento, pois através desses meios temos a possibilidade virtual de ter acesso
a todo tipo de informação independente do lugar em que nos encontramos e do
momento, esse desenvolvimento tecnológico trouxe enormes benefícios em termos
de avanço científico, educacional, comunicação, lazer, processamento de dados e
conhecimento. Usar tecnologia implica no aumento da atividade humana em todas as
esferas, principalmente na produtiva, pois, “a tecnologia revela o modo de proceder
do homem para com a natureza, o processo imediato de produção de sua vida social
e as concepções mentais que delas decorrem” (Marx, 1988, 425).
28
Com toda essa disponibilidade é preciso formar cidadãos capazes de
selecionar o que há de essencial nos milhões de informações contidas na rede, de
forma a enriquecer o conhecimento e as habilidades humanas. Pois segundo
Marchessou (1997):
[...] excesso nas mídias, onde as performances tecnológicas e o consumo de
informação submergem, “anestesiam” a capacidade de análise dessa informação e
de reflexão tanto individual quanto social. Saturação e superabundância ameaçam o
navegador da internet que, como certas pesquisas mostram, não tira partido das
riquezas de informação pertinente, não estando formado para ir diretamente ao
essencial. (1997, p. 15)
Antes de introduzir as novas mídias interativas nas aulas expositivas é preciso
entender suas funcionalidades e as consequências de seu uso nas relações sociais,
pois somente a partir desse momento é possível utilizá-las de forma a transformar as
aulas em eventos de discussão onde ocorra de maneira efetiva à participação de todos
os indivíduos, bem como professores, alunos e pesquisadores, propiciando assim a
comunicação que só é possível a partir do momento que todas as partes se envolvem.
Para que os recursos tecnológicos façam parte da vida escolar é preciso que
alunos e professores o utilizem de forma correta, e um componente fundamental é a
formação e atualização de professores, de forma que a tecnologia seja de fato
incorporada no currículo escolar, e não vista apenas como um acessório ou aparato
marginal. É preciso pensar como incorporá-la no dia a dia da educação de maneira
definitiva. Depois, é preciso levar em conta a construção de conteúdos inovadores,
que usem todo o potencial dessas tecnologias.
A incorporação das TICs deve ajudar gestores, professores, alunos, pais e
funcionários a transformar a escola em um lugar democrático e promotor de ações
educativas que ultrapassem os limites da sala de aula, instigando o educando a
enxergar o mundo muito além dos muros da escola, respeitando sempre os
pensamentos e ideais do outro. O professor deve ser capaz de reconhecer os
diferentes modos de pensar e as curiosidades do aluno sem que aja a imposição do
seu ponto de vista, pois com lembra Freire:
Não haveria exercício ético-democrático, nem sequer se poderia falar em
respeito do educador ao pensamento diferente do educando se a educação fosse
neutra – vale dizer, se não houvesse ideologias, política, classes sociais. Falaríamos
apenas de equívocos, de erros, de inadequações, de “obstáculos epistemológicos” no
29
processo de conhecimento, que envolve ensinar e aprender. A dimensão ética se
restringiria apenas à competência do educador ou da educadora, à sua formação, ao
cumprimento de seus deveres docentes, que se estenderia ao respeito à pessoa
humana dos educandos. (2001, p. 38-39)
As escolas são locais onde ocorre a emancipação do estudante, desde cedo já
se molda cidadãos conscientes de suas responsabilidades socioambientais, formar-
se indivíduos empreendedores do conhecimento e lapidam-se vocações. Portanto a
necessidade de que os ambientes educativos se tornem lugares onde crianças e
jovens tenham habilidades de interferir no conhecimento estabelecido, desenvolver
novas soluções e aplicá-las de forma responsável para o bem-estar da sociedade.
Como Piaget (2002) enunciou: “A principal meta da educação é criar homens que
sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras
gerações já fizeram”.
Podemos considerar que a educação ao longo da vida será o único meio de
evitar a desqualificação profissional e de atender às exigências do mercado de
trabalho da sociedade tecnológica. Assim segundo BELLONI (1999) op cit CAPELLO
(2011), faz-se necessário uma flexibilização forte de recursos, tempos, espaços e
tecnologias, que abrigam à inovação constante, por meio de questionamentos e novas
experiências.
Nesse processo colaborativo de interatividade, o educador deve assumir um
novo papel no processo educacional, deixar de lado a postura de provedor de
conhecimento e atuar como mediador, até mesmo porque diante dos rápidos avanços
em sua área, somente um profissional pleno e capaz de se ajustar aos avanços
tecnológicos sobreviverá nesse mercado. É fundamental que o professor se torne
mediador e principalmente orientador na aprendizagem mediada pelas novas
tecnologias, pois é seu papel criar novas possibilidades para ensinar e aprender.
Segundo Moran (2000) o papel do professor é dividido em:
Orientador/mediador intelectual – informa, ajuda a escolher as informações
mais importantes, trabalha para que elas sejam significativas para os alunos,
permitindo que eles a compreendam, avaliem – conceitual e eticamente -, reelaborem-
nas e adaptem-nas aos seus contextos pessoais. Ajuda a ampliar o grau de o grau de
compreensão de tudo, a integrá-lo em novas sínteses provisórias.
Orientador/mediador emocional – motiva, incentiva, incentiva, estimula,
organiza os limites, com equilíbrio, credibilidade, autenticidade e empatia.
30
Orientador/mediador gerencial e comunicacional – organiza grupos, atividades
de pesquisa, ritmos, interações. Organiza o processo de avaliação. É a ponte principal
entre a instituição, os alunos e os demais grupos envolvidos (comunidade). Organiza
o equilíbrio entre o planejamento e a criatividade. O professor atual como orientador
comunicacional e tecnológico; ajuda a desenvolver todas as formas de expressão,
interação, de sinergia, de troca de linguagens, conteúdos e tecnologias.
Orientador ético – ensina a assumir e vivenciar valores construtivos, individual
e socialmente, cada um dos professores colabora com um pequeno espaço, uma
pedra na construção dinâmica do “mosaico” sensorial-intelectual-emocional-ético de
cada aluno. Esse vai valorizando continuamente seu quadro referencial de valores,
ideias, atitudes, tendo por base alguns eixos fundamentais comuns como a liberdade,
a cooperação, a integração pessoal. Um bom educador faz a diferença. (p. 30-31)
A educação não pode mais viver sob o modelo antigo, sob o risco de virar virtual
e invisível para a sociedade, às novas tecnologias devem ser exploradas para servir
como meios de construção do conhecimento, e não somente para a sua difusão. Nos
últimos anos a presença dos alunos em sala de aula diminuiu consideravelmente, sem
falar nas universidades onde alunos viraram atores virtuais, invisíveis para a estrutura
acadêmica, eles têm buscado na internet as fontes de conteúdos programáticos das
disciplinas, ignoram a oportunidade de debates e reflexões em sala de aula.
Diferente de anos atrás, hoje os alunos têm acesso muito mais rápido e fácil às
informações, esse fator tornou as aulas expositivas desinteressantes e assim sua
presença se tornou limitada, aos eventos protocolares como: exames e atividades
extraclasses. O horizonte de uma criança, de um jovem, hoje em dia, ultrapassa
claramente o limite físico da sua escola, da sua cidade ou de seu país, quer se trate
do horizonte cultural, social, pessoal ou profissional. Diante disso é importante
lembrarmos que os professores não nasceram digitalizados, enquanto seus alunos,
sim.
Segundo Xavier (2005), as novas gerações têm adquirido o letramento digital
antes mesmo de ter se apropriado completamente do letramento alfabético ensinado
na escola. Esta intensa utilização do computador para a interação entre pessoas a
distância, tem possibilitado que crianças e jovens se aperfeiçoem em práticas de
leitura e escrita diferentes das formas tradicionais de letramentos e alfabetizações.
Essas inúmeras modificações nas formas e possibilidades de utilização da linguagem
em geral são reflexos incontestáveis das mudanças tecnológicas que vem ocorrendo
31
no mundo desde que os equipamentos informáticos e as novas tecnologias de
comunicação começaram a fazer parte intensamente do cotidiano das pessoas.
A aprendizagem intermediada pelo computador gera profundas mudanças no
processo de produção do conhecimento, se antes as únicas vias eram de sala de aula,
o professor e os livros didáticos, hoje é permitido ao aluno navegar por diferentes
espaços de informação, que também nos possibilita enviar, receber e armazenar
informações virtualmente.
O trabalho educacional a partir da informática tem papel fundamental na prática
pedagógica das escolas, pois possibilita a transição de um sistema de ensino
fragmentado para uma abordagem de conteúdos integrados. Sendo possível também
o processo de criação, busca, interesse e motivação, através de atividades que
exigem planejamento, tentativas, hipóteses, classificações e motivações,
impulsionando a aprendizagem por meio da exploração que estimula a experiência.
Segundo Oliveira (2000), os trabalhos pedagógicos podem ser coerentes com a visão
de conhecimento que integre o sujeito e objetivo, assim como aprendizagem e ensino.
Nessa perspectiva, as tecnologias tornam-se ferramentas poderosas, capazes de
ampliar as chances de aprendizagem do aluno.
O computador e os demais aparatos tecnológicos são vistos como bens
necessários dentro dos lares e saber operá-los constitui-se em condição de
empregabilidade e domínio da cultura, é impossível fechar-se a esses
acontecimentos.
Quem de nós não se lembra dos ditados de palavras e das regras gramaticais
decoradas sem que soubéssemos qual seria a situação em que um dia poderíamos
usa-las? Sem esquecermos também, das variadas datas comemorativas, fórmulas de
matemáticas, química e física, ossos e órgãos do corpo humano e acidentes
geográficos, todas as atividades decorativas que fazíamos sem entender qual seria o
significado aquilo poderia ter para nossa vida, muitas vezes ouvíamos de nossos
professores que um dia precisaríamos daquele conhecimento. Mas como incorporá-
los se naquele momento eles não faziam sentido a nós, pareciam apenas regras a
serem decoradas para resolução de exercícios e de avaliações.
Com grande frequência temos ouvido professores reclamarem que seus alunos
não sabem escrever, e da parte dos alunos ouvimos, que a escola os leva a escrever
sobre coisas que não tem significado algum para a sua realidade.
32
Notemos que atualmente não se trata mais apenas de fazer redações escolares
com começo, meio e fim. Com a era digital, as crianças estão se tornando
especialistas em lidar com o hipertexto, o sistema informação que inclui textos, fotos,
áudio e vídeo, com infinitas possibilidades de navegação. No que se refere o
hipertexto é preciso que o internauta desenvolva habilidades de avaliar criticamente
as informações encontradas e saiba identificar quais são as fontes mais confiáveis
entre as inúmeras apresentadas. Por essa razão é importante que o professor tenha
conhecimento sobre o hipertexto e a linguagem utilizada na internet, para poder assim
melhor orientar seus alunos.
Ferreiro (2000) afirma que o laboratório de computação na escola possibilita
aos jovens o ato de escrever e publicar. Muitas vezes a escrita na escola pode se
tornar algo maçante, visto que na maioria das vezes o único a ler e ter contato com os
textos escritos pelos alunos é o professor. O fato de se escrever apenas por
encomenda na escola, onde o professor solicita aos alunos a produção de uma
redação, este a faz e aquele corrige isto é algo que se torna para o aluno muito sofrido,
afinal escrever para quê? Ou melhor, para quem? Notemos que falta ao aluno
motivação para fazer um bom texto, fazer só porque o professor solicitou torna a
atividade desagradável e descontextualizada.
A integração da tecnologia de informação e comunicação na escola favorece
em muito a aprendizagem do aluno e a aproximação de professores e alunos, pois
através deste meio tecnológico ambos têm a possibilidade de construírem
conhecimento através da escrita, reescrita, troca de ideias e experiências, o
computador se tornou um grande aliado na busca do conhecimento, pois se trata de
uma ferramenta que auxilia na resolução de problemas e até mesmo no
desenvolvimento de projetos. As TICs têm como característica o fazer e o refazer,
transformando o erro em algo que pode ser refeito e reformulado instantaneamente
para produzir novos saberes, cada indivíduo que explora as tecnologias de informação
e comunicação se torna um emissor e receptor de informações, mais especificamente
leitor, escritor e comunicador, esse emaranhado de possibilidade ocorre graças ao
poder persuasivo das informações contidas nas TICs que envolve o sujeito incitando-
o à leitura e à expressão através da escrita textual e hipertextual.
A internet proporciona ao professor compreender a importância de ser parceiro
de seus alunos, navegar junto com os alunos apontando possibilidades de percorrer
novos caminhos sem a preocupação de ter experimentado passar por eles algum dia,
33
provocando assim a descoberta de novos significados, permitindo aos alunos
resolverem problemas ou desenvolverem projetos que tenham sentido para a sua
aprendizagem, é nesse processo que a educação resultaria em um exercício ético-
democrático:
Não haveria exercício ético-democrático, nem sequer se poderia falar em
respeito do educador ao pensamento diferente do educando se a educação fosse
neutra – vale dizer, se não houvesse ideologias, política, classe sociais. Falaríamos
apenas de equívocos, de erros, de inadequações, de “obstáculos epistemológicos” no
processo de conhecimento, que envolve ensinar e aprender. A dimensão ética se
restringiria apenas à competência do educador ou da educadora, a sua formação, ao
cumprimento de seus deveres docentes, que se estenderia ao respeito à pessoa
humana dos educandos. (FREIRE, 2001ª, p. 38-39)
O processo de incorporação das tecnologias nas ações docentes guia
professores e alunos para uma educação libertadora e humanista, na qual homens e
mulheres imergem na construção do conhecimento, se tornando sujeitos da condução
de sua própria aprendizagem, ou seja, um sujeito participativo e responsável pela sua
própria construção, deixando de lado o sujeito passivo para se tornar autônomos e
cidadãos democráticos do saber, a esse respeito Freire enfatiza que:
A educação é uma resposta da finitude da infinitude. A educação é possível
para o homem, portanto esse é inacabado. Isso leva a sua perfeição. A educação,
portanto, implica uma busca realizada por um sujeito que é o homem. O homem deve
ser sujeito de sua própria educação; não pode ser objeto dela. Por isso, ninguém
educa ninguém. (FREIRE, 1979, p. 27-28)
Uma educação comprometida é aquela que propicia aos seus indivíduos o
desenvolvimento e auto formação, disponibiliza e oportuniza aos seus indivíduos o
papel de construção de sua própria história, de sua autonomia de negociar e tomar
decisões em defesa de seus direitos e de sua coletividade, pois é a partir da autonomia
que o indivíduo conquista e exerce sua plena cidadania. É importante frisarmos aqui
que a autonomia não é algo que se transmite ao aluno, mas que se constrói e
conquista conforme sua vivencia, cada homem constrói sua autonomia de acordo com
as várias decisões tomadas ao decorrer de seu dia e de sua vida. Freire defende que:
“o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um
favor que podemos ou não conceder uns aos outros” (1996, p. 66). A autonomia ajuda
34
o homem a se tornar um cidadão crítico, libertar-se do comodismo, da passividade,
da omissão e da indecisão.
As TICs também têm papel fundamental no desenvolvimento de projetos, pois
permite o registro desse processo construtivo, funciona como um recurso que irá
diagnosticar o nível de desenvolvimento dos alunos, suas dificuldades e capacidades,
favorecendo também a identificação e a correção dos erros e a constante
reelaboração, sem perder aquilo que já foi criado.
Uma inovação é como ver algo novo nas coisas às vezes conhecidas, deve-se
pensar em ações que promovam novos papéis para a escola, ações em que a
utilização das TICs no contexto educacional estabeleça uma rede dialógica de
interação com o intuito de promover a ruptura do distanciamento entre sujeito-
sociedade.
O computador ligado à internet propicia ao professor atuar de forma diferente
em sala de aula, é possível instigar os alunos a desenvolver pesquisas, investigações,
críticas, reflexões, aprimorar e transformar ideias e experiências, não é preciso que
professores se tornem donos da verdade e do conhecimento, mas sim parceiros de
seus alunos, andando juntos em busca de um mesmo propósito o conhecimento e a
aprendizagem. Essa atuação leva os profissionais da educação a se desprender do
livro didático, que deixa de ser o guia da prática do professor e passa a ser mais uma,
entre outras, fontes de informação e de desenvolvimento do trabalho.
No momento atual em que a sociedade vive é imprescindível que a educação
caminhe no sentido do conhecimento compartilhado, com liberdade para se expressar
e se comunicar.
O professor que caminha de forma a tentar conhecer o aluno e entendê-lo em
sua realidade, é um profissional que podemos considerar ativo, crítico empenhado no
seu papel de ensinar, pois a partir do momento que se sente desafiado pelo aluno,
este vive uma busca constante do aprendizado ao ensino.
Atualmente o professor não é um mero propagador de conhecimento, mas sim
ambos (aluno e professor) são parceiros do ensino-aprendizagem, o professor tem o
papel de planejar a aula de acordo com a necessidade de seus alunos e estes também
têm seu papel que é contribuir com aquilo que deseja aprender, como por exemplo, o
tema a ser abordado, no qual se leva em conta dúvidas, curiosidades, indagações,
conhecimentos prévios, valores, descobertas, interesses. O professor é desafiado a
conhecer seu aluno, não é mais apenas aprendiz de conteúdo, mas de indivíduo, para
35
que possa respeitar os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem, temos uma
situação que não é mais o professor o único a planejar as aulas para os alunos
executar, e sim ambos trabalham em busca de aprendizagem, cada atuando segundo
o seu papel e nível de desenvolvimento.
Notemos que é a partir do respeito e da confiança que aluno e professor
caminharão para uma escola nova e avançada, onde há preocupação com aquilo que
se é proposto para o aluno ler, pois é através de uma leitura prazerosa que acontece
o despertar para outras leituras e para uma escrita criativa. Assuntos interessantes
levam a questionamentos, a participações efetivas, espírito cooperativo e solidário em
ambiente escolar.
A mudança na escola começa a partir de uma mudança pessoal e profissional,
capaz de levantar uma escola que incentive a imaginação, a leitura prazerosa, a
escrita criativa, favoreça a iniciativa, a espontaneidade, o questionamento, que se
torne um ambiente onde promova e vivencie a cooperação, o diálogo, a partilha e a
solidariedade.
Enfim para que todo esse leque de oportunidades aconteça, seja vivenciado é
preciso que professor e aluno andem juntos, trabalhem num mesmo ritmo de
cooperatividade, principalmente falem a mesma língua que é a da era da informação,
pois somente trabalhando os interesses da juventude será possível um aprendizado
de forma gratificante e com resultados positivos para ambos os envolvidos no ensino-
aprendizagem.
36
4.1 O Uso da Internet: uma Metodologia Dinâmica de Ensino
Fonte: iep.edu.es/wp-content/uploads
Segundo o autor José Manuel Mouran (1997), a internet é entre tantos mais um
rico recurso para uma metodologia dinâmica de ensino, quando bem explorada nos
proporciona uma vasta quantidade de ferramentas que podem enriquecer o processo
de ensino aprendizagem, entre tantos artifícios, selecionamos os seguintes recursos:
- o alto poder de divulgação,
- pesquisa,
- comunicação,
- exploração,
- informação,
- educativos.
O ato de divulgar pode ser ou não institucional, objetivos de trabalho que a
escola possui, ou divulgação específica da biblioteca, dos educadores e educandos
ou até mesmo por grupos que podem divulgar seus trabalhos, ideias e projetos. Cabe
aqui ressaltar que os alunos têm muito mais prazer em escrever quando sabe que
outras pessoas terão acesso ao seu texto, assim é preciso em conversar selecionar
assuntos que são de interesse dos educandos para que esses possam produzir texto
de opinião que por fim serão publicados na rede social.
37
As pesquisas podem ser realizadas durante as aulas ou na biblioteca, salas de
laboratórios, como sendo atividade livre ou opcional, individual ou em grupo. Vale
lembrar que o professor nesse momento deve estar atento para orientar os alunos nas
escolhas das informações, ambos trabalhando em conjunto para a escolha de
conteúdos significativos, que ampliem o grau de compreensão e conhecimento do
educando, e que estes se tornem capazes de avaliar e reelaborar suas próprias
escolhas.
A comunicação, bem como o correio eletrônico, Web, lista de grupos de
discussão são outras formas metodológicas que podem ser utilizadas pelos
educadores. Estas novas práticas beneficiam a facilidade para trocas de informação
por grupos a fins, o professor deve ser capaz de ajudar seus alunos a criarem seu
próprio endereço eletrônico e fazer uso deste para armazenar informações e troca-las
com outros grupos, o que torna possível também as trocas de experiências, culturas,
informações e ideias, este é um meio bastante eficaz na integração do indivíduo a
sociedade, pois proporciona que este interage em grupo, tornando-o um indivíduo
cooperativo, criativo, crítico e responsável, pois ele de forma consciente faz suas
próprias escolhas e toma suas decisões.
A internet é uma excelente fonte Informativa como instrumento para a vida
escolar e acadêmica é a maior potencialidade das tecnologias. Porém não se pode
limitar apenas como receptor de informações, mas sim, como um distribuidor através
da lista de discussão, WWW.
Mouran (1997) contribui em muito com nosso trabalho ao relatar algumas
metodologias que desenvolveu em instituições públicas de ensino. O primeiro passo
foi introduzir a internet para que os educandos conhecessem e aprendessem a lidar
com esta, logo após cadastrou os alunos para que tivessem um e-mail pessoal, assim
poderiam pesquisar e guardar suas pesquisas, endereços e artigos. Essa atividade
de integração do indivíduo com o meio tecnológico para que esse fizesse uso dessa
ferramenta em benefício a sua aprendizagem, motivou os alunos nas aulas, contribuiu
no desenvolvimento da instituição, na flexibilidade mental, adaptação a ritmos
diferentes, desenvolvimento de novas formas de comunicação, aumento do interesse
pelo estudo de línguas, ampliação das conexões linguísticas, geográficas e
interpessoais. Podemos observar que o simples ato de introduzir a internet a sua
prática cotidiana, permitiu ao educando lidar com novos desafios e estimular a prática
de trabalho cooperativo.
38
Um processo de ensino também muito interessante se quando realizado de
forma satisfatória e compromissado é o ato de ensinar, aprender e desenvolver a
prática pedagógica por meio da integração das TICs e em especial quando realizada
a integração de conteúdos escolares por meio de projetos interdisciplinares, torna o
aluno muito mais ativo, aprendendo a fazer, testar e levantar ideias e hipóteses, o que
o torna investigativo e selecionador daquilo que lhe é proposto como estudo. Cabe ao
professor gerar situações instigantes que levem os alunos interagir, trabalhar em
grupo, e consequentemente produzir novos saberes.
O ato de associar a utilização das tecnologias à Metodologia de Projetos no
ambiente escolar favorece o aprendizado, pois a aprendizagem é facilitada quando o
aluno participa responsavelmente do seu processo, quando o aluno envolve sua
inteligência e seus sentimentos, o aprender se torna impregnante e durável.
A aprendizagem por meio de projetos propõe uma formação de indivíduos com
uma visão global da realidade, o que o prepara para a aprendizagem ao longo da vida,
visto que, quanto maior o envolvimento do aprendiz com o seu processo de
aprendizagem, com os objetivos de seu conhecimento, maiores serão as
possibilidades de uma aprendizagem significativa, é preciso que o aluno entre em
contato com o meio, isto é, com seu objeto de estudo para que faça sentido para sua
realidade vivida, não basta apenas realizar pesquisas bibliográficas, é preciso
envolvimento. Os projetos constituem uma forma de incentivar e desenvolver os
recursos da inteligência e da sensibilidade, envolvendo o aluno e criando condições
para a busca de novos conhecimentos, soluções para problemas e fatos que tem
algum significado para ele, o que faz desta metodologia uma aliada importante no
esforço de incorporar as TICs. Assim Valente lembra:
No trabalho com projetos há de se ir além da superação de desafios, buscando
desvelar e formalizar os conceitos implícitos no desenvolvimento do trabalho para que
se estabeleça o ciclo da produção do conhecimento científico que vai tecendo o
currículo na ação. (VALENTE, s/d, p.30)
Podemos nesse momento fazer uma breve exposição sobre os elementos que
compõe as tecnologias e que podem ajudar no ensino aprendizagem quando bem
exploradas pelos protagonistas do sistema educacional. Esses elementos são:
rapidez, recepção individualizada, interatividade e participação hipertextualidade e
realidade virtual.
39
Rapidez – a rapidez com que a informação chega até nós é uma das grandes
características das TICs, temos acesso a todos os tipos de informação em tempo
quase que real. Hoje com o uso da internet os jovens são capturados pelas múltiplas
linguagens e sentido, adquirem habilidades sem o menor auxilio da escola, pois na
maioria das vezes a escola ainda está naquela de preparar seus alunos para ler
símbolos (palavras e frases) em textos escritos, sem considerar imagens e as
linguagens dos diferentes suportes tecnológicos presentes na atualidade. O que
temos presenciado no ensino são as tecnologias e seus aparatos chegando aos
alunos de forma direta sem haja a intervenção de um mediador para prepará-lo a lidar
com aquele meio e suas abundantes informações.
Recepção individualizada - a grande maioria dos docentes trabalha de forma
única, sem consideração aos anseios e necessidades individuais dos estudantes,
muitas vezes devido a sala de aula estar cheia o professor tem dificuldade de
aproximar de seus alunos e assim realizar um trabalho de acordo com os anseios,
possibilidades e realidades destes. Assim jovens acabam se envolvendo com a
tecnologia segundo seu modo de viver e ver a realidade, utilizando-se das
representações pessoais e sociais para compor e (re)criar seu próprio valores e
conceitos.
Interatividade e participação – através das múltiplas funcionalidades da
internet, sendo os jogos um de seus componentes, os jovens desenvolvem
capacidades como, construir e intervir na história, escolher os caminhos, criar e
experimentar possibilidades, discutir e compartilhar as descobertas com os amigos,
essa estimulação acaba por acontecer com uma máquina que estimula seu usuário a
querer participar, a discutir e compartilhar as descobertas com os amigos. Enquanto
a escola por muitas vezes está distante do universo de seus alunos, na busca de
atender às exigências curriculares, acaba por não incentivar a autonomia e
participação entre os jovens, possibilitando ensinamentos e experiências
descontextualizadas do universo adolescente.
Hipertextualidade – através de textos virtuais, alunos tem que descobrir
alternativas que o tornem mais competente em suas escolhas e decisões, mesmo que
estas aconteçam por ensaios e erros. O texto virtual permite associações, mixagens,
e faz com que o usuário tenha diferentes opções de escolha, seja sujeito em busca
da complexidade de informações/caminhos que, na maioria dos processos escolares,
não é usual, pois os currículos escolares não dão conta, por exemplo, de situações
40
vividas pelos jovens em contato com outros jovens em situações do dia a dia de
incertezas, acertos, erros, medos, entre outros aspectos. A educação por hipertextos
possibilita ao estudante ações de decisão, visto que este é responsável pela seleção
e produção de caminhos e informações.
Realidade virtual – o indivíduo interage com a realidade das imagens, criando
elementos próprios para entender a situação virtual. A realidade virtual prazerosa tem
um pequeno lugar pedagógico, principalmente nos primeiros anos escolares, com a
fantasia das histórias contadas, no entanto, na continuidade da vida escolar trabalha-
se mais textos formais, distantes das emoções, dos desejos e do conhecimento
informal do cotidiano dos alunos. Entendemos que o prazer da aprendizagem pode
ser obtido através de componentes que respondam aos anseios imaginários dos
estudantes e propiciem a eles vivências significativas e criativas.
Como podemos ver o frequente uso das tecnologias desperta a imaginação,
investe na afetividade e nas relações como mediação primordial no mundo, sua
incorporação no ambiente escolar pode ensinar seus indivíduos a respeitar o
diferente, a vencer obstáculos, a trabalhar coletivamente, entre outros aspectos, o que
pretendemos com esse trabalho não é propor uma nova didática, mas uma postura
que se apoia na inter-relação entre professor e aluno como sujeitos que se organizam,
decidem e buscam superar obstáculos, tendo em vista conteúdos curriculares que
podem ser intermediados com as tecnologias, é interessante elencar a utilização
destas como molas propulsoras na sala de aula, elemento de percepção sobre as
complexidades do mundo atual e como mediadoras de processos comunicacionais.
41
5 TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA NA COOPERAÇÃO UNIVERSIDADE-
EMPRESA
Fonte:cmcufjfblog.files.wordpress.com
42
processo de transformação da pesquisa básica para a pesquisa aplicada, ou seja, a
inovação tecnológica. O diálogo, a troca e a confiança são a base para a cocriação e
coprodução entre universidade – empresa.
Nessa interação espera-se que a universidade estimule a geração de ideias e
novos conhecimentos, às empresas exige-se a parceria na implantação destas ideias,
transformando os conhecimentos em negócios de sucesso para a sociedade.
Nestas condições de expectativas e competitividade no processo de inovação,
tanto as empresas, mas principalmente as universidades, têm enfrentado desafios
para atender às estas exigências. Sabe-se que as empresas são detentoras dos
mecanismos para criar e difundir produtos inovadores, porém buscam nas pesquisas
universitárias os fundamentos para o desenvolvimento dessas inovações.
Até meados do século XVIII, como apontado por Etzkowitz (2003), a
Universidade tinha como missão o ensino. No final daquele século, a pesquisa
universitária foi incluída a esta missão, configurando-se na chamada primeira
revolução acadêmica, criada pelos conflitos entre as diferentes práticas de pesquisa
e ensino.
Mesmo já tendo se passado tantas décadas as tensões entre ensino e pesquisa
mantém-se principalmente no Brasil, país que não reconhece a profissão de
pesquisador, sendo o professor o responsável por alcançar as duas missões
universitárias.
Neste ambiente ainda em desenvolvimento surgiu à segunda revolução
acadêmica, em meados do século XX, a busca pela implantação da Universidade
Empreendedora. Seguindo o modelo de universidades americanas como
Massachusetts Institute of Technology - MIT, Stanford e Harvard, soma-se às missões
de ensino e pesquisa, uma missão com foco na aplicabilidade dos conhecimentos
construídos no ambiente universitário para o desenvolvimento econômico e social, ou
seja, a segunda revolução busca aproximar a Universidade às demandas da
sociedade, posicionando-a como um importante ator de inovação para o
desenvolvimento de seu entorno. (ETZKOWITZ, 2003)
Com base neste histórico, compreende-se que a universidade se preocupe em
não desviar o foco do ensino e queira proteger os resultados de suas pesquisas,
mesmo quando exigida a compartilhá-lo para utilização comercial por outros atores de
inovação como a indústria e o governo.
43
Segundo Santos (2003), a partir da segunda revolução na academia, fez-se
necessário que a Universidade assumisse uma posição de liderança e apoio em seus
ambientes regionais de inovação. Nesta abordagem, a Universidade começa a se
posicionar como agente de desenvolvimento econômico, local e regional,
transformando seus professores em Intraempreendedores, ou, como advoga Santos
(2003) em empresários de pesquisa, produtores de tecnologias com potencial de
serem transferidas para as empresas.
Assim, a universidade passa a desempenhar um papel mais central na
economia ao combinar ensino e pesquisa e extensão. Reisman (2005) afirma que o
tema sobre transferência de tecnologia é novo no Brasil e, mesmo em âmbito
internacional. Considerado emergente o tema, porém, vem adquirindo importância
estratégica em muitos países, pois representa fonte de recursos para a pesquisa
acadêmica, inovação para as empresas e desenvolvimento econômico e social para
a sociedade.
Nesse contexto, para compreender melhor o tema, elabora-se a questão de
pesquisa: como se processa a evolução dos estudos científicos associados à
transferência de tecnologia na cooperação universidade - empresa no que tange a
linha do tempo, a interdisciplinaridade e as variáveis teórico-empíricas? Para
responder a essa questão, definiu-se como objetivo deste estudo, compreender a
evolução temporal, a interdisciplinaridade e as variáveis teórico-empíricas
relacionadas à transferência de tecnologia na cooperação entre universidade e
empresa.
Para o alcance deste objetivo foi realizada uma revisão sistemática da literatura
com posterior análise bibliométrica, pois de acordo com Reisman (2005), esse
processo é consideravelmente tão relevante quanto divulgar pesquisas em áreas
específicas do conhecimento. Conforme o autor, esse processo propicia a
consolidação de conhecimentos, indicando modos mais eficazes para solucionar
problemas descobrindo novos caminhos para serem percorridos por novas pesquisas.
O trabalho de Alberto Felipe Friderichs Barros, Simone Meister Sommer Bilessimo,
Jones Costa D´Avila, Patrícia de Sá Freire está assim estruturado: as duas próximas
seções apresentam a revisão da literatura com as duas variáveis de pesquisa:
cooperação universidadeempresa e transferência de tecnologia. Em seguida
apresentam-se os procedimentos metodológicos elaborados na pesquisa, de modo a
auxiliar na compreensão do objeto de estudo. Este artigo apresenta os resultados por
44
meio da análise bibliométrica em bases de dados eletrônicas. Por fim, têm-se as
considerações finais e sugere-se novas pesquisas.
45
De acordo com Melo (2012), a cooperação entre universidade-empresa traz
benefícios mútuos tanto para a academia como para as indústrias. Segundo autor,
essa cooperação recíproca incentiva à qualidade do ensino e da pesquisa nas
universidades motivando a participação dos alunos em projetos de pesquisa em
parceira com o setor produtivo estimulando a junção entre a pesquisa básica e a
aplicada. Dessa forma, essa parceria entres esses dois atores de inovação além de
contribuir para a ampliação das fronteiras do conhecimento da universidade vêm
contribuir também para a otimização dos processos de desenvolvimento de inovações
tecnológicas dentro das empresas.
Alessio (2004) destaca algumas diferenças importantes e naturais entre o
ambiente acadêmico e a empresa e que representam dificuldades para esta
cooperação. Segundo o autor, realizar um projeto a partir do treinamento dos
estudantes altera a escala de tempo de conclusão do projeto, pois a rapidez de
conclusão é uma variável fundamental do ponto de vista das empresas. O sigilo em
um projeto empresarial é uma regra, enquanto que num projeto acadêmico é de
fundamental importância que ocorra livre debate dos resultados. O autor também
coloca que a motivação para a busca do conhecimento e resultados na universidade
é muito mais desinteressada do que na empresa. Desta forma, a pesquisa básica
tende a acontecer em maior proporção no ambiente acadêmico, enquanto que na
empresa, a pesquisa aplicada e o desenvolvimento tecnológico ocorrem com maior
frequência.
46
No entanto, essas barreiras precisam ser vencidas para que estas parcerias
ocorram de forma efetiva, pois apesar da universidade e da empresa terem missões
e objetivos diferentes, é necessário que as duas consigam enxergar pontos comuns
nesse relacionamento para obterem resultados positivos. Mesmo havendo algumas
dificuldades para que esse relacionamento aconteça, a participação do governo é
fundamental para criar programas e incentivar a inovação tecnológica no setor
empresarial e a cooperação entre universidades e empresas.
47
A criação dos NITs foi um dos mecanismos que o governo propôs para diminuir
a distância entre a academia e o ambiente empresarial, um grande obstáculo para a
viabilização da transferência de tecnologia e, consequentemente, da inovação.
Caldera e Debande (2010) explicam que a burocracia e a falta de flexibilidade das
universidades são barreiras neste processo, gerando, assim, insatisfações que
desviam pesquisadores e membros de empresas a cooperarem levando-os a
estabelecer relações informais de consultoria. Segatto-Mendes (2001) evidencia a
importância do apoio dos escritórios de transferências tecnologias (ETTs) para o
estabelecimento das relações formais, tais como: o patenteamento, podendo, dessa
forma, facilitar a solução de questões burocráticas, como é o caso da fixação de
percentuais de royalties.
Para Etzkowitz (2009, p.128), “o passo inicial rumo a uma universidade
empreendedora é a criação de um escritório de transferência de tecnologia como um
mecanismo de busca interna para identificar tecnologias comercializáveis e como um
mecanismo de busca externa para identificar clientes potenciais”. Em um sentido geral
os ETTs são organizações especializadas em transferir tecnologia ou conhecimentos
das instituições produtoras de conhecimento com as quais estão vinculadas, para
outras organizações.
Dessa forma possuem como principal missão aumentar as chances de que as
descobertas das instituições de pesquisas se convertam em produtos e serviços dos
quais a sociedade possa se beneficiar, ou seja, da capitalização do conhecimento.
Assim, cabe a esses ETTs gerenciar estes canais de comunicação para a passagem
de tecnologia e conhecimento para outras organizações. A começar pela
sensibilização dos pesquisadores e pela construção de uma cultura voltada para
inovação.
Na universidade este papel de coordenador e executor das políticas ou
atividades ligadas à inovação e transferência tecnológica pode ser exercido pelo NIT,
a fim de melhorar e ampliar o relacionamento com as empresas. Neste sentido, faz-
se necessário que, na busca por uma maior interação com as empresas, a
universidade crie mecanismos para ampliar e estimular o processo de interação e
consequentemente a transferência de tecnologia. (CAPART; SANDELIN, 2004).
48
6 CONTEXTUALIZANDO O ATUAL CENÁRIO SOCIAL E EDUCACIONAL
Fonte:www.brasildosaber.com.br
49
se conhecer como sujeito. Esse profissional deve ter uma visão geral sobre os
diferentes problemas que afligem a humanidade, considerando-os numa totalidade.
O papel da educação é formar esse profissional e para isso, esta não se
sustenta apenas na instrução que o professor passa ao aluno, mas na construção do
conhecimento pelo aluno e no desenvolvimento de novas competências, como:
capacidade de inovar, criar o novo a partir do conhecido, adaptabilidade ao novo,
criatividade, autonomia, comunicação. (MERCADO, 1999, p. 30) Para o autor
supracitado, torna-se responsabilidade de todos os profissionais da educação, não
apenas o professor, mas todos aqueles que de alguma forma envolvem-se, direta ou
indiretamente, com a construção do conhecimento dos alunos, adaptar-se às novas
mudanças para não ser “engolido” pelo mercado de trabalho, aprimorando seus
conhecimentos através do aperfeiçoamento contínuo objetivando sempre uma
melhora na qualidade do ensino.
O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas
a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. Identidade
que é epistemológica, ou seja, que reconhece a docência como um campo de
conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos, a saber:
conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino, ou seja, das ciências humanas e
naturais, da cultura e das artes; conteúdos didático-pedagógicos; conteúdos
relacionados a saberes pedagógicos mais amplos e conteúdos ligados à explicitação
do sentido da existência humana. ” (LIBÂNEO & PIMENTA, 1999, p. 260)
Estabelecem-se novos perfis para o professor na sociedade da informação,
este deve ser um sujeito comprometido com as transformações sociais e políticas. Um
profissional reflexivo, crítico, competente no âmbito da sua própria disciplina,
capacitado para exercer a docência e realizar atividades de investigação. O domínio
das Tecnologias da Informação e Comunicação, viabilizam de forma significante tais
características, facilitam a interposição de tais aspectos, trazendo uma determinada
facilidade aos processos pedagógicos citados em decorrência do uso de novas/outras
metodologias de ensino.
O uso de novas tecnologias da informação e comunicação nas salas de aula
contribui para aumentar o fluxo de informações e conhecimentos trocados. O
conhecimento torna-se mais acessível, os professores deixam de ser os "senhores
absolutos" num processo de transmissão de conhecimentos e os materiais
50
pedagógicos e a metodologia de ensino evoluem de livros-textos para programas e
projetos mais amplos.
A formação para a docência com estas novas tecnologias requer uma nova
configuração do processo didático e metodológico para uma formação adequada e
propostas metodológicas inovadoras. O professor passa a ser responsável pela
construção dos saberes através dos conhecimentos ensinados e da troca de
experiências com os alunos, objetivando que esse sujeito possa ingressar na
sociedade em todos os seus âmbitos, tornando-se profissionais competentes de
conhecimento amplo e com experiências que compreendem um nível didático
ampliado. As novas tecnologias da informação e comunicação precisam de uma
integração total em ambientes de ensino-aprendizagem, precisam gerar situações que
permitam ao aluno o envolvimento com os processos de aprendizagem necessários
para atingir os objetivos educacionais desejados
Fonte:2.bp.blogspot.com
51
De acordo com o trabalho publicado por Ana Graça, a rápida difusão das TICs
exerce mutações no modo de vida das sociedades. Assume importância na vida
coletiva e individual atual.
A tecnologia tem origem na sociedade, exercendo uma influência decisiva no
seu desenvolvimento. A sociedade tem usufruído dessas tecnologias, na
administração pública, central e local e na estrutura empresarial.
A vantagem da difusão das TICs contribuiu para simplificar processos
administrativos e proporcionar a redução dos custos que lhe estão associados.
Contribuindo também a agilização do relacionamento com os cidadãos e empresas.
A principal forma de interação com os cidadãos e a tecnologia é a existência
de canais direcionados para sugestões e reclamações on-line, pagamentos e
preenchimento de formulários/declarações.
As TICs são importantes em muitos setores, como iremos explicar
seguidamente.
52
. Novas concepções acerca da natureza dos saberes, valorizando o trabalho
cooperativo;
. Novas vivências e práticas escolares, através do desenvolvimento de
interfaces entre escolas e instituições, tais como bibliotecas, museus, associações de
apoio à juventude, entre outros;
. Novas investigações cientificas em desenvolvimento no ensino superior, entre
outros.
É indispensável ter presente a utilização das TICs na educação porque estas
consistem em escolarizar as atividades que têm lugar na sociedade, procurando as
adaptar aos seus objetivos.
As TICs, na educação, permitem uma compreensão profunda do mundo em
que vivemos enriquecendo o conhecimento.
53
Este sistema é também utilizado nos metrôs e nos comboios onde os sistemas
tecnológicos disponíveis auxiliam os humanos facilitando o seu trabalho.
54
A informação é útil para quem a possui, estando presente em todas as
atividades que envolvem pessoas, processos, sistemas, recursos financeiros,
tecnologias, entre outros.
As tecnologias da informação ajudam a humanizar a sociedade, reforçando o
reconhecimento do valor do indivíduo. As tecnologias de informação são cada vez
mais utilizadas como ponto de partida para o estudo do comportamento da sociedade
atual.
Uma das características fundamentais das tecnologias de informação consiste
no fato, de um único meio eletrônico de comunicação suportar todo o tipo de
informação possível de digitalizar, o que inclui desde os “tradicionais” documentos de
texto, passando por imagens, áudio e vídeo.
A transmissão de informação é realizada em poucos segundos e é enviada para
vários locais, ficando assim a ser útil para muita gente, temos o caso de um telejornal
mencionado anteriormente.
As TICs desempenham um papel cada vez mais importante para o
desenvolvimento do mundo.
55
8 BIBLIOGRAFIA
BUSH, V. As we may think. The atlantic monthly, jul, 1945. Disponível em:
FREIRE, P. 1987. Pedagogia do Oprimido. 17ª Ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
______. 2001ª. Extensão ou Comunicação? 11ª Ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
FREIRE, P.; SHOR, I. 1993. Medo e Ousadia. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
56
GUTIÉRREZ, Alfonso Martin. Educacion multimedia: uma propuesta
desmistificadora. Segovia, Espanha, 1995. Texto mimeografado.
KALINKE, Marco Aurélio. Para não ser um Professor do Século Passado. Curitiba:
MÉSZÁROS, István. O poder da ideologia. São Paulo: Boitempo, 2005. (p.11 – 54).
57
NUNES, Paulo. TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação). Disponível em:
http://knoow.net/cienceconempr/gestao/tic-tecnologias-de-informacao-e-
comunicacao/. Acesso em 06 agosto 2018
PACKER, R.; JORDAN, K. Multimedia: from wagner to virtual reality. New York:
Norton & Company, 2001.
SANTOS, Ranieri Braga dos; SANTOS, Girlane Brito dos; PORFIRO, Neire Abreu
Mota; FARIA, Wendell Fiori de. As tecnologias de informação e comunicação na
Formação docente inicial em pedagogia, como Metodologia contributiva para a
formação do Professor Disponível em:
https://editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/TRABALHO_EV056_MD1_S
A4_ID2833_15082016103453.pdf. Acesso em 07 agosto 2018
58
WIENER, N. Cybernetics: or control and communication in the animal and the
machine. 2 ed.Cambridge, MA: The MIT Press, 2000.
______. The human use of human beings: cybernetics and society. Cambridge,
MA: Da CapoPress, 1988.
59